Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal – estudo do CNS

Dezembro 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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O estudo Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal debruça-se sobre as políticas públicas de proteção e promoção da saúde das crianças e jovens, dos 0 aos 18 anos. Visa identificar políticas já existentes e verificar quais os determinantes da saúde que ainda carecem de algum tipo de abordagem e desenvolvimento e que podem constituir riscos acumulados ao longo da vida. E tece recomendações que permitam orientar linhas de ação estratégica para o desenvolvimento saudável deste grupo etário.

O estudo encontra-se em discussão pública até ao dia 3 de janeiro de 2019.

Todos os contributos poderão ser remetidos para o CNS, para o seguinte endereço de e-mail:
geral.cns@cns.min-saude.pt

Aceder ao estudo:

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal [3.4 Mb]

 

Proibido fumar nos parques infantis. As crianças vêem, as crianças fazem

Dezembro 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site saúde online

No dia 1 de janeiro de 2018, entrou em vigor em Portugal a Lei n.º 63/2017 (que procede à segunda alteração à Lei n.º 37/2007, de 14 de agosto), que aprova, entre outros aspetos, o alargamento da proibição de fumar a locais ao ar livre destinados a menores. Atualmente a lei refere no artigo 4.º, alínea f), que é proibido fumar:

“(…) nos locais destinados a menores de 18 anos, nomeadamente infantários, creches e outros estabelecimentos de assistência infantil, lares de infância e juventude, centros de ocupação de tempos livres, colónias e campos de férias, parques infantis, e demais estabelecimentos similares.”

Com o objetivo de descrever o consumo de tabaco nos parques infantis, e de alguma forma dar um contributo para a avaliação do cumprimento da lei, foi realizado em abril e maio de 2018 um estudo observacional em dezoito parques infantis da cidade de Braga, utilizando uma ficha de observação desenvolvida pelo grupo de investigação liderado por Maria José Lopéz, da Agência de Salud Pública de Barcelona, Espanha.

As observações foram realizadas em condições meteorológicas semelhantes. Em cada parque infantil foram registados os seguintes dados: a presença de sinalética (cartazes/dísticos) a informar/apelar ao não consumo de tabaco; o número total de adultos e crianças presentes; o número de pessoas que fumavam, dentro e fora do parque; o número de pessoas que fumavam cigarro eletrónico, dentro e fora do parque; o cheiro a fumo; a presença de cinzeiros; e o número de beatas no chão, dentro e fora do parque.

Verificou-se que:

  • Em nenhum parque se registou a presença de sinalética (cartazes/dísticos) a informar/apelar ao não consumo de tabaco. A lei obriga à sua colocação.
  • Uma média de 10 pessoas estavam presentes nos parques referidos na amostra.
  • Uma média de 5 crianças estavam presentes nos parques referidas na amostra.
  • Em 1 dos 18 parques havia adultos a fumar dentro do parque. A média de pessoas a fumar nos parques foi de 2.
  • Em nenhum dos 18 parques havia adultos a fumar fora do parque.
  • Em nenhum parque se observou pessoas a fumar cigarro eletrónico.
  • Em nenhum dos 18 parques havia cheiro a fumo.
  • Em 9 dos 18 locais observados havia cinzeiro.
  • Verifica-se que 17 dos 18 parques tinham, no interior, pontas de cigarro no chão (uma média de 8 pontas de cigarros com um intervalo de 0 a >20). Em 2 parques havia mais de 20 pontas de cigarros no chão.
  • Treze dos 18 parques tinham, no exterior, pontas de cigarro no chão (uma média de 10 pontas de cigarros com um intervalo de 0 a >20). Em 9 parques havia mais de 20 pontas de cigarros no exterior do parque.

Este foi o primeiro estudo realizado em Portugal a investigar o comportamento de fumar em parques infantis. Na maioria dos parques não foram observados adultos a fumar durante o período de observação. No entanto, verificou-se uma grande quantidade de beatas no chão, o que indica que este comportamento, embora possa não ser frequente, existe.

O comportamento tabágico dos pares e dos conviventes (pais e irmãos) modela as atitudes e as crenças normativas das crianças em relação ao tabagismo e é um fator preditor muito importante do comportamento tabágico dos jovens (Precioso, Macedo & Rebelo, 2007). O consumo de tabaco pelos pais em casa é um fator de risco para o consumo de tabaco dos filhos (Brown, Palmersheim & Glysch, 2008), apelando ao facto de que o que as crianças vêem, as crianças fazem, alertando para a importância de evitar fumar na sua presença.

De forma a promover a sensibilização e cumprimento da legislação que proíbe o consumo de tabaco em parques infantis (Lei n.º 63/2017, de 3 de agosto), é obrigatório que sejam colocados avisos/dísticos que informem de que é proibido fumar naqueles espaços públicos. É fundamental que as autoridades policiais, como a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR), enquanto entidades responsáveis pelo cumprimento da lei, façam o seu papel e que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que tutela a fiscalização das normas de segurança e legislação em vigor nos parques infantis (como a colocação de dísticos alusivos à proibição de fumar e informação das respetivas coimas), também intervenha. Devem em primeiro lugar exercer uma ação pedagógica e depois punitiva. Lembramos que as coimas por incumprimento, ou seja, por fumar num parque infantil, ou noutro local proibido, variam entre 50€ e 750€.

José Precioso

Professor Auxiliar do Instituto de Educação da Universidade do Minho

Os miúdos estão “mais altos, mais gordos e mais dependentes”

Novembro 21, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de novembro de 2018.

Projecto Geração 21 acompanha mais de oito mil crianças desde o dia em que nasceram. Hoje, os miúdos têm entre 12 e 13 anos. A adolescência está a bater-lhes à porta e eles enfrentam uma nova fase de avaliações, medições e perguntas dos investigadores. Todos beneficiamos com as respostas.

Andrea Cunha Freitas

É um dos maiores estudos longitudinais da Europa e o único deste tipo alguma vez realizado em Portugal. Tudo começou em 2005 com 8600 recém-nascidos nas maternidades públicas da área metropolitana do Porto. Os bebés cresceram, acompanhados por uma equipa de curiosos especialistas que os foi medindo, avaliando e questionando. Agora, chegou a adolescência. O projecto de investigação Geração 21 entrou na sétima fase de avaliações que vai decorrer até Janeiro de 2020. Alexandra, Diogo e Carlos são apenas três exemplos de um imenso grupo de miúdos que produz conhecimento indispensável para conhecer o presente e projectar o futuro da saúde em Portugal.

Este projecto de investigação é uma espécie de poço sem fundo, que se enche de conhecimento que se vai acumulando ano após ano. A Geração 21 já inspirou mais de uma centena de publicações em revistas científicas e “uma dúzia” de teses de doutoramento. A lista de novo saber é longa. Com este trabalho já ficámos a saber que, aos quatro anos, mais de 90% das crianças já consome sal a mais, que a probabilidade de uma cesariana também depende do hospital escolhido, que as mulheres engordam nos quatro anos após o parto, que são as mães que mais castigam os filhos, que as crianças começam a consumir doces logo a partir dos 12 meses, que os filhos de mães fumadoras têm risco de tensão arterial alta logo aos quatro anos… e muito mais. A nova etapa deste projecto começou a 13 de Agosto deste ano com a sétima avaliação dos participantes que acabaram de chegar à interessante fase da adolescência. No início eram mais de oito mil (4430 rapazes e 4217 raparigas) e agora, com algumas desistências pelo caminho, o grupo terá cerca de 7500 crianças.

É cedo para conclusões sobre esta fase quando a análise ainda vai no início. Mas, Henrique Barros, que coordena este projecto dos investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, vai abrindo a caixa de surpresas. Por esta altura, já se pode dizer que “as crianças portuguesas estão mais altas, mais gordas, mais informadas, mas também mais dependentes”. Dependentes de quê? Dos pais. Não será uma grande novidade, apenas uma confirmação do que vemos à nossa volta. Henrique Barros reforça a última informação com alguns exemplos. Muitos destes miúdos, agora com 12 ou 13 anos, ainda não vão sequer sozinhos de casa para a escola. O caminho faz-se de carro com os pais, mesmo quando a distância é curta. “E às vezes os pais andam a correr de um lado para o outro para os levar de carro para uma actividade desportiva”, acrescenta o investigador acreditando que muitos nem sequer percebem a ironia desta situação.

Além do perfil geral que se pode arriscar fazer, Henrique Barros destaca outras conclusões deste estudo que abrange crianças que vivem nos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar. Fala, por exemplo, no mapa da obesidade, que elege Valongo como o concelho mais gordo e o Porto como o mais magro. “Sabemos agora que há concelhos mais magros e outros mais gordos e que, se fizermos uma análise mais cuidada ao nível das freguesias, é possível encontrar uma relação entre os chamados hotspots de obesidade e a proximidade de um McDonalds”, diz ao PÚBLICO.

Henrique Barros lembra ainda que este estudo também já demonstrou a grande influência de pequenos gestos do quotidiano da vida familiar. Como um pai contar uma história ao filho antes de dormir. Há um artigo científico que está à espera de publicação e que mostra que “os meninos cujos pais até aos quatro anos de idade lhes liam histórias antes de deitar têm evidência clara nos testes de cognição que vulgarmente chamamos ‘testes de inteligência’, pontuam mais alto”. E não tem a ver com a classe social, antecipa o investigador que assegura que a diferença que a história faz seria notada entre famílias do mesmo contexto social. “É plasticidade induzida pelo ambiente”, sublinha.

Em contraste com esta experiência positiva, Henrique Barros avisa que em breve será publicado um outro trabalho apoiado nos dados da geração 21 que mostra o impacto na “expressão do genoma daquilo que, a nível psicológico, chamamos de stress pós traumático”. “Nas crianças que ao longo da sua vida são sujeitas a formas de educação mais severa, mais violenta, isso não fica só – como se pensou durante muito tempo –, a moldar a sua forma de ser (as suas emoções e a forma como se relaciona com os outros), há marcadores biológicos dessa adversidade durante a infância.” A título de exemplo, Henrique Barros diz-nos que “as crianças que vivem em ambientes mais tensos têm marcadores de inflamação que não estão presentes nas crianças que têm uma vida mais tranquila”. Mais um aviso aos pais.

Sexo fica de fora

Com os milhares de dados que estão a ser recolhidos – aqui mede-se o peso, a altura e a pressão arterial e fazem-se exames para a bioimpedância (que indica a quantidade aproximada de músculo, osso e gordura), espirometria, avaliação do estado pubertário, pupilometria, um exame para avaliar o nível de hidratação da pele e colheitas de sangue –, foi preciso definir alguns alvos da atenção dos investigadores. Assim, desta vez, procuram-se as variáveis ligadas à obesidade, aos consumos de substâncias tóxicas como o tabaco ou o álcool, ao aparecimento da primeira menstruação e aos primeiros sinais de puberdade nos rapazes. Sobre estas manifestações, Henrique Barros adianta desde já que foi demonstrado que nos últimos 70 anos a menarca foi antecipada em um ano. A idade média actualmente está nos 12 anos, com implicações para a idade fértil e para doenças associadas a factores hormonais na idade adulta. Uma vez que sabemos que a genética demora mesmo muito tempo a mudar, a explicação poderá estar na exposição química com efeito na bioquímica hormonal, através dos chamados “disruptores endócrinos”, avança Henrique Barros. A alimentação poderá ser outros dos factores que está a mudar o nosso organismo e os seus timings, não tanto pelo que sabemos que estamos a comer (mais fruta ou menos legumes) mas pelo que não sabemos (contaminantes tóxicos “escondidos” nos alimentos).

Além disso, a Geração 21 também explora a saúde respiratória, as alergias e há novas linhas de investigação dedicadas, por exemplo, aos estuda da reacção à dor crónica em crianças. Espera-se, com esta avaliação, conhecer marcadores de risco que permitam prever o desenvolvimento de doenças na vida adulta ou a adopção de comportamentos que as venham a condicionar. Entre as muitas pontas soltas por onde pegar, há uma que, para já, está de fora. “Não fazemos perguntas sobre sexo. Seria constrangedor para os miúdos e para os pais”, considera o coordenador do projecto. “O objectivo é pensar na perspectiva da promoção da saúde – como viver mais e melhor desde muito cedo – e da prevenção das doenças, começando no período da infância, o que se reflecte, mais tarde, em ganhos de saúde ao longo da vida”, refere Henrique Barros.

“Sou muito criança ainda”

Uma das crianças que estão a ser avaliadas no Centro de Investigação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto no dia que o PÚBLICO visitou o projecto é Alexandra Moreira. Por uma incrível coincidência, falámos com ela em 2012 quando tinha sete anos. A menina com um penteado de Pipi das Meias Altas cresceu. Hoje temos à nossa frente uma adolescente de cabelo comprido, sorriso tímido e faces coradas. Se há uns anos nos confessava que gostava de brincar, agora admite que o telemóvel ocupa grande parte do seu tempo livre com o Instagram e vídeos de youtubers. Com sete anos tinha o peso certo, apesar de ter tido de fazer dieta em pequenina. Agora, diz-nos que o seu prato favorito é massa com carne picada, admite que gosta de doces, come chicletes todos os dias e, muitas vezes, adia o pequeno-almoço para o meio da manhã altura em que “ataca” um croissant com queijo.

A mãe, Patrícia Moreira, não esconde o orgulho com a filha “carinhosa e bem-educada”, apenas lamenta a distracção de Alexandra que aos “sete ou oito anos” foi diagnosticada com défice de atenção e, desde essa altura, está medicada. Se pedimos a Alexandra Moreira uma espécie de auto-avaliação: responde-nos que a sua melhor qualidade será a simpatia e o pior defeito é ser ciumenta. Na escola tudo vai correndo normalmente. É uma aluna de notas médias, diz a mãe. Educação Física é a disciplina preferida e a que menos gosta é Matemática.

Diogo Lopes também empurra a Matemática para o fim da lista das preferências de disciplinas (encabeçada pelas Ciências), mas rapidamente percebemos que é um “menos gosto” relativo. É aluno de “quadro de honra”, conta-nos sem um pingo de vaidade. Com olhos de avelã cercados por umas enormes e espessas pestanas negras, Diogo convence-nos. “Não me sinto adolescente. Sou muito criança ainda. Brinco muito. Ainda sou um bocado o palhaço da turma. Acho que temos de aproveitar a vida. Estar bem-dispostos”. A mãe, Marta Lopes, fala com tranquilidade do seu “bom menino, bom aluno, extremamente sorridente e bem-disposto” e confirma que “ele ainda não deu o salto” para a adolescência. Não responde torto, é muito sossegado, ajuda os pais e estuda antes de pegar no telemóvel que tem desde o 5º ano. O único medo de Marta é o medo de todas as mães: que um dia, por qualquer motivo, o seu menino se perca. E o único excesso de Diogo parece ser a alimentação. “Gosta de fast food. Se eu deixasse era a loucura. Fruta sim, mas por imposição.

E os pais?

As duas mães, Marta Lopes e Patrícia Moreira, compareceram a todas as chamadas do projecto Geração 21 (as avaliações foram aos 6, 15 e 24 meses e aos 4, 7 e 10 anos) e asseguram que não pretendem desistir. Dizem que é um acompanhamento especial e garantem que já aprenderam algumas lições importantes com esta vigilância e rastreio que acrescenta muito ao que fazem de rotina. Henrique Barros confessa-se impressionado e agradecido pela disponibilidade destas famílias. “Aos pais dos participantes da Geração 21, temos que, em primeiro lugar, agradecer o empenho continuado e exemplar ao longo destes anos. As manifestações de interesse, os comentários e críticas. Sobretudo o ajudarem a sociedade a perceber que estão a fazer parte de qualquer coisa maior em saúde e em ciência”, sublinha. Sobre os mais novos, o coordenador do projecto revela que chegaram a uma conclusão inesperada. “Pensávamos que o que eles gostariam mais de fazer aqui seriam jogos, testes no computador, uma espécie de WebSummit. Mas não. O que eles disseram que mais gostavam era de encontrar pessoas com quem pudessem falar.

Henrique Barros nota ainda que nalguns casos o benefício foi além do bem comum. “Temos a obrigação de encontrar uma solução se por algum motivo detectarmos um problema de saúde. Por exemplo, temos uma família em que foi detectada uma leucemia na criança e a família diz-nos que faz duas visitas regulares, aqui e a Fátima”, conta. No caso de Diogo Lopes, por exemplo, não houve nenhuma doença detectada mas em determinada altura o projecto alertou a mãe. “A nível da alimentação percebi que estava a cometer alguns erros e corrigi”, diz.

Além das vantagens do conhecimento adquirido sobre os seus filhos e as crianças em geral, as mães também beneficiam directamente deste projecto. Também as mães da Geração 21 são seguidas, com questionários, análises e medições. Aliás, ao lado, na sala de espera onde o PÚBLICO conversa com Marta Lopes, uma outra mãe não resiste a fazer um comentário. “Faltam os pais. O pai do Carlos já perguntou várias vezes porque não vem também ele fazer exames. Também queria participar”, diz Ivone Carneiro que espera que o filho, Carlos Eduardo, regresse de um dos gabinetes onde está a fazer uma recolha de amostra de sangue.

 

 

Crianças até 2 anos de idade são das que mais usam aplicações

Novembro 4, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 16 de outubro de 2018.

Ana Cristina Marques

Um novo estudo refere que 51% das crianças com menos de 8 anos usa aplicações. Inquérito feito a quase 2.000 pais mostra que tecnologia serve de ama nos lares portugueses.

As crianças que mais usam aplicações têm até 2 anos de idade e são os pais os primeiros a dar aos filhos o acesso a dispositivos eletrónicos. A isto soma-se outra realidade: a grande maioria das casas portuguesas (90%) tem ligação à internet, “smartphones, computadores portáteis ou tablets”. Estas são as principais conclusões do estudo “Happy Kids: Aplicações Seguras e Benéficas para Crianças”, do Católica Research Centre for Psychological, Family and Social Wellbeing (CRC-W), da Universidade Católica Portuguesa, avançado pelo Jornal Público.

O estudo que é apresentado em Lisboa esta terça-feira resulta de um inquérito feito através da plataforma Pumpkin sobre a utilização de tecnologia por crianças entre os 0 e os 8 anos. Ao inquérito responderam 2.677 pais, mas apenas 1.986 respostas foram consideradas válidas e utilizadas para efeitos deste estudo — refira-se que a maior parte dos inquiridos vive na capital (1.232), é licenciado e é mãe.

Quase 600 pais  — 587 dos mil inquiridos que responderam que os filhos usam aplicações — admitem permitir a utilização de apps nos restaurantes; 490 fá-lo em casa, quando precisam de trabalhar ou de fazer tarefas domésticas; e 99 dos pais garante que as apps são usadas quando precisam de acalmar os filhos na sequência de uma birra.

Apesar de a maioria dos pais reconhecer que as apps trazem consequências negativas no respeita à atividade física (854), ao sono (702) e à sociabilidade (616), 427 dos inquiridos dizem que os dispositivos servem para fazer “atividades educativas”. Os pais admitem ainda acreditar que o seu uso permite aos filhos adquirir determinadas competências, sobretudo em ambiente escolar, nas quais se incluem áreas como a matemática e a leitura.

O que mais desagrada os pais, tendo em conta as apps, é o facto de não ser apropriadas para as crianças (544), de serem viciantes (424), violentas (422), de permitirem a diversão das crianças sem que estas aprendam alguma coisa (400) e de as deixarem mais aceleradas e excitadas (337). Segundo os pais, as crianças preferem aplicações de ação e aventura, vídeos e quebra-cabeças. Refira-se ainda que, por norma, são os pais que instalam as apps, a maior parte delas gratuitas.

Apesar de os pais dizerem que os filhos não publicam conteúdos nas redes sociais — não estando, assim, expostos a perigos como cyberbullying –, entre as apps preferidas dos mais novos, também de acordo com os pais, estão o Messenger, WhatsApp, Instagram, SnapChat e Facebook.

 

 

Quando os filhos não podem convidar os amigos para lanchar

Outubro 30, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de outubro de 2018.

Estudo feito junto de famílias de baixos rendimentos na região de Lisboa mostra os riscos de exclusão social associados à pobreza alimentar. Nesta terça-feira comemora-se o Dia Mundial da Alimentação.

Alexandra Prado Coelho

Pobreza alimentar não significa necessariamente um frigorífico vazio. As dificuldades económicas que levam famílias de baixos rendimentos a encontrar estratégias para garantir que continuam a conseguir pôr comida na mesa causam stress, ansiedade, pressão psicológica — e, muitas vezes, uma sensação de exclusão social.

Esta pode passar por uma situação como a seguinte: um grupo de jovens de liceu decide ir a um restaurante de fast-food e uma das raparigas que os acompanha sabe, à partida, que não terá dinheiro para consumir; terá de ficar a ver os colegas comer. Ou pode passar pelos pais darem a entender aos filhos que não podem aceitar um convite para irem brincar e lanchar a casa de um amigo, porque eles não têm possibilidade de retribuir.

O projecto do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa Famílias e Alimentação em Tempos Difíceis, Portugal (2016-2018) — coordenado por Mónica Truninger e Karin Wall e que se realiza no âmbito do Conselho Europeu de Investigação, com pesquisas paralelas a acontecer na Noruega e no Reino Unido — seguiu 45 famílias com menores a cargo e com algum grau de privação material para perceber como lidavam com essas situações. E as histórias relatadas acima foram algumas das que os investigadores.

Não é fácil que alguém diga de forma clara que está a cortar na alimentação, sobretudo quando tem filhos a cargo, explicam Mónica Truninger e Vasco Ramos, um dos investigadores. Por isso, para além das entrevistas, com os adultos e os jovens (entre os 11 e os 15 anos), foram realizados questionários que permitiam aferir os hábitos familiares e foi a partir do cruzamento desses dados que se chegou a algumas conclusões. Foi também detectado, por exemplo, como sendo “uma situação frequente” casos em que “mães saltam refeições ou reduzem a sua porção para dar aos filhos”, afirma Vasco Ramos.

Uma das coisas mais evidentes do estudo – que, na sua totalidade, só será apresentado no início do próximo ano – é que a “participação social”, que passa por comer fora ou por visitar e receber amigos ou familiares para uma refeição em casa, “está fortemente comprometida para a larga maioria destas famílias”.

Os adultos falam disso abertamente. “É uma das coisas que as pessoas mais facilmente dizem que prescindiram. Num dos casos, falámos com uma pessoa casada há 23 anos e que, nesse período, tinha comido fora de casa uma vez.” Mas se foram ouvidas famílias que vêm de uma situação de pobreza persistente, a amostra incluiu também outras que tinham visto as suas vidas alteradas pelos efeitos “da austeridade, da crise, do desemprego”. Nesses casos, surgem pessoas “que tinham hábitos de comer frequentemente fora e que os tinham eliminado por causa das restrições”. É com estas que as estratégias de adaptação podem revelar-se mais complicadas de gerir.

Não poder convidar os amigos dos filhos para comer “é, para os adultos, a prova definitiva de que estão à parte, que não estão integrados nos padrões de consumo normais, o que conduz a um sentimento de exclusão”, afirma Mónica Truninger.

E se as crianças mais pequenas aceitam muitas vezes estas limitações com naturalidade, as mais velhas sentem “um claro desconforto” numa situação em que acompanham os amigos a um restaurante mas não podem comer com eles. “Lembro-me”, conta Vasco Ramos, “de uma miúda que dizia que mesmo que comesse não iria gostar porque significaria que os pais estavam a fazer um enorme esforço económico”.

O trabalho de investigação identificou também “episódios pontuais de fome”, nomeadamente crianças que chegam à escola de manhã sem terem comido nada. Mónica Truninger aconselha, no entanto, alguma prudência na análises destas situações, assinalando a tendência para se pensar que se trata de negligência por parte dos pais. O que acontece frequentemente, explicam os dois investigadores, é que há pais com horários de trabalho que os obrigam a levantar-se de madrugada e que não estão em casa à hora a que os filhos saem para a escola.

“Parte substancial destes adultos [em Portugal, o que contrasta com as situações identificadas no Reino Unido e Noruega] estão empregados mas são trabalhadores pobres, com rendimentos muito baixos”, analisa Vasco Ramos. “Surgem problemas de stress da gestão do quotidiano. As crianças querem cereais mas só há pão com fiambre, por exemplo. As saídas de casa desfasadas criam oportunidades para que as crianças vão para a escola sem comer ou comendo de forma desadequada, com consequências no desempenho escolar de que a escola se apercebe rapidamente, como aconteceu no caso de uma rapariga que desmaiava na aula de Educação Física porque se tinha desabituado de comer de manhã.”

Quase total ausência do peixe

Outro aspecto que os investigadores salientam é o de que não existe nestas famílias desconhecimento sobre o que é comida saudável, apesar de, na prática, a maioria fazer uma alimentação pouco variada nos ingredientes – um dos exemplos mais flagrantes é a quase total ausência do peixe nas refeições e um uso muito frequente de carnes baratas como as de frango e de porco.

De notar também que “a sopa é um prato comum entre muitas famílias, constituindo frequentemente a única refeição dos pais ao jantar, de forma a conseguirem garantir uma refeição mais completa para as crianças”.

Outra ideia feita é a de que nas zonas rurais há menos risco de pobreza alimentar, diz Mónica Truninger. O estudo centra-se em três áreas: Lisboa (Marvila), Amadora e Sintra (próximo de Mafra). Foi nesta última que os investigadores encontraram algumas famílias que, não tendo uma relação anterior com o mundo rural, enfrentavam maiores dificuldades, nomeadamente na falta de redes de apoio. “Encontrámos casos de pessoas que vivem em zonas mais isoladas, onde não existe uma mercearia, ou quando existem mercearias de bairro, vendem mais caro”, descreve Vasco Ramos.

Mónica Truninger recorda um caso em que, para contornar esse problema, uma senhora utilizava às vezes o serviço de entrega ao domicílio de uma grande superfície, mas também isso levanta algumas questões. “Ter aquele camião estacionado em frente à porta a entregar comida dá para os vizinhos uma imagem de que a pessoa vive bem. Há uma gestão de expectativas que tem a ver com o estereótipo de pobre.”

O mesmo acontece com as pessoas que enchem o carrinho das compras numa ida ao supermercado, dando uma imagem de abundância quando, na realidade, estão apenas a seguir “uma das estratégias de adaptação que é comprar em grandes quantidades” quando se tem um pouco mais de disponibilidade financeira. “Há um julgamento moral muito forte sobre isso”, comenta o investigador. “É uma violência simbólica”, acrescenta Mónica Truninger. Por tudo isto, “é preciso compreender esses enredos quotidianos” e evitar leituras simplistas sobre estas questões.

Os consumidores e os seus direitos

A Alimentação Segura e o Risco de Exclusão estiveram em debate – com a participação de Mónica Truninger  – na conferência internacional organizada pelo BEUC – Organização Europeia dos Consumidores e a DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, que se realizou na sexta-feira, no Porto.

Nos vários painéis analisou-se “o impacto desproporcional das consequências ambientais negativas sobre o comportamento de determinados grupos de consumidores”, das emissões poluentes às condições meteorológicas extremas e a insegurança alimentar.

Tratando-se de uma iniciativa de organizações de defesa do consumidor, um dos objectivos, no caso da DECO, é perceber de que forma poderá trabalhar esta temática no apoio aos consumidores. No painel sobre alimentação, além da intervenção de Mónica Truninger, foi apresentado um estudo da associação de defesa do consumidor francesa UFC-Que Choisir sobre a diferença de preços dos produtos biológicos e convencionais (a conclusão é que esta se deve sobretudo à margem dos retalhistas), e falaram Alfredo Cunhal Sendim, produtor biológico da Herdade do Freixo do Meio, e Mariana Dias Simpson, da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em Portugal.

Nesta terça-feira, Dia Mundial da Alimentação, Francisco Sarmento, responsável da FAO em Portugal e junto da CPLP, estará na Assembleia da República numa sessão com representantes de vários grupos parlamentares e da sociedade civil (Rede Rural Nacional, Colégio F3 da Universidade de Lisboa, e ReAlimentar) para discutir “a construção do direito humano à alimentação adequada em Portugal“.

Desde Junho que Portugal tem um Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que deverá, num prazo de seis meses, elaborar uma Estratégia Nacional para a Segurança Alimentar e Nutricional. Com os grupos parlamentares, a FAO está a trabalhar para que venha a ser criada e aprovada uma Lei do Direito Humano à Alimentação Adequada, algo que já existe noutros países, nomeadamente no Brasil.

Por seu lado, a Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar organiza uma conferência no Mercado da Ribeira, em Lisboa, para apresentar a Estratégia Nacional e Plano de Acção do Combate ao Desperdício Alimentar.

 

 

Crianças que comem este alimento correm um maior risco de beber e de fumar no futuro

Outubro 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Patrick Fore on Unsplash

Notícia do i de 10 de outubro de 2018.

Estudo faz revelação

De acordo com um estudo recentemente feito, foi feito um inquérito a mais de 100 mil crianças, com idades compreendidas entre os 11, 13 e 15 anos, acerca do que bebiam e sobre os comportamentos de risco que levavam a cabo, asim como lutar, fumar e fazer ‘bullying’.

Com base nas respostas dadas, foi possível apurar que aquelas que consumiam mais açúcar, apresentavam uma maior probabilidade de se comportarem mal, 78%.

Segundo indicam os cientistas responsáveis pelo estudo, bebidas adocicadas, como os refrigerantes, criam maior propensão a esse tal mau comportamento.

O estudo foi conduzido em 26 países, por investigadores italianos e israelitas, e de acordo com os mesmos, “como os refrigerantes frequentemente contêm aditivos, incluindo cafeína, é possível que o açúcar em combinação com alguns desses aditivos torne esses sumos um fator mais poderoso ou um indicador mais consistente”.

O consumo elevado de açúcar foi associado com brigas em 23 dos 26 países.

Notícia com mais informação

Too much sugar makes children more violent and more likely to get drunk or smoke – with energy drinks the worst offenders

Estudo citado na notícia

Adolescents’ multiple and individual risk behaviors: Examining the link with excessive sugar consumption across 26 industrialized countries

 

7 em cada 10 crianças não ingerem fruta na quantidade recomendada pela OMS

Outubro 21, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem da APCOI de 27 de setembro de 2018.

Aumentar o consumo de fruta na infância é a principal meta da iniciativa escolar «Heróis da Fruta» lançada pela APCOI – Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil que no ano letivo passado verificou um aumento da ingestão destes alimentos em 41,9% das crianças participantes. As inscrições para o ano letivo 2018/2019 estão abertas a qualquer sala ou turma de ensino pré-escolar ou do 1º ciclo e podem ser feitas gratuitamente no site www.heroisdafruta.com até 12 de outubro.

74,9% das crianças entre os 2 e os 10 anos não cumpre a recomendação internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para uma ingestão mínima de cinco porções de frutas e legumes diárias. Esta é uma das principais conclusões do primeiro estudo realizado pela primeira vez em parceria entre investigadores da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) e do Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), que analisou uma amostra de 12.764 alunos, no ano letivo 2017/2018.

O estudo também observou as diferenças entre os vários distritos e regiões relativamente à ingestão diária de fruta e legumes e as conclusões são ainda mais alarmantes: Bragança foi o distrito que apresentou a maior percentagem de crianças abaixo das recomendações com 96,7%, seguindo-se o distrito da Guarda com 91,9%, a Região Autónoma dos Açores com 86,6%, Madeira com 85,7%, Viana do Castelo com 82,1%, Vila Real com 81,5%, Santarém e Viseu com 80,4%, Coimbra com 78,6%, Portalegre e Setúbal com 78,1%, Porto com 77,5%, Braga com 74%, Aveiro com 73,1%, Lisboa com 68,1%, Leiria com 66,5%, Faro com 66,3%, Castelo Branco com 64,3%, Beja com 61,6% e por último Évora com 59,0% das crianças a não ingerir a dose diária suficiente de fruta e legumes.

«Heróis da Fruta» com sucesso comprovado na mudança de hábitos dos alunos

A equipa de investigadores da APCOI/ISAMB/FMUL, analisou também os efeitos da implementação da 7ª edição do projeto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» nas alterações de hábitos alimentares dos alunos e concluiu que, globalmente, 41,9% das crianças aumentou o seu consumo diário de fruta após 12 semanas de participação no projeto.

Em todos os distritos e regiões verificou-se um aumento do consumo diário de porções de fruta após a implementação do projeto, tendo sido o distrito de Portalegre a registar a maior subida com uma percentagem de aumento de 60,5%. Seguindo-se Setúbal com um aumento de 57,6%, Viana do Castelo com 56,4%, Braga com 74,0%, o Viseu com 46,9%, Porto com 46,1%, Guarda com 43,1%, Coimbra com 41,5%, Faro com 41,2%, Vila Real com 39,0%, Lisboa com 37,8%, Castelo Branco com 37,6%, Aveiro com 37,4%, Leiria com 37,2%, Madeira com 36,2%, Bragança com 35,8%, Évora com 35,6%, Açores com 35,5%, Beja com 33,9% e finalmente Santarém com 29,8%.

Para Mário Silvapresidente e fundador da APCOI «Estes números vêm comprovar a importância do projeto Heróis da Fruta enquanto ferramenta de educação para a saúde. O sucesso desta fórmula vencedora é o seguinte: utiliza personagens com que as crianças se identificam combinados com desafios diários que nos ajudam a transmitir as mensagens e os comportamentos-modelo, e claro, recompensas capazes de manter os alunos e os professores motivados! Para este ano letivo que se inicia elevámos ainda mais essa fasquia,porque  haverá prémios de participação para todas as crianças que serão enviados por correio para cada escola e ainda a oportunidade de mais crianças poderem contactar ao vivo com as mascotes do projeto, entre muitas novidades e surpresas. Para se candidatarem aos prémios, basta estarem inscritas e realizarem tarefas tão simples como por exemplo a leitura de um conto».

Depois de efetuar a inscrição no site www.heroisdafruta.com os professores e educadores recebem acesso aos materiais pedagógicos, sem qualquer custo. Mário Silva explicou tratar-se de «uma iniciativa chave-na-mão desenhada para crianças dos 2 aos 10 anos e que todos os professores de turmas 1º ciclo ou educadores de salas de pré-escolar poderão colocar em prática de forma muito simples e gratuita».

Métodos da Investigação

Esta investigação é pela primeira vez realizada em conjunto por investigadores da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) e do Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL)  e resulta da análise do inquérito junto dos alunos participantes na 7ª edição do projeto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» no ano letivo 2017/2018. A recolha de dados, através da aplicação de um questionário antes e depois das 12 semanas de intervenção do projeto, foi reportada pelos professores e conta com uma amostra global composta por 12.764 crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 10 anos de 626 estabelecimentos de ensino distribuídas pelos 18 distritos continentais e das duas regiões autónomas: Açores e Madeira.

Nas próximas semanas serão divulgados publicamente mais resultados deste estudo sobre hábitos alimentares e estilos de vida das crianças portuguesas. O artigo final deste estudo será posteriormente submetido pelos investigadores para publicação em revista científica.

Inscrições para o ano letivo 2018/2019 abertas até 12 de outubro

As inscrições para a 8ª edição do projeto «Heróis da Fruta» dirigem-se a salas de ensino pré-escolar (a partir dos 2 anos) e turmas de 1º ciclo do ensino básico, mas também poderão inscrever-se bibliotecas escolares, ATL’s, CATL’s ou outras componentes de apoio familiar que reúnam o mesmo grupo de crianças diariamente, públicos ou privados, sendo apenas necessário um registo gratuito através do endereço www.heroisdafruta.com ou do telefone 214 866 045 até ao dia 12 de outubro de 2018.

Para mais informações, por favor, contactar:

APCOI – Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil

Tel: 214 866 045    |   Telm: 960 474 700

 

 

 

Nicotina pode aumentar risco de morte súbita dos bebés

Outubro 17, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Life Style de 4 de outubro de 2018.

Usar qualquer forma de nicotina durante a gravidez ou amamentação pode elevar o risco de um bebé sofrer da síndrome de morte súbita, sugere um novo estudo publicado no Journal of Physiology e citado no site Healthy Women.
Os resultados indicam que os pensos de nicotina ou cigarros eletrónicos podem não ser uma alternativa segura aos cigarros clássicos durante a gravidez.
A síndrome de morte súbita dos bebés é uma tragédia longe de estar esclarecida. “Ainda não compreendemos completamente as causas, mas esta pesquisa é importante porque ajuda as mães a reduzirem os riscos”, afirma Stella Lee investigadora da Escola de Medicina Dartmouth Geisel, em Hanover.
Algumas mulheres que querem deixar de fumar durante a gravidez mudam para adesivos de nicotina ou cigarros eletrónicos, mas o impacto sobre o risco de um bebé ter SMSL tem sido pouco claro.
Em experiências com ratos, os investigadores descobriram que expor as mães à nicotina atrasa a resposta automática à chamada auto ressuscitação, que consiste na capacidade de o bebé recuperar a frequência cardíaca normal e a respiração após ficar ofegante por falta de oxigénio.
Os resultados de estudos em animais não são frequentemente replicados em humanos. Ainda assim, “vamos continuar a identificar os possíveis fatores de risco e a ponderar como podemos tratar os bebés que têm um mecanismo de auto ressuscitação comprometido”, afirmou a coautora do estudo.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Pre‐ and early postnatal nicotine exposure exacerbates autoresuscitation failure in serotonin‐deficient rat neonates

 

 

Com que idade é que os miúdos de hoje começam a fumar?

Outubro 16, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Life Style de 28 de setembro de 2018.

Em todos os países europeus, as taxas de iniciação ao tabagismo situam-se nos 16 anos – no caso dos rapazes – e nos 15 para as raparigas, revela um estudo científico que se focou na década de 2000.

O consumo de tabaco continua a ser responsável pela morte anual de 6 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Muitas terão adquirido este hábito no fim da infância, quando fumar é uma questão de afirmação de maturidade.

Com que idade é que a maioria das pessoas começa a fumar?  A CNN foi atrás de respostas. No site desta estação, um extenso artigo revela que, nos Estados Unidos e em grande parte da Europa, os jovens começam a fumar entre os 15 e os 16 anos – 15,3 anos foi a idade média apurada por um relatório norte-americano de 2014.

Em todos os países europeus, as taxas de iniciação ao tabagismo situam-se entre os 16 anos – no caso dos rapazes – e os 15 para as raparigas, segundo um estudo publicado na revista científica PLOS On que se focou na década de 2000.

“Tudo indica que as raparigas começam a fumar mais cedo porque elas amadurecem mais cedo”, declarou o principal autor da pesquisa, Alessandro Marcon, que é também professor na Universidade de Verona, Itália. “A puberdade pode aumentar a distância entre a maturidade física e social nas faixas mais jovens, levando a comportamentos nocivos como o fumo, que são considerados adultos”, disse Marcon, citado pela CNN.

O estudo, financiado pelo programa Horizonte 2020 da União Europeia, usou dados de seis investigações reunidas pelo consórcio Aging Lungs in European Cohorts e incluiu quase 120 mil indivíduos de 17 países. Tais dados permitiram aos investigadores analisar as tendências do tabagismo entre 1970 e 2009 em quatro regiões distintas: Norte da Europa (aqui circunscrito à Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia e Reino Unido), Europa Oriental (Estónia, Macedónia e Polónia), Europa do Sul (Portugal, Itália e Espanha), e Europa Ocidental (Bélgica, Holanda, França, Alemanha e Suíça).

Em 2005, as taxas de iniciação durante o final da adolescência eram mais baixas nos rapazes e raparigas do norte da Europa – 20 experiências anuais com tabaco por cada 1000 adolescentes. As taxas mais elevadas verificavam-se entre os rapazes do sul da Europa – 80 iniciações por cada 1000 adolescentes. “Não foi nenhuma surpresa ver taxas mais baixas nos países do norte da Europa, que estão na vanguarda das políticas de controlo do tabaco e nas pesquisas sobre os malefícios do mesmo”, sublinhou o italiano Alessandro Marcon.

Os investigadores descobriram ainda que as taxas de iniciação ao fumo entre adolescentes mais velhos caíram substancialmente entre 1970 e 2009 em toda a Europa, exceto no Sul, onde este declínio parou depois de 1990. Perceberam ainda um aumento acentuado do consumo de tabaco entre jovens após 1990 para ambos os sexos, entre os 11 e os 15 anos, em todas as regiões da Europa, exceto no Norte.

James Sargent, professor de pediatria na Escola de Medicina Dartmouth Geisel, no New Hampshire, EUA, tem algumas dúvidas sobre esta pesquisa. Citado pela CNN o responsável defende que “ela tem menos a ver com a experimentação e mais com o fumo regular entre adolescentes que, em adultos, tornam-se efetivamente fumadores”. E reforça que “estes dados provavelmente seriam diferentes se o estudo medisse as taxas de tabagismo entre as atuais crianças norte-americanas”. Eis os seus argumentos: “As crianças fumam menos nos EUA do que na Europa, e os adultos fumam menos nos EUA do que na maioria dos países europeus”, afirmou Sargent, que não participou no estudo, mas conduziu uma pesquisa sobre o controlo do tabaco. “Os estados e as autoridades locais deste país fizeram um bom trabalho, trazendo o tema para a agenda políticas, através da implementação e reforço de leis e impostos”.

mais informações na notícia da CNN:

At what age do kids start smoking cigarettes?

Consumo de álcool entre os jovens de 15 anos desceu para metade em 12 anos

Outubro 16, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de setembro de 2018.

Será que maior controlo do consumo alcoólico decorre do maior investimento dos jovens nas redes sociais e nos jogos online? A interrogação parte da coordenadora do estudo da Organização Mundial de Saúde, no qual participaram 1500 portugueses.

Natália Faria

Em doze anos, o consumo de álcool entre os jovens com 15 anos de idade desceu para metade. A boa notícia é extensível à maioria dos países europeus, Portugal incluído: por cá, o consumo regular desceu dos 16% em 2002 para os 8% registados em 2014, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado esta quarta-feira.

No caso português, a descida nos hábitos regulares de consumo de álcool foi mais acentuada entre as raparigas: passaram de 13% para 4%, enquanto nos rapazes o consumo desceu de 19% para 11%. Na média dos 34 países analisados, o consumo regular de álcool entre rapazes e raparigas desceu de 26% para 13%.

Declarando-se “moderadamente optimista” com esta evolução (há excepções, como Israel, onde o consumo regular dos jovens aumentou para os 19,4%), Margarida Gaspar de Matos, que coordenou este estudo em Portugal, começa por lembrar que o consumo de álcool entre os adolescentes portugueses sempre foi “moderado” quando comparado com os outros países incluídos neste estudo que emana do Health Behaviour in School-aged Children – um projecto da OMS que, de quatro em quatro anos, analisa os comportamentos de mais de 200 mil adolescentes em 42 países e regiões da Europa e do Norte da América.

Neste caso, o objectivo era registar as variações no consumo de álcool aos 15 anos de idade, nos 12 anos que separam 2002 e 2014, num total de 36 países e regiões europeias. Do lado português, os cerca de 1500 jovens inquiridos apontam diminuições substanciais no consumo dos diferentes tipos de álcool. Na cerveja, a descida foi de 8% para 5%, no vinho de 3% para 1% e as chamadas espirituosas também decaíram de 11% para 4%.

“Vítimas do gole de champanhe”

Mas é na iniciação alcoólica que os jovens portugueses se saem pior. Quando se lhes perguntou se já tinham experimentado álcool, mesmo que só um gole, e com que idade, 38% responderam que foi antes dos 13 anos de idade (42%, em 2002). Nisto, os portugueses rivalizam com os países de Leste, onde o consumo de álcool está mais disseminado entre os jovens. Mas, num país onde há 50 anos ainda se achava que o vinho alimentava as crianças e as fortalecia, Margarida Gaspar de Matos não descortina aqui grandes razões para preocupação. “Os jovens portugueses ainda são vítimas do gole de champanhe nas festas ou do vinho do Porto nos anos da avó”, contextualiza, preferindo enfatizar a descida nas embriaguezes, de 22% para 17% aos 15 anos, e de 8% para 5% aos 13 anos ou menos de idade.

Esta nota positiva aos jovens portugueses no tocante ao consumo alcoólico repete a avaliação dos inquéritos mais recentes divulgados pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o último dos quais, divulgado no ano passado mas com dados relativos a 2015, mostrava ainda assim que aos 13 anos quase um terço (31%) dos alunos das escolas públicas já tinha consumido bebidas alcoólicas.

Mas a investigadora está apenas “moderadamente optimista”. Isto porque, conhecidas as razões que levam os jovens a beber, Margarida Gaspar de Matos não viu que os esforços de restrição do consumo adoptados, fossem “sistematicamente acompanhados de medidas alternativas” capazes de ajudar os jovens a lidar com as situações que eles identificam como associadas ao consumo.

Portugal adoptou a proibição legal de venda de álcool a menores. Em 2013, a lei proibiu a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos e todas as restantes bebidas alcoólicas a menores de 16. Dois anos depois, a interdição de venda a menores de 18 anos foi alargada a todas as bebidas alcoólicas. Manteve-se a proibição de venda em cantinas e postos de venda automática. E as bombas de gasolina na auto-estrada ou fora das localidades continuaram a ver interditada a venda de álcool entre a meia-noite e as oito da manhã. Ao longo dos últimos anos, os impostos sobre o álcool (logo, os preços) aumentaram e aumentou também o controlo associado à condução de veículos sob efeito do álcool. Com isso, conclui o relatório, conseguiu-se controlar o consumo e reduzir a sinistralidade.

Menos álcool, mais jogo online?

A questão é que os jovens declaram que bebem para se divertir, para explorar os seus limites e as suas potencialidades, para lidar com emoções e sentimentos negativos, para se sentirem socialmente mais competentes. Falta assim “um investimento nas políticas da juventude, nomeadamente no uso diversificado do tempo livre sem álcool”. O desporto pode ajudar, mas, como diz Margarida Gaspar de Matos, “há jovens que não se sentem competentes no desporto”. Logo, há que os ajudar (“na família, na escola, no município, no clube…”) a dispensarem o álcool como coadjuvante na regulação das emoções e a “perceberem-se como socialmente competentes sem álcool”. Em resumo: “Não basta controlar o consumo, é preciso providenciar alternativas.”

A cautela da investigadora assenta ainda no facto de os jovens despenderem cada vez mais tempo em frente a um ecrã de telemóvel ou computador. “Espero que este estado controlado do consumo de álcool não esteja apenas associado a um sobre-investimento nas redes sociais e jogos online”, cogita a coordenadora do estudo, dizendo-se convencida de que “se as políticas públicas não apostarem na consolidação de evoluções positivas como esta, há grandes riscos de as coisas regredirem e de que novas dependências apareçam”.

Este projecto, em que Portugal participa desde 1998 e que procura estudar a adolescência, avaliando hábitos, consumos, comportamentos, com impactos na saúde física e mental, em diferentes fases de crescimento, vêm-se prefigurando alguns destes potenciais novos problemas e dependências: dos jogos e pornografia online à auto-medicação psicotrópica, passando pelo uso de novas drogas.

mais informações no documento:

Adolescent alcohol-related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002–2014 (2018)

 

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