SOS: Dicas para sobreviver aos exames

Julho 7, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle de 3 de julho de 2020.

Aproxima-se uma data fundamental para ti enquanto estudante. Os exames nacionais refletem o culminar de vários anos de esforço, dedicação e empenho na tua vida académica, ao mesmo tempo que te abrem portas para o futuro que idealizas.

Nesta reta final, a sensação de que algo extremamente importante se avizinha, faz-se acompanhar da antecipação de vários cenários. A pressão é cada vez maior e alguns pensamentos, que facilmente captam a tua atenção, parecem “falar mais alto”.

Podem estar relacionados com a possibilidade de insucesso e consequências futuras, com as dúvidas acerca da tua competência e de capacidade de preparação (“não consigo, vou ter má nota”; “vai sair a matéria que não sei…”; “E se não tiver média suficiente?”).

Estes pensamentos tornam-se tão intensos ao ponto do teu corpo começar a reagir. O coração palpita fortemente, os músculos ficam tensos, surgem tremores, suores frios, a respiração acelera, fica difícil adormecer, perdes o apetite … Neste momento, pareces enfrentar uma missão impossível.

Por um lado, sentes a necessidade de estudar e de te preparar, por outro lado isso torna-se uma tarefa árdua, à luz da inquietação que não te permite concentrar e envolver eficazmente no estudo, bloqueando as tuas respostas e recursos.

Estes pensamentos e sensações que vão “escoltando” o teu dia-a-dia culminam na designada ansiedade.

Mas afinal, o que é ansiedade (desempenho)? É uma defesa do nosso organismo que ajuda a preparar e a antecipar algo que é importante e no qual queremos ser bem-sucedidos. Ao lutares neste momento pela tua satisfação e realização pessoal e profissional, é natural que a mente te acompanhe neste caminho, desempenhando a sua função que é alertar para os possíveis “perigos” e “ameaças” aos teus objetivos.

A intenção é boa… mas pode tornar-se difícil não te apegares demasiado a esta vozinha que te confronta com a ameaça de um cenário adverso e indesejável.

Por isso, para estes dias que antecedem os exames deixamos-te algumas notas importantes:

  1. A ansiedade não é um inimigo.É uma mensagem que tem a intenção de te ajudar a preparar para este período importante, estimulando e motivando-te para a ação responsabilizada. O que será que acontecia se não sentisses ansiedade? Provavelmente seria muito mais difícil conseguires mobilizar-te para o estudo e para seres bem-sucedido.

É possível que a tua atenção, concentração, capacidade de planeamento e organização não estivessem “no seu melhor”. Neste sentido, pode ser útil identificares os pensamentos e sensações corporais que se manifestam quando estás ansioso, recordando-te que esse estado pode ser um aliado ao teu desempenho.

Parece contraintuitivo. Habitualmente a vontade é “expulsá-la”, mas já reparaste que eliminar toda a ansiedade pode ser um desafio desgastante e interminável? Tarefa que até pode ter o efeito contrário, ampliando/aumentando-a, ao ponto de interferir negativamente com o desempenho?

A alternativa consiste em estares disponível para sentir algum desconforto, deixando que “coexista” contigo enquanto parte do teu percurso académico. No dia-a-dia, podes ir notando onde sentes esse desconforto (sensação/pensamento) no teu corpo e tirar uns minutos (o tempo que decidires) para lhe dares atenção (“sentir o desconforto” sem o evitar ou fazer algo para que desapareça). Para isso, poderá ajudar escolheres um ambiente confortável e fechares os olhos enquanto notas essas sensações.

  1. Não estás sozinho.A época de exames é transversal aos estudantes. A maioria também se depara com pensamentos desafiantes e sensações desconfortáveis, que dificultam esta fase. É uma reação natural a este marco da trajetória académica. Pode ser útil encontrares algum reconforto ao partilhares as tuas preocupações e inquietações.
  2. Os pensamentos não são factos.Já reparaste que a maioria dos teus pensamentos se reportam ou ao passado (relembrar experiências/memórias) ou ao futuro (antecipação de momentos/previsões)? A mente tem esta habilidade de navegar rapidamente pela linha do tempo.

Os pensamentos acerca do futuro ou do passado levam-te a sentir esses episódios tal como se estivessem a acontecer no “aqui e agora”. Já reparaste? Por exemplo, quando a tua mente bombardeia a possibilidade de não seres bem-sucedido no exame, o teu corpo reage como se efetivamente isso estivesse a acontecer agora ou fosse acontecer sem sombra de dúvidas. Ficas nervoso, agitado, inquieto… por vezes até triste e desiludido. Nesses momentos é importante recordares-te que os pensamentos não são factos, nem verdades absolutas.

A mente não é perita no futuro, as previsões são apenas o reflexo de receios e não determinam o que vai acontecer. A alternativa é “descolares” dos pensamentos, não ficando apegado a eles. Para isso, o primeiro passo é conseguires identificá-los para que te posiciones como “observador” (p.e., “a minha cabeça está a dizer que…”).

Pode ser útil olhares para os pensamentos como carros que passam numa autoestrada. Cada um tem a sua direção e propósito (p.e., proteger-te e alertar-te para possíveis ameaças). Aparecem, seguem o seu caminho e desaparecem. Uns mais velozes que outros. Tal como alguns pensamentos, que persistem mais no tempo.

  1. O filme do passado.Uma das armadilhas da mente é trazer para o momento pensamentos “não autorizados” de experiências anteriores de insucesso, querendo “fazer-te ver como é possível que desta vez também possa não correr tão bem”.

Nestas situações, pode ser útil alargar essa visão, relembrando que efetivamente os exames nacionais simbolizam a tua superação ao longo destes anos. Essa é a razão de teres chegado até aqui.

  1. Ancorar.Não encarrilar no “filme que a mente conta” é o ideal, mas nem sempre é tarefa fácil. Por vezes, quando dás por ti já estás demasiado ativado pelas suas “provocações”. Nesse momento, pode ser útil recorreres a exercícios que te ajudam a centrar no presente.

Um desses exercícios pode ser focares a tua atenção na respiração, ou utilizares os sentidos para notares 5 coisas que estão a acontecer à tua volta.

  1. Prazos a encurtar, o tempo a passar e a matéria por estudar.Podem haver momentos em que te sentes frustrado, irritado ou culpado por “não estares a cumprir o que era suposto ou porque devias estar a fazer mais e melhor”. Às vezes é duro estar na própria pele porque a vozinha crítica e exigente é constante e repetitiva.

Por isso, é bom relembrar que estás a fazer o melhor que podes e consegues. Os dias parecem montanhas russas e lidar com o turbilhão de pensamentos e sentimentos também é um desafio diário. Compreendemos muitas vezes o que os outros sentem, mas parece mais difícil fazê-lo connosco.

O que dirias a um amigo que partilhasse uma fase exigente? Pode ser útil dirigires-te a ti com a mesma gentileza, encorajamento e empatia como a alguém que estivesse a passar por um momento semelhante.

  1. E tu?.Embora atravesses um momento significativo é importante recordares-te que não te resumes a ele. É benéfico disponibilizares algum tempo para tarefas prazerosas e relaxantes (p.e., exercício físico), sem que a culpa te consuma, bem como manteres rotinas de sono e de alimentação. Afinal, estes momentos são fonte de reorganização e recuperação de energia.
  2. Quando é extremamente difícil.Se este momento está de facto a ser demasiado exigente de gerir, pode ser benéfico e útil recorreres a ajuda especializada. É preciso coragem para pedir ajuda. Não é sinal de fraqueza, demonstra que te preocupas e queres cuidar de ti.

E durante o exame?

Após toda a dedicação, páginas lidas e relidas, matéria decorada e compreendida, é provável que chegado o grande momento a tua cabeça comece a “falar” e questione o que és capaz de fazer.

Deixando-te cada vez mais inquieto, com o coração a palpitar, as mãos a suar, o nó na garganta… E, o que mais querias era poder concentrar-te, estares calmo e “despejar” tudo o que sabes.

Para te ajudar nesse momento deixamos-te algumas dicas:

Recorda-te que a ansiedade é um aliado que possibilita um estado alerta de concentração e atenção, potenciando os teus recursos. Ao quereres afastá-la assim que a “avistas”, pode tornar-se mais intensa, o que não é o ideal.

Mantêm-te no momento presente. Antes do exame ou quando te deparas com uma pergunta mais difícil, à qual não tens a resposta imediata, a tua mente pode começar a voar para o planeta do futuro (p.e., “vou ter má nota”; “não vou saber responder a isto”) ou do passado (p.e., “vai-me acontecer o mesmo que da outra vez”), por isso o objetivo é trazê-la para o planeta do presente para poderes responder no teu melhor.

Há pequenos e simples exercícios que podes fazer, alguns são tão discretos que ninguém vai notar. Experimenta aqueles com que te sentires mais confortável.

– Presta atenção à tua respiração. Inspira e expira várias vezes de forma intencional, sentindo o ar frio a entrar e o ar quente a sair…

– Concentra-te nos sons à tua volta (observa os mais intensos, os mais altos, os mais distantes).

– Sente a cadeira a dar suporte ao teu corpo, os pés suportados pelo chão…

Assim que te sentires preparado, inicia ou “regressa” ao exame, lendo cada pergunta calmamente. Estes exercícios podem tornar-se mais eficazes se os experienciares ao longo dos dias que antecedem os exames. Uma boa estratégia para ires ganhando confiança pode ser começar por perguntas mais simples.

Agora, que estás mais preparado para acolher a tua ansiedade… vai em frente. És capaz, boa sorte!

De facto, para os estudantes a ansiedade aos testes e aos exames é inevitável, uma constante na vivência académica. Certos níveis de ansiedade são desejáveis, mas para alguns torna-se demasiado excessivo e intenso, interferindo negativamente com o desempenho.

Reconhecê-la é o ponto de partida… a ansiedade acompanha momentos importantes, por isso aprender a geri-la será um recurso vital ao longo da vida.

Texto: Rita Nogueira, Psicóloga Clínica

9 mitos associados às dificuldades de aprendizagem

Julho 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

9 mitos associados às dificuldades de aprendizagem

Existem vários mitos associados às Dificuldades de Aprendizagem Específicas:

  • uma criança com dificuldades de aprendizagem tem uma inteligência mais baixa?
  • Uma criança que escreve os números de baixo para cima tem dislexia?
  • Só os rapazes têm dislexia?
  • Uma criança com dificuldades de aprendizagem não pode ter boas notas?

Estes mitos dificultam muitas vezes o diagnóstico destas dificuldades na criança e, por conseguinte, o início da sua intervenção terapêutica.

Juntámos alguns dos mitos e perguntas mais frequentes relativamente a este assunto, com o intuito de ajudar pais, professores e todos quantos têm de intervir em crianças com Dificuldades de Aprendizagem.

1.AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS SÃO SINÓNIMO DE BAIXA INTELIGÊNCIA

Errado.

Pelo contrário, estudos feitos ao longo da última década demonstram que alunos com Dificuldades de Aprendizagem Específicas têm uma inteligência dentro da média ou mesmo acima da média. O que acontece é que estes alunos apresentam desempenhos abaixo do que seria de esperar tendo em conta o seu perfil cognitivo, em uma ou em mais áreas específicas.

2.TENHO QUE ESPERAR ATÉ AO FINAL DO 2º ANO DO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO PARA O MEU FILHO FAZER UMA AVALIAÇÃO EM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS

Errado.

Embora um diagnóstico de Dificuldade de Aprendizagem Específica só deva ser formalmente fechado após dois anos de escolaridade formal, não significa que o seu filho não possa ter sinais de alerta antes disso. Nesse caso, deverá ser avaliado e apoiado através de intervenção terapêutica o mais cedo possível. Quanto mais cedo a criança iniciar o processo de intervenção, mais sucesso esta terá.

3.O MEU FILHO ESCREVE A MAIORIA DAS LETRAS E DOS NÚMEROS DE BAIXO PARA CIMA, LOGO, ELE TEM UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

Errado.

É comum, tanto no ensino pré-escolar como no início da escolarização, as crianças terem dificuldade em escrever as letras e os números, frequentemente escrevendo em “espelho”, da direita para a esquerda ou de baixo para cima. A maior parte das crianças vai corrigindo estes erros à medida que vai sendo exposta à aprendizagem das letras, da leitura e da escrita. Apenas situações em que não sejam capazes de ultrapassar este tipo de erros sozinhas, poderão ser indicadoras de alguma dificuldade mais específica.

4.AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS TÊM CURA

Errado.

As Dificuldades de Aprendizagem Específicas não têm cura, uma vez que resultam de uma disfunção neurológica de carácter permanente. Não são, por isso, uma doença que possa ser curada. No entanto, atualmente já existem diversas estratégias e métodos de intervenção psicopedagógicos que podem ser utilizados em crianças com Dificuldades de Aprendizagem Específica, de forma a ajudá-las a ultrapassar ou a minorar as suas dificuldades. Quanto mais precoce for a implementação destas estratégias, maior a probabilidade dos resultados alcançados serem melhores.

5.NÃO É POSSÍVEL TER SUCESSO ESCOLAR E PROFISSIONAL QUANDO SE TEM UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

Errado.

São vários os exemplos de pessoas bem-sucedidas profissionalmente e que têm diagnósticos de Dificuldades de Aprendizagem Específicas (e.g., Dislexia), tais como: Beethoven, Walt Disney, Bill Gates ou Tom Cruise. Quanto mais precocemente o diagnóstico for feito e, por consequência, mais cedo se der início à intervenção, maior a probabilidade de sucesso da criança, quer académica, quer profissionalmente.

6.SÓ OS RAPAZES É QUE TÊM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS

Errado.

Apesar de os rapazes serem mais vezes referenciados pelos professores, não existem diferenças significativas entre rapazes e raparigas. O que sucede é que os rapazes são frequentemente diagnosticados mais cedo, geralmente devido a causas comportamentais, uma vez que parecem apresentar maior dificuldade em gerir a frustração nas situações em que as suas dificuldades específicas se tornam mais evidentes.

7.O MEU FILHO TEM UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA, POR ISSO NUNCA VAI TER BOAS NOTAS

Errado.

Se o seu filho for apoiado através de uma intervenção específica e intensiva, de forma a colmatar as dificuldades causadas pela Dificuldade de Aprendizagem Específica diagnosticada, e se a esta se associar motivação e esforço, bem como suporte dos vários agentes educativos, então estão reunidas todas as condições para que o seu filho seja bem-sucedido, quer académica, quer profissionalmente.

8.SÓ UM MÉDICO PODE DIAGNOSTICAR UMA DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

Errado.

As Dificuldades de Aprendizagem Específicas não podem ser encaradas como um problema médico, nem podem ser diagnosticadas por um médico, uma vez que estes não têm conhecimentos de avaliação da leitura, da escrita e do cálculo. Para além disso, não existe medicação que cure as Dificuldades de Aprendizagem Específicas.

9.AS ADEQUAÇÕES CURRICULARES PARA AS CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS SÃO UMA INJUSTIÇA PARA AS OUTRAS CRIANÇAS SEM DIFICULDADES

Errado.

A abordagem de ensino mais justa acontece quando o professor consegue providenciar a cada aluno aquilo que é necessário para que este seja bem sucedido em contexto escolar. Deste modo, as adaptações que os professores fazem são uma tentativa de criar condições equitativas, quer em situação de teste ou num trabalho de casa, e não uma forma de atribuir vantagens aos alunos com Dificuldades de Aprendizagem Específicas. Na realidade, um aluno com Dificuldades de Aprendizagem Específicas terá que se esforçar tanto ou mais que outro aluno, apesar das adaptações individuais.

Centro Sei

Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem

Como promover o processo de ensino-aprendizagem em crianças com dificuldades de aprendizagem?

Junho 30, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle

As dificuldades de aprendizagem podem, todavia, manifestar-se, atenuar-se ou mesmo acentuar-se no decorrer das diferentes fases do desenvolvimento.

Os alunos com dificuldades de aprendizagem, entre outras questões, tendem a sentir maior dificuldade na aquisição de aptidões importantes para melhorar os seus desempenhos académicos. Contudo, estes alunos são capazes de aprender, tal como qualquer aluno, mas a um ritmo diferente e através de ferramentas pedagógicas específicas, importantes de conhecer.

Por norma, quanto mais cedo forem diagnosticadas e implementadas as medidas mais adequadas para as ultrapassar, melhor será a capacidade de resposta da criança, ao nível da produtividade e da própria eficácia, muitas vezes, ilustrada nos resultados. Se conhece e contacta regularmente com crianças com este tipo de perfil, mãos à obra! Há imensas estratégias e metodologias que quando devidamente implementadas podem fazer a diferença e alcançar real sucesso.

Antes de mais, nunca devemos esquecer que, em termos gerais, as dificuldades de aprendizagem específicas não têm cura na medida em que resultam de uma disfunção neurológica permanente. Representam assim, um enorme desafio para a educação em geral: como transmitir conhecimento a estas crianças? Na atualidade, já dispomos de métodos de ensino com resultados comprovados, assim como, cada vez mais profissionais da área da educação capacitados para lidar com a diversidade e especificidade das diferentes dificuldades de aprendizagem.

Importa ter em consideração que educar os alunos para a vida não significa apenas transmitir conteúdos, mas também ensiná-los a viver de forma autónoma, a serem responsáveis, a se relacionarem com os outros e auxiliá-los na construção de um projeto de vida. Neste sentido, cada professor saberá encontrar, em simultâneo, a melhor estratégia para apelar à motivação e interesse de cada aluno procurando promover, não só o gosto pelo conhecimento, pela aquisição do saber, assim como desenvolver alguns vetores essenciais, inerentes à compreensão, à auto-estima, ao respeito por si, pelo outro, à tolerância, à interajuda/cooperação, comunicação, de forma a tornar-se um cidadão realizado e produtivo. Trabalhar numa ótica inclusiva, mediante a integração de atividades lúdicas costuma ser uma boa ferramenta. O objetivo é estimular a criança a desafiar as suas próprias limitações, de uma forma despretensiosa e a aceitar que, apesar de todos serem diferentes, com características muito específicas, todos somos iguais na demanda de um objetivo comum, a aprendizagem.

As dificuldades de aprendizagem podem, todavia, manifestar-se, atenuar-se ou mesmo acentuar-se no decorrer das diferentes fases do desenvolvimento (infância, adolescência e vida adulta), como tal, é essencial saber dominar um vasto leque de ferramentas para as conseguir colocar em prática sempre que se considerar necessário.

Existem várias ferramentas educacionais, (muitas até já pertencem às rotinas diárias de algumas salas de aula) que, quando corretamente elaboradas e implementadas, podem fazer a diferença no processo de ensino-aprendizagem. A título exemplificativo, salientamos apenas alguns aspetos aparentemente simplistas, mas muitas vezes capazes de marcar a diferença:

– Plano de Trabalho – Observação e compreensão: é fundamental que o professor conheça bem a turma para que consiga elaborar um plano de trabalho eficiente através dos meios adequados e ao seu dispor;

– Avaliação – É uma das principais formas para conhecer as reais dificuldades do aluno e as suas necessidades, permitindo depois em função dos resultados, implementar novas estratégias específicas de aprendizagem capazes de ajudar a superar os problemas evidenciados.

– Contextualização – Além de relacionar os assuntos com o quotidiano dos alunos, é importante estabelecer uma relação entre os conceitos e conteúdos e as respetivas disciplinas.

Os professores são assim fundamentais na identificação de eventuais dificuldades de aprendizagem do aluno. Podem assim, assumir um papel essencial no futuro de cada aluno a vários níveis, quer como observadores e analistas, quer como figuras de apoio. É igualmente importante que os próprios alunos reconheçam essas capacidades no professor. Por exemplo, ao caminhar pela sala de aula e verificar de perto a forma como os alunos participam nas respetivas atividades, o professor está a exercer o seu papel de observador. E quando faz algum comentário em relação a uma eventual dificuldade manifestada por determinado aluno está a cumprir o seu dever de analista.

Por outro lado, quando dá uma orientação específica a um aluno com o intuito de que este consiga superar uma determinada dificuldade, orientando-o para o caminho para a respetiva resolução.

Para além da formação académica, durante o ano letivo, cada professor tende a desenvolver e a colocar em prática vários conhecimentos adquiridos através da sua formação contínua e/ou da sua prática pedagógica. No entanto, essa conjugação de saberes e competências, por si só, embora muito relevante, não encerra por si e nem sempre é capaz de conferir respostas adequadas a cada caso, até pela diversidade e complexidade de situações apresentadas que muitas vezes ultrapassam a área do ensino e cruzam-se com outras áreas do saber (como a medicina, a psicologia, a psicopedagogia, a psicomotricidade, o domínio da linguagem).

Neste sentido, a chave para a promoção de práticas educativas cada vez mais inclusivas passa pelo trabalho em parceria, colaborativo, com equipas multidisciplinares capazes de conferir respostas eficazes e atempadas que vão ao encontro das reais necessidades de cada aluno. A conciliação de sinergias tanto na identificação como nos processos de avaliação e intervenção tornam-se fulcrais para o sucesso educativo e para o bem-estar de toda a comunidade educativa.

Maria de Lurdes Rodrigues. “Manter as crianças em casa significa 30 anos de retrocesso”

Junho 30, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Rádio Renascença de 20 de juno de 2020.

 José Pedro Frazão

Antiga Ministra da Educação defende que a escola é uma instituição essencialmente presencial e reconhece que é preciso melhorar a formação de professores para um ambiente letivo com maior utilização de tecnologias.

A generalização de ensino à distância não é aconselhável, salvo como complemento de actividades presenciais. A opinião é da antiga Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, actual reitora do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, convidada do podcast ” Adiante” da Renascença em parceria com a sociedade de advogados Gama Glória. Numa reflexão sobre o futuro da educação pós-pandemia, em conversa com André Júdice Glória, a antiga governante defendeu que a alternativa não é o regresso das crianças às suas casas para terem aulas.

“Poderemos ter que manter as crianças em casa mais uns meses. Isso pode-nos ser exigido. Mas contrario a ideia de que isso é uma visão positiva do mundo futuro. É uma ideia muito negativa. Perderemos muito, as crianças perderão muito. Serão 30 anos de retocesso se viermos a optar por comodismo, conforto, por medo, se viermos a optar por essa situação”, afirma Maria de Lurdes Rodrigues no “Adiante”.

A antiga titular da pasta sublinha que a escola só cumpre a sua missão se for “funcionalmente diferenciada” para que os jovens possam distinguir que “há um espaço para aprender, outro para divertir, outro para estar com a familia, porque a vida em sociedade organiza-se assim em espaços funcionais”. Maria de Lurdes Rodrigues considera “absolutamente crítico e negativo” o uso do ensino à distância nos primeiros anos de escolaridade.

“O ensino à distância é um recurso para fazer chegar conhecimento mais longe e a mais pessoas. Mas não é um substituto da escola e da universidade”, insiste a socióloga que preside ao ISCTE. ” A escola é um espaço de diferenicação funcional. Foi inventada para estabelecer essa diferença entre a familia, o local de trabalho e o local de lazer. Até hoje passado mais de um século as sociedades não conseguiram inventar outras instituições que substituíssem a escola”, complementa na Renascença.

A antiga governante distingue a actual experiência de disseminação de aulas pela televisão do modelo anterior de telescola usado nas décadas passadas.

“A experiência de telescola foi extraordinária no passado no sistema de ensino português. Permitiu o acesso à escola a milhares de crianças, sobretudo meninas que não poderiam nunca frequentar o cilco preparatório. Mas a telescola não se passava na casa dos meninos. Eles deslocavam-se à escola onde estavam uma televisão e um adulto que os acompanhava nesse processo de aprendizagem”, salienta Maria de Lurdes Rodrigues no podcast “Adiante”.

Computadores não substituem salas de aula

A reitora do ISCTE-IUL defende que “encher as casas das crianças mais pobres de livros, de equipamento não substituirá a escola” embora reconheça que o acesso possa ser melhorado “com infraestruturação com banda larga em todas as regiões do país, com disponibilização de equipamento como tablets e computadores por todas as famílias e com ligações à internet”. Admitindo que esta situação se mantenha “ainda durante algum tempo”, Maria de Lurdes Rodrigues considera que não é possivel colocar esse cenário como uma aspiração de futuro.

“Se a escola do futuro for a presença das pessoas em casa, estamos a devolver às familias, ricas ou pobres, a responsabilidade de transmissão de conhecimento. E sabemos que a produção e transmissão de conhecimento não se faz no espaço das famílias, mesmo quando se trata de professores universitários, investigadores ou pessoas muito informadas”, argumenta a antiga Ministra da Educação.

Maria de Lurdes Rodrigues desafia a ideia de que o futuro é algo indefinido em matéria de políticas públicas. “O futuro será o resultado das decisões e das acções que tomarmos hoje mesmo. O futuro não é algo que nos espera, é algo que construiremos para nós e para as gerações vindouras e que começa hoje e não amanhã”, afirma a socióloga.

“Uma das coisas que me fizeram impressão nesta crise foi a forma fácil como se descartou grande parte do conhecimento que já existia, não apenas sobre pandemias mas também outros aspectos da nossa vida. O conhecimento não deve ser descartado. É muito cumulativo, tem uma forma cumulativa de desenvolvimento. É muito mau quando descartamos, ignoramos e procuramos não ver aquilo que já conhecemos”, afirma a antiga titular da pasta da Educação.

Mais formação digital para professores

As soluções de emergência adoptadas neste contexto não são soluções de futuro, sublinha a reitora do ISCTE-IUL. Ainda assim a crise pandémica veio revelar ” um enorme atraso não apenas no acesso a meios de comunicação e na infraestruturação de todo o país, meios tecnológicos para aceder a toda a informação”. Maria de Lurdes Rodrigues lembra que muitas famílias não tinham acesso a tablets e computadores a par de um “défice de produção de conteúdos” sob as mais diversas formas.

“Os conteúdos continuam a ser preferencialmente um manual ou cadernos de exercicios quando hoje há uma grande disponibilidade de meios digitais para apoiar a actividade dos professores e dos pais no ensino. Isso está por fazer. A formação de professores é talvez um dos pontos fracos que a Covid revelou e que precisamos de enfrentar”, constata a antiga governante.

Insistindo que o ensino à distância não deve ser um objectivo das universidades e das escolas mas deve apenas ser considerado para conseguir chegar a alunos que estão deslocados ou que estão impedidos de se deslocarem à escola, a socióloga insiste que o lugar dos estudantes e dos professores é na escola.

“Não por acaso na maior parte dos paises a regulamentação do ensino à distância exige que entre 25 a 30 por cento das actividades sejam desenvolvidas presencialmente. Mesmo no ensino à distância organizado, creditado, credenciado, como os cursos de e-learning que proliferam, só estão autorizados a proporcionar cerca de 70 a 75% das suas actividades à distância. Algum sentido há nesta determinação. O sentido é a valorização das actividades presenciais sempre que possível”, sustenta Maria de Lurdes Rodrigues

Medidas para o próximo ano lectivo

Como reitora do ISCTE- IUL, a preparação do novo ano lectivo assenta no essencial na actividade presencial.

“Os professores dão aulas não a partir de casa mas a partir da universidade. Depois os alunos podem ir rodando semanalmente, se as dificuldades se mantiverem. Mesmo com estas regras sanitárias, podemos fazer melhor no que respeita à presença dos alunos e dos professores nas escolas. Há muitas soluções que podem ser encontradas”, adianta Maria de Lurdes Rodrigues que confessa preocupação com o acolhimento dos alunos que vêm do ensino secundário e que entram pela primeira vez na universidade.

“É um problema sobre o qual estamos a reflectir porque a nossa determinação é proporcionar a esses alunos uma experiência de vida universitária tão completa quanto possível. É evidente que os alunos que estão no segundo ou terceiro anos, mesmo nos primeiros anos de mestrado, têm já uma experiência de vida universitária que não torna tão urgente encontrar soluções para superar a dificuldade da distância. Estou segura que vamos encontrar soluções mistas, se se mantiver este quadro”, remata a socóloga que dirige uma das principais faculdades de Lisboa.

Investigadores estimam que 20 crianças de uma turma contactam com mais de 800 pessoas em dois dias

Junho 26, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de junho de 2020.

Equipa de investigadores da Universidade de Granada concluiu que uma turma de 20 crianças do ensino pré-escolar ou primário terá contacto com mais de 800 pessoas em apenas dois dias e alerta para problemas do regresso às escolas em Espanha.

Filipa Almeida Mendes

Uma equipa de investigadores da Universidade de Granada realizou uma análise que concluiu que uma turma de 20 crianças do ensino pré-escolar ou primário terá contacto com mais de 800 pessoas em apenas dois dias, o que levou os especialistas a alertarem para os riscos da falta de “rigor” no planeamento do regresso às escolas em Setembro em Espanha, depois de terem sido encerradas devido à pandemia de covid-19.

A análise teve por base as previsões do Governo espanhol e das comunidades autónomas sobre o regresso das crianças às escolas, tendo analisado os requisitos técnicos dos modelos traçados.A 10 de Junho, a ministra da Educação espanhola, Isabel Celaá, anunciou que o Governo não considera necessário o uso de máscara nem o cumprimento do distanciamento social para as crianças dos primeiros quatro anos do ensino primário, por considerar tratar-se de grupos que se podem comparar a famílias ou coabitantes. Isabel Celaá sugeriu então que as crianças desses anos escolares “podem circular com tranquilidade, sem necessidade de manter uma distância de 1,5 metros”. Porém, os investigadores da Universidade de Granada analisaram o número de relações que cada turma poderá manter, com base nestes termos, e chegaram à conclusão que os cálculos contradizem a teoria de que se pode encarar uma turma de 20 crianças como um pequeno agregado familiar.

Assumindo que cada família é formada, em média, por dois adultos e 1,5 filhos menores (de acordo com a média em Espanha e supondo, por exemplo, que numa turma há dez estudantes com um irmão e outros dez que são filhos únicos), cada uma das 20 crianças de uma turma estaria exposta a um grupo de 74 pessoas no primeiro dia de aulas — isto se assumirmos que a criança não entrará em contacto com ninguém externo à própria turma ou ao seu agregado familiar. No segundo dia, o número de interacções das 20 crianças de uma determinada turma poderá “alcançar as 808 pessoas, considerando exclusivamente os relacionamentos [permitidos] sem distanciamento nem máscara da própria turma e das turmas dos irmãos e irmãs”, explica Alberto Aragón, professor catedrático da Universidade de Granada e coordenador do projecto. As estimativas prevêem ainda que, em três dias, poder-se-ão alcançar os 15 mil contactos.

“Se o número de alunos na turma subir para 25, como muitas concelhias sugeriram para que coincida com o rácio habitual, o número de pessoas envolvidas aumentaria para 91 pessoas no primeiro dia e 1228 pessoas no segundo dia”, acrescentam os investigadores num comunicado publicado no site da universidade.

Os especialistas alertam que um sistema “como aquele que propõem o Governo e as comunidades autónomas só poderá ter uma eficácia limitada para controlar o risco de contágio [do novo coronavírus], sendo especialmente ineficaz quando o número de alunos no seu núcleo é tão elevado”.

No Outono, escolas podem voltar a encerrar

Os investigadores notam que se houver uma pessoa infectada nesse grupo ou turma há um risco automático para todo o grupo, pelo que qualquer situação semelhante poderá resultar no encerramento da própria escola. Por isso, explicam que é necessário ter em conta possíveis cenários de contágio numa escola, assim como a possibilidade de leccionar aulas ao ar livre.

Os especialistas alertam ainda para problemas existentes de planificação do regresso às escolas, “uma vez que até ao momento trata-se maioritariamente de declarações bem-intencionadas, mas que carecem do detalhe necessário para se converterem numa planificação útil”, explicam em comunicado, acrescentando que o principal problema está no facto de as previsões se centrarem no regresso às aulas presenciais sem terem em conta os recursos necessários para garantir a manutenção das aulas. Neste sentido, os investigadores prevêem que, no Outono, voltem a encerrar muitas escolas em Espanha e apelam às autoridades educativas que preparem um plano alternativo caso isso aconteça e que programem um sistema de aulas presenciais com mais rigor, sem pôr de parte a possibilidade do ensino à distância e online, caso venha a ser necessário.

Os autores referem ainda que os especialistas em educação consultados recomendam que as escolas definam um horário para as aulas online, que devem replicar parcialmente as aulas presenciais — embora sublinhem que deve haver uma base comum que sustente as estratégias de ensino dos vários estabelecimentos de ensino do país.

Quanto ao ensino superior, o Ministério das Universidades espanhol propôs um modelo distinto do apresentado pelo Ministério da Educação para o regresso às aulas em Setembro, cujo “sistema de turnos rotativos seria provavelmente mais viável nas escolas e institutos do que nas aulas universitárias”, assinalam.

Os especialistas da Universidade de Granada calcularam ainda o número de estudantes que poderiam participar numa aula universitária, caso se respeitem as distâncias previstas nas normas do Ministério da Educação. “Por exemplo, uma sala de aula com 92 lugares com mesas fixas permitiria acolher apenas entre 16 e 24 estudantes para garantir a distância de segurança de 1,5 metros. Com um número tão reduzido de estudantes na sala de aula, a sugestão do Ministério de gravar a aula em directo para os alunos que não estão presentes parece tecnologicamente mais complicada, e menos eficaz, do que uma gravação de maior qualidade e personalizada num cenário online”, defendem.

Segundo dados do Ministério da Educação espanhol citados pelo diário El País, a reabertura das escolas implicará o regresso de 1,7 milhões de alunos ao ensino pré-escolar, 2,9 milhões às escolas primárias, dois milhões ao ensino secundário obrigatório e cerca de 600 mil ao Bachillerato (a partir dos 16 anos). Ao mesmo jornal, Alberto Aragón sublinha que o Governo espanhol e as comunidades autónomas devem delinear “planos mais rigorosos” e decidir “se se vão contratar mais docentes, que espaços alternativos se poderão utilizar ou, por exemplo, se se vão disponibilizar computadores aos estudantes”.

Os investigadores da Universidade de Granada analisaram também os planos de reabertura das escolas em países como a Dinamarca e Israel. Alberto Aragón sublinha que, no caso da Dinamarca, as turmas têm agora apenas dez alunos, podendo dirigir-se ao recreio apenas em grupos de cinco e com uma organização temporal e espacial que minimiza o contacto (e o risco de contágio) entre as crianças, com o especialista a destacar “uma boa planificação e recursos suficientes” para a colocar em prática. Por outro lado, no caso de Israel, que adoptou um plano de regresso às escolas semelhante ao previsto para Espanha, “nos primeiros dois ou três dias tiveram que encerrar cem escolas”.

A aplicação de telemóvel que torna a matemática num jogo viciante nasceu no Algarve: conheça o Milage Aprender+

Junho 24, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de junho de 2020.

Ferramenta criada na Universidade do Algarve já é utilizada por 50 mil alunos, não só em Portugal como em Espanha, Chipre, Alemanha, Noruega ou Turquia. A ideia começou pela matemática, mas já chegou a todas as disciplinas, contando com mais de 15 mil exercícios feitos por professores. É gratuita, universal, e agrada a professores e alunos

Diogo Silva é um ás em matemática. No campeonato do Milage Aprender+, este aluno do 5º ano da escola EBI da Boa Água, em Sesimbra, é mesmo “o melhor do mundo”, completa a sua professora Ilda Batista. Mas Diogo é mais modesto: evita contar ao Expresso as suas conquistas e diz apenas que sempre gostou de “números” e de “classificações”, e por isso é que nos últimos tempos se tem dedicado a resolver exercícios nesta plataforma, criada para alcançar algo que parece um paradoxo: tornar o ensino num jogo divertido ao alcance de todos os alunos. Um objetivo que tem sido atingido.

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Confinamento deixou marcas nas crianças

Junho 22, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 17 de junho de 2020.

Mil e trezentos milhões de crianças estiveram sem ir à escola nos últimos meses, em todo o mundo. A organização não governamental Save the Children diz que uma em cada quatro crianças manifesta sinais de ansiedade na sequência do confinamento e avisa que o isolamento social e ausência de aulas presenciais podem ter deixado mazelas psicológicas mais sérias, incluindo a depressão.

Em Itália, a herança da Covid-19 é ainda mais pesada. De acordo com dados oficiais do governo, mais de 65% dos menores manifestam problemas comportamentais.

Paolo Petralia, director-geral de um hospital pediátrico de Génova, conta que “nos desenhos que receberam das famílias, as palavras-chave eram “medo” e “mau”. “Estar em casa foi representado com esta palavra ‘mau’,” afirma.

Para Sandra Zampa, a subsecretária do Ministério da Saúde de Itália, os números confirmam que a quebra das rotinas de segurança durante o confinamento teve consequências em muitas crianças”

Há vários relatórios a confirmar este impacto. A Federação britânica de Investigação na Educação revela que cerca de 90 por cento dos professores acredita que os alunos estão muito aquém do conhecimento que deveriam ter adquirido. Estima-se que só no Reino Unido, dois milhões de aunos dedicaram menos de uma hora por dia ao estudo nos últimos meses. A situação agrava-se nos grupos mais vulneráveis.

Detesto matemática! – Sinais de alerta de discalculia

Junho 18, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

Detesto matemática! – Sinais de alerta de discalculia

“Odeio matemática!” – É frequente ouvirmos os nossos filhos/alunos fazerem este tipo de desabafo. Com igual frequência podemos cair no erro de achar que se trata de simples preguiça ou desmotivação para aprender a disciplina. Contudo, a frustração associada a esta frase tão frequentemente pronunciada pode, por vezes, refletir uma verdadeira dificuldade em aprender e desenvolver o cálculo matemático. À dificuldade de aprendizagem associada ao raciocínio lógico-matemático dá-se o nome de Discalculia ou Perturbação da Aprendizagem Específica, com défice no Cálculo.

Podemos generalizar que todas as crianças que não gostam de matemática têm discalculia?

Claro que não. Mas existe um conjunto de sinais de alerta relacionados com esta dificuldade de aprendizagem a que pais e professores devem estar atentos. Quanto mais cedo for feito o despiste da discalculia, mais cedo se implementará uma estratégia de reeducação para a criança. Isto poderá evitar o desgaste de repetidas situações de stress relacionadas com problemas escolares, os quais resultam muitas vezes numa crescente desmotivação em prosseguir os estudos.

Os sinais de alerta associados à discalculia dependem da idade/fase escolar da criança

Pré-escolar:

– Dificuldade em compreender o sentido do número;

– Dificuldade em aprender a contar;

– Dificuldades na identificação de número. Quer a nível visual (por ex. trocas entre o 2/5, o 3/8 ou o 6/9) quer a nível auditivo;

– Dificuldade em memorizar números;

– Dificuldade em organizar objetos de uma forma lógica: por formas, cores ou tamanhos;

– Dificuldade em reconhecer grupos e padrões;

– Dificuldade em usar conceitos comparativos tais como: maior/menor; mais alto/mais baixo;

– Dificuldades na lateralidade: distinguir entre a esquerda e a direita;

Idade Escolar:

– Dificuldade em compreender a linguagem e os símbolos matemáticos: “diferença”, “soma”, “igual”, “+”, “-“, “=”, etc.;

– Dificuldade em compreender o valor obtido pela modificação de um número: limitações em perceber que os números 560, 605 e 506 são diferentes, apesar de constituídos pelos mesmos três números (“5”, “6” e “0”);

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos básicos através da soma, subtração, multiplicação e divisão;

– Dificuldade em compreender que 5 é o mesmo que 3+2 ou o mesmo que 4+1. Que 5+4 é igual a 4+5, ou que 8×2 é igual a 2×8;

– Dificuldade em desenvolver competências para a resolução de problemas matemáticos mais complexos;

– Fraca memória de longo prazo para funções matemáticas;

– Pouca familiaridade com o vocabulário da matemática;

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos de forma oral, nomeadamente no caso de problemas muito extensos, e na presença de informação desnecessária e demasiadas abreviaturas;

– Dificuldades na compreensão do conceito de medida;

– Relutância em participar em jogos que requeiram o uso de estratégia;

– Dificuldades visuo-espaciais na leitura e escrita de números;

– Dificuldade em identificar as horas, por não conseguir distinguir o ponteiro das horas e dos minutos;

– Dificuldade em compreender o valor das moedas. Ex. A criança não compreende que uma moeda de 1 euro é igual a 2 moedas de 50 cêntimos ou 5 moedas de 20 cêntimos.

Se o seu filho ou aluno apresenta alguns destes sinais, poderá ser sinal de uma discalculia. Nesse caso, deverá recorrer a ajuda técnica especializada para fazer uma avaliação psicopedagógica da criança e despistar eventuais dificuldades de apredizagem. Só assim poderá implementar-se um plano de intervenção adequado que ajude a criança a colmatar as dificuldades sentidas e promover o seu sucesso escolar.

Centro Sei

Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem

Um terço dos alunos passa com negativa a matemática no 9.º ano

Junho 15, 2020 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 7 de junho de 2020.

Mais informações no relatório:

Principais indicadores de resultados escolares por disciplina – 3.º ciclo, 2011/12 − 2017/18

Ensinar e aprender em tempo de COVID-19: entre o caos e a redenção E-Book

Junho 11, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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