Jovens com sintomas depressivos envolvem-se em lutas mais frequentemente, diz estudo

Abril 25, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia do http://24.sapo.pt/ de 11 de abril de 2017.

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da UPorto (ISPUP) concluiu que sintomas depressivos como a tristeza, o cansaço, a irritabilidade e os sentimentos de culpa levam a que os jovens se envolvam com mais frequência em lutas físicas.

“À primeira vista, esta relação parece paradoxal porque as componentes da depressão incluem a autoculpabilização e o cansaço e, portanto, parte-se do princípio de que a pessoa estará demasiado apática para a agressão”, explicou a investigadora do ISPUP Sílvia Fraga.

Contudo, segundo indica, existem outros fatores associados aos comportamentos agressivos que estão também presentes em casos de depressão, como a irritabilidade.

Neste projeto, desenvolvido pela Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP, foram avaliados 1.380 jovens (743 raparigas e 637 rapazes), nascidos em 1990, a frequentar escolas públicas e privadas do Porto.

As avaliações deram-se em dois momentos, quando os jovens tinham 13 e 17 anos, tendo sido analisado o nível dos sintomas associados à depressão dos adolescentes nestes dois períodos e o envolvimento em lutas físicas somente no segundo.

As conclusões deste trabalho, no qual participaram também os investigadores do ISPUP Elisabete Ramos e Henrique Barros, mostram que os rapazes se envolviam mais frequentemente em comportamentos violentos aos 17 anos de idade quando apresentavam sintomas depressivos relevantes nos dois momentos da avaliação.

Já nas raparigas, verificou-se que as agressões eram mais frequentes entre aquelas que tinham sintomas de depressão aos 17 anos de idade, independentemente de possuírem, ou não, estes sintomas na avaliação anterior.

Nos rapazes, “é necessário que estes sentimentos estejam presentes há mais tempo” para que “os exteriorizem ou reajam, envolvendo-se em lutas físicas. Nas raparigas não encontramos esta relação, talvez porque lidam com a persistência destes sentimentos de outra forma”, referiu Sílvia Fraga.

“Tanto a depressão como a violência são dois fatores que merecem toda a atenção, especialmente entre os mais jovens”, indicou a investigadora, acrescentando que “o envolvimento em lutas é um comportamento frequente nas escolas e, por isso, muitas vezes ignorado”.

Para a especialista, a saúde mental dos adolescentes e o envolvimento em comportamentos violentos são questões prioritárias na área da Saúde Pública e estes resultados chamam a atenção para a necessidade de se estar atento a comportamentos agressivos em contexto escolar, pois podem representar um primeiro indicador de alterações que frequentemente não ser percebidas.

Fizeram parte deste estudo adolescentes nascidos em 1990 e recrutados em 2003 para o projeto EPITeen, que tem como objetivo acompanhá-los até à fase adulta, avaliando-os de quatro em quatro anos.

Deste projeto, no qual esteve também envolvida a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), resultou o artigo “Depressive Symptoms and Involvement in Physical Fighting among Portuguese Adolescents” (“Sintomas Depressivos e Envolvimento em Combate Físico entre Adolescentes Portugueses”), publicado recentemente na revista “Health & Social Work”.

 

 

Depressão infantil: tanta tristeza para um filho tão pequeno

Abril 21, 2017 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/

A depressão nas crianças e jovens é uma realidade bem diferente da oscilação diária de emoções que fazem parte do desenvolvimento infantil. Não é porque uma criança está triste que tem necessariamente de estar deprimida. Mas também não devemos desvalorizar estados emocionais negativos só porque são crianças e não têm, por isso, «razões» para estarem deprimidas. Como se tivessem de existir razões para estar deprimido…

A diferença entre uma depressão e os sentimentos de emoções negativas (normativos) está na duração e na intensidade dos sintomas. Os estudos indicam que crianças com progenitores com história de depressão têm maior predisposição para desenvolver a patologia.

A família não tem apenas o peso genético, tem também o peso psicoemocional. A presença de sentimentos de angústia excessiva, medos e negligência no ambiente familiar pode contribuir como fator de risco para a depressão infantil.

Mas há fatores psicológicos – nomeadamente situações traumáticas ou até fatores ambientais relacionados com condições de vida (pobreza, por exemplo) – que podem contribuir para o aparecimento da depressão.

O diagnóstico de depressão infantil é algumas vezes confundido com outras perturbações do desenvolvimento. Associadas a este diagnóstico surgem algumas comorbilidades (perturbação de hiperatividade e défice de atenção, perturbação de oposição e desafio, comportamentos de autoagressão, dificuldades de aprendizagem), o que o torna ainda mais difícil de ser corretamente formulado.

A boa notícia é que, quando diagnosticada atempadamente e devidamente intervencionada por uma equipa multidisciplinar (médico, psicólogo, família, professores), é possível uma boa recuperação, quer em termos emocionais quer em termos sociais, cognitivos e comportamentais.

Ainda que o tema da depressão nas crianças seja cada vez mais debatido, diferenciado e estudado, existe um longo caminho por desbravar. Culturalmente é difícil aceitar que uma criança possa estar deprimida, por isso este diagnóstico é muitas vezes protelado ou subestimado.

Ter um diagnóstico e o acompanhamento adequado foi essencial para a Maria poder regressar à escola e mudar a forma como se sentia. A mudança não aconteceu de um dia para o outro, mas foi profunda.

Estas são palavras da Maria (nome fictício), que esteve dois anos em recusa escolar:

«Entrei num mundo chamado depressão. Tudo começou aos 12 anos, era uma menina normal, feliz, rodeada de amigos… Tudo isso foi desaparecendo. Fechei-me em casa, não conseguia conviver com as pessoas como antes, não frequentava mais a escola pois a sensação de poder entrar e viver o mesmo que as outras crianças viviam era aterrador.»

«Sentia-me triste 24 horas em cada dia que passava, não gostava mais da minha família, não me importava mais com nada nem comigo mesma. Era eu e a depressão. Via todos aqueles que estavam comigo a afastar-se, não tinha mais planos para o dia de amanhã. Basicamente ficava à espera que me libertasse da tristeza quando ela quisesse ir embora.»

«Aprendi a valorizar-me, a ganhar esperança, lidar com todos os problemas que poderiam surgir na minha vida adiante. Consegui ultrapassar tudo e sei que sempre que precisar posso contar sempre com o apoio da minha psicóloga. Hoje posso dizer que sou outra Maria, encontrei um rumo, voltei à escola, já tenho amigas que gostam de mim por aquilo que sou e encontro-me feliz.»

*Parceria NM/CADIn (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil). Júlia Vinhas é psicóloga, especialista em psicologia clínica e da saúde no CADIn.

SINTOMAS A QUE OS PAIS DEVERÃO ESTAR ATENTOS

 

  1. Adolescência
  • Manifestações mais próximas do adulto (humor deprimido, perda de energia, desinteresse, sentimentos de desesperança e/ou culpa, alterações do sono isolamento, baixa autoestima, ideias suicidas)
  • Comportamentos de risco
  •  Agressividade consigo e com os outros
  •  Não ter um projeto de vida
  • Pouco interesse pela escola
  1. Dos 6 aos 12 anos
  • Ter um aspeto triste, chorar facilmente
  • Queixar-se de falta de energia – dores de barriga e cabeça, perda de força nos membros
  • Perder o interesse por atividades de que antes gostava (desportos, jogos)
  •  Demonstrar sentimentos de incompetência, negativos, de desvalorização, falta de confiança e baixa   autoestima («não sei», «não sou capaz», «não consigo», «ninguém gosta de mim»)
  • Medos frequentes e injustificados
  1. Até aos 6 anos
  • Perder o interesse por atividades lúdicas
  •  Ficar ansioso com a separação dos pais
  •  Não brincar com outras crianças ou evitar o contacto
  •  Fazer chichi na cama (quando já era autónomo)
  •  Ter frequentes acessos de raiva/choro ou comportamentos de oposição
  •   Mudar os padrões habituais de sono ou apetite
  •  Queixar-se de dores sem haver uma razão

 

XXVIII Encontro Nacional da APPIA “Fazer Bem Olhando a Quem – Boas Práticas em Saúde Mental Infanto-Juvenil” 17 a 20 de Maio, em Viana do Castelo

Abril 1, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

mais informações:

http://appia.com.pt/

Como os irmãos influenciam e moldam aquilo que somos

Janeiro 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , ,

Texto da http://visao.sapo.pt/ de 17 de janeiro de 2017.

jose-caria

O poder de influência dos nossos irmãos sobre nós próprios é enorme: podem interferir na nossa personalidade, na nossa saúde, no nosso peso e podem, até, ser um pilar para um casamento futuro

Os irmãos são autênticos companheiros de brincadeiras e aventuras, mas com certeza não será preciso muito esforço mental para se lembrar de alguns momentos onde percebeu que não havia alguém com maior capacidade no mundo para o tirar do sério.

Com ou sem exageros, a verdade é que os irmãos partilham connosco um vínculo que vai muito além da ligação de sangue. É com eles que passamos uma grande e importante parte da nossa vida – a infância. Portanto, é natural que tenham um impacto considerável na nossa formação enquanto pessoas. Aqui ficam seis formas através das quais os irmãos influenciam e moldam aquilo que nos tornamos.

1. Podem influenciar o seu peso

Principalmente se for o filho ou um dos filhos mais novos. Um estudo de 2014 publicado no American Journal of Preventive Medicine revelou que, quanto ao risco de obesidade, os irmãos podem ter uma influência maior do que os próprios pais.

Esta descoberta surpreendeu muito os investigadores. “Eu fui para este estudo à espera que, dado o grande papel dos pais nas vidas dos filhos, a obesidade parental tivesse uma associação mais forte do que a obesidade dos irmãos; mas estava errado”, disse Mark Pachucki, um dos autores do estudo, à Harvard Gazette.

Através do estudo de cerca de 2000 pessoas, os investigadores conseguiram perceber que, no caso de famílias com apenas um filho, o facto de um dos pais ser obeso duplicava o risco do filho se tornar obeso. Em famílias de dois filhos, ter um irmão obeso aumentava foi associado a um risco mais de cinco vezes maior de vir a ser obeso, do que foi se o irmão não for obeso. E, se estivermos a falar de irmãos do mesmo sexo, o risco ainda é maior.

2. Moldam o seu caráter

Não sendo consensual, para muitos investigadores a ordem de nascimentos – isto é, se somos o primeiro, o último ou o, ou um dos filhos do meio – tem influência na personalidade: os mais velhos tendem a ser mais inteligentes, os dos meio a ser mais preocupados e os mais novos a correr mais riscos.

No entanto, a personalidade dos nossos irmãos pode ajudar a moldar a nossa própria personalidade, mas talvez não da forma que imagina. Alguns académicos acreditam que a influência se dá através da desidentificação. Através deste processo, “os irmãos desenvolvem atributos distintos e envolvem-se em atividades e comportamentos diferentes, no sentido de estabelecerem identidade únicas dentro da família”, explicam os autores de um estudo de 2007. Desta forma, segundo a teoria, se temos um irmão muito extrovertido e brincalhão, tendemos a ser mais introvertidos e envergonhados.

3. São os primeiros professores que temos

Aqui quem sai a ganhar, normalmente, são os irmãos mais novos. Um estudo de 2014, publicado no Pediatrics Journal, analisou o vocabulário de 385 crianças e dos seus irmãos mais velhos, com proximidade etária.

Os resultados revelaram que, em famílias numerosas, onde a atenção individual por parte dos pais tende a ser menor, os irmãos mais novos beneficiavam, em termos de vocabulário, por terem um irmão mais velho sensível ao ponto de os querer ensinar.

4. Podem ser importantes para o seu casamento

Parece algo estranho ou, pelo menos, curioso. Mas um estudo de 2013, da Universidade de Ohio, descobriu que, por cada irmão que temos, a probabilidade de divórcio diminuía dois por cento.

Os investigadores recolheram informações de cerca de 57 mil americanos, durante um período de 40 anos – entre 1972 e 2012. Esta proteção contra o divórcio foi sentida tanto no início do estudo, como no final.

O estudo não apresentou explicações para este poder protetor, mas um dos autores do estudo, Doug Downey, acredita que os resultados se podem relacionar com a aprendizagem própria da relação entre irmão. “Ao crescer numa família com irmãos, desenvolvem-se um conjunto de capacidades de negociação de interação positivas. Tem de se considerar os pontos de vista do outro, e aprender a falar sobre os problemas. Quantos mais irmãos tem, maior é a probabilidade de ter posto em prática estas capacidades”, referiu o investigador.

5. Aumentam a probabilidade de ter depressão

Nem tudo é bom. Se tem irmãos, sabe que as discussões são algo natural. O problema não são as discussões em si, mas sim o assunto que promove a discussão.

Uma investigação conduzida em 2012, por investigadores da Universidade do Missouri, revelou que, dentro da amostra, os irmãos que discutiam normalmente sobre questões de igualdade e justiça, tinham maior probabilidade de vir a ter sintomas de depressão um ano depois. Se o assunto de discussão tivesse a ver com espaço, os problemas futuros estariam relacionados com ansiedade e baixa autoestima.

6. Tornam-no mais feliz

No entanto, se falarmos de relações próximas, calorosas e com poucas discussões, ter um irmão pode fazer com que se sinta menos só, menos depressivo e com um autoestima mais elevada.

É a esta conclusão que chega o estudo publicado em 2005, pelo Journal of Social and Personal Relationships, através do análise de dados recolhidos de 247 participantes. De acordo com o estudo, o apoio entre irmãos tem um poder significativo, podendo compensar alguma falta de apoio dos pais ou de amigos. Avidan Milevsky, autor do estudo, diz mesmo que esta relação, por todas as suas particularidades, deve ser tida em elevada consideração pelos psicólogos ou terapeutas, principalmente em questões de terapia familiar.

 

Filhos perfeitos, crianças tristes: a pressão da exigência

Setembro 20, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto do site http://www.contioutra.com/ de 7 de setembro de 2016.

contioutra

Os filhos perfeitos nem sempre sabem sorrir, nem conhecem o som da felicidade: temem cometer erros e nunca alcançam as elevadas expectativas que os seus pais têm. A sua educação não está baseada na liberdade, nem no reconhecimento, e sim na autoridade de uma voz rígida e exigente.

Segundo a APA (American Psychological Association) a depressão nos adolescentes já é um problema muito grave na atualidade, e uma exigência desmedida por parte dos pais pode derivar facilmente na falta de autoestima, ansiedade, e em um elevado mal-estar emocional.

A educação sempre deve ser a base da felicidade, do autoconhecimento, e não uma diretriz baseada unicamente no perfeccionismo onde os direitos da criança são completamente vetados.

É preciso ter em mente que essa exigência na infância deixa a sua marca irreversível no cérebro adulto: a pessoa nunca se acha suficientemente competente, nem perfeita com base naqueles ideais que lhe foram incutidos. É preciso cortar esse vínculo limitante que veta a nossa capacidade de sermos felizes.

Filhos perfeitos: quando a cultura do esforço é levada ao limite

Frequentemente ouvimos que vivemos em uma cultura que baseia a sua educação na falta de esforço, na permissividade e na pouca resistência à frustração. Contudo, isso não é totalmente verdade: em geral, e mais ainda em tempos de crise, os pais procuram a “excelência” em seus filhos.

Se uma criança tira um 7 em matemática, é pressionado para alcançar um 10. As suas tardes são preenchidas com aulas extracurriculares e seus momentos de ócio são limitados à busca por mais competências, resultando em estresse, esgotamento e vulnerabilidade.

The Price of Privilege” é um livro interessante publicado pela doutora Madeleine Levine, onde ela explica como, na nossa necessidade de pais em educar filhos perfeitos e aptos para o futuro, o que estamos conseguindo é criar filhos “desconectados da felicidade”.

Educar é ser capaz de exercer a autoridade com amor, guiando seus passos com segurança e afeto porque a infância é um fundo de reserva para a vida toda.

Consequências de exigir demais das crianças

Existe uma coisa que precisamos considerar muito bem. Podemos educar nossos filhos na cultura do esforço, podemos e devemos exigir, sem dúvida, mas tudo tem um limite. Essa barreira, que deveria ser intransponível, é a de acompanhar a exigência a um colchão afetivo incondicional.

Do contrário, nossos filhos perfeitos serão crianças tristes que evidenciarão as seguintes dimensões:

-Dependência e passividade: uma criança acostumada a ser mandada deixa de decidir por conta própria. Assim, sempre procura a aprovação externa e perde a sua espontaneidade, a sua liberdade pessoal.

– Falta de emotividade: os filhos perfeitos inibem suas emoções para se ajustarem ao que “tem que ser feito”, e toda essa repressão emocional traz graves conseqüências a curto e longo prazo.

– Baixa autoestima: uma criança ou um adolescente acostumado à exigência externa não tem autonomia nem capacidade de decisão. Tudo isso cria uma autoestima muito negativa.

– A frustração, o rancor e o mal-estar interior podem se traduzir muito bem em instantes de agressividade.

– A ansiedade é outro fator característico das crianças educadas na exigência: qualquer mudança ou uma nova situação gera insegurança pessoal e uma elevada ansiedade.

Pais exigentes frente a pais compreensivos

A necessidade de educar “filhos perfeitos” é uma forma sutil e direta de dar ao mundo crianças infelizes. A pressão da exigência irá acompanhá-las sempre, e mais ainda se a sua educação for baseada na ausência de estímulos positivos e de afeto.

Fica claro que como mães, como pais, desejamos que nossos filhos tenham sucesso, mas acima de tudo está a sua felicidade. Ninguém deseja que na adolescência desenvolvam uma depressão ou que sejam tão exigentes com eles mesmos que não saibam o que é se permitir aproveitar, sorrir ou cometer erros.

Características gerais

Neste ponto, é preciso saber diferenciar entre a educação baseada na exigência mais rigorosa e aquela criação baseada na compreensão e na conexão emocional com nossos filhos.

Os pais muito exigentes e críticos costumam apresentar uma personalidade insegura que precisa ter sob controle cada detalhe.

– Os pais compreensivos “impulsionam” seus filhos para a conquista, permitindo explorar coisas, sentir e descobrir. São guias e não colocam fios nos seus filhos para movê-los como marionetes.

– O pai exigente é autoritário e leva um estilo de vida que está sempre seguindo o relógio. Indica regras e decisões para economizar tempo através do “porque eu sei que é melhor para você”, ou “porque eu sou seu pai/mãe”.

Para concluir: educar é exercer a autoridade, mas com bom senso. É usar o afeto como antídoto e a comunicação como estratégia.

Nossos filhos não são “nossos”, são crianças do mundo que deverão ser capazes de escolher por si próprios, com direito de errar e aprender, com a obrigação de chegar à maturidade sendo livres de coração e com seus próprios sonhos para realizar.

 

 

 

Depressão na Adolescência

Julho 20, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas:

Texto do site http://uptokids.pt/ de 29 de junho de 2016.

uptokids

Eu não queria estar aqui mas a minha mãe obrigou-me!

E porque é que achas que a tua mãe quis que viesses falar comigo?

Porque eu já tentei suicidar-me e quero voltar a fazê-lo, aliás já tenho tudo planeado e sei exatamente como e quando isso vai acontecer.

Enquanto falava, um arrepio percorreu-me a espinha e um frio gelado, daqueles que vem mesmo do Pólo Norte apoderou-se de mim e por segundos, que pareceram intermináveis, dei por mim sem saber o que dizer perante aquela informação, acho que sobretudo pela forma fria e distante como falava sobre por fim à sua própria vida. Ao mesmo tempo, uma onda de compaixão apoderava-se de mim e só tinha vontade de o pegar ao colo e lhe dizer que tudo iria ficar bem. Não podia fazer nada disso… Respirei fundo para voltar a centrar-me.

A consulta acabou por correr bem e embora aparentemente tivesse ido obrigado pela mãe, quis voltar na semana seguinte. Nas primeiras sessões funcionei como “alguidar” para conter tudo aquilo que precisava de vomitar sobre o pai, a mãe, os irmãos, a anterior terapeuta e as miúdas….. Não confia em ninguém e foi sempre testando a minha capacidade de ficar com ele, independentemente da frieza com que falava sobre determinados conteúdos ou pessoas e a minha capacidade de manter a confidencialidade dos seus assuntos.

Frequentemente testava a minha fidelidade e a minha ética profissional. Já conhecia a manipulação que existia por parte da família e queria perceber se eu iria conseguir manter-me distante. Às vezes derrapamos e acabamos enredados nas teias familiares, mas neste caso mantive-me firme. Sabia que qualquer palavra ou passo em falso poderia inviabilizar a sua terapia, tal como já tinha acontecido anteriormente.

Não estou bem, mas também não estou mal, ou pelo menos já estou habituado a estar assim, já conheço e prefiro continuar a pisar em terreno conhecido”…. “Neutro” tudo é mais fácil.

Consigo compreendê-lo quando me diz que não se sente mal, que já está habituado a viver assim e que não sabe como será sentir de outra maneira! Na verdade o que ele me está a dizer é que tem medo! Medo de não saber viver com outros sentimentos, medo das oscilações de humor, medo de ter esperança e do tombo que pode sentir depois de experimentar a alegria ou o prazer….

Algumas pessoas descrevem a depressão como “viver num buraco negro” ou ter um sentimento de tristeza constante. Na verdade não é bem assim! Algumas pessoas deprimidas não se sentem constantemente tristes e nem a tristeza comum é sinal de depressão. Sentem sim falta de sentido e significado na sua existência, como se a vida fosse vazia e apática… Evidenciam comportamentos e atitudes de indiferença, letargia, falta de prazer, perda de interesse, agressividade, isolamento, falta de motivação, falta de esperança, abatimento, cansaço e incapacidade de tomar decisões…

Segundo Coimbra de Matos, pode haver depressão sem tristeza, mas seguramente não pode existir depressão sem abatimento.

Seja qual for o sintoma, a depressão é diferente da tristeza comum ou da simples desmotivação. A depressão interfere no dia-a-dia e altera a nossa capacidade de trabalhar, estudar, comer, dormir e ter prazer. Ficam parados e vazios, sem energia para concretizar e muito menos para sentir…. Limitam o contacto consigo próprios e com a vida! Os sentimentos de desamparo, desesperança e inutilidade são intensos e implacáveis.

Esse estado “neutro” sobre o qual tantos adolescentes falam, protege-os do sofrimento mas também lhes inibem a alegria, o prazer e isola-os.

A internet e os jogos de computador têm sido o verdadeiro refúgio desta geração, que se por um lado lhes permite manter algum contacto com o mundo e com as pessoas, ainda que virtual, por outro distorce a noção de relacionamento interpessoal e aumenta o medo e a ansiedade das relações “cara a cara”, chegando por vezes mesmo a desenvolver um estado de fobia social.

Precisamos estar atentos a esta que é uma das maiores doenças da atualidade. A depressão é uma perturbação que envolve o corpo, o humor, os comportamentos e os pensamentos…

Passados alguns meses continua a querer ir à terapia, passou de ano mas continua a ter muitas resistências em tratar-se verdadeiramente…

É o medo da vida que ainda o comanda!

Ana Galhardo

 

Maioria dos antidepressivos não funciona em crianças e adolescentes

Junho 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia do http://lifestyle.sapo.pt  de 9 de junho de 2016.

AFP

A maioria dos remédios antidepressivos é ineficaz em crianças e adolescentes que sofrem de depressão grave, podendo ser, eventualmente, até perigosos, aponta um estudo publicado esta quinta-feira no jornal médico britânico The Lancet

Realizado por um grupo internacional de investigadores, o estudo revê 34 testes em mais de 5.000 crianças e adolescentes, com idades entre os 9 e os 18 anos, envolvendo 14 medicamentos antidepressivos.

Apenas um destes medicamentos, a fluoxetina – comercializada principalmente como Prozac -, mostrou-se mais eficaz do que um placebo para tratar os sintomas de uma depressão.

A fluoxetina também é mais bem tolerada do que os demais antidepressivos, escreve o mesmo estudo.

No sentido contrário, a nortriptilina foi considerada a menos eficaz dos 14 antidepressivos estudados, e a imipramina, a menos tolerada. Já a venlafaxina está associada a um risco crescente de pensamentos suicidas.

Os investigadores reconhecem, porém, que a verdadeira eficácia e os riscos de efeitos secundários indesejáveis graves desses medicamentos continuam a ser campo desconhecido, devido à fragilidade dos testes clínicos existentes.

É o caso, sobretudo, dos pensamentos e comportamentos suicidas associados aos fármacos antidepressivos. Num comentário agregado ao estudo, o cientista australiano Jon Jureidini destaca que, no que diz respeito à paroxetina, estes atingem 10% dos doentes, numa nova análise de dados, contra os 3% de estudos já publicados.

Segundo estimativas citadas pelo estudo, 2,8% das crianças entre os 6 e os 12 anos e 5,6% dos adolescentes sofrem de problemas depressivos graves nos países desenvolvidos. Esse número pode estar subestimado, alerta no entanto o mesmo estudo.

Esses sintomas são diferentes dos observados nos adultos e incluem, em especial, irritabilidade, falta de vontade de ir à escola ou comportamento agressivo.

Em relação aos antidepressivos – que também podem causar, além das ideias suicidas, dores de cabeça, náuseas e insónias -, a sua prescrição continua a aumentar, ainda que a maioria dos países ocidentais recomende, a partir de agora, que sejam reservados às depressões mais graves e após o fracasso da psicoterapia.

“Os antidepressivos não parecem oferecer um benefício claro nas crianças e nos adolescentes”, concluem os autores do estudo, que acrescentam que “a fluoxetina é, provavelmente, a melhor opção quando o tratamento medicamentoso é indicado”.

Vários especialistas comemoraram os resultados do estudo, que fortalecem as recomendações de países como França ou Reino Unido, no que diz respeito à prescrição de antidepressivos a crianças e adolescentes.

O primeiro tratamento das depressões em ambos os grupos deve continuar a ser “a abordagem psicológica, ou relacional”, que é “mais eficaz no longo prazo”, disse à agência de notícias France Presse o vice-presidente da Sociedade Francesa de Psiquiatria da Criança e do Adolescente, Daniel Marcelli, que participou na elaboração das recomendações de França.

“Estamos de acordo com as conclusões dos autores, que consideram que os antidepressivos devem ser utilizados de forma sensata e controlada de perto”, declarou a psiquiatra britânica, Bernadka Dubicka.

 

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 64 sobre A Depressão em Crianças e Adolescentes

Junho 17, 2016 às 12:30 pm | Publicado em Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

depressão

Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 64. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre A Depressão em Crianças e Adolescentes.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Sinais de depressão na adolescência são mais frequentes do que imagina

Abril 4, 2016 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do site https://www.noticiasaominuto.com de 3 de abril de 2016.

A notícia contém declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

iStock

POR Goreti Pera

A ideia de que vivem a “idade da parvoíce” não é desculpa para que não se preste atenção aos adolescentes. Períodos de tristeza são frequentes na puberdade. Conheça os sintomas e saiba como deve agir.

Ingressar numa escola que não se conhece, ter dificuldades de relacionamento com os colegas, perder um animal de estimação, ver nascer um irmão ou um dos pais emigrar são situações que motivam, não raras vezes, episódios de depressão ligeira na infância ou adolescência.

Os sintomas começam frequentemente em idade escolar e tendem a agravar-se na puberdade, altura de maior indefinição e mais propícia à angústia. “O adolescente não é respeitado como adulto e não quer ser visto como criança”, explica ao Notícias ao Minuto Melanie Tavares.

A psicóloga do Instituto de Apoio à Criança olha para as crianças privadas de afeto como as mais vulneráveis ao desenvolvimento de pensamentos depressivos, que se caracterizam por “silêncio, isolamento, comportamentos de oposição, instabilidade e agitação”.

Mas tal não deve ser confundido, alerta o pedopsiquiatra Pedro Monteiro, com doença depressiva. “Nesta, a tristeza assume um caráter persistente e invasivo, dominando a experiência interna e condicionando o funcionamento do indivíduo”.

Perda de interesse pala maior parte das atividades, perturbações no sono, crises de choro e diminuição da energia são os principais sinais de alerta. E o tratamento revela-se imprescindível para um desenvolvimento saudável.

A ideia de que vivem a “idade da parvoíce” não é, alertam os especialistas, desculpa para não se avaliar atentamente o estado de espírito dos adolescentes. A conversa e os afetos tendem a ser o melhor remédio. Mas para tal é preciso olhar “com olhos de ver”, frisa Melanie Tavares.

Um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) datado de 2014 comprova que 11% dos jovens entre os 15 e os 24 anos apresentam sintomas ligeiros de depressão. Olhando para idades abaixo desta fasquia, Pedro Monteiro arrisca uma percentagem de 25%. Mas só em 4% dos casos se diagnostica efetivamente uma depressão.

O sexo feminino é o mais atacado por estes sintomas, que atingem duas vezes mais raparigas do que rapazes. E também nas manifestações se nota uma distinção. Se as raparigas tendem a isolar-se, os rapazes apostam essencialmente na ação e tornam-se reativos.

E se os episódios de depressão mais ligeiros se ultrapassam naturalmente, o mesmo não se pode dizer dos casos mais graves. Nas alas de psiquiatria, todos os dias são conhecidas tentativas de suicídio de jovens inconformados. Felizmente, nota Pedro Monteiro, “são muito mais as tentativas do que os atos consumados”.

Há ainda quem não vá tão longe mas se deixe igualmente apoderar pelo desespero. “Quando o sofrimento é tão grande e sentem necessidade de purgar a dor, alguns jovens recorrem à automutilação. Desta forma, a dor física sobrepõe-se à psicológica”, explica Melanie Tavares.

No Instituto de Apoio à Criança, há uma linha de apoio gratuito a que os jovens podem recorrer “para falar de tudo e de nada”. As conversas são mantidas de forma confidencial.

 

 

 

Red de amigos en Facebook estaría asociada con nivel de estrés en adolescentes

Dezembro 22, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

Notícia do site http://news.yahoo.com de 3 de dezembro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Facebook behaviors associated with diurnal cortisol in adolescents: Is befriending stressful?

Por Kathryn Doyle

(Reuters Health) – Un estudio pequeño sugiere que la cantidad de amigos de Facebook de los adolescentes estaria asociada con sus niveles de estrés: más de 300 amigos ya estaria relacionado con un aumento de los valores de cortisol en el organismo que es la hormona del estrés. Los autores estudiaron a 88 participantes en un punto en el tiempo, por lo que los resultados no indican si las variaciones de las métricas de Facebook elevaron el estrés o viceversa.

Otros factores externos importantes también son responsables de los niveles de cortisol, pero Facebook tendría su próprio efecto, dijo la autora principal, Sonia Lupien, del Instituto de Salud Mental de la Universidad de Montreal.

“Pudimos demostrar que con más de 300 amigos de Facebook, los adolescentes tenían niveles elevados de cortisol; por lo tanto, podemos imaginar que los que tienen 1.000 o 2.000 amigos en Facebook estarían expuestos a mucho más estrés”, indicó.

Los 88 adolescentes del estudio, de entre 12 y 17 años, respondieron sobre la frecuencia de uso de Facebook, la cantidad de amigos, las conductas de autopromoción y el apoyo de sus amigos. Los autores analizaron los valores de cortisol de los adolescentes cuatro veces por día, durante tres días.

Los niños con más de 300 amigos de Facebook tendían a tener niveles de cortisol más altos que aquellos con menos amigos, según publica el equipo en Psychoneuroendocrinology.

Pero a mayor interacción de pares en Facebook, menores valores de cortisol. Ni la depresión ni la autoestima estuvieron asociadas con los niveles de la hormona del estrés.

Los autores aclaran que esos niveles en los primeros años de la adolescencia influyen en el riesgo de desarrollar depresión varios años más tarde.

Wenhong Chen, del Departamento de Radio-TV-Cine y del Departamento de Sociología de University of Texas, Austin, y que no participó del estudio, señaló que la investigación se concentró en Facebook, de modo que los resultados no podrían generalizarse al uso de otras redes sociales ni a otros grupos etarios.

“La naturaleza preliminar de nuestros resultados demandará una evaluación refinada de las conductas en Facebook associadas con la psicología y tendremos que hacer más estudios para determinar si esos efectos existen en los niños y los adultos”, finalizó Lupien.

Aclaró que el tamaño de la red de amigos fuera de internet también influyó en los niveles de cortisol.

FUENTE: Psychoneuroendocrinology, online 9 de octubre del 2015

 

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.