EUA preocupados com “epidemia” de cigarros electrónicos entre adolescentes

Setembro 28, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de setembro de 2018.

A oferta de produtos com sabores doces está a atrair o público mais jovem. Governo teme uma “geração viciada” em nicotina.

Liliana Borges

O uso de cigarros electrónicos está a tornar-se uma “epidemia entre adolescentes” nos EUA “e precisa de ser travado”, defende agência federal norte-americana FDA (Food and Drug Administration, dependente do Departamento de Saúde). De acordo com o comissário Scott Gottlieb, o Governo está a considerar restringir a venda destes produtos e limitar a oferta de sabores oferecidos pelos fabricantes de cigarros eléctricos.

Os cigarros electrónicos surgiram no início do século XXI e apresentaram-se como uma alternativa ao tabaco convencional ou como ferramenta de transição para deixar de fumar. No entanto, a segurança do recurso a esta opção não é consensual. Em 2008, por exemplo, a Organização Mundial de Saúde obrigou os promotores destes cigarros a deixarem de anunciar que estes cigarros seriam uma “forma segura de deixar de fumar”. Agora, a FDA sublinha o perigo do seu consumo entre as gerações mais jovens de norte-americanos, que têm aderido em massa a estes produtos nos últimos anos.

“Vemos claros sinais de que o uso de cigarros electrónicos atingiu proporções epidémicas entre os jovens e temos de ajustar certos aspectos da nossa estratégia para estancar esta ameaça”, declarou Gottlieb num comunicado da agência.

O dirigente da agência federal diz que está em curso “a maior iniciativa alguma vez coordenada contra a venda” de produtos do género na história do organismo. “O objectivo é controlar a venda de cigarros eléctricos a menores, quer nas lojas, quer em vendas online”, disse.

A agência enviou 1300 cartas e multas a retalhistas “em larga escala” para combater a venda a menores. A estas somam-se 12 avisos para empresas de venda online que, segundo a agência, estão a vender produtos com sabores que se encontram habitualmente em produtos alimentares consumidos pelos mais jovens, como bolachas e outros doces.

Gottlieb teme que o aumento do consumo destes produtos electrónicos entre adolescentes e jovens norte-americanos se traduza numa dependência futura de nicotina.

“Uso a palavra epidemia com muito cuidado. Os cigarros electrónicos tornaram-se praticamente omnipresentes e perigosos — uma tendência entre adolescentes. A trajectória preocupante e crescente do seu uso entre os jovens a que estamos a assistir, e o consequente caminho em direcção ao vício, deve terminar. Não é tolerável”, vincou.

“Vou ser muito claro: a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos não irá tolerar que uma geração inteira se torne viciada em nicotina como consequência de se permitir que os adultos tenham acesso aos mesmos produtos”, declarou.

“Tenho vindo a avisar a indústria dos cigarros electrónicos no último ano sobre a urgência de fazerem alguma coisa para combater esta tendência entre as gerações mais novas”, disse Gottlieb, “mesmo que isso signifique limitar o acesso de adultos a estes produtos”.

“Do meu ponto de vista, [os vendedores de cigarros electrónicos] tratam este assunto de uma perspectiva de relações públicas e não têm conta as suas obrigações legais, de saúde pública, e a ameaça destes produtos”. Por isso, Gottlieb diz que “está tudo em cima da mesa” e não exclui processos criminais.

As declarações de Gottlieb foram secundadas pelo secretário da Saúde, Alex Azar, que disse “partilhar da mesma preocupação sobre o crescente consumo de cigarros electrónicos por parte dos jovens”, incentivando a FDA a “tomar uma posição imediata e histórica para responder às vendas e marketing destes produtos para as crianças”.

Os efeitos dos cigarros electrónicos continuam a ser objecto de estudo. No início do ano foram publicadas as conclusões de duas pesquisas. Numa delas, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os cientistas alertam para os danos potenciais do vapor dos cigarros electrónicos no ADN (que podem causar mutações na origem de doenças oncológicas). Já o segundo, publicado na Frontiers  in  Physiology, os investigadores afirmam que os sabores artificiais dos cigarros electrónicos são tóxicos e lesivos para células do sistema imunitário.

 

 

Sincronizar ondas cerebrais entre pais e bebé é possível

Dezembro 15, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://kids.pplware.sapo.pt/ de 4 de dezembro de 2017.

Criado por Célia Simões

Comunicar com um bebé não é tarefa fácil. Até que comece a falar, a forma mais usada para se expressar é chorar e decifrar os vários tipos de choro é um desafio para os pais. Mas já nessa fase existe comunicação entre eles.

Atividade cerebral entre pais e bebé

Uma pesquisa efetuada pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, mostra que, através da sincronização das ondas cerebrais, ao existir contacto visual entre o adulto e a criança, é possível melhorar a comunicação entre eles e até, acelerar a aprendizagem.

A comunicação entre pais e bebé é uma fase muito importante. Embora possa parecer que o bebé não entende nada do que os pais lhe dizem, a verdade é que durante esse tempo está a haver interação entre eles.

O olhar, as emoções e os batimentos cardíacos são comportamentos que se sincronizam no decorrer dessa interação. Quando os pais falam para o bebé este fica extremamente atento e parece até que também quer falar.

Investigadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura e da Universidade de East London, no Reino Unido, fizeram uma pesquisa mais aprofundada sobre a sincronização das ondas cerebrais na interação de pais e bebé.

Ondas cerebrais em sintonia

A atividade cerebral entre adultos já foi estudada, e esses estudos demonstraram que, quando dois adultos estão a conversar, a comunicação entre eles é mais eficaz se as suas ondas cerebrais estiverem em sintonia.

As ondas cerebrais refletem a atividade de diversos grupos de milhões de neurónios que estão envolvidos na transferência de informações entre as várias regiões do cérebro.

Neste novo estudo, os investigadores realizaram um teste com a finalidade de descobrir se os bebés conseguem sincronizar as suas ondas cerebrais com as dos adultos. E de que forma o contacto visual pode ou não influenciar essa sincronização.

Os padrões de ondas cerebrais de 36 crianças foram examinados, 17 numa primeira fase e as restantes 19 numa segunda. Para isso foi usada a eletroencefalografia. O estudo foi feito com o adulto a cantar canções infantis para o bebé.

Estudo comprovado

Na primeira fase, os adultos cantaram para os bebés, mas não ao vivo (o padrão das ondas cerebrais dos adultos foi gravado). Através de um vídeo, a criança estabeleceu contacto visual com a imagem, mas nem sempre. Por vezes o adulto desviava o olhar.

Tal como previsto, neste registo, ficou provado que as ondas cerebrais dos bebés estavam mais sincronizadas com as do adulto quando o olhar dos dois se encontrava.

Na segunda fase, o adulto cantou presencialmente para o bebé, olhando diretamente para ele, mesmo que, evitando por vezes o olhar. Desta vez as ondas cerebrais de ambos foram monitorizadas ao vivo de forma a entender-se se os padrões eram influenciados pelo olhar um do outro.

Aqui, tanto o bebé como o adulto, ficaram mais sincronizados com a atividade cerebral um do outro, quando foi estabelecido contacto visual mútuo. Isso aconteceu mesmo quando os adultos, embora tendo oportunidade de estabelecer contacto visual com os bebés, não o fizessem. Os bebés mostraram interesse pelo adulto mesmo quando o adulto evitava o olhar.

No final ficou concluído que a sincronização de ondas cerebrais não se deve apenas ao contacto visual, mas que o facto, de estar presente, da intenção compartilhada de comunicar é um fator de enorme peso.

mais informações na notícia da University of Cambridge:

Eye contact with your baby helps synchronise your brainwaves

 

 

Planos de ajustamento do FMI podem afetar saúde infantil

Junho 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Noticia do http://www.dnoticias.pt/ de 16 de maio de 2017.

Os programas de austeridade do FMI nos países mais pobres podem diminuir a capacidade de alguns pais de garantir a saúde dos filhos, concluiu um estudo científico publicado na segunda-feira e contestado pela instituição financeira.

Realizado por seis universidades, este estudo publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences junta-se a uma vasta literatura sobre os possíveis malefícios da austeridade orçamental promovida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) nos países do sul.

O estudo, que compilou dados de 67 países recolhidos nos anos 2000, afastou a hipótese de uma “causa direta” entre uma degradação dos indicadores de saúde e os planos do FMI, que fornece empréstimos aos Estados em troca de programas de consolidação das finanças públicas.

O trabalho identificou “efeitos contraditórios” que a ação do FMI tem na saúde infantil.

“As intervenções do FMI procuram aumentar a estabilidade económica, o que traz benefícios para a população. No entanto, ao mesmo tempo, as medidas de ajustamento impostas pelo FMI diminuem os efeitos protetores [que o nível] de educação dos pais [tem] na saúde infantil”, escreveram os autores das universidades de Cambridge e Oxford, no Reino Unido.

Assim, os lares onde o chefe de família tem pelo menos um nível de educação primário têm, em termos gerais, mais condições de responder às necessidades dos filhos em termos de acesso à água, nutrição ou vacinação.

Esta capacidade é reduzida nos países sob assistência do FMI, especialmente em meios rurais, indicou o estudo.

De acordo com os investigadores, o nível de escolaridade dos pais reduz os riscos de malnutrição infantil em 38% em épocas normais, mas apenas em 21% quando os países estão a ser apoiados pelo FMI.

Esta diferença está relacionada, de acordo com os investigadores, com a redução das despesas públicas exigidas pelo FMI que “comprime os salários” e provoca perdas de oportunidade de emprego, arriscando-se a limitar a “utilidade (…) de uma educação básica” na capacidade dos pais de garantirem uma saúde melhor aos filhos.

Contactado pela agência noticiosa France Presse (AFP), o FMI criticou o estudo e disse que este falhou em estabelecer uma ligação direta entre os planos de resgate e a saúde infantil.

De acordo com a instituição, os investigadores concluíram “de maneira errónea” que os gastos com a educação diminuem nos países sob assistência do FMI, com consequências nefastas para a saúde infantil.

“As nossas análises mostram que as despesas públicas com a educação aumentaram significativamente nos países de baixos rendimentos, durante a implementação dos programas de assistência do Fundo”, indicou uma porta-voz do FMI em comunicado.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Impact of International Monetary Fund programs on child health

 

 

 

Amor de mãe influencia tamanho do cérebro

Junho 14, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 14 de maio de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Preschool is a sensitive period for the influence of maternal support on the trajectory of hippocampal development

clicar na imagem

expresso

 

 

 

Ler num ecrã antes de dormir pode afetar muito mais do que apenas o sono

Janeiro 18, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 1 de janeiro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Evening use of light-emitting eReaders negatively affects sleep, circadian timing, and next-morning alertness

Ler livros em suporte digital quando já está deitado pode perturbar o sono. Mas as consequências podem ser bem mais graves.

Substituir os livros em papel por eBooks antes de dormir é um hábito comum a cada vez mais leitores. E é um facto que este hábito torna mais lento o processo de adormecer e faz com que no dia seguinte nos sintamos mais cansados e menos alerta.

Mas um estudo publicado no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences, realizado pelo Brigham and Women’s Hospital em Boston (EUA), concluiu que as consequências vão além da perda de uma boa noite de sono: A utilização de um leitor digital, de um computador, de um smarphone ou até assistir a determinados programas de televisão, podem ter um impacto extremamente negativo na qualidade de vida, uma vez que os problemas de sono estão ligados a outros problemas de saúde, como a obesidade, a diabetes e doenças cardiovasculares. A privação crónica de melatonina (hormona responsável pelo sono) tem também sido associada ao aumento de determinados tipos de cancro.

O estudo analisou as diferenças entre ler um livro impresso e ler um livro num ecrã luminoso. Durante duas semanas, foi pedido a 12 participantes que lessem livros antes de se deitarem, durante cinco dias seguidos – uns faziam-no em iPads, outros em edições impressas.

As conclusões mostram que os indivíduos dos leitores digitais demoravam mais tempo a adormecer, sentiam-se menos ensonados à noite e tinham menos tempo de sono profundo, comparado com os leitores de livros impressos. Estes indivíduos tinham também as doses de melatonina mais baixas e, no dia seguinte, sentiam-se mais cansados do que os elementos que haviam lido livros impressos, mesmo que o tempo de sono tivesse sido igual.

Os efeitos dos ecrãs luminosos podem ser ainda mais perversos no mundo real (tendo em conta que o estudo foi limitado no espaço e tempo).

Há, no entanto, formas de minimizar o efeito do ecrã luminoso, ainda que o ideal seja não o levar para a cama. Por exemplo, utilizar um filtro que bloqueie a luz azul, responsável pela redução da melatonina.

 

 

 

Irmãos mais velhos são os mais inteligentes

Novembro 16, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TVI24 de 20 de outubro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Examining the effects of birth order on personality

tvi

Novo estudo volta a corroborar os resultados de outras investigações que garantem que, quanto mais novo for o irmão, menor o QI

Redação / Susana Laires

Um novo estudo da Universidade de Leipzig promete aguçar a rivalidade entre irmãos, ao concluir que os mais velhos são mais inteligentes que os mais novos. A investigação vem de encontro a outros estudos que já tinham mostrado uma forte correlação entre a ordem de nascimento e os resultados nos testes de QI.

De acordo com os investigadores, que analisaram três estudos sobre o tópico, a cada nascimento na família as crianças tendem a apresentar um QI mais baixo. No entanto, os especialistas acreditam que isto se deve a um fator ambiental e não biológico.

Os cientistas sublinham, contudo, que as diferenças são pouco significativas. Apesar dos irmãos mais velhos serem, tecnicamente, mais inteligentes, a vantagem em relação aos mais novos é apenas de 1,5 pontos nos testes de QI.

A razão para tal acontecer ainda não é clara, mas pode dever-se ao tempo a sós com os pais que os filhos mais velhos têm, antes do irmão mais novo nascer.

Segundo o The Telegraph, os resultados sugerem que os filhos mais velhos têm menos liberdade e mais responsabilidades do que os mais novos, acabando por sentir mais pressão para serem bem-sucedidos. Para além disto, os irmãos mais novos tendem a achar que são menos inteligentes.

“Enquanto os irmãos mais velhos recebem a atenção total dos pais, pelo menos durante alguns meses ou anos, os que nascem mais tarde vão ter de partilhar desde o início”, disse Julie Rohrer, uma das autoras da investigação. “Outro fator explicativo é o do mais velho como tutor: o mais velho pode ensinar as crianças que lhe seguem, explicando-lhes como o mundo funciona. Para ensinar outras pessoas é preciso maiores capacidades cognitivas”.

 

Crianças rodeadas de espaços verdes com melhor rendimento

Junho 25, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 16 de junho de 2015.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Green spaces and cognitive development in primary schoolchildren

foto Marcos Borga Arquivo Global Imagens

Dina Margato

As zonas verdes dos parques e jardins têm um papel revelante na aprendizagem das crianças, conclui um estudo espanhol, desenvolvido pelo programa Contaminação Atmosférica do Centro de Investigação em Epidemiologia Ambiental.

O estudo, que envolveu 2600 crianças, foi publicado pela revista “Preceedings of the National Academy of Sciences” e comparou o desempenho dos miúdos que frequentam escolas com jardins ou situadas na proximidade de espaços verdes com o de outros impedidos desse contacto.

Primeiro analisou-se o nível de cognição dos miúdos pertencentes a diferentes escolas e colégios de Barcelona. Numa segunda parte do trabalho, os investigadores encaixaram essa informação no mapa das áreas arborizadas, recorrendo a imagens fornecidas via satélite.

A principal conclusão foi a de que o contacto com zonas verdes estimulava o desempenho cognitivo em 5%. E as características mais diferenciadoras referem-se à rapidez no processamento de informação simples e complexa. A memória também ganha 6% face ao grupo privado de parques naturais.

Os investigadores descobriram ainda que o défice de atenção diminuía e isso independentemente da etnia, educação da mãe ou emprego dos pais.

Na explicação de Mark Nieuwenhuijsen, um dos coordenadores do estudo, “quando olhas para um parque o cérebro relaxa e isso influi nele”. Por outro lado, realça ainda as vantagens adjacentes: “estimulam a actividade física, promovem o contacto social e ajudam a reduzir o stress”.

Apoiando-se nas conclusões, os investigadores propõem a expansão de espaços verdes no interior das escolas e na sua proximidade.

 

 

 

 

Origem do narcisismo aponta para excesso de elogios dos pais

Março 14, 2015 às 7:13 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do Público de 10 de março de 2015.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Origins of narcissism in children

DR

Nicolau Ferreira

Estudo em famílias holandesas sugere que a demonstração de amor dos pais ajuda as crianças a ter auto-estima, mas a sua glorificação pode contribuir para uma ideia desproporcionada do valor de si próprias.

Diz-se que uma pessoa centrada em si própria de forma doentia é narcísica. Esta é a definição de narcisismo na entrada deste tema na Enciclopédia Britannica online. E é também uma explicação perfeita sobre o Narciso – o rapaz tão belo que, segundo a mitologia grega, quando se viu reflectido num espelho de água, se enamorou de si próprio. Narciso morreu a olhar para si e nesse lugar nasceu uma flor que ganhou o seu nome.

Ainda não há uma explicação definitiva para a origem desta perturbação da personalidade que tem o nome daquele mito. As duas hipóteses mais importantes sobre este problema levam-nos até ao desenvolvimento psicológico das crianças, mas divergem na explicação. Segundo uma das hipóteses, o narcisismo surge quando os pais valorizam de mais as crianças, e elas acabam por ter uma ideia desproporcionada de si próprias: vêem-se como pessoas privilegiadas. A outra hipótese defende que a causa está em pais que não demonstram amor e não valorizam suficientemente os filhos. As crianças, por sua vez, tentam colocar-se num pedestal para terem a aprovação de terceiros, que não receberam dos pais.

Uma equipa a trabalhar na Holanda analisou o desenvolvimento das crianças à procura da origem do narcisismo, testando as duas hipóteses. Os investigadores observaram uma associação entre a glorificação dos filhos e a existência e manutenção dos traços narcísicos, conclui um artigo publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences dos Estados Unidos.

Nas últimas décadas, mais especificamente nas camadas mais jovens das sociedades ocidentais, o narcisismo tem aumentado, adianta o artigo. As características do narcisismo vão para lá do enamoramento por nós próprios. Podem passar por usar terceiros para ganhos próprios, por acharmos que somos melhores e que temos mais direitos do que os outros, e pela constante procura de aprovação e elogio.

As consequências desta perturbação não são benignas, descrevem os autores no artigo: “Quando os narcisistas se sentem humilhados, tendem a responder com agressividade, ou até mesmo violentamente. Os narcisistas também têm um risco acrescido de problemas de saúde mental, como dependências de drogas, depressão e ansiedade.”

Agora, o estudo de Eddie Brummelman, na Universidade de Utrecht, na Holanda, e colegas analisou 565 crianças entre os 7 e os 11 anos. A cada uma foi feito um inquérito de seis em seis meses, durante dois anos, para aferir se tinham traços de personalidade narcísica e para avaliar a sua auto-estima. Frases no inquérito como “Miúdos como eu merecem algo extra” destinaram-se a permitir avaliar o narcisismo. Enquanto frases como “Miúdos como eu estão felizes consigo próprios como pessoas” avaliaram a auto-estima.

Os autores explicam a dimensão destes dois aspectos. “Apesar de os narcisistas se sentirem superiores aos outros e que têm direito a ter privilégios, não estão necessariamente satisfeitos consigo próprios como pessoas. Ou seja, o narcisismo e a auto-estima captam duas dimensões diferentes do eu. Como dizem os peritos: ‘Uma auto-estima elevada significa pensar-se bem de si mesmo, enquanto o narcisismo envolve uma vontade apaixonada de se pensar bem de si próprio.’ Além disso, ao contrário do narcisismo, a auto-estima elevada é indicativo de níveis mais baixos de ansiedade e de depressão ao longo do tempo.”

O inquérito tinha ainda perguntas sobre o relacionamento que as crianças tinham com o pai e a mãe: “O meu pai/a minha mãe dizem-me que me amam.” Os autores também fizeram inquéritos a 415 mães e a 290 pais destas crianças. Por um lado, quiseram saber se os pais consideravam os filhos mais especiais do que as outras crianças. Por outro, perguntaram aos pais se diziam aos filhos que os amavam.

Com todas estas perguntas, os cientistas puderam distinguir se os traços de narcisismo estavam ligados a uma sobrevalorização dos pais ou à falta de amor. Além disso, também analisaram o papel do amor dos pais na auto-estima das crianças.

Os resultados mostraram que os traços de narcisismo estão associados à sobrevalorização dos filhos ao longo do tempo. “Quando os pais dizem às crianças que elas são mais especiais do que os outros, elas acreditam nisso. Isso poderá não ser bom nem para as crianças nem para a sociedade”, defende Brad Bushman, co-autor do estudo, investigador da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos. Este cientista explica que os pais poderão ter este tipo de atitude com o objectivo de aumentar auto-estima dos filhos. “Mais do que aumentar a auto-estima, as práticas de sobrevalorização podem estar inadvertidamente a aumentar os níveis de narcisismo.”

A equipa não encontrou uma associação entre a falta de demonstração de amor de pais para filhos e o narcisismo. Mas descobriu que quando os filhos diziam, no questionário, que sentiam o amor dos pais, isto permitia prever que a auto-estima seria elevada ao longo do tempo.

Apesar de os cientistas explicarem que a educação será só um dos factores que contribui para o desenvolvimento de uma personalidade narcísica, defendem que “um esforço colectivo para reduzir a sobrevalorização dos pais poderá ajudar a travar o aumento do narcisismo na sociedade”.

 

 

Aprender a ler reorganiza o nosso cérebro e melhora o desempenho visual

Dezembro 11, 2014 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Público de 27 de novembro de 2014.

Ana Banha

Ana Gerschenfeld

Quando aprendemos a ler, uma dada área do nosso córtex visual passa a dedicar-se ao reconhecimento da escrita. E esta reorganização funcional do cérebro acontece seja qual for a idade em que se faz a aprendizagem da leitura – e parece ser idêntica em todas as línguas.

Nunca é tarde de mais para aprender a ler. Esta é uma das conclusões de um estudo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) por uma equipa de investigadores de França, Bélgica, Portugal e Brasil.

Mais: a aprendizagem da leitura aumenta o desempenho visual das pessoas, permitindo-lhes detectar diferenças entre objectos de todo o tipo – e não apenas na escrita – mais depressa do que as pessoas totalmente iletradas.

Estes cientistas já tinham publicado, em 2010, na revista Science, um primeiro estudo sobre a forma como a aprendizagem da leitura deixa uma “marca” no cérebro humano. Na altura, compararam a actividade cerebral de pessoas analfabetas e de pessoas que sabiam ler através da técnica de ressonância magnética funcional. E concluíram que a aprendizagem da leitura reorganiza literalmente o sistema visual humano. Mais precisamente, mostraram que o facto de uma pessoa aprender a ler leva ao aparecimento, no seu córtex visual, de uma área, chamada VWFA (visual word form area) e especializada no reconhecimento das letras e das palavras escritas.

Todavia, escreve agora na PNAS a mesma equipa – que inclui José Morais, conhecido especialista português de psicologia experimental da Universidade Livre de Bruxelas; Paulo Ventura, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa; Stanislas Dehaene, reputado investigador do Collège de France; e vários outros neurocientistas, psicólogos e especialistas de cognição humana –, o estudo da Science não chegava para perceber quais eram as etapas do processamento da informação visual que eram alteradas pela aprendizagem da leitura. É esta lacuna que o actual artigo visa agora colmatar.

Diga-se antes de mais que um dos pioneiros da ideia de que o cérebro muda quando se aprende a ler é português: trata-se do neurocientista Alexandre Castro Caldas, actualmente director do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

Voltando ao actual estudo, os autores submeteram voluntários adultos brasileiros e portugueses – 24 que sabiam ler, 16 ex-analfabetos e nove totalmente iletrados – a testes de discriminação visual enquanto registavam a sua actividade cerebral. Só que, desta vez, essa actividade foi recolhida através de múltiplos eléctrodos aplicados no couro cabeludo – ou seja, por electroencefalografia, uma técnica mais precisa.

O teste consistia na apresentação sucessiva de pares de imagens pertencentes a seis categorias de objectos diferentes: sequências de letras (“pseudo-palavras”), sequências de caracteres que parecem escritos num alfabeto diferente (designadas por “falsas fontes”), rostos, casas, ferramentas e padrões axadrezados. Cada par de imagens continha duas imagens idênticas, duas imagens “em espelho” ou duas imagens diferentes de objectos da mesma categoria.

Como os processos de discriminação visual em estudo não são conscientes, não era pedido aos participantes para discriminarem conscientemente as imagens de cada par. De facto, “os participantes deviam simplesmente estar atentos [às imagens] e carregar num botão de cada vez que surgia uma imagem que não fazia parte do par (uma estrela preta)”, lê-se na PNAS.

Primeiro efeito da literacia: menos de 200 milissegundos após a apresentação de sequências de letras escritas, a actividade cerebral das pessoas que sabiam ler aumentava de forma espectacular na já referida área VWFA, especializada no tratamento visual da escrita e situada na zona lateral traseira do hemisfério esquerdo do cérebro (nas pessoas dextras). “O que isto significa é que os efeitos da literacia emergem muito cedo no processo de tratamento da informação visual”, disse Paulo Ventura em entrevista telefónica ao PÚBLICO.

Tigre da esquerda, tigre da direita

“Um outro efeito muito forte [da literacia] é o aumento da precisão da nossa discriminação dos objectos visuais”, acrescenta este cientista. Acontece que as pessoas que sabem ler discriminam melhor duas imagens semelhantes (mas não idênticas) do que as pessoas iletradas. E ainda um terceiro efeito detectado pelos cientistas tem a ver com as imagens “em espelho” – onde, mais uma vez, o desempenho de quem sabe ler é muito melhor do que o de quem não sabe. “Saber distinguir entre um ‘b’ e um ‘d’ e entre um ‘p’ e um ‘q’ basta para melhorar drasticamente a nossa discriminação das imagens em espelho”, frisa Paulo Ventura.

E de facto, os autores constataram que estas melhorias do desempenho visual associadas à literacia não se limitam às palavras escritas, estendendo-se também às outras categorias de imagens apresentadas. “A literacia melhora o processamento visual em geral”, diz Paulo Ventura.

E a seguir, brinda-nos com uma colorida analogia: “Por exemplo, se eu vir um tigre aproximar-se pela direita ou pela esquerda, o meu sistema visual detecta que se trata de um tigre, que é o que interessa (e depois localizo o tigre). Ora, nós usamos este sistema até começarmos a ir à escola, altura em que temos de aprender a distinguir entre pares de letras em espelho. E se eu antes tratava duas imagens em espelho como idênticas, quando aprendo a ler passo a discriminá-las – e passo a ver o tigre da esquerda e o tigre da direita como objectos diferentes.”

Ainda uma outra diferença foi observada pelos autores, desta vez ao nível do reconhecimento das caras, entre a actividade cerebral dos participantes letrados e iletrados. “A aprendizagem da leitura tem dois efeitos muito importantes no funcionamento das regiões cerebrais envolvidas no processamento visual”, resume por sua vez José Morais num email: “Aumenta a capacidade de discriminação de objectos muito para além da identificação das letras; e conduz a uma reorganização do processamento das caras.”

Reciclagem neuronal

O co-autor Stanislas Dehaene tem uma teoria acerca desta reorganização cerebral ligada às caras, como nos explica ainda Paulo Ventura: “As áreas do cérebro que respondem à identidade do rosto estão sobretudo no hemisfério direito e um pouco – muito pouco – no esquerdo.” E a teoria de Stanislas de Dehaene é que, na altura da aprendizagem da leitura, ocorre uma “reciclagem neuronal”.

Mais precisamente, segundo Dehaene, refere Paulo Ventura, “a invenção da leitura é demasiado recente (foi há uns 5000 anos) para ter tido impacto ao nível do genoma humano.” E o que isto quer dizer, frisa ainda este investigador, é que não fomos formatados para a leitura pela evolução – e que, por isso, quando aprendemos a ler, temos de “recrutar” para essa nova função uma área do cérebro que até ali servia para outra coisa – neste caso, para identificar rostos. “É como se essa área fosse invadida, reciclada para uma nova função”, diz Paulo Ventura.

Mais: a partir do momento em que aprendemos a ler, essa região especializada que é a VWFA, essa “zona cerebral das palavras escritas”, passa a existir. E é a mesma em todas as línguas – em português, em russo, hebraico, japonês, mandarim…

De facto, os resultados agora obtidos abonam em favor da ideia de reciclagem neuronal. Estudos anteriores já tinham observado que, quando lhes são apresentadas imagens de faces, as pessoas iletradas activam uma área do seu hemisfério cerebral esquerdo que “calha” justamente na área VWFA de reconhecimento da escrita usada pelas pessoas letradas. Ora, os autores do actual estudo constataram que, quando as pessoas letradas estão a discriminar duas faces, a actividade da região VWFA diminui. Mas, ao mesmo tempo, a actividade aumenta numa área homóloga do seu hemisfério cerebral direito. O que sugere efectivamente que uma componente do processamento visual dos rostos humanos terá sido “deslocada” de um hemisfério cerebral para o outro quando o lugar onde inicialmente residia ficou “ocupado” pela aprendizagem da leitura. Terá havido, portanto, reciclagem neuronal.

Quer isto dizer que quando aprendemos a ler, passamos a reconhecer menos bem as faces? “Não, antes pelo contrário”, responde Paulo Ventura. “Discriminamos melhor as faces, devido à melhoria [geral] do processamento da informação visual.”

Há ainda uma boa notícia a destacar neste trabalho: os autores terminam dizendo que os seu estudo confirma que, no cérebro dos ex-iletrados – aqueles que aprenderam a ler na idade adulta –, a área específica VWFA, que se activa com a leitura no hemisfério esquerdo, também existe. “Não interessa a idade em que se aprende a ler; a melhoria do processamento da informação visual pode ser adquirida aos seis anos ou em adulto”, diz Paulo Ventura. “Nunca é tarde para usufruir dos benefícios cerebrais que a leitura traz”.

 

 

Os bebés treinam mentalmente a fala meses antes de começarem a falar

Julho 21, 2014 às 1:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 16 de julho de 2014.

instituto da aprendizagem e das  neurociências Universidade de washington

Ana Gerschenfeld

Ao longo do primeiro ano de vida, o cérebro humano prepara-se para conseguir coordenar os movimentos que irão permitir ao bebé articular os sons da sua língua, concluem cientistas.

Sabe-se que, até mais ou menos aos oito meses de idade, os bebés prestam igualmente atenção aos sons de todas as línguas que ouvem. Mas, por volta dos 12 meses, passam a reconhecer claramente a sua língua materna – ou seja, aquela que é, normalmente, a mais falada à sua volta – em detrimento de qualquer outra. Ainda não se sabe bem como é que esta transição da percepção da fala se opera, mas agora uma equipa de cientistas nos Estados Unidos descobriu o que consideram ser uma base biológica dessa radical transformação.

Segundo eles, mesmo quando os bebés ainda são incapazes de articular qualquer palavra, o seu cérebro já está a tentar imitar, mentalmente, os sons que eles ouvem. E assim fazendo, está a construir, em silêncio, as bases neuronais motoras que irão possibilitar a locução pelo bebé, a partir do segundo ano de vida, das palavras da sua língua mãe. Os resultados foram publicados na edição desta semana da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

O que Patricia Kuhl, da Universidade de Washington (em Seattle), e colegas essencialmente mostraram é que as palavras que os bebés com sete meses de idade ouvem à sua volta estimulam as áreas motoras do cérebro que estão encarregadas de coordenar e planificar os movimentos que irão permitir, uns meses depois, a articulação efectiva da fala.

Os cientistas analisaram a actividade cerebral de 57 bebés, respectivamente com sete meses e 11 a 12 meses de idade. Para isso, sentaram-nos debaixo de um aparelho parecido “com um secador de cabelo à moda antiga” – mas que é de facto um capacete high-tech que mede a actividade cerebral através de uma técnica não invasiva dita de magnetoencefalografia, totalmente inócua para os bebés, lê-se no mesmo documento. Os bebés ouviam sílabas derivadas do inglês ou do espanhol, como “da” e “ta”, enquanto os cientistas registavam a resposta do cérebro dos bebés a esses sons.

Mais precisamente, a equipa registou uma activação neuronal numa área auditiva do córtex chamada “giro temporal superior” bem como em duas outras áreas – a área de Broca e o cerebelo – que se sabe serem responsáveis pela planificação dos movimentos necessários para articular as palavras. E constataram que, aos sete meses, todas essas áreas se activavam com igual intensidade fosse qual fosse a língua que os bebés ouviam.

“A maioria dos bebés de sete meses consegue palrar, mas apenas irá pronunciar as primeiras palavras a seguir ao primeiro aniversário”, diz Kuhl, citada em comunicado da sua universidade. “O facto de termos detectado uma activação cerebral em áreas cerebrais motoras numa altura em que os bebés estão simplesmente a ouvir os outros a falar é significativo, porque quer dizer que o cérebro do bebé tenta, logo de início, responder verbalmente. E também sugere que o cérebro dos bebés de sete meses já está a tentar descobrir os movimentos certos para produzir palavras.”

Já nos bebés com 11-12 meses, esse padrão de activação alterava-se: as áreas auditivas passavam a responder mais fortemente à língua materna do que à língua estrangeira, enquanto as áreas motoras passavam a responder mais fortemente à língua estrangeira do que à língua materna. Para os cientistas, isso não só confirma que, nesta fase do seu desenvolvimento, os bebés já adquiriram uma experiência auditiva suficiente para distinguirem a língua materna das outras, como também sugere que já é preciso um maior esforço por parte das suas áreas cerebrais motoras para descobrirem como articular os sons da língua estrangeira do que para articular as palavras da sua própria língua. A transição da percepção da fala apanhada ao vivo e em directo, por assim dizer.

“A experiência da língua [ouvida durante os primeiros meses de vida] serviria assim para reforçar o conhecimento da língua nativa, tanto perceptual como motor. Ao fim do primeiro ano, (…) tornar-se-ia portanto mais difícil e menos eficiente gerar modelos [motores] internos para uma língua estrangeira”, escrevem os cientistas.

Os resultados têm várias implicações sociais, segundo os autores. Por um lado, mostram que é preciso falar “a sério” com os bebés, mesmo sabendo que não percebem o que estamos a dizer-lhes, porque esse é precisamente o “catalisador” da sua aprendizagem da língua, a chave que lhes vai permitir gerar os tais “modelos cerebrais internos” para mais tarde conseguirem falar essa língua.

Por outro, sugerem que a forma como os pais costumam falar com os seus filhos recém-nascidos, articulando muito bem e esticando as vogais de forma exagerada (“oooohhh, meu liiiindoooo bebéééééé”) – e que nada tem a ver com dizer palavras que não fazem sentido – poderá ajudar os bebés na construção desses modelos motores cerebrais logo nos primeiros meses de vida. “Essa forma de falar dos pais é muito exagerada e é possível que, quando os bebés a ouvem, o seu cérebro consiga modelar mais facilmente os movimentos necessários à fala”, diz Kuhl.

 

 

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