“Eu sei onde estás e quero explicações” — para alguns jovens, a violência no namoro é vivida online

Abril 6, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 25 de março de 2019.

Nuno Rafael Gomes (texto) e Miguel Cabral (ilustração)

Os jovens denunciam mais, mas ainda lhes é difícil sair de relações abusivas. Quando os telemóveis e as redes sociais entram nas relações, descodificam-se as desconfianças através de partilhas de passwords. É preciso “falar destes assuntos na escola”, avisam especialistas.

Bárbara (nome fictício) chegou a Portugal há pouco mais de meio ano. Saiu do Brasil para estudar e trabalhar no Porto, onde o seu namorado de há quatro anos — também ele brasileiro — se tinha estabelecido “poucos meses antes” da sua chegada. Ela tem 23 anos; ele, 40. Descreve-o como “uma pessoa descontrolada”. Já Maria terminou uma relação depois de o então namorado lhe esconder o telemóvel “para ler as mensagens”. “Também queria controlar o que eu vestia e isolou-me dos meus amigos.” Para Carla (nome fictício), alguns dias do Verão de 2017 foram “bastante complicados”. Depois de “acabar” com o namorado, recebeu a mensagem: “Não te esqueças que sei onde trabalhas.” Deixou de colocar a localização nos seus posts.

Estes são apenas três casos que reflectem algumas conclusões apontadas por dois estudos apresentados em Fevereiro: o da associação Plano i, Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas, e o da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Violência no Namoro 2019. Há um aumento na taxa de violência psicológica entre os jovens, que cada vez mais adoptam “crenças conservadoras”. Também há uma maior sensibilização para o tema. A ameaça via telemóvel (com mensagens como “eu sei onde estás e quero explicações”) ou nas redes sociais preocupa não só as duas organizações, como também a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Mas vamos por partes. Para Bárbara, “a violência verbal sempre existiu”. “Já existiu violência física e ele já me prendeu num ‘mata-leão’ [golpe de estrangulamento das artes marciais japonesas] até eu desmaiar”, conta. Isso foi no Brasil. Numa viagem a Paris, agrediu-a na rua. “Chutou-me e eu estava jogada no chão. Ninguém fez nada.” Prefere o anonimato porque tem medo que se descubra. Ainda vivem juntos. “Não tenho para onde ir. Não tenho como pagar renda sozinha, tenho de pagar propinas também.” Para Bárbara, a solução seria “morar noutra cidade ou arranjar um emprego longe” para fugir ao companheiro “controlador” que não gosta que ela tenha “uma educação, uma profissão, amigos”. “A situação está mais tranquila porque estou poucas vezes em casa, por causa do trabalho e da faculdade”, acrescenta. Ainda assim, já foi ameaçada pelo companheiro por recusar ter relações sexuais.

Situações como a de Bárbara não são desconhecidas de organizações portuguesas que lidam com a violência doméstica — e não só. “Estes processos são difíceis e não são imediatos, mas têm solução”, garante Daniel Cotrim. O assessor técnico da direcção da APAV, responsável pelas áreas da violência doméstica e de género e da igualdade, ressalva que é importante dizer que não se consegue interromper “o ciclo da violência” rapidamente.

“O essencial é pedir ajuda à APAV no sentido de podermos informar e apoiar as vítimas”, sublinha. O número de denúncias por jovens vítimas de violência no namoro “tem aumentado”. Não quer dizer “que tenha havido um aumento generalizado de situações ou que há um fenómeno”. Mas “as pessoas estão mais informadas e sensibilizadas, tendo um maior conhecimento sobre isto”.

Opinião semelhante tem Mafalda Ferreira, criminóloga e coordenadora executiva do programa UNi+, da associação Plano i, vocacionado para a prevenção da violência no namoro em contexto universitário: “Até os casos recentes podem dar a sensação de que há mais casos; o que se passa é que o problema é mais visível.” E o mesmo observa a ILGA — Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo: “Em termos proporcionais, é igual. Tem mais que ver com quem denuncia”, adianta Sara Malcato, coordenadora de serviços e psicóloga clínica da associação.

“Desligava a Internet só para não falar com ele”

Dos 2683 universitários auscultados na investigação da Plano i, mais de metade confessaram ter sofrido “pelo menos um acto de violência no namoro”: 54,5% das mulheres e 55,3% dos homens inquiridos disseram ter sido vítimas de algum tipo de violência — e 34,5% assumiram ter praticado pelo menos um acto de violência.

No estudo da UMAR deste ano lê-se que a “principal forma de violência no namoro” é a psicológica. Em quase cinco mil inquiridos, 34% apontam esta como a tipologia de violência mais presente nas suas relações — e isto representa um aumento de 19% face aos dados de 2018. No mesmo estudo lê-se que “58% dos jovens que namoram ou namoraram dizem já ter sofrido uma qualquer forma de violência por parte do companheiro e 67% acham isso natural”.

“Há formas de violência que são mais facilmente identificáveis do que outras. A violência verbal e emocional que é perpetrada online tende a ser minimizada e até desconhecida”, conta Mafalda Ferreira. Foi o que aconteceu com Carla, estudante de 21 anos de Viana do Castelo, numa relação que manteve durante quase dois anos. Conheceu o ex-namorado “no ano de caloira”, aos 18 anos. “Cheguei ao Porto e não conhecia ninguém do curso. Ele é de lá e também do meu curso. Foi um dos primeiros amigos que tive e fez-me sentir acolhida”, recorda. Rapidamente começaram a namorar. “Nos primeiros meses fui muito feliz. Depois, começou a ficar estranho.” Se Carla não lhe respondesse às mensagens, “é porque estava com outros”. E mais mensagens (e desconfianças) chegavam.

“Às vezes desligava a Internet só para não falar com ele. No dia a seguir, as minhas amigas lá lhe diziam que não lhe respondia porque tinha adormecido”, explica. “Ou então deixava de ‘postar’ fotos com a minha localização no Instagram para não receber perguntas dele.” Recebia-o em casa e discutiam, deixou de estar tanto com os amigos e, a certa altura, começou a acreditar no que ele lhe ia dizendo: “Ninguém gosta de ti para além de mim.” Quando Carla tentou acabar a relação, sentiu-se emocionalmente chantageada e repensou a decisão: “Dizia-me que, se acabasse com ele, desistia da universidade.” Mais tarde, terminaria “de vez”. “Aí ele disse: ‘Não te esqueças que eu sei onde trabalhas. Um dia apareço lá.’” Nunca apareceu no bar onde trabalha no Verão, “felizmente”. Mas Carla ainda receia represálias, daí não assumir a sua identidade real.

No caso de Maria Figueiredo, copywriter de 26 anos de Vila Nova de Gaia, o telemóvel também teve o seu peso no controlo por parte do ex-namorado. “Tinha 18 anos na altura. Lembro-me que acabei a relação depois do Paredes de Coura de 2012.” Durante o festival, o então namorado roubou-lhe o telemóvel “para ver as mensagens”. Foi a gota de água.

Mas havia muito que sentia que tudo o que fazia era “diminuído” e “desvalorizado”. Sentia-se “quase perseguida”. E chegou a dar-lhe a “password do Facebook”. “Insistiu que devia ter e eu dei”, conta.

Mafalda Ferreira, da Plano i, adverte: “A partilha das passwords, que surge como algo romantizado, não passa de uma prova de desconfiança.” O entendimento deste pedido como “acto de amor” dificulta, na sua opinião, “o facto de a vítima reconhecer a sua relação como violenta”. Daniel Cotrim acredita que há soluções — para adolescentes e pré-adolescentes. “É importante falar destes assuntos nas escolas sem os culpabilizar”, defende, apontando ainda que, “nos casais em que isto acontece, este controlo e falta de privacidade são vistos quase como naturais”.

Falando pela associação, realça: “A APAV defende que se deve reduzir [nas horas de ensino de] Matemática e Português para trabalhar a questão da igualdade de género, cidadania e inteligência emocional.” Isto porque os adolescentes “estão na fase de identificação de grupos de pares e há o medo de ficarem sozinhos”; assim, “estes rapazes e raparigas demoram muito tempo a denunciar porque não querem sair daquele grupo”. Quanto às redes sociais e aos telemóveis, Mafalda Ferreira esclarece que, de acordo com o estudo, “neste tipo de violência” é comum haver ao mesmo tempo “duas vítimas e dois agressores”: cada elemento do casal pode assumir ambos os papéis em momentos diferentes.

O problema da “masculinidade tóxica”

No estudo da Plano i, há percentagens significativas que apontam para crenças “bastante conservadoras”. “As respostas que obtivemos reflectem o que a pessoa pensa, sofre ou pratica, analisamos crenças e práticas”, começa por explicar Mafalda Ferreira. “Assim, 12,7% das mulheres e 27,9% dos homens concordam que algumas situações são provocadas pelas mulheres.” Mas há mais: a mesma percentagem de inquiridos acredita que “meninos e meninas devem ser educados de forma diferente” ou que “homens e mulheres devem ter deveres e direitos diferentes”. Muitas vezes, tanto o agressor como a vítima concordam com estas ideias. Daniel Cotrim corrobora: “Há uma herança transgeracional. Os pais já viviam questões de violência, por exemplo.”

A coordenadora executiva do UNi+ e o assessor técnico da APAV indicam que, quando o rapaz é o agressor, as tipologias dominantes de violência são “a sexual e a física”. No caso das raparigas, “é mais psicológica e verbal”. “Para os rapazes, não é normal serem vítimas de raparigas. Tem a ver com as raízes das questões da masculinidade”, diz Daniel Cotrim.

Os rapazes têm dificuldade em assumir que são vítimas de violência no namoro — sejam eles hetero ou homossexuais. “Por um lado, tem que ver com a dita masculinidade, de existir um papel de género que levanta sentimentos de vergonha”, explica o psicólogo e técnico da APAV. “Depois, há a questão dos pares. O pânico de o grupo saber.” Para além disso, de acordo com um estudo de 2017 da Universidade do Minho, a maioria dos homens vítimas de violência doméstica acha que é inútil apresentar queixa. “Ainda há um pensamento associado à forma com que as instituições como a polícia, os tribunais e organizações como a APAV os vão ver”, explica. “É preciso dizer que as organizações estão preparadas para trabalhar com eles”, ressalva.

A questão da “masculinidade tóxica” também se observa quando se fala de violência no namoro em relações homossexuais, principalmente “em casais de homens”, afirma Sara Malcato. “A comunidade não está fechada numa redoma. Também há pessoas LGBTI transfóbicas e homofóbicas.” Isso tem que ver “com um grande dilema entre aquilo que a pessoa crê e o que sente”. E “há um aumento crescente” de crenças mais conservadoras devido “à própria internalização da homofobia”.

Em 2018, segundo dados enviados pela ILGA ao P3, foram atendidas 409 pessoas no serviço de apoio à vítima da associação — o grupo dos “homens cis gay” (pessoas cujo género é o mesmo que o designado no nascimento que têm sexo com outros homens) foi o que mais recorreu a esta ajuda (75 utentes). A maior parte das queixas refere-se a casos de violência familiar, mas 38 pessoas queixaram-se de terem sido vítimas de assédio ou de violência na intimidade.

Daniel Cotrim diz que não existem muitas campanhas em redor da violência em casais LGBTI. Contudo, há casos a chegar à APAV. Apesar de “não existirem grandes diferenças em relação à violência heteronormativa”, há situações concretas e específicas: “A questão da ameaça de outing”, de expor a orientação sexual ainda não publicamente assumida de alguém, é uma delas.

Maria diz faltarem “campanhas com maior impacto”, mas ressalva: “Já se faz alguma coisa.” Exemplo disso é a campanha #NamorarMemeASério, lançada pela secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade que contou com a participação de algumas figuras públicas. Ou então a revista GQ que na capa da edição de Março ordenou: “Se agride uma mulher, não compre a GQ.” Já no Porto foi aprovado recentemente, tal como já existe noutros locais, o Plano Municipal de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género

“A violência isola” — e “com mais prevalência nos casais do mesmo sexo”, realça Sara Malcato. A rejeição pode vir “dos pais, da família e dos amigos”. Quando não isola, esconde-se atrás de publicações nas redes sociais, seja qual for a orientação sexual. “Para os meus amigos, estava tudo bem”, diz Carla. Hoje, tem uma “relação saudável” com um rapaz que lhe dá espaço. “Agora falo disto tranquilamente. Na altura, foi muito complicado. Só a minha mãe sabia de tudo”, recorda.

Do caso de Bárbara, pouca gente sabe: “Contei a uma colega e à minha psicóloga.” Continua a publicar piadas e selfies no Instagram — para quem a vê pelas redes sociais está tudo bem. Não apresentou queixa, tal como as restantes entrevistadas. “Pensei sempre: ‘Logo, logo me livro dessa situação.’”. Às vítimas de violência no namoro e/ou doméstica, aconselha o “amor-próprio” que tem vindo a reconquistar. E a procurarem ajuda — mas Bárbara ainda não o fez.

 

 

Campanha #NamorarMemeASério pela eliminação da violência no namoro

Março 3, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.cig.gov.pt/2019/02/campanha-pela-eliminacao-da-violencia-no-namoro-namorarmemeaserio/

 

Será que sou vítima de violência no namoro? Seminário em Coimbra – 14 de fevereiro

Janeiro 31, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.cnpdpcj.gov.pt/seminario-sobre-a-violencia-do-namoro.aspx?fbclid=IwAR2E6WdLPaWVyBDZle6RQgrXNAkrKC0txKMrrPEWs0WhdGm9-H64mk7ugS0

I Seminário Rede Municipal de Intervenção na Violência Doméstica de Loures, com a participação da Presidente do IAC Dulce Rocha e Maria João Malho do IAC, 29 de novembro em Loures

Novembro 27, 2018 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Dulce Rocha, Presidente do Instituto de Apoio à Criança irá participar como moderadora no painel “Violência no namoro: Qual é o problema?” e a Drª Maria João Malho técnica do IAC-SOS-Criança apresentará o “Projeto Escola Alfaiate”.

Mais informações no link:

https://www.cm-loures.pt/Conteudo.aspx?DisplayId=5667

 

VII Conferência e VI Prémio de Comunicação Corações Capazes de Construir : Com Riscos de Traça o Futuro – 19 novembro na Fundação Calouste Gulbenkian

Novembro 16, 2018 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/2223127851255828/

Nasceu um jogo para prevenir a violência no namoro. Joga-se no smartphone e no computador

Novembro 5, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia e fotografia do Público de 19 de outubro de 2018.

O jogo, denominado “UNLOVE”, pode ser descarregado gratuitamente. Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, considerou que estas ferramentas são “fundamentais, porque falam e são o meio que hoje os jovens utilizam”.

Lusa

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM), em parceria com a Universidade de Aveiro (UA), lançou nesta sexta-feira um jogo destinado a adolescentes para smartphone e computador que visa, entre outros objetivos, prevenir a violência no namoro.

Em declarações à Lusa, Joana Lima, do MDM, disse que a finalidade do jogo é “dar ferramentas de treino às crianças e jovens para depois, na sua vida, poderem lidar com situações reais“.

“É um jogo baseado em princípios não moralistas e não limitadores. A personagem que é criada é completamente costumizada. Eu crio uma personagem que me representa a mim e o meu ou a minha namorada”, adiantou Joana Lima. O jogo permite que os utilizadores vivam uma “história de namoro”, onde lhes são colocadas situações sobre as quais terão de tomar decisões comportamentais para prosseguir.

As decisões conduzem a diferentes caminhos de relação e ocorrem em diferentes espaços (a casa, o café, a escola, a praia) e o jogo está desenvolvido para que o jogador vá tomando consciência do resultado das suas decisões.

Na ocasião, a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, considerou que estas ferramentas são “fundamentais, porque falam e são o meio que hoje os jovens utilizam, e tem essencialmente uma abordagem que não é conservadora, nem moralizadora”.

“Temos de ser inteligentes e falar a linguagem, usar o meio, usar os códigos que eles utilizam. Acho que aqui está a chave do sucesso. A minha expectativa relativamente a estes instrumentos é imensa”, disse a governante, apelando a uma “grande difusão” destas ferramentas, levando-as ao conhecimento de todos os agentes educativos do país.

Para crianças e jovens dos 12 aos 18 anos

O jogo, denominado “UNLOVE”, pode ser descarregado gratuitamente para os sistemas Android e iOS e pode ser usado num computador ou no smartphone. Destina-se a crianças e jovens dos 12 aos 18 anos, foi desenvolvido ao longo de 18 meses, com a realização de várias atividades em escolas secundárias do distrito de Aveiro e na UA, abrangendo mais de duas mil pessoas.

O primeiro protótipo surgiu no âmbito de um trabalho desenvolvido por alunos da UA no ano lectivo 2013/2014. Cinco anos volvidos, o MDM partilhou com a comunidade a versão final do jogo, que contou com o financiamento da Secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade.

Além do videojogo, em simultâneo foi lançado o guião UNPOP, um ‘kit’ pedagógico para ensinar a utilizar, em contexto educativo, videoclipes que os jovens consomem quotidianamente em elevadas quantidades, e onde estão presentes estereótipos de género, a banalização da erotização e sexualidade, preconceitos e mitos sobre modelos de relação, que podem estar associados ou possam ser geradores de discriminações e de violências”.

Neste momento, o MDM já tem várias solicitações para apresentar os dois produtos em escolas e outras organizações e associações, disse Joana Lima, adiantando que a UA vai garantir a monitorização do impacto que o jogo tem nos estudantes.

Site do jogo:

http://unlove.web.ua.pt/sobre.php

 

 

Violência contra as mulheres : Um inquérito à escala da União Europeia : síntese dos resultados

Junho 23, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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descarregar o documento no link:

https://publications.europa.eu/en/publication-detail/-/publication/6cb0c9ec-5165-446f-8751-33892f017dfd/language-pt/format-PDF/source-71798777

A violência contra as mulheres compromete os seus direitos fundamentais, tais como a dignidade, o acesso à justiça e a igualdade de género. Por exemplo, uma em cada três mulheres sofreu violência física e/ou sexual desde os 15 anos de idade; uma em cada cinco mulheres foi vítima de perseguição; uma em cada duas mulheres foi confrontada com uma ou mais formas de assédio sexual. Estamos, deste modo, perante um quadro de abuso disseminado, que, embora afete a vida de muitas mulheres, é sistematicamente objeto de… notificação insuficiente às autoridades. Os dados oficiais não refletem, por conseguinte, a amplitude da violência contra as mulheres.

Adolescência. 3 histórias chocantes de sexo, violência e selfies

Junho 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site MAGG de 11de junho de 2018.

por MARTA GONÇALVES MIRANDA

Depois de “O Fim da Inocência”, Francisco Salgueiro recebeu centenas de relatos de jovens. O resultado é “S.D.S. — Sexo, Drogas e Selfies”.

Sexo, drogas, álcool. Noites levadas ao limite, partilhas incessantes nas redes sociais, bebedeiras que quase terminam em coma alcoólico. Foi em 2010 que Francisco Salgueiro publicou o livro “O Fim da Inocência“, inspirado na história real de uma adolescente portuguesa.

Inês tem uma vida aparentemente perfeita, frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Mas é também consumidora regular de drogas, participa em jogos sexuais arriscados e utiliza desregradamente a internet.

“Antes de terminar ‘O Fim da Inocência’, perguntava a toda a gente se alguém conhecia histórias de outros adolescentes e ninguém conhecia. Era uma espécie de tabu”, conta à MAGG Francisco Salgueiro, 45 anos. “Quando o livro é publicado, começo a receber imensas histórias.”

“O Fim da Inocência” foi um enorme sucesso — em vendas, é verdade (já vai na 13.ª edição), mas também no despertar de uma consciência adormecida. Os pais não faziam a menor ideia do que os filhos andavam a fazer, a comunicação social não abordava estes temas. Depois do livro, e ainda mais depois da adaptação ao cinema (“O Fim da Inocência” foi o filme mais visto em 2017), tudo isso mudou.

“Quando escrevi ‘O Fim da Inocência’ achava que aquela era a geração que mais riscos estava a correr. Agora vejo claramente que é esta.”

Oito anos depois, ainda é raro o dia em que Francisco Salgueiro não recebe pelo menos um email de um adolescente a narrar-lhe alguma coisa. Foi por isso que surgiu a ideia de publicar “S.D.S. — Sexo, Drogas e Selfies“, que reúne várias histórias reais que lhe foram enviadas. São relatos novos e verídicos que mostram o que os jovens do século XXI fazem no seu dia a dia, em particular à noite.

E mudou assim tanta coisa desde Inês? Sim. E está pior? Sem dúvida. “Quando escrevi ‘O Fim da Inocência’ achava que aquela era a geração que mais riscos estava a correr. Agora vejo claramente que é esta.”

Por um lado, culpa das suas próprias profissões e estilos de vida, os pais acabam por estar mais desligados. Por outro, os miúdos vivem a cultura do YOLO (You Only Live Once — só vivemos uma vez) e do FOMO (Fear of Missing Out — medo de estarem a perder alguma coisa).

“Para nós pode não parecer muito tempo, mas para os adolescentes oito anos é de facto muito tempo em termos de novidades do que eles fazem no seu dia a dia. Há coisas que eles fazem hoje em dia que não passa pela cabeça dos pais ou das pessoas mais velhas.”

A MAGG pediu a Francisco Salgueiro que escolhesse excertos das histórias que mais o chocaram. Uma rapariga apanhada pelo segurança da discoteca a fazer sexo oral na casa de banho, e a ser filmada por amigos e desconhecidos. Uma jovem que reflete sobre um grupo de amigos que só interage via redes sociais (mesmo quando estão na mesma sala). Uma saída à noite que termina com uma agressão verbal — e física. Três histórias chocantes de “S.D.S. — Sexo, Drogas e Selfies”.

Atenção: as histórias que se seguem contêm cenas e linguagem sexualmente explícitas que podem ser consideradas inadequadas e ofender.

Ler as histórias no link:

https://magg.pt/2018/06/11/adolescencia-3-historias-chocantes-de-sexo-violencia-e-selfies/

 

Como lidam os jovens com a violência no namoro? Perguntem-lhes

Maio 12, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 29 de abril de 2018.

Alunos de Valadares mergulharam nas causas e consequências da violência no namoro através de diferentes métodos. E trazem respostas. Entre as soluções está a ideia de que o assunto “deve ser tratado na escola, desde pequenos”, para ajudá-los a reconhecer o problema.

Aline Flor

O que pensam os estudantes sobre as diferentes formas de violência no namoro? Como é que os jovens reagem a este tipo de violência? Que estratégias usar para que compreendam melhor o problema? Para a turma de multimédia do 11.º ano da Escola Secundária Dr. Joaquim G. Ferreira Alves, em Valadares, Vila Nova de Gaia, as respostas vieram sob várias formas.

Ao longo do último ano lectivo, rapazes e raparigas investigaram a violência no namoro com recurso a diferentes métodos: inquéritos, entrevistas, fotografia, teatro. O tema foi escolhido pelos próprios alunos, no âmbito do projecto europeu Catch-Eyou, que em Portugal é coordenado por Isabel Menezes, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP). No ano passado, com a ajuda de investigadores da FPCEUP e através de metodologias ligadas ao Teatro do Oprimido, analisaram algumas dinâmicas de poder presentes na sociedade e que identificam também no seu dia-a-dia.

Ao fim do primeiro ano do projecto, a turma tinha explorado a violência no namoro e a desigualdade entre alunos e professores. “Mas este ano decidimos que a violência no namoro era mais importante”, conta-nos Catarina Machado, 18 anos. Os resultados foram apresentados na semana passada, através posters, vídeos e teatro, num evento aberto à comunidade escolar no qual também estiveram presentes investigadores e outros membros externos para ouvir e debater com os alunos os resultados que encontraram.

“Não é uma coisa de que se fale regularmente, mas sabemos o que é e as consequências que tem”, explica Paulo Silva, 18 anos, que ficou no grupo de rapazes que elaborou o questionário distribuído por turmas do 7.º ao 12.º ano. Perguntaram aos colegas: acham normal um namorado dar uma bofetada à namorada? Pedir-lhe o telemóvel “para ver o que se passa”? E se for ao contrário? As conclusões: “A grande maioria dos jovens é contra a violência no namoro”, apesar de haver estudantes “menos conscientes” sobre as diferentes formas de violência.

E quando o agressor é o nosso melhor amigo, o que devemos fazer? As opiniões dividem-se – e os alunos tentaram mostrar os diferentes pontos de vista num debate em role playing, em que cada personagem representa as conclusões retiradas de cada fonte.

Assunto “deve ser tratado na escola”

Catarina Machado e outras quatro colegas ficaram com as entrevistas; falaram com um agente da polícia e com a representante de uma organização de apoio a vítimas de violência no namoro. Ouvidas as partes, concluíram que o assunto “deve ser tratado na escola, desde pequenos, para interiorizarmos melhor estes temas”. “Muitas vezes nós não vemos as coisas como sendo aquilo que são, e acho que deveríamos ter mais noção das coisas”. Por exemplo? Estar alerta quando alguém numa relação tenta controlar a roupa ou os contactos da outra pessoa. As fontes ouvidas pelas estudantes afirmaram ainda que “os professores deviam ser alertados para este problema”, para estarem prontos para intervir.

O grupo da colega Jéssica Santos, 18 anos, tentou perceber como é que vítimas, agressores e colegas reagem à violência. O método: a fotografia. “Na nossa fotografia, tentamos pôr-nos no corpo da pessoa, sentir o que ela sente. Através disso, encontrar algo que transmita o que a pessoa numa relação dessas está a sentir e tentar fazer com que, ao verem a nossa imagem, as pessoas pensem. Talvez até ganhem uma ideia nova sobre o que é este tema”. O resultado: uma “árvore cronológica” de uma relação violenta, que cresce desde a raiz até dividir-se entre “a decisão de tentar libertar-se dessa relação” e um lado mau, de sofrimento e solidão. Para Jéssica, é preciso “incentivar as pessoas a ajudarem-se umas às outras”. “Muitas vezes vemos as coisas mas não nos queremos meter nos problemas dos outros.”

E o que estará na raiz desta violência? Para o grupo que explorou o tema através do teatro, a resposta está nas “diferentes intenções que levam as pessoas a estarem juntas e o lugar que cada um ocupa na sociedade”, lê-se num dos posters elaborados pelos alunos para apresentar os seus resultados. Mas se, por um lado, “o homem tem alguns privilégios” numa relação e “maior liberdade sexual” do que a mulher, tem também “uma pressão social para se comportar de maneiras pré-determinadas: deve ser forte, protector, determinado, activo”.

O rapaz gosta de futebol, a rapariga de dança

Na peça criada pelos estudantes, os rapazes começam por representar a vida de duas pessoas, “desde bebés até adultos, com vários estereótipos”, descreve Rodrigo Pereira, 17 anos. Por exemplo, “o rapaz gosta de futebol, a rapariga gosta mais de dança”. Para o jovem, corrigir estes desequilíbrios pode fazer com que as mulheres não sejam desvalorizadas, por exemplo, no mercado de trabalho; ou que homens e mulheres tenham menos vergonha de denunciar quando são vítimas de violência. E esta intervenção tem que ser mais próxima dos jovens, ao invés das “muitas campanhas de sensibilização” que não conseguem de facto “sensibilizar os indivíduos que estão em risco de fazer uma agressão”.

O objectivo do projecto Catch-Eyou é pôr os jovens a interessar-se por questões com que se deparam no seu dia-a-dia. Não apenas reflectir sobre as suas realidades, mas também desenvolver uma cidadania activa, a consciência de que podem agir e que isso pode fazer a diferença. “Deu-me oportunidades para expressar a minha opinião e dar um voto para que isto não continue a acontecer”, conta Diogo Santos, 18 anos.

Para Anabela Amaral, presidente do conselho geral desta escola, “o que é importante é ver o processo de decisão, a implicação e a intervenção” dos alunos. E este tipo de abordagem faz com que os jovens aprendam melhor como agir? O que nos dizem eles? “Metiam-nos em papéis para naquele momento sentirmos o que uma vítima e um agressor sentiam, e estudámos várias atitudes que ambos podiam ter. Se uma pessoa já se tiver sentido naquela posição, se calhar já sabia como agir mais tarde quando o assunto fosse a sério”, diz-nos Diogo.

Os resultados a que os estudantes chegaram serão apresentados por eles em Bruxelas, em Setembro, num evento onde alunos de escolas de outros cinco países também vão apresentar os resultados das suas pesquisas sobre outros temas, como a questão dos refugiados.

 

Conferência “Crianças e Jovens vítimas de violência” 5 maio na Biblioteca Orlando Ribeiro

Maio 3, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Pela Dr.ª Cláudia Meira | Gestora da Linha de Apoio à Vítima
APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima

Nesta sessão serão abordadas de uma geral as várias formas de violência, fazendo referência ao fenómeno do bullying e violência no namoro, de modo a sensibilizar jovens e famílias no sentido de ajudar a identificar possíveis situações de risco, formas de atuação e dos respetivos direitos.
adulto

Biblioteca Orlando Ribeiro
Data: 2018-05-05 às 16:00
Contactos: Tel: 218 172 660
bib.oribeiro@cm-lisboa.pt
Observações: Entrada gratuita, mediante inscrição prévia.

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