Histórias simples, de grandes autores, para crianças que estão a aprender a ler

Junho 4, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 1 de junho de 2020.

Bárbara Wong

A partir desta segunda-feira, todas as semanas há dois vídeos para ajudar aqueles que têm dificuldades na leitura.

Aprender a ler não é natural e nem todas as crianças conseguem desenvolver bem esta capacidade que é fundamental não só para o seu arranque na vida escolar mas também para o seu futuro. Ler com os mais populares autores portugueses para crianças, todas as semanas, a partir desta segunda-feira, é a proposta do projecto Histórias de AaZ, de Teresa e Alexandre Soares dos Santos – Iniciativa Educação (IE).

O projecto destina-se aos alunos dos 1.º e 2.º anos de escolaridade com dificuldades de leitura e pode ser usado como uma “ferramenta adicional” por professores e também pelos pais de crianças com dificuldades de leitura, refere a IE em comunicado. Tratam-se de vídeos com histórias contadas pelos seus autores, como Alice Vieira, Ana Saldanha, Isabel Alçada, ​João Pedro Mésseder, ​José Fanha, Luísa Ducla Soares, entre outros. Enquanto os escritores lêem, as crianças podem acompanhar no ecrã essa leitura, pois as palavras são destacadas à medida que são lidas. Depois, caberá ao leitor repetir fazer a leitura, já que a história repete mas sem a voz do autor.

“Ouvir histórias sempre foi uma das actividades linguísticas mais importantes. Contudo, não contribui directamente para o domínio da técnica da leitura. Por isso, nestas histórias, a leitura é acompanhada da visualização do texto, com destaque individualizado das palavras”, explica o professor João Lopes, coordenador do programa AaZ – Ler Melhor, Saber Mais, no mesmo comunicado.

A primeira história será publicada na segunda-feira, 1 de Junho, Dia Internacional da Criança. E semanalmente serão divulgadas duas histórias, à segunda e à quinta-feira. Os conteúdos foram seleccionados a partir de sugestões do Plano Nacional de Leitura por um grupo de especialistas em literatura infantil e leitura que inclui Gabriela Velasquez, Violante F. Magalhães, Sara de Almeida Leite, Luísa Araújo e Rosária Rodrigues.

O programa AaZ – Ler Melhor, Saber Mais centra-se nos dois primeiros anos do 1.º ciclo do ensino básico, de modo a ajudar a combater as dificuldades dos mais novos no processo de aprendizagem. O A a Z já está presente em cinco agrupamentos, num total de 25 estabelecimentos de ensino em Gondomar, Alentejo (Moura e Amareleja) e nos Açores (São Miguel e Santa Maria).

No entanto, estes vídeos, que podem ser vistos por todos os interessados, foram feitos a pensar nos 97 alunos de 1.º e 2.º ano que o programa acompanha nos cinco agrupamentos. Actualmente, e por causa da pandemia, apenas os meninos alentejanos do 1.º ano ficaram de fora, os restantes continuam a ser acompanhados à distância, informa João Lopes, ao PÚBLICO.

Teresa e Alexandre Soares dos Santos – Iniciativa Educação é um projecto da família Soares dos Santos que pretende apoiar a educação em Portugal. Foi apresentado em Outubro passado e tem como dirigentes uma das filhas do casal, Inês Soares dos Santos Canas, o ex-ministro da Educação Nuno Crato e a ex-jornalista Sara Miranda. Na altura foram anunciados 20 milhões de euros, dos fundos pessoais da família, do casal e dos sete filhos, que se distribuem pelo AaZ — Ler Melhor, Saber Mais e o programa SerPro, pensado para os alunos do secundário e que está a funcionar em oito escolas (Lisboa, Sacavém, Setúbal, Salvaterra de Magos, Sousel, Moura, Lagoa e Seia), abrangendo 11 cursos profissionais e 27 empresas.​

Contar histórias nas paredes da escola

Fevereiro 24, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 18 de fevereiro de 2020.

Na Escola Básica Padre Doutor Joaquim Santos, em Cabeceiras de Baixo, as histórias saíram da biblioteca para dar cor às paredes do recreio

É a primeira vez que esta escola em Cabeceiras de Basto, no distrito de Braga, participa na campanha eleitoral pelos livros mais fixes. E como quem quer alcançar o nível dos mais experientes, começaram em grande.

No primeiro dia de campanha, 3 de fevereiro, marcaram uma sessão para toda a comunidade escolar. Pais, professores e colegas: todos ficaram a saber o que é o projeto «Miúdos a Votos», o que se vai passar até maio, e ainda se debateram os livros em campanha. Os miúdos vão andar em alvoroço e, além da campanha eleitoral, que já se mostra pelos corredores, têm um objetivo maior: «fizemos um debate, não só para nos divertirmos mas também para nos tornarmos melhores pessoas e aprendermos a discutir ideias. O mais giro é que são os livros que ganham, não as pessoas». Quem o diz é Inês Rodrigues, 9 anos, que faz campanha pelo livro «O Principezinho», de Antoine de Saint-Exupéry.

Para chamar à atenção de todos, resolveram pintar um grande mural no exterior da escola, com muitos desenhos coloridos que remetem para os livros. Convidaram o artista Mário Teixeira (e assim já envolveram mais uma pessoa de fora) e combinaram que desenhos eram precisos para passar a mensagem. Foi ele que desenhou uma menina com cabelos de mar – que faz uma referência ao livro «A Menina do Mar», de Sophia de Mello Breyner Andressen – uma galinha que põe ovos de todas as cores – apelando ao voto no livro «Os Ovos Misteriosos», de Luísa Ducla Soares – uma enorme flor, que lembra o livro «A maior flor do mundo», de José Saramago e claro, um Principezinho; depois dos contornos, todos os miúdos e miúdas que fazem campanha agarraram no pincel e coloriram as paredes.

Paredes cheias de cor

«O mural vai ajudar a chamar à atenção porque todos vão perguntar o que é – durante os intervalos vai ser uma loucura. Queremos muito que todos leiam mais e larguem os telemóveis», confessa Inês. Ao seu lado está Matilde Gonçalves, também com 9 anos, que faz campanha pelo livro «Gravity Falls», de Alex Hirsch. Escolheu-o porque «é um livro divertido que fala sobre o poder da amizade. Nesta história os monstros são amigos e lutam, juntos, pelo bem». Já Beatriz Barroso, que faz campanha pelo livro «A maior flor do mundo», de José Saramago – e que só o leu por causa da iniciativa – parece não pensar de forma diferente: «gostei deste livro porque a história conta-nos como é possível, ao salvar uma planta, salvar a natureza toda».

Como desenvolver o hábito da leitura nas crianças?

Janeiro 7, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Cláudia Abril de 23 de dezembro de 2019.

O conteúdo certo pode despertar o interesse e o hábito que dure a vida toda

Por Stéphanie Habrich

Ouço por aí muitos pais se perguntando o que devem fazer para incentivar os filhos a gostar de ler.

Eu costumo dizer que não existe receita de bolo para que as crianças se interessem pela leitura – e que não importa se o jovem está lendo uma receita de bolo ou um clássico da literatura. O importante é que ele leia algo que o incentive a tomar gosto pela leitura.

Quando se veem diante da tarefa de estimular os filhos a ler, muitos pais pensam automaticamente em munir a criança com livros. Embora eles sejam fundamentais para o desenvolvimento de um indivíduo, as obras literárias não precisam ser a única porta de entrada para o mundo da leitura.

No meu caso, acredito que as revistas infantojuvenis europeias foram, em grande parte, responsáveis por despertar o meu interesse para o hábito de ler. Meu pai, alemão, e minha mãe, francesa, assinavam para mim publicações infantis da França e da Alemanha – bastante comuns na Europa. As publicações traziam curiosidades, histórias e receitas, além de textos que explicavam o que estava acontecendo no mundo de uma forma que as crianças – como eu, na época – conseguiam entender. E eu adorava ficar por dentro de tudo.

Os jovens ouvem pais e outros adultos falando sobre assuntos da atualidade e querem compreender melhor os temas tratados. Ao terem contato com publicações infantojuvenis que tratam sobre essas questões, passam a ver nesses materiais a possibilidade de entenderem melhor o mundo à sua volta – e de não ficarem alheios ao que as pessoas estão falando por aí.

Além da possibilidade de obter informações novas, outra coisa que me encantava nas publicações da minha infância era a sensação de dever cumprido toda vez que eu terminava uma leitura – algo que não vinha de forma tão rápida com livros, onde, naturalmente, os textos são maiores do que as notícias curtas das publicações infantis.

Enfim, ler as publicações vindas da França e Alemanha era agradável, divertido e instrutivo. Toda vez que elas chegavam em casa, eu saía correndo para ler, de tão ansiosa que ficava. É essa mesma sensação que tento proporcionar aos leitores do Joca.

De leitora à empreendedora

Inspirada nas publicações infantis que eu lia quando criança, em 2011 lancei o Joca, o primeiro jornal para crianças e jovens do Brasil. Nele, tratamos dos mais variados assuntos – política, economia, cultura, tecnologia, esportes, entre outros – com uma abordagem específica para essa faixa etária.

Os textos que as crianças encontram no jornal são dinâmicos e objetivos, e costumam vir acompanhados de imagens, infográficos e ilustrações para facilitar a compreensão dos temas.

Além disso, fazemos questão de explicar termos e conceitos complexos e mostrar o contexto por trás de determinado acontecimento. Se vamos tratar sobre um encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, por exemplo, além de falar sobre a reunião em si, explicamos como se deu a relação entre os dois países ao longo da história. Assim, a criança terá mais condições de entender a importância de tal acontecimento para o cenário internacional.

Hoje, oito anos após a criação, o Joca é distribuído por todo o país. Contamos com tiragem de 30.000 exemplares, que chegam a escolas para uso em sala de aula, nas casas de assinantes e em ONGs.

Dentre todas as conquistas que tivemos nos últimos anos, a que me deixa mais feliz é ver como as crianças gostam de ler o jornal. Quando uma nova edição chega, vemos a animação no rosto dos jovens, ansiosos para saber das novidades.

Esse interesse também se comprova por uma pesquisa, realizada pela Planète D’Entrepreneurs, organização francesa que avalia negócios de impacto social pelo mundo, em parceria com a HEC Paris (uma das instituições mais conceituadas no mundo para estudar negócios). Participaram cerca de 1.000 leitores do Joca. O resultado mostrou que mais de 80% dos entrevistados gostam de ler o jornal. Além disso, dois em cada três afirmaram que leem o Joca por diversão – e não apenas para fazer a lição de casa.

Ouvimos sempre que os brasileiros, sobretudo as crianças, não gostam de ler. Mas, ao ver esses números, tenho a certeza de que essas afirmações não passam de mitos. Acredito que, quando as crianças têm acesso a materiais que são atraentes, lúdicos e respeitam a sua inteligência, a vontade de ler aumenta.

Se dermos às crianças os conteúdos certos, que despertem a curiosidade já existente nelas, estou certa de que as chances de desenvolverem o hábito da leitura de maneira natural serão muito maiores.

E, assim, todos agradecem: tanto as crianças como seus pais.

Stéphanie Habrich é fundadora e diretora executiva do jornal Joca, finalista do Prêmio CLAUDIA 2019, na categoria Educação

Programa Já Sei Ler

Dezembro 26, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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O Programa Já Sei Ler, relançado em 2018 pelo Plano Nacional de Leitura: 2017-2027 (PNL2027), pretende consolidar e enriquecer práticas de leitura regular no 1.º ciclo do Ensino Básico, convidando professores e famílias a ler diariamente 10 minutos com as crianças.

Recursos educativos e mais informações no link:

http://pnl2027.gov.pt/np4/jaseiler.html

João criou uma app para incentivar crianças a ler — e isso mudou-lhe a vida

Novembro 28, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de novembro de 2019.

Aos 18 anos, o jovem de Santarém não queria nada com a escola; a nota suficiente para passar “chegava”. Até que a participação num concurso destinado a resolver problemas sociais através da tecnologia lhe trocou as voltas. Hoje prepara a entrada no curso de Engenharia Informática com a criação de uma aplicação no currículo.

Ana Rita Moutinho (texto) e Nuno Ferreira Santos (fotos)

Em criança, João Rosado não tinha uma resposta definida quando lhe faziam a típica pergunta “O que queres ser quando cresceres?”. Todos os anos tinha uma sugestão nova e, do que se lembra, a mais original foi “primeiro-ministro”. Revelara-se um aluno distraído, o que acabou por marcar (e complicar) a sua passagem pelos bancos da escola. “Não me sentia cativado, acabava sempre por me perder nas aulas”, confessa ao P3. “A nota necessária para passar” era suficiente para satisfazer as suas exigências. Nos jogos e no computador, oferecido quando frequentava o 6.º ano do ensino básico, acabou por encontrou a escapatória, através da qual começou a construir “uma relação próxima com a tecnologia” que resultou na criação de uma aplicação para incentivar as crianças a ler.

Na hora de escolher a área a seguir no ensino secundário, esta relação não foi, naturalmente, ignorada. Optou por um curso de Multimédia onde, durante três anos, teve aulas de Tecnologias de Informação. Os conhecimentos adquiridos revelar-se-iam úteis quando, no início do 12.º ano, o jovem foi apresentado ao projecto Apps for Good, uma iniciativa que apela à criatividade dos alunos para que, com recurso à tecnologia, apresentem soluções para problemas quotidianos. O estudante não ficou imediatamente convencido ou cativado pela ideia, mas como a conclusão do ciclo de estudos que frequentava pressupunha o desenvolvimento um “projecto de aptidão profissional”, acabou por anuir numa lógica de “Ok, vamos experimentar e ver no que dá”. Sempre “sem expectativas”.

O resultado chegaria após dois períodos de aulas, nos quais João e Mónica Marona (sua colega de grupo) trocaram ideias e discutiram conceitos para a Pensa antes de publicar, a aplicação que desenvolveram com o objectivo de “ensinar às crianças algumas regras e incentivá-las para o hábito da leitura”. O projecto contempla um livro (escrito e construído pelos alunos) que alerta para “os perigos das redes sociais” e uma aplicação para smartphones. A tecnologia está dividida em dois módulos: “um de realidade aumentada [em que as imagens de livros são animadas] e outro que consiste num quiz de consolidação de conhecimentos” sobre os conteúdos lidos. Durante a concepção da app, os estudantes foram acompanhados por professores, que dedicavam ao projecto cerca de duas horas semanais. Mesmo assim, tiveram que esperar até ao final do ano lectivo para ver o trabalho reconhecido, a nível escolar, com “nota máxima”.

Apesar do feedback positivo que foram recebendo, João confessa que o trabalho foi “um pouco menosprezado” pela dupla, que nunca foi capaz de lhe atribuir “a credibilidade que realmente tinha”. A percepção começou a alterar-se quando a Pensa antes de publicar foi a vencedora da final nacional do Apps for Good, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian. O primeiro lugar, encarado “com surpresa”, valeu aos jovens a oportunidade de representar Portugal em Londres, no evento final da iniciativa. “Uma experiência engraçada”, classifica o jovem natural de Santarém.

Da mostra de Londres também não saiu de mãos vazias. Apesar de não ter ganho prémios, no bolso trouxe alguns contactos de empresas que o incentivaram a prosseguir trabalho. Entre elas, a gigante alemã Mercedes. A mesma que, semanas mais tarde, lhe batia à porta e acenava com uma proposta de estágio em Mem Martins, onde se situam as instalações portuguesas da marca de automóveis. Lá, João fazia “suporte aplicacional com pequenos desenvolvimentos internos, dentro da casa”.

Finalizado o estágio, que o jovem diz ter corrido de forma “impecável”, algo começou a mudar. A experiência num ambiente profissional estimulante e exigente fez com que o aluno outrora desmotivado começasse a considerar um rumo diferente para a sua vida, algo que passasse pelo ensino superior. “Quando acabei o 12.º ano não tinha qualquer interesse em prosseguir os estudos mas, um pouco à conta de tudo isto (o concurso, os resultados que obtive e ver que era realmente bom nesta área), pretendo ingressar em Engenharia Informática no próximo ano lectivo.”

Aos 23 anos, João trabalha numa instituição financeira de crédito onde desempenha funções como “developer em formação”. O futuro passará por conciliar esta mesma actividade profissional com a licenciatura em regime pós-laboral.

Face a todas estas mudanças, o jovem confessa que a Pensa antes de publicar foi relegada para segundo plano, tendo em conta que “não houve qualquer interesse ou ideia” que motivasse uma actualização do que já existia. No entanto, a tecnologia continua a ser utilizada pelos alunos do segundo ciclo do ensino básico no agrupamento de escolas que a dupla de antigos alunos frequentou em Santarém. Planos para a comercialização parecem não existir de momento, até “porque a Porto Editora e a Areal já se juntaram para fazer algo similar”.

Acho que [o Apps for Good] me abriu os olhos e abre a muitos alunos. Não é só falar em teoria, tem a parte prática e coisas físicas”, confessa. Ainda que na altura não fosse esta a sua opinião, o conselho que tem para dar aos alunos que hoje possam estar a participar numa iniciativa semelhante resume-se a uma palavra: “Aproveitem!”

Especialista da UNESCO considera Plano Nacional de Leitura “exemplo para todo o mundo”

Outubro 30, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 24 de outubro de 2019.

Uma responsável por programas de leitura e bibliotecas da UNESCO considerou hoje o Plano Nacional de Leitura português “exemplo para todo o mundo”, mas lembrou as regiões onde os livros continuam inacessíveis e a escola é só para alguns.

“Vamos transferir este conhecimento para outros países”, afirmou Jeimy Hernández, responsável pela área de Leitura, Escrita e Bibliotecas do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caraíbas (CERLALC), um órgão da UNESCO que acompanha a situação de 21 países, incluindo Portugal e Espanha.

Jeimy Hernández falava hoje durante a III Conferência do Plano Nacional de Leitura 2027 (PNL2027) que está a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sob o tema “Presente – Futuro: O Elogio da Leitura”.

“Estamos muito longe das bibliotecas escolares que vocês têm”, afirmou Jeimy Hernández, felicitando o Programa Rede de Bibliotecas Escolares (PRBE) criado há mais de 20 anos em Portugal e que permitiu a instalação de bibliotecas em todos os níveis de ensino.

Enquanto, em Portugal, uma das preocupações atuais passa por conseguir transmitir o prazer da leitura a mais pessoas, existem países onde o livro continua a estar inacessível.

As desigualdades entre regiões foi o foco da apresentação de Jeimy Hernández: “Existem muitas zonas onde não há bibliotecas locais”, onde “a maioria das famílias não tem livros em casa nem há acesso à internet”.

Nos sítios onde “o acesso à informação é nulo”, a solução poderia passar pelas escolas, mas a professora universitária lembrou que “em muitos países não existem bibliotecas escolares”.

Jeimy Hernandez gostaria de ver replicado o projeto das bibliotecas escolares, mas reconhece que existem países com problemas estruturais que podem obrigar a deixar para depois esse projeto.

“Existem 12 milhões de crianças que nunca vão entrar dentro de uma sala de aula”, lamentou, citando dados mundiais.

Jeimy Hernandez recordou que ainda existem 13 milhões de jovens sem habilitações básicas de alfabetização, dos quais mais de 60% são mulheres, e que mais de 15 milhões de crianças nunca vão receber qualquer atenção cognitiva ou sócio-emocional durante a infância.

Lembrando que a leitura e a escrita são armas importantes para combater as desigualdades, a especialista da UNESCO defendeu que o direito à leitura deve ser um assunto de política pública.

No “mapa mundial das desigualdades” destacam-se, precisamente, pela negativa vários países da América Latina, que fazem parte da CERLALC, organismo que Jeimy Hernández coordena.

A responsável pela rede Ibero-americana de políticas e planos nacionais de leitura revelou ainda que a maioria dos países da CERLALC não tem planos nacionais de leitura a funcionar.

Dos 21 países, “17 dizem ter planos nacionais de leitura, mas só 11 os têm ativos, os restantes têm documentos escritos, mas não são aplicados”, lamentou, acrescentando que “apenas três países se destacam e um deles é Portugal”.

Quem está a frente do Plano Nacional de Leitura português (PNL 2017) é Teresa Calçada, que também foi coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares entre 1996 e 2013 e atualmente é comissária do PNL2027.

Durante a sua intervenção, Teresa Calçada lembrou Júlio Verne que escreveu “nunca se fez nada grande sem uma esperança exagerada”.

“Temos o dever de proteger este bem”, que é a leitura, salientou a especialista, lembrando que “elogiar a leitura é um imperativo educacional”.

Na abertura da conferência, o administrador da Fundação Calouste Gulbenkian Guilherme d´Oliveira Martins não se esqueceu de saudar quem trabalha nas escolas e nas bibliotecas.

“Hoje as bibliotecas não são depositários de livros. São realidades vidas”, sublinhou Guilherme d´Oliveira Martins, para quem a leitura e a escrita devem ser vistas como património imaterial: “Um livro é um companheiro (…) é um apelo a compreender o outro”.

Plano Nacional de leitura

Benefícios da leitura: muito além de aumento de vocabulário

Setembro 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Quindim

Que a leitura desenvolve o vocabulário, todos sabem, mas poucos conhecem pesquisas empíricas que comprovem seu potencial no desenvolvimento da memória e na melhora do comportamento.

A memória precisa de exercício, e hoje está comprovado que a melhor forma de exercitá-la não são os “apps de desenvolvimento neuronal” das plataformas mobile, mas sim o velho hábito da leitura. É o que afirma o neurocientista Iván Izquierdo, pesquisador brasileiro que coordena as investigações do Centro de Memória, do Instituto do Cérebro da PUC: “A leitura é o melhor exercício para a memória. Quando o cérebro vê uma palavra, tem que formar um inventário de informações e termos que cada letra lhe traz”. Trata-se de um esforço gigantesco que muitas vezes passa despercebido:

“Se a primeira letra da palavra é R, por exemplo, podemos pensar em Raul, rato, revista… em questão de milissegundos o cérebro forma uma lista das palavras que conhecemos e que começam com essa letra – em todas as línguas que sabemos. É uma atividade intelectual poderosa. (…) Nenhum método se impôs sobre o outro no desenvolvimento da memória, só a leitura se destacou.”

Outro estudo, este realizado pela Universidade de Nova Iorque, em colaboração com o IDados e com o Instituto Alfa e Beto, demonstrou que ler para a criança regularmente aumenta em média 14% no vocabulário e 27% na memória de trabalho, além de 25% no índice de crianças sem problemas de comportamento. O resultado dessa pesquisa, realizada com 1250 responsáveis e 1250 crianças de Roraima, é bastante impressionante ao demonstrar que a leitura desenvolve não apenas aspectos cognitivos, como costumamos associá-la, mas também aspectos comportamentais.

Já dizia o grande professor Antônio Cândido que a literatura é, ou ao menos deveria ser, um direito básico do ser humano, pois a ficção atua no caráter e na formação dos sujeitos. Uma pesquisa demonstrando mudanças significativas em aspectos comportamentais através de uma metodologia empírica amplia essa constatação – tão conhecida pelos que trabalham pela leitura – para outros universos e áreas do conhecimento.

A importância da leitura compartilhada é outra constatação desses estudos. Trata-se de um momento de troca de afeto entre os responsáveis e as crianças, em que não apenas “o pequeno” se desenvolve mas também o adulto que lê para ele, que nessa troca passa a conversar mais com a criança, a conhecê-la (e a se mostrar mais para ela), discutindo questões que não seriam abordadas e refletidas se não fosse aquele livro e aquele momento. Esse hábito precioso oferece uma troca rara e importante que uma rotina diária sem ele dificilmente permitiria. E como consequência prática, aumenta o vocabulário, a memória, a empatia… e segue-se uma lista imensa. Não à toa a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou a campanha “Receite um Livro”, com o objetivo de mobilizar os médicos pediatras a estimularem os pais a lerem para as crianças.

Não se engane, porém, ao acreditar que tal desenvolvimento aconteça com uma leitura irregular, uma vez ao mês. Para reverberar, é preciso o hábito, como a pesquisa empírica da Universidade de Nova Iorque considerou: a leitura compartilhada em pelo menos dois dias por semana.

Este desafio, de se criar o hábito, não é difícil de se construir. Ler à noite, antes de dormir, por exemplo, pode se tornar um ritual, um momento de relaxamento e convivência em que se constrói o afeto e todos os outros resultados práticos consequentes. Para isso, não é preciso muito: uma carteirinha de uma biblioteca e, se possível, um clube de assinatura de livros infantis, como o nosso, o Clube de Leitura Quindim, com curadoria de qualidade e livros selecionados por pessoas como Ziraldo, Walcyr Carrasco e Marisa Lajolo. Pois para se ter tantos benefícios, não basta também um livro de ficção banal. É o que diz outra pesquisa empírica, esta da Universidade de Cambridge, feita em uma parceria entre os departamentos de Neurociência, Pedagogia, Psicologia e Letras. Eles constataram o potencial que a literatura de qualidade tem de gerar empatia – a capacidade de se colocar no lugar do outro –, um potencial não encontrado em textos de ficção banais ou em textos de não ficção. Ou seja, para se desenvolver através da leitura, não basta ler: é preciso literatura de qualidade.

Renata Nakano é mestre em Literatura pela PUC-Rio e bacharel em Comunicação pela UAM. Como pesquisadora, foi premiada com bolsa da Biblioteca Internacional da Juventude, em Munique, e convidada a apresentar sua pesquisa sobre livro ilustrado em universidades como Cambridge e em eventos literários pelo Brasil. Como editora, desenvolveu catálogos de literatura infantil para diferentes casas editoriais, tendo conquistado prêmios como FNLIJ, BN e o Prêmio Jabuti.

5 Motivos para Ler

Setembro 7, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

Bibliotecas de Verão 2019 – Praia, piscina e jardim

Agosto 5, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://dglab.gov.pt/bibliotecas-de-verao-2019/?fbclid=IwAR20IzX8Bto7Pt1ddjGrBjWoqzc7gzIfWP1MymF1TNbn-6zi6gjwOJLtbRQ

Motivar e aprender com a leitura da imprensa – Crianças

Julho 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Blog RBE de 15 de junho de 2019.

De acordo com um relatório do National Literacy Trust para a First News, a leitura da imprensa pode ter um impacto significativo nas competências de leitura e motivação das crianças.

Envolver-se em atividades de alfabetização em torno da leitura da imprensa pode ter um impacto significativo nas competências de leitura e motivação das crianças, de acordo com um relatório do National Literacy Trust para a First News .

No âmbito do desenvolvimento da pesquisa, foi avaliado nas escolas o impacto de um programa de leitura de imprensa (The First News Reading Package). O programa de atividades em torno das notícias atuais foi desenvolvido ao longo de oito semanas, e incluiu questionários de compreensão de leitura, testes e quebra-cabeças, concebidos com o objetivo de desenvolver o vocabulário dos participantes e despertar o seu interesse em ler a imprensa.

Para medir o impacto do desenvolvimento dessas atividades utilizou-se o New Group Reading Test, cujos resultados mostraram que as crianças participantes tiveram progresso significativo nas suas competências de leitura, bem como melhorias nos seus conhecimentos e nas suas competências dedutivas.

As pesquisas realizadas antes e depois do projeto mostraram como as suas atitudes em relação à leitura, em geral, e à leitura da imprensa, em particular, foram transformadas:
Houve aumento nas taxas de leitura no lazer, tanto na ficção (53% a 58%) como na não-ficção (40% a 48%).
A probabilidade de ler a imprensa no tempo de lazer duplicou (de 28% para 42%).
A percepção da leitura da imprensa como atividade interessante e divertida também aumentou (respetivamente de 58% para 74% e de 32% para 53%).
A participação no projeto também converteu os participantes em utilizadores das bibliotecas. O número de crianças que passou a ter um media favorito duplicou e a First News tornou-se a escolhida por 72% do total. Os jornais passaram da sexta para a terceira posição na sua lista de materiais de leitura para o tempo livre.

Pode aceder ao relatório completo neste link .

Fonte: National Literacy Trust.

Referência:

Article title: Motivar y aprender con la lectura de prensa

Website title: Elisa Yuste. Consultoría en cultura y lectura

URL: https://www.elisayuste.com/motivar-y-aprender-con-la-lectura-de-prensa/

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