Bullying: “Campanhas avulsas surtem poucos ou nenhuns efeitos”

Fevereiro 19, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Educare de 7 de fevereiro de 2020.

Sofia Neves, coordenadora científica do Observatório Nacional do Bullying e presidente da Associação Plano i, fala sobre a nova plataforma de recolhe casos em contexto escolar. Em menos de 24 horas, foram feitas 89 denúncias. “É necessário um investimento na capacitação de toda a comunidade escolar, procurando instituir uma cultura de tolerância zero ao bullying”, alerta.

Sara R. Oliveira

O Observatório Nacional do Bullying, iniciativa da Associação Plano i, surgiu há dias para recolher informações sobre situações de bullying em contexto escolar, através de um questionário online, disponível no site da associação, que deve ser preenchido por pessoas que são ou foram vítimas de bullying, que são ou foram testemunhas de bullying, ou que tomaram conhecimento de casos. Os dados recolhidos serão usados para o mapeamento e caracterização do fenómeno e para o reforço da prevenção e do combate ao bullying.

“Os impactos do bullying podem ser tão devastadores e incapacitantes, a nível psicológico, físico, sexual e social, que constrangem a tomada de decisão das vítimas de partilharem as suas vivências. É preciso não esquecer que o bullying pode resultar na morte das vítimas, por homicídio ou suicídio”, refere Sofia Neves, coordenadora científica do Observatório Nacional do Bullying e presidente da Associação Plano i, em entrevista ao EDUCARE.PT.

Na sua opinião, é importante reforçar mecanismos formais e informais de prevenção e combate ao bullying. “A formação especializada nesta área é fundamental para quem intervém em contexto escolar”, sublinha. Sofia Neves é licenciada em Psicologia e doutorada em Psicologia Social pela Universidade do Minho, professora auxiliar no Instituto Universitário da Maia (ISMAI) e investigadora integrada do Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (CIEG – ISCSP/ULisboa).

 

EDUCARE.PT: As notícias mais recentes, divulgadas no ano passado, indicam que o bullying nas escolas desceu para metade em cinco anos. Em Portugal, apenas 7,3% dos estabelecimentos escolares reportaram pelo menos um episódio por semana, abaixo dos 14% da média da OCDE. Até que ponto estes números refletem a realidade?

SOFIA NEVES (SN): O retrato de qualquer realidade reflete apenas uma parcela da mesma. Nos casos específicos de vitimação, as evidências sugerem a existência de um elevado número de cifras negras, ou seja, casos que não são reportados às autoridades competentes e que, por isso, não constam das estatísticas oficiais. Em bom rigor, os números servem apenas como indicadores parciais da realidade.

E: A comunidade escolar, os pais e encarregados de educação, o ministério e o Governo, terão perceção do que é ser vítima de bullying em contexto escolar e do impacto para quem está a crescer?

SN: Ainda que o fenómeno do bullying seja social e politicamente reconhecido, nem sempre a informação que é veiculada sobre as suas práticas e respetivos impactos é a mais correta, até pela sua incompletude. Consideramos, contudo, que tem vindo a ser feito um trabalho importante de sensibilização e formação, ainda que pouco consistente, o qual tem servido para esclarecer o quão complexo e grave é o problema.
O importante é reforçar os mecanismos formais e informais de prevenção e combate ao bullying e garantir que os vários interlocutores se articulam efetivamente no sentido de otimizar a eficácia das respostas que as vítimas já têm à sua disposição e/ou criar outras complementares.

E: O medo em contar e admitir episódios de bullying ainda persiste? Como se explica essa resistência?

SN: As vítimas, de um modo geral, resistem em efetuar denúncias. As vítimas de bullying não são exceção. Dentre os vários fatores que explicam esta resistência, destacam-se o medo de represálias por parte da(s) pessoa(s) agressora(s), a vergonha, a culpa e a desesperança face à resolução do problema.
Os impactos do bullying podem ser tão devastadores e incapacitantes, a nível psicológico, físico, sexual e social, que constrangem a tomada de decisão das vítimas de partilharem as suas vivências. É preciso não esquecer que o bullying pode resultar na morte das vítimas, por homicídio ou suicídio.

E: As campanhas em torno deste tema têm ajudado, de alguma forma, a travar estas situações?

SN: As campanhas são sempre importantes para o alerta face ao problema, mas se forem feitas de forma avulsa e pontual, surtem poucos ou nenhuns efeitos em matéria de prevenção, a médio e a longo prazos. A prevenção deve implicar um processo de educação sustentado no tempo, liderado por profissionais especializados/as, e que responda às necessidades atuais das crianças e dos/as jovens que são sujeitos à prática do bullying ou que podem vir a sê-lo.

E: O Observatório Nacional do Bullying é uma plataforma de denúncia informal e que garante o anonimato. Quais os objetivos desta estrutura? Quem é o público-alvo? Como serão tratados os dados recolhidos?

SN: O Observatório Nacional do Bullying (ObNB) foi criado com o intuito de desocultar um fenómeno que tende a ser silenciado pelas razões anteriormente enunciadas. Pretende, assim, mapear e caracterizar os casos reportados, com vista a uma mais completa visão sobre as suas dinâmicas e consequências.
O ObNB visa ser utilizado por pessoas que são ou foram vítimas de bullying em contexto escolar (nos diferentes ciclos de estudos) e por pessoas que testemunharam ou tiveram conhecimento de casos de bullying (docentes, familiares, colegas).
Os dados serão analisados pela equipa técnica, recorrendo a metodologias quantitativas e qualitativas. Anualmente será publicado um relatório com a súmula dos dados, mais uma vez acautelando o anonimato e a confidencialidade da informação.

E: O mapeamento do fenómeno e a caracterização das vítimas, dos agressores, e das consequências do bullying, podem servir para alertar consciências e até motivar políticas públicas? Quais as expetativas para este observatório?

SN: Consideramos que sim, que terá não só o efeito de aumentar a consciencialização sobre o fenómeno e os seus impactos, como de alimentar as políticas públicas nesta matéria. A nossa expectativa é de que possamos ser mais um recurso ao serviço das vítimas, ex-vítimas e testemunhas, dando-lhes a oportunidade de partilharem as suas vivências informalmente, num espaço seguro e protegido, e serem encaminhadas para estruturas de apoio.
Contamos também que o ObNB possa diminuir as cifras negras. Em menos de 24 horas recebemos 89 denúncias, o que dá conta da importância de um recurso como este.

E: O que, de facto, é preciso fazer para combater o bullying em contexto escolar? Como prevenir, como sensibilizar, como atuar?

SN: Como no âmbito da prevenção de outras formas de violência, a aposta terá de ser na educação para os Direitos Humanos e para a Cidadania, e no reforço de mecanismos e estruturas de proteção e apoio às vítimas e às pessoas que lhes são significativas. A formação especializada nesta área é fundamental para quem intervém em contexto escolar.

E: Aumentar o número de psicólogos nas escolas poderá ser uma boa medida para travar o bullying?

SN: Sim, poderá ser uma das medidas. O número de psicólogos/as escolares é manifestamente insuficiente, atendendo ao número de estudantes e à diversidade de problemáticas com que as escolas se confrontam. Adicionalmente, é necessário um investimento na capacitação de toda a comunidade escolar, procurando instituir uma cultura de tolerância zero ao bullying.

E: Na sua opinião, o que é que o Ministério da Educação pode e deve fazer nesta matéria e de que forma se deve envolver em iniciativas ligadas a estas questões de violência e agressões entre os mais jovens?

SN: O Ministério da Educação tem vindo a desenvolver iniciativas no domínio da prevenção do bullying, sendo que o seu envolvimento deve ser cada vez mais articulado com as entidades que lidam com o fenómeno no terreno.

Bullying, um fenómeno “comum e complexo” entrevista a Ana Tomás da Universidade do Minho

Fevereiro 8, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Ler a entrevista de Ana Tomás de Almeida ao Diário do Minho de 30 de janeiro de 2020 no link:

https://www.diariodominho.pt/wp-content/uploads/2020/01/IV_2020_01_30_net.pdf

Vai nascer um Observatório Nacional do Bullying e um Plano B para o eliminar

Fevereiro 7, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 30 janeiro de 2020.

Por Catarina Maldonado Vasconcelos com Paula Dias

Além do Plano B, a Associação Plano i vai criar o Observatório Nacional do Bullying. Os dados serão recolhidos através de um questionário que estará disponível a partir desta quinta-feira no site da associação.

O bullying é um problema de saúde pública, transversal a várias faixas etárias, mesmo depois da infância. Para prevenir os casos de violência e de forma a promover a saúde mental, a Associação Plano i e a Direção-Geral da Saúde lançam agora um programa designado Plano B.

A iniciativa envolve três municípios (Porto, Matosinhos e Figueira da Foz) e nove agrupamentos de escolas, o que perfaz 40 turmas. O foco são estudantes dos 2.º e 3.º ciclos, e a psicóloga e coordenadora do plano Ana Luísa Abreu, esclarece: “Se olharmos para o relatório anual de 2017, das vítimas de bullying que estão em atendimento – são 107, neste caso – 48,6% são crianças e jovens, e, desses, 15,9% são do 2.ºciclo e 13,1% do 3.º ciclo.”

“Quase 60% dos autores deste crime são colegas da escola”, acrescenta a coordenadora do programa.

Além do Plano B, a Associação Plano i vai ainda fazer nascer o Observatório Nacional do Bullying. Os dados serão recolhidos através de um questionário que estará disponível a partir desta quinta-feira no site da associação.

“Pode ser preenchido por vítimas, por ex-vítimas, por testemunhas ou simplesmente por pessoas que tomaram conhecimento, como, por exemplo, uma psicóloga, um pai ou uma mãe”, refere Ana Luísa Abreu, que acredita que a recolha “vem tentar caracterizar em que momento, em que ano de escolaridade e em que ano civil [ocorrem os atos], também para compreender a prevalência de ano para ano” de forma a “caracterizar o fenómeno para depois haver uma intervenção à altura daquilo que é a realidade”.

O observatório promete dados anuais sobre os casos de bullying em Portugal, que se registam em vários contextos dentro e para lá da escola.

ouvir a reportagem da TSF no link:

https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/vai-nascer-um-observatorio-nacional-do-bullying-e-um-plano-b-para-o-eliminar-11765634.html?fbclid=IwAR0eopfYFtJxel3iDdgzHa4EZ_XXbnxe8tsBo49sQO-J4X95TZFbHBDnURI

Migrantes e refugiados apelam à denúncia de casos de bullying

Janeiro 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 30 de dezembro de 2019.

Estudo conclui que animação sociocultural nas escolas reduz violência entre alunos

Dezembro 26, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 19 de dezembro de 2019.

A existência de animação sociocultural dentro dos estabelecimentos de ensino contribui para a diminuição da violência escolar (‘bullying’) e potencia outro tipo de competências aos alunos, revela um estudo divulgado hoje.

Da autoria do animador e investigador Bruno Trindade, de Castelo Branco, o estudo “Importância da Animação Sociocultural em Contexto Escolar” foi apresentado no início do mês, na Universidade de Salamanca, em Espanha, como tese de doutoramento.

“O índice de violência foi uma das áreas em que nos debruçámos mais. Até nós ficámos impressionados com as respostas, não só dos alunos como dos professores, pois 80% considerou que [a animação sociocultural] ajudou a combater a indisciplina na escola”, disse o autor à agência Lusa.

O estudo decorreu no Agrupamento de Escolas Nuno Álvares de Castelo Branco, envolvendo 439 alunos e 36 professores (incluindo do 1.º ciclo do ensino básico), através do questionário de Adaptação da Escala de Avaliação de Implementação de Programas.

Segundo Bruno Trindade, os alunos e professores “demonstram uma satisfação elevada com a animação sociocultural na oferta educativa, sendo esta atividade promotora de sucesso escolar, de maior motivação escolar e de redução dos comportamentos desviantes”.

Os alunos “sentem-se muito mais empenhados e motivados para a escola e consegue-se melhorar também em termos comportamentais, com a diminuição da violência no espaço escolar”, reitera o investigador albicastrense.

“[A Animação sociocultural] também nos permite que os alunos estejam muito mais motivados e consegue levá-los a gostarem de uma escola diferente, com uma perspetiva diferente no espaço escolar também ao nível de aprendizagens lúdico-pedagógicas”, acrescentou.

De acordo com Bruno Trindade, a existência de animação sociocultural nas escolas portuguesas é muito residual, motivo pelo qual este estudo “foi bastante inovador”.

“Em termos de estudo, propusemos alargar a animação a todas as escolas nacionais, desde o jardim de infância ao primeiro ciclo, porque ajuda a melhorar a componente educativa, mas também a ter uma perspetiva diferente ao nível das suas metodologias e da educação não formal”, revelou.

Para o investigador, o aspeto da flexibilização curricular permite trabalhar a componente artística, cultural e social de uma forma diferente dos contextos educativos.

Bruno Trindade defende a introdução da animação sociocultural como uma oferta educativa e curricular dentro da componente escolar, com a reformulação, por exemplo, das Atividades de Enriquecimento Curriculares, para se dar “mais importância às questões da socialização, do brincar, ao desenvolvimento da competência, da criatividade e também a algo mais pertinente, que é da fomentação das regras e valores, cada vez mais importantes nas escolas”.

“Neste momento, estamos com algumas falhas nesse aspeto [regras e valores] devido à tecnologia e ausência de família, mas cada vez mais a animação sociocultural permite esse trabalho e envolvimento”, sublinhou.

Para o especialista, a animação sociocultural “é uma área com grandes potencialidades para a sociedade e foi uma das questões que me levou a pensar neste estudo, porque ainda não é muito desenvolvida nas escolas e cada vez mais tem potencialidade no desenvolvimento de competências e também na componente educativa e na fomentação de metodologias diferentes a nível da aprendizagem”.

Escola sem Bullying Escola sem Violência – Site para alunos, pais e escolas

Dezembro 16, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

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Bullying e Ciberbullying: Prevenir & Agir (II) – curso online 14 janeiro

Dezembro 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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A Direção-Geral da Educação (DGE) promove o curso de formação online “Bullying e Ciberbullying: Prevenir & Agir (II)”, em formato MOOC (Massive Open Online Course), no âmbito do Centro de Sensibilização SeguraNet e da Equipa de Educação para a Saúde.

Este curso está enquadrado nas propostas de formação do plano Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência.

O curso que é ministrado em língua portuguesa e é gratuito. Não é acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, sendo que a sua conclusão permite a obtenção de um Certificado de Conclusão do Curso.

Mais informações no link:

https://lms.nau.edu.pt/courses/course-v1:DGE+SEGBC+II/about?fbclid=IwAR2YkM7s3_Ni7jHjc1nTp3198Zo2bsu9piy4YSN4JREClVgd_Epdzozt3AM

Ação de Formação com Bruno Barros do IAC “O que é o Bullying? Quem está envolvido? Como detetar e agir?” 14 dezembro no Barreiro

Dezembro 10, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.cm-barreiro.pt/pages/694?event_id=2354

“Há escolas que são autênticas fábricas de bullying”

Dezembro 2, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TVI24 de 26 de novembro de 2019.

Espaço de investigação da TVI incidiu sobre a violência nas escolas. Após a exibição da reportagem, cinco convidados debateram o tema na TVI24.

O bullying nas escolas foi o tema da grande reportagem do espaço de investigação Alexandra Borges. Após a exibição da peça jornalística, cinco convidados estiveram em debate na TVI24.

Segundo o representante da Associação Anti-Bullying com crianças e jovens, Paulo Costa, os conflitos entre jovens são bastante comuns. O convidado, que também é professor, explicou que já teve alguns casos em algumas das suas aulas.

Visualizar os vídeos no link:

https://tvi24.iol.pt/sociedade/30-11-2019/alexandra-borges-ha-escolas-que-sao-autenticas-fabricas-de-bullying?fbclid=IwAR1MrPesEUyojEQQfmubQ20qpO4B4Yx3qVG7rwsYG35wdhDiwpqbt7KL8Dk

 

 

 

Robôs querem ajudar a prevenir o bullying de forma divertida

Novembro 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de outubro de 2019.

O projecto do italiano Stefano Cobello vai ser implementado em dez países da União Europeia já a partir de Janeiro de 2020. Portugal incluído.

Inês Duarte de Freitas

Os robôs podem contar histórias, ajudar a fazer contas e até experiências científicas. Os pequenos seres prometem ajudar as crianças a encarar a escola como algo divertido e, acima de tudo, a melhorar o ritmo de aprendizagem. A novidade é que agora os robôs também podem ser os aliados na prevenção contra o bullying. Stefano Cobello observa curioso as máquinas espalhadas pelo átrio do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. É ele o orador principal da conferência “STEM e Robótica em Educação”, promovido pela Clementoni e que junta educadores para conhecer o projecto “Robótica contra o Bullying”.

A partir do próximo mês de Janeiro, a prevenção do bullying nas escolas pode ser feita com robôs. O projecto “Robótica contra o Bullying”, com o apoio da União Europeia, foi desenvolvido ao longo dos últimos três anos e conta já com mais de quatro mil escolas em Itália. Portugal está incluído na lista dos dez países que vão acolher este projecto nos próximos três anos. Ainda não se sabe quais são as escolas, reconhece Stefano Cobello ao PÚBLICO.

Mais do que condenar o bullying, o projecto quer desenvolver uma nova estratégia para o prevenir. São utilizados materiais produzidos “do ponto de vista das crianças”, explica o pedagogo italiano na conferência que ocorreu na tarde de quinta-feira. São as crianças que criam as lições para os robôs e que ditam o que querem que o brinquedo faça.

O que é o bullying, quem é vítima, ou que é o cyberbullying, são alguns dos temas que os robôs abordam de forma didáctica. “O objectivo é fazer as crianças sentirem-se bem no ambiente escolar”, assegura Stefano Cobello, acrescentando que os robôs podem “abrir a mente das crianças, numa atmosfera de aprendizagem mútua”. O projecto, nascido em Itália, utiliza apenas robôs didácticos de fácil utilização. Os brinquedos são ajustáveis, consoante a idade da criança, já que o projecto abrange o pré-escolar e o ensino básico.

Robótica na Educação em Portugal

Desde 2014 que 238 agrupamentos de escolas integraram a robótica e a programação nos seus currículos. “Mais do que motivar é envolver, criar um espaço dentro da escola para a aprendizagem informal”, explica António Manuel Silva, coordenador de Recursos e Tecnologias Educativas da Direcção-Geral da Educação, do Ministério da Educação.

O objectivo é preparar para o futuro, “em que ninguém será nada sem perceber de tecnologia”, continua António Manuel Silva. Ajudar a ganhar tempo ao próprio professor é outras das utilizações da robótica a explorar no ensino, através de tecnologias com feedback imediato, que possam auxiliar na avaliação, por exemplo.

O Kids Media Lab, um projecto que nasceu com a investigadora Maribel Miranda-Pinto, da Universidade do Minho, conta com uma rede de professores a ensinar com recurso a robôs. A Clementoni, produtor destas máquinas, está desde 2017 a trabalhar em parceria com este projecto. A educadora de infância Marlene Fernandes, do agrupamento de escolas de Oliveira dos Frades, começou a utilizar esta tecnologia em 2016 e considera que é “uma ferramenta que se adapta a todos os ritmos de aprendizagem”. “Este trabalho mudou a minha prática e fez-me ir mais além”, confessa a profissional.

Desenvolver o raciocínio espacial da criança é uma das principais ferramentas dos robôs viajantes, que se movimentam para frente, para trás e para os lados. “Quando fazem isto criam percursos mentalmente, com recurso à linguagem da programação”, esclarece Marlene Fernandes.

Já para a professora bibliotecária, Helena Vilas Boas, os robôs são uma forma de ensinar a contar histórias. Cada robô vem com um tapete quadriculado, no qual a professora coloca imagens. Com recurso ao robô, as crianças recontam e organizam cronologicamente a história. “Os robôs proporcionam momentos de brincar a aprender”, explica a professora do Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho, em Barcelos.

O pedagogo Renato Paiva explica que os robôs são uma ferramenta crucial na função de ensinar as crianças a pensar, porque “alimenta a curiosidade”. “Vivemos numa sociedade dependente da felicidade imediata, também graças à tecnologia. Não trabalhamos a capacidade de resiliência e frustração. O jogo (com os robôs) dá isto: erram até acertar”, defende, durante o encontro.

No evento foi ainda apresentado do livro de actividades Aprender com Robôs, de Maribel Mirando-Pinto e Ricardo Pinto, com ideias sobre como utilizar estes brinquedos para aprender quer na escola, quer em casa. “O livro é um ponto de partida para tirarmos ideias, mas não são actividades fechadas”, garante Ricardo Pinto.

Texto editado por Bárbara Wong

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