Bullying e cyberbullying: quando os valores morais nos faltam e a convivência se estremece –

Outubro 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Bullying e cyberbullying: quando os valores morais nos faltam e a convivência se estremece

Luciene Regina Paulino Tognetta, Darlene Ferraz Knoener, Sanderli Aparecida Bicudo Bomfim, Sandra Trambaiolli De Nadai

Resumo

Este estudo teórico objetiva evidenciar a ausência de conteúdos morais em situações de bullying e cyberbullying, destacando, em contrapartida, a necessidade de compreender esse fenômeno da violência como um problema moral. Em meio a um contexto de relações interpessoais violentas vivenciado nas instituições de ensino, seja de forma presencial ou virtual, urge destacar as evidências das investigações atuais sobre esse tema que apontam para a superação do problema por meio de processos que priorizem a composição de um ambiente que favoreça a formação moral e a convivência ética. Uma vez que a escola desempenha um papel significativo na construção da moralidade do sujeito, é necessário que haja, em cada instituição de ensino, a sedimentação de um projeto de convivência ética, de modo a explicitar o pacto de todos os seus personagens com a prevenção à violência. A literatura atual aponta a necessidade de tais programas e projetos de convivência ética que sejam intencionais, sistematizados e contínuos, proporcionando espaços de protagonismo para os alunos a fim de que exercitem e vivenciem valores morais para que estes tomem lugar central em sua personalidade, justamente por destacar o quanto tais valores estão ausentes naqueles que agridem, bem como muitas vezes naqueles que recebem ou testemunham a agressão.

descarregar o estudo no link:

http://piwik.seer.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/10036

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“Crise educativa”. Seis em cada dez crianças não estão a atingir níveis básicos de proficiência

Outubro 14, 2017 às 6:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 27 de setembro de 2017.

Joana Azevedo Viana

Relatório da ONU revela resultados “assombrosos de estudo global do Instituto de Estatísticas da UNESCO, que apurou que mais de 600 milhões de crianças em idade escolar não têm conhecimentos básicos de matemática nem de leitura

Seis em cada dez crianças e adolescentes de todo o mundo não estão a conseguir alcançar níveis básicos de proficiência na aprendizagem escolar, aponta a ONU num relatório divulgado esta quarta-feira no qual classifica os resultados do estudo do Instituto de Estatísticas da UNESCO como “assombrosos”, num sinal de que estamos a viver uma “crise de aprendizagem” a nível global. O foco da ajuda humanitária internacional para a Educação tem incidido sobre a falta de acesso a escolas, em particular em países pobres da África subsariana e em zonas de conflito. Mas de acordo com a nova investigação, a ausência de qualidade nas escolas não é exclusiva dessas regiões, havendo neste momento mais de 600 milhões de crianças em idade escolar em todo o mundo que não têm conhecimentos básicos de matemática nem de leitura.

O caso da África subsariana, onde existem mais entraves à educação, é o mais gritante, com 88% das crianças e adolescentes a caminho da idade adulta sem saberem ler convenientemente. No sudeste asiático, o número de crianças sem níveis adequados de literacia ronda os 81%. Na América do Norte e na Europa, que concentram alguns dos países mais desenvolvidos do mundo, apenas 14% de crianças e adolescentes concluem os estudos num nível tão baixo — mas de acordo com a investigação, só 10% do total de crianças em idade escolar de todo o mundo é que vivem nesses países.

“Muitas destas crianças não estão escondidas ou isoladas dos seus governos e das suas comunidades, pelo contrário estão sentadas em salas de aula”, refere Silvia Montoya, diretora do Instituto de Estatísticas da UNESCO. As conclusões do estudo, acrescenta, são “uma chamada de atenção para que haja maior investimento na qualidade da educação”, já que as ambições de progresso social e económico serão asfixiadas por estes níveis de iliteracia.

Este problema de “ir à escola e não aprender” já tinha sido igualmente referido num relatório divulgado esta semana pelo Banco Mundial, no qual a instituição alerta que há milhões de crianças e jovens em países de rendimentos médios e baixos que não estão a receber educação adequada, o que a médio e longo prazo vai remetê-las para empregos mal pagos e insegurança profissional.

Ao apresentar o relatório, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, não se poupou a críticas, dizendo que estes falhanços educativos representam uma “crise moral e económica” que precisa de respostas urgentes. No documento, os investigadores avisam em particular que, depois de vários na escola, os alunos do Quénia, Tanzânia, Uganda e Nicarágua não sabem fazer simples contas de somar nem ler frases simples.

No Japão há 99% de crianças com níveis básicos de proficiência na escola primária, mas apenas 7% no Mali, o que apesar de tudo denota algumas diferenças na aprendizagem consoante a concentração de riqueza dos países onde crescem. Outro ponto sublinhado é que parece haver um fosso ainda maior entre as crianças de famílias ricas e de famílias pobres — assim demonstra o exemplo dos Camarões, onde apenas 5% das raparigas de famílias mais pobres saem da escola primária preparadas para continuarem os estudos, contra 76% das raparigas oriundas de famílias ricas.

Quais as causas?

Na sua investigação, o Banco Mundial tentou examinar os fatores que contribuem para tão fracas conquistas a nível da aprendizagem escolar e o dinheiro desempenha um papel importante. Nos países mais pobres do mundo, as crianças entram na primeira classe sem condições de aprenderem por causa da má-nutrição e de outros problemas de saúde, a par da pobreza e deprivação de bens básicos. A par disso, a instituição revela-se preocupada com a qualidade do ensino, sublinhando que muitos professores não são, eles próprios, particularmente proficientes. Nalguns países da África subsariana, há ainda um problema endémico de falta de assiduidade dos professores, em grande parte ligado ao facto de não receberem salários regulares pelo seu trabalho.

Para Paul Romer, economista chefe do Banco Mundial, é preciso honestidade ao lidar com o facto de que, apesar de muitas crianças poderem ir à escola, isso não significa que elas estejam a aprender o bê-a-bá. O progresso, referiu ao apresentar o relatório, vai depender de reconhecer que “estes factos sobre a educação revelam uma verdade dolorosa” sobre o estado do ensino a nível global. Entre outros problemas, é apontado no documento que não há escrutínio suficiente dos padrões educativos e que existe ausência de informações básicas sobre as conquistas de cada aluno ao longo do seu percurso académico.

Apesar de nos países ocidentais o debate público estar focado há vários anos no excesso de testes e exames a que as crianças são submetidas, o Banco Mundial refere que, nas nações mais pobres do mundo, há “muito poucos medidores de aprendizagem e não demasiados”. A contrariar a tendência global, surgem casos positivos em que foram alcançados grandes progressos educativos, como na Coreia do Sul e no Vietname.

A apresentação destes relatórios surge uma semana depois de vários Estados-membros da ONU se terem comprometido com um maior investimento na educação global durante a assembleia-geral que esteve a decorrer na semana passada em Nova Iorque. “Decidi transformar a educação na prioridade de topo do desenvolvimento e da política externa de França”, anunciou na altura o Presidente Emmanuel Macron. A par dele, também Gordon Brown, antigo primeiro-ministro britânico que é o atual enviado da ONU para a Educação, anunciou que tem como principal objetivo nesse cargo conseguir que a Parceria Global para a Educação consiga angariar pelo menos dois mil milhões de dólares (cerca de 1,7 mil milhões de euros) até 2020, fundos esses que serão canalizados para projetos educativos em todo o mundo.

A União Europeia, por sua vez, anunciou que vai alocar 8% do seu orçamento de ajuda humanitária para esta área — e que, através da Education Above All Foundation, da UNICEF e de outras organizações de caridade, vai investir 60 milhões de dólares extra (quase 51 milhões de euros) em projetos educativos para as crianças sírias que estão impedidas de ir à escola por causa da guerra civil que estalou no país em março de 2011 e que continua sem fim à vista.

Os documentos citados na notícia são os seguintes;

More Than One-Half of Children and Adolescents Are Not Learning Worldwide

World Development Report 2018: Learning to Realize Education’s Promise

 

 

Jovens obesos ultrapassarão os mal nutridos em 2022

Outubro 11, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 11 de outubro de 2017.

Actividade física regular é uma das formas de combater a obesidade

Filomena Naves

Estudo prevê população infantil global maioritariamente obesa dentro de quatro anos. Para a OMS trata-se de “uma crise de saúde global”, a exigir políticas dirigidas ao problema

Hoje há dez vezes mais crianças e adolescentes obesos em todo o mundo do que há 40 anos e se a tendência de crescimento das últimas décadas se mantiver, em 2022, ou seja, dentro de apenas quatro anos, o número de jovens obesos tornar-se-á pela primeira vez superior ao dos que não têm peso suficiente por mal nutrição. A previsão é de um estudo do Imperial College de Londres e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que foi publicado ontem, véspera do Dia Mundial da Obesidade que hoje se assinala, na revista The Lancet.

O trabalho, que passou em revista e coligiu ao longo de quatro décadas, entre 1975 e 2016, os dados do peso, altura e índice de massa corporal de mais de 130 milhões de pessoas com mais de cinco anos – 31,5 milhões entre os 5 e os 19 anos, e 97,4 milhões com mais de 20 anos -, é o maior estudo epidemiológico alguma vez realizado, segundo os seus autores, e mostra que a tendência para aumento de número de jovens obesos ganhou maior velocidade desde 2000. Em 1975, um por cento das crianças e jovens a nível mundial tinham peso em excesso, ao passo que em 2016 esse percentagem já chegava aos 8%.

“Esta tendência preocupante, que está igualmente em curso em países de médios e baixos recursos, reflete o impacto do marketing alimentar e das políticas que tornam os alimentos saudáveis e nutritivos demasiado caros para as famílias e as comunidades pobres”, afirma Majid Ezzati, da Escola de Saúde Pública do Imperial College, que coordenou a investigação. Por isso, sublinha o especialista, “esta é uma geração de crianças e adolescentes ao mesmo tempo obesos e mal nutridos”, pelo que alerta para a urgência de se “encontrarem formas de tornar acessíveis a estas famílias e comunidades, incluindo nas escolas, os alimentos saudáveis e nutritivos, especialmente nas comunidades pobres”. Outra medida essencial para combater o problema “é criar leis e taxas para proteger os mais novos de alimentos pouco saudáveis”, diz o coordenador do estudo.

Em 2016, último ano a que se reporta a avaliação, o número de crianças e adolescentes no mundo com peso insuficiente por deficiências alimentares era superior ao dos obesos e com excesso de peso (192 milhões no primeiro caso, 112 milhões no segundo), mas com a atual tendência de crescimento da população obesa a manter-se, nomeadamente nos países do Leste da Ásia, da América Latina e da Caraíbas, esses valores vão inverter-se no espaço dos próximos quatro, asseguram os autores do estudo.

“Esta é uma crise de saúde global”, garante Fiona Bull, que coordena na OMS o programa de vigilância e prevenção de doenças de notificação não obrigatória, notando que a situação “se agravará nos próximos anos, se não se tomarem medidas drásticas”.

A OMS já iniciou o combate contra a obesidade infantil, com a recomendação de políticas nesse sentido, e um plano cujas orientações serão hoje publicadas. Promover a redução drástica do consumo dos alimentos baratos e ultraprocessados e altos teores de calorias e gorduras, e favorecer a atividade física e os desportos são duas dessas orientações.

News release da WHO, gráficos e estudo mencionado na notícia:

Tenfold increase in childhood and adolescent obesity in four decades: new study by Imperial College London and WHO

Como é que a nossa frustração tem impacto na vida dos nossos filhos

Outubro 10, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 26 de setembro de 2017.

Quando as crianças observam os adultos em conflito temem (ou não) que a sua família se separe, revela estudo da Universidade do Arizona.

Bárbara Wong

O conflito faz parte da vida dos casais e muitos evitam discutir à frente dos filhos para os proteger. Não fazem mal, mas se gerirem os conflitos de forma construtiva ajudarão os filhos, declara Olena Kopystynska, investigadora da Universidade do Arizona.

Kopystynska e os colegas estudam conflitos e resolução de conflitos e, num artigo publicado no Journal of Family Psychology, analisam a forma como os pais lidam com o conflito e como se sentem os filhos quando expostos ao mesmo.

O estudo concentra-se em estilos construtivos versus destrutivos. No primeiro, apesar da diferença de opinião, há calma e respeito entre os membros do casal, e os pais procuram resolver o conflito. No segundo, o destrutivo, há raiva e ressentimento, e o casal tende a afastar-se do tema da discussão para ir buscar outros acontecimentos do passado. São os conflitos de estilo destrutivo que podem deixar as crianças mais inseguras emocionalmente, revela o estudo.

“As crianças são muito boas a adivinhar pequenas nuances de como os pais interagem um com o outro. Por isso é importante a forma como os pais expressam e gerem os desafios da vida diária porque isso determina a confiança das crianças na estabilidade e segurança de sua família”, declara Kopystynska, citada num comunicado da universidade norte-americana. “Se os pais são hostis, as crianças até aos 3 anos podem sentir a ameaça de a sua família caminhar para uma dissolução. Eles podem não ser capazes de expressar as suas inseguranças verbalmente, mas podem senti-las”, acrescenta.

O estudo baseia-se em dados a nível nacional recolhidos junto de famílias com baixos rendimentos, logo, em mais alto risco de conflito – contudo, muito poucos casais no estudo eram inteiramente destrutivos, aponta o comunicado.

Os investigadores identificaram quatro perfis de casais: aqueles em que ambos tratam o conflito de forma construtiva; aqueles em que ambos tratam de forma destrutiva; casais em que a mãe é construtiva e o pai destrutivo; e casais em que o pai é construtivo e a mãe destrutiva.

A maior parte dos pais não eram casados e os dados começaram a ser recolhidos quando os casais tiveram o primeiro filho. Os dados foram recolhidos em três alturas e a investigadora concentrou-se na última fase, quando as crianças tinham à volta de 3 anos. Então foi perguntado aos pais como geriam os conflitos e como reagiam os seus filhos quando os presenciavam.

Na relação com as filhos, Kopystynska e os colegas descobriram que enquanto os pais interagiam de forma semelhante, fosse qual fosse o seu perfil; as mães que eram destrutivas tendiam a ser mais duras com as crianças.

No que diz respeito ao impacto na insegurança emocional das crianças, os investigadores descobriram que esta era maior quando um dos pais tratava o conflito de forma destrutiva e o outro de forma construtiva, do que quando as crianças tinham pais que lidavam com os conflitos de forma construtiva. Nestes casos, “o que descobrimos é que as crianças sentem-se menos inseguras quanto ao clima familiar, e quando pelo menos um dos pais discute destrutivamente, há alguns níveis de insegurança sobre as relações familiares”, conclui Kopystynska.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Patterns of Interparental Conflict, Parenting, and Children’s Emotional Insecurity: A Person-Centered Approach

 

Estudo da UTAD lança fortes críticas à qualidade dos recintos escolares

Outubro 9, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.utad.pt de 25 de setembro de 2017.

“O jardim-escola já não é jardim e os recreios das escolas têm sido transformados em pátios inertes e acéticos, qual presídio”, alerta um investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), no âmbito de um estudo desta universidade muito crítico da orgânica e qualidade dos recintos escolares em Portugal.

Frederico Meireles, arquiteto paisagista e diretor do mestrado em Arquitetura Paisagista da UTAD, considera que “os recintos escolares não são providos de espaço suficiente, nem tão pouco de diversidade de elementos”, para além de que “os ambientes de brincadeira e de estudo estão mais próximos e contidos do que nunca e a variedade de estímulos no ambiente natural está a ser substituída por outros, de natureza digital, limitando as oportunidades para a atividade física”.

O estudo da UTAD sobre planeamento do recreio escolar, que teve a colaboração do Instituto da Criança, concluiu que as escolas apresentam índices baixos de espaços verdes por criança, têm uma elevada exposição solar durante o período quente e uma quase total inexistência de elementos que promovam o conforto bioclimático no recreio. Concluiu também que “os elementos construídos são insatisfatórios quanto ao desempenho no desenvolvimento das capacidades e competências da criança, revelando insuficiências notórias, quer quanto ao número de equipamentos, quer face às necessidades dos utilizadores, o que, no final, se traduz numa baixa capacidade de fomentar o desenvolvimento de novas atividades e brincadeiras”.

Lembrando a recente decisão do governo em aumentar os tempos de intervalo no primeiro ciclo, Frederico Meireles assinala também o paradoxo de “os programas escolares negligenciarem repetidamente as atividades letivas no exterior, preferindo um controlo sobre a criatividade”. Aliás, observa o investigador, “os próprios projetos de requalificação das escolas vêm descurando a importância do espaço exterior na educação social, estética e ecológica”. Num estudo anterior da UTAD, uma avaliação aos espaços exteriores de 20 escolas secundárias intervencionadas pelo Programa Parque Escolar, concluiu que “a área total de recreio nas escolas secundárias nacionais é muito reduzida, apresentando um deficit de cerca de 80% inferior ao cenário ideal”.

Para mais informação contatar:

Rosa Rebelo | Assessoria de Comunicação | UTAD

Telm: 932 148 809 | rorebelo@utad.pt

 

 

Estudo revela que 6 em cada 10 crianças portuguesas não ingerem fruta e legumes

Outubro 8, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.dnoticias.pt/ de 25 de setembro de 2017.

A Madeira ocupa o terceiro lugar com 69,8% de crianças nesta situação

Sandra Ascensão Silva

Um estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) revela que 65% das crianças em Portugal, entre os 2 e os 10 anos, não cumpre a recomendação internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para uma ingestão mínima de três porções de fruta e duas porções de legumes diárias. Esta é uma das principais conclusões do mais recente estudo divulgado pela (APCOI) que aponta o grupo etário dos 6 aos 7 anos o que registou um maior consumo de fruta e de legumes inferior às recomendações com uma percentagem de 68,2%. +

O estudo também observou as diferenças regionais relativamente à ingestão de fruta e legumes, tendo observado que a Região dos Açores apresentou a maior percentagem de crianças com consumo inferior às recomendações com 84,7%, seguindo-se a Região do Algarve com 78,2%, a Região da Madeira com 69,8%, a Região de Lisboa e Vale do Tejo com 66,8%, as Regiões do Norte e do Alentejo ambas com 63,4% e por fim a Região Centro com 62,5%.

Os investigadores concluíram que 85,8% dos alunos almoça diariamente no refeitório da escola e que mais de metade desses alunos (54,5%) que refere não incluir legumes no prato também não chega a atingir a recomendação da OMS para a ingestão de pelo menos 2 porções de legumes por dia.

Por outro lado, os dados demonstram também que as crianças obesas são as que menos legumes ingerem, com uma prevalência de 38,3% de consumo inferior às recomendações.

Mudanças nos hábitos dos alunos participantes no projecto ‘Heróis da Fruta’

A equipa de investigadores da APCOI, analisou os efeitos da implementação da 6ª edição do projecto ‘Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável’ nas alterações de hábitos alimentares dos alunos participantes.

Comparando os dados iniciais, com os recolhidos após as 12 semanas de participação no projecto ‘Heróis da Fruta’ observou-se que globalmente 41,9% das crianças aumentou o seu consumo diário de fruta.

Para além disso, observou-se que 43,3% das crianças terminaram a sua participação no projecto com um consumo de fruta de acordo com as recomendações, correspondendo a uma subida de 12,2% comparativamente com os hábitos de consumo que mantinham no momento inicial do projecto.

Todas as regiões verificaram um aumento da prevalência de crianças a reportarem consumir três ou mais porções de fruta após a implementação do projecto, tendo sido a Região do Algarve a registar a maior subida com uma percentagem de aumento de 17,3%. Seguindo-se a Madeira com um aumento de 15,4%, o Norte com 15%, Lisboa e Vale do Tejo com 12,4%, o Centro com 10,6%, os Açores com 10% e finalmente o Alentejo com 8,3%.

Metodologia do Estudo

Esta investigação da APCOI foi realizada junto dos alunos participantes na 6ª edição do projecto ‘Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável’ no ano lectivo 2016-2017. A recolha de dados, através da aplicação de um questionário antes e depois das 12 semanas de intervenção do projecto, foi reportada à APCOI pelos professores e decorreu entre os dias 16 de outubro de 2016 e 20 de janeiro de 2017. A amostra global deste estudo é composta por 17.698 crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 10 anos de 388 estabelecimentos de ensino pertencentes a 139 concelhos dos 18 distritos continentais e das duas regiões autónomas: Açores e Madeira.

Inscrições abertas para a 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta»

Depois do sucesso obtido no último ano lectivo, já estão a decorrer as inscrições para a 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» que pretende continuar a melhorar os hábitos alimentares das crianças nas escolas.

“Comer legumes para aumentar os super poderes” é o tema do ano da 7ª edição do projecto, refere Mário Silva, presidente e fundador da APCOI e acrescenta que “tendo em conta as impressionantes estatísticas de sucesso obtidas nos anos lectivos anteriores em relação ao aumento do consumo de fruta nas crianças participantes, será muito interessante estender estes resultados positivos aos legumes e conseguir pôr as crianças portuguesas a comer mais saladas e vegetais no prato, ao almoço e ao jantar, todos os dias”.

A adesão à 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta» é gratuita e está disponível para jardins de infância, escolas de 1º ciclo do ensino básico, bibliotecas escolares e ATL’s, públicos ou privados, sendo apenas necessária uma inscrição através do endereço http://www.heroisdafruta.com/ou do telefone 210 961 868 até ao dia 13 de Outubro de 2017.

 

 

Subir na vida sem berço de ouro é mais difícil em Portugal

Outubro 6, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de setembro de 2017.

Miguel Manso

Quanto maior é a escolaridade do pai, maior é o rendimento do filho, segundo um estudo sobre mobilidade social. Em Portugal, mais de 5% da variação nos rendimentos dos filhos é explicada pela escolaridade dos pais, contra os menos de 2% na União Europeia.

Natália Faria

Em Portugal é mais difícil subir na vida em comparação com a média dos países da União Europeia (UE). Apesar da evolução dos últimos anos, as principais determinantes na posição social de cada um ainda são o apelido familiar e a escolaridade e a profissão dos pais. O estudo “Mobilidade Social em Portugal”, divulgado ontem à noite pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), mostra até que ponto a mobilidade social entre pais e filhos é menor em Portugal do que no resto da Europa. Um exemplo? Entre os portugueses nascidos na década de 1940, os filhos de pais com ensino superior auferiam em média mais 12.400 euros do que os filhos de pais com apenas o ensino básico. Para os nascidos 30 anos mais tarde, as diferenças mantinham-se, embora reduzidas a 6700 euros anuais.

E, enquanto na UE a percentagem de variação no rendimento dos filhos atribuível à escolaridade dos pais não vai além dos 1,9%, em Portugal o valor sobe para os 5,4%. Dito de outro modo, em Portugal quanto maior é a escolaridade do pai maior é o rendimento familiar do filho. Do mesmo modo, a percentagem de variação no rendimento dos filhos que é explicada pela profissão dos pais é de 9,4% em Portugal, muito acima dos 2.1% da UE.

A boa notícia é que o factor “berço” perdeu algum peso nas décadas mais recentes, sobretudo a partir de 1970, muito por causa da generalização do acesso à escola”, como adiantou ao PÚBLICO a investigadora Teresa Bago d’Uva, investigadora na Universidade de Erasmus em Roterdão, na Holanda, coordenadora deste estudo apresentado e debatido ontem à noite no programa Fronteiras XXI, na RTP3 e que teve como ponto de partida velhas suspeições que a FFMS transformou em perguntas: a educação é chave para subir na vida? Em que medida é que a ocupação dos pais explica a variação total no rendimento dos filhos? O apelido ainda conta para conseguir um bom emprego? Em relação a esta última, Teresa Bago d’Uva confirma que “o estatuto sócio-económico do pai, medido através da sua escolaridade e profissão”, pesam na posição social dos filhos, nomeadamente na geração mais recente analisada, a dos nascidos entre 1970 e 1985. “Entre estes, 57% atingem um nível de escolaridade semelhante ao do seu pai e 51% uma categoria profissional equivalente”, precisa.

Nas décadas anteriores, o determinismo social era maior. Até então, como lembra o economista Pedro Pita Barros, no prefácio do estudo, a mobilidade social (que pode ser descrita como a posição social e económica dos pais não determinar a posição social e económica dos filhos, numa medição assente em aspectos como a escolarização, ocupação profissional e rendimentos) era “tradicionalmente baixa”. Aumentou, “de forma marcada”, a partir de 1970. Foi a década da mudança de regime. E também, como insiste Teresa Bago d’Uva, da generalização do acesso à escola.

Para medirem o grau de mobilidade social não só de pais para filhos mas também para um mesmo indivíduo ou agregado familiar ao longo do tempo (e sabendo a partir de estudos da OCDE que ter um pai com ensino superior leva em média a um salário 20% superior ao dos que nasceram de pais apenas com o secundário), os investigadores focaram-se nas gerações de portugueses nascidas entre 1940 e 1985. No fim, aprofundaram conclusões que já eram conhecidas: é mais fácil subir na vida e descolar do contexto de origem no conjunto da UE do que em Portugal.

Entre os nascidos entre 1940 e 1949, o nível de escolaridade dos filhos está muito associado ao dos seus pais, ou seja, há pouca mobilidade. “A grande maioria dos filhos com pais do ensino básico não passou do mesmo nível de ensino e quase nenhuns atingiram o ensino superior. E, no outro extremo, apenas uma pequena minoria dos filhos com pais licenciados não passou do básico, sendo que 75% licenciaram-se também.

Se a situação dos filhos cujos pais que detinham um canudo universitário não se alterou substancialmente ao longo do tempo – isto é, mantiveram uma posição privilegiada -, a dos filhos com pais que não passaram do ensino básico melhorou substancialmente. Entre os nascidos na década de 40, 87% dos filhos também não passavam do básico. Já entre os que nasceram entre 1970 e 1985, esta percentagem baixou para os 57%. Apesar desta maior convergência, Portugal continuou aquém da média europeia: 45%.

É uma distância alcandorada sobretudo nos homens. Apenas 33% dos rapazes obtiveram qualificações académicas superiores às dos seus pais (43% na UE). Por outro lado, entre as mulheres portuguesas nascidas na mesma altura, 48% atingiram um nível escolar superior ao dos seus progenitores masculinos.

Voltando ao peso que tem nos rendimentos o facto de se ter nascido de um pai com formação universitária, o estudo esmiuça que, entre os nascidos na década de 40, os filhos de universitários ganham a mais em média 12.400 euros por ano, comparativamente com os filhos de pais que não passaram do básico. Para os nascidos após a década de 70, porém, a diferença aligeirou-se para quase metade: 6700 euros. É com base nesta descida que os autores do estudo concluem que “o privilégio trazido pela escolaridade dos pais em Portugal diminuiu ao longo do tempo”, para logo a seguir lembrarem que o cenário continua a não ser famoso, até porque se aplica “a fatias cada vez maiores da população”. E urge ainda perceber qual foi o impacto da crise, e das consequentes medidas de austeridade, nesta (falta de) mobilidade social.

Quando a pergunta é como é que se combate a estagnação social em Portugal, o que Teresa Bago d’Uva responde é que a solução continua a passar muito pela escola. “Julgamos ser importante a manutenção de um ensino público de qualidade que não esteja associado ao estatuto sócio-económico dos pais”, precisa a investigadora, apontando ainda a necessidade de políticas de combate à pobreza e exclusão social e a promoção da orientação escolar e profissional nas escolas para “colmatar possíveis diferenças no apoio que os pais são capazes de oferecer aos seus próprios filhos”.

 

mais informações no link:

https://fronteirasxxi.pt/mobilidadesocial/

 

Ter televisão no quarto não faz bem à saúde das crianças, diz estudo

Outubro 3, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 27 de setembro de 2017.

Investigação da Universidade Estadual do Iowa revela que as crianças com televisão ou jogos no quarto têm menor desempenho académico.

As crianças que têm no quarto uma televisão ou jogos de computador dormem menos, assim como lêem menos. As consequências são fáceis de prever: menor desempenho escolar, maior risco de obesidade e de ser dependente das novas tecnologias, diz um estudo da Universidade Estadual do Iowa, citado pelo Quartz.

Mas há outros riscos associados: podem assistir a programas inadequados para a idade, assim como participar em jogos violentos, o que aumenta os níveis de agressão física, refere Douglas Gentile, professor de psicologia e autor principal do estudo de Psicologia do Desenvolvimento que foi feito nos EUA e na Ásia.

Os responsáveis pelo estudo acompanharam crianças durante um período de 13 e 24 meses e concluíram que aquelas que tinham equipamentos electrónicos no quarto viam mais televisão, o que afectou indirectamente os seus resultados académicos. Pois se viam televisão, não liam.

“Quando a maioria das crianças liga a televisão no seu quarto, provavelmente não assiste a programas educacionais, nem joga jogos educacionais”, continua o especialista, referindo ainda que os pais não fazem uma monitorização nem controlam o que vêem ou fazem os miúdos nos seus quartos. Com os smartphones e tablets o risco é ainda maior, continua Gentile. Não há controlo se as crianças e jovens usam esses meios, por exemplo, durante a noite.

Portanto, os investigadores também conseguiram relacionar o tempo à frente do ecrã com o aumento do índice de massa corporal, assim como com a agressividade e sintomas de dependência.

Por isso, a recomendação é para que os pais tenham coragem e lutem por manter todos os equipamentos fora do quarto. É uma batalha a curto prazo, mas os filhos saírão beneficiados com essa decisão, acredita Gentile. “Para os pais, é muito mais fácil não pôr uma televisão no quarto do que tirá-la”, reconhece.

 

O percentil do seu bebé não está na média? Calma, isso pode não ser um problema

Outubro 2, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 20 de setembro de 2017.

Investigadores portugueses criaram tabelas de percentis adequadas à realidade portuguesa. Objectivo é conseguir diagnósticos mais rigorosos e diminuir angústias dos pais

Mariana Correia Pinto

Se durante os nove meses de gravidez o bebé se afasta da média, se o crescimento ou o peso fetal é baixo, os progenitores ficam “muito angustiados”. A gravidez, nota o investigador Ricardo Santos, “é o único momento em que os pais desejam ter um filho padronizado em vez de especial”. E, às vezes, acumulam preocupações excessivas. Foi também por isso que uma equipa de investigadores do Cintesis (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde) se debruçou na criação de curvas de referência de crescimento fetal e peso à nascença — vulgarmente conhecidas por tabelas de percentis — adaptadas à realidade portuguesa.

O estudo, publicado no European Journal of Obstetrics & Gynecology, vem introduzir três novas curvas de referência: uma para meninos, outra para meninas e uma terceira indiferenciada para os dois géneros. Todas têm em conta as características das mulheres portuguesas. Os médicos de família e obstetras já podem descarregar gratuitamente uma aplicação (disponível apenas para Android) com esses valores. E há também uma outra possibilidade ainda mais personalizada (já lá vamos).

Estas tabelas de percentis são essenciais no acompanhamento das gravidezes. Permitem aos obstetras e médicos de família estimarem o tempo de gravidez, a data prevista do parto e diagnosticarem eventuais problemas de desenvolvimento dos fetos, nomeadamente restrição do crescimento fetal ou macrossomia fetal (excesso de peso). Esta diagnose permite identificar sintomas de doenças na gravidez como a diabetes, a pré-eclampsia, doenças metabólicas ou genéticas.

O problema, sublinha o também obstetra no Hospital de Guimarães Ricardo Santos, é que estas tabelas são excessivamente padronizadas: “Há uma busca por um padrão global que na minha opinião não existe”, disse em conversa telefónica com o PÚBLICO.

É muito fácil uma grávida obter valores que ficam fora da curva e isso “causa-lhe grandes transtornos” — quando muitas vezes nem é um problema. Ricardo Santos exemplifica: uma mulher com 1,90 metros que já vá na terceira gravidez terá sempre uma curva diferente de uma mulher de 1,55 metros, com 45 quilos e mãe pela primeira vez.

O uso das curvas de crescimento fetal é generalizado — e algo “sobrevalorizado”. Sobretudo tendo em conta as “deficiências” de algumas tabelas internacionais utilizadas. Se estas não reflectirem a distribuição da população e as suas características físicas e clínicas podem conduzir os profissionais médicos ao “sobre ou subdiagnóstico de algumas doenças”.

Para conseguir diagnósticos mais exactos — e ajudar a diminuir a angústia dos pais —, a equipa de investigadores do Cintesis recolheu dados de mais de 660 mil nascimentos ocorridos em 22 instituições portuguesas, seleccionando dados de 62 mil recém-nascidos.

A amostra revelou, por exemplo, que o peso médio de um bebé português à nascença pode variar em mais de 150 gramas quando comparado com um recém-nascido do Reino Unido, Irlanda, Nova Zelândia ou Estados Unidos da América. E, por outro lado, se aproxima muito do peso dos bebés espanhóis e franceses.

Há vários factores que influenciam o crescimento fetal: o género (os rapazes são, regra geral, maiores), a etnia, a herança genética, o peso e altura da mãe, as doenças da progenitora, bem como o número de filhos tidos anteriormente, o consumo de álcool ou tabaco (fumar diminui aproximadamente 5% o peso do bebé às nascença). Até a altitude do local onde a mulher vive pode ter influência.

Por isso, “ter curvas de percentis fidedignas é fundamental”, aponta: “Tem de ser algo matematicamente fiável.” Com este estudo, a equipa do Cintesis espera “disseminar a importância destas tabelas” ao mesmo tempo que “desmistifica” o seu uso. “Um percentil de 10 pode não ser preocupante. Tem apenas de pôr a pulga atrás da orelha, deixar os médicos mais vigilantes”, diz.

Depois das curvas clássicas, os investigadores portugueses desenvolveram ainda um software — este não está disponível gratuitamente — que permite aos médicos criarem curvas de percentis de peso fetal e à nascença personalizadas, introduzindo valores de referência de uma grávida em particular.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Development of a birthweight standard and comparison with currently used standards. What is a 10th centile?

 

 

Crianças que veem filmes com armas são mais propensas a usá-las

Outubro 1, 2017 às 5:26 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://oglobo.globo.com/ de 26 de setembro de 2017.

Crianças que assistiram a filmes não indicados para menores de 13 anos contendo armas de fogo birncaram com pistola desativada por mais tempo e puxaram mais vezes o gatilho que aquelas que viram versões editadas dos mesmos filmes sem as armas, de acordo com resultado de pesquisa publicado em artigo da revista científica americana JAMA Pediatrics.

De acordo com os responsáveis pelo experimento, muitas famílias americanas que possuem armas de fogo em casa não as guardam em segurança, e crianças nos Estados Unidos são mais propensas a morrer por um disparo acidental do que aquelas em outros países desenvolvidos. Muitos fatores influenciam o interesse dos pequenos em armas.

O foco da pesquisa realizada por Brad J. Bushman, da Universidade do Estado de Ohio, e de Kelly P. Dillon, da Universidade de Wittenberg, também no estado de Ohio, eram personagens de filmes que utilizavam armas de fogo. O estudo incluiu 104 crianças – 52 pares de irmãos, primos, ou amigos -, entre 8 e 12 anos de idade. Cada dupla foi selecionada aleatoriamente para assisitir a uma edição de 20 minutos dos filmes “The Rockteer” e “A lenda do tesouro perdido” com ou sem armas de fogo. As cenas dos flmes que mostravam armas foram retiradas de uma das versões, mas a ação e a narrativa não foram alteradas.

Depois de assistirem aos filmes, as crianças foram levadas para outra sala, onde podiam escolher qualquer jogo ou brinquedo disponível em um armário para brincar por 20 minutos, com a porta fechada. Uma das gavetas do móvel continha uma pistola calibre 0.38 real, desativada para que não disparasse, mas com martelo e gatilho funcionando.

Das 52 duplas de crianças, 43 (82,7%) acharam a pistola na gaveta; 14 pares (26,9%) informaram ou entregaram a arma a um dos assistentes da pesquisa; e em 22 casos (42,3%) pelo menos uma das crianças manuseou a arma. A versão do filme – contendo ou não armas de fogo – não influenciou o encontro ou manuseio da pistola, segundo os resultados da pesquisa.

No entanto, a média de acionamentos do gatilho entre as crianças que viram o filme que continha armas foi de 2,8, enquanto entre aquelas que viram a versão sem armamento ficou em 0,01. Além disso, o tempo médio gasto segurando a pistola foi de 53,1 segundos entre aqueles expostos às imagens com armas, frente a 11,1 segundos entre as demais. As análises da pesquisa sugerem que crianças que assistiram ao filme com armas também brincaram de forma mais agressiva e, por vezes, apontaram para pessoas antes de apertar o gatilho.

O estudo admite limitações: havia apenas um revólver disponível para todas as crianças e a câmera escondida fixa conseguia gravar toda a sala, mas não a ação de todos os participantes.

“A presente pesquisa busca entender a conexão entre a exposição à violência com armas na mídia e o interesse em brincar com pistolas no mundo real. Nós acreditamos que esses dados são um ponto de partida interessante para debates sobre vários fatores que podem aumentar o interesse de crianças em armas e violência”, conclui o artigo.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Effects of Exposure to Gun Violence in Movies on Children’s Interest in Real Guns

 

 

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