Intensa prática desportiva na adolescência altera coração dos atletas

Março 24, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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É a principal conclusão de um estudo da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, divulgado esta terça-feira, que alerta para a necessidade de maior acompanhamento médico.

A prática desportiva intensa e a competição na adolescência provocam alterações no coração dos atletas, conclui o estudo. A investigação foi conduzida pelo docente Joaquim Castanheira, do Departamento de Fisiologia Clínica, no âmbito da sua tese de doutoramento, e intitula-se “Participação Desportiva, Crescimento, Maturação e Parâmetros Ecocardiográficos em Jovens Masculinos Peri-Pubertários”.

Segundo um comunicado da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC), o estudo detetou “diferenças significativas no tamanho, espessura das paredes e massa ventricular esquerda entre jovens desportistas e não desportistas, por um lado, e entre atletas de uma modalidade de nível local e de nível internacional, por outro, relacionando as diferenças encontradas com a prática de treino intensivo e de competição”.

“Verificámos que, na mesma modalidade desportiva com metodologias de treino semelhantes, há diferenças significativas para a massa ventricular esquerda entre atletas de nível local e de nível internacional, parecendo que esta é influenciada pelo maior grau de exigência e de sucesso”, disse o investigador Joaquim Castanheira, citado no documento.

O estudo teve como objetivo explicar o efeito do treino continuado na remodelagem cardíaca em jovens atletas do sexo masculino, em fase de crescimento, com idades entre os 13 e os 17 anos, uma vez que a maior parte dos estudos conhecidos foram realizados em atletas adultos, dividindo-se em quatro áreas transversais – atletas internacionais e adolescentes saudáveis não atletas, atletas de várias modalidades federadas há mais de cinco anos, basquetebolistas locais e internacionais, e judocas convocados para estágios da seleção nacional.

A investigação constatou ainda a necessidade de acompanhamento médico, previamente e durante a prática desportiva: “Mesmo as crianças devem fazer testes médicos antes de praticar desporto de competição, para despistar eventuais problemas”, afirma o docente.

Durante os testes realizados aos 382 atletas que constituem a amostra, o docente Joaquim Castanheira constatou que uma grande percentagem nunca realizou um ecocardiograma e uma pequena percentagem apresentava mesmo alterações estruturais ao nível do coração.

Embora habitualmente os atletas de competição realizem um eletrocardiograma anualmente, “todos os atletas, mesmo os mais jovens, deviam realizar pelo menos um ecocardiograma antes de iniciar a prática de desporto de competição”, uma vez que há alterações da estrutura cardíaca que são detetadas por este exame, refere o comunicado da ESTeSC.

 

Artigo da TSF em 14 de março de 2017

Estudo revela que fumar na gravidez pode causar problemas na visão dos filhos

Março 23, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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As mulheres que fumam durante a gravidez, aumentam a probabilidade de os filhos desenvolverem um determinam tipo de problema na retina.

Este dano também foi verificado quando os bebes nasciam com menos peso do que o normal.

Foi um estudo publicado na revista JAMA Ophthalmology quem revelou o problema. Este estudo foi levado a cabo por várias universidades e institutos da Dinamarca, onde foram analisadas 1406 crianças dinamarquesas que ou tinham nascido com peso a menos ou que tinham sido expostas ao fumo do tabaco ingerido pela mãe durante a gravidez.

Segundo o estudo, 80% das mães não fumavam durante a gravidez, 2% tinham deixado de fumar quando engravidaram e 18% continuaram a fumar no período de gestação.

O fumo do tabaco fez com que a camada de fibra nervosa da retina fosse 5,7 micrómetros mais fina do que a das crianças cujas mães não fumavam. Quanto ao peso, as crianças que tinham um menor peso apresentavam uma camada de fibra nervosa da retina 3,5 micrómetros mais fina.

Ambos os fatores se mostraram determinantes, ainda que de forma independente, para o desenvolvimento de problemas na camada de fibra nervosa da retina, sendo que esta apresentava ser mais fina entre os 11 e os 12 anos.

 

Jornal i em 9 de março de 2017

20% dos jovens já se magoou de propósito para “regular emoções difíceis e intensas”

Março 20, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://24.sapo.pt/ de 6 de março de 2017.

sapo24

Vinte por cento dos adolescentes já se envolveu em comportamentos autolesivos pelo menos uma vez na vida, concluiu um estudo realizado na Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra.

“Cerca de 20% dos adolescentes [inquiridos] reporta ter tido pelo menos uma vez na sua vida o envolvimento em comportamentos autolesivos”, como por exemplo cortar-se, queimar-se ou arranhar-se com o intuito de magoar o próprio corpo para “regular emoções difíceis e intensas”, disse à agência Lusa a investigadora Ana Xavier, que realizou o estudo ao longo de quatro anos, no âmbito do seu doutoramento.

O projeto desenvolvido no Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) envolveu um inquérito a 2.863 adolescentes, com idades entre os 12 e os 19 anos, a frequentar o 3.º ciclo e o ensino secundário em várias escolas do distrito de Coimbra, refere a nota de imprensa da Universidade de Coimbra (UC).

A taxa de prevalência encontrada, esclareceu à Lusa a investigadora do CINEICC, é semelhante àquela que é reportada em estudos internacionais.

De acordo com o estudo, as raparigas reportam um “maior envolvimento” em comportamentos autolesivos, sendo também elas as que relatam “maiores níveis de sintomas depressivos” e tendem a “ser mais autocríticas e a relatar maiores problemas com o grupo de pares”.

Há também uma maior incidência de autolesões entre os 15 e 16 anos, faixa etária que “coincide com um maior desenvolvimento do pensamento abstrato e comparação social com os outros”, notou Ana Xavier.

Segundo a responsável pela investigação, os comportamentos autolesivos não sugerem “intencionalidade de suicídio”. No entanto, “este é um fator de risco”, sublinhou.

Os resultados “são importantes porque alertam para a importância de se fazerem intervenções e de se estar atento a este tipo de dificuldades” nos adolescentes.

Para a investigadora, seria fundamental a criação de programas de “prevenção e de intervenção para ajudar” os jovens a lidarem de “forma mais eficaz com experiências emocionais”, através de “processos de regulação emocional mais adaptativos”, como estratégias de autotranquilização e de autocompaixão.

O estudo demonstra ainda que há uma tendência dos adolescentes que são vitimizados pelos seus colegas a serem “mais autocríticos e, por sua vez, a experienciarem mais sintomas depressivos e a envolverem-se em comportamentos autolesivos”.

Em declarações à Lusa, Ana Xavier aponta também para o facto de os adolescentes que recordam “experiências de ameaça, de subordinação e desvalorização nas relações precoces com a sua família” tendem a experienciar “maiores níveis de sintomas de depressão” e a autolesarem-se.

“Estes adolescentes não recordam apenas as experiências negativas com a sua família. Relatam poucas experiências positivas de calor, de suporte de segurança”, constatou a investigadora.

O estudo da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

mais informações no link da UC.

http://noticias.uc.pt/universo-uc/estudo-da-uc-revela-que-20-dos-adolescentes-ja-se-envolveram-em-comportamentos-autolesivos/

 

 

Apresentação e debate do estudo “A Praxe como fenómeno social” 16 de março, Vila Real, 23 de março, Évora – 28 de março, Leiria , 3 de abril, Lisboa

Março 14, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto da DGES de 3 de março de 2017.

A DGES promoveu a realização de um estudo sobre o fenómeno social conhecido como “praxe” no ensino superior.

O estudo foi realizado por uma equipa de investigadores do Centro de Investigação e Estudos Sociais do ISCTE-IUL (CIES), do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto (ISUP) e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES), sob coordenação de João Teixeira Lopes (ISUP) e João Sebastião (CIES).

Estão já confirmadas as seguintes sessões de debate e auscultação pública:

6 de março, 11h30, Braga – Universidade do Minho (Anfiteatro B1, Complexo II, Campus de Gualtar);

16 de março, Vila Real – UTAD;

23 de março, Évora – Universidade de Évora;

28 de março, Leiria – (Instituto Politécnico de Leiria);

3 de abril, Lisboa – ISCTE-IUL.

Convida-se toda a sociedade a participar.

O estudo “A Praxe como fenómeno social” pode ser visualizado aqui.

Duas em cada três crianças sírias viram morrer um familiar ou um conhecido

Março 13, 2017 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 7 de março de 2017.

LUSA

Duas em cada três crianças sírias presenciaram a morte violenta de um familiar ou de uma pessoa conhecida, revelou um estudo sobre os graves efeitos psicológicos provocados pela guerra na Síria.

Duas em cada três crianças sírias presenciaram a morte violenta de um familiar ou de uma pessoa conhecida, revelou um estudo divulgado, esta terça-feira, sobre os graves efeitos psicológicos provocados pela guerra na Síria.

O estudo, da responsabilidade da organização não-governamental Save the Children, ouviu o testemunho de mais de 450 crianças e adultos em sete das 14 regiões da Síria entre dezembro de 2016 e fevereiro de 2017.

O documento revelou dados qualificados como chocantes pelo diretor para a Cooperação Internacional e Ajuda Humanitária da Save the Children, David del Campo, e pelo psiquiatra sírio Nabil Sayed Ahmad, que divulgaram, esta terça-feira, o estudo na cidade espanhola de Sevilha.

Segundo David del Campo, o estudo revelou que duas em cada três crianças sírias presenciaram a morte violenta de um familiar ou de uma pessoa que conheciam, mas também mostrou que 84% dos adultos inquiridos e quase todas as crianças ouvidas descreveram os bombardeamentos contínuos e o fogo de artilharia como uma “banda sonora diária“.

Metade dos seis milhões de crianças sírias nunca ou raramente se sentem seguras na escola e muitas abandonaram as salas de aula. Cerca de 40% dos menores entrevistados confessaram que não se sentem seguros para brincar ao ar livre.

Os mesmos dados indicaram que cerca de 78% dos inquiridos afirmaram que sentem, quase de forma permanente, pena e uma tristeza extrema. Quase todos os adultos ouvidos (89%) indicaram que as crianças sírias estão mais nervosas e temerosas à medida que a guerra, que afeta aquele país há seis anos, persiste.

O psiquiatra sírio Nabil Sayed Ahmad destacou que o medo da guerra está a provocar casos de incontinência urinária entre as crianças, incluindo naquelas que têm mais de 14 anos. O especialista advertiu que este stress “tóxico” que está a afetar as crianças sírias pode ter efeitos irreversíveis.

Insónias, perda da fala, reações bruscas face a qualquer ruído inesperado ou irritabilidade e mau humor são outros dos efeitos identificados nas crianças sírias. Às vezes, e em casos de crianças sírias que chegam à Europa, estes sinais comportamentais são muitas vezes confundidos com uma falsa agressividade.

Não podemos parar uma guerra que pensávamos que iria durar, no máximo, um ano, uma vez que isso está nas mãos das grandes potências que estão a desenhar um novo mapa político da zona, mas podemos fazer alguma coisa (…) pelos refugiados, especialmente pelas crianças”, referiu o psiquiatra sírio.

A organização Save the Children apelou às fações envolvidas no conflito sírio para não usarem armas explosivas contra civis, nem para atacarem locais como escolas ou hospitais, porque estas situações são os principias motores da angústia e do medo das crianças sírias.

A entidade também pediu o fim “imediato” do cerco a cidades e defendeu o acesso das organizações não-governamentais humanitárias às zonas mais vulneráveis do país. A guerra na Síria já fez mais de 310.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Invisible wounds : impact of six years of war on the mental health of Syria’s children

 

Tempo nas creches pode provocar stress nas crianças

Março 11, 2017 às 5:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://sol.sapo.pt/ de 26 de fevereiro de 2017.

A investigação abrangeu 112 crianças entre os 12 os 18 meses.

As crianças que passam mais de oito horas na creche tornam-se mais stressadas e ansiosas do que aquelas que ficam em casa. Esta é a conclusão de um estudo da Universidade norueguesa de Ciências e Tecnologias, que explica que o stress é provocado pela falta que as crianças sentem dos pais e pelos conflitos com outras crianças.

A investigação, que abrangeu 112 crianças com idades entre os 12 e os 18 meses, mostra que os níveis de stress nestas idades podem fazer com que se tornem adultos mais tímidos e com uma menor capacidade de autocontrolo.

No entanto, nem tudo são más notícias: o estudo, citado pelo site britânico Daily Mail, mostra que os efeitos negativos provocados por horas a mais na creche podem ser revertidos se a criança passar tempo de qualidade com os pais, depois de estes irem buscar os filhos à escola.

Para ler o artigo do Daily Mail, clique aqui

O artigo citado na notícia é o seguinte:

Elevated cortisol levels in Norwegian toddlers in childcare

 

Um irmão ou um cão? estudo

Março 6, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 15 de fevereiro de 2017.

Mais informações sobre o estudo citado na notícia, no comunicado da University of Cambridge:

Pets are a child’s best friend, not their siblings

capturar

 

Uso de eletrônicos em excesso atrasa desenvolvimento infantil, diz Unicamp

Março 2, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://g1.globo.com/ de 29 de setembro de 2016.

Vídeo da notícia aqui

globo

Estudo foi feito com crianças de 8 a 12 anos, na região de Campinas.

Pesquisadora se surpreendeu com o tempo gasto com os aparelhos.

Um estudo da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, em Campinas (SP), concluiu que as crianças que usam aparelhos eletrônicos sem controle e não brincam, ou brincam pouco, no “mundo real” podem ter atraso no desenvolvimento. A pesquisa foi realizada com meninos e meninas de 8 a 12 anos de idade, que ficam de quatro a seis horas diante das telas de computadores, tablets, celulares e videogames.

Para a pedagoga Ana Lúcia Pinto de Camargo Meneghel, que desenvolveu o estudo na FE durante o mestrado na linha de psicologia da educação, as crianças que se enquadram neste perfil acabam não brincando e nem tendo uma rotina, o que afeta no ritmo de construção do desenvolvimento cognitivo.

Ao todo, 21 meninos e meninas de uma escola particular na região de Campinas (SP) passaram por testes para avaliar as capacidades que eles precisam ter para, inclusive, aprender bem o conteúdo ensinado na escola. Para a surpresa da pesquisadora, de todas as crianças, apenas uma mostrou as habilidades esperadas para essa faixa.

“Apenas uma criança, de 12 anos, tinha construído as noções lógico-elementares, que seriam as noções matemáticas e a noção de espaço”, afirma a pesquisadora da Unicamp.

Brincar aumenta a criatividade

O uso de eletrônicos em si não é exatamente o problema, segundo a pesquisa, mas sim a falta de brincadeiras no “mundo real”.

“O mais importante é eles brincarem. Num parquinho, na piscina, na escola. Precisa oferecer para essas crianças atividades criativas. Atividades que eu vou buscar, que eu tenha curiosidade”. explica Ana Lúcia. [Veja exemplos no vídeo acima]

Moradora de uma chácara em Vinhedo (SP), Isabella Bracalente, de 9 anos, aproveita para subir em árvores e explorar brincadeiras, como andar de bicicleta, patins e pular corda.

“Eu acho que só ficar no tablet o dia inteiro, a gente não desenvolve a nossa criatividade. Por isso que eu gosto de brincar”, conta a menina.

Segundo a pesquisa, quando a criança brinca, faz uso das operações infralógicas, que garantem noção operatória de espaço, tempo e causalidade. Um exemplo é uma brincadeira simples de entrar debaixo de uma cadeira. A criança precisa viver a experiência para saber se cabe naquele espaço ou não.

Crianças foram entrevistadas

A pedagoga e pesquisadora Ana Lúcia conversou com as crianças e todas afirmaram ter pelo menos quatro aparelhos eletrônicos em casa. Sobre brincadeiras na rua, os meninos e meninas responderam que não brincavam porque os pais não deixavam, por ser perigoso.

Sobre a prática de atividades físicas, das 21 crianças avaliadas, 14 afirmaram que não praticavam nenhuma. As que disseram sim, afirmaram fazer natação, uma ou duas vezes na semana.

A pesquisadora percebeu em outros questionamentos, sobre o que as crianças fazem quando não estão na escola, que muitas não conseguem descrever suas rotinas.

Dificuldades para medir espaço

Entre os testes desempenhados, as crianças tiveram que montar uma torre com peças de madeira em uma mesa e depois outra no chão, com peças diferentes. A ideia é que construíssem torres de igual tamanho. Elas tiveram dificuldades para medir as duas.

Em outra prova, a pesquisadora avaliou a perspectiva. Com a ajuda de uma maquete de casas e fotos de diversos ângulos da maquete, muitas das crianças não conseguiram definir as posições das casas. Ana Lúcia concluiu que essas crianças ainda não tinham desenvolvido a noção de espaço.

E em atendimentos psicopedagógicos, verificou que as crianças sem oportunidade de brincar, explorar e que passam horas diante dos aparelhos eletrônicos, apresentaram dificuldade na hora de organizar os pensamentos. Foi difícil, por exemplo, montar contas matemáticas no papel com um número embaixo do outro.

 

 

 

 

Uma criança que mente precisa de ser educada, e não receber menos carinho

Março 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 2 de fevereiro de 2017.

upkids

Uma criança que mente precisa de ser educada, e não receber menos carinho

Talvez levando em consideração uma fantástica frase do Dr. Seuss que diz que “os adultos são simplesmente crianças obsoletas” seja mais fácil entender porque mente uma crianç. A empatia com os mais novos é uma arma poderosa, porque também nós, adultos, mentimos de vez em quando.

Todos os pais gostam de saber porque razão os seus filhos mentem. Às vezes poderia ser tão simples como tentar pensar como eles. Será que nossos filhos são conscientes da gravidade da mentira? Sabem diferenciar o tipo de mentira que contam? Vamos tentar responder a estas perguntas.

O estudo sobre as mentiras das crianças

Não, uma criança que mente não é menos afável. De facto, segundo a psicóloga Victoria Talwar da Universidade McGill, no Canadá, nem sequer consideram a mentira como algo objetivo: dizer uma verdade ou uma mentira depende apenas das consequências da mensagem, ou seja, do dano que estas causarão.

Segundo o estudo de Talwar, a criança optará por mentir ou não, consoante o castigo ou a consequência a que será sujeita. As crianças não mentem de propósito, simplesmente tentam evitar uma situação negativa.

No entanto, quando a mentira é por parte do progenitor para a criança, o dano é muito maior. Nesse sentido, os nossos filhos consideram que estão a ser traídos.

O estudo realizado com 100 crianças de 6 a 12 anos e os respetivos pais, resume que os progenitores costumam ensinar aos filhos que não se deve/pode mentir. No entanto, os pais como educadores também mentem, mesmo que seja para tornar a vida mais fácil aos filhos, ou poupar-lhes alguma tristeza. Esta é uma atitude que confunde os filhos, especialmente quando se trata de crianças de tenra idade, que estão em fase de aquisição de exemplos comportamentais.

As crianças têm em mente a motivação da mentira na hora de julgá-la?

No estudo realizado por Talwar, foram exibidos diversos vídeos às crianças com situações nas quais alguém era castigado. Numas situações uma pessoa mentia e um inocente era castigado; noutras, ao dizer a verdade o culpado que recebia o castigo.

Depois de terem visto o vídeo, as crianças respondiam a questões sobre os diferentes personagens. A intenção da investigadora era conhecer o julgamento moral que as crianças retinham das situações apresentadas e analisar os estágios de desenvolvimento de cada criança a este respeito.

As respostas foram muito variadas e levaram a diferentes interpretações. Embora não haja nenhuma idade específica para distinguir entre a verdade e a mentira, foram observadas nuances em termos desta variável:

  • As crianças menores que participaram da experimentação em geral avaliaram a mentira como negativa.No entanto, também foram mais condescendentes quando a mentira evitava ou reduzia um dano ou castigo.
  • Para as crianças de idades compreendidas entre 10 e 12 anos, a diferença entre verdade e mentira era mais difusa. Eram conscientes das consequências tanto de dizer uma verdade como de não dizê-la, e agiam segundo seus interesses com total consciência.

Uma criança que mente tem os seus motivos?

Quando uma criança mente, sobretudo segundo sua idade, não devemos ver isso como uma traição ou um ato digno de indignação. Segundo Alicia Banderas, autora do livro “Pequenos Tiranos”, as crianças mentem para evitar para evitar castigos. Outros motivos poderiam ser: a vergonha de ter agido mal ou para aproveitar alguma atividade que elas adoram mas que sabem que está proibida ou restringida nesse momento.

Por outro lado, as pesquisas revelam que  crianças com um desenvolvimento cognitivo mais avançado já começam a mentir aos dois anos. O normal é começar a fazê-lo a partir dos 3 ou 4 anos e fazem-no da mesma maneira que mergulham no resto dos terrenos desconhecidos. Isto não é mais do que a experiencia por tentativa e erro, dizer uma mentira e comprovar até onde chega o drama das suas consequências.

Além disso, em determinadas situações e já com certa idade, a mentira pode ser provocada por querer chamar a atenção. Ou até mesmo por pura proteção da intimidade da criança ou até por puro desejo.

Assim, enquanto pais, devemos estar conscientes do que fazemos sempre que mentimos aos nossos filhos. Se descobrirem a mentira, provavelmente vão se sentir traídos. Além disso, se usarmos a mentira para manipular as crianças com promessas que depois não cumpriremos, um dia a nossa palavra não terá qualquer valor.

Por isso ficamos com a conclusão do estudo de Talwar.

Os pais e educadores têm que comunicar mais com os filhos e explicar as diferenças entre a mentira e a verdade. Como na maioria das situações, o diálogo é a melhor solução.

image@depositphotos

Por Pedro Liberdade em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

mais informações na notícia da McGill University:

Professor Victoria Talwar: The Truth About Lying

 

 

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas”

Março 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

A tese de mestrado citada no texto é a seguinte:

Transporte de cargas em populações jovens : implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares

snews

Petição sobre o excesso de peso das mochilas escolares já tem mais de 38 mil assinaturas. Signatários pedem legislação nesta matéria, balanças digitais nas salas de aulas, cacifos para todos os alunos, livros mais finos e conteúdos concisos. Editores escolares estão disponíveis para colaborar.

Sara R. Oliveira

O peso excessivo das mochilas que as crianças levam para a escola é uma situação que preocupa muita gente. E não é de agora. Neste momento, há uma petição pública dirigida à Assembleia da República para que se pare e se pense no assunto. Pede-se a intervenção do Parlamento para que, com urgência, haja legislação sobre esta matéria. “É consensual entre os especialistas de todo o mundo que as mochilas escolares não devem ultrapassar 10% do peso de quem as transporta. E porquê? Porque as crianças que transportam regularmente peso excessivo às costas são as que têm mais probabilidade de desenvolver deformações ao nível dos ossos e dos músculos. Quanto mais pesada for a mochila, maior probabilidade de problemas de saúde terá”, lê-se na petição que tem mais de 38 mil assinaturas e, por isso, pode ser discutida pelos deputados.

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas” é o mote do texto que defende várias mudanças para “resolver este grave problema de saúde pública”. Pede-se às escolas que pesem as mochilas das crianças semanalmente, para “avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam”. Pede-se que cada sala de aula tenha uma balança digital. Escolas públicas e privadas devem disponibilizar cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos na escola, de modo a aliviar o peso das mochilas.

Os signatários pedem uma legislação definitiva que torne claro, e obrigatório, que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, como sugerido por associações europeias e americanas, entre elas a Organização Mundial da Saúde. E havendo a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, pede-se às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares que criem livros “com papel mais fino, de gramagem menor, ou divididos em fascículos retiráveis segundo os três períodos do ano”. E, além disso, que os conteúdos dos manuais sejam “o mais concisos e sintéticos possível”, para ficarem com menos peso e volume.

Os editores escolares estão solidários com esta preocupação, disponíveis para colaborarem na definição de soluções, empenhados em “minimizar ao máximo as consequências negativas no presente e no futuro dos alunos portugueses”. “Os editores escolares estão muito atentos ao problema e têm investido bastante na procura das melhores soluções no que diz respeito aos manuais”, adianta, em comunicado, a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.

Já há trabalho feito. “Ao longo dos últimos anos, os editores escolares tomaram algumas medidas como a divisão de alguns dos seus manuais em dois ou três volumes, pese embora isso constitua um acréscimo adicional nos custos de produção que não se reflete no preço final dos livros escolares”. “Os editores têm investido também noutras soluções para além da criação de volumes, tais como o tipo de papel, utilizando papeis mais leves, sem nunca afetar a qualidade dos manuais e a sua utilização plena, nomeadamente, no que concerne à leitura”, acrescenta a APEL no comunicado.

Gramagem e soluções informáticas

“Sendo um dos objetivos da Direção-Geral da Saúde e do Ministério da Saúde a promoção da saúde e a prevenção de doenças, esta deverá ser uma área de investimento, para garantir que as crianças de hoje sejam os adultos/profissionais de amanhã, e contribuam para a sustentabilidade económica do país”, lê-se na petição dirigida à Assembleia da República. O ator e encenador José Wallenstein é o primeiro signatário desta petição subscrita pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e várias organizações médicas, como a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral.

Há várias perguntas na petição. Quantos mais estudos precisam de ser feitos? Quantas mais evidências científicas serão necessárias? Quantos mais problemas de saúde as crianças têm de desenvolver? Quantas mais campanhas terão de ser implementadas? Quantos mais planos ficarão no papel? Diretores de escolas e pais foram ouvidos nesta questão e defendem uma aposta nos livros digitais e aumento do número de cacifos nas escolas. “Todos os dias recebo os meus alunos à entrada da aula e, por vezes, pego nas mochilas e são pesos descomunais, sobretudo ao nível dos mais pequenos, que têm medo de ter falta de material. Acho que devemos ter cuidado com a saúde dos nossos alunos”, refere Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa. A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) defende o suporte digital, cacifos para os alunos guardarem material e um modelo de trabalho que tenha em consideração o peso excessivo nas mochilas.

Antes das perguntas, apresentam-se estudos e respetivas conclusões nessa petição. Em 2003, mais de metade das crianças do 5.º e 6.º anos de escolaridade, 53% mais precisamente, transportavam peso a mais nas mochilas. E 61% dos alunos com 10 anos de idade transportavam cargas excessivas, tal como 44% dos estudantes com 12 anos. Estas foram as conclusões de um estudo da DECO e da revista Proteste em que foram pesadas 360 crianças e respetivas mochilas em 14 escolas públicas e privadas do país. “A pior das situações, refere aquela revista, foi verificada para uma criança de 11 anos, com 32 kg, que transportava uma mochila de 10! O ideal seria que esta criança não carregasse mais de 3,2 kg”, exemplifica-se na petição. “Independentemente da idade dos alunos, o estudo acrescentou que a percentagem de mochilas com peso a mais era maior nas escolas privadas do que nas públicas”.

Depois das conclusões do estudo, pediram-se intervenções. Apelou-se ao então Ministério da Educação, às escolas e às editoras, que unissem esforços para se chegar a um acordo quanto à gramagem do papel utilizado nos livros escolares e sobre a distribuição do programa dos vários manuais em CD-ROM, ou utilizando outras soluções informáticas. Apelou-se às escolas para que distribuíssem mais aulas por semana de forma a evitar a sobrecarga entre os alunos. E apelou-se aos pais para que verificassem, juntamente com os filhos, se as mochilas não teriam objetos desnecessários, e que as ensinassem a arrumá-las de maneira mais conveniente.

Dores nas costas

Em 2009, uma tese de mestrado realizada no âmbito do curso de Engenharia Humana, na Universidade do Minho, revelava que quase dois terços dos alunos se queixavam de dores por causa do peso que carregavam. O trabalho intitulado “Transporte de cargas em populações jovens: implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares” demonstrou que a maioria dos alunos envolvidos na pesquisa tinha alterações posturais relacionadas com a carga excessiva do material escolar. Foi avaliada a incidência de desvios posturais em estudantes dos 6 aos 19 anos, 54 rapazes e 46 raparigas, em escolas públicas e privadas, envolvendo uma amostra de 136 alunos de vários ciclos de ensino. Nesta investigação, verificou-se, por exemplo, que a hiperlordose lombar afetava 69% dos estudantes, a antepulsão dos ombros 59% e a projeção anterior do pescoço 49%, motivando queixas de dor.

“As crianças são os profissionais de amanhã. As crianças que transportam hoje mochilas muito pesadas começam cedo a ter problemas de coluna, sendo alguns dos mais conhecidos a hiperlordose lombar, a hipercifose torácica, a escoliose, as hérnias discais, entre outras ocorrências”. A petição deixa um aviso: “As crianças de hoje, adultos de amanhã, representarão gastos ao Estado, tanto no que respeita a consultas médicas e/ou de especialidade, que poderão prolongar-se por vários anos, como no que concerne a baixas médicas e abstenção profissional”.

Segundo a petição, há outras pesquisas que indicam que 80% das crianças, dos 8 aos 10 anos, já se queixaram de dores nas costas. O texto lembra ainda a campanha “Olhe pelas suas Costas”, criada em 2013, pela Sociedade Portuguesa de Coluna Vertebral, com apoio científico de associações de doentes e sociedades médicas. Um estudo, realizado no âmbito dessa campanha, indicava que 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida, de alguma forma, pelo facto de terem dores nas costas e que mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho, por ano, precisamente por este motivo.

 

 

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