“Não estamos a ensinar às crianças o suficiente sobre comida e exercício físico”

Fevereiro 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Entrevista da http://visao.sapo.pt/visaomais/ a Joe Wicks no dia 25 de janeiro de 2018.

Sónia Calheiros

Com dois livros publicados em Portugal, Joe Wicks é o personal trainer do momento, com dois milhões de seguidores no Instagram. Entrevista com o britânico The Body Coach, cujo plano de emagrecimento de 90 dias é comprado todos os dias por 500 pessoas.

O jornal britânico The Times chamou-o “Jamie Oliver do mundo do fitness” e não está longe da verdade. Há dois anos que Joe Wicks anda a dar conselhos práticos de receitas rápidas e saudáveis, juntando sempre os exercícios adequados para um estilo de vida mais mexido. E se Jamie Oliver tem o mérito de ter iniciado um movimento de refeições escolares saudáveis no Reino Unido, Joe Wicks, 31 anos, quer fazer algo semelhante mas com o exercício físico. Só no Reino Unido, o antigo professor de Educação Física, já vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares dos seus livros, dois deles editados em Portugal, Elegante em 15 Minutos e, mais recentemente, Cozinha Fitness,com uma centena de receitas que incluem guloseimas ou hambúrgueres. Graças às suas dicas, partilhadas nas redes sociais e no canal do Youtube, e ao plano de emagrecimento, a venda de brócolos terá aumentado 25 por cento no Reino Unido.

Como é que um miúdo problemático passou a infância em Epsom, a uma hora de Londres?

Não acho que tenha sido problemático, diria mais que não sabia de que é que gostava e como havia de ocupar a minha mente. Em criança adorava estar com os meus irmãos, mas à medida que cheguei à adolescência dediquei-me ao exercício físico e encontrei a minha verdadeira paixão e em que é que queria pôr toda a minha energia.

A sua mãe não sabia cozinhar e servia muita junk food. Como eram as rotinas das refeições lá em casa?

Na verdade, não tínhamos rotinas definidas. A minha mãe era a primeira a admitir que não era a melhor na cozinha, por isso foi sempre engraçado ver o que era servido na hora das refeições. Sou muito chegado à minha mãe e à medida que fui crescendo e aprendendo a cozinhar, ela também passou a preparar refeições muito saborosas.

Foi uma sorte não ter sido um jovem obeso, não acha?

Sempre corri muito e na escola adorava Educação Física, enquanto em casa brincava com os meus irmãos. Tinha muita energia!

Que memórias gastronómicas guarda da sua avó Kath?

A minha avó é uma lenda. Na infância, costumava fazer um guisado incrível para mim e prometi-lhe que iria incluir a receita num dos meus livros, ela nem queria acreditar. É uma receita muito saborosa e é bom pensar que outras pessoas provam o sabor delicioso da sua receita.

 

As receitas dos seus livros devem ser deliciosas e têm um aspeto maravilhoso. Com quem aprendeu a cozinhar?

Sou um autodidata. Nunca me quis afirmar como um cozinheiro profissional, sou mais de refeições práticas, rápidas e saudáveis que ajudem as pessoas a ficarem magras. Obviamente, tenho sempre presente a questão nutricional de cada receita, mas também do que vai ficar bem no prato e levar os outros a quererem cozinhar.

Concorda que a educação alimentar tem de ser incutida desde a infância?

Acho que não estamos a ensinar o suficiente às crianças sobre comida e exercício e de como devemos alimentar o nosso corpo. Houve, realmente, mudanças desde a minha infância, mas ainda há muitas crianças a crescerem sem entenderem como se trata do seu corpo.

O jornal The Times apelidou-o de “Jamie Oliver do mundo do fitness”. Não podia ter tido melhor publicidade, não acha?

Para mim, o Jamie é um verdadeiro herói e tive a sorte de o conhecer melhor nos últimos anos. O seu movimento de refeições escolares saudáveis no Reino Unido foi inspirador e quero fazer algo semelhante com o exercício físico nas escolas. É vital que as crianças se mexam e gostem de educação física para serem mais produtivas na escola, tenham mais concentração e desenvolvam uma paixão pelo hábito de praticar exercício regularmente.

Já disse que sempre quis mudar a vida das pessoas. Algum dia imaginou que as suas dicas chegariam a milhões de pessoas em todo o mundo?

Não, e continuo a lembrar-me do tempo em que era apenas eu na minha cozinha a publicar pequenos vídeos para meia dúzia de pessoas. É uma loucura, mas estou muito agradecido por isso.

Porque é que a palavra “dieta” o irrita tanto?

Simplesmente porque acho que as dietas não funcionam. As metas de curta duração, que, normalmente, obrigam a privações, já todos sabemos que não resultam a longo prazo. Ficar magro e tonificado é uma opção de um estilo de vida, é uma questão de fazer boas escolhas alimentares e praticar exercício quatro a cinco vezes por semana para depois dar-se ao luxo de fazer algumas asneiras.

Os hidratos de carbono são o novo inimigo?

De todo, as pessoas não devem ter medo dos hidratos de carbono. O nosso corpo precisa deles para repor os níveis depois do exercício, por isso aconselho sempre uma refeição rica em hidratos no pós-treino em todos os meus livros.

Cooking with @jamieoliver today from his new book #5Ingredients 😝 #Leanin15

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Porque é que hábitos como comer em casa são tão importantes para ter uma alimentação saudável?

É uma questão de mentalidade. Se comermos em casa a probabilidade de fazer escolhas mais saudáveis é maior do que se formos a um restaurante. Digo a toda a gente para preparar as refeições como se fosse um chefe, o que inclui um plano de refeições semanal – se se fizer isso terão menos tentações de picar snacks.

Mas beber água, dormir bem e praticar exercícios de alta intensidade também são fundamentais?

É muito importante para nos sentirmos bem no nosso corpo. Costumo dizer que quatro a cinco treinos de alta intensidade (HIIT) por semana é um bom caminho para se emagrecer e todos temos 20 minutos por dia para nos exercitarmos.

Ao lembrar-se da sua juventude, compreende que nem todas as pessoas podem comprar carne e peixe todos os dias.

Não é necessariamente caro fazer refeições saudáveis, porque, na verdade, as frutas e os legumes custam muito menos do que a comida de plástico e os take-aways. Planear as refeições com antecedência permite também poupar no orçamento.

Qual é o seu plano para salvar as pessoas da indústria das dietas, com tantos batidos a substituírem as refeições?

Estou determinado a continuar a espalhar a minha mensagem em todo o mundo, com conteúdos gratuitos nas redes sociais, entre exercícios, receitas e dicas. A minha missão é emagrecer o mundo.

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Como a ciência explica a aversão das crianças a legumes e verduras

Fevereiro 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.bbc.com/portuguese/ de 10 de janeiro de 2017.

Na Pré-história, os filhotes dos primeiros hominídeos corriam sérios perigo ao começarem a andar sozinhos e ganharem mais autonomia – tornarem-se presa de animais maiores ou comer alguma coisa desconhecida que pudesse matá-los. Em geral, as plantas tóxicas e desconhecidas tinham uma característica principal em comum: eram verdes e um tanto amargas.

De acordo com cientistas, a aversão aos vegetais que muitas crianças demonstram, especialmente a partir de 1 ano e meio de idade, pode ser ainda um resquício da “regra evolutiva” que visava protegê-los: é verde e desconhecido? Melhor não comer.

“De certo modo, é como se os vegetais não quisessem ser comidos”, disse à BBC a psicóloga Jacqueline Blisset, professora da Universidade de Aston, na Inglaterra, e especialista em comportamento alimentar de crianças nos primeiros anos de vida.

“Eles costumam ter gosto relativamente amargo que, durante a nossa evolução, associamos a toxinas. E também estamos predispostos a comer coisas que têm mais gordura ou açúcar porque são uma boa fonte de calorias, e os vegetais não são.”

Por outro lado, diz Blisset, a resistência a provar novos alimentos, especialmente legumes e verduras, acaba funcionando, nos dias de hoje, mais como um desserviço do que como uma salvaguarda.

“Especialmente no Ocidente, o principal problema atual da dieta é a insuficiência de vegetais e o excesso de açúcar e gordura. Mas o fato de comermos menos vegetais não é algo que nos impede de reproduzir, por exemplo. Então não há pressão evolutiva para que isso mude com as gerações”, afirmou à BBC Brasil.

De um modo geral, crianças até os 18 meses se mostram mais dispostas a provar alimentos novos, desde que oferecidos por um adulto em que elas confiam, segundo a especialista.

A partir desta idade, no entanto, essa disposição diminui, e algumas se tornam mais resistentes a consumir verduras, legumes e, às vezes, frutas.

“Vemos muita rejeição aos verdes. Verde é uma cor que pode indicar a presença de toxinas e geralmente têm o gosto mais amargo. Já as cores amarela, laranja e vermelha tendem a indicar níveis mais altos de açúcar e de gosto doce. Por isso, costumam ser mais bem aceitas”, explica.

Intensidade

As crianças também têm uma experiência de gosto mais intensa do que os adultos, segundo diversos estudos. Por isso, ao provar algumas verduras pela primeira vez, as percebem como mais amargas.

Adultos tendem a ter menos sensibilidade para os diferentes gostos. Por isso, é comum que verduras, legumes ou frutas odiados na infância passem a ser apreciados mais adiante.

Mas como os cientistas conseguem medir exatamente o gosto que verduras e legumes têm para cada um?

“Não conseguimos ter uma medida direta de gosto, só inferir coisas a partir do comportamento das crianças, que mostram mudanças nas preferências. Também fazemos alguns tipos de teste que mostram que elas precisam de menos sal numa solução com água, por exemplo, para perceber a diferença de gosto entre essa solução e a água pura”, explica Blisset.

“Mas é difícil determinar o quanto disso é da evolução humana e o quanto são fatores ambientais e até mesmo genéticos”, afirma.

Isso quer dizer que não só o perigo pré-histórico, mas também a influência da sociedade atual – o comportamento de pais e dos colegas em relação à alimentação, por exemplo – podem tornar as crianças mais ou menos resistentes em relação ao que comem durante os primeiros anos de vida.

Um estudo feito por pesquisadores da University College London (UCL), do Reino Unido, em 2016 concluiu que a genética é responsável por até 50% da disposição da criança (ou falta dela) em experimentar novos sabores, texturas e cores.

A pesquisa foi feita usando dados do maior estudo feito com gêmeos no mundo – são 1.921 famílias que têm bebês gêmeos de 1 ano e meio de idade.

Mesmo assim, a fase é vista como uma etapa normal da evolução do paladar da criança, e, de acordo com Jacqueline Blisset, costuma passar por volta dos sete anos. Por isso, pais não devem entrar em pânico com a possibilidade de seus filhos não consumirem leguminosas.

“Há muitos fabricantes de alimentos envolvidos na seleção desses alimentos para torná-los menos amargos e fazer com que as crianças os aceitem melhor. Mas quando você remove esses gostos, muitas vezes remove também nutrientes que são muito bons para nós”, alerta a especialista.

O que fazer?

Persistência – e uma boa dose de calma – são as chaves para conduzir as crianças pela fase de rejeição a alimentos novos e vencer sua resistência a legumes e verduras.

“Mesmo as crianças que têm predisposição genética a acharem algumas verduras e legumes mais amargos podem aprender a comê-los se forem expostas e na medida em que ficam mais velhas”, diz a psicóloga.

“Os pais costumam desistir muito cedo de dar alguns desses alimentos às crianças porque elas não gostam deles. Você pode começar com os legumes mais doces no começo, como cenoura e tomate, para expandir a dieta delas, e deixar os verdes para quando elas estiverem um pouco maiores e seus gostos mudarem.”

Também vale ser criativo ao expor a criança às verduras, como retirar esses alimentos do contexto da refeição e deixar que o garoto ou garota comece simplesmente brincando com eles.

“Se a criança for muito resistente, é bom deixá-la tocar, cheirar e até inventar desenhos com a verdura ou legume. Além disso, é importante que elas vejam os pais consumindo esse alimento, é claro.”

Outra estratégia que funciona nos casos mais dramáticos, segundo Blisset, é oferecer pequenas recompensas, como adesivos, quando a criança experimentar algo novo. Mas atenção: a prática não deve ser frequente demais e a recompensa não deve ser doce ou sobremesa.

“As crianças aprendem rápido as regras que criamos sobre comer. Há alguns estudos que mostram o entendimento que as crianças têm de ganhar uma sobremesa se comerem os vegetais. Eles entendem que a comida que precisam comer primeiro sempre terá um gosto ruim, mas que a outra é boa. Então é preciso tomar cuidado”, afirma.

“O mais importante, no fim das contas, é diminuir a pressão. Não se preocupe demais com isso, não transforme a hora do almoço em um campo de batalha, não pressione demais seu filho a experimentar.”

*Colaborou Camilla Costa, da BBC Brasil em São Paulo.

 

 

 

Quais são os alimentos “proibidos” para as mães que amamentam?

Dezembro 20, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Hugo Rodrigues publicado na http://visao.sapo.pt/ de 9 de dezembro de 2017.

Uma das maiores preocupações relativamente à alimentação das mães que amamentam sempre foi o cuidado de não ingerir alimentos potencialmente mais alergénicos, com medo de que eles pudessem passar através do leite para o bebé e induzir neste algum tipo de reação.

Esta é uma questão extremamente frequente e para a qual surgem várias respostas. No entanto, a evidência científica é cada vez maior nesta área e actualmente existem recomendações claras das principais sociedades científicas internacionais.

Uma das grandes vantagens do leite materno é ser um alimento “dinâmico”. Do ponto de vista nutricional, vai-se adaptando às diferentes fases de crescimento do bebé, permitindo que este seja sempre alimentado da maneira mais adequada em todas as etapas por que vai passando.

No entanto, a sua variação não é apenas nos nutrientes. Ele varia do ponto de vista imunológico, alterando a sua composição em termos de anticorpos e outras moléculas de defesa, mas também em termos de sabor. É consensual que a alimentação da mãe influencia a composição do leite materno e que vai fazer com que este adquira cheiros e sabores diferentes. Este é, claramente, um aspecto muito importante…

Por um lado, os sabores diferentes do leite vão permitir ao bebé conhecer também uma grande variedade de sabores, estimulando assim o desenvolvimento do sentido do paladar. E este aspecto é de tal forma significativo que está actualmente provado que é um facilitador da forma como os bebés aceitam a alimentação ao longo da sua vida futura. Assim, é um bom conselho dizer que “quantos mais sabores a mãe comer, mais sabores o filho come também e aprende a conhecer”.

Por outro lado, temos a questão das alergias. Uma das maiores preocupações relativamente à alimentação das mães que amamentam sempre foi o cuidado de não ingerir alimentos potencialmente mais alergénicos, com medo de que eles pudessem passar através do leite para o bebé e induzir neste algum tipo de reação. No entanto, o que os estudos vieram e têm vindo a demonstrar é exactamente o contrário. O leite materno tem um conjunto de partículas que diminuem a probabilidade do bebé fazer reacções alérgicas, pelo que parece ser benéfico contactar com esses alimentos através deste “veículo”. O risco de desenvolver alergias é menor do que quando se faziam restrições alimentares às mães, pelo que não faz sentido privá-las de nenhum alimento.

Por fim, a questão das cólicas. Ainda é bastante frequente ouvir-se dizer que as mães que amamentam não devem comer alimentos que lhes provoquem cólicas, porque vão ter o mesmo efeito nos bebés (os feijões e os legumes verdes são os exemplos mais recorrentes). Apesar desta ser uma crença popular, com muitos anos de evolução, não faz sentido nenhum do ponto de vista teórico. E não é difícil perceber porquê… O componente desses alimentos que provoca cólicas são as fibras que, por definição, são um nutriente que os seres humanos não conseguem absorver. Como não são absorvidas acumulam-se nos intestinos e levam à produção de gases e ao desconforto que muitas vezes provocam. No entanto, se permanecem no intestino, é completamente impossível que passem para o leite, pelo que não têm nenhum efeito nos bebés. Este é um mito que se tem perpetuado sem nenhum tipo de fundamento e que importa desconstruir.

Assim, a conclusão é simples e a resposta à questão inicial é muito fácil de dar. Não existem alimentos proibidos para as mães que amamentam! Elas podem e devem comer de tudo, tentando fazer uma alimentação o mais saudável possível. A única excepção são as bebidas alcoólicas, que devem ser restringidas e as bebidas com cafeína que, se possível, devem ser reduzidas ou abolidas também. Tirando isso, podem comer tudo. Alimentos como morangos, laranjas, feijões, frutos secos ou marisco podem e devem ser consumidos enquanto se amamenta.

Claro que, apesar de improvável, é sensato ir vigiando para ver se surge alguma reação no bebé, que pode ser de dois tipos: borbulhinhas no corpo (e não apenas na cara) ou algum tipo de desconforto. Se surgir e houver a suspeita de estar associada a algum alimento consumido pela mãe, o melhor conselho é mesmo parar esse alimento durante uns dias. Quando o bebé voltar a ficar “normal”, a mãe deve voltar a comer o que tinha comido para avaliar se surge a mesma reação. Se isso acontecer, o alimento não deve ser consumido novamente, mas em caso contrário a mãe pode voltar a ter liberdade na alimentação. E habitualmente é mesmo isso que acontece…

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue “Pediatria para Todos” e do livro “Pediatra para todos”

 

 

 

 

O seu filho faz “birras” à refeição?

Dezembro 18, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Pais & Filhos

Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 3 de novembro de 2017.

Escrito por Paula Beirão Valente

o segundo ano de vida do bebé a velocidade de crescimento é menor, mas a atividade física aumenta. Esse é o período ideal para aceitar novos alimentos e novos sabores, que serão mais difíceis de introduzir mais tarde. Por norma, a partir dos três anos, a “janela de oportunidade” fecha com a redução do apetite, causando, com frequência, preocupação aos pais.

É a altura em que apresentam o que costumamos chamar de neofobia, isto é, relutância em consumir alimentos que não conheçam. Nesta altura, desenvolvem “cortes alimentares”, recusando alimentos que antes aceitavam ou pedindo um alimento particular em cada refeição. Esta situação tende a ser temporária e os pais acabarão por controlar, não apenas a alimentação da criança, como também eventuais comportamentos impróprios. É importante saber que nem a abordagem de controlo rígido, nem a abordagem passiva têm sucesso.

Os pais e os cuidadores da criança deverão preparar um leque variado de alimentos, evitar os que forem recusados ou confecioná-los de modo diferente para terem outro sabor ou apresentação, em último caso poderão, ainda, ser substituídos por outros do mesmo grupo da roda dos alimentos.

Aconselho a inclusão da criança na preparação da refeição, fazendo com que ela sinta que foi a responsável pela escolha dos alimentos e elogiando o prato durante o seu consumo. Desse modo, baixamos a probabilidade de rejeição da refeição. Uma vez que são necessárias várias tentativas para que o paladar da criança se adapte aos “novos” alimentos, poderá persuadir o seu filho a provar o alimento, mesmo que não o ingira na sua totalidade. Com o tempo, a aceitação tende a aumentar. Por outro lado, se os filhos recusarem, por teimosia, a ingestão da mesma, deverão continuar sentados à mesa até ao fim da refeição. Acrescento, também, que não deverão ser compensados mais tarde com alimentos que gostem ou que peçam. Só assim pensarão duas vezes antes de repetirem o comportamento.

A falta de disponibilidade e de conhecimentos é um fator determinante na qualidade daquilo que os filhos comem e o papel da família na educação alimentar é inquestionável.

E se pesa pouco?

Em situações de baixo peso, as refeições intercalares tornam-se essenciais para suprir as necessidades energéticas da criança. Deste modo, aconselho um reforço destas com alimentos que sejam naturalmente aceites, tais como: pão (com fiambre de aves, queijo fresco, atum, ovo, bife de aves inteiro ou picado com alguns legumes e molhos com azeite como por exemplo, molho “pesto” ou molho de iogurte; cereais (ricos em fibra e com redução de açúcar), iogurtes, leite e fruta. Poderá misturá-los, tornando-os mais apelativos, como os batidos de fruta, de forma a tornar estas refeições menos monótonas e de ingestão mais rápida. Importa, que estes sejam cuidadosamente preparados para serem, simultaneamente, variados e ricos em nutrientes. Para estas crianças aconselha-se iniciar as refeições principais com o prato principal, deixando a sopa para o final, garantido a ingestão dos alimentos mais energéticos em primeiro lugar. Os alimentos com temperaturas extremas e odor forte tendem a ser também excluídos. Como tal, pratos como a sopa, indispensáveis nesta idade, deverão ser servidos mornos. Estudos revelaram também que o consumo de alimentos é diminuído quando a criança está cansada. Neste caso, um pequeno descanso prévio à refeição poderá ser eficaz.

 

“Quem está a assegurar o equilíbrio nutricional dos pratos vegetarianos nas escolas?”

Dezembro 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de novembro de 2017.

Devia haver mais nutricionistas nos centros de saúde, nas escolas, nos lares, mas ainda falta vontade política, diz a bastonária Alexandra Bento, no dia em que começa o Congresso da Ordem dos Nutricionistas.

Alexandra Prado Coelho

Há medidas positivas, mas falta articulação. Esta é uma das críticas que Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, faz ao Governo. A obrigatoriedade de introduzir nas ementas das cantinas escolares uma opção vegetariana, que neste ano lectivo entrou em vigor, é um bom exemplo. “Como é possível a Assembleia da República legislar uma medida que tem importância e o Governo não estar preparado para a operacionalizar?”, interroga-se. “Quem é que está a assegurar o cumprimento do equilíbrio nutricional desses pratos? Há que perguntar. Porque não são nutricionistas.”

A relevância do trabalho dos nutricionistas é uma questão que percorre o programa de todo o Congresso da Ordem dos Nutricionistas, que decorre entre esta terça-feira e amanhã, em Lisboa, e que se orgulha de ser “o primeiro no mundo sem patrocínios”. O que Alexandra Bento lamenta é que haja um número insuficiente de profissionais onde defende que deveriam estar: nas escolas, nos lares de idosos, nos centros de saúde. “Quem é que se responsabiliza pelo equilíbrio nutricional dos meninos que escolhem a dieta vegetariana? Ou pela adequação da alimentação para uma criança que tem a doença celíaca ou a doença de Crohn ou que é diabética?”

Reconhece que “temos um princípio excelente, que é o de as escolas fornecerem alimentação às crianças”, mas considera que é importante actualizar algumas medidas. “A criação do [Programa do] Leite Escolar foi importantíssima, mas, neste momento, devíamos pensar na obrigatoriedade de ser leite sem qualquer tipo de adição. Não é concebível que num momento em que se fala de um consumo excessivo de açúcar estejamos a fornecer leite achocolatado às crianças.”

Mas, ainda mais importante do que isso, é a educação alimentar dos mais jovens, que, na opinião da bastonária, também não está a ser feita de forma adequada. “O que se ensina sobre a roda dos alimentos é muito pouco”, afirma. “Tem de haver novas abordagens na passagem da informação. As crianças são sensíveis às causas ambientais porque essa informação foi bem passada. [No caso da alimentação], é preciso envolver outros actores, como os chefs, mas é preciso que estes também tenham um verdadeiro conhecimento do que é a alimentação saudável. Isso é difícil sem envolver os nutricionistas.”

A Ordem tem tentado fazer chegar esta mensagem ao ministro da Educação, mas não tem sido fácil, diz. “Reunimo-nos com o secretário de Estado para manifestar a nossa preocupação. Já tentei ser recebida pelo ministro e até ao momento não fui, o que parece indicar que o ministério não encara esta questão como premente. Provavelmente, a única hipótese é enviarmos uma proposta por escrito ao ministro, o que me parece desajustado.”

Falhas nos centros de saúde

Voltamos à questão da “falta de articulação”. O que Alexandra Bento constata é que “no papel temos uma estratégia desenhada”, mas “falta uma verdadeira vontade política para a pôr em prática”. E se o Ministério da Saúde parece sensível aos argumentos dos nutricionistas, as medidas não passam depois pelo crivo do Ministério das Finanças.

A Ordem defende a importância da presença de nutricionistas nos centros de saúde como parte de uma política de prevenção de doenças ligadas à alimentação. “Os cuidados de saúde primários não estão desenhados para trabalhar a causa da alimentação e da nutrição”, diz. Há poucos nutricionistas. A proposta que a Ordem apresentou ao Ministério da Saúde passava pela presença de “pelo menos um nutricionista por cada um dos 55 agrupamentos de centros de saúde”, garantindo uma distribuição pelo território nacional mais equilibrada do que a que existe actualmente. Propunham ainda a entrada, logo em 2016, de 55 nutricionistas “com um programa nacional de acção” — a ideia “foi bem acolhida” pelo Ministério da Saúde, mas até agora não foi concretizada.

Alexandra Bento lembra que estamos num momento-chave. “Com os dados do 2.º Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física [apresentados em Março] passámos a conhecer o panorama do país com precisão. O inquérito diz-nos que temos insegurança alimentar, ou seja, nem toda a população tem um acesso adequado a alimentos. A insegurança situa-se no nosso país em cerca de 10% e a insegurança alimentar grave, que é a dificuldade de acesso a alimentos, está nos 2%. Isto é grave num país que se diz desenvolvido.”

O retrato do panorama nacional mostra ainda que “estamos a viver pior nos últimos anos das nossas vidas, com um rosário de doenças crónicas não transmissíveis relacionadas com a forma como nos alimentamos” — este é, aliás, um dos temas centrais do congresso. E são doenças que pesam no Sistema Nacional de Saúde. “A diabetes custa 10% a 12% do Orçamento do Estado para a Saúde, este é um dado que está no Observatório para a Diabetes”, sublinha a bastonária. “Nos últimos anos, o aumento dos gastos com a diabetes é brutal.” A conclusão? “Sabemos do que estamos a morrer e quanto custam as doenças de que estamos a morrer. E sabemos que prevenir é a melhor aposta.”

A bastonária compara a actual situação com a que se viveu nos anos 1970 e 80 depois da realização do 1.º Inquérito Alimentar Nacional. “Nessa altura fez-se a primeira e única campanha alimentar nacional, muito centrada nas escolas, com os professores. Nunca mais houve uma grande campanha de educação.”

Em Portugal, prossegue, há uma grande aposta na higiene alimentar, porque se trata de regras europeias. Mas o país “ainda não tem uma verdadeira política alimentar e nutricional”. E conclui: “O excesso de peso e a obesidade das nossas crianças vai trazer-nos problemas de saúde no futuro. Como é que conseguimos conviver com isso tendo estrutura para resolver o problema?”

Já depois da conversa com o PÚBLICO, a bastonária elogiou em declarações à Lusa a proposta do Governo no Orçamento do Estado para 2018 que visa criar uma taxa sobre produtos, como biscoitos e batatas fritas, que apresentem elevado teor de sal. Perante a possibilidade de um chumbo, Alexandra Bento diz que lamenta. “A verba arrecadada” poderia ser aplicada em “medidas de promoção de hábitos alimentares saudáveis”.

 

 

 

 

Alunos que tiram fotografias a comida nas escolas estão a ser punidos ou repreendidos pelos diretores

Novembro 10, 2017 às 1:26 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Esta foi uma das fotografias que Teresa (nome fictício), de 11 anos, tirou a uma refeição que lhe foi servida numa escola da Amadora

Notícia do http://observador.pt/ de 9 de novembro de 2017.

Marlene Carriço

Depois das fotografias a exporem problemas nas cantinas escolares, há relatos de diretores que estão a punir alunos com dias de suspensão ou a repreendê-los. Pais queixam-se.

Depois das fotografias a exibir pratos com pouca comida, coxas de frango mal cozinhadas, rissóis congelados, e, mais recentemente, lagartas a passear no meio do prato, agora chegam notícias de diretores que estão a repreender ou a punir alunos que andam a fotografar e a divulgar as imagens das refeições servidas nos refeitórios.

O Jornal de Notícias relata, esta quinta-feira, o caso de duas adolescentes (de 18 e de 16 anos) de uma escola em Gaia que foram suspensas por cinco e dois dias, respetivamente, após terem divulgado uma imagem de um tabuleiro onde se via apenas um pão e uma tigela de sopa, servido a 2 de novembro, dia em que houve greve dos trabalhadores das cantinas. As encarregadas de educação dizem não ter sido chamadas à escola e ponderam avançar com queixa junto da Direção Regional de Educação do Norte.

A decisão foi confirmada pela direção da escola ao JN, que invocou o Estatuto do Aluno, de 2012. No artigo décimo desse decreto ficou definido que os alunos ficam proibidos de “captar sons ou imagens” em atividades letivas e não letivas sem autorização prévia dos professores, dos diretores ou de qualquer membro da comunidade escolar cuja imagem possa ficar registada. O novo estatuto consagra ainda a proibição da difusão “na escola ou fora dela, nomeadamente, via Internet ou através de outros meios de comunicação, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor”.

Contactada pelo Observador, a direção do Agrupamento de Escolas António Sérgio recusou-se a prestar declarações sobre o assunto. E o Ministério da Educação ainda não respondeu.

Isidoro Lopes, da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap), condena a atuação: “Esses diretores têm de ser castigados exemplarmente”, começou por dizer ao Observador, para logo acrescentar que tem conhecimento de outras “tentativas de intimidação aos alunos para não usarem telefones nem divulgarem imagens sob risco de terem processos”.

Um desses exemplos é o de Teresa, nome fictício. A aluna de 11 anos tirou duas fotografias à comida que lhe foi servida no passado dia 3 de outubro — uma à tigela da sopa servida a metade e outra a um prato com uma amostra de filete de peixe e muita batata cozida (na imagem principal do artigo). “Há muito que se queixava e eu desvalorizava, achava que ela estava a exagerar, que estava a ser esquisita. E a certa altura disse-lhe para tirar fotografia”, conta a mãe, Isabel, também nome fictício, ao Observador.

As queixas na escola da má confeção da comida “são antigas”, continua a mãe, dando exemplos de batatas cruas e “carnes picadas em que só há molho de tomate” e a “contínua desvalorização por parte da direção”. Desta vez atuou de forma diferente. “Quando vi aquilo fiquei chocada com a pouca quantidade de comida e, depois de vários e-mails sem resposta, divulguei no meu facebook, sem dizer o nome da escola.”

Depois dessa publicação, que terá sido vista por alguém da direção, a filha foi chamada pela diretora ao conselho diretivo, onde estava também a professora responsável pelo 2.º e 3.º ciclo. Ter-lhe-á sido perguntado se ela sabia que era proibido tirar fotografias na escola. “A minha filha disse que sabia. E ela perguntou porque é que ela tinha tirado fotografia aos pratos da comida. Ela disse que tinha sido eu a pedir e a senhora diretora disse-lhe: ‘Sabes que isto pode dar direito a processo disciplinar com direito a suspensão? Quero que escrevas a relatar o que se passava com a comida e a dizer que tiraste as fotografias’”. O episódio é relatado por Isabel que lembra como a filha lhe ligou assustada. Depois disso tentou entrar em contacto com a direção, que só a recebeu uns dias depois. Nessa reunião a diretora negou ter ameaçado a criança, mas Isabel tem outra perspetiva do sucedido. “Ela nem 12 anos tem. É uma menor e eu sou a responsável por ela. Deviam ter-me chamado a mim.”

Isabel já apresentou queixa junto da Direção Geral de Estabelecimentos Escolares, junto do Ministério da Educação, da Câmara Municipal da Amadora, do Provedor de Justiça e até da ASAE. Só estes últimos lhe responderam. “A ASAE disse que ia proceder em conformidade e o Provedor disse que ia aparecer de surpresa na escola.”

De acordo com o Ministério da Educação, “foram reportadas aos serviços da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares, nos meses de setembro e outubro, 40 queixas (16 em setembro e 24 em outubro) referentes à qualidade e quantidade das refeições servidas nas escolas”. Além dessas, chegaram ainda queixas relacionadas com outros aspetos, como pessoal, totalizando 70 queixas.

Diretores criticam divulgação de fotografias

Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, não se quis alongar muito sobre a situação concreta da escola de Gaia onde as duas alunas foram suspensas, por não conhecer todos os contornos, mas defendeu que “os regulamentos e o Estatuto são para serem cumpridos” e que “se as alunas não cumpriram com uma regra que existe, há que haver rigor”.

Embora se mostre crítico das situações que têm sido denunciadas aqui e ali, um pouco por todo o país, Manuel Pereira frisa que “tem de se evitar mostrar essas imagens porque é preciso evitar situações de alarme social”. “Pode acontecer qualquer coisa em qualquer sítio a qualquer hora e não se pode permitir que se tome a parte pelo todo”. O que “faz sentido”, acrescenta, é que “as crianças falem com os pais e os pais com as escolas”.

Também Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, defende outro tipo de abordagem perante os problemas que vão sendo sentidos nas cantinas. “Não me parece que a melhor maneira de resolver um problema seja criar um enorme problema, sob pena de estarmos a confundir a árvore com a floresta inteira”, sublinha.

E quanto à situação em concreto da sua escola vizinha, em Gaia, Filinto Lima não se quis alongar, sublinhando que “terá sido uma situação excecional, em dia de greve dos funcionários e em que a escola tentou acudir ao problema”. E lembra que o Estatuto proíbe a captação e divulgação de imagens nas escolas, sendo que seria bom “saber até que ponto esta regra pode ser violada”.

Quanto a processos disciplinares, o dirigente da ANDAEP refere que sempre que “há um processo disciplinar tem de se ouvir as partes envolvidas e normalmente na presença dos pais”.

mais fotos da notícia no link:

http://observador.pt/2017/11/09/alunos-que-tiram-fotografias-a-comida-nas-escolas-estao-a-ser-punidos-ou-repreendidos-pelos-diretores/

Estatuto do Aluno e Ética Escolar

Ainda há escolas a vender alimentos pouco saudáveis

Outubro 25, 2017 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 25 de outubro de 2017.

Joana Capucho

Cachorros, bolachas de chocolate e refrigerantes continuam à venda cinco anos depois de a orientação do governo o proibir

Pedro vive na zona da Grande Lisboa, onde a filha frequenta uma escola pública do 2º ciclo. Recentemente, foi surpreendido com fotografias do bar da escola, que cedeu ao DN, nas quais é visível a oferta de alimentos pouco saudáveis: mini-pizzas, cachorros, waffles com xarope de chocolate, folhados. Uma situação que o deixou descontente e que também foi relatada ao DN por outros pais. Queixam-se da venda destes e de outros produtos como croissants com chocolate, bolachas de chocolate com recheio e bebidas açucaradas, alimentos que já não deviam ser vendidos nos estabelecimentos de ensino.

Cinco anos após a publicação das orientações para os bufetes escolares pela Direção-Geral da Educação (DGE), há escolas que continuam a vender alimentos prejudiciais à saúde, tanto nos bares como nas máquinas de venda automática. Existe uma lista de alimentos a disponibilizar, a limitar e a não disponibilizar, mas não é cumprida em todos os estabelecimentos de ensino. “Em teoria, isto não deveria acontecer. Não estão a ser cumpridas as orientações. De vez em quando, recebemos algumas queixas dos pais relacionadas com o que se vende nos bares e nas máquinas e com o que serve nas cantinas. São situações pontuais, mas isso não significa que o problema seja grande ou pequeno, porque nem todos os pais têm conhecimento do que se passa nas escolas”, diz ao DN Pedro Graça, Diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde.

Na opinião de Pedro Graça, “há um problema relacionado com a falta de fiscalização/verificação do cumprimentos das normas”, mas também “há alguma demissão por parte dos pais, que não vão às escolas onde os filhos andam”. As próprias escolas e autarquias “deviam munir-se de técnicos especialistas capazes de aferir a qualidade dos produtos que são vendidos, verificar se as normas são cumpridas e promover alterações”. Quanto às máquinas de vending, “é uma questão de fiscalização, porque se forem cumpridas as regras, não são nefastas”.

Contactado pelo DN, o Ministério da Educação remete para o Ofício Circular n.º 7/DGE/2012 Bufetes escolares – Orientações e diz que “a Inspeção Geral da Educação e Ciência zela pelo cumprimento” dessa recomendações. Apesar de serem “orientações”, o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues diz que não são facultativas e têm que ser cumpridas por todos os diretores de agrupamentos.

Já os diretores dos agrupamentos, reconhecem que estas máquinas são uma fonte de rendimento, mas dizem desconhecer situações de incumprimento. “Existem regras muito claras sobre o que se pode ou não vender nos estabelecimentos de ensino. Há escolas, como aquelas onde há ensino noturno e recorrente, onde podem existir alguns desses produtos nas máquinas para os alunos da noite. Admito que possam existir casos desses, mas não tenho conhecimento de nenhum”, afirma ao DN Manuel Pereira, diretor da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), destacando que “cada escola decide o que vende, tendo em conta as recomendações”.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), diz que sabe que há escolas onde existem máquinas – não é o caso da sua – mas também não conhece instituições que não cumpram as orientações da DGE. Nem tão pouco bufetes. “Não podem ser vendidos alimentos proibidos. Isso não pode acontecer. E não tenho conhecimento de diretores que autorizem aquilo que as diretrizes não aconselham e até proíbem”, refere, acrescentando que “a responsabilidade é das direções, não só das máquinas, mas também do que se consome nos bares das escolas”.

Tal como acontece nos outros locais onde existem máquinas de vending, estas são uma fonte de receitas para as escolas, que recebem uma percentagem das vendas. Além disso, sublinha Filinto Lima, muitas vezes “atenuam o constrangimento da escassez de funcionários” nas instituições de ensino. “Não vejo mal nenhum que existam máquinas nas escolas, desde que só tenham os alimentos que são permitidos pela DGE. Há uma grande preocupação das escolas em relação ao que é servido aos alunos. Se estão a ser vendidos produtos que não são permitidos, a situação tem que ser corrigida”.

Pais devem estar atentos

Manuel Pereira diz que, caso os pais detetem que as escolas estão a vender produtos com elevados teores de açúcares ou de gorduras, devem falar com os diretores dos agrupamentos. Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais também desconhece situações de incumprimento, mas destaca que “não são os pais que estão permanentemente dentro das escolas”. “A primeira responsabilidade é dos adultos que lá estão. Os pais têm que estar atentos, mas há famílias que acham natural dar à criança um Bollycao para o pequeno almoço”, denuncia. Por isso, propõe, “é necessário capacitar os pais, para que percebam os prós e contras, para que estejam informados”. Um trabalho, frisa, que devem ser feito pelas escolas e pelas associações de pais.

Cabe às escolas, afirma Jorge Ascenção, “dar o exemplo” no que diz respeito à alimentação saudável. “Não pode vender produtos nocivos à saúde. E deve também fazer o acompanhamento para que a criança se possa auto-proteger. Se a educação e o acompanhamento forem bons, evitamos que vão comprar produtos pouco saudáveis a 100 metros da escola”, sublinha.

Além do trabalho que tem que ser feito nos estabelecimento de ensino e em casa, Filinto Lima considera que é “necessário atuar junto das empresas que ficam próximas da escola” e onde as crianças e adolescentes encontram todos os produtos que esta não deve disponibilizar aos alunos. “A escola cumpre, mas há alguém a 10 metros que vende tudo o que está proibida de vender”, critica. Uma situação que, segundo Pedro Graça, é difícil de resolver “do ponto de vista legal”, mas que “pode ser pensada”. Até lá, sugere, “os pais podem, em conjunto com os diretores, tomar decisões para que os filhos não saiam da escola para comer”, enquanto esta deve “perceber o que leva a criança a sair, tentando oferecer-lhe alternativas atrativas”.

 

 

 

Estudo revela que 6 em cada 10 crianças portuguesas não ingerem fruta e legumes

Outubro 8, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.dnoticias.pt/ de 25 de setembro de 2017.

A Madeira ocupa o terceiro lugar com 69,8% de crianças nesta situação

Sandra Ascensão Silva

Um estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) revela que 65% das crianças em Portugal, entre os 2 e os 10 anos, não cumpre a recomendação internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para uma ingestão mínima de três porções de fruta e duas porções de legumes diárias. Esta é uma das principais conclusões do mais recente estudo divulgado pela (APCOI) que aponta o grupo etário dos 6 aos 7 anos o que registou um maior consumo de fruta e de legumes inferior às recomendações com uma percentagem de 68,2%. +

O estudo também observou as diferenças regionais relativamente à ingestão de fruta e legumes, tendo observado que a Região dos Açores apresentou a maior percentagem de crianças com consumo inferior às recomendações com 84,7%, seguindo-se a Região do Algarve com 78,2%, a Região da Madeira com 69,8%, a Região de Lisboa e Vale do Tejo com 66,8%, as Regiões do Norte e do Alentejo ambas com 63,4% e por fim a Região Centro com 62,5%.

Os investigadores concluíram que 85,8% dos alunos almoça diariamente no refeitório da escola e que mais de metade desses alunos (54,5%) que refere não incluir legumes no prato também não chega a atingir a recomendação da OMS para a ingestão de pelo menos 2 porções de legumes por dia.

Por outro lado, os dados demonstram também que as crianças obesas são as que menos legumes ingerem, com uma prevalência de 38,3% de consumo inferior às recomendações.

Mudanças nos hábitos dos alunos participantes no projecto ‘Heróis da Fruta’

A equipa de investigadores da APCOI, analisou os efeitos da implementação da 6ª edição do projecto ‘Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável’ nas alterações de hábitos alimentares dos alunos participantes.

Comparando os dados iniciais, com os recolhidos após as 12 semanas de participação no projecto ‘Heróis da Fruta’ observou-se que globalmente 41,9% das crianças aumentou o seu consumo diário de fruta.

Para além disso, observou-se que 43,3% das crianças terminaram a sua participação no projecto com um consumo de fruta de acordo com as recomendações, correspondendo a uma subida de 12,2% comparativamente com os hábitos de consumo que mantinham no momento inicial do projecto.

Todas as regiões verificaram um aumento da prevalência de crianças a reportarem consumir três ou mais porções de fruta após a implementação do projecto, tendo sido a Região do Algarve a registar a maior subida com uma percentagem de aumento de 17,3%. Seguindo-se a Madeira com um aumento de 15,4%, o Norte com 15%, Lisboa e Vale do Tejo com 12,4%, o Centro com 10,6%, os Açores com 10% e finalmente o Alentejo com 8,3%.

Metodologia do Estudo

Esta investigação da APCOI foi realizada junto dos alunos participantes na 6ª edição do projecto ‘Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável’ no ano lectivo 2016-2017. A recolha de dados, através da aplicação de um questionário antes e depois das 12 semanas de intervenção do projecto, foi reportada à APCOI pelos professores e decorreu entre os dias 16 de outubro de 2016 e 20 de janeiro de 2017. A amostra global deste estudo é composta por 17.698 crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 10 anos de 388 estabelecimentos de ensino pertencentes a 139 concelhos dos 18 distritos continentais e das duas regiões autónomas: Açores e Madeira.

Inscrições abertas para a 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta»

Depois do sucesso obtido no último ano lectivo, já estão a decorrer as inscrições para a 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» que pretende continuar a melhorar os hábitos alimentares das crianças nas escolas.

“Comer legumes para aumentar os super poderes” é o tema do ano da 7ª edição do projecto, refere Mário Silva, presidente e fundador da APCOI e acrescenta que “tendo em conta as impressionantes estatísticas de sucesso obtidas nos anos lectivos anteriores em relação ao aumento do consumo de fruta nas crianças participantes, será muito interessante estender estes resultados positivos aos legumes e conseguir pôr as crianças portuguesas a comer mais saladas e vegetais no prato, ao almoço e ao jantar, todos os dias”.

A adesão à 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta» é gratuita e está disponível para jardins de infância, escolas de 1º ciclo do ensino básico, bibliotecas escolares e ATL’s, públicos ou privados, sendo apenas necessária uma inscrição através do endereço http://www.heroisdafruta.com/ou do telefone 210 961 868 até ao dia 13 de Outubro de 2017.

 

 

“As crianças não nascem com gostos esquisitos”

Setembro 29, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://www.dn.pt/ a Rui Lima no dia 19 de setembro de 2017.

Paulo Alexandrino / Global Imagens

Joana Capucho

Se uma criança for habituada desde muito cedo a comer fruta e hortícolas, não vai rejeitar esses alimentos. É esta a convicção de Rui Lima, técnico superior da Direção-Geral da Educação. O nutricionista, responsável pelas regras que definem o que se come nas cantinas das escolas públicas, alerta os pais para a necessidade de habituarem as crianças apenas aos sabores naturais.

Como é que são os lanches da maioria das crianças em Portugal?

De uma maneira geral, os lanches não são muito saudáveis. As refeições e os lanches dados às crianças refletem uma falta de tempo para mimos, que é compensada com miminhos com muitos açúcares e gorduras. Na maior parte das vezes, opta-se pelo mais fácil, que são produtos pré-embalados e com alto teor de açúcar e gordura.

Há alimentos que devem ser proibidos nas lancheiras?

É difícil dizer que há alimentos proibidos, mas alguns têm riscos. É perigoso quando se cai no exagero de produtos ricos em açúcar e gordura. O melhor é optar pela nova roda da alimentação mediterrânica, que é exemplo do que é bom, uma vez que quase só inclui alimentos de produção local. Os alimentos não processados são sempre melhores. É melhor preparar uma sandes de pão com queijo, fiambre ou ovo cozido enriquecido com hortícolas – alface, tomate, raspas de cenoura ou de couve roxa – do que ir a um supermercado e comprar um produto pré-embalado e um refrigerante com alto teor de açúcar.

Mas há crianças que se recusam a comer certos alimentos…

As crianças não nascem com gostos esquisitos, refletem aquilo que os pais lhes deram nas primeiras fases do crescimento. Uma criança que esteja habituada a comer hortícolas desde pequena não vai deixar de comer de repente. O problema é que, muitas vezes, logo nos primeiros anos de vida, os pais habituam as crianças a sabores que não são naturais. Há estudos feitos em Portugal que mostram um número excessivo de crianças que ao fim do primeiro ano de vida já provaram refrigerantes.

Os pais têm dificuldades em escolher os melhores alimentos?

Muitas vezes, os pais têm pouca informação sobre as características dos alimentos que encontram no mercado. Não há o hábito de ler os rótulos e compreender o que está lá. Uma das cadeias mais conhecidas de supermercados tinha umas bolachas com pepitas de chocolate com coco, que os pais até podiam pensar que tinham muito açúcar e gordura, mas tinham um valor de sal verdadeiramente assustador. Quase 10 gramas de sal por cada 100 gramas de bolacha. Até os pais com alguma literacia alimentar e cuidado acabam por cair em rasteiras da indústria alimentar. É preciso ter alguns cuidados e habituar as crianças aos sabores. É importante envolver as crianças e os adolescentes na preparação dos próprios alimentos.

E o que é um lanche saudável?

Deve incluir sempre um laticínio, como o leite – de preferência branco, sem chocolate – e os iogurtes, aqueles que têm menor teor de açúcar. No limite, qualquer iogurte é melhor do que um refrigerante. Deve ter sempre fruta e uma fonte de hidratos de carbono saudável, de preferência pão com queijo ou fiambre. Devem evitar-se as bolachas e os cereais, que têm muito açúcar. De vez em quando, podemos incluir frutos secos.

 

 

“A lancheira escolar deve refletir os bons hábitos alimentares em casa”

Setembro 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.sapo.pt/

Que alimentos devemos incluir na lancheira escolar dos nossos filhos? Definitivamente, um “não” aos produtos processados e um “sim” sorridente às frutas frescas e secas, pães integrais, lacticínios não açucarados. Cláudia Viegas, nutricionista e docente, traça o roteiro para um regresso às aulas mais saudável.

Cláudia, dado irmos nesta conversa abordar os lanches escolares, julgo que seria interessantes percebermos a importância desta refeição no desenvolvimento da criança.

Um princípio base da nossa alimentação é o de comermos a intervalos regulares. O nosso organismo tem a capacidade de nos disponibilizar energia nos períodos em que estamos sem comer. Se esses intervalos se tornarem demasiado longos, vamos buscar essa energia a processos menos benéficos e que, inclusivamente, dão mais trabalho ao nosso organismo. Não é isso que se pretende. Nestas situações, muitas vezes, o nosso organismo acaba por fazer um esforço muito maior para manter os níveis de glicose. Esta é um açúcar e é o nosso combustível mais eficiente. No caso de uma criança manter os níveis de glicose no sangue é muito importante. Daí decorre que não devem passar mais de três horas de intervalo entre cada refeição. Mas, atenção, devemos fornecer essa glicose com alimentos de boa qualidade.  Ou seja não queremos ir buscar glicose ao açúcar, gomas, sumos, bolos, mas sim à fruta, cereais de boa qualidade, menos refinados, leguminosas.

A lancheira que a criança leva para a escola não é mais do que uma extensão dos hábitos que tem em casa. O que devemos ter em conta quando falamos de alimentação infantil?

Essa é uma questão  muito importante. O que vai na lancheira deve, de facto, ser uma extensão do que a criança come em casa. A alimentação infantil equilibrada tem regras básicas. Devemos preferir os alimentos no seu estado mais natural e pouco processados. Tudo o que está numa embalagem, processado, salvo raras exceções, não deve estar numa lancheira infantil. No que respeita aos leites, os não açucarados. Já o iogurte, não deixando de ser um produto processado, é uma boa opção. Um sumo não o é. É claro que terão de ser iogurtes com menos açúcar. Não sou apologista de iogurtes com adoçantes ou light. No que respeita ao consumo de adoçantes, está demonstrado não ser aconselhado no caso das crianças. Isto porque é mais fácil ultrapassarem as doses máximas admissíveis. Um alimento que tem adoçante não deixa de nos conferir a apetência para o sabor doce. Ou seja, ao consumir alimentos doces, sem açúcar, mas com adoçante, treino o meu gosto para coisas doces e vou continuar a procurá-las e a consumi-las. Há estudos que demonstram que o consumo de alimentos com adoçantes, contribui para o excesso de peso e não a perda, através do mecanismo que referi atrás.

No caso do pão, devemos privilegiar aquele que se compra na padaria, não pães com chocolate, por exemplo. Ainda no que respeita a este alimento, convém distinguir diferentes tipos de pão. Deverão conter farinhas menos refinadas, de centeio ou integrais. Há que evitar o pão branco. E, claro, afastar os bolinhos e bolachas.

As sempre presentes bolachas…

Existe uma tendência grande para se considerar que as bolachas são alimentos inócuos. Mas não o são. Têm açúcar, gordura de má qualidade. Umas bolachas podem ter entre 15 a 25 gramas de gordura por cada 100 gramas. Dou como termo de comparação um iogurte gordo. Tem 3 gramas de gordura por cada 100 gramas de produto. Além disso quando comemos um iogurte ingerimos 125 g ou 150 g do alimento [capacidade média das embalagens]. Quando comemos bolachas, um pacote tem normalmente 200 g.

Também amiúde referidos quando falamos na alimentação infantil são os cereais embalados. Há que afastá-los?

Os cereais, na maioria dos casos, contém muito açúcar e um índice glicémico elevado. Todavia, não sendo a regra na alimentação da criança, podemos inclui-los na lancheira para acompanhar, por exemplo, com iogurtes. Uma excelente alternativa aos cereais açucarados é, por exemplo, a aveia.

Que estratégias podemos implementar para inverter um cenário de uma criança já viciada no açúcar, no sal, nas gorduras?

Há um aspeto que é fundamental, o exemplo. As crianças copiam o que observam à sua volta. Se quero que a criança passe a comer pão, ao invés de bolachas, enquanto educadora tenho de dar esse exemplo. As crianças são também extremamente recetivas às explicações. Explicar porque deve optar pelo pão em vez da bolacha, ou do iogurte em vez das bebidas açucaradas. Se houver maior resistência, então vamos optar por fazer uma redução gradual do açúcar e dos alimentos processados. Se a criança estiver habituada a comer um bolo todos os dias ao lanche, faz-se uma transição gradual.

No fundo estamos a falar de questões que têm não só um impacto na saúde a curto prazo, mas também a longo prazo, certo?

É importante que os adultos compreendam o impacto que a alimentação tem na saúde da criança. Tendemos a não nos preocuparmos ou a valorizarmos esta questão porque não tem efeitos imediatos. O impacto da alimentação sente-se no longo prazo, mas é real. Uma criança obesa vai ter maior probabilidade de ser um adulto obeso, com todas as consequências que conhecemos. Enquanto criança obesa pode sofrer de problemas de autoestima, de ossos, respiratórios, cardiovasculares que lhe vão diminuir a qualidade e a esperança de vida. Acresce as crianças que não têm bons hábitos alimentares, mas não são, ainda, obesas. E então valorizamos ainda menos, porque não há nada visível. E esse é o principal problema, não é porque não vemos que os efeitos no nosso corpo não se estão a fazer sentir. Apesar de não vermos, temos de ter consciência, que os maus hábitos têm consequências reais para a saúde.

Que alimentos são indispensáveis numa lancheira escolar?

Se pensarmos em termos de nutrientes, a lancheira escolar deve incluir uma fonte de hidratos de carbono, como o pão ou algo similar ao pão. Deve ter uma fonte de cálcio ou lacticínio, que pode ser o queijo no pão, embora este não seja um substituto regular para o iogurte ou leite que devem estar incluídos. Finalmente, uma peça de fruta, uma fonte de vitaminas, minerais, com uma boa dose de vitamina C.

Variar a lancheira pode ser uma dor de cabeça para os pais. Como podemos estabelecer um esquema semanal para a lancheira?

Essa questão da rotina pode ser encarada desta forma: provavelmente a criança não se chateia de levar as mesmas bolachas diariamente para a escola. Ora, porque se há de aborrecer com o pão? Há muitos tipos de pão e muita variedade no que nele podemos incluir. Por exemplo uma compota. A quantidade que usamos não se vai traduzir em muito açúcar. Temos o fiambre, o queijo, a manteiga. Podemos ser criativos e incluir a alface e o tomate, ou orégãos e azeite. Podemos levar a criatividade mais longe. Em vez de pão, fazemos um húmus, um triturado de grão, com alguns condimentos, como limão, azeite, alho. Acrescentamos uns palitos de cenoura para embeber no húmus. Até podemos levar uma tigelinha com grão-de-bico que quase se come como pipocas. Podemos, ainda, ir variando os sabores dos iogurtes, das frutas.

Se quisermos ir mais longe, podemos fazer biscoitos caseiros, com as crianças ao fim de semana. Levar as crianças para a cozinha é uma excelente forma de treinarmos as suas competências culinárias. Muitas famílias alimentam-se mal porque não sabem cozinhar. Não conhecem os alimentos. Isto tem de ser treinado e ensinado ao longo da vida. Além disso é uma excelente forma de passarmos tempo com os nossos filhos.

consultar as imagens com informações no link:

http://lifestyle.sapo.pt/saude/peso-e-nutricao/artigos/a-lancheira-escolar-dever-refletir-os-bons-habitos-alimentares-em-casa?email_newsletter=1

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