Greve climática: “O espaço público passou a incluir os mais jovens que, não podendo votar, têm muito a dizer”

Maio 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista do Público e da Rádio Renascença a Alice Gato e Gil Ubaldo no dia 23 de maio d3 2019.

Pedem justiça climática e a atenção dos governantes. Alice Gato e Gil Ubaldo, dois dos organizadores da Greve Climática Estudantil em Portugal, esperam ver os jovens nas ruas de 51 localidades já esta sexta-feira.

Ana Maria Henriques e Eunice Lourenço (Renascença)

Alice Gato e Gil Ubaldo conheceram-se a propósito da Greve Climática Estudantil, que mobilizou protestos de perto de 20 mil jovens portugueses a 15 de Março. A estudante do 12.º ano no Liceu Camões e o aluno de Ciência Política e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa são dois dos organizadores das manifestações estudantis em Portugal. Esta sexta-feira, 24 de Maio, há novo desafio lançado aos jovens: sair à rua para mostrar que a luta pela justiça climática continua. São os convidados da Hora da Verdade, um programa de parceria entre o PÚBLICO e a Renascença, que pode ouvir hoje às 13h.

A 15 de Março, data da primeira greve climática estudantil, estima-se que entre 1,4 a 1,6 milhões de pessoas se tenham manifestado, em todo o mundo, para mostrar que é preciso tomar uma posição quanto às alterações climáticas. Foi apenas o início de uma luta ou a mobilização está mais difícil?
Alice Gato (A.G.) – O 15 de Março foi o início de uma luta e o 24 de Maio é para demonstrar que não nos vamos embora até essa luta ter alguma resposta. A mobilização depende muito também da conjunção política que está a acontecer à nossa volta.

Para esta sexta-feira está marcada nova greve. Esperam uma adesão semelhante?
Gil Ubaldo (G.U.): Nunca podemos saber bem o que esperar. Na última manifestação esperávamos menos de mil pessoas e tivemos quase 10 mil só em Lisboa. Esperamos bater os números de 15 de Março.
A.G. – E até temos mais localidades a manifestarem-se.

Quantas?
A.G. – Penso que são 51.

E como é que vocês se organizam a nível nacional?
A.G. – Há um grupo nacional com o qual as pessoas de todas de regiões têm contacto nas reuniões semanais: falamos com as pessoas das escolas, ficamos com o contacto delas e tentamos que o máximo número de pessoas que queira ajudar o consigam fazer.

Os mais jovens são muitas vezes acusados de algum desinteresse face à vida pública e ao futuro. Mas este movimento internacional, o #SchoolStrike4Climate, tem provado que vocês afinal estão preocupados com o futuro do planeta.
G.U. – Há uma grande dualidade entre pessoas que não querem saber e pessoas que realmente estão empenhadas em ter uma acção directa contra este caminho. Mas o que temos vindo a verificar é que, ao ocupar o espaço público, as pessoas têm ganho interesse. O espaço público passou a incluir os estudantes e os jovens que, mesmo não podendo votar, têm muito a dizer.

Já alguma vez sentiram que não estavam a ser levados a sério por serem demasiado jovens?
A.G. – Depende do público com quem estamos a falar. Muita gente diz que já estamos perdidos, há cépticos das alterações climáticas, como sabemos, mas, no fundo, as pessoas até têm um certo respeito. Quando procuram conhecer o nosso trabalho, acabam por admirar que nós tenhamos esta garra.
G.U. – Também há quem diga: “Uau, incrível, estes jovens têm garra.” Mas olham para isso de uma maneira quase paternalista e vêem-nos como os putos que estão na idade de serem rebeldes e agir contra o sistema.
A.G. – Ou então como os mandriões que não querem fazer nada…
G.U. – Para sermos rebeldes e agirmos contra o sistema, temos de começar na juventude. Temos reivindicações sérias e vamos sair à rua para mostrar isso até ao fim.

“Ninguém é demasiado pequeno para fazer a diferença.” Acreditam nas palavras de Greta Thunberg, que dão título ao livro que a sueca editou recentemente?
A.G. – Nós até temos crianças da primária a irem às nossas manifestações. E há um grande envolvimento dos professores e dos pais, com o Teachers for Future e o Parents for Future.

A greve também é vista só como uma desculpa para faltar às aulas. Sentem esse discurso?
G.U. – É um dos argumentos que nos atiram à cara diariamente.

E quem é que o faz? Os professores, os pais, os outros colegas?
A.G. – Mais pessoas que não têm nada para fazer e querem ter visibilidade só por criticar.
G.U. – Sim, é verdade, nós faltamos às aulas. A greve estimula muita gente a ter uma acção diária. Faltar às aulas é o menor do nosso problema. Não vale a pena estarmos a ir a uma aula, quando o nosso sistema de ensino não nos incentiva a agir por aquilo que nós acreditamos. É um confronto directo que tem de se fazer.

As faltas vão ser injustificadas.
G.U. – É greve.
A.G. – Há quem diga que não tem faltas para dar, mas só houve mais uma greve e essas pessoas andaram a faltar durante o ano inteiro. Faltem por uma causa maior. Usamos o termo greve de forma simbólica, é greve por extensão: o que é esta falta comparada com o nosso futuro? Relativamente a testes, os alunos devem pedir aos professores que não os marquem nesses dias e alertá-los para o facto de isto não ser só um problema nosso. Isto também os afecta.

Tiveram o apoio dos professores, na greve anterior e nesta?
A.G. – Depende de professor para professor. Falei disso em todas as minhas disciplinas, os meus colegas já não me podem ouvir falar mais sobre isto.

O ministro do Ambiente já disse que a declaração de emergência climática seria apenas um “gesto simbólico”, sem efeitos práticos. O que é que vocês têm para lhe responder?
A.G. – A verdade é que a emergência climática só foi declarada, recentemente, pelo Reino Unido e pela Irlanda. Em Portugal isso nunca aconteceu e não faz muito sentido dizer: “Eles já declararam emergência climática, mas não aconteceu nada.” Isto não é de um dia para o outro. Estamos a reconhecer que, de facto, vivemos perante uma emergência, que são precisas acções e soluções eficientes e drásticas para este problema.

E que acções drásticas devem ser essas?
G.U. – Termos 100% de energias renováveis até 2030 — e não até 2050 —, a proibição da exploração de energias fósseis em Portugal e o cancelamento de todas as concessões existentes, o encerramento das centrais termoeléctricas de Sines e do Pego, que ainda são movidas a carvão.
A.G. – E uma requalificação das pessoas que lá trabalham para empregos pró-clima, sustentáveis.
G.U. – A nossa luta é transversal e, enquanto lutamos pelo clima, não podemos deixar para trás a luta laboral. Além disso, reivindicamos o melhoramento eficaz da rede de transportes públicos, de modo a reduzir o uso do transporte particular.

Recentemente tiveram a declaração de apoio de 32 organizações da sociedade civil. Continuam a ser um movimento apartidário?
A.G.  Continuamos a ser apartidários. É óbvio que há partidos que se identificam mais com os nossos objectivos do que outros, mas não somos nós que os vamos excluir à partida. Quem não se identifica com o nosso movimento exclui-se a si próprio. Queremos que toda a gente perceba que isto é um problema que vai além de questões partidárias. É como a Greta diz: “Nós não conseguimos mudar o clima sem mudar o sistema.”

E já receberam propostas de apoios financeiros de alguma organização ou entidade?
A.G. – Que eu saiba, não. Onde é que elas estão?

Então como é que vocês se financiam?
G.U. – Por nós próprios.
A.G. – Compramos algumas coisas, pedimos aos nossos avós. Há organizações que já têm os seus materiais e nos emprestam. Pedimos uma carrinha aos Precários Inflexíveis e megafones ao Climáximo, por exemplo.
G.U. – O resto é muito orgânico.

Vídeo da entrevista no link:

https://rr.sapo.pt/video/206663/depois-da-greve-estudantil-ha-greve-geral-pelo-clima-a-27-de-setembro?jwsource=cl

Móveis para hiperativos. Escola desenvolve projeto inovador para ajudar alunos

Maio 21, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da RTP de 28 de abril de 2019.

A Escola Básica de Freixo, em Ponte de Lima, tem a decorrer um projeto para ajudar alunos hiperativos durante as aulas.Há três anos que desenvolvem um programa inovador com uma mesa e uma prancha.
Os resultados provam que os níveis de concentração e de aprendizagem melhoraram.

visualizar o vídeo da notícia no link:

http://www.rtp.pt/noticias/pais/moveis-para-hiperativos-escola-desenvolve-projeto-inovador-para-ajudar-alunos_v1144133?fbclid=IwAR2o3hv0eT4EnThIyST8cbybTxwsRZk2aqPby6WzXB5dso5FCab1Dcu0rmg

 

100 coisas que os alunos vão perder se não tiverem um bibliotecário na sua escola

Maio 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

100 cosas que los niños se perderán si no tienen un bibliotecario escolar en su colegio

Depressão na adolescência: quando o fundo do poço começa cedo

Maio 16, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do DN Life de 6 de maio de 2019.

Está associada a dificuldades nas relações interpessoais, comportamentos agressivos, quebras no desempenho académico e aumento do consumo de álcool e drogas. A depressão na adolescência é um problema grave, que provoca elevada mortalidade. Geralmente por suicídio.

Texto de Joana Capucho

Não se lembra quando surgiram os primeiros sintomas de ansiedade, mas terá sido ainda na escola primária, quando começou a ser vítima de bullying por ser considerada “betinha”. “Era muito certinha, tímida e tinha poucos amigos”. Embora não fosse “muito agressivo”, era o suficiente para lhe “causar desequilíbrios psicológicos”. Com a morte do pai, no final de 2016, Luísa (nome fictício) entrou num estado de “tristeza constante”. “Havia sempre qualquer coisa que me puxava para baixo. Faltava sempre alguma coisa. Sentia que ninguém me percebia. A ira também não ajudava. E tudo isso levou ao isolamento”, conta a adolescente de 16 anos.

Luísa tinha “ataques de ansiedade e de pânico com frequência, insónias constantes, mais baixos do que altos”. Sentia um vazio enorme, embora “a cabeça estivesse cheia de coisas”. Desenhava e escrevia, porque as folhas a “percebiam melhor do que os seres humanos”. Tornou-se mais distraída, o que se refletiu nos resultados escolares. Com o desânimo, pensava desistir de viver. “Tinha pensamentos suicidas. Sentia e pensava tudo, mas nunca cheguei a fazer nada.” Há um ano e meio, foi diagnosticada com depressão e ansiedade e está neste momento a receber acompanhamento psicológico e psiquiátrico. “Continuo bastante ansiosa. A depressão está mais fraca, mas continua aqui. Há dias em que vou mesmo ao fundo do poço e tenho pensamentos muito maus, mas já não são tão frequentes.”

Não são conhecidos dados nacionais, mas várias investigações indicam que a depressão afeta um número considerável de adolescentes e que tem vindo a aumentar nesta faixa etária. De acordo com um estudo da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, realizado no ano letivo 2017/2018, um em cada quatro alunos do 7.º ao 12.º ano apresenta sintomas de depressão. José Carlos Santos, enfermeiro especialista em saúde mental, diz que 26% dos 6.100 alunos que responderam aos questionários manifestaram sintomatologia depressiva de moderada a grave.

O estudo foi realizado no âmbito do programa +Contigo, que desde 2009 se dedica à promoção da saúde mental e à prevenção de comportamentos suicidários nas escolas de todo o país, com maior incidência na região Centro. Segundo o coordenador da investigação, a percentagem de adolescentes com sintomas depressivos situava-se entre os 15 e os 20% quando o projeto começou. Não tem uma explicação objetiva para o aumento registado nos últimos anos, mas aponta algumas hipóteses. “As equipas dizem que são sobretudo questões de índole familiar: problemas de comunicação e desorganização do sistema familiar”.

Nos últimos anos, a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos tem vindo a aperceber-se de “um aumento dos estados depressivos na adolescência”, muitas vezes diagnosticados “erradamente como hiperatividade, pois, no início da adolescência, podem mostrar a capa de hiperatividade ou agitação psicomotora e não se manifestar com os sinais” típicos da depressão, nomeadamente “tristeza, apatia, falta de motivação, ideias pessimistas”. Segundo a especialista, as depressões juvenis “aparecem com tentativas de suicídio, jovens que se cortam, com dificuldades de aprendizagem, desmotivação para a escola”.

São também cada vez mais frequentes “os casos de adolescentes da linha depressiva”, ou seja, oriundos de famílias com baixos níveis de serotonina – o neurotransmissor responsável por regular o humor e os estados mentais.

Diana Quintas, 25 anos, sabe o que é fazer parte dessa linha. “Há um grande estigma, ainda, relativamente à depressão, à necessidade de acompanhamento psicológico. É uma doença. É um desequilíbrio de químicos no cérebro e é para tal que precisamos de medicação. E é também uma doença hereditária. O meu pai sofre de depressão e é medicado há bastante tempo. Da mesma forma que há diabéticos que precisam de tomar insulina, eu e o meu pai precisamos, por agora, de tomar antidepressivos.”

Diana teve os primeiros sintomas depressivos aos 19 anos, depois de ter trocado de área no ensino secundário, o que a obrigou a ficar mais dois anos na mesma escola. “Há um sentimento de revolta, de tristeza, de desespero. Há um buraco, uma nuvem escura e parece não haver forma de sair de lá”. Aos 20, começou a estudar Direito. Estava no curso que queria, mas começou a “adquirir comportamentos obsessivos como forma de lidar com a ansiedade e com todo o trabalho” que o curso exigia.

Com a morte do avô, tudo se agravou. Surgiram os problemas para dormir e a falta de apetite. “Tomava café e comia chocolates para me manter acordada e para ingerir calorias.” Começou a afastar-se dos que a rodeavam, ao ponto de se isolar “de tudo e de todos”. No verão do ano passado, “chorava todos os dias, estava constantemente cansada, continuava sem conseguir comer”. Quando recebeu o diagnóstico de depressão, sentiu-se aliviada. “Finalmente, há explicação” para o que a atormenta há anos.

A perda é uma das situações que pode causar depressão na adolescência. “Pode ser de um familiar, mas também de um animal de estimação”, diz o enfermeiro José Carlos Santos, destacando que as roturas afetivas também são muito relevantes. Definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o período entre os 10 e os 19 anos de idade, a adolescência é “a fase das sensações, muito da componente afetiva e pouco da cognitiva. O desenvolvimento neuronal – no córtex transfrontal– atinge maturidade por volta dos 24 anos de idade”. Desta forma, “não podemos exigir que os adolescentes tenham um pensamento de um adulto, se não têm estrutura a nível cerebral para o poder fazer”.

Os sentimentos de tristeza fazem parte da adolescência – tal como da idade adulta. Mário Cordeiro diz que “é difícil definir o que é ‘depressão’, ou onde acaba a sensação de ‘estar na fossa’ e começa a verdadeira crise depressiva”. Provavelmente, refere o pediatra, “não há limites e uma será a continuação da outra”. Mas enquanto a tristeza é passageira, a depressão instala-se e afeta a forma como a pessoa se relaciona consigo e com os outros.

Pode ser difícil perceber quando começa a depressão, pelo que há alguns sinais aos quais os pais devem estar atentos, como “a sensação de desespero e abandono, de que o futuro só traz coisas desagradáveis, de não conseguir fazer nada com sucesso”. Não raras vezes, a doença está também associada a uma sensação “de cansaço seguido, durante dias e dias”, a problemas de sono, dores de cabeça ou abdominais sem causa aparente, perda de apetite e de peso ou o contrário.

Além da morte e da separação, Mário Cordeiro refere outros fatores que podem estar por detrás dos quadros depressivos, nomeadamente “a sensação de insegurança quanto a si próprio, separação ou divórcio dos pais, os conflitos familiares, a incapacidade de responder às solicitações do dia-a-dia, a depressão num dos pais, as doenças graves, o alcoolismo ou o consumo de drogas, os problemas com os amigos ou na escola”.

Quando ocorrem vários destes fatores ao mesmo tempo, “pode ser impossível aguentá-los: a depressão aparece e avoluma-se e o jovem debate-se, inclusivamente, com a questão de saber se vale a pena continuar a viver”. Por isso, alerta, “num adolescente, um estado depressivo franco nunca deve ser considerado uma ‘coisa natural’”.

À escala global, o suicídio é a terceira causa de morte na faixa etária entre os 15 e os 24 anos. José Carlos Santos fala numa taxa de suicídio de quatro em cada cem mil habitantes. Não existem dados sobre os comportamentos autolesivos – cortes ou toma de medicamentos sem ideação suicida ativa – mas estima-se que “por cada suicídio haja 100 a 120” ações deste tipo. “É um problema com uma dimensão grande”.

Luísa sofreu em silêncio até ao dia em que um artista que admirava se suicidou. “Os pensamentos maus que tinha triplicaram”. Quando a mãe lhe perguntou o que se passava, teve “um ataque de choro” e contou-lhe o que a atormentava há meses. E foi depois disso que procurou ajuda médica. Diana também contou com o apoio da família: “Dizem que é uma doença silenciosa. Até certo ponto, é, mas os meus pais viram, a minha irmã e o meu cunhado viram, o meu namorado viu. E foram eles que me deram a mão e me ajudaram”.

Mas nem sempre é assim. Ana Vasconcelos diz que “a depressão passa muitas vezes despercebida, sobretudo porque, neste momento, os adultos julgam mais do que tentam compreender”. Segundo a pedopsiquiatra, “muitas vezes, os sintomas da depressão incomodam os adultos, porque os adolescentes são mal educados, impulsivos, muito argumentativos e, por vezes, falta-lhes a capacidade de empatia”. Comportamentos disruptivos e desajustados que podem ser mal julgados.

Os estudos sobre a depressão revelam que quem sofre mais com a doença é o sexo feminino. De acordo com uma investigação recente da Faculdade de Medicina do Porto, a prevalência de sintomas depressivos nas raparigas aos 13 anos é duas vezes mais elevada do que nos rapazes da mesma idade. Segundo o estudo, 18,8% das raparigas sofrem de sintomas depressivos aos 13 anos, enquanto nos rapazes a percentagem é de 7,6%.

“Todos os estudos apontam para uma maior vulnerabilidade nas raparigas e para mais comportamentos de risco nos rapazes”, indica José Carlos Santos. O especialista em saúde mental diz que, perante um problema, os rapazes “tendem a uma maior externalização” e a manifestar mais consumos, nomeadamente de álcool e drogas, enquanto nas raparigas “há mais uma ruminação e uma maior internalização do problema”.

No Reino Unido, as redes sociais têm vindo a ser acusadas de instigar a depressão e o suicídio. Em janeiro, o secretário de Estado para a Saúde britânico, Matt Hancock, alertou os responsáveis por estas plataformas para a necessidade de apertar a malha aos conteúdos que induzem estes comportamentos. Uma chamada de atenção que surgiu depois o pai de uma jovem de 14 anos que se suicidou em 2017 ter afirmado publicamente que as redes sociais contribuíram para a morte da filha.

A questão é antiga e tem vindo a ser alvo de alguns estudos: será que os adolescentes que usam mais as redes sociais e os videojogos ficam mais deprimidos? “O grande risco nas investigações é o facto de as duas coisas acontecerem ao mesmo tempo, o que não quer dizer que as duas tenham que estar associadas ou que uma é causadora da outra”, diz o psicólogo clínico João Faria.

Na opinião do coordenador do Núcleo de Intervenção no Uso da Internet e das Telecomunicações do Pin [Centro de Desenvolvimento Multidisciplinar], as redes são “meios que podem potenciar” sentimentos negativos, mas não será correto relacionar “experiências menos positivas nestas plataformas ou nos videojogos com o aparecimento de sintomas depressivos”. Para o psicólogo, estes estão associados sobretudo aos “desafios que se colocam às novas gerações”, que muitas vezes “não sabem o que desejam em relação ao futuro e sentem-se perdidas”.

Em alguns casos de depressão, as redes sociais servem até para os jovens conversarem com outros, o que pode proporcionar algum alívio do sofrimento. Tal como as artes. Segundo a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos, para muitos jovens “a criatividade é uma saída para estados depressivos”. “Há adolescentes com depressões graves que escrevem livros, poemas, pintam”.

Oito sinais aos quais os pais devem estar atentos:

  • Tristeza permanente e choro fácil
  • Irritabilidade e frustração
  • Isolamento social
  • Sentimentos de culpa e de incompreensão por parte dos outros
  • Não conseguir dormir bem durante muitas noites seguidas
  • Sensação de cansaço seguido, durante dias e dias
  • Dores de cabeça ou no corpo sem razões aparentes
  • Ideias ou comportamentos suicidas, bem como autolesivos

O estudo mencionado no texto é o seguinte:

Prevenção de comportamentos suicidários: contributos da investigação

 

Alemanha prepara-se para penalizar pais que não vacinem

Maio 15, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 5 de maio de 2019.

Multas de até 2500 euros e expulsão de infantários para quem não cumpra as vacinas obrigatórias. Ministro diz que quer erradicar o sarampo.

O Governo alemão quer penalizar pais que não vacinem os filhos contra o sarampo com multas de até 2500 euros.

A proposta do ministro da Saúde, Jens Spahn, explicada ao semanário Bild am Sonntag, implica a expulsão de quaisquer crianças não vacinadas de infantários e, no caso de crianças mais velhas que não podem ser expulsas da escola primária (porque a frequência é obrigatória), multas aos pais até 2500 euros.

A importância da vacinação das crianças nos infantários deve-se ao facto de muitas vezes estes terem “bebés com menos de dez meses que não têm idade para ser vacinados e por isso correm maior risco”, disse Spahn.

A taxa de vacinação estimada na Alemanha é de 93%, segundo o instituto Robert Koch, quando a recomendada é de 95%.

Também está prevista a vacinação obrigatória para profissionais de saúde.

“Quero erradicar o sarampo”, declarou simplesmente Spahn.

Espera-se que a proposta seja aprovada e entre em vigor em Março de 2020, diz a emissora alemã Deutsche Welle.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem alertado para um ressurgimento de surtos de sarampo em todo o mundo. No ano passado, morreram 136 mil pessoas em todo o mundo, e o número de infectados subiu 50% comparado com o ano anterior.

 

 

Como posso eu apoiar a escolaridade dos meus filhos?

Maio 6, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Lourdes Mata publicado no Público de dia 29 de abril de 2019.

Todos os pais* desejam que os seus filhos gostem da escola, trabalhem, se esforcem, aprendam, passem de ano e ganhem competências que lhes permitam ser bem-sucedidos nas suas vidas pessoais e profissionais. Todos querem o melhor para os seus filhos e também conseguir contribuir da melhor forma para esse sucesso. No entanto, os múltiplos constrangimentos diários que sobrecarregam o quotidiano não são sempre fáceis de ultrapassar. Tudo isto pode levar a um maior distanciamento e até a assumirem que a responsabilidade de ensinar é da escola e dos professores e que eles pouco podem fazer.

Sabe-se hoje em dia que a participação e envolvimento das famílias na educação e no apoio à escolaridade é altamente benéfico para as crianças e jovens e pode mesmo fazer a diferença no seu desenvolvimento ao nível académico e profissional. A educação é uma responsabilidade partilhada entre profissionais e famílias, em que cada um tem um papel específico, não sendo os pais ‘ajudantes’ dos professores, nem estando estes sozinhos na responsabilidade de ensinar e promover o sucesso dos alunos. É nesta especificidade de papéis que se baseiam as parcerias entre profissionais e famílias, onde não têm todos que fazer o mesmo nem assumir as mesmas responsabilidades.

Assim, a participação dos pais vai muito além do apoio às tarefas escolares, do estudarem com os filhos, de ensinarem uma matéria que não foi percebida ou de estarem presentes nas reuniões. Esta vertente da participação, direcionada para a monitorização da escolaridade, passa pelo criar condições para o estudo, organizar rotinas ajustadas com equilíbrio entre momentos de trabalho e de lazer, pela comunicação com a escola, manterem-se informados e colaborarem no que for necessário. Contudo, o papel dos pais vai além em aspetos e momentos mais informais, onde se assumem como centrais tanto a comunicação com os filhos, como a valorização do saber numa perspetiva social e cultural.

No que se refere à comunicação com os filhos, é essencial o interesse que os pais demonstram pelo trabalho, esforço, aprendizagens e saberes destes. As conversas informais sobre as conquistas, as dificuldades, as novidades e as vitórias devem fazer parte das vivências quotidianas sem serem sentidas como rotineiras. Estes momentos podem permitir identificar não só problemas que de outro modo não seriam visíveis, mas também apoiar e monitorizar o processo de aprendizagem e criar relações mais sólidas. Não podem ser momentos conflituosos nem sentidos pelos filhos como de controlo — devem ser momentos de partilha e, para isso, é necessário haver confiança, não se sentir julgado nem que se está a defraudar expetativas. Tem assim de existir uma disponibilidade pessoal e um interesse genuíno que, com a pressão e ritmo do dia-a-dia, muitas vezes nos esquecemos de mostrar, mas que felizmente não precisa de horário ou formalismo e que pode ocorrer tanto à hora da refeição como ao deitar, num percurso casa-escola ou simplesmente num momento em que estamos ali, juntos. Só temos de o descobrir e aproveitar!

Importante também é a valorização do saber: isto envolve a participação em eventos culturais e sociais, aproveitando as infraestruturas, recursos e oportunidades existentes à nossa volta. Muitas estruturas comunitárias, como as bibliotecas municipais, associações recreativas e/ou culturais, museus ou associações desportivas, desenvolvem ações disponibilizando ocasiões não só de convívio, mas para um tempo de lazer de qualidade e que podem ter um impacto positivo na educação das crianças e dos jovens. Muitas vezes focamo-nos demasiado nas aprendizagens e conteúdos escolares, esquecendo-nos de que eles só fazem sentido se estiverem ligados à vida, se fizerem sentido para quem os aprende. Neste aspeto, a família desempenha um papel crucial, devendo aproveitar sempre que possível para partilhar e diversificar saberes.

Assim, da próxima vez que for com os seus filhos a um espetáculo, a um concerto, a uma exposição ou a outra iniciativa cultural, não se esqueça o quão importante ela pode ser e de que modo pode ser uma mais-valia, um elemento importante para o seu crescimento. Sinta-se bem, partilhem esse momento e esteja certo de que esteve a apoiá-los na sua escolaridade.

O termo “pais” será usado em sentido lato, referindo-se ao responsável legal ou a um familiar ou outra pessoa que acompanhe a criança/jovem e tenha um papel significativo na sua vida.

Professora auxiliar do ISPA – Instituto Universitário

 

 

Eu parti o telemóvel

Maio 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Carmo machado  publicado na Visão de 15 de abril de 2019.

Muitos dos nossos alunos estão na escola porque é obrigatório. Não têm escapatória. Podem tirar-lhes tudo, dentro da escola, e eles não reagirão. Tentem tirar-lhes o telemóvel e virá a mãe e o pai e a tia a exigir a sua devolução imediata. Preparem-se até para ser agredidos, se necessário for. Por favor, mas não lhe tirem o telemóvel! Se têm dúvidas, tentem!

Nunca imaginei fazer esta afirmação. Hoje, porém, após muita reflexão e em plena interrupção letiva de Páscoa, assumo que sonho com uma escola sem internet e com alunos sem telemóveis. Pronto, já disse. Hesitei várias vezes antes de escrever isto mas, por vezes, as decisões são como os precipícios. A gente atira-se por ali a baixo e deixa de haver lugar para arrependimento…

Ando há vários meses a observar os alunos dentro e fora das aulas, sobretudo nos intervalos. Sofrem, quase todos, de nomofobia (fobia causada pelo desconforto ou angústia resultante da incapacidade de acesso à comunicação através de aparelhos celulares ou computadores). De facto, assim que dá o toque de saída, os alunos na sua maioria limitam-se a ligar o telemóvel e ali ficam, presos ao ecrã. Antes, saíam para os pátios, iam à sala de convívio, jogavam, cantavam, namoravam, sei lá… Agora, limitam-se simplesmente a olhar para o ecrã do telemóvel, que para eles parece ser tão importante como os seus próprios pulmões. Passei há dias por um corredor onde estavam, sem exagero absolutamente nenhum, mais de quinze alunos solitários – como se de ilhas se tratassem – agarrados ao ecrã. Falo de uma escola. De um espaço de socialização por excelência. De descoberta. De partilha. De confronto. Mas não! Aquilo que observo diariamente (e garanto-vos que estou atenta) é preocupante. Os alunos passeiam pela escola de telemóvel na mão e auscultadores nos ouvidos. Julgo mesmo que nada do que ali se passa lhes interessa. Muitos dos nossos alunos, especialmente nos cursos profissionais (experiência própria), estão na escola porque é obrigatório. Não têm escapatória. Podem tirar-lhes tudo, dentro da escola, e eles não reagirão. Tentem tirar-lhes o telemóvel e virá a mãe e o pai e a tia a exigir a sua devolução imediata. Preparem-se até para ser agredidos, se necessário for. Por favor, mas não lhe tirem o telemóvel! Se têm dúvidas, tentem!

A internet veio para ficar e eu própria, tanto na minha vida pessoal como profissional, já não saberia viver sem ela. Porém, analiso as horas que literalmente perco, agarrada aos motores de pesquisa, e tenho dias em que quase me esqueço de abrir um livro. Quando isto acontece, sinto-me culpada e prometo a mim própria controlar o tempo gasto com o uso da tecnologia. Chego a ter vontade de partir o telemóvel… Mas até que ponto isto acontece com as nossas crianças e os nossos jovens, que dele fazem uma utilização livre na maior parte das vezes, sem qualquer controlo parental?

Dentro da sala, utilizo cada vez menos a internet. Infelizmente, quando esta me é necessária, ou não está disponível ou os equipamentos (quase obsoletos) não funcionam. Já me preocupei mais, confesso! Quando isto acontece (quase sempre), a alternativa encontrada para colmatar a falta da ligação à rede acaba por revelar-se muito mais criativa e interativa. É nestas situações que a verdadeira comunicação acontece, a partilha de ideias ocorre e a aprendizagem se desenvolve. Talvez por isto tenha andado a pesquisar o fenómeno Waldorf.

O colégio Waldorf, localizado na Califórnia, foi criado em 1984 por pais e encarregados de educação preocupados com a necessidade de a escola ensinar numa perspetiva global, holística, ajudando os alunos no seu desenvolvimento como indivíduos totais, em termos cognitivos mas também emocionais e motivacionais. Aspeto importante: nesta escola não há computadores. E, interessante analisar porquê, é exatamente para esta escola privada que muitos cérebros de Silicon Valley (funcionários da Google, da Apple e de outras empresas de ponta) enviam os seus filhos. Esta nova tendência – a desconexão – pode ser o futuro do ensino. Voltar às raízes, à essência, à valorização dos sentidos, das emoções, dos espaços, dos afetos…

As escolas estão equipadas com computadores mas o uso que deles se faz nem sempre é produtivo. O computador é apenas uma ferramenta, como muitas outras. E, de facto, como afirma um pai de um aluno a frequentar Waldorf, aquele que só tem um martelo acha que todos os problemas são pregos. Por outro lado, o uso permanente do telemóvel com ligação à internet (entrando os alunos em absoluto estado de nervos quando não têm ligação à rede ou quando esgotam o seu pacote de dados) é a forma mais consistente de distração, de ocupação dos tempos livres e de socialização destas novas gerações.

Sonho com uma escola desconetada. Com alunos sem telemóvel. Com professores capazes de dar uma boa aula sem a bengala da tecnologia. Lembram-se? O luxo, numa escola de futuro, passará por cada aluno possuir uma árvore e estar desligado da internet.

 

Unicef: 175 milhões de crianças não estão matriculadas no ensino pré-escolar

Abril 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 9 de abril de 2019.

Relatório destaca falta de investimento pela maioria dos governos; nos países de baixo rendimento apenas uma em cada cinco crianças frequenta o infantário; nível de pobreza e de educação de progenitores são alguns dos fatores.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, informou que cerca de metade das crianças em idade pré-escolar, em todo o mundo, não frequentam a escola. O número equivale a mais de 175 milhões de meninos e meninas.

O primeiro relatório global da agência dedicado à educação pré-escolar destaca a falta de investimento pela maioria dos governos em todo o mundo neste ciclo de ensino.

Disparidades

Para o Unicef, esta realidade representa uma perda de oportunidade agravando as desigualdades desde o início da vida.

De acordo com a nova publicação, a situação é mais grave nos países de baixo rendimento onde apenas uma em cada cinco crianças está matriculada no ensino pré-escolar.

Em comunicado, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, destaca que o ensino pré-escolar é a base educacional das crianças e que “cada etapa da educação que se segue depende do seu sucesso”. A representante adianta que “essa oportunidade é negada a muitas crianças”, aumentando o risco de abandono escolar.

O relatório revela também que as crianças que tenham frequentado, pelo menos, um ano da educação pré-escolar têm maior probabilidade de desenvolver as competências necessárias para terem sucesso escolar.

Para além disso, estes menores de idade são menos propensos perder o ano ou a abandonar a escola e, portanto, mais capazes de contribuir para sociedades e economias pacíficas e prósperas quando atingirem a idade adulta.

Fatores

Ainda segundo as conclusões deste relatório, o nível de rendimento familiar, o nível de educação dos pais e a localização geográfica estão entre os principais fatores para o acesso ao ensino pré-escolar. No entanto, segundo o Unicef, a pobreza é o fator determinante.

Em relação à pobreza, o relatório demonstra que em 64 países, as crianças mais pobres têm sete vezes menos probabilidades do que as crianças das famílias mais ricas de participar em programas de educação na primeira infância.

Em alguns países, a divisão entre ricos e pobres é ainda mais significativa. Por exemplo, as crianças dos agregados familiares mais ricos da República da Macedónia do Norte têm 50 vezes mais probabilidade de frequentar a educação pré-escolar do que as dos agregados mais pobres.

Os conflitos também são um fator preponderante. Mais de dois terços das crianças em idade pré-escolar que vivem em 33 países afetados por conflitos ou desastres não estão matriculados em programas de educação na primeira infância.

Benefícios

No entanto, estas são as crianças para as quais a educação pré-escolar pode ter grandes benefícios. A educação pré-escolar ajuda as crianças pequenas afetadas por crises a superar traumas vivenciados, dando-lhes uma estrutura, um lugar seguro para aprender e brincar e uma forma de expressar as suas emoções.

O nível de instrução dos pais também influencia em todos os países com dados disponíveis, crianças nascidas de mães que concluíram o ensino médio ou mais têm quase cinco vezes mais probabilidade de frequentar um programa de educação na primeira infância do que crianças cujas mães concluíram apenas o ensino de base ou não têm qualquer educação formal.

Investimento

Em 2017, uma média de 6,6% dos orçamentos nacionais para a educação eram globalmente dedicados à educação pré-escolar, com quase 40% dos países, com dados, alocando menos de 2% dos seus orçamentos para esse subsector.

Para o Unicef, esta falta de investimento mundial na educação pré-primária afeta negativamente a qualidade dos serviços. Por isso, Fiore alerta que “se os governos de hoje querem que a sua força de trabalho seja competitiva na economia de amanhã, precisam começar com a educação desde cedo.”

O Unicef apela aos governos que garantam o acesso universal a pelo menos um ano de educação pré-primária de qualidade e a transformem numa parte habitual da educação de todas as crianças, especialmente das mais vulneráveis e excluídas. Para tal, o Unicef estima que será necessário que os governos comprometam pelo menos 10% dos seus orçamentos nacionais de educação para a primeira infância.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

A World Ready to Learn: Prioritizing quality early childhood education

 

O (novo) trabalho infantil – Eduardo Sá

Abril 23, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Eduardo Sá publicado no Observador de 1 de abril de 2019.

Será razoável que haja crianças que comecem a trabalhar às 8 e terminem de trabalhar às 8, todos os dias? Será sensato que não ponderemos as consequências deste novo trabalho infantil?

Foi a escola que fez com que o futuro das crianças fosse, para elas todas, mais justo. E foi porque a obrigatoriedade da escola retirou as crianças do trabalho e as devolveu ao seu direito de serem crianças, do qual não se afasta o direito a aprenderem, que todos aceitámos que o trabalho infantil é um atentado ao seu desenvolvimento e passámos a reprimir e a castigar quem com ele pretendia afastar crianças do seu direito à infância.

Deixámos — há muito, felizmente — a perspetiva das crianças como elementos contributivos para a economia da família e parecemos ter, agora por outros motivos, crianças a contribuírem para uma ideia de infância onde volta a não se ter tempo para se ser criança. Como se pouco importasse a forma como elas repartem o seu tempo entre o trabalho e os tempos livres. E fosse pouco relevante que os tempos das aulas parecessem expandir-se para cima dos recreios, engolindo-lhes tempo de convívio, de correria, de algazarra e de brincar. Ou que os ateliês de tempos livres se tenham transformado em locais onde elas realizam os “trabalhos de casa” (numa mesma perspetiva mecânica, como se ninguém se incomodasse pelo facto de eles serem mais escola fora da escola). E que os centros de explicações proliferassem intensamente (como se o facto de a escola não as ensinar a aprender nem as ensinar a estudar exigisse que as crianças tivessem mais escola a propósito da escola). E que — a pretexto duma actividade desportiva, da formação musical ou de atividades lúdicas — houvesse muitas mais a terem outras escolas a concorrerem, em grau de exigência e em ânsia de protagonismo, com a própria escola.

Porque a escola é demasiado séria e demasiado preciosa, em nome da salvaguarda do seu desenvolvimento saudável, as crianças foram protegidas do trabalho infantil com o auxílio da própria escola. Mas, entretanto, pelas consequências da forma como ela tem sido interpretada, a escola tem comprometido a infância. E tem transformado, através de atividades escolares em exagero, o direito à infância num novo tipo de trabalho infantil.

Começa, pois, a ser urgente que se acerte onde termina a escola, como direito inalienável das crianças a aprenderem, sem que comprometam o seu direito a serem crianças, e onde começa a escola como novo trabalho infantil. Deverão as crianças trabalhar mais do que cinco horas diárias, em função do seu desenvolvimento, sem que deixem de ter duas horas de tempo livre, todos os dias? Será razoável que haja crianças que comecem a trabalhar às 8 e terminem de trabalhar às 8, todos os dias? Será sensato que, em nome de um futuro melhor, não ponderemos as consequências que este novo trabalho infantil traz a tantas crianças que, do mesmo modo que muitas outras viram comprometido o seu futuro pelo trabalho que lhes roubou a infância, estarão, em nome do futuro, a fazer com que a escola possa comprometer o seu? Serão crianças mais informadas à custa do tempo que tiramos à infância — e sem espaço para “a escola da vida”, e para o brincarem, e para (pelo menos) terem direito aos aspetos felizes que os seus pais reconhecem nas suas próprias infâncias, sem que os procurem replicar nas dos seus filhos — as crianças que elas merecem ser?

Por via duma ideia de escola que não distingue os limites do direito a aprender dos limites do dever de as proteger do trabalho infantil, será mais trabalho e menos infância melhor futuro? E não se passa tudo isto num mundo que considera o trabalho infantil um atentado ao desenvolvimento das crianças e reprime e castiga quem com ele pretendia afastar crianças do seu direito à infância? Afinal, o que é que é legítimo desejar? É simples: menos escola, melhor escola e mais infância!

*Eduardo Sá é psicólogo clínico e psicanalista. Este texto foi publicado originalmente em eduardosa.com

 

Crianças de escola de Famalicão estudam de manhã e brincam à tarde

Abril 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 14 de março de 2019.

Componente letiva inicia-se pelas 08:30 e termina pelas 13:30, “para deixar espaço para a brincadeira”, explica o município.

As crianças da escola do 1.º ciclo de Requião, em Vila Nova de Famalicão, trabalham de manhã e brincam à tarde, num projeto educativo implementado este ano letivo e cujo balanço “é positivo”, anunciou esta quinta-feira o município.

Em comunicado, o município refere que componente letiva se inicia pelas 08:30 e termina pelas 13:30, “para deixar espaço para a brincadeira”.

“A tarde fica reservada para as atividades de enriquecimento curricular (AEC) e para a sala de estudo ministrada pelas professoras, com salvaguarda do inglês para os 3.º e 4.º anos que, sendo de tarde, integra a componente letiva”, acrescenta.

Segundo o município, a alteração do horário foi implementada este ano letivo depois de comunidade educativa, direção da escola, junta de freguesia e associação de pais, com o apoio da Câmara, terem sentido a necessidade de criar um “projeto diferenciador” naquele contexto específico, proporcionando às crianças novos estímulos.

“Para já o balanço é positivo, com as crianças mais motivadas, professores e encarregados de educação satisfeitos e com a comunidade mais interligada com o processo educativo”, refere ainda o comunicado.

Assim, as manhãs na escola de Requião são de estudo e as tardes “de muita brincadeira”, com atividades geridas pelos pais.

As atividades selecionadas são a dança, o teatro, o andebol, as artes e o inglês para os 1.º e 2.º anos.

“Os parceiros e as atividades extracurriculares são escolhidos pela comunidade, procurando garantir variedade e qualidade no processo”, lê-se no comunicado.

O projeto educativo da Escola de Requião vai receber esta sexta-feira a visita do presidente da Câmara de Famalicão, Paulo Cunha, no âmbito do roteiro da inovação.

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