Distribuição de leite, fruta e legumes recomeça nas escolas da UE

Setembro 9, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 3 de setembro de 2018.

O orçamento total deste programa é de 150 milhões de euros para a fruta e os legumes e 100 milhões de euros para o leite e outros produtos lácteos em cada ano lectivo.
Lusa
O programa de distribuição de fruta, legumes e leite nas escolas da União Europeia (UE) recomeça este mês, a par do início do ano lectivo 2018/2019 nos 28 Estados-membros, divulgou esta segunda-feira a Comissão Europeia.
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O orçamento total deste programa é de 150 milhões de euros para a fruta e os legumes e 100 milhões de euros para o leite e outros produtos lácteos em cada ano lectivo.
Este programa, no qual participam todos os Estados-membros, visa encorajar hábitos alimentares saudáveis junto das crianças e inclui a distribuição de fruta, legumes e produtos lácteos, bem como programas educativos específicos para sensibilizar os alunos para a importância de uma boa nutrição e explicar-lhes como os alimentos são produzidos.

Escolas passam a disponibilizar “leite vegetal” e fruta chega a mais crianças Fruta em vez de bolachas e pausas para alongamentos. São algumas das dicas da OMS para reuniões saudáveis
Autarquias devem dar fruta ao lanche às crianças todos os dias, defendem os nutricionistas.

Até 2023, Portugal por receber, anualmente, um máximo de 6,73 euros por aluno do primeiro ciclo para a distribuição de fruta e legumes e quatro euros para leite e produtos lácteos.

No ano lectivo 2017/2018, graças ao aumento do número de escolas participantes, mais de 30 milhões de crianças em toda a UE puderam beneficiar desta iniciativa em favor de uma alimentação saudável.

Baby Led Weaning: O método que acaba com “miúdos esquisitinhos” com comida

Abril 16, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 3 de fevereiro de 2017.

Rita Ferro JORNALISTA

Se o seu filho tem mais de 6 meses está na altura de guardar as trituradoras, varinhas mágicas e robots de cozinha que põem tudo em puré, sem grumos e sem bocados. Há um novo método que está a conquistar as mães portuguesas. Apesar da sujidade, quem pratica defende que há muitas vantagens, entre elas, miúdos “pouco esquisitinhos” com comida. Andamos à procura de fotos de experiências [e de grandes bagunças]. Tem disso aí por casa? Envie fotos do seu filho em estado #blw com uma pequenina legenda, nome e idade para eureporter@sic.pt

O Baby Led Weaning [ou BLW para os amigos] é um método cada vez mais conhecido e adotado pelas mães portuguesas para introduzirem sólidos a partir dos 6 meses. Na sua essência mais pura, o BLW consiste no desmame conduzido pelo bebé. Ou seja, a partir do meio ano de idade o bebé vai, lentamente e ao seu ritmo, trocando a amamentação exclusiva por alimentos, inteiros.

O regresso ao trabalho antes desta altura, que acontece para tantas mães, pode comprometer a amamentação em exclusivo e leva à introdução de biberão, ou outras soluções. Entao aí, o BLW, já não serve completamente a sua função mas ainda conquista noutras. Com esta técnica, o bebé vai também ganhar gosto pela comida, descobrir texturas e sabores, trabalhar a motricidade fina e movimentos e ganhar autonomia.

Há regras para este método? Há algumas, sim. Deve ser feito juntamente com a família à mesa de refeição para que os mais crescidos sirvam de exemplo e “estarem de olho” no bebé, os alimentos devem ser cozinhados e cortados de forma especial conforme as idades, é preciso ter paciência e, o mais difícil de tudo, tempo.

Sentámo-nos à mesa com três mães bloggers adeptas do BLW e pusémos mãos à obra.

Joana Paixão Brás é co-autora do blog A mãe é que sabe e é onde costuma mostrar a filha mais nova, Luísa, a aventurar-se no Baby Led Weaning. A primeira questão que lhe fizemos [para sossegar quem nos está a ler] foi: E não tem medo que ela se engasgue?

Não muito. Do que li, este é, caso eles já mostrem estar preparados, um período óptimo para aprenderem a mastigar e, como têm uma coisa chamada gag reflex (que traduzido para reflexo de engasgo ou engasgamento parece mais assustador do que é, porque eles não se chegam a engasgar), que é uma espécie de ânsia de vómito, em que eles, sentindo que a comida não está ainda suficientemente pequena para engolir, voltam a trazê-la para a frente da boca para a mastigarem melhor.

E não foi só para passar da amamentação para os alimentos que Joana escolheu este método. A filha mais velha abriu portas a um caminho de descobertas para a caçula da família.

“Já tinha em casa uma filha pisca para comer e esquisitinha e quis tentar uma coisa diferente com a segunda. A Luísa não era amante de sopas, tentei três ou quatro vezes. Cuspia, protestava e não quis “fazer aviõezinhos” e obriga-lá a comer. Percebi que através do BLW, ela adorava comer, experimentar, provar e fazia as caras e os sons mais engraçados.”

Como está em casa, Joana tem conseguido este método praticamente no seu todo. Une a amamentação ao BLW e faz dele um ritual para bons momentos em família.

“O principal alimento continua a ser o leite materno. Estando em casa, acredito que tenha esta tarefa facilitada relativamente à grande maioria dos pais. Faço coisas simples, de forno e a vapor, não perco muito tempo com as refeições! Perdemos, sim, mais tempo à mesa. Mas não considero “perder”, considero ganhar. É óptimo comer com eles, com calma.”

Vera, do blog As viagens dos Vs, que também adotou a técnica com a Laura, a filha mais nova, é rápida a enumerar vantagens.

Do ponto de vista do bebé, são várias. Para mim, a principal é mesmo a autonomia no momento da refeição, pois é o bebé quem decide o que comer e qual a quantidade; facilita o desenvolvimento motor e também o processo de mastigação do bebé. Da perspectiva da mãe, ajuda-nos a ganhar mais confiança no nosso bebé e nas suas capacidades e, muito importante, a aprender a respeitar as suas vontades. Não somos nós que estamos a levar a colher à boca e, assim, deixamo-nos de guiar pelos “ml” de quantidade que supostamente um bebé deve comer em cada refeição.

Nas rotinas da família e já com outro filho, seria mais fácil para todos se a Laura partilhasse da nossa comida e a verdade é que ela começou desde logo a fazer parte dos nossos momentos das refeições e para o Vicente isso foi muito bom, ver que a irmã comia as mesma coisas que ele.

Eu sou completamente fã!

Beatriz do blog Better With my mom diz que, no início, é normal ter-se medo do engasgo, mas depois a confiança vence quando as mães se apercebem de que os bebés estão preparados [enquanto todas as regras do Baby Led Weaning estiverem asseguradas] para resolver o assunto e o medo vai desaparecendo.

Quanto mais ele treina a mastigação com alimentos sólidos mais rapidamente vai aprender a desengasgar-se. O Salvador já o faz. Quando tem um pedaço que não consegue engolir deita-o fora. Ter sempre um biberão com àgua e saber o que fazer caso isso aconteça traz-nos mais segurança.

Vermos as crianças como capazes de desenvolver determinadas actividades que nós achamos dificeis ou “perigosas”. Eles são curiosos por natureza e devemos deixá-los explorar. O nosso pediatra apoia muito esta ideia e estamos muito contentes com o resultado.

Dizem as mães que o Baby Led Weaning é um caso de paixão. Até porque uma vez que os bebés lhe tomam o gosto, já é difícil alimentarem-se de outra maneira.

Espreite a galeria que preparámos com fotos de bebés adeptos do Baby Led Weaning.

Envie fotos do seu filho em estado #blw com uma pequenina legenda, nome e idade para eureporter@sic.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comida natural (e deliciosa) para bebés e crianças

Abril 2, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Shutterstock

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 14 de março de 2018.

Usar apenas alimentos naturais ainda intimida a maioria dos progenitores. Porém, além de serem muito fáceis de confecionar, são também estas refeições saudáveis as melhores que podemos dar aos nossos filhos.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Os pais que nunca provaram um boião de comida pronta, deviam. Toda a comida parece apetitosa ao lermos os rótulos: vitela com legumes, jardineira de vitela, frango com arroz, cenouras com peru, banana e maçã, multifrutas com cereais.

Até que um dia a criança estrebucha, nós insistimos, levamos uma colher à boca – «mas afinal qual é o drama?» – e descobrimos que além de saber praticamente tudo ao mesmo, não nos é permitido controlar os ingredientes utilizados nem os sabores que servimos aos nossos filhos.

«Os alimentos naturais oferecem um leque de micronutrientes de que bebés e crianças necessitam para crescerem em todo o seu potencial», explica Michele Olivier, bloggerde comida e autora de Alimentação Natural Para Bebés (ed. Casa das Letras).

Ela mesma ficou impressionada quando se estreou a fazer as papas da filha mais velha, Ellie, aromatizadas com especiarias e ervas aromáticas, e constatou como é simples, saudável e bem mais barato do que comprar embalado.

«Já para não falar de que ser esquisito com a comida não é genético ou inevitável», diz. Apenas uma questão de lhes moldar o gosto na infância.

Veja quatro receitas de alimentação natural para os seus filhos aqui.

INÍCIO

Não existe um momento exato que diga aos pais que o bebé está pronto para diversificar a alimentação, mas por norma sucede entre os quatro e os seis meses, e as primeiras experiências irão definir a sua relação com a comida e até os hábitos alimentares em adulto. Posto isto, não stresse se ele cuspir o puré de feijão-verde pela terceira vez: as crianças podem ter de provar um alimento até 20 vezes antes de se acostumarem.

PURÉS

A ideia é aproveitar os mais simples para educar desde logo o paladar: puré de maçã com cravinho, de cenoura com cominhos, de batata-doce com maçã, pimento vermelho e coentros. Não se prenda à idade em que o bebé pode comer o quê: vá apresentando novos sabores, teste reações (inclusive alérgicas) e aumente aos poucos as quantidades e misturas oferecidas. Pode ainda introduzir alimentos aos pedaços em qualquer etapa.

NUTRIÇÃO

Crianças pequenas gostam de comida deliciosa, tal como os pais: maçãs com uma pitada de canela, abacate com um toque de hortelã picada. E ainda bem que assim é, já que as especiarias e ervas aromáticas, além de refinarem o sabor, têm propriedades medicinais validadas pela ciência: o gengibre facilita a digestão, a hortelã traz alívio às congestões nasais, a canela aumenta o poder cerebral e o cravinho reforça o sistema imunitário. Aposte ainda na baunilha, cebolinho, manjericão, coentros, tomilho e outras.

O MELHOR

Na hora de escolher alimentos, pense em sazonalidade, frescura e cor. Legumes e fruta congelados de imediato são ideais para consumir fora de época. Bebidas vegetais não equivalem ao leite animal mas, a usá-las, opte por leite de amêndoa ou de coco enlatado. Também os cereais integrais – aveia, quinoa, cevada, millet, arroz integral – são energéticos, saciantes e fáceis de integrar na alimentação, seja aos pedaços, misturados num puré ou triturados em papa.

EXPLORAR

Por ser doce, fruta é ótima para deixar a criança aventurar-se nos sabores (de preferência biológica e madura), começando pela maçã, pera, manga, banana, abacate, pêssegos e mirtilos. Legumes igualmente bons para avançar são a batata-doce, cenoura, ervilhas, espargos, abóbora-manteiga, curgete ou pimento vermelho. Citrinos, ovos, mel e oleaginosas devem ser evitados até a criança ter 1 ano.

MENTE ABERTA

Diante da teoria de que se pode saltar a etapa dos purés e começar logo com alimentos cortados aos pedaços, o melhor é experimentar diferentes abordagens e ver a que melhor se adequa à criança (cada qual com as suas características). Quer ela seja uma fervorosa adepta dos purés ou os troque de boa vontade por uma cenoura crua, o importante é sempre disponibilizar-lhe petiscos coloridos, nutritivos, saudáveis. E, claro, adaptá-los para saborear em família.

Obesidade infantil. “Para ter sucesso vamos ter de taxar”

Março 1, 2018 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 28 de fevereiro de 2018.

Rita Costa

“Esta história dos refrigerantes e de aumentar as taxas nos produtos açucarados teve impacto”, afirma Margarida Lobo Antunes, que lamenta as dificuldades no combate à obesidade infantil e o facto de ser necessário aplicar taxas.

A pediatra refere que o combate à obesidade infantil é uma área com uma taxa de sucesso muito reduzida e afirma que é muito difícil sensibilizar as pessoas.

“Vamos tem que tomar medidas muito concretas nas escolas, na alimentação nas escolas” defende Margarida Lobo Antunes, que considera que, “para ter um sucesso, provavelmente, vamos de ter de taxar”.

A pediatra dá o exemplo de Inglaterra como um país com projetos interessantes para combater a obesidade. “Tinha um sistema de autocarro a pé, os pais iam todos a pé e levavam as pessoas às compras para mostrar o que é que podem comprar”, conta Margarida Lobo Antunes que lamenta: “há muitas medidas que têm um impacto a curto prazo, mas a longo prazo as pessoas não mudam. As únicas coisas que têm mostrado eficácia, são de facto taxas”.

Ouvir as declarações de Margarida Lobo Antunes no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/obesidade-infantil-para-ter-sucesso-vamos-ter-de-taxar-9147105.html

“Não estamos a ensinar às crianças o suficiente sobre comida e exercício físico”

Fevereiro 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Entrevista da http://visao.sapo.pt/visaomais/ a Joe Wicks no dia 25 de janeiro de 2018.

Sónia Calheiros

Com dois livros publicados em Portugal, Joe Wicks é o personal trainer do momento, com dois milhões de seguidores no Instagram. Entrevista com o britânico The Body Coach, cujo plano de emagrecimento de 90 dias é comprado todos os dias por 500 pessoas.

O jornal britânico The Times chamou-o “Jamie Oliver do mundo do fitness” e não está longe da verdade. Há dois anos que Joe Wicks anda a dar conselhos práticos de receitas rápidas e saudáveis, juntando sempre os exercícios adequados para um estilo de vida mais mexido. E se Jamie Oliver tem o mérito de ter iniciado um movimento de refeições escolares saudáveis no Reino Unido, Joe Wicks, 31 anos, quer fazer algo semelhante mas com o exercício físico. Só no Reino Unido, o antigo professor de Educação Física, já vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares dos seus livros, dois deles editados em Portugal, Elegante em 15 Minutos e, mais recentemente, Cozinha Fitness,com uma centena de receitas que incluem guloseimas ou hambúrgueres. Graças às suas dicas, partilhadas nas redes sociais e no canal do Youtube, e ao plano de emagrecimento, a venda de brócolos terá aumentado 25 por cento no Reino Unido.

Como é que um miúdo problemático passou a infância em Epsom, a uma hora de Londres?

Não acho que tenha sido problemático, diria mais que não sabia de que é que gostava e como havia de ocupar a minha mente. Em criança adorava estar com os meus irmãos, mas à medida que cheguei à adolescência dediquei-me ao exercício físico e encontrei a minha verdadeira paixão e em que é que queria pôr toda a minha energia.

A sua mãe não sabia cozinhar e servia muita junk food. Como eram as rotinas das refeições lá em casa?

Na verdade, não tínhamos rotinas definidas. A minha mãe era a primeira a admitir que não era a melhor na cozinha, por isso foi sempre engraçado ver o que era servido na hora das refeições. Sou muito chegado à minha mãe e à medida que fui crescendo e aprendendo a cozinhar, ela também passou a preparar refeições muito saborosas.

Foi uma sorte não ter sido um jovem obeso, não acha?

Sempre corri muito e na escola adorava Educação Física, enquanto em casa brincava com os meus irmãos. Tinha muita energia!

Que memórias gastronómicas guarda da sua avó Kath?

A minha avó é uma lenda. Na infância, costumava fazer um guisado incrível para mim e prometi-lhe que iria incluir a receita num dos meus livros, ela nem queria acreditar. É uma receita muito saborosa e é bom pensar que outras pessoas provam o sabor delicioso da sua receita.

 

As receitas dos seus livros devem ser deliciosas e têm um aspeto maravilhoso. Com quem aprendeu a cozinhar?

Sou um autodidata. Nunca me quis afirmar como um cozinheiro profissional, sou mais de refeições práticas, rápidas e saudáveis que ajudem as pessoas a ficarem magras. Obviamente, tenho sempre presente a questão nutricional de cada receita, mas também do que vai ficar bem no prato e levar os outros a quererem cozinhar.

Concorda que a educação alimentar tem de ser incutida desde a infância?

Acho que não estamos a ensinar o suficiente às crianças sobre comida e exercício e de como devemos alimentar o nosso corpo. Houve, realmente, mudanças desde a minha infância, mas ainda há muitas crianças a crescerem sem entenderem como se trata do seu corpo.

O jornal The Times apelidou-o de “Jamie Oliver do mundo do fitness”. Não podia ter tido melhor publicidade, não acha?

Para mim, o Jamie é um verdadeiro herói e tive a sorte de o conhecer melhor nos últimos anos. O seu movimento de refeições escolares saudáveis no Reino Unido foi inspirador e quero fazer algo semelhante com o exercício físico nas escolas. É vital que as crianças se mexam e gostem de educação física para serem mais produtivas na escola, tenham mais concentração e desenvolvam uma paixão pelo hábito de praticar exercício regularmente.

Já disse que sempre quis mudar a vida das pessoas. Algum dia imaginou que as suas dicas chegariam a milhões de pessoas em todo o mundo?

Não, e continuo a lembrar-me do tempo em que era apenas eu na minha cozinha a publicar pequenos vídeos para meia dúzia de pessoas. É uma loucura, mas estou muito agradecido por isso.

Porque é que a palavra “dieta” o irrita tanto?

Simplesmente porque acho que as dietas não funcionam. As metas de curta duração, que, normalmente, obrigam a privações, já todos sabemos que não resultam a longo prazo. Ficar magro e tonificado é uma opção de um estilo de vida, é uma questão de fazer boas escolhas alimentares e praticar exercício quatro a cinco vezes por semana para depois dar-se ao luxo de fazer algumas asneiras.

Os hidratos de carbono são o novo inimigo?

De todo, as pessoas não devem ter medo dos hidratos de carbono. O nosso corpo precisa deles para repor os níveis depois do exercício, por isso aconselho sempre uma refeição rica em hidratos no pós-treino em todos os meus livros.

Porque é que hábitos como comer em casa são tão importantes para ter uma alimentação saudável?

É uma questão de mentalidade. Se comermos em casa a probabilidade de fazer escolhas mais saudáveis é maior do que se formos a um restaurante. Digo a toda a gente para preparar as refeições como se fosse um chefe, o que inclui um plano de refeições semanal – se se fizer isso terão menos tentações de picar snacks.

Mas beber água, dormir bem e praticar exercícios de alta intensidade também são fundamentais?

É muito importante para nos sentirmos bem no nosso corpo. Costumo dizer que quatro a cinco treinos de alta intensidade (HIIT) por semana é um bom caminho para se emagrecer e todos temos 20 minutos por dia para nos exercitarmos.

Ao lembrar-se da sua juventude, compreende que nem todas as pessoas podem comprar carne e peixe todos os dias.

Não é necessariamente caro fazer refeições saudáveis, porque, na verdade, as frutas e os legumes custam muito menos do que a comida de plástico e os take-aways. Planear as refeições com antecedência permite também poupar no orçamento.

Qual é o seu plano para salvar as pessoas da indústria das dietas, com tantos batidos a substituírem as refeições?

Estou determinado a continuar a espalhar a minha mensagem em todo o mundo, com conteúdos gratuitos nas redes sociais, entre exercícios, receitas e dicas. A minha missão é emagrecer o mundo.

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Como a ciência explica a aversão das crianças a legumes e verduras

Fevereiro 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.bbc.com/portuguese/ de 10 de janeiro de 2017.

Na Pré-história, os filhotes dos primeiros hominídeos corriam sérios perigo ao começarem a andar sozinhos e ganharem mais autonomia – tornarem-se presa de animais maiores ou comer alguma coisa desconhecida que pudesse matá-los. Em geral, as plantas tóxicas e desconhecidas tinham uma característica principal em comum: eram verdes e um tanto amargas.

De acordo com cientistas, a aversão aos vegetais que muitas crianças demonstram, especialmente a partir de 1 ano e meio de idade, pode ser ainda um resquício da “regra evolutiva” que visava protegê-los: é verde e desconhecido? Melhor não comer.

“De certo modo, é como se os vegetais não quisessem ser comidos”, disse à BBC a psicóloga Jacqueline Blisset, professora da Universidade de Aston, na Inglaterra, e especialista em comportamento alimentar de crianças nos primeiros anos de vida.

“Eles costumam ter gosto relativamente amargo que, durante a nossa evolução, associamos a toxinas. E também estamos predispostos a comer coisas que têm mais gordura ou açúcar porque são uma boa fonte de calorias, e os vegetais não são.”

Por outro lado, diz Blisset, a resistência a provar novos alimentos, especialmente legumes e verduras, acaba funcionando, nos dias de hoje, mais como um desserviço do que como uma salvaguarda.

“Especialmente no Ocidente, o principal problema atual da dieta é a insuficiência de vegetais e o excesso de açúcar e gordura. Mas o fato de comermos menos vegetais não é algo que nos impede de reproduzir, por exemplo. Então não há pressão evolutiva para que isso mude com as gerações”, afirmou à BBC Brasil.

De um modo geral, crianças até os 18 meses se mostram mais dispostas a provar alimentos novos, desde que oferecidos por um adulto em que elas confiam, segundo a especialista.

A partir desta idade, no entanto, essa disposição diminui, e algumas se tornam mais resistentes a consumir verduras, legumes e, às vezes, frutas.

“Vemos muita rejeição aos verdes. Verde é uma cor que pode indicar a presença de toxinas e geralmente têm o gosto mais amargo. Já as cores amarela, laranja e vermelha tendem a indicar níveis mais altos de açúcar e de gosto doce. Por isso, costumam ser mais bem aceitas”, explica.

Intensidade

As crianças também têm uma experiência de gosto mais intensa do que os adultos, segundo diversos estudos. Por isso, ao provar algumas verduras pela primeira vez, as percebem como mais amargas.

Adultos tendem a ter menos sensibilidade para os diferentes gostos. Por isso, é comum que verduras, legumes ou frutas odiados na infância passem a ser apreciados mais adiante.

Mas como os cientistas conseguem medir exatamente o gosto que verduras e legumes têm para cada um?

“Não conseguimos ter uma medida direta de gosto, só inferir coisas a partir do comportamento das crianças, que mostram mudanças nas preferências. Também fazemos alguns tipos de teste que mostram que elas precisam de menos sal numa solução com água, por exemplo, para perceber a diferença de gosto entre essa solução e a água pura”, explica Blisset.

“Mas é difícil determinar o quanto disso é da evolução humana e o quanto são fatores ambientais e até mesmo genéticos”, afirma.

Isso quer dizer que não só o perigo pré-histórico, mas também a influência da sociedade atual – o comportamento de pais e dos colegas em relação à alimentação, por exemplo – podem tornar as crianças mais ou menos resistentes em relação ao que comem durante os primeiros anos de vida.

Um estudo feito por pesquisadores da University College London (UCL), do Reino Unido, em 2016 concluiu que a genética é responsável por até 50% da disposição da criança (ou falta dela) em experimentar novos sabores, texturas e cores.

A pesquisa foi feita usando dados do maior estudo feito com gêmeos no mundo – são 1.921 famílias que têm bebês gêmeos de 1 ano e meio de idade.

Mesmo assim, a fase é vista como uma etapa normal da evolução do paladar da criança, e, de acordo com Jacqueline Blisset, costuma passar por volta dos sete anos. Por isso, pais não devem entrar em pânico com a possibilidade de seus filhos não consumirem leguminosas.

“Há muitos fabricantes de alimentos envolvidos na seleção desses alimentos para torná-los menos amargos e fazer com que as crianças os aceitem melhor. Mas quando você remove esses gostos, muitas vezes remove também nutrientes que são muito bons para nós”, alerta a especialista.

O que fazer?

Persistência – e uma boa dose de calma – são as chaves para conduzir as crianças pela fase de rejeição a alimentos novos e vencer sua resistência a legumes e verduras.

“Mesmo as crianças que têm predisposição genética a acharem algumas verduras e legumes mais amargos podem aprender a comê-los se forem expostas e na medida em que ficam mais velhas”, diz a psicóloga.

“Os pais costumam desistir muito cedo de dar alguns desses alimentos às crianças porque elas não gostam deles. Você pode começar com os legumes mais doces no começo, como cenoura e tomate, para expandir a dieta delas, e deixar os verdes para quando elas estiverem um pouco maiores e seus gostos mudarem.”

Também vale ser criativo ao expor a criança às verduras, como retirar esses alimentos do contexto da refeição e deixar que o garoto ou garota comece simplesmente brincando com eles.

“Se a criança for muito resistente, é bom deixá-la tocar, cheirar e até inventar desenhos com a verdura ou legume. Além disso, é importante que elas vejam os pais consumindo esse alimento, é claro.”

Outra estratégia que funciona nos casos mais dramáticos, segundo Blisset, é oferecer pequenas recompensas, como adesivos, quando a criança experimentar algo novo. Mas atenção: a prática não deve ser frequente demais e a recompensa não deve ser doce ou sobremesa.

“As crianças aprendem rápido as regras que criamos sobre comer. Há alguns estudos que mostram o entendimento que as crianças têm de ganhar uma sobremesa se comerem os vegetais. Eles entendem que a comida que precisam comer primeiro sempre terá um gosto ruim, mas que a outra é boa. Então é preciso tomar cuidado”, afirma.

“O mais importante, no fim das contas, é diminuir a pressão. Não se preocupe demais com isso, não transforme a hora do almoço em um campo de batalha, não pressione demais seu filho a experimentar.”

*Colaborou Camilla Costa, da BBC Brasil em São Paulo.

 

 

 

Quais são os alimentos “proibidos” para as mães que amamentam?

Dezembro 20, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Hugo Rodrigues publicado na http://visao.sapo.pt/ de 9 de dezembro de 2017.

Uma das maiores preocupações relativamente à alimentação das mães que amamentam sempre foi o cuidado de não ingerir alimentos potencialmente mais alergénicos, com medo de que eles pudessem passar através do leite para o bebé e induzir neste algum tipo de reação.

Esta é uma questão extremamente frequente e para a qual surgem várias respostas. No entanto, a evidência científica é cada vez maior nesta área e actualmente existem recomendações claras das principais sociedades científicas internacionais.

Uma das grandes vantagens do leite materno é ser um alimento “dinâmico”. Do ponto de vista nutricional, vai-se adaptando às diferentes fases de crescimento do bebé, permitindo que este seja sempre alimentado da maneira mais adequada em todas as etapas por que vai passando.

No entanto, a sua variação não é apenas nos nutrientes. Ele varia do ponto de vista imunológico, alterando a sua composição em termos de anticorpos e outras moléculas de defesa, mas também em termos de sabor. É consensual que a alimentação da mãe influencia a composição do leite materno e que vai fazer com que este adquira cheiros e sabores diferentes. Este é, claramente, um aspecto muito importante…

Por um lado, os sabores diferentes do leite vão permitir ao bebé conhecer também uma grande variedade de sabores, estimulando assim o desenvolvimento do sentido do paladar. E este aspecto é de tal forma significativo que está actualmente provado que é um facilitador da forma como os bebés aceitam a alimentação ao longo da sua vida futura. Assim, é um bom conselho dizer que “quantos mais sabores a mãe comer, mais sabores o filho come também e aprende a conhecer”.

Por outro lado, temos a questão das alergias. Uma das maiores preocupações relativamente à alimentação das mães que amamentam sempre foi o cuidado de não ingerir alimentos potencialmente mais alergénicos, com medo de que eles pudessem passar através do leite para o bebé e induzir neste algum tipo de reação. No entanto, o que os estudos vieram e têm vindo a demonstrar é exactamente o contrário. O leite materno tem um conjunto de partículas que diminuem a probabilidade do bebé fazer reacções alérgicas, pelo que parece ser benéfico contactar com esses alimentos através deste “veículo”. O risco de desenvolver alergias é menor do que quando se faziam restrições alimentares às mães, pelo que não faz sentido privá-las de nenhum alimento.

Por fim, a questão das cólicas. Ainda é bastante frequente ouvir-se dizer que as mães que amamentam não devem comer alimentos que lhes provoquem cólicas, porque vão ter o mesmo efeito nos bebés (os feijões e os legumes verdes são os exemplos mais recorrentes). Apesar desta ser uma crença popular, com muitos anos de evolução, não faz sentido nenhum do ponto de vista teórico. E não é difícil perceber porquê… O componente desses alimentos que provoca cólicas são as fibras que, por definição, são um nutriente que os seres humanos não conseguem absorver. Como não são absorvidas acumulam-se nos intestinos e levam à produção de gases e ao desconforto que muitas vezes provocam. No entanto, se permanecem no intestino, é completamente impossível que passem para o leite, pelo que não têm nenhum efeito nos bebés. Este é um mito que se tem perpetuado sem nenhum tipo de fundamento e que importa desconstruir.

Assim, a conclusão é simples e a resposta à questão inicial é muito fácil de dar. Não existem alimentos proibidos para as mães que amamentam! Elas podem e devem comer de tudo, tentando fazer uma alimentação o mais saudável possível. A única excepção são as bebidas alcoólicas, que devem ser restringidas e as bebidas com cafeína que, se possível, devem ser reduzidas ou abolidas também. Tirando isso, podem comer tudo. Alimentos como morangos, laranjas, feijões, frutos secos ou marisco podem e devem ser consumidos enquanto se amamenta.

Claro que, apesar de improvável, é sensato ir vigiando para ver se surge alguma reação no bebé, que pode ser de dois tipos: borbulhinhas no corpo (e não apenas na cara) ou algum tipo de desconforto. Se surgir e houver a suspeita de estar associada a algum alimento consumido pela mãe, o melhor conselho é mesmo parar esse alimento durante uns dias. Quando o bebé voltar a ficar “normal”, a mãe deve voltar a comer o que tinha comido para avaliar se surge a mesma reação. Se isso acontecer, o alimento não deve ser consumido novamente, mas em caso contrário a mãe pode voltar a ter liberdade na alimentação. E habitualmente é mesmo isso que acontece…

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue “Pediatria para Todos” e do livro “Pediatra para todos”

 

 

 

 

O seu filho faz “birras” à refeição?

Dezembro 18, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Pais & Filhos

Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 3 de novembro de 2017.

Escrito por Paula Beirão Valente

o segundo ano de vida do bebé a velocidade de crescimento é menor, mas a atividade física aumenta. Esse é o período ideal para aceitar novos alimentos e novos sabores, que serão mais difíceis de introduzir mais tarde. Por norma, a partir dos três anos, a “janela de oportunidade” fecha com a redução do apetite, causando, com frequência, preocupação aos pais.

É a altura em que apresentam o que costumamos chamar de neofobia, isto é, relutância em consumir alimentos que não conheçam. Nesta altura, desenvolvem “cortes alimentares”, recusando alimentos que antes aceitavam ou pedindo um alimento particular em cada refeição. Esta situação tende a ser temporária e os pais acabarão por controlar, não apenas a alimentação da criança, como também eventuais comportamentos impróprios. É importante saber que nem a abordagem de controlo rígido, nem a abordagem passiva têm sucesso.

Os pais e os cuidadores da criança deverão preparar um leque variado de alimentos, evitar os que forem recusados ou confecioná-los de modo diferente para terem outro sabor ou apresentação, em último caso poderão, ainda, ser substituídos por outros do mesmo grupo da roda dos alimentos.

Aconselho a inclusão da criança na preparação da refeição, fazendo com que ela sinta que foi a responsável pela escolha dos alimentos e elogiando o prato durante o seu consumo. Desse modo, baixamos a probabilidade de rejeição da refeição. Uma vez que são necessárias várias tentativas para que o paladar da criança se adapte aos “novos” alimentos, poderá persuadir o seu filho a provar o alimento, mesmo que não o ingira na sua totalidade. Com o tempo, a aceitação tende a aumentar. Por outro lado, se os filhos recusarem, por teimosia, a ingestão da mesma, deverão continuar sentados à mesa até ao fim da refeição. Acrescento, também, que não deverão ser compensados mais tarde com alimentos que gostem ou que peçam. Só assim pensarão duas vezes antes de repetirem o comportamento.

A falta de disponibilidade e de conhecimentos é um fator determinante na qualidade daquilo que os filhos comem e o papel da família na educação alimentar é inquestionável.

E se pesa pouco?

Em situações de baixo peso, as refeições intercalares tornam-se essenciais para suprir as necessidades energéticas da criança. Deste modo, aconselho um reforço destas com alimentos que sejam naturalmente aceites, tais como: pão (com fiambre de aves, queijo fresco, atum, ovo, bife de aves inteiro ou picado com alguns legumes e molhos com azeite como por exemplo, molho “pesto” ou molho de iogurte; cereais (ricos em fibra e com redução de açúcar), iogurtes, leite e fruta. Poderá misturá-los, tornando-os mais apelativos, como os batidos de fruta, de forma a tornar estas refeições menos monótonas e de ingestão mais rápida. Importa, que estes sejam cuidadosamente preparados para serem, simultaneamente, variados e ricos em nutrientes. Para estas crianças aconselha-se iniciar as refeições principais com o prato principal, deixando a sopa para o final, garantido a ingestão dos alimentos mais energéticos em primeiro lugar. Os alimentos com temperaturas extremas e odor forte tendem a ser também excluídos. Como tal, pratos como a sopa, indispensáveis nesta idade, deverão ser servidos mornos. Estudos revelaram também que o consumo de alimentos é diminuído quando a criança está cansada. Neste caso, um pequeno descanso prévio à refeição poderá ser eficaz.

 

“Quem está a assegurar o equilíbrio nutricional dos pratos vegetarianos nas escolas?”

Dezembro 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de novembro de 2017.

Devia haver mais nutricionistas nos centros de saúde, nas escolas, nos lares, mas ainda falta vontade política, diz a bastonária Alexandra Bento, no dia em que começa o Congresso da Ordem dos Nutricionistas.

Alexandra Prado Coelho

Há medidas positivas, mas falta articulação. Esta é uma das críticas que Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, faz ao Governo. A obrigatoriedade de introduzir nas ementas das cantinas escolares uma opção vegetariana, que neste ano lectivo entrou em vigor, é um bom exemplo. “Como é possível a Assembleia da República legislar uma medida que tem importância e o Governo não estar preparado para a operacionalizar?”, interroga-se. “Quem é que está a assegurar o cumprimento do equilíbrio nutricional desses pratos? Há que perguntar. Porque não são nutricionistas.”

A relevância do trabalho dos nutricionistas é uma questão que percorre o programa de todo o Congresso da Ordem dos Nutricionistas, que decorre entre esta terça-feira e amanhã, em Lisboa, e que se orgulha de ser “o primeiro no mundo sem patrocínios”. O que Alexandra Bento lamenta é que haja um número insuficiente de profissionais onde defende que deveriam estar: nas escolas, nos lares de idosos, nos centros de saúde. “Quem é que se responsabiliza pelo equilíbrio nutricional dos meninos que escolhem a dieta vegetariana? Ou pela adequação da alimentação para uma criança que tem a doença celíaca ou a doença de Crohn ou que é diabética?”

Reconhece que “temos um princípio excelente, que é o de as escolas fornecerem alimentação às crianças”, mas considera que é importante actualizar algumas medidas. “A criação do [Programa do] Leite Escolar foi importantíssima, mas, neste momento, devíamos pensar na obrigatoriedade de ser leite sem qualquer tipo de adição. Não é concebível que num momento em que se fala de um consumo excessivo de açúcar estejamos a fornecer leite achocolatado às crianças.”

Mas, ainda mais importante do que isso, é a educação alimentar dos mais jovens, que, na opinião da bastonária, também não está a ser feita de forma adequada. “O que se ensina sobre a roda dos alimentos é muito pouco”, afirma. “Tem de haver novas abordagens na passagem da informação. As crianças são sensíveis às causas ambientais porque essa informação foi bem passada. [No caso da alimentação], é preciso envolver outros actores, como os chefs, mas é preciso que estes também tenham um verdadeiro conhecimento do que é a alimentação saudável. Isso é difícil sem envolver os nutricionistas.”

A Ordem tem tentado fazer chegar esta mensagem ao ministro da Educação, mas não tem sido fácil, diz. “Reunimo-nos com o secretário de Estado para manifestar a nossa preocupação. Já tentei ser recebida pelo ministro e até ao momento não fui, o que parece indicar que o ministério não encara esta questão como premente. Provavelmente, a única hipótese é enviarmos uma proposta por escrito ao ministro, o que me parece desajustado.”

Falhas nos centros de saúde

Voltamos à questão da “falta de articulação”. O que Alexandra Bento constata é que “no papel temos uma estratégia desenhada”, mas “falta uma verdadeira vontade política para a pôr em prática”. E se o Ministério da Saúde parece sensível aos argumentos dos nutricionistas, as medidas não passam depois pelo crivo do Ministério das Finanças.

A Ordem defende a importância da presença de nutricionistas nos centros de saúde como parte de uma política de prevenção de doenças ligadas à alimentação. “Os cuidados de saúde primários não estão desenhados para trabalhar a causa da alimentação e da nutrição”, diz. Há poucos nutricionistas. A proposta que a Ordem apresentou ao Ministério da Saúde passava pela presença de “pelo menos um nutricionista por cada um dos 55 agrupamentos de centros de saúde”, garantindo uma distribuição pelo território nacional mais equilibrada do que a que existe actualmente. Propunham ainda a entrada, logo em 2016, de 55 nutricionistas “com um programa nacional de acção” — a ideia “foi bem acolhida” pelo Ministério da Saúde, mas até agora não foi concretizada.

Alexandra Bento lembra que estamos num momento-chave. “Com os dados do 2.º Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física [apresentados em Março] passámos a conhecer o panorama do país com precisão. O inquérito diz-nos que temos insegurança alimentar, ou seja, nem toda a população tem um acesso adequado a alimentos. A insegurança situa-se no nosso país em cerca de 10% e a insegurança alimentar grave, que é a dificuldade de acesso a alimentos, está nos 2%. Isto é grave num país que se diz desenvolvido.”

O retrato do panorama nacional mostra ainda que “estamos a viver pior nos últimos anos das nossas vidas, com um rosário de doenças crónicas não transmissíveis relacionadas com a forma como nos alimentamos” — este é, aliás, um dos temas centrais do congresso. E são doenças que pesam no Sistema Nacional de Saúde. “A diabetes custa 10% a 12% do Orçamento do Estado para a Saúde, este é um dado que está no Observatório para a Diabetes”, sublinha a bastonária. “Nos últimos anos, o aumento dos gastos com a diabetes é brutal.” A conclusão? “Sabemos do que estamos a morrer e quanto custam as doenças de que estamos a morrer. E sabemos que prevenir é a melhor aposta.”

A bastonária compara a actual situação com a que se viveu nos anos 1970 e 80 depois da realização do 1.º Inquérito Alimentar Nacional. “Nessa altura fez-se a primeira e única campanha alimentar nacional, muito centrada nas escolas, com os professores. Nunca mais houve uma grande campanha de educação.”

Em Portugal, prossegue, há uma grande aposta na higiene alimentar, porque se trata de regras europeias. Mas o país “ainda não tem uma verdadeira política alimentar e nutricional”. E conclui: “O excesso de peso e a obesidade das nossas crianças vai trazer-nos problemas de saúde no futuro. Como é que conseguimos conviver com isso tendo estrutura para resolver o problema?”

Já depois da conversa com o PÚBLICO, a bastonária elogiou em declarações à Lusa a proposta do Governo no Orçamento do Estado para 2018 que visa criar uma taxa sobre produtos, como biscoitos e batatas fritas, que apresentem elevado teor de sal. Perante a possibilidade de um chumbo, Alexandra Bento diz que lamenta. “A verba arrecadada” poderia ser aplicada em “medidas de promoção de hábitos alimentares saudáveis”.

 

 

 

 

Alunos que tiram fotografias a comida nas escolas estão a ser punidos ou repreendidos pelos diretores

Novembro 10, 2017 às 1:26 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Esta foi uma das fotografias que Teresa (nome fictício), de 11 anos, tirou a uma refeição que lhe foi servida numa escola da Amadora

Notícia do http://observador.pt/ de 9 de novembro de 2017.

Marlene Carriço

Depois das fotografias a exporem problemas nas cantinas escolares, há relatos de diretores que estão a punir alunos com dias de suspensão ou a repreendê-los. Pais queixam-se.

Depois das fotografias a exibir pratos com pouca comida, coxas de frango mal cozinhadas, rissóis congelados, e, mais recentemente, lagartas a passear no meio do prato, agora chegam notícias de diretores que estão a repreender ou a punir alunos que andam a fotografar e a divulgar as imagens das refeições servidas nos refeitórios.

O Jornal de Notícias relata, esta quinta-feira, o caso de duas adolescentes (de 18 e de 16 anos) de uma escola em Gaia que foram suspensas por cinco e dois dias, respetivamente, após terem divulgado uma imagem de um tabuleiro onde se via apenas um pão e uma tigela de sopa, servido a 2 de novembro, dia em que houve greve dos trabalhadores das cantinas. As encarregadas de educação dizem não ter sido chamadas à escola e ponderam avançar com queixa junto da Direção Regional de Educação do Norte.

A decisão foi confirmada pela direção da escola ao JN, que invocou o Estatuto do Aluno, de 2012. No artigo décimo desse decreto ficou definido que os alunos ficam proibidos de “captar sons ou imagens” em atividades letivas e não letivas sem autorização prévia dos professores, dos diretores ou de qualquer membro da comunidade escolar cuja imagem possa ficar registada. O novo estatuto consagra ainda a proibição da difusão “na escola ou fora dela, nomeadamente, via Internet ou através de outros meios de comunicação, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor”.

Contactada pelo Observador, a direção do Agrupamento de Escolas António Sérgio recusou-se a prestar declarações sobre o assunto. E o Ministério da Educação ainda não respondeu.

Isidoro Lopes, da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap), condena a atuação: “Esses diretores têm de ser castigados exemplarmente”, começou por dizer ao Observador, para logo acrescentar que tem conhecimento de outras “tentativas de intimidação aos alunos para não usarem telefones nem divulgarem imagens sob risco de terem processos”.

Um desses exemplos é o de Teresa, nome fictício. A aluna de 11 anos tirou duas fotografias à comida que lhe foi servida no passado dia 3 de outubro — uma à tigela da sopa servida a metade e outra a um prato com uma amostra de filete de peixe e muita batata cozida (na imagem principal do artigo). “Há muito que se queixava e eu desvalorizava, achava que ela estava a exagerar, que estava a ser esquisita. E a certa altura disse-lhe para tirar fotografia”, conta a mãe, Isabel, também nome fictício, ao Observador.

As queixas na escola da má confeção da comida “são antigas”, continua a mãe, dando exemplos de batatas cruas e “carnes picadas em que só há molho de tomate” e a “contínua desvalorização por parte da direção”. Desta vez atuou de forma diferente. “Quando vi aquilo fiquei chocada com a pouca quantidade de comida e, depois de vários e-mails sem resposta, divulguei no meu facebook, sem dizer o nome da escola.”

Depois dessa publicação, que terá sido vista por alguém da direção, a filha foi chamada pela diretora ao conselho diretivo, onde estava também a professora responsável pelo 2.º e 3.º ciclo. Ter-lhe-á sido perguntado se ela sabia que era proibido tirar fotografias na escola. “A minha filha disse que sabia. E ela perguntou porque é que ela tinha tirado fotografia aos pratos da comida. Ela disse que tinha sido eu a pedir e a senhora diretora disse-lhe: ‘Sabes que isto pode dar direito a processo disciplinar com direito a suspensão? Quero que escrevas a relatar o que se passava com a comida e a dizer que tiraste as fotografias’”. O episódio é relatado por Isabel que lembra como a filha lhe ligou assustada. Depois disso tentou entrar em contacto com a direção, que só a recebeu uns dias depois. Nessa reunião a diretora negou ter ameaçado a criança, mas Isabel tem outra perspetiva do sucedido. “Ela nem 12 anos tem. É uma menor e eu sou a responsável por ela. Deviam ter-me chamado a mim.”

Isabel já apresentou queixa junto da Direção Geral de Estabelecimentos Escolares, junto do Ministério da Educação, da Câmara Municipal da Amadora, do Provedor de Justiça e até da ASAE. Só estes últimos lhe responderam. “A ASAE disse que ia proceder em conformidade e o Provedor disse que ia aparecer de surpresa na escola.”

De acordo com o Ministério da Educação, “foram reportadas aos serviços da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares, nos meses de setembro e outubro, 40 queixas (16 em setembro e 24 em outubro) referentes à qualidade e quantidade das refeições servidas nas escolas”. Além dessas, chegaram ainda queixas relacionadas com outros aspetos, como pessoal, totalizando 70 queixas.

Diretores criticam divulgação de fotografias

Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, não se quis alongar muito sobre a situação concreta da escola de Gaia onde as duas alunas foram suspensas, por não conhecer todos os contornos, mas defendeu que “os regulamentos e o Estatuto são para serem cumpridos” e que “se as alunas não cumpriram com uma regra que existe, há que haver rigor”.

Embora se mostre crítico das situações que têm sido denunciadas aqui e ali, um pouco por todo o país, Manuel Pereira frisa que “tem de se evitar mostrar essas imagens porque é preciso evitar situações de alarme social”. “Pode acontecer qualquer coisa em qualquer sítio a qualquer hora e não se pode permitir que se tome a parte pelo todo”. O que “faz sentido”, acrescenta, é que “as crianças falem com os pais e os pais com as escolas”.

Também Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, defende outro tipo de abordagem perante os problemas que vão sendo sentidos nas cantinas. “Não me parece que a melhor maneira de resolver um problema seja criar um enorme problema, sob pena de estarmos a confundir a árvore com a floresta inteira”, sublinha.

E quanto à situação em concreto da sua escola vizinha, em Gaia, Filinto Lima não se quis alongar, sublinhando que “terá sido uma situação excecional, em dia de greve dos funcionários e em que a escola tentou acudir ao problema”. E lembra que o Estatuto proíbe a captação e divulgação de imagens nas escolas, sendo que seria bom “saber até que ponto esta regra pode ser violada”.

Quanto a processos disciplinares, o dirigente da ANDAEP refere que sempre que “há um processo disciplinar tem de se ouvir as partes envolvidas e normalmente na presença dos pais”.

mais fotos da notícia no link:

http://observador.pt/2017/11/09/alunos-que-tiram-fotografias-a-comida-nas-escolas-estao-a-ser-punidos-ou-repreendidos-pelos-diretores/

Estatuto do Aluno e Ética Escolar

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