InfoCRIANÇA Nº 85 Audição Da Criança

Junho 2, 2020 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Publicações IAC- Marketing | Deixe um comentário
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Visualizar o InfoCRIANÇA no link:

https://mailchi.mp/iacrianca/infocrianca85

Mala VIP : Vivacidade, Inovação, Participação uma ferramenta para a inclusão

Junho 1, 2020 às 10:11 am | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Mala VIP

O coronavírus visto pelas crianças: “Obrigado por me terem estragado as férias!”

Abril 16, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 6 de abril de 2020.

Natália Faria

Suspendeu o toque, os abraços e os beijos. Criou “uma trapalhada” que só deve acabar quando chegar o calor. Não é um vírus qualquer porque “está a afectar as necessidades fisiológicas e de segurança” das pessoas. Eis o coronavírus visto pelos alunos do 4.º A da Escola de S. Miguel de Nevogilde, no Porto.

O coronavírus é uma espécie “de lobo mau”, descreve Rita, que “está lá fora, pronto a atacar quem sair do seu domicílio”. Logo, “é um vírus mau”, vaticina Gonçalo. Nesta história, cujo desfecho ainda está a ser escrito, as crianças parecem mimetizar o comportamento responsável do mais velho dos três porquinhos. Assumem o isolamento social como uma forma de proteger os outros, particularmente os avós, aceitando-o com aparente resignação, mesmo que o vírus (perdão, o lobo) tenha conseguido pôr-lhes a vida em pantanas. Tanto que, se pudesse, Francisco “ia à China”, levando na mala uma mensagem bem clara aos respectivos governantes: “Obrigado por me estragarem as férias!”

Para tentar registar as percepções das crianças sobre a pandemia que suspendeu o mundo, o PÚBLICO desafiou os alunos de uma turma do 4.º ano da Escola de S. Miguel de Nevogilde, no Porto, a escrever uma composição sobre o novo coronavírus. Entre desenhos, poemas e textos, as crianças com idades entre os nove e os dez anos parecem ter bem estudada a lição sobre este “inimigo invisível” que, além de ter fechado com estrondo as portas das escolas, as transformou numa espécie de arma potencialmente letal para os avós.

“Quem morre são os idosos com mais de 70 anos ou as pessoas com doenças respiratórias, eu amo os meus avós”, escreve Miguel, numa declaração de amor que torna a pontuação supérflua, dizendo-se consciente de que, se está em casa, é para “não aumentar o número de mortos e infectados”. Menos conformada, Francisca queixa-se da suspensão sine die do toque, dos braços e dos beijinhos: “É possível acreditar que no dia do pai nem o pude abraçar?!”, indigna-se, explicando que “uns colegas dele estiveram numa festa e apanharam covid-19 e ele teve de estar afastado”.

“Quando sair vou querer estar com os meus avós”, anuncia também Sebastião, qualificando como “estranha” esta experiência de “ter de ficar em casa”. Isto apesar de “a melhor família do mundo”, que diz ser a sua, o ter ajudado a suavizar a espera com uma rotina bem oleada: “Acordar, trabalhar tudo o que foi proposto, descansar, almoçar, jogar jogos, lanchar, tomar banho, jantar e dormir.” Sem fugir a prognósticos, Sebastião imagina que “esta trapalhada toda vai acabar quando o Verão chegar (ou seja, quando o calor chegar)”.

De acordo quanto aos timings, Francisco perspectiva um Verão pouco dado a brincadeiras e a mergulhos na praia. “O que acho que vai acontecer é que teremos de ter aulas quase todo o Verão para compensar e só mais tarde (talvez no início de Outubro) é que iremos para o quinto ano.” Daí que lhe tenha apetecido ir à China “agradecer” aos respectivos governantes o facto de lhe terem estragado as férias por conta da propagação de um vírus que, segundo diz, “vem dos morcegos”, o que ajudará a explicar que o corpo humano não esteja “pronto a combatê-lo”.

Viver com medo 

Arredada das aulas desde o dia 13 de Março, apesar de as escolas só terem fechado no dia 16, Rita A. garante que nem todos os Google Party, Jitsi Meet ou WhatsApp do mundo curam as saudades dos avós, tios, primos e dos irmãos “que vivem noutra casa”. “As tecnologias que temos ajudam a ‘vê-los’, mas não é a mesma coisa”, lamenta. As aulas de ballet prosseguem, também via vídeo-qualquer-coisa. “Visto-me e faço o puxo como para uma aula normal”, descreve. Apesar disso, e dos trabalhos que a escola manda, a tristeza instala-se. “Não brinco com os meus amigos, os meus pais estão aqui, mas nem sempre têm tempo para me ajudar, porque também continuam a trabalhar mesmo em casa. Não é nada fácil estar tanto tempo fechada aqui dentro.”

Fechada para o mundo, mas sem que os ecos do mundo estejam necessariamente impedidos de entrar casa adentro, com a televisão a debitar non-stop a contabilidade enlouquecedora dos mortos e infectados, Beatriz diz preocupar-se com o cenário nos hospitais: “Há falta de material e os médicos e todas as pessoas que trabalham com eles estão exaustos”, aponta, dizendo-se igualmente apreensiva com “o problema económico”, dado que “muitas instituições e empresas já estão fechadas para evitar o contacto com outras pessoas”.

Leonor confessa-se igualmente “perturbada” com “a insegurança com que as pessoas estão a viver”. “Eu não sei se a pessoa que está comigo está infectada. As pessoas vivem com medo”, escreve, para, recorrendo à recentemente aprendida “pirâmide das necessidades” do psicólogo norte-americano Abraham Maslow, concluir que o SARS-Cov-2 “não é um vírus qualquer”. “Sabemos que está a modelar a nossa vida (…) e está a afectar as duas necessidades mais importantes: as necessidades fisiológicas e de segurança.”

Maria partilha das preocupações com “a morte e sofrimento”. Mas não deixa de lembrar que há “mais a pessoas a morrer à fome, à sede e etc…”. De resto, prefere ir olhando para o copo meio-cheio, porquanto a gazeta forçada às aulas lhe permite, por exemplo, não acordar tão cedo e apanhar sol na varanda. “Acho que as pessoas, depois desta crise, vão começar a dar mais valor ao que têm”, antevê, depois de concluir que, à falta de vacina, o remédio é “dormir bem, estar sempre a beber (água, chá…) e ter uma alimentação saudável”.

Voltando à metáfora do lobo e dos três porquinhos, Rita acaba a sua composição com um pedido público: “Imploro ao lobo que se vá embora rapidamente. Mas imploro também aos porquinhos que não saiam de casa e que lavem as mãos frequentemente”, enquanto Maria reitera que “o principal é não ficarmos nervosos”. E, sem dispensar um emoji sorridente, aproveita para declarar: “Gosto muito de si, professora Manuela.”

O que é o coronavírus? As explicações das crianças

Março 30, 2020 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Vídeo da RTP de 22 de março de 2020.

As crianças tentam explicar o novo coronavírus aos adultos e deixam alguns conselhos ao resto da família.

Visualizar o vídeo no link:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/covid-19-a-situacao-ao-minuto-do-novo-coronavirus-no-pais-e-no-mundo_e1214480

Instituto de Apoio à Criança quer criação de Estatuto da Criança Vítima – notícia com declarações de Dulce Rocha Presidente do IAC

Outubro 30, 2019 às 8:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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© iStock

A notícia contém declarações da Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC

Notícia e imagem do NotíciasaoMinuto de 29 de outubro de 2019.

A presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC) disse hoje que uma das principais reivindicações a fazer nesta legislatura é a discussão e aprovação de um Estatuto da Criança Vítima, como já existe para as mulheres.

A criação do Estatuto de Criança Vítima “é uma matéria que merece uma reflexão. O facto de se ter aprovado o estatuto para a mulher que é vítima mostra que foi considerado que este é vantajoso, e porque é que não é vantajoso para a criança, porque é que é inútil para a criança?” disse Dulce Rocha à agência Lusa no final de uma cerimónia de comemoração dos 30 anos da Convenção Sobre os Direitos da Criança, que decorreu hoje no auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, juntando várias dezenas de especialistas ligados a esta área e que contou com a presença da ministra da Justiça.

Dulce Rocha sublinhou que se a maior parte dos casos de intervenção das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens são com crianças que assistiram ou que vivenciaram situações de violência doméstica, isso “também é motivo para serem consideradas vítimas nos termos da Convenção de Istambul”.

Durante a cerimónia foi “apresentado publicamente” o Conselho Consultivo do IAC, um órgão de reflexão que congrega cerca de 300 especialistas em diversas áreas relacionadas com este problema.

“Foi criado o Conselho Consultivo porque os assuntos atualmente são tão complexos que vale a pena juntar um conjunto de personalidades com sensibilidades diferentes, interdisciplinares (juristas, magistrados principalmente, mas também psiquiatras, pediatras, sociólogos, psicólogos, entre outros) que vêm pronunciar-se sobre assuntos importantes” disse a presidente do IAC.

“Pretendemos desenvolver a formação interna, que reconhecemos ser indispensável para respondermos cada vez com mais qualidade aos novos desafios que se nos colocam”, afirmou, acrescentando que é necessário “refletir e debater com mais tempo um conjunto de temas muito sérios e atuais sobre a forma de tornar mais efetivos os direitos da criança”.

Dulce Rocha lembrou que o IAC já tinha experimentado de alguma forma órgãos que foram precursores deste, “mas eram demasiado informais e sem aquela continuidade que dá às instituições a coerência necessária para se afirmarem”.

A presidente do IAC disse que “não basta só a audição da criança, mas também é necessário escutá-la com vista ao respeito pela sua opinião, pela sua vontade, porque assim a participação é mais envolvente”, uma das perspetivas que foi passada no encontro, que “serviu para refletir e pensar o futuro”.

A criança precisa de ser olhada e vista – 8 de novembro na Casa da Praia – Centro Dr. João dos Santos

Outubro 14, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/393641131310533/

Relação considera “incompreensível” desvalorização do testemunho das crianças

Julho 31, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 16 de julho de 2019.

Tribunais ouvem pouco as crianças quando decidem sobre a vida delas

Março 18, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 3 de março de 2019.

Investigação feita nas comarcas de Vila Real, Bragança, Braga e Viana do Castelo conclui que só um quinto das crianças tem oportunidade de se expressar nas secções de família e menores.

Ana Cristina Pereira

Um exemplo: “Cinco crianças estão abrangidas por medida de colocação em instituição há cerca de dez anos e nunca foram ouvidas.” Outro exemplo: “A criança revelou que estava feliz – na ‘sua’ família, no seu ‘pedaço de céu’.” O tribunal tardou a ouvi-la. Insistia na adopção, apesar de ela já ter tido duas más experiências. Quando finalmente a ouviu, já com 15 anos, entendeu que estava bem na família de acolhimento.

Helga Castro mergulhou nos processos tutelares cíveis a correr nas secções de família e menores de quatro comarcas do Norte do país e concluiu que o espaço da justiça é “perpetuador de uma cultura endémica de não participação e violador dos direitos das crianças, na medida em que não ouve, não escuta e não considera os contributos prestados por elas”.

Oriunda de Trás-os-Montes e a fazer doutoramento em Estudos da Criança na Universidade do Minho, Helga Castro optou pelas comarcas de Braga, Bragança, Viana do Castelo e Vila Real. Não era só a proximidade – também a possibilidade de trabalhar os binómios litoral/interior, urbano/rural, instância local/instância central, competência especializada/competência genérica.

Para perceber como a justiça pensa a criança, a investigadora seleccionou todos os processos de adopção, todos os de entrega judicial, todos os de apadrinhamento civil. E cinco por cada ano de promoção e protecção. E outros tantos de regulação das responsabilidades parentais. Decorria o ano judicial 2014/2015 e havia processos a decorrer desde 1999. Acabou com 446, alguns com mais de mil páginas.

Os números não deixam espaço para dúvidas: “Num total de 728 crianças envolvidas nos 446 processos judiciais analisados, apenas 21% são participantes em 34% dos processos englobados na amostra.” Estes valores correspondem apenas a audição e participação das crianças que emerge de convocatória judicial determinada por um magistrado. Mesmo assim, parece-lhe “pouquíssimo”.

Há muito quem argumente que conceder à criança o direito de expressar a sua perspectiva, a sua opinião, o seu desejo é sujeitá-la a stress, a informação inapropriada à idade, a conflito familiar ou a outros danos. “É como se se acreditasse que vivem numa redoma”, lamenta. “Elas vivem a negligência, o abuso, o mau trato, mas não podem dizer com quem querem morar? Elas estão na origem da acção. Elas vão ser afectadas pela decisão.”

Acontece uma criança ser ouvida num processo-crime e não o ser no processo de regulação das responsabilidades parentais. Para ilustrar o quão absurdo isso pode ser, dá o exemplo de um pai que estava preso e que, por ordem do Tribunal de Família, recebia visitas regulares das três crianças. Só quando a mãe se queixou que as ameaças continuavam é que o juiz percebeu que estava a forçar uma criança abusada a visitar o abusador.

A idade não deve prender

A Convenção dos Direitos da Criança estipula que “os Estados garantem à criança com capacidade de discernimento o direito de exprimir livremente a sua opinião sobre as questões que lhe respeitem”. A legislação nacional só obriga os tribunais a ouvir as crianças a partir dos 12 anos. Antes disso, cabe ao magistrado decidir ouvir ou não. Nas secções estudadas, a média de idades de audição situa-se nos 12-13. A “moda” estatística, em todas as secções, é 16.

Quando Helga Castro vai a conferências ou congressos – a propósito da sua tese de doutoramento intitulada O tempo da infância no (s) tempo (s) da justiça: uma análise do exercício dos direitos de participação das crianças nos processos judiciais e aprovada no ano passado na Universidade do Minho –, argumenta que não importa a idade, mas a maturidade e as circunstâncias. E há sempre quem lhe diga que “as crianças mentem, constroem, efabulam”. E ela retorque: “E os adultos não?”

Na análise dos processos, encontrou crianças muito novas com ideias muito claras. Eis um exemplo: “Questionado sobre a relação com a mãe e como estruturar os contactos entre ambos, a criança, com 10 anos, responde: ‘Já esqueci no meu coração, agora só quero esquecer na minha cabeça.’ ”

“Não é a idade que nos deve prender”, sustenta. “É saber se aquela criança é ou não capaz de compreender o que se está a passar e o que se vai passar, sendo certo que o sistema não está preparado para a participação das crianças”, prossegue. “Como é que a criança pode fazer este percurso sem que isso a vitimize? Devia ser por aí.”

Condições diferem de local para local

Inegável que a ida a tribunal pode ser stressante, exigente e até intimidatória para qualquer criança. Primeiro, os espaços não estão adaptados às suas características. Depois, as crianças “não são suficientemente acolhidas, informadas e apoiadas quando participam”. Por último, muitos adultos, incluindo os magistrados, “não têm formação ou competência para as ouvir”. E raramente chamam quem saiba fazê-lo.

Há muito que se desencoraja a presença de crianças em sala de audiências – “em virtude da disposição do espaço, da hierarquia que estabelece, da centralidade que acentua, do distanciamento que impõe”. No território em estudo, nem uma secção tinha ainda salas adaptadas. Numa, eram ouvidas num espaço exíguo ao lado do Ministério Público. Noutra, nos gabinetes dos magistrados. Noutra, nos gabinetes ou em videoconferência. Noutra, na sala de audiências.

Nem todos têm o mesmo acesso à justiça. E isso também se vê pelos números. Numa secção, apenas 25% dos processos tinham participação de crianças envolvidas. Noutra, 28,2%. Noutra, quase o mesmo, isto é, 28,3%. E noutra, 40,5%.

“A abordagem, os procedimentos, a forma como reconhecemos ou não a criança, decidimos ou não decidimos ouvi-la, isso não está balizado”, nota. Varia “de tribunal para tribunal, de região para região, consoante as competências, a sensibilidade, a disponibilidade para encontrar soluções (muitas vezes fora do espaço da justiça), da resiliência de cada um dos profissionais”. “Fica aqui em causa tanta coisa.”

Que quer isto dizer? Que não é igual morar numa aldeia transmontana ou numa cidade minhota. Pense-se, por exemplo, na rede de transportes públicos. Há famílias que vivem com grandes carências económicas e têm de se deslocar dezenas de quilómetros para ir ao tribunal ou a um gabinete médico-legal. E magistrados que pedem aos bombeiros para assegurar o transporte ou recorrem a videoconferência.

Há exemplos dramáticos de crianças no sistema ao longo de muitos anos sem direito de falar. “Numa fratria de seis crianças, apenas uma, a mais velha, foi ouvida, com 15 anos e uma única vez; o processo tem nove volumes e aproximadamente 1300 páginas, implicou diversas medidas.” Outro exemplo: “Fratria de sete crianças; foram apenas ouvidas três delas (as mais velhas), mas apenas uma vez.”

Na ânsia de se expressar, algumas crianças mais expeditas escrevem cartas aos juízes ou apresentam-se nas secretarias dos tribunais. “Quero voltar para casa. Já não me lembro da última visita dos meus pais”, escreveu uma criança num bilhete que quis fazer chegar ao juiz. Numa carta, outra criança pede: “Quero que me mandes para uma família como têm as outras crianças.”

 

 

 

 

 

Tribunais decretam visitas de progenitores agressores a filhos em casas de abrigo

Março 8, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 7 de março de 2019.

De acordo com o psicólogo da APAV, há vários casos em que o Tribunal Criminal decreta uma medida de afastamento ao mesmo tempo que o Tribunal de Família e Menores decreta um período de visitas do progenitor agressor aos filhos, sem ouvir a criança.

Lusa e PÚBLICO

Os Tribunais de Família estão a decretar visitas de pais a filhos em situações em que os menores estão escondidos daquele progenitor agressor em casas de abrigo, pondo em risco a segurança das vítimas, denunciou nesta quinta-feira a APAV.

Em entrevista à agência Lusa, o psicólogo e responsável pela área da violência de género e doméstica da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) adiantou que há um “desfasamento” entre os Tribunais de Família e Menores, onde correm os processos de regulação das responsabilidades parentais, e os Tribunais Criminais, que decidem sobre processos-crime, como os de violência doméstica.

Este “desfasamento” faz com que o Tribunal Criminal decrete uma medida de afastamento e de protecção da vítima de violência doméstica e dos filhos, ao mesmo tempo que o Tribunal de Família e Menores decreta um período de visitas do progenitor agressor aos filhos.

“Isto é muito difícil de gerir e é sobretudo muito difícil de explicar às vítimas. Como é que o mesmo Estado ou a mesma justiça que me quer proteger, ao mesmo tempo me desprotege e me coloca numa situação de risco”, questionou.

O responsável apontou que isto acontece graças à falta de comunicação entre os dois tribunais e à falta de articulação nas intervenções, em que “as pessoas são tratadas como se fossem um papel”, no meio de um “processo altamente burocratizado”.

Perante uma decisão do tribunal para que o progenitor agressor possa visitar os filhos, as vítimas “têm que cumprir, mesmo que estejam numa casa de abrigo”, já que se não cumprirem o que foi decretado pelo tribunal podem ser inibidas do poder das responsabilidades parentais ou ser novamente chamadas para uma conferência de regulação.

“O próprio agressor pode avançar com um processo por subtracção de menor, por rapto ou por sequestro”, exemplificou Daniel Cotrim, acrescentando que perante uma decisão jurídica desta natureza, “as pessoas têm de a cumprir sempre porque incumprindo-a vão correr sempre algum risco”.

Nesse sentido, adiantou que a APAV aconselha sempre a que “não incumpram com aquilo que é a medida decretada pelo tribunal, ainda que não concordem com ela e não faça sentido”.

“Aquilo que muitas vezes fazemos enquanto instituição é articular com as forças de segurança para serem elas os espaços de visitas, de contacto, entre o agressor ou agressora e os filhos, filhas”, revelou Daniel Cotrim.

Contou também que tem havido “uma clara imposição” por parte dos Tribunais de Família e Menores para que aconteçam os encontros entre as crianças e jovens e os progenitores agressores.

“Chegamos ao ponto de ter algumas situações em que se quer fazer saber quais são as moradas das casas de abrigo, que são, por definição, espaços confidenciais, secretos e anónimos, para que o agressor ou a agressora possam saber em que local é que os filhos estão a residir para que aconteçam lá as visitas”, denunciou.

Na opinião do responsável, esta é uma situação que “não tem sentido absolutamente nenhum porque coloca em causa e em risco todas as pessoas que estão envolvidas no processo”, além das outras mulheres e crianças que vivam na casa de abrigo, bem como todos os funcionários.

Revelou que, nesses casos, a APAV apresenta a morada da sede da associação para efeitos de notificação, e garantiu que nunca houve nenhum caso de um progenitor agressor a visitar os filhos numa casa de abrigo da APAV.

“Não permitimos e não queremos que essas situações aconteçam dessa maneira porque o objectivo da APAV é proteger as vítimas”, sublinhou, admitindo que por vontade dos tribunais esses encontros já teriam “possivelmente” acontecido.

É preciso que os tribunais ouçam as crianças

Daniel Cotrim apontou que “é importante ouvir os jovens e as crianças” nos processos de regulação das responsabilidades parentais quando existe uma situação de violência doméstica “porque eles têm muitas coisas importantes para dizer”.

“Isto não acontece, não são ouvidas as crianças e os jovens neste tipo de processos”, criticou Daniel Cotrim.

De acordo com o responsável, só recentemente começou a haver alguma sensibilidade e sensibilização por parte dos magistrados para perceberem o que é que as crianças querem.

“Elas são especialistas em questões de risco e segurança porque eles conhecem muito bem quais são as dinâmicas daquele relacionamento abusivo entre o pai e a mãe“, defendeu, acrescentando que conhecem “os gatilhos” e os momentos em que o risco aumenta.

O psicólogo revelou que nesses casos são muitas vezes os próprios filhos quem não quer esse contacto, seja pelo medo que o agressor descubra onde é que eles estão agora a viver, seja por recearem que a situação de violência volte a repetir-se.

“Ouvimos muitas vezes dos jovens que têm medo destas visitas porque não se sentem como os importantes da visita, mas sim que servem para ser mensageiros de um pedido de reconciliação por parte do agressor, pedindo para suspender o processo ou voltar para casa”, disse Daniel Cotrim.

Governo irá propor nesta quinta-feira a criação de tribunais mistos especializados em casos de violência doméstica, com competências mistas na área do Direito da Família e do Criminal, para dar resposta aos processos que se referem às responsabilidades parentais, à violência doméstica e aos maus tratos.

 

 

 

Os avós são… sete crianças dizem-nos o que pensam sobre estes seres especiais

Julho 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do MAGG de 26 de julho de 2018.

Por Dulce Neto

No Dia dos Avós perguntámos aos netos o que é que eles são. As respostas são honestas mas também ternurentas como se vê neste vídeo.

Com mais ou menos vergonha e um discurso mais ou menos articulado, uma coisa é certa. Os avós destas sete crianças que aceitaram o desafio da MAGG são figuras presentes nos dias dos netos.

E hoje, que o mundo assinala o Dia dos Avós, os miúdos contam-nos como eles fazem parte das suas vidas.

Oferecem prendas, sim, mimos e abraços, muitos, e (alguns) doces, claro, mas também educação. Há quem conte histórias, jogue às escondidas, leve ao parque, ensine a cozinhar ou faça o prato preferido. E também há quem castigue.

Todos concordam com Rosa Cabral, de oito anos: os avós são pessoas especiais. Mateus Martins, de cinco anos, recorda como vai comer gelados com a avó Nela, os presentes que a avó Ana lhe oferece, os passeios com o avô João ou como o avô Jaime é adepto do Benfica e ouvia futebol na rádio.

Já Edgar Santo da Mata, cujos quatro anos traquinas o impedem de ficar muito quieto à frente da câmara da MAGG, confessa que gosta de dormir com a avó Odete enquanto Seline Varela de nove anos revela que a encara como uma segunda mãe.

E se Afonso Beato e Pilar Coelho, ambos com seis anos, garantem que os avós nunca os puseram de castigo e os levam a passear, Mariana Ferreira, de oito anos, manifesta uma opinião muito clara sobre a importância dos avós: têm muito a ensinar, pois nasceram mais cedo.

Ora aqui está uma afirmação com a qual as psicólogas Patrícia Poppe e Margarida Alegria não podiam estar mais de acordo: os avós têm um lugar fundamental na família contemporânea.

A primeira, que já tem uma neta de dois anos, defende que o contacto dos avós com os netos é muito importante para os mais velhos,“porque as crianças são seres em desenvolvimento, são fantásticas, têm muita alegria e significam a possibilidade de se estabelecer relações muito fortes, o que é enriquecedor”.

Reconhecendo, tal como Margarida Alegria, que hoje é mais difícil ter avós disponíveis, porque trabalham até mais tarde, Patrícia Poppe salienta, no entanto, que o “tempo que reservam para os netos é de mais qualidade”.

Recordando a ligação estreita que teve com a avó, a psicóloga aborda o papel que os avós podem desempenhar na educação dos pais. “Quando eram pequeninos, os nossos filhos não nos observavam na nossa função de educadores, de cuidadores e de referências afectivas. Agora veem-nos a lidar com os filhos deles e aprendem também com isso”.

Margarida Alegria reconhece na prática a definição avançada por Mariana Ferreira: “Os avós são pessoas que ajudam”. Com uma bebé com pouco mais do que um mês, é a mãe quem lhe fica com a outra filha de três anos para já poder estar de regresso ao trabalho, onde segue adultos e crianças. A psicóloga não precisa de ir buscar os dados de um estudo desenvolvido em 2008 (mas que continua a ser uma referência) pela Universidade de Oxford para sublinhar que a ligação entre avós e netos é benéfica para as crianças. A investigação da reputada universidade britânica concluiu que as crianças que tiveram uma ligação estreita com os avós têm menos problemas emocionais e comportamentais e menos dificuldades em lidar com os seus pares.

No seu consultório, Margarida Alegria nota a diferença entre “as crianças que agora nas férias não têm onde ficar senão em ATL’s (Atividades de Tempos Livres) e aquelas que têm a sorte de poder ficar com os avós.” Estes, em geral, não são apenas uma fonte inesgotável de experiências, conhecimentos e afecto, como “têm mais tempo livre do que os pais e por isso proporcionam programas aos miúdos a que eles de outra forma não teriam acesso”.

E se não há dúvidas sobre os benefícios da presença dos avós para as crianças, “o mesmo se pode dizer para eles: os avós renascem”.

O ditado diz que os “netos são a sobremesa da vida” para os avós, mas podem eles prejudicar a educação dos miúdos com a ideia de que “os pais educam, os avós mimam”? “O mito de que os avós estragam as crianças é, em parte, verdade”, diz Margarida Alegria. Ou seja, não é bem mito. “São menos rígidos, são mais flexíveis, têm mais tempo para brincarem e fazerem outras coisas com os netos, mas tudo depende da relação que tiverem com os pais e do que for estabelecido entre eles”. Os avós podem, e devem, ser um apoio e um conforto na tarefa difícil de criar os filhos, não um problema ou entrave, continua Margarida Alegria lembrando que é necessário um equilíbrio. “Não considero que a minha sogra ou a minha mãe ‘estraguem’ a minha filha”.

Evocando as férias que passava com a avó, como isso lhe deu um capital de memórias inesquecíveis, a psicóloga salienta ainda a importância de se manterem “certas rotinas e tradições (como o almoço semanal em casa dos avós, a semana de férias em conjunto, por exemplo) para estreitar a união familiar, elemento importante no crescimento de uma criança”.

Tudo somado, conclui Margarida Alegria, as três partes — pais, filhos e avós — “só têm a ganhar com o envolvimento equilibrado dos avós”.

 Texto de Dulce Neto, vídeo de Samuel Costa.

 

 

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