Como ajudar uma criança vítima de bullying

Março 21, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do Sapo LifeStyle de 20 de dezembro de 2018.

Os pais de uma criança que foi alvo de bullying podem ser determinantes na recuperação da autoestima da criança. Tome nota destes conselhos.

Tony Volk, professor de estudos infantis e juvenis na Brock University de Ontário, Canadá, afirma que “o bullying repetido pode ser tão prejudicial quanto outras formas de abuso e a vitimização não fortalece a maioria das crianças; simplesmente destrói-as”.

Diferentes estudos mostram que a vitimização crónica afeta a autoestima infantil, fazendo com que as crianças interiorizem uma imagem negativa de si próprias. Passam a sentir-se inadequadas. Culpam-se por tudo o que corre mal. E têm constantes pensamentos negativos.

Em declarações à Todays Parents, a psicóloga infantil Joanne Cummings, responsável da PREVNet (Rede de Promoção de Relacionamentos e Eliminação da Violência), adverte que crianças vítimas de bullying também são menos propensas a fazer novos amigos ou a experimentar novas atividades, o que pode contribuir para a sua desintegração social e aumentar os seus sentimentos de solidão. inutilidade e impotência. “Todos esses fatores são de risco e estimulam o desenvolvimento de problemas crónicos de saúde física e mental relacionados com stress, ansiedade e depressão”, revela Cummings. A sua mensagem para os pais é clara: tentem ser pró-ativos de forma a neutralizar o constante diálogo interno, negativo, da criança. Eis algumas dicas que podem ser úteis:

Mostre empatia e otimismo

A criança pode ter vergonha de falar sobre o que está a sofrer, ou ter medo das reações dos pais, receando que será punida. “Embora seja perturbador saber que seu filho está a ser intimidado”, diz Cummings, “é importante mostrar compaixão pela sua dor, mas também ter uma atitude otimista, fazendo-a crer que esse problema vai ser resolvido”. É fundamental reforçar que “o bullying é errado, não é justo e todos têm o direito de se sentirem seguros e respeitados”.

Ajude-o a defender-se

Já Tony Volk aconselha os pais a ensinarem os filhos a defenderem-se sozinhos. Mas, se isso não for suficiente, é preciso adotar outra estratégia. “Pedir à criança que diga ao agressor para parar fará com que ela se sinta ainda pior”, explica Cummings. “Se ela procurou o pai ou a mãe é porque o bullying se tornou intolerável e sente que já não pode resolver o problema sozinha”.

Façam programas juntos

Fazer um jogo do agrado da criança ou passear o seu animal de estimação, aproveitando para perguntar o que ela sente ou pensa, “fortalecerá o vínculo entre pais e filhos, e isso ajudará a aumentar sua autoestima”, assegura Cummings.

Estimule o seu desenvolvimento

“Aproveite os interesses do seu filho, inscrevendo-o numa equipa de futebol, num workshop de artes ou em alguma atividade criativa”. Joanne Cummings diz que é importante “proporcionar à criança um lugar seguro para criar relações positivas com outras crianças e ter a oportunidade de desenvolver o seu talento”. Lembre-se de que “a autoestima genuína vem do desenvolvimento de habilidades e competências que são percebidas e validadas por pessoas importantes”.

Fale com os professores

É importante denunciar o bullying à escola. Mas não só. Os professores também podem ajudar na construção da autoestima da criança. “Peça ao professor para estimular o seu filho a conhecer e a trabalhar com colegas, e assim desenvolver relacionamentos saudáveis​”, sugere Cummings. “Para uma criança que está a ser intimidada, ter um amigo pode reduzir – e muito – os riscos de vir a sofrer de problemas de saúde mental, nomeadamente de ansiedade ou depressão”, explica Volk. A intervenção de um professor ou outro adulto também ajuda a diminuir o risco de quebrar, para sempre, a confiança em si própria.

 

 

 

 

Uma app para combater o bullying

Março 8, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 21 de fevereiro de 2019.

Rita Costa

Chama-se “Jogo Sério” e está a ser desenvolvido por investigadores do ISCTE e da Universidade de Lisboa que acreditam que com esta aplicação vai ser possível dar ferramentas às crianças, tornando-as mais capazes de resistir e combater o bullying.

“Está pensada para crianças dos 10 aos 12 anos porque há aqui um pico de ocorrência de este tipo de comportamentos, e um maior envolvimento aos 13 anos, portanto, queremos trabalhar antes”, explica Susana Fonseca, professora do Departamento de Psicologia Social e das Organizações do ISCTE, uma das investigadoras responsáveis pelo desenvolvimento desta aplicação.

O “Jogo Sério” é uma aplicação para smartphone, tablet ou computador e que pode ser usada em consultas, em contexto escolar ou até em casa, como forma de terapia ou de prevenção. Trata-se de um jogo ainda em construção, mas com o qual, assegura Susana Fonseca, investigadora do ISCTE, pode ser possível ajudar miúdas e graúdos a enfrentarem o bullying ou o cyberbullying.

“TSF Pais e Filhos”, um programa de Rita Costa, com sonorização de Miguel Silva

“É um jogo com objetivos pedagógicos onde eles para progredirem de nível são confrontados com situações de interação social entre pares, situações que podem ocorrer em contexto escolar ou não”, explica a Susana Fonseca. Uma das situações é alguém que está a receber ameaças e sobre quem estão a espalhar boatos nas redes socais. Nesse caso são apresentadas ao jogador várias opções de resposta sobre que reação teria perante aquela situação. “Só que em vez de pontos, recebem feedback sobre as diferentes opções que escolheram e a pontuação revela-se através do número de amigos que têm, porque as amizades são um fator protetor, através de coragem, porque muitas vezes ser capaz de defender a vítima é difícil, e através de convites para outras interações sociais”.

Para já, este “Jogo Sério” está em fase de desenvolvimento. O protótipo que resultou de uma fase de investigação e de uma colaboração com alunos da área da Psicologia do ISCTE e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa já deu sinais positivos, mas ainda vai ser aperfeiçoado. Susana Fonseca quer ter nas mãos todas as evidências e todos os dados que comprovem os resultados deste projeto. Só assim é possível procurar financiamento para a aplicação.

 

 

Recursos e estratégias para adolescentes que foram vítimas de bullying

Fevereiro 28, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Descarregar o recurso no link:

https://blogue.rbe.mec.pt/capacitar-os-adolescentes-bullying-2229992

 

 

Ação “Agressão entre pares : Bullying e Cyberbullying” 21 de fevereiro em Lisboa

Fevereiro 15, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Tópicos:

O que é o bullying?
Características das vítimas, dos agressores e das testemunhas?
Quais os principais sinais de alerta?
Como agir… se o meu filho é vítima? E se o meu filho é agressor?
Qual o papel da escola?
Que competências promover para prevenir?

Mais informações no link:

http://www.red-apple.pt/workshops-redapple/item/209-encontros-_pais

‘Aqui ninguém implica com ninguém’: programa adotado em 99 escolas da Holanda reduziu o bullying pela metade

Janeiro 29, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site g1Globo de 5 de julho de 2018.

Cinco anos após adoção de programa finlandês, percentual de crianças que disseram ter sofrido bullying caiu de 29% para 13,5%; G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda ficou no topo do ranking de crianças mais felizes.

Por Mariana Timóteo da Costa, GloboNews — Amsterdã, Haia e Roterdã

Um pesquisa que acompanhou 10 mil crianças de 99 escolas holandesas durante cinco anos mostrou impactos positivos no combate ao bullying. Em 2012, o problema atingia quase 30% dos alunos, segundo eles mesmos relataram. Em 2017, essa porcentagem caiu para 13,5%.

Além disso, mudanças na legislação e a orientação sobre como lidar com conflito desde a primeira infância são dois dos fatores que levaram a Holanda a ter um alto índice de crianças que consideram seus colegas de escola “legais”. A pesquisa do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para avaliar a qualidade dos estudantes em diversos países mostrou que quase 85% das crianças holandesas alegam que seus amigos são legais – o maior índice entre os países avaliados.

Até esta sexta-feira (6), o G1 publica uma série de nove reportagens que investigam os fatores educacionais, econômicos e sociais por trás do sucesso holandês.

Política anti-bullying

A Holanda tem uma forte política anti-bullying: desde 2015 as escolas primárias e secundárias são obrigadas por lei a combater os casos de bullying.

Nas escolas primárias, crianças são ensinadas desde os 4 anos a fazerem um sinal de “pare” com as mãos quando não gostam de uma situação ou quando acham que algum colega ultrapassou algum limite. Além disso, são estimuladas a logo conversar com um adulto sobre a situação.

Em 2016, o número de crianças que alegaram ter sofrido bullying na educação primária caiu para 10% – comparado a 14% em 2014. Nas escolas secundárias caiu de 11% em 2014 para 8% em 2016, segundo o Ministério da Educação.

Adoção de programa finlandês

Um estudo da University of Groningen com 10 mil alunos em 99 escolas primárias que adotaram um programa anti-bullying conhecido como KiVa (criado na Finlândia) mostrou que os casos de bullying caíram 50% entre 2012 e 2017.

“Conversar a respeito faz com que os alunos reflitam melhor sobre o que significa fazer ou ser alvo de bullying”, disse René Veenstra, autor do estudo, à imprensa holandesa.

Nas escolas que aplicaram o KiVa, o percentual das crianças que disseram ter sofrido bullying caiu de 29% em 2012 para 13,5% em 2017.

Os alunos também alegaram que seus professores passaram a prestar mais atenção quando existe uma reclamação.

 

 

Seminário contra a Violência e Discriminação no Desporto, 15 dezembro na FMH

Dezembro 11, 2018 às 9:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.fmh.utl.pt/pt/noticias/eventos/item/7062-seminario-contra-a-violencia-e-discriminacao-no-desporto

Como agir contra o bullying

Novembro 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Intimidação infantil não olha à idade. Guia anti-bullying para pais que se preocupam

Novembro 8, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Sapo Lifestyle

Psiquiatra da infância e adolescência ensina a lidar com esta forma de violência praticada e sofrida por crianças e adolescentes. “Os cenários mais frequentes são, sem dúvida, as escolas”, alerta Patrícia Almeida, em entrevista à Prevenir.

Metade dos alunos com idades entre os 13 e os 15 anos sofre bullying na escola, como denuncia um estudo da Unicef divulgado no início de setembro de 2018. Uma realidade que, com o passar dos anos, se tem vindo a agravar. Em 2004, 22,1% dos alunos de escolas nacionais entre os 11 e 16 anos foram vítimas de intimidação, enquanto 9,4% eram agressores e 27,2% tanto vítimas como agressores, revelou uma investigação portuguesa.

Um estudo levado a cabo, com amostras nacionais representativas, pelas investigadoras Susana Carvalhosa e Margarida Gaspar de Matos. Criado na década de 1990 pelo investigador norueguês Dan Olweus, quando pesquisava sobre tendências suicidas entre jovens adolescentes, o termo bullying, intimidação em português, refere-se a um tipo específico de violência que ocorre entre pares, geralmente na escola.

Embora o termo esteja cada vez mais em voga, o desconhecimento sobre os contornos do fenómeno continua presente. E, mais grave, convive com “a noção, de pais e educadores, de que este tipo de comportamento é uma parte normal do crescimento”, sublinham as autoras. Para compreendermos quais as suas causas, consequências e formas adequadas de atuar, entrevistámos Patrícia Almeida, psiquiatra da infância e adolescência.

O que é o bullying?

Bullying é o termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica a uma criança, realizados de forma intencional e repetida no tempo, por uma ou mais crianças, numa situação em que é manifesto o desequilíbrio de poder. Por exemplo, quando a criança agredida é mais fraca, tem menor estatura, é mais nova, menos popular ou mais insegura.

Que tipos de bullying existem?

O chamado bullying direto toma forma através de agressões verbais e físicas e é o método preferido pelo sexo masculino. No bullying indireto, a vítima é forçada ao isolamento social. Isto pode ser feito através da disseminação de boatos, da exibição de episódios de agressão filmados em telemóvel na internet ou da intimidação de outras crianças amigas da vítima.

Este é o método preferido pelo sexo feminino. São exemplos de bullying a agressão física contra a criança e/ou os seus pertences, os insultos verbais, impedir outras crianças de brincarem com a vítima, espalhar boatos sobre ela e o ciberbullying.

Em que consiste o ciberbullying?

Pode tratar-se da publicação de fotografias manipuladas da vítima na internet ou de vídeos de agressões ou, ainda, de os agressores assumirem a identidade da vítima em redes sociais com o objetivo de combinar encontros íntimos, entre outros.

Em que locais pode ocorrer este tipo de agressão?

Os cenários mais frequentes são, sem dúvida, as escolas, mas o bullying  pode ocorrer em qualquer contexto onde estejam presentes crianças, como a catequese, os clubes desportivos ou ainda outros espaços.

De que forma atuam os agressores?

São exemplos de bullying a agressão física contra a criança ou os seus pertences, os insultos verbais, impedir outras crianças de brincar com a vítima e espalhar boatos. No âmbito do cyberbullying, é possível publicarem na internet fotos manipuladas da vítima ou vídeos de agressões, bem como assumirem a identidade da vítima em redes sociais com o objetivo de combinar encontros íntimos, entre outros.

Quais as causas do bullying?

São variadas. São frequentes situações em que o agressor transporta para a escola a agressividade que vivência em casa, quer como espetador quer como vítima. Neste caso, estas experiências transmitem ao agressor a noção de que a violência e as ameaças são meios aceitáveis para obter o que querem. Por outro lado, também não são raros os casos em que a motivação para o ato assenta no sentimento do agressor de que a vítima possui algo que ele não tem, tal como sucesso escolar ou bens materiais.

Qual o perfil psicológico dos agressores?

Os agressores são frequentemente filhos de pais mais agressivos, que reagem com violência à frustração, usando frequentemente castigos físicos. Têm dificuldade em colocar-se no papel dos outros, são impulsivos, têm dificuldade em acatar regras e têm, por norma, mau rendimento escolar.

O que torna as vítimas alvos preferenciais?

As vítimas são crianças com dificuldade em defender-se, com baixa autoestima, inseguras, com receio de se queixarem a pais e educadores, eventualmente por tentativas falhadas anteriores, mais ansiosas e com humor depressivo.

Como deve reagir uma vítima ou testemunha de agressão?

Face ao bullying, a única solução é a denúncia. O tema deve ser abordado em casa e debatido nas escolas com programas específicos de prevenção da violência escolar, para que as crianças saibam o que fazer se forem agredidas. Outra solução passa pelo apadrinhamento dos caloiros por alunos mais velhos com a missão de os proteger e integrar. O medo de agravar a situação é, muitas vezes, o que leva a criança a calar-se, sendo esta a principal causa de perpetuação da situação.

Que sinais podem denunciar aos pais que o seu filho é vítima de bullying?

Os sinais são vários, mas inespecíficos. Os pais devem estar atentos a atitudes e comportamentos de ansiedade, tristeza, perturbações do comportamento alimentar, choro persistente, diminuição de interesse em atividades até aí preferidas, cansaço persistente, irritabilidade, raiva, hostilidade, dores de cabeça ou barriga, recusa escolar, diminuição do  rendimento escolar, perturbações do sono, enurese (perda involuntária de urina), isolamento dos colegas e/ou medo de se separar dos pais.

E no caso de o filho ser agressor?

Os sinais de suspeita de que uma criança é agressora são ainda mais inespecíficos, sendo a denúncia do agredido geralmente o único meio de detecção da situação.

O que podem os pais fazer para ajudar um filho que é agredido?

Face à denúncia, a criança agredida deve ser tranquilizada por pais e educadores quanto à ausência de culpa na situação e de que fez a coisa certa ao denunciar. Nesta altura, compete à escola tomar providências para que a agressão não volte a acontecer, chamando o agressor, castigando-o, informando os pais ou, em casos mais graves, mudando-o de escola.

Importante também é sinalizar o agressor para uma consulta de psiquiatria infantil com o objetivo de perceber e tratar as causas da perturbação. Em casos raros em que a escola não consegue travar o agressor, dever-se-à sinalizar o caso à polícia e à comissão de crianças em risco.

Quais são as possíveis consequências do bullying para as vítimas?

As consequências para as vítimas podem ser variadas, nomeadamente depressão, isolamento social, ansiedade, baixa autoestima, identificação com o agressor, passando de vítima a ofensor e, em casos mais raros, suicídio.

E para os agressores?

As consequências para os agressores são geralmente a evolução para a idade adulta com dificuldades em funcionar em sociedade, com regras e normas, com consequentes dificuldades de relacionamento, instabilidade laboral e até envolvimento em crimes.

Que mensagem de esperança pode deixar aos pais que têm filhos afetados por este fenómeno?

A minha experiência profissional é de sucesso em todos os casos denunciados. E nunca se esqueçam que quem cala uma agressão a uma criança é co-responsável por ela!

Texto: Rita Miguel com Patrícia Almeida (psiquiatra da infância e adolescência)

 

Bullying: o que fazer para acabar com ele

Novembro 2, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Shutterstock

Texto do DN Life de 20 de outubro de 2018.

Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Bullying. É uma palavra estrangeira que descreve comportamentos agressivos, repetitivos e intencionais, que podem ser de natureza verbal, física, psicológica, sexual e, mais recentemente, digital. Bullying: um fenómeno em que estamos muito à frente.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Maio de 2011: as imagens de uma adolescente de 13 anos a ser violentamente espancada por outras duas junto ao Centro Comercial Colombo, em Benfica, chocaram quem as viu pela brutalidade do bullying. Maio de 2015, casting do programa Ídolos da SIC: recorrendo a um efeito especial, a produção fez crescer as orelhas de um jovem concorrente durante a audição, levando-o a trancar-se em casa por vergonha e medo de ser humilhado na rua.

Em março desse mesmo ano, um soldado de 23 anos enforcou-se no quarto onde dormia na base aérea de Beja: bem suportou a tortura psicológica, os comentários homofóbicos constantes dos colegas, mas não dava mais. Outubro de 2013: um aluno de 15 anos da Escola Secundária Stuart Carvalhais, Sintra, entrou na escola com facas e álcool. Estava farto que lhe chamassem betinho e copinho de leite, farto do desprezo dos outros. Esfaqueou três colegas e uma funcionária.

«Comportamentos destes sempre existiram nas nossas escolas e noutros contextos em que crianças e jovens interagem, e a verdade é que afetam um número significativo de indivíduos em idade escolar», confirma o psicólogo Luís Fernandes, a trabalhar nas áreas da prevenção, combate e intervenção no bullying e cyberbullying (assim chamado porque as agressões ocorrem no ciberespaço).

Os números são tremendos: «Um em cada quatro jovens envolve-se em situações de bullying como vítima, agressor ou ambos os papéis – por exemplo, um aluno de 7.º ano que é vítima de um do 9.º e agride, ele próprio, um colega do 5.º», revela o psicólogo, coautor dos livros Plano Bullying e Diz Não ao Bullying (em parceria com a investigadora Sónia Seixas) e Cyberbullying – Um Guia para Pais e Educadores (com Sónia e Tito de Morais, fundador do site MiúdosSegurosNa.Net).

Outros dados de 2015, divulgados em novembro de 2017 num estudo da UNICEF (o Fundo das Nações Unidas para a Infância), indicam que entre 31 e 40 por cento dos jovens portugueses, dos 11 aos 15 anos, foram intimidados na escola pelo menos uma vez a cada dois meses. «Por vezes, torna-se difícil avaliar se há mais bullying hoje do que em décadas anteriores, ou se o que realmente existe é uma maior atenção dada ao fenómeno», desabafa o especialista na matéria.

Certo é que somos o 15.º país com mais relatos de bullying na Europa e América do Norte, a crer nos relatórios. Proporcionalmente, estamos inclusive à frente dos EUA, palco de três quartos dos tiroteios em escolas registados no mundo nos últimos 25 anos.

Ataques na internet

O drama ganha contornos ainda mais preocupantes quando se percebe que agressões que antes se circunscreviam a espaços físicos, com agressores perfeitamente identificados pelas vítimas e vítimas com um rosto a pesar na consciência dos bullies, extravasaram para o espaço digital. «Também aqui o sofrimento pode fazer estragos para o resto da vida», sublinha Tito de Morais, para quem a internet tanto pode ser usada de forma inspiradora como destruidora.

Uma coisa são as reações frontais. Outra diferente – menos honesta – é aproveitar a ausência de fronteiras do mundo virtual para lançar a bomba ao outro e correr a esconder-se. Sem querer ficamos sujeitos a exposição pública, humilhação, chantagem, exclusão e vergonha, que podem conduzir a estados depressivos e até automutilação ou suicídio, resume Tito de Morais. A devastação emocional que daí resulta é concreta, tão capaz de destruir alguém como na vida real.

E não, não é apenas problema de miúdos, alerta Luís Fernandes, considerando haver ainda muitos mitos em torno do bullying que importa desfazer: «Não acontece só em algumas escolas. Nem é uma mera brincadeira ou uma fase que passará em breve.» Nem sequer afeta exclusivamente os mais novos: muitos adultos sofrem diariamente de bullying às mãos de chefes prepotentes e colegas de trabalho maldosos.

Trata-se de um problema real, da responsabilidade de todos. Sabemos que crescer pressupõe conflitos nas diversas fases do desenvolvimento, mas nunca este tipo de violência.

Entretanto, veja na fotogaleria alguns cuidados que podem ajudar no combate ao bullying e cyberbullying. Vale tudo menos ficar em silêncio.

 

Boas maneiras de combater os medos das crianças

Outubro 10, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Laurinda Alves publicado no Observador de 18 de setembro de 2018.

Entre o livro e o Teatro LU.CA, a Associação Princesa Azul e a teatralização das histórias feita nas escolas, muito pode ser feito, posta em perspetiva e renovado nas crianças, educadores e famílias.

Ninguém deixa de ter medos só porque sim e, muito menos, porque alguém decreta que não há razões para ter medo. As coisas não são assim tão fáceis e sabemos bem que todas as idades têm os seus pavores e temores.

Os pesadelos das crianças são verdadeiramente assustadores e implicam com o sono de todos, pais e filhos. Ninguém dorme quando uma criança acorda a meio da noite, a chorar apavorada. Muitos de nós sabemos bem o que é trazer os filhos para a cama e perder a noite por não cabermos todos da mesma maneira, na mesma cama. Sobretudo, por ficarmos a tentar aplacar os pontapés involuntários de um filho que readormece e se atravessa no colchão por se sentir invencível na cama dos pais.

Não vale a pena tentar ser muito pedagógico com uma criança no momento em que desperta do sono com medos. Se o que a fez acordar foram terríveis pesadelos com monstros é importante acender a luz e mostrar que não há monstros no quarto, mas nem sempre é possível estabelecer um diálogo lúcido e efetivo. Muito pelo contrário, um bom abraço, um pouco de colo, uma voz que embala, gestos de ternura e muitos mimos devolvem a segurança, dando-lhes a certeza de não estarem sós. Valem mais que uma explicação factual sobre a inexistência de fantasmas e monstros.

Os medos das crianças tratam-se com mais eficácia se agirmos a montante ou a jusante. No momento em que estão aterrorizadas é muito difícil dizer ou fazer alguma coisa que não seja tentar acalmá-las com abraços e uma presença forte, terna e securizante. Assim como não é possível elaborar grandes teorias sobre a amizade entre os animais e os homens quando uma criança fica paralisada ou corre aos gritos porque tem medo de um cão, também não é recomendável dissertar filosófica e existencialmente sobre os pesadelos no momento em que acabaram de ter um.

Nesta lógica, há estratégias mais eficazes e uma delas passa por contar histórias, ler bons livros ou assistir a bons filmes e boas peças de teatro, para poder ter boas conversas a partir dessas mesmas histórias, lidas ou representadas. Há muitas opções e cada pai ou mãe saberão sempre encontrar as que melhor se adaptam às idades e fases dos seus filhos, mas agora que inaugurou o maravilhoso Teatro LU.CA – Teatro Luís de Camões, em Belém, vale a pena estar atento à programação infantil porque também é feita a pensar em alguns ‘nós cegos’ reais e imaginários que atrapalham a vida das crianças.

(Abro um parêntesis para dar os parabéns à CML pela extraordinária recuperação de uma sala construída em 1737, que foi a Casa da Ópera do rei D. João V, e agora é um Teatro exclusivamente dedicado às crianças e ao público mais jovem. O espaço do LU.CA parece um sonho: um verdadeiro teatro infantil, numa escala fabulosamente acolhedora e fantasticamente bem recuperado, onde apetece ir e voltar com filhos e netos. Lindo!)

No fim de semana passado tivemos a felicidade de juntar nove netos em casa e fomos com alguns ver a peça “Um tigre-lírio é difícil de encontrar”. Foi uma experiência mágica para todas as crianças presentes no LU.CA, justamente por se poderem sentar numa plateia com muita proximidade com o palco e os atores. A peça é sobre quatro crianças perdidas numa floresta, sem saberem como é que ali foram parar, e os atores falam dos seus medos com humor e muita fantasia.

Na plateia, as crianças vão-se revendo na história que o ator, dramaturgo e encenador Alex Cassal criou para estrear o recém-inaugurado Teatro LU.CA. (em minha opinião a peça tem apenas um brevíssimo momento que pode ser melhorado, se a sensibilidade de todas as crianças for tida em conta e esse momento não se destinar apenas a algumas, podendo chocar as outras, mas sobre isso falei no fim com Susana Menezes, a diretora artística do Teatro LU.CA, que simpaticamente convidou os atores e o encenador a virem conversar com o público no fim, numa espécie de extensão da peça que fez com que as crianças saltassem automaticamente para a beira do palco e tivessem a experiência feliz de falar com os atores.).

Nesta floresta mágica, onde tudo pode acontecer, Crista, Daniel, Binete e Alfredo, as quatro crianças perdidas, falam de personagens misteriosos e criaturas assustadoras, mas ao mesmo tempo, cómicas. Riem e fazem rir, perdem-se e voltam a encontrar-se e, pelo meio, falam de um tigre muito assustador que tem uma juba enorme, toda poderosa, feita de lírios gigantes. A ideia do tigre-lírio provoca medo, primeiro por ser um tigre e depois por ser um animal desconhecido. E é este filão que os atores e o dramaturgo exploram em cena.

Ter medo do desconhecido é próprio do ser humano e é, inclusivamente, um sinal de alerta que potencia a auto preservação. É bom sentir medos, portanto. E é esta verdade científica, associada à certeza de que não existem tigres-lírios, que permite aos pais, avós e educadores conversarem depois com as suas crianças, dissecando com elas os seus medos e pulverizando muitos dos seus maiores e mais terríveis pesadelos.

É mais fácil desfazer a ideia de certos monstros e matar alguns fantasmas depois de ver uma peça de teatro em que as crianças perceberam em toda a extensão que há criaturas que não existem e medos que não vale a pena ter, do que tentar explicar-lhes estas coisas sem terem feito a experiência de se reverem em atores ou protagonistas reais ou imaginários de histórias bem escritas ou bem interpretadas.

Nesta rentrée os pais e educadores de crianças e jovens ganharam novas ferramentas para os ajudar a lidar com os seus medos, angústias, ansiedades, e até com situações mais dramáticas como as das vítimas de bullying ou alguma forma de assédio. Passaram a ter o Teatro LU.CA, onde a programação se estende a palestras e Master Classes sobre temas tão essenciais como o racismo e a discriminação, mas também o recém-publicado Livro das Emoções, de Filipa Saragga, escrito em coautoria com as técnicas da Consulta de Ansiedade do Centro de Progresso Infantil e prefaciado por Nuno Lobo Antunes.

O Livro das Emoções é um livro cheio de beleza e magia que explica às crianças as emoções e as maneiras de lidar com elas. Não fala apenas de medos, mas também de saudade, raiva, nojo, tristeza, vergonha, frustração e alegria. Este livro surge na sequência de um outro, integrado no Plano Nacional de Leitura desde o ano em que foi publicado. Falo d’A Princesa Azul, história escrita com a intenção de promover o combate ao bullying através da consciência dos danos que qualquer forma de assédio provoca nas vítimas, sobretudo em idades precoces ou quando a personalidade ainda não está completamente formada e, por isso mesmo, é mais frágil e mais vulnerável.

A Princesa Azul tornou-se uma marca, aliás. Uma personagem com vida própria que gerou uma Associação cuja vocação é ir a escolas teatralizar situações de bullying, permitindo às crianças e jovens compreender melhor o impacto destrutivo de certas palavras e atos. Através da história da Princesa Azul, dos seus amigos e inimigos, as crianças ficam mais conscientes do poder resgatador ou demolidor daquilo que dizem e fazem umas às outras. Mais uma vez a ligação entre livros de histórias e a representação destas mesmas histórias tem o múltiplo efeito de despertar para uma realidade terrível, mas também dá origem a incríveis catarses, pois nas idas às escolas a Princesa Azul tem escutado partilhas de vítimas que se revêm na história e contam aquilo que lhes aconteceu.

Estas crianças nunca partilham em público, mas aproveitam a existência de uma Princesa Azul que vem ao seu encontro, convocando o seu imaginário, mas também a sua experiência e vivências, e no segredo de um gabinete na própria escola ou segredando ao ouvido da Filipa Saragga, que encarna a inspiradora e terna personagem da Princesa Azul, contam terríveis episódios que as atormentam e até ali guardaram só para si. Sabemos bem que o medo, associado ao silêncio, provocam grandes danos na autoconfiança e na autoimagem de crianças e jovens. Danos que podem tornar-se irreparáveis se não forem detetados e tratados a tempo.

É muito impressionante assistir ao início deste processo catártico e curativo das crianças que sofrem por serem (ou terem sido) vítimas de agressão física, moral ou emocional. E é por ser tão impressionante e tão salvífico que não posso deixar de escrever também sobre este belíssimo Livro das Emoções, cheio de profundidade e realismo, mas também repleto de magia e mistério, em páginas a transbordar de ilustrações, mesmo como as crianças gostam.

Entre o livro e o Teatro LU.CA, a Associação Princesa Azul e a teatralização das histórias feita nas escolas, muita coisa pode ser processada, posta em perspetiva e renovada nas crianças, educadores e famílias. Que bom existirem estas e tantas outras boas maneiras de combater os medos das crianças.

 

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