Alemanha proíbe venda de smartwatches para crianças

Novembro 22, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de novembro de 2017.

O regulador alemão diz que os relógios são “usados para espiar”: há pais que utilizam estes dispositivos para ouvir as aulas das crianças, à distância.

Karla Pequenino

O regulador alemão responsável pelas telecomunicações (BNetzA) proibiu a venda de smartwatches para crianças com uma função de escuta. Este tipo de relógios, destinados a crianças entre os cinco e os 12 anos, vêm com um cartão SIM e uma função de chamadas limitada que os adultos podem controlar via aplicação móvel. O objectivo é conseguir “monitorizar” o ambiente em que as crianças estão à distância.

Para os reguladores alemães, porém, a tecnologia aproxima-se mais de um “dispositivo de espionagem” do que de um brinquedo, porque é difícil perceber quando a função de escuta está activada. “De acordo com a nossa investigação, os pais utilizam os relógios para ouvir os professores na sala de aula”, explica Jochen Homan, o presidente da BNetzA, em comunicado.

A analista Gartner prevê que nos próximos anos cada vez mais smartwatches venham com conectividade móvel e sejam capazes de se ligar directamente a redes móveis para fazer e receber chamadas (o Watch 3, da Apple, já faz isto). A partir desta semana, porém, os pais e crianças que sejam encontradas com relógios deste tipo na Alemanha devem destruí-los e enviar as provas ao regulador alemão. Em Fevereiro, a Alemanha já tinha proibido a venda da boneca My Friend Cayla – um brinquedo com microfones e reconhecimento de fala que conseguia “falar” com as crianças. A preocupação é que se tornem alvos de ataques informáticos e utilizados para espiar algumas famílias e ouvir informação privada das crianças.

Já há casos reais do problema. Em Fevereiro, a Spiral Toys, uma empresa norte-americana que comercializa peluches ligados à Internet, e que tem como funcionalidade a gravação de mensagens por parte das crianças e dos seus pais, revelou que foram divulgadas online mais de 800 mil credenciais de clientes e dois milhões de mensagens gravadas. O aviso chegou aos clientes dois meses depois de o problema ter sido detectado.

Em Portugal, este tipo de brinquedos ainda não está disponível em loja, mas é acessível aos consumidores através de plataformas online como a Amazon ou Ebay, facto que preocupa a Associação para a Defesa do Consumidor (Deco).

Além de monitorizar o ambiente em que as crianças estão, vários relógios inteligentes destinados a crianças vêm com uma função de GPS (para os pais saberem onde as crianças estão), e botões para accionar serviços de emergência. O regulador alemão não se pronunciou sobre relógios com estas funcionalidades.

 

 

 

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Crianças até aos 18 anos vão ter bombas de insulina gratuitas

Novembro 21, 2017 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.ojogo.pt/ de 14 de novembro de 2017.

Todas as crianças até aos 18 anos com diabetes tipo 1 vão ter acesso de forma gratuita a bombas de insulina dentro de dois anos, segundo informação oficial do Ministério da Saúde.

O tratamento da diabetes tipo 1 pretende assegurar a cobertura até final de 2019 de toda a população em idade pediátrica, até aos 18 anos, de acordo com uma informação dada à Lusa por fonte oficial do Ministério.

O alargamento do acesso a bombas de insulina vai ser feito por três fases: até final deste ano todas as crianças até 10 anos terão cobertura assegurada e até fim de 2018 o mesmo acontece para todas as crianças até 14 anos.

Até final de 2019 será alargada a cobertura às bombas de insulina a toda a população pediátrica, até aos 18 anos.

Fonte oficial do Ministério explicou à Lusa que este faseamento deve-se sobretudo à necessidade de dotar esta população e as famílias de capacidade e formação para utilização das bombas de insulina.

O Ministério da Saúde adianta ainda que, a par deste alargamento, foi realizado um processo de compra centralizado de bombas de insulina que permitiu uma poupança de 600 mil euros, constituindo uma redução de 45% face ao preço base.

 

Onde as crianças dormem

Novembro 20, 2017 às 10:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Romanian refugee, Rome, Italy

Texto do https://www.swissinfo.ch/eng/ de 20 de novembro de 2012.

A child’s bedroom – or sleeping place – reveals a great deal about his or her cultural and social background. In the book “Where Children Sleep”, photographer James Mollison provides a glimpse of the lives of children from around the world.

The British photographer worked for four years on this project. The book, published in 2010, was designed above all for readers aged nine to 13. But the photos, depicting often extreme differences in living standards, touch readers of all ages. (Images: James Mollison)

James Mollison

mais fotos da série “Where Children Sleep” no link:

http://jamesmollison.com/books/where-children-sleep/

Quando ir à escola é um risco, a UNICEF responde com soluções criativas

Novembro 20, 2017 às 4:59 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Estudantes cingalesas a caminho da escola. Pelo caminho, têm de atravesar uma tábua colocada sobre a muralha do Forte de Galle (séc. XVI), na costa sudoeste do Sri Lanka
Vivek Prakash / Reuters

Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 20 de novembro de 2017.

Margarida Mota

Uma ponte partida, um rio revolto, já para não falar em situações de guerra, são obstáculos suficientemente fortes para demover as crianças de irem à escola. No Dia Universal dos Direitos da Criança – a educação é um deles –, que se assinala esta segunda-feira, a UNICEF revela ao Expresso alguns projetos em curso para contornar essas armadilhas.

r à escola é, para milhões de crianças em todo o mundo, um verdadeiro desafio à sobrevivência. Faz-se, muitas vezes, através de pontes esburacadas, de rios com a água pelos joelhos ou por trilhos montanhosos ladeados por escarpas íngremes.

“A UNICEF trabalha com parceiros no terreno para garantir escolas e percursos seguros”, diz ao Expresso Lisa Bender, especialista na área de Educação em Situações de Emergência da UNICEF. “Há cada vez mais soluções inovadoras ao serviço de uma educação de qualidade.”

Em Madagáscar, por exemplo, esta agência das Nações Unidas, que trabalha em defesa dos direitos das crianças, forneceu bicicletas e canoas a adolescentes do sexo feminino que vivem em zonas rurais e para quem a lida da casa é prioritária em relação aos estudos. Para muitas meninas, as horas do dia não chegam para tudo o que têm em mãos. Com um recurso tão simples como uma bicicleta, vão e vêm da escola muito mais rapidamente, deixam de chegar atrasadas a todo o lado e, o mais importante, não abandonam a escola tão facilmente.

Um outro projeto da UNICEF está a ser concretizado no Bangladesh, onde os rios são um problema, sobretudo nos meses das monções, época em que os caudais sobem metros, tudo fica inundado, aldeias ficam isoladas e escolas são forçadas a fechar.

Através de uma ONG local, a Shidhulai Swanirvar Sangstha, a UNICEF apoia a manutenção de uma frota de “navios-escola”, reconstruídos a partir das tradicionais embarcações “noka”. Com telhados à prova de chuvas intensas, estão equipados com painéis solares, o que permite a utilização de computadores nas aulas. Há também barcos-biblioteca, outros para formação de adultos e clínicas flutuantes que se deslocam para zonas remotas.

Combater o Boko Haram… com a rádio

“A UNICEF está também a explorar, cada vez mais, de que forma a tecnologia pode trazer conhecimento a comunidades remotas”, acrescenta Lisa Bender. Até lá, o recurso a velhas tecnologias tem-se revelado eficaz. “A rádio pode desempenhar um papel-chave em tempos de crise. Durante o surto de ébola, na África Ocidental, a UNICEF e parceiros no terreno usaram o rádio para dar aulas a crianças nas áreas afetadas”, diz a especialista da organização da ONU.

“Estes esforços continuam em países como a Nigéria, onde a crise provocada pelo [grupo islamita] Boko Haram está a ter um impacto prejudicial no acesso das crianças à escolaridade.” (“Boko”, em língua hausa, significa algo como educação ocidental secular, ou seja não-islâmica, e “haram”, em árabe, significa “proibido”.)

Muito do trabalho da UNICEF no terreno apoia-se em parceiros locais, conhecedores do meio, das sensibilidades sociais e culturais e das necessidades. “A educação é um direito humano fundamental e um requisito muito importante para o desenvolvimento não só individual das crianças mas das sociedades e economias como um todo”, recorda Lisa Bender. “Temos de encontrar formas de tornar a educação disponível.”

A UNICEF está atenta também às zonas em guerra. Segundo um relatório da organização de setembro passado, em 2015, havia 27 milhões de crianças sem escola em regiões afetadas por conflitos, declarados ou latentes. É o caso do território palestiniano da Cisjordânia, onde a ocupação israelita faz-se (também) através de postos de controlo, o que obriga muitas crianças a cruzarem-se, diariamente, com militares e armas a caminho da escola.

A pensar no stresse provocado por situações do género, a UNICEF apoia um projeto de percursos acompanhados, na zona H2 de Hebron (Cisjordânia) –área sob controlo militar de Israel, onde vivem 500 colonos judeus entre 30 mil palestinianos. Em parceria com o Programa de Acompanhamento Ecuménico na Palestina e pelas Equipas Pacificadoras Cristãs, este programa passa por colocar voluntários internacionais a acompanhar grupos de crianças no seu caminho para a escola. Estes adultos transmitem confiança e segurança às crianças, induzem os militares israelitas a fazerem controlos mais céleres nos checkpoints e dissuadem o assédio e atos de violência por parte dos colonos. A sua presença encoraja as crianças a não abandonarem a escola.

Uma instituição beneficiada por este projeto é a Escola de Cordoba, junto aos colonatos de Beit Hadassah e de Beit Romano. No passado, foi várias vezes vandalizada por colonos, o que levou à colocação de arame farpado em redor de parte da escola.

“A falta de acessos seguros para as crianças irem à escola pode ser um grande obstáculo para que, em especial as meninas, recebam educação”, conclui Lisa Bender. “É por esta razão que escolas comunitárias, como as que temos no Afeganistão, podem verdadeiramente ajudar a derrubar estes obstáculos e dar às crianças a possibilidade de irem à escola num ambiente seguro. Estas escolas comunitárias não só incentivam as meninas a matricularem-se, como contribuem para melhorar resultados e aprendizagem.”

mais fotos no link:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-11-20-Quando-ir-a-escola-e-um-risco-a-UNICEF-responde-com-solucoes-criativas

 

 

 

 

Solidão na era digital: nunca estivemos tão conectados e tão sós

Novembro 19, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 5 de novembro de 2017.

Ana Cristina Marques

O que veio primeiro, a internet ou o isolamento social? Numa era em que estamos cada vez mais conectáveis há quem, no final do dia, se sinta sozinho e conte os “gostos” que vêm do ecrã.

A partir desta segunda-feira estão 60 mil pessoas em Lisboa para falar de tecnologia mas, o mais provável, é que nunca tenhamos estado tão sozinhos como agora. Às portas da Web Summit, a maior conferência de empreendedorismo, tecnologia e inovação da Europa, questionamo-nos se o futuro da solidão não será online.

Filipa Jardim da Silva e João Faria já receberam casos de “solidão digital” nos respetivos consultórios, em Lisboa. Apesar de ambos os psicólogos trabalharem muito com adolescentes, esta não é uma questão com balizas etárias, antes uma espécie de “epidemia” dos tempos modernos. A chegada e a expansão da internet trouxeram consigo a promessa do contacto e do fim da solidão, mas o ritmo de vida e as novas formas de falar uns com os outros vieram impactar o dia a dia. Se um individuo se consegue sentir sozinho no coração de uma multidão, o que garante que isso não aconteça à frente de um computador ou de smarpthone na mão?

Um estudo recente mostrou que passar mais de duas horas por dia em redes como Facebook, Twitter ou Snapchat duplica a probabilidade de alguém se sentir isolado. “Não sabemos o que veio antes, se o uso de redes sociais ou a sensação de isolamento social”, chegou a dizer Elizabeth Miller, professora de Pediatria da Universidade de Pittsburgh, à BBC. Para a coautora do estudo, que envolveu 2 mil adultos com idades compreendidas entre os 19 e os 32 anos, talvez seja o uso cada vez mais intenso das redes sociais o responsável por um crescente isolamento face ao mundo real.

A preocupação não é propriamente recente, mas está na ordem do dia. A título de exemplo, a revista The Atlantic lembrou-se de perguntar, em maio de 2012, se o Facebook nos estava a deixar solitários e, três anos depois, o The Guardian tentou descobrir se era possível encontrar intimidade em identidades online cada vez mais mutáveis e num ambiente de permanente vigilância. Em Portugal, as mais recentes investigações orientadas por Ivone Patrão, psicóloga na consulta de comportamentos e dependências online da Clínica ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), mostram que 25% dos jovens portugueses, entre os 12 e os 30 anos, estão viciados em tecnologia e 14% são dependentes dos smartphones.

“Desligava o telefone e chorava muito”

Em abril deste ano, a psicóloga Rosário Carmona e Costa alertava para o facto de as redes sociais estarem não só a mudar o que fazemos, mas também quem somos. Para fazer crescer o ponto de vista, Carmona e Costa cita no seu livro, “iAgora? Liberte os seus Filhos da Dependência dos Ecrãs”, a apresentação “The Innovation of Loneliness” de Shimi Cohen: “Usamos a tecnologia para nos definir, compartilhando pensamentos e sentimentos à medida que eles acontecem, e chegamos a criar experiências para termos o que partilhar, como se acreditássemos que estar sempre ligados nos fará sentir menos sós”.

Nem mais. Segundo diz Filipa Jardim da Silva ao Observador, a “solidão na era digital é uma forma de solidão acompanhada”. Em causa está uma mesma premissa, isto é, a insatisfação pessoal com o tipo de suporte que se tem a nível social, mas também as interações superficiais que mantemos diariamente, ainda que estejamos rodeados de pessoas (física ou virtualmente falando). Mas há mais. As identidades mutáveis fazem parte da equação: nas redes sociais é fácil mostrarmos apenas o que queremos, uma versão otimizada de quem somos, o que, em última análise, impossibilita a criação de relações autênticas. “Uma relação social só é verdadeira se acedermos à pessoa num todo”, continua a psicóloga, referindo que, atualmente, corremos o risco de viver a vida em permanente modo personagem. “No fundo, sou aquilo que as pessoas à minha volta querem que eu seja. No final do dia há uma sensação de vazio. Há solidão.”

Vânia Duarte que o diga. Ultrapassada a barreira dos 30 passou por uma fase em que esteve dependente dos elogios virtuais e dos “gostos” que ia recebendo na conta de Instagram, como se estes funcionassem como uma espécie de aprovação social. Era importante mostrar a barriga inexistente e os abdominais definidos, conseguidos à custa de uma dieta rigorosa e restrita — peixe, batata doce, frango, bróculos e omeletes de claras –, mas também de muitas horas dedicadas ao ginásio. Para isso, chegava a tirar mais de 20 fotografias até encontrar aquela que, depois de muitos filtros, corresponderia ao seu ideal de beleza.

A designer digital chegou a acreditar que assim combateria os complexos corporais de que há muito era vítima. “Recebia muitos elogios, muitos likes, mas nunca me sentia assim, como eles me viam. Desligava o telefone e chorava muito. Não me identificava. Sentia-me muito incompleta, apesar de as pessoas me elogiarem muito”, conta ao Observador. Vânia sentia-se sozinha e foi preciso ir parar à cama de hospital com uma anemia severa para perceber que, neste caso, as redes sociais eram suas inimigas ao possibilitarem comparações constantes e irrealistas. “Estamos constantemente sujeitos a estímulos, a acharmos que o outro é melhor, sobretudo na área de fitness. Há cada vez pessoas mais infelizes.”

Curiosamente, um inquérito realizado recentemente pela britânica Royal Society for Public Health, feito a 1.500 adolescentes e jovens adultos, mostrou que o Instagram é a “pior rede social considerando saúde mental e bem-estar”. Apesar de somar pontos por promover a expressão individual e a identidade em si, a plataforma de fotografia está a associada a elevados níveis de ansiedade, depressão, bullying e até FOMO — sigla inglesa para “fear of missing out”. Mas é importante não diabolizar as redes sociais, que tantas barreiras da comunicação já destronaram, até porque também há estudos que sugerem que o Instagram é muito utilizado para partilhar histórias sobre depressão e inseguranças pessoais.

Considerando o culto da imagem descrito, quase parece que vivemos uma adolescência tardia, no sentido em que queremos constantemente agradar o outro. Filipa Jardim da Silva concorda: “Quando o número de gostos começa a ser sinónimo de aceitação é quando começamos a perder o chão. É uma armadilha que não é assim tão óbvia quanto isso”.

Ao relato de Vânia, que atualmente vai contando a sua história no blogue Lolly Taste, junta-se o de Constança Portugal, hoje com 21 anos, que tentou como muitas pessoas, antes e depois dela, criar um blogue de sucesso. A pressão para ter milhares de seguidores era tanta — e tão cobiçada por marcas que assim mediam o sucesso de uma determinada página — que a estudante de gestão começou a prestar demasiada atenção ao Instagram. “Senti que tinha de criar uma imagem de Instagram muito cuidada e cheguei ao ponto em que transmitia uma falsa felicidade muito grande”, conta. Certo dia, e para contrariar a tendência, decidiu fotografar-se mal acordou: descabelada, com unhas por arranjar e maquilhagem por aplicar. “Ao contrário do que poderia pensar, tive uma receção muito positiva e recebi muitas mensagens.” A experiência de Constança, que garante existirem vários casos semelhantes ao seu no mundo da blogosfera, trouxe-lhe um ensinamento: “Sentimo-nos muito mais sozinhos quando transmitimos essa falsa felicidade”.

Comunicação, ansiedade e hostilidade online

Em 1995, Sherry Turkle, professora na área dos estudos sociais sobre ciência e tecnologia no MIT, publicava um livro que a colocaria na capa da revista Wire: “Life on Screen” era um retrato positivo do impacto do digital nas nossas vidas. Mais de 15 anos depois, Turkle mudou de opinião e a Wire virou-lhe as costas, quando em 2011 o livro “Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other” chegou ao mercado. Na obra a autora escreve que, hoje em dia, o facto de sermos inseguros nas nossas relações e ansiosos perante o conceito de intimidade faz com que procuremos na tecnologia formas de estar em relações e, ao mesmo tempo, formas de nos proteger dessas mesmas relações. O problema da intimidade digital, garante, é que ela é incompleta: “Os laços que formamos através da Internet não são, no final, os laços que nos unem”.

“Estou a pensar no sistema do iPhone, naquela nuvem que aparece quando alguém está a responder a uma mensagem”, diz João Faria ao Observador. “Só esse mecanismo, que permite ver se a outra pessoa está a escrever, se demora ou não, desencadeia mecanismos negativos nas pessoas.” A imagem criada permite ao psicólogo especializado em perturbações da ansiedade associadas à utilização da internet, que trabalha no Centro para as Perturbações do Desenvolvimento (PIN), traçar uma comparação com o passado, numa altura em que um telefonema simplesmente não era atendido. O assunto ficava arrumado.

João Faria considera que os jovens vivem uma ansiedade muitas vezes potenciada pelas novas formas de comunicar, eles que chegam a trocar “milhares de mensagens por dia”. É o caso de um paciente seu que, aos 15 anos, tem uma “fortíssima dificuldade” em se desligar das redes sociais. Por ser particularmente insatisfeito com a sua versão offline, procura no universo online uma espécie de consolo e bem-estar. O maior receio, por mais ilógico que possa parecer, é perder o quer que seja de todas as vezes que não está conectado — voltamos ao FOMO. “Nestes casos, a ansiedade torna-se quase patológica”.

Um artigo publicado no The Guardian em abril de 2015 explorava a ideia de que a solidão no futuro possa estar precisamente na forma como hoje estabelecemos e mantemos relações. Uma pessoa sozinha sente necessidade de ser “vista, aceite e desejada”, ao mesmo tempo que se torna extremamente cautelosa com a exposição pessoal. O mesmo artigo citava uma investigação da Universidade de Chicago, que mostra que o sentimento de solidão é capaz de desencadear a “hipervigilancia do tecido social”. Quer isto dizer que uma pessoa nestas circunstâncias fica muito alerta à rejeição e suscetível de entender as interações sociais de uma forma hostil.

“A ansiedade pode, de facto, ser gerada pela ideia da avaliação permanente”, reitera Filipa Jardim da Silva. A psicóloga clínica não tem dúvidas de que a internet fomenta fenómenos de ampliação, ao mesmo tempo que garante que as partilhas online são “o novo cadastro vitalício”. João Faria partilha da mesma opinião, quando diz que a Internet aumenta exponencialmente as experiências negativas que um indivíduo possa ter e que, por isso, é mais fácil encontrar círculos de rejeição. Nem de propósito, a Linha Internet Segura, que funciona de forma gratuita desde 2011, existe para entrar e sair do universo online de forma segura (800 21 90 90).

A “hostilidade online” é uma realidade cada vez mais presente, tanto que até existe uma campanha do Conselho da Europa nesse sentido. A “No Hate Speech”, cujo nome também funciona como um slogan, não deixa grande margem para dúvidas: a ideia é combater o discurso de ódio na internet. “Os comentários negativos são os que proliferam mais. Nós somos particularmente atentos à crítica, ao rebaixar. É também uma questão cultural”, argumenta João Faria.

Ao ritmo (louco) da solidão

Algures na imprensa internacional encontramos a frase “a solidão tornou-se na ‘doença’ mais comum do mundo moderno”, uma ideia que o psicólogo João Faria não só entende, como aceita — embora não considere a solidão uma doença, antes um sintoma de condições tão graves como a depressão. “As pessoas estão mais sozinhas do que nunca e, ao mesmo tempo, têm muita facilidade em comunicar umas com as outras”, diz como se ainda lhe custasse a acreditar. Para ele, o sentimento de solidão é exacerbado pelo mundo cada vez mais rápido em que vivemos, no qual não há tempo para sentir saudades ou para nos encontrarmos cara a cara. A isso alia-se o facto de estarmos a perder a capacidade de esperar.

Ao telefone com o Observador, João Faria conta um exercício que fez numa sala de aula com miúdos a chegar aos 5 anos de idade. O psicólogo pediu aos alunos que levantassem a mão quando estivessem aborrecidos, enquanto João ligava um antigo jogo de computador, da sua infância. “O jogo demora 4 minutos a carregar. Os miúdos meteram a mão no ar ao fim de um minuto. Estavam aborrecidos.

A vida cada vez mais imediata está a roubar-nos a capacidade de gerirmos as nossas emoções, bem como a tolerância em lidar com o que sentimos, e ao consultório de João Faria chegam cada vez mais pessoas que se sentem sozinhas, embora não saibam reconhecer essa mesma solidão. “O marcador de quem não sabe que está a sentir-se sozinho é, por exemplo, o facto de procurar incessantemente conexão virtual.”

Ivone Patrão, coordenadora de estudos sobre dependências tecnológicas com o cunho do ISPA, tem um discurso semelhante. Considerando a investigação que a permitiu perceber que 14% dos jovens, entre os 12 e os 30 anos, estão dependentes do smartphone, a psicóloga garante que as pessoas mais dependentes da internet sentem-se isoladas socialmente, mas não emocionalmente. “Nestes casos, se lhes retirarmos a internet, estas pessoas deixam de ter apoio emocional, ficam sem nada”, explica ao Observador, ao mesmo tempo que deixa ficar a seguinte ideia: apesar de se sentirem acompanhadas, são pessoas que não se apercebem que dependem de uma ferramenta para comunicar e que há um interesse mútuo por detrás dos likes no Facebook e dos jogos online.

Há quatro meses, Mark Zuckerberg escrevia na rede social que criou que a comunidade do Facebook contava oficialmente com 2 mil milhões de pessoas mensalmente. Em setembro de 2017, o site Techcrunch escrevia que o Instagram alcançara os 800 milhões de utilizadores mensais e os 500 milhões de utilizadores diários. E quantas aplicações existem para conhecer pessoas em contextos mais e menos românticos?

“Recebo sobretudo crianças e jovens”, conta João Faria. “Mas garantidamente que a situação não se esgota nesta faixa etária. É expetável que se alastre até aos idosos. De qualquer maneira, as crianças de hoje serão os adultos e os idosos de amanhã. Não sou nada otimista nisto, para ser sincero.”

 

 

Por que as crianças da Dinamarca são mais felizes?

Novembro 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Livros | Deixe um comentário
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Notícia do http://revistacrescer.globo.com/ de 6 de novembro de 2017.

Por Juliana Malacarne

No recém-lançado Crianças Dinamarquesas, autoras mostram que a maneira como elas são criadas talvez esteja por trás dos altos índices de felicidade do país nórdico. Veja como colocar tais descobertas em prática na sua casa também.

Abrir a janela de casa e encontrar a rua coberta de neve é uma visão comum para os dinamarqueses. Na maioria das cidades do país, que fica no norte da Europa em uma região conhecida como Escandinávia, as temperaturas ficam abaixo de zero no inverno. O clima pouco convidativo e a baixa incidência de luz solar, porém, não abatem o espírito do povo dinamarquês. Desde que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD, na sigla em inglês) criou uma lista para eleger o país mais feliz do mundo, em 1973, a Dinamarca esteve em seu topo quase todos os anos. O que poderia explicar esse resultado? A terapeuta dinamarquesa Iben Sandhal e a psicóloga norte-americana Jessica Alexander apostam que a resposta está na maneira como as crianças dali são educadas.

Com base em pesquisas e observações cotidianas (Iben mora em Copenhague e Jessica é casada com um dinamarquês), as duas escreveram o livro Crianças DinamarquesasO que as Pessoas Mais Felizes do Mundo Sabem Sobre Criar Filhos Confiantes e Capazes (Ed. Fontanar, R$ 34,90). O livro descreve as atitudes de pais e mães daquele gelado país que geram resultados positivos sobre as crianças. E, o que é melhor, como aplicá-las em qualquer lugar do mundo. Em entrevista exclusiva à CRESCER, as autoras ressaltam a importância de elogiar os esforços dos pequenos, sem exagero, e sobre por que ensiná-los a ter empatia desde cedo, entre outras dicas. A seguir, destacamos alguns pontos da conversa.

Elas aprendem a ter empatia

A hora da brincadeira é uma ótima oportunidade também para transmitir lições de empatia, um dos pilares da educação dinamarquesa, de acordo com Iben e Jessica. É comum que surjam conflitos na convivência entre crianças pequenas. Mesmo assim, por aqui, quando o filho se queixa do comportamento de um dos colegas, a primeira reação dos pais é tirar satisfação, seja com a escola, seja com os pais do “briguento”, não? Outros acreditam que é “coisa de criança” e falam para o filho deixar para lá. Na Dinamarca, entretanto, as famílias preferem fazer com que as crianças entendam (ou ao menos tentem entender) as emoções do outro. Sendo assim, dizer: “Ele parece irritado, você sabe o que aconteceu?”, traz resultados melhores do que “Ele está com raiva de quê? Que ridículo!”. “Nem sempre as reações e emoções das crianças fazem sentido para os adultos, mas mostrando que as reconhece, você evita julgamentos e ensina seu filho a lidar melhor mesmo com os sentimento considerados ‘inapropriados’”, diz Jessica.

Elas recebem elogios “reais”

Isso não significa, porém, exagerar na positividade e aplaudir cada conta de adição que seu filho resolve corretamente como se estivesse em frente ao trabalho de um novo Einstein. “Se as crianças são constantemente elogiadas por serem naturalmente talentosas ou dotadas, passam a crer que sua inteligência é fixa e nada pode ser feito para modificá-la”, explica Iben.
Para evitar esse tipo de pensamento, o segredo é valorizar o esforço e não o resultado. Se você disser que um desenho que seu filho terminou rapidamente está incrível (mesmo que note que ele não tenha se concentrado nos detalhes), o elogio não trará nenhum benefício para a percepção que ele tem de seu próprio esforço. Uma saída melhor é perguntar sobre o desenho, ou seja, o que ele estava pensando ou sentindo quando decidiu fazê-lo. Diga: “Adorei como você manteve a concentração e o foco para deixar o desenho lindo”, em vez de “Uau, como você desenha bem!”.

Elas podem brincar livremente

No país onde foi criado um dos brinquedos mais populares da história, o Lego, as crianças não precisam ir à escola antes dos 6 anos, o que mostra o quanto o tempo “gasto” com atividades não estruturadas é reconhecido. Um dos principais desafios de Jessica, acostumada às agendas atribuladas das crianças norte-americanas, foi adotar essa mudança na rotina com os filhos Sophia, 7, e Sebastian, 4. “Me considerava uma mãe preguiçosa por não estar levando as crianças para 1 milhão de cursos ou atividades onde estavam ‘aprendendo’”, afirma. “Mas agora não me sinto mais assim e isso fez muita diferença no meu dia a dia. Não só meus filhos estão mais felizes com a liberdade de poder escolher as brincadeiras como também estou mais contente porque é muito menos estressante.”

Um estudo realizado com crianças em idade pré-escolar em Massachussets (EUA), citado pelas autoras no livro, mostrou que existe uma correlação positiva entre a quantidade de brincadeiras que as crianças participam e sua habilidade de resolver problemas. Por isso, a dica delas é levar os filhos para ambientes abertos, que eles possam explorar livremente, como praias e parques. Outra recomendação nesse sentido é estimular o encontro com crianças de diferentes idades para que umas possam aprender com as outras – e deixar para fazer intervenções somente quando necessário. “Outro dia, meu filho estava correndo a toda velocidade por uma rampa, fiquei me encolhendo de tensão e comecei a gritar para ele parar”, conta Jessica. “Mas meu marido pegou em meu braço e disse: ‘Crianças têm que correr. Se ele cair, caiu, mas crianças têm que correr’. No fim, Sebastian não caiu e ficou exultante consigo mesmo. Temos de confiar nas crianças para que elas aprendam a confiar em si próprias.”

Elas têm tempo de qualidade com a família

Os dinamarqueses têm uma palavra específica no dicionário para definir os momentos aconchegantes compartilhados em família: hygge (pronuncia-se ruga). Nesse período, existem regras bem interessantes, como desligar celulares e tablets, não reclamar à toa, evitar assuntos polêmicos e pensar em jogos em que todos os presentes possam participar independentemente da idade.

Segundo Iben, o hygge é uma escolha consciente que você faz para ter a sensação de estar conectado, de fato, com seus filhos. “Durante muitos anos, tive a oportunidade de pegar minhas filhas na saída da escola. Chegávamos em casa e sentávamos à mesa, comendo lanchinhos e conversando sobre o dia delas. Se fosse inverno, acendia velas e, às vezes, fazia chocolate quente ou chá. Depois disso, lia um conto, até que elas ficassem ‘cheias’ da minha atenção e fossem brincar por conta própria. Aquilo era muito ‘hyggeano!’”, conta a dinamarquesa.

A magia do hygge, uma das tradições mais importantes da cultura dinamarquesa, é que ele não precisa de espaço nem de alguma ocasião específica – e assim como as demais percepções das autoras, pode ser implementado por aqui também. Ainda que dar uma pausa na rotina acelerada para se entregar plenamente aos momentos com aqueles que mais ama não seja tão simples quanto pareça, o povo mais feliz do mundo garante: vale a pena.

Elas não são rotuladas

Um dos principais pontos positivos na maneira dinamarquesa de ver o mundo, de acordo com as autoras, é a importância que dão à linguagem. “As palavras têm poder e, por isso, adoto uma perspectiva otimista/realista sempre”, diz Iben, que é mãe de duas meninas, Ida, 16, e Julie, 14. “Não é ignorar as coisas ruins, e sim reconhecer que o mundo possui várias nuances de cinza além do preto e branco.”

Por exemplo, se depois de tirar uma nota baixa em geografia a criança diz que é péssima na matéria, lembre-a de uma tarefa específica que tenha gostado de fazer, como pintar um mapa, ou algum conteúdo em que tenha ficado interessada. Não negue que ela foi mal na prova nem diga que está tudo bem, mas ressalte que há coisas que podem ser feitas para melhorar o desempenho nas próximas avaliações, como estudar por mais tempo ou focar em exercícios práticos. Além disso, esteja sempre atento para evitar o uso de palavras limitadoras, como “meu filho odeia isso” ou “ele é assim”, pois esse tipo de postura não deixa espaço para a possibilidade de mudança.

 

 

Colóquio Literacias na primeira infância – 24 e 25 novembro na Biblioteca Municipal José Saramago (BMJS), em Loures

Novembro 16, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.cm-loures.pt/Conteudo.aspx?DisplayId=3638

Quatro inquietações sobre a utilização das tecnologias

Novembro 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 5 de novembro de 2017.

Cátia Sacadura e Rosário Carmona e Costa

Antes, os nossos filhos só sabiam fazer uma coisa melhor do que nós – aproveitar o momento. Agora, sabem mais uma: utilizar de forma hábil cada uma das tecnologias que têm ao seu dispor. Cabe aos pais definir o quanto, o quando e o como.

Chegou a era do contacto diário e constante com ecrãs, a era do interativo, a era do imediato, a era do tudo-à-distância-de-um-click. Antes, os nossos filhos só sabiam fazer uma coisa melhor do que nós – aproveitar o momento – e, agora, sabem mais uma: utilizar de forma hábil cada uma das tecnologias que têm ao seu dispor. Desde a televisão (não lhe chamemos nova tecnologia para não pareceremos jurássicos) até à última consola ou smartphone que chegou ao mercado.

Como pais, o importante é podermos tirar o maior proveito de tudo o que a tecnologia pode trazer de bom.

Veja, ou reveja-se, nas quatro inquietações que compilámos acerca da utilização de novas tecnologias pelas crianças e jovens:

1. O meu filho ficará viciado se permitir que ele tenha acesso aos ecrãs.
É muito frequente os pais chegarem à consulta com a crença de que o filho tem um problema com os ecrãs. “Ele é viciado naquilo” ou “Ele está mesmo dependente” são frases que ouvimos de pais que estão a ter dificuldade em gerir o tempo que os filhos passam no computador e nos telemóveis bem como em conseguir que cumpram um conjunto de tarefas que definem como prioritárias.

Ora, não se trata do acesso aos ecrãs mas, sim, dos limites que necessariamente precisam de ser impostos. Crianças que utilizam novas tecnologias, que têm acesso à Internet, ao computador e a um conjunto de aplicações que vão ao encontro dos seus interesses poderão beneficiar de tudo o que estas acrescentam ao seu desenvolvimento desde que os pais definam as regras – e tempo – da sua utilização e, em segundo lugar, promovam em paralelo um leque variado de interesses e atividades.

2. Prefiro que o meu filho não utilize a Internet porque está exposto a demasiados perigos.
Não há como negar que também a vida online e virtual apresenta perigos às crianças (e a todos nós). No entanto, é um mito que os privemos de ter contacto com esta vertente do dia-a-dia como atitude protetora. Ao fazê-lo, não estamos a ajudá-los a desenvolver estratégias para lidar com os perigos e dificuldades online, não estamos a aproveitar a oportunidade para conversar sobre o mundo virtual e sermos bons modelos de utilização, nem tão pouco estamos a torná-los peritos numa utilização cuidada e protegida. E é melhor que se desengane: se ele não utilizar em casa, irá fazê-lo nos telemóveis dos amigos ou nos computadores da escola nas restantes 8 horas do dia que passa longe de si.

3. É o fim da leitura.
Não. As estatísticas parecem indicar que nunca se leu tanto. Muitas vezes, não é o tipo de leitura que pretendemos quando falamos de literacia, mas pode ser um início. Nunca foi tão acessível partilhar literatura infantil com os nossos filhos, e oferecer-lhes a possibilidade de, desde cedo, se poderem sentir autónomos a ler um livro, por exemplo através de audiolivros. Os livros eletrónicos parecem ser um excelente formato aumentando a motivação e permitindo a combinação com outros meios e conteúdos (áudio, dicionário incorporado, diferentes fontes e tamanhos de letra) que podem apoiar a leitura, nomeadamente perante uma dificuldade.

Filhos que veem os seus pais a ler sentem-se mais motivados para ler. Os hábitos de leitura cultivam-se desde cedo através de livros adequados à idade da criança e uma leitura envolvente. Tal é bastante mais importante que o formato em que o fazemos. O conteúdo de qualidade, esse vem com o gosto pela atividade.

4. Se um jogo é interativo é provavelmente educacional. 
É verdade que vários jogos nos chegam como revolucionários para o desenvolvimento cognitivo e das aprendizagens. Os pais ficam descansados, os professores sentem que estão a utilizar algo motivante. Muitos jogos são estritamente operacionais – selecionar a resposta correta para ganhar. Serão estes jogos verdadeiramente educacionais? São definitivamente oportunidades de prática, mais motivantes que uma ficha de trabalho tradicional, no entanto não utilizam a potencialidade da tecnologia. Seja exigente com os jogos que procura quando quer que sejam educacionais: Procure saber se vai ao encontro da competência que pretende desenvolver; se permite que o jogador seja criativo ou tome decisões; se motiva o jogador a pensar no processo ou, pelo contrário, só tem que selecionar um resultado. O ideal é que todos os jogos educativos sejam acompanhados pelo diálogo sobre o processo e o que o envolve. Não desvalorize o seu papel enquanto educador.

As autoras seguem o Acordo Ortográfico. A rubrica encontra-se publicada no P2. caderno de Domingo do PÚBLICO e é da responsabilidade do CADin

Las princesas de Disney incrementan los estereotipos en los niños?

Novembro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.psyciencia.com/ de 19 de julho de 2016.

Por David Aparicio

“Let it Go, Let it Go…”

Todos hemos escuchado el popular coro de la película de Disney Frozen, y es que con su personaje, Elsa, Disney retomó la popularidad entre grandes y chicos de todo el mundo. Hoy es la película animada que más dinero recaudó en la historia del cine.

Con tanta euforia entorno a las películas de Disney muchos padres e investigadores han mostrado su preocupación en torno al posible efecto que pueden tener sus personajes (en especial las princesas) sobre la autoestima, imagen corporal y el fomento de estereotipos en los más chicos.

Una investigación entrevistó cerca de 200 niños estadounidenses de casi 5 años de edad y a sus padres, para evaluar si realmente las princesas de Disney tenían un efecto negativo en el aprendizaje y desarrollo de los niños.

En concreto, el estudio evaluó qué juguetes preferían los niños y niñas de la investigación y con cuánta frecuencia veían algún programa o pelìcula de Disney que giraba entorno a una princesa. También se pidió a los padres que completarán un reporte de conducta de sus hijos.

Estereotipos y autoestima

Los resultados mostraron que el 96% de las niñas y el 87% de los niños había visto alguna de las películas o series de Disney. A diferencia de los varones, las niñas eran más propensas a adoptar las narrativas de las películas durante los momentos de juego.

Al comparar los resultados, después de un año de seguimiento, se encontró que la frecuente exposición a los juegos y películas de princesas de Disney, se relacionaba con fuertes conductas estereotipadas de género en las niñas. Aquellas niñas evitaban todas las experiencias que no se consideraban como femeninas, por ejemplo: jugar con otros tipos de juguetes o ensuciarse mientras jugaban, porque esa no era la manera en que las princesas se comportaban. Estas niñas eran más propensas a expresar creencias de que las niñas deben tener diferentes oportunidades y objetivos en la vida.

También se exploró si había relación entre la autoestima de las niñas y el uso de los productos y películas de princesas de Disney, y el estudio no encontró que afectara la autoestima y autoimagen de las niñas. Sin embargo, los investigadores explican que quizás, se podría encontrar efectos en la autoestima con un seguimiento más prolongado (recuerden que este estudio sólo hizo un seguimiento de un año). No obstante, esta es una hipótesis que se debe comprobar.

Otro dato que es importante resaltar es que los padres jugaron un rol importante en el aprendizaje de las conductas estereotipadas. Según los hallazgos, los padres reforzaban la cultura de las princesas de Disney, lo cual podría también tener serias consecuencias a largo plazo en el desarrollo de las niñas. Aquellas que han sido criadas como “princesitas consentidas” son más propensas a darse por vencido ante las situaciones difíciles de la vida, se esfuerzan menos y generalmente se concentran cualidades superficiales, como la belleza.

Un efecto positivo en los varones

Uno de los hallazgos que más interés generó fue que los niños varones que jugaban y veían películas semanales relacionadas con las princesas de Disney tenían mejor autoestima y eran más atentos con los otros. Este hallazgo fue bastante pequeño, pero valdría la pena explorarlo aún más.

No podemos terminar el artículo sin antes aclarar que este estudio es correlacional y por tanto no podemos atribuir ninguna responsabilidad causal a los personajes de Disney. Hay una relación importante que necesita más atención por parte de los investigadores. Para los padres es un llamado de atención, hay que ser cuidadosos con los tipos de crianza que se refuerzan en nuestros hijos. Es bonito ver a una hija vestida de princesa, pero lo más importante debe ser poder enseñarle a desenvolverse en distintos roles, que pueda explorar el mundo, esforzarse y no esperar nada regalado por el simple hecho de ser bonita.

La investigación está disponible en la revista Child Development y fue desarrollada por investigadores del Brigham Young University.

Fuente: Quartz

 

Era uma Vez um Corpo : Eu, Tu, Nós – Workshop de Dança Contemporânea para Crianças, 22 novembro no Palácio Galveias

Novembro 12, 2017 às 6:04 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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