Alunos sem Internet nem computador em casa excluídos das aulas à distância

Março 25, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias de Coimbra de 18 de março de 2020.

Um em cada cinco estudantes não tem computador em casa e por isso “dificilmente se conseguirá pedir a todos os alunos trabalhos que impliquem a necessidade de um computador”, revela um estudo realizado esta semana por Arlindo Ferreira, especialista em Estatísticas da Educação, que foi publicado na terça-feira no blog do Arlindo.

Esta é esta realidade que não escapa a quem trabalha diariamente nas escolas. Os dois presidente das associações de diretores escolares – Filinto Lima (ANDAEP) e Manuel Pereira (ANDE) – alertaram desde o início para o impacto das desigualdades sociais nas aulas à distância.

Também o representante dos pais e encarregados de educação salientou as diferenças entre famílias. “Há sempre desigualdades entre os alunos: uns têm chalés e outros têm casebres”, lamentou Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), em declarações à Lusa.

Sem computadores, há quem esteja a acompanhar as aulas pelos telemóveis ou ‘tablets’. Mas para isso é preciso Internet e nem todos a têm no lar.

No ano passado, 80,9% dos agregados familiares tinham acesso a internet em casa. Nas famílias com filhos até aos 15 anos a percentagem subia para 94,5%. Ou seja, mais de 5% dos estudantes com menos de 15 anos viviam em casas sem Internet, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O problema também atinge os alunos do ensino superior. O presidente do Sindicato Nacional de Ensino Superior (SNESup), Gonçalo Leite Velho, lembrou que “há muitos alunos que têm dificuldades de acesso à Internet”.

Os dados do INE indicam que entre os estudantes com mais de 16 anos é raro encontrar quem não tenha Internet: são 0,4%. “Basta haver um aluno para ser razão para nos preocuparmos”, defendeu recentemente em declarações à Lusa o presidente da ANDAEP, Filinto Lima.

Gonçalo Leite Velho lembrou que também há problemas nas famílias onde há equipamentos. Neste momento estão todos em casa, alguns em teletrabalho, e pode tornar-se difícil gerir quem tem prioridade no seu uso: os filhos que estão em aulas ou os pais que estão a trabalhar?

A Lusa contactou cerca de duas dezenas de famílias com filhos do pré-escolar ao ensino superior e a maioria disse ter equipamentos para todos.

Entre os pais que se aperceberam que teriam de partilhar computadores, começam a inventar-se soluções, como definir horários de uso.

“Temos dois computadores em casa, sendo que um deles é o meu que preciso para trabalhar. Se tiverem de fazer buscas será cada uma no seu horário”, contou à Lusa a mãe de duas adolescentes de escolas de Lisboa.

Trabalhar em casa com a família pode ser complicado para todos: alunos e pais. “O ambiente é muito diferente de uma escola. Há mais confusão”, alertou Gonçalo Leite Velho.

As aulas à distância exigem um conhecimento e uma técnica por parte dos professores que é muito diferente das aulas presenciais.

“Já quando estão na escola é, por vezes, difícil manterem-se concentrados, imaginemos agora em casa”, disse Gonçalo Leite Velho.

O inquérito realizado pelo professor Arlindo Ferreira mostra que 11,6% dos pais não tem disponibilidade para acompanhar o filho pelo menos uma vez por dia nos estudos.

Do lado dos adultos, trabalhar de casa também “é muito mais “difícil porque é preciso conjugar a atenção dada ao trabalho e aos filhos, lembrou o presidente do SNESup.

O docente do ensino superior lembrou que, neste momento, há muitos professores em casa, com filhos pequenos, a tentar dar aulas a outras crianças.

Apesar dos problemas já detetados, todos são unânimes em considerar que o ensino à distância é, neste momento, a melhor solução.

Link para o estudo citado na notícia:

Novas Formas de Comunicação com os EE

 

Escola Virtual gratuita para alunos e professores da Porto Editora

Março 23, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Durante esta pausa letiva forçada, os conteúdos educativos digitais da Escola Virtual estão disponíveis gratuitamente para todos os alunos e professores, do 1.º ao 12.º anos de escolaridade.

A plataforma permite criar turmas, organizar aulas, partilhar conteúdos existentes e personalizados, propor exercícios e monitorizar o trabalho dos alunos através da atribuição de tarefas.

A equipa da EV está disponível para acompanhar alunos, professores e encarregados de educação.

Os tempos exigem o melhor de nós. Juntos, vamos conseguir superar as dificuldades. Bom estudo!

Aceda aqui: https://bit.ly/2ILAhZ8

Ubbu oferece aulas de programação à distância para escolas

Março 23, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de março de 2020.

A iniciativa destina-se a todas as escolas, independentemente de já serem utilizadores da plataforma.

A Ubbu, uma plataforma portuguesa para pôr crianças a programar criada pela Academia de Código, está a disponibilizar o acesso gratuito a escolas nacionais do 1.º ao 6.º ano de escolaridade, forçadas a encerrar devido às medidas para travar a propagação da covid-19. A iniciativa destina-se a todas as escolas, independentemente de já serem utilizadores da plataforma.

“Preparámos esta solução para que os alunos que já estavam a seguir o programa não saiam prejudicadas e para que outros que tenham sido forçados a ficar em casa possam ocupar o seu tempo de forma produtiva,” explicou em comunicado João Magalhães, presidente executivo da Ubbu, no final da semana passada. “As escolas encerradas em Felgueiras já estão a receber apoio em regime remoto e foram o exemplo impulsionador desta acção”, acrescenta.

Para se inscreverem, as escolas interessadas devem preencher o formulário online. O acesso será totalmente gratuito até, pelo menos, ao próximo mês de Junho.

O conteúdo da plataforma varia consoante a idade dos utilizadores: com seis anos, por exemplo, os alunos devem completar sequências de instruções (“virar para a direita”, “recuar dois passos”, “avançar um passo”) para fazer andar carros e robôs no ecrã. Com 12, podem criar pequenos jogos ao programar aquilo que diferentes elementos do jogo devem fazer e como interagem entre si.

Cada aula tem a duração de uma hora – a ideia é que os alunos completem uma por semana. Os temas têm por base as metas de desenvolvimento sustentável da ONU, como a erradicação da pobreza e a igualdade de género.

Em 2019, a União Europeia definiu a programação como “a competência do século XXI”, com vários países. Em Portugal, a Direcção-Geral da Educação incentiva actividades de robótica e programação para os alunos do 1.º ao 9.º anos. Alguns jardins-de-infância já oferecem aulas de programação com robôs interactivos, através do Kids Media Lab, um laboratório móvel criado por uma investigadora da Universidade do Minho. Em muitas escolas, a matéria vem incluída como uma parte da disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação.

Para que o ensino em regime remoto seja facilmente adoptado, a Ubbu criou conteúdos para as escolas, pais e alunos com ferramentas e instruções especialmente dedicadas a esta realidade.

Qual a importância de uma atempada avaliação e intervenção psicopedagógica nas dificuldades de aprendizagem?

Março 20, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapolifestyle

Um estudo publicado no Jornal de Pediatrics, em 2015, refere que os alunos com dificuldades de aprendizagem tendem a manifestar os mesmos problemas durante a fase da adolescência, prejudicando o desempenho académico e o desenvolvimento emocional e comportamental, ano após ano.

Joana acaba de entrar na escola. Pela primeira vez, abrem-se-lhe as portas de uma sala de aula. Quase a completar os 6 anos, finalmente, já podia dizer que era aluna do primeiro ano. Estava feliz e motivada para aprender.

Alguns dias mais tarde, a mãe repara que a Joana revela dificuldades na aquisição de competências que parecem relativamente fáceis para as outras crianças. Para além disso, não é capaz de terminar as tarefas dentro do tempo estipulado. Aos poucos e ao longo do tempo, Joana foi perdendo a confiança e até a autoestima. Não tinha vontade de ir à escola. O que fazer para a ajudar – perguntam, preocupados, os pais? ​

Em primeiro lugar, falar com a professora e tentar identificar o problema. Mas a docente acreditava que o nível de competências da Joana era normal face ao tempo de aprendizagem. Ainda assim, os pais pediram outras opiniões e o feedback foi quase sempre o mesmo: “talvez a Joana precise de mais tempo”.

Os pais da Joana questionavam, “como é que uma menina inteligente como a Joana, que acompanha em casa com grande facilidade as longas conversas em família sobre temas diversos, mais ou menos complicados, manifesta tantas dificuldades em adquirir competências básicas de aprendizagem?” E quanto mais aprofundavam a reflexão, mais dúvidas iam surgindo. “A internet, será que oferece alguma resposta credível?” – questionam os pais, cada vez mais confusos. Será dislexia? Hiperatividade? Défice de atenção? A família equacionava todos os cenários, contudo não queriam rotular a filha com um diagnóstico e decidem esperar…

E assim a Joana continuava …. O tempo ia passando e as dificuldades eram cada vez maiores. A resistência em ir à escola crescia, falava em dores de barriga e de cabeça para ficar em casa. Chegou a dizer à mãe que, ao contrário dos colegas, era “burra”.

Se ao menos os pais conseguissem perceber, de facto, o que se passava com a Joana e obter a ajuda e o apoio de que precisa…

Esta história é fictícia, mas para muitos pais e crianças não o é, e histórias como esta são muito comuns. Alguns pais, tentam uma abordagem de “esperar para ver” na esperança que os seus filhos, de alguma forma, ultrapassem as dificuldades que estão a ter. A verdade é que cada criança tem o seu ritmo, nem todos aprendem da mesma forma e no mesmo tempo. Contudo há sinais de alerta importantes que não devem ser ignorados.

A verdade é que…

​Quanto mais cedo melhor. Um estudo publicado no Jornal de Pediatrics, em 2015, refere que os alunos com dificuldades de aprendizagem tendem a manifestar os mesmos problemas durante a fase da adolescência, prejudicando o desempenho académico e o desenvolvimento emocional e comportamental, ano após ano. O mesmo estudo revela ainda que as dificuldades de aprendizagem se refletem mais tarde, não raras vezes, em níveis de desemprego mais elevados e remunerações mais baixas, podendo originar sérios casos de depressão. ​​

Mas não tem que ser assim

Há formas de evitar, que fique claro. Um diagnóstico correto é o primeiro passo para melhorar a qualidade de vida da criança. Uma intervenção atempada, logo durante a escola primária, é fundamental na medida em que permitirá melhorar consideravelmente a capacidade de resposta da criança, sobretudo a médio e a longo prazo. Antes que as dificuldades, como as da Joana, se agravem, procure um especialista (e.g. psicólogo, psicopedagogo, neuropsicólogo). Identifique o diagnóstico. A estratégia a desenvolver, quando corretamente aplicada com antecedência em função das respetivas necessidades de cada criança, permitirá obter melhores resultados, tanto a nível escolar como a nível comportamental, ajudando a criança a tirar máximo partido do seu potencial. ​​

Uma intervenção precoce promove a saúde, o desenvolvimento e a educação através de serviços educativos, terapêuticos e sociais cujo objetivo é combater os efeitos no desenvolvimento da criança. Quanto mais cedo for implementada, maior se torna o potencial de desenvolvimento de cada criança. ​

Como pode uma intervenção atempada ajudar crianças como a Joana?

  • Ajuda a abordar as dificuldades de aprendizagem antes que elas se agudizem e levem a outras questões, nomeadamente comportamentais e emocionais;
  • Ensina competências e estratégias específicas, de modo a focar nos pontos fortes e minimizando e melhorando os pontes fracos;
  • Melhora os desempenhos e os resultados académicos;

Por outras palavras, ajuda as crianças a alcançar o seu pleno potencial como alunos.

No entanto, é essencial que cada programa de intervenção seja feito para cada criança, tendo em conta o seu perfil de aprendizagem, isto é, os seus pontos fortes e os seus pontos fracos. Para tal, torna-se essencial recorrer a um especialista, de modo a realizar uma avaliação psicopedagógica. Esta avaliação irá responder a quatro questões chave:

  • Qual o seu perfil de aprendizagem;
  • Qual o seu potencial de aprendizagem, isto é, os seus pontos fortes
  • Quais as melhores estratégias em sala de aula e em casa e qual o melhor programa de intervenção que promova o seu sucesso escolar.

Porque o importante numa avaliação, não é tanto o diagnóstico, mas sim providenciar informação importante sobre a criança, de modo a que os pais possam tomar decisões informadas sobre a aprendizagem dos seus filhos, possam garantir que têm o apoio na escola a que têm direito, possam capacitar os filhos a ter uma melhor visão de como aprendem, para que finalmente os consigam ajudar a atingir o seu pleno potencial de aprendizagem.

Escolas fechadas. Pais a trabalhar em casa desesperam com exagero de TPC

Março 20, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 18 de março de 2020.

Já não é saber como conciliar o teletrabalho com a presença dos filhos em casa: os pais agora questionam-se como trabalhar e ao mesmo tempo acompanhar as crianças com o volume “exagerado” de exercícios que os professores estão a mandar para substituir as aulas.

Gravar um vídeo diário a praticar piano, flauta ou guitarra; resmas de exercícios que ultrapassam largamente os 50 minutos de uma aula; trabalhos que os alunos estranham, como um poema sobre conteúdos de Fisico-Química; pais que recebem vários vídeos diários da professora do pré-escolar com atividades físicas e desafios, e depois devem devolver vídeos ou fotos para mostrar como as crianças praticaram… Passaram poucos dias do encerramento das escolas decretado pelo governo para combater o novo coronavírus, mas já há pais a dar em loucos. E os desabafos, em tom de desespero, nas redes sociais são prova disso – estão eles próprios a adaptar-se ao teletrabalho e sem a disponibilidade necessária para acompanhar os filhos 24 horas por dia e, ao mesmo tempo, fazerem o papel de professores.

“Para nós já é o quinto dia e começa a ficar difícil. Os trabalhos de casa, a falta de braços e de paciência. Acho que se entrou numa onda de loucura porque se está a pensar que os pais estão de férias e têm todo o tempo do mundo para acompanhar as crianças”, diz Vítor Jorge, jornalista de publicações especializadas, que está fechado em casa desde sexta-feira com os dois filhos, um rapaz de 9 anos e uma menina de 4.

“Os pais que estão em teletrabalho não estão no sofá a ver séries e filmes.”

Na segunda-feira à noite, conta, um grupo de pais entrou em contacto com a professora do filho – aluno do 3.º ano – a dizer que era importante as crianças terem algumas tarefas. “Passou-se do 8 não para 80, mas para 800. Hoje a professora deve ter feito scanner do livro e mandou fichas até ao final do ano, sem timings. Temos de ver que os tempos não são fáceis e que os pais que estão em teletrabalho não estão no sofá a ver séries e filmes.”

Crianças na idade das de Vítor exigem acompanhamento constante, ainda mais quando estão fechadas em casa, estão sempre a interromper, pedem ajuda para os exercícios. Depois há a questão logística: se antes da quarentena os pais deixavam as crianças na escola de manhã e iam buscá-las ao fim do dia, agora têm de lhes fazer o almoço, garantir que comem, dar lanches, sempre a interromper o trabalho – a adaptação é difícil.

E há a questão de pura e simplesmente não se ter conhecimento das matérias para poder ajudar os filhos – quem é da área de letras desespera com a matemática, há quem fique com os cabelos em pé com as artes plásticas. “O meu filho está no 3.º ano e alguns exercícios que ele tem de fazer são de matérias que eu só dei no 6.º ou no 7.º ano. Vejo-me obrigado a ter o computador ao lado para fazer pesquisa no Google.”

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional dos Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, reconhece que “nos primeiros dias possa ter existido algum exagero” no pedido de trabalhos aos alunos em quarentena, mas refere que os exercícios não são para hoje, não são para amanhã nem para depois de amanhã.

“Deixem a correção a cargo dos professores”

E deixa uma mensagem de tranquilidade aos encarregados de educação: “Os pais devem estar calmos, são exercícios para serem realizados durante alguns dias. Não devem ficar angustiados, trata-se de aulas, de exercícios para algumas horas. Os pais não devem esquecer-se de que quem está a ter aulas são os filhos. O pai é um coordenador, um supervisor, por isso apelo a que façam uma supervisão das tarefas diárias que as crianças têm para fazer e deixem a correção a cargo dos professores.”

Filinto Lima considera ainda que é importante que os pais estejam ao lado dos professores “para que isto corra bem”. Também acredita que esta crise é uma oportunidade para muitos reconhecerem “quão nobre é a arte de ser professor”.

Os pedidos de trabalhos chegam por via eletrónica, por WhatsApp, pelas várias plataformas, como o Inovar ou o Moodle. E isso levanta outra questão: a existência de tecnologias em casa. Se é certo que praticamente toda a gente as tem, também é verdade que quem está em teletrabalho não pode dispensar o computador aos filhos a qualquer hora.

Essa é a vertente da nova realidade escolar trazida pelo coronavírus que Leonor Santos enfatiza. “Não podem partir do princípio de que toda a gente tem computador, nem todos têm, nem têm de ter.”

Na sua casa, por exemplo, há apenas um – para Leonor trabalhar em casa e para os dois filhos, António (16 anos) e Pedro (11). Nesta terça-feira, o mais velho teve de fazer o TPC de Português antes de a mãe se sentar e iniciar o seu dia de teletrabalho. Da escola do Pedro pediram-lhe que se inscrevesse na Escola Virtual e no Google Classroom – Leonor ainda não tinha tido tempo para isso, mas o rapaz já sabia que teria de entregar trabalhos nesta quarta-feira. A questão é: como vai ser quando todos precisarem de usar o computador ao mesmo tempo?

“É uma medida que estimula a desigualdade”

Leonor faz questão de frisar que não está contra as aulas à distância depois do encerramento das escolas – o que defende é que o processo seja feito faseadamente. “Tem de se garantir que todos têm acesso, têm tecnologia, para serem autónomos.”

E isso leva-a a apontar o que considera ser o segundo problema desta questão: “É uma medida que estimula a desigualdade e a discriminação, é elitista. O elo mais fraco são sempre os mesmos.” Lembra ainda que “é preciso que os professores percebam que os pais não estão a viver a sua vida normal”. “Fui de manhã ao supermercado e passei uma hora em filas, depois tive de fazer o almoço”, o que não acontece quando está no seu local de trabalho e os filhos na escola.

O presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos entende que esta é igualmente uma oportunidade para se perceber que crianças e adultos têm de ter instrumentos e rede wi-fi nas suas casas. “É uma questão social a que o governo tem de estar atento, e as juntas de freguesia também”, diz, não deixando de referir que a maioria dos alunos do escalão A têm excelentes telemóveis.

Na casa de Vítor Jorge existem dois portáteis, mas quando o filho precisar, ou ele ou a mulher terão de parar o trabalho. Os TPC que a professora enviou por e-mail – e ainda não começaram as videoconferências – vai ainda obrigá-lo a sair de casa para imprimir as folhas de exercício porque não tem impressora. “Isto quando toda a gente está a sugerir que não se vá à rua.”

Mais matéria do que nas aulas

Desde que as escolas fecharam na segunda-feira que Alice, aluna do 9.º ano, recebe na plataforma digital Inovar os trabalhos que devem ser realizados todos os dias, como se estivesse na escola. Está a cumprir-se o horário semanal. Ela concorda que os alunos tenham de continuar a aprender, mas discorda da “quantidade exagerada de exercícios, alguns completamente despropositados”, que lhe estão a ser pedidos pelos docentes.

“Seria bom se os professores nos mandassem ler umas páginas, uma pequena parte da matéria, e mandassem perguntas de consolidação. Mas o que estão a fazer é a pedir trabalhos como se tivéssemos todo o tempo disponível para a escola. Mandam mais trabalhos do que iríamos efetivamente realizar na aula. Quarentena não são férias, mas temos de ter tempo para fazer outras coisas, tal como tínhamos quando estávamos em aulas”, diz a jovem.

Por exemplo, para a aula de Francês desta terça-feira teria de fazer dois exercícios do livro e vários outros – ouvir duas músicas e responder a questões sobre as mesmas e ainda visualizar um vídeo na internet para responder a outras três perguntas. “É óbvio que em 50 minutos de aula – e não são 50 minutos porque entre sentar e começarmos a trabalhar perdemos 15 minutos – nunca conseguiríamos fazer isto. Mesmo em casa, sem a confusão da turma, levei mais de uma hora.”

O que custa alterar rotinas

Quando os trabalhos pedidos pelos professores começaram a chegar, Inês Malhão precisou de ajudar o filho, aluno do 8.º ano, a organizar-se. Chegaram apenas exercícios de cinco disciplinas, mas dado o volume – e até porque o filho é um pouco desorganizado – teve de ser ela a pôr ordem nas coisas. “Ele estava completamente assoberbado com tanta coisa.”

A solução foi estabelecerem um horário por disciplina para que o rapaz trabalhe como se estivesse na escola que frequenta, a Padre António Vieira, em Lisboa. Inês não tem do que se queixar, considera que aquilo que está a ser pedido pelos professores é equilibrado. Ao contrário do que pensa Vítor, Leonor e a aluna Alice e tantos pais que desesperam nas redes sociais. E até o representante dos diretores de turma, que admite alguns exageros nestes primeiros dias.

A cambalhota na rotina das famílias com filhos em idade escolar ilustra bem como as vidas se alteraram de um dia para o outro. “É uma aprendizagem para as famílias, que devem encontrar estratégias para diminuir a pressão de ter as crianças em casa e estarem em teletrabalho, mas não deixa de ser difícil”, diz Cláudia Vieira, psicóloga educacional.

Aconselha, contudo, a que as famílias se organizem no sentido de estabelecer horários, porque o teletrabalho exige muita disciplina e é interrompido pelos pequenos-almoços, almoços, lanches… Mas alerta os pais que os miúdos precisam de monitorização, mas têm de ter alguma autonomia na realização dos trabalhos, tal como na escola. Outra dica é estimular a interação entre os irmãos.

A psicóloga educacional entende que, quando as crianças são obrigadas a passar tanto tempo em casa, deve-se trabalhar para o seu desenvolvimento integral e não apenas os conteúdos escolares. “É a oportunidade para, por exemplo, realizar um trabalho-projeto com a família, em várias áreas – se for sobre uma borboleta, pode ter uma abordagem de Biologia ou um poema para Português. Não estamos preparados para a flexibilidade de conteúdos.”

Esta novidade na vida das famílias, que de um dia para o outro ficaram com os filhos em casa, levou a Direção-Geral da Educação a lançar um vídeo dirigido aos encarregados de educação com dez conselhos práticos sobre como ajudar as crianças durante a suspensão das aulas presenciais.

O vídeo, com Margarida Pinto Correia, sublinha que o primeiro passo é garantir que os horários são cumpridos e a verificação de que todos os trabalhos preparados foram realizados. E incentiva os pais a participar e a ajudar a identificar dúvidas.

A Direção-Geral da Educação diz ainda que os pais devem manter o contacto com os professores e os diretores de turma porque os alunos não estão de férias. Mas também faz questão de lembrar que as crianças precisam de tempos livres e que se deve incentivar a leitura.

Em Dia Europeu da Terapia da Fala (6 de março), especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce

Março 16, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 6 de março de 2020.

O diagnóstico de perturbações da leitura e da escrita só é feito após o início do primeiro ciclo, mas os terapeutas da fala defendem que se deve estar atento aos sinais desde cedo.

Carla B. Ribeiro

Se para alguns a aprendizagem de ler e escrever faz-se quase de forma intuitiva, para outros representa um processo complexo, muitas vezes fruto de um défice na linguagem. É nesta altura que a terapia da fala pode fazer a diferença e, para chamar a atenção para a importância desta área, assinala-se esta sexta-feira, 6 de Março, o Dia Europeu da Terapia da Fala. Uma data que serve para promover o debate sobre as perturbações da leitura e da escrita que, segundo a Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala, afecta em torno de 5% da população em idade escolar.

Segundo a mesma associação, “as perturbações da leitura e escrita comprometem todo o processo de aprendizagem e interferem com o sucesso escolar da criança”, mas não só. Este tipo de quadro clínico de Perturbação Específica da Aprendizagem, que representa um desequilíbrio no neurodesenvolvimento, acaba por interferir com toda a existência da mesma que, frequentemente, apresenta “vergonha, baixa auto-estima e confiança reduzidas e pouca motivação para as aprendizagens escolares”.

Por tudo isto, a Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce, sendo este “fundamental”, sobretudo quando se percebe que a criança não consegue acompanhar o ritmo padrão da aprendizagem da leitura e da escrita. “O terapeuta da fala tem um papel preponderante na avaliação, diagnóstico diferencial e intervenção destas perturbações”, desenvolvendo “a sua intervenção em colaboração com os educadores e professores, outros profissionais de saúde e as famílias”, explica o mesmo organismo.

O diagnóstico de perturbações da leitura e da escrita só é feito após o início do primeiro ciclo. No entanto, os terapeutas da fala apontam para sinais que podem ser de alerta e que, quando identificados, poderão justificar uma avaliação ainda antes daquela fase. Entre os sinais estão o atraso na aquisição da linguagem oral, que não se refere à emissão de sons nem à reprodução de palavras, mas à verbalização, sendo expectável que uma criança até aos cinco anos consiga articular frases completas. Nesta idade, a dificuldade na produção dos sons, que resulta na persistência do “falar à bebé”, é outro sinal a que pais e educadores devem estar atentos.

Perceber de que forma se processa a memória também pode ajudar a um entendimento das dificuldades das crianças. Isto torna-se evidente, por exemplo, quando se observa dificuldade em aprender os nomes de cores, de pessoas, de objectos, de lugares, levando os petizes a substituir os mesmos por expressões como “isto”, “aquilo”, “a coisa que serve para”… As canções e as lengalengas também podem ajudar a perceber de que forma a criança consegue captar e registar a informação.

Já na escola, o aluno irá revelar “dificuldade em perceber que as frases são formadas por palavras e que as palavras se podem segmentar em sílabas”, facto que, quando observado, deverá servir de alerta ao professor. Outros problemas podem passar por não conseguir associar as letras aos seus sons, por ler muito devagar e sem expressividade, não entender problemas matemáticos, revelando dificuldade na interpretação, ou dar muitos erros na escrita e de forma constante. E se a criança se recusar a fazer tarefas relacionadas com a leitura e a escrita, isso não significa que seja preguiça. Aliás, sublinha a associação, raramente o é.

Actualmente é dado o diagnóstico de Perturbação Específica da Aprendizagem com défice na leitura e/ou na expressão escrita, ao que se classificava antes como:

  •  Perturbação da Leitura e da Escrita, com consequente de atraso/dificuldades em diferentes componentes da linguagem ou perturbação específica da linguagem;
  •  Dislexia, a perturbação do neurodesenvolvimento multifactorial caracterizada por um défice no processamento fonológico e na memória de trabalho verbal (componentes da linguagem) apesar do nível cognitivo adequado e da condição educativa;
  • Disortografia, perturbação que envolve a organização e codificação da escrita, apresentando-se os textos mal estruturados e verificando-se inúmeros erros ortográficos;
  • Disgrafia, alteração funcional no ato motor da escrita, que afecta a qualidade da escrita, sendo a caligrafia bastante irregular no traçado e na forma das letras.

Fonte: Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala

Mais de 100 mil alunos já estão sem aulas por causa do novo coronavírus

Março 10, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de março de 2020.

Escolas e instituições de ensino superior estão a apertar as medidas para prevenir um contágio ainda mais alargado do vírus que já foi diagnosticado em 39 portugueses.

Em pouco mais de 24 horas, dezenas de instituições de ensino de Norte a Sul do país anunciaram medidas mais apertadas para tentar conter um surto ainda mais abrangente do novo coronavírus (covid-19). Estas acções, algumas ainda sem prazo para terminarem, vão deixar mais de 100 mil alunos sem aulas e impedir o seu acesso a edifícios escolares.

O Conselho Nacional de Escolas Médicas decidiu fechar as portas de todas as faculdades de medicina do país, medida que afecta mais de 12 mil estudantes. A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto já tinha anunciado que todos os seus estudantes estavam interditados de circular no edifício do Hospital de São João. As instalações partilhadas do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto vão permanecer encerradas até 20 de Março.

Também na região do Porto, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico fechou por tempo indeterminado “todas as instalações onde decorrem aulas”, incluindo Amarante e Penafiel, no distrito do Porto, além de Felgueiras e Lousada.

Esta segunda-feira foi também anunciado que a Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU), que gere o Instituto Universitário de Ciências da Saúde, em Gandra, no distrito do Porto, e o Instituto Politécnico de Saúde do Norte (que integra a Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, em Vila Nova de Famalicão, e a Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa, também em Gandra, ia suspender todas as aulas e encerrar a maior parte dos seus espaços.

A Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP) avançou que ia suspender “todas as actividades de ensino clínico/estágio” dos cursos e por tempo indeterminado. O ISCE Douro foi outras das instituições da região Norte a rever a sua actividade lectiva durante as próximas duas semanas. “Entre hoje e até ao próximo dia 23 de Março, o nosso Instituto, irá apenas ministrar aulas à distância (bem como as respectivas tutorias), suspendendo as aulas presenciais”, referiu a instituição em comunicado.

No distrito de Vila Real, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, decidiu suspender eventos e actividades desportivas da responsabilidade da academia, bem como as deslocações em serviço para países afectados pelo surto de covid-19.

Na Universidade do Minho, cerca de 90 estudantes estão em quarentena profiláctica voluntária nas residências da academia em Braga, por terem estado em contacto com um aluno infectado com o novo coronavírus. Além disso, esta instituição anunciou esta segunda-feira à noite “a suspensão das actividades lectivas presenciais em toda a universidade”.

Também no distrito de Braga, o Instituto de Estudos Superiores de Fafe fechou as instalações e suspendeu actividades presenciais pelo menos por duas semanas, por razões preventivas, numa medida que abrange 900 alunos.

A par com outras instituições de ensino, a Universidade de Coimbra (com pelo menos 22 mil alunos) também vai suspender todas as aulas. Já a Universidade Nova de Lisboa anunciou medidas mais apertadas para conter um possível surto, entre estas suspender reuniões científicas públicas com mais de 50 pessoas e com participantes provenientes do estrangeiro, adiar eventos públicos não científicos no perímetro da universidade e ainda reduzir a frequência de pessoas em cantinas e residências “ao mínimo possível”.

A Universidade de Lisboa avançou com uma série de medidas para “contenção da propagação do vírus”, entre estas a suspensão das actividades lectivas presenciais e das bibliotecas, salas de estudo e dos refeitórios. Além disso, e segundo anunciou a instituição com 59 mil alunos em comunicado, “as actividades físicas e desportivas, realizadas nas instalações do Estádio Universitário e das escolas, são suspensas, nomeadamente as que decorram em recintos fechados, ou mantidas com restrições”.

Também a Universidade dos Açores (com pólos em São Miguel, Terceira e Faial) decidiu adiar por “tempo indeterminado ou cancelar” os “congressos, workshops, seminários ou outros eventos públicos científicos ou culturais” em espaços da instituição. A academia proibiu a entrada nas residências universitárias a qualquer pessoa que se desloque para o arquipélago proveniente de outros países e regiões sem que tenha cumprido um período de quarentena.

Este domingo, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) anunciou que todas as escolas dos dois concelhos portugueses mais afectados pela covid-19, Lousada e Felgueiras, no distrito do Porto, seriam encerradas.

Na Amadora, duas escolas estarão fechadas até 20 de Março. A decisão foi tomada depois de terem sido identificados dois novos casos de infecção: um na Escola Secundária da Amadora (ESA) e outro na Escola Básica 2,3 Roque Gameiro.

Em Portimão, no distrito de Faro, dois estabelecimentos de ensino estão fechados: a Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, onde uma aluna foi diagnosticada com covid-19, e a Escola Básica Professor José Buisel, onde lecciona a mãe da aluna doente, também infectada.

A Direcção-Geral de Saúde (DGS) confirmou que existem 39 pessoas infectadas com o novo coronavírus em Portugal e que 339 casos suspeitos aguardam os resultados laboratoriais.

Covid-19: Pais e escolas querem anular viagens de alunos sem serem prejudicados

Março 9, 2020 às 5:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 3 de março de 2020.

Muitas escolas estão com a tentar anular as viagens de estudo por causa do perigo de contágio do novo coronavírus, mas estão com dificuldades em reaver o dinheiro já pago, revelou a associação de diretores escolares.

Lisboa, 03 mar 2020 (Lusa) – “Na última semana notou-se que muitas escolas começaram a querer recuar nas viagens marcadas. Não é que as pessoas e as escolas estejam em pânico, mas as famílias preferem precaver-se e desmarcar ou adiar estes passeios”, disse à Lusa Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

Segundo Filinto Lima, este movimento começou depois de os serviços do Ministério da Educação e o primeiro-ministro terem aconselhado a avaliar as viagens para o estrangeiro, e agravou-se com o conhecimento público dos primeiros casos do novo coronavírus em Portugal.

No caso das viagens marcadas para daqui a alguns meses, a resolução do problema parece estar a ser simples, mas o mesmo não acontece para os que tinham planos para as férias da Páscoa, contou Filinto Lima.

Com os voos e estadas marcados para o final do mês, as agências de viagem recusam-se a devolver o dinheiro pago, explicando que neste momento já não conseguem ser ressarcidos.

“Neste momento, estas situações passam-se um pouco por todo o país”, disse Filinto Lima.

Segundo a informação enviada por uma agência de viagens a uma escola, o dinheiro não podia ser devolvido porque a reserva com companhia aérea já estava liquidada e esta não faz devoluções.

Só seria possível recuperar o dinheiro se se tratasse de um destino interdito, desaconselhado pela Organização Mundial de Saúde ou pelo Governo, segundo a explicação da agência de viagens a que a Lusa teve acesso.

Quanto à estada, a agência de viagens disse que o hotel também não faz reembolsos “devido ao ‘timing’ da anulação, a menos de 30 dias do ‘check-in’”.

A agência explicou que só conseguiria reembolsar os clientes se houvesse uma declaração em como o destino da viagem era uma região afetada, o que permitiria anular legalmente o passeio e ativar o seguro.

Para o representante dos pais e encarregados de educação, Jorge Ascensão, a solução poderia passar precisamente pela intervenção das entidades oficiais, que deviam emitir uma recomendação a desaconselhar as viagens.

“Também não queremos que as agências saiam prejudicadas”, afirmou à Lusa Jorge Ascensão, presidente da Confederação Nacional de Associação de Pais (Confap).

“Penso que estamos perante uma situação de interesse nacional e internacional e, nesse sentido, a tal declaração das autoridades poderia fazer a diferença”, disse Jorge Ascensão, sublinhando que a ideia não é proibir viagens mas desaconselhar.

Por outro lado, o representante dos pais defendeu que “também as agências de viagens deveriam ter aqui um papel em nome da prevenção da saúde pública”, referindo que “está aqui em causa uma despesa que não foi efetuada: não houve viagens de avião nem estadias em hotéis”.

Também Jorge Ascensão lamentou que os alertas e recomendações feitos pelas autoridades de saúde e serviços de Educação “caiam em saco roto” quando não há medidas práticas que permitam aos pais tomar decisões sem serem prejudicados.

O surto de Covid-19, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou mais de 3.100 mortos e infetou mais de 90 mil pessoas em cerca de 70 países e territórios, incluindo duas em Portugal.

Das pessoas infetadas, cerca de 48 mil recuperaram, segundo autoridades de saúde de vários países.

Além de 2.943 mortos na China, onde o surto foi detetado em dezembro, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América, San Marino e Filipinas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional de risco “muito elevado”.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou na segunda-feira os dois primeiros casos de infeção em Portugal, um homem de 60 anos e outro de 33, internados em hospitais do Porto.

Um tripulante português de um navio de cruzeiros está hospitalizado no Japão com confirmação de infeção.

SIM // HB

Lusa/Fim

China lança aulas virtuais para milhões de estudantes

Março 9, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 9 de março de 2020.

Funcionários das empresas têm sessões de teletrabalho e alunos têm aulas através da Internet, uma vez que a maioria ainda não consegue voltar às grandes cidades chinesas.

O governo chinês lançou aulas virtuais para milhares de estudantes, o que representa a maior experiência online da história da China, numa tentativa de voltar à normalidade face ao surto do novo coronavírus, avança o jornal El Confidencial. Funcionários de empresas também têm sessões de teletrabalho, uma vez que continuam sem poder voltar às cidades onde trabalham.

Apesar de 200 milhões de crianças, adolescentes e pais ainda não saberem quando vão reabrir escolas e instituições de ensino, os alunos continuam a estudar em casa através de aulas virtuais, que têm início às 8h, avança o jornal. Alunos do ensino primário têm aulas de caligrafia, matemática e educação física até cerca das 20h. Já as aulas do ensino secundário têm acesso a uma plataforma online com mais de 169 aulas virtuais constantemente atualizadas, que podem ser consultadas por 50 milhões de estudantes em simultâneo.

Segundo o El Confidencial, esta medida revelou o enorme fosso digital entre gerações nas áreas rurais e urbanas da China. Muitos alunos vivem em pequenas cidades com os avós — ou são deixados ao seu cuidado enquanto os pais vão trabalhar — o que dificulta a aprendizagem, uma vez que as gerações mais velhas na China têm pouco acesso a novas tecnologias e, por isso, não têm capacidade para auxiliar o estudo das crianças.

A descida do número de casos de coronavírus na China nos últimos dois dias já levou algumas pessoas a voltar aos seus postos de trabalho, mas as medidas de controlo mantém-se: à entrada, mede-se a temperatura a todos os funcionários; é proibida a utilização de elevadores por mais de duas pessoas ao mesmo tempo, e aconselha-se que seja mantida uma distância considerável durante as refeições.

Tem filhos a estudar? Veja o plano que o Governo enviou às escolas para combater o Covid-19

Março 6, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 5 de março de 2020.

Isabel Leiria

Recomendações apontam para a existência de áreas de isolamento, desinfeção e controlo da febre. Há ainda conselhos para o comportamento social e para quem vem de viagem

Tal como todo as empresas públicas, também as escolas têm de ter os seus planos de contingência para o COVID-19 definidos até ao início da próxima semana. Esta quinta-feira, o Ministério da Educação deu uma ajuda enviando um conjunto de orientações específicas para estabelecimentos de ensino. As medidas passam pela definição de uma estrutura de comando e responsabilidades, práticas a tomar por quem vem do estrangeiro e ações a realizar no caso de confirmação de um caso positivo na comunidade escolar.

A nota da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE) foi enviada 24 horas depois de terem sido suspensas as atividades no primeiro estabelecimento de ensino em Portugal (neste caso, uma escola superior do Politécnico do Porto, a Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo) e no dia em que os primeiros alunos (seis turmas ao todo), professores e funcionários de duas escolas de um agrupamento na Amadora foram colocados em isolamento profilático. A medida foi determinada depois de uma professora de Físico-Química ter regressado de Itália e ter testado positivo para o novo coronavírus.

As medidas que têm de ser contempladas não são substancialmente diferentes das que já tinham sido emanadas pela Direção-Geral da Saúde para as empresas e até mesmo de algumas indicações recebidas em 2009, aquando o surto de gripe A, nomeadamente a necessidade de existirem salas de isolamento.

No caso de deslocações ao estrangeiro – e foram muitos os que aproveitaram a pausa de Carnaval e que se preparam para viajar na Páscoa -, a orientação mantém-se: prudência e ponderação. Mas não há interdições oficiais nem necessidade de isolamento. Mesmo para os que voltaram recentemente de países identificados como de risco para a infeção pelo Covid-19 (Itália, China, Coreia do Sul, Singapura, Japão ou Irão), a ideia não é que deixem de ir à escola se não apresentarem quaisquer sintomas de doença.

Evitar cumprimentos com contacto físico

No entanto, lembra a DGESTE, é preciso que quem regressa de zonas de risco ou tenha estado em contacto “próximo e direto” com pessoas nessa situação monitorize, durante 14 dias, o seu estado de saúde. Deve medir a temperatura corporal duas vezes ao dia e estar atento a sintomas como tosse ou dificuldades respiratórias. Deve ainda “evitar cumprimentos sociais com contacto físico”.

As medidas de prevenção diária são aquelas que todos já devem ter: lavar frequentemente as mãos, usar lenços de papel para assoar e deitá-los logo fora, tossir ou espirrar para o braço e não para as mãos, evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos sujas ou contaminadas com secreções respiratórias.

As escolas também têm de ter uma área de isolamento, do conhecimento de todos, para onde irá qualquer aluno, professor ou funcionário que apresente sinais e sintomas de Covid-19. “Quem o acompanhe até à sala deve cumprir as precauções básicas de controlo de infeção quanto à higiene das mãos.”

Caso se confirme o caso suspeito, iniciam-se todos os procedimentos de limpeza e desinfeção necessários, em particular de todos os locais, materiais, equipamentos com maior probabilidade de estarem contaminados.

A linha SNS 24 continua a ser o primeiro contacto a fazer para que possa avaliar e decidir os procedimentos subsequentes. Todas estas orientações podem ser lidas no site da DGESTE e também da Direção-Geral da Saúde.

Orientações às Escolas para a elaboração do Plano de Contingência

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