Privação do sono: Socorro, o meu filho não me deixa dormir, o que fazer?

Fevereiro 3, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 24 de janeiro de 2020.

A chegada de um bebé é um momento de alegria na família, mas também de mudanças nas rotinas, incluindo a do sono.

Diana Vilas Boas

Exaustos. Desorganizados. Irritados. Frustrados. Desesperados. Perdidos. Assim são os pais quando privados do sono. A chegada de um bebé é um momento de alegria na família, mas também de mudanças nas rotinas, incluindo a do sono. Os bebés choram, têm o sono desregulado e, por consequência, os pais tentam acalmá-los, adormecê-los e também descansar. A privação do sono tem consequências? Sim, “pode desencadear depressões, divórcios, desemprego e, em alguns casos, pais arrependidos de serem pais”, enumera Carolina Vale Quaresma, coach familiar. A neurologista Teresa Paiva desdramatiza e declara que se não estiver doente, o bebé dorme bem. O problema pode estar nos pais, alerta.

É preciso educar os bebés para dormir? ​Teresa Paiva, neurologista e especialista do sono, defende que o acto de dormir não precisa de ser educado. “O grande problema é quando o bebé acorda e choraminga e os pais vão logo a correr, seja para lhe dar de mamar, dar a chupeta ou o levar para a cama deles e o bebé habitua-se”, diz, criticando também a ideia que todos os bebés têm, por natureza, problemas para adormecer.

Constança Cordeiro Ferreira, terapeuta no Centro do Bebé, em Lisboa, considera que na maior parte dos casos não existem problemas com o sono dos mais pequenos. O problema é que os pais estão exaustos. “É muito importante haver um trabalho de adaptabilidade com os pais para a realidade de que vão ter de mudar alguns hábitos, para garantirmos que não vão estar privados de sono. O sono tem de ser uma prioridade para todos”, defende.

Hábitos como adormecer o filho ao colo, embalado ou na “maminha” levam à criação de uma dependência que, mais cedo ou mais tarde, é difícil de combater. Por isso, é importante habituar a criança a adormecer sem ajudas externas, aconselha Carolina Vale Quaresma. Para Constança Cordeiro Ferreira não há problema que a criança adormeça a mamar. “O leite materno tem componentes como triptofano, melatonina, endorfinas e uma composição variável consoante o dia e a noite, que vai favorecer o sono, ao contrário do que é muitas vezes dito aos pais”, justifica. “O silêncio da casa e o sono dos pais criam a atmosfera para [o bebé] dormir”, recomenda, por seu lado, Marina Fuertes, docente na Escola Superior de Educação de Lisboa (ESEL). Além de se habituar a estar na cama, a calma e o silêncio também ajudam a criança a regular as suas emoções, acrescenta.

Pais sobrevivem

“Educar o sono” pressupõe que a maneira de adormecer ou de dormir está errada e que é necessário corrigi-la, começa por dizer Constança Cordeiro Ferreira. O que acontece é que essa é uma ideia errada, continua. “Parte do problema vem daí [desse pressuposto]. Um bebé nos primeiros meses procura as condições óptimas para descansar e os pais têm a cabeça cheia de medos, que lhes foram colocados, e, logo aí, têm medo de dar a mama, dar colo ou conforto”, aponta. Além disso, as mães mudam de hábitos, as “mulheres têm dificuldade em quererem arranjar-se, em estar com os amigos, em viver. E tudo se resume a isso: com a privação de sono os pais nem sempre vivem, sobrevivem ao dia-a-dia”, nota Carolina Vale Quaresma.

“Muitas vezes, os bebés não ficam tão mal como os pais. A privação de sono tem um impacto enorme nos adultos, mais ainda nos pais”, avisa Constança Cordeiro Ferreira. E não descansar pode levar a algumas complicações de saúde, alerta Teresa Paiva: os pais podem vir a ter problemas de saúde mental como depressão, ansiedade, dores de cabeça e insónias crónicas; mas também doenças físicas, como as cardíacas, cardiovasculares ou aumento de peso. Quanto aos filhos, dormir pouco ou com muitas pausas pelo meio pode afectar a memória, baixar a imunidade às bactérias e a regulação do apetite, tal como a capacidade dos bebés em gerir emoções, refere Carolina Vale Quaresma, acrescentando que, a longo prazo, as crianças podem vir a ter dificuldades de aprendizagem, falta de concentração e agitação elevada.

A agitação e o choro constante, a dependência da criança para ser alimentada e os “cuidados frequentes” são os grandes causadores da privação do sono dos pais. Então, como conseguir que toda a família descanse? De acordo com Carolina Vale Quaresma, para o bebé não sentir que estão “com truques para o enganar”, deve ir acordado para o berço e ter noção do que está a acontecer. “Nada melhor para um bebé ser seguro que sentir que pode confiar na mãe no pai”, defende.

Para Marina Fuertes não se deve forçar a criança a dormir, com o risco de criar tensão, tensão que levará o bebé a resistir ao sono por o considerar algo “indesejável”, ficando assim mais rabugento e, consequentemente, com mais dificuldade para adormecer. Não interromper o descanso do bebé para o alimentar, ou simplesmente por medo de ele não dormir quando os pais desejam, são actos importantes que ajudam o bebé a desenvolver a “aprendizagem biológica do dormir”, fundamentaCriar uma rotina de sono, juntamente com uma rotina para alimentação e banhos, ajudará o bebé a “antecipar a hora do sono”, aconselha.

Dormir pouco ou muito?

Segundo Carolina Vale Quaresma, os bebés não dormem tempo suficiente. Por exemplo, até aos 6 meses de idade deveriam dormir cerca de 12 horas nocturnas e 4 horas diurnas. Constança Cordeiro Ferreira diz que existem fases em que o descanso infantil poderá ser mais afectado como, por exemplo, quando os bebés começam a gatinhar, iniciam a alimentação complementar ou quando a mãe ou o pai regressam ao trabalho. “Os pais devem saber isto e não ficarem aflitos”, lembra.

Com o intuito de ter uma “boa noite de sono” e também de evitar o uso de tecnologia, tablets ou smartphones, para adormecer, a professora Marina Fuertes aconselha a criar o “momento da leitura” após o primeiro ano de vida do bebé, inicialmente com livros apenas com imagens, depois com pequenas histórias e, após os 3 anos, uma história real ou imaginada pelos pais. A escolha não deve recair sobre histórias “com monstros ou excesso de estímulos”, pois podem despertar a criança.

Os bebés devem dormir na cama dos pais? A opinião de uma médica

Janeiro 27, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Carolina Prelhaz publicado no Sapolifestyle

A partilha da cama com os bebés não é tão rara quanto se pode pensar. Um artigo da médica Carolina Prelhaz, especialista em Pediatria na Clínica de Santo António.

O mais consensual e mais recomendado continua a ser que o local mais seguro para o bebé dormir é a sua própria cama, numa superfície plana e estável, sem almofadas ou protecções laterais almofadadas, bonecos ou panos, com mantas e lençóis não ultrapassando a zona abaixo dos ombros e sempre de barriga para cima.

A cama do bebé deve estar no quarto dos pais durante, pelo menos, os 6 primeiros meses de vida e idealmente durante o primeiro ano, como forma de prevenir a morte súbita do recém-nascido e lactente. O quarto não deve estar demasiado quente (temperatura ideal ronda os 20ºC) e o bebé não deve usar demasiada roupa.

A partilha da cama tem sido associada a um aumento do risco de morte súbita. No entanto, muitos dos estudos que nos dão estes dados não são claros quanto a outros possíveis factores de risco para a segurança do bebé.

A partilha de cama dos bebés com os pais é, para além de uma questão cultural, uma forma de aumentar o tempo de descanso dos bebés e dos pais e de melhorar a amamentação e, apesar de não ser muitas vezes assumido pelas famílias em consulta, a maioria dos pais acaba por levar os bebés para a sua própria cama. Cada vez mais estudos parecem concluir que a partilha da cama, desde que cumpridas algumas regras de segurança, não parece associar-se só por si a um aumento do risco de morte súbita dos bebés nem a um aumento do risco de morte por acidente.

Estudos feitos em laboratórios de sono mostram ainda que, quando um bebé dorme junto da mãe, há uma coordenação da respiração de ambos e isto parece até ser protector. A partilha da cama feita de forma segura permite amamentar durante a noite, evitando o perigo de levar para cadeiras ou sofás uma mãe exausta que pode adormecer e deixar cair o seu bebé ou sufoca-lo acidentalmente.

Dito isto, a partilha da cama deve sempre ser discutida em consulta com o Pediatra como um tema presente na vida das famílias e os pais devem conhecer a forma mais segura de partilhar a cama com os seus bebés: a cama deve ter uma barreira que previna a queda do bebé, o bebé deve dormir entre a mãe e essa barreira e não entre a mãe e o pai, a mãe não deve usar almofada ou manta, evitando superfícies que possam tapar a cara do bebé e levar à sufocação, e o bebé deve sempre ser colocado a dormir de barriga para cima, tal como no seu berço.

A partilha parece ser mais segura em mães que amamentam do que naquelas que alimentam os bebés com leite de fórmula. O quarto deve sempre ser bem arejado. Ter atenção ao facto que, ao dormirem junto das mães, os bebés podem também ficar mais quentes, pelo que a roupa do bebé deve ser ajustada de acordo.

Pais fumadores, sob o efeito de drogas, álcool ou medicação, mães obesas e mães exaustas que possam não acordar com os sinais dados pelo bebé ou estar menos atentas à presença do corpo do bebé junto ao seu não devem partilhar a cama. Bebés prematuros devem sempre dormir na sua própria cama, havendo a opção de um berço que fique colado à cama dos pais.

Falar sobre este tema abertamente com um profissional de saúde, para conhecer riscos e benefícios de qualquer prática, é essencial ao esclarecimento adequado das famílias para que possam, em segurança e consciência, decidir aquilo que mais se adequa à sua vida familiar.

Um artigo da médica Carolina Prelhaz, especialista em Pediatria na Clínica de Santo António.

A importância das rotinas na promoção de um sono saudável

Outubro 21, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Up to Kids

By Ser Mais®

Tem insónias? Dificuldade em adormecer? Não consegue dormir horas suficientes? Pois bem, tudo isto são sinais que poderá não ter um sono saudável.

Enquanto adultos sabemos bem as dificuldades que podemos ter devido à privação de uma noite de sono bem dormida. Contudo, quando falamos de crianças, é tudo ainda mais preocupante.

Assim, de forma a garantir que o seu filho tem um sono saudável, nada mais importante que caucionar que ele tem rotinas diárias. Continue a ler que vamos explicar-lhe melhor como tudo funciona.

Sono saudável: O que é e como promover?

Um sono saudável é tão somente o conjunto de diversos pontos, nomeadamente:

  • Duração adequada
  • Boa qualidade
  • Regularidade dos hábitos de sono

Os mesmos, são por norma facilitados devido a uma rotina, que engloba aquilo que chamamos de higiene do sono.

Ou seja, um conjunto de hábitos que têm como principal intuito a promoção de um padrão de sono saudável (resumidamente o muito comum: lavar os dentes, xixi e cama).

E porque é que esta rotina de higiene é tão importante? Porque a mesma vai preparar os jovens para a noite que se avizinha.

E, contrariamente ao que possa pensar, ter bons hábitos de sono na infância é a base para a obtenção de um sono de qualidade na idade adulta.

Claro que a partir de determinada idade torna-se mais complicada a regulação dos sonos e da rotina noturna. Principalmente devido a jogos de computador (como o Fortnite) ou smartphones.

Mas, de forma a protelar ao máximo essa quebra na rotina, existem alguns conselhos que pode ter em mente:

  • Promover um horário de sono regular (com a mesma hora de ir para a cama e acordar diariamente)
  • Estabelecer rotinas de higiene antes de ele se deitar (ou seja, criar uma sequência de ações)
  • Criar um ambiente adequado ao sono
  • O quarto não deve ser utilizado para ver televisão, jogar ou comer
  • Desligar os equipamentos eletrónicos pelo menos uma hora antes de ir para a cama, e nunca os levar para o quarto
  • Promover atividades extracurriculares (preferencialmente aquelas que imputam esforço físico)
  • Fazer refeições ligeiras de noite, mas nunca deixar o seu filho ir para a cama com fome
  • Não ingerir líquidos em excesso antes de ir para a cama
  • Evitar alimentos ou bebidas estimulantes nas horas que antecedem a ida para a cama

1 – Especificidades a considerar em crianças

A par dos conselhos que lhe demos anteriormente, existem algumas especificidades que deve adotar. Ao falarmos de crianças, deve considerar que:

  • É de extrema importância estar com os pais no final do dia e terem uma rotina acompanhada antes de se deitarem
  • A criança deve ser deitada ainda acordada (ou seja, não deve esperar que adormeça no sofá para a colocar na cama)
  • Deve ser estimulada a dormir na sua própria cama (e não na cama dos pais)
  • A sesta deve ser facilitada (principalmente para crianças até aos 6 anos)

Estes são 4 pontos importantes que deve ter em conta quando quer promover um sono saudável em crianças pequenas.

2 – Especificidades de adolescentes

Quando falamos de adolescentes, bem sabemos que nem sempre é simples fazê-los seguir as regras (principalmente em determinadas idades).

No entanto, tentar promover ao máximo um sono saudável nesta idade é também muito importante.

Assim, a par das dicas que lhe demos anteriormente, facilitamos-lhe mais três:

  • Todo o material eletrónico deve ser mantido ao máximo fora do quarto
  • Evitar e controlar ao máximo a ingestão de álcool e tabaco não só por questões associadas ao sono em si, mas essencialmente devido a problemas de saúde que daí possam surgir
  • O horário de sono dos adolescentes pode ser variável e deve sempre acompanhar o seu horário escolar. Contudo, as horas de sono corrido devem ser mantidas (idealmente entre 8 a 10 horas para adolescentes dos 14 aos 17 anos)

Como vê, uma rotina diária é essencial para que crianças e adolescentes tenham um sono saudável. Acredite que ao facilitar isso ao seu filho, irá estar a promover uma rotina de sono muito mais benéfica no futuro.

Preocupado com o tempo que o seu filho passa à frente do telemóvel? Tenha calma…

Janeiro 16, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Ecrãs devem ser evitados antes da hora de dormir | Reuters

Notícia da RTP Notícias de 4 de janeiro de 2019.

Alexandre Brito – RTP

O Royal College of Paediatrics and Child Health, organismo britânico que reúne pediatras do país, publicou um guia para os pais relacionado com o tempo que as crianças devem passar à frente de um ecrã (tablets, telemóveis, etc). Com conselhos algo inesperados. Não há qualquer recomendação de tempo limite. Apenas bom senso e acompanhamento próximo pelos adultos.

Os pediatras dizem que não há evidências suficientes que confirmem que o tempo que as crianças passam à frente de ecrãs seja por si mesmo prejudicial à saúde em qualquer idade. Por essa razão, os pediatras indicam que é impossível recomendar um tempo limite relacionado com a idade.

Isso significa que as crianças podem usar, por exemplo, tablets e telefones o tempo que quiserem? Não. De acordo com as recomendações do Royal College of Paediatrics and Child Health, os pais devem permitir o uso desses aparelhos de acordo com a idade de desenvolvimento da criança – que varia -, com as necessidades individuais relacionadas com o exercício físico, socialização, entre outras. Quando o tempo que se passa à frente do ecrã afeta essas atividades, então torna-se prejudicial para a saúde do menor.

Nesse sentido, diz o Dr. Max Davie do Royal College of Paediatrics and Child Health, “temos que deixar os pais serem pais” e ajustarem o tempo de utilização destes ecrãs de acordo com o que é importante para a família e a criança. “A tecnologia é uma parte integrante da vida das crianças e dos jovens. Eles usam-na para comunicar, entretenimento e cada vez mais na educação”.

Apesar destas indicações, os pediatras avisam que para melhor compreender o que está a acontecer é preciso “mais e melhores estudos, particularmente relacionados com novos usos dos media digitais, como as redes sociais”.

No guia agora publicado, os pediatras lançam uma série de perguntas para ajudar os pais a avaliarem e a tomarem decisões relacionadas com o uso destes equipamentos:

  • O tempo da sua família à frente dos ecrãs está controlado?
  • O uso desses ecrãs tem influência no que a sua família quer fazer?
  • O uso dos ecrãs tem influência no sono?
  • Consegue controlar o que come durante o uso desses ecrãs?

Ainda de acordo com o Dr. Max Davie, “é importante encorajar os pais a fazerem aquilo que consideram certo para a sua família”. Sugere, no entanto, “que sejam estabelecidas fronteiras de acordo com a idade, negociadas entre os pais e as crianças, de forma a que todos na família as compreendam”.

E acrescenta: “Quando essa fronteiras não são cumpridas, tem que haver consequências”.

Tão importante como os conselhos anteriores é que os próprios pais façam uma reflexão “sobre o seu tempo à frente desses ecrãs de forma a terem uma influência positiva nos mais novos”.

Um alerta. Evitar o uso de ecrãs uma hora antes de dormir

Apesar de todas estas recomendações, de certa forma inesperadas, há uma que vai no sentido do que outros estudos já indicavam.

As crianças não devem usar esses ecrãs – telemóveis, tablets, etc – uma hora antes da hora de dormir. A luz estimula o cérebro com efeitos nocivos para o sono.

Apesar de existirem “modos noturnos” nesses aparelhos, dizem os pediatras que não há qualquer evidência de que sejam eficazes.

 

 

O tablet não é uma ama digital no mundo das crianças

Dezembro 7, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site dn_insider de 21 de novembro de 2018.

Cátia Rocha

A partir de que idade é que as crianças devem ter acesso a telemóveis, tablets e computadores? Os especialistas respondem à pergunta, numa era em que a tecnologia já é usada para acalmar birras ou apenas para distrair os mais pequenos.

Nativos digitais e imigrantes digitais são dois conceitos sociológicos nos quais não se pensa no dia-a-dia. No primeiro grupo estão as pessoas que já cresceram com tecnologia – normalmente está associado a quem nasceu depois de 1980, os millennials; já os imigrantes digitais são pessoas que tiveram de fazer a transição e o processo de habituação a um admirável mundo novo – o da tecnologia.

Um dado relevante: os nativos digitais são, na sua maioria, os pais das crianças de hoje. E por que razão é que isto é importante? Porque estas crianças vão bem além do conceito dos nativos digitais, vivendo uma experiência ainda mais imersiva do que a dos pais.

E é precisamente a consciência tecnológica destes últimos que os leva a questionar: a partir de que idade é recomendável uma presença tech na vida dos mais pequenos?

A verdade é que a tecnologia está cada vez mais presente na vida das crianças, com acesso a smartphones, dispositivos de realidade virtual e tablets – talvez o gadget que mais vezes é citado como um motivo de birras ou simplesmente de distração.

“Não deve haver pressa no uso do ecrã”, adverte o especialista, defendendo que a recomendação passa por evitar os meios digitais nos primeiros anos de vida. “Até aos 2 anos, o pensamento simbólico é muito imaturo, aquilo que a criança vê no tablet não consegue aplicar na sua vida normal, no dia-a-dia, exceto se for complementado por um adulto.” E, mesmo a partir dessa idade, há limites: “Um tablet não consegue perceber se uma criança está a ficar frustrada com a brincadeira, não há ainda uma inteligência artificial para conseguir lidar com a frustração.”

O pedopsiquiatra Pedro Strecht, que publicou recentemente o livro Pais sem Pressa, concorda com a visão de que, até aos dois anos, a tecnologia não deve ser um ponto central da vida. “Nessas idades, as crianças estão em fase de desenvolvimento de outras formas de comunicação e de relação; não podemos esquecer que é a partir dos 12 meses que a maioria começa a andar e a correr, descobrindo assim o mundo em seu redor. É a partir dessa idade que a aquisição e a expansão da linguagem adquirem um aspeto verdadeiramente central no desenvolvimento cognitivo e emocional dos mais novos.”

Pedro Strecht reconhece naturalmente um “mundo tecnológico que está presente no dia-a-dia e que, de verdade, as crianças já nascem por dentro dele”. Critica, porém, pais que “usam as tecnologias como forma de preencher espaços ou lacunas na relação direta com os filhos, mesmo com os de baixa idade”. Exemplo disso é o uso de tablets durante a refeição “para que não existam birras ou o tempo da alimentação seja mais rápido”.

Para a especialista em sono infantil Filipa Sommerfeldt Fernandes “vedar o acesso das crianças à tecnologia é tolice”, embora acredite na lógica do “bom senso e no equilíbrio”, para que se possa “retirar o melhor da tecnologia”.

São três especialistas com uma opinião transversal a todos: a tecnologia não é superior ao contacto humano no processo de desenvolvimento infantil. Ter um adulto em interação com a criança continua a ser o melhor caminho – e há estudos que o comprovam.

Pequenos nas lojas de apps

Um estudo do departamento de pediatria da Universidade de Medicina de Nova Iorque mostrou a influência que os meios eletrónicos têm na vida de crianças com menos de 2 anos. Os resultados revelaram, em 2010, que crianças mais expostas a conteúdos como filmes, DVD, televisão ou vídeos eram menos desenvolvidas em comparação com crianças com menor tempo de exposição a estes meios.

Recentemente, o estudo “Happy Kids: Aplicações Seguras e Benéficas para Crianças”, do Católica Research Centre for Psychological, Family and Social Wellbeing (CRC-W), da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, mostrou que as crianças mais novas – até aos 2 anos – são quem mais recorre às aplicações em dispositivos móveis.

O estudo foi feito através da plataforma Pumpkin e contou com as respostas de 1968 pais em Portugal, de filhos com idades até aos 8 anos. Além de mostrar que as crianças fazem um uso quase independente da tecnologia, o estudo coloca a questão: em que circunstância é que há maior permissão para os miúdos terem acesso à tecnologia?

No topo da lista surgem situações sociais: em restaurantes, 587 dos inquiridos dizem dar acesso a aplicações. Depois, os pais (490) cedem quando precisam de trabalhar ou de cumprir tarefas domésticas. Por fim, 99 apontaram para um uso em situações de stress – quando é preciso acalmar as birras dos filhos.

O processo de imitação

O número a que Pedro Strecht chegou dá que pensar: os pais passam 37 minutos por dia em interação exclusiva com os filhos.

Paulo Oom destaca o papel dos pais em todo o processo de educação, que deve ter em conta a moderação. “Entre os 2 e os 4 anos a criança pode ter ecrãs durante uma hora, mas com a presença de um adulto para orientar.” E não é apenas nesse ponto que pais e educadores têm importância. Muita da aprendizagem é feita através de imitação. “É fundamental os pais evitarem os ecrãs, porque às vezes dão um mau exemplo.”

Mas ainda há mais a ter em conta, principalmente nas ocasiões em que a palavra de ordem é brincar. “Não deve haver ecrãs nos momentos de brincadeira”, diz o pediatra. Filipa Sommerfeldt Fernandes aponta na mesma direção, referindo inclusive que a presença dos ecrãs na vida dos adultos também é excessiva.

“Os ecrãs em demasia impedem que haja momentos de conexão entre pais e filhos e são mais um fator para as birras dos pequenos – que passam a querer ver vídeos a toda a hora e que não gostam que estes lhes sejam retirados. Na hora de deitar podem ser mais um motivo de zanga. Além de que, embora estejam ‘quietos’ na cama, na realidade estão com o cérebro estimulado de uma forma que não ajuda ao sono”, garante a especialista.

Para dormir melhor

Quantas vezes é que não se ouve um pai ou uma mãe dizer que o filho não dorme bem? Cada criança tem uma rotina de sono muito particular, é certo, mas vale sempre a pena olhar para o ecrã do smartphone ou do tablet e perceber se não estará ali um contribuinte para o caso.

Os gadgets emitem luz azul. Embora os estudos nesta área sejam recentes, é referido sempre que esta tem influência no sono. “A forma como a luz é emitida pelos ecrãs afeta o relógio biológico, pois inibe a secreção de melatonina, a hormona do sono, desregulando os ritmos circadianos”, explica Filipa. E isto é válido tanto para adultos como para crianças. “Além de que a utilização de tablets antes de dormir atrasa a hora de deitar, e pode haver outros efeitos bem mais graves para a saúde física e mental” das crianças.
Paulo Oom refere que os pais devem aplicar a regra de não haver ecrãs uma hora antes de deitar. “A criança precisa de produzir melatonina antes de dormir.”

“Com a ativação e a excitação de certas zonas cerebrais, desencadeadas pelo uso excessivo de tecnologias (muitas delas mantêm-se ligadas durante a noite), é natural que as implicações negativas sejam diversas, como por exemplo no comportamento ou no aproveitamento escolar”, segundo o pedopsiquiatra. Mas também há que desdramatizar e perceber que a tecnologia no mundo infantil precisa de estar alicerçada no bom senso, no equilíbrio e numa forte orientação dos pais.

Paulo Oom acredita que o uso consciente da tecnologia nos momentos de interação “não se trata de uma cruzada contra os momentos de media – é sim uma cruzada contra não haver momentos de brincar na rua”.

*Este artigo foi originalmente publicado na Insider de outubro de 2018.

 

Vale a pena reduzir a amamentação materna para os bebés dormirem mais?

Julho 21, 2018 às 5:05 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do MAGG de 12 de julho de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Estudo diz que os bebés que ingerem sólidos antes dos 6 meses dormem mais. Um especialista discorda: o leite da mãe em exclusivo é o melhor.

e acordo com os resultados de um estudo divulgado recentemente no Jama Pediatrics, as crianças que começam a ingerir sólidos com menos de seis meses de idade dormem mais do que aquelas que são amamentadas. A investigação liderada pelo especialista Michael Perkin, do Instituto de Pesquisa de Saúde da População e do Hospital St. George, em Londres, sugere que a introdução dos sólidos pode resultar num sono melhor.

Michael Perkin e a sua equipa analisaram 1303 bebés: os do grupo de introdução precoce de alimentos começaram a ingerir sólidos com cerca de 16 semanas, em média, em comparação com os do grupo padrão que iniciaram às 23 semanas. Durante o período do estudo, que durou cinco meses, os bebés que começaram a comer sólidos mais cedo dormiam mais do que aqueles cujas mães continuaram a amamentar exclusivamente até aos seis meses de idade — uma média de quase 17 minutos a mais, para sermos precisos.

A diferença de minutos, que atingiu o seu pico máximo aos seis meses dos bebés, persistiu após o primeiro aniversário destes, sendo que as crianças que começaram a dormir mais cedo também acordavam com menos frequência (9%) do que os outros.

Os minutos a mais de sono não compensam o fim da amamentação exclusiva

Apesar do quão atrativa possa ser a ideia de que as crianças podem dormir mais com alterações na alimentação, José Aparício, médico pediatra e coordenador do atendimento pediátrico do Hospital Lusíadas Porto, realça que as vantagens da amamentação exclusiva estão muito acima dos 17 minutos a mais de sono.

“Prefiro que os bebés durmam menos 17 minutos e que se alimentem à mama”, diz à MAGG o especialista, que alerta que este tipo de estudos e trabalhos podem influenciar uma mãe a deixar de lado a amamentação exclusiva em prol de um sono mais extenso das crianças.

O médico pediatra afirma que “17 minutos não são nada” e recomenda que “se mantenha a mama”. José Aparício é “muito crítico em relação a tudo o que coloque em causa algo adquirido já há muitos anos, como os benefícios da amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida das crianças”.

De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento materno deve ser obrigatório no primeiro meio ano dos bebés e só depois é que os alimentos sólidos podem ser introduzidos.

“Respeitando o trabalho citado, estamos a comparar uma média de 17 minutos de sono contra uma vantagem imunológica, nutricional, psicológica e intelectual, basicamente tudo aquilo que a alimentação materna traz de positivo para um bebé. São também 17 minutos em que a mãe está a olhar para o bebé e este para a mãe”, afirma o especialista.

De acordo com José Aparício, a amamentação exclusiva é fundamental e traz inúmeras vantagens. “É claro que a população em geral pode ser seduzida pela ideia de conseguir mais tempo de descanso para os filhos, mas tenho mais que argumentos para desmontar esta ideia de 17 minutos a mais à custa de acabar com a mama em exclusivo, que vou defender sempre, devido aos seus variados benefícios em diversos campos”, conclui o pediatra.

Em Portugal, quase dois terços das mães amamentam em exclusivo até aos três meses.

 

 

 

Quando é que os bebés dormem melhor? Quando começam a comer sólidos

Julho 21, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de julho de 2018.

É quando os bebés começam a comer alimentos sólidos que começam a dormir melhor. A comparação foi feita entre os que são amamentados até aos seis meses e aqueles a quem são introduzidos os sólidos a partir dos três meses.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Academia Americana de Pediatria, entre outros, o aleitamento materno deve ser obrigatório nos primeiros seis meses da criança e só depois é que os alimentos sólidos podem ser introduzidos. Contudo, um estudo de 2016 sobre tolerância alimentar – que envolveu 1303 bebés, aos quais os alimentos sólidos foram introduzidos mais cedo para observar se esta acção ajudava a prevenir alergias alimentares –, demonstrou que a introdução de pequenas quantidades de alimentos alergénicos em bebés mais novos ajudava a reduzir os riscos de alergia alimentar. Estes resultados levaram a Academia Americana de Pediatria, o governo australiano e outros a mudaram as suas directrizes de alimentação infantil.

Michael Perkin, do Instituto de Pesquisa de Saúde da População e do Hospital St. George, ambos em Londres, acrescenta que os resultados de uma nova análise aos dados sugerem que outro dos benefícios da introdução dos sólidos é um sono melhor.

Conforme relatado no Jama Pediatrics, Perkin e a sua equipa de investigadores compararam o sono infantil e a qualidade de vida das mães que participaram no estudo de 2016. As crianças no grupo de introdução precoce começaram a ingerir sólidos com cerca de 16 semanas, em média, em comparação com os do grupo padrão que iniciaram às 23 semanas.

Durante cinco meses, os bebés que começaram a comer sólidos mais cedo dormiam mais do que aqueles cujas mães continuaram a amamentar exclusivamente até aos seis meses. A diferença entre os dois grupos atingiu o pico aos seis meses de idade, com o grupo de introdução precoce a dormir uma média de quase 17 minutos a mais do que o dos que continuaram a ser amamentados. Esta diferença persistiu após o primeiro aniversário das crianças. Os bebés que começaram a dormir mais cedo também acordavam com menos frequência (9%) do que os outros.

A descoberta “mais clinicamente importante”, avalia Perkin, é que os pais das crianças que ingeriam alimentos sólidos há mais tempo eram menos propensos a relatar que os seus filhos tinham um sério problema de sono. “Havia uma relação extremamente forte entre a qualidade de vida da mãe e o sono infantil”, acrescenta. “Se o bebé dorme mal, a qualidade de vida da mãe é claramente afectada.”

Maus hábitos de sono aumentam risco de obesidade nos rapazes

Maio 2, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e fotografia do https://ionline.sapo.pt/ de 16 de abril de 2018.

Estudo da Universidade de Coimbra conclui que crianças do sexo masculino com hábitos de sono irregulares têm 128% mais probabilidade de obesidade.

Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra chegaram à conclusão que os maus hábitos de sono representam “risco muito elevado de obesidade” nas crianças de sexo masculino.

O estudo contou com a participação de 8.273 crianças entre os seis e os nove anos (sendo 4.183 de sexo feminino) e, baseando-se nas recomendações da Academia Americana de Pediatria (2016) que estabelece que a duração indicada de sono para as crianças deve ser entre nove e 12 horas, teve como objetivo analisar “a relação entre os hábitos de sono irregulares” – quer por escassez ou excesso – e “o risco de excesso de peso e obesidade na população pediátrica”.

Na investigação foi também tido em conta a “atividade física e os comportamentos sedentários (por exemplo, o tempo passado a ver televisão ou a jogar no computador) através de questionários preenchidos pelos pais”, explica uma nota enviada pela Universidade de Coimbra à Lusa. O estudo foi publicado no American Journal of Humam Biology.

As conclusões ditam que “os rapazes que apresentavam hábitos de sono irregulares para a sua idade, isto é, quer abaixo das nove horas por noite, quer acima das 12 horas por noite, durante a semana têm 128% probabilidade de serem classificados como crianças com excesso de peso comparativamente com aqueles que dormiam as horas recomendadas”, explica o investigador Aristides Machado-Rodrigues.

Para as raparigas, cujos resultados foram analisados à parte, “não houve associações significativas entre a duração do sono e o risco de obesidade, nem nos dias da semana nem durante o fim de semana”, refere ainda o investigador que destaca “o cumprimento dos hábitos de sono recomendados na infância” como “um aspeto crucial da saúde cognitiva e do desenvolvimento harmonioso das crianças”.

“Os pais devem reforçar as regras familiares da ‘hora de deitar’ das crianças para que estas possam ter o tempo de sono diário recomendado para a saúde”, alerta Aristides Machado-Rodrigues e lembra que “a literatura sustenta, de forma inequívoca, que a privação do sono, especialmente em idades pediátricas, está associada a problemas de saúde aumentados, não só de índole cognitivo, mas especialmente relacionados com a diminuição da tolerância à glicose, o qual é um fator de risco para a obesidade”.

“Na atualidade, e de forma muito pragmática, não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação para os comportamentos sedentários de ecrã, vulgo tablets, telemóveis e computadores, que as crianças e jovens perpetuam pela noite dentro, comprometendo as horas de sono recomendadas, muitas vezes fechados no quarto e sem conhecimento dos pais”, acrescenta.

Apesar das várias medidas que têm sido adotadas para o combate à obesidade, “os hábitos de sono são os que têm merecido menor atenção comparativamente a outros comportamentos do quotidiano, como a atividade física, os hábitos nutricionais ou ainda o sedentarismo”, pode ainda ler-se na nota enviada pela Universidade de Coimbra.

Este estudo está incluído numa investigação mais ampla sobre a Prevalência da obesidade na infância em Portugal, sob a coordenação de Cristina Padez e com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The association of irregular sleep habits with the risk of being overweight/obese in a sample of Portuguese children aged 6–9 years

 

 

 

Porque é que as crianças pedem sempre a mesma história na hora de dormir?

Abril 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 9 de abril de 2018.

A psicóloga Clementina Almeida acredita que esse pedido está relacionado com uma necessidade de rotina. “A rotina dá-lhes uma sensação de previsibilidade. Não é por acaso que eles pedem para ler aquela história outra vez e outra vez e é sempre a mesma – porque isso lhes dá segurança”, explica a psicóloga clínica.

Clementina Almeida explica que a previsibilidade, o saberem o que vem a seguir, ajuda as crianças a acalmarem-se e os momentos que antecedem a hora de dormir são muito importantes.

Para Clementina Almeida, não interessa qual é a rotina (porque cada família é uma família), o que importa é que ela exista.

Ouvir a psicóloga Clementina Almeida no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/porque-e-que-as-criancas-pedem-sempre-a-mesma-historia-na-hora-de-dormir-9244306.html

Deixem os adolescentes dormir!

Outubro 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.paisefilhos.pt/ de 15 de setembro de 2017.

Todos os pais de adolescentes sabem quão difícil pode ser tirá-los da cama, todas a manhãs, a tempo de irem para a escola. Mas o que parece ser pura preguiça a muita gente pode, afinal, dever-se a ciclos biológicos de sono e vigília que marcam esta fase do desenvolvimento humano.

De acordo com especialistas da Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos, entre os 13 e os 18 anos, os jovens necessitam de dormir, em média, dez horas por noite. No entanto, a maioria não descansa nem sete e tal deve-se “ao facto de 85 por cento das escolas secundárias do país iniciarem as aulas antes das oito e meia da manhã”. Uma solução aparentemente simples será a de ir para a cama mais cedo, mas aí é que os ritmos biológicos se impõem, já que neste estádio de desenvolvimento “um dos picos de vigília, catalisado pela melatonina, acontece precisamente à hora em que os adolescentes se deveriam deitar para completar as tais dez horas e acordar cerca das sete e meia da manhã, ou seja, entre as nove e as dez da noite”.

Ou seja, se estão bem acordados depois dessa hora, e se idealmente precisam de dormir mais horas do que o habitual, não admira que os adolescentes estejam sonolentos quando são arrancados da cama. Os mesmos especialistas defendem assim que o início do dia escolar deve começar um pouco mais tarde, para aproveitar melhor o potencial de vigília dos jovens, considerando mesmo o “atual défice de descanso como um problema de saúde pública”, ligado a um maior risco de consumo de álcool e estupefacientes e também a sinais de depressão e mais casos de acidentes de automóvel.

 

 

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