Planos de ajustamento do FMI podem afetar saúde infantil

Junho 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Noticia do http://www.dnoticias.pt/ de 16 de maio de 2017.

Os programas de austeridade do FMI nos países mais pobres podem diminuir a capacidade de alguns pais de garantir a saúde dos filhos, concluiu um estudo científico publicado na segunda-feira e contestado pela instituição financeira.

Realizado por seis universidades, este estudo publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences junta-se a uma vasta literatura sobre os possíveis malefícios da austeridade orçamental promovida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) nos países do sul.

O estudo, que compilou dados de 67 países recolhidos nos anos 2000, afastou a hipótese de uma “causa direta” entre uma degradação dos indicadores de saúde e os planos do FMI, que fornece empréstimos aos Estados em troca de programas de consolidação das finanças públicas.

O trabalho identificou “efeitos contraditórios” que a ação do FMI tem na saúde infantil.

“As intervenções do FMI procuram aumentar a estabilidade económica, o que traz benefícios para a população. No entanto, ao mesmo tempo, as medidas de ajustamento impostas pelo FMI diminuem os efeitos protetores [que o nível] de educação dos pais [tem] na saúde infantil”, escreveram os autores das universidades de Cambridge e Oxford, no Reino Unido.

Assim, os lares onde o chefe de família tem pelo menos um nível de educação primário têm, em termos gerais, mais condições de responder às necessidades dos filhos em termos de acesso à água, nutrição ou vacinação.

Esta capacidade é reduzida nos países sob assistência do FMI, especialmente em meios rurais, indicou o estudo.

De acordo com os investigadores, o nível de escolaridade dos pais reduz os riscos de malnutrição infantil em 38% em épocas normais, mas apenas em 21% quando os países estão a ser apoiados pelo FMI.

Esta diferença está relacionada, de acordo com os investigadores, com a redução das despesas públicas exigidas pelo FMI que “comprime os salários” e provoca perdas de oportunidade de emprego, arriscando-se a limitar a “utilidade (…) de uma educação básica” na capacidade dos pais de garantirem uma saúde melhor aos filhos.

Contactado pela agência noticiosa France Presse (AFP), o FMI criticou o estudo e disse que este falhou em estabelecer uma ligação direta entre os planos de resgate e a saúde infantil.

De acordo com a instituição, os investigadores concluíram “de maneira errónea” que os gastos com a educação diminuem nos países sob assistência do FMI, com consequências nefastas para a saúde infantil.

“As nossas análises mostram que as despesas públicas com a educação aumentaram significativamente nos países de baixos rendimentos, durante a implementação dos programas de assistência do Fundo”, indicou uma porta-voz do FMI em comunicado.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Impact of International Monetary Fund programs on child health

 

 

 

Jovens consomem muitas bebidas energéticas, apesar dos efeitos adversos

Junho 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 5 de junho de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Bebidas Energéticas: Qual a Realidade na Adolescência? / Liliana Branco… [et al].- Acta Pediátrica Portuguesa, v. 48, n. 2 (2017), p. 109-117

A obtenção de mais energia e de diversão por toda a noite foram os principais objectivos mencionados para o consumo de bebidas energéticas.

Lusa

Um estudo que envolveu centenas de adolescentes portugueses detectou uma elevada ingestão de bebidas energéticas, isolada ou associada ao álcool, apesar de este consumo não ser recomendado para esta idade devido aos seus potenciais efeitos adversos.

Publicado na edição de Abril/Junho da Acta Pediátrica Portuguesa, a revista oficial da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), o estudo Bebidas Energéticas: Qual a realidade na adolescência? foi elaborado por pediatras do Hospital da Senhora da Oliveira (Guimarães) e do Centro Hospitalar de São João (Porto).

Com base em respostas de 704 adolescentes, com idades compreendidas entre os 14 e os 19 anos, o estudo apurou que 76% já tinham experimentado bebidas energéticas, tendo a primeira ingestão ocorrido entre os 12 e os 15 anos em 85% dos casos.

Estas bebidas pertencem a um grupo de bebidas não alcoólicas com um elevado teor de cafeína e às quais são adicionadas outras substâncias, nomeadamente hidratos de carbono (glucoronolactona, dextrose, sacarose), aminoácidos (taurina), vitaminas (B riboflavina, piridoxina, L-carnitina) e extractos de plantas (ginseng, guaraná).

Entre os vários efeitos adversos destas bebidas estão a taquicardia, agitação, cefaleia, insónia, desidratação, tonturas, ansiedade, irritabilidade, tremores, aumento da tensão arterial e distúrbios gastrointestinais.

Alerta da OMS

Com o aumento da dose, os sintomas podem ter maior gravidade: convulsões, hemorragias, arritmias ou alucinações, “podendo mesmo levar à morte”, lê-se no artigo que cita vários artigos científicos já publicados sobre esta matéria. A crescente popularidade destas bebidas entre os adolescentes levou mesmo algumas organizações, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) a alertar para os seus efeitos prejudiciais e a recomendar que estas não sejam consumidas por crianças e adolescentes.

Em Portugal, existem poucos estudos relativos a esta temática que evidenciem a verdadeira realidade do consumo de bebidas energéticas na população dos adolescentes, pelo que este trabalho pretende caracterizar o seu padrão de consumo.

As respostas obtidas neste inquérito permitiram apurar que 63% dos adolescentes inquiridos ingeriram pelo menos uma bebida energética no último ano e que 74% as ingeriram durante as noites de fim-de-semana, com um consumo foi mais elevado por parte do género masculino.

A obtenção de mais energia (44%) e de diversão por toda a noite (34%) foram os principais objectivos mencionados para o consumo de bebidas energéticas, os quais mudam consoante o género. Os rapazes pretendem obter mais energia e melhorar o desempenho físico e as raparigas são movidas pela curiosidade.

A maioria (53%) não referiu qualquer efeito após o consumo de bebidas energéticas e, dos que referiram efeitos, os mais frequentes foram a obtenção de mais energia (21%) e o aumento da concentração (9%) no género masculino e a sensação de alegria (11%) no género feminino. Nenhum adolescente teve necessidade de recorrer a cuidados médicos. Em 59% dos consumidores foi observado o consumo associado de bebidas energéticas com álcool. A maioria (85%) associou esta bebida a vodka.

“Os objectivos predominantes para este tipo de consumo foram melhorar o sabor das bebidas alcoólicas (76%) e prolongar a diversão (37%), não se tendo verificado diferenças entre os géneros em nenhum dos objectivos”, lê-se no artigo.

Os autores do estudo apontam o grande marketing imposto pelas diversas empresas em áreas atractivas para os adolescentes, que tem como principal público-alvo os jovens do género masculino como “uma das prováveis razões para esta maior ingestão” de bebidas energéticas. Por outro lado, prosseguem, “a falta de regulamentação relativamente à comercialização das bebidas energéticas torna-as de fácil acesso, sem restrições legais à sua venda, tal como foi observado neste estudo, em que a maioria dos consumidores referiu já ter alguma vez comprado uma bebida energética”.

Perante “a elevada ingestão de bebidas energéticas detectada nos adolescentes deste estudo”, os autores consideram essencial “aumentar a consciencialização das crianças, adolescentes, encarregados de educação, professores e sociedade no geral para este tipo de consumo e os seus riscos”.

 

 

 

Nem menos sensíveis, nem mais agressivas. Os videojogos não têm os efeitos que se pensava nas crianças

Junho 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 21 de maio de 2017.

ERIC PIERMONT/ Getty Images

Um estudo alemão analisou os efeitos a longo prazo dos videojogos e concluiu que as crianças não se tornam mais agressivas ou menos empáticas mesmo que joguem todos os dias e que os jogos sejam violentos

Há uma preocupação generalizada sobre o impacto dos videojogos nas crianças. Numa altura em que a popularidade e a qualidade destes jogos continua a aumentar, um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina de Hannover, na Alemanha, realizou um estudo que promete deixar alguns pais mais descansados.

A investigação, liderada por Gregor Szycik, analisou os efeitos a longo prazo dos videojogos e não encontrou nenhuma ligação com alterações nas respostas neurais nas crianças.

O estudo observou 30 participantes (todos do sexo masculino) que nos últimos quatro anos jogaram videojogos de tiro, como Call of Duty e Counterstrike, durante duas horas ou mais, todos os dias. Os participantes foram comparados a outras crianças que não jogavam.

Enquanto eram examinados através de uma ressonância magnética – que media a ativação de zonas específicas do cérebro -, os participantes observaram imagens projetadas com o objetivo de provocar respostas emocionais e empáticas. No final, preencheram um questionário e os resultados revelaram pouca ou nenhuma variação nos níveis de agressividade e empatia entre jogadores e não jogadores.

Apesar do pequeno número de participantes, Gerry Moore, professor de psicoterapia e saúde mental na Universidade da Cidade de Dublin, ouvido pelo The Irish Times, salienta uma particularidade deste estudo: foi pedido às crianças que não jogassem durante um tempo anterior aos testes – a maioria não tinha jogado nas últimas 24, o que significa que não foi tido em conta o impacto imediato de jogar jogos violentos. Outros estudos que encontraram relação entre a violência dos jogos e a violência do comportamento usaram os dados obtidos imediatamente após o jogo. “Ao providenciar este intervalo no tempo, este estudo mostrou que que as crianças poderiam mostrar mais empatia se lhe fosse permitido parar e talvez contar até 10 e dispersar a situação”, considera.

O especialista diz ainda que o nível de empatia das crianças não pode ser determinado exclusivamente pelo tempo que passam a jogar videojogos, por mais violentos que sejam. “As pessoas aprendem a ser empáticas muito cedo. Muitos estudos indicam que a empatia começa a desenvolver-se tão cedo como os estágios pré-verbais da infância – muito antes das crianças começarem a jogar videojogos”, defende.

 

 

 

O que diz a neurociência sobre o que vulgarmente se pensa dos filhos únicos

Maio 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 15 de maio de 2017.

Crescer sem irmãos afeta mesmo a estrutura das crianças? A convicção comum de que os filhos únicos são menos sociáveis encontra justificação ao nível do cérebro? Uma investigação realizada na China debruçou-se sobre estas questões

A influência da presença de irmãos na vida de uma criança vai mais longe do que até agora demonstrado e afeta, além do ambiente em que crescem, a arquitetura do seu cérebro. Esta é a conclusão de uma investigação publicada na revista Brain Imaging and Behavior, que dá razão a algumas das crenças mais comuns sobre os filhos únicos.

Sem ter de dividir atenção e recursos, os pais só com um filho tendem a expô-lo a mais estímulos, favorecendo-lhes a criatividade, a inteligência e a independência. Por outro lado, por nunca terem tido de dividir um brinquedo, um quarto ou a tão preciosa atenção dos pais, os filhos únicos têm fama de “mimados” e pouco dados às capacidades de convívio social.

Até que ponto estas perceções encontram justificação no cérebro foi o que Jiang Qiu, professor de psicologia da Universidade do Sudoeste , em Chongqing, China, quis perceber. Com uma equipa de investigadores chineses, o responsável reuniu 250 estudantes, que foram submetidos a testes normais de inteligência, criatividade e personalidade para medir a sua criatividade, o seu QI e a sua afabilidade, enquanto os seus cérebros foram, por seu lado, alvo de exames.

Nos testes comportamentais, os filhos únicos não mostraram quaisquer diferenças em termos de QI, mas evidenciaram níveis mais elevados de flexibilidade (uma medida da criatividade) e níveis mais baixo de afabilidade do que as crianças com irmãos.

Os exames de imagiologia confirmaram estes resultados, mostrando diferenças significativas entre os filhos únicos e os outros nas regiões cerebrais associadas à flexibilidade, à imaginação, ao planeamento e também à afabilidade e regulação emocional.

 

 

 

Quer que o seu filho tenha melhores notas? Solução está nos vegetais

Maio 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.noticiasaominuto.com/ de 14 de maio de 2017.

Conclusão é de um estudo publicado na Appetite, que demonstra que refeições saudáveis se traduzem em melhores notas escolares.

As crianças que comem vegetais ao jantar têm tendência a ter um melhor desempenho no dia seguinte e a obter melhores notas na escola. Já as bebidas com gás têm o efeito inverso.

Estes factos são comprovados num estudo de investigadores australianos, citado pelo Daily Mail e publicado no jornal especializado Appetite, que demonstra que os vegetais são ricos em antioxidantes, que ajudam a manter um ADN saudável, característica fundamental para um melhor funcionamento do cérebro.

Para medir o efeito do consumo de vegetais em crianças entre os oito e os 15 anos, os investigadores perguntaram aos pais com que frequência os seus filhos comiam vegetais ao jantar.

De uma amostra de mais de 4.200 crianças, os resultados demonstram que as que têm hábitos mais saudáveis têm também melhores notas na escola, numa média superior a 86 pontos. Em contrapartida, e especialmente em casos de excesso de consumo de bebidas com gás, os resultados são mais negativos.

Por isso, já sabe: se quer que os seus filhos melhorem o desempenho escolar, aumente a dose de vegetais nas refeições, sobretudo ao jantar, e diminua a ingestão de bebidas com gás.

A notícia do Daily Mail é a seguinte:

Why forcing your children to eat fruit and vegetables every night will see them do better at school the next day

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Associations between selected dietary behaviours and academic achievement: A study of Australian school aged children

 

 

Descoberta relação entre a idade em que os homens são pais e risco de autismo dos filhos

Maio 12, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 3 de maio de 2017.

NARINDER NANU/ Getty Images

Nem muito cedo, nem muito tarde. Um novo estudo sugere que as capacidades sociais são um domínio afetado apenas pela idade paterna e aponta as idades de risco

Quando ter filhos, qual a idade ideal, porquê antes ou porque não depois de determinado momento na vida, na carreira… São questões frequentemente associadas às mulheres, sobretudo quando ultrapassam os 35 anos sem terem sido mães. Mas um novo estudo veio realçar que também para o sexo masculino existem timings mais favoráveis que outros para terem filhos.

Uma nova pesquisa, conduzida pelo Seaver Autism Center for Research and Treatment da Icahn School of Medicine de Mount Sinai (EUA), revelou que filhos de pais com idade inferior a 25 ou superior a 51 anos têm maior probabilidde de desenvolver autismo e outras perturbações sociais.

Para descobrir se as capacidades sociais das crianças são influenciadas pela idade do pai, os investigadores analisaram 15 mil gémeos com idades entre os quatro e os 16 anos. A equipa procurou identificar diferenças nos padrões de desenvolvimento, comportamento, incluindo problemas entre pares e questões de hiperatividade e emotividade.

Os investigadores também analisaram, individualmente, se os efeitos da idade paterna tinham maior relação com fatores genéticos ou ambientais. Após realizarem análises genéticas, observaram que o desenvolvimento de competências sociais era principalmente influenciado por fatores genéticos, que eram cada vez mais acentuados à medida que a idade do pai aumentava.

“O nosso estudo revela que as crianças nascidas de pais muitos jovens ou mais velhos podem confrontar-se com situações sociais mais desafiadoras, mesmo que não obedeçam aos critérios de diagnóstico do autismo”, explica Magdalena Janecka, do departamento de Psiquiatria da Icahn School of Medicine at Monte Sinai, ao Eurek Alert.

Não foi encontrada nenhuma ligação entre a idade da mãe e o desenvolvimento dos filhos: “O nosso estudo sugere que as capacidades sociais são um domínio chave afetado pela idade paterna.”

Janecka acredita que as diferenças de desenvolvimento apontadas pelo estudo são causadas por alterações na maturação do cérebro. “Identificar as estruturas neurais que são afetadas pela idade paterna e ver como o desenvolvimento dos filhos difere dos padrões comuns, permite que entendamos melhor os mecanismos por trás desses efeitos da idade, como, provavelmente, casos de autismo e esquizofrenia”, acrescentou.

 

 

 

Crianças menores de 14 anos não deveriam atravessar uma estrada movimentada sozinhas, diz a ciência

Maio 10, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://lifestyle.sapo.pt/ de 24 de abril de 2017.

Pixabay

Um novo estudo revela que as crianças com menos de 14 anos nem sempre conseguem identificar corretamente os espaços entre os carros que lhes permitam atravessar uma estrada movimentada, e sem semáforos, em segurança.

Um novo estudo da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, revela que crianças menores de 14 anos não têm um julgamento percetivo e habilidade física necessárias para conseguirem atravessar uma estrada sem semáforos em segurança. “Algumas pessoas pensam que as crianças mais novas são capazes de atuar como os adultos ao atravessar uma estrada movimentada. O nosso estudo demonstra que este não é necessariamente o caso em estradas de maior tráfego, onde os carros não param”, afirma a autora do estudo Jodie Plumert.

Para chegar a esta conclusão, o estudo usou um simulador para avaliar a capacidade de crianças entre os 6 e os 14 anos de atravessar uma estrada movimentada. E observaram que as crianças de 6 anos foram atingidas por veículos 8% das vezes; as de 8 anos, 6%; as de 10 foram atingidas 5% e as de 12 anos, 2%. Apenas as de 14 anos, ou maiores, não registaram acidentes ao atravessar a estrada.

As crianças tinham em conta duas variáveis quando decidiam se era seguro ou não atravessar, de acordo com a pesquisa. A primeira envolvia a sua capacidade de perceção, ou seja, como elas julgavam a diferença entre a distância de um carro e outro, tendo em consideração a velocidade do mesmo e a distância da travessia. As crianças mais novas tinham mais dificuldade em tomar decisões percetivas e consistentemente precisas. A segunda variável tinha a ver com as suas capacidades motoras. Com que rapidez as crianças passam entre um carro e outro? As mais novas eram incapazes de cronometrar o primeiro passo da mesma forma precisa do que um adulto, o que na realidade lhes dava menos tempo para atravessar a rua antes do próximo carro chegar.

Os investigadores recomendam que os pais ensinem os seus filhos a serem pacientes e que incentivem os mais jovens a escolher espaços ainda maiores do que aqueles que os adultos escolheriam se fossem eles a atravessar.

Nos Estados Unidos as estatísticas indicam que, em 2014, 8.000 acidentes resultaram em 207 fatalidades, envolvendo veículos motorizados e crianças com 14 anos e mais novas.

De acordo com a APSI, Associação para a Promoção da Segurança Infantil, em Portugal, os acidentes rodoviários são a maior causa de morte na infância e adolescência, apesar de, nos últimos 20 anos, o país ter conseguido reduzir de forma significativa o número de crianças e jovens que morreram na sequência de um acidente rodoviário (enquanto passageiros de um automóvel, peões ou mesmo condutores de bicicletas e motas).

artigo do parceiro: Susana Krauss

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Changes in Perception–Action Tuning Over Long Time Scales: How Children and Adults Perceive and Act on Dynamic Affordances When Crossing Roads.

 

 

Jovens com sintomas depressivos envolvem-se em lutas mais frequentemente, diz estudo

Abril 25, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://24.sapo.pt/ de 11 de abril de 2017.

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da UPorto (ISPUP) concluiu que sintomas depressivos como a tristeza, o cansaço, a irritabilidade e os sentimentos de culpa levam a que os jovens se envolvam com mais frequência em lutas físicas.

“À primeira vista, esta relação parece paradoxal porque as componentes da depressão incluem a autoculpabilização e o cansaço e, portanto, parte-se do princípio de que a pessoa estará demasiado apática para a agressão”, explicou a investigadora do ISPUP Sílvia Fraga.

Contudo, segundo indica, existem outros fatores associados aos comportamentos agressivos que estão também presentes em casos de depressão, como a irritabilidade.

Neste projeto, desenvolvido pela Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP, foram avaliados 1.380 jovens (743 raparigas e 637 rapazes), nascidos em 1990, a frequentar escolas públicas e privadas do Porto.

As avaliações deram-se em dois momentos, quando os jovens tinham 13 e 17 anos, tendo sido analisado o nível dos sintomas associados à depressão dos adolescentes nestes dois períodos e o envolvimento em lutas físicas somente no segundo.

As conclusões deste trabalho, no qual participaram também os investigadores do ISPUP Elisabete Ramos e Henrique Barros, mostram que os rapazes se envolviam mais frequentemente em comportamentos violentos aos 17 anos de idade quando apresentavam sintomas depressivos relevantes nos dois momentos da avaliação.

Já nas raparigas, verificou-se que as agressões eram mais frequentes entre aquelas que tinham sintomas de depressão aos 17 anos de idade, independentemente de possuírem, ou não, estes sintomas na avaliação anterior.

Nos rapazes, “é necessário que estes sentimentos estejam presentes há mais tempo” para que “os exteriorizem ou reajam, envolvendo-se em lutas físicas. Nas raparigas não encontramos esta relação, talvez porque lidam com a persistência destes sentimentos de outra forma”, referiu Sílvia Fraga.

“Tanto a depressão como a violência são dois fatores que merecem toda a atenção, especialmente entre os mais jovens”, indicou a investigadora, acrescentando que “o envolvimento em lutas é um comportamento frequente nas escolas e, por isso, muitas vezes ignorado”.

Para a especialista, a saúde mental dos adolescentes e o envolvimento em comportamentos violentos são questões prioritárias na área da Saúde Pública e estes resultados chamam a atenção para a necessidade de se estar atento a comportamentos agressivos em contexto escolar, pois podem representar um primeiro indicador de alterações que frequentemente não ser percebidas.

Fizeram parte deste estudo adolescentes nascidos em 1990 e recrutados em 2003 para o projeto EPITeen, que tem como objetivo acompanhá-los até à fase adulta, avaliando-os de quatro em quatro anos.

Deste projeto, no qual esteve também envolvida a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), resultou o artigo “Depressive Symptoms and Involvement in Physical Fighting among Portuguese Adolescents” (“Sintomas Depressivos e Envolvimento em Combate Físico entre Adolescentes Portugueses”), publicado recentemente na revista “Health & Social Work”.

 

 

Pais com pena suspensa por não vacinarem filho em França

Abril 23, 2017 às 6:14 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2017.

Vários Estados-membros da OMS pedem o boletim de vacinas nas matrículas escolares Enric Vives-Rubio

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam.

Joana Gorjão Henriques

Acreditavam que as vacinas faziam pior do que as doenças e não vacinaram o filho contra o pólio, o tétano e a difteria. O caso aconteceu em França e foi a tribunal: em 2016, a sentença ditou aos pais uma pena suspensa de dois meses de prisão.

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam, de acordo com um relatório da revista científica Eurosurveillance. Neste documento diz-se que os programas de vacinação voluntária na Europa são tão eficazes quanto os obrigatórios. As consequências legais da não-vacinação variam. Podem traduzir-se em multas, dificuldade de inscrição de crianças em escolas públicas ou processos em tribunal, adianta o estudo. Segundo disse ao PÚBLICO, European Centre for Disease Prevention and Control (ECDPC) está a fazer uma actualização da informação sobre quantos países têm programas de vacinação obrigatória.

Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação para que a vacina contra o sarampo seja obrigatória, diz o seu gabinete de imprensa do PÚBLICO, mas de acordo com informação recolhida em 2015, 12 dos 53 Estados-membros pediam o boletim de vacinas nas matrículas escolares. Porém, a OMS não sabe quantos destes países, que incluem a Letónia, França, Bielorrússia, Chipre ou Grécia, o tornavam obrigatório e quantas crianças não-vacinadas ficam mesmo impedidas de ir à escola.

O relatório da Eurosurveillance referia que, em 27 países da União Europeia (mais a Noruega e a Islândia), 14 tinham pelo menos uma vacina obrigatória: contra o pólio era obrigatória em 12 países, contra a difteria e tétano em 11 e contra a Hepatite B em 10. De acordo com o mesmo documento, a vacinação obrigatória não se tinha provado ser mais eficaz do que outros programas voluntários.

Notícia do Le Monde sobre o caso em França:

Refus de vaccination : un couple condamné à 2 mois de prison avec sursis

O relatório da Eurosurveillance é o seguinte:

Mandatory and recommended vaccination in the EU, Iceland and Norway: results of the VENICE 2010 survey on the ways of implementing national vaccination programmes

 

 

 

Crianças refugiadas na Suécia estão a cair num estado parecido com o coma e pode ser por medo da deportação

Abril 16, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 3 de abril de 2017.

LOUISA GOULIAMAKI/ Getty Images

As autoridades suecas estão a tentar perceber o que passa com as crianças no país, aparentemente só as refugiadas, depois de 60, só no ano passado, terem entrado numa espécie de estado de coma

Num momento são crianças saudáveis, no outro caem num estado semelhante ao coma. O que muitas, pelo menos, têm em comum é que entre um instante e o outro receberam a notícia da deportação iminente. As autoridades crêem estar perante a “síndrome da resignação”, que as deixa, na descrição da publicação médica Acta Pædiatrica, “totalmente passivas, imóveis, sem tónus, alheadas, mudas, incapazes de comer ou beber, incontinentes e sem reação a estímulos físicos ou dor”.

As crianças ficam incapazes de se deslocarem e até se de alimentarem, tendo de receber a comida através de uma sonda. Vários testes têm demonstrado, no entanto, que não sofreram qualquer lesão cerebral.

A “uppgivenhetssyndrom” parece só afetar a população refugiada e a New Yorker lembra que um fenómeno semelhante foi observado nos campos de concentração nazi, entre os prisioneiros que tinham perdido toda a esperança.

Os médicos acreditam que o fenómeno se trata de uma manifestação do medo de terem de voltar aos seus países de origem, uma teoria reforçada pelas melhoras registadas meses depois de a família obter autorização para permanecer na Suécia.

O artigo da New Yorker citado na notícia é o seguinte:

The Trauma of Facing Deportation

 

 

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