Como as crianças sentem os crimes – Reportagem do Observador com declarações de Manuel Coutinho do IAC

Janeiro 17, 2017 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 15 de janeiro de 2017.

O texto contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

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Sónia Simões

Para as crianças, testemunhar um crime pode ser tão ou mais traumático do que ser vítima. Os psicólogos alertam: “Em Portugal dá-se o apoio penso rápido”.

O som da bomba a rebentar foi demasiado forte para se esquecer dele. Júlia (nome fictício), 13 anos, estava a dormir e, num pulo, acordou. Ao lado, a mãe acabara também de acordar sobressaltada, mas sem se ter apercebido do estrondo. A criança, ainda ensonada, não teve dúvidas: era uma bomba. A mãe acreditava mais num tremor de terra ou numa trovoada. As dúvidas dissiparam-se quando perceberam que tinha sido mesmo detonado um engenho explosivo durante um assalto.

O crime foi tão rápido que a Polícia Judiciária acredita estar perante profissionais. Era madrugada. Horas depois, já com o sol bem alto, a criança teimava em não dormir mais. Também recusava ficar sozinha em casa. Tinha medo. Em casos mais graves, este medo poderá não passar com o tempo, garantem especialistas ao Observador.

“Uma criança é um ser frágil que absorve tudo, é como uma câmara de filmar. Significa que basta a criança assistir a um crime ou um ato violento para que indiretamente seja vítima desse crime e dessa violência. Perante um facto destes, uma criança é sempre vítima de um crime, mesmo quando é testemunha”, explica o secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC), Manuel Coutinho. O psicólogo da Associação de Apoio à Vítima (APAV), Daniel Cotrim, concorda. “Uma criança que testemunha um crime sofre tanto ou mais do que uma criança que é vítima, porque é mais complicado perceber as sequelas que ficam e tratá-las”, explica.

Realmente, Júlia lembra-se de tudo: “Eu estava a dormir quando ouvi um grande estrondo que identifiquei como uma bomba. O que me passou pela cabeça naquele momento foi que fosse um atentado terrorista. Estava a dormir com a minha mãe e disse-lhe: ‘Mãe, o que é que foi isto? Que barulho foi este?’, mas ela tinha acordado já no final e não percebeu muito bem o que era. Mais tarde disse que lhe passou tudo pela cabeça: tremor de terra, trovoada, vento. Depois da explosão ouviam-se imensos gritos, parecia que estava alguém na cozinha a assaltar a casa, mas ao mesmo tempo, como tenho uma gata, deixei essa ideia de parte porque pensei que ela miava se alguém estivesse em nossa casa e ao mesmo tempo deixaram de se ouvir os gritos. A minha mãe foi perguntar ao meu pai se ele tinha ouvido e eles foram os dois à janela da cozinha ver o que se passava, mas sem acender a luz, com medo que fosse um assalto ou algo do género e ainda lá estivessem. O meu pai vestiu-se e foi ver o que se passava. Eu e a minha mãe vestimo-nos também e descemos. Enquanto estávamos no elevador pensei imediatamente num vizinho nosso que tem muitos problemas de coração e está sempre no hospital. Pensei que ele tivesse tido um enfarte com o susto. Tive medo que ele morresse (afinal está tudo bem com ele). Foi uma noite assustadora. Nunca pensei que isto acontecesse.”

Já Freud, lembra a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos ao Observador, assim o defendia. Dizia que “às vezes é pior observar violência de alguém que gostamos do que sofrermos essa violência”. E que isso “pode causar memórias traumáticas terríveis”. A pedopsiquiatra refere que uma criança que assista a um assalto pode ficar cheia de medo e passar a pensar sempre naquela situação e nas suas consequências. E dá um exemplo: se a criança for testemunha da mãe a ser assaltada no metro, poderá vir a sentir medo de andar de metro e associar aquele local ao que viveu. “A criança fica com os mecanismos hipervigilantes”, diz Ana Vasconcelos.

Não existem dados estatísticos sobre quantas crianças testemunham crimes e quantas são afetadas por eles ao ponto de necessitarem de acompanhamento, mas, para o psicólogo responsável do IAC, Manuel Coutinho, “também é importante pôr a lupa neste tipo de situações”. Ao IAC, através do SOS-Criança, e também à APAV, chegam muitas vezes casos de menores que são testemunhas de crimes dentro das suas próprias casas e num contexto familiar. “Aqui a criança está exposta à dor, ao sofrimento, ao stresse, à angústia e à ansiedade”, relata o responsável. Por vezes, tempo demais. Manuel Coutinho lembra-se do caso de uma criança, a quem chama “super-homem” ou “super-mulher”, cujo corpo servia, muitas vezes, de barreira entre o pai e a mãe para evitar uma nova agressão. A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos tem entre os pacientes um menino com “um comportamento completamente alienado” em relação ao pai — porque o viu bater na mãe. Estas crianças assumem muitas vezes uma postura com a mãe e outra com o pai e vivem em dois mundos completamente diferentes.

Daniel Cotrim lembra também que estas crianças se culpabilizam sobre o que está a acontecer à sua volta. “As crianças são apanhadas frequentemente no meio da turbulência das separações. Muitas vezes os adultos fazem disto um período de grande violência, a criança é jogada pela mãe ou pelo pai neste jogo de separação”.

Dificuldade de concentração é um dos sinais

Manuel Coutinho defende que uma criança absorve tudo, mas também pode ser vista como um espelho que pode refletir o seu estado psicológico através de alguns sinais. O psicólogo lembra que, sempre que uma criança está exposta, direta ou indiretamente, a situações de crime, de abuso ou a situações de violência, pode apresentar dificuldades de concentração, como défice de atenção. A criança pode tornar-se “mais agressiva ou mais agitada, ou também apresentar baixa de autoestima ou estados depressivos, fechando-se sobre si mesma”.

A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos afirma que podem ser sinais de alerta os comportamentos que a criança apresenta. Por exemplo, em situações em que era suposto estar tranquila, mostra sinais de medo, pânico, ansiedade. Não quer ficar sozinha ou tem medo de dormir, pergunta muitas vezes quando os pais a vão buscar à escola. “São sinais de insegurança anormal ao que é habitual”, refere. Por vezes o problema revela-se fisicamente. “Estão sempre a fazer xixi, são sinais de ansiedade ou de pânico”, alerta. Estes comportamentos podem também aparecer apenas em situações que a possam fazer lembrar a “memória traumática” que sofreu. “É uma coisa que ela não domina, em determinadas alturas, mesmo numa situação que nada tenha a ver com aquela, essa memória pode aparecer”.

“Em Portugal dá-se o tratamento ‘penso rápido’”

Daniel Cotrim diz que se estes sinais “forem detetados de forma precoce, tudo é reparado”. Uma reparação mais fácil do que num adulto. “Falamos de estruturas cognitivas que rapidamente conseguem ultrapassar traumas, mais do que os adultos. Como a recuperação de partir uma perna é mais rápida numa criança do que num adulto”. Mas não é raro aparecerem crianças com traumatismos graves “que necessitam de muito acompanhamento psicológico e até psiquiátrico”, alerta. “Crianças com depressões, que já passaram a fase da tristeza, crianças com tendências suicidas”, exemplifica.

Na perspetiva de Manuel Coutinho, é fundamental que a criança seja “apoiada pelos pais e pelos professores”. Depois de uma criança ter testemunhado um crime, não se deve mentir-lhe. Deve falar-se com elas claramente “para que elas entendam”. Há que perceber qual o receio da criança e tentar desmontá-lo até ela voltar a sentir-se segura. “Vamos dando corda para a criança pôr cá fora a sua dor e as suas preocupações. Vamos tentando construir um diálogo ao nível da criança envolvida. Apazigua muitíssimo deitar fora a sua dor, as suas angústias.”

Este é um trabalho que a APAV e o IAC tentam fazer, mas para Daniel Cotrim devia ser feito por mais técnicos em mais instituições — como nas polícias e nos tribunais. “O sistema que trabalha com estas crianças tem que estar dotado de técnicos na área da Psicologia e Psiquiatria. Há crianças que testemunham o homicídio da mãe ou do pai e que não fazem o luto. Há crianças que assistem à morte da mãe e veem o pai ir preso e ficam órfãs. “É uma situação extrema, mas temos que pensar nisto. O apoio às crianças e aos jovens ainda depende muito do bom senso dos profissionais que estas pessoas procuram para ter ajuda, porque não há outro tipo de apoio. A saúde mental em Portugal é o parente pobre da saúde e quando se fala de crianças e jovens, mais pobre ainda”, denuncia.

É que, adverte Daniel Cotrim, uma criança com um problema de saúde mental por resolver pode “desenvolver comportamentos mais aditivos, mais agressivos, ser autor de bullying na escola, ser violenta no namoro, automutilar-se”. “Em Portugal dá-se o apoio penso rápido, para estancar, e depois não se continua o tratamento”, diz. E a falta de tratamento pode trazer consequências graves aos jovens. “Isto vai transparecer, vai ter custos sociais muito grandes. Porque não ensinaram a estas vítimas a perceber que a violência e o mau trato não é uma forma de relacionamento.”

Lei equipara vítimas e testemunhas

Na perspetiva do jurista da APAV, Frederico Moyano Marques, a justiça tem feito um esforço cada vez maior para vitimaequiparar as vítimas de um crime às testemunhas — sejam crianças ou adultos. As crianças, por seu turno, integram já o estatuto de vítima especialmente vulnerável só pela sua idade. Mas aos olhos desse estatuto, uma criança que seja testemunha “é também uma vítima especialmente vulnerável”.

Este estatuto permite que estas vítimas, mesmo que “secundárias”, possam ser ouvidas em videoconferência, à porta fechada ou para “memória futura”, não tendo que prestar declarações e recordar o momento traumático ao longo das várias fases do processo penal, que pode prolongar-se durante anos. Mais. O mesmo estatuto prevê um conjunto de medidas que visam proteger estas vítimas evitando o contacto com os arguidos. “O ideal é que entrem por portas diferentes, tenham casas de banho diversas, não se tenham que cruzar na sala de audiências ou não tenham sequer que estar presentes nas salas, podendo ser ouvidas por sistema vídeo”. O Observador confirmou junto do Ministério da Justiça que, pelo menos no Tribunal de Loures, estão previstas obras para satisfazer estes requisitos.

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A lei, transposta de uma diretiva comunitária, prevê ainda que estas vítimas — quando estejam em causa crimes sexuais ou de violência doméstica — sejam ouvidas por pessoas do mesmo sexo. De fora da lei, critica o jurista, ficou uma regra da diretiva comunitária que estabelecia que estas vítimas têm que ser ouvidas por profissionais espacialmente qualificados na inquirição de crianças, de forma a não prejudicar a produção de prova. “Ou o magistrado ou o polícia tem formação nestas técnicas ou tem que recorrer a um técnico”, explica Frederico Marques. “Mas esta medida não entrou no nosso estatuto”, constata.

 

 

 

SOS Criança apela à denúncia de situações que possam pôr em risco as crianças

Dezembro 9, 2016 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 7 de dezembro de 2016.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Lusa

O coordenador do SOS Criança apelou hoje a todos os que conheçam famílias em situação de “maior vulnerabilidade” que apresentem o caso às instituições para ajudar as crianças e evitar que passem por situações de risco e negligência.

Os maus tratos físicos e a negligência a crianças estão a aumentar com as dificuldades das famílias, que não conseguem assegurar necessidades básicas como alimentação, vestuário e uma casa digna, alertou Deolinda Barata, da Sociedade Portuguesa de Pediatria e coordenadora do núcleo de crianças e jovens em risco do Hospital D. Estefânia, onde tem assistido a situações que não surgiam na prática clínica “há 20 ou 30 anos”.

“Sempre que existe uma situação de crise num país ou sempre que a sociedade começa a ver os seus direitos postos em causa, as famílias são as primeiras a sofrer com essas dificuldades”, disse à agência Lusa o coordenador do SOS Criança, do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Como as dificuldades persistem durante um tempo superior à média, as famílias não conseguem suportar tanta pressão e passam essa pressão para cima das crianças que “são, normalmente, as que sofrem duplamente e as que sofrem mais”, explicou Manuel Coutinho.

“Sempre que existem situações de desorganização social e de privação dos bens económicos, as crianças acabam por ser vítimas diretas, porque também ficam privadas de muitas coisas, e indiretas porque os pais não conseguem aguentar tanta pressão” e acabam por as vitimar, sustentou.

Manuel Coutinho alertou que é importante que as famílias percebam o que está efetivamente a acontecer e não se desorganizem em relação às crianças e peçam ajudam.

Por outro lado, as pessoas que conheçam casos de “famílias com maior vulnerabilidade devem apresentar a situação, nomeadamente ao serviço SOS Criança, através do número gratuito 116111, para que os serviços em parceria com a rede de ação social ou com os outros parceiros possam encontrar uma reposta” para que essas crianças sejam ajudadas e “não passem por uma situação efetiva de risco e negligência”.

Manuel Coutinho adiantou que “Portugal tem sido pioneiro e tem feito uma grande caminhada” no que respeita aos direitos das crianças.

Mas, neste momento, está “a viver um momento de grande tensão e devemos ser todos mais solidários uns com os outros”. Essa solidariedade passa por apresentar atempadamente os casos aos serviços: “Portugal tem recursos suficientes para que nenhuma criança venha a estar privada dos meios e direitos fundamentais, nomeadamente o direito à alimentação, educação e saúde”.

“São direitos que têm de prevalecer sempre. Portugal é um país solidário, responsável, que tem de estar organizado para que essas crianças não sejam duplamente vítimas de uma situação que está a atravessar o país”, frisou.

Atualmente existe a cultura de sensibilizar e denunciar os casos de maus tratos físicos e psicológicos, mas “as situações de maus tratos mais próximos da negligência e da pobreza também devem ser apresentados para que os serviços possam ajudar a socorrer estas crianças”.

Alertou ainda que as situações de pobreza e de negligência são sempre traumáticas para as crianças, que crescem com alguns receios e algumas dificuldades.

 

 

 

 

Mão que cuida, mão que bate?

Setembro 11, 2016 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://expresso.sapo.pt/  de 14 de agosto de 2016.

O texto contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

FOTO GONZALO MARTINEZ/EYEEM/GETYY

FOTO GONZALO MARTINEZ/EYEEM/GETYY

 

Durante décadas, a palmada fazia parte da receita de disciplina dos pais. Agora sabe-se que é contraproducente, acentuando o comportamento que pretende travar .

Luciana Leiderfarb

TEXTO

Olavo Cruz

Infografias

Quem alguma vez não recebeu uma palmada? E quem não a deu ou quis dar? Uma simples prospeção pelas respostas possíveis mostra que, sobre a palmada, existe uma enciclopédia de vários volumes ainda por escrever. Em muitos deles entraria certamente o rol interminável de argumentos que os pais esgrimem para justificar o seu uso. Noutros, as não menos relevantes razões que defendem o seu banimento total. Noutros ainda, as diferentes etapas de uma história tão velha quanto o mundo — a da criança birrenta que não faz tenções de parar ou a do adolescente desafiador que concentra nisso toda a sua energia e a dos pais confrontados com a tarefa ingrata de os limitar e corrigir. Se a história da palmada se confunde com a da disciplina, e se durante anos ambas foram consideradas elementos inseparáveis do ato corretivo, a investigação feita nas últimas décadas veio provar que a sua união é não só abusiva como contraproducente. Numa palavra, que o recurso ao castigo físico em pouco contribui para a disciplina, acentuando o tipo de comportamento que supõe travar.

A esta conclusão chegou Elizabeth Gershoff num estudo publicado em abril deste ano no “Journal of Family Psychology”, que reduz a zero as dúvidas sobre as contraindicações da vulgar palmada. A investigadora da Universidade do Texas analisou 75 estudos realizados ao longo de cinco décadas em 13 países diferentes, abrangendo mais de 160 mil crianças. Focando-se naquilo que a maioria dos pais reconhece como castigo — a palmada de mão aberta no traseiro ou nas extremidades — e não nas variantes mais violentas, Gershoff identificou que esse tipo de experiência na infância está ligado a “mais agressão, a um incremento das atitudes antissociais e a problemas cognitivos e de saúde mental”, além de acarretar o risco de abusos mais graves. “A palmada não ensina as crianças a comportar-se apropriadamente, mas a fazerem-no só quando os pais estão por perto”, diz Elizabeth Gershoff ao Expresso, salientando que a maioria dos pais continua a bater nos filhos porque eles próprios tiveram essa experiência enquanto crianças.

Nos Estados Unidos vive-se, aliás, uma situação no mínimo contraditória. Num inquérito levado a cabo em 2015 pela Child Trends DataBank, 94% dos pais de menores entre os 3 e os 4 anos admitiram ter-lhes batido ao longo do ano anterior, enquanto 76% dos pais e 65% das mães concordaram com a premissa segundo a qual, por vezes, é necessário recorrer “a uma boa palmada”. Porém, como apontou um outro inquérito da organização de educação parental Zero to Three, a maioria dos pais que dão palmadas considera igualmente que bater não é uma forma eficaz de disciplinar. “Acredito que os adultos que receberam palmadas e acabaram por dar-se bem na vida tiveram pais que também usaram outras formas de os disciplinar, como falar com eles e explicar-lhes os ‘como’ e os ‘porquês’. A maioria de nós tornou-se o que é hoje apesar dos castigos corporais e não graças a eles”, defende Gershoff, cujo estudo desmonta a crença comum que distingue a palmada do abuso físico como o dia da noite. “A linha é sempre arbitrária e depende das variáveis que rodeiam a agressão, como a frequência, o contexto, a força utilizada e a sensibilidade da criança. E a pesquisa provou que a palmada tem as mesmas consequências prejudiciais que o abuso, apenas num grau ligeiramente mais baixo.”

Prática subterrânea

Segundo a UNICEF, vivemos num mundo onde 80% dos pais batem nos filhos. E numa Europa onde, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, essa prática permanece um bastião da herança educacional de outros tempos. Basta um relance pelo “Relatório Europeu sobre a Prevenção dos Maus-Tratos Infantis” para perceber que o problema é maior do que parece: com o homicídio infantil a não ultrapassar os 850 casos por ano, diz o documento que “as mortes são a ponta do icebergue” — por cada morte estima-se que existam entre 150 e 2400 casos de abuso físico. “Os maus-tratos infantis são, em geral, uma forma escondida de violência que podem não ser detetados por cuidadores e profissionais durante anos”, lê-se logo no início. E mesmo os países com melhores sistemas de deteção deixam “90% das crianças maltratadas de fora”. Entre os 40 países europeus considerados, Portugal está nos de menor incidência de homicídio de crianças com menos de 15 anos, com 0,22 mortes em cada 100 mil. Mas a fasquia sobe quando se analisam as mortes que derivam de maus-tratos e negligência, chegando aos 0,51 e situando o país acima do meio da tabela.

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“Em Portugal, o castigo corporal é ainda muito frequente”, corrobora Manuel Coutinho. O secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança, que é também coordenador da linha SOS Criança, reconhece que este modelo educativo está “muito enraizado” na sociedade portuguesa, sendo “aceite por uma grande parte das pessoas”. Isto apesar de o castigo físico ser ilegal desde 2007 e punido pelo Código Penal. “Há dois ditados populares ainda muito presentes: ‘Quem dá o pão dá a educação’ e ‘Um pão na mão, um pau na outra’. O seu cruzamento significa que o pai ou a mãe têm o poder de aplicar o castigo físico se assim o entenderem. E se hoje quase não o fazem em público, porque é malvisto, isso não quer dizer que não o façam de todo. É um comportamento subterrâneo”, explica o psicólogo. Em 2015, a linha SOS Criança recebeu 1857 apelos, dos quais 1349 envolveram diretamente menores. Em 903 casos, o infrator era um familiar, preponderantemente as mães, seguidas dos pais, dos padrastos e das avós.

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Também a APAV fornece dados inquietantes, como as estatísticas de 2014, em que 11,3% do total das situações de violência doméstica referenciadas incidiam sobre crianças e jovens até os 18 anos, perfazendo 823 casos. Da mesma forma, apurou-se que 979 dos perpetradores eram pai ou mãe das vítimas — e o facto de o número de perpetradores ser superior ao das situações registadas demonstra que não é raro haver mais do que um agressor por criança. “No limite, os adultos sabem que não deveriam bater. Sabem, ou têm de saber, o que um adulto de 1,70 m desorientado pode provocar numa criança de um metro”, opina Manuel Coutinho.

Parar para pensar

Mas entre pensar e fazer nem sempre há o intervalo certo. “No auge de um conflito é mais importante parar do que dar uma resposta. Até porque os miúdos, nesta fase, também não vão ouvir. Parar é uma forma de proteger a família e de os pais não se transformarem em agressores permanentes”, aconselha Sofia Nunes da Silva, acrescentando que, após a paragem, “o adulto regressa mais tranquilo e seguro de si”, mais capaz de dialogar e de dar à criança o castigo adequado. Para esta psicóloga clínica e terapeuta familiar do Hospital de Santa Maria, a tendência para repetir padrões de comportamento não esgota os motivos por que os pais continuam a punir corporalmente. “Há pais que são muito exigentes e atentos em relação às falhas dos filhos. Que olham para comportamentos naturais para a idade como formas de ludibriar a sua autoridade e como se fossem patológicos, quando na verdade não o são”, explica. E, por vezes, o conflito exacerba-se a partir de “problemas simples”, que requerem simplicidade para serem resolvidos.

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À exigência dos pais não é alheia a da sociedade em que se inserem. “Hoje em dia, as famílias têm vidas de uma exigência desumana, com existências limitadas aos horários excessivos de trabalho e às obrigações escolares excessivas dos filhos. E a disponibilidade para ouvir é escassa”, comenta Sofia Nunes da Silva. E se neste quadro há pais com índices de tolerância menores, há também crianças mais opositoras do que outras. “Não é verdade que não há crianças difíceis. Há. Mas é preciso os pais perceberem quando não conseguem lidar com elas e pedirem ajuda.” Afinal, a parentalidade aprende-se, e “os pais precisam de apoio na adoção de novas estratégias”.

Esse apoio não deve ser episódico. Tem de envolver os profissionais de saúde, que nem sempre abordam o tema da disciplina, partindo também eles do princípio de que essa é matéria exclusiva dos progenitores. “Os pediatras demitem-se de falar disto e não apostam na prevenção”, diz Ana Teresa Brito, formadora da Fundação Brazelton/Gomes-Pedro e doutorada em Estudos da Criança. Em causa está o desconhecimento dos pais perante as diferentes fases de crescimento dos filhos: “A criança precisa de se desorganizar para se organizar, por isso o adulto não pode desorganizar-se com ela. Bater-lhe não a ensina a controlar-se, porque é em si um ato de descontrolo. No fundo, estamos a dizer-lhe que aquilo nos ultrapassa, por meio de uma ação que invade o seu espaço físico e psicológico.” Sendo o objetivo último da disciplina que a criança aprenda a autodisciplinar-se, a palmada pode ter o efeito contrário ao que procura. “Às tantas, a criança também fica dependente desse estímulo negativo para parar e, como não encontra dentro de si própria os limites para o fazer, procura-os externamente, provocando os pais”, esclarece Ana Teresa Brito, que não considera a aceitação cultural da palmada um dado inultrapassável: “Não o é, senão continuaríamos a agir como nos século anteriores. Se é cultural e faz parte das rotinas, tem de ser trazido ao discurso para o ver e repensar.”

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Spanking and child outcomes: Old controversies and new meta-analyses

 

É condenável deixar um filho na berma da estrada? Declarações de Manuel Coutinho do IAC

Junho 8, 2016 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 7 de junho de 2016.

O texto contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Reuters

Por Inês Garcia

Castigos exagerados, como o do menino japonês que ficou na estrada, não são educativos e podem ter consequências (como se viu).

Yamato Tanooka, de sete anos, esteve seis dias perdido numa floresta no norte da ilha Hokkaido, no Japão, depois de os pais o deixarem na berma de uma estrada sozinho, como castigo por ter atirado pedras a carros. Foi encontrado vivo e com saúde e o pai, Takayuki Tanooka pediu desculpa pelo correctivo excessivo.

Este pai procedeu mal? É condenável deixar um filho na beira da estrada, numa floresta? “Um castigo desadequado e desajustado à idade da criança não é um castigo, é um mau trato. E os maus tratos, sejam eles físicos, psicológicos ou emocionais, têm de ser banidos”, defende Manuel Coutinho, secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Em situações de mau comportamento e asneiras da criança, os pais devem “contar de 50 para um e não se devem deixar incendiar. Uma das piores coisas é um adulto de 1,80 metros estar descontrolado ao pé de uma criança ou bebé de 50 centímetros. É pegar na criança, retirá-la do meio onde a situação aconteceu e ter uma conversa franca e esclarecedora sobre o sucedido”, diz o coordenador do projecto SOS Criança do IAC em conversa telefónica com o Life&Style. Depois, de acordo com a idade da criança, pode eventualmente privá-la de alguma coisa. “Mas não pode ser um castigo dilatado no tempo de modo a que a criança ao fim de uma série de dias já nem saiba porque está de castigo. Tem de ser algo ponderado e tem de predominar sempre o bom senso”, continua Manuel Coutinho, elegendo o “diálogo numa zona tranquila” como a melhor solução.

Levados ao extremo, os castigos perdem a sua componente pedagógica e poderão ter consequências no bem-estar físico, psicológico e emocional da criança. A única coisa que este menino ficou a aprender com isto foi “qual o castigo que nunca deve dar”, frisa a psicóloga de família Sofia Nunes Silva, uma vez que os pais colocaram em risco a vida do filho. “Todos os castigos exagerados, que gerem medo ou pânico, muitas vezes alimentam as próprias situações causadoras do castigo e aumentam a tendência de incorrer na mesma falta”, defende a psicóloga.

Recuperar a confiança do filho

Este pai japonês queria “assustar um pouco” a criança e regressar mais tarde para o levar para casa, mas o rapaz tentou seguir o carro e perdeu-se. Foi encontrado numa base militar, já muito desidratado. Esta terça-feira saiu do hospital sorridente. O pai garante que a criança o desculpou, dizendo-lhe que o considera “um bom pai”, e a polícia de Hokkaido não vai apresentar queixa contra os adultos, embora os tenha identificado junto de um centro de protecção de menores. Mas Sofia Nunes Silva admite a possibilidade de o rapaz ficar “com os pais na mão”.

À semelhança do que poderá acontecer numa situação contrária, em que uma criança ou jovem age mal e a sua falta é tema constante em momentos familiares, Yamato poderá trazer o assunto para a ordem do dia noutras alturas. “Estes pais têm de se comportar muito bem com esta criança e ganhar o respeito que ela lhes merecia. Têm de recuperar a confiança do filho. Muitas vezes temos os filhos perante uma falta e tendem a ter de recuperar a confiança dos pais. Aqui a situação inverteu-se”, considera a especialista.

Os pais de Yamato vão, provavelmente, arrepender-se para o resto da vida. “Os pais também têm momentos de impulsividade e também falham. Isto foi uma coisa completamente extremada que eu acho que não existe numa cultura como a nossa. Mas se se passasse cá, estes pais teriam um sofrimento grande ao longo da vida”, atesta Sofia Nunes Silva.

Como castigar os filhos

Não há castigos ideais – estes devem ser adaptados às situações. “Os miúdos têm um pensamento muito concreto. A abstracção começa a partir dos 10, 12 anos. Portanto dar castigos muito ao lado, fora do contexto do motivo que levou ao castigo, não tem rentabilidade”, explica Sofia Nunes Silva, realçando que a função do castigo “não é martirizar, humilhar ou magoar”.

Ao telefone, Manuel Coutinho dá alguns exemplos de castigos desadequados: “Deixarmos um bebé a chorar horas a fio, sair de ao pé dele porque achamos que o bebé tem manhas, isto é um castigo que não se deve fazer. Pegar numa criança, quando está a chorar, abaná-la violentamente… é um castigo gravíssimo que faz com que o próprio cérebro bata no osso e provoque lesões que levam à cegueira. Aquela ideia da palmada no rabo também não é bom porque afecta também a criança do ponto de vista da sua postura e coluna vertebral. Tudo o que é violência física, psicológica ou emocional sobre a criança não pode acontecer.”

As crianças, sejam qual for a sua idade, têm formas diferentes de falhar, acrescenta Sofia Nunes Silva, e não há uma directriz para todos os pais seguirem, apesar de ser uma das questões mais colocadas em consultas. “Evitamos dar ajuda específica. O castigo tem de ser aplicado ao tipo de miúdo, ao que os pais conhecem do seu filho, à forma como sabem que vai reagir. Há miúdos que podem de facto ser mais pressionados que outros, há outros para quem a pressão de um castigo muito exagerado vai ter um efeito contrário àquilo que se pretende”, enumera, diferenciando as crianças que têm uma maior capacidade de contenção e um maior controlo e noção do que se passa à sua volta e as mais imaturas e impulsivas.

“A intensidade e a frequência dos castigos é uma coisa que tem de ser medida quase situação a situação. Um castigo exagerado pode, muitas vezes, aumentar o próprio sintoma ou o motivo pelo qual a criança cometeu a falta”, comenta.

É preciso avaliar se a asneira cometida é uma situação que ocorre de forma repetida, qual a gravidade e “questionarmo-nos enquanto pais”. “Perceber o que temos feito e como tem sido o percurso familiar. Se estamos a fazer bem, se estamos a fazer mal. Se temos de recuar, se temos de conversar mais. Se o miúdo precisa de algum apoio técnico por parte de técnicos de saúde mental”, e ter sempre em conta que, um castigo mal medido, pode levar a um afastamento ao invés da aproximação pretendida.

E nunca esquecer o contexto do acto. A psicóloga exemplifica: “Um miúdo que joga uma bola para um sítio que sabe que não pode jogar e partiu dois vidros. O castigo terá de ter a ver com a privação de alguma liberdade relativamente ao jogar à bola e à própria bola.”

 

IAC Defende planos para prevenir raptos de crianças refugiadas

Junho 2, 2016 às 5:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Açoriano Oriental de 31 de maio de 2016.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

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SOS-Criança com menos desaparecimentos em 2015 e mais raptos transfronteiriços

Maio 24, 2016 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 24 de maio de 2016.

A notícia contém declarações Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Mário Cruz

LUSA

O serviço SOS-Criança sinalizou em 2015 menos casos de crianças desaparecidas, uma diminuição do número de raptos parentais e um aumento de situações de rapto transfronteiriço, segundo dados do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Em 2015, chegaram ao IAC, através da linha europeia gratuita 116 000, 35 novos casos de desaparecimentos, menos sete face a 2014, na maioria raparigas, acentuando-se a tendência do ano anterior, adiantam os dados divulgados à agência Lusa a propósito do Dia Internacional das Crianças Desaparecidas (25 de maio).

A maioria das situações referia-se a crianças portuguesas, mas também houve casos de crianças estrangeiras (17%), o que revela um aumento destes casos comparativamente a 2014.

Segundo o coordenador do SOS-Criança, Manuel Coutinho, foram reportados três casos de crianças sírias, um caso de uma criança espanhola, um de uma francesa e outro de uma croata.

Apesar e ter havido uma diminuição de casos, o também secretário-geral do IAC considera que estes dados “são sempre preocupantes”.

“Basta existir uma situação de desaparecimento para que essa situação já seja grave demais”, disse Manuel Coutinho, observando que ainda há 16 casos por recuperar”.

“No final de 2015, 45% das crianças desaparecidas continuavam desaparecidas e isto é uma situação complicada, apesar de percebermos que a maior parte dos desaparecimentos são relacionados com fugas”.

Segundo os dados, 57% das situações reportadas (20) referem-se a fugas de casa e de instituições.

Houve ainda nove casos de rapto parental, menos três do que em 2014, e cinco situações de rapto transfronteiriço, que foram comunicados a Portugal por outras linhas europeias de crianças desaparecidas.

Na maioria dos casos (11), os menores tinham entre os 14 e os 16 anos, seguidos dos que tinham mais de 16 anos (6). Foram também assinalados seis casos de crianças com idades entre os quatro e os seis anos.

Em cinco casos as crianças tinham menos de três anos e em quatro tinham entre os 11 e os 13 anos. Em três situações a idade não foi especificada.

Manuel Coutinho disse à Lusa que o IAC também está preocupado com a situação das crianças migrantes não acompanhadas: “Sabemos que entre os muito milhares de adultos que se deslocam de uns países para os outros, há efetivamente muitas crianças que vêm sozinhas”.

Estas crianças são registadas nas fronteiras, mas muitas vezes perde-se o seu rasto “e isso é muito preocupante”, frisou.

Lisboa foi o distrito que apresentou o maior número de desaparecimentos (15), seguido de Setúbal (5), Santarém (3), Porto (2), Braga (2). Houve ainda um caso em Aveiro, Castelo Branco, Leiria, Açores e Madeira.

São sobretudo os familiares (19) que sinalizam os casos, seguido dos profissionais (13). Três apelos foram feitos pela comunidade.

Relativamente à situação jurídica dos pais, o IAC refere que em 11 casos estavam divorciados, em quatro separados e noutros quatro viviam em união de facto.

Os dados apontam que a iniciativa do desaparecimento coube sobretudo à criança (43%). Em 22% dos casos a criança estava acompanhada por um dos progenitores e em três pelo namorado.

A duração do desaparecimento varia entre as 48 horas e uma semana, acompanhando a tendência do ano anterior.

A maioria dos casos chegou ao conhecimento do SOS-Crianças através da linha telefónica (22), enquanto 11 casos foram reportados por e-mail e dois via apartado.

Para assinalar a efeméride, o IAC realiza no dia 31 de maio a IX Conferência Crianças Desaparecidas, que irá dedicar uma “atenção especial” às crianças refugiadas, que se estima serem mais de 1,5 milhões.

 

 

 

Aumentam os raptos transfronteiriços de crianças em Portugal

Maio 24, 2016 às 10:26 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da RTP Notícias de 24 de maio de 2016.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

ouvir as declarações no link:

http://www.rtp.pt/noticias/pais/aumentam-os-raptos-transfronteiricos-de-criancas-em-portugal_n921076

rtp

Nuno Patrício – RTP

O alerta é feito pela SOS Criança. A associação refere que o número de crianças desaparecidas em Portugal diminuiu, mas agora o modus operandi dos raptores passou a ser outro.

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) sublinha que no ano passado houve uma diminuição do número de crianças desaparecidas em Portugal. Mas a SOS Crianças, sob a alçada do Instituto, manifesta, contudo, uma nova preocupação: os raptos transfronteiriços tiveram um ligeiro crescimento. O números de 2015 referem que a linha de atendimento do IAC foi contactada para dar conhecimento de 34 casos de desaparecimentos. Em declarações à Antena 1, o presidente do Instituto, Manuel Coutinho, refere que 20 casos são referentes a fuga, outros nove são parentais e cinco foram raptos transfronteiriços.

Manuel Coutinho explica que a maioria dos casos envolve crianças portuguesas, mas são cada vez mais as situações de desaparecimento de crianças estrangeiras em Portugal. Lisboa é o distrito com maior número de desaparecimentos: 15 casos durante o ano passado.

Manuel Coutinho diz que 45 por cento das crianças desaparecidas em 2015 continuam por encontrar.

O Instituto de Apoio à Criança está igualmente preocupado com a situação das crianças migrantes que viajam sozinhas. Apesar dos controlos nas fronteiras, Manuel Coutinho admite que, com os fluxos migratórios impulsionados pelas crises humanitárias, as autoridades europeias perdem muitas vezes o rasto a muitas crianças.

Dos 34 casos registados de crianças desaparecidas, 15 são referentes ao distrito de Lisboa, cinco do distrito de Setúbal, três do distrito de Santarém, dois do distrito do Porto e mais dois casos pertencentes ao distrito de Braga. O Instituto de Apoio à Criança informa também que, entre estes casos, existem crianças desaparecidas de nacionalidade síria, francesas, espanholas e uma croata.

 

Dois técnicos do IAC foram à UALMedia Rádio falar sobre abuso sexual na infância

Maio 3, 2016 às 2:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Quais as consequências do abuso sexual na infância? Existe um perfil do abusador? Manuel Coutinho, psicólogo, e Ana Perdigão, jurista, respondem a estas e outras questões sobre o “abuso sexual na infância”, na UALMedia Rádio.
Ambos os convidados trabalham no Instituto de Apoio à Criança (IAC). Em caso de dúvida ou denúncia deve sempre ligar para o SOS Criança: 116000.

Oiça AQUI.

Apresentação do Livro Cyberbullying – Um guia para pais e educadores – Vídeo com a participação de Manuel Coutinho do IAC

Abril 26, 2016 às 1:24 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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O vídeo contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

visualizar a reportagem completa no link em baixo:

https://www.facebook.com/ualmedia/videos/1039958212737494/

Apresentação do livro CYBERBULLYING – um guia para pais e educadores

Abril 22, 2016 às 11:02 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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No  dia nacional de sensibilização para o Cyberbullying  que se assinalou a 21 de abril,  foi lançado em Lisboa, na FNAC do Colombo, o livro “CYBERBULLYING- um guia para pais e educadores “de autoria de Sónia Seixas ; Luís Fernandes e Tito Morais , editado pela PLATÁNO EDITORA.

O cyberbullying é um fenómeno emergente que está  atingir muitas crianças e jovens, no entanto, muitos de nós, não estamos conscientes do impacto  negativo que esta agressão virtual que é feita através do recurso às tecnologias de informação, está a causar às suas vitimas.

Este guia para pais e educadores é um excelente manual de boas práticas que a partir de hoje, temos à disposição  para nos ajudar a conhecer, a compreender e a prevenir o fenómeno .

A sessão de apresentação do livro contou com o contributo de  Manuel Coutinho  – psicólogo clinico, Secretário- Geral do Instituto de Apoio à Criança ; coordenador do SOS -Criança e SOS- Criança Desaparecida e de Reginaldo Rodrigues de Almeida – professor universitário, jornalista, co-autor e apresentador do programa televisivo “Falar Global.”

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