Em Faro, há uma escola que oferece lanche a quem pedala

Fevereiro 14, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de janeiro de 2019.

Para criar uma “escola sustentável”, a Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, em Faro, começou a oferecer um lanche a todos os que lá entrarem de bicicleta. A iniciativa envolve alunos, professores, técnicos, administrativos e até encarregados de educação.

Mariana Durães

Desde o início de 2019, quem pedala para a Escola Secundária de Pinheiro e Rosa (ESPR), em Faro, tem direito a um sumo de laranja natural e uma sandes. A medida estende-se, além dos alunos, a professores, técnicos, administrativos e a todos os que entrarem na escola de bicicleta — até a encarregados de educação que pedalem para uma reunião, por exemplo.

“Começámos a verificar que muitos alunos vinham para a escola de bicicleta e o nosso parque de bicicletas começava a ser reduzido. Em Dezembro [de 2018] aumentámos o parque e, em Janeiro, lançámos esta iniciativa do reforço alimentar”, explica André Lara, director adjunto da escola secundária. A iniciativa insere-se numa série de actividades que estão a ser promovidas para tornar a escola — que faz parte do projecto Eco-Escolas — uma instituição mais sustentável.

Para já, o lanche está disponível para a comunidade escolar da ESPR, mas André Lara revela que a ideia é alargar às escolas do segundo e terceiro ciclo do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa e, assim que a questão do seguro escolar “estiver resolvida”, implementar mais iniciativas que “promovam o uso da bicicleta no dia-a-dia”. Actualmente, o seguro escolar não cobre deslocações em bicicleta, o que já levou a Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afins (Abimota) a manifestar-se junto do Ministro da Educação.

Os lanches para os ciclistas da ESPR vão manter-se pelo menos até ao final do ano lectivo e poderão continuar, consoante o “impacto orçamental” que provoquem. “A ideia é encontrar parcerias com a comunidade”, afirma o director adjunto. “Estamos numa zona onde existem produtores de laranjas e vamos tentar fazer com que a própria escola seja financeiramente sustentável”, continua.

André Lara nota “um ligeiro aumento na utilização da bicicleta”, mas prefere esperar um pouco mais até confirmar o crescimento. Ainda assim, acredita que a medida já valeu a pena por ter provocado diálogo entre os alunos sobre “a importância de andar de bicicleta”.

 

 

 

Crianças pedalam de casa até à escola num “comboio” conduzido por alguns pais

Outubro 27, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Adriano Miranda

Notícia e fotografia do Público de 16 de outubro de 2018.

Projecto nascido em Lisboa, na zona do Parque das Nações, está a ser replicado, com grande sucesso, em Aveiro. E a ideia passa por fazê-lo chegar a outros pontos do país.

Maria José Santana

O ritual tem vindo a repetir-se todas as manhãs, desde o início do ano lectivo. Às 8h35, César Rodrigues e o seu filho Sebastião saem para a rua, cada um na sua bicicleta. Fazem a primeira paragem um minuto depois, escassos metros à frente, para apanhar Martinho e os seus três filhos: Mafalda, Gaspar e Baltazar. Ao longo do caminho que os conduz até à Escola Básica das Barrocas, em Aveiro, ainda efectuam mais duas paragens. Inês Domingues e Inês Brito, com os respectivos filhos, Tomás e Rodrigo, juntam-se ao grupo no segundo ponto de encontro. Mais à frente, é a vez de Ricardo Nunes, e os filhos Bárbara e João, engrossarem a caravana. Na verdade, é um “comboio” de bicicletas e até já tem nome próprio: Ciclo Expresso das Barrocas.

Inspirada no projecto Ciclo Expresso do Oriente, que arrancou há cerca de três anos na zona do Parque das Nações, em Lisboa, por iniciativa de um pai (João Bernardino), a acção parece estar a querer ganhar cada vez mais adeptos. A começar, desde logo, pelo mais novos, que começam as suas manhãs cheios de energia. Riem, gritam, cantam. Tudo isto, curiosamente, às primeiras horas da manhã e enquanto fazem o percurso de casa para a escola. Mesmo aqueles que, por serem ainda demasiado pequenos ainda não vão a pedalar. “Os de três anos de idade ainda vão nas cadeiras das bicicletas dos pais, mas já começam a ficar entusiasmados”, relata Joana Ivónia, uma das promotoras do Ciclo Expresso das Barrocas. Daí até começarem a andar “nas bicicletas de equilíbrio, com os pais a acompanharem a pé” é um saltinho, acrescenta aquela responsável com base na experiência já vivida ao longo do último ano lectivo.

Em Aveiro, o projecto arrancou a 13 de Outubro de 2017, com uma periodicidade semanal (sexta-feira) e compreendeu, até ao final do ano lectivo, a realização de cerca de 30 comboios. “Este ano, como o início do ano lectivo coincidiu com a Semana Europeia da Mobilidade, começámos por ir todos os dias de bicicleta e como tem resultado tem havido comboio sempre”, justifica Joana Ivónia. O sinal de partida ou os cancelamentos da viagem (quando chove, por exemplo) são comunicados através da aplicação whatsapp, num grupo criado para o projecto.

No dia em que o PÚBLICO acompanhou o percurso do Ciclo Expresso das Barrocas, integraram o “comboio” cinco encarregados de educação e oito crianças (com idades entre os três e os oito anos). A ideia passa por desafiar outras crianças a juntarem-se a este comboio, uma vez que a vantagem destas viagens em “comboio” passa, precisamente, pela possibilidade de as crianças não terem de ir com os seus pais. “Sabemos que nem todos os pais têm horários ou locais de trabalho que permitem participar neste comboio, mas como já vão vários adultos no grupo podem levar as suas crianças aos pontos de paragem para elas integrarem o comboio”, nota César Rodrigues, marido de Joana Ivónia e outro dos mentores da iniciativa.

Automobilistas mais sensíveis às crianças

Ao longo deste primeiro ano de existência, o Ciclo Expresso das Barrocas tem merecido o reconhecimento de outros pais, mas nem todos passam das palavras aos actos. “Acham imensa piada mas dizem que não conseguem porque o percurso é feito em estrada e têm medo de andar no meio dos carros”, referem os promotores. E há razões para tal? “Noto que quando circulamos em grupo e quando há crianças no meio, os automobilistas têm muito mais cuidado. Sinto-me mais seguro a andar na estrada sempre que levo o meu filho”, testemunha César Rodrigues. Contudo, ainda há muito trabalho a fazer no que toca a motivar mais pessoas a optarem pela bicicleta, sendo certo que na escola das Barrocas o trabalho de casa está feito. A presidente da associação de pais, Susana Caixinha, dá também ela o exemplo no que concerne à mobilidade ciclável.

No ano passado, Susana Caixinha e o marido decidiram ter apenas um carro e começar a andar mais a pé e de bicicleta. Foi preciso alterar rotinas, nomeadamente a das deslocações diárias do casal e das suas duas filhas – uma de nove e outra de seis anos. “De manhã, o meu marido leva a mais velha à escola das Barrocas, eu levo a mais nova à escola de Santiago e sigo para o trabalho”, testemunha. À tarde, quando sai do emprego (Universidade de Aveiro), Susana Caixinha passa por Santiago para ir buscar a mais nova e segue com ela para as Barrocas. No fundo, acabam por cumprir um pequeno “comboio” familiar.

A opção pela bicicleta tem trazido inúmeras vantagens, garante Susana Caixinha, em especial para as miúdas. “A Mafalda costumava ir calada no carro e agora vai o caminho todo a falar. Como passamos nos jardins da cidade é muito engraçado para ela e para mim ouvir os barulhos dos animais”, argumenta. A recomendação passa, assim, para que muitas mais famílias comecem a optar pela bicicleta nas suas deslocações diárias. “Em especial em Aveiro, uma cidade plana” onde é simples andar de bicicleta repara Susana Caixinha, sem deixar de reconhecer que a situação fica mais facilitada quando, tal como ela e a família, se vive no centro da cidade.

 

 

Bicicleta e comida saudável fazem das crianças holandesas as menos obesas entre os países ricos

Agosto 13, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Menina anda de bicicleta entre os demais ciclistas de Amsterdã sem a supervisão dos pais (Foto: Mariana Timóteo da Costa/GloboNews)

Notícia e imagem do G1 Globo de 6 de julho de 2018.

Por Mariana Timóteo da Costa, GloboNews, Amsterdã, Haia e Roterdã

Só 7% das crianças holandesas de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso; G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda foi parar no topo dos países com as crianças mais felizes do mundo.

O percentual de crianças obesas na Holanda é o menor entre os países pesquisados pelo Unicef. Se nos EUA cerca de 30% das crianças de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso, na Holanda o índice é 7%. Na França, outro país reconhecido pela alimentação saudável, o índice é 10%.

Apesar de o granulado de chocolate fazer parte de um lanche típico levado para as escolas, as crianças desde cedo fazem muito exercício porque andam para todo o canto de bicicleta. Além disso, iniciativas de prefeituras como a de Amsterdã vem reduzindo o consumo de açúcar e frituras nas escolas.

“Aos 6 anos já pedalava sozinha para a escola, aqui no bairro é tão tranquilo que nem precisamos de capacete, andamos sempre na ciclovia”, conta Ina Hutchison, hoje com 11, chegando de uma tarde no parque e no supermercado. “Vou sozinha, estaciono minha bike e faço as compras que minha mãe pediu.”

Desde quarta-feira (4), o G1 publica uma série de nove reportagens que investigam os fatores educacionais, econômicos e sociais por trás do sucesso holandês.

Mais bicicletas que pessoas

A Holanda tem 17 milhões de pessoas e 25 milhões de bicicletas. Ou seja, 1,3 bicicleta per capita. Na hora do rush em cidades grandes como Amsterdã, Roterdã e Haia, é comum ver mais bicicletas do que carros passando.

São mais de 35 mil quilômetros de ciclovias. Um holandês anda em média mil quilômetros por ano de bicicleta. E muitos desde cedo, como Ina Hutchison.

“A cultura da bicleta começa mesmo antes de as crianças aprenderem a andar, ou mesmo aprender a se movimentar com as pernas. Eu mesma só carrego ele aqui no bakfiet e ele adora”, diz a enóloga Agnes Demen, mãe de Jacob, de 1 ano.”

O bakfiet é uma estrutura de madeira que é colocada na bicicleta e usada para transportar crianças e compras de supermercado.

“É claro que o fato de as cidades serem planas e não termos problemas com segurança ajuda. Mas acho que é mais uma questão cultural mesmo. Aí a criança cresce e quer logo se deslocar de bicicleta”, acredita.

Agnes Demen transporta o filho Jacob na bakfiet, uma bicicleta adaptada para carregar crianças pequenas (Foto: Mariana Timóteo da Costa/GloboNews)

O granulado de chocolate levado de lanche, uma tradição holandesa, assim, não vira um vilão da alimentação.

Além do fato de as crianças fazerem muito exercício, prefeituras como a de Amsterdã iniciaram programas para estimular a alimentação saudável nas escolas. A Prefeitura parou de patrocinar eventos apoiados por marcas de fast-food e deu incentivo fiscais para escolas que, em suas lanchonetes, parassem de oferecer lanches processados ou com alto teor de açúcar.

O resultado foi uma redução de 12% do número de crianças obesas na cidade entre 2012 e 2015 – o que ocorreu especialmente no bairro de imigrantes.

“Aí foi um efeito cascata. Muitas escolas passaram a estimular apenas o consumo de água. Os pais começaram a mandar em vez de bolos para as festas de aniversário, frutas”, conta Leotien Peeters, da Fundação Bernard Van Leer, com sede na Holanda, dedicada à primeira infância, que advoca por mais saúde e bem-estar para crianças pequenas em vários países, incluindo no seu de origem.

Influência da nutrição na saúde

Uma das maiores cientistas da Holanda, Tessa Roseboom é professora de desenvolvimento infantil e saúde da Universidade de Amsterdã. Ela elogia as iniciativas da cidade ao perceber a influência da nutrição na saúde das crianças.

Autora de um estudo que provou que as doenças são influenciadas pela alimentação quando a criança ainda está no útero da mãe, ela diz que iniciativas como a de Amsterdã revertem tendências desses jovens terem doenças crônicas no futuro.

“Além disso permitirá que as crianças desenvolvam todo o seu potencial. A cidade de Amsterdã está se dando conta da importância de investir nesses primeiros anos da vida da criança”, afirma.

Outras cidades holandesas também programam atividades para promover vida saudável entre as crianças. Em Roterdã, é comum eventos como o que o G1 acompanhou, promovido pelas escolas públicas do bairro: uma caminhada de 5 km com a participação de cerca de 700 crianças e 400 pais.

“Adoro vir nessas caminhadas, faz nos sentirmos parte da comunidade e ainda fazem bem para a saúde”, diz a joalheira Diana Spierings, acompanhada do filho Jules e de um amigo.”

A empresária Nanja Totorla passeia animada com o filho Gianlucca, de 8. Logo, o menino dispara no meio da multidão.

“Já já ele volta, as crianças aqui são muito livres”, brinca.

 

 

Crianças de bicicleta sem capacete, adultos multados

Janeiro 2, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 23 de dezembro de 2016.

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Em França, uma nova lei vai obrigar os menores de 12 anos a usarem capacete sempre que andam de bicicleta, sejam condutores ou passageiros.

Em caso de incumprimento, o adulto que acompanha ou que conduz a criança sem capacete arrisca-se a pagar uma multa de 135 euros.

Esta iniciativa das autoridades francesas responsáveis pela segurança rodoviária deve entrar em vigor em março de 2017.

A legislação tem, no entanto, alguns contestatários. Não questionam que as crianças devem usar capacete, mas sim o facto de ser obrigatório, sujeito a multa e aplicar-se tanto nas cidades como nos meios rurais, onde o número de acidentes é mais reduzido.

Segundo o jornal Le Monde, a França será o primeiro país europeu e o quarto em todo o mundo a impor o uso de capacete pelas crianças. Até agora isso só acontece na Austrália, na Nova Zelândia e nalgumas províncias do Canadá.

mais informações no link:

http://www.lemonde.fr/securite-routiere/article/2016/12/22/le-casque-de-velo-sera-obligatoire-pour-les-enfants-de-moins-de-12-ans-a-partir-de-mars-2017_5052930_1655513.html

Uma escola do Québec apresenta mesas-bicicletas para crianças hiperativas!

Junho 1, 2015 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.ayoye.com de 19 de maio de 2015.

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Une école de Laval instaure des pupitres-vélos pour les enfants hyperactifs!

L’école primaire Des Cèdres à Laval est la première au Québec à instaurer un système de pupitres-vélos pour aider les enfants hyperactif dans leur apprentissage.

Mario Leroux, un orthopédagogue, mentionne que grâce à ces pupitres spéciaux, les enfants hyperactifs qui ont toujours besoin de bouger peuvent travailler tout en ne dérangeant pas les autres élèves en classe. Il mentionne que ces enfants ont toujours besoin de bouger et sont facilement distraits, cela dérange alors les autres élèves en classe.

Les pupitres qui en coûtent 1000$ l’unité ont été achetés grâce à des dons.

La Dre Annick Vincent mentionne que cela risque d’avoir un impact positif sur l’apprentissage de ces jeunes car il est prouvé que lorsque les enfants hyperactifs maintiennent un certain degré d’activité motrice, ils apprennent plus facilement.

Alors qu’en pensez-vous? Bonne idée ou pas?

 

 

Escola troca cadeiras por bicicletas ergométricas para prevenir obesidade

Outubro 28, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.hypeness.com.br

Crianças e adolescentes passam, em média, cinco horas por dia sentados na cadeira da escola assistindo a aulas e fazendo exercícios no caderno. Você já parou para pensar o quanto isso os ensina a serem sedentários? No estado da Carolina do Norte, nos EUA, uma escola resolveu inovar ao trocar as cadeiras da sala de leitura por bicicletas ergométricas.

Todos os dias, os alunos têm um tempo destinado à leitura de livros e revistas. Sabendo que o exercício físico estimula também o cérebro, a escola Ward Elementary, na cidade Winston-Salem, apostou nas bicicletas para prevenir a obesidade, que já atinge cerca de 17% das crianças e jovens norte-americanos, e para melhorar o foco das crianças. O projeto foi batizado de Read and Ride.

O resultado? Tiro e queda! No final do ano, a proficiência de leitura das crianças que utilizaram a bicicleta em vez da cadeira era 50% maior e as crianças se sentiam mais estimuladas à prática de outras atividades físicas.

O projeto, que começou há 5 anos, já foi levado para mais de 30 outras escolas, que adotaram a bicicleta não só nas salas de leitura, mas nas salas de aula. Nesses casos, uma ou duas bicicletas ficam no fundo da sala, disponíveis para quem quiser pedalar enquanto assiste às aulas – perfeito também para os hiperativos, hein?

Todas as fotos © Read and Ride

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Crianças de bicicleta sem capacete podem pagar até 300 euros de multa

Março 6, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 5 de Fevereiro de 2013.

Ricardo Garcia

Proposta de lei com alterações ao Código da Estrada dá mais atenção aos ciclistas, mas associações do sector não estão totalmente satisfeitas.

Deixar uma criança andar de bicicleta sem capacete pode resultar numa multa de até 300 euros, segundo as alterações que o Governo quer fazer ao Código da Estrada.

Na proposta de lei entregue ao Parlamento, onde agora seguirá o processo legislativo, as crianças até sete anos têm obrigatoriamente de andar de capacete. Se não o fizerem, prevêem-se multas de 60 a 300 euros, embora não seja claro a quem, em concreto, elas serão aplicadas.

A questão do capacete é uma entre várias que abordam as bicicletas nas alterações propostas pelo Governo. E é também uma das que não agrada aos ciclistas. Mário Alves, da Mubi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, afirma que em países onde o uso de capacete foi declarado obrigatório — como a Austrália e a Nova Zelândia — o número de ciclistas caiu 40 a 60%. E ter menos cidadãos a pedalar mas com capacete, afirma Alves, é pior do que ter mais ciclistas sem capacete, em termos de saúde pública. “Se queremos encorajar o uso de bicicletas, não é por aí”, diz.

“É mais uma medida restritiva ao uso da bicicleta”, concorda José Manuel Caetano, presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta. “Melhor seria fiscalizar a qualidade do capacete”, completa.

Os ciclistas não estão satisfeitos também com o nível de prioridade dado às bicicletas. Apesar de várias modificações prometerem maior atenção ao ciclista, mantém-se a obrigatoriedade de circular o mais próximo possível das bermas. No diploma estipula-se que o ciclista mantenha da berma “uma distância que permita evitar acidentes”, mas não diz qual é esta distância.

“O mais próximo da berma é o sítio mais perigoso para se andar”, diz Mário Alves, da Mubi. José Manuel Caetano acrescenta que há uma série de potenciais perigos, como sarjetas onde as rodas podem ficar entaladas, piso irregular, lixo e, sobretudo, o risco de o ciclista ser ultrapassado à rasante por automóveis. Muitos dos acidentes com bicicletas, diz José Manuel Caetano, resultam de toques do espelho retrovisor em situações destas.

“O que queríamos era manter o eixo da via, como qualquer outra viatura”, afirma o presidente da federação de cicloturistas.

Prioridade à bicicleta
A questão da prioridade dada à bicicleta é o ponto central das aspirações dos ciclistas. “A prioridade deve ser do veículo mais leve para o mais pesado”, diz Mário Alves. “À aproximação de um ciclista ou de um peão, o condutor devia abrandar em qualquer circunstância. São o elo mais fraco da cadeia”, acrescenta José Manuel Caetano.

Muitas modificações propostas pelo Governo procuram ir neste sentido. Os condutores deverão sempre abrandar a velocidade e ter especial atenção à distância em relação aos “utilizadores vulneráveis” — uma nova categoria que inclui as bicicletas e os peões e que também consta do projecto de lei enviado à Assembleia da República.

As regras para as passadeiras de peões também ficam a valer para as passagens de bicicletas — como ciclovias que atravessem ruas. E se houver vias de bicicletas que cruzem faixas de rodagem, os carros devem ceder a passagem. Mas parte da responsabilidade da segurança é depositada nos próprios ciclistas, que “não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respectiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente”.

Outras modificações vão ao encontro do que os ciclistas reivindicavam, como a permissão legal de duas bicicletas andarem lado a lado na rua, até que surja um automóvel.

As crianças até aos dez anos são equiparadas aos peões e podem andar de bicicletas nos passeios. E nas ciclovias, passa a ser permitido circular com atrelados para transporte de crianças.

As novas normas do código, caso sejam aprovadas, permitirão o bloqueio ou remoção de automóveis que estejam a bloquear ciclovias ou passagens próprias para bicicletas.

O reino dos peões e dos ciclistas serão as chamadas “zonas de coexistência”, onde os automóveis só poderão andar a 20 quilómetros por hora. São vias especialmente concebidas para serem partilhadas por peões e veículos, e onde as bicicletas poderão andar à vontade.

No global, a Mubi saúda as alterações, mas diz que persistem alguns problemas graves. A Federação Portuguesa de Cicloturistas não está satisfeita. “Tem 25% do que queríamos. Isto não é nada”, queixa-se José Manuel Caetano.

 


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