Seis sintomas que ajudam a detetar o vício dos videojogos

Junho 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Exame Informática de 28 de maio de 2019.

Francisco Garcia

Um problema que só recentemente foi considerado doença e que tem vindo a tornar-se cada vez mais comum na nossa sociedade, que é cada vez mais dependente das novas tecnologias.

Este sábado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a considerar o comportamento obsessivo para com os videojogos uma doença mental. Conheça aqui alguns dos sintomas que, segundo a American Addiction Centers, são comuns em pessoas que sofrem deste distúrbio:

Estilo de vida sedentário – Passar horas em frente a um ecrã pode ter efeitos perigosos no corpo e mente de um jovem. Este cenário pode agravar-se quando a pessoa em causa não pratica desporto, podendo aumentar desmedidamente o peso e acentuar uma má postura, ou em casos mais graves, desenvolver doenças como Diabetes tipo 2.

Ausência de interação social – Embora nalguns videojogos os jogadores interajam uns com os outros, os jogos não devem substituir outras formas de socialização (não virtuais) na vida das crianças. A aprendizagem de ferramentas de comunicação em contextos reais é fundamental no desenvolvimento dos mais jovens e não deve ser substituída por experiências de gaming.

Problemas de concentração – A ação e movimentos rápidos nalguns videojogos é considerada, por alguns especialistas na área, como uma das causas para falta de concentração nalguns jogadores. Associam ainda o tempo investido em videojogos à falta de interesse na leitura, que requer uma atenção prolongada.

Evitar tarefas associadas ao desenvolvimento – Este sintoma pode surgir na adolescência, quando os jovens utilizam os videojogos como um escape para os problemas da sua vida, evitando situações que os obriguem a crescer emocionalmente.

Comportamentos violentos – Algumas crianças e adolescentes que passam muito tempo a jogar videojogos de combate ou violentos, podem estar mais propensos a apresentar alguns sinais de agressividade do que outros que não jogam. A American Addiction Centers aconselha os pais a terem um mecanismo de vigilância semelhante ao que usam para impedir as crianças de ver filmes violentos.

Convulsões e lesões de stress – De acordo com um artigo publicado no British Medical Journal, os videojogos podem aumentar os riscos em jogadores com epilepsia, devido à intensidade das luzes, cores e gráficos. Um comportamento compulsivo com videojogos pode ainda levar a pequenas lesões relacionadas com o stress, nomeadamente nas mãos e pulsos.

 

 

 

Brincar ao ar livre: “Há uma excessiva protecção das crianças que, no fundo, as limita”

Junho 12, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criabnça, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 28 de maio de 2019.

De acordo com o relatório Playtime Matters, publicado pela organização Semble, 61% dos professores à escala mundial considera que brincar ao ar livre está relacionado com o bem-estar das crianças.

Teresa David

Subir e descer árvores, jogar à apanhada ou construir abrigos – há inúmeras brincadeiras que se podem fazer ao livre, mas poucas crianças o fazem. De acordo com o relatório Playtime Matterspublicado pela Semble, a uma escala global, 40% dos professores do 1.º ciclo do ensino básico afirmam que as crianças nas suas turmas têm menos de 30 minutos de recreio ao ar livre num dia normal de escola e 61% dos inquiridos considera que brincar ao ar livre tem uma relação directa com o bem-estar das crianças.

“O défice de atenção e a hiperactividade são doenças que estão a ser muito faladas e debatidas e há um número elevado de crianças que estão na escola e que estão sob o efeito de medicamentos”, diz Mónica Franco, uma das fundadoras do Movimento Bloom, uma associação ambiental sem fins lucrativos, que tem como objectivo ligar as crianças e as famílias à natureza. Segundo a mesma, “o ar livre tem essa capacidade de trabalhar com as crianças sem que elas estejam sob o efeito de nada”.

Há um ano, o Movimento Bloom criou a Escola da Floresta Bloom – um projecto que disponibiliza actividades para escolas e famílias e que pretende (re)ligar as crianças à natureza. De acordo com Mónica Franco, os professores que levam os seus alunos à Escola da Floresta, em Sintra, “ficam estupefactos com as diferenças que tem o facto de lhes ser dada a oportunidade de estar determinado tempo ao ar livre”, diz. “São crianças que depois têm um comportamento melhor e que melhora na sala de aula”, garante.

Estar na natureza e brincar de forma não estruturada, isto é, quando se permite que a criança descubra os objectos e o mundo à sua volta de forma livre, “é uma oportunidade de testarem os seus limites, de resolverem os seus problemas, os seus conflitos, de ultrapassarem as suas limitações e, portanto, contribui para aquilo que são chamadas as soft skills”, explica Mónica Franco. Esta forma de brincar pode também ajudar as crianças “na aprendizagem e a consolidar conhecimentos” já que tem benefícios para a “concentração, fomenta a sua criatividade, imaginação, para além de ser mais divertido”, conclui a representante da associação.

De acordo com o mesmo relatório, 80% dos professores questionados consideram que as crianças da sua escola deviam ter mais tempo para brincar ao ar livre. Apesar de as escolas permitirem os intervalos, “nem em todas as escolas esse intervalo é livre”, afirma a responsável. “As crianças, muitas vezes, não podem usufruir do recreio porque há falta de pessoal e não podem ir até determinadas zonas da escola, não podem subir às arvores. Há uma excessiva protecção das crianças que, no fundo, as limita” esclarece.

Não só os professores estão a impor mais restrições às crianças, mas também os pais. “Hoje em dia há um pavor: não se vê crianças a brincar na rua e mais, não se vê crianças a ser autónomas e a ir de bicicleta ou ir a pé para a escola ou apanhar um autocarro”, constata Mónica Franco que associa este factor à consequente perda de capacidades motoras.

Na opinião de Mónica Franco, os smartphones e outros gadgets electrónicos “limitam muito a criatividade” e retiram tempo à brincadeira, mas é também a intensidade com a que as crianças vivem nos dias de hoje que faz com que sobre pouco tempo para a brincadeira – “Os miúdos saem da escola, têm explicações, têm ATL, têm actividades depois da escola e acabam por chegar a casa com a vida tão estruturada que não há tempo para brincar”, disse.

A Associação Movimento Bloom, com o apoio da Associação Nacional de Professores, organiza em Portugal a campanha internacional “Dia de Aulas ao Ar Livre”, que considera que o tempo dedicado no exterior dentro do horário escolar é das iniciativas mais importantes para combater a crescente crise de problemas relacionados com a saúde mental das crianças e dos jovens. A campanha “tem como objectivo que as crianças tenham pelo menos 60 minutos diários de brincadeira não estruturada ao ar livre. Há muitas que não têm”, remata.

 

 

Smartwatches: A tecnologia para crianças que ajuda os pais

Junho 10, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Pplware de 23 de maio de 2019.

Muito se fala sobre as vantagens e desvantagens da utilização da tecnologia por parte das crianças. A regra é haver regras e, talvez, a utilização possa ser bastante positiva para o seu desenvolvimento. Mas há diversos tipos de tecnologia que pode ser oferecida aos mais novos, alguma dela que pode ser uma ajuda para os pais.

É dela que hoje vamos falar.

Se os pais são seres tecnológicos, como podem as crianças não o ser? Já muito se debateu sobre isso e sobre o impacto que esta era digital pode ter sobre os mais novos. A resposta tende a ser inconclusiva, mas uma utilização com regras acaba por ser unânime, no que respeita ao bom desenvolvimento dos mais novos.

A tecnologia dirigida às crianças é ampla, mas hoje vamo-nos focar naquela que pode ser uma ajuda para os pais. Falamos de dispositivos de localização projetados para que possa haver uma comunicação entre os pais e a criança, mesmo à distância.

São ideias para as crianças utilizarem em dias de passeio nas escolhas, na confusão da praia ou de um parque de diversões ou, simplesmente, na mochila ou no casaco, daquelas crianças mais distraídas que tendem a perder estes objetos.

Podemos começar por aí, pelas Tags Bluetooth, com GPS, ideias para prender aos objetos e localizá-los sempre que necessário. A vantagem deste tipo de produto é que é versátil, dá tanto para os objetos da criança, como para o porta-chaves do adulto ou para a coleira do cão.

Smartwatches para as crianças

É comum ver crianças de relógio ao pulso, mesmo que ainda não saibam bem ver as horas. Ora, se se evolui no tipo de brincadeiras, também se pode evoluir no tipo de relógios que se oferece.

Podem estes já ser mais tecnológicos e assim, ser um acessório útil para a criança, mas também uma ligação importante com os cuidadores.

Nos mais variados formatos, como se pode ver pela imagem acima, os smartwatches para crianças partilham de algumas características comuns. Têm GPS, Bluetooth e suporte para cartão SIM. O objetivo é que possam ser ligados aos smartphones dos pais, para que possa haver comunicação entre eles.

O número de contactos adicionados ao relógio tende a ser limitado, para que só possam ligar a quem os pais considerarem, permitem enviar e receber mensagens de voz e mais. Dão aos pais a possibilidade de monitorizar a localização dos filhos.

Imaginemos o caso de um dia de praia, em que no meio da confusão a criança se perde dos pais. Com um destes smartwatches, além do contacto via rede móvel, poderá haver uma consulta da localização, dando para perceber, ainda que com alguma margem de erro, se está perto ou longe.

Para a criança, estes relógios, além das horas, ainda podem apresentar o calendário, servir de despertador e até monitorizar a atividade física. Porque as crianças têm que se mexer!

Maria Inês Coelho

 

 

5 erros que está a cometer com a saúde oral dos seus filhos sem saber

Junho 7, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do MAGG de 21 de maio de 2019.

Deixá-los escovar os dentes sozinhos não é boa ideia. A Dr.ª Filipa Roque, dentista pediatra da MALO CLINIC, explica o que não deve fazer.

Quando as crianças são pequenas, convencê-las a realizar certas tarefas do dia-a-dia, como comer a sopa, tomar banho, arrumar o quarto, fazer a cama antes de sair de casa ou lavar os dentes pode tornar-se numa missão complicada para os pais.

O simples facto de não conseguir convencer uma criança a lavar os dentes depois das refeições pode ser problemático, principalmente se isso obrigar a uma visita ao dentista quando já for tarde de mais. Tal como explica a Dr.ª Filipa Roque, Diretora do Departamento de Odontopediatria da MALO CLINIC, os bons hábitos de higiene oral são o primeiro passo para evitar problemas a longo prazo.

“Incutir estes bons hábitos é uma forma de prevenir, no futuro, a necessidade de fazer tratamentos dispendiosos e dolorosos que sejam difíceis para a criança”, explica. “Se isso começar a ser enraizado nas crianças desde pequenas, a probabilidade de se tornarem adultos saudáveis, sem cáries e com bons hábitos de higiene oral é muito elevada.”

Apesar de poder ser realmente complicado incutir estes hábitos nas crianças, muitas vezes são os próprios pais que, inconscientemente, cometem alguns erros que podem prejudicar a saúde oral dos seus filhos. A médica dentista da MALO CLINIC aponta algumas dessas falhas, que podem facilmente ser resolvidas mudando algumas rotinas da dinâmica familiar.

1. Dar comida depois de lavar os dentes

“Um dos grandes erros que os pais cometem é, depois da última higiene oral da noite, darem alguma coisa de comer às crianças, seja uma bolacha, leite ou papa”, explica a odontopediatra. “Isso vai sujar a cavidade oral e, durante o sono, os nossos movimentos de autolimpeza da língua e das bochechas estão reduzidos. A saliva, que é o nosso fator protetor, está reduzida, e isso faz com que a comida que as crianças comem nessa altura fique sobre os dentes durante toda a noite, aumentando o risco de cárie.”

2. Evitar o fluor

Optar por uma pasta sem fluor é um dos erros mais cometidos pelos pais, tal como realça a especialista. Isto porque este componente deve sempre estar presente nas fórmulas das pastas dentífricas, de maneira a conseguir uma proteção mais eficaz.

“Os pais podem comprar a pasta no sabor que a criança quiser, mas as fórmulas devem conter a quantidade de flúor adequada à idade, logo a partir do momento em que nascem os primeiros dentes”, continua. “Para tal é necessária uma avaliação em consulta por parte do médico dentista, de forma a determinar a dose necessária, que pode variar consoante a idade.”

3. Não ir à consulta no momento certo

Outro dos grandes erros cometidos pelos pais é o facto de só levarem as crianças à consulta quando estas já têm alguma dor, cárie ou qualquer outro problema de dentes. Muitas vezes, há pais que só pensam nas consultas na altura em que caem os dentes de leite, o que não é o ideal.

“As crianças devem ser vistas por um médico dentista durante o primeiro ano de vida”, salienta. “Desta forma, conseguimos dar todas as dicas e esclarecer todas as dúvidas dos pais em relação à higiene oral, seja como escovar, qual a melhor escova ou qual a pasta que devem escolher, para que, depois, possam cumprir tudo à risca em casa. Assim, conseguimos evitar que as crianças desenvolvam cáries ou outros problemas nos dentes.”

4. Escolher a escova errada

“Os pais têm tendência a comprar escovas de dentes mais duras para fazerem a escovagem às crianças, mas a verdade é que se deve fazer exatamente o contrário”, explica. “Os dentes e as gengivas devem ser escovados com uma escova mais macia que, além de não ser tão agressiva para as crianças, consegue os melhores resultados no momento da escovagem.”

5. Deixar as crianças escovarem os dentes sozinhas

É certo que, a partir de um certo momento, as crianças gostam de ter alguma independência e de fazer certas coisas sozinhas, mas escovar os dentes deve ser uma tarefa dos pais até determinada idade, tal como explica a Diretora do Departamento de Odontopediatria da MALO CLINIC.

“Muitas vezes vejo crianças com dois ou três anos a escovarem os dentes sozinhas, mas elas não têm destreza suficiente para o fazer corretamente”, diz. “Até aos seis anos devem ser os pais a fazer a escovagem e, depois disso, devem supervisionar esse momento até que as crianças tenham nove anos.”

Conteúdo produzido pela Magg Lab e patrocinado por: MALO CLINIC

 

 

Da falta de tempo para brincar ao excesso de tecnologia, os inimigos da infância

Junho 5, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 20 de maio de 2019.

Rita Costa

A psicóloga clínica Catarina Lucas identifica alguns dos fatores que estão a impedir que as crianças vivam uma infância mais saudável.

“Temos vários, temos a falta de socialização, a falta do estar com as outras crianças, temos um excesso de tecnologia e de horas de isolamento”, começa por dizer Catarina Lucas. Para a psicóloga, estar ligado ao mundo através da internet é uma forma de isolamento.

Mas os inimigos da infância não se ficam por aqui. “Temos os pais que trabalham muitas horas e têm pouco tempo para eles, temos a falta de brincar na rua com outros amigos e tudo isto são inimigos das crianças”, afirma Catarina Lucas.

Além disso, a psicóloga aponta a exigência académica como outro elemento de pressão na vida das crianças. “Temos que ser os melhores, temos que ter boas notas e também temos que ter uma série de outras habilidades, seja artísticas, seja desportivas. Estamos a colocar toda esta exigência e pressão nas crianças e estamos a tirar-lhes o direito a brincar.”

Ouvir as declarações de Catarina Lucas no link:

https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/interior/da-falta-de-tempo-para-brincar-ao-excesso-de-tecnologia-os-inimigos-da-infancia-10919805.html?fbclid=IwAR2GIbJF2eWF2UO28T_mdQuMOx6K9iFB2tQAe_Od82FkfxR9M-rAt6EkT0c

 

 

A Selfie Publicada

Junho 4, 2019 às 1:59 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Crianças para adoção desfilam em passerelle para eventuais interessados

Junho 1, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Diário de Notícias de 22 de maio de 2019.

João Almeida Moreira, São Paulo

Foi ontem, terça-feira, no Pantanal Shopping, centro comercial situado em Cuiabá, a capital do estado do Mato Grosso: crianças e adolescentes, dos quatro aos 17 anos, na fila da adoção desfilaram, devidamente produzidos, numa passerelle para os eventuais interessados em adotá-las.

O evento, organizado pela Comissão de Infância e Juventude da Ordem dos Advogados do Brasil e pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção vem sendo criticado duramente na imprensa e nas redes sociais.

O candidato às últimas eleições presidenciais Guilherme Boulos classificou a iniciativa de “perversidade inacreditável” com “efeitos devastadores”. Outras pessoas falam em mercantilizar as crianças, em tratar seres humanos como gatos, cachorros ou gado, em crueldade absurda e outras críticas.

Tatiane de Barros Ramalho, presidente da Comissão de Infância e Juventude que organiza o projeto, discorda. Para ela, “é uma noite para os pretendentes – as pessoas que estão aptas a adotar – poderem conhecer as crianças, a população em geral ter mais informações sobre adoção e as crianças terem um dia diferente, em que irão se produzir, o cabelo, a roupa e a maquilhagem, para o desfile”.

Esta é, lembra a responsável, já a terceira edição do evento e apenas a primeira em que a repercussão é negativa.

A gerente de marketing do Pantanal Shopping, Ticiana Pessoa, mencionou, por sua vez, que o empreendimento se sente honrado em receber o projeto que incentiva a sensibilização sobre a adoção.

E a maioria das lojas do centro especializada em produtos infantis apoia o evento com a cedência de roupas e outros adereços para o desfile.

 

Crianças aos museus! 1 de junho nos museus municipais de Loures

Maio 31, 2019 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.cm-loures.pt/Conteudo.aspx?Displayid=6287

 

Portugal a Brincar : Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Descarregar o relatório no link:

https://estrelaseouricos.sapo.pt/backoffice/files/file_20677_1_1556883880.pdf

Reportagem sobre a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços : As crianças portuguesas brincam pouco

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do site Estrelas & Ouriços

O encontro estava marcado para as 9.30h, em Cascais, para debater um tema essencial e transversal ao desenvolvimento – como brincam hoje as crianças portuguesas e em que adultos se tornarão amanhã. O painel de oradores foi de luxo, pelo domínio do tema, pela entrega e pelo sentimento comum da urgência de brincar por uma sociedade mais bem sucedida. As conclusões são preocupantes: as crianças brincam em média (apenas) 2 a 3 horas por dia, a maior parte do tempo na escola, pouco ao ar livre e ainda menos com os pais.

“Esta primeira conferência da Estrelas & Ouriços é uma homenagem a todas as crianças”. Assim abriu o evento – que reuniu pais, professores, profissionais de serviços educativos, psicólogos e especialistas das diferentes áreas ligadas ao universo da família e da criança – na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, pelo diretor-geral executivo da revista, Francisco Camacho. Estava dado o pontapé de saída para um “jogo” cheio de lances fortes e de propostas com potencial vencedor.

Foi o caso de Frederico Manuel Pinho de Almeida – vereador da Câmara Municipal de Cascais com os pelouros da Habitação e Desenvolvimento Social, Promoção de Saúde e Educação – que, depois de se congratular com o facto de a conferência ter aberto o Mês do Brincar em Cascais, partilhou as práticas que a Câmara Municipal de Cascais tem vindo a implementar neste âmbito, nomeadamente o Programa “Crescer a Tempo Inteiro” bem como o alargamento da rede de Ludobibliotecas e Ludotecas (16 e 5 equipamentos respetivamente).

Da prática ao estudo, Rui Mendes, coordenador do “Portugal a Brincar: Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018” apresentou este estudo que serviu de ponto de partida para a conferência. O professor da Escola Superior de Educação de Coimbra partilhou o palco com Ana Lourenço, psicóloga do setor de atividade lúdica do Instituto de Apoio à Criança, Madalena Nunes Diogo, diretora geral da Estrelas & Ouriços e Dulce Garcia – a jornalista, autora, editora e mãe brindou o público com uma moderação de debates que oscilou entre provocações saudáveis e interpelações pertinentes para passar a palavra aos oradores.

Brincar: quando, onde, com quem?

Quanto tempo brincam as crianças portuguesas? Onde brincam? Com quem brincam? Como brincam as crianças na Escola? Qual o papel dos brinquedos? Brincar e as tecnologias. Brincadeiras e jogos tradicionais. Estas são as bases do referido estudo – realizado numa parceria entre a Escola Superior de Educação de Coimbra, o Instituto de Apoio à Criança e a Estrelas & Ouriços – que procura não só dar a conhecer quais as tendências relacionadas com o brincar em Portugal, mas também sensibilizar a população para a importância do brincar e da promoção de hábitos de brincar.

Já em 2011 o Parlamento Europeu havia proposto algumas estratégias para que o brincar seja mais valorizado e para que, tanto as crianças como os adultos, possam usufruir ao máximo dos seus benefícios. Assim, esta organização sugere que se promova não só a consciência sobre a importância do brincar, mas que haja também uma mudança de atitudes face a esta atividade. Propõe-se a melhoria nos tempos e espaços que possam promover a brincadeira e a criação de condições para que as crianças arrisquem de forma segura e desenvolvam a sua resiliência.

Com base em inquéritos a cerca de 1.500 pessoas, com 39 anos de média de idades e maioritariamente do sexo feminino (92,6%), o estudo retirou algumas conclusões preocupantes, duas das quais: as crianças brincam pouco – a média é de 2 a 3 horas (25%) por dia – nomeadamente ao ar livre, em contacto com a Natureza, concentrando-se o maior tempo de brincadeira na escola.

Foi neste ponto que Ana Lourenço, do Instituto de Apoio à Criança reforçou a necessidade que sente de voltar ao brincar da infância dos que hoje são pais – o sucesso para uma criança é estar com o outro, brincando. E assim se trabalha a empatia, tão cara à nossa Sociedade.

“A brincadeira não é só necessária como vital”, lembrou Madalena Nunes Diogo, referindo a forma como os parceiros têm acompanhando esta necessidade, indo ao encontro das famílias, com atividades tão diversas que vão da robótica à pintura, e que respeitam disponibilidades físicas, mentais e económicas destas mesmas famílias, a quem a Estrelas & Ouriços há 10 anos serve e facilita a vida, divulgando diferentes tipologias de atividades.

Aquando da reestruturação da revista, em outubro de 2019, a Estrelas & Ouriços teve inclusive a preocupação de dar mais visibilidade à sua secção “Parques e Ar Livre”, depois de auscultar os pareceres, os gostos e as necessidades do público para quem trabalha.

Dos grandes aos pequenos oradores, Beatriz, de 9 anos, João, de 7, e Madalena, de 6, foram unânimes a responder à questão da preferência de brincar ao ar livre. Brincar às escondidas, jogar à bola e brincar com bonecas foram algumas das brincadeiras apontadas pelas crianças presentes na sala.

Famílias, escolas e cidades portuguesas pouco ativas

Carlos Neto foi das primeiras vozes a chamar a atenção dos portugueses para a extrema importância do brincar e para os seus efeitos benéficos no desenvolvimento das crianças. Professor Catedrático na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa, continua, algumas décadas depois desses primeiros alertas, a ser a figura de referência em Portugal quando se fala de brincar.

Foi da sua boca que ouvimos que tanto as famílias como as escolas e as cidades portuguesas não são ativas, o que contribui diretamente para que as crianças sejam pouco ativas e mais destinadas ao insucesso.

A maioria dos pais, segundo o especialista, não valoriza a parte física do brincar, referindo mesmo que “para os pais, o que entra na escola é só a cabeça e não o corpo todo”. São estes mesmos pais que trabalham demasiadas horas e que não têm tempo para os filhos, embora o desejem – 37 minutos é o tempo diário que lhes sobra; são estes pais que têm medo que as crianças se confrontem com o risco; pais cansados, que dificilmente conseguirão educar crianças saudáveis e felizes, “situação deveras preocupante”.

O que fazer? Apelar ao papel do Estado central e do Estado local para que possa dar maior liberdade aos pais, fomentar uma relação de maior amor entre pais e filhos, fomentar a importância de brincar na rua (nos países nórdicos, independentemente do clima, as crianças brincam 7 a 8 horas lá fora) e evitar “encharcar” as crianças de brinquedos, nomeadamente para colmatar a falta de tempo com presentes.

Em suma, para Carlos Neto, brincar mais significa desenvolver no futuro: maior sentido crítico e uma maior capacidade de resolver problemas, de trabalhar em equipa e de comunicar; melhores competências espirituais e melhores dinâmicas de agir.

É preciso, na opinião do professor e investigador: viver mais devagar, ter tempo para não fazer nada, trabalhar a introspeção, a consciência de si próprio e da Natureza, a dinâmica de superação de forma a que a saúde mental dos adultos possa passar para as crianças a quem deve ser dado todo o tempo e espaço para brincar, “dinâmica biológica” que estamos a encaminhar para uma crise.

Quando a tecnologia se senta à mesa

A abrir a segunda mesa redonda, Rosário Carmona e Costa não perdeu tempo a detetar sintomas e doenças associadas. “Quando os miúdos começam a falhar nas competências humanas, percebemos que podem estar demasiado ligados”, defendeu a psicóloga clínica.

Com alguma tensão (saudável) com a oradora anterior, Jorge Vieira, da Nintendo, afiançou que “antes de falar das novas tecnologias, é preciso falar do nosso papel enquanto pais”. O também pai relembrou a importância que pode ter em matéria de diversão, a família jogar em conjunto.

Onde também se pretende que a família se junte é na cozinha, como sugeriu Ana Leonor Perdigão, responsável pela Unidade de Nutrition, Health and Wellness da Nestlé Portugal. Associar emoções positivas aos alimentos é fundamental, mas também perceber de onde vêm e confecioná-lo. Esta é uma forma de as crianças se familiarizarem com os alimentos ainda antes de lhes chegarem ao prato.

“As crianças que são envolvidas na confeção dos alimentos são mais disponíveis para comer e experimentar coisas diferentes”, defende a nutricionista. Levá-las ao supermercado – onde acontecem “explosões de sabores e aromas” – pode ser também uma hipótese de criar um momento lúdico, ao mesmo tempo que se vai ao encontro da logística lá de casa.

Dicas muito interessantes a reter sem o mínimo objetivo de causar angústia nos pais. Foi Domingos Amaral quem trouxe a palavra para cima da mesa para referir que, hoje em dia, e é algo que observa no exercício do seu cargo de presidente da direção da Escola Avé Maria, os pais vivem cada vez mais angustiados com o que de mal possa acontecer aos seus filhos. Mas o que fazer? «Deixá-los brincar. A vida é risco, não há outra maneira de o fazer!».

Depois de um momento de intervenções do público, Lina Varela – da Direção-Geral da Educação fechou a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços afirmando que “deve haver complementaridade entre brincar e aprender”.

E assim soou a despedida da Estrelas & Ouriços: “Brinquem sempre!”.

Obs.: A 1ª Conferência Estrelas & Ouriços contou com o apoio de vários parceiros – Maria do Mar, Nesquik, MEO, Associação Mutualista Montepio, RTP, Antena 1 e Casa das Histórias Paula Rego.

 

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