Pais gostam mais que os filhos vejam televisão do que estejam na internet

Fevereiro 23, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 6 de fevereiro de 2018.

Inquérito realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social junto de 650 agregados mostra que só um em cada 10 pais vigiam a utilização da Internet pelos filhos.

CLARA VIANA

Os pais atribuem uma “função pacificadora” à televisão, mas não têm a mesma percepção em relação ao uso da Internet. Esta é uma das conclusões de um inquérito realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) junto de 650 agregados familiares com crianças entre os três e os oito anos, que foi completado por uma série de entrevistas e observação em lares de 20 famílias.

Os dados, divulgados em 2017, foram analisados por uma série de especialistas neste domínio, o que deu origem ao e-book Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs, que se encontra disponível desde esta terça-feira no site da ERC.

Nos inquéritos realizados, 73% dos entrevistados concordaram “com a afirmação de que a criança está calma quando está a ver televisão”. “Esta função apaziguadora pode complementar a de baby-sitter electrónica: 54% dos inquiridos concordam com a afirmação de que têm um tempo de descanso quando a criança está a ver televisão”, destaca, no artigo Crescendo entre Ecrãs,uma equipa de investigadores liderada por Cristina Ponte da Universidade Nova de Lisboa.

Os investigadores frisam, de seguida, que esta “função apaziguadora é menos reconhecida por pais cujos filhos usam a Internet: pouco mais de metade (54%) concorda com a afirmação de que a criança está calma quando está nesses ecrãs e menos de um terço (30%) concorda com a afirmação de que eles mesmo têm um tempo de descanso”. Segundo os investigadores, esta diferença relativamente à televisão pode dever-se ao facto de a Internet proporcionar “actividades mais dinâmicas, como a procura de conteúdos, e uma maior interacção”.

Na mesma linha, os resultados do inquérito nacional mostram também que todas as crianças vêem televisão, mas só 38% usam Internet. Este acesso cresce com a idade, passando de 22% entre os 3-5 anos para 62% das crianças com 6-8 anos. Apesar de mostrarem maiores preocupações em relação à Internet do que à televisão, apenas um em cada dez pais disse que realizava “mediação técnica”, como bloquear ou filtrar sites ou verificar o histórico das páginas visitadas.

Descarregar o documento mencionado na notícia:

Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs

 

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BOOM DIGITAL? Crianças (3-8 anos) e ecrãs

Fevereiro 21, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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descarregar o e-book no link:

http://www.erc.pt/documentos/Boomdigital/mobile/index.html#p=1

Quando a menstruação chega antes dos 12, a saúde fica em risco

Fevereiro 21, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 5 de fevereiro de 2018.

Joana Capucho

As raparigas que têm a primeira menstruação antes dos 12 anos têm mais riscos de desenvolver doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais na idade adulta, diz estudo

“Lembro-me perfeitamente de que o meu período veio num dia de agosto, quando eu tinha 9 anos, a dois meses de fazer 10.” Como a mãe ainda não tinha abordado o tema da menstruação, Susana, agora com 30 anos, não sabia o que estava a acontecer-lhe. “Recordo-me de ficar muito aflita ao ver aquele sangue.” Fartou-se de chorar, porque tinha combinado ir à praia com a tia e achava que já não ia poder ir. Não se lembra se acabou por ir ou não. “A minha mãe explicou-me o que era e foi de imediato comprar um livro para eu ler, adequado à minha idade, sobre o assunto.”

Maria M., de 14 anos, tinha ido dormir a casa de uma amiga quando teve a menstruação pela primeira vez. Tinha 10 anos. “Acordei de manhã com o pijama sujo”, recorda. Sabia que aquilo era a menstruação, mas “estava à espera de que viesse mais tarde”. Tal como Susana, era caso único na turma e, embora isso não tivesse obrigado a grandes mudanças, o corpo transformou-se. “Cresci imenso e o meu peito aumentou”, conta ao DN. Susana recorda-se de que isso também lhe causava algum “embaraço, principalmente no balneário, nas aulas de educação física, porque durante uns dois anos era a única que tinha peito”.

Esta não é a regra. A idade média da primeira menstruação – a menarca – situa-se por volta dos 12 anos. Contudo, por diversas razões, há casos em que aparece mais cedo, o que pode ter implicações no desenvolvimento físico, psicológico e na saúde global da mulher. Depois de vários estudos que a associavam à obesidade , a menarca precoce foi agora relacionada com um maior risco de doenças cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais.

De acordo com um estudo observacional do The George Institute for Global Health (da Universidade de Oxford), quando a primeira menstruação surge antes dos 12 anos, agravam-se os riscos de problemas cardiovasculares, tal como quando a mulher passa por um aborto espontâneo ou menopausa precoce. Margarida Dias, coordenadora de Medicina Familiar no Hospital CUF Descobertas, diz que é sabido que a menarca precoce “pode influenciar vários aspetos do desenvolvimento físico e psicológico harmonioso e, por isso, pode ter impacto significativo na saúde global da rapariga”.

Uma das consequências mais evidentes, adianta a médica, “é uma estatura mais baixa quando adulta, pela alteração do crescimento do esqueleto, condição que pode implicar tratamento hormonal.” Outros aspetos importantes são “a maior incidência de obesidade infantil, que tenderá a persistir pela idade adulta, bem como risco aumentado de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, pela exposição precoce aos estrogénios”.

Existem também implicações na esfera psicológica. Quando a menstruação surge demasiado cedo, o corpo também se altera antes do que estava previsto e numa altura em que os colegas ainda não têm sinais sexuais secundários. Marcela Forjaz, especialista em ginecologia/obstetrícia, diz que “se fisicamente a rapariga se sente diferente dos amigos, psicologicamente não está no entanto preparada para “enturmar” com crianças mais velhas, e isso causa alguns desajustes”.

Segundo a ginecologista, “a idade em que aparece a primeira menstruação depende de vários fatores como a geografia, a luminosidade do país e da estação em curso, o estado de nutrição, a prática de desporto, a genética”. Por cá, a idade média é 12,88 anos, mas, lembra Margarida Dias, tem vindo a diminuir. Na Europa, no século XIX, situava-se nos 16/17 anos. De acordo com a médica, os casos de menarca antes dos 9 anos têm uma incidência de uma em cada cinco a dez mil raparigas.

Como não é uma situação frequente, Margarida Dias não sabe se os pais estão “suficientemente alertados para a globalidade das consequências da menarca precoce, sobretudo para a necessidade de avaliação médica da causa possível”. O que mais preocupa a família, frisa, são questões “relacionadas com a sexualidade e a prevenção da gravidez e com o mal-estar físico decorrente da experiência da menstruação”.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Women’s reproductive factors and incident cardiovascular disease in the UK Biobank

 

Até quando dura a adolescência? Aos 24, dizem cientistas

Fevereiro 18, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 19 de janeiro de 2018.

Apesar de a puberdade acontecer cada vez mais cedo, o início da vida adulta está a ser cada vez mais adiado

“Um miúdo de 25 anos”. “Um jovem de 35”. Expressões como estas ouvem-se frequentemente e dão conta da ideia generalizada de que o início da vida adulta acontece cada vez mais tarde. Mas agora um grupo de cientistas defende que a idade que define o início e o fim da adolescência deve ser alterada de forma a abranger as pessoas entre os 10 e os 24 anos.

Num texto publicado na revista The Lancet, estes investigadores consideram que definir um adolescente como uma pessoa que tem uma idade situada entre os 10 e os 24 (e não entre os 10 e os 18, como se considera atualmente) corresponde mais ao crescimento dos indivíduos e ao entendimento generalizado acerca desta fase da vida e iria permitir uma aplicação da lei de forma mais adequada.

A puberdade começa cada vez mais cedo, graças às melhorias registadas ao nível da alimentação, saúde e condições de vida, mas os indivíduos iniciam uma vida adulta cada vez mais tarde. Analistas alertam para o perigo de infantilizar os jovens, mas o assumir de responsabilidades profissionais ou familiares (casamento e paternidade) acontece numa fase mais adiantada da vida.

Segundo dados da Pordata, as mulheres em Portugal casam-se agora (2016), em média, aos 31 anos, e os homens aos 32,8. Em 1961, eles casavam-se aos 26,9 e elas aos 24,8. Também a idade para ter o primeiro filho foi adiada: passou dos 27,1 em 1990, para os 31,9 em 2016.

Além destes factores socias, os cientistas apontam razões biológicas para o adiamento oficail do início da vida adulta: o corpo, mais precisamente o cérebro, continua a desenvolver-se para lá dos 20 anos, a trabalhjar de forma mais rápida e eficiente.

 

 

Consumo de álcool na adolescência pode causar problemas no fígado em adulto

Fevereiro 16, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Correio dos Açores de 28 de janeiro de 2018.

O consumo de bebidas alcoólicas na adolescência pode provocar doenças hepáticas, como cirrose, numa idade mais avançada, sugere um estudo recente.

Para o estudo que foi conduzido por uma equipa de investigadores do Hospital Universitário Karolinska, Estocolmo, Suécia, foram analisados dados recolhidos de um estudo populacional sueco, conduzido em 1969 e 1970, que abrangia mais de 49.000 homens, com 18 a 20 anos de idade na altura, e recrutados para o serviço militar obrigatório.

A equipa associou os números pessoais de identidade dos participantes recrutados aos dados do registo nacional de pacientes e ao registo de causas de morte na Suécia até ao fim de 2009, ou seja, durante 39 anos.

Os resultados foram ajustados relativamente ao índice de massa corporal (IMC), capacidade cardiovascular, capacidade cognitiva, hábito de fumar e uso de narcóticos.

Como resultado, foi verificado que 383 homens tinham desenvolvido doenças graves no fígado, durante o período de acompanhamento, como cirrose hepática, encefalopatia hepática, insuficiência renal, ascite e morte por doença renal, sendo que o consumo de álcool na fase do fim da adolescência foi associado a um maior risco de doenças hepáticas graves numa altura posterior.

O risco era dependente da dose de álcool consumido, sem sinais de efeito de limiar, revelando-se mais pronunciado em homens que consumiam duas bebidas por dia (que equivaliam a 20 gramas de álcool) ou mais. Foi observado ainda que o risco era já significativo com o consumo diário de 6 gramas de bebidas alcoólicas.

Estes resultados foram apenas validados para homens e requerem validação para as mulheres.

Alexandre Louvet, especialista em doenças hepáticas observou, num editorial que acompanhou o estudo, que “o presente estudo aumenta o nosso conhecimento sobre o risco do consumo crónico de bebidas alcoólicas numa idade precoce”.

“Deve-se rever os níveis seguros de consumo de álcool na população geral e deve-se adaptar adequadamente as diretrizes de saúde pública”.

o estudo citado na notícia é o seguinte:

Alcohol consumption in late adolescence is associated with an increased risk of severe liver disease later in life

Namorados acham normal proibir, perseguir e abusar

Fevereiro 14, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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A UMAR apresenta hoje, Dia dos Namorados, estudo que revela aumento da legitimação da violência durante o namoro
| (LEONARDO NEGRÃO / GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 14 de fevereiro de 2018.

Céu Neves

O que fazem os namorados de hoje? Maioria já foi vítima de violência e há cada vez mais quem legitime estes comportamentos. Rapazes aceitam mais a violência do que raparigas

Se um proíbe o uso da saia, o outro entra no Facebook sem autorização do próprio, e há também quem pressione para fazer sexo. Estes são alguns dos comportamentos aceites por grande parte dos jovens portugueses. Namoram ou namoraram e a maioria já foi vítima de violência, segundo o estudo nacional sobre violência no namoro que será apresentado hoje, no Dia dos Namorados. O inquérito é realizado pelo segundo ano e as coisas não melhoraram, antes pioraram.

“Tanto a vitimação como a legitimação aumentaram e isso é preocupante”, sublinha Margarida Teixeira, uma das investigadoras do estudo “Violência no Namoro”, da União das Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), coordenado por Maria José Magalhães. Conclusões a debater entre as associações e com a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, que nesta manhã estará na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Porto, onde o trabalho será divulgado. Os jovens foram inquiridos no final de 2017 e início de 2018, sendo os resultados comparados com os de 2017.

“O que está a falhar é a prevenção, existem campanhas e ações de sensibilização em algumas escolas mas não é em todas e não atinge todas as idades. A prevenção tem de ser contínua e começar no jardim-de-infância”, defende Margarida Teixeira. Dá como exemplo a disciplina de Formação Cívica, onde estas questões têm sido abordadas, que apenas existe no ensino básico e não é em todos os estabelecimentos. “Privilegiam-se as disciplinas formais em detrimento da formação do indivíduo, quando devia ser uma parte importante do ensino. Além de que estes temas podem ser abordados nas várias disciplinas”, critica a investigadora.

Fonte: UMAR

Foram entrevistados 4652 jovens entre os 12 e os 18 anos, que tiveram ou estão numa relação de intimidade. A maioria (56%) sofreu atos de vitimação que, segundo a UMAR, configuram violência. E 68,5% “aceitam como natural pelo menos uma das formas de violência na intimidade”. E dos inquiridos 76,9% tiveram a experiência de pelo menos uma forma de violência.

Margarida Teixeira não encontrou diferenças no entendimento destes jovens a nível regional ou social – “a violência é transversal a regiões e estratos sociais” -, já os rapazes tendem a legitimar mais as agressões do que as raparigas. Esta diferença é mais significativa a nível da violência sexual, com 34% do sexo masculino a concordar com o pressionar para beijar em frente dos outros (mais frequente) ou para ter sexo, contra 16% do sexo feminino. “Falámos com adolescentes com 12 e 13 anos que tinham sofrido este tipo de violência e surpreendeu-nos como legitimam estes comportamentos, também porque esta questão não é muito falada”, reconhece Margarida Teixeira.

A violência psicológica, o insulto e a humilhação é o mais habitual (de rapazes para raparigas); seguindo-se a perseguição (mais por elas); a utilização das redes sociais, a entrada sem autorização da vítima ou partilha online da vida íntima ; e o controlo, sobretudo proibir a fala com os amigos ou o uso de determinada roupa.

A nível da legitimação daqueles comportamentos, os jovens aceitam mais facilmente o controlo, a perseguição, a violência sexual e abusos nas redes sociais. A proibição de vestir determinadas peças de roupa é legitimada por 40% dos/as jovens. “A violência nas redes sociais, enquanto dimensão (relativamente) nova nas relações de intimidade, mostra resultados alarmantes, tanto na legitimação (24%) como na vitimação (12%)”, sublinham as autoras do estudo.

Outra questão é a facilidade com que o/a namorado/a aceita ser perseguido pelo outro, embora seja criminalizado. “Estes comportamentos têm vindo a ser romantizados, tanto proibir como controlar são muitas vezes entendidos como atos de amor, é uma questão cultural e que temos de trabalhar”, explica Margarida Teixeira.

A violência física é a que menos vitima os inquiridos, e é também a menos legitimada. Mas, comparativamente a 2017, houve um aumento do número daqueles que desvalorizam as agressões físicas.

 

 

Para um em cada quatro jovens a violência sexual é “natural” no namoro

Fevereiro 14, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 14 de fevereiro de 2018.

Estudo que é apresentado nesta quarta-feira pela UMAR inquiriu mais de 4000 jovens, com uma média de idades de 15 anos. Há mais a relatarem violência no namoro e mais a legitimarem-na.

Têm 15 anos em média. Rapazes e raparigas. Para muitos (40%), se alguém impede o namorado ou a namorada de se vestir de determinada forma, isso não é violência. Se numa discussão entre os dois há insultos, isso não é violência (25%). E também não o é uma agressão corporal se dela não resulta uma ferida ou uma marca (8%). Já a violência sexual — forçar beijos em público, pressionar ou coagir para ter relações sexuais, por exemplo — é legitimada por um quarto dos 4000 inquiridos num estudo da UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, que é apresentado nesta quarta-feira, no Porto. Ou seja, é considerada “natural”.

Isto é o que muitos jovens acham de diferentes situações que lhes são apresentadas em teoria. Na prática, se atendermos apenas aos cerca de 3000 da amostra que dizem já ter tido “uma relação de intimidade”, mais de metade (56%) relata actos que configuram, de alguma forma, violência no namoro.

No Dia dos Namorados, que se assinala nesta quarta-feira, são apresentados, em diferentes pontos do país, dados e estudos sobre a violência entre namorados. Alguns já foram antecipados pelo PÚBLICO na edição desta terça-feira — caso do balanço do Observatório da Violência no Namoro, da Associação Plano i, que recebeu 128 denúncias desde Abril do ano passado até Janeiro deste ano, de jovens universitários, sobretudo raparigas, tendo uma em cada dez vítimas relatado que foi ameaçada de morte por namorados ou ex-namorados.

Já este estudo, sobre rapazes e raparigas que têm em média 15 anos, põe o foco num grupo bem mais jovem. É da responsabilidade da UMAR, no âmbito do Projecto Art’Themis, que tem entre as suas preocupações a prevenção da violência. Envolveu 4652 jovens de Portugal continental e arquipélago da Madeira. O que revela é “preocupante”, por vezes “alarmante”, palavras usadas mais do que uma vez na síntese do trabalho.

Nas redes sociais

Uma em cada dez vítimas de violência no namoro sofreu ameaças de morte

Os dois terços de jovens em 4652 inquiridos que declaram já ter tido um “relacionamento amoroso” e que podem falar da sua experiência pessoal dizem isto: 18% relatam ter sido alvo por parte do parceiro de situações que se enquadram na violência psicológica; 11% reportam situações de “controlo” (proibição de falar com certos amigos ou amigas, ou de vestir algum tipo de roupa, por exemplo); 6% declaram ter sido alvo de violência física.

E, “apesar de, neste estudo, participarem pessoas com idades muito jovens, a prevalência média de violência sexual é de 7%”, prossegue a equipa coordenada por Maria José Magalhães. O comportamento mais habitual nesta forma de violência é o pressionar a vítima para beijar o companheiro ou a companheira à frente de outras pessoas (8%). “Numa percentagem preocupante”, 5% dos jovens referem já ter sido pressionados pelo companheiro para ter relações sexuais.

“Os resultados obtidos sobre a vitimação através das redes sociais são também alarmantes”, continua o resumo da UMAR. “Uma vez que 12% dos/as inquiridos/as revelam ter sido vítimas desta nova forma de violência no relacionamento. Dentro da violência através das redes sociais, o comportamento mais frequente é entrar no Facebook ou outra rede social, sem autorização da vítima (20%). Foram também colocadas questões sobre a partilha online de conteúdos íntimos sem autorização, e 4% dos/as jovens (sem diferenças significativas quanto ao sexo) afirmam ter sofrido esta forma de violência).”

Eles legitimam mais

Em suma, a primeira conclusão deste estudo é que dos jovens que já tiveram uma relação de intimidade, 56% sofreram actos de vitimação que configuram a violência no namoro. A segunda conclusão é que “68,5% do total de jovens aceitam como natural pelo menos uma das formas de violência na intimidade”, física, psicológica, sexual, nas redes sociais… “Esta normalização das situações descritas reproduz a legitimação social da violência nas relações de intimidade”, sendo que esta “naturalização da violência” é ainda mais frequente nos jovens e nas jovens que identificaram ter sofrido actos de vitimação (76,9%).

A terceira conclusão é que quando se comparam estes dados com os de um estudo semelhante divulgado em 2017, pela UMAR, a situação piorou em várias dimensões analisadas, tanto em termos de legitimação da violência como de vitimação. A percentagem de vítimas de violência sexual passou de 24% para 25%. A proporção dos que foram alvo de perseguição passou de 25% para 26%. As vítimas de violência física eram 6% e são agora 8%….

“Pode também concluir-se que a naturalização da violência é maior nos rapazes em todas as formas de violência estudadas”, sobretudo no que diz respeito à violência sexual, prossegue a síntese. Por exemplo: enquanto 6% das jovens raparigas não identifica a pressão para ter relações sexuais como um comportamento violento, a percentagem sobe para os 22% no caso dos rapazes. “É mais de 3 vezes superior.”

Perante estes resultados, diz a equipa da UMAR, “permanece a necessidade e urgência de uma intervenção com os/as jovens, o mais precoce e continuadamente possível, no sentido de prevenir a violência sob todas as formas”.

Mais: “É pertinente referir que não podem desvalorizar-se quaisquer formas de violência, já que estas têm repercussões a vários níveis para os/as jovens; e que desconstruir a normalização/legitimação destes comportamentos será minimizar a probabilidade dos jovens se manterem em relações violentas”.

Por isso, estes resultados devem ser analisados por educadores, professores, pais, mães e sociedade em geral, “particularmente porque indicam o panorama real da situação portuguesa no que à violência no namoro diz respeito mostrando a enorme necessidade de prevenção primária a este nível”.

 

 

Há cada vez mais crianças com menos de 13 anos a usarem as redes sociais

Fevereiro 11, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 25 de janeiro de 2018.

visualizar o vídeo da reportagem no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2018-01-25-Ha-cada-vez-mais-criancas-com-menos-de-13-anos-a-usarem-as-redes-sociais

Apesar de ser necessário ter no mínimo 13 anos para fazer o registo em plataformas online, um estudo britânico demonstra que a grande maioria das crianças entre os 8 e os 12 anos utiliza as redes sociais regularmente. Muitas dependem já da aceitação em redes como o Facebook ou o Instagram.

estudo levado a cabo pela comissária para as crianças de Inglaterra alerta os pais e deixa recomendações às escolas e empresas que gerem redes sociais.

Crianças não nascem preconceituosas, a culpa é do ambiente onde elas vivem

Fevereiro 9, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://paisefilhos.com.br/

Segundo pesquisa, ninguém nasce achando que é melhor que o outro não

Redação Pais&Filhos

Um novo estudo realizado pelos pesquisadores das Universidades de Nova York (NYU) e Amsterdam, mostra que crianças de 5, 6 anos se inspiram nos adultos para formar tanto a personalidade e traços psicológicos quanto a maneira de agir de acordo com o ambiente em que estão inseridas e não pela cor da pele. Essa pesquisa contradiz a ideia de que as pessoas já nascem ou criam com algum tipo de preconceito cedo, na infância, achando que o mundo é dividido por raças e cores e melhores e piores.

Outra descoberta foi que outras características das crianças como crenças variam de acordo com o ambiente em que são criadas, principalmente que convivem em um bairro com pessoas de diferentes etnias e trajetórias de vida.

Por isso, Tara M. Mandalaywala, da NYU, que liderou o estudo disse que “tudo indica que crenças sobre raça se desenvolvem com o tempo em resposta a situações específicas”.

O estudo

Os pesquisadores avaliaram 203 crianças de 5, 6 anos brancas e negras nova iorquinas e 403 adultos brancos e negros americanos. Eles fizeram perguntas sobre se os entrevistados viam a cor da pele como algo que poderia ser herdado e se eles acreditavam que a raça determina o que as pessoas serão quando crescerem (o quão inteligentes, legais, atléticos seriam).

O resultado

As crianças consideram a cor da pele como algo que poderia ser herdado, mas não contribuindo para estereótipos ou preconceitos. Elas esperam que as características comportamentais e psicológicas de uma pessoa sejam determinadas pelo ambiente em que ele ou ela foi criado, não por uma raça herdada.

Marjorie Rhodes, professora de psicologia na NYU, co-autora do estudo, complementa que a pesquisa “sugere que as crenças sobre raça que contribuem para o preconceito levam muito tempo para se desenvolver (isso quando acontece), e esse desenvolvimento depende, de certa maneira, dos bairros nos quais as crianças crescem”. Quanto maior a diversidade, mais fácil de mostrar para as crianças o quão todo mundo é igual e, claro que o seu comportamento faz toda a diferença na visão do seu filho.

 

Geração Stress : 25% dos jovens sentem-se ansiosos ou stressados diariamente

Fevereiro 8, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Pexels

Notícia do site https://mood.sapo.pt/ de 24 de janeiro de 2018.

Um estudo realizado com jovens entre os 16 e os 24 anos, no Reino Unido, mostra que a nova geração sente muita pressão relativamente aos resultados académicos, mercado de trabalho e devido a questões financeiras.

Um novo estudo realizado pela consultora Mintel sobre estilos de vida saudáveis conclui que são os jovens entre os 16 e os 24 anos que mais sofrem com a ansiedade diária e o stress decorrente de várias áreas da vida. O estudo conduzido no Reino Unido indica que são os resultados académicos, a dificuldade de entrar e permanecer no mercado de trabalho e as consequentes questões financeiras os principais fatores causadores destes sentimentos.

O stress é praticamente universal nos dias que correm. Segundo o estudo, 85% dos britânicos sofrem de ansiedade ou de stress às vezes, com três em cada 10 (29%) a dizerem que sofrem pelo menos três vezes por semana e 15% indica que o sentem todos os dias. Mas são os jovens que estão a vivenciar os mais altos níveis de ansiedade e de stress, pois 25% das pessoas de 16 a 24 anos sentem alguma ansiedade ou stress todos os dias.

Enquanto isso, parece que a idade traz um elemento de calma, já que apenas 9% dos mais de 55 anos dizem que se sentem ansiosos e stressados diariamente e um quarto (25%) diz que não experimenta mesmo nenhum stresse, indica a pesquisa. «Os jovens da Grã-Bretanha estão a sentir pressão em várias frentes, incluindo por fatores académicos, profissionais e financeiros, e em alguns isso está a causar ansiedade e stress diariamente», comenta Richard Caines, analista sénior da Mintel.

Entre as formas mais comuns de lidar com este tipo de sentimentos estão ouvir música (44% no geral e 64% não faixa dos 16-24 anos), caminhar (39%) e comer alimentos reconfortantes (32%), o último aumentando para duas em cada cinco (39%) nas mulheres. No entanto, parece que os consumidores não estão a encontrar tempo suficiente para relaxar, pois apenas um terço (33%) diz que tira algum tempo para relaxar todos os dias. E apesar da importância percebida da saúde mental, apenas três em cada 10 (31%) dizem sentir-se estimulados mentalmente todos os dias, enquanto menos de metade (46%) dos consumidores sentem-se mentalmente estimulados menos de três vezes por semana.

A teoria está, no entanto, apreendida: dormir o suficiente (69%), fazer uma dieta saudável (68%) e exercitar-se regularmente (65%) são classificados como os três principais hábitos para se manterem saudáveis.

Já a prática nem por isso, revela o estudo. Apenas um quinto (22%) dos consumidores diz que dorme o suficiente todos os dias. A faixa etária entre os 45-54 anos (14%) é a que pratica menos quantidades diárias de sono suficiente. Apesar de comer uma dieta saudável é visto como um importante fator de saúde, apenas um quinto (20%) dos consumidores diz que come cinco porções de fruta ou vegetais diariamente. E quanto ao exercício, apenas 14% dos consumidores praticam alguma atividade física diariamente e 26% diz que os faz entre três e seis vezes por semana.

«Os consumidores têm boas intenções de dormir o suficiente, fazerem uma dieta saudável e exercitarem-se regularmente. No entanto, o que acontece na realidade é uma imagem muito diferente. Esta lacuna entre perceção e realidade é realçada pelo facto de que tão poucos consumidores acreditam que são pouco saudáveis para a sua idade», conclui o especialista.

A pesquisa mostra por fim que as pessoas estão interessadas em soluções para corrigir os seus maus hábitos. Dez por cento utilizam aplicações de telemóvel para o efeito e 45% estão interessados em faze-lo. E são a camada mais jovem a mais interessada neste tipo de soluções, exatamente 57%. Veja agora, na galeria no início do artigo, alguns sinais de como o stress se pode estar a transformar em depressão.

mais informações na notícia da Mintel:

Generation stress: 25% of UK 16-24s feel anxious or stressed every day

 

 

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