Jornadas literárias ’10 de Letra’ 19 abril na SPA, com Eduardo Sá, Luísa Ducla Soares, José Jorge Letria

Abril 18, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

mais informações no link:

https://escritores.online/10-de-letra/

Anúncios

“Por que é que ninguém me quer adoptar?”

Abril 14, 2018 às 5:28 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no https://www.publico.pt/ de 11 de abril de 2018.

O sistema funciona bem? Nem sempre. Mas todos nós, de alguma forma, fazemos parte dele.

Não sei responder a esta pergunta, feita de forma recorrente por um jovem de quase 14 anos de idade. Ora triste e revoltado, ora zangado e agressivo. Quase sempre confuso. Uma mistura de sentimentos que não tem nome nem dimensão, que ultrapassa tudo o que possa imaginar-se.

Este jovem, chamemos-lhe ‘Rui’, está em acolhimento residencial desde os seis anos de idade, após ter sido vítima de diversos tipos de maus tratos por parte dos pais. Passou anos mais tarde por uma experiência mal sucedida de adopção, em que foi “devolvido” ainda durante o período de pré-adopção (por mais que custe ouvir, é “devolvido” que este jovem se sente, “como se fosse uma peça de roupa com defeito”, acrescenta), regressando novamente a uma casa de acolhimento, onde permanece até à data. Será que conseguimos imaginar o que se sente quando alguém nos diz que não nos quer? Que não correspondemos às expectativas e nos leva de volta?

Como ele, muitas crianças e jovens permanecem em acolhimento residencial, sem outro projecto de vida que melhor salvaguarde os seus interesses. Sobre isto, basta ver os dados que, anualmente, o relatório CASA (Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens) nos traz. De acordo com o relatório de 2016, um total de 8175 crianças e jovens permaneciam em situação de acolhimento, dos quais 5779 iniciaram anteriormente esse processo. Olhando para os dados de anos anteriores, percebemos que estes números têm vindo a baixar, embora de forma lenta, especialmente desde o ano de 2011. Por outro lado, também a caracterização das crianças e jovens em acolhimento tem vindo a mudar. Temos hoje crianças mais velhas (maior prevalência das idades entre os 15-17 anos, seguindo-se a faixa etária dos 12-14 anos) e que chegam mais tarde ao processo de acolhimento, com a vivência de situações mais complexas. Por outro lado, 90% das crianças com menos de cinco anos estão em casas de acolhimento, o que contraria as recomendações internacionais sobre a importância crucial destas crianças terem uma resposta de cariz familiar.

Esta realidade exige uma adaptação do sistema de acolhimento, com a necessidade imperiosa de mais respostas de cariz familiar, casas de acolhimento especializadas, modelos de intervenção específicos e adaptados a cada realidade, a par de técnicos e cuidadores continuamente qualificados e com supervisão. Sou testemunha de que diversas entidades, públicas e privadas, estão já a desenvolver esforços numa perspectiva de mudança, embora reconheça que temos, ainda, um longo percurso pela frente.

Relativamente aos projectos de vida, quase 37% das crianças e jovens referidos anteriormente tiveram um projecto de autonomização, 36% regressaram à família nuclear e 11,2% foram encaminhados para adopção.

Centremo-nos sobre as crianças e jovens que têm como projecto de vida a adopção. Por um lado, os processos de avaliação dos candidatos à adopção e a forma como se tenta encontrar o chamado match entre uma criança em particular, com as suas necessidades e especificidades, e uma determinada pessoa singular ou casal adoptante. Este processo tem vindo a ser repensado e foi recentemente apresentada a revisão do Manual de Intervenção dos Organismos de Segurança Social na Adopção de Crianças. Temos hoje um processo de avaliação de candidatos mais sistematizado e baseado em evidências empíricas, no sentido de aumentar a probabilidade de processos de adopção bem-sucedidos.

Estamos perante um tema bastante complexo. Se o sistema funciona bem? Nem sempre. Mas todos nós, de alguma forma, fazemos parte deste sistema. Não podemos apenas apontar o dedo às instituições e aos tribunais. Temos o dever de pensar e agir enquanto comunidade, sendo que não existe ainda uma cultura de prevenção primária dos maus tratos. E muitas situações de risco não são sinalizadas, por receio de represálias.

Que resposta dar ao Rui? Efectivamente, quem quer adoptar um jovem com quase 14 anos de idade, em acolhimento desde os seis, com tantas memórias e angústias que lhe povoam e aprisionam a vida? Onde estão os candidatos tão especiais de que este jovem precisa, e que não querem apenas uma criança pequena e saudável? Até agora ainda não foram encontrados.

É também perante este tipo de situações que as famílias amigas, voluntárias em tantas instituições, desempenham um papel tão relevante. Porque todas as crianças e jovens precisam de um contexto familiar. Contentor, afectuoso e em que se sintam únicos e especiais.

Continuo sem saber que resposta dar a este menino. E a tantos outros como ele.

 

Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicoterapia e Psicologia da Justiça; docente e investigadora no ISCTE-IUL

 

 

Os ecrãs estão a substituir os pais

Abril 13, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Texto do site https://magg.pt/ de 1 de abril de 2018.

por CATARINA DA EIRA BALLESTERO

Smartphone, tablet, TV. São ecrãs utilizados pelos pais para distrair os filhos. Mas esta atitude pode ser considerada negligência.

A tecnologia está em todo o lado. Já não vivemos sem os smartphones, os canais de televisão podem ser vistos através de dispositivos móveis e até existem restaurantes cuja carta está num tablet.

Num mundo tão tecnológico como aquele em que vivemos, é natural que os vários ecrãs (televisão, smartphone, tablet, computadores, etc) que nos rodeiam façam parte das várias esferas da vida, incluíndo a educação dos nossos filhos. Mas há que saber onde traçar o limite,avisam os especialistas.

A geração dos 30 e 40 anos está deslumbrada com a tecnologia

Como explica Rosário Carmona e Costa, psicóloga clínica, à MAGG, a tecnologia é uma novidade na história das famílias. “Os pais que estão na geração dos 30 e dos 40 anos não cresceram com a tecnologia que existe hoje em dia e estão ainda, eles próprios, deslumbrados com tudo o que temos disponível. Logo temos aqui um fator novidade e um comportamento desajustado por parte dos pais que não é intencional”, afirma a psicóloga.

A especialista refere que os pais precisam de repensar as práticas educativas no que diz respeito às novas tecnologias e que isto lhes precisa de ser ensinado. “Existem coisas que são consensuais e que os pais têm noção que não devem ser feitas, como o bater ou o gritar. No entanto, quando em consulta toco num ponto relacionado com as novas tecnologias e os identifico como erros, ficam surpreendidos.”

Existe muita pressa por parte dos pais em introduzir as tecnologias nas vidas dos filhos, salienta a psicóloga, e esta rapidez pode fazer com que esta introdução não seja feita da maneira mais correta. “A tecnologia pode fazer parte da vida das crianças, mas mediante um conjunto de regras bem estabelecidas”, refere a especialista, que indica que existem algumas diretrizes a ter em conta.

“Quando, como, onde pode ter acesso aos ecrãs, bem como o que acontece à criança ou jovem se não cumprir com as suas obrigações devido à excessiva utilização destes recursos”, explica Rosário Carmona e Costa.

Os pais estão a demitir-se da sua função de educadores

Se tem filhos, provavelmente já recorreu ao Youtube num restaurante para acabar com uma birra ou ligou a Baby TV na televisão da sala para o seu filho ficar distraído enquanto acaba de fazer o jantar. Porém, estas atitudes inocentes à partida, podem substituir os pais no seu principal papel: o de educar.

“Os pais estão a utilizar muito os ecrãs como forma de gestão e manipulação do comportamento dos filhos”, afirma Rosário Carmona e Costa. A especialista refere que estas atitudes podem também ser uma forma de negligência parental, “embora esta palavra seja forte e

e esteja muitas vezes associada a violência, o que não é o caso neste contexto.”

Para comerem, para se portarem bem numa sala de espera, para não chatearem os adultos à mesa ou incomodarem outros clientes num restaurante. Todas estas razões levam os pais, muitas vezes, a colocarem um ecrã à frente das crianças.

“Os ecrãs tornaram-se babysitters sempre disponíveis, mas estas ações estão a retirar aos pais a função, que é deles, de ensinar aos filhos os comportamentos e regras de contexto a ter. Os pais estão a demitir-se, involuntariamente, da sua função de pais e a colocar um objeto externo como educador dos filhos”, refere a especialista, que salienta o perigo que existe com estas atitudes, que podem impedir as crianças de desenvolverem um conjunto de competências para a vida adulta.

O uso constante dos ecrãs é prejudicial às crianças

A psicóloga explica que as consequências da utilização indevida dos ecrãs na educação das crianças assenta em três questões diferentes, mas igualmente importantes.

“Em primeiro lugar, se uma criança está constantemente a receber um ecrã, seja uma televisão com desenhos animados ou um tablet com jogos, para gerir mau feitio ou birras, esta mesma criança não vai saber lidar com a frustração, que é uma capacidade fundamental no futuro”, diz a especialista.

Outro fator é que a criança, ao ter o seu comportamento controlado pelo exterior (ou seja, ecrãs), não vai aprender a fazê-lo sozinha. Rosário Carmona e Costa refere que se colocarmos um ecrã sempre que a criança chorar, seja por que razão for, esta não vai aprender a gerir o seu comportamento, nem a auto-regular as suas emoções.

Já cheguei a ouvir educadoras de creches dizerem que existem pais que pedem para deixar o tablet com os filhos para eles não chorarem no momento da separação, sendo que nenhuma criança gosta de se separar do pai ou da mãe para ficar na creche. Mas é uma competência importante que devem adquirir.”

Por último, quando as crianças têm um acesso constante e facilitado ao ecrã, não existe um adiamento da recompensa. “Os pais precisam de entender que cederem o ‘prémio’, neste caso, o acesso às tecnologias, ainda antes de as crianças realizarem uma tarefa é negligência, apesar de inconsciente”, afirma a especialista.

Depois de um dia na escola, as crianças podem jogar. Se se mantiverem bem comportados numa sala de espera, podem depois ter acesso ao tablet. “Este é um pensamento que tem de regressar para a vida das famílias, transmitirem aos mais pequenos que a utilização dos ecrãs é uma regalia, um prémio e não um direito”, explica Rosário Carmona e Costa, que acrescenta que, muitas vezes, esta adição aos ecrãs é confundida com outros problemas.

“Já tive vários casos, em consulta, de crianças com seis, sete, oito anos de idade, cujos pais afirmam que têm um défice de atenção, não conseguem ficar quietos uma hora na sala de aula, não se concentram. E depois eu percebo que foi uma criança que, de cada vez que fazia uma birra, tinha acesso a um ecrã para ficar quieta. Esta criança não tem um défice de atenção, simplesmente não aprendeu a esperar.”

A psicóloga conta que existem outros casos, como os de crianças levadas até ao seu consultório porque os pais estão preocupados com o seu comportamento.

“Já tive um caso de uma criança que não convivia no recreio com outros miúdos, não demonstrava interesse nas brincadeiras, não possuía competências sociais. E tudo isto era resultado de uma exposição alargada e sem regras aos ecrãs. Esta criança aprendeu a estar sempre isolada no seu mundo, a jogar, e devido ao excesso de estimulação dos ecrãs, até tinha um comportamento mais agressivo.”

Os castigos devem estar relacionadas com o comportamento

Se a tecnologia for o recurso favorito das crianças, que muitas vezes é (os miúdos mais pequens recorrem muito aos tablets para verem desenhos animados ou jogos mais básicos, as raparigas mais velhas dão mais atenção aos smartphones e às redes sociais, sendo os adolescentes rapazes mais seduzidos pelos jogos de computador e consolas), pode existir a tentação por parte dos pais de retirar o acesso a estes ecrãs como forma de castigo.

Porém, a especialista refere que isto apenas deve ser feito se as tecnologias tiverem uma relação direta com a razão do castigo, ou quando podem ser um obstáculo a um comportamento mais favorável.

“O castigo, na sua essência, é uma tentativa de alterar um comportamento errado. Logo, os castigos mais eficazes são aqueles em que as consequências são relacionadas com o comportamento”, explica Rosário Carmona e Costa.

Se uma criança magoou outra, o “castigo” mais eficaz pode ser ter de acompanhá-la ao posto médico. Na opinião da psicóloga, esta é uma situação que terá muito mais impacto do que ir para uma sala de aula fazer uma cópia.

“Já quando estamos a falar de uma criança ter uma atitude negativa perante outra com recurso à tecnologia, como uma espécie de cyberbullying, aí sim faz todo o sentido retirar-lhe o acesso à internet.”

Os castigos têm de estar associados à falha. “Dando outro exemplo, se o jovem tiver uma negativa, o telefone pode ser-lhe retirado durante o dia seguinte, mas apenas e só porque nesse dia a criança deve fazer um esforço para estudar mais, e o telefone seria um objecto de distração. E deve ser explicado à criança que é essa a razão, e que o telefone lhe será devolvido quando acabar de estudar”, salienta a especialista.

A psicóloga sugere, por fim, que os castigos devem ser curtos, oferecendo às crianças uma sensação de controlo e que têm uma nova oportunidade em breve de corrigirem o comportamento e conquistarem a confiança dos pais, ou o que perderam, de volta.

“Já tive um jovem no meu consultório que me disse ‘só estou aqui porque me mandaram, estou de castigo até ao fim do ano por isso não me importo’. Se os castigos forem muito longos, os jovens sentem que já perderam tudo e não há qualquer vontade de corrigir o comportamento, não há estímulo para tal”, conclui a psicóloga.

 

 

 

 

YouTube recolhe ilegalmente dados de crianças

Abril 10, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do https://observador.pt/ de 9 de abril de 2018.

Uma coligação de associações de defesa das crianças e dos consumidores denunciou que o YouTube coleciona dados de crianças sem o consentimento privacidos pais e cria anúncios dirigidos às crianças.

O YouTube estará, alegadamente, a recolher dados de crianças com menos de 13 anos sem o consentimento dos pais, apesar de dizer que a plataforma é para ser usada por maiores de 13 anos. A denúncia parte de uma coligação de 23 associações de direitos das crianças, dos consumidores e de privacidade e foi noticiada pelo TheGuardian.

A coligação apresentou uma queixa à Comissão de Comércio Federal norte-americana alegando que a Google, dona da plataforma YouTube, além de recolher dados sem autorização ainda faz anúncios dirigidos a crianças com menos de 13 anos, violando a legislação norte-americana que prevê a proteção das crianças online (US Children’s Online Privacy Protection Act, Coppa).

Apesar de o YouTube dizer que a plataforma se destina a maiores de 13 anos, a coligação denuncia que a Google sabe que há crianças mais novas a assistir aos vídeos e que deles recolhe informação sobre os dispositivos, localização, números de telefone e segue-os em vários sites sem obter o consentimento dos pais.

Para a coligação é claro que a Google sabe que as crianças assistem aos vídeos do YouTube ou não se justificaria a quantidade de anúncios dedicados a crianças ou a criação da aplicação YouTube Kids. À hora da publicação do texto do The Guardian, a Google ainda não tinha respondido.

 

 

Carta aberta – Pedido de ajuda aos youtubers portugueses

Abril 9, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no https://observador.pt/ de 29 de outubro de 2017.

Deparo-me cada vez mais com crianças e pré-adolescentes com sintomas de ansiedade, insónias a despertares nocturnos, pesadelos e medos que estão, de alguma forma, relacionados com os vossos vídeos.

Caros youtubers, sejam aqueles com mais ou menos subscritores e seguidores e cujos vídeos têm mais ou menos visualizações, esta carta é um pedido de ajuda feito a todos vós.

Enquanto mãe e psicóloga, tenho acompanhado de perto o vosso trabalho. Sei os vossos nomes, conheço muitos dos vossos vídeos e insta stories, sei o que gostam de publicar e de que forma se distinguem uns dos outros. Já estive presente em 3 meets (é assim que se diz, certo?) e, ao longo das várias horas de espera (sentada no chão) pude observar quem vos segue. Centenas de crianças e pré-adolescentes, rapazes e raparigas. Uns pintam o cabelo de azul ou fazem totós no alto da cabeça para ficarem parecidos com os seus ídolos. Outros levam presentes ou desenhos para vos oferecer. Muitas raparigas choram ou gritam, ou ambos. Os rapazes, ainda fiéis aos bons estereótipos de género, controlam as lágrimas, mas é visível toda a emoção que sentem.

Em consulta, tenho-me deparado com uma frequência crescente com crianças e pré-adolescentes que apresentam sintomas de ansiedade, desde insónias a despertares nocturnos, pesadelos e medos variados. Na mente de muitas destas crianças os conteúdos destes sintomas estão, de alguma forma, relacionados com os vossos vídeos, sejam porque estes apresentam jogos de computador com conteúdos mais agressivos, ou porque testam a veracidade da história da Maria Sangrenta, ou porque abordam palhaços assassinos, ou porque… ou porque….

Naturalmente, a responsabilidade em supervisionar aquilo a que as crianças assistem na internet é dos pais e cuidadores. É destes o dever de estar atentos, filtrar os conteúdos em função da idade e nível de desenvolvimento dos filhos. No entanto, e por motivos diversos, nem todos os pais o conseguem fazer. Uns por falta de tempo e atenção. Outros porque acreditam que os filhos têm já essa capacidade de análise crítica. Outros porque são enganados pelos filhos, que navegam na internet quando os pais já dormem. E há ainda os pais que, embora atentos e com capacidade de supervisão, não conseguem, de todo, controlar aquilo a que os filhos assistem quando estão na escola, através dos telemóveis dos colegas.

Face a isto, surge o meu pedido de ajuda. Não vos peço, naturalmente, para alterarem a vossa estratégia ou o tipo de vídeos que, no fundo, vos caracteriza.

Peço-vos sim para, enquanto modelos a que estes jovens aspiram, ajudarem-nos a ultrapassar algumas dificuldades e a desenvolver algumas competências.

Como?

Antes de mais, explicar como funcionam os modelos. Os modelos têm um impacto muito importante nas aprendizagens que fazemos, na medida em que muito do que aprendemos é fruto daquilo que observamos. E ao observarmos modelos pelos quais sentimos empatia e simpatia, e com os quais nos identificamos, de forma natural e, muitas vezes, de forma inconsciente, estamos a aprender. Ora, será então natural que, quando os nossos modelos são reforçados ou punidos (por exemplo, quando se assustam, quando gritam, quando expressam medo ou alegria), também nós podemos experienciar essas mesmas emoções.

Ora, face a isto, de que forma imagino a vossa ajuda?

Imagino vídeos onde possam expressar dificuldades em algumas situações, em que não desistem, e em que pensam na melhor forma para ultrapassar todo o tipo de obstáculos. O que chamamos de modelos de confronto, ou seja, modelos que não são perfeitos (e com quem mais facilmente todos nos identificamos), mas que encontram estratégias adequadas para lidar com os problemas. São estes modelos que apresentam uma maior probabilidade em ser seguidos e imitados.

Imagino vídeos a que as crianças possam assistir e aprender essas mesmas estratégias.

Como lidar com os medos? Sim, porque todos temos medos.

Como lidar com a ansiedade? Sim, porque todos nós sentimos ansiedade.

O que fazer perante uma dificuldade? Como tomar uma decisão mais adequada? Sim, porque todos temos dúvidas em relação à forma como lidamos com a adversidade.

Mas há mais. Se me permitem, imagino ainda algo adicional. Imagino que nos vossos meets sugerem aos fãs que levem, por exemplo, comida ou ração para os animais abandonados, roupa ou calçado para as pessoas que vivem na rua, livros para as crianças que não os têm. E ao imaginar isto, visualizo centenas de crianças e pré-adolescentes ao rubro, por poderem ouvir, falar, abraçar e tirar fotografias com os seus ídolos mas, também, por sentirem que contribuem para o bem-estar de alguém.

É este o meu pedido de ajuda.

Até ao próximo meet,

Psicóloga clínica e forense, docente universitária

 

Investigadora alerta: “quando estão sobre-estimuladas, as crianças perdem o interesse em aprender

Abril 9, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Entrevista da http://activa.sapo.pt/ a Catherine L’Ecuyer no dia 19 de maio de 2017.

Foto da http://activa.sapo.pt/

Estamos a matar a curiosidade das crianças à força de querermos ensinar-lhes imenso o mais cedo possível? A investigadora canadiana Catherine L’Ecuyer, autora do livro ‘Educar na Curiosidade’ (Planeta) explicou-nos qual é o melhor método para não destruir a capacidade de aprendizagem dos mais pequenos.

Catarina Fonseca

Afinal, estamos a matar a infância?

Não estamos a matá-la, mas estamos a queimar ou adiantar etapas imprescindíveis. Queremos que as crianças aprendam muitas coisas antes de tempo, quando não poderiam aprendê-las. Quando transformamos a brincadeira numa etapa de educação formal, estamos a matar a capacidade que a criança tem de descobrir o mundo.

Porque é que a curiosidade é tão importante?

As crianças nascem com o desejo de conhecer, e isso é que é o motor de toda a aprendizagem. O que acontece é que a curiosidade nasce espontaneamente. Se forçamos a aprendizagem, se levamos a criança pela mão, essa curiosidade deixa de vir de dentro e desaparece e a criança não aprende, porque o desejo de aprender não nasceu dela, foi-lhe imposto.

Destruir a curiosidade é fatal para a aprendizagem?

Sim, mas não o fazemos por mal, porque os pais querem o melhor para os filhos. O que acontece é que temos muitos ‘neuro-mitos’, ou seja, pensamos que quanto mais estímulos, mais esperta vai ser a criança, e não é assim. Em vez de encher a criança de ipads e e brinquedos educativos, os pais têm de escolher brinquedos que precisem de ‘ser brincados’, não que puxem pela criança. A criança é que tem de brincar com eles. Então, quanto menos botões e pilhas, melhor. E há mil exemplos de brinquedos destes, como Legos ou bicicletas.

Se damos tudo às crianças, não nos arriscamos a criar filhos ‘aborrecidos’, que já não ‘vibram’ com nada?

Totalmente. Esse aborrecimento é a consequência da sobre-estimulação. Quando estão sobre-estimuladas, as crianças perdem o interesse em aprender, porque passam a depender dos estímulos. Quando estão sobre estimulados e regressam ao mundo real – a casa, a escola, o parque – tudo aí lhes parece lento e monótono. Portanto, o importante é voltar a ligá-los à realidade. Em vez da palavra ‘estimular’, prefiro a expressão ‘criar um ambiente’ em redor da criança, onde ela é que descobre a realidade. Quer dizer, pode haver um ‘maestro’ que esteja presente, que planeie esse ambiente, que brinque com a criança, mas não são precisas luzes nem programas nem filmes nem ipads.

Queremos que as crianças tenham todas essas coisas, mas a verdade é que não podemos prever o futuro…

Claro que não. Por exemplo, estamos a educar as crianças com tablets, mas o mais provável é que quando sejam adultos, os tablets já não existam. Então, estamos preocupados com equipamentos digitais que já não serão pertinentes no momento em que entrarem no mundo laborar. Além disso, não há nenhum estudo que ligue as competências tecnológicas das crianças com o seu êxito académico ou profissional.

As crianças não aprendem com dvs?

Não, porque uma criança pequena não tem pensamento abstracto. Um adulto pode aprender com um dvd. Uma criança pequena aprende com a realidade, com o toque, com o cheiro, com a voz, com a presença das pessoas. E com o silêncio, que é tão necessário à construção da sua interioridade. E um écran não lhe dá nada disto.

Então qual deve ser o papel das novas tecnologias na vida dos mais pequenos?

Educativo é que não. Se usarmos um tablet para ver um filme de vez em quando, tudo bem. Aliás, eu não sou contra o seu uso. O que quero é que se conheçam os estudos e o que dizem sobre cada idade. O que a Associação Americana de Pediatria recomenda é que as crianças até 2 anos não tenham acesso a absolutamente nenhum écran. E mais tarde, também não há nenhum estudo que relacione o seu uso com o sucesso escolar, ou outro.

Mas tentar controlar o uso de tablets e afins não é uma batalha perdida?

A expressão ‘batalha perdida’ é o princípio de todos os desastres educativos (risos). Não podemos desistir, porque somos os principais cuidadores. O que acontece é que temos de dar alternativas e não controlar. Se damos a escolher entre ir à pesca com o pai ou passar o dia inteiro sozinho agarrado a uma consola, que acha que a criança prefere?

Bem, alguns preferem de certeza ficar na consola…

Os mais crescidos, sim. Por isso é que eu digo que não devemos perder o comboio enquanto são pequeninos. Mas como o cérebro é plástico, podemos sempre fazer marcha-atrás e há sempre oportunidade para mudar.

Também há pais que vão no sentido oposto e proíbem tudo…

Acho melhor que uma criança pequena não tenha écran nenhum do que termos de transformar-nos em polícias digitais e passar o dia a dizer ‘não’. E note: não se vai passar absolutamente nada se negar um tablet ao seu filho. Não vai ficar para trás, não vai ficar traumatizado, não vai ser ostracizado, não lhe vai acontecer nada de mal. O pior que pode acontecer: uma grande birra. É uma escravatura ter tantos écrans em casa, portanto simplifiquemos a educação. Os écrans são bons: mas tudo tem o seu tempo. E a melhor preparação para o mundo digital é o mundo real. Primeiro temos de educar a criança para o mundo real: sensatez, força interior, consciência de si próprio, auto-controle, tudo isto são qualidades que a criança tem de ter antes de ter um tablet, antes de entrar no mundo digital.

Se não fiz isto e o meu filho cresceu, é possível voltar atrás?

Sempre. Mas eu não gosto de dar conselhos, e cada pai e mãe fará o que achar melhor segundo a informação que tem. O que eu ensino é o que dizem os estudos. Mas não pode ser nem a indústria nem a escola nem a criança a mandar em casa. Quem manda em casa são os pais, e a sua sensibilidade em relação ao conhecimento que têm dos seus filhos.

Se quero ter uma criança esperta, que devo fazer?

Espertas já elas nascem. Não estrague isso. Mas se quer ter uma criança amorfa, então basta entupi-la de estímulos. Achamos que é essa a chave do êxito mas é o contrário: vamos adormecê-los. Resultado: criamos adolescentes cínicos, que já não se encantam com nada, que já viram tudo, que desprezam tudo. Uma criança pequena olha para a mãe e encanta-se porque pensa: ‘Que sorte que tenho porque tu existes’. Eles vêem o mundo com encantamento. E todos nós podemos fazer isso, encantar-nos com a realidade e com os seus mistérios e a sua beleza. Porque sem encantamento não há interesse, e sem interesse não há aprendizagem. Se queremos que as crianças sejam atentas, vamos rodeá-las de coisas belas, de coisas que fazem sentido.

Tem 4 filhos. Qual foi a parte mais difícil da ‘profissão’ de mãe?

Aprender a ser mãe, mesmo. Ou seja: dar-me conta da beleza e da importância da maternidade. Há tantas tarefas esgotantes a cumprir dia após dia que às vezes nos esquecemos da grandeza que é ter tanta influência na alma de outro ser humano. Ultrapassar o óbvio foi difícil, passar do como e do quê, para o porquê e para quê. Não percam a oportunidade maravilhosa de se encantarem com as crianças.

Que nos ensinam elas?

Ensinam-nos a ver tudo como se fosse a primeira vez. E são agradecidas por tudo.

CATHERINE L’ECUYER

Canadiana mas a viver em Espanha há 13 anos, é mãe de 4 filhos, investigadora de novas formas de aprender, e colabora com o grupo de investigação Mente-Cérebro da Universidade de Navarra. O seu blog (apegoasombro) tem meio milhão de seguidores. É autora do livro ‘Educar na Curiosidade ‘ (Planeta) e dá palestras por esse mundo fora, onde defende que estamos a destruir a capacidade de aprendizagem das crianças de tanto querermos que aprendam.

 

 

Como ajudar as crianças a concentrarem-se no meio de tantas distrações digitais

Abril 8, 2018 às 4:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Texto do site https://magg.pt/ de 28 de março de 2018.

Há alguns anos podiam desconcentrar-se com uma mosca a voar, ou com um cão a ladrar. Hoje, os miúdos já nem veem a mosca nem ouvem o cão. Estão demasiado ocupados com o computador, o tablet, o telemóvel. Estão sempre “ligados”, a responder a uma mensagem, publicar no Instagram, colocar gostos e comentários no Facebook, acudir às notificações do Snapchat , falar com o grupo do WhatsApp, colocar um emoji no Messenger, verificar o “plim” de mais uma entrada na caixa do correio, ou no hangup, jogar online ou ver os vídeos no Youtube, por exemplo. São infindáveis as distrações que a era digital proporciona e tentar estudar e aprender no meio de todos estes apelos e “ruídos” não é fácil.

Como explica Isabel Cavadas, psicóloga no colégio Primeiros Passos, do Porto, os conteúdos digitais “vão diretamente às redes neuronais do prazer”, acabando por se tornar aditivas, o que pode até ter um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo da criança.

Isto porque a área do cérebro que governa a atenção é a mesma que domina o controlo de impulsos, a organização e o pensamento crítico, entre outras. Adelaide Dias, psicóloga, diz que todas estas distrações dão origem “a um excesso de informação que as crianças recebem quando a parte emocional ainda não está toda desenvolvida”. Esta desregulação pode gerar “problemas de comportamento, dificuldades no autocontrolo e em gerir a autoestima, a frustração e a ansiedade”.

Os bonecos animados não são todos inofensivos

Uma equipa de investigadores da reputada organização nortre-americana Brookings Institution concluiu recentemente que as distrações constantes a que as crianças estão sujeitas lhes estão a prejudicar a “função executiva”. Ou seja, aquilo que o Center on the Developing Child de Harvard define como “o processo mental que nos permite planear, focar a atenção, recordar instruções e conciliar com sucesso várias tarefas”.

É por isso que, numa tentativa de ajudar os pais e os educadores a orientarem as crianças a desenvolverem capacidades de concentração, a Academia Americana de Pediatria faz uma série de recomendações.

A primeira passa por definir criteriosamente o tempo passado em frente aos ecrãs. As crianças entre os 2 e os 5 anos não devem passar mais do que uma hora por dia a ver programas, mas de qualidade, na televisão. Sim, porque o tempo de ecrã pode ser mais ou menos didático, dependendo do que se está a ver.

Se é fã de “Sponge Bob”, por exemplo, pode ser a altura de pensar duas vezes. Um estudo concluiu que programas que tinham um ritmo mais acelerado, como o “Sponge Bob”, perturbavam a capacidade de uma criança em idade pré-escolar para se concentrar quando comparada com uma outra criança que via programas mais calmos ou estava a desenhar. O melhor seria mesmo ver “A Rua Sésamo”.

A Academia Americana de Pediatria não aconselha a televisão para crianças com menos de 2 anos, propondo antes que se leia, cante, brinque ou converse com elas. “Os pais muitas vezes assumem que se são bonecos animados está tudo bem”, disse Rahil Briggs, psicóloga citada pelo New York Times ao comentar este estudo. Mas as sequências aceleradas e fantásticas de alguns programas infantis podem fazer com que o cérebro das crianças, no futuro, “não consiga prestar atenção a alguma coisa que não seja tão fantástico”.

Criar zonas livres de media dentro da casa

Nas crianças mais velhas, pode ser mais difícil controlar as milhares de mensagens sem sentido, a navegação constante na internet, as conversas ininterruptas nos chats, ou os jogos online, principalmente se têm os seus próprios smartphones. A Academia Americana de Pediatria recomenda que se mantenham, dentro de casa, “media-free-zones”, isto é, áreas sem internet e telemóveis, como os quartos, e há especialistas que falam em “screen-free time”, períodos sem ecrãs, como a hora do jantar, por exemplo. E isto tanto para as crianças e jovens como para os adultos.

No mesmo sentido segue a psicóloga Isabel Cavadas, que propõe “um ritual de pousar o telemóvel”, ou qualquer aparelho tecnológico a fim de proporcionar um momento para a família. Serve “para haver diferenciação do que é o espaço social através do digital e o espaço social da interação direta” e, acima de tudo, para “estabelecer momentos de paragem”, uma vez que “estamos inseridos numa era tecnológica em que temos acesso a tudo o que é imediato, e as crianças nasceram nesta imediatez, o que faz com que tenham dificuldade em parar”.

Para controlar o uso dos meios digitais pelos adolescentes, o ideal é a “negociação”. É necessária uma “comunicação transparente por parte dos pais; a rigidez, ao ser demasiadamente elevada, vai levar o jovem a omitir”, avisa Isabel Cavadas. Há que “tentar ir pelo acordo e não pelas medidas mais radicais”.

Quem manda? Eu ou o telemóvel?

Pelo menos, dizem os especialistas, há que encorajar os filhos a que no período do estudo, o smartphone esteja em silêncio, sem alertas e notificações sonoras. E seria conveniente explicar-lhes como falhamos muito ao tentar fazer duas (ou mais) coisas ao mesmo tempo (como estudar e manter uma conversa no chat, jogar na consola, ou estar atento às publicações e stories dos amigos no Instagram). Não somos (nem sequer as mulheres, como muitas gostam de dizer) multitaskers. O melhor é mesmo mostrar-lhes alguns estudos como um publicado na Psicology Today, sobre os custos de fazer várias tarefas em simultâneo.

Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard publicou uma série de atividades que pode fazer com o seu filho para que este melhore a sua “função executiva”, em várias idades, desde os bébés até aos adolescentes. Incluem, nos mais pequeninos, canções, rimas e jogos de memórias e nos mais velhos, a prática de artes marciais, tocar um instrumento, dançar ou fazer teatro. Tudo isso exige concentração.

Os especialistas sugerem ainda que os pais ajudem os filhos a fazer uma pergunta básica: “Sou eu que mando no smartphone ou noutro aparelho digital ou é é ele que manda em mim?”. E que aprendam a não estar permanentemente ligados. O melhor é responder a mensagens por blocos em vez de estar sempre a interromper a concentração cada vez que chega uma mensagem, isso ajuda-os a melhorar o seu autocontrolo.

Muitos pais podem deparar-se com resistência por parte dos seus filhos nesta tentativa de moderar o uso dos meios digitais. Nessas situações, a opinião de Isabel Cavadas é clara: “Os nãos também têm de existir para educar, os nãos são um meio para a criança aprender a gerir a frustração”, porque “a escalada comportamental requer limites bem definidos e assertividade e consistência”.

Mas acima de tudo, conclui, há que demonstrar “que há tempo para tudo”, seja por iniciativas escolares ou familiares.

Atividades por idades de acordo com o Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard:

  • 3 a 5 anos: teatro, puzzles, culinária;
  • 5 a 7 anos: jogos de tabuleiro, jogos de adivinhas, ritmos de palmas complicados;
  • 7 a 12 anos: qualquer jogo que envolva estratégias, como xadrez, saltar à corda, aprender a tocar um instrumento;
  • Adolescentes: fazer voluntariado, escrever num diário, inscreverem-se num desporto.

 

 

 

O mimo não estraga as crianças. A falta de limites, sim

Abril 6, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto e foto do site http://uptokids.pt/

Ser criança é muitas vezes concebido como um pano de fundo em que tudo parece perfeito, ou pelo menos, quase perfeito… Mas, Ser criança, não é sempre um arco-íris, cheio de cor, de vida e bem- estar, às vezes, ser criança é cinzento, umas vezes mais claro, outras cinzento escuro, quase negro, sem pontos de luz… Mas, afinal, que bicho papão é esse que parece tirar a cor à infância? Que bicho papão é esse que, às vezes, se torna tão grande dentro de cada criança que parece contamina-la em todas as áreas?

Quais os ingredientes para uma criança feliz?

A criança nasce e precisa de protecção, que cuidem dela e garantam o seu correcto desenvolvimento, é dependente! Mas se cuidarmos fisicamente do bebé, e depois nos esquecermos de lhe dar amor, a criança entra naquilo a que os técnicos de saúde mental chamam de ‘depressão analítica’, um estado que reflecte a não satisfação da necessidade de um amor seguro e incondicional.

O coração de mãe e também o coração de pai (sim, porque não nos podemos esquecer que o pai pode ter um coração tão grande como o da mãe, temos de deixar de o subestimar!) sabe bem no seu intimo que o principal ingrediente para uma criança feliz é o Amor. O amor seguro e incondicional, o afeto e o mimo – como só os pais de alma e corpo cheio sabem dar!

O mimo não estraga as crianças. A falta de limites, sim.

O mimo não estraga as crianças. Nunca uma criança ficou estragada por ter mimo a mais, ou amor a mais! O mimo e o amor funcionam como o combustível que nos faz mover, não só em criança, mas ao longo de toda a nossa vida. É o amor que nos prende à vida e só quando o amor nos segura podemos alcançar a felicidade.

Mas, então, o que é isso de “ele é mimado, ninguém faz nada dele”?, que ‘mimo mau’ é esse que afecta tantas das nossas crianças?

É a falta de limites.

Os Pais são capazes de sentir no seu intimo que só com limites claros a criança cresce segura de si! Quase todos os pais conseguem senti-lo, mas só os Pais conscientes, os que estão seguros de si, de alma e corpo cheio conseguem fazê-lo; só esses pais conseguem estabelecer as balizas sem resvalar para um lado de ‘general autoritário’, sem parecerem mais assustadores do que seguros.

A criança precisa de limites

Os limites – embora na fase inicial uma criança os rejeite – atribuem-lhe segurança e robustez. É como se o pai e a mãe lhe dissessem ao coração: “avança, que nós estamos aqui para garantir que tens o caminho seguro. Aconteça o que acontecer, nós não te vamos deixar cair”.

Uma criança sem limites é uma criança em auto-gestão que, mesmo que sinta com o coração todo, ainda não sabe onde pode pisar ou não, explorando, aos poucos, o mundo de forma assustada, sempre com a ideia que um dia, se for preciso, pode ninguém estar lá para a proteger.

Uma criança sem amor ou sem limites será sempre um adulto em apuros. Se queremos crianças felizes, precisamos de uma boa dose de amor em equilíbrio com uma boa dose de limites. Assim, de falha em falha, como só os bons pais se permitem a falhar, subtraímos birras, multiplicamos sorrisos e somamos felicidade em cada criança, em cada família.

Por Escola do Sentir, Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

 

Quando as crianças e jovens acreditam mais nos youtubers do que nos pais

Abril 1, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia da https://www.tsf.pt/ de 14 de março de 2018.

No TSF-Pais e Filhos de hoje, conversamos com Filipe Custódio, especialista em cibersegurança, sobre a influência dos youtubers nas crianças e como lidar com a situação.

Seguem-nos com toda a atenção, são ídolos para eles porque por alguma razão conseguiram captar-lhes a atenção, mas muitas vezes o que preconizam vai contra os princípios que os pais defendem e há ideias perigosas.

Filipe Custódio, especialista em cibersegurança, alerta para esta realidade. “Atenção que por vezes há outros educadores que estão em nossa casa, nos telemóveis deles que dizem exatamente o contrário do que nós estamos a dizer”, conta. Perante isto, este especialista em cibersegurança defende que só há uma solução: “o debate franco e aberto com os nossos filhos”.

Para Filipe Custódio não basta dizer que o que determinado youtuber está a dizer é mentira, é preciso argumentar e mostrar outras outras fontes. Por outro lado, Filipe Custódio defende que os pais não devem condicionar a ideias políticas dos filhos ainda que essas ideias possam não ser iguais às dos pais. “Expô-los a várias realidades, é o máximo que podemos fazer”, defende.

ouvir as declarações de Filipe Custódio no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/quando-as-criancas-e-jovens-acreditam-mais-nos-youtubers-do-que-nos-pais-9183207.html

 

Reino Unido quer limitar tempo que crianças passam frente a ecrãs

Março 29, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia e foto do https://pplware.sapo.pt/ de 11 de março de 2018.

Estamos a atravessar uma época em é bastante comum vermos crianças, desde tenras idades, agarradas de forma frenética aos smartphones e tablets.

Trata-se de um comportamento que gera controvérsia e, agora, um Secretário de Estado do Reino Unido pretende limitar o tempo que as crianças passam em frente a ecrãs.

Certamente que já se questionou sobre esta crescente tendência das crianças, quase não irem a lado nenhum, sem estarem agarradas ao smartphone ou tablet… parece uma chupeta que as acalma.

É uma realidade preocupante e já há quem pense em soluções para ela.

Concretamente no Reino Unido, Matt Hancock, Secretário de Estado da Cultura Digital, sugere que se limite o tempo que as crianças estão expostas a ecrãs, sobretudo o que passam online

O Secretário de Estado reconhece que este é um problema e que algo deve ser feito, sendo que essas mudanças devem ser implementadas nas diferentes faixas etárias dos mais pequenos, através de um sistema de verificação de idade que poderia ser benéfico para o controlo do tempo que as crianças passam online.

Em entrevista ao The Times, Hancock diz considerar que o impacto negativo que esta exposição traz para as crianças é uma preocupação genuína, e afirma:

For an adult I wouldn’t want to restrict the amount of time you are on a platform but for different ages it might be right to have different time cut-offs.

There is a genuine concern about the amount of screen time young people are clocking up and the negative impact it could have on their lives.

Estes comentários surgiram após Jeremy Hunt, Secretário de Estado da Saúde também do Reino Unido, ter afirmado que a utilização excessiva das redes sociais pode trazer consequências tão negativas para a saúde das crianças como fumar e como a obesidade.

Das medidas que poderão ser implementadas constam o limite, a não mais que algumas horas, do tempo que os jovens passam online, e a permissão a que se tenha uma conta numa rede social apenas a partir dos 13 anos.

 

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.