Pai, mãe, ensinem as crianças a mexerem-se

Julho 18, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Daniel Rocha

Artigo de opinião de Cíntia França publicado no Público de 5 de julho de 2019.

São vários os estudos que concluem que a inactividade durante a infância e a adolescência raramente é contrariada na vida adulta. Logo, é forte a probabilidade de existirem cada vez mais adultos sedentários.

A evolução para uma sociedade totalmente capitalista e dependente da tecnologia produziu um impacto (quase) incalculável nas nossas crianças. Enclausurámo-nos em apartamentos, rodeados de estradas ou de outros apartamentos, e o espaço tornou-se contado ao pormenor, definido pelos limites do que é considerado seguro aos nossos olhos. Ganhámos o urbanismo e perdemos a independência.

Será, portanto, impensável — e inconcebível, por vezes — deixar uma criança ir a pé para a escola. Não fará sentido não a deixar à porta das suas actividades diárias, evitando a necessidade de se ter que atravessar uma passadeira. Estamos demasiado cansados, depois de um dia de trabalho, para nos deslocarmos até onde exista um verdadeiro espaço. Estamos, definitivamente, cegos por não nos apercebemos da forma como impactamos o desenvolvimento das nossas crianças.

As provas de aferição realizadas na área da Educação Física, realizadas, pela primeira vez, no passado ano lectivo, sumarizaram dados extremamente preocupantes. Ora vejamos:

  • 33% dos alunos apresentou dificuldades em participar num jogo colectivo;
  • 46% não conseguiu dar seis saltos consecutivos à corda;
  • 40% não conseguem dar uma cambalhota para a frente.

Estes foram os dados escandalosamente repetidos na comunicação social. Estes são os dados que expressam as capacidades dos nossos alunos do 2.º ano de escolaridade. Crianças cuja motricidade foi seriamente afectada pelo nosso estilo de vida. Crianças que dominam a tecnologia do telemóvel e do tablet, privilegiando a activação dos “dados móveis” em detrimento da participação activa no recreio da escola. Crianças que se deparam com a instabilidade que ronda a importância da Educação Física no contexto escolar: ora pela distribuição dos tempos lectivos, ora pelo facto de a disciplina pesar, ou não, nas médias finais. Crianças essas que dificilmente terão a oportunidade de assistir a um evento desportivo que não esteja centrado no futebol.

Pai, mãe, ensinem as crianças a mexerem-se! O desporto é algo demasiado importante para ser ignorado. Capaz de ensinar a vencer e a ser vencido; de incentivar o respeito pelo outro; de perceber a relação entre o corpo e o espaço; de elevar os limites para aquelas que julgamos ser as barreiras das nossas capacidades; de relacionar com o outro, permitindo-nos ganhar amigos para a vida.

Pai, mãe, o desporto é algo demasiado importante para privarem as crianças de o praticarem. São vários os estudos que concluem que a inactividade durante a infância e a adolescência raramente é contrariada na vida adulta. Logo, é forte a probabilidade de existirem cada vez mais adultos sedentários e que serão, precocemente, afectados pela doença.

Pai, mãe, provavelmente nada será mais libertador do que o movimento. Para tal, é necessário que os vossos filhos aprendam como fazê-lo: no recreio da escola, no parque, na actividade extracurricular, no clube, no quintal de vossa casa. Sem esquecer que a aprendizagem envolve prática e não resulta de uma actividade esporádica.

Pai, mãe, ensinem as crianças a mexerem-se e elas ficar-vos-ão gratas para o resto da vida.

Cíntia França

Professora de Educação Física e doutoranda em Ciências do Desporto pela Universidade de Coimbra.

Crianças de Vila Real revelam comportamento “sedentário alarmante”

Junho 23, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Público de 4 de junho de 2019.

A maioria do tempo fora da escola é passado em actividades de ecrã, seja em frente à televisão, ao computador e/ou ao telemóvel.

Lusa

Um estudo que envolveu 542 alunos do 2.º ciclo de Vila Real concluiu que 60% destas crianças têm um “comportamento sedentário alarmante”, disse nesta terça-feira o Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD).

O CIDESD, que resulta de consórcio de 10 instituições nacionais de ensino superior e agrega mais de 120 investigadores, diagnosticou o comportamento sedentário e a aptidão física de alunos do 2.º ciclo de agrupamentos escolares de Vila Real.

“Os resultados revelam um comportamento sedentário muito prevalente, caracterizado essencialmente pelo tempo passado em actividades de ecrã, seja em frente à televisão, ao computador e/ou ao telemóvel”, disse, em comunicado, a investigadora Sara Santos.

Segundo a especialista, “estes comportamentos com baixo dispêndio energético tendem a causar impactos negativos em vários indicadores de saúde e, consequentemente, na qualidade de vida das crianças”.

De acordo com o estudo, “durante o recreio, a actividade física das crianças é satisfatória”, no entanto, o “cenário agrava-se quando vão para casa”.

“Mais de 30% dos alunos não realizam qualquer tipo de actividade física fora da escola. O CIDESD recomenda que sejam incentivados a integrar uma prática estruturada como o desporto escolar e o desporto federado”, afirmou Sara Santos.

O estudo envolveu 542 alunos, de ambos os sexos e com idades compreendidas entre os 10 e os 13 anos, e, segundo o CIDESD, “mais de 30% tem um índice de massa corporal (IMC) acima do recomendado”.

O estudo revelou, ainda, que as raparigas precisam de melhorar dois atributos da aptidão física: a agilidade e a força muscular dos membros inferiores.

No âmbito do projecto, foram realizados entre Outubro e Novembro de 2018 vários testes a alunos dos agrupamentos de escolas Diogo Cão e Morgado Mateus.

Durante a aula de Educação Física, a equipa do CIDESD avaliou o peso, a altura (de pé e sentado), o salto e a velocidade na mudança de direcção em corrida, através de instrumentos de alta precisão como plataformas de infravermelhos, células fotoeléctricas e balanças de bioimpedância eléctrica.

“Os dados recolhidos podem ser particularmente úteis para os professores de Educação Física e para os treinadores dos clubes desportivos entenderem melhor o processo de maturação biológica e a sua relação com a aptidão física e prontidão desportiva”, afirmou o director do CIDESD, Jaime Sampaio.

O responsável acrescentou que, por outro lado, os “resultados também ajudam os decisores políticos locais, mas sobretudo os centrais, a repensar planos de intervenção que ajudem a combater este grave problema, quanto mais não seja pelos custos incomportáveis a longo prazo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Este consórcio junta o Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Desporto de Rio Maior – Instituto Politécnico de Santarém, Universidade da Beira Interior, Instituto Universitário da Maia (ISMAI), Universidade da Madeira, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Instituto Politécnico de Viseu, Universidade de Évora, Instituto Politécnico de Viana do Castelo e Instituto Politécnico da Guarda.

 

Seis sintomas que ajudam a detetar o vício dos videojogos

Junho 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , ,

Notícia da Exame Informática de 28 de maio de 2019.

Francisco Garcia

Um problema que só recentemente foi considerado doença e que tem vindo a tornar-se cada vez mais comum na nossa sociedade, que é cada vez mais dependente das novas tecnologias.

Este sábado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a considerar o comportamento obsessivo para com os videojogos uma doença mental. Conheça aqui alguns dos sintomas que, segundo a American Addiction Centers, são comuns em pessoas que sofrem deste distúrbio:

Estilo de vida sedentário – Passar horas em frente a um ecrã pode ter efeitos perigosos no corpo e mente de um jovem. Este cenário pode agravar-se quando a pessoa em causa não pratica desporto, podendo aumentar desmedidamente o peso e acentuar uma má postura, ou em casos mais graves, desenvolver doenças como Diabetes tipo 2.

Ausência de interação social – Embora nalguns videojogos os jogadores interajam uns com os outros, os jogos não devem substituir outras formas de socialização (não virtuais) na vida das crianças. A aprendizagem de ferramentas de comunicação em contextos reais é fundamental no desenvolvimento dos mais jovens e não deve ser substituída por experiências de gaming.

Problemas de concentração – A ação e movimentos rápidos nalguns videojogos é considerada, por alguns especialistas na área, como uma das causas para falta de concentração nalguns jogadores. Associam ainda o tempo investido em videojogos à falta de interesse na leitura, que requer uma atenção prolongada.

Evitar tarefas associadas ao desenvolvimento – Este sintoma pode surgir na adolescência, quando os jovens utilizam os videojogos como um escape para os problemas da sua vida, evitando situações que os obriguem a crescer emocionalmente.

Comportamentos violentos – Algumas crianças e adolescentes que passam muito tempo a jogar videojogos de combate ou violentos, podem estar mais propensos a apresentar alguns sinais de agressividade do que outros que não jogam. A American Addiction Centers aconselha os pais a terem um mecanismo de vigilância semelhante ao que usam para impedir as crianças de ver filmes violentos.

Convulsões e lesões de stress – De acordo com um artigo publicado no British Medical Journal, os videojogos podem aumentar os riscos em jogadores com epilepsia, devido à intensidade das luzes, cores e gráficos. Um comportamento compulsivo com videojogos pode ainda levar a pequenas lesões relacionadas com o stress, nomeadamente nas mãos e pulsos.

 

 

 

Quando é que os bebés de um ano de idade podem ver vídeos no telemóvel? Nunca, diz a OMS

Maio 8, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia da Visão de 25 de abril de 2019.

A Organização Mundial da Saúde publicou ontem novas recomendações sobre o tempo de exposição de crianças a aparelhos eletrónicos. Dos 2 aos 4 anos, por exemplo, não devem estar mais de uma hora por dia em frente a um ecrã. Veja aqui todas as normas .

Ligar a televisão nos desenhos animados ou pôr no telemóvel um vídeo do YouTube são truques usados por muitos pais para acalmar os filhos pequenos, sobretudo na hora da refeição. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que é má ideia.

A instituição publicou na quarta-feira, 24, uma série de recomendações sobre as necessidades dos mais novos, preparadas por um painel de especialistas, que incluem a resposta à pergunta que muitos fazem: quanto “tempo de ecrã” é o indicado para as crianças? Tempo nenhum, responde a OMS, se a criança tiver até um ano. Se tiver dois anos, o tempo passado em frente à televisão ou ao telemóvel não pode exceder um hora diária.

As recomendações fazem parte de um conjunto maior de normas relativas ao sedentarismo e qualidade de sono dos mais novos. “A primeira infância é um período de rápido desenvolvimento e uma altura em que as rotinas familiares podem ser adaptadas de forma a estimular uma vida mais saudável”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Os especialistas da OMS concentraram-se em analisar os comportamentos que podem afetar negativamente o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças.”Aumentar a atividade física, reduzir o sedentarismo e garantir um sono de qualidade vai melhorar a saúde e o bem-estar físico e mental das crianças, além de prevenir a obesidade infantil e doenças que lhe estarão associadas mais tarde”, assegura a médica da OMS Fiona Bull, diretora do programa de vigilância e prevenção de doenças não transmissíveis.

Veja aqui as recomendações da organização.

Bebés com menos de 1 ano devem:

  • Ser fisicamente ativos várias vezes por dia e de diferentes maneiras, particularmente através de jogos interativos no chão; quanto mais, melhor. Os que ainda não se conseguem deslocar devem ficar pelo menos 30 minutos de barriga para baixo, em períodos espalhados ao longo do dia.
  • Não devem estar presos mais de uma hora seguida (por exemplo, carrinhos de bebé, cadeiras infantis ou nas costas dos pais). Não é recomendado qualquer tempo de ecrã. Quando o bebé estiver sedentário, reomendamos a leitura de histórias por parte dos progenitores.
  • 14 a 17 horas (dos 0 a 3 meses de idade) ou 12 a 16 horas (de 4 a 11 meses de idade) de sono de boa qualidade, incluindo sestas.

Crianças de 1 a 2 anos de idade devem:

  • Passar pelo menos 3 horas diárias numa variedade de atividades físicas de qualquer intensidade, incluindo intensidade moderada e vigorosa, distribuída ao longo do dia; quanto mais, melhor.
  • Não devem ficar presos mais de uma hora seguida (carrinhos de bebé, cadeiras infantis ou nas costas dos pais) ou sentados longos períodos de tempo. Para crianças de um ano de idade, o tempo de ecrã (TV, vídeos, videojogos) não é recomendado. Aos 2 anos de idade, o tempo de ecrã não deve ser superior a 1 hora; quanto menos, melhor. Quando a criança estiver sedentária, recomendamos a leitura de histórias.
  • 11 a 14 horas de sono de boa qualidade, incluindo sestas, com períodos regulares de sono e de despertar.

Crianças de 3 a 4 anos de idade devem:

  • Passar pelo menos 3 horas numa variedade de atividades físicas de qualquer intensidade, das quais pelo menos 60 minutos são atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa, espalhadas ao longo do dia; quanto mais, melhor.
  • O tempo de sedentarismo não deve exceder uma hora; quanto menos, melhor. Quando a criança estiver sedentária, recomendamos a leitura de histórias.
  • 10 a 13 horas de sono de boa qualidade, que podem incluir uma sesta, com períodos regulares de sono e de despertar.

 

O documento citado na notícia é o seguinte:

Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age

 

 

Três horas para brincar e pelo menos 10 horas para dormir. As recomendações da OMS para crianças com menos de 5 anos

Maio 7, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia e imagem do Observador de 24 de abril de 2019.

Vera Novais

A Organização Mundial de Saúde divulgou esta quarta-feira um conjunto de recomendações sobre atividade física e momentos de repouso para crianças com menos de cinco anos. Muita corrida e poucos ecrãs.

Quanto tempo por dia deve uma criança praticar atividades físicas? Três horas a partir do primeiro ano, mas “quanto mais melhor”, recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS). Quando ao tempo em frente a um ecrã, “quanto menos melhor” e nunca mais de uma hora.

A atividade física deve começar logo no primeiro ano de vida. Se o bebé ainda não for capaz de se sentar, deve passar pelo menos meia hora por dia de barriga para baixo, e nunca mais de uma hora preso numa cadeira ou nos transportadores usados pelos pais. As recomendações também têm em conta as horas de sono, que vão diminuindo à medida que a criança cresce, mas nunca menos de 10 horas.

A OMS esclarece a atividade física pode, muitas vezes, dizer respeito aos jogos e brincadeiras das crianças em que há movimentos moderados ou até intensos — e não necessariamente uma aula de ginástica ou natação. E que os momentos sedentários também são necessários, mas não aqueles que são passados em frente a um ecrã de televisão ou telemóvel. Como exemplos atividades nos momentos sedentários, estão os jogos menos exigentes fisicamente — como montar um puzzle ou até ler um livro.

As recomendações constam no documento “Diretrizes para a Atividade Física, Comportamento Sedentário e Sono — para crianças com menos de cinco anos”, publicado esta quarta-feira. O objetivo é fornecer recomendações sobre os períodos de atividade ou repouso para crianças menores de cinco anos, tendo em conta a sua saúde e bem-estar, porque a atividade física (e o sono) antes dos cinco anos está relacionada com alguns indicadores de saúde, como acumulação de gordura, saúde óssea e cardíaca, desenvolvimento cognitivo e motor. E têm uma vantagem adicional, os hábitos e estilo de vida adotados na primeira fase da vida podem influenciar os hábitos no futuro.

O documento visa também colmatar uma lacuna, já que as recomendações da OMS em relação à atividade física, divulgadas em 2010, não contemplam esta faixa etária. Os autores acautelam, no entanto, que as recomendações para crianças com deficiências ou doenças crónicas devem ser adaptadas pelos médicos que as acompanham.

Depois dos cinco anos e até aos 17, a atividade física é recomendada com o objetivo de melhorar a função cardiorrespiratória (coração, sistema circulatório e pulmões) e desempenho muscular, melhorar a saúde óssea e reduzir sintomas de ansiedade e depressão. O ideal é que as crianças e jovens pratiquem atividades físicas moderadas ou intensas durante 60 minutos por dia, sejam jogos, desportos ou caminhadas para a escola. Além disso, o exercício físico intenso deve ser realizado três vezes por semana.

As recomendações destinam-se a decisores políticos, sejam eles nos ministérios da Saúde, Educação ou Segurança Social, a trabalhadores de organizações não-governamentais, dos serviços de apoio ao desenvolvimento infantil, mas também a pediatras, médicos, enfermeiros e terapeutas ocupacionais. Claro que os pais, enquanto primeiros cuidadores são quem mais facilmente as poderá colocar em prática.

 

 

OMS: para crescerem saudáveis, crianças devem sentar menos e brincar mais

Abril 29, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

Notícia da ONU News de 25 de abril de 2019.

Novas diretrizes da agência destacam atividades físicas, comportamento sedentário e sono para crianças com menos de cinco anos; mais de 23% dos adultos e 80% dos adolescentes não são suficientemente ativos fisicamente.

Crianças com menos de cinco anos devem passar menos tempo sentadas em frente às telas ou dentro de carrinhos de bebê. De acordo com novas diretrizes divulgadas pela Organização Mundial de Saúde, OMS, elas também precisam dormir melhor e ter mais tempo para brincar ativamente para que cresçam saudáveis.

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, “alcançar a saúde para todos significa fazer o que é melhor para a saúde desde o início da vida das pessoas”.

Diretrizes

O representante destaca que “a primeira infância é um período de rápido desenvolvimento e uma época em que os padrões de estilo de vida da família podem ser adaptados para aumentar os ganhos em saúde”.As novas diretrizes sobre atividades físicas, comportamento sedentário e sono para crianças com menos de cinco anos foram desenvolvidas por um painel de especialistas da OMS. O grupo avaliou os efeitos em crianças pequenas do sono inadequado e do tempo que elas passam sentadas assistindo telas ou em cadeiras e carrinhos de bebê.

A equipe também revisou evidências sobre os benefícios do aumento dos níveis de atividade.

Para a gerente de programas de vigilância e prevenção baseada na população de doenças não transmissíveis, Fiona Bull, “melhorar a atividade física, reduzir o tempo de sedentarismo e garantir o sono de qualidade em crianças pequenas melhora sua saúde física, mental e de bem-estar e ajuda a prevenir a obesidade infantil e doenças associadas que surgem mais tarde na vida”.

Atividades Físicas

A OMS aponta que a falha em seguir as recomendações atuais de atividade física é responsável por mais de 5 milhões de mortes em todo o mundo, a cada ano, em todas as faixas etárias. Atualmente, mais de 23% dos adultos e 80% dos adolescentes não são suficientemente ativos fisicamente.

A agência acrescenta que se a atividade física saudável, o comportamento sedentário e os hábitos de sono forem estabelecidos no início da vida, isso ajuda a moldar os hábitos desde a infância, adolescência e até a idade adulta.

Brincadeiras

A especialista em obesidade infantil e atividade física da OMS, Juana Willumsen, enfatiza que o que se precisa realmente fazer “é trazer de volta a brincadeira para as crianças.” Ela acrescenta que “trata-se de fazer a mudança do tempo de sedentarismo para o tempo de brincadeira, e ao mesmo tempo, protegendo o sono.”

A OMS aponta também que o tempo sedentário de qualidade passado em atividades interativas não baseadas em tela com um cuidador, como leitura, narração de histórias, canto e quebra-cabeças, é muito importante para o desenvolvimento infantil.

Segundo a agência, o uso dessas diretrizes durante os primeiros cinco anos de vida pode contribuir para o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças e a saúde ao longo da vida.

Recomendações para crianças com menos de um ano: 

  • Ser fisicamente ativo várias vezes ao dia de várias maneiras, particularmente por meio de brincadeiras no chão – quanto mais melhor. Para aqueles que ainda não são caminham, isso inclui ficar pelo menos 30 minutos em posição de bruços em diferentes períodos do dia enquanto estão acordados.
  • A criança não deve ser restringida por mais de uma hora de cada vez. Por exemplo: em carrinhos de bebê ou carrinhos, cadeiras altas ou amarradas nas costas de um cuidador. Não é recomendado passar tempo em frente à tela. Quando esta estiver parada, é recomendado que ela se envolve em leituras e ouça histórias de um cuidador.
  • Entre o zero e os três meses, os bebês devem ter de 14 a 17 horas de sono de boa qualidade, incluindo momentos de repouso. Já entre os quatro e 11 meses, o recomendado é ter entre 12 a 16 horas.

Crianças com entre um e dois anos devem:  

  • Gastar pelo menos 180 minutos em diversos tipos de atividades físicas em qualquer intensidade, incluindo atividade física de intensidade moderada a vigorosa, distribuídas ao longo do dia. Quanto mais, melhor.
  • A criança não deve estar inativa por mais de uma hora de cada vez. Por exemplo: em carrinhos de bebê ou carrinhos, cadeiras altas ou amarradas nas costas do cuidador, ou sentar-se por longos períodos de tempo. Para os menores de um ano, não é recomendado passar tempo sedentário em frente à tela, como assistir TV, vídeos ou brincar com jogos de computador. Para as que tenham dois anos de idade, o tempo sedentário diante da tela não deve ser superior a 1 hora – quanto menos melhor. Quando a criança estivar parada, é recomendado que se envolva em leituras e narração de histórias com um cuidador.
  • Entre o zero e os três meses, os bebês devem ter de 14 a 17 horas de sono de boa qualidade, incluindo momentos de repouso. Já entre os quatro e 11 meses, o recomendado é ter entre 12 a 16 horas.

Crianças de três a quatro anos devem:  

  • Passar pelo menos 180 minutos em várias atividades físicas em qualquer intensidade. Pelo menos 60 minutos dessas atividades devem ser físicas de intensidade moderada a vigorosa, espalhadas ao longo do dia. Quanto mais, melhor.
  • Não devem ser mantidas por mais de uma hora de cada vez, como em carrinhos de bebê, ou sentar por longos períodos. O tempo sedentário em frene à tela não deve exceder uma hora – quanto menos melhor. Quando inativa, é recomendado que a criança se envolva em leituras e narração de histórias com um cuidador.
  • Entre o zero e os três meses, os bebês devem ter de 14 a 17 horas de sono de boa qualidade, incluindo momentos de repouso. Ter de 10 a 13 horas de sono de boa qualidade, que podem incluir um cochilo, com horários regulares para dormir e acordar.

Descarregar o documento WHO guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age no link:

https://www.who.int/news-room/detail/24-04-2019-to-grow-up-healthy-children-need-to-sit-less-and-play-more

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 79 sobre A importância da atividade física na saúde da criança

Janeiro 25, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 79. Esta é uma compilação abrangente e atualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre A importância da atividade física na saúde da criança.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Maus hábitos de sono aumentam risco de obesidade nos rapazes

Maio 2, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

Notícia e fotografia do https://ionline.sapo.pt/ de 16 de abril de 2018.

Estudo da Universidade de Coimbra conclui que crianças do sexo masculino com hábitos de sono irregulares têm 128% mais probabilidade de obesidade.

Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra chegaram à conclusão que os maus hábitos de sono representam “risco muito elevado de obesidade” nas crianças de sexo masculino.

O estudo contou com a participação de 8.273 crianças entre os seis e os nove anos (sendo 4.183 de sexo feminino) e, baseando-se nas recomendações da Academia Americana de Pediatria (2016) que estabelece que a duração indicada de sono para as crianças deve ser entre nove e 12 horas, teve como objetivo analisar “a relação entre os hábitos de sono irregulares” – quer por escassez ou excesso – e “o risco de excesso de peso e obesidade na população pediátrica”.

Na investigação foi também tido em conta a “atividade física e os comportamentos sedentários (por exemplo, o tempo passado a ver televisão ou a jogar no computador) através de questionários preenchidos pelos pais”, explica uma nota enviada pela Universidade de Coimbra à Lusa. O estudo foi publicado no American Journal of Humam Biology.

As conclusões ditam que “os rapazes que apresentavam hábitos de sono irregulares para a sua idade, isto é, quer abaixo das nove horas por noite, quer acima das 12 horas por noite, durante a semana têm 128% probabilidade de serem classificados como crianças com excesso de peso comparativamente com aqueles que dormiam as horas recomendadas”, explica o investigador Aristides Machado-Rodrigues.

Para as raparigas, cujos resultados foram analisados à parte, “não houve associações significativas entre a duração do sono e o risco de obesidade, nem nos dias da semana nem durante o fim de semana”, refere ainda o investigador que destaca “o cumprimento dos hábitos de sono recomendados na infância” como “um aspeto crucial da saúde cognitiva e do desenvolvimento harmonioso das crianças”.

“Os pais devem reforçar as regras familiares da ‘hora de deitar’ das crianças para que estas possam ter o tempo de sono diário recomendado para a saúde”, alerta Aristides Machado-Rodrigues e lembra que “a literatura sustenta, de forma inequívoca, que a privação do sono, especialmente em idades pediátricas, está associada a problemas de saúde aumentados, não só de índole cognitivo, mas especialmente relacionados com a diminuição da tolerância à glicose, o qual é um fator de risco para a obesidade”.

“Na atualidade, e de forma muito pragmática, não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação para os comportamentos sedentários de ecrã, vulgo tablets, telemóveis e computadores, que as crianças e jovens perpetuam pela noite dentro, comprometendo as horas de sono recomendadas, muitas vezes fechados no quarto e sem conhecimento dos pais”, acrescenta.

Apesar das várias medidas que têm sido adotadas para o combate à obesidade, “os hábitos de sono são os que têm merecido menor atenção comparativamente a outros comportamentos do quotidiano, como a atividade física, os hábitos nutricionais ou ainda o sedentarismo”, pode ainda ler-se na nota enviada pela Universidade de Coimbra.

Este estudo está incluído numa investigação mais ampla sobre a Prevalência da obesidade na infância em Portugal, sob a coordenação de Cristina Padez e com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The association of irregular sleep habits with the risk of being overweight/obese in a sample of Portuguese children aged 6–9 years

 

 

 

Mais de 76% das crianças do 1.º ciclo vão para a escola de carro

Janeiro 1, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 20 de dezembro de 2017.

Mais de 76% das crianças portuguesas do 1.º ciclo vão para a escola de carro. Menos de 18% deslocam-se a pé ou de bicicleta, com a maioria dos pais a considerar o trajeto inseguro.

O sistema de vigilância que analisa o estado nutricional infantil divulga hoje os seus resultados relativos a 2016, integrando também uma avaliação sobre a atividade física e sobre os comportamentos sedentários por parte das crianças. A percentagem de crianças que se deslocam de automóvel para a escola cresceu significativamente de 2008 para 2016, passando de 57% para mais de 76%.

No último ano analisado, mais de 64% dos encarregados de educação consideraram que o caminho de ida e regresso da escola não era seguro, sendo as regiões Centro, da Madeira e dos Açores as que têm maior percentagem de pais a considerarem os trajetos inseguros para as crianças se deslocarem a pé ou de bicicleta.

Além de questionarem as famílias, os investigadores do estudo coordenado pelo Instituto Doutor Ricardo Jorge perguntaram também às escolas como avaliam os acessos aos recintos escolares.

Pouco mais de metade (51,4%) das escolas considerou a acesso à escola seguro, sendo novamente na Madeira e nos Açores que se detetou uma maior percentagem de escolas a considerar o caminho de casa para a escola como inseguro.

Para o estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI) foram avaliadas 6.745 crianças de 230 escolas portuguesas do 1.º ciclo do ensino básico (dos 6 aos 8 anos de idade).

Lusa

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Childhood Obesity Surveillance Initiative: COSI Portugal 2016

 

Há cada vez mais crianças que passam mais de uma hora por dia a jogar computador

Dezembro 21, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia do http://lifestyle.sapo.pt/ de 20 de dezembro de 2017.

Nuno de Noronha

Mais de 75% das crianças portuguesas dos 6 aos 8 anos passam entre uma e duas horas por dia a jogar jogos eletrónicos durante a semana, segundo dados de 2016, que mostram um aumento significativo desta atividade sedentária.

O estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI), em que foram avaliadas 6.745 crianças em Portugal, mostra que em 2016 quase 60% utilizavam o computador para jogos eletrónicos cerca de uma hora por dia durante a semana, enquanto 16% despendiam na atividade duas horas por dia e 4,5% cerca de três horas ou mais.

Ao fim de semana, cerca de 80% das crianças estavam no computador duas ou mais horas por dia.

As atividades sedentárias frente ao computador foram reportadas em maior proporção em 2016 do que no mesmo estudo realizado em 2008.

Há quase dez anos, apenas 12% das crianças avaliadas usava o computador para jogos entre uma e duas horas durante a semana, o que contrasta com os 75% em 2016.

Apesar disso, mais de 66% dos menores analisados brinca fora de casa durante o fim de semana três ou mais horas por dia.

Menos brincadeiras dentro de casa

Durante a semana, há uma redução das brincadeiras fora de casa, mas ainda assim cerca de 70% das crianças brinca fora entre uma e duas horas por dia.

Aliás, o estudo COSI aponta para uma melhoria dos indicadores de atividade física na infância, com poucas crianças (1,7%) a indicar que nunca praticam atividade física em 2016, o que contrasta com os quase 20% que o afirmavam em 2008.

Também a prática de três ou mais horas de atividade física espontânea ao fim de semana foi maior em 2016 (com 66%) do que em 2008 (50,8%).

Quanto à atividade física em ambiente escolar, cerca de 65% dos estabelecimentos de ensino avaliados disponibilizavam pelo menos 90 minutos semanais de educação física às crianças do primeiro ciclo. Outras 25% das escolas oferecem entre 60 e 90 minutos de educação física por semana.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Childhood Obesity Surveillance Initiative: COSI Portugal 2016

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.