Contacto com germes pode ajudar a prevenir cancro infantil

Junho 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 23 de maio de 2018.

Promover as interações físicas com os outros e com o ambiente circundante, não se preocupar excessivamente com a higiene de uma criança, nem tentar isolá-la de qualquer contacto com germes e bactérias, poderão ajudar a prevenir a leucemia linfoblástica aguda, a forma mais comum de cancro infantil.

Quem o diz é o professor Mel Greaves, do Instituto de Investigação do Cancro, no Reino Unido, um dos principais especialistas da matéria. Num estudo publicado na Nature Reviews Cancer, Greaves compila mais de três décadas de investigação, para sugerir que a tendência para um modo de vida cada vez mais asséptico – característico das sociedades mais desenvolvidas – pode facilitar o aparecimento da doença. Ao contrário, o contacto com determinados micróbios numa fase inicial da vida pode preparar melhor o sistema imunitário para lidar mais tarde contra as infeções.

 

 

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Excesso de atividades extracurriculares pode prejudicar as crianças

Junho 7, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Photo by Bianca Isofache on Unsplash

 

Os malefícios incluem uma menor conexão entre pais e filhos ao tornar a rotina das crianças exaustiva.

Muitos pais desejam que os filhos sejam proativos. Uma criança que realiza diversas atividades, está na maior parte do tempo alerta, e têm menos chances de tornarem-se entediadas ou sedentárias. Os benefícios das atividades extracurriculares são diversos, porém, o excesso delas podem prejudicar a saúde mental das crianças. É o que indica um novo estudo publicado pelo periódico Sport, Education and Society.

Por mais que praticar aulas de música e esportes possa agregar no conhecimento dos filhos, ao envolvermos as crianças em meio a tantas atividades, podemos lhe causar estresse e um menor envolvimento frente às questões familiares, já que os pequenos permanecem menos tempo em casa.

 

Como o estudo foi conduzido

Para o estudo, foram entrevistadas 50 famílias de 12 escolas primárias localizadas na Inglaterra. Descobriu-se que uma grande parte das crianças (88% delas), participavam de atividades extracurriculares de quatro a cinco dias por semana, com 58% praticando mais de uma dessas atividades por dia.

O envolvimento em atividades extracurriculares parece dominar a vida familiar, especialmente para pais com mais de um filho. E consequentemente, as famílias começaram a ter menos tempo para passar com as crianças, além de estarem gastando muito mais dinheiro e energia para garantir estas práticas aos filhos.

Uma das mães entrevistadas para o estudo, alegou que seu filho não conseguia levantar durante as manhãs caso alguma das atividades extracurriculares fossem canceladas. “Ele ficava extremamente triste e sem vontade para realizar outras coisas durante o dia”, disse a mãe em entrevista ao periódico.

 

Conclusões

Após a análise dos dados, os estudiosos apontam que há também uma intensa pressão por parte dos pais e das instituições de ensino para que as crianças tenham uma rotina cheia, que as mantenham ocupadas integralmente.

“Os pais têm boas intenções ao incluir os filhos em diversas atividades. Eles querem que eles absorvam a maior quantidade de conhecimento que puderem, para que possam inteirar-se em diversas áreas”, diz Sharon Wheeler, autor do estudo. “Eles acreditam que tais atividades irão beneficiar as crianças à curto prazo, através da atividade física e do desenvolvimento de grupos de amigos, e à longo prazo, potencializando seus intelectos, tendo em vista a carreira das crianças”, conclui.

“Entretanto, nosso estudo mostra que os resultados podem ser diferentes. Por mais que estes benefícios possam ser atingidos, uma rotina turbulenta e com excesso de atividades causa uma tensão no relacionamento familiar, além de causar danos ao desenvolvimento e bem estar das crianças”, afirma Wheeler.

É necessário buscar o equilíbrio. Os pais não devem se sentir pressionados a colocar os filhos em diversas aulas, sobre variados assuntos. Uma menor quantidade de atividades extracurriculares permite que as crianças possam ter um desenvolvimento da fase infantil de maneira sadia, aproveitando momentos de lazer e afetividade com os pais, o que ocasionará em menos estresse tanto no presente, quanto no futuro delas.

 

Artigo publicado em http://www.minhavida.com.br, em 15 de maio de 2018.

Não deixe a criança no carro, mesmo que esteja à sombra e de vidros abertos

Junho 6, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 24 de maio de 2018.

Vera Novais

Já se sabe que um carro parado ao sol se torna uma autêntica estufa. Se o volante pode ultrapassar os 50ºC, imagine as consequências que pode ter na saúde e vida de uma criança.

Todos os anos, mais do que uma vez, se ouvem relatos de pais que se esqueceram dos filhos dentro dos carros ou os deixaram deliberadamente no interior enquanto iam às compras. Umas das situações mais recentemente noticiada aconteceu nos EUA: um pai esqueceu-se de deixar a criança na creche e seguiu direto para o trabalho. Só quando a mãe chegou à creche no fim do dia se apercebeu que a criança não tinha ido. A criança foi encontrada sem vida, como em muitos casos deste tipo.

Preocupados com este problema, especialmente em dias de calor, uma equipa norte-americana publicou na revista Temperature, esta quarta-feira, um artigo sobre as temperaturas que podem ser atingidas dentro de um carro que seja deixado ao sol durante uma hora. A conclusão é que basta uma hora no carro ao sol para que uma criança sofra uma insolação.

“Nos últimos 18 anos, morreram entre 30 a 60 crianças anualmente, nos Estados Unidos, devido ao calor extremo por terem sido deixadas sem vigilância num carro ao sol”, escrevem os autores no início do artigo. “Com frequência, as crianças são simplesmente esquecidas (54% das mortes) ou estão a brincar nos carros sem vigilância (28%), mas 17% das situações são intencionais.”

É provável que já tenha ficado parado numa fila de trânsito em dias de calor e sentido que nem os vidros abertos ajudam a diminuir o calor que se faz sentir dentro do veículo. Às vezes, nem mesmo os dias enublados ajudam a que o efeito estufa dentro do veículo seja menor. Os autores referem que bastam cinco minutos com uma temperatura ambiente de 30 graus Celsius para a temperatura interior do carro chegar aos 57-68ºC. Se, como adulto, já sente as dificuldades de enfrentar estas temperaturas, imagine as consequências numa criança. Se quer outro exemplo, lembre-se de como é difícil tocar no volante, no manípulo das mudanças ou até sentar-se no banco depois de ter deixado o carro umas horas ao sol.

Comparação das temperaturas a que podem chegar as estruturas no interior de um veículo num dia de sol (em cima) ou enublado (em baixo) quando a temperatura exterior é de 37ºC — Vanos et al. (2018) Temperature

Por oposição aos adultos, as crianças têm uma maior área de exposição (pele) quando comparada com a massa do corpo e também uma maior produção de calor por unidade de massa corporal, o que significa que aquecem e aumentam a temperatura interior mais rapidamente, além de terem mais dificuldade em arrefecer. Como agravantes para a situação de vulnerabilidade das crianças está a dificuldade que têm em comunicar o desconforto que sentem e o facto de, frequentemente, adormecerem durante as viagens.

“Quando se coloca uma pessoa dentro destes carros quentes, elas começam a libertar humidade no ar [pela respiração e transpiração]. Quando há mais humidade no ar, as pessoas têm mais dificuldade em arrefecer através da transpiração porque o suor não evapora tão rapidamente”, ilustra Nancy Selover, co-autora e climatóloga no estado do Arizona.”

Temperaturas interiores de 40ºC para os grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos, e 42ºC para adultos, são as temperaturas limite e estão relacionadas com os problemas de saúde verificados em situações de calor extremo. A investigação mostrou que os carros estacionados à sombra e ao sol (num dia de verão no Arizona) podiam chegar aos 39,5ºC e 47,6ºC, respetivamente. Isto significa que uma criança de dois anos deixada no interior do carro poderia subir a sua temperatura interior para 38,2ºC e 39,1ºC, respetivamente, ao fim de uma hora. [De lembrar que a temperatura interior normal é 36-37,5ºC.] É fácil perceber que ao fim de duas horas já haveria consequências muito graves para a saúde.

“Esperamos que estes resultados possam ser usados para aumentar a sensibilização e prevenção da insolação pediátrica em veículos e a criação e adoção de tecnologia dentro dos veículos para alertar os pais das crianças que ficaram esquecidas”, disse Jennifer Vanos, investigadora na Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia (San Diego) e primeira autora do artigo.

 

Adição digital: estudo comprova ligação entre uso excessivo de dispositivos digitais e depressão

Junho 2, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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moodsapo

Notícia e fotografia do moodsapo de 22 de maio de 2018.

As ligações entre uso excessivo da tecnologia e o desenvolvimento de problemas de saúde mental são cada vez mais faladas. Uma nova pesquisa realizada nos EUA veio comprovar esta ligação e ainda estabelecer uma relação causal entre o posicionamento do corpo, a energia e o humor da população que usa excessivamente os dispositivos digitais.

Já se sabe que os tablets, smartphones e outros gadgets digitais tomaram conta do dia-a-dia da população. E também já se sabe que essa ‘normalidade’ não traz benefícios à saúde, muito pelo contrário. Mas um novo estudo levado a cabo pela Universidade de São Francisco, nos EUA, veio agora comprovar que realmente «existe uma forte ligação entre a adição digital, especialmente no uso compulsivo do telemóvel, e a ansiedade e depressão».

A recente investigação contou com a participação de dois grupos de estudantes universitários, na qual se observou que vários indivíduos dos dois grupos, dentro e fora das aulas, estavam constantemente com a cabeça inclinada para baixo a fazer scroll nos seus telemóveis, em vez de estarem a conviver com as pessoas que os rodeavam. Este facto levou os investigadores a uma conclusão: o grupo que mais utilizou o telemóvel reportou um maior nível de solidão, ansiedade e depressão do que o grupo que menos o usou. «Para a preservação da saúde mental, é necessária a comunicação humana, porque é assim que aprendemos a modular os nossos estados de humor», esclarece Erik Pepper, investigador e professor no Instituto de Estudos de Saúde Holística da Universidade de São Francisco.

O investigador explica que as mensagens de texto e emails são formas de comunicação digital assíncronas, ou seja, são comunicações transmitidas de forma intermitente. Através desse tipo de comunicação, as pessoas não veem com quem estão a falar, logo não podem aperceber-se de sinais não-verbais, como a linguagem corporal ou vocal, entoação, etc., «razão pela qual não é possível medir o impacto emocional do seu discurso», elucida Erik Peper, o que pode originar uma errada interpretação da mensagem enviada. Além disso, o nível de profundidade dessas comunicações tende a ser mais superficial.

Durante as últimas três décadas, o investigador e professor da Universidade de São Francisco Erik Pepper afirma notar uma grande diferença comportamental nos estudantes. Antes do boom tecnológico, a maioria dos jovens estabelecia «contacto visual, falando entre si à medida que desciam os corredores nas pausas entre as aulas. Hoje em dia, é mais provável vê-los encostados a uma parede enquanto mexem nos seus smartphones ou tablets», conta. «Estão na sua própria bolha digital», frisa, acrescentando que se não se criar intimidade através da comunicação com os outros, irá criar-se um clima de isolamento e, consequentemente, o início de uma depressão. Além disso, a comunicação não-satisfatória não é a única forma pela qual os aparelhos eletrónicos afetam a saúde mental.

Os autores do estudo Erik Pepper e Richard Harvey foram mais longe, tentando estabelecer uma relação causal entre o posicionamento do corpo, a energia e o humor da população objeto de estudo. «Quando uma pessoa está deprimida e sem esperança, tende a adotar uma postura mais curvada», explicam. Se esse indivíduo «já tiver histórico de depressão, estados de pessimismo, ansiedade ou medo, ao colocar o corpo nesta posição está a evocar esses mesmos estados de espírito», prosseguem. Mas, assim que corrigem a postura, irão sentir-se menos deprimidos, mesmo que nenhum outro fator seja alterado.

Para além de serem parte integrante no aparecimento de sintomas de doenças do foro mental, os dispositivos móveis também dificultam o ato de adormecer devido à luz azul emitida pelos ecrãs, fator este que também «contribui para um maior desenvolvimento de doenças», sejam estas de foro psíquico ou físico, acrescenta Erik Pepper.

Também a estimulação dos conteúdos visualizados pode privar os cidadãos de um sono tranquilo e regenerador. «Nas redes socais, as pessoas tendem a ficar emocionalmente mais ativas, ao responder em várias frentes, mantendo-se assim mais acordados e com uma maior perda de sono», explica, acrescentando que não é por acaso que muitos dos alunos alvos de estudo se encontrem numa situação crónica de privação de sono. Quanto mais tempo gastar a consumir media, digital ou não, menos tempo gasta para se manter ativo, sendo por isso «o melhor tratamento para o combate à depressão, o movimento e o exercício», diz.
Assim sendo, como sabe se está dependente do seu smatphone? «Coloque o telemóvel longe do seu alcance e tente, durante alguns dias, não o usar», sugere o especialista. De acordo com os investigadores, se ficar agitado e começar a sentir que é impossível não ir verificar as redes sociais e emails, então poderá estar com um problema de dependência digital. Veja na galeria, no início do artigo, seis formas de controlar a obsessão pelo mundo digital, segundo estes especialistas.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Digital Addiction: Increased Loneliness, Anxiety, and Depression

 

Mais de metade dos jovens sente tristeza, irritação ou medo pelo menos uma vez por semana

Maio 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Tina Markova on Unsplash

Notícia do Expresso de 15 de maio de 2018.

Mais de 54% dos jovens entre os 14 e os 24 anos apresentam sintomas psicológicos como tristeza, nervosismo, problemas de sono, irritação e medo pelo menos uma vez por semana, o que influi negativamente na perceção global do estado de saúde.

As conclusões são de um estudo observacional transversal realizado por investigadores do Cintesis – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, a que a Lusa teve esta terça-feira acesso.

Com uma amostra composta por 746 adolescentes e jovens, o estudo foi publicado na obra “Qualidade de vida e saúde em uma perspetiva interdisciplinar” e tinha por objetivo caracterizar as perceções juvenis acerca da sua própria saúde e as experiências de ocupação dos tempos livres, fora do contexto académico ou laboral.

De acordo com este trabalho, assinado por Paula Rocha, Carlos Franclim e Paulo Santos, a sintomatologia psicológica era “significativamente maior” no género feminino, que também é o que perceciona pior o seu estado de saúde.

Nas jovens, o nervosismo é um dos sintomas mais referidos, seguindo-se a irritação e os problemas de sono.

Os autores defendem que “a diferença de género na perceção do estado de saúde e nos sintomas reforça a necessidade de intervenções e abordagens distintas entre os géneros”.

O estudo aponta também para a existência de uma correlação positiva e significativa entre a satisfação com a ocupação dos tempos livres e a perceção favorável do seu estado de saúde, sendo que os jovens mais satisfeitos são os que aproveitam os tempos livres para conviver com familiares e com amigos.

Para os investigadores, esta associação “justifica a inclusão sistemática da avaliação da dimensão ‘atividades’ nas consultas de seguimento de saúde dos adolescentes e jovens”.

Entre as atividades de ocupação regular dos tempos livres (pelo menos uma vez por semana), a música e a internet ocupam os lugares cimeiros, enquanto atividades como o voluntariado ou a participação associativa são menos comuns, mostrando que esta é “uma juventude mais individual na sua forma de passar os tempos livres, o que implica atualizar a compreensão sobre as causas deste movimento e as suas consequências”, consideram.

Os autores salientam a necessidade de ajustar as respostas existentes, nomeadamente o formato dos tempos escolares e laborais, bem como as estratégias de promoção de saúde e de estilos de vida saudáveis às “especificidades dos contextos e das gerações”.

O Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde é uma Unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D) cuja missão é encontrar respostas e soluções, no curto prazo, para problemas de saúde concretos, sem nunca perder de vista a relação custo/eficácia.

Sediado na Universidade do Porto, o Cintesis beneficia da colaboração das Universidades Nova de Lisboa, Aveiro, Algarve e Madeira, bem como da Escola Superior de Enfermagem do Porto. No total, o centro agrega cerca de 500 investigadores e conta com sete spin-offs.

mais informações no link:

http://cintesis.eu/pt/sintomas-psicologicos-influenciam-percecao-do-estado-de-saude-nos-jovens-e-adolescentes/

Escolas do 2.º ciclo em Lisboa e no Porto são as mais desiguais entre si

Maio 26, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 2 de maio de 2018.

Assimetrias dentro dos territórios e a selecção diferenciada por parte dos pais ajudam a explicar desigualdades no perfil socioeconómico das escolas. Conclusões são de um estudo da Direcção-Geral das Estatísticas da Educação e da Ciência publicado na terça-feira.

RITA MARQUES COSTA

Em seis das 34 escolas públicas do 2.º ciclo que existem em Lisboa, pelo menos dois terços dos alunos beneficiam do apoio da Acção Social Escolar (ASE). Em nove, só um terço ou menos recebe essa ajuda. No Porto, o fenómeno é semelhante. Entre as 19 escolas do 2.º ciclo do concelho, há sete onde os alunos com ASE ultrapassam os 70% e três onde não chegam aos 20%. Os números referem-se ao ano lectivo de 2015/2016 e são apresentados num estudo sobre as assimetrias no contexto socioeconómico entre escolas públicas do 2.º ciclo, publicado divulgado recentemente pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência (DGEEC), do Ministério da Educação.

Além de Lisboa e Porto, que são os exemplos “mais fortes” deste fenómeno, o estudo aponta Portimão, Almada, Oeiras, Estarreja e Alcanena como territórios onde se encontram “assimetrias vincadas”. Já Vila do Conde é apresentada como um concelho onde há uma distribuição “mais homogénea” dos alunos e onde “o ponto de partida social parece ser semelhante”, uma vez que os contextos são “comparáveis”.

“Não é tarefa difícil, em Portugal, encontrar escolas muito próximas geograficamente mas muito distantes socialmente”, lê-se no trabalho da DGEEC. Mas porque é que isto acontece? “Mesmo em concelhos de reduzida dimensão geográfica, podemos encontrar fortes assimetrias entre escolas, estando estas diferenças de contexto geralmente associadas a elevados níveis de segregação residencial no concelho.”

Outra das razões apontadas tem a ver com a selecção diferenciada das escolas pelos pais. Nas zonas de maior densidade geográfica de escolas, os pais têm maior facilidade em escolher uma que não seja a que está mais perto da sua área de residência. Mas acontece, diz a DGEEC, que “normalmente” quem usa essa possibilidade são os pais com níveis socioeconómicos mais elevados, que procuram “para os seus filhos escolas de ‘boa reputação’, frequentadas por alunos de níveis socioeconómicos igualmente elevados, o que potencia a concentração destes alunos em certas escolas, acompanhada da sua quase ausência noutras”.

Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Educação reforça, em respostas por escrito, a ideia de que “há uma projecção dos contextos socioeconómicos dos territórios na população escolar”. Além disso, há “práticas que podem não promover a heterogeneidade dentro do mesmo agrupamento” como, por exemplo, a má distribuição dos alunos dentro do agrupamento.

É isto que o despacho publicado recentemente sobre as novas regras das matrículas “procura mitigar”, diz o ministério, “dando prioridade aos alunos com ASE, privilegiando-os e reconhecendo a importância de se promover maior heterogeneidade na população escolar”.

Também Ricardo Robles, vereador da Câmara de Lisboa responsável pelas áreas da educação e direitos sociais, explica que estas desigualdades reflectem as “assimetrias na cidade”. E que é responsabilidade do município “percebê-las para contrariar a exclusão”.

Quanto aos impactos desta segregação, a DGEEC conclui que “é potencialmente uma das causas das diferenças de resultados escolares entre os alunos oriundos de estratos diferentes” e “será indutora de percepções mais limitadas, de círculos sociais mais estanques, de menor mobilidade social e, para o futuro, de menores níveis de coesão social no país”.

O presidente da Confederação Nacional Associações de Pais, Jorge Ascensão, não se admira com estes dados. Criou-se uma ideia, diz, sobre o que é a boa e a má escola e “associam-se as más às famílias que recebem a Acção Social Escolar”, mas isto “não é bem verdade”. E acrescenta: Os pais “vão atrás dos bons resultados das escolas” e daquelas que “lhes transmitem mais segurança”.

Para Filinto Lima, professor e presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, a decisão de dar prioridade aos alunos de contextos desfavorecidos na hora de fazer as matrículas é um “primeiro passo para diminuir o fosso entre algumas escolas” e promover uma escola pública mais “heterogénea”. Mas frisa também que é preciso “investir mais nessas escolas [de contextos mais desfavorecidos]” apostando em recursos humanos e físicos que satisfaçam as necessidades das crianças que ali aprendem .

Lisboa, Porto e Beja são os distritos mais desiguais internamente. Para avaliar o grau de heterogeneidade entre as escolas de cada distrito, a DGEEC criou um indicador que faz a média entre todos os pares possíveis de escolas existentes num dado distrito e depois calcula a média desses valores.

A diferença é maior em Lisboa. É aqui que, em média, qualquer par de escolas vai ter uma diferença de 17 pontos percentuais em relação à percentagem de ASE. O Porto (16,2) e Beja (15,9) completam os três primeiros lugares. Os distritos onde as escolas são mais homogéneas entre si são Santarém (8,1), Bragança (9,3) e Portalegre (10,4).

A DGEEC conclui ainda que uma maior ou menor percentagem de alunos beneficiários de ASE não é determinante para as diferenças entre as escolas de um distrito.

 

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Assimetrias de contexto socioeconómico entre escolas públicas – 2.º ciclo, 2015/16

 

 

Os efeitos negativos da exposição precoce aos ecrãs nas crianças

Maio 19, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Kelly Sikkema on Unsplash

Notícia do Lifestylesapo de 8 de maio de 2018.

Ver televisão é um passatempo muito comum nas crianças mais pequenas. A excessiva exposição pode influenciar negativamente a saúde física e mental, revela um estudo.

As principais conclusões de um estudo da Universidade de Montreal, no Canadá, indicam que ver muita televisão precocemente (aos 2 anos de idade) está associado a riscos subsequentes na adolescência, como vir a ser obesa no futuro, ter hábitos alimentares pouco saudáveis e risco de “saltar” o pequeno-almoço, assim como ter problemas de socialização na escola.

O estudo da Universidade de Montreal foi realizado a cerca de duas mil crianças, nascidas entre 1997 e 1998. Os investigadores seguiram estas crianças desde os 5 meses de idade até completarem 13 anos. Quando fizeram 2 anos, os pais também foram revelando a quantidade de horas que passavam em frente à televisão.

As conclusões do estudo referem que a cada 1h13m que era adicionada ao tempo diário de ver televisão quando as crianças eram pequenas, estava associado a um aumento de 8% no risco de hábitos alimentares não saudáveis, 10% de deixar de tomar o pequeno-almoço aos fins de semana e uma diminuição de 4,7% na socialização na escola, já na adolescência.

As crianças que foram objeto deste estudo tornaram-se adolescentes com hábitos pouco saudáveis, como consumirem mais comida designada de “junk food” e registaram um maior índice de massa corporal.

Os hábitos de vida não afetam apenas o risco metabólico, mas também podem influenciar os resultados pessoais de sucesso, alerta ainda o estudo.

A ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA RECOMENDA:

– Para crianças dos 2 aos 5 anos, a recomendação dita uma hora por dia para programas televisivos com conteúdos de qualidade e adequados à idade da criança, e sempre com supervisão dos pais.

– Os pais de crianças de 6 anos devem impor limites sobre o tipo de conteúdos aos quais podem ter acesso e por quanto tempo, e garantir ainda que a tecnologia não interfe com as atividades físicas e qualidade do sono.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Prospective associations between toddler televiewing and subsequent lifestyle habits in adolescence

 

Maus hábitos de sono aumentam risco de obesidade nos rapazes

Maio 2, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e fotografia do https://ionline.sapo.pt/ de 16 de abril de 2018.

Estudo da Universidade de Coimbra conclui que crianças do sexo masculino com hábitos de sono irregulares têm 128% mais probabilidade de obesidade.

Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra chegaram à conclusão que os maus hábitos de sono representam “risco muito elevado de obesidade” nas crianças de sexo masculino.

O estudo contou com a participação de 8.273 crianças entre os seis e os nove anos (sendo 4.183 de sexo feminino) e, baseando-se nas recomendações da Academia Americana de Pediatria (2016) que estabelece que a duração indicada de sono para as crianças deve ser entre nove e 12 horas, teve como objetivo analisar “a relação entre os hábitos de sono irregulares” – quer por escassez ou excesso – e “o risco de excesso de peso e obesidade na população pediátrica”.

Na investigação foi também tido em conta a “atividade física e os comportamentos sedentários (por exemplo, o tempo passado a ver televisão ou a jogar no computador) através de questionários preenchidos pelos pais”, explica uma nota enviada pela Universidade de Coimbra à Lusa. O estudo foi publicado no American Journal of Humam Biology.

As conclusões ditam que “os rapazes que apresentavam hábitos de sono irregulares para a sua idade, isto é, quer abaixo das nove horas por noite, quer acima das 12 horas por noite, durante a semana têm 128% probabilidade de serem classificados como crianças com excesso de peso comparativamente com aqueles que dormiam as horas recomendadas”, explica o investigador Aristides Machado-Rodrigues.

Para as raparigas, cujos resultados foram analisados à parte, “não houve associações significativas entre a duração do sono e o risco de obesidade, nem nos dias da semana nem durante o fim de semana”, refere ainda o investigador que destaca “o cumprimento dos hábitos de sono recomendados na infância” como “um aspeto crucial da saúde cognitiva e do desenvolvimento harmonioso das crianças”.

“Os pais devem reforçar as regras familiares da ‘hora de deitar’ das crianças para que estas possam ter o tempo de sono diário recomendado para a saúde”, alerta Aristides Machado-Rodrigues e lembra que “a literatura sustenta, de forma inequívoca, que a privação do sono, especialmente em idades pediátricas, está associada a problemas de saúde aumentados, não só de índole cognitivo, mas especialmente relacionados com a diminuição da tolerância à glicose, o qual é um fator de risco para a obesidade”.

“Na atualidade, e de forma muito pragmática, não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação para os comportamentos sedentários de ecrã, vulgo tablets, telemóveis e computadores, que as crianças e jovens perpetuam pela noite dentro, comprometendo as horas de sono recomendadas, muitas vezes fechados no quarto e sem conhecimento dos pais”, acrescenta.

Apesar das várias medidas que têm sido adotadas para o combate à obesidade, “os hábitos de sono são os que têm merecido menor atenção comparativamente a outros comportamentos do quotidiano, como a atividade física, os hábitos nutricionais ou ainda o sedentarismo”, pode ainda ler-se na nota enviada pela Universidade de Coimbra.

Este estudo está incluído numa investigação mais ampla sobre a Prevalência da obesidade na infância em Portugal, sob a coordenação de Cristina Padez e com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The association of irregular sleep habits with the risk of being overweight/obese in a sample of Portuguese children aged 6–9 years

 

 

 

Brinquedos de banho usados por crianças são paraíso para bactérias

Abril 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.noticiasaominuto.com/ de 28 de março de 2018.

POR LILIANA LOPES MONTEIRO

Segundo um estudo do Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática, a Universidade ETH de Zurique e a Universidade do Illinois, nos EUA, podem ser encontrados bactérias potencialmente patogénicas, como a legionela e a pseudomonas aeruginosa, em alguns destes brinquedos. Micróbios esses que estão muitas vezes relacionados com infeções hospitalares.

“Detetamos grandes diferenças entre vários brinquedos. Uma das razões é o material, que pode libertar carbono, e que serve de alimento para as bactérias”, explica a coordenadora da investigação Lisa Neu.

No estudo publicado no periódico Biofilms and Microbiomes, os cientistas indicam que detetaram 75 milhões de células por centímetro quadrado, incluindo bactérias e fungos, em alguns dos brinquedos.

A má qualidade dos plásticos propencia o crescimento das bactérias. Durante o banho, elementos como o nitrogénio e bactérias provenientes do suor e da urina acumulam-se ainda no interior dos brinquedos. O que faz com que a água que sai desses objetos se torne tóxica e provoque infeções.

“Por um lado pode fortalecer o sistema imunitário, o que é positivo, mas também pode resultar em infeções nos olhos, ouvidos ou até no sistema gastrointestinal”, alerta o investigador Frederik Hammes.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Ugly ducklings—the dark side of plastic materials in contact with potable water

O que separa as crianças ricas das pobres? 35 milhões de palavras

Abril 26, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://observador.pt/ de 10 de abril de 2018.

Crianças com maior nível socioeconómico ouvem 48 milhões de palavras, em média, enquanto as que vivem em famílias mais humildes ouvem apenas 13 milhões.

A diferença entre as classes sociais influencia a capacidade intelectual de cada um. De acordo com o estudo “Diferenças significativas na experiência diária das crianças”, as crianças cujas famílias têm mais possibilidades económicas ouvem, em média 35 milhões de palavras a mais do que as crianças que crescem no seio de famílias humildes.

O estudo encontrou uma realidade preocupante: as crianças com mais posses a nível monetário ouviram, aos quatro anos, uma média de 48 milhões de palavras enquanto que os outros meninos da mesma idade ouviram apenas 13 milhões.

Os autores daquele que ficou conhecido como “A Catástrofe Precoce”, Betty Hart e Todd Riesly, analisaram 126 famílias durante quatro anos. Com a ajuda de vários alunos, que passaram uma hora a cada 15 dias com as famílias, conseguiram fazer a contagem do número de palavras que os pais diziam aos filhos pequenos.

Segundo Hart e Riesley, todos os pais agiram de forma correta. Contudo apresentaram algumas diferenças. Durante estas observações, os investigadores conseguiram perceber que os pais com mais posses incitavam as crianças a desenvolver as suas capacidades, utilizando uma maior variedade de palavras. Por sua vez, os pais com mais dificuldades a nível financeiro utilizavam um conjunto de palavras que faziam parte de um campo mais limitado.

A pedagoga Ana Roa disse ao jornal El Mundo que “a aprendizagem da linguagem é constantemente influenciada pela capacidade e pela experiência dos que nos rodeiam”. Contudo, o ambiente não é apenas crucial no desenvolvimento da linguagem. O estudo revela que também o QI (Quoficiente de Inteligência) das crianças é substancialmente diferente entre estratos sociais. Em média, crianças de famílias com menos posses apresentaram um QI de 75, enquanto as outras tinham um QI de 119.

Estas conclusões levam os investigadores a falar sobre um “círculo contínuo de desigualdade económica”.

 

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