Como pôr as crianças a comer (mais) fruta e legumes

Julho 24, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Notícias Magazine de 2 de maio de 2020.

É a Organização Mundial da Saúde que o diz: fruta e verduras são parte integrante de uma alimentação saudável e os miúdos não podem – nem devem – ter como escapar a esta regra de bem comer. Pais, se os vossos filhos são um castigo à mesa, façam assim.

Texto de Ana Pago | Fotografia de Shutterstock

A primeira reprimenda chega‑nos da parte da Organização Mundial da Saúde, que diz que as crianças devem comer três porções diárias de fruta e duas de legumes – algo que as nossas, em Portugal, não fazem.

O segundo ralhete é da Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (APCOI): segundo um estudo divulgado no final de 2017, 65 por cento dos miúdos portugueses entre os 2 e os 10 anos ficam aquém das quantidades necessárias de fruta e legumes recomendadas por dia, com a faixa dos 6/7 anos a atingir os resultados mais preocupantes (68,2 por cento comem abaixo das recomendações).

E como uma má notícia nunca vem só, são as crianças obesas aquelas que menos tocam nos legumes. A ciência explica esta aversão generalizada dos mais novos com o risco que as crianças pré ‑históricas corriam de ingerir, logo que saíam do colo das mães para explorarem por conta própria, alguma planta tóxica que pudesse matá‑las. Claro que não é o caso dos brócolos, nem dos espinafres nem da couve‑flor, razão por que se torna tão urgente tomar medidas. Se é verde e está no prato, então é para comer.

1 – ANTECIPE

Sabendo‑se que até aos 18 meses as crianças estão mais dispostas a provar novos alimentos (incluindo legumes), e que a partir daí a boa vontade diminui (até no que respeita à fruta, geralmente bem aceite), há que aproveitar essa janela de oportunidade para introduzi‑los na alimentação dos mais novos. Quanto mais cedo o fizer, mais propensas elas ficam a gostar dos sabores.

2 – INSISTA

É normal o seu filho dizer que não gosta de curgete se acabou de prová‑la pela primeira vez e não teve tempo de se familiarizar com o sabor. O que não é normal é os pais bani‑ rem a curgete das refeições lá de casa para nunca mais voltar, culparem‑se pela possibilidade de terem traumatizado a criança e desistirem mediatamente de lhe tentar vencer a resistência – natural, como já vimos – a novos sabores, texturas e cores. Por norma, o que faz bem à saúde costuma dar algum trabalho.

3 – EXPERIMENTE

Se couves‑de‑bruxelas são um martírio para a maioria das crianças por serem tão amargas (nem o tamanho diminuto as torna fáceis de engolir), pode sempre começar a educar‑lhes o paladar com cenouras e tomates – mais frescos e adocicados – antes de passar a sabores progressivamente mais intensos. Acima de imediatamente de lhe tentar vencer a resistência – natural, como já vimos – a novos sabores, texturas e cores. Por norma, o que faz bem à saúde costuma dar algum trabalho.

4 – INVENTE

Confirma‑se: brócolos no prato são um pequeno horror inominável, mas e se de repente puderem transformar‑se na copa de uma árvore? Ou no cabelo encaracolado de uma personagem que tenha inventado para tirar os verdes do contexto da refeição? Se a fruta for outro bicho‑de‑sete‑cabeças, aplique o mesmo princípio criativo. Explore diferentes maneiras de servir o mesmo alimento. Quem diz que não se deve brincar com a comida nem imagina a diversão que tem andado a perder.

5 – DÊ O EXEMPLO

Não serve de nada pregar sobre cenouras e olhos bonitos, nem vir com a história de que o Popeye só era forte porque comia espinafres, se depois os seus filhos o virem a empurrar os legumes para a beira do prato com ar de nojo. A melhor educação dá‑se com os pais a servirem de exemplo, e isso tanto vale em termos de bom comportamento como de regras à mesa. Aqui, o lema deve ser sempre «faz o que eu faço e não o que eu digo».

6 – RELAXE

Tem mesmo de respirar e conduzir este processo com tranquilidade, de outro modo nenhuma refeição cai bem a quem quer que seja e a criança associará certos alimentos – de que já de si não gosta lá muito – a castigo, nervos e outros sentimentos negativos do género. Seja sereno, mas firme: na vida tudo se aprende, inclusive a comer. O facto de haver uma rotina familiar saudável à mesa só vai sublimar este prazer.

Fixe estes 6 itens em defesa do direito de menus mais amigos das crianças

Junho 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle

Discretamente, num cantinho das ementas, encontramos os tristes menus infantis. Não lhes há de faltar o hambúrguer, a batata frita e o refrigerante. Em defesa de ementas infantis mais ricas, a nutricionista Cláudia Viegas, deixa-nos seis pistas que deveriam ser consideradas na oferta da restauração. Pratos com diversidade alimentar, mas também pais e educadores mais críticos e exigentes. Contas feitas, o gosto educa-se.

  1. Abandonar a ideia de que as crianças são um item à parte nas ementas

Há que saber dizer não à ideia de que, nas ementas, a comida para as crianças deve apresentar-se como um item à parte, diferente do dos adultos. Os mais pequenos, findo o primeiro ano de vida, não só podem, como devem, ter no prato alimentos iguais aos dos adultos, respeitando as porções adequadas para a idade. A nossa gastronomia é riquíssima, com pratos diversos (sopas, arrozes, massas, diferentes confeções, como as jardineiras, os assados, os estufados, as cataplanas) e nutricionalmente ricos, com diversidade de alimentos. Uma diversidade que, quando experimentada, educa o gosto para a grande variedade de sabores.

  1. Hortícolas faltam nos menus infantis

Os hortícolas são parte inalienável da alimentação e muitas vezes ausentes nos menus infantis. A sopa, um dos elementos que contribui para o consumo de hortícolas, só por si não basta. Há que diversificar para atender às recomendações da Organização Mundial da Saúde. Há, como tal, que encontrar nas ementas diversidade nos hortícolas, apresentados em saladas coloridas ou sob a forma de legumes cozinhados, salteados, assados, grelhados, entre outros (de acordo com a tipologia de prato do restaurante).

  1. Pescado sim, mas não apenas douradinhos

Mais pescado, menos carne. Este pode ser o lema a adotar numa ementa equilibrada. O pescado é mais saudável e mais sustentável ambientalmente do que a carne e um elemento importante na Dieta Mediterrânica. As crianças devem de ser estimuladas a consumir pescado, assim como a adquirir competências de identificação e remoção das espinhas, não devendo ficar limitadas a ´douradinhos` e filetes.

  1. Mais criatividade nos acompanhamentos

Presença recorrente nas ementas infantis é a das batatas fritas. O apetite das crianças parece ser sinónimo de acompanhamento acabado de sair de uma fritura e que nada acrescenta à refeição. Isto, quando há uma panóplia de alimentos nutricionalmente interessantes para levar ao prato, para além das batatas fritas. Optando-se, de facto, pelas batatas, porque não apresentá-las assadas com ervas aromáticas? ou cozidas com pele de forma a preservarem mais sabor.  Ou ainda em puré, gratinadas. Acresce que, há vida nos acompanhamentos para além das batatas. As ementas podem oferecer leguminosas diversas, castanhas, arroz ou massa de diferentes formas. Falha a criatividade na apresentação e nos ingredientes.

  1. Fruta deve chegar à mesa mais barata do que o doce

Não menos importante, a sobremesa deve privilegiar as frutas face aos doces. Uma mudança que deveria de ocorrer paralela a uma apresentação mais apetecível e diversa das frutas nas ementas, assim como um preço mais acessível destas face aos doces.

  1. O brinquedo, uma recompensa por uma refeição saudável

Finalmente, uma estratégia para fomentar escolhas mais saudáveis, no caso dos restaurantes que oferecem brinquedos promocionais com o menu infantil, seria a do brinquedo como recompensa face a escolhas mais saudáveis, como a escolha da água, fruta, por oposição aos fritos, snacks e refrigerantes.

Cláudia Viegas é Professora Adjunta na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Os seus principais interesses de investigação estão relacionados com Saúde Pública, em particular o que se relaciona com a Promoção e Proteção da Saúde em relação à Alimentação, Nutrição e Estilos de Vida.

Cerca de 370 milhões de alunos sob risco por falta de merenda escolar, alerta ONU

Junho 8, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 29 de abril de 2020.

Unicef e PMA dizem que fechamento de escolas devido à covid-19 cortou única refeição diária para milhões de crianças em todo o mundo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA, alertaram hoje para “consequências arrasadoras na nutrição e saúde” de 370 milhões de crianças que ficaram sem acesso a merendas escolares.

Em nota, o diretor executivo do PMA, David Beasley, disse que “para milhões de crianças em todo o mundo, a merenda escolar é a única refeição que recebem em um dia.”

Riscos

Beasley afirmou que sem essas merendas, as crianças “passam fome, correm o risco de adoecer, abandonar a escola e perder a melhor chance de escapar da pobreza.” Para ele, “é preciso agir de imediato para impedir que a pandemia se transforme em uma catástrofe de fome.”

Essas refeições são especialmente importantes para meninas. Em países de baixa renda, muitos pais enviam as filhas para as escolas para que possam comer, permitindo que escapem de tarefas domésticas pesadas ou casamento infantil.

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, lembrou que “a escola é muito mais que um local para aprender.” Para muitas crianças, “é uma fonte de segurança, serviços de saúde e nutrição.”

Fore disse ainda que, se a comunidade internacional não atuar de imediato, “consequências arrasadoras serão sentidas nas próximas décadas.”

Serviços

Além dos programas de alimentação escolar, escolas em países de baia renda são centrais para serviços de saúde, como vacinas, desparasitação e suplementação.

O PMA e o Unicef estão trabalhando com os governos para apoiar essas crianças. O PMA está apoiando governos de 68 países na distribuição de refeições, cupons ou transferências em dinheiro.

As duas agências também estão ajudando os governos para garantir que, quando as escolas reabrirem, programas de saúde e nutrição continuem existindo. Isso deve incentivar os pais a enviar seus filhos de volta à escola. Também estão trabalhando para rastrear as crianças que precisam de refeições escolares através de um mapa on-line.

Nesse momento, o apoio está sendo prestado em 30 países de baixa renda e ajudando 10 milhões de crianças. Para continuar com estes serviços, as agências precisam de US$ 600 milhões.

Mais informações na Press Release:

Futures of 370 million children in jeopardy as school closures deprive them of school meals – UNICEF and WFP

Cuidados alimentares e atividades para crianças em tempos de COVID-19 – DGS

Abril 29, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o documento no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/cuidados-alimentares-e-atividades-para-criancas-em-tempos-de-covid-19.aspx

Refeições em família. Têm sempre de ser um pesadelo?

Fevereiro 27, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle de 15 de janeiro de 2020.

Ana Rita Lopes (Nutricionista)

Ter filhos implica fazer refeições só para eles? Será que as crianças têm sempre de odiar a hora de jantar? Ana Rita Lopes, responsável pela Unidade de Nutrição do Hospital Lusíadas Lisboa, esclarece estas e outras dúvidas.

Como é que se pode aumentar o interesse das crianças pelos alimentos?

As crianças podem ser introduzidas no mundo da alimentação desde muito pequenas e é importante que estejam familiarizadas com os diferentes alimentos, para que não rejeitem a sua ingestão.

As crianças podem participar na preparação de tarefas simples e sempre sob vigilância de um adulto, como lavar os legumes, ajudar a temperar a refeição… A criança terá muito mais gosto em consumir uma refeição que foi feita por ela. É importante deixá-las participar neste processo.

De que forma é que se podem confecionar refeições em família sem cozinhar em exclusivo para as crianças?

Os pais são um grande exemplo para o filhos. Não adianta promovermos o consumo de determinados alimentos junto das crianças se elas nunca viram os progenitores a ingerir esses alimentos. Por este motivo, torna-se importante a confeção e a partilha de refeições em família. Tal é conseguido através de refeições simples, apelativas, nutricionalmente ricas e que envolvam a participação de todos os membros da família.

As refeições em família são mais benéficas?

Fazer refeições em família estimula o planeamento de refeições saudáveis, uma vez que permite a partilha de gostos e emoções. Estudos recentes demonstraram que as refeições em família, mesmo que aconteçam só uma ou duas vezes por semana, aumentam o consumo de frutas e vegetais pelas crianças. Deste modo, é importante o envolvimento e o contributo de todos, assim como o seu reconhecimento para que de forma harmoniosa se confecione refeições saudáveis. Para além de benefícios para a saúde, são uma boa oportunidade para conversar em família e proporcionar um ambiente ideal para fortalecimento dos valores familiares.

Porque é que o pequeno-almoço é tão importante?

O pequeno-almoço é a primeira refeição do dia e quebra o jejum depois do período de sono. Durante o sono os nossos níveis energéticos baixam e são apenas utilizados para a manutenção das funções vitais, pelo que é de extrema importância nunca omitir esta refeição de modo a repor estes níveis e consequentemente melhorar o rendimento cognitivo e reduzir o apetite para o almoço, contribuindo para uma distribuição alimentar e calórica mais saudável e equilibrada ao longo do dia.

Como deve ser esse pequeno-almoço?

O pequeno-almoço não tem que ser necessariamente muito elaborado para repor os níveis energéticos. Poderá ser preparado de forma simples, porém não devem faltar determinados grupos alimentares como a fruta fresca da época, o pão escuro ou flocos de cereais pouco açucarados, o leite ou iogurte, sem esquecer a água ao iniciar o dia. São exemplos de pequenos-almoços rápidos:

– 1 iogurte + 1 pão integral (tipo bola) + creme vegetal + 1 peça fruta

– 1 taça com aveia + 1 iogurte + fruta aos pedaços + 1 colher de sementes

Quais são os principais erros das famílias portuguesas na alimentação?

Sair de casa sem tomar o pequeno-almoço; haver uma presença constante de sumos e refrigerantes durante as refeições; o recurso frequente a refeições pré-confecionadas; o baixo consumo de legumes e leguminosas nas refeições principais, por exemplo.

10 mandamentos básicos para uma alimentação saudável em família

  1. Planear refeições saudáveis em família
  2. Fazer uma alimentação variada, equilibrada e completa
  3. Fazer 5 a 6 refeições por dia
  4. Tomar o pequeno-almoço
  5. Comer devagar e mastigar bem os alimentos
  6. Não estar mais de 3 horas sem comer
  7. Ingerir água ao longo do dia
  8. Preferir os grelhados, cozidos, assados, estufados em substituição dos fritos
  9. Excluir os doces e produtos açucarados da rotina diária (só em ocasiões festivas)
  10. Privilegiar o azeite em detrimento de outras gorduras

Os conselhos são da nutricionista Ana Rita Lopes, do Hospital Lusíadas Lisboa

Mais pizza e batatas, menos fruta e legumes. Trump quer reverter programa de refeições saudáveis nas escolas

Janeiro 28, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de janeiro de 2020.

O presidente dos Estados Unidos quer reverter o programa de refeições escolares mais saudáveis, que Michelle Obama pôs em prática há oito anos. Em nome do desperdício alimentar, Donald Trump pretende dar às escolas mais flexibilidade nas suas escolhas. Indústrias alimentares agradecem, nutricionistas criticam.

O presidente americano Donald Trump anunciou na sexta-feira a intenção de reverter o programa que promove refeições mais saudáveis nas escolas dos Estados Unidos, iniciado por Michelle Obama. Ao atenuar as regras que obrigaram as escolas a aumentar a quantidade de frutas e legumes dadas aos alunos, o que acontece é que se abre a porta a mais pizzas, hambúrgueres, carne e batatas.

“As escolas dizem-nos que ainda há muito desperdício de alimentos e é necessário haver maior flexibilidade no senso comum para conseguir dar aos alunos refeições nutritivas e apetitosas”, referiu, em comunicado, o secretário da Agricultura Sonny Perdue, baseado na premissa de que os alunos descartam aquilo de que gostam menos e que isso deve ser mudado.

Os nutricionistas e organizações de saúde já contestaram a posição. “O Governo Trump continua a atacar a saúde das crianças sob o pretexto de simplificar os cardápios das escolas”, afirmou, em comunicado, Colin Schwartz, membro do Centro de Ciência de Interesse Público. E acrescentou ainda que esta ideia vai “permitir às crianças escolherem pizza, hambúrgueres, batatas fritas e outros alimentos ricos em calorias e gorduras [saturadas]”, em vez de haver “menus escolares equilibrados todos os dias”.

Citada pelo “The New York Times”, Juliana Cohen, professora de Nutrição na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, considera que o programa lançado em 2012 por Michelle Obama “melhorou as dietas de milhões de crianças, sobretudo as mais vulneráveis que vivem em famílias com níveis elevados de insegurança alimentar”. O desperdício alimentar, acrescentou, “já era um problema antes de estes padrões alimentares mais saudáveis terem sido postos em prática, portanto revertê-los não irá resolver a questão”.

Também a presidente da Parceria para uma América mais Saudável, Nancy Roman, referiu que “não é apenas o que está no prato”, mas também a forma como a refeição “é preparada”. “As crianças precisam especialmente de ser expostas a frutas e vegetais que não sejam processados”, acrescentou.

14 milhões de crianças obesas nos EUA

Por outro lado, alguns sectores da indústria e do lobby alimentar aplaudiram a sugestão de Trump. Um dos exemplos, refere o “Guardian”, é a indústria da batata, que há já muito tempo que tentavam atenuar os padrões estabelecidos no programa nacional criado durante a administração Obama e que exigia maior consumo de fruta, vegetais e cereais integrais, obrigando à redução de sal, açúcar e gorduras. Michelle Obama foi a responsável por essa campanha por uma alimentação mais regrada e um estilo de vida mais saudável. “Let’s move” foi o nome da iniciativa lançada em 2012 e que visava também promover o exercício físico.

Estas novas medidas deverão abranger cerca de 99 mil escolas e 30 milhões de estudantes, entre os quais 22 milhões vivem em famílias com baixos rendimentos. Também se sabe que uma em cada cinco crianças e adolescentes nos Estados Unidos tem um peso acima do recomendado para a sua idade. São cerca de 14 milhões de crianças obesas e alterar a qualidade das refeições escolares era tida como uma forma eficaz de melhorar a sua alimentação.

Mais informações na notícia do The New York Times:

Trump Targets Michelle Obama’s School Nutrition Guidelines on Her Birthday

Hamburguer, bolonhesa ou douradinhos: como alterar os hábitos das crianças nos restaurantes?

Dezembro 17, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de dezembro de 2019.

Como incentivar as crianças a comerem coisas diferentes? “Antes de tudo, dando os adultos, o exemplo”, defendem os nutricionistas ouvidos pelo PÚBLICO.

Diana Vilas Boas

Apesar de nem todos os restaurantes terem menu infantil, os que têm optam, quase sempre, por oferecer carnes picadas em hambúrgueres ou bolonhesas, por batatas fritas ou massa. Também há nuggets ou panados e os legumes raramente estão presentes no prato. Quanto às bebidas, podem ser água, sumos do dia ou refrigerantes. Para sobremesa, há uma bola de gelado, gelatina ou fruta. Estas ofertas são transversais — seja no restaurante do hotel de cinco estrelas, seja no de bairro. Opções essas que, na maior parte das vezes, são “pouco saudáveis”, alertam os nutricionistas.

“As escolhas dos menus infantis pouco saudáveis não se reduzem à quantidade de gordura, sal e açúcar, o grande problema é que não se incentiva à presença de frutas e hortícolas” nos pratos, alerta Pedro Graça, nutricionista, professor e director da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP).

Para Cláudia Viegas, nutricionista e docente na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), “o ambiente e oferta da restauração apenas reflecte os hábitos alimentares de casa”, pois, de acordo com os dados do último Inquérito Nacional de Alimentação e Actividade Física, os adultos não consomem frutas, hortícolas e legumes suficientes. Este é “um problema social”, alerta.

Então, por que oferecem os restaurantes estes menus? Porque os adultos que acompanham as crianças as deixam consumir esses produtos, e os restaurantes querem manter os seus clientes satisfeitos, responde Pedro Graça.​ Um exemplo concreto é o do restaurante Yours Bistrô, no Porto, que tinha um menu infantil composto por um mini-hambúrguer e por filetes de peixe feitos à mão, com batatas fritas ou arroz. Miguel Matos, gerente do restaurante, lamenta que as crianças prefiram douradinhos congelados, do supermercado, do que os caseiros, mais saudáveis. Por isso, o menu infantil desapareceu do cardápio, “não faz sentido existir e os miúdos só quererem congelados”, justifica.

Cláudia Viegas refere que a “palatabilidade” dos produtos — o que os torna agradáveis ao paladar —, fomenta o seu consumo. O crescimento do “sistema das refeições rápidas e já prontas” incentiva também o uso dos mesmos ingredientes na confecção; e o açúcar, sal e gordura são sabores “que conhecemos bem, e se associam ao sabor agradável e ao prazer”.

Usar as cores dos alimentos

Apesar disso, Pedro Graça defende que os restaurantes, se querem ter menus infantis, devem criá-los com critérios saudáveis e o apoio de nutricionistas. Por exemplo “pratos sazonais, para dar a conhecer os produtos de cada época, usando mais as cores dos alimentos como atracção, invés do açúcar, e incentivar o consumo de água e fruta” defende. Saber o valor nutricional dos produtos só seria interessante “se os pais conseguissem decifrar”.

Como incentivar as crianças a comerem coisas diferentes? “Antes de tudo, dando os adultos, o exemplo”, começa por dizer a professora da ESHTE. Se os alimentos aparecem à mesa, no dia-a-dia, aumenta a probabilidade das crianças adquirirem hábitos alimentares mais saudáveis. Insistir “com persistência, mas sem forçar”, dedicando tempo ao momento da refeição e fazendo dela “uma prioridade”. Por isso, incluir as crianças nas compras do supermercado e na preparação da refeição é uma forma de conhecerem melhor os alimentos que ingerem e, também, de passarem um bom tempo em família.

Mais do que a carne, os hortícolas são importantes, outra forma de incentivo que poderá ser utilizada é um maior conhecimento na confecção dos legumes, pois o mais comum é aprender a confeccionar pratos de carne e de peixe. “Os nomes dos pratos focam-se neste aspecto: ‘carne com…, peixe com…, bacalhau com …’. Socialmente não damos importância aos hortícolas, logo não desenvolvemos as técnicas apropriadas de preparação e confecção”, constata Cláudia Viegas.

Ambiente divertido

Sobre os menus desenhados para as crianças, a nutricionista considera que as doses servidas aos mais pequenos são “enormes”, e variam muito pouco — hambúrgueres, salsichas, nuggets, douradinhos, acompanhados de arroz e de batata frita, sem hortícolas e com inúmeras bebidas açucaradas à disposição, já “nem falando da sobremesa”, sublinha. Portanto, o ideal é que todos comam de forma saudável. À partida, em casa, não há pratos diferentes para adultos e crianças e, no restaurante, os miúdos “querem imitar os pais, logo um prato para pais e outro para os filhos não faz sentido”, considera Pedro Graça.

Além dos menus, os restaurantes procuram atrair as crianças através de espaços de diversão, no interior ou no exterior, com escorregas, jogos tradicionais ou individuais para colorir enquanto estão sentados à mesa. “Acho que quando os restaurantes oferecem muitos brinquedos não é bom sinal, pois estão mais preocupados em atrair as crianças através dos brinquedos do que pela comida que oferecem”, avalia o docente.

Já Cláudia Viegas considera que os espaços de diversão são “interessantes” para as crianças se divertirem enquanto os pais terminam a refeição, devido à sua dificuldade em permanecerem na mesa durante muito tempo. Contudo, esse deve ser gerido pelos adultos de forma a educar o estar à mesa”, conclui. Além do que é oferecido pelo restaurante, é comum ver as crianças agarradas aos tablets e telemóveis, perdendo-se assim o factor social em detrimento das novas tecnologias, lamentam os especialistas.

Consumo excessivo

De acordo com a Direcção-Geral de Saúde (DGS), o consumo máximo de gordura não deve exceder os 30% do valor energético diário, senão as crianças poderão sofrer de doenças cardiovasculares e circulatórias. O consumo excessivo de sal leva a “um risco alimentar evitável que mais contribui para a perda de anos de vida saudável”, revela a DGS. Já o açúcar pode levar ao aparecimento de diabetes.

A preocupação com a saúde alimentar dos portugueses tem sido tema de debate nestes últimos anos, tendo a DGS tomado várias medidas de combate ao problema. Em 2016 cerca de 30,7% das crianças sofriam de excesso de peso, e 11,7% de obesidade. No ano seguinte, foi criado o imposto especial de consumo sobre as bebidas adicionadas de açúcar e outros edulcorantes – incluído no Imposto sobre o Álcool e Bebidas Alcoólicas (IABA). Essa medida levou a indústria a alterar a composição dos produtos. Em 2017, as bebidas com elevado teor de açúcar passaram de 62% para 38% do mercado, diz o site oficial do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

No ano passado, além do imposto foi também feito um acordo com as indústrias para reduzir as quantidades de sal e açúcar nos produtos. Em 2020, a DGS espera “modificar a oferta alimentar em diversos espaços públicos, nomeadamente em todos os níveis de ensino e nas instituições do SNS”, pode-se ler no documento “Alimentação Saudável: Desafios e Estratégias 2018, elaborado pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.

Texto editado por Bárbara Wong

Diabetes. Cada vez mais crianças com excesso de peso e em situação de pré-diabetes

Novembro 27, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da RTP de 14 de novembro de 2019.

Todos os dias são diagnosticados com diabetes em Portugal cerca de 200 pessoas. Novos casos, que colocam o país no lugar mais elevado da União Europeia, em relação à taxa de prevalência da doença.

Neste Dia Mundial da Diabetes, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica recorda a importância dos rastreios. A APIFARMA revela que 80% dos casos de Diabetes são diagnosticados sem qualquer suspeita clínica prévia.

Também entre os mais novos, a situação é preocupante. Há cada vez mais crianças portuguesas com excesso de peso, obesidade e alguma resistência à insulina – em situação de pré diabetes. É o que adianta à Antena 1 a nutricionista pediátrica Mónica Pitta Grós Dias.

Esta nutricionista do centro da criança e do adolescente do hospital CUF Descobertas, também médica do hospital Dona Estefânia, defende uma alimentação com mais frutas, os legumes e as leguminosas.

Em Portugal, menos de metade das crianças come as 4 porções de legumes, diárias, que são recomendadas, por uma mudança no padrão de vida.

É preciso explicar às crianças o que faz cada alimento, de onde vem, trazê-las para a cozinha, envolvê-las no processo de preparar a refeição e, sobretudo, dar o exemplo, recorda Mónica Pitta Grós Dias.

O ambiente das refeições deve ser tranquilo, sem écrans à frente, com conversa à mesa e água a acompanhar.

Bebé vegan morre nos EUA: negligência ou culpa da dieta?

Novembro 25, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de novembro de 2019.

Uma dieta vegan, à base de frutas cruas, foi apontada como a causa de morte de um bebé de 18 meses, ainda que haja estudos que indicam que é possível crescer e ser saudável sem ingerir quaisquer produtos de origem animal.

No caso específico de bebés e crianças pequenas, o pediatra Mário Cordeiro sublinha que “nada disto [de se decidir ser vegan ou ovo-lacto-vegetariano] é errado se for feito com cabeça”. Para o especialista — que publicou recentemente mais um livro de poesia, com o título Fernando Pessoa não tinha cão — o ideal passa por “consultar o médico” e seguir, passo a passo, e mediante as necessidades de cada idade, a orientação nutricional.

“É perfeitamente possível crescer de forma saudável tendo uma dieta vegan ou vegetariana como base”, considera o profissional de saúde, acrescentando que, porém, é “importante complementar a mesma dieta com vitaminas e minerais” adequados a cada fase do crescimento.

Uma dieta vegan precisa de suplementos

Já os especialistas em nutrição deixam o alerta: para se seguir uma dieta vegan, independentemente da idade, “é preciso ter muita cautela, conjugar os alimentos com muito conhecimento, para ter a certeza de que não

há défice nutricional”, dizia a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, ao PÚBLICO, no âmbito do 4.º Simpósio Nacional da Grávida, que decorreu, em Setembro, em Vilamoura.

A bastonária sugeria ainda que se fizesse um suplemento de B12, que os produtos de origem vegetal não têm, mas também a ter em atenção o consumo de nutrientes como “o cálcio, o ferro, o zinco e as proteínas que se encontram mais nos alimentos de origem animal”.

Também o nutricionista Pedro Carvalho, num artigo publicado em Maio de 2018, advertia que “uma alimentação sem carne, pescado, lacticínios e ovos (…) implica necessariamente alguns ajustes quer em alimentos quer em suplementos de modo a que o aporte de proteína de boa qualidade, ferro, vitamina B12, cálcio, vitamina D, ómega 3 e iodo não fique comprometido”.

Pais acusados de homicídio por negligência

Uma chamada para as emergências, no dia 27 de Setembro, deu conta de um bebé de 18 meses frio e sem respirar, na sua casa em Cape Coral, no estado norte-americano da Florida. A autora do telefonema era a mãe, de 35 anos, que, já depois de ter sido declarado o óbito da criança, contou às autoridades que o filho não ingeria sólidos há uma semana, estando a ser amamentado — facto que a progenitora terá associado ao mal-estar com a dentição.

Mas o que os socorristas encontraram foi um bebé que apresentava sinais severos de subnutrição: a criança pesava apenas sete quilos, o que corresponde ao peso médio de um bebé entre os cinco e os seis meses, no percentil 50. A mãe explicou que, sendo vegan, a dieta da família, marido e quatro filhos incluídos, era à base de alimentos crus, nomeadamente frutas como manga, rambutão, banana e abacate.

Além do bebé, já sem vida, as autoridades identificaram ainda que as outras crianças também tinham problemas de nutrição, sobretudo as mais novas, de 3 e 5 anos, que são filhas biológicas do casal: peso muito abaixo do normal para a idade, dentes escurecidos e tez amarelada. A terceira, mais velha e filha apenas da mãe, apresentava sinais menos preocupantes, facto que os médicos associaram às visitas da menor a casa do pai biológico, de dois em dois meses.

Ambos os progenitores entregaram-se à polícia pouco tempo depois de ser conhecido o relatório da autópsia que determinou que o menino morreu de subnutrição, informou o jornal local News-Press. Os dois ficaram detidos, com julgamento marcado para 9 de Dezembro.

O caso não é inédito: este ano, um casal foi julgado na Austrália por manter a sua bebé de 19 meses num estado de subnutrição severa (pesava cinco quilos), tendo sido absolvido. Em 2011, um casal vegan foi julgado, em França, pela morte da filha de 11 meses, alegadamente causada pelo regime alimentar que exclui todos os produtos de origem animal — os pais foram condenados a cinco anos, mas acabaram por escapar à prisão, com pena suspensa.

2ª Conferência Estrelas & Ouriços “Como comem hoje as crianças portuguesas”, 26 novembro em Cascais

Novembro 23, 2019 às 6:33 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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