Crianças odeiam comerciais em vídeos, mas se encantam com os ‘merchans’

Setembro 22, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Pesquisa da UFRGS avalia impacto da mídia sobre crianças; exposição traz prejuízos cognitivos

Ler a notícia da Folha de São Paulo no link:

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/09/criancas-odeiam-comerciais-em-videos-mas-se-encantam-com-os-merchans.shtml

 

Substitua os celulares e tablets de seus filhos por instrumentos musicais!

Agosto 2, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Laith Abuabdu on Unsplash

Texto do site O Segredo de 1 de março de 2018.

A forma como criamos nossas crianças mudou muito de uns tempos para cá. Agora, a estratégia adotada por muitos pais para acalmar seus filhos é dar-lhes um tablet ou um smartphone. Dentro desse contexto, as brincadeiras ao ar livre a atividades manuais ficam cada vez mais esquecidas.
Essa forma de criação é contestada pelo neuropsicólogo espanhol Álvaro Bilbao, que em seu livro “El cerebro del niño explicado a los padres” (O cérebro da criança explicado aos pais – em tradução livre), diz que, se queremos criar crianças mais inteligentes, devemos substituir seus tablets por instrumentos musicais.
Bilba acredita que as aulas de música estimulam a capacidade de raciocínio das crianças, mais do que a tecnologia. Além disso, os pais têm um papel importante na inteligência de seus filhos. Um estudo que foi publicado na revista Psiquiatría Molecular afirma que 50% da inteligência da criança é determinada pelos genes, mas os outros 50% dependem dos estímulos que elas recebem.
“A chave do desenvolvimento potencial do cérebro da criança está na sua relação com os pais. Ainda que a genética tenha um peso importante, sem essa presença não se materializa”, diz Bilba.
Abaixo estão listadas algumas estratégias defendidas por especialistas para desenvolver a inteligência das crianças:
Estudar música
Pesquisadores da Universidade de Toronto realizaram um estudo, publicado na revista Psychological Science, que relacionou o desenvolvimento cognitivo com o estudo e a aprendizagem de música. Para o estudo, três grupos de crianças de seis anos estudaram, separadamente, durante um ano, canto, piano e expressão dramática. As crianças que se dedicaram a estudar música foram as que mostraram maiores padrões de inteligência
Menor contato com a televisão
Anos atrás, filmes de desenhos animados que aliavam figuras desenhadas ao som da música clássica de compositores como Mozart e Beethoven eram muito populares. Diversos especialistas aprovavam esses filmes, afirmando que ajudavam a estimular a inteligência de bebês e crianças, mas essas teorias foram desmentidas por estudos internacionais. De acordo com a Associação Americana de Pediatria, crianças com menos de dois anos não devem ter contato com televisão.
Evitar jogos que afirmam ajudar no desenvolvimento cerebral
Recentemente vêm surgindo muitos jogos eletrônicos e aplicações móveis que afirmam ajudar no desenvolvimento do cérebro e da memória. No entanto, a maioria deles não são embasados cientificamente. Tenha cuidado.
Assistir a filmes/documentários em línguas estrangeiras
Crianças que são ensinadas a assistir filmes em línguas estrangeiras desde cedo tendem a adaptar-se mais facilmente a outros vocábulos e a outros sons.
Ler histórias com seus pais antes de irem para a cama
Quando os pais leem histórias para seus filhos antes de irem para a cama, é importante que convidem as crianças para participar. Por exemplo, o pai lê uma página e o filho outra, e assim sucessivamente. De acordo com um estudo canadense, este método ajuda as crianças a melhorarem sua capacidade de aprendizagem.

 

Metade das crianças europeias não atinge potencial cognitivo por falta de iodo

Maio 8, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do https://observador.pt/ de 19 de abril de 2018.

Os médicos aconselham que, durante a gravidez, as mulheres aumentem a ingestão de iodo. Micronutriente é fundamental para a produção de hormonas da tiroide.

Metade das crianças nascidas na Europa não atinge o seu potencial cognitivo devido a um défice de iodo, segundo um estudo internacional que defende o apoio dos políticos europeus a medidas para ultrapassar este problema. O trabalho, integrado no projeto EUthyroid, dirige-se aos políticos europeus no sentido de apoiarem as medidas propostas pelos cientistas para eliminar o défice de iodo, um elemento crítico para o desenvolvimento cerebral na infância.

Segundo o presidente da Sociedade Catalã de Endocrinologia e Nutrição da Academia de Ciências Médicas da Catalunha, Lluís Vila, que participou no estudo, o iodo é um micronutriente essencial, obtido através da água e dos alimentos. O iodo, explica, é fundamental para a produção de hormonas da tiroide que são muito importantes na regulação do metabolismo, no crescimento e no desenvolvimento.

Os médicos aconselham que, durante a gravidez, as mulheres aumentem a ingestão de iodo que é, frequentemente, insuficiente nas suas dietas alimentares habituais. Alertam que um défice leve de iodo pode trazer risco de alteração da função neurocognitiva nas crianças, tornando-se eventualmente na causa de um coeficiente intelectual inferior. Segundo os autores do estudo, oriundos de 27 países, os efeitos negativos da falta de iodo são vários e implicam um encargo significativo para os sistemas de saúde, já que exigem mais recursos para os programas de prevenção de “transtornos produzidos por deficiência de iodo”.

Luís Vila salienta que, durante anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu um controlo regular como ponto de partida para um importante passo no sentido da eliminação do défice de iodo na Europa, mas somente oito países da União Europeia (UE) tomaram as medidas necessárias para enfrentar o problema.

mais informações na notícia do ABC:

El 50% de los recién nacidos en Europa podrían no alcanzar su potencial cognitivo por déficit de yodo

 

“Quando se lê em criança, o cérebro cresce”, diz Carlos Fiolhais

Maio 7, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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“Devo aos livros aquilo que sou. Só me conheço a ler”, diz Carlos Fiolhais DANIEL ROCHA

 

Texto do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2018.

Para assinalar dez anos de vida literária, João Manuel Ribeiro organizou as jornadas 10 de Letra. Primeiro no Porto e agora em Lisboa. Carlos Fiolhais é um dos convidados.

RITA PIMENTA

Começou a ler cedo, “ainda antes da escola”, e não tem dúvidas de que, “quando se lê em criança, o cérebro cresce, desenvolve-se, eu sou a prova disso”. Quem assim fala é o físico Carlos Fiolhais. “Devo aos livros aquilo que sou. Só me conheço a ler, foi assim que conheci mundos que não conhecia”, diz o cientista e um dos oradores das Jornadas Literárias 10 de Letra que decorrem nesta quinta-feira, em Lisboa, na Sociedade Portuguesa de Autores (a partir das 17h30). Uma conferência que comemora os dez anos de livros de João Manuel Ribeiro, autor de mais de 50 títulos e editor da Trinta por Uma Linha.

Carlos Fiolhais diz ver os livros como “uma grande invenção que pôs os cérebros a comunicar” e “que, de uma forma compacta, nos levou à revelação e ao conhecimento”. Conta ao PÚBLICO que foi para cientista porque na adolescência descobriu, em bibliotecas, livros de divulgação científica: “O meu cérebro escolheu um caminho. Um livro é um abridor de portas. Eu descobri que o mundo é misterioso e quis ajudar a desvendar o mistério da sua formação.”

Sobre os destinatários das obras, crianças, jovens ou adultos, diz: “Os livros são de quem os apanhar, a idade é algo que nem sempre se percebe. Já escrevi a pensar que era para ser lido por adultos, mas foram os mais jovens que os preferiram.” O contrário também já lhe aconteceu.

No caso de João Manuel Ribeiro, que escreveu o primeiro livro para a infância em 2008 (Rondel de Rimas para Meninos e Meninas, ilustrado por Anabela Dias), a entrada neste segmento deu-se por acaso. Convidaram-no, num colégio com que colaborava, para escrever uma história de Natal. “Sem me dar conta da responsabilidade, escrevi um conto breve que foi do agrado dos alunos; no Natal seguinte, voltei a escrever outra história com igual aceitação. Nunca mais parei, Sem querer, contaminei-me com esta literatura e, desde então, vivo para ela, inteiramente.”

No passado, teve “participações poéticas esporádicas no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias jovem”. Destes dez anos de letras, o que retém de mais relevante é a publicação do primeiro livro, “por ser o primeiro e abrir a porta a todos os outros, sobretudo os de poesia (ainda tão mal-amada)”; a publicação de Meu Avô, Rei de Coisa Pouca, “por ser autobiográfico e pelo imenso prazer que me deu escrevê-lo”; os encontros com os pequenos leitores, “nessa árdua mas deliciosa tarefa de ‘fazer’ leitores”, e “as recentes traduções no estrangeiro, pelo reconhecimento que proporcionam”.

“Se não tivesse conhecido os teus livros, seria mais pobre”

E quem é que pode ficar indiferente a estas frases que algumas crianças lhe foram dirigindo durante a última década? “Gostava de ter sido teu companheiro de infância”; “tu só escreves poesia, mesmo quando escreves em prosa”; “esse livro [Meu Avô, Rei de Coisa Pouca] produziu em mim um sismo interior” e “se não tivesse conhecido os teus livros, seria mais pobre”.

O autor (doutorado em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e Mestre em Teologia, pela Universidade Católica do Porto) criou recentemente a revista de literatura infantil e juvenil A Casa do João (com o Centro UNESCO de Amarante) e tem um propósito que extravasa a literatura: “Espero, luto e trabalho (quase sempre sem o conseguir) por um mundo justo, fraterno, plural, que seja, de facto, uma casa grande, de todos e para todos.”

Com estas jornadas, deseja “ajudar a descobrir que a literatura faz bem, é uma vitamina sem a qual nos tornamos ictéricos”. Espera também “chamar a atenção para a importância da literatura infantil e juvenil na vida das crianças (e não só) e contribuir para mostrar, apesar do seu destinatário e da sua especificidade, que é literatura como a outra; não é uma literatura menor”.

Diz Fiolhais: “Escrever bem é escrever para todos.” Depois, pergunta: “Para que idade é o Principezinho, de Saint-Exupéry?” E conclui: “Um bom livro fala-nos de coisas possíveis e impossíveis. Faz-nos pensar e sonhar. No Principezinho, há desde ciência a auto-ajuda.”

Quanto mais cedo, melhor

O cientista afirma ser viciado em leitura e não conseguir viver sem livros. “Quanto mais cedo se começar, melhor. Não me fizeram mal.” Recentemente, participou num projecto de livro e CD que fala de ciência a crianças dos três aos dez anos através de poesia e canções de José Fanha e Daniel Completo: Entre Estrelas e Estrelinhas — Este Mundo Anda às Voltinhas. “Procurei que os versos contivessem a lição de interrogar, observar, demonstrar. Uma chamada à ciência.” E diz gostar de cruzamentos, não de becos. “Cruzamentos de temas, de cérebros, de autores.”

O físico ainda não sabia o que iria dizer na conferência desta quinta-feira, mas tudo pode acontecer quando Carlos Fiolhais se entusiasma. A conversa com o PÚBLICO terminou na seguinte reflexão: “Por que seria que andavam de mão em mão as pombinhas da Catrina?”

As jornadas abrem com o psicólogo Eduardo Sá e a comunicação “As crianças e a leitura”. Segue-se um painel que reúne ainda os autores de literatura para a infância e juventude Luísa Ducla Soares e José Jorge Letria, sob o mote “A literatura, o indispensável supérfluo” e moderado por Helena Gatinho.

A encerrar, o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores apresentará o livro Os Direitos das Crianças — Antologia Poética, que reúne poemas de cerca de 20 autores portugueses, espanhóis e brasileiros, como João Pedro Mésseder, José António Franco, Emiliana Carvalho (Brasil) António Garcia Teijeiro e Alfredo Ferreiro (Espanha).

 

 

Por que a garotada precisa brincar ao ar livre, segundo a neurociência

Abril 28, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do https://brasil.elpais.com/ de 30 de março de 2018.

MARIO FERNÁNDEZ SÁNCHEZ

Tempo dedicado às brincadeiras em ambientes naturais diminuiu nas últimas décadas, enquanto aumentou o número de crianças com ansiedade e depressão.

Por mais paradoxal que pareça, muitos detentos passam mais tempo ao ar livre do que algumas crianças das nossas cidades. O tempo ao ar livre em contato com a natureza, especificamente, vem diminuindo enormemente, a tal ponto que muitos meninos e meninas passam mais de 90% do seu tempo em espaços fechados. O correto desenvolvimento infantil exige movimento desde o nascimento, e a forma mais fácil e interessante de se movimentar é brincando, se possível ao ar livre.

O sistema nervoso serve para a locomoção, e as demais milhares de páginas de um manual de neurociência estão subordinadas a esse fato natural tão relevante. Trata-se de algo extraordinário, tão belo como complexo. A função primordial de um ser vivo é se reproduzir, e para isso ele precisa se aproximar de certos estímulos, como um possível parceiro sexual, e se afastar de outros, como os predadores.

Os subsistemas sensoriais e emocionais estão a serviço do subsistema motor, que por sua vez está relacionado com uma conduta de aproximação ou afastamento. Podemos comprovar isso na vida cotidiana. Se pisamos em algo cortante na piscina, levantamos o pé instintivamente. Se alguém ou algo nos atrai, nos aproximamos pouco a pouco. Do mesmo modo, nos afastamos se não gostamos de uma situação ou detectamos um perigo. Tudo é movimento, portanto. E o nosso cérebro dedica muitos neurônios à realização dessa função.

Uma grande superfície dos nossos hemisférios cerebrais – especificamente o córtex motor primário e secundário – é dedicada ao controle motor. Existem núcleos neuronais (um complexo chamado estriado, situado nas profundezas do cérebro) dedicados, entre outras coisas, ao movimento planejado. Do mesmo modo, o cerebelo, que se encontra na parte posterior do encéfalo, é outra estrutura fundamental para o movimento. Também existe um subsistema completo, chamado vestibular, para garantir o equilíbrio em todos os nossos movimentos. São muitíssimos recursos, e nossa vida depende deles.

Durante as primeiras etapas do desenvolvimento, nossa espécie aprende paulatinamente a se movimentar de maneira cada vez mais sofisticada, o que significa que aprende a comandar os subsistemas envolvidos nesse movimento: o sensorial, o vestibular, o cognitivo e, obviamente, o emocional. E essa aprendizagem se realiza na infância graças às brincadeiras.

Muitas funções do sistema nervoso têm janelas temporais de neuroplasticidade, nas quais a sensibilidade é crítica e sua formação é a ideal. Por exemplo, andar e falar são tarefas aprendidas nos três primeiros anos. A alteração da plasticidade durante períodos críticos de desenvolvimento está ligada a muitos transtornos neurológicos pediátricos.

Essas janelas têm como fundamento de aprendizagem a brincadeira em todas as suas variantes. Algumas funções são fisiológicas, como o sistema nervoso vestibular, que, como explicamos, realiza dentro do cérebro a função do equilíbrio e necessita de estímulos para seu desenvolvimento, já que do contrário a mobilidade da criança não será otimizada e ela terá medo perante qualquer desafio que envolva deslocamentos em altura, velocidade, giros ou mudança posturais bruscas. Os hematomas, cortes e arranhões são, portanto, um direito das crianças na hora de aprender. E não só isso: pretender evitá-los a todo custo pode causar déficits cognitivos e emocionais para toda a vida.

Modular a agressividade e a empatia

A brincadeira deve ser a principal atividade de uma criança. É o que seu cérebro espera: brincadeiras e mais brincadeiras, sobretudo relacionadas com a atividade física, e preferivelmente ao ar livre. Pode-se brincar sozinho – e o cérebro também precisa aprender a se entediar – e, sobretudo, em companhia. Quanto mais heterogêneas forem as idades das crianças que brincam, melhor será para o desenvolvimento das relações pessoais e para a modulação da agressividade e da empatia.

Qualquer pessoa que já tenha lidado com crianças terá observado quais são suas preferências e como se divertem quando vão a um playground, para não falar dos parques de diversões. A velocidade, as voltas, a sensação de perigo causada pela altura, os desafios do equilíbrio… Tudo isso é muito atrativo para a criança, porque o que estamos fazendo é levar seu cérebro ao ambiente onde evoluímos durante milhões de anos e ao qual estamos adaptados. Faz poucos séculos que passamos a habitar as cidades, e a evolução não foi capaz de adaptar nosso organismo a viver nelas. Quando uma criança brinca ao ar livre, preferivelmente em um ambiente natural, o cérebro agradece com uma injeção de felicidade. Há riscos? Claro, isso é viver.

Por natureza, as crianças não têm excessiva consciência do passado e do futuro – vivem o momento. Sua atividade principal é brincar. E a brincadeira permitirá que nossa prole aprenda a se movimentar com destreza, a não se machucar, a avaliar as situações de maneira adequada e, quando não houver outro remédio, a ser agressivo e sobretudo a sê-lo na medida certa, respeitando dentro do possível os valores aprendidos. Nisso o ambiente familiar tem um papel fundamental.

Se for para escolher, é melhor brincar na natureza do que na praça do bairro, porque o cérebro precisa de novidade, curiosidade e investigação. A brincadeira permite que as crianças, depois de examinar seu entorno, gerem de maneira bastante eficaz um repertório de comportamentos inovadores que podem se adaptar a um nicho específico. A exploração do desconhecido, felizmente, está nos nossos genes.

Crianças com ansiedade e depressão

Durante as últimas décadas, ocorreu nas sociedades modernas – sobretudo as ocidentais – um declínio na liberdade das crianças para brincar, especialmente em brincadeiras sociais e em grupos de idade heterogênea, longe dos olhares vigilantes dos adultos. Ao mesmo tempo, ocorreu um aumento considerável dos casos de ansiedade, depressão, sentimentos de tristeza, impulsividade e narcisismo entre as crianças.

Todos nós já fomos crianças e nos divertimos com o frio na barriga quando estávamos no topo do escorregador ou subíamos pela estrutura de ferro dos balanços. Girar nos carrosséis ou se pendurar por qualquer lado, feito um macaco – afinal de conta, é isso que nós somos –, é uma evidente fonte de prazer. Qualquer conduta que teste nosso senso de equilíbrio nos atrai como um desafio. Tanto é que, durante seu desenvolvimento, as crianças experimentam os limites para se superarem pouco a pouco. Um passo a mais, um degrau a mais, uma volta a mais… O perigo lhes atrai, pois marca esses limites.

Assim, a teoria da regulação emocional através da brincadeira propõe que uma das principais funções da brincadeira entre jovens mamíferos é a aprendizagem de como regular o medo e a raiva. Em uma brincadeira com certo risco, os pequenos aprendem a enfrentar pequenas doses manejáveis de medo, sem cair em emoções negativas por muito tempo. Assim, aprendem que é possível superar a situação e posteriormente recuperar um estado emocional normal de alegria.

As análises revelam que, ao mesmo tempo em que se limita a liberdade na brincadeira, entre cinco e oito vezes mais jovens sofrem níveis clinicamente significativos de ansiedade e depressão, segundo os padrões atuais, muito maiores que nos anos cinquenta. Assim como a diminuição na liberdade de brincar com certo risco foi contínua e gradual, também foi contínuo e gradual o aumento da psicopatologia infantil. São necessários mais estudos para corroborar isto. Por exemplo, Peter Schober, da Universidade de Medicina de Graz (Áustria), afirma que crianças sedentárias, que não assumem nenhum risco, adoecem cinco vezes mais de depressão que as que se mantêm ativas.

Eles sabem quando assumir riscos

Temos uma tendência inata a subestimar as capacidades cognitivas das crianças, mas o fato é que elas sabem melhor do que nós quando estão preparadas para assumir certos riscos. Na praia, minha filha pequena sabe perfeitamente até que altura podem chegar as ondas antes que ela saia correndo para a areia. Há pouquíssimas possibilidades de que uma onda a pegue de surpresa, pois seu cérebro ativa os mecanismos para saber onde estão os limites.

É fato que as crianças podem se enganar – se enganam mesmo, e assim aprendem –, mas não costuma ser frequente. Se não, não teríamos sobrevivido como espécie. Como as crianças enfrentam desafios e riscos manejáveis, um resultado negativo leve é aceitável. E, se não, os pais podem ficar de olho, como aliás sempre devemos fazer em praias e piscinas.

Porque é muito importante saber que nem todas as crianças são iguais. O que para uma pode ser estimulante para outra pode ser traumático. Nesta diferença os pais desempenham um papel fundamental. As crianças devem escolher o risco que podem administrar. Não devemos forçá-las a lidar com riscos maiores, mesmo se soubermos que não são prejudiciais. O ponto de vista da criança é diferente. Se ela tiver medo que uma onda lhe cubra o rosto, não se deve forçá-la, por mais que saibamos que não há problema. A melhor forma de superar desafios é a que a criança escolher. E a brincadeira é o caminho que guia essas condutas.

Vale a pena dar uma olhada neste documentário que mostra como algumas comunidades promovem a brincadeira ao ar livre, a partir da aventura, para fomentar o correto desenvolvimento físico e cognitivo da criança. O documentário está em inglês.

 

 

 

Como ajudar as crianças a concentrarem-se no meio de tantas distrações digitais

Abril 8, 2018 às 4:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://magg.pt/ de 28 de março de 2018.

Há alguns anos podiam desconcentrar-se com uma mosca a voar, ou com um cão a ladrar. Hoje, os miúdos já nem veem a mosca nem ouvem o cão. Estão demasiado ocupados com o computador, o tablet, o telemóvel. Estão sempre “ligados”, a responder a uma mensagem, publicar no Instagram, colocar gostos e comentários no Facebook, acudir às notificações do Snapchat , falar com o grupo do WhatsApp, colocar um emoji no Messenger, verificar o “plim” de mais uma entrada na caixa do correio, ou no hangup, jogar online ou ver os vídeos no Youtube, por exemplo. São infindáveis as distrações que a era digital proporciona e tentar estudar e aprender no meio de todos estes apelos e “ruídos” não é fácil.

Como explica Isabel Cavadas, psicóloga no colégio Primeiros Passos, do Porto, os conteúdos digitais “vão diretamente às redes neuronais do prazer”, acabando por se tornar aditivas, o que pode até ter um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo da criança.

Isto porque a área do cérebro que governa a atenção é a mesma que domina o controlo de impulsos, a organização e o pensamento crítico, entre outras. Adelaide Dias, psicóloga, diz que todas estas distrações dão origem “a um excesso de informação que as crianças recebem quando a parte emocional ainda não está toda desenvolvida”. Esta desregulação pode gerar “problemas de comportamento, dificuldades no autocontrolo e em gerir a autoestima, a frustração e a ansiedade”.

Os bonecos animados não são todos inofensivos

Uma equipa de investigadores da reputada organização nortre-americana Brookings Institution concluiu recentemente que as distrações constantes a que as crianças estão sujeitas lhes estão a prejudicar a “função executiva”. Ou seja, aquilo que o Center on the Developing Child de Harvard define como “o processo mental que nos permite planear, focar a atenção, recordar instruções e conciliar com sucesso várias tarefas”.

É por isso que, numa tentativa de ajudar os pais e os educadores a orientarem as crianças a desenvolverem capacidades de concentração, a Academia Americana de Pediatria faz uma série de recomendações.

A primeira passa por definir criteriosamente o tempo passado em frente aos ecrãs. As crianças entre os 2 e os 5 anos não devem passar mais do que uma hora por dia a ver programas, mas de qualidade, na televisão. Sim, porque o tempo de ecrã pode ser mais ou menos didático, dependendo do que se está a ver.

Se é fã de “Sponge Bob”, por exemplo, pode ser a altura de pensar duas vezes. Um estudo concluiu que programas que tinham um ritmo mais acelerado, como o “Sponge Bob”, perturbavam a capacidade de uma criança em idade pré-escolar para se concentrar quando comparada com uma outra criança que via programas mais calmos ou estava a desenhar. O melhor seria mesmo ver “A Rua Sésamo”.

A Academia Americana de Pediatria não aconselha a televisão para crianças com menos de 2 anos, propondo antes que se leia, cante, brinque ou converse com elas. “Os pais muitas vezes assumem que se são bonecos animados está tudo bem”, disse Rahil Briggs, psicóloga citada pelo New York Times ao comentar este estudo. Mas as sequências aceleradas e fantásticas de alguns programas infantis podem fazer com que o cérebro das crianças, no futuro, “não consiga prestar atenção a alguma coisa que não seja tão fantástico”.

Criar zonas livres de media dentro da casa

Nas crianças mais velhas, pode ser mais difícil controlar as milhares de mensagens sem sentido, a navegação constante na internet, as conversas ininterruptas nos chats, ou os jogos online, principalmente se têm os seus próprios smartphones. A Academia Americana de Pediatria recomenda que se mantenham, dentro de casa, “media-free-zones”, isto é, áreas sem internet e telemóveis, como os quartos, e há especialistas que falam em “screen-free time”, períodos sem ecrãs, como a hora do jantar, por exemplo. E isto tanto para as crianças e jovens como para os adultos.

No mesmo sentido segue a psicóloga Isabel Cavadas, que propõe “um ritual de pousar o telemóvel”, ou qualquer aparelho tecnológico a fim de proporcionar um momento para a família. Serve “para haver diferenciação do que é o espaço social através do digital e o espaço social da interação direta” e, acima de tudo, para “estabelecer momentos de paragem”, uma vez que “estamos inseridos numa era tecnológica em que temos acesso a tudo o que é imediato, e as crianças nasceram nesta imediatez, o que faz com que tenham dificuldade em parar”.

Para controlar o uso dos meios digitais pelos adolescentes, o ideal é a “negociação”. É necessária uma “comunicação transparente por parte dos pais; a rigidez, ao ser demasiadamente elevada, vai levar o jovem a omitir”, avisa Isabel Cavadas. Há que “tentar ir pelo acordo e não pelas medidas mais radicais”.

Quem manda? Eu ou o telemóvel?

Pelo menos, dizem os especialistas, há que encorajar os filhos a que no período do estudo, o smartphone esteja em silêncio, sem alertas e notificações sonoras. E seria conveniente explicar-lhes como falhamos muito ao tentar fazer duas (ou mais) coisas ao mesmo tempo (como estudar e manter uma conversa no chat, jogar na consola, ou estar atento às publicações e stories dos amigos no Instagram). Não somos (nem sequer as mulheres, como muitas gostam de dizer) multitaskers. O melhor é mesmo mostrar-lhes alguns estudos como um publicado na Psicology Today, sobre os custos de fazer várias tarefas em simultâneo.

Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard publicou uma série de atividades que pode fazer com o seu filho para que este melhore a sua “função executiva”, em várias idades, desde os bébés até aos adolescentes. Incluem, nos mais pequeninos, canções, rimas e jogos de memórias e nos mais velhos, a prática de artes marciais, tocar um instrumento, dançar ou fazer teatro. Tudo isso exige concentração.

Os especialistas sugerem ainda que os pais ajudem os filhos a fazer uma pergunta básica: “Sou eu que mando no smartphone ou noutro aparelho digital ou é é ele que manda em mim?”. E que aprendam a não estar permanentemente ligados. O melhor é responder a mensagens por blocos em vez de estar sempre a interromper a concentração cada vez que chega uma mensagem, isso ajuda-os a melhorar o seu autocontrolo.

Muitos pais podem deparar-se com resistência por parte dos seus filhos nesta tentativa de moderar o uso dos meios digitais. Nessas situações, a opinião de Isabel Cavadas é clara: “Os nãos também têm de existir para educar, os nãos são um meio para a criança aprender a gerir a frustração”, porque “a escalada comportamental requer limites bem definidos e assertividade e consistência”.

Mas acima de tudo, conclui, há que demonstrar “que há tempo para tudo”, seja por iniciativas escolares ou familiares.

Atividades por idades de acordo com o Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard:

  • 3 a 5 anos: teatro, puzzles, culinária;
  • 5 a 7 anos: jogos de tabuleiro, jogos de adivinhas, ritmos de palmas complicados;
  • 7 a 12 anos: qualquer jogo que envolva estratégias, como xadrez, saltar à corda, aprender a tocar um instrumento;
  • Adolescentes: fazer voluntariado, escrever num diário, inscreverem-se num desporto.

 

 

 

Troque o tablet do seu filho por um instrumento musical

Março 3, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://kids.pplware.sapo.pt/ de 14 de fevereiro de 2018.

Criado por Célia Simões

A tecnologia foi encontrada pelos pais como uma forma de manter os filhos quietos, mas se o seu interesse é estimular a inteligência do seu filho tire-lhes o tablet e ofereça-lhe um instrumento musical.

Nos dias de hoje facilmente encontramos em restaurantes, consultórios e outros locais públicos, crianças agarradas aos tablets ou smartphones. Os pais ficam descansados pois os filhos estão quietos e não incomodam.

Apesar da tecnologia ser o futuro, de ser importante que as crianças aprendam a explorá-la, para o seu desenvolvimento intelectual não é o mais indicado.

Segundo estudos recentes, dar tablets ou smartphones às crianças não é a melhor forma de estimular o cérebro destas. Álvaro Bilbao, neuropsicólogo espanhol, autor do livro EL cérebro del ninõ explicados a los padres (O cérebro da criança explicado aos pais), explica que se quer estimular a inteligência dos seus filhos tire-lhe a tecnologia e ofereça-lhe um instrumento musical.

As aulas de música estimulam a capacidade de raciocínio das crianças, mais do que a tecnologia.

A genética tem um peso fundamental no desenvolvimento intelectual da criança, cerca de 50%, mas os restantes 50% dependem de outros estímulos que recebem. As aulas de música, por exemplo, estimulam a capacidade de raciocínio das crianças, mais do que a tecnologia.

É importante que os pais interajam com os filhos e lhes transmitam valores, que promovam a socialização em detrimento do isolamento, que incentivem os seus filhos a praticar desporto e a experimentar diversas atividades.

Um estudo publicado na revista Psychological Science, feito pela Universidade de Toronto, no Canadá, encontrou relação entre o desenvolvimento cognitivo e a aprendizagem de música.

Três grupos de crianças com 6 anos, estudaram durante um ano, separadamente, canto, piano e expressão dramática. Daí ficou concluído que, as crianças que estudaram música, desenvolveram padrões de inteligência superiores aos outros.

Há alguns anos, especialistas afirmaram que colocar bebés com menos de 2 anos a ver filmes de desenhos animados relacionados com música clássica era importante para estimular a inteligência das crianças.

Essa teoria foi desmentida por vários estudos internacionais. A Associação Americana de Pediatria alega mesmo que as crianças com menos de 2 anos não devem ver televisão.

Contudo, crianças com mais idade, que veem filmes numa língua estrangeira, conseguem mais facilmente adaptar-se a outros vocabulários e sons. Por exemplo, as crianças portuguesas conseguem compreender e falar algumas palavras em inglês com maior facilidade que as crianças espanholas porque estas veem tudo dobrado.

Outra forma de estimular o desenvolvimento cognitivo das crianças é ler a duas vozes a história da hora de ir para a cama. Um estudo feito no Canadá garante que este método melhora a capacidade de aprendizagem dos mais novos.

Se quer exercitar o cérebro do seu filho incentive-o a sair de casa, a conviver com outras pessoas e a aprender a tocar um instrumento.

 

 

Pós-Graduação em Educação Especial Domínio Cognitivo e Motor na FMH

Agosto 17, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/specialeducation/?utm_source=phplist95&utm_medium=email&utm_content=HTML&utm_campaign=Oferta+em+P%C3%B3s-Gradua%C3%A7%C3%B5es

Crianças continuam com níveis baixos de iodo um ano após alerta

Julho 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/ de 31 de maio de 2017.

Iodo pode ser obtido através de alimentos de origem marinha, mas também está presente nos ovos, fígado e leite

A investigadora e líder do projeto “IoGeneration” que há um ano revelou que um terço das crianças portuguesas apresentava níveis insuficientes de iodo, podendo assim comprometer o seu desenvolvimento cognitivo, lamenta que nada tenha sido feito desde então.

“Um ano depois de o alerta ter sido dado, pouco ou nada se avançou em termos de políticas de saúde”, afirmou a investigadora do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (Cintesis).

Desenvolvido entre o final de 2015 e abril de 2016, o projeto “IoGeneration” permitiu analisar mais de 2000 crianças portuguesas, de 83 escolas do Norte de Portugal. Os resultados preliminares revelaram-se tão preocupantes que a equipa de investigação deu o alerta logo em março de 2016.

“Ficámos alarmados após analisarmos os dados preliminares, que já indicavam que mais de um terço das crianças teria níveis deficientes de iodo. Sabendo que a falta deste nutriente pode comprometer o coeficiente de inteligência (QI) em 15 pontos, sentimos a obrigação de alertar os decisores políticos e a sociedade o quanto antes”, explicou Conceição Calhau, que atualmente é também professora da Nova Medical School, em Lisboa.

Os resultados finais, publicados agora na revista científica internacional “Nutrients”, atestam que a equipa de investigação liderada pela especialista em Nutrição, do Cintesis, não se precipitou quando decidiu dar o alerta.

“Os dados finais mostram que 29% dos rapazes e 34% das raparigas entre os 6 e os 12 anos sofrem de carência de iodo”, sustentou Conceição Calhau.

Quando compararam as crianças por faixa etária, os investigadores concluíram que os mais pequenos (com 5 ou 6 anos) estão mais protegidos, sendo que “apenas 20% apresentava níveis baixos de iodo. Mas entre as crianças mais velhas (entre os 11 e os 12 anos), 39% têm os níveis de iodo comprometidos”.

Os pais das crianças avaliadas pela equipa de investigação foram também envolvidos no estudo, sendo que 68% confessou não saber o que era o sal iodado. Além disso, as 83 escolas que integraram o estudo não estavam a usar sal iodado, apesar da indicação, publicada em 2013, da Direção-Geral de Educação nesse sentido.

O iodo pode ser obtido através de alimentos de origem marinha, mas também está presente nos ovos, fígado e leite. Neste trabalho, ficou provado que as crianças que bebem dois ou mais copos de leite por dia se encontram mais protegidas contra o défice de iodo, por comparação às que consomem apenas um copo ou nenhum.

Ou seja, “existem outras formas de assegurar um aporte saudável de iodo, através da alimentação, mas em termos de saúde pública, a medida mais eficiente seria legislar no sentido de universalizar a iodização do sal”, sublinhou a investigadora.

Foi aliás neste sentido que deliberou um conjunto de representantes de entidades como a Direção-geral da Saúde e da Educação, da Ordem dos Nutricionistas, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e até de representantes do setor da restauração e da indústria, reunidos por iniciativa dos investigadores do Cintesis, já a 30 de março de 2016.

Na declaração de consenso que daí resultou e que foi apresentada pela equipa de investigação em dezembro do ano passado durante uma audição com a Comissão Parlamentar para a Saúde, pode ler-se que “é consensual a necessidade de implementação da utilização universal e obrigatória, através de legislação apropriada, de sal iodado em Portugal, devidamente compatibilizada com as medidas e recomendações de redução do consumo de sal”.

A necessidade diária de iodo situa-se entre as 90 a 150 microgramas, em função da idade da criança. Este micronutriente serve para manter em equilíbrio os processos metabólicos do crescimento e desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso, desde a 15.ª semana de gestação do bebé.

 

 

Tablets e smartphones deviam estar vedados a crianças com menos de 3 anos

Outubro 24, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://zap.aeiou.pt/ de 9 outubro de 2016.

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O neuropsicólogo espanhol Álvaro Bilbao defende que os ecrãs deviam estar vedados às crianças até aos três anos. Os estímulos rápidos e as recompensas imediatas dos tablets e dos smartphones matam a curiosidade, avisa.

No seu livro “O cérebro da criança explicado aos pais”, lançado este mês em Portugal, Álvaro Bilbao deixou em branco o capítulo 25, destinado a elencar as melhores aplicações tecnológicas para crianças até aos seis anos.

“Lamento dizer que não encontrei nenhuma que seja útil para o desenvolvimento intelectual e emocional das crianças destas idades”, diz o autor, doutorado em Psicologia da Saúde e formado em Neuropsicologia pelo Hospital Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Em entrevista à agência Lusa na sua passagem em Portugal para apresentar o seu livro, o especialista em plasticidade cerebral lembra os vários estudos que já demonstraram que as crianças que se expõem muito cedo a novas tecnologias têm maior probabilidade de desenvolver défice de atenção, problemas de comportamento e fracasso escolar.

No entanto, os ecrãs não são todos iguais. Para Álvaro Bilbao, a televisão “causa menos danos” porque permite maior passividade.

Pode parecer um contrassenso para os pais que uma ferramenta “mais passiva” seja menos nociva, mas é a rapidez do ritmo de interação e a quantidade de estímulos das novas tecnologias que mais preocupam o especialista.

“As crianças recebem muitos estímulos visualmente atrativos e têm muitas recompensas rápidas. Passam o dedo no ecrã e têm um prémio. Na vida real não é assim; na vida real a professora não é tão visualmente colorida, não se move tão depressa e não está constantemente a reforçar a criança”.

Além disso, a rapidez e quantidade de estímulos recebidos pelas novas tecnologias não permitem treinar a atenção, nem a paciência.

As televisões sempre são mais passivas e ativam ondas cerebrais que ajudam a relaxar. Ainda assim, também a televisão deve ser doseada, diz Bilbao, permitindo períodos curtos e retardando o mais possível na idade.

“Muita estimulação mata a curiosidade, uma criança que recebe muita informação satura-se e deixa de gostar de explorar e de aprender. Já uma criança curiosa é a que gosta de aprender. Não matemos a curiosidade”, pede o neuropsicólogo.

Álvaro Bilbao incita os adultos a uma reflexão sobre o seu próprio uso das novas tecnologias; “Usamos smartphones há alguns anos. Quantos de nós se notam mais inteligentes por isso? E, agora, quantos de nós se sentem menos pacientes?”

/Lusa

 

 

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