Jovens com sintomas depressivos envolvem-se em lutas mais frequentemente, diz estudo

Abril 25, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://24.sapo.pt/ de 11 de abril de 2017.

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da UPorto (ISPUP) concluiu que sintomas depressivos como a tristeza, o cansaço, a irritabilidade e os sentimentos de culpa levam a que os jovens se envolvam com mais frequência em lutas físicas.

“À primeira vista, esta relação parece paradoxal porque as componentes da depressão incluem a autoculpabilização e o cansaço e, portanto, parte-se do princípio de que a pessoa estará demasiado apática para a agressão”, explicou a investigadora do ISPUP Sílvia Fraga.

Contudo, segundo indica, existem outros fatores associados aos comportamentos agressivos que estão também presentes em casos de depressão, como a irritabilidade.

Neste projeto, desenvolvido pela Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP, foram avaliados 1.380 jovens (743 raparigas e 637 rapazes), nascidos em 1990, a frequentar escolas públicas e privadas do Porto.

As avaliações deram-se em dois momentos, quando os jovens tinham 13 e 17 anos, tendo sido analisado o nível dos sintomas associados à depressão dos adolescentes nestes dois períodos e o envolvimento em lutas físicas somente no segundo.

As conclusões deste trabalho, no qual participaram também os investigadores do ISPUP Elisabete Ramos e Henrique Barros, mostram que os rapazes se envolviam mais frequentemente em comportamentos violentos aos 17 anos de idade quando apresentavam sintomas depressivos relevantes nos dois momentos da avaliação.

Já nas raparigas, verificou-se que as agressões eram mais frequentes entre aquelas que tinham sintomas de depressão aos 17 anos de idade, independentemente de possuírem, ou não, estes sintomas na avaliação anterior.

Nos rapazes, “é necessário que estes sentimentos estejam presentes há mais tempo” para que “os exteriorizem ou reajam, envolvendo-se em lutas físicas. Nas raparigas não encontramos esta relação, talvez porque lidam com a persistência destes sentimentos de outra forma”, referiu Sílvia Fraga.

“Tanto a depressão como a violência são dois fatores que merecem toda a atenção, especialmente entre os mais jovens”, indicou a investigadora, acrescentando que “o envolvimento em lutas é um comportamento frequente nas escolas e, por isso, muitas vezes ignorado”.

Para a especialista, a saúde mental dos adolescentes e o envolvimento em comportamentos violentos são questões prioritárias na área da Saúde Pública e estes resultados chamam a atenção para a necessidade de se estar atento a comportamentos agressivos em contexto escolar, pois podem representar um primeiro indicador de alterações que frequentemente não ser percebidas.

Fizeram parte deste estudo adolescentes nascidos em 1990 e recrutados em 2003 para o projeto EPITeen, que tem como objetivo acompanhá-los até à fase adulta, avaliando-os de quatro em quatro anos.

Deste projeto, no qual esteve também envolvida a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), resultou o artigo “Depressive Symptoms and Involvement in Physical Fighting among Portuguese Adolescents” (“Sintomas Depressivos e Envolvimento em Combate Físico entre Adolescentes Portugueses”), publicado recentemente na revista “Health & Social Work”.

 

 

Pais com pena suspensa por não vacinarem filho em França

Abril 23, 2017 às 6:14 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2017.

Vários Estados-membros da OMS pedem o boletim de vacinas nas matrículas escolares Enric Vives-Rubio

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam.

Joana Gorjão Henriques

Acreditavam que as vacinas faziam pior do que as doenças e não vacinaram o filho contra o pólio, o tétano e a difteria. O caso aconteceu em França e foi a tribunal: em 2016, a sentença ditou aos pais uma pena suspensa de dois meses de prisão.

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam, de acordo com um relatório da revista científica Eurosurveillance. Neste documento diz-se que os programas de vacinação voluntária na Europa são tão eficazes quanto os obrigatórios. As consequências legais da não-vacinação variam. Podem traduzir-se em multas, dificuldade de inscrição de crianças em escolas públicas ou processos em tribunal, adianta o estudo. Segundo disse ao PÚBLICO, European Centre for Disease Prevention and Control (ECDPC) está a fazer uma actualização da informação sobre quantos países têm programas de vacinação obrigatória.

Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação para que a vacina contra o sarampo seja obrigatória, diz o seu gabinete de imprensa do PÚBLICO, mas de acordo com informação recolhida em 2015, 12 dos 53 Estados-membros pediam o boletim de vacinas nas matrículas escolares. Porém, a OMS não sabe quantos destes países, que incluem a Letónia, França, Bielorrússia, Chipre ou Grécia, o tornavam obrigatório e quantas crianças não-vacinadas ficam mesmo impedidas de ir à escola.

O relatório da Eurosurveillance referia que, em 27 países da União Europeia (mais a Noruega e a Islândia), 14 tinham pelo menos uma vacina obrigatória: contra o pólio era obrigatória em 12 países, contra a difteria e tétano em 11 e contra a Hepatite B em 10. De acordo com o mesmo documento, a vacinação obrigatória não se tinha provado ser mais eficaz do que outros programas voluntários.

Notícia do Le Monde sobre o caso em França:

Refus de vaccination : un couple condamné à 2 mois de prison avec sursis

O relatório da Eurosurveillance é o seguinte:

Mandatory and recommended vaccination in the EU, Iceland and Norway: results of the VENICE 2010 survey on the ways of implementing national vaccination programmes

 

 

 

Crianças refugiadas na Suécia estão a cair num estado parecido com o coma e pode ser por medo da deportação

Abril 16, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 3 de abril de 2017.

LOUISA GOULIAMAKI/ Getty Images

As autoridades suecas estão a tentar perceber o que passa com as crianças no país, aparentemente só as refugiadas, depois de 60, só no ano passado, terem entrado numa espécie de estado de coma

Num momento são crianças saudáveis, no outro caem num estado semelhante ao coma. O que muitas, pelo menos, têm em comum é que entre um instante e o outro receberam a notícia da deportação iminente. As autoridades crêem estar perante a “síndrome da resignação”, que as deixa, na descrição da publicação médica Acta Pædiatrica, “totalmente passivas, imóveis, sem tónus, alheadas, mudas, incapazes de comer ou beber, incontinentes e sem reação a estímulos físicos ou dor”.

As crianças ficam incapazes de se deslocarem e até se de alimentarem, tendo de receber a comida através de uma sonda. Vários testes têm demonstrado, no entanto, que não sofreram qualquer lesão cerebral.

A “uppgivenhetssyndrom” parece só afetar a população refugiada e a New Yorker lembra que um fenómeno semelhante foi observado nos campos de concentração nazi, entre os prisioneiros que tinham perdido toda a esperança.

Os médicos acreditam que o fenómeno se trata de uma manifestação do medo de terem de voltar aos seus países de origem, uma teoria reforçada pelas melhoras registadas meses depois de a família obter autorização para permanecer na Suécia.

O artigo da New Yorker citado na notícia é o seguinte:

The Trauma of Facing Deportation

 

 

Excessiva empatia emocional impede crianças autistas de comunicar

Abril 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 1 de abril de 2017.

© Jorge Lopez / Reuters

Uma excessiva empatia emocional impede as crianças com autismo de comunicarem com o mundo, segundo um estudo, o que representa uma mudança de paradigma na compreensão deste transtorno.

O Grupo de Investigação de Perinatalogia do Instituto de Investigação Sanitária de La Fe, em Valência, Espanha, avaliou a reação de crianças com e sem perturbação do espetro do Autismo perante expressões faciais de diferentes emoções e concluiu que o autismo não se caracteriza por falta de empatia, mas sim por um excesso de sensibilidade perante as emoções dos outros.

Com os dados e experiencias analisados na investigação, chega-se à conclusão de que o retraimento e o ensimesmamento das crianças com autismo é uma maneira de se protegerem perante um ambiente emocionalmente esmagador.

Segundo explicaram à EFE fontes do hospital, esta descoberta dignifica as perturbações do espetro do autismo – cujo dia mundial se assinala no domingo -, já que se caracterizam por um excesso de sensibilidade face às emoções e não por um defeito.

Os transtornos do espetro do autismo são considerados alterações do neurodesenvolvimento que podem provocar problemas de interação social, comunicacionais e comportamentais significativos.

Até ao momento, sempre se procurou modificar os comportamentos sociais atípicos das crianças com autismo, cuja origem se acreditava ser a falta de empatia.

Contudo, este estudo demonstra o contrário: que as crianças com autismo têm uma excessiva empatia quando atentam às emoções dos outros e é, precisamente, essa experiência avassaladora que os leva a retraírem-se e os impede de comunicar.

O artigo “Communication deficits and avoidance of angry faces in children with autism spectrum disorder” é da autoria da doutorada em psicologia clínica Ana García-Blanco e foi publicado na revista científica “Research in Developmental Disabilities”.

Com uma equipa do Grupo de Investigação de Perinatalogia e do serviço de psiquiatria de La Fe, Ana García-Blando avaliou 30 rapazes e raparigas autistas, com idades entre os seis e os 18 anos, e outros 30 sem a perturbação.

Foram apresentadas a todas estas crianças expressões faciais de tristeza, alegria, zanga e neutras e avaliou-se o modo como reagiam a esses rostos.

Os resultados mostraram que os rostos com carga emocional captavam a atenção de todas as crianças, independentemente de apresentarem ou não perturbação do autismo.

No entanto, quando as crianças autistas se mostraram capazes de exercer controlo sobre a sua atenção, preferiam evitar os rostos irritados, porque lhes causavam grade mal-estar, o que estará relacionado com os problemas de comunicação social que estas crianças apresentam.

As emoções captam a atenção das crianças com perturbação do autismo de maneira semelhante à das crianças sem o transtorno, mas, tão rapidamente como identificam uma emoção stressante, os autistas tendem a evitá-la, para acalmar o mal-estar que sentem.

Estas peculiaridades no processamento das emoções poderão ser um mecanismo subjacente aos problemas de comunicação social que estas crianças apresentam e contradizem a habitual tese que considera que o comportamento e os problemas cognitivos é que são os obstáculos que dificultam a sua comunicação.

Lusa

 

 

Diabetes associada a muito tempo de frente a ecrãs

Abril 8, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.paisefilhos.pt/ de 21 de março de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Screen time is associated with adiposity and insulin resistance in children

Numa altura em que se regista um aumento cada vez maior na utilização por crianças de dispositivos electrónicos, como smartphones e tablets, um estudo publicado na revista Archives of Disease in Childhood defende que as crianças que passam muito tempo em frente à televisão, consolas de jogos e computador apresentam mais fatores de risco de diabetes de tipo 2.

Liderado por Claire Nightingale da Universidade St. George de Londres, o estudo demostrou que as crianças que passam mais de três horas diárias em frente a um ecrã têm mais possibilidade de ter gordura corporal e mais resistência à insulina, o que significa que o organismo passa a ter menos controlo sobre os níveis de açúcar no sangue.

O estudo analisou dados de cerca de 4500 crianças, entre os 9 e 10 anos, às quais os investigadores mediram gordura corporal, tensão arterial, colesterol, resistência à insulina e níveis de açúcar no sangue em jejum. Os participantes foram também questionados sobre os seus hábitos diários de utilização de computadores, tablets, e televisão e foi apurado que a gordura total das crianças aumentava, quanto maior o tempo passado em frente a um dispositivo electrónico. O nível de leptina, a hormona que está envolvida no controlo do apetite e na resistência à insulina, foi também associado ao tempo passado em frente a um ecrã.

Apesar de os achados não provarem uma relação de causa-efeito entre as duas variáveis, podem ter implicações importantes na saúde pública, considerando o tempo cada vez maior de uso de dispositivos electrónicos por crianças.

 

 

Crise: Nascem mais bebés com baixo peso

Abril 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 24 de março de 2017.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Impact of the global financial crisis on low birth weight in Portugal: a time-trend analysis

Nuno Guedes

Estudo inédito no mundo analisou crise e peso à data do nascimento em Portugal. Investigadores dizem que relação é evidente e afetou filhos de imigrantes.

Há muitos estudos sobre os efeitos das crises económicas, mas nunca nenhum tinha avaliado o impacto sobre o baixo peso dos bebés. Um grupo de cinco investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto avaliou dados oficiais dos 2 milhões de nascimentos registados em Portugal entre 1995 e 2014 e concluiu que a crise fez aumentar os casos de bebés nascidos com baixo peso.

Contudo, ao analisarem de forma mais detalhada os dados, perceberam que esse aumento, fruto da crise, atingiu apenas as famílias de imigrantes, que apesar de representarem 4% das mulheres a viverem em Portugal, têm cerca de 10% dos bebés nascidos em território nacional, travando a crise demográfica que o país tem vivido.

Um dos autores do estudo explica que a medicina já provou que as crianças que nascem com menos de 2,5 quilos têm uma desvantagem relevante na sua saúde futura, com maior probabilidade de doenças crónicas ao longo da vida.

Razões que levam Henrique Barros, também presidente do instituto, a dizer à TSF que os resultados a que chegaram são muito importantes para a saúde pública. O investigador afirma que os impactos das crises económicas já foram muito estudados, mas nunca no mundo se fez uma análise aos bebés com baixo peso.

Há vários anos que Portugal tem cada vez mais bebés que nascem com o que está definido como pouco peso, em resultado, por exemplo, de mães cada vez mais velhas e do tabaco.

Henrique Barros sublinha, contudo, que os dados que recolheram revelam que essa tendência acelerou nos anos depois da crise financeira de 2007-2008 e de forma muito mais acentuada nas mães imigrantes, algo que segundo o investigador reforça a conclusão a que chegaram sobre o impacto evidente da crise.

Entre 2006 e 2014, a prevalência de nascimentos em Portugal com baixo peso passou de cerca de 6% para 7%, mas os investigadores dizem que a tendência de subida já vinha dos anos antes da crise.
Nas mulheres imigrantes essa tendência é mais notória, não apenas porque subiu 1,5 pontos percentuais, mas também porque na década anterior a tendência era de descida.

Perante estes resultados, o estudo publicado na revista científica BMJ Global Health propõe que o governo reforce as políticas sociais para as grávidas estrangeiras, trabalhadoras, ou noutras situações vulneráveis, mantendo a igualdade, efetiva, na saúde durante a gestação.

Para avaliar a forma como de facto são acompanhadas as grávidas imigrantes em Portugal, o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto lança esta semana um projeto que pretende estudar 3 mil grávidas em maternidades ou hospitais de todo o país, numa investigação financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

 Declarações à TSF de Henrique Barros no link:

http://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/crise-aumenta-bebes-nascidos-com-baixo-peso-5746297.html?utm_campaign=Echobox&utm_content=TSF&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1490339598

 

 

Os cães e as crianças com perturbação no espetro do Autismo

Março 29, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Cão-terapeuta, o mediador na interacção social de crianças com PEA (Perturbação no Espetro do Autismo).

A relação entre o ser humano e os cães remonta aos tempos da Pré-história, tendo sido o primeiro animal a ser domesticado pelo Homem. Contudo, foi apenas a partir da década de 60 que o uso de animais passou a ser reconhecido e utilizado pelos terapeutas profissionais como forma de intervenção terapêutica.

Os primeiros registos de uso de animais em terapia ocorreram em York, na Inglaterra. Em 1792, foi fundado o Retiro York que utilizou a Terapia com animais como uma resposta face às condições sub-humanas vividas pelos pacientes. Esta incluía ensinar os pacientes a desenvolver o autocontrolo por meio de animais que eram dependentes destes. Os efeitos mais significativos foram verificados através da diminuição das doses de medicação. Só a partir do século XX, a introdução de animais em instituições foi generalizada.

Em Portugal, embora não haja nenhuma entidade reguladora estabelecida, já se realizam intervenções com cães desde os anos 90.

O uso das Terapias Assistidas pelo cão em crianças com PEA tem-se demonstrado benéfica, pois contribui para um aumento significativo dos comportamentos positivos (ex: contacto físico e visual) e uma diminuição de comportamentos negativos (ex: agressividade e isolamento) (Martin & Farnum, 2002). São igualmente comprovadas reduções na tensão arterial, nos níveis de cortisol, stresse, bem como o aumento dos níveis de endorfina (Barker & col., 2005; Viau & col., 2010). Do mesmo modo, têm efeitos muito positivos na redução da dependência à medicação e proporcionam um espaço seguro para a livre auto-expressão.

O Autismo é considerado uma Perturbação Global do Desenvolvimento. Neste sentido, todas as áreas na criança se encontram afectadas, apresentando dificuldades: na comunicação e linguagem, nas interacções sociais e no pensamento simbólico. Do mesmo modo, apresentam actividades/interesses restritivos e bizarros, comportamentos repetitivos e estereotipados, reacções de agressividade e angústia face a situações de mudança, hipo ou híper reacção a estímulos e alterações nas funções intelectuais.

Quanto aos défices na interacção social, as crianças com Perturbação no Espetro do Autismo demonstram muitas dificuldades em manter o contacto ocular durante as interacções, o que dificulta a compreensão e expressão contextualizada das emoções. As pessoas com PEA descrevem o rosto humano como demasiado estimulante, gerador de uma sobrecarga sensorial e de sentimentos de grande ansiedade e desorganização, daí tenderem a evitar o contacto ocular. Do mesmo modo, foi verificado por investigadores Italianos nos anos 90, que as pessoas com PEA apresentam um funcionamento dos “neurónios em espelho” menos activo e como tal apresentam fortes dificuldades em discriminar e perceber diferentes expressões emocionais no outro.

Um dos factores que pode contribuir para que a criança com PEA se sinta menos ansiosa ao interagir com cães, é que eles comunicam sobretudo através da linguagem corporal. Existem estudos que referem que as crianças com PEA apresentam défices relacionados com a intermodalidade e as interacções com humanos exigem o desenvolvimento desta competência. Contudo, com os cães embora por vezes seja necessário interpretar alguns sinais visuais e sonoros associados, estes são menos complexos e como tal torna-se mais fácil a sua compreensão para estas crianças.

Algumas pessoas com PEA que apresentam dificuldades ao nível das competências sociais sentem-se mais confortáveis perto de animais, na medida em que ambos pensam de forma concreta e registam informações do mundo em termos sensoriais, o que poderá favorecer as aproximações espontâneas, a comunicação e o desenvolvimento de relações afectivas. O relacionamento face-a-face é assim evitado e mais distanciado, tornando a interacção menos ameaçadora (Grandin, 2010).

Por outro lado, a presença do cão parece funcionar como um objecto transicional na relação com as pessoas, que se revela muito difícil de gerir para estas crianças. O cão funciona então como um facilitador com características próprias e que reage e responde às acções da criança, permitindo-lhe atravessar as fases de desenvolvimento de uma forma menos stressante e adquirindo novas competências cognitivas.

Os cães apesar de olharem directamente nos olhos das pessoas e de utilizarem esta informação para obterem pistas do ambiente, o olfacto e a audição são sentidos como mais relevantes para eles. Tendo em conta as dificuldades das crianças com PEA em compreender e integrar estímulos sensoriais complexos, é possível que estas características no cão facilitem a aproximação, de modo a que se sintam mais confortáveis e menos ansiosos no contexto de interacção, estimulando o envolvimento em actividades propostas e a expressão das emoções.

Assim, a relação com o cão permite estabelecer uma interacção simples, livre de ansiedade e medos, com a presença de uma rotina, companheirismo, exigindo responsabilidade no cuidar e consequentemente fortalecendo a auto-estima e o auto-controlo.

As Terapias Assistidas pelo cão mostram-se uma abordagem complementar e multifacetada para as crianças com PEA, permitindo não só ajudar quem se tende a isolar no seu próprio mundo, mas que também quem se encontra em desenvolvimento, e passo a passo mostra-se mais disponível para a relação com os outros.

Por último, diria que as Terapias Assistidas por animais constituem-se como uma nova porta de entrada das pessoas com PEA na sociedade, rumo à inclusão e com uma maior qualidade de vida.

 

Drª Telma Santos- Psicóloga Clínica, para Up To Kids®, em 9 de março de 2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parentalidade faz viver mais tempo

Março 28, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.paisefilhos.pt/ de 15 de março de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Payback time? Influence of having children on mortality in old age

 

Um estudo desenvolvido por uma equipa de investigadores do Instituto Karolinska, na Suécia, e publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, associa a parentalidade a uma vida mais longa. Uma conclusão que é particularmente evidente quando a idade é mais avançada, numa fase em que a saúde começa a deteriorar-se e se pode perder algumas capacidades.

O estudo – que seguiu cerca de 1,5 milhões de suecos com idades a partir dos 60 anos, nascidos entre 1911 e 1925 – concluiu que embora o risco de morte aumente com a idade para todos os adultos, os que têm pelo menos um filho parecem ter uma maior longevidade.

Contas feitas, os cientistas acreditam que os homens de 60 anos com crianças podem viver mais 20,2 anos, enquanto os que não têm crianças, podem contar viver mais 18,4 anos. Trata-se de uma diferença de quase dois anos. Já nas mulheres de 60 anos, a diferença é menor: um ano e meio. Estima-se que as mulheres de 60 anos com crianças vivam mais 24,6 anos e as que não têm crianças vivam mais 23,1 anos.

As razões desta ligação não são claras, mas os investigadores acreditam que está relacionado com a ajuda dos filhos, seja através de cuidados físicos ou de apoio emocional.

 

Tempo nas creches pode provocar stress nas crianças

Março 11, 2017 às 5:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://sol.sapo.pt/ de 26 de fevereiro de 2017.

A investigação abrangeu 112 crianças entre os 12 os 18 meses.

As crianças que passam mais de oito horas na creche tornam-se mais stressadas e ansiosas do que aquelas que ficam em casa. Esta é a conclusão de um estudo da Universidade norueguesa de Ciências e Tecnologias, que explica que o stress é provocado pela falta que as crianças sentem dos pais e pelos conflitos com outras crianças.

A investigação, que abrangeu 112 crianças com idades entre os 12 e os 18 meses, mostra que os níveis de stress nestas idades podem fazer com que se tornem adultos mais tímidos e com uma menor capacidade de autocontrolo.

No entanto, nem tudo são más notícias: o estudo, citado pelo site britânico Daily Mail, mostra que os efeitos negativos provocados por horas a mais na creche podem ser revertidos se a criança passar tempo de qualidade com os pais, depois de estes irem buscar os filhos à escola.

Para ler o artigo do Daily Mail, clique aqui

O artigo citado na notícia é o seguinte:

Elevated cortisol levels in Norwegian toddlers in childcare

 

Um irmão ou um cão? estudo

Março 6, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 15 de fevereiro de 2017.

Mais informações sobre o estudo citado na notícia, no comunicado da University of Cambridge:

Pets are a child’s best friend, not their siblings

capturar

 

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