Pais com pena suspensa por não vacinarem filho em França

Abril 23, 2017 às 6:14 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2017.

Vários Estados-membros da OMS pedem o boletim de vacinas nas matrículas escolares Enric Vives-Rubio

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam.

Joana Gorjão Henriques

Acreditavam que as vacinas faziam pior do que as doenças e não vacinaram o filho contra o pólio, o tétano e a difteria. O caso aconteceu em França e foi a tribunal: em 2016, a sentença ditou aos pais uma pena suspensa de dois meses de prisão.

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam, de acordo com um relatório da revista científica Eurosurveillance. Neste documento diz-se que os programas de vacinação voluntária na Europa são tão eficazes quanto os obrigatórios. As consequências legais da não-vacinação variam. Podem traduzir-se em multas, dificuldade de inscrição de crianças em escolas públicas ou processos em tribunal, adianta o estudo. Segundo disse ao PÚBLICO, European Centre for Disease Prevention and Control (ECDPC) está a fazer uma actualização da informação sobre quantos países têm programas de vacinação obrigatória.

Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação para que a vacina contra o sarampo seja obrigatória, diz o seu gabinete de imprensa do PÚBLICO, mas de acordo com informação recolhida em 2015, 12 dos 53 Estados-membros pediam o boletim de vacinas nas matrículas escolares. Porém, a OMS não sabe quantos destes países, que incluem a Letónia, França, Bielorrússia, Chipre ou Grécia, o tornavam obrigatório e quantas crianças não-vacinadas ficam mesmo impedidas de ir à escola.

O relatório da Eurosurveillance referia que, em 27 países da União Europeia (mais a Noruega e a Islândia), 14 tinham pelo menos uma vacina obrigatória: contra o pólio era obrigatória em 12 países, contra a difteria e tétano em 11 e contra a Hepatite B em 10. De acordo com o mesmo documento, a vacinação obrigatória não se tinha provado ser mais eficaz do que outros programas voluntários.

Notícia do Le Monde sobre o caso em França:

Refus de vaccination : un couple condamné à 2 mois de prison avec sursis

O relatório da Eurosurveillance é o seguinte:

Mandatory and recommended vaccination in the EU, Iceland and Norway: results of the VENICE 2010 survey on the ways of implementing national vaccination programmes

 

 

 

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“Nenhuma creche devia permitir a entrada de crianças sem boletim de vacinação em dia”

Abril 22, 2017 às 5:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Manuel do Carmo Gomes no dia 20 de abril de 2017.

“Deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação”, defende Manuel Carmo Gomes. DR

Após uns dias de surpresa com o ressurgimento de uma doença que tínhamos eliminado, os serviços de saúde serãocapazes de reagir atempadamente e adaptar-se, acredita Manuel Carmo Gomes

Alexandra Campos

“Deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação”, defende Manuel Carmo Gomes, membro da Comissão Técnica de Vacinação da Direcção-Geral da Saúde e professor de Epidemiologia de Doenças Transmissíveis na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Tendo em conta o número de casos notificados em Portugal, há razões para alarme?

Não há razões para alarme. Portugal realiza Inquéritos Serológicos Nacionais que nos dão uma ideia do grau de protecção da população. Estimamos que cerca de 94% (com um erro possível de 1,5% para baixo e para cima) da população com mais de dois anos de idade tenha anticorpos capazes de conferir protecção. O problema é que os 6% não protegidos podem formar bolsas de susceptíveis. Em resumo, a esmagadora maioria da população tem protecção. Os que têm mais de 40 anos estão protegidos porque tiveram a doença em pequeninos, os mais novos estão protegidos por vacinação. Entre os 6% não protegidos há pessoas com estados de saúde que os impediram de ser vacinados e (não incluídos nos 6%) há ainda os bebés com menos de 12 meses que estão em risco. No seu conjunto, estas pessoas são uma razão para a nossa preocupação.

Há especialistas que consideram que faria sentido antecipar a vacinação dos bebés e revacinar os nascidos após 1974 e até 1990 porque receberam apenas uma dose de vacina. Pensa que isto faria sentido?

A antecipação da vacinação para antes dos 12 meses de idade é sempre uma medida de excepção só recomendável em situação de surto. A vacinação de rotina começou em 1974 com uma única dose aos 15 meses. Em 1990 foi introduzida a segunda dose para crianças entre 11 e 13 anos. Em princípio, as pessoas que receberam a vacina aos 15 meses de idade (ou mais tarde) não necessitam de revacinação. Admito contudo que pessoas sujeitas a contactar repetidamente com doentes sejam revacinadas, porque a dose de contaminante recebida também é importante.

Os profissionais de saúde podem não estar preparados para lidar com esta doença por fazerem parte de uma geração que já não conviveu com a patologia? As autoridades de saúde deveriam ter tomado outro tipo de medidas quando foi conhecido o primeiro caso?

É verdade que a maioria dos jovens profissionais de saúde nunca viram sarampo, porque graças à adesão da nossa população à vacinação não tínhamos casos há quase 20 anos. É verdade também que o sarampo é uma doença de diagnóstico relativamente fácil e muito bem descrita na literatura. A sua contagiosidade é famosa. A doença é conhecida e é reconhecível, os serviços irão adaptar-se. O que mais deploro que não se tenha já feito é a discussão sobre a obrigatoriedade da vacinação para algumas doenças em que incluo o sarampo. Para se implementar a obrigatoriedade de usar cinto de segurança e cadeirinhas nos carros para os mais pequenos foi tudo muito mais rápido – não compreendo porquê. Portugal está no top-10 mundial em termos de saúde materno-infantil e de eliminação de doenças infecciosas. Mas como estas doenças não foram erradicadas à escala global e as nossas fronteiras estão abertas, deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação. Na minha opinião nenhuma creche devia permitir a entrada de crianças sem o boletim de vacinação em dia e, no ensino obrigatório, os pais de crianças sem o boletim de vacinas em dia devem ser avisados e deve ser-lhes dado um prazo curto para vacinar os filhos. Se não o fizerem, devem ser-lhes cortados os subsidios oriundos de dinheiros públicos e devem pagar uma coima superior às que nos impõem por não usar cinto de segurança nos carros ou por viajar em contra-mão.

 

 

 

 

Sarampo – Informações à Comunidade Educativa. Orientação DGS

Abril 20, 2017 às 3:26 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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descarregar a orientação Orientação nº006/2017 de 19/04/2017

https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n0062017-de-19042017-.aspx

 

Mitos e verdades sobre as vacinas

Abril 20, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://observador.pt/ de 19 de abril de 2017.

Rita Porto

As vacinas podem ser dadas fora das idades indicadas no plano?

Pergunta 1 de 10

“Uma criança que não seja vacinada na idade indicativa, deve ser vacinada logo que possível”, refere Jorge Atouguia, especialista em Doenças Infecciosas, ao Observador. “A única dúvida que fica é se terá a mesma eficácia do que no período indicado”.

Carlos Alves, infecciologista no hospital São João no Porto, é da mesma opinião: “As crianças podem sempre ser vacinadas”, explica o especialista, acrescentando que os pais devem ir ao centro de saúde para ter “o esquema vacinal adaptado à criança”. “Quem não está protegido deve rapidamente fazê-lo”.

Há, contudo, situações específicas e excecionais em que as vacinas podem ser administradas fora das datas indicadas. Por exemplo, se uma pessoa for para uma zona de risco e precisar de receber a vacina da hepatite B, “em vez de se fazer o que está prescrito numa vacinação normal, pode-se aumentar a dose e encurtar o período entre as várias doses”, refere Jorge Atouguia.

“São situações excecionais e que estão contempladas ao nível da saúde pública internacional”, acrescenta o especialista.

Carlos Alves dá o exemplo de crianças que não nasceram nem cresceram em Portugal, logo é provável que não tenham as vacinas obrigatórias. “Para as crianças que venham de fora e não têm as vacinas recomendadas, adapta-se o esquema de vacinação. O mesmo se faz para as crianças que tiveram uma doença e que, durante algum tempo, não puderam fazer as vacinas”.

Na sequência do atual surto de sarampo, a DGS lembra que a vacinação antes das idades “está prevista no Programa Nacional de Vacinação para situações excecionais, sendo apenas administrada mediante prescrição médica e respetiva fundamentação, em particular para pessoas que estiveram em contacto com doentes”.

Fonte: Programa Nacional de Vacinação

As crianças que estejam constipadas podem ser vacinadas?

Pergunta 2 de 10

Jorge Atouguia refere que as crianças não podem ser vacinadas se tiverem febre. “Caso a criança tenha febre pode significar que existe outra infeção e podemos não ter a resposta que pretendemos com a vacinação”, explica o infecciologista.

Se a criança apresentar sintomas como rinite, “algum entupimento nasal” ou alguma tosse, não há problema em vaciná-la.

Carlos Alves sublinha a importância de ser consultado um médico para perceber se a vacinação deve ser adiada durante dias ou semanas — “cada caso é um caso”.

Crianças que tenham tido reações anafiláticas após vacinação devem ser submetidas a outras vacinas?

Pergunta 3 de 10

De acordo com o Programa Nacional de Vacinação (PNV), as reações adversas mais frequentes são “reações ligeiras no local da injeção”.

O PNV refere ainda que a prevenção é a melhor abordagem para as reações anafiláticas, pelo que os médicos devem perguntar se a criança já teve reações anafiláticas a “alimentos, medicamentos, picadas de insetos” ou a outras vacinas e/ou componentes de vacinas como “alergias específicas a leveduras, a gelatinas, ao ovo e a antibióticos.”

Luís Varandas, coordenador da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, afirma ao Observador que uma reação anafilática a uma vacina “pode ser uma contraindicação a revacinar com a mesma vacina, mas não com outras”. “E mesmo assim há alternativas: perceber qual o componente a que a criança é alérgica e fazer uma vacinação a nível hospitalar”, ou seja, em ambiente controlado.

“Os choques anafiláticos [um tipo de reação anafilática aguda] provocados pelas vacinas são muito raros”, defende Jorge Atouguia. O especialista adianta que há “vacinas conhecidas por poderem provocar respostas alérgicas agudas” e que estão “contraindicadas a determinadas pessoas”, mas os profissionais que administram as vacinas sabem desta situação e perguntam previamente ao doente e/ou familiar.

“Há vacinas que não podem ser feitas por pessoas que têm alergias aos seus componentes”. Por exemplo, a vacina da febre amarela e do sarampo é produzida a partir de ovos e embriões de galinha, logo as pessoas que sejam alérgicas ao ovo não podem fazer esta vacina.

O PNV refere que “podem ocorrer reações de hipersensibilidade não grave a componentes das vacinas. Estas reações não implicam uma contraindicação à vacinação (exemplo: alergia ao ovo). A vacinação deve ser realizada como habitualmente”.

Nestes casos de reações alérgicas, ou não se vacina de todo ou “existem vacinas que são produzidas de outra forma”. “Quando há uma quantidade de pessoas que não pode fazer a vacina ou que não tem uma boa resposta a uma determinada vacina, há sempre grupos que tentam desenvolver outras vacinas.” É caso da vacina contra a hepatite B, por exemplo: há pessoas que não reagem bem e já estão a ser estudadas outras vacinas.

Quando uma pessoa faz uma reação alérgica, acrescenta Jorge Atouguia, é preciso “estudar o assunto”, nomeadamente “decompor os componentes [a vacina] e perceber a que é que essa pessoa é alérgica”. No caso da vacina do sarampo, a título de exemplo, uma vez que não se trata de uma “vacina isolada” — a VASPR são três vacinas numa: contra o sarampo, a parotidite (papeira) e rubéola –, é importante perceber se a reação alérgica foi exclusivamente à vacina contra o sarampo ou contra as outras doenças.

“Não é de ânimo leve que decidimos não fazer essas vacinas”, defende.

Carlos Alves também sublinha que, dependendo das vacinas, existem “alternativas” e que se pode delinear um “esquema vacinal para contornar o problema”. “Não se vai deixar de fazer todas as vacinas por causa de uma reação alérgica a uma vacina”, defende Carlos Alves. Ainda assim, o infecciologista refere que há vacinas que podem nunca vir a ser feitas.

Existe alumínio nas vacinas?

Pergunta 4 de 10

Jorge Atouguia não consegue precisar se as vacinas que são atualmente administradas em Portugal contêm alumínio. “Houve vacinas que tinham alumínio, mas em quantidades mínimas”.

O especialista recorda que há tempos se associaram problemas neurológicos à vacina da hepatite B, mas “não houve qualquer evidência científica” desta relação.

“As vacinas utilizadas neste momento são seguras”, garante Carlos Alves, acrescentando que não há nenhuma vacina que entre para o Programa Nacional de Vacinação sem ser avaliada.

O infecciologista explica que a vacina é um produto que, “para além da substância ativa”, tem “outros componentes” para “estimular as células”, para “dar resposta no organismo” e para “preservar a própria vacina”. “As vacinas mais antigas podiam ter efeitos adversos, mas hoje em dia as que constam do Programa de Vacinação são seguras”.

Quando devem ser dadas as vacinas extra ao Programa Nacional de Vacinação?

Pergunta 5 de 10

As vacinas extra ao Programa Nacional de Vacinação — como a vacinação contra a tosse convulsa, contra a varicela, contra rotavírus, etc — “podem ser dadas sempre que necessário e sempre que se justificar”, refere Jorge Atouguia.

Ainda assim, deve ter-se em atenção as interações com outras vacinas. Isto é, as “vacinas vivas” como a da febre amarela e da Poliomielite, devem ser dadas “na mesma altura ou com um intervalo de um mês” enquanto as “vacinas inativas” como tétano e a hepatite A podem ser dadas “na mesma altura ou separadas por uma semana”.

Não há, contudo, problema em administrar uma vacina viva e uma inativa ao mesmo tempo — por exemplo a vacina da febre amarela juntamente com a vacina do tétano.

No caso da vacina VASPR (contra o sarampo, a parotidite (papeira) e rubéola) — são várias vacinas numa só, todas a partir “de estirpes vivas e atenuadas” –, “são todas das na mesma altura” até porque têm uma resposta “mais eficaz do que quando administradas isoladamente”.

Uma vacina que devia ter sido dada na infância tem a mesma eficácia na idade adulta?

Pergunta 6 de 10

Para Jorge Atouguia, a resposta imune de uma vacina do Programa Nacional de Vacinação administrada em adulto quando era suposto a pessoa tê-la recebido ainda em criança “pode não ser tão eficaz”.

O especialista explica que as vacinas “estimulam a imunidade” e, no caso das crianças, “essa imunidade está a desenvolver-se”, ou seja “está mais suscetível a responder mais rapidamente à estimulação”. No caso de um adulto, a imunidade está “totalmente desenvolvida”, logo “a resposta à vacina pode não ser tão eficaz”.

Por exemplo, quando as três doses da vacina da hepatite B são dadas corretamente e na infância, as crianças “ficam imunes para o resto da vida”. “A mesma vacina em adultos já não tem garantias”.

Carlos Alves ressalva que a eficácia de uma vacina pode efetivamente variar com a idade, “em particular com os mais idosos”. “Há vacinas que são eficazes durante toda a vida, mas há outras que têm menos resposta. A idade avançada faz diminuir resposta imunitária”. É o caso da vacina contra a gripe, exemplifica o especialista, que tem mais eficácia em jovens adultos, mas é administrada aos idosos, uma vez que são um grupo de risco.

As vacinas podem provocar autismo?

Pergunta 7 de 10

“Não há qualquer evidência de que as vacinas estejam associadas ao autismo”, defendem os especialistas Carlos Alves e Jorge Atouguia.

Carlos Alves recorda um artigo publicado na revista The Lancet, em 1998, por Andrew Wakefield e outros 12 especialistas sugerindo a relação entre a vacina VASPR e o autismo.

Um artigo científico que teve por base um estudo com uma amostra de 12 crianças e com grande impacto em todo o mundo. Foi aliás a partir deste artigo que se gerou um movimento antivacinação e que se mantém até hoje, apesar de os vários estudos entretanto publicados que descartavam a ligação entra a vacina e o autismo.

Só em 2004 é que Andrew Wakefield foi desmascarado: o Sunday Times publicou uma investigação onde dava conta que o especialista tinha falsificado dados clínicos em troca de dinheiro dos advogados dos pais de crianças autistas — os progenitores queriam processar os produtores da VASPR.

Brian Deer: entrevista ao jornalista que desmascarou o médico anti-vacinas

Ainda assim, só em 2010 é que a The Lancet assumiu o erro e, no mesmo ano, Wakefield foi proibido de exercer medicina.

Uma criança pode ser matriculada na escola não estando vacinada?

Pergunta 8 de 10

Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, afirmou esta quarta-feira que a exigência das vacinas em dia para se matricular uma criança na escola “não é uma questão premente”.

Ainda assim, o governante sublinhou que “todas as escolas vão receber” o comunicado enviado pela Direção-Geral de Saúde (DGS) sobre o surto de sarampo de modo a “tranquilizar as famílias”.

“É preciso deixar esta mensagem de tranquilidade às famílias”, acrescentou Tiago Brandão Rodrigues.

Entretanto, a DGS enviou uma nova recomendação sugerindo que, em caso de exposição ao vírus, as crianças cujas famílias se recusem a vaciná-las, devem ficar longe da escola durante 21 dias.

Exigência de vacinas nas escolas “não é uma questão premente”

No que toca às escolas privadas, a associação que representa o setor emitiu uma circular, esta quarta-feira, em que frisa que a não obrigatoriedade do Programa Nacional de Vacinação “não é impeditiva que a Direção do estabelecimento de ensino imponha como condição (no regulamento interno ou em informação avulsa publicitada), dentro da sua autonomia pedagógica, no que concerne a matrícula/renovação de matrícula, que seja feita prova do cumprimento do Programa Nacional de Vacinação.

As vacinas dão 100% de imunidade?

Pergunta 9 de 10

Não se pode falar numa eficácia a 100%, ressalva Carlos Alves. Ainda assim, há muitas “em que a percentagem de resposta é muito elevada — algumas com 90 e tal por cento de eficácia”, como é o caso da VASPR.

Jorge Atouguia sublinha o mesmo: “Nada é 100% em medicina, mas algumas das vacinas dão imunidade de 99, muitos %”, como é o caso da febre amarela.

Mas mais importante que a imunidade de uma vacina é a validade, defende o especialista. “Uma vacina que seja válida para toda a vida protege-nos contra a doença e nunca mais pensamos nela”, afirma. “Com o surto de sarampo, as pessoas vacinadas corretamente não têm nenhuma razão para temer”.

Mas há algo que também é preciso ter em conta: o tempo para a vacina criar os anticorpos. “Quando somos vacinados, demora sempre algum tempo até que o organismo crie anticorpos para nos proteger e é um cuidado que os médicos têm de ter quando prescrevem vacinas: quanto tempo vai demorar até ao aparecimento de uma proteção eficaz”.

Um tempo que varia de vacina para vacina: “a maioria são entre 10 a 15 dias”. No caso da hepatite B, por exemplo, – só depois da terceira dose — dada seis meses depois da primeira — é que se pode garantir uma proteção que nem sequer é de 100%.

É importante vacinar mesmo quando a doença está eliminada?

Pergunta 10 de 10

O infecciologista Carlos Alves explica que o facto de uma doença estar eliminada em Portugal — isto é, não haver casos em território nacional — não significa que tenha sido erradicada a nível mundial, acrescentando que é importante manter a vacinação já que a doença pode ser trazida de outro país. “Nós não vivemos isolados”.

“Só a varíola é que foi erradicada: não há casos no mundo. Ao contrário da Poliomielite, por exemplo, que se está a tentar a erradicação. Em Portugal não há casos, mas não se deve deixar de vacinar porque há casos noutros países”.

Jorge Atouguia é da mesma opinião. “Enquanto a vacina não estiver erradicada nos vários pontos do mundo que têm ligações com o nosso país temos de vacinar”.

E dá um exemplo: a vacina contra o sarampo só começou a fazer parte do programa de vacinação a partir de 1974, logo as pessoas que nasceram antes não foram vacinadas e por isso não estão imunes à doença. Apesar de não haver casos em Portugal até este ano, basta vir alguém de fora e que seja portador de doença ou um português não vacinado ir ao estrangeiro e regressar infetado com a doença para contagiar aqueles que não estão vacinados.

O sarampo foi aliás declarado erradicado em Portugal pela OMS em 2006.

 

 

Não vacinar crianças. “Memória demasiado curta e arrogância demasiado grande”

Abril 19, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://rr.sapo.pt/ de 17 de abril de 2017.

É “altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook’”, defende o pediatra Mário Cordeiro, para quem os pais que não vacinam os filhos são negligentes e deveriam ser responsabilizados.

Mário Cordeiro lamenta a negligência dos pais que não vacinam os seus filhos e lembra que, até há pouco tempo, se morria de sarampo.

“Dizer mal das vacinas é um luxo de um país que já não tem, como há bem pouco tempo tinha, casos diários de meningite ou mortes por sarampo, como [aconteceu] em 1994. A memória é demasiado curta e a arrogância demasiado grande”, diz à agência Lusa.

Segundo o pediatra, o fenómeno de pais que não querem vacinar os seus filhos deve-se a uma mistura de mal-entendidos e teorias da conspiração, associados a uma ignorância história e fraca memória.

O surto de sarampo que atinge neste momento a Europa tem sido relacionado com casos de pessoas que não querem vacinar os filhos. Em Portugal, foram notificados 23 casos desde Janeiro. Onze foram confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge e os restantes estão em fase de investigação.

Actualmente, o Programa Nacional de Vacinação constitui uma recomendação das autoridades de saúde, mas as vacinas não são obrigatórias.

“Não é possível, porque qualquer obrigatoriedade exige apuramento de responsabilidades, o que é muito complexo numa situação destas, e também coimas ou equivalentes, que iriam penalizar os mais desfavorecidos ou menos abrangidos pela informação”, explica o médico, que chegou a fazer parte de um grupo de trabalho na Direcção-Geral da Saúde para estudar a possibilidade de tornar obrigatórias as vacinas.

A solução passa, por isso, por ser mais incisivo em “desmontar as enormidades e falsidade que se dizem e propagam pelas redes sociais contra as vacinas”.

“Acho que é altura de se mostrar que estas teorias e estas pessoas são, também, responsáveis por estes surtos [como o do sarampo]. Chegou a altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook'”, sugere Mário Cordeiro, para quem a Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem feito um bom trabalho nesta área da vacinação e dos alertas à população.

Alguns pais usam o argumento de que as vacinas “mexem” com a imunidade das crianças, usando-o como justificação para não as vacinarem. Mário Cordeiro explica que é isso mesmo que se pretende, sublinhando que se trata de algo positivo, porque a criança fica com a imunidade para a doença sem sofrer os malefícios dela.

“Aliás, todos os dias, a criança contacta com ‘N’ agentes microbianos na escola, em casa, na sociedade, que ‘mexem’ com a sua imunidade e a fortalecem”, exemplifica.

Morte por negligência?

O pediatra questiona: “Se morrer alguma criança não vacinada porque os pais não quiseram, não será isso passível de acusação de ‘morte por negligência, como seria se morresse por andar de carro sem cadeirinha ou cinto de segurança?”

Mário Cordeiro lamenta que Portugal, que sempre teve elevadas taxas de vacinação, volte a ter casos de sarampo.

“É pena que um país que foi declarado ‘livre de sarampo’ há cerca de seis meses e que foi apontado como um exemplo na Europa e no mundo, volte a ter um surto de sarampo autóctone. Mais cedo ou mais tarde ter-se-ia de pagar o preço da ignorância e do ‘não-te-rales'”.

Este ano, já foram reportados mais de 500 casos de sarampo na Europa, que afectam pelo menos sete países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Direcção-Geral de Saúde (DGS) faz esta segunda-feira, pelas 18h30, um comunicado pormenorizado sobre o surto em Portugal. O director-geral da Saúde, Francisco George já veio sublinhar a importância da vacinação.

“Não há liberdade individual que possa justificar a ausência de vacinação das crianças”, frisa.

Apesar de não ser obrigatória, a maior parte dos pais vacina os seus filhos (95%, segundo o “Diário de Notícias, com base nas estimativas da DGS). Por vacinar ficam, por ano, cerca de 4000 crianças.

A ideia lançada pelo estudo norte-americano, apesar de falsa, instalou-se na Europa e o movimento antivacinação virou moda em várias parte do mundo, tendo já provocado várias vítimas mortais na Europa, nomeadamente na Alemanha.

 

Escolas obrigadas a comunicar casos de alunos sem vacinas em dia

Abril 19, 2017 às 3:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2017.

Nuno Ferreira Santos

Apesar de ser prática as escolas pedirem o boletim de vacinas, ninguém pode ser barrado da inscrição. Mesmo se estiver em falta, diz o Ministério da Educação.

Joana Gorjão Henriques

As escolas públicas estão obrigadas a comunicar ao centro de saúde da sua zona as falhas nos boletins de vacina dos alunos, informa o gabinete de comunicação do Ministério da Educação (ME). Mas, apesar de na hora das matrículas, ser prática os estabelecimentos de ensino pedirem o boletim de vacinas em dia, nenhum aluno pode ser impedido de se inscrever se não o tiver, acrescenta o ME.

O período de matrículas para o próximo ano lectivo começou na segunda-feira. E as práticas quanto à exigência do boletim de vacinas em dia variam consoante o agrupamento ou a direcção escolar. No entanto, nenhuma das escolas ou associações contactadas pelo PÚBLICO se deparou com o incumprimento deliberado da vacinação do Programa Nacional de Vacinas por pais “anti-vacinas”.

O tema foi levantado recentemente por causa do surto de sarampo: desde Janeiro foram confirmados 21 casos, um ano depois de a doença ter sido considerada eliminada em Portugal. Uma adolescente de 17 anos está internada no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, em estado grave, depois de ter sido infectada por um bebé de 13 meses, não vacinado.

Matrícula “condicionada”

O director do agrupamento de escolas de Carcavelos, Adelino Calado, diz que ali os alunos que não tenham as vacinas em dia ficam com a matrícula “condicionada” até que as regularizem. Mas que nunca se deparou com um caso em que a sugestão da escola, às famílias, para vacinarem as crianças, não tenha sido cumprida.

Seja como for, o director deste agrupamento de sete escolas, que não conhece nenhum pai ou mãe “anti-vacinas”, admite desconhecer indicações “sobre que procedimento tomar no caso de alguém dizer que não quer vacinar o filhos” deliberadamente.

Já em outras escolas a regra seguida é não impedir a matrícula se o aluno não tiver o boletim em dia, sem condicionamentos. “Não se recusa a inscrição, mas pedimos às pessoas para se irem vacinar”, diz ao PÚBLICO o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira.

Este é o procedimento também relatado pela Associação Nacional Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas. “Alertamos os pais que se esquecem e que depois comprovam que os alunos tomaram, de facto, a vacina”, diz o director, Filinto Lima.

Apesar disso, “a Direcção-Geral de Saúde e o Ministério da Educação deviam esclarecer as escolas”, acrescenta. “Ainda hoje um pai me perguntou se podia pedir ao director de uma escola que dissesse quais os alunos que não tinham feito as vacinas.” A sua resposta foi imediata: “Não pode, tem a ver com as liberdades individuais.”

O que diz a lei?

Já na Escola Secundária Rainha D. Amélia, em Lisboa, deixaram de fazer a verificação de vacinas no acto da matrícula, cabendo essa tarefa aos directores de turma de “forma mais personalizada”, explica a directora Isabel le Guê. Mas, face ao recente surto de sarampo, a directora pondera contactar o centro de saúde para “saber se há recomendações”. “Nunca pensei impedir uma criança ou jovem de não frequentar a escola por não estar vacinada”, diz. “São realidades recentes que requerem reflexão.” O tema deverá ser discutido na próxima reunião da Confederação Nacional das Associações de Pais, nesta quinta-feira, revela Jorge Ascensão, presidente.

O director executivo da Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, Rodrigo Queirós e Melo, que representa cerca de 500 instituições, diz que nunca os associados pediram consulta jurídica sobre algum aluno que não tivesse as vacinas em dia e não quisesse fazê-lo.

O que fazer, então, no caso de alguém não querer mesmo vacinar os filhos? O jurista André Dias Pereira, presidente do Centro de Direito Biomédico, diz que a legislação em Portugal dificilmente permitirá agir. Mesmo nos casos mais extremos – alguém que tivesse uma tuberculose –, a Constituição não permite o internamento compulsivo, defende. Este só está previsto em caso de doença mentalmente grave que ponha em perigo a sociedade.

Também o artigo do Código Penal que prevê a punição em caso de propagação de doença dificilmente se aplica à não-vacinação porque “exige dolo” e, no caso do sarampo, o que existiria seria “negligência”, adianta André Pereira. O jurista sugere a via da educação ou, quanto muito, um sistema de obrigações indirectas em que para se aceder a determinados cargos ou serviços é necessário ter o boletim de vacinas em dia. É o que acontece na Austrália, onde os pais têm que vacinar os filhos antes de receberem o abono de família.

Já sobre a obrigatoriedade da vacinação, o professor catedrático e constitucionalista Paulo Otero defende, à agência Lusa, que “não há nada na Constituição” que a proíba. Isto porque “é a saúde pública que está em primeiro lugar” em situações de “contágio alargado da doença”.

 

 

 

Pais que não vacinem os filhos devem ser responsabilizados, afirma pediatra

Abril 18, 2017 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 17 de abril de 2017.

PAULO RICCA / PUBLICO

Mário Cordeiro lamenta falta de vacinação por parte dos pais e considera que a solução passa por desmitificar as falsas afirmações que se propagam pelas redes sociais contra a vacinação.

Lusa

O pediatra Mário Cordeiro lamenta a negligência dos pais que não vacinam os seus filhos, considerando que deviam ser responsabilizados pelas consequências dos seus actos, apesar de reconhecer que é difícil instituir a obrigação de vacinar. “Se morrer alguma criança não vacinada porque os pais não quiseram, não será isso passível de acusação de ‘morte por negligência, como seria se morresse por andar de carro sem cadeirinha ou cinto de segurança?”, questiona Mário Cordeiro em declarações à Lusa.

Actualmente, o Programa Nacional de Vacinação constitui uma recomendação das autoridades de saúde, mas as vacinas não são obrigatórias. O surto de sarampo que está a atingir a Europa tem sido relacionado com casos de pessoas que não querem vacinar os filhos.

O pediatra fez parte de um grupo de trabalho que estudou na Direcção-Geral da Saúde a possibilidade de tornar obrigatórias as vacinas. “Não é possível, porque qualquer obrigatoriedade exige apuramento de responsabilidades, que é muito complexo numa situação destas, e também coimas ou equivalentes, que iriam penalizar os mais desfavorecidos ou menos abrangidos pela informação”, afirmou o médico.

Mário Cordeiro acredita que a solução não passa por tornar obrigatório, mas antes por ser mais incisivo em “desmontar as enormidades e falsidade que se dizem e propagam pelas redes sociais contra as vacinas”. “Dizer mal das vacinas é um luxo de um país que já não tem, como há bem pouco tempo tinha, casos diários de meningite ou mortes por sarampo, como [aconteceu] em 1994. A memória é demasiado curta e a arrogância demasiado grande”, declarou à Lusa.

Segundo o pediatra, o fenómeno de pais que não querem vacinar os seus filhos deve-se a uma mistura de mal-entendidos e teorias da conspiração associados a uma ignorância história e fraca memória. “Acho que é altura de se mostrar que estas teorias e estas pessoas são, também, responsáveis por estes surtos [como o do sarampo]. Chegou a altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook’”, sugere Mário Cordeiro, para quem a Direcção-geral da Saúde (DGS) tem feito um bom trabalho nesta área da vacinação e de alertas à população.

Alguns pais usam o argumento de que as vacinas “mexem” com a imunidade das crianças, usando-o como justificação para não as vacinarem. Perante isto, Mário Cordeiro explica que é isso mesmo que se pretende, mas indicando que se trata de uma coisa positiva, porque a criança fica com a imunidade para a doença sem sofrer os malefícios dela. O especialista recorda que, “aliás, todos os dias, a criança contacta com ‘N’ agentes microbianos na escola, em casa, na sociedade, que ‘mexem’ com a sua imunidade e a fortalecem”.

Mário Cordeiro lamenta ainda que Portugal, que sempre teve elevadas taxas de vacinação, volte a ter casos de sarampo: “É pena que um país que foi declarado ‘livre de sarampo’ há cerca de seis meses, e que foi apontado como um exemplo na Europa e no mundo, volte a ter um surto de sarampo autóctone. Mais cedo ou mais tarde ter-se-ia de pagar o preço da ignorância e do ‘não-te-rales’”.

Desde Janeiro foram notificados 23 casos de sarampo em Portugal e mais de 500 casos de sarampo foram reportados só este ano na Europa, afectando pelo menos sete países, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

 

 

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Notícia do http://www.dn.pt/ de 17 de janeiro de 2017.

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Sofia Salgado Mota segue o Programa Nacional de Vacinação com a filha, Carlota, e já fez o mesmo com o filho mais velho. Também dá as vacinas sugeridas pelo pediatra. Acredita que vacinar é proteger | Miguel Pereira / Global Imagens

Pediatras garantem que as vacinas são seguras e eficazes. Em Portugal, 95% dos jovens são vacinados. Há quem não veja benefícios

“Por que razão hei de empestar o corpo das minhas filhas?” Paulo, 50 anos, não vacinou nenhuma das duas filhas, agora com 13 e 8 anos. Se tivesse um terceiro filho, seguiria o mesmo caminho. “Dar vacinas seria destruir o sistema imunitário delas”. Já Sofia Salgado Mota, mãe de Rui, de 21 anos, e Carlota, de 2, tem uma posição diferente. “As crianças contactam diariamente com diversos vírus, principalmente quando estão inseridas em contexto escolar. Vaciná-las é protegê-las”.

Como se pode ver, a vacinação não é uma questão consensual. Em Portugal, embora não seja obrigatória, é uma opção para 95% dos pais e é “altamente recomendada” pelos pediatras. Contudo, há uma minoria que prefere não imunizar os filhos. Analisando os números mais recentes, a atendendo às estimativas da Direção-Geral da Saúde, ficam por vacinar cerca de 4000 crianças por ano. Em 2015, por exemplo, nasceram 85.500 bebés, o que quer dizer que 4275 não foram vacinados.

Na semana passada, o assunto voltou a estar em discussão, depois de o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, se ter reunido com Robert F. Kennedy, um ativista antivacinas, que nomeou para presidir uma comissão sobre a segurança da vacinação nos EUA. Isto depois de, em 2015, ter dito que as vacinas infantis causam autismo. Uma ideia disseminada após a publicação de um artigo na revista Lancet, em 1998, que mais tarde foi considerado uma fraude.

“Nenhum estudo feito posteriormente comprovou essa associação”, destaca Luís Varandas, diretor da Sociedade de Infecciologia Pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Embora nos Estados Unidos e em alguns países da Europa a moda antivacinação esteja a causar alarme, por cá esses movimentos não têm grande expressão. “Até hoje, só tive dois pais que não quiseram vacinar. E eu não quis seguir as crianças, porque, embora até possa perceber que não o queiram fazer, é uma questão de saúde pública”, refere o pediatra.

Apesar de as escolas verificarem o boletim de vacinas quando as crianças se matriculam, em Portugal, a vacinação não é obrigatória. “Essa é uma falsa crença. Mas as vacinas são altamente recomendadas”, diz ao DN Luís Varandas, acrescentando que não conhece pediatras que não aconselhem as vacinas incluídas no Programa Nacional de Vacinação (PNV).

Para Sofia, autora do blogue Pedaços de Nós, “a vacinação é a proteção ideal para as doenças, muitas vezes a única.” E muitas doenças “já não se manifestam porque quase todas as crianças estão vacinadas.” Luís Varandas confirma: “Se não há uma grande percentagem de pessoas vacinadas, as doenças regressam. A imunidade de grupo só existe se as pessoas continuarem a ser vacinadas.” Além da varíola, que foi erradicada, o sarampo, a poliomielite, a rubéola, a difteria e o tétano neonatal já foram eliminadas em Portugal, mas podem ser contraídas fora do País. “Já tivemos casos de sarampo importados e só não houve surto porque as crianças estão vacinadas”. Numa comunidade onde não estão imunizadas, pode surgir uma epidemia.

Celeste Barreto, diretora do serviço de pediatria do Hospital Santa Maria, só se recorda de acompanhar duas famílias que, nos últimos anos, não quiseram vacinar. E uma delas voltou atrás na decisão. “O filho de um amigo ficou doente e decidiram começar a vacinar”. A pediatra é “da época em que não havia vacina da Meningite C”, por exemplo, e “a diferença para os dias de hoje é abismal”. “O número de casos era significativo e os quadros eram gravíssimos”.

Milhões de mortes evitadas

De acordo com a OMS, as vacinas evitam anualmente a morte de três milhões de pessoas. O pediatra Mário Cordeiro acredita que “muitas pessoas não têm uma pálida ideia da importância da vacinação e dos milhões de vidas que as vacinas já salvaram.” Cinquenta e dois anos após a criação do PNV, “já se tornou um hábito e desvalorizamos o assunto, o que não acontece nos países menos desenvolvidos”.

Mário Cordeiro já conheceu muitos pais que não quiseram seguir o PNV, mas diz que continuam a ser a minoria: “Respeito as decisões mas pretendo que saibam a responsabilidade que assumem e tento desmistificar o que os assusta: um misto de ‘complô das multinacionais’ e teorias da conspiração, ou que as doenças são inventadas. Não são! [..] As doenças matam, as vacinas salvam”.

Vírus em constante mutação

Paulo é um nome fictício, porque este pai considera que a sociedade não aceita a sua decisão. “Incutiu-se o medo que a criança pode morrer se não for vacinada”. Uma das razões que o leva a não imunizar as filhas é o facto de os vírus estarem “em constante mutação”. “Quanto te infeta, já está alterado. Podes sofrer menos danos, mas serás infetado na mesma. E entretanto já colocaste veneno no corpo”. Por outro lado, considera que estaria a destruir o sistema imunitário das filhas. Mas a forma como as vacinas mexem com o sistema imunitário, esclarece Mário Cordeiro, é a “forma como mexem as dezenas e dezenas de microrganismos com os quais os nossos filhos contactam todos os dias, connosco, com a família, no infantário e escola.”

O PNV inclui 12 vacinas, universais e gratuitas. Além dessas, existem outras recomendadas pelos pediatras, mas cujos custos são suportados pelos pais. Sofia Salgado Mota dá todas à filha mais nova, Carlota, e, enquanto educadora de infância, apercebe-se que a maioria dos pais tenta fazê-lo. “Quando não o fazem é porque a nível financeiro não conseguem”. A vacina contra a meningite B, por exemplo, custa quase 100 euros.

Tal como Paulo, Maria (nome fictício), 47 anos, também escolheu não vacinar a filho, de 6 anos. “A vacinação está a ser feita de forma estandardizada, mas as necessidades, os ambientes e as pessoas são diferentes”. Adepta de “coisas mais naturais, sem muitos químicos”, leu diversos livros e estudos antes de seguir este caminho. Ao DN, destaca argumentos que leu repetidas vezes: “Alguns efeitos secundários eram unânimes: as alergias, o autismo, a toxicidade cancerosa.” O desconhecimento face à composição da vacina e o enfraquecimento do sistema imunitário ajudaram a suportar a decisão. Ainda colocou a hipótese de escolher apenas algumas vacinas, mas o PNV “não prevê o meio-termo”. Eficácia e segurança garantidas

De uma maneira geral, as reações adversas da vacinação não são graves. O pediatra Hugo Rodrigues considera que as pessoas que não seguem o PNV “só têm coragem de o fazer porque a taxa de vacinação em Portugal é elevada”. Testadas durante anos, “as vacinas são seguras, muito eficazes e não matam”. Basta olhar para “a descida a pique na mortalidade infantil nas últimas décadas”. “A mudança é radical e benéfica, por isso custa a perceber esta onda antivacinação”.

O pediatra Gomes Pedro também defende que “as vacinas são fundamentais”, pois “protegem contra infeções que não podem ser evitadas de outra forma”. Tal como Mário Cordeiro, gostaria de ver incluídas no PNV as vacinas antirrotavírus e antimeningite B: “Faço um grito de alerta para que o País garanta a sua comparticipação.”

 

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