Sarampo: 16% das crianças não são vacinadas na idade recomendada

Maio 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 0 de maio de 2018.

Aos 13 meses, 15% das crianças não estavam protegidas contra a meningite meningocócica, o que denota a persistência de um atraso na vacinação que devia ser feita aos 12 meses de idade.

Margarida David Cardoso

Em 2017, ano em que o país registou dois surtos de sarampo, 16% das crianças com 13 meses não estavam vacinadas, como recomendado, contra a doença. E 15% das crianças com a mesma idade não estavam protegidas contra a meningite meningocócica, o que denota a persistência de um atraso na vacinação que devia ser feita aos 12 meses de idade. Estes dados revelam, contudo, uma melhoria em relação a 2016, constata a Direcção-Geral da Saúde (DGS) no Boletim do Programa Nacional de Vacinação, que divulga nesta quarta-feira.

Estes dados referem-se a um ano em que houve dois surtos de sarampo, num total de 27 infectados confirmados pela DGS, sendo que um deles, uma adolescente de 2017, acabou por morrer com uma pneumonia bilateral. Já este ano, um novo surto infectou 111 pessoas (que estão todas curadas). Estas ocorrências levam a DGS a concluir que “é necessário um maior investimento no cumprimento do Programa Nacional de Vacinação (PNV)”, de forma a não perder oportunidades de vacinação e comunicar a importância desta ser feita na idade recomendada, especialmente até aos 12 meses.

Para a DGS este atraso não é novidade. Mas não significa que as crianças não venham a ser vacinadas. De facto, aos dois anos, já 98% das crianças tinham, no ano passado, a primeira dose da vacina do sarampo (coorte de 2015). Também a cobertura vacinal da segunda dose, que deve ser tomada aos cinco anos, variou entre 96% e 98% nos menores de idade.

Ainda assim, no ano passado, este atraso não se verificou na vacinação recomendada aos dois meses, sendo que cerca de 95% das crianças com três meses tinham o esquema recomendado.

Os recentes surtos levaram a DGS a convocar pessoas com esquemas em atra­so – desde 2017 foram vacinadas assim mais de 60 mil pessoas – e a reafirmar a necessidade de o continuar a fazer, especialmente em áreas geográfi­cas com menor cobertura vacinal. A DGS conclui que estas campanhas de repescagem surtiram “bons resultados nos menores de 18 anos”, fazendo com que as coberturas da vacinação contra o sarampo sejam “mais elevadas do que as verificadas no ano anterior”. Estão, por isso, “cumpridos os objectivos nacionais e internacionais do programa de eliminação” da doença.

Reforço do trabalho em rede

Os restantes resultados da apli­cação do PNV são “excelentes”, diz a DGS. O boletim destaca o facto de cerca de 75% de grávidas terem sido vacinadas contra  tosse convulsa, no primeiro ano que a vacina integra o PNV. E de ter sido atingido o objectivo de 95% de vacinação para todas as vacinas avaliadas até aos sete anos de idade.

Quando à vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), associado ao cancro do colo do útero, a DGS olhou para os grupos que iniciaram a vacinação entre 2013 e 2016, quando a idade recomendada era aos 13 anos (até Setembro de 2014) ou aos 10-13 anos de idade (a partir de Outubro de 2014). Essa análise demonstra uma cobertura va­cinal superior a 85% para a primeira dose e quase sempre acima da meta dos 85% para a segunda dose.

A DGS termina este documento, a primeira edição de uma publicação anual que substitui o Boletim Vacinação, afirmando que “para que os profissionais saibam responder às questões de complexidade crescente dos cidadãos, deve ser reforçado o investimento na formação contínua dos profissionais que operacionalizam o PNV aos vários níveis e no trabalho em rede, entre as equipas locais, regionais e nacional da vacinação”.

 

 

 

Crianças vacinadas contra a gripe para proteger adultos

Maio 15, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 1 de maio de 2018.

A gripe chega todos os anos e o problema é sempre o mesmo: quem mais sofre com a doença é quem menos se vacina: grávidas, doentes crónicos e idosos. Para mudar o diagnóstico, peritos internacionais estão a seguir outra estratégia. Vacinam as crianças, os transmissores do vírus, para que os adultos não adoeçam.

Na dianteira da imunização infantil para travar as epidemias de gripe está o modelo que tem sido uma referência para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), a prestação assistencial no Reino Unido. Todas as crianças britânicas dos dois aos oito anos são protegidas. As doses contra a gripe são dadas anualmente nos cuidados primários e nas escolas, sem injeção. Para facilitar a adesão, a administração é intranasal, feita com um spray. As primeiras vacinas foram administradas num projeto piloto entre 2012 e 2013 e os resultados obtidos levaram os responsáveis a avançar para um programa universal. Isto é, nenhuma criança fica de fora. A estratégia permitiu reduzir em 59% as consultas com o médico de família, 21% os episódios de urgência por crises respiratórias, 34% as hospitalizações e 46% os internamentos em cuidados intensivos na população adulta só em 2015.

“Os doentes crónicos têm 11 vezes mais probabilidade de morrer devido a complicações de gripe do que a população saudável e mesmo assim não se vacinam. Temos taxas de cobertura reduzidas — abaixo dos 60% na população doente e pouco mais de 70% acima dos 65 anos — e decidimos atuar entre quem propaga a doença, as crianças”, explica um dos mentores e responsáveis pelo programa, David Salisbury. Os resultados também já inspiraram outros países, caso da Finlândia, EUA ou alguns zonas de Itália.

Em Portugal, a estratégia tem sido debatida, até porque a cobertura vacinal contra a gripe nos grupos de risco é próxima da do Reino Unido. No segmento de maior sucesso, entre os idosos, a taxa não vai muito além dos 65%. No geral, os peritos portugueses têm uma opinião positiva sobre a imunização das crianças para proteção dos adultos, embora defendam a máxima prudência na transposição do modelo britânico, desde logo na imunização de todas as crianças.

O SNS há muito que faz imunização infantil contra a gripe, contudo apenas em casos particulares, como quadros graves de diabetes ou asma, por exemplo. “A ideia de fazer uma vacinação indireta existe há muito anos mas implica mudar mentalidades, e em Portugal houve algum receio em avançar”, explica Maria João Brito, antiga infecciologista da Sociedade Portuguesa de Pediatria e responsável pela Unidade de Infecciologia Pediátrica do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.

A especialista acredita, ainda assim, que o momento de mudar está próximo: “Temos experiências, como a vacinação de grávidas contra a tosse convulsa nos recém-nascidos, de que a população está aberta ao modelo, embora o nosso seja muito bom.” E é em nome desse sucesso que o Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos defende que o atual programa “deva manter-se como prática até que estudos sólidos mostrem que se pode obter igual resultado com um plano mais simples e eficaz”, diz o presidente, Jorge Amil Dias.

O pediatra Mário Cordeiro defende também um avanço cauteloso. “Não podemos dizer que se aplicaria da mesma forma, mas todas as hipóteses de incrementar a vacinação têm de ser consideradas porque são o método mais eficiente e eficaz de prevenção em saúde pública. David Salisbury é uma das maiores autoridades mundiais em vacinas — apoiou-nos nos anos 90 quando parecia insolúvel a epidemia de papeira — e o Reino Unido foi sempre líder na vacinação.”

Por esclarecer, há vários aspetos. Ana Paula Rodrigues, do Departamento de Epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge, esclarece que “tem sido debatido o efeito das sucessivas exposições aos vírus, por infeção ou vacinação, a que cada indivíduo é sujeito ao longo da vida na sua capacidade de resposta”.

E há a dúvida dos pais sobre o número limite de vacinas. Não há, garante Filipe Froes, da Comissão Técnica Nacional de Vacinação. “As crianças beneficiam da estimulação antigénica para o desenvolvimento e maturação do sistema imunitário e as vacinas são um dos maiores avanços civilizacionais. O que provoca efeitos adversos, sequelas permanentes e, nalguns casos, a morte são as doenças prevenidas por vacinação.”

A diretora-geral da Saúde não se compromete, para já. “Todos os anos avaliamos a questão das crianças mas ainda temos dúvidas sobre os efeitos colaterais ou o ecossistema do vírus. Mas não quer dizer que não venhamos a avançar”, admite Graça Freitas.

 

Vacinas na gravidez: rubéola

Abril 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A propósito desde meu artigo sobre a Rubéola uma mãe questionou-me relativamente ao seu caso em particular, pois descobriu que não estava imune à rubéola e estava grávida. Para saberem mais sobre esta patologia podem ler o artigo. A questão é? Deve ou não a grávida ser vacinada? Embora existam várias maneiras de pensar e também porque cada caso é um caso gostava na mesma de esclarecer sobre esta temática explicando alguns conceitos.

Imunidade

Primeiro de tudo convém entendermos o que é a imunidade e que influência tem na nossa gravidez.

Tipos de vacinas

Alguns exemplos de tipos de vacinas pois elas não são todas iguais nem na sua forma de actuação nem na composição.

Vacinas atenuadas
O Microrganismo (bactéria ou vírus vivos), obtido a partir de um indivíduo ou animal infectado, é atenuado por passagens sucessivas em meios de cultura ou culturas celulares, diminuindo assim o seu poder infeccioso. Como exemplo deste tipo de vacina existe a vacina contra rubéola, BCG, varicela, etc.

 

Vacinas inativadas
Os microrganismos são mortos por agentes químicos ou físicos. A grande vantagem das vacinas inativadas é a total ausência de poder infeccioso do agente, mantendo as suas características imunológicas. Ou seja, estas vacinas não provocam a doença, mas têm a capacidade de induzir proteção (estimular produção de anticorpos) contra essa mesma doença.

Estas vacinas têm como desvantagem induzir uma resposta imunitária subóptima, o que por vezes requer a necessidade de administrar várias doses de reforço.

Alguns exemplos das inativadas são hepatite A, hepatite B, influenza e HPV.

Vacinas conjugadas

As vacinas conjugadas são produzidas para combater diferentes tipos de doenças causadas por bactérias chamadas encapsuladas (que possuem capa protetora composta por polissacarídeos, substâncias parecidas com açúcares).
Exemplo: vacina pneumocócica 23 (protege contra 23 tipos de pneumonia).

Vacinas na gravidez

Muito se tem falado sobre as vacinas na gravidez. As vacinas são diferentes entre si nas suas composições e origens como vimos atrás.
Na gravidez, como a vacinação pode afetar o bebé o risco tem que ser muito bem medido. Pois também há risco da mãe contrair a doença e aí ainda será mais prejudicial para o bebé. Para isso deverá falar com o seu médico e saber qual a opinião dele neste caso.

CASO DA RUBÉOLA

• A vacina contra rubéola é composta de vírus vivo atenuado, e portanto, é contra-indicada na gravidez.
• Toda a mulher em idade fértil deve realizar uma colheita de sangue para saber o seu estado imunológico contra rubéola. Naquelas com resultado negativo (IgG negativo), deve-se aplicar a vacina e depois aí aguardar uns meses para ter a certeza que fica imunizada.
• Uma única dose da vacina contra rubéola é eficaz para criar imunização permanente em mais de 95% dos casos.
• A presença do vírus causador da rubéola na mulher que pretende engravidar ou grávida aumenta o risco de ocorrer um aborto espontâneo ou causar alterações ao feto.
• Não há problemas em receber a vacina durante a amamentação. Também não há problema em ser revacinada.

O QUE REPRESENTAM AS IGG E AS IGM?

IgG (Imunoglobulina G) e IgM (Imunoglobulina M) são anticorpos que o organismo produz quando entra em contato com algum tipo de micro-organismo invasor.
A diferença entre eles é que o IgM é produzido na fase aguda da infecção, enquanto que o IgG, que também surge na fase aguda, é mais específico e serve para proteger a pessoa de futuras infecções, permanecendo por toda a vida.
Quando pesquisamos IgG e IgM temos o objectivo de detectar o estágio de diversas doenças, entre elas a toxoplasmose, rubéola e a infecção pelo citomegalovírus:

• IgG negativo (não reagente) e IgM negativo (não reagente): nunca entrou em contato com o patógeno (nunca teve a doença ou nunca tomou vacina) e está susceptível a ter a doença, ou seja, se estiver em contacto com o microorganismo poderá ficar doente.

• IgG negativo e IgM positivo: infecção aguda (dias, semanas), ou seja, esteve em contacto com a doença há pouco tempo e ainda está a reagir.

• IgG positivo (reagente) e IgM positivo (reagente): infecção recente (semanas ou meses), ou seja, esteve há poucas semanas em contacto com a doença e já está a criar defesas.

• IgG positivo e IgM negativo: infecção antiga (meses ou anos) ou sucesso da vacina, ou seja, o seu corpo quando estiver em contacto de novo com a doença tem agentes que reconhecem e que a vão eliminar rapidamente.

Concluindo, o exame sorológico da rubéola é feito durante a gravidez e tem com objectivo detectar a presença de anticorpos contra a rubéola na corrente sanguínea (anticorpos IgG e IgM). A presença de anticorpos pode revelar se a mulher é imune ou entrou em contato com o vírus da rubéola recentemente. Para assim fazer um despiste e actuar em conformidade com os resultados obtidos.

 

Fonte: http://uptokids.pt

Surto de sarampo : sinal dos tempos e barómetro de uma sociedade – Mário Cordeiro

Março 27, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no site da https://ffms.pt/

É lamentável que, passados estes anos todos em que já foi possível avaliar os efeitos (individuais e coletivos) das vacinas, tenhamos ainda que estar a convencer os pais de que este é um passo necessário.

Infelizmente ainda o é – foi há cerca de um ano e agora novamente: um surto de sarampo num país que estava oficialmente livre de sarampo. Um país que era um exemplo para a Europa e para o mundo!

A sociedade da opulência e da abundância (sim, abundância, sobretudo comparando com mais de metade do planeta) é muito inculta relativamente à Ciência e acredita no que o “grande guru” Facebook ou o senhor doutor Google lhe dizem.

Muitos profissionais têm, de igual modo, contribuído para uma falsa segurança e como a memória nem sequer é curta, é curtíssima (em relação a tudo, porque a noção de História se está a perder), já poucos se lembram do que são sarampo, poliomielite, varíola, difteria, meningites. Assim, muitas pessoas consideram que estamos “imunes” a doenças apenas porque somos “civilizados”… nada de mais errado. Há que, constantemente, relembrar que a luta contra os microrganismos não está ganha: qualquer distração levará a que eles vençam. Não desejo isso para os meus filhos, para os meus netos e para as gerações futuras. Faço uso dos dados científicos, e não de “diz-que-disse”.

Alguns pais são “contra as vacinas”. A decisão última de vacinar os filhos é deles, claro, mas é preciso desfazer os equívocos, e pergunto, se não vacinarem e a criança adoecer, como é que eles se vão sentir?… Para lá de que a criança não é propriedade dos pais. Eles são apenas gestores do seu percurso de vida, e devem ser bons gestores, no melhor interesse dos filhos.

Cada um tem o direito de escolher o que quer fazer, mas convém não esquecer que essa autonomia e esse direito implicam responsabilidade. O que acontecer à criança deverá ser, pelo menos moralmente, atribuível aos pais. Para os que são “contra” as vacinas, pois tenham a coragem de ir a África, por exemplo, e pergunte-se-lhes se não desejariam ter uma vacina que salvasse os filhos de morrer por sarampo. Choca-me a ignorância da sociedade da abundância em que se pensa que o que vem nas redes sociais é mais importante do que os dados e a realidade científica.

Como em todos os procedimentos médicos, poderão existir meia dúzia de casos em que vacinar não é recomendável, mas não são duas ou três exceções que não fazem lei. Nós, cientistas, temos de descartar as mentiras, falsidades, inverdades e ideias feitas que estão erradas. Infelizmente, a moda de “não vacinar” é própria de uma sociedade afluente e rica, sobranceira e jactante, que se esqueceu dos tempos em que se morria de meningite, poliomielite, tosse convulsa, difteria ou sarampo, entre tantas outras doenças, e nada tem a ver com as escassas reais contraindicações à vacinação. O que mata são as doenças. As vacinas salvam vidas!

O método sinistro do mundo das “fake news”, associado à amplificação pelas redes sociais, acríticas e acéfalas leva a que se propaguem mentiras, como foi relacionar-se a vacina do sarampo com o autismo. Neste caso concreto, foi um médico que publicou um estudo, que veio a revelar-se falso, em que sugeria essa associação. Foi mais do que demonstrado que não era verdade, mas a ideia ficou (como as notícias de primeira página que são desmentidas depois num pequeno quadradinho numa página interior) e pouco se falou que o referido médico foi irradiado e expulso, o mesmo acontecendo com um outro médico nos EUA – que mais tarde se suicidou. Nesse aspeto, acho que os meios de comunicação alinham, muitas vezes, nesse “erro histórico”, com consequências gravíssimas para a saúde das pessoas. Repito: as vacinas salvam, as doenças matam!

Portugal é um caso de sucesso, desde que a então diretora-geral da Saúde, drª Maria Luísa Van Zeller, iniciou o PNV. Somos um exemplo para o mundo. Perder isto seria como ter Cristiano Ronaldo e nunca o deixar jogar, com a “pequena” diferença que, se não vacinarmos, milhares de pessoas morrerão. Sim, milhares. Não é força de expressão.

Outro argumento, frequentemente usado, é que as multinacionais “inventam” doenças para “impingirem” vacinas. Se é verdade que as multinacionais e firmas farmacêuticas querem ter lucros (isso acontece com qualquer negócio numa economia de mercado) e se também é verdade que os Estados e a UE têm de ter uma palavra a dizer sobre os preços (e já têm, quando num concurso público internacional os preços caem para cerca de um terço do preço de venda ao público), a ideia de que há uma conspiração e que as vacinas são desnecessárias é absurda, obscurantista e totalmente idiota…. Com efeitos muito graves na vida das pessoas. Quando morreu um terço da população da Europa por peste negra ou sífilis, no Renascimento, não creio terem sido as multinacionais as culpadas. Aliás, quem morreu muito agradeceria ter tido uma vacina que lhes salvasse a vida!

As taxas de vacinação em Portugal continuam razoavelmente elevadas, porque felizmente a maioria dos pais não vai em “cantos de sereia” e não acredita em balelas, mas este surto mostra como estamos a abrir brechas. Há um par de anos houve dois casos de estrangeiros com sarampo e não houve um único português… porque a população estava imunizada e havia a imunidade de grupo, a qual se consegue com uma taxa de cobertura superior a 95% – agora, não foi o caso. Se não defendermos ativamente as vacinas como o bem precioso e a maior conquista civilizacional em termos de saúde, poderemos correr sérios riscos, sim, porque a memória das doenças ficará esfumada. Há razões para ter essa preocupação.

Ainda por cima, existe uma “geração” que já não contraiu a doença “selvagem”, só fez uma dose de vacina – a qual, nos anos 70, também era diferente e menos imunogénica – e está em maior risco de não ter anticorpos para a doença e de, por exemplo, não passar esses anticorpos (porque não os tem) aos filhos durante a gravidez, deixando os bebés expostos desde que nascem – estou a falar da geração entre os 35 e os 45 anos, mais ou menos.

Um país que fica em transe (e bem) por causa dos incêndios, não perceberá que estamos perante um novo “incêndio” que pode provocar até mais vítimas? A última epidemia, há cerca de 25 anos, causou mais de 50 mortes! Está nas nossas mãos defendermos as vacinas e a sua utilidade e bom nome. As vacinas salvam vidas, as doenças matam essas vidas. Para mim, como pai, cidadão, cientista e humanista, faz toda a diferença! Mário Cordeiro é autor do ensaio ‘Crianças e Famílias num Portugal em Mudança’ e, mais recentemente, de ‘A Verdade e a Mentira das Vacinas’ (editora Desassossego, 2017). Escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Sarampo – Informações da Direção-Geral da Saúde

Março 21, 2018 às 2:09 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações:

Sarampo Perguntas e Respostas

Sarampo Materiais de Divulgação

 

Pais com pena suspensa por não vacinarem filho em França

Abril 23, 2017 às 6:14 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2017.

Vários Estados-membros da OMS pedem o boletim de vacinas nas matrículas escolares Enric Vives-Rubio

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam.

Joana Gorjão Henriques

Acreditavam que as vacinas faziam pior do que as doenças e não vacinaram o filho contra o pólio, o tétano e a difteria. O caso aconteceu em França e foi a tribunal: em 2016, a sentença ditou aos pais uma pena suspensa de dois meses de prisão.

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam, de acordo com um relatório da revista científica Eurosurveillance. Neste documento diz-se que os programas de vacinação voluntária na Europa são tão eficazes quanto os obrigatórios. As consequências legais da não-vacinação variam. Podem traduzir-se em multas, dificuldade de inscrição de crianças em escolas públicas ou processos em tribunal, adianta o estudo. Segundo disse ao PÚBLICO, European Centre for Disease Prevention and Control (ECDPC) está a fazer uma actualização da informação sobre quantos países têm programas de vacinação obrigatória.

Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação para que a vacina contra o sarampo seja obrigatória, diz o seu gabinete de imprensa do PÚBLICO, mas de acordo com informação recolhida em 2015, 12 dos 53 Estados-membros pediam o boletim de vacinas nas matrículas escolares. Porém, a OMS não sabe quantos destes países, que incluem a Letónia, França, Bielorrússia, Chipre ou Grécia, o tornavam obrigatório e quantas crianças não-vacinadas ficam mesmo impedidas de ir à escola.

O relatório da Eurosurveillance referia que, em 27 países da União Europeia (mais a Noruega e a Islândia), 14 tinham pelo menos uma vacina obrigatória: contra o pólio era obrigatória em 12 países, contra a difteria e tétano em 11 e contra a Hepatite B em 10. De acordo com o mesmo documento, a vacinação obrigatória não se tinha provado ser mais eficaz do que outros programas voluntários.

Notícia do Le Monde sobre o caso em França:

Refus de vaccination : un couple condamné à 2 mois de prison avec sursis

O relatório da Eurosurveillance é o seguinte:

Mandatory and recommended vaccination in the EU, Iceland and Norway: results of the VENICE 2010 survey on the ways of implementing national vaccination programmes

 

 

 

“Nenhuma creche devia permitir a entrada de crianças sem boletim de vacinação em dia”

Abril 22, 2017 às 5:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Manuel do Carmo Gomes no dia 20 de abril de 2017.

“Deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação”, defende Manuel Carmo Gomes. DR

Após uns dias de surpresa com o ressurgimento de uma doença que tínhamos eliminado, os serviços de saúde serãocapazes de reagir atempadamente e adaptar-se, acredita Manuel Carmo Gomes

Alexandra Campos

“Deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação”, defende Manuel Carmo Gomes, membro da Comissão Técnica de Vacinação da Direcção-Geral da Saúde e professor de Epidemiologia de Doenças Transmissíveis na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Tendo em conta o número de casos notificados em Portugal, há razões para alarme?

Não há razões para alarme. Portugal realiza Inquéritos Serológicos Nacionais que nos dão uma ideia do grau de protecção da população. Estimamos que cerca de 94% (com um erro possível de 1,5% para baixo e para cima) da população com mais de dois anos de idade tenha anticorpos capazes de conferir protecção. O problema é que os 6% não protegidos podem formar bolsas de susceptíveis. Em resumo, a esmagadora maioria da população tem protecção. Os que têm mais de 40 anos estão protegidos porque tiveram a doença em pequeninos, os mais novos estão protegidos por vacinação. Entre os 6% não protegidos há pessoas com estados de saúde que os impediram de ser vacinados e (não incluídos nos 6%) há ainda os bebés com menos de 12 meses que estão em risco. No seu conjunto, estas pessoas são uma razão para a nossa preocupação.

Há especialistas que consideram que faria sentido antecipar a vacinação dos bebés e revacinar os nascidos após 1974 e até 1990 porque receberam apenas uma dose de vacina. Pensa que isto faria sentido?

A antecipação da vacinação para antes dos 12 meses de idade é sempre uma medida de excepção só recomendável em situação de surto. A vacinação de rotina começou em 1974 com uma única dose aos 15 meses. Em 1990 foi introduzida a segunda dose para crianças entre 11 e 13 anos. Em princípio, as pessoas que receberam a vacina aos 15 meses de idade (ou mais tarde) não necessitam de revacinação. Admito contudo que pessoas sujeitas a contactar repetidamente com doentes sejam revacinadas, porque a dose de contaminante recebida também é importante.

Os profissionais de saúde podem não estar preparados para lidar com esta doença por fazerem parte de uma geração que já não conviveu com a patologia? As autoridades de saúde deveriam ter tomado outro tipo de medidas quando foi conhecido o primeiro caso?

É verdade que a maioria dos jovens profissionais de saúde nunca viram sarampo, porque graças à adesão da nossa população à vacinação não tínhamos casos há quase 20 anos. É verdade também que o sarampo é uma doença de diagnóstico relativamente fácil e muito bem descrita na literatura. A sua contagiosidade é famosa. A doença é conhecida e é reconhecível, os serviços irão adaptar-se. O que mais deploro que não se tenha já feito é a discussão sobre a obrigatoriedade da vacinação para algumas doenças em que incluo o sarampo. Para se implementar a obrigatoriedade de usar cinto de segurança e cadeirinhas nos carros para os mais pequenos foi tudo muito mais rápido – não compreendo porquê. Portugal está no top-10 mundial em termos de saúde materno-infantil e de eliminação de doenças infecciosas. Mas como estas doenças não foram erradicadas à escala global e as nossas fronteiras estão abertas, deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação. Na minha opinião nenhuma creche devia permitir a entrada de crianças sem o boletim de vacinação em dia e, no ensino obrigatório, os pais de crianças sem o boletim de vacinas em dia devem ser avisados e deve ser-lhes dado um prazo curto para vacinar os filhos. Se não o fizerem, devem ser-lhes cortados os subsidios oriundos de dinheiros públicos e devem pagar uma coima superior às que nos impõem por não usar cinto de segurança nos carros ou por viajar em contra-mão.

 

 

 

 

Sarampo – Informações à Comunidade Educativa. Orientação DGS

Abril 20, 2017 às 3:26 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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descarregar a orientação Orientação nº006/2017 de 19/04/2017

https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n0062017-de-19042017-.aspx

 

Mitos e verdades sobre as vacinas

Abril 20, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://observador.pt/ de 19 de abril de 2017.

Rita Porto

As vacinas podem ser dadas fora das idades indicadas no plano?

Pergunta 1 de 10

“Uma criança que não seja vacinada na idade indicativa, deve ser vacinada logo que possível”, refere Jorge Atouguia, especialista em Doenças Infecciosas, ao Observador. “A única dúvida que fica é se terá a mesma eficácia do que no período indicado”.

Carlos Alves, infecciologista no hospital São João no Porto, é da mesma opinião: “As crianças podem sempre ser vacinadas”, explica o especialista, acrescentando que os pais devem ir ao centro de saúde para ter “o esquema vacinal adaptado à criança”. “Quem não está protegido deve rapidamente fazê-lo”.

Há, contudo, situações específicas e excecionais em que as vacinas podem ser administradas fora das datas indicadas. Por exemplo, se uma pessoa for para uma zona de risco e precisar de receber a vacina da hepatite B, “em vez de se fazer o que está prescrito numa vacinação normal, pode-se aumentar a dose e encurtar o período entre as várias doses”, refere Jorge Atouguia.

“São situações excecionais e que estão contempladas ao nível da saúde pública internacional”, acrescenta o especialista.

Carlos Alves dá o exemplo de crianças que não nasceram nem cresceram em Portugal, logo é provável que não tenham as vacinas obrigatórias. “Para as crianças que venham de fora e não têm as vacinas recomendadas, adapta-se o esquema de vacinação. O mesmo se faz para as crianças que tiveram uma doença e que, durante algum tempo, não puderam fazer as vacinas”.

Na sequência do atual surto de sarampo, a DGS lembra que a vacinação antes das idades “está prevista no Programa Nacional de Vacinação para situações excecionais, sendo apenas administrada mediante prescrição médica e respetiva fundamentação, em particular para pessoas que estiveram em contacto com doentes”.

Fonte: Programa Nacional de Vacinação

As crianças que estejam constipadas podem ser vacinadas?

Pergunta 2 de 10

Jorge Atouguia refere que as crianças não podem ser vacinadas se tiverem febre. “Caso a criança tenha febre pode significar que existe outra infeção e podemos não ter a resposta que pretendemos com a vacinação”, explica o infecciologista.

Se a criança apresentar sintomas como rinite, “algum entupimento nasal” ou alguma tosse, não há problema em vaciná-la.

Carlos Alves sublinha a importância de ser consultado um médico para perceber se a vacinação deve ser adiada durante dias ou semanas — “cada caso é um caso”.

Crianças que tenham tido reações anafiláticas após vacinação devem ser submetidas a outras vacinas?

Pergunta 3 de 10

De acordo com o Programa Nacional de Vacinação (PNV), as reações adversas mais frequentes são “reações ligeiras no local da injeção”.

O PNV refere ainda que a prevenção é a melhor abordagem para as reações anafiláticas, pelo que os médicos devem perguntar se a criança já teve reações anafiláticas a “alimentos, medicamentos, picadas de insetos” ou a outras vacinas e/ou componentes de vacinas como “alergias específicas a leveduras, a gelatinas, ao ovo e a antibióticos.”

Luís Varandas, coordenador da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, afirma ao Observador que uma reação anafilática a uma vacina “pode ser uma contraindicação a revacinar com a mesma vacina, mas não com outras”. “E mesmo assim há alternativas: perceber qual o componente a que a criança é alérgica e fazer uma vacinação a nível hospitalar”, ou seja, em ambiente controlado.

“Os choques anafiláticos [um tipo de reação anafilática aguda] provocados pelas vacinas são muito raros”, defende Jorge Atouguia. O especialista adianta que há “vacinas conhecidas por poderem provocar respostas alérgicas agudas” e que estão “contraindicadas a determinadas pessoas”, mas os profissionais que administram as vacinas sabem desta situação e perguntam previamente ao doente e/ou familiar.

“Há vacinas que não podem ser feitas por pessoas que têm alergias aos seus componentes”. Por exemplo, a vacina da febre amarela e do sarampo é produzida a partir de ovos e embriões de galinha, logo as pessoas que sejam alérgicas ao ovo não podem fazer esta vacina.

O PNV refere que “podem ocorrer reações de hipersensibilidade não grave a componentes das vacinas. Estas reações não implicam uma contraindicação à vacinação (exemplo: alergia ao ovo). A vacinação deve ser realizada como habitualmente”.

Nestes casos de reações alérgicas, ou não se vacina de todo ou “existem vacinas que são produzidas de outra forma”. “Quando há uma quantidade de pessoas que não pode fazer a vacina ou que não tem uma boa resposta a uma determinada vacina, há sempre grupos que tentam desenvolver outras vacinas.” É caso da vacina contra a hepatite B, por exemplo: há pessoas que não reagem bem e já estão a ser estudadas outras vacinas.

Quando uma pessoa faz uma reação alérgica, acrescenta Jorge Atouguia, é preciso “estudar o assunto”, nomeadamente “decompor os componentes [a vacina] e perceber a que é que essa pessoa é alérgica”. No caso da vacina do sarampo, a título de exemplo, uma vez que não se trata de uma “vacina isolada” — a VASPR são três vacinas numa: contra o sarampo, a parotidite (papeira) e rubéola –, é importante perceber se a reação alérgica foi exclusivamente à vacina contra o sarampo ou contra as outras doenças.

“Não é de ânimo leve que decidimos não fazer essas vacinas”, defende.

Carlos Alves também sublinha que, dependendo das vacinas, existem “alternativas” e que se pode delinear um “esquema vacinal para contornar o problema”. “Não se vai deixar de fazer todas as vacinas por causa de uma reação alérgica a uma vacina”, defende Carlos Alves. Ainda assim, o infecciologista refere que há vacinas que podem nunca vir a ser feitas.

Existe alumínio nas vacinas?

Pergunta 4 de 10

Jorge Atouguia não consegue precisar se as vacinas que são atualmente administradas em Portugal contêm alumínio. “Houve vacinas que tinham alumínio, mas em quantidades mínimas”.

O especialista recorda que há tempos se associaram problemas neurológicos à vacina da hepatite B, mas “não houve qualquer evidência científica” desta relação.

“As vacinas utilizadas neste momento são seguras”, garante Carlos Alves, acrescentando que não há nenhuma vacina que entre para o Programa Nacional de Vacinação sem ser avaliada.

O infecciologista explica que a vacina é um produto que, “para além da substância ativa”, tem “outros componentes” para “estimular as células”, para “dar resposta no organismo” e para “preservar a própria vacina”. “As vacinas mais antigas podiam ter efeitos adversos, mas hoje em dia as que constam do Programa de Vacinação são seguras”.

Quando devem ser dadas as vacinas extra ao Programa Nacional de Vacinação?

Pergunta 5 de 10

As vacinas extra ao Programa Nacional de Vacinação — como a vacinação contra a tosse convulsa, contra a varicela, contra rotavírus, etc — “podem ser dadas sempre que necessário e sempre que se justificar”, refere Jorge Atouguia.

Ainda assim, deve ter-se em atenção as interações com outras vacinas. Isto é, as “vacinas vivas” como a da febre amarela e da Poliomielite, devem ser dadas “na mesma altura ou com um intervalo de um mês” enquanto as “vacinas inativas” como tétano e a hepatite A podem ser dadas “na mesma altura ou separadas por uma semana”.

Não há, contudo, problema em administrar uma vacina viva e uma inativa ao mesmo tempo — por exemplo a vacina da febre amarela juntamente com a vacina do tétano.

No caso da vacina VASPR (contra o sarampo, a parotidite (papeira) e rubéola) — são várias vacinas numa só, todas a partir “de estirpes vivas e atenuadas” –, “são todas das na mesma altura” até porque têm uma resposta “mais eficaz do que quando administradas isoladamente”.

Uma vacina que devia ter sido dada na infância tem a mesma eficácia na idade adulta?

Pergunta 6 de 10

Para Jorge Atouguia, a resposta imune de uma vacina do Programa Nacional de Vacinação administrada em adulto quando era suposto a pessoa tê-la recebido ainda em criança “pode não ser tão eficaz”.

O especialista explica que as vacinas “estimulam a imunidade” e, no caso das crianças, “essa imunidade está a desenvolver-se”, ou seja “está mais suscetível a responder mais rapidamente à estimulação”. No caso de um adulto, a imunidade está “totalmente desenvolvida”, logo “a resposta à vacina pode não ser tão eficaz”.

Por exemplo, quando as três doses da vacina da hepatite B são dadas corretamente e na infância, as crianças “ficam imunes para o resto da vida”. “A mesma vacina em adultos já não tem garantias”.

Carlos Alves ressalva que a eficácia de uma vacina pode efetivamente variar com a idade, “em particular com os mais idosos”. “Há vacinas que são eficazes durante toda a vida, mas há outras que têm menos resposta. A idade avançada faz diminuir resposta imunitária”. É o caso da vacina contra a gripe, exemplifica o especialista, que tem mais eficácia em jovens adultos, mas é administrada aos idosos, uma vez que são um grupo de risco.

As vacinas podem provocar autismo?

Pergunta 7 de 10

“Não há qualquer evidência de que as vacinas estejam associadas ao autismo”, defendem os especialistas Carlos Alves e Jorge Atouguia.

Carlos Alves recorda um artigo publicado na revista The Lancet, em 1998, por Andrew Wakefield e outros 12 especialistas sugerindo a relação entre a vacina VASPR e o autismo.

Um artigo científico que teve por base um estudo com uma amostra de 12 crianças e com grande impacto em todo o mundo. Foi aliás a partir deste artigo que se gerou um movimento antivacinação e que se mantém até hoje, apesar de os vários estudos entretanto publicados que descartavam a ligação entra a vacina e o autismo.

Só em 2004 é que Andrew Wakefield foi desmascarado: o Sunday Times publicou uma investigação onde dava conta que o especialista tinha falsificado dados clínicos em troca de dinheiro dos advogados dos pais de crianças autistas — os progenitores queriam processar os produtores da VASPR.

Brian Deer: entrevista ao jornalista que desmascarou o médico anti-vacinas

Ainda assim, só em 2010 é que a The Lancet assumiu o erro e, no mesmo ano, Wakefield foi proibido de exercer medicina.

Uma criança pode ser matriculada na escola não estando vacinada?

Pergunta 8 de 10

Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, afirmou esta quarta-feira que a exigência das vacinas em dia para se matricular uma criança na escola “não é uma questão premente”.

Ainda assim, o governante sublinhou que “todas as escolas vão receber” o comunicado enviado pela Direção-Geral de Saúde (DGS) sobre o surto de sarampo de modo a “tranquilizar as famílias”.

“É preciso deixar esta mensagem de tranquilidade às famílias”, acrescentou Tiago Brandão Rodrigues.

Entretanto, a DGS enviou uma nova recomendação sugerindo que, em caso de exposição ao vírus, as crianças cujas famílias se recusem a vaciná-las, devem ficar longe da escola durante 21 dias.

Exigência de vacinas nas escolas “não é uma questão premente”

No que toca às escolas privadas, a associação que representa o setor emitiu uma circular, esta quarta-feira, em que frisa que a não obrigatoriedade do Programa Nacional de Vacinação “não é impeditiva que a Direção do estabelecimento de ensino imponha como condição (no regulamento interno ou em informação avulsa publicitada), dentro da sua autonomia pedagógica, no que concerne a matrícula/renovação de matrícula, que seja feita prova do cumprimento do Programa Nacional de Vacinação.

As vacinas dão 100% de imunidade?

Pergunta 9 de 10

Não se pode falar numa eficácia a 100%, ressalva Carlos Alves. Ainda assim, há muitas “em que a percentagem de resposta é muito elevada — algumas com 90 e tal por cento de eficácia”, como é o caso da VASPR.

Jorge Atouguia sublinha o mesmo: “Nada é 100% em medicina, mas algumas das vacinas dão imunidade de 99, muitos %”, como é o caso da febre amarela.

Mas mais importante que a imunidade de uma vacina é a validade, defende o especialista. “Uma vacina que seja válida para toda a vida protege-nos contra a doença e nunca mais pensamos nela”, afirma. “Com o surto de sarampo, as pessoas vacinadas corretamente não têm nenhuma razão para temer”.

Mas há algo que também é preciso ter em conta: o tempo para a vacina criar os anticorpos. “Quando somos vacinados, demora sempre algum tempo até que o organismo crie anticorpos para nos proteger e é um cuidado que os médicos têm de ter quando prescrevem vacinas: quanto tempo vai demorar até ao aparecimento de uma proteção eficaz”.

Um tempo que varia de vacina para vacina: “a maioria são entre 10 a 15 dias”. No caso da hepatite B, por exemplo, – só depois da terceira dose — dada seis meses depois da primeira — é que se pode garantir uma proteção que nem sequer é de 100%.

É importante vacinar mesmo quando a doença está eliminada?

Pergunta 10 de 10

O infecciologista Carlos Alves explica que o facto de uma doença estar eliminada em Portugal — isto é, não haver casos em território nacional — não significa que tenha sido erradicada a nível mundial, acrescentando que é importante manter a vacinação já que a doença pode ser trazida de outro país. “Nós não vivemos isolados”.

“Só a varíola é que foi erradicada: não há casos no mundo. Ao contrário da Poliomielite, por exemplo, que se está a tentar a erradicação. Em Portugal não há casos, mas não se deve deixar de vacinar porque há casos noutros países”.

Jorge Atouguia é da mesma opinião. “Enquanto a vacina não estiver erradicada nos vários pontos do mundo que têm ligações com o nosso país temos de vacinar”.

E dá um exemplo: a vacina contra o sarampo só começou a fazer parte do programa de vacinação a partir de 1974, logo as pessoas que nasceram antes não foram vacinadas e por isso não estão imunes à doença. Apesar de não haver casos em Portugal até este ano, basta vir alguém de fora e que seja portador de doença ou um português não vacinado ir ao estrangeiro e regressar infetado com a doença para contagiar aqueles que não estão vacinados.

O sarampo foi aliás declarado erradicado em Portugal pela OMS em 2006.

 

 

Não vacinar crianças. “Memória demasiado curta e arrogância demasiado grande”

Abril 19, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://rr.sapo.pt/ de 17 de abril de 2017.

É “altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook’”, defende o pediatra Mário Cordeiro, para quem os pais que não vacinam os filhos são negligentes e deveriam ser responsabilizados.

Mário Cordeiro lamenta a negligência dos pais que não vacinam os seus filhos e lembra que, até há pouco tempo, se morria de sarampo.

“Dizer mal das vacinas é um luxo de um país que já não tem, como há bem pouco tempo tinha, casos diários de meningite ou mortes por sarampo, como [aconteceu] em 1994. A memória é demasiado curta e a arrogância demasiado grande”, diz à agência Lusa.

Segundo o pediatra, o fenómeno de pais que não querem vacinar os seus filhos deve-se a uma mistura de mal-entendidos e teorias da conspiração, associados a uma ignorância história e fraca memória.

O surto de sarampo que atinge neste momento a Europa tem sido relacionado com casos de pessoas que não querem vacinar os filhos. Em Portugal, foram notificados 23 casos desde Janeiro. Onze foram confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge e os restantes estão em fase de investigação.

Actualmente, o Programa Nacional de Vacinação constitui uma recomendação das autoridades de saúde, mas as vacinas não são obrigatórias.

“Não é possível, porque qualquer obrigatoriedade exige apuramento de responsabilidades, o que é muito complexo numa situação destas, e também coimas ou equivalentes, que iriam penalizar os mais desfavorecidos ou menos abrangidos pela informação”, explica o médico, que chegou a fazer parte de um grupo de trabalho na Direcção-Geral da Saúde para estudar a possibilidade de tornar obrigatórias as vacinas.

A solução passa, por isso, por ser mais incisivo em “desmontar as enormidades e falsidade que se dizem e propagam pelas redes sociais contra as vacinas”.

“Acho que é altura de se mostrar que estas teorias e estas pessoas são, também, responsáveis por estes surtos [como o do sarampo]. Chegou a altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook'”, sugere Mário Cordeiro, para quem a Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem feito um bom trabalho nesta área da vacinação e dos alertas à população.

Alguns pais usam o argumento de que as vacinas “mexem” com a imunidade das crianças, usando-o como justificação para não as vacinarem. Mário Cordeiro explica que é isso mesmo que se pretende, sublinhando que se trata de algo positivo, porque a criança fica com a imunidade para a doença sem sofrer os malefícios dela.

“Aliás, todos os dias, a criança contacta com ‘N’ agentes microbianos na escola, em casa, na sociedade, que ‘mexem’ com a sua imunidade e a fortalecem”, exemplifica.

Morte por negligência?

O pediatra questiona: “Se morrer alguma criança não vacinada porque os pais não quiseram, não será isso passível de acusação de ‘morte por negligência, como seria se morresse por andar de carro sem cadeirinha ou cinto de segurança?”

Mário Cordeiro lamenta que Portugal, que sempre teve elevadas taxas de vacinação, volte a ter casos de sarampo.

“É pena que um país que foi declarado ‘livre de sarampo’ há cerca de seis meses e que foi apontado como um exemplo na Europa e no mundo, volte a ter um surto de sarampo autóctone. Mais cedo ou mais tarde ter-se-ia de pagar o preço da ignorância e do ‘não-te-rales'”.

Este ano, já foram reportados mais de 500 casos de sarampo na Europa, que afectam pelo menos sete países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Direcção-Geral de Saúde (DGS) faz esta segunda-feira, pelas 18h30, um comunicado pormenorizado sobre o surto em Portugal. O director-geral da Saúde, Francisco George já veio sublinhar a importância da vacinação.

“Não há liberdade individual que possa justificar a ausência de vacinação das crianças”, frisa.

Apesar de não ser obrigatória, a maior parte dos pais vacina os seus filhos (95%, segundo o “Diário de Notícias, com base nas estimativas da DGS). Por vacinar ficam, por ano, cerca de 4000 crianças.

A ideia lançada pelo estudo norte-americano, apesar de falsa, instalou-se na Europa e o movimento antivacinação virou moda em várias parte do mundo, tendo já provocado várias vítimas mortais na Europa, nomeadamente na Alemanha.

 

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