Crianças do pré-escolar passam mais de hora e meia por dia em frente a ecrãs

Julho 2, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 19 de junho de 2020.

Foram avaliados os hábitos de 8.430 crianças, com idades compreendidas entre os três e os 10 anos, a residir nas cidades de Coimbra, de Lisboa e do Porto

Um estudo concluiu que as crianças do ensino pré-escolar (até aos cinco anos) passam, em média, mais de uma hora e meia (154 minutos) por dia em frente à televisão e outros dispositivos, anunciou esta sexta-feira a Universidade de Coimbra (UC).

Publicado na revista científica BMC Public Health, o estudo, intitulado “Social inequalities in traditional and emerging screen devices among Portuguese children: a cross-sectional study”, foi realizado por uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC).

O estudo, refere a UC, teve como objetivo avaliar o tempo de ecrã das crianças portuguesas em diferentes equipamentos eletrónicos — os tradicionais (como a televisão, o computador e as consolas de jogos) e os modernos, incluindo os ‘tablets’ e os ‘smartphones’ –, bem como “determinar as diferenças no uso de acordo com o sexo e a idade das crianças e a posição socioeconómica das famílias”.

Foram avaliados os hábitos de 8.430 crianças, com idades compreendidas entre os três e os 10 anos, a residir nas cidades de Coimbra, de Lisboa e do Porto.

Os dados foram recolhidos em 118 escolas públicas e privadas, e as taxas de participação foram de 58% em Coimbra, 67% em Lisboa e 60% no Porto.

De acordo com os resultados do estudo, nas crianças mais velhas o tempo em frente ao ecrã é maior, sobretudo devido ao maior tempo gasto em dispositivos eletrónicos, como computadores, videojogos e ‘tablets’: aproximadamente 201 minutos por dia.

“Concluímos que a maior parte das crianças, principalmente entre os meninos, excede as recomendações de tempo de ecrã indicadas pela Organização Mundial da Saúde e pela Associação Americana de Pediatria, em que o tempo de ecrã deve ser limitado a uma hora (em crianças até aos cinco anos) ou a duas horas por dia (em crianças acima dos seis anos)”, afirma, citada pela UC, Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo agora publicado.

Embora a televisão continue a ser o equipamento mais utilizado, “o uso de ‘tablets’ está generalizado e o tempo gasto neste equipamento é elevado, incluindo em crianças com três anos de idade”, nota a investigadora.

O tempo de ecrã “é sempre mais elevado em crianças de famílias de menor posição socioeconómica, independentemente da idade, sexo, ou do tipo de equipamento”, sublinha ainda Daniela Rodrigues.

De acordo com a investigadora, tendo em conta que o tempo de ecrã está associado a um impacto negativo na saúde das crianças, por exemplo, menor tempo e qualidade do sono, maior atraso no desenvolvimento cognitivo e da linguagem, excesso de peso, etc., estes resultados “indicam que é necessário um maior controlo por parte dos pais no acesso que as crianças têm aos equipamentos eletrónicos”.

Este panorama é “ainda mais preocupante numa altura em que, devido à pandemia de covid-19, as crianças estão obrigadas a passar mais tempo em casa, e precisam de recorrer a alguns destes equipamentos para aceder à telescola”, adverte.

“É fundamental identificar os subgrupos de risco e identificar como cada dispositivo é usado de acordo com a idade, para permitir futuras intervenções apropriadas”, sustenta a investigadora da FCTUC.

Os pais, conclui Daniela Rodrigues, “devem ter em mente que as crianças passam a maior parte do tempo a ver televisão, mas os dispositivos móveis estão a tornar-se extremamente populares a partir de tenra idade”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Social inequalities in traditional and emerging screen devices among Portuguese children: a cross-sectional study

Obesidade em idade pediátrica: prevenção é a palavra chave

Junho 14, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Cláudia Cristóvão publicado no Sapolifestyle de 20 de maio de 2020.

A obesidade é a pandemia do século e para conter o seu avanço é preciso que todos tomemos consciência deste problema e que estejamos preparados para o enfrentar. Estima-se que em 2025, 20% das nossas crianças sofram de obesidade. Um artigo da médica pediatra Cláudia Cristóvão.

Não existe um grupo de risco, mas sim comportamentos de risco. Desta forma, o esforço para combatê-la não pode ser dirigido apenas aos obesos mas a todos aqueles que apresentam comportamentos de risco, que os colocam numa situação de fortes candidatos a ter excesso de peso e obesidade.

Vivemos numa sociedade em que todos somos potenciais portadores de comportamentos de alto risco: sedentarismo, consumo de alimentos industrializados, consumo de “fast-foods”, falta de horário para realizar 5-6 refeições diárias, uso abusivo de refrigerantes, salgadinhos, entre tantos outros. As nossas crianças já não brincam na rua como antigamente e ocupam os seus tempos livres com dispositivos eletrónicos como videojogos, tablets, televisões e telemóveis. Também o poder de compra das famílias contribui para o aumento deste problema.

Potenciais problemas de saúde

Quando falamos em excesso de peso e obesidade referimo-nos a excesso de gordura corporal e, consequentemente, de sérios riscos para a saúde futura das nossas crianças e adolescentes. Falamos das “doenças crónicas do adulto”, nomeadamente hipertensão arterial (HTA), diabetes, dislipidemias (colesterol elevado e gorduras elevadas no sangue), esteatose hepática não – alcoólica (“fígado gordo), entre outras. Estes riscos são tanto maiores quanto mais precoce for a instalação do excesso de gordura corporal.

Emergência de prevenir

É fundamental que a prevenção se inicie nos primeiros 1000 dias, ou seja, desde o período pré-natal (após conceção) até aos 2 anos de idade.

Os primeiros 1.000 dias de vida constituem um período de maior crescimento e maturação do organismo, em que existe maior suscetibilidade ao meio ambiente e, em particular, à nutrição. Os alimentos que ingerimos podem atuar sobre os nossos genes e influenciar a forma como se expressam. É nesta altura que ocorre a programação metabólica que irá influenciar toda a nossa vida futura.

Situações de carência, excesso ou desequilíbrio nutricional na grávida, lactente ou criança funcionam como agressores que induzem respostas adataptivas do organismo (programação metabólica) visando a sobrevivência, respostas essas que a médio/longo prazo poderão ser desadaptativas – resultando em doença ao longo da vida.

Exemplificando: um embrião/feto que na vida intra-uterina se encontra num ambiente em que existe privação de nutrientes/ energia, ou morre ou o seu organismo vai adaptar-se e sobreviver neste ambiente deficitário. O seu organismo vai sofrer uma série de alterações anatómicas, hormonais e fisiológicas que lhe garantem a sobrevivência no momento de restrição energética, na vida intra-uterina. Estas mesmas adaptações, no futuro acarretam um risco acrescido de doença crónica nomeadamente obesidade e doença cardiometabólica.

Sabemos que existe, uma forte estabilidade da obesidade pediátrica, particularmente na dependência de fatores comportamentais (quer individuais quer familiares), uma grande dificuldade em reverter a obesidade, e uma ocorrência cada vez mais precoce das suas comorbilidades, por isso importa prevenir precocemente.

A orientação para a prevenção e promoção de bons hábitos deve ser feita durante a fase pré-natal, primeira infância e nos ambientes em que a criança vai conviver no futuro.

O peso antes e durante a gestação

Uma mulher obesa ou uma mulher que, independentemente do seu peso antes de engravidar, teve um aumento de peso superior ao desejado, tem maior probabilidade de ter um recém-nascido grande para idade gestacional com risco de complicações imediatas (ao nascimento) e futuras nomeadamente obesidade, diabetes, doença cardiovascular e cancro.

Deste modo, é importante o controlo de peso da mulher antes de engravidar e durante a gestação devendo ser orientada para uma alimentação equilibrada e diversificada.

Influência do padrão de crescimento

O padrão de crescimento até aos 2 anos de idade influencia o índice de massa corporal (IMC) na idade adulta, a composição corporal, a função cerebral e cognitiva e o perfil cardiometabólico.

O crescimento linear (comprimento) está associado à estatura e melhor rendimento escolar na idade adulta.

O aumento de peso, por seu lado, está relacionado com maior IMC na idade adulta e a maior percentagem de gordura corporal com maior risco de obesidade, diabetes e pressão arterial elevada. O aumento de peso exagerado após os 2 anos de idade é um fator de risco mais forte para doença crónica do que o ganho nos 2 primeiros anos de vida.

Alertas

  • Os pais devem ser educados para reconhecer os sinais de fome e saciedade, sem forçar e exigir a ingestão total ou excessiva de alimentos. A criança tem a capacidade de autorregular a sua ingestão. Em caso de dúvidas não hesite em falar do tema com o pediatra. As unidades hospitalares têm circuitos e procedimento implementados para a segurança de todos os doentes e profissionais de saúde, pelo que ir a uma consulta de pediatria em tempos de COVID-19, é seguro e não deve ser adiado.
  • Deve promover-se o aleitamento materno nos primeiros 6 meses de vida e a diversificação alimentar deve ser corretamente implementada de acordo com as necessidades nutricionais e desenvolvimento da criança. Salienta-se a importância da boa qualidade do alimento, estimulando o consumo regular de fruta, legumes, verduras e estar atento ao tipo de gordura consumida.
  • Os pais devem levar estilos de vida saudáveis, alimentação saudável, exercício/atividade física. Restringir o uso de tecnologia para menos de 2 horas diárias. Sabemos que as crianças aprendem com o exemplo.
  • As escolas devem proporcionar a oferta de alimentos saudáveis nas cantinas escolares bem como contemplar actividade física mais frequente durante o período em que as crianças/ adolescentes estão na mesma.
  • As instituições competentes para o efeito deveriam oferecer espaços públicos com áreas de lazer e desporto nas zonas residenciais.

Só com esforço conjunto de profissionais de saúde, família, escolas e comunidade poderemos conseguir prevenir esta terrível doença que é a obesidade e que vai marcando de forma silenciosa o nosso organismo e quando dá sinal poderá ser mais difícil de reverter.

Um artigo da médica Cláudia Cristóvão, pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

Intervir no excesso de peso na infância

Maio 31, 2020 às 2:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Dulce Teixeira Bouça publicado no Público de 23 de maio de 2020.

O excesso de peso na infância tem uma influência muito marcada no desenvolvimento psicoemocional e na auto-estima, que vão acompanhar a adolescência e a idade adulta.

A Joana de 10 anos tinha excesso de peso desde os 7 anos, com chamadas de atenção do pediatra e dos professores, os pais na sua boa-fé e muito absorvidos pelas suas profissões, deixaram passar o tempo na esperança de que o crescimento resolvesse o problema. Aos 10 anos a Joana não faz nenhuma actividade física porque diz que não consegue. Tem poucos amigos porque diz que a chamam de ‘gorda’. Não tem vontade de estudar porque está sempre aborrecida e acalma-se comendo. A Joana está em risco, precisa de ser ajudada a sentir-se bem no seu corpo para poder acreditar em si.

O Miguel tem 13 anos e tem excesso de peso, que desde os 8 anos se tem acentuado. Já manifesta cansaço ao esforço e poucos interesses para além da PlayStation. O Miguel vive alternando entre a casa da mãe e a casa do pai, que têm diferentes avaliações da necessidade de mudar o comportamento alimentar e ocupacional do filho. Sem um trabalho conjunto de compromisso e de confiança mútuos, que implique orientações do pediatra, motivação dos pais e muito estímulo para o Miguel, o crescimento e a alegria da adolescência podem ficar comprometidos.

Como é sabido o excesso de peso na infância é um factor de risco para um desenvolvimento saudável, para que se progrida num crescimento equilibrado, para o aparecimento de doenças metabólicas e cardiovasculares precoces e mesmo para a prevenção de certos tipos de cancro, bem como, de doenças crónicas como a diabetes a hipertensão arterial, entre outras.

Mas o excesso de peso na infância tem, também, uma influência muito marcada no desenvolvimento psicoemocional e na auto-estima, que vão acompanhar a adolescência e a idade adulta.

É o corpo no seu todo — físico e emocional, que veicula a formação da personalidade, do auto conceito de valor próprio e individual. É o corpo que facilita as vivências fundamentais de pertença ao grupo de pares, que permite as escolhas interpessoais por afinidades, que permite que a criança ou o adolescente se sintam bem no grupo de amigos, na escola, no desporto, nas vivências de aproximação e identificação com os outros, comparando-se com os da mesma idade e mesmo com os adultos em que se projectam para o futuro.

É sabido que o sentimento de pertença e aceitação nos grupos é fundamental para que a criança se sinta motivada, apreciada e empenhada em atingir os objectivos que se propõe, tanto nas suas competências emocionais e sociais, como na aprendizagem e resultados académicos. Uma criança que não se sente valorizada na sua imagem física, dificilmente se sente motivada para experimentar novos desafios ou para competir para alcançar sucesso.

Mais do que as competências intelectuais, são as competências emocionais e sociais que fazem uma criança feliz e a acreditar no seu sucesso pessoal. O corpo, saudável e emocionalmente equilibrado, é o instrumento por excelência para a procura de uma identidade pessoal e social, que se constrói em primeiro lugar na família e, depois e ao mesmo tempo, nos grupos de amigos, na escola, nas actividades lúdicas e desportivas, no desenvolvimento da criatividade.

Como também sabemos as crianças não têm autonomia para decidir as suas escolhas, cabe aos pais e à família orientar a procura de um caminho próprio para se realizarem e, nesse sentido, as condições para o seu desenvolvimento saudável são também fornecidas na família.

Quando uma criança apresenta excesso de peso, avaliado pelo seu médico que acompanha o desenvolvimento, o trabalho de correcção de hábitos alimentares e a promoção de uma actividade física salutar, deve ser feito numa intervenção em equipa — constituída por médico, pais e criança, retirando a responsabilidade total a esta e transferindo-a para a família que deve ser, sem imposição punitiva, o exemplo de bons hábitos alimentares e cuidados a ter com o corpo.

Independentemente de vivermos em situação de pandemia, não se deve adiar a intervenção perante o excesso de peso de uma criança. As unidades de saúde já retomaram a actividade clínica programa de forma segura e como tal pode procurar orientação junto do médico. Vamos ajudar o Miguel e os pais…Vamos apoiar a Joana… Vamos conseguir que o Miguel e a Joana consigam!

 

Psiquiatra que integra consulta multidisciplinar de Tratamento de Doenças do Comportamento Alimentar no Centro da Criança e Adolescente do Hospital CUF Descobertas

Cuidados alimentares e atividades para crianças em tempos de COVID-19 – DGS

Abril 29, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o documento no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/cuidados-alimentares-e-atividades-para-criancas-em-tempos-de-covid-19.aspx

Comunicado do IPA sobre “A importância da promoção do brincar livre em tempo de isolamento e de distanciamento social “

Abril 9, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o documento em baixo:

Comunicado IPA

Um terço dos pais interpreta mal o peso dos filhos

Fevereiro 18, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 17 de fevereiro de 2020.

Estudo da Universidade de Coimbra avalia se a perceção que os pais têm sobre o peso dos filhos é influenciada por características socioeconómicas.

Cerca de um terço dos pais interpretam mal o peso dos seus filhos, de acordo com um estudo desenvolvido na Universidade de Coimbra (UC) e já publicado no American Journal of Human Biology.

De acordo com a investigação, conduzida por Daniela Rodrigues, Aristides Machado-Rodrigues e Cristina Padez, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), “32,9% dos pais interpretam mal o peso dos seus filhos (30,6% subestimam e 2,3% sobrestimam)”, afirma a UC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

O estudo visou essencialmente “analisar a concordância entre o estatuto nutricional das crianças e a perceção que os pais têm do peso delas”, e “observar se a subestimação do peso estava de algum modo associada ao risco da criança ter excesso de peso/obesidade”.

Envolvendo 793 pais e respetivos filhos (com idades compreendidas entre seis e os dez anos), a pesquisa pretendeu ainda “avaliar se a perceção que os pais têm sobre o peso dos seus filhos era influenciada por características das crianças e socioeconómicas”, refere a UC.

“Verificámos que mais de 30% dos pais não identificou corretamente o estatuto nutricional dos filhos, sendo que a maior parte subestimou”, sublinha, citada pela UC, Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo científico e investigadora do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da FCTUC.

“A subestimação foi substancialmente maior consoante o peso dos filhos, ou seja, vários pais com filhos com excesso de peso classificaram o peso dos filhos como normal e, principalmente, pais com crianças obesas reportaram que as crianças tinham apenas um pouco de peso acima do recomendado”, explicita Daniela Rodrigues.

É nas classes sociais mais baixas que os pais mais subestimam o peso das suas crianças, especialmente das meninas: “Ter pais com menor estatuto socioeconómico e mães com excesso de peso aumenta a probabilidade de subestimar o peso dos filhos, principalmente entre as raparigas”, nota a investigadora.

Sobre a subestimação do peso, se esta estava, de algum modo, associada ao risco da criança ter excesso de peso/obesidade, os investigadores verificaram que “pais que subestimam o peso dos filhos têm 10 a 20 vezes mais probabilidade de terem filhos com excesso de peso ou obesidade, o que tem sido associado a um conjunto de problemas de saúde física e mental, não só na infância, mas que permanecem na idade adulta”.

Ponderando as conclusões do estudo, que foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Daniela Rodrigues defende que “é urgente ajudar os pais a identificar corretamente o excesso de peso e a obesidade” dos filhos para que possam “recorrer à ajuda dos profissionais de saúde” para melhorarem a qualidade de vida da criança.

“O primeiro passo para alterar comportamentos de risco associados à obesidade (dietas ricas em gorduras saturadas e açucares, inatividade física, comportamentos sedentários, etc.) é perceber a necessidade de alterar esses mesmos comportamentos, identificando corretamente o estatuto nutricional da criança”, acrescenta.

No artigo, os investigadores apresentam ainda algumas explicações para os resultados do estudo. “Os pais podem não saber identificar o que é excesso de peso ou obesidade, principalmente porque os media tendem a apresentar a obesidade no seu extremo”.

Por outro lado, “numa altura em que a prevalência de excesso de peso e obesidade afeta cerca de um terço das crianças, os pais podem ‘normalizar’ o excesso de peso, porque é o formato que mais encontram nas crianças que os rodeiam”, afirma ainda Daniela Rodrigues.

“Acreditamos ainda que a maior parte dos pais prefere não identificar a criança como tendo peso acima do recomendado por uma questão de enviesamento social, evitando os estereótipos associados ao excesso de peso e obesidade”, conclui.

Mais informações na notícia da Universidade de Coimbra:

Estudo conclui que um em cada três pais interpreta mal o peso dos seus filhos

Mais de 80% dos estudantes adolescentes não praticam atividades físicas suficientes, diz OMS

Novembro 30, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Banco Mundial/Charlotte Kesl
Estudo nota que se tendências apresentadas continuarem, a meta global de uma redução relativa de 15% na atividade física insuficiente até 2030, não será alcançada.

Notícia da ONU News de 21 de novembro de 2019.

Estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, recomenda pelo menos uma hora de exercícios físicos por dia; especialistas afirmam que tempo gasto com aparelhos eletrônicos como celular e computadores influencia no sedentarismo.

A Organização Mundial da Saúde realizou o primeiro estudo sobre a falta de atividades físicas entre adolescentes. O levantamento analisou a situação de crianças e adolescentes entre 11 a 17 anos.

A pesquisa publicada neste 21 de novembro conclui que mais de 80% dos adolescentes, que frequentam escolas em todo o mundo, não cumpriram as recomendações atuais de pelo menos uma hora de atividade física por dia.

Alerta

Os autores do estudo afirmam que os níveis de atividade física insuficiente em adolescentes continuam extremamente altos, comprometendo sua saúde atual e futura. Em conversa com a ONU News, de Moscou, o diretor do Escritório Europeu da OMS de Prevenção e Tratamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis disse que o fato de o problema afetar quatro em cada cinco adolescentes é “bastante assustador”.

João Rodrigues alerta que a falta de atividades físicas entre as crianças e os jovens geram problemas tanto físicos como mentais.

“A atividade física é muito importante porque realmente promove a saúde mental. Existem estudos que dizem que adolescentes que são mais ativos têm melhores resultados escolares, mas também têm, níveis de relação social e saúde mental naturalmente melhores. No fundo, a atividade física protege e promove a saúde mental. A atividade física também serve para lidar com e a prevenir o excesso de peso e obesidade. Os adolescentes e as crianças que são mais ativos têm menos risco de ter obviamente excesso de peso e obesidade.”

Rodrigues acrescentou que além da obesidade, atividades físicas também evitam problemas cardiovasculares, câncer e outros, e que é essencial que crianças e jovens pratiquem atividades físicas pelo menos uma hora por dia, para serem considerados ativos.

Gênero

Os resultados apresentados pela pesquisa são piores para meninas do que meninos, com 85% e 78%, respectivamente. O estudo, que é baseado em dados relatados por 1,6 milhão de estudantes da faixa etária, registrou essa tendência de diferença entre os gêneros em todos os 146 países analisados entre 2001 e 2016, exceto em Tonga, Samoa, Afeganistão e Zâmbia.

A maioria dos países, 107 de 146, viu essa diferença de gênero aumentar entre 2001 e 2016.

Em 2016, as Filipinas foram o país com maior prevalência de falta de atividade entre meninos, com 93%, enquanto a Coréia do Sul apresentou níveis mais altos entre meninas, com 97%, e ambos os sexos combinados, 94%. Bangladesh registrou a menor prevalência de atividade física entre meninos e meninas com 63% e 69%.

Lusófonos

O Brasil é um dos citados. No país, em 2001, a prevalência de falta de atividades físicas dos adolescentes era de 84,6%. E em 2016, o índice teve um pequeno progresso passando para 83,6%.

Em Moçambique, no mesmo período, os resultados desceram de 84,6% para 83,6% e no Timor-Leste, o índice subiu pouco: de 89% para 89,4%.

Sociabilização

O estudo também indica que existem sinais de que a atividade física tem um impacto positivo no desenvolvimento cognitivo e na sociabilização. Fora isso, muitos desses benefícios continuam na idade adulta.

Rodrigues enfatiza que é essencial que crianças e jovens, desde muito cedo, se envolvam em atividades esportivas e de caráter recreativo, como caminhadas e ciclismo. Ele também citou recomendações recentes da OMS de que crianças devem ter tempo limitado na frente das telas de aparelhos como computadores e telefones celulares.

“Nós sabemos que um dos elementos que podem contribuir aos níveis de sedentarismo são as horas que as crianças e os jovens passam em frente às telas e aos computadores. É muito importante reduzir ou limitar, não cortar, naturalmente, é importante que as crianças e jovens possam usar os benefícios da internet etc, dentro de determinados limites. Mas é importante reduzir o tempo porque os dados indicam que é muito visível que as crianças e jovens passam mais tempo do que o aceitável por dia nessas atividades sedentárias.”

Redução

A pesquisa nota que se as tendências apresentadas continuarem, a meta global de uma redução relativa de 15% na atividade física insuficiente, o que levaria a uma prevalência global de menos de 70% até 2030, não será alcançada. Esta meta foi acordada por todos os países na Assembleia Mundial da Saúde no ano passado.

Rodrigues diz que para mudar essas tendências, é importante trabalhar com um conjunto de fatores, onde a participação dos pais é essencial.

“O mais importante é que os pais também sejam ativos fisicamente. Crianças e jovens de pais ativos, seguramente, serão mais ativos também. Então, a primeira coisa é o exemplo, outra é não deixar as crianças ficarem tanto tempo nessas atividades sedentárias e realmente impor um limite diário de número de horas que podem fazer essas atividades, como o uso dos seus smartphones, e de computadores. Ao mesmo tempo, também, colaborar com a escola. Porque a escola é realmente um dos ambientes mais importantes para promover a atividade física. Envolvendo os pais com a escola, de uma forma interativa e compreensiva, é muito importante, porque naturalmente os pais sozinhos não podem fazer tudo.”

Outras recomendações do estudo incluem a promoção pelos líderes nacionais, regionais e locais da importância da atividade física para a saúde e o bem-estar de todas as pessoas, incluindo adolescentes.

Recomendações:

  • Ampliar, urgentemente, políticas e programas eficazes conhecidos para aumentar a atividade física em adolescentes;
  •  Promover ações multisetoriais para oferecer oportunidades aos jovens de serem ativos, envolvendo educação, planejamento urbano, segurança viária e outros.

 

Mais informações na notícia da World Health Organization:

New WHO-led study says majority of adolescents worldwide are not sufficiently physically active, putting their current and future health at risk

Artigo da The Lancet Child & Adolescent Health:

Global trends in insufficient physical activity among adolescents: a pooled analysis of 298 population-based surveys with 1·6 million participants

Pai, mãe, ensinem as crianças a mexerem-se

Julho 18, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Daniel Rocha

Artigo de opinião de Cíntia França publicado no Público de 5 de julho de 2019.

São vários os estudos que concluem que a inactividade durante a infância e a adolescência raramente é contrariada na vida adulta. Logo, é forte a probabilidade de existirem cada vez mais adultos sedentários.

A evolução para uma sociedade totalmente capitalista e dependente da tecnologia produziu um impacto (quase) incalculável nas nossas crianças. Enclausurámo-nos em apartamentos, rodeados de estradas ou de outros apartamentos, e o espaço tornou-se contado ao pormenor, definido pelos limites do que é considerado seguro aos nossos olhos. Ganhámos o urbanismo e perdemos a independência.

Será, portanto, impensável — e inconcebível, por vezes — deixar uma criança ir a pé para a escola. Não fará sentido não a deixar à porta das suas actividades diárias, evitando a necessidade de se ter que atravessar uma passadeira. Estamos demasiado cansados, depois de um dia de trabalho, para nos deslocarmos até onde exista um verdadeiro espaço. Estamos, definitivamente, cegos por não nos apercebemos da forma como impactamos o desenvolvimento das nossas crianças.

As provas de aferição realizadas na área da Educação Física, realizadas, pela primeira vez, no passado ano lectivo, sumarizaram dados extremamente preocupantes. Ora vejamos:

  • 33% dos alunos apresentou dificuldades em participar num jogo colectivo;
  • 46% não conseguiu dar seis saltos consecutivos à corda;
  • 40% não conseguem dar uma cambalhota para a frente.

Estes foram os dados escandalosamente repetidos na comunicação social. Estes são os dados que expressam as capacidades dos nossos alunos do 2.º ano de escolaridade. Crianças cuja motricidade foi seriamente afectada pelo nosso estilo de vida. Crianças que dominam a tecnologia do telemóvel e do tablet, privilegiando a activação dos “dados móveis” em detrimento da participação activa no recreio da escola. Crianças que se deparam com a instabilidade que ronda a importância da Educação Física no contexto escolar: ora pela distribuição dos tempos lectivos, ora pelo facto de a disciplina pesar, ou não, nas médias finais. Crianças essas que dificilmente terão a oportunidade de assistir a um evento desportivo que não esteja centrado no futebol.

Pai, mãe, ensinem as crianças a mexerem-se! O desporto é algo demasiado importante para ser ignorado. Capaz de ensinar a vencer e a ser vencido; de incentivar o respeito pelo outro; de perceber a relação entre o corpo e o espaço; de elevar os limites para aquelas que julgamos ser as barreiras das nossas capacidades; de relacionar com o outro, permitindo-nos ganhar amigos para a vida.

Pai, mãe, o desporto é algo demasiado importante para privarem as crianças de o praticarem. São vários os estudos que concluem que a inactividade durante a infância e a adolescência raramente é contrariada na vida adulta. Logo, é forte a probabilidade de existirem cada vez mais adultos sedentários e que serão, precocemente, afectados pela doença.

Pai, mãe, provavelmente nada será mais libertador do que o movimento. Para tal, é necessário que os vossos filhos aprendam como fazê-lo: no recreio da escola, no parque, na actividade extracurricular, no clube, no quintal de vossa casa. Sem esquecer que a aprendizagem envolve prática e não resulta de uma actividade esporádica.

Pai, mãe, ensinem as crianças a mexerem-se e elas ficar-vos-ão gratas para o resto da vida.

Cíntia França

Professora de Educação Física e doutoranda em Ciências do Desporto pela Universidade de Coimbra.

Crianças de Vila Real revelam comportamento “sedentário alarmante”

Junho 23, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de junho de 2019.

A maioria do tempo fora da escola é passado em actividades de ecrã, seja em frente à televisão, ao computador e/ou ao telemóvel.

Lusa

Um estudo que envolveu 542 alunos do 2.º ciclo de Vila Real concluiu que 60% destas crianças têm um “comportamento sedentário alarmante”, disse nesta terça-feira o Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD).

O CIDESD, que resulta de consórcio de 10 instituições nacionais de ensino superior e agrega mais de 120 investigadores, diagnosticou o comportamento sedentário e a aptidão física de alunos do 2.º ciclo de agrupamentos escolares de Vila Real.

“Os resultados revelam um comportamento sedentário muito prevalente, caracterizado essencialmente pelo tempo passado em actividades de ecrã, seja em frente à televisão, ao computador e/ou ao telemóvel”, disse, em comunicado, a investigadora Sara Santos.

Segundo a especialista, “estes comportamentos com baixo dispêndio energético tendem a causar impactos negativos em vários indicadores de saúde e, consequentemente, na qualidade de vida das crianças”.

De acordo com o estudo, “durante o recreio, a actividade física das crianças é satisfatória”, no entanto, o “cenário agrava-se quando vão para casa”.

“Mais de 30% dos alunos não realizam qualquer tipo de actividade física fora da escola. O CIDESD recomenda que sejam incentivados a integrar uma prática estruturada como o desporto escolar e o desporto federado”, afirmou Sara Santos.

O estudo envolveu 542 alunos, de ambos os sexos e com idades compreendidas entre os 10 e os 13 anos, e, segundo o CIDESD, “mais de 30% tem um índice de massa corporal (IMC) acima do recomendado”.

O estudo revelou, ainda, que as raparigas precisam de melhorar dois atributos da aptidão física: a agilidade e a força muscular dos membros inferiores.

No âmbito do projecto, foram realizados entre Outubro e Novembro de 2018 vários testes a alunos dos agrupamentos de escolas Diogo Cão e Morgado Mateus.

Durante a aula de Educação Física, a equipa do CIDESD avaliou o peso, a altura (de pé e sentado), o salto e a velocidade na mudança de direcção em corrida, através de instrumentos de alta precisão como plataformas de infravermelhos, células fotoeléctricas e balanças de bioimpedância eléctrica.

“Os dados recolhidos podem ser particularmente úteis para os professores de Educação Física e para os treinadores dos clubes desportivos entenderem melhor o processo de maturação biológica e a sua relação com a aptidão física e prontidão desportiva”, afirmou o director do CIDESD, Jaime Sampaio.

O responsável acrescentou que, por outro lado, os “resultados também ajudam os decisores políticos locais, mas sobretudo os centrais, a repensar planos de intervenção que ajudem a combater este grave problema, quanto mais não seja pelos custos incomportáveis a longo prazo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Este consórcio junta o Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Desporto de Rio Maior – Instituto Politécnico de Santarém, Universidade da Beira Interior, Instituto Universitário da Maia (ISMAI), Universidade da Madeira, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Instituto Politécnico de Viseu, Universidade de Évora, Instituto Politécnico de Viana do Castelo e Instituto Politécnico da Guarda.

 

Seis sintomas que ajudam a detetar o vício dos videojogos

Junho 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Exame Informática de 28 de maio de 2019.

Francisco Garcia

Um problema que só recentemente foi considerado doença e que tem vindo a tornar-se cada vez mais comum na nossa sociedade, que é cada vez mais dependente das novas tecnologias.

Este sábado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a considerar o comportamento obsessivo para com os videojogos uma doença mental. Conheça aqui alguns dos sintomas que, segundo a American Addiction Centers, são comuns em pessoas que sofrem deste distúrbio:

Estilo de vida sedentário – Passar horas em frente a um ecrã pode ter efeitos perigosos no corpo e mente de um jovem. Este cenário pode agravar-se quando a pessoa em causa não pratica desporto, podendo aumentar desmedidamente o peso e acentuar uma má postura, ou em casos mais graves, desenvolver doenças como Diabetes tipo 2.

Ausência de interação social – Embora nalguns videojogos os jogadores interajam uns com os outros, os jogos não devem substituir outras formas de socialização (não virtuais) na vida das crianças. A aprendizagem de ferramentas de comunicação em contextos reais é fundamental no desenvolvimento dos mais jovens e não deve ser substituída por experiências de gaming.

Problemas de concentração – A ação e movimentos rápidos nalguns videojogos é considerada, por alguns especialistas na área, como uma das causas para falta de concentração nalguns jogadores. Associam ainda o tempo investido em videojogos à falta de interesse na leitura, que requer uma atenção prolongada.

Evitar tarefas associadas ao desenvolvimento – Este sintoma pode surgir na adolescência, quando os jovens utilizam os videojogos como um escape para os problemas da sua vida, evitando situações que os obriguem a crescer emocionalmente.

Comportamentos violentos – Algumas crianças e adolescentes que passam muito tempo a jogar videojogos de combate ou violentos, podem estar mais propensos a apresentar alguns sinais de agressividade do que outros que não jogam. A American Addiction Centers aconselha os pais a terem um mecanismo de vigilância semelhante ao que usam para impedir as crianças de ver filmes violentos.

Convulsões e lesões de stress – De acordo com um artigo publicado no British Medical Journal, os videojogos podem aumentar os riscos em jogadores com epilepsia, devido à intensidade das luzes, cores e gráficos. Um comportamento compulsivo com videojogos pode ainda levar a pequenas lesões relacionadas com o stress, nomeadamente nas mãos e pulsos.

 

 

 

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