Como fazer o meu filho gostar de histórias?

Janeiro 20, 2023 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Inês Ferraz publicado no Público de 13 de janeiro de 2023. 

Ao ler uma história devemos usar diferentes vozes para representar as diferentes personagens e fazer perguntas. É importante acrescentar mais palavras sobre a imagem que estamos a apontar.

Inês Ferraz

As experiências vividas em família potenciam o desenvolvimento linguístico oral da criança e contribuem, a longo prazo, para a aprendizagem. É no seio familiar que devem ser oferecidas as primeiras oportunidades para que os mais novos se familiarizem com a linguagem escrita. Aquelas crianças que ouvem histórias, que participam em atividades de literacia e exploram a linguagem oral terão mais facilidade na aquisição da leitura e da escrita.

Costumo dizer, em tom de brincadeira, que a aprendizagem da leitura começa quando um bebé nasce. De facto, não está muito longe da verdade, pois o desenvolvimento da literacia inicia-se muito antes da educação formal. Sendo que o contexto familiar assume um papel fundamental no desenvolvimento das competências pré leitoras e está cientificamente comprovado de que é preditor do sucesso na aprendizagem.

Uma das estratégias que contribuem para incentivar o gosto pelas histórias é os pais lerem para os filhos desde tenra idade. Os pais devem ler histórias desde tenra idade e apontar as figuras que estão no livro, dizendo em voz alta o seu nome, depois virar as páginas de acordo com o interesse do bebé ou ajudá-lo a virar.

Ao ler uma história devemos usar diferentes vozes para representar as diferentes personagens e fazer perguntas. É importante acrescentar mais palavras sobre a imagem que estamos a apontar. Outra sugestão passa por perceber qual o tema ou tipo de história que desperta a atenção do seu filho e escolher mais livros desse género.

Por volta dos dois anos, quando lemos uma história é fundamental dar espaço para que a criança faça comentários sobre alguma personagem ou palavra escutada e valorizar todas as perguntas e comentários que faz. Os pais devem incentivar o reconto da história favorita dos mais pequenos, à sua maneira, sem interferir.

Outra das tarefas que contribui para a aquisição de conhecimentos precoces acerca da leitura e da escrita é seguir com o dedo apontando para as palavras que estamos a ler. Esta tarefa contribui, igualmente para a compreensão da direccionalidade da escrita, da fronteira de palavras e da diferença entre frase e palavra.

A partir dos três anos de idade, os pais devem estimular os filhos a contar a história que acham que está no livro a partir da sua própria interpretação das imagens.

Aos seis anos as crianças aprendem a ler formalmente e os pais devem continuar a ler histórias da mesma forma, no entanto, o que poderá acontecer é que estas, aos poucos, vão começar a pedir para serem elas a ler palavras e pequenas frases.

Nesta fase, devemos encorajar a leitura por parte das crianças, mas é preciso que tenhamos consciência de que elas precisam de ajuda e, sempre que notarmos uma dificuldade, devemos ajudar. É crucial, dar tempo para que se tornem leitores fluentes. Não se deve tentar acelerar este processo, mas apoiar e ajudar a criança a ler. Aprender a ler exige muita paciência, tempo, dedicação e persistência.

Concluindo, através da utilização das estratégias referidas o seu filho irá, com certeza, gostar de histórias. A leitura e exploração de histórias em contexto familiar permite reforçar os vínculos afetivos entre pais e filhos, desperta e estimula a imaginação, leva à descoberta do mundo da fantasia, incentiva a reflexão e cultiva a inteligência.

A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990

 

Biblioteca Municipal de Viana do Castelo lança “Kit de Leitura” para sensibilizar mais novos para importância do livro

Janeiro 18, 2023 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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sapo

Notícia do site A Nação de 5 de janeiro de 2023. 

No arranque do novo ano, a Biblioteca Municipal de Viana do Castelo acaba de lançar um “Kit de Leitura” para sensibilizar os mais novos para a importância do livro e da leitura. A iniciativa destina-se a crianças e jovens entre os 0 e os 14 anos e consiste numa caixa que contém até dois livros, um guia de leitura para pais e também de atividades para as diferentes faixas etárias, propostos pela biblioteca vianense.

“Considerando que a leitura, na educação, desde cedo, é um importante hábito a ser desenvolvido porque gera grandes benefícios no desenvolvimento do indivíduo”, a Biblioteca Municipal “pretende transformar a hora da leitura num momento especial e despertar para a vontade de ler, surpreendendo os leitores com novas aventuras, de modo a tornar esta prática numa rotina presente no quotidiano das famílias”, sublinha.

“Pretende-se que este Kit seja um instrumento pedagógico de apoio aos adultos que servem de mediadores entre as crianças, o livro e a leitura, contendo, para além do guia de leitura, informação que auxilia a leitura autónoma para as crianças alfabetizadas e para os mais jovens”, continua.

O acesso ao Kit é feito por requisição na Biblioteca Municipal e mais informações podem ser solicitadas pelo email biblioteca@cm-viana-castelo.pt .

De salientar que todos os livros propostos são surpresa e selecionados pela biblioteca de forma a dar a conhecer os diferentes géneros literários, do lírico ao narrativo, passando pelo dramático e científico, entre outros.

Assim sendo, a Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, deseja “dar resposta às necessidades da população, em especial dos pequenos leitores e suas famílias, no que diz respeito à criação de hábitos de leitura e de novos leitores”.

Foto: CMVC.

Mais informações aqui

 

A nova vida das bibliotecas, espaços abertos que “são o coração das escolas”

Novembro 9, 2022 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 24 de outubro de 2022.

Longe vão os tempos dos espaços cinzentos, de silêncio obrigatório. Bibliotecas são hoje lugar de inclusão por onde passam quase todas as atividades.

Bibliotecas cinzentas, silenciosas e com livros fechados em estantes fazem parte do passado. Ir à biblioteca da escola é agora sinónimo de realização de atividades criativas, inovadoras e motivadoras, num cenário colorido e interativo. E quase todas as atividades das escolas passam pela biblioteca, palco de projetos de leitura, artes, cinema, literacia digital, teatro, entre muitos outros.

No colégio Efanor, em Matosinhos, a biblioteca ganha vida diariamente para “conservar a magia do livro”. “A biblioteca é um espaço fundamental para a literacia, para a aquisição da escrita e da leitura e para fomentar o deslumbramento pelo livro e hábitos de leitura. Por isso, há atividades muito diversas que convergem na biblioteca e que envolvem as várias valências do colégio e todas as disciplinas do currículo”, explica ao DN, Marisa Carvalho, coordenadora do 1º ciclo.

Marta Novais, educadora de infância responsável pelo pré-escolar, sublinha que as atividades envolvem mesmo as crianças que ainda não adquiriram a escrita. A título de exemplo adianta que, para assinalar o Dia das Bibliotecas Escolares, as educadoras organizaram uma caça ao tesouro com a temática dos contos tradicionais onde, após superar alguns desafios, as crianças encontrarão o tesouro na biblioteca: um baú repleto de livros que as crianças poderão escolher e levar para a sala de aula.

“É uma forma criativa de mostrar a magia do livro. A ideia é sempre inovar para os trazer para junto dos livros e fomentar hábitos de leitura desde a base”, refere. Na creche, onde as crianças são ainda mais pequenas, também há espaço para o universo dos livros. Ana Caio, responsável por aquela valência, leva os seus alunos ao “cantinho temático” que existe na biblioteca, um espaço que vai mudando para assinalar várias efemérides. “Agora está com o tema do Halloween e muitas atividades e, claro, com histórias. Nestas idades, gostam muito de livros pop-up ou com sons. A ideia é que tenham contacto com livros desde pequeninos e que gostem desses momentos”, sustenta a educadora.

E com crianças a manusear obras desde a creche, muitas vão sofrendo mazelas. Existe, por isso, na biblioteca, o “Hospital do Livros” com um kit de primeiros socorros. “São, normalmente, os alunos mais velhos, de 1º ciclo, que ajudam a tratar das páginas e capas rasgadas. O objetivo é fazê-los perceber a importância do respeito pelos livros e dos cuidados a ter”, explica Marisa Carvalho.

Os alunos de 1º ciclo, que já adquiram as competências de escrita e de leitura, têm ainda mais momentos dedicados ao universo da biblioteca e dos livros, uma aposta que vai também de encontro ao Plano Nacional de Leitura (PNL). “Estamos a aproveitar o mote lançado pela Rede de Bibliotecas Escolares e implementamos o “Ler para a paz e harmonia globais” com leituras dialogadas de obras com temáticas de integração de forma a desenvolver a reflexão dos alunos. Temos também, para assinalar o Dia das Bibliotecas escolares, um mural onde os alunos colocam frases sobre os livros. Ao longo do ano decorre também a “Biblioteca de Sala” (os alunos escolhem livros da biblioteca e levam-nos para a sala de aula para os ler) e ainda os “10 minutos a ler” com livros que trazem de casa. Uma atividade que faz parte do PNL, refere.

A docente sublinha ainda o espaço que os livros ocupam nas salas onde “está em construção uma cortina com tiras que os alunos constroem por cada obra lida”. “Visualmente tem um impacto muito grande e permite que os alunos tenham a perceção do crescimento da cortina ao longo do tempo, sinónimo da sua própria evolução enquanto leitores”.

Pela biblioteca do Efanor já passaram atividades que se vão repetindo a cada ano como a projeção de cinema mudo; a noite da biblioteca (os alunos vêm de pijama vestido passam o início da noite a ler); a dramatização de histórias; leituras musicadas; hora do conto em português, inglês e espanhol; o triatlo literário, entre outras. As docentes Marisa Carvalho, Marta Novais, Ana Caio e Ermelinda Pinheiro não têm dúvidas da importância da biblioteca na vida dos alunos, “um espaço muito querido onde se sente a magia dos livros e que permite fazer nascer leitores e onde o amor pelos livros começa logo nos primeiros anos de vida”.

Espaços de inclusão

Esse amor também se cultiva de forma notória no Agrupamento de Escolas do Cerco (AE Cerco), no Porto. A biblioteca do estabelecimento escolar é o espaço com “mais movimento” do agrupamento. “Todos os dias acontece algo. É um espaço onde cabem todos e onde os alunos sabem que entram e encontram calma”, explica a coordenadora das bibliotecas do agrupamento (são 7 no total), Fátima Guimarães.

A responsável salienta as mudanças de paradigma no que se refere aos objetivos pedagógicos das bibliotecas: “o principal objetivo da biblioteca é ser um espaço aberto a todos e a todas, de forma a que se sintam felizes, seguros, e que criem momentos de aprendizagem”.

Para Fátima Guimarães, a “biblioteca é um espaço que não é apenas de leitura como há uns anos atrás, onde imperava o silêncio e que servia quase apenas para a leitura e requisição de livros”. “Hoje é um espaço aberto à aprendizagem e à auto aprendizagem. Há um envolvimento de toda a comunidade escolar e um grande número de atividades permanentes que não passam só pela leitura”, afirma.

Idalina Meirinho, professora bibliotecária do mesmo agrupamento, faz o mesmo retrato. “Estou nas bibliotecas há mais de 15 anos e nota-se uma mudança muito grande. Evoluiu imenso desde o tempo em que andava a estudar, quando os livros estavam trancados nas estantes. No início, o papel da biblioteca era a promoção da leitura, mas atualmente as bibliotecas são polivalentes, são o coração das escolas e por onde passam a maioria das atividades. Não é uma sala de sala, mas é um espaço de trabalho mais afetivo, onde os alunos se sentem melhor e se podem exprimir”, explica.

A biblioteca do AE Cerco ocupa, por isso, um lugar de destaque no Plano Anual de Atividades (PAA) do agrupamento, com articulação entre ciclos e entres as várias disciplinas, com constantes exposições, comemoração de efemérides, atividades ligadas à literatura, mas também às artes, com o envolvimento dos alunos em momentos de aprendizagem naquele espaço, lugar ao qual recorrem também para trabalhos de pesquisa. “Todos os dias é um entra e sai de professores com as turmas para participar em atividades. Temos um mapa de ocupação da biblioteca precisamente porque é um espaço muito requisitado pelos professores”, explica Fátima Guimarães.

A coordenadora salienta ainda a importância das bibliotecas na recuperação de aprendizagens (ver abaixo), com estratégias como a “Escola a ler”, com uma hora de leitura semanal. “Temos imensas atividades, projetos, parcerias, abertura à comunidade, feiras do livro e a presença de autores a autores ao longo do ano letivo”, refere. É também na biblioteca do AE Cerco que se trabalha a inclusão. “Esta biblioteca inclui todos, promove e articula atividades com crianças com necessidades educativas especiais. Temos a sorte de ser sediado cá o CRTIC (centro de recursos TIC para a educação especial). É um centro em que as professoras têm uma relação de proximidade com a biblioteca e onde promovem e desenvolvem momentos de leitura em que algumas histórias são adaptadas em linguagem SPC (símbolos pictográficos para a comunicação), ou seja, algumas palavras das histórias passam para imagens para incluir alunos com dificuldades na leitura”, explicam as bibliotecárias.

Estão já programadas atividades de promoção da inclusão para o centenário de José Saramago. “Começam a 16 de novembro. Vamos ter leituras com a obra “A maior flor do mundo” adaptada pelo CRTIC exatamente para se desenvolver a atividade aqui, na biblioteca”, conta Idalina Meirinho.

Se a biblioteca se enche de alunos e professores ao longo do dia, na pausa de almoço o movimento não diminui. Naquele espaço há também lugar para momentos lúdicos, com jogos de tabuleiro e xadrez. “A biblioteca é muito requisitada na pausa do almoço e quando os alunos têm algum furo”, explica Fátima Guimarães.

A coordenadora sublinha não haver problemas de indisciplina na biblioteca. “Uma escola TEIP é um desafio e a biblioteca proporciona alguns meios aos alunos sem condições, sem acesso à informação, à tecnologia, à comunicação. Conseguimos acolher todos os alunos e eles entendem que é um espaço onde gostam de estar e respeitam as normas, os livros, as exposições. A verdade é que não estragam nada e nunca desapareceu nada da biblioteca. Os alunos sentem-se bem aqui e encontram paz”, conclui.

Plano de recuperação 21-23

O Plano 21-23 Escola+ criado pelo Governo para a recuperação de aprendizagens condicionadas pela pandemia de Covid 19 apresenta um conjunto de medidas dirigidas à promoção do sucesso escolar e ao combate às desigualdades através da educação. Muitas destas medidas envolvem as bibliotecas escolares, no domínio da Leitura e Escrita. O plano conta também com o acesso livre a ferramentas digitais para aferição da competência leitora e materiais didáticos; produção e disponibilização de recursos para a organização de oficinas de escrita e o reforço do orçamento das bibliotecas escolares.

 

Há uma única medida que vai pôr o seu filho a ler (e mais 9 que ajudam)

Setembro 28, 2022 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da Activa de 31 de agosto de 2022.

Pôr as crianças a ler é mais fácil do que se pensa

Catarina Fonseca ACTIVA

Há anos que ouvimos dizer que as crianças leem pouco e, agora, com o domínio dos telemóveis, o pouco passou a quase nada. Mas será que está mesmo tudo perdido? Agora que está aí a Feira do Livro, perceba como os livros podem voltar à nossa vida.

1. Não dar a batalha como perdida – Falo com professoras e todas me dizem a mesma coisa: nada está a funcionar, os miúdos não leem, o mundo vai acabar. É verdade que todos nós, adultos e crianças, andamos a ler menos. O mundo mudou para todos. Mas também é verdade é que, quando encontramos um livro que nos entusiasma, a paixão regressa. Por isso, vamos à procura dele? A Feira do Livro está aí: investigue, fale com amigos, peça sugestões. Para que os livros voltem à vida das crianças, temos primeiro que os deixar voltar à nossa.

2. Perceber porque lemos – Primeira pergunta: afinal, lemos para quê? Porque é tão importante? Eu também não gosto de surf e ninguém me chateia para fazer surf. Porque hei de ler? Primeira resposta: lemos porque a ficção é o que distingue a nossa espécie (isso e rir de piadas parvas). Falo com a Cíntia Palmeira, formadora de educadoras e criadora das Bebetecas em casa, um projeto de literacia familiar para incentivar os pais a lerem aos filhos. Pergunto: para que serve ler? Ela devolve a pergunta: “Qual é a qualidade de vida de uma pessoa que não lê? Nenhuma. A pessoa que não lê não tem investimento simbólico. Sai, vai às compras, vive para consumir. Mas não é capaz de desfrutar um filme, um passeio ao ar livre, um bom livro. Porque o seu mundo interno não se desenvolveu, não tem psiquismo.” Isso é também o que sempre interessou a quem nos governa. Partilhamos ficções comuns, sim, mas não devemos ler tanto que resolvamos, por exemplo, pô-las em causa. “Desde o tempo da caverna de Platão que os homens do poder criam filmes onde as pessoas acorrentadas no fundo das cavernas veem apenas sombras e ficam presas a elas”, explica Cíntia. Era o tablet da altura? (risos) “Sim, era o tablet da altura. Não tenho nada contra redes sociais porque há coisas muito boas, aproximam as pessoas e permitem lançar projetos interessantes. Mas também há coisas muito tolas. Ser leitora permite escolher o que você quer ver, em vez de ficar perdida nos tik toks da vida.”

3. Mostrar-lhes que ler ensina a pensar – Sigo para a minha segunda guru, a professora e escritora Ana Cristina Silva, que há trinta anos ensina futuras professoras e investiga o processo de aprendizagem da leitura e da escrita. “Ler ensina a pensar”, resume. Ou seja, como nós pensamos com palavras, quanto mais palavras tivermos, melhor pensamos, é isto? “Claro. O livro constrói para nós um software mais sofisticado em termos de capacidades cognitivas. A minha capacidade para me pensar a mim e ao outro de uma forma complexa, a empatia, o facto de termos acesso a um registo emocional, ajuda-nos a construir um pensamento mais sólido sobre nós próprios e sobre os outros.” Os livros dão-nos uma riqueza que no dia a dia não temos: “Repara: no nosso quotidiano, temos uma comunicação com os outros relativamente superficial. ‘Vai buscar os miúdos, foste ao supermercado, trouxe uvas’, e é isto. Usamos poucas palavras, comunicamos sobre factos e não sobre emoções e não temos muitas vezes um espaço para refletir sobre as nossas emoções. Ora a boa literatura ajuda-nos a fazer isto.”

4. Perceber o que se passa no país – Segundo um famoso inquérito recente conduzido pela Gulbenkian e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, no último ano, 61% dos inquiridos não leu um único livro. Além disto, 71% afirma que na infância ou adolescência nunca foram levados a uma livraria, a uma biblioteca (77%) ou a uma feira do livro (75%). Quase metade nunca recebeu um livro e mais de metade nunca ouviu ler uma história em criança.  Quando vemos estes números, é preciso lembrar que um livro em Portugal custa 20 euros. Um quarto dos trabalhadores ganha o salário mínimo (e somos dos países da UE com o salário mínimo mais baixo), e em poder de compra estamos na 12.ª posição, atrás de países como a Roménia ou a Lituânia. Há quem diga ‘toda a gente se queixa do preço dos livros mas ninguém se queixa do preço dos bilhetes de futebol’. Mas isso é ser-se profundamente desempático e não perceber que pobreza factual gera pobreza cultural. Seria de esperar que a democratização do ensino significasse mais do que levar mais crianças à escola? “Sim. Mas o que nós vemos em Portugal é que a escola não está a ser um fator de ascensão social, acabando por deixar para trás muitos meninos que serão analfabetos funcionais. E depois tudo isto tem consequências no futuro. Não se pode fixar os bons cérebros, que apesar de tudo sobrevivem, com empregos precários de mil euros e casas com rendas de mil euros, portanto até os bons alunos nós vamos perder.”

5. Passar o entusiasmo pelos livros – É o mais importante mas é aí que, muitas vezes, em casa ou na escola, a missão emperra. “O entusiasmo é altamente contagiante. O problema é que muitas vezes os adultos não gostam de ler. E não podemos dar uma coisa que não temos”, explica Ana Cristina Silva.

6. Escolher bem – É preciso saber escolher livros cativantes para cada idade sem ficar demasiado preso aos clássicos. “A regra é, se os miúdos não estão motivados, temos de motivá-los. Mas eu tenho de gostar de ler para conseguir passar essa paixão! E só depois ir ao registo analítico e ao estudo! Isso atualmente não é pensado, diz-se mal mas não se faz nada para ir buscar os não leitores. Fazem-se muitos projetos mas tudo aquilo acaba por se perder no tempo, por não ser consistente nem integrado em nenhuma rotina.”

7 – Ler em voz alta – Quer os pais quer os professores: porque o ouvido treina-se antes dos olhos. Em vez de mandarem os miúdos fazer fichas, os professores podiam criar de forma sistemática a leitura em voz alta. “Isso aumenta a fluência leitora, o entusiasmo e a compreensão, e não acho muito complicado de pôr em prática. Outra ideia é formar clubes de leitura, que os miúdos também adoram.” Os pais podiam recuperar o momento da leitura ao ir para a cama. Se eu não gosto de ler, raramente pego num livro e o meu filho nunca me ouviu falar de um autor, é pouco provável que lhe passe qualquer tipo de vontade de ir ler. Mas mesmo que eu não seja dada à literatura, há uma coisa que todos os pais e mães podem fazer:  todos podem tirar dez minutos à noite para ler aos miúdos. “Eu sou adepta desses momentos antes de dormir, em que o livro une pais e filhos”, explica Ana Cristina Silva. “E essa ocasião de afeto e de intimidade deve continuar mesmo até aos 10 anos, porque leva tempo até que uma criança consiga ler bem. Isto cria leitores e cria laços. Os livros em casa devem ser separados da escola e dos trabalhos de casa, e devem ser vistos como um prazer e não como uma obrigação.”

8 – Frequentar as bibliotecas – Falámos há pouco no preço dos livros, mas para resolver o drama dos livros caros existem as bibliotecas. Problema: muitas pessoas simplesmente não têm por hábito frequentá-las. Por isso, sugere Ana Cristina Silva, se as pessoas não vão às bibliotecas, as bibliotecas deviam ir às pessoas. “Seria uma boa ideia saírem mais para a rua, irem atrás dos pais, estarem presentes nos mercados, por exemplo. Se as coisas que fizemos até agora não estão a funcionar, é preciso sair da caixa e pensar em alternativas. Mas como tudo isto sai da rotina burocrática, tudo continua como está.”

9 – Aceitar sugestões – Também é democrático que, em vez de a leitura ser uma caminho de sentido único, seja uma troca e uma partilha. Se partilhou com o seu filho um livro que gostou de ler, porque não pedir-lhe uma sugestão de volta? Depois claro: convém lê-la…

10 – Não abandonar a luta – E é só? “Repara, só falei em duas ou três medidas”, lembra Ana Cristina Silva. “Nada disto dá trabalho, não é revolucionário, e são coisas estudadas que têm impacto. Os professores devem começar a aula com 10 minutos de leitura em voz alta, pô-los a ler a mesma história depois, continuar a ler para os miúdos mais crescidos, e os pais podem ler para eles à noite. Sei que mesmo esta única medida para alguns pais é cansativo. Mas experimentem. E lembrem-se: não posso mudar tudo ao mesmo tempo, mas posso mudar pequenas coisas cuja probabilidade de sucesso é elevada.” Eu tenho outras ideias, como uma família que eu conheço onde todos os dias durante 20 minutos toda a gente pára o que está a fazer e cada um lê um livro à sua escolha. Não é uma boa ideia?

Silêncio.

“Não compliques.”

10 livros que todos os adolescentes devem ler

Agosto 26, 2022 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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maemequer

Texto do mãemequer 

Histórias inspiradoras que vão ajudar os jovens a compreender o mundo que os rodeia.

POR   ERICA QUARESMA

adolescência é uma fase em que as emoções estão à flor da pele, em que pode surgir alguma revolta, algum ativismo saudável que faz com que os miúdos lutem pelas causas em que acreditam e que se baseiam nos valores que os pais lhes passaram.

Esta é uma fase extremamente importante na vida das crianças e a leitura deve fazer parte dela. Por isso mesmo fomos procurar os melhores livros para adolescentes e deixamos aqui uma seleção de 10 livros inspiradores que todos os adolescentes devem ler.

O Diário de Anne Frank

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O Diário de Anne Frank é um livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 8º ano.

Anne Frank é a típica adolescente que discute com a mãe e fantasia com rapazes, mas é obrigada a crescer muito repentinamente devido aos tempos em que vivia. Durante a Segunda Guerra Mundial, em plena ocupação nazi, Anne Frank e a família são obrigados esconder-se num sótão em Amsterdão durante dois anos para evitar serem levados para os campos de concentração. Trata-se de um diário de uma adolescente, posteriormente publicado pelo seu pai, que viveu numa das épocas mais difíceis da história da humanidade. Relatado na primeira pessoa, é um livro que ajuda a compreender um pouco melhor sobre o dia a dia dos judeus numa época em que Hitler queria exterminá-los do mundo.

A Lua de Joana

de Maria Teresa Maia Gonzalez 

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Este é um livro que toca num tema bastante sensível, mas que é um fruto proibido e, por isso, muito apetecido entre a comunidade jovem: a droga. Também este é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 8º ano de escolaridade.

A história relata a vida de duas jovens, a Joana e a sua melhor amiga. Quando a melhor amiga de Joana morre de overdose, a adolescente começa a escrever-lhe cartas a contar-lhe o seu dia. Depressa Joana se apercebe que a toxicodependência é algo que não morreu com a sua melhor amiga.

Trata-se de um história tão forte que marcou uma geração inteira em Portugal e continua a ser um ex-libris da literatura juvenil.

O Ódio que Semeias

de Angie Thomas

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Starr tem 16 anos e move-se entre dois mundos: o seu bairro problemático, habitado por negros como ela, e a escola que frequenta numa elegante zona residencial de brancos.

O frágil equilíbrio entre estas duas realidades é quebrado quando Starr se torna a única testemunha do disparo fatal de um polícia contra Khalil, o seu melhor amigo.

A partir daí, pairam sobre Starr ameaças de morte: tudo o que ela disser acerca do crime que presenciou pode ser usado a seu favor por uns, mas sobretudo como arma por outros.

Um poderoso romance juvenil, inspirado pelo movimento Black Lives Matter e pela luta contra a discriminação e a violência.

As Vantagens de Ser Invisível

de Stephen Chbosky

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Um livro repleto de um pouco de tudo o que acontece na vida de um adolescente: primeiro encontros, sexo, dramas familiares, novas amizades, amores e perdas. A verdadeira montanha-russa que é a vida de um adolescente.

O livro foi, entretanto, adaptado ao grande ecrã e chegou aos cinemas em 2012.

O Tatuador de Auschwitz 

de Heather Morris

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Esta a história verídica de um amor em tempo de guerra!

Relata a história assombrosa do tatuador de Auschwitz e da mulher que conquistou o seu coração – um dos episódios mais extraordinários e inesquecíveis da altura que se vivia, o Holocausto.

O protagonista, Lale Sokolov, é incumbido da tarefa de tatuar os prisioneiros marcados para sobreviver – gravando uma sequência de números no braço de outras vítimas como ele – com uma tinta indelével.
À espera na fila pela sua vez estava Gita. Para Lale, um sedutor, foi amor à primeira vista, que ficou determinado não só a lutar pela sua própria sobrevivência mas também pela desta jovem.

Uma história de amor e sobrevivência no meio de um campo de concentração, que mostra de forma emocionante como o melhor da natureza humana se revela por vezes nas mais terríveis circunstâncias.

Eu, Malala

de Malala Yousafzai e Christina Lamb

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Este livro está incluído no Plano Nacional de Leitura para os alunos do 3º ciclo de escolaridade.

No dia 9 de outubro de 2012, Malala Yousafzai, então com 15 anos, regressava a casa da escola quando a carrinha onde viajava foi mandada parar e um homem armado disparou três vezes sobre a jovem. Nos últimos anos, Malala – uma voz cada vez mais conhecida em todo o Paquistão por lutar pelo direito à educação de todas as crianças, especialmente das raparigas – tornou-se um alvo para os terroristas islâmicos. Esta é a história, contada na primeira pessoa, da menina que se recusou a baixar os braços e a deixar que os talibãs lhe ditassem a vida. É também a história do pai que nunca desistiu de a encorajar a seguir os seus sonhos numa sociedade que dá primazia aos homens, e de uma região dilacerada por décadas de conflitos políticos, religiosos e tribais. Um livro que nos leva numa viagem extraordinária e que nos inspira a acreditar no poder das palavras para mudar o mundo.

Persépolis

de Marjane Satrapi

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Este também é um livro sobre igualdade de direitos entre homens e mulheres. Trata-se de uma história verídica sobre a infância e adolescência da escritora e ilustradora Marjane Satrapi no Irão, numa altura em a monarquia dava lugar à Revolução Islâmica e à guerra com o Iraque.

Com esta memória divertida e comovente de uma rapariga que cresce no Irão durante a Revolução Islâmica, Marjane Satrapi consegue transmitir uma mensagem universal de liberdade e tolerância.

Mulherzinhas

de Louisa May Alcott

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As irmãs Meg, Jo, Beth e Amy passam por um período difícil depois de verem o pai partir para a guerra e de se confrontarem com problemas económicos inesperados. No entanto, a união familiar e o espírito lutador que conseguem manter juntamente com a mãe ajudam-nas a ultrapassar todas as dificuldades. Quer em casa quer nas relações com os amigos e vizinhos, conseguem surpreender e continuar a ser fiéis aos seus sonhos, vivendo todos os dias com esperança e boa disposição.

Um livro que nos dá o retrato de uma família de classe média americana do seu tempo, sublinhando os seus principais valores morais, e em que o amor e a coragem se revelam mais fortes do que todas as dificuldades.

Todos Devemos Ser Feministas

de Chimamanda Ngozi Adichie

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“Peço-vos que sonhem e planeiem um mundo diferente.

Um mundo mais justo. Um mundo de homens e mulheres mais felizes, mais fiéis a si mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos de criar as nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos de criar os nossos filhos de uma maneira diferente.”

O que é que o feminismo significa hoje em dia?

Neste ensaio pessoal – adaptado de uma conferência TED – Chimamanda Ngozi Adichie apresenta uma definição única do feminismo no século XXI. A escritora parte da sua experiência pessoal para defender a inclusão e a consciência nesta exploração sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje. Um desafio lançado a mulheres e homens, porque todos devemos ser feministas.

Eleanor & Park

de Rainbow Rowell

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Dois inadaptados. Um amor extraordinário.

Eleanor… é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.

Park… é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.

A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.

Quando Éramos Mentirosos

de E. Lockhart

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A família Sinclair parece perfeita. Ninguém falha, levanta a voz ou cai no ridículo. Os Sinclair são atléticos, atraentes e felizes. A sua fortuna é antiga. Os seus verões são passados numa ilha privada, onde se reúnem todos os anos sem exceção. É sob o encantamento da ilha que Cadence, a mais jovem herdeira da fortuna familiar, comete um erro: apaixona-se desesperadamente.

Cadence é brilhante, mas secretamente frágil e atormentada. Gat é determinado, mas abertamente impetuoso e inconveniente. A relação de ambos põe em causa as rígidas normas da família. E isso simplesmente não pode acontecer. Os Sinclair parecem ter tudo. E têm, de facto. Têm segredos. Escondem tragédias. Vivem mentiras. E a maior de todas as mentiras é tão intolerável que não pode ser revelada. Nem mesmo a si.

O Diário Secreto de Adrian Mole Aos 13 Anos e 3/4

de Sue Townsend

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Este é um diário de um rapaz que prometo nunca beber álcool e espremer borbulhas! Aqueles típicos pensamentos de adolescentes.

Mas não é só o acne e o álcool que incomodam Adrian Mole, um rapaz de 13 anos (e três quartos), que vive em Inglaterra. Entre a nova namorada, os problemas dos pais e o casamento da princesa Diana, este adolescente tem muito sobre o que escrever no seu diário. Muitas vezes, interpreta de forma errónea o que acontece ao seu redor, o que lhe dá um carácter trágico mas muito cómico.

 

Livros nos Parques, hora do conto, ateliês em Santa Iria de Azóia – 28 agosto e 4 setembro

Agosto 25, 2022 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Qual a importância da leitura e os benefícios trazidos por este hábito?

Agosto 7, 2022 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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mundolivros

Notícia do Mundo dos Livros de 26 de janeiro de 2022.

by Gonçalo Sousa

Com o avanço da pandemia, desde o início de 2020 e novamente agora com esta onda de novas variantes, algo que os brasileiros e os portugueses sentiram demais foi o comprometimento de sua vida social, de seus planos sociais e até do contato direto com a maior parte das outras pessoas.

Para povos tão calorosos e amistosos quanto o brasileiro e português, esse talvez tenha sido um dos impactos mais drásticos da pandemia, que trouxe junto consigo sintomas como:

  1. Aumento nos casos autodeclarados de ansiedade
  2. Instabilidade emocional e psicológica
  3. Queda de produtividade

 Neste contexto de falta de contato social e atividades ao ar livre, um dos maiores parceiros da população geral têm sido os serviços de streaming, sejam eles de música ou filmes.

Dados mostram que a sociedade mundial está mais conectada do que nunca, principalmente devido à pandemia. De fato, os acessos à Internet e o mercado de jogos eletrônicos nunca viram tanto sucesso.

No entanto, uma das maiores companheiras das pessoas ao longo da pandemia, também, têm sido a leitura. Vendas de livros e o consumo de textos, sejam físicos ou digitais, aumentaram em níveis astronômicos durante a pandemia.

Muito se sabe sobre os benefícios da leitura e da importância deste hábito para resolver questões práticas, como fazer uma pesquisa empírica ou realizar uma prova.

No entanto, com o quadro de isolamento atual, é importantíssimo que discutamos estes benefícios e a importância de se cultivar o hábito da leitura ao longo da vida.

Conhecimentos técnicos e melhora na capacidade crítica

Um dos pontos mais importantes sobre a leitura, de acordo com diversos professores, especialistas e pesquisadores na área, é a capacidade de aprender através da leitura, de maneira eficaz, e também a capacidade de desenvolver uma visão de mundo crítica.

Então, além de a leitura certamente contribuir para um melhor desempenho em uma prova, em uma maior gama de palavras em seu vocabulário ou para realizar uma pesquisa de natureza empírica, a leitura aprimora diversas habilidades sociais, como por exemplo: 

  1. Empatia
  2. Visão de mundo crítica
  3. Respeito
  4. Conhecimentos históricos
  5. Contato com outras realidades

Logo, a leitura é certamente uma ferramenta não só para se tornar uma pessoa com mais conhecimento, ou um profissional com mais capacitação técnica, mas também para se tornar um cidadão melhor, mais informado, crítico e mais respeitoso.

Benefícios para a saúde mental

Outros benefícios que certamente são atribuídos ao hábito da leitura estão relacionados à questão de saúde, mais especificamente à saúde mental das pessoas e também à questão cognitiva e de aprendizado.

Diversos estudos mostram que a leitura é uma das atividades que mais estimulam a atividade cerebral, juntamente com a resolução de problemas.

Esta atividade cerebral é um dos fatores mais importantes para combater transtornos mentais em idade avançada, como por exemplo o mal de Alzheimer, que acomete uma grande parcela da população idosa.

Além disso, a leitura é responsável por desenvolver o foco e a concentração nas pessoas, sendo também extremamente importante e indicada na fase infantil e infanto-juvenil, momento onde a questão cognitiva está sendo desenvolvida de maneira integral.

O contato com diversas histórias e a criatividade

Por fim, outro benefício que sempre está atrelado à leitura é o desenvolvimento da capacidade criativa de leitores, em contraste com não-leitores. Diversos estudos e pesquisas mostram que a leitura é um dos maiores promotores de criatividade.

Isso se deve ao fato de que a leitura proporciona o contato com diversas histórias e expõe a visão de mundo de diferentes autores, de diferentes culturas, países e momentos da história.

O contato com diversas culturas e visões de mundo, além de fomentar o respeito e a curiosidade por outras culturas, também é responsável por impulsionar a criatividade, visto que há diversas formas de se contar histórias e diversas histórias para serem contadas.

Logo, a leitura é um hábito extremamente saudável e importante a ser cultivado, que pode trazer benefícios em diversas questões, que vão desde a saúde pessoal, até a criatividade e o respeito por outras histórias, culturas e visões de mundo.

 

 

Enquanto a leitura melhora o cérebro, a internet nos deixa menos atentos

Dezembro 2, 2021 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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aleteia

Texto do site Aleteia de 23 de novembro de 2021.

A chamada leitura profunda favorece a formação de novas estruturas cerebrais, enquanto a leitura fragmentada das redes sociais debilita a chamada atenção executiva

“Quem mal lê mal fala, mal ouve, mal vê.” A frase de Ênio Silveira, falecido editor da Civilização Brasileira, expõe como a leitura (ou a falta de) é determinante de nossa visão de mundo e daquilo que somos. Através da leitura ganhamos repertório de vida, conseguimos entender melhor a realidade, relativizar as questões do nosso tempo com as do passado e desenvolver senso crítico, pensamento analítico e abstrato, assim como a empatia pelo próximo. 

Mais do que isso, como falaremos a seguir, a leitura ajuda positivamente a moldar nosso cérebro. No entanto, com o surgimento da internet, a leitura de livros começou a cair em desuso e a maneira desatenta como navegamos pelas novas mídias está afetando nossa memória e nossa capacidade de atenção. E o resultado disso pode ser devastador para as próximas gerações.

Leitura profunda

Quando estamos imersos em um texto longo, estamos praticando o que se chama de leitura profunda, usamos 99% da nossa atenção, o que gera uma retenção muito maior daquele conteúdo em nossa memória do que quando passamos por várias informações sem o mesmo foco.

Ler é uma ação ativa, que requer um processamento do nosso cérebro para processar, dar significado e armazenar o que está sendo lido. Ao atingirmos tal estágio de leitura, o cérebro em estado meditativo, um processo que reduz os batimentos cardíacos assim como a ansiedade, nos deixando mais relaxados – por isso costuma-se ler livros antes de dormir. 

Mais do que isso, ler afeta a nossa estrutura cerebral, principalmente na segunda infância e na adolescência, quando acontece uma profusão de novas sinapses e nos tornamos uma esponja de conhecimento. O próprio ato de ler altera a física e a química do cérebro em formação, favorecendo o surgimento de novas conexões neuronais que se conectam com mais áreas do cérebro. Esta é a explicação neurológica de um fato incontestável: quanto mais se lê, mais inteligente se fica. 

Atenção executiva

Como ler livros requer uma atenção sustentada, repousada e um foco contínuo, com o hábito desenvolvemos uma habilidade chamada atenção executiva, a mesma que empregamos em um trabalho intelectual ou ao estudar. E neste estágio de atenção absorvemos muito mais o que é lido. 

Já a leitura na internet, ágil e fragmentada, não estimula a atenção e, em consequência, a formaçao de novas memórias. O que tem preocupado neurocientistas, uma vez que a leitura no meio dígital digital não estimula da mesma maneira o pensamento abstrato, que envolve mais sinapses e regiões cerebrais. E como o cérebro é plástico e muda ao longo de toda a vida, o hábito da leitura favorece o pleno funcionamento de faculdades mentais como a memória e atenção. 

A importância da literatura

Quem quiser um incentivo a mais para cultivar o hábito da leitura, basta recordar algumas palavras do Papa João Paulo II em sua famosa Carta aos Artistas. Em seu texto, o Papa destaca a “grande importância” da literatura e das artes na vida das pessoas.

“Elas procuram dar expressão à natureza do homem, aos seus problemas e à experiência das suas tentativas para conhecer-se e aperfeiçoar-se a si mesmo e ao mundo; e tentam identificar a sua situação na história e no universo, dar a conhecer as suas misérias e alegrias, necessidades e energias, e desvendar um futuro melhor”, escreve o Papa, citando a Gaudium et spes.

 

10 dicas simples e fáceis para motivar crianças a ler

Julho 28, 2021 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Mundo de Livros de 11 de  maio de 2016.

Como leitores, sabemos que é nas páginas de um livro que aprendemos muito sobre o mundo que nos rodeia. Além do mais, vários estudos têm comprovado que hábitos de leitura em criança são fundamentais para desenvolver as capacidades cognitivas. 

A nossa compreensão, assim como a capacidade individual para assimilar conhecimento (seja a nível profissional ou pessoal), é especialmente estimulada pelos livros que lemos. É por isso mesmo que educadores e pais por todo o mundo procuram incutir nas crianças, mesmo antes de conseguirem ler por si mesmas, o hábito de ler livros. 

Algumas crianças aceitam bem este tipo de entretenimento, deixando-se conquistar por histórias e personagens. Outras, porém, não suportam os livros ou preferem outro tipo de entretenimento, como jogos em computador ou desenhos animados na televisão. Se é o caso do seu filho ou de uma criança com que lida frequentemente, então talvez esteja na altura de investir noutra estratégia em vez de lhe tentar impingir sempre um livro. 

Neste post, apresentamos algumas sugestões para que consiga explicar a uma criança a importância da leitura e motivá-la a pegar num livro e a apreciar uma história. 

Como motivar crianças a ler? Aqui tem 10 dicas 

1 – Conheça a criança 

Antes de mais, se quer que a criança leia, precisa de a conhecer. Não, não estamos a querer dizer que você não conhece o seu próprio filho. O que queremos dizer é que precisa de conhecer precisamente aquilo de que gosta. Que temas o fascinam mais? Que tipo de histórias gosta de ver em filmes e desenhos animados? É ao traçar esta espécie de perfil de “gostos pessoais” que vai saber ao certo que tipo de livros deve sugerir ao seu filho. Se for uma história apelativa, então a leitura será certamente mais fácil. 

2 – Aumente a curiosidade 

As crianças nem sempre se deixam convencer se lhes disser “Olha, aqui está um livro parecido com o desenho animado que vês na televisão.” Colocar-lhe o livro nas mãos nem sempre é suficiente. Se a criança até então não lê, então nada garante que vai começar a ler só porque aquele livro em questão é parecido com algo de que já gosta. Portanto, alimente a curiosidade ao longo do tempo, até que o seu filho decida pegar no livro sozinha. Conte-lhe aqui que acontece mais à frente na história, como são as personagens, que a leitura é fácil, entre outros. 

3 – Relembre as Viagens 

Costuma fazer viagens ou passeios com o seu filho? Conhecer novos lugares preenche a mente das crianças com memórias que ficam para a vida. E porque não presenteá-lo com um livro que o faça recordar essas mesmas viagens? Existem todo o tipo de livros sobre viagens, cheios de cor e com informação interessante e apresentada numa escrita leve, que promete conquistar os mais pequeninos. 

4 – Mantenha livros sempre por perto 

Se quer que o seu filho leia, então comece por manter sempre por perto livros para que possa encontrar uma história quando a vontade ou momento surgir. Ao manter por perto a sua estante de livros, está também a preparar a criança para que esteja a habituada a ter livros na sua vida. 

5 – Crie um cantinho da leitura 

Se o seu filho tem um espaço próprio para ver televisão e para jogar jogos de computador, então porque não ter também um espaço para ler? Não precisa de fazer grandes investimentos ou de remexer na decoração lá em casa. Basta preparar um cantinho, próximo da estante, talvez decorá-lo com um puff ou uma cadeira confortável. Basicamente, um espaço onde a criança quer estar por se sentir bem a ler uma história. 

6 – Pense em alternativas de leitura 

Não se prenda à ideia de pôr o seu filho a ler grandes livros, cheios de letras e sem imagens. Embora as melhores histórias estejam, por norma, em livros neste tipo de formato, às vezes é necessário ter um pensamento estratégico e pensar noutras formas de promover a leitura. E que tal uma banda desenhada, por exemplo? As cores, os desenhos e os diálogos em balões funcionam quase como um desenho animado e estimulam o gosto pelo leitura. Pode ainda optar pelas revistas. Hoje, os quiosques estão repletos de revistas infanto-juvenis, assinadas pela Disney, pelo Canal Panda ou por outros editores de entretenimento. Fora artigos e conteúdos concebidos propositadamente para o público infantil, estas revistas costumam ainda trazer brindes que todas as crianças adoram. 

7 – Leia com as crianças 

E porque não ler com as crianças? Esta é uma prática antiga mas que tem caído em desuso. O típico momento de contar uma história “antes de ir para a cama” tem preparado gerações para o hábito da leitura assim que aprendem a ler e escrever na escola. Não ler com as crianças não precisa de acontecer apenas antes de ir dormir. Porque não sentar-se no sofá com o seu filho a ler um livro  em vez de ligar a televisão? 

8 – Dê o exemplo 

Está cientificamente comprovado que as crianças seguem os exemplos que veem nos pais ou nas figuras de autoridade mais próximas. Assim sendo, faz todo o sentido que você leia livros se quer que o seu filho também os leia. Mostre-lhe que tem sempre um livro na mesinha de cabeceira e, quando ler à frente dele, tente mostrar através de gestos e expressões faciais o quão prazeroso pode ser o hábito de ler. 

9 – Teste o conhecimento do seu filho 

Ao terminar um livro ou uma história, não deixe que esse seja o último capítulo. Porque não pegar em tudo aquilo que aprendeu para fazer, por exemplo, um quiz com a criança e verificar se percebeu a história? Ou fazer até mesmo uma espécie de debate para discutir as melhores partes do livro? Além do mais, isto serve como um processo de reflexão e interiorização de toda a informação recentemente adquirida. 

10 – Crie histórias 

E porque não criar histórias que possam ser lidas pelo seu filho e até mesmo passadas entre os seus amigos? Isto não ocupa muito tempo da sua parte. Basta sentar-se no computador durante uma hora ou duas para passar para o papel uma história básica sobre uma viagem que tenham feito, um episódio familiar ou dar mesmo asas à imaginação e criar uma história fantástica. Peça ainda dicas ao seu filho, pergunte-lhe o que gostava de ver no papel e o que gostava de ver numa história. 

 

Morreu António Torrado

Junho 14, 2021 às 7:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Na sexta-feira faleceu António Torrado – uma vida dedicada às letras e à promoção da leitura. O IAC teve o privilégio de ter o grande impulsionador da literatura infantojuvenil em Portugal como sócio fundador. Como dizia, foi convidado a integrar “um presépio” – um grupo de especialistas em diferentes matérias da infância – reunidos por Manuela Eanes para mudar a vida – não do “menino Jesus” – mas de todas as crianças no mundo. E é assim que sempre o recordaremos: dono de uma criatividade e de um humor sem igual, homem simples mas de convicções fortes! Continuaremos a defender a importância da leitura e da literatura infantojuvenil na promoção e defesa dos direitos da criança. Como recordar é viver, deixamos a sugestão de um poema de sua autoria integrada no livro infantojuvenil “Histórias com Direitos” lançado pelo IAC em 2010, em parceria com a Plátano Editora e que faz parte da lista de livros do PNL – veja o vídeo em https://youtu.be/AUNy2aCscNs A sua obra permanecerá, mas António Torrado deixa saudades!

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