Crianças que comem este alimento correm um maior risco de beber e de fumar no futuro

Outubro 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Patrick Fore on Unsplash

Notícia do i de 10 de outubro de 2018.

Estudo faz revelação

De acordo com um estudo recentemente feito, foi feito um inquérito a mais de 100 mil crianças, com idades compreendidas entre os 11, 13 e 15 anos, acerca do que bebiam e sobre os comportamentos de risco que levavam a cabo, asim como lutar, fumar e fazer ‘bullying’.

Com base nas respostas dadas, foi possível apurar que aquelas que consumiam mais açúcar, apresentavam uma maior probabilidade de se comportarem mal, 78%.

Segundo indicam os cientistas responsáveis pelo estudo, bebidas adocicadas, como os refrigerantes, criam maior propensão a esse tal mau comportamento.

O estudo foi conduzido em 26 países, por investigadores italianos e israelitas, e de acordo com os mesmos, “como os refrigerantes frequentemente contêm aditivos, incluindo cafeína, é possível que o açúcar em combinação com alguns desses aditivos torne esses sumos um fator mais poderoso ou um indicador mais consistente”.

O consumo elevado de açúcar foi associado com brigas em 23 dos 26 países.

Notícia com mais informação

Too much sugar makes children more violent and more likely to get drunk or smoke – with energy drinks the worst offenders

Estudo citado na notícia

Adolescents’ multiple and individual risk behaviors: Examining the link with excessive sugar consumption across 26 industrialized countries

 

Nicotina pode aumentar risco de morte súbita dos bebés

Outubro 17, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Life Style de 4 de outubro de 2018.

Usar qualquer forma de nicotina durante a gravidez ou amamentação pode elevar o risco de um bebé sofrer da síndrome de morte súbita, sugere um novo estudo publicado no Journal of Physiology e citado no site Healthy Women.
Os resultados indicam que os pensos de nicotina ou cigarros eletrónicos podem não ser uma alternativa segura aos cigarros clássicos durante a gravidez.
A síndrome de morte súbita dos bebés é uma tragédia longe de estar esclarecida. “Ainda não compreendemos completamente as causas, mas esta pesquisa é importante porque ajuda as mães a reduzirem os riscos”, afirma Stella Lee investigadora da Escola de Medicina Dartmouth Geisel, em Hanover.
Algumas mulheres que querem deixar de fumar durante a gravidez mudam para adesivos de nicotina ou cigarros eletrónicos, mas o impacto sobre o risco de um bebé ter SMSL tem sido pouco claro.
Em experiências com ratos, os investigadores descobriram que expor as mães à nicotina atrasa a resposta automática à chamada auto ressuscitação, que consiste na capacidade de o bebé recuperar a frequência cardíaca normal e a respiração após ficar ofegante por falta de oxigénio.
Os resultados de estudos em animais não são frequentemente replicados em humanos. Ainda assim, “vamos continuar a identificar os possíveis fatores de risco e a ponderar como podemos tratar os bebés que têm um mecanismo de auto ressuscitação comprometido”, afirmou a coautora do estudo.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Pre‐ and early postnatal nicotine exposure exacerbates autoresuscitation failure in serotonin‐deficient rat neonates

 

 

EUA preocupados com “epidemia” de cigarros electrónicos entre adolescentes

Setembro 28, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de setembro de 2018.

A oferta de produtos com sabores doces está a atrair o público mais jovem. Governo teme uma “geração viciada” em nicotina.

Liliana Borges

O uso de cigarros electrónicos está a tornar-se uma “epidemia entre adolescentes” nos EUA “e precisa de ser travado”, defende agência federal norte-americana FDA (Food and Drug Administration, dependente do Departamento de Saúde). De acordo com o comissário Scott Gottlieb, o Governo está a considerar restringir a venda destes produtos e limitar a oferta de sabores oferecidos pelos fabricantes de cigarros eléctricos.

Os cigarros electrónicos surgiram no início do século XXI e apresentaram-se como uma alternativa ao tabaco convencional ou como ferramenta de transição para deixar de fumar. No entanto, a segurança do recurso a esta opção não é consensual. Em 2008, por exemplo, a Organização Mundial de Saúde obrigou os promotores destes cigarros a deixarem de anunciar que estes cigarros seriam uma “forma segura de deixar de fumar”. Agora, a FDA sublinha o perigo do seu consumo entre as gerações mais jovens de norte-americanos, que têm aderido em massa a estes produtos nos últimos anos.

“Vemos claros sinais de que o uso de cigarros electrónicos atingiu proporções epidémicas entre os jovens e temos de ajustar certos aspectos da nossa estratégia para estancar esta ameaça”, declarou Gottlieb num comunicado da agência.

O dirigente da agência federal diz que está em curso “a maior iniciativa alguma vez coordenada contra a venda” de produtos do género na história do organismo. “O objectivo é controlar a venda de cigarros eléctricos a menores, quer nas lojas, quer em vendas online”, disse.

A agência enviou 1300 cartas e multas a retalhistas “em larga escala” para combater a venda a menores. A estas somam-se 12 avisos para empresas de venda online que, segundo a agência, estão a vender produtos com sabores que se encontram habitualmente em produtos alimentares consumidos pelos mais jovens, como bolachas e outros doces.

Gottlieb teme que o aumento do consumo destes produtos electrónicos entre adolescentes e jovens norte-americanos se traduza numa dependência futura de nicotina.

“Uso a palavra epidemia com muito cuidado. Os cigarros electrónicos tornaram-se praticamente omnipresentes e perigosos — uma tendência entre adolescentes. A trajectória preocupante e crescente do seu uso entre os jovens a que estamos a assistir, e o consequente caminho em direcção ao vício, deve terminar. Não é tolerável”, vincou.

“Vou ser muito claro: a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos não irá tolerar que uma geração inteira se torne viciada em nicotina como consequência de se permitir que os adultos tenham acesso aos mesmos produtos”, declarou.

“Tenho vindo a avisar a indústria dos cigarros electrónicos no último ano sobre a urgência de fazerem alguma coisa para combater esta tendência entre as gerações mais novas”, disse Gottlieb, “mesmo que isso signifique limitar o acesso de adultos a estes produtos”.

“Do meu ponto de vista, [os vendedores de cigarros electrónicos] tratam este assunto de uma perspectiva de relações públicas e não têm conta as suas obrigações legais, de saúde pública, e a ameaça destes produtos”. Por isso, Gottlieb diz que “está tudo em cima da mesa” e não exclui processos criminais.

As declarações de Gottlieb foram secundadas pelo secretário da Saúde, Alex Azar, que disse “partilhar da mesma preocupação sobre o crescente consumo de cigarros electrónicos por parte dos jovens”, incentivando a FDA a “tomar uma posição imediata e histórica para responder às vendas e marketing destes produtos para as crianças”.

Os efeitos dos cigarros electrónicos continuam a ser objecto de estudo. No início do ano foram publicadas as conclusões de duas pesquisas. Numa delas, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os cientistas alertam para os danos potenciais do vapor dos cigarros electrónicos no ADN (que podem causar mutações na origem de doenças oncológicas). Já o segundo, publicado na Frontiers  in  Physiology, os investigadores afirmam que os sabores artificiais dos cigarros electrónicos são tóxicos e lesivos para células do sistema imunitário.

 

 

Filhos de fumadores têm maior risco de desenvolver doenças pulmonares fatais décadas depois

Setembro 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Lifestylesapo

Notícia e imagem do Lifestyle Sapo de 28 de agosto de 2018.

Nuno de Noronha

Crianças que crescem ao lado de adultos fumadores têm maior risco de morrer de uma doença grave de pulmão, mesmo que nunca tenham fumado de forma ativa.

Essa é a nova conclusão de um estudo da Sociedade Americana de Cancro. Já era sabido que crianças cujos pais fumam têm maior risco de desenvolver problemas pulmonares ou vasculares na infância – como asma ou hipertensão. Mas nunca um estudo tinha provado efeitos graves do fumo passivo na vida adulta.

“Este é o primeiro estudo que identifica uma associação entre a exposição da criança ao fumo do tabaco e a morte por doença pulmonar obstrutiva crónica na meia-idade e velhice”, afirma Ryan Diver, um dos autores do estudo, citado pela radiotelevisão britânica BBC.

A investigação analisou a saúde de 70,9 mil pessoas não fumadores, homens e mulheres, acompanhadas durante duas décadas. Um terço morreu antes da conclusão do estudo que foi publicado na revista médica American Journal of Preventive Medicine.

Segundo a investigação, as pessoas que conviveram com um adulto fumador apresentaram mais complicações de saúde ao longo da vida.

A exposição ao tabaco na infância, dez ou mais horas por semana, aumentou o risco de morte na idade adulta por doença pulmonar obstrutiva crónica em 42%, doença cardíaca isquémica em 27% e acidente vascular cerebral (AVC) em 23%, em comparação com aqueles que não conviveram com fumadores na infância.

“Este último estudo dá mais um argumento para retirar o fumo de perto das crianças. A melhor forma de fazer isso é os pais deixarem de fumar”, afirma Hazel Cheeseman, membro do grupo ativista “Action on Smoking and Health”.

“O fumo passivo tem um impacto duradouro, que vai muito além da infância”, acrescenta o médico Nick Hopkinson, conselheiro da Fundação Britânica do Pulmão citado pela BBC.

 

 

Um quarto das raparigas de 14 anos automutila-se ou quer fazê-lo

Setembro 18, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 29 de agosto de 2018.

Dois estudos separados, um de cada lado do Atlântico, chegaram à mesma preocupante conclusão: uma em cada quatro adolescentes automutilou-se no ano passado, segundo a investigação britânica, ou vai fazê-lo, segundo a norte-americana.

Achei que a automutilação era o que eu queria fazer e o que tinha de fazer porque não havia mais nada que pudesse fazer”. As palavras de uma jovem à Children’s Society, a organização britânica que conduziu o estudo, traduzem, provavelmente, o pensamento de uma grande parte das raparigas que se automutilam. “Não me sentir tão bonita ou tão boa como as outras raparigas contribuiu para a minha automutilação”, explica ainda a jovem.

O relatório estima que cerca de 110 mil menores, com 14 anos, se automutilaram no Reino Unido durante o ano passado, em números bem desiguais entre géneros: 76 mil raparigas e 33 mil rapazes. Também foram elas que se mostraram menos felizes, no geral, com a vida, mas com grande ênfase na aparência.

Mais números: quase metade dos adolescentes que se disseram atraídos por pessoas do mesmo sexo ou dos dois sexos levaram a cabo atos de automutilação. Os oriundos de lares com menos rendimentos também se mostraram mais propensos à prática.

Em outubro do ano passado, um estudo da Universidade de Manchester descobriu que a automutilação por raparigas entre os 10 e os 19 anos aumentou 68% em três anos.

“É fundamental que o bem estar das crianças seja levado mais a sério e que se faça mais para atacar a raiz da sua infelicidade e apoiar a sua saúde mental”, considera Matthew Reed, responsável da Children’s Society, destacando o papel das escolas, com a presença, inclusivamente, de um conselheiro, e a inclusão dos temas da aparência e dos esterotipos de género no currículo da Educação Sexual.

Nos Estados Unidos, um estudo publicado em julho no American Journal of Public Health, chegou a conclusões semelhantes: uma em cada quatro raparigas das escolas secundárias do país e um em cada 10 rapazes tentam magoar-se a si próprios (com cortes e/ou queimaduras), mesmo quando não têm intenção suicida.

Fatores como ser vítima de violação ou bullying aumentam o risco: Os adolescentes que relataram ter tido relações sexuais forçadas tinham 56% mais probabilidade de se ter automutilado e no caso de ter sofrido bullying online o risco duplicava. Jovens homossexuais ou bissexuais também apresentaram maior tendência para a automutilação.

Os investigadores inquiriram mais de 64 mil estudantes em 11 estados – quase 18% relatou pelo menos um episódio de automutilação no ano anterior.

“A automutilação é surpreendentemente comum entre adolescentes”, conclui Martin Monto, da Universidade de Portland, que liderou o estudo.

 

 

Efeitos do consumo de álcool e tabaco podem começar logo aos 17 anos

Setembro 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 29 de agosto de 2018.

Consumo de álcool e tabaco a partir dos 17 anos cria problemas precoces, como o bloqueio de artérias. Mas abrandar o consumo pode reverter a situação a tempo de problemas maiores.

Os adolescentes que começam cedo a beber álcool e a fumar podem ter problemas nas artérias logo a partir dos 17 anos, revela um estudo publicado no European Heart Journal. Entre 2004 e 2008, os investigadores acompanharam 1.266 jovens da área Bristol, no Reino Unido, procurando saber quantos cigarros tinham fumado e com que idade tinham começado a beber álcool.

Os resultados mostraram que aqueles que já tinham fumado mais de 100 cigarros ou que bebiam mais regularmente apresentavam uma maior rigidez das artérias — algo que aumenta o risco de ataque cardíaco ou derrame — do que aqueles que tinham fumado menos do que 20 cigarros ou que consumiam menos do que duas bebidas alcoólicas por dia. Estes problemas podem começar logo aos 17 anos e pioram nos casos dos jovens que acumulam os dois hábitos.

Apesar de tudo, é possível reverter estes efeitos, explicou um dos autores do relatório: “Se os adolescentes pararem de fumar e beber durante a adolescência, as artérias voltam ao normal — o que mostra que há oportunidade de preservar a saúde das artérias desde cedo”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Early vascular damage from smoking and alcohol in teenage years: the ALSPAC study

 

Inglaterra proíbe venda de bebidas energéticas a jovens e crianças

Setembro 7, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 30 de agosto de 2018.

Lina Santos
Medida de Theresa May visa controlar comportamentos dos alunos nas salas de aula.
Inglaterra vai proibir a venda de bebidas energéticas à base de cafeína, como Red Bull e Monster, a crianças e adolescentes. A medida do governo de Theresa May visa controlar comportamentos disruptivos em sala de aula, de acordo com o diário The Telegraph.

O ministério da Saúde britânico tem lançado alertas sobre a ligação entre o consumo excessivo destas bebidas energéticas, ricas em cafeína e açúcar, associadas a um “catálogo de problemas de saúde” que vão das dores de cabeça, problemas de sono e digestão. E existe uma crescente preocupação de que seja um combustível para a hiperatividade das crianças, como defendeu o NASUWT, um dos maiores sindicatos de professores do Reino Unido, no final de 2017.

“Pedradas prontas a consumir” foi a expressão usada pela organização para descrever estas bebidas que associam ao mau comportamento nas escolas, dentro e fora da sala de aula.

A apoiar esta tese do sindicato está um estudo do Centre for Translational Research in Public Health da Universidade de Teesside que verificava que as bebidas energéticas eram mais baratas do que água ou refrigerantes. Uma em cada três crianças consumia regularmente bebidas como Red Bull, Monster e outras marcas destas bebidas, segundo esta investigação.

O alerta não é de hoje. Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Europa, de 2014, mostrava preocupação com a crescente popularidade das bebidas energéticas e as “consequências negativas do seu consumo entre crianças e adolescentes, incluindo efeitos nos sistemas neurológico e cardiovascular, que podem causar dependência física e vício”, cita o The Guardian .

Alertas também em Portugal

Também em Portugal, um artigo da revista da Sociedade Portuguesa de Pediatria de 2017 concluía os adolescentes portugueses consumiam demasiadas bebidas energéticas.
Uma lata desta bebida energética contém 160 miligramas de cafeína. Uma criança de 11 anos não deve consumir mais de 105 miligramas por dia.
Multas podem ser superiores a 2500 euros

A proposta da primeira-ministra britânica sobre a implementação da lei será revelada esta quinta-feira. A única dúvida que persiste prende-se com a idade da proibição de venda das bebidas – 16 ou 18 anos, escreve o The Guardian.

“Milhares de jovens consomem regularmente bebidas energéticas, muitas vezes porque são mais baratas que o refrigerante”, disse Theresa May num comunicado onde anunciava a consulta pública da proposta, citada pela Lusa.

“Todos nós temos a responsabilidade de proteger as crianças de produtos que prejudicam sua saúde e educação”, disse o secretário de Estado de Saúde Pública, Steve Brine, no mesmo comunicado.

As multas por venda de bebidas energéticas podem ir até às 2500 libras (2782 euros), a mesma que é aplicada a quem venda cigarros a menores de idade. A proibição de venda em máquinas automáticas de Inglaterra também está a ser considerada, diz o The Telegraph.

Para já, a medida será aplicada na Inglaterra, mas pode vir a ser seguida pela Irlanda, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

Um imposto sobre bebidas açucaradas entrou em vigor no início de abril no Reino Unido para combater a obesidade. Várias cadeias de supermercados tinham já decidido suspender a venda destas bebidas a menores de 18 anos.

Em julho de 2017 já tinha sido proibida a publicidade na televisão, internet e imprensa a alimentos para crianças com muitos açúcares, gorduras e sal.

Pediatras norte-americanos recebem recomendações para receitar mais brincadeiras

Setembro 6, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 31 de agosto de 2018.

Ana Cristina Marques

Um novo relatório da Academia Americana de Pediatria recomenda que os pediatras receitem mais tempo para brincar e avisa que pais e escolas estão demasiado preocupados com a vertente académica.
As crianças têm os horários tão preenchidos que os pediatras devem, em consulta, prescrever mais tempo para brincar. Esta é a recomendação que consta no mais recente relatório da Academia Americana de Pediatria. O relatório com recomendações para os pediatras norte-americanos esclarece que “brincar não é uma coisa frívola”, uma vez que investigações recentes continuam a mostrar que brincar ajuda os mais novos a desenvolver um conjunto vasto de capacidades — potencia a linguagem e as capacidades de negociar com os outros e de lidar com o stress. E estes são apenas alguns exemplos.

“Brincar não é uma coisa frívola: melhora a estrutura e a função do cérebro e promove funções executivas (ou seja, o processo de aprendizagem), o que nos permite perseguir objetivos e ignorar distrações”, lê-se no relatório.”

Escolas e pais demasiado preocupados com o currículo académico das crianças são os principais visados neste relatório, no qual consta a recomendação para que os pediatras tentem inverter a tendência. O problema descrito é atribuído às pressões da vida em sociedade e não às “más intenções” dos pais. Os autores do documento dão especial destaque à noção de que brincar é fundamental para promover crianças mais saudáveis. O ato de brincar com pais e colegas é encarado como uma oportunidade para “promover capacidades socioemocionais, cognitivas, linguísticas e de autoregulação.

As recentes mudanças culturais têm “prejudicado” as oportunidades de brincadeira das crianças, defendem os autores, que apresentam os seguintes números (sempre referentes à realidade norte-americana): de 1981 para 1997, o tempo de recreio das crianças diminuiu em 25%; crianças dos 3 aos 11 anos perderam 12 horas por semana de tempo livre e 30% dos jardins de infância não têm recreio.

Currículos equilibrados e tempo para brincadeiras de qualidade são o objetivo último das recomendações da Academia Americana de Pediatria, que encara ainda o ato de brincar como algo “fundamentalmente importante” para aprender as habilidades necessárias ao século XIX: desde aprender a resolver problemas a saber colaborar com os outros e a ser criativo.
A importância de brincar

Já em 2015, o Observador escrevia, citando o psicólogo Paulo Sargento, que as brincadeiras devem seguir três etapas evolutivas: as atividades que geram ação (quando um bebé atira um brinquedo ao chão está a ter uma primeira noção da lei da gravidade), as simbólicas (pegar numa vassoura e transformá-la num cavalo é um exercício de imaginação) e as que exigem regras (os jogos de computador e os de tabuleiro ajudam a perceber que a vida rege-se por um conjunto de normas).

Ao Observador, Núria Madureira, pediatra no Hospital Pediátrico de Coimbra, explica que brincar, embora um ato desvalorizado, é fundamental em todas as idades e contribui para o desenvolvimento de quatro grandes áreas: motricidade grossa; motricidade fina e visão; audição e linguagem; e autonomia e interação social. Se jogar à bola permite o desenvolvimento da motricidade grossa (como saltar e andar), ler ou ouvir uma história é essencial para a audição e para a linguagem. Já brincar ao faz de conta tem um peso significativo no que à interação social diz respeito.
Falta tempo e espaço para brincar

Para os pediatras Gonçalo Cordeiro Ferreira e Núria Madureira, recomendar mais tempo para brincar é uma coisa consensual, tanto que já o fazem em consultório.

“Quando uma criança brinca está a aprender a construir pontes, quer brincando sozinha, através da imaginação, ou acompanhada, com regras preestabelecidas.” O problema, salienta Gonçalo Cordeiro Ferreira, com mais de 30 anos de experiência, é não existir tempo nem espaço para brincar. Ao Observador, o pediatra aponta o dedo a uma “sociedade normativa” e fala de um “espírito competitivo” que já existe na pré-primária, onde é exigido que as crianças “cheguem aos mesmos pontos na mesma altura” — isto é, não se admite que existam diferentes níveis maturidade. “Existe um regime escolar rigoroso na primária.”

“Com estas preocupações pseudo-académicas, não há tempo para brincadeiras. Os pais têm uma estrutura muito normativa do que a criança deve fazer”, continua o pediatra. As atividades extra-curriculares, diz, dividem cada vez mais o tempo dos mais novos. Núria Madureira concorda, ao dizer que as crianças não brincam o suficiente, também por culpa daquilo que lhes é exigido, nas escolas e em casa, com uma geração de pais muito preocupada em assegurar ou preparar o futuro dos filhos.

“Acho que, atualmente, a nossa sociedade incute uma pressão nas crianças que é claramente exagerada. Os meninos têm todos de ser os melhores em tudo. Isso não é real. Não somos bons em tudo. Penso que é difícil para os pais aceitar as fragilidades dos filhos. Por vezes, os pais projetam nas crianças aquilo que gostariam de ter sido ou aquilo que não tiveram oportunidade de fazer”, acrescenta a pediatra Núria Madureira.”

Outro ponto, que também é referido no relatório de políticas em causa, é o facto de os pais recearem que os filhos brinquem demais. “A questão não é brincar demais, é deixar de fazer determinadas atividades. Acho que o problema aí é perceber porque é que as crianças não fazem [ou não querem fazer] os trabalhos de casa. É uma questão de motivação da escola”, continua Madureira.

A falta de espaço, por sua vez, é uma realidade que já se verifica em jardins de infância, que não estão dotados de espaços para o recreio, salienta Gonçalo Cordeiro Ferreira. “As crianças não têm espaço para brincar ao ar livre.” Mas nem tudo é negativo, com o pediatra a trazer bons exemplos para a conversa, referindo-se às escolas que, no verão, levam as crianças à praia. O problema, aponta, é a frequência com que isto acontece. “Devia ser obrigatório as crianças terem tempos livres fora da escola.”
Como brincar?

Cada vez se brinca menos e cada vez mais se brinca de forma diferente. Núria Madureira acredita que, tendo em conta a atual oferta de brinquedos, existe um maior cuidado do ponto de vista pedagógico, embora haja outras distrações. Os telemóveis e os vídeos de YouTube, por exemplo, podem constituir um “flagelo” caso as atividades a eles associadas não sejam transformadas em algo produtivo e não sejam vigiadas por adultos. Mas mais importante do que os brinquedos é a companhia dos pais: “Costumo falar sobre isto nas consultas de pediatria geral. O tempo pode ser pouco, mas a qualidade não. Refiro-me à regra dos 15 minutos. Os pais devem despender 15 minutos de atenção exclusiva a cada um dos filhos, uma vez por dia. Nesse período de tempo devem fazer o que as crianças quiserem fazer”.

Gonçalo Cordeiro Ferreira deixa ainda um aviso: para o pediatra, brincar não é sinónimo de jogar jogos eletrónicos ou ficar à frente de iPads, situações “passivas”, nas quais não existe o elemento surpresa ou o elemento de construção.

 

Estudo revela sinais de que os homens estão a mudar a forma como criam os filhos

Agosto 28, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapolifestyle de 14 de agosto de 2018.

Se acha que ser um bom pai é impor disciplina, assegurar o sustento da família e não mostrar sentimentos, talvez tenha uma noção errada da masculinidade. Os pais de família de hoje estão cada vez mais presentes na vida dos filhos e prestam-lhes apoio emocional.

A maioria dos homens que são pais está hoje mais envolvida na educação dos filhos. Eles procurar estar presentes nas atividades dos mais pequenos e preocupam-se em temperar a sua faceta masculina – ligada à força e à autoridade – com um lado mais carinhoso. A conclusão é de um estudo sociológico conjunto da Brigham Young University (BYU) e da Ball State University (BSU), que envolveu 2.194 pais de crianças entre os 2 e os 18 anos.
A pesquisa, publicada no Journal of Marriage and Family, revela que a paternidade contempla hoje um acompanhamento e uma preocupação maior do que antes. “Os pais preocupam-se em estar presentes fisicamente, por exemplo num jogo ou num recital de piano, mas também emocionalmente, de forma dar apoio e carinho em momentos difíceis”.
Kevin Shafer, professor de sociologia da BYU e co-autor do estudo, disse ao Journal of Marriage and Family que “embora a maioria encare o seu papel como um trabalho de equipa permanente, ao lado da mãe, ainda há um grupo de pais que acredita que a sua maior tarefa é fazer de chefe de família e disciplinador”.
O estudo revela outro dado curioso e que passa pela correlação entre sinais negativos da masculinidade tradicional e menor envolvimento na educação das crianças. Ou seja, os que se comportam de forma mais “dura” tendem a ser menos presentes e afetuosos.
“É importante entender o que é a masculinidade”, sublinhou Kevin Shafer. “Existem alguns aspetos muito benéficos na masculinidade – se forem orientados para a objetividade e a lealdade, por exemplo. No entanto, os mais problemáticos, como a agressão, o não demonstrar emoções e a dificuldade em pedir ajuda são aspetos negativos da masculinidade tradicional que tendem a prejudicar a família”, conclui.
Os investigadores perceberam que, em média, as crianças mais novas têm uma interação forte com os pais várias vezes por semana e que se pode manifestar em brincadeiras e passeios. Já os mais velhos, por vezes, vêm a relação mais cingida às questões de disciplina, mas sabem que eles estão bem informados sobre as suas atividades.
Em termos emocionais, concluiu-se que os pais de crianças mais pequenas encontraram no afeto trocado com os filhos algumas memórias do seu passado e que os pais de miúdos mais velhos admitiram que é comum serem procurados pelos filhos em busca de apoio emocional.
Os sociólogos das duas universidades dizem que, nas últimas décadas, os ideais da paternidade têm estado em constante mutação, muito devido à alteração de expectativas sobre os comportamentos paternos.
“Eles continuam a navegar nas expectativas sociais”, afirmou um outro autor do estudo, Lee Essig. “À medida que as tendências sociais empurram o homem para um maior envolvimento familiar, vemos mais pais a mobilizar-se para ter um papel ativo na vida dos filhos, e de várias maneiras”.
A mesma fonte salientou que “quando ensinamos rapazes e homens a serem mais conscientes emocionalmente e a cultivarem o bem-estar emocional, eles podem tornar-se melhores pais, deixando para trás o papel exclusivo de disciplinadores e fornecedores de rendimento financeiro e afirmando-se como contribuintes decisivos do seu bem-estar emocional”.
Os investigadores dão algumas dicas para os pais.

Se é homem e pai, tome nota

  • Não há problema em mostrar sentimentos. Isso ajuda a ser um pai melhor.
  • Os pais não devem ter medo de ser carinhosos, cuidadosos e ativos. Crianças e famílias só têm a ganhar com isso.
  • Seja um exemplo. As crianças que aprendem pelo exemplo usufruem mais da relação pai-filho, mas também aprendem a ser mais felizes em sociedade.
  • Há muitas maneiras de ser homem. O “durão” está associado a uma deficiente educação das crianças

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Does Adherence to Masculine Norms Shape Fathering Behavior?

 

Porque é tão importante para os adolescentes serem populares?

Agosto 20, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapolifestyle de 8 de agosto de 2018.

Porque precisam de colmatar a insegurança própria de uma idade em que muitas mudanças ocorrem ao mesmo tempo. O problema é quando são populares por causa da roupa que vestem ou do telemóvel que usam. Saiba o que dizer ao seu filho sobre popularidade e, acima de tudo, amigos.

As crianças gostam de agradar aos outros e de fazer novos amigos, mas quando crescem um pouco mais e tornam-se adolescentes isso torna-se quase uma obsessão. Tendo em conta os diferentes tipos de personalidade, pode-se dizer que os tímidos fazem tudo para se integrar no grupo, mas preferem passar algo despercebidos, enquanto os mais efusivos não se importam de ser reconhecidos – e seguidos.

Num extenso artigo do suplemento infantil do El Mundo, questiona-se quais são afinal os critérios para ser popular. E parece que também neste campo o sexo faz a diferença. Assim, se as raparigas “tendem a promover sua beleza física, vestindo roupa da moda, tentando ser sociáveis e atrair rapazes, estes valorizam, acima de tudo, a boa forma física e as habilidades sociais e, e gostam de exibir as mais modernas tecnologias”, por exemplo um bom smartphone.

“A popularidade pode dever-se a vários fatores, nomeadamente ao prestígio (granjeado por mérito académico ou habilidade desportivas), caraterísticas emocionais que facilitem as relações no grupo (por exemplo companheirismo, simpatia e bom caráter) e facilidade em representar o ideal do grupo”, defende-se no estudo “Relações Sociais na Escola: o Problema do Abandono Escolar”, de Estefanía López, Belén Ferrer e Teresa Jimenéz Gutiérrez. As autoras afirmam ainda que “os adolescentes populares mostrar maior competência social e habilidades cognitivas, comportamentos menos agressivos e perturbadores e menos sentimentos de solidão”.

Ter muitos amigos é um bom sinal. A questão, abordada neste artigo, é se os adolescentes granjeiam esta admiração de forma justa ou sobretudo à conta de fatores alheios: “O problema surge quando essa popularidade assenta em fatores externos, nomeadamente pela forma como se vestem ou pelos dispositivos tecnológicos que possuem”.

Esta ansia de popularidade, segundo os especialistas, serve para colmatar a insegurança própria de uma idade difícil, em que muitas mudanças físicas e emocionais ocorrem ao mesmo tempo. Mas atenção: nada de querer ser popular à força se isso fizer o adolescente passar por cima dos seus princípio e velhos amigos.

Veja alguns conselhos que o El Mundo recolheu para dar aos pais desses jovens:

Conselhos para dar aos adolescentes

1. Reforço da autoestima

Os pais têm de explicar aos filhos que serão sempre especiais e únicos para eles. “Devemos reforçar a sua autoestima e ajudá-los a valorizarem-se pelo que são – em matéria de valores e habilidades”. É preciso dizer-lhes que “a adolescência é um palco e que estamos cá em baixo a apoiá-los, sejam eles populares ou não”. É importante também reforçar que há certas características neles que valorizamos mais do que a popularidade.

2. Manter amizades saudáveis – e sinceras

Quando um adolescente é popular, costuma andar rodeado por amigos que o procuram para também serem populares ou para se destacarem socialmente de alguma forma. No entanto, “ele pode sentir-se sozinho porque, em alguns momentos, vai perceber que essa amizade é transitória”. Os pais devem ajudar os adolescentes a promover amizades saudáveis. “Temos de tentar que os nossos filhos encontrem amigos que os estimem pela sua personalidade e caráter e não pela roupa que usam ou pelo smartphone que têm”.

3.Não rejeitar amigos de toda longa data

Tentar ser popular a todo custo pode levar o adolescente a rejeitar amigos que não ligam a esse “status”. “Os pais têm de perguntar aos filhos por que razão se afastaram de amizades duradouras e tentar refletir sobre a atitude deles”.

4. Desvalorizar a popularidade

Ao conversar com os adolescentes sobre este assunto, eles começam a compreender que o importante não é ser popular, ou acumular amigos, mas sentir que essas amizades são fortes e saudáveis. “No futuro, eles agradecerão aos pais essa lição”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Las relaciones sociales en la escuela : el problema del rechazo escolar

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