Não ir à escola é negligência. Com dez anos, “o impacto é brutal”

Setembro 10, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 27 de agosto de 2019.

Metade das doenças mentais começa aos 14 anos

Outubro 22, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 10 de outubro de 2018.

ONU destaca situação de jovens em Dia Mundial de Saúde Mental; Guterres disse que, mudando a atitude em relação ao grupo de enfermidades, é possível mudar o mundo.

Metade de todas as doenças mentais começa aos 14 anos, mas a maioria dos casos não é detectada nem tratada.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, deu esta informação para marcar o Dia Mundial da Saúde Mental, marcado a 10 de outubro. O tema deste ano é “Jovens e Saúde Mental num Mundo em Mudança”.

Comunidades e Jovens

Em nota publicada esta quarta-feira, o secretário-geral da ONU disse que “durante muito tempo a saúde mental tem sido um tema secundário, apesar dos impactos arrasadores sobre comunidades e jovens de todos os lugares”.

António Guterres lembrou que um em cada cinco jovens deve ter um problema deste género este ano. Segundo ele, “a falta de saúde mental durante a adolescência tem impacto no desempenho na escola e aumenta o risco de uso de álcool e substâncias e comportamento violento”.

O chefe da ONU afirmou que, apesar dos desafios, muitos destes problemas podem ser evitados ou tratados.

Explicando que “aqueles que lutam com problemas de saúde mental ainda estão sendo marginalizados”, Guterres lembrou o compromisso das Nações Unidas de que todas as pessoas tenham, até 2030, apoio para este problema.

Para o secretário-geral, “se mudarmos a nossa atitude em relação à saúde mental, mudaremos o mundo”.

Consequências

Segundo a OMS, a depressão é a terceira doença mais comum  entre adolescentes. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos. O uso de álcool e drogas ilícitas também é uma questão em muitos países e pode levar a comportamentos de risco, como sexo inseguro ou conduzir alcoolizado. Transtornos alimentares são outro motivo de preocupação.

A agência da ONU diz que “felizmente cresce o reconhecimento da importância de ajudar os jovens”. A OMS acredita que proteger o bem-estar do adolescente traz benefícios à sua saúde, mas também às economias e à sociedade.

A OMS explica que muito pode ser feito para ajudar. A prevenção começa com o conhecimento e compreensão dos primeiros sintomas. Pais e professores podem ajudar a lidar com desafios do dia-a-dia, apoio psicossocial pode ser prestado nas escolas e, por fim, os profissionais de saúde podem ser treinados para lidar com estes problemas.

A agência acredita que o investimento nesta área é essencial. Esse investimento deve ensinar colegas, pais e professores sobre as melhores formas de ajudar amigos, filhos e alunos.

Mais informações na notícia da WHO:

World Mental Health Day 2018

 

OMS classifica distúrbio de videojogos como doença mental

Junho 19, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de junho de 2018.

O problema é definido como uma “falta de controlo crescente” que impede a realização de actividades normais num período superior a um ano.

Karla Pequenino

A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou os “distúrbios com videojogos” como um problema de saúde mental na nova edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças, publicada online esta segunda-feira. A condição é definida como uma “falta de controlo crescente” ao longo de um período superior a 12 meses, em que se dá cada vez mais importância aos videojogos, mesmo com consequências negativas (falta de sono, irritabilidade, exclusão de outras actividades do dia-a-dia).

“Ter um distúrbio [no manual] é algo que os países tomam em consideração quando planeiam estratégias de saúde pública e monitorizam tendências com distúrbios”, lê-se no comunicado da OMS sobre a mudança que tinha sido anunciada no começo do ano. A nova edição da classificação de doenças – que chega mais de uma década depois da última revisão – entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 2022. Até lá, os vários países devem preparar traduções e treinar profissionais de saúde para trabalhar com as mudanças. O manual é considerado a base para identificar tendências e estatísticas sobre doenças em todo o mundo por definir um código universal.

“Até 2022 ainda há coisas que podem mudar no manual, e há certamente muito interesse do lado das empresas dos videojogos. É uma indústria em crescimento”, diz ao PÚBLICO o psicólogo Pedro Hubert, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador (IAJ) que se foca no tratamento de dependências associadas aos jogos em Portugal, incluindo os jogos da sorte. Actualmente, cerca de 20% dos pacientes que chegam ao IAJ queixam-se de problemas específicos com videojogos. “Há provas científicas de que o estímulo para jogar pode ser tão forte como a nicotina e outras drogas. Por cá, há cada vez mais pais preocupados por não saber como ajudar os filhos que se isolam, começam a falhar na escola e vivem para os videojogos”, diz Hubert. “A partir do momento em que a OMS aceita isto, os critérios são iguais em todo o lado e os Estados são obrigados a reconhecer o problema.”

Há investigadores, no entanto, que recomendam cautela com o diagnóstico da OMS. A psicóloga Maria João Andrade, que gere a Grinding Mind, uma associação portuguesa para promover uma relação saudável com videojogos, relembra que os casos problemáticos são uma minoria. É algo que a própria OMS reconhece. “Estudos sugerem que o distúrbio apenas afecta uma pequena proporção de pessoas que se dedicam a actividades de jogos digitais ou videojogos”, lê-se no guia da OMS sobre as mudanças quanto aos videojogos. “Porém, as pessoas que se dedicam a esta actividade devem estar alerta sobre o tempo que passam com videojogos, especialmente quando leva a ignorar outras actividades diárias.”

6C51 Gaming Disorder

https://icd.who.int/browse11/l-m/en#/http%3a%2f%2fid.who.int%2ficd%2fentity%2f1448597234

 

José Caldas de Almeida: “Um dos fatores mais devastadores na saúde mental é o abuso sexual”

Junho 5, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Observador a José Caldas de Almeida no dia 19 de maio de 2018.

Vera Novais

A violência sexual e a pobreza são os fatores que melhor permitem prever o aparecimento de doenças mentais. Perda e abandono na infância também têm um impacto importante na saúde mental das crianças.

Todos nós, em algum momento da vida, teremos de enfrentar uma situação que nos fará sentir “em baixo”, que nos deixará ansiosos ou que nos deixará sem dormir. A maior parte das vezes conseguiremos ultrapassar estas situações sem precisar de recorrer aos serviços de saúde, mas se tivermos de o fazer não precisamos de ter vergonha disso.

As doenças mentais podem ser incapacitantes, mas também podem ser tratadas e as pessoas podem voltar a ter uma vida normal, diz José Caldas de Almeida. O psiquiatra defende que as pessoas devem procurar os serviços de saúde assim que se apercebam que algo não está bem e devem iniciar os tratamentos o quanto antes. A recuperação será melhor e mais rápida.

E desengane-se se pensa que as doenças mentais só se tratam em asilos. Atualmente, a maior parte da recuperação é feita em casa e só se recorre a internamento em casos específicos e por pouco tempo, esclarece o professor de Psiquiatria e Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. A presença de familiares e amigos e a sensação de pertença à comunidade, não só podem ajudar na recuperação, como desempenham um papel importante na prevenção das doenças mentais.

“Dependendo do tipo de sociedade e de cultura em que se vive, vários são os interlocutores que podem auxiliar as pessoas nestas situações – família, amigos, vizinhos, membros da comunidade em quem se confia, grupos de autoajuda, etc”, escreve no livro ‘A saúde mental dos portugueses’, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. “Estudos realizados pela OMS [Organização Mundial de Saúde] mostraram que, por exemplo, entidades como os líderes religiosos e as cabeleireiras podem ter em alguns países um papel relevante no suporte psicológico a pessoas com depressão e na referenciação dos casos mais graves para os serviços de saúde.”

Como principais grupos de risco para as doenças mentais, Caldas de Almeida aponta os pobres e as mulheres, ambos sujeitos a maiores fatores de stress que podem condicionar o aparecimento de depressão ou estados de ansiedade. As mulheres são ainda o grupo mais sujeito a um dos mais importantes fatores de trauma que levam ao aparecimento de doenças mentais, segundo o psiquiatra: a violência sexual.

Ao Observador, José Caldas de Almeida contou como está a saúde mental dos portugueses e o que podemos fazer para diminuir a taxa de doença mental no país: mais prevenção e melhor qualidade nos serviços.

Devíamos preocupar-nos mais com a saúde mental em Portugal?
Sim, devíamos preocupar-nos e dedicar mais atenção aos problemas da saúde mental. Quando digo devíamos, não estou a pensar só nos decisores políticos, mas estou a pensar nos responsáveis a outros níveis, porque as coisas não se resolvem só com leis e com políticas, ou até com investimentos. Sobretudo em áreas como esta, em que há um desconhecimento muito grande disseminado na população portuguesa, na opinião pública, nos media.

Há muitas pessoas que ainda encaram uma ida ao psicólogo como um capricho ou uma ida ao psiquiatra como um atestado de loucura. Isto condiciona o acesso aos cuidados de saúde mental?
Isso é uma das questões complicadas: a associação que existe entre a doença mental e a ideia de que não são verdadeiras doenças ou de que não há nada a fazer para as tratar, no fundo, que não são um problema sério de saúde pública. E essa é uma questão importante, que leva a que uma proporção significativa de pessoas que têm problemas de saúde mental, e que deviam ser tratadas, acabam por não procurar cuidados, ou porque têm vergonha ou porque não têm ideia de que aquilo é um problema de saúde que pode ser tratado.

Mas o problema é mais vasto. Estudos em muitos países, entre os quais Portugal, trouxeram uma visão bastante diferente daquela que era a visão tradicional. Por um lado, há a prevalência das doenças mentais que é muito superior àquilo que se julgava e a associação entre essas doenças e as doenças chamadas físicas — uma associação que tem grandes implicações a vários níveis. Por outro lado, o conhecimento muito maior que existe quanto aos impactos, às consequências negativas da doença mental, e não só em termos de mortalidade. Não é das doenças que está associada a uma mortalidade mais elevada, mas tem impactos sobretudo em termos das incapacidades a que está associada. O que hoje se sabe é as doenças mentais são uma parte importante, em Portugal à volta de vinte, vinte e tal por cento, de toda a carga DALY [Disability Adjusted Life Years], que mede o tempo de vida boa que se perde, ou porque se morre prematuramente ou porque se fica seriamente incapacitado.

Quando se fala em incapacidade, associa-se muitas vezes à incapacidade física.
Pois, mas há incapacidades que são tão ou mais negativas do que as físicas: a incapacidade para trabalhar ou para se ser produtivo tem implicações muito grandes para a pessoa, para a família e para a sociedade; a incapacidade para se relacionar com os outros, para ter relações satisfatórias com os outros, tem implicações enormes, algumas que não são mensuráveis.

As pessoas estão despertas para este problema? É fácil perceber que uma pessoa que tenha uma lesão física possa não estar capaz de desempenhar determinadas tarefas, mas será que as pessoas estão preparadas para identificar as incapacidades causadas por problemas na saúde mental?
Cada vez há mais sensibilidade para isso. Os responsáveis das grandes empresas, que empregam muita gente, sabem perfeitamente que têm um número enorme de faltas ao trabalho — chamado absentismo — e sabem que têm presentaísmo (as pessoas que vão ao trabalho, mas produzem menos do que habitualmente). Hoje em dia, muitas grandes empresas levam isto muito a sério. Tão a sério que são cada vez mais aquelas que desenvolvem programas para identificarem estes casos e para ajudarem as pessoas. Há poucos dias, o Guardian publicou um artigo de [António] Horta Osório que falava dos programas que o banco que dirige tem — quem diz esse banco, diz muitas outras empresas. Isto para lhe dizer que há cada vez mais pessoas e entidades que se dão conta da importância disto.

Às vezes, para a própria pessoa que tem um problema de saúde mental, é difícil identificá-lo e assumir que pode ter um problema. As empresas, os colegas de trabalho, a família, os amigos destas pessoas têm um papel importante para encaminhar as pessoas para o médico?
Claro que facilita muito se a pessoa que sofre desse problema tiver familiares ou amigos ou colegas ou responsáveis no trabalho que lhe possam dizer, de uma forma apoiante — não de uma forma a que se sintam excluídas. Mas infelizmente isto [falar de forma negativa] é o que acontece muitas vezes, daí que muitas pessoas tenham medo de dizer no emprego que têm esse problema. Diria que, embora continuemos a ter um estigma muito grande associado à doença mental, embora continue a haver uma ignorância muito grande em relação ao que são as doenças mentais, quais são as suas implicações, o que se pode fazer para as prevenir e o que se pode fazer para as tratar, tem havido progressos muito grandes nestes últimos anos.

A pergunta é mesmo essa: o que são as doenças mentais? E se são a mesma coisa que problemas neurológicos?
Não, uma coisa são doenças neurológicas [acidentes vasculares cerebrais, doença de Parkinson, epilepsia], outras coisas são as doenças mentais [ou psiquiátricas]. Às vezes podem coexistir ou pode haver doenças que têm uma componente neurológica e uma componente psiquiátrica, como as demências. As doenças psiquiátricas manifestam-se por sintomas associados às funções psíquicas básicas, alterações do pensamento, alterações do afeto ou alterações do comportamento, assim como uma série de sintomas que podem ser mais físicos, como as alterações do sono, alterações do apetite, alterações da sexualidade, alterações da capacidade para desenvolver atividades.

Estas doenças estão, muitas vezes, associadas a outra doenças, é frequente a comorbilidade entre doenças psiquiátricas e não psiquiátricas. Durante muito tempo, o estigma das doenças mentais baseava-se em ideias distorcidas, ideias erradas, quanto à natureza destas doenças: sobretudo as mais graves, as que envolviam alterações do pensamento, ideias delirantes, alucinações, as chamadas psicoses. As psicoses, pela estranheza das suas manifestações, causam alguma apreensão, as pessoas tendem a ter mais receio do que de outras manifestações patológicas. Isso levou a este medo da loucura, a não querer pensar nisso, a querer se afastar.

Quanto custam as doenças mentais?

Também por isso é que as pessoas eram internadas e afastadas da sociedade.
Havia a tendência para tentar tirar essas pessoas de circulação. Na Europa, e noutras partes do mundo, foram criados asilos para onde iam estas pessoas, como iam pessoas indesejáveis. E muitas tentativas que foram feitas, a partir de certa altura, para substituir essas instituições isoladas, com funções sobretudo asilares foi muito difícil e ainda hoje é difícil.

Em Portugal, houve uma lei de saúde mental muito avançada em 1963. Criaram-se centros de saúde mental em todos os distritos, o que permitiu descentralizar e dar muito mais acesso aos serviços de saúde mental.

Numa altura em que a saúde mental não tinha muita importância.
Nenhuma. Foi na altura que entrei para a faculdade. Havia meia dúzia de tipos maduros que queria ir para psiquiatria. Mas o que aconteceu é que passado pouco tempo de terem sido criados, o Governo incorporou nestes centros de saúde mental — criados para serem coisas não-asilares e para serem uma alternativa — os albergues de mendicidade. Os albergues de mendicidade eram os caixotes do lixo sociais que existiam, onde se metiam os tipos que se queriam tirar de circulação, que não tinham capacidade para ter uma vida. Foi uma coisa terrível. Uma das razões do estigma, e para não se dedicar grande atenção às doenças mentais, é que durante muito tempo houve a ideia que não havia nada a fazer, de que eram pessoas que tinham uma doença para a qual não havia tratamento, e que portanto estavam condenadas. Quando comecei a trabalhar em psiquiatria, nos hospitais psiquiátricos, encontrei muitos doentes que estavam lá há 30, 40, 50 anos, uma vida inteira. E alguns não precisavam. Foram pessoas das quais se desistiu e ficaram ali.

Uma vez internados, essas pessoas conseguiam sair ou ficavam catalogados de loucos?
Não é que todas as pessoas que eram internadas não saíssem, mas para algumas pessoas que tinham situações mais graves ou que perdiam contacto com a família, era mais difícil dar-lhes alternativa, e ficavam. Hoje em dia nada tem de ser assim. Agora, a maior parte das situações, mesmo as mais graves, e mesmo as que em algum momento precisem de um internamento curto, podem ser tratadas em casa e as pessoas manterem a sua vida. Mesmo nos casos muito graves, em que há perda de capacidades, as pessoas podem ser reabilitadas e reinseridas na sua profissão. Em casos em que não têm residência, porque tiveram muito tempo no hospital, há vários dispositivos residenciais.

Queria perguntar-lhe exatamente isso: as pessoas que não têm apoio familiar, podem voltar a casa e retomar a sua vida?
Sim, desde que existam os serviços. O que acontece é que temos dois grandes grupos de patologia psiquiátrica (estou a simplificar). Um deles, são as chamadas doenças mentais comuns, sobretudo os casos de depressão e ansiedade. São muito frequentes, mas a maior parte das vezes não são muito graves, logo podem ser tratadas em consulta. Mas é um problema, e um problema grave, porque são muitos casos e porque têm impacto enormes: em termos de incapacidade, porque interferem imenso na vida das pessoas, porque lhes causam muito sofrimento, porque complicam imenso a vida das famílias e porque têm implicações sociais várias. Esse é um tipo, bastante diferente do outro grupo: as doenças mentais graves, que são doenças que interferem de uma forma muito significativa com o funcionamento das pessoas e engloba sobretudo as psicoses — esquizofrenia e doença bipolar. São doenças que exigem cuidados diferentes. Durante muito tempo as pessoas que tinham essas doenças eram internadas nos hospitais psiquiátricos, completamente separadas dos outros doentes, o que lhes dava logo uma etiqueta terrível. A pessoa que estivesse internada no hospital psiquiátrico entrava logo no clube dos loucos e isso causava muitos problemas na sua vida a todos os níveis. Algumas acabavam por ficar muito tempo internadas porque não havia meios de reabilitação.

O que aconteceu foi que, graças aos progressos científicos, novos medicamentos, novas intervenções psicológicas e psicossociais, novos modelos de organização dos serviços, hoje podemos ter serviços para tratar essas pessoas que conseguem uma taxa de sucesso bastante grande, mesmo em casos em que não consigam curar a doença — o que aliás acontece em imensas doenças não-psiquiátricas, mas tendemos a esquecer-nos disso. Hoje em dia o mundo está cheio de pessoas com doenças crónicas, às vezes com várias doenças crónicas. E isto é cada vez mais frequente, porque cada vez as pessoas vivem mais tempo e cada vez vamos tendo mais sucesso terapêutico. Mas tal como as restantes doenças crónicas, as doenças mentais graves são doenças para as quais se consegue controlar os sintomas, consegue ter remissões durante muito tempo, consegue evitar novos surtos e consegue que as pessoas tenham uma qualidade de vida aceitável (vida familiar, emprego). Para isso tem de ter serviços organizados, com princípios que ainda não estão generalizados em todo o lado e com recursos e capacidades que também não existem em todo o lado.

As coisas mudaram, mas as pessoas ainda associam que se forem ao psiquiatra vão tomar comprimidos e ficar prostradas e não gostam desta condição.
O que acabou é que, para estas doenças, não é nem o psiquiatra, nem o psicólogo sozinho que tratam estas coisas. As pessoas têm de ser tratadas por uma equipa. Têm um programa, têm alguém que se encarrega de orientar a pessoa e que se encarrega de evitar uma coisa que é específica deste caso: muitas vezes as pessoas não têm consciência patológica, não se apercebem que têm de ir à consulta, acham que aquilo não é suficientemente grave. Outro problema que não é só da psiquiatria é que passámos de um mundo em que tratávamos episódios agudos para um mundo em que tratamos pessoas com doenças crónicas. Isto implica serviços completamente diferentes, em que tem de ter um programa, tem de seguir o caso — a continuidade é muito importante, a pessoa não pode andar a saltar de médico para médico —, e, neste caso, se o doente não vai à consulta, a equipa deve telefonar, se for preciso ir a casa e convencê-lo. Em vez de ser uma atitude reativa é uma atitude proativa, é uma atitude de continuidade e é uma atitude em que a preocupação não é só diminuir sintomas, é ajudar a pessoa a reabilitar-se a integra-se socialmente. A exclusão social aqui é uma coisa terrível e se se entra no ciclo da exclusão social, estas pessoas têm riscos enormes.

Quais são os grupos mais vulneráveis?
Esse é outro progresso muito grande. Sabemos muito mais sobre quais são os fatores de risco para ter doenças mentais, o que nos permite prevenir, e sabemos também muito mais quais os impactos da doença mental a vários níveis [ver caixa]. Sabemos que o risco de ter doenças mentais, no caso das mais comuns (depressão e ansiedade), é muito maior nas mulheres do que nos homens. Nos homens é mais comum o alcoolismo e o consumo de outras drogas. Mas quem tem maior risco, em geral, são as mulheres. Outra coisa que se sabe é que os fatores sociais têm uma importância enorme, a pobreza está altamente associada ao risco. Havia uma ideia, há 20 ou 30 anos, que as doenças mentais eram um capricho de gente rica e ansiosa, que se podia dar ou luxo. É fantasia. Os pobres têm muito mais problemas mentais do que os ricos. A razão principal é muito simples: as pessoas mais pobres têm muito mais situações de stress do que têm as que são mais ricas. Têm mais privações financeiras, que levam a conflitos entre as pessoas, que levam à utilização de drogas. E cria-se aqui um ciclo vicioso, porque a doença mental leva a uma maior pobreza. São ciclos que são muito difíceis de quebrar depois.

E nas mulheres porque é que acontece mais do que nos homens?
Por várias razões. Por um lado, porque há variabilidades endócrinas [produção de hormonas]: por exemplo, sabemos que a seguir ao parto pode haver um quadro patológico de depressão pós-parto. Mas têm a ver com outras coisas, é que as mulheres, na maior parte das sociedades de hoje em dia, tem uma carga adicional de stress. Há uma fase da vida das mulheres que têm uma sobrecarga grande, que têm problemas muito grandes no dia a dia: levantar cedo todos os dias, tomar conta da comida e dos filhos, andar a correr de um lado para o outro, isto pode ser um stress muito grande. Esta sobrecarga leva a mulher a estarem em desvantagem em termos de apoios sociais.

Também sabemos que um dos fatores que tem um efeito devastador na saúde mental das pessoas é o abuso sexual. A violência sexual na infância é uma coisa terrível, paga-se caríssimo mais tarde. E também sabemos que a violência sexual continua a ser muito elevada. Uma das coisas que estudámos foram os fatores associados ao stress pós-traumático e havia esta ideia que a guerra é que era o grande fator. Fizemos um estudo, que vai ser publicado em breve, sobre quais os fatores a que as pessoas são expostas e que são sentidos como um trauma e que depois vão criar stress pós-traumático. Portugal, além de ter um fator que existe em todo o lado, que é a perda (de um marido, de um filho, etc), durante muito tempo teve um fator muito importante que eram os acidentes de viação, porque tínhamos uma taxa elevadíssima de acidentes. Claro que também tivemos, em valor absoluto, a guerra, embora a guerra tenha sido há muitos anos. Agora, o que nós descobrimos neste estudo é que a situação que tem valor preditivo mais forte é a violência sexual, embora a violência sexual possa ser exercida sobre homens e mulheres é mais sobre as mulheres.

Para as doenças graves, e talvez para as mais comuns, existe um fator genético associado?
As doenças mentais estão associadas, como a maior parte das outras doenças, a vários fatores. As doenças mentais talvez se distingam por estarem associadas a muitos mais fatores. É raro ter uma doença em que diga é só este fator. Vamos pensar no caso da depressão. Há casos de depressão em que a influência genética é muito forte, há vários casos na família. Há outros casos que o que conta fundamentalmente são os acontecimentos da vida das pessoas, condições sociais, etc. Diria que na maior parte, tem os ingredientes, que podem variar na proporção, mas pode ter uma certa vulnerabilidade genética, mas depois tem de haver outros fatores.

Estava a pensar sobretudo na esquizofrenia e na doença bipolar.
Nesses há. Nestes casos a componente genética é mais forte, embora sejam os outros fatores, como os eventos, que as podem desencadear.

Como é que se previnem as doenças mentais?
Há uns anos não se sabia quase nada sobre isso, podia prevenir-se duas ou três coisas. Hoje já conseguimos prevenir muita coisa. Na prevenção temos a prevenção primária, quando se consegue que não apareçam novos casos, e a prevenção secundária, que é atuarmos de tal maneira que os casos que aparecem são rapidamente tratados e que não se deixam prolongar no tempo nem agravar. Para algumas doenças, como a esquizofrenia, não sabemos muito sobre como prevenir, mas temos intervenções altamente eficazes, comprovadas cientificamente, de prevenção do suicídio, prevenção do consumo do álcool.

Mas não se pode prevenir que um familiar morra, não se podem prevenir muitas das situações traumáticas.
Os fatores genéticos ou de base biológica são difíceis de prevenir, mas pode ter intervenções preventivas que, por um lado diminuam a vulnerabilidade das pessoas ou que reforcem os fatores protetores. Um dos programas mais eficazes que foram desenvolvidos são os programas parentais, programas de apoio às mães no princípio da vida dos miúdos, porque o princípio da vida e a relação entre o bebé e mãe vai ter um papel importantíssimo na saúde mental e física da criança. O que se passar nessa fase inicial vai marcar a pessoa para a vida inteira [exemplos de eventos negativos: perda, abandono, depressão da mãe]. Dar apoio a essa relação é muito fácil de fazer. Em países com serviço nacional de saúde pública, como nós temos, é facílimo. Por exemplo, todas as grávidas, depois de terem a criança, terem uma enfermeira que faz três entrevistas nos primeiros tempos, faz educação e despista se há alguma coisa. São muito baratos e nada transcendentes, quase de senso comum. Isto tem um impacto na prevenção de problemas mais tarde, mas é um investimento a longo prazo. Há muitas intervenções na escola que também são altamente eficazes, como na prevenção do bullying, que é uma coisa que também tem efeitos devastadores, e tem outros que vão pela positiva, que são programas de desenvolvimento da resiliência.

Coisas negativas vão sempre acontecer e vão ter maior impacto numas pessoas do que noutras. Como é que nos preparamos para sermos mais fortes?
Fizemos um estudo sobre o impacto da crise económica [privação financeira, desemprego] na saúde mental. Utilizando o que tínhamos feito no início da crise fizemos outro a seguir. Ainda estamos agora a analisar os dados, mas já deu para perceber algumas coisas: houve muita gente que foi atingida a nível da saúde mental, houve um agravamento muito significativo do número de pessoas com problemas de saúde mental — ansiedade e depressão —, mais nos homens do que nas mulheres por causa da questão laboral. Outros fatores, como os fatores contextuais são mais difíceis de avaliar também são importantes: se têm serviços acessíveis ou não, de qualidade ou não. A estes somam-se os fatores financeiros, se a pessoa tinha dinheiro para comprar os medicamentos e para ir às consultas. Mas também vimos que houve fatores protetores, pelo menos dois que nós apanhámos — haverá outros. Primeiro, o chamado suporte social, que mede o número e a qualidade dos apoios sociais que as pessoas têm quando estão com problemas: família e amigos. Isto tem uma importância enorme para fortalecer as pessoas a resistir. Todas as pessoas estavam vulneráveis à perda do emprego, mas que tinham o apoio social estavam mais defendidas. O outro fator protetor é o envolvimento comunitário. As pessoas que vivem em comunidades em que participam, que estão integradas na comunidade, que têm um sentimento de pertença a um bairro, a uma comunidade, tem qualquer coisa que é muito importante. O suporte social e o envolvimento comunitário protegem de formas diferentes no caso da ansiedade e no caso da depressão. O que é curioso. Estamos agora a trabalhar esses aspetos para percebermos melhor essas nuances.

No livro referia que o sítio a que as pessoas com problemas de saúde mental mais recorrem são os centros de saúde. Os centros de saúde estão preparados?
Não, não estão. Temos uma acessibilidade muito boa. Em termos europeus, os portugueses se precisam de ir a uma consulta porque têm um problema de saúde mental estão melhor que a maior parte. Estamos sempre a dizer mal, mas é mentira. Em termos de acessibilidade somos bons. A rede dos cuidados primários foi uma coisa fantástica nesse aspeto. Agora, a qualidade dos cuidados já é outra conversa. Fomos medir os cuidados minimamente adequados. Em Portugal, 7% das pessoas tiveram uma depressão [diagnosticada pela equipa de investigação durante os inquéritos] no ano anterior. Destas, só 65% é que se deram conta de que se deviam tratar — há 35% que desaparecem logo, que não são tratadas porque não perceberam ou tiveram vergonha de se tratar. [Das que se procuram cuidados,] 88% conseguiram aceder aos cuidados de saúde primários ou secundários. Quando fomos ver os cuidados minimamente adequados, apenas 15% tinha tido. No final, da população inicial com depressão, só 9,1% teve acesso a cuidados de boa qualidade. Não é que fossem mal tratados, mas uma pessoa para ser bem tratada deve ser vista no mínimo quatro vezes por ano. É aqui que falha. Aqui e na articulação entre os cuidados primários e os serviços especializados. Perdem-se muitos doentes que deviam ir para a psiquiatria e não vão, ou vão mal mediados. Mas esse não é um problema só nosso, é um problema mundial. Esta articulação entre os serviços primários e os serviços especializados é um desafio enorme. E é uma coisa especialmente difícil de aceitar porque sabemos como é que se resolve este problema. Temos estudos que provam, sem nenhuma sombra de dúvida, que se pudéssemos fazer o que sabemos que funciona, estes 35% que se perdem ao princípio podiam diminuir para 20% ou para 15%, com campanhas de educação, etc. Os 88% podiam ir para 95%. Depois esses 15% podiam subir muito, muito, muito.

Além das campanhas o que é que se poderia fazer que não se faz?
Teria que haver organização dos serviços e organização de programas feitos de outra maneira: modelos colaborativos de cuidados. São modelos muito parecidos com os das doenças crónicas em geral, com passos: as pessoas vão a um primeiro passo, se não funciona são enviadas para outro passo, mas não se perdem, estão sempre em contacto com o serviço, há uma avaliação constante. Isso é muito difícil de implementar nos nossos serviços, nos nossos e em outros. Mas onde se implementou deu resultados fantásticos.

A dificuldade é a organização?
A organização e formação. Primeiro, teríamos de convencer muitos responsáveis que a saúde mental é importante. Teríamos de ter não só médicos, mas também enfermeiros — faltam imensos enfermeiros — e alguns psicólogos, teríamos de os convencer a haver uma colaboração e tratamento em comum. Faz-se nalguns sítios, no meu serviço há muitos anos que fazemos coisas destas.

Mas não está generalizado.
Está longe de estar generalizado. O problema é de implementação, não é de saber o que é que se tem de fazer.

Portugal tem a maior prevalência de doenças mentais do sul da Europa

Há outra questão, relacionada com as conclusões do estudo, que é: porque é que Portugal tem uma taxa de doenças mentais muito mais alta do que o resto dos países do sul da Europa?
Não lhe sei explicar, mas é um problema que me tem preocupado imenso, que me tem feito pensar muito. Pensei tanto e andei à procura de tantas coisas que descobri que a única situação que há parecida com a nossa é o Brasil [que tem uma taxa mais alta do que os restantes países da América latina], com uma prevalência ainda mais alta que a nossa. Primeiro é preciso dizer, temos de facto uma prevalência mais alta, mas não é em todas as doenças, é sobretudo nas perturbações da ansiedade, e dentro das perturbações da ansiedade, as perturbações fóbicas [medos e vergonhas]. O que pode explicar isto? Pode haver fatores genéticos, mas não sabemos. Há um fator que acho que existe de certeza: os diagnósticos das doenças mentais não são feitos por uma análise ao sangue, mas por questionários clínicos, e isto faz com que de cultura para cultura haja uma expressão mais fácil ou menos fácil do sofrimento psicológico. Há culturas em que é muito fácil as pessoas falarem que estão muito tristes ou alegres ou ansiosas e há culturas em que as pessoas não conseguem dizer disso. Na Ásia, as pessoas são incapazes de dizer que estão tristes. A cultura portuguesa, para o bem e para o mal, faz com que as pessoas não tenham dificuldade em se queixarem das suas desgraças. O que quero dizer é que uma parte desta prevalência elevada pode ter a ver com o facto de exprimirmos mais facilmente os sintomas e portanto muitos mais casos serem apanhados. Depois pode haver aspetos culturais em Portugal que acentuaram estes aspetos ansiosos, estes aspetos da vergonha, do medo do que é que os outros pensam, da exposição.

E depois — e isso nós observámos — existem menos apoios. Os pobres e as mulheres estão em desvantagem em relação aos pobres e às mulheres de outros países europeus. O que este estudo para mostrar o impacto da crise nos mostrou é que há dois Portugais — há muitos, mas há dois fundamentais. Curiosamente, quando fomos ver em relação à parte financeira, há uma parte de portugueses que não sofreu muito — e eu espantei-me. Mas há uns 30 ou 40% de todos os portugueses que são pobres a sério, que têm privações muito grandes, que estão desprotegidos — às vezes esquecemos deles porque é uma população que está escondida, mas ela existe e essa gente está muito vulnerável. Isto significa que os nossos serviços deviam estar preparados não só para dar acesso a toda a gente, mas preparados para poder apoiar de uma forma especial, para garantirmos o princípio da equidade a essas pessoas que estão numa desvantagem muito grande e que precisam de compensar isso. Claro que já se fizeram imensos progressos: quando comecei não haviam centros de saúde, os mais novos não fazem ideia o quanto isto melhorou nesse aspeto. Mas há gente que tem necessidade de apoios que ajudem a mitigar as desvantagens em que elas estão. Com o que aprendemos devíamos estar preparados para a próxima crise económica.

Vão comparar os dados de Portugal com a Grécia e outros países que também atravessaram uma crise económica?
Já fizemos a revisão de toda a literatura científica que existe, até fizemos um encontro cá em Lisboa sobre o impacto dos fatores económicos e sociais na saúde mental. Uma das coisas que trabalhamos nesse encontro foi que iniciativas e que programas é que devemos ter para mitigar, para proteger os grupos mais vulneráveis. Há estudos que compararam crises anteriores. Por exemplo, a Suécia teve uma crise muito grande já há muito anos, numa altura em que a Espanha também teve. Quando se compararam os resultados, mostraram como os suecos se saíram muito melhor, estavam preparados, ajudaram os grupos mais vulneráveis.

As doenças mentais

Perturbações mentais comuns: perturbações de ansiedade, perturbações do humor ou afetivas, perturbações do controlo dos impulsos e perturbações de uso de álcool e outras substâncias.Têm duas características em comum: encontram-se com relativa frequência na população em geral e nas populações que procuram cuidados de saúde, e não se fazem acompanhar, em regra, de alterações graves.

Perturbações mentais graves: esquizofrenia e a doença bipolar (no passado, denominada psicose maníaco-depressiva). Envolvem com frequência sintomas psicóticos (por exemplo, ideias delirantes, alucinações, afastamento da realidade, ausência de consciência patológica) e incapacidade significativa a nível das atividades diárias e profissionais.

Outras perturbações: perturbações mentais orgânicas (estados confusionais agudos e demências), perturbações do comportamento alimentar e perturbações do desenvolvimento.

“A saúde mental dos portugueses”, FFMS

The World Mental Health Survey Initiative

É um projeto que coordena a implementação e análise dos estudos epidemiológicos referentes à saúde mental, abuso de substâncias e distúrbios de comportamento na população em geral, em todas as regiões da Organização Mundial de Saúde. Os resultados serão comparados com as consequências sociais adversas e com os padrões de procura de cuidados.

Esta iniciativa conta com a participação de 27 países, incluindo Portugal, e mais de 154 mil participantes entrevistados presencialmente.

The World Mental Health Survey Initiative

 

Dependência em videojogos será classificado como doença mental

Janeiro 4, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://pplware.sapo.pt/ de 27 de dezembro de 2017.

Marisa Pinto

Em cada edição e/ou revisão das categorias de Perturbações Mentais, os técnicos e especialistas da área da Saúde Mental tentam adaptar e adicionar novos comportamentos que se desviem da norma, de forma a serem considerados patologias.

Neste sentido, já em 2018, a Organização Mundial de Saúde irá classificar o vício e dependência em videojogos como sendo uma doença mental.

Bem sabemos que os videojogos são viciantes… se é um gamer acérrimo, certamente que já experienciou alguns sintomas característicos de dependência tais como:

  • Necessidade de estar sempre a jogar para satisfazer o vício
  • Sensação de prazer e alívio quando está a jogar, perdendo mesmo a noção do tempo que passa a jogar
  • Necessidade de jogar por períodos mais longos de tempo
  • Mal-estar, inquietação e desconforto quando não está/não pode jogar

Já em 2010 alertávamos, aqui no Pplware para esta dependência e, nesse mesmo artigo, deixávamos algumas consequências que essa dependência poderia trazer para a vida dos sujeitos:

  • Alteração nas necessidades básicas como sono e/ou alimentação
  • Performance e rendimento no trabalho/escola afetados negativamente
  • Diminuição do tempo que se dedica a tarefas sociais como sair e estar com amigos
  • Baixa autoestima
  • Falta da prática de desporto, descurando a imagem e por vezes a higiene

Até aqui, a Dependência em Videojogos, apesar de ser conhecida e de se sinalizarem vários casos, não estava reconhecida, oficialmente, como uma patologia.

Mas essa realidade irá alterar-se já em 2018 uma vez que a OMS (Organização Mundial de Saúde) irá classificar a Dependência em Videojogos como sendo uma Doença Mental e, assim, será mais fácil reconhecer e identificar os sintomas, pois a perturbação será incluída na revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID), assim como fará certamente parte da nova revisão do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM).

Assim sendo, os especialistas da área da saúde mental, terão dados normativos e sintomas oficiais desta perturbação, podendo, assim, criar-se testes psicológicos adequados de forma a se determinar se alguém cumpre os requisitos para ser considerado um diagnóstico de dependência em videojogos e, a verificar-se, pode-se implementar um programa adequado de forma a se trabalhar e tentar tratar essa mesma dependência.

Uma vez que a Dependência em Videojogos só será classificada como doença mental em 2018, os especialistas estão ainda a debater a melhor forma de como esta será incluída nas revisões dos manuais supracitados.

Contudo já são conhecidos alguns dos sintomas ‘oficiais’ desta perturbação:

  • A pessoa dá prioridade ao vício nos videojogos, sendo que jogar se torna na tarefa mais importante do seu dia, negligenciando outros interesses e tarefas diárias
  • Perder a noção do tempo e frequência que passa a jogar
  • Ignorar os aspetos negativos que este vício lhe traz

Basicamente, esta dependência atua como outras dependências (ex. substâncias tóxicas, açúcar, jogo de azar…), uma vez que são emitidos sinais ao cérebro da necessidade crescente de continuar a satisfazer o desejo de ter aquele comportamento.

Em 2018, cá estaremos para dar todas as novidades desta “futura” Doença Mental.

mais informações no link:

https://icd.who.int/dev11/l-m/en#/http%3a%2f%2fid.who.int%2ficd%2fentity%2f1448597234

 

 

A psicose, os demónios e a minha linda filha

Maio 12, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 3 de maio de 2015.

Público

Doris Fuller

Uma mãe relata como a filha começou a manifestar a sua bipolaridade até ao dia em que tudo mudou de vez.

No mês passado, perdi a minha querida filha na luta contra a doença mental. Suicidou-se a poucas semanas de fazer 29 anos, atirando-se para a frente de um comboio em Baltimore.

A Natalie e eu escrevemos um livro juntas quando ela tinha 16 anos: Promise You Won’t Freak Out: A teenager tells her mother the truth about boys, booze, body piercing and other touchy topics (and Mom responds) — “Promete que não te passas: Uma adolescente conta à mãe a verdade sobre rapazes, álcool, piercings e outros temas sensíveis (e a mãe responde)”. A ideia de uma adolescente contar à mãe os seus segredos era tão atraente que aparecemos na capa do Baltimore Sun e mais duas dezenas de jornais, fomos a programas de televisão de um lado ao outro do país, incluindo aos programas da manhã, e pagaram-nos para dar conferências. A Oprah ligou-me.

No livro, usávamos um dispositivo para assinalar quando uma grande reviravolta estava prestes a acontecer: Até que… Na introdução, defini os momentos Até que… como “uma daquelas alturas críticas em que a minha alegre sensação de que tudo estava bem no mundo colidia com a prova irrefutável de que não, não estava”.

O livro foi publicado uma semana antes de a Natalie terminar o liceu e recebeu óptimas críticas. A Amazon considerou-o o melhor livro sobre parentalidade de 2004. Foi nomeado para um prémio nacional. Foi traduzido para lituano e chinês.

Até que…

Aos 22 anos, durante a segunda parte do seu último ano de faculdade, Natalie teve um surto psicótico. No prazo de poucas semanas, passou de uma jovem adulta brilhante com o mundo aos seus pés para uma paciente numa instituição psiquiátrica com cadastro criminal. Só muito mais tarde é que eu soube que esta dramática trajectória é avassaladoramente comum.

Os distúrbios psicóticos aparecem quase sempre no final da adolescência ou no início da idade adulta, com picos entre os 18 e os 25 anos, de acordo com Thomas Insel, director do Instituto Nacional de Saúde Mental. Os cientistas não sabem explicar porquê. Muitos investigadores têm-se concentrado nas anomalias na forma como se desenvolve, durante a adolescência, o cérebro das pessoas com surtos psicóticos. Outros investigam a genética, as circunstâncias pré-natais e o ambiente envolvente.

Surgiu um relativo consenso à volta do conceito de que os surtos psicóticos como os de Natalie não são, ao contrário do que possam parecer, abruptos, mas o culminar de um longo processo. De acordo com este modelo, têm origem em alterações moleculares que ocorrem no cérebro que começam uma década antes de os sintomas se manifestarem e que progridem para uma fase de psicose em último grau na qual a realidade é tomada pela ilusão, paranóia, alucinações ou outro tipo de distúrbios. Isto aponta para a possibilidade, tão tentadora quanto controversa, de as crianças poderem vir a ser analisadas segundo indicadores psicóticos, tal como acontece actualmente com outros problemas de saúde, na esperança de se conseguir reduzir o risco de psicose, tal como reduzimos o de ataques cardíacos.

Os problemas da Natalie devem ter começado no seu primeiro ano de faculdade, mas — tal como todas as famílias com quem falei sobre os seus próprios casos — eu não tinha um quadro de referências para reconhecer aquilo que na realidade eram.

Passou uma semana em que não dormia mais de quatro horas por noite e parecia ter uma energia interminável. Mas nessa altura estava a viajar no estrangeiro e mantinha-se acordada graças à cafeína. A nossa família viu isto como jet lag e não como um distúrbio psicológico. Alguns meses depois, disse que uma das suas amigas começava a sussurrar sempre que ela virava a cabeça, quando na verdade as raparigas seguiam juntas pela rua abaixo, a discutir um pouco entre si. Sem um historial de doenças mentais na família, nunca passou pela cabeça de ninguém que fossem alucinações auditivas.

Só seis meses depois — quando o sussurro da sua amiga se transformou num coro de estranhos que lhe davam ordens que levaram a detenções por crimes como invasão de propriedade privada — é que a relação se tornou aparente. Isto, mais uma vez, também é comum: a duração média de falta de tratamento da psicose nos EUA é de 70 semanas, diz Insel.

Como a maior parte das pessoas que estão no meio de uma crise psiquiátrica, Natalie argumentava que estava óptima e que “todos os outros estão loucos”. O seu estado continuou a deteriorar-se até que um agente da polícia, em reposta a mais uma chamada, a levou para as urgências de um hospital em vez de uma prisão. Depois de uma série de exames psiquiátricos e de uma audiência de tribunal, deu entrada num hospital público psiquiátrico. Recebeu tratamento intensivo por grave transtorno bipolar e psicose, até ficar estável e sem sintomas, dois meses mais tarde.

Natalie chegou bem, animada e parecida com a pessoa que era. Veio passar o Verão a minha casa e ensinou-me a gostar de tofu grelhado e a fazer ovos mexidos. Preparou as melhores saladas que comi na vida. Encheu a casa com a sua arte original, os seus amigos e o seu espírito irresistível. A doença mental não era tema. Voltou à faculdade para recomeçar o último ano. Quando partiu fiquei de estômago vazio, mas cheia de optimismo.

Até que…

Três meses depois, deixou abruptamente de tomar os medicamentos que mantinham à distância os seus surtos maníacos e as alucinações auditivas. Um dia, quando veio passar o fim-de-semana, minutos depois de ter entrado em casa o seu pensamento e comportamento fantasioso tornou evidente que os “demónios”, como eu viria a chamá-los mais tarde, tinham voltado.

A recaída da Natalie foi pior do que o seu primeiro surto: a psicose e o internamento mais prolongados, a recuperação mais difícil, a medicação mais complicada, as perspectivas de futuro menos auspiciosas. Esta segunda estadia no hospital durou dez meses, uma eternidade numa altura em que a média de internamento psiquiátrico é de cinco dias e a maioria das pessoas com psicoses nem sequer é internada. Graças a um cuidado intensivo, ela voltou a recuperar, ainda que mais lentamente, e terminou o seu bacharelato em artes plásticas.

O seu assistente psiquiátrico do hospital e vários outros funcionários percorreram 120 quilómetros para assistir à sua exposição de final de curso. Foi um triunfo para todos nós.

Mas, tal como acontece com muitas pessoas e muitas famílias e profissionais que vivem com, ou perto, de doentes psiquiátricos, o Até que… continuou. Apesar de Natalie parecer mais feliz e mais produtiva quando tomava a medicação, sentia falta da pica das paranóias ocasionais e odiava o aumento de peso que é um efeito secundário frequente dos remédios que tomava. Quando estava estável, às vezes declarava que afinal não estava doente e por isso não precisava da medicação — outra razão muito comum que as pessoas dão para deixar os medicamentos.

Mas se ela, ainda que inadvertidamente, deixasse de os tomar durante alguns dias, mesmo que estivesse em terapia ou outras formas de tratamento, os demónios regressavam e uma das primeiras coisas que lhe diziam era para deixar de tomar a medicação. A segunda era para não falar com a mãe, a outra influência mais poderosa na sua vida. De todas as vezes ela obedecia e piorava, tinha uma recaída ainda mais duradoura, a queda era mais acentuada e a recuperação mais lenta, regressando a um nível de estabilização mais baixo.

A última vez que entrou neste ciclo foi no Outono passado, quando se convenceu de que era aquela pessoa em cada quatro com distúrbios psíquicos cujos sintomas só melhoram muito tenuemente, ou não melhoram de todo, com os medicamentos. Não havia sinais aparentes de psicose, e para todos à sua volta ela parecia feliz e saudável, mas dizia que não conseguíamos ver o que estava dentro da sua cabeça.

Em Novembro, seis anos depois do primeiro surto, anunciou que, uma vez que teria alucinações de qualquer forma, iria deixar de tomar a medicação de vez. Tinha 28 anos quando deixou de tomar os antipsicóticos injectáveis e os comprimidos que ajudam a estabilizar o humor que a tinham ajudado a reconstruir a vida. E a sua mente entrou numa última, e fatal, espiral.

Natalie acreditava que o tratamento resultava e que o sistema de saúde mental tinha de ser reformado para que outras pessoas recebessem o tipo de cuidados que ela recebia quando tinha uma crise. Contou a sua história no ano passado para um documentário sobre a criminalização de pessoas com doenças mentais. Sonhava ser conselheira de quem tinha os mesmos problemas que ela. Dizia que queria ajudar os outros da mesma forma que a tinham ajudado a ela — até se convencer de que no seu caso qualquer ajuda era inútil.

Nas semanas depois da sua morte, as manifestações de simpatia e pesar de legiões de pessoas que combatem os demónios deixaram-me ciente de que a dor que sinto pela sua perda é apenas uma gota no oceano de dor criada pelas doenças psíquicas que estão por tratar. Uma mulher escreveu: “Tenho bipolaridade e nem sou capaz de contar quantas pessoas me disseram ao longo dos anos: ‘Devias ficar contente por só teres isso’, ‘podia ser pior, podias ter cancro ou outra doença terminal…’ Entristece-me que tantas pessoas não percebam que as doenças mentais, apesar de serem tratáveis, não são curáveis e podem matar.”

A minha filha viveu mais de seis anos com uma doença incurável e encheu a cabeça com demónios que literalmente a levaram à morte, e fê-lo enquanto ria, pintava, escrevia poesia, ajudava e trazia alegria a outras pessoas à sua volta. Foi a pessoa mais corajosa que eu conheci e o seu suicídio não muda isso.

“A Natalie ajudará a nossa sociedade a avançar”, escreveu-me um investigador do Johns Hopkins Hospital quando soube da sua morte. “Ela ajudou-nos a olhar para as doenças mentais com o respeito, a compaixão e a dignidade que merecem.”

Espero que sim. A Natalie teria adorado esse legado.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post Doris Fuller é directora executiva do Treatment Advocacy Center, em Arlington (Virginia), que se dedica a ajudar pessoas com doenças psiquiátricas a receber tratamento     

 

 

Concurso de Vídeo do ri(Age) 2014

Agosto 1, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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De 23 de Junho a 15 de Setembro – Submissão das propostas de vídeo

mais informações aqui

O concurso de vídeo do ri(Age) 2014, tem como objetivo contribuir para a valorização e divulgação de uma imagem positiva das pessoas com experiência de doença mental, através da apresentação de vídeos com testemunhos de inclusão social (image voice);

 

 

ri(Age) 2014 – Concurso de Vídeo – inclusão social de pessoas com experiência de doença mental

Julho 2, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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video

mais informações aqui

O presente Concurso é aberto a pessoas singulares ou coletivas, de qualquer nacionalidade e de todas as idades;

Todos os vídeos candidatos deverão ser enviados para o endereço eletrónico geral@fnerdm.pt até ás 24 horas do dia 23 de Julho de 2014

Acidentes e VIH no topo das causas de morte de 1,3 milhões de adolescentes

Maio 20, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de maio de 2014.

o relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Health for the world’s adolescents

adriano miranda

Lusa

Relatório da OMS analisou causas de morte em 2012. Mortalidade caiu 12% desde 2000, um número que é considerado “modesto”.

Cerca de 1,3 milhões de adolescentes morreram em 2012, revela um relatório da OMS, que aponta os acidentes rodoviários como a primeira causa de morte e o VIH como a segunda, estando ainda assim a crescer.

O relatório “Saúde para os adolescentes do mundo” é publicado nesta quarta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que estima que uma em cada cinco pessoas no mundo seja adolescente, ou seja, há 1,2 mil milhões de pessoas de entre 10 e 19 anos.

Embora a maioria dos adolescentes seja saudável, a OMS alerta que ainda há números significativos de mortes e doenças naquela faixa etária. Só em 2012, revela a organização, morreram 1,3 milhões de adolescentes em todo o mundo, menos do que os 1,5 milhões de 2000.

A taxa de mortalidade naquela faixa etária caiu de 126 para 111 em cada 100.000 entre 2000 e 2012, uma “queda modesta” de 12% que continua a tendência dos últimos 50 anos, conclui a OMS. No relatório, a OMS revela que os acidentes rodoviários são a principal causa de morte a nível global, assim como a segunda causa de ferimentos e deficiência. Os rapazes são particularmente afectados pelos acidentes na estrada, com uma taxa de mortalidade três vezes mais elevada do que as raparigas.

O VIH, que não aparecia entre as causas de mortes adolescentes em 2000, tornou-se agora a segunda mais frequente. A OMS estima que a mortalidade adolescente associada a esta doença esteja mesmo a aumentar nesta faixa etária, ao contrário do que acontece em todas as outras. Isto pode reflectir as melhorias nos cuidados de saúde junto das crianças seropositivas, o que faria aumentar aquelas que chegam vivas à adolescência, admite a OMS. No entanto, nesta faixa etária os doentes não estão a receber o tratamento e os cuidados necessários para sobreviver e evitar a transmissão.

Doenças mentais com grande peso

No relatório, a OMS destaca ainda o “peso elevado” das doenças mentais na saúde dos adolescentes. Globalmente, escreve a organização, a depressão é a principal causa de doença e deficiência nesta faixa etária e o suicídio é a terceira causa de morte. “Alguns estudos mostram que metade das pessoas que desenvolvem problemas mentais tem os primeiros sintomas até aos 14 anos. Se os adolescentes com problemas mentais receberem os cuidados de que precisam, isso pode prevenir mortes e evitar o sofrimento ao longo da vida”, concluem os autores do relatório.

A OMS destaca também uma “redução significativa” das mortes por complicações na gravidez e parto entre as adolescentes desde 2002, particularmente nas regiões onde a taxa de mortalidade materna é mais alta: Sudeste asiático (57%), Mediterrâneo Oriental (50%) e África (37%). Apesar disso, a mortalidade materna ainda é a segunda causa de morte entre as raparigas dos 15 aos 19 a nível global, apenas ultrapassada pelo suicídio.

Novos dados recolhidos pela OMS sobre a saúde dos adolescentes concluem que menos de um em cada quatro faz exercício suficiente – a organização recomenda pelo menos uma hora de exercício moderado a vigoroso por dia, e em alguns países um em cada três é obeso. Por outro lado, há algumas tendências positivas, como a redução das taxas de tabagismo nos adolescentes mais jovens em países de alto rendimento e em alguns de baixo e médio rendimento.

A OMS recorda que a adolescência é um período importante para criar as fundações de uma vida saudável, recordando que muitos dos comportamentos que propiciam as principais doenças não transmissíveis começam ou reforçam-se nesta altura. “Se não forem abordados, os problemas de saúde e comportamentos que começam na adolescência – como o consumo de tabaco e álcool, os padrões alimentares e de exercício – têm um sério impacto na saúde e desenvolvimento dos adolescentes de hoje e potencialmente efeitos devastadores na sua saúde como adultos amanhã”, diz a principal autora do relatório, Jane Ferguson.

O relatório sublinha por isso a necessidade de mais países seguirem o exemplo de Estados como a Índia, cuja estratégia para a saúde dos adolescentes aborda um vasto espectro de questões, como a saúde mental, a nutrição, o consumo de substâncias, a violência, as doenças não transmissíveis e a saúde sexual e reprodutiva.

 

 

Workshop Famílias e Doença mental

Maio 2, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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