Criança de nove anos julgada nos EUA por cinco homicídios em primeiro grau

Outubro 26, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 9 de outubro de 2019.

Uma criança norte-americana de 9 anos, acusada de causar um incêndio numa habitação que matou cinco pessoas no Illinois (EUA) vai responder em tribunal por cinco homicídios em primeiro grau.

O menor também vai ser julgado por duas acusações de incêndio criminoso e outra de incêndio criminoso agravado, informou o (Peoria) Journal Star esta terça-feira.

No incêndio que aconteceu a 6 de abril morreram uma criança de 1 ano, duas de 2 anos, um homem de 34 anos e uma mulher de 69 anos no Timberline Mobile Home Park, perto da vila de Goodfield, a cerca de 240 quilómetros a sudoeste de Chicago.

O advogado que representa o Estado no condado de Woodford, Greg Minger, não revelou detalhes sobre o suspeito, incluindo um possível relacionamento com as vítimas.

Nenhuma criança tão jovem foi acusada de assassínio em massa desde pelo menos 2006, segundo a base de dados dedicado a este tipo de homicídios da AP-USATODAY-Northeastern University.

A base de dados reúne informação sobre todos os homicídios nos EUA desde então, nos quais quatro ou mais pessoas foram mortas (sem incluir o agressor) por um curto período de tempo (24 horas), independentemente da arma, localização, relacionamento vítima ou agressor.

Minger disse que analisou exaustivamente vários relatórios sobre o incêndio antes de prosseguir com a acusação. Já o médico-legista do condado de Woodford, Tim Ruestman, sustentou que o incêndio começou intencionalmente.

“Foi uma decisão pesada”, disse Minger. “É uma tragédia, (…) no final das contas está a ser acusado uma pessoa muito jovem de um dos crimes mais graves que temos. Mas acho que isso precisa ser feito neste momento”, acrescentou.

Um dos grandes desafios para os procuradores públicos será tentar provar que a criança teve a intenção de matar com antecedência, o que é necessário em casos em que as acusações são de homicídio em primeiro grau, explicou o ex-procurador Gus Kostopoulos, que se tornou advogado de defesa juvenil em Chicago.

“Crianças de nove anos não sabem que o Pai Natal não existe. Eles não sabem que as pessoas morrem e não voltam à vida”, argumentou. “Não sei se crianças de 9 anos podem ter a intenção de cometer assassinato”, frisou.

Um dos principais advogados de Illinois para crianças que se encontram no sistema de justiça criminal criticou fortemente a decisão de se acusar uma criança tão jovem por assassínio.

“As acusações estão completamente fora de linha, considerando tudo o que aprendemos (…) especialmente sobre o desenvolvimento cerebral das crianças”, sustentou, por seu lado, a presidente da Juvenile Justice Initiative, Betsy Clark, entidade que tem sede em Evanston, Illinois.

Esta especialista defendeu que crianças menores de 14 anos nunca devem ser processadas, independentemente do crime, e lembrou que esta é a idade mínima de responsabilidade criminal em muitos países, como é o caso da Alemanha.

Na década de 1890, Illinois tornou-se um dos primeiros lugares do mundo a estabelecer um tribunal juvenil, retirando assim os menores do sistema adulto, recordou Betsy Clark.

Contudo, este caso prova que Illinois já não está na vanguarda da justiça juvenil, concluiu Betsy Clark.

As acusações de crimes violentos contra crianças são raras, disse Clark, acrescentando que nunca ouviu falar de outros casos em que alguém tão jovem foi acusado de tantos homicídios. “A liberdade condicional, dada a idade, é o único resultado que pode acontecer aqui”, avaliou.

Nenhum mandado de prisão deve ser emitido para o suspeito, adiantou Minger, indicando que à criança será nomeado um advogado, sendo sujeita a um julgamento em tribunal, na frente de um juiz.

Segundo a lei de Illinois, um suspeito com menos de 10 anos não pode ser detido.

A apresentação de acusações de homicídio contra crianças menores de 10 anos é rara, mas existem precedentes. Em setembro, um juiz de Michigan rejeitou uma acusação de homicídio contra um garoto de 9 anos acusado de disparar fatalmente sobre a sua mãe perto de Sturgis.

O juiz da Divisão de Família do Condado de St. Joseph, David Tomlinson, decidiu que, segundo a lei de Michigan, a criança pelo que não deveria ir a julgamento porque ainda não tinha 10 anos.

Khaseen foi morto à frente de 50 jovens. Em vez de o ajudarem, filmaram – Notícia com declarações de Melanie Tavares do IAC

Setembro 23, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

A notícia contém declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

Notícia e imagem do site Contacto de 20 de setembro de 2019.

Como é que, nem um só, em meia centena decide ir em auxílio do adolescente que estava ser agredido e esfaqueado? A explicação da psicóloga dá que pensar.

Khaseen Morris, de 16 anos, poderia ter sido salvo. Poderia não ter morrido no hospital de Nova Iorque, na segunda feira à noite, após ter sido esfaqueado no peito, alegadamente por Tyler Flach (na foto em baixo), de 18 anos, no exterior de um centro comercial, em Long Island, Nova Iorque.

Como é que, nem um só, em meia centena decide ir em auxílio do adolescente que estava ser agredido e esfaqueado? A explicação da psicóloga dá que pensar.

Khaseen Morris, de 16 anos, poderia ter sido salvo. Poderia não ter morrido no hospital de Nova Iorque, na segunda feira à noite, após ter sido esfaqueado no peito, alegadamente por Tyler Flach (na foto em baixo), de 18 anos, no exterior de um centro comercial, em Long Island, Nova Iorque.

Khaseen Morris poderia até nem ter sido esfaqueado, nesse dia à tarde.

Bastava que os 50 ou 60 jovens que assistiam às agressões de outros seis sobre Khaseen Morris e um amigo tivessem agido e auxiliado o adolescente. Podiam ter acabado com a violência antes do pior acontecer.

Mas não foi isso que aconteceu.

Meia centena viu tudo e não fez nada

Os 50 ou 60 jovens que assistiam foram mesmo só espetadores, muitos até filmaram a agressão e foram colocando nas redes sociais. Tudo filmado até Khaseen Morris ser esfaqueado e ficar deitado no chão, em agonia total.

Nem aí algum dos jovens o foi ajudar. Apenas assistiram a tudo e filmaram todo o seu sofrimento e sangue até ser levado para o hospital. Onde acabaria por morrer, nessa noite.

O amigo, de 17 anos, com quem estava Khaseen também sofreu bastantes  agressões e ficou ferido. Acabou com a cabeça e braço partidos, segundo a NBC.

Ciúmes por causa de uma jovem

Conta também o jornal New York Times que a causa das agressões terá sido uma rapariga.

Khassen Morris “estaria a sair” com a ex-namorada de Tyler Flach. E este não gostou.

Por isso, Tyler Flach terá combinado com outros cinco jovens a agressão no centro comercial, tendo combinado o encontro com Khaseen, depois das aulas, segundo contaram as autoridades policiais citadas pela CNN. A escola que o adolescente frequentava, Oceanside High School,  era perto do centro comercial e os estudantes costumavam reunir-se ali. O video mostra o suspeito de assassinato de Khaseen a ser detido.

Flach foi detido na quarta-feira, presente a tribunal e declarou-se inocente.

Os vídeos da agressão e esfaqueamento do adolescente correram e ainda correm pela internet.

Foram eles que ajudaram a polícia a identificar os agressores, embora os agentes afirmem que preferiam que os jovens tivessem ajudado Khaseen Morris em vez de filmar.

 A grande questão

O agente de polícia Stephen Fitzpatrick, de Long Island lançou a grande questão na conferência de imprensa: “Os miúdos estavam ali e não ajudaram Khaseen (…) filmaram a sua morte em vez de o ajudar”.

Tratou-se de meia centena de adolescentes, ou até mais, que impavidamente assistiram a tudo e ninguém o ajudou. Porquê?

Melania Tavares, psicóloga do Instituto português de Apoio à Criança (IAC) consegue explicar tal “frieza” e “indiferença” desta meia centena de espetadores e porque nenhum destes adolescentes ou jovem foi ajudar a vítima e acabar com as agressões.

“Em contexto de grupo as pessoas tendem a não agir, é frequente”, estão à espera que outro o faça, explica a psicologia social. E quanto maior o grupo menor é a probabilidade de alguém tomar tal iniciativa.

Psicóloga explica indiferença ao sofrimento

Entre os jovens a questão tem ainda outros contornos.

Melania Tavares dá como exemplo casos de bullying que já aconteceram e que também foram filmados por espetadores, que em grupo observavam a situação. “Nenhum deles agiu, nenhum ajudou. Filmaram”. Para colocar nas redes sociais.

Mas, como podem os jovens ser tão indiferentes à violência que se desenrola à sua frente e não ajudar as vítimas?

“Porque não têm noção. Estão habituados aos jogos de vídeo, à violência virtual e consideram que o mundo real é igual”, conta esta psicóloga que é também coordenadora do setor de humanização dos serviços de atendimento à criança do IAC.

A vida real como nos jogos virtuais

Nestas crianças e adolescentes “não existe noção de risco, dos perigos nem da gravidade dos ferimentos, para eles é tudo como nos jogos virtuais”.

E foi essa a perceção de muitos dos adolescentes que assistiram às agressões feitas a Khaseen Morris e ao seu amigo no centro comercial de Long Island.

Porém, entre a meia centena de espetadores, Melania Tavares realça que houve alguns que tiveram vontade de ajudar as vítimas, de tentar travar as agressões. Mas, não o fizeram.

Alguns queriam ajudar mas tiveram medo

“Por cobardia. Queriam fazê-lo mas tiveram medo de avançar. Tiveram medo que depois também fossem alvo de agressões até por parte dos espetadores”, explicou a psicóloga que é ainda a coordenadora do setor de atividades lúdicas do IAC.

Depois há ainda a questão da imagem: “Quem fosse ajudar poderia ser um herói, mas tinha medo de ser criticado pelos outros jovens e isso seria mau para a sua imagem. E hoje em dia, os adolescentes dão extrema importância à imagem que passam de si”, sobretudo por causa das redes sociais.

Não há empatia

Nos dias de hoje, onde se mistura a realidade virtual com a real, cresce-se sem “empatia” para com o outro. E isso acontece, porque as “relações afetivas não são de um para um”, não se desenvolvem frente a frente, mas através das redes sociais.

“Comunicam virtualmente, e até podem estar na sala ao lado. Por isso deixam de ter empatia na vida real, ficam indiferentes ao sofrimento”, afirma Melania Tavares. Para estas gerações a vida real é um jogo virtual.

Khaseen Morris poderia até nem ter sido esfaqueado, nesse dia à tarde.

Bastava que os 50 ou 60 jovens que assistiam às agressões de outros seis sobre Khaseen Morris e um amigo tivessem agido e auxiliado o adolescente. Podiam ter acabado com a violência antes do pior acontecer.

Mas não foi isso que aconteceu.

Meia centena viu tudo e não fez nada

Os 50 ou 60 jovens que assistiam foram mesmo só espetadores, muitos até filmaram a agressão e foram colocando nas redes sociais. Tudo filmado até Khaseen Morris ser esfaqueado e ficar deitado no chão, em agonia total.

Nem aí algum dos jovens o foi ajudar. Apenas assistiram a tudo e filmaram todo o seu sofrimento e sangue até ser levado para o hospital. Onde acabaria por morrer, nessa noite.

O amigo, de 17 anos, com quem estava Khaseen também sofreu bastantes  agressões e ficou ferido. Acabou com a cabeça e braço partidos, segundo a NBC.

Ciúmes por causa de uma jovem

Conta também o jornal New York Times que a causa das agressões terá sido uma rapariga.

Khassen Morris “estaria a sair” com a ex-namorada de Tyler Flach. E este não gostou.

Por isso, Tyler Flach terá combinado com outros cinco jovens a agressão no centro comercial, tendo combinado o encontro com Khaseen, depois das aulas, segundo contaram as autoridades policiais citadas pela CNN. A escola que o adolescente frequentava, Oceanside High School,  era perto do centro comercial e os estudantes costumavam reunir-se ali. O video mostra o suspeito de assassinato de Khaseen a ser detido.

Flach foi detido na quarta-feira, presente a tribunal e declarou-se inocente.

Os vídeos da agressão e esfaqueamento do adolescente correram e ainda correm pela internet.

Foram eles que ajudaram a polícia a identificar os agressores, embora os agentes afirmem que preferiam que os jovens tivessem ajudado Khaseen Morris em vez de filmar.

 A grande questão

O agente de polícia Stephen Fitzpatrick, de Long Island lançou a grande questão na conferência de imprensa: “Os miúdos estavam ali e não ajudaram Khaseen (…) filmaram a sua morte em vez de o ajudar”.

Tratou-se de meia centena de adolescentes, ou até mais, que impavidamente assistiram a tudo e ninguém o ajudou. Porquê?

Melania Tavares, psicóloga do Instituto português de Apoio à Criança (IAC) consegue explicar tal “frieza” e “indiferença” desta meia centena de espetadores e porque nenhum destes adolescentes ou jovem foi ajudar a vítima e acabar com as agressões.

“Em contexto de grupo as pessoas tendem a não agir, é frequente”, estão à espera que outro o faça, explica a psicologia social. E quanto maior o grupo menor é a probabilidade de alguém tomar tal iniciativa.

Psicóloga explica indiferença ao sofrimento

Entre os jovens a questão tem ainda outros contornos.

Melania Tavares dá como exemplo casos de bullying que já aconteceram e que também foram filmados por espetadores, que em grupo observavam a situação. “Nenhum deles agiu, nenhum ajudou. Filmaram”. Para colocar nas redes sociais.

Mas, como podem os jovens ser tão indiferentes à violência que se desenrola à sua frente e não ajudar as vítimas?

“Porque não têm noção. Estão habituados aos jogos de vídeo, à violência virtual e consideram que o mundo real é igual”, conta esta psicóloga que é também coordenadora do setor de humanização dos serviços de atendimento à criança do IAC.

A vida real como nos jogos virtuais

Nestas crianças e adolescentes “não existe noção de risco, dos perigos nem da gravidade dos ferimentos, para eles é tudo como nos jogos virtuais”.

E foi essa a perceção de muitos dos adolescentes que assistiram às agressões feitas a Khaseen Morris e ao seu amigo no centro comercial de Long Island.

Porém, entre a meia centena de espetadores, Melania Tavares realça que houve alguns que tiveram vontade de ajudar as vítimas, de tentar travar as agressões. Mas, não o fizeram.

Alguns queriam ajudar mas tiveram medo

“Por cobardia. Queriam fazê-lo mas tiveram medo de avançar. Tiveram medo que depois também fossem alvo de agressões até por parte dos espetadores”, explicou a psicóloga que é ainda a coordenadora do setor de atividades lúdicas do IAC.

Depois há ainda a questão da imagem: “Quem fosse ajudar poderia ser um herói, mas tinha medo de ser criticado pelos outros jovens e isso seria mau para a sua imagem. E hoje em dia, os adolescentes dão extrema importância à imagem que passam de si”, sobretudo por causa das redes sociais.

Não há empatia

Nos dias de hoje, onde se mistura a realidade virtual com a real, cresce-se sem “empatia” para com o outro. E isso acontece, porque as “relações afetivas não são de um para um”, não se desenvolvem frente a frente, mas através das redes sociais.

“Comunicam virtualmente, e até podem estar na sala ao lado. Por isso deixam de ter empatia na vida real, ficam indiferentes ao sofrimento”, afirma Melania Tavares. Para estas gerações a vida real é um jogo virtual.

Os desenhos das crianças migrantes em centros de detenção nos EUA

Setembro 17, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia da SIC Notícias de 10 de julho de 2019.

Crianças de 10 e 11 anos que tinham sido separadas das famílias.

A Academia Pediátrica Americana (APP) partilhou os desenhos desconcertantes de três crianças migrantes que tinham sido separadas das famílias e se encontravam sob custódia dos Estados Unidos.

As crianças, com idades entre os 10 e 11 anos, tinham acabado de ser soltas pelos Serviços de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e encontravam-se no Centro de Descanso Humanitário da Catholic Charities (organização sem fins lucrativos) em McAllen, no Texas.

A equipa do centro sugeriu às crianças que desenhassem algo que mostrasse como foi o seu tempo sob custódia dos CBP e o resultado foi entregue à APP.

Colleen Kraft, pediatra e ex-presidente da APP, disse à CNN que “o facto dos desenhos serem tão realistas e horrendos dá-nos uma visão sobre o que estas crianças passaram. Quando uma criança desenha isto, está-nos a dizer que sentiu como se tivesse estado numa prisão.”

O grupo de pediatras afirma que tem tentado avisar os CBP sobre as melhores formas de rastrear e cuidar das crianças sob a sua custódia, mas, de acordo com a CNN, todas as reuniões não resultaram em nada.

Sara Goza, a atual presidente da APP, visitou por duas das instalações da CBP. Nas visitas afirma nunca ter encontrado “um único pediatra” e “a primeira coisa que me atingiu foi o cheiro. Um cheiro a suor, urina e fezes. Tempo nenhum nestas instalações é seguro para crianças.” acrescenta.

Em dezembro passado morreram duas crianças nestes centros, uma de gripe e outra com uma infeção generalizada.

Estas mortes, segundo a APP, podiam ter sido evitadas se houvesse pediatras nos Centros de detenção.

“Os agentes da CBP são polícias. Têm um trabalho importante, sim, mas não estão treinados para cuidar de crianças.” disse Kraft, ao que Goza acrescentou “temos pediatras que se voluntariam para irem para as fronteiras já amanhã e trabalhar com estas crianças, dar aconselhamento médico e treinar quem lá está diariamente. Mas até agora a oferta não foi a lado nenhum.”

Só em 2018, foram detidas mais de 396 mil pessoas a tentar atravessar a fronteira entre os EUA e o México ilegalmente. Imagens divulgadas pelo Departamento de Segurança Interna mostram os centros de detenção com mais do dobro das pessoas para as quais estavam capacitados.

Segundo a Agência norte-americana para a Saúde e Serviços Humanos, havia, no mês passado, 11.800 crianças migrantes retidas pela agência. Sendo que 2.300 são crianças que foram retiradas aos pais.

A ProPublica, uma organização sem fins lucrativos, recebeu uma gravação, em que se ouve o choro de crianças num centro de detenção,de Jennifer Harbury, advogada e ativista de direitos humanos, que obteve o áudio com a ajuda de um informador. Não foram, contudo, fornecidos detalhes sobre o local exato onde foi captado o som.

Ouvir a gravação no link:

https://sicnoticias.pt/mundo/2019-07-10-Os-desenhos-das-criancas-migrantes-em-centros-de-detencao-nos-EUA?fbclid=IwAR3VICYKjwy-oGTGPuUSuzp7x5YIHJT8sCbFzubU8-fOIYShJo22MaFqn9w

Mais de 900 crianças migrantes foram separadas dos seus pais nos EUA no último ano

Agosto 22, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do El Pais Brasil de 31 de julho de 2019.

Amanda Mars Checa

Dado consta na ação movida pela entidade de direitos civis ACLU, abrangendo o período posterior ao suposto fim dessa prática por parte da Administração Trump.

O assunto eclodiu em maio do ano passado. A Administração norte-americana reconheceu que havia perdido a pista de 1.500 menores indocumentados desde o final de 2017. Supostamente eles tinham sido transferidos para a casa de parentes ou famílias de acolhida. A partir disso, teve que reconhecer que, entre 19 de abril e 6 de junho, havia separado 2.000 crianças, às vezes bebês, de seus pais ou outros familiares adultos. A avalanche de críticas foi tal que Donald Trump se viu forçado a retificar essa política. Entretanto, uma ação judicial apresentada nesta terça-feira pela União Americana das Liberdades Civis (ACLU, principal entidade de direitos civis dos EUA) mostra que no último ano mais de 900 menores foram separados de seus pais ou responsáveis.

Com a entrada em vigor da doutrina de tolerância zero, qualquer adulto que tentasse entrar nos Estados Unidos de forma irregular e sem cumprir os devidos procedimentos de asilo passou a ser considerado um delinquente e processado judicialmente como tal. Como os menores não podem ser presos, nem permanecer mais de 21 dias sob custódia, eram separados.

A pressão política, junto com o estarrecimento da opinião pública diante das imagens de crianças chorando, levou Trump a anunciar que as famílias permaneceriam unidas, embora sem explicar muito bem como, pois evitou desdizer sua política de mão firme. Dias depois, um juiz federal de San Diego acabou de determinar essa mudança, ao dar 30 dias ao Governo para reunir as famílias separadas.

Agora, segundo o Departamento de Segurança Doméstica, a separação das crianças migrantes e seus pais ou tutores legais na hora de cruzar a fronteira é algo excepcional. A maioria se deve a que os adultos cometeram algum tipo de delito (administrações anteriores, como a de George W. Bush e Barack Obama, separavam os menores se estes estivessem sob risco de abusos ou dependessem de um adulto que cometeu crimes graves). A ACLU, entretanto, alega que mesmo delitos menores estão sendo usados para justificar as separações.

Especificamente, o escrito da organização, apresentado nesta terça-feira a um tribunal federal de San Diego, aponta que 911 crianças imigrantes foram separadas de seus familiares entre 26 de junho de 2018 e 29 de junho de 2019. Entre outros casos, relata que um indocumentado perdeu sua filha ao ser condenado por destruição de propriedade privada, ao causar um prejuízo de cinco dólares.

Raide anti-imigração no Mississippi deixa centenas de crianças separadas dos pais

Agosto 9, 2019 às 12:06 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Público de 9 de agosto de 2019.

Quase 700 imigrantes sem documentos foram detidos em cinco fábricas na mesma região. Cerca de 300 foram entretanto libertados e ficam a aguardar julgamento, mas as organizações humanitárias estão preocupadas com o trauma que a operação pode causar às crianças.

Centenas de crianças foram retiradas de infantários e escolas no estado norte-americano do Mississippi e levadas para abrigos temporários, nas últimas 48 horas, por agentes dos serviços de imigração dos EUA. Em vídeos partilhados nas redes sociais, vêem-se crianças a chorar, sem saber onde estão os pais, depois de uma operação ordenada pelo Presidente Trump para deter e deportar imigrantes sem documentos.

A operação da agência de imigração norte-americana (ICE, na sigla em inglês) foi a maior de sempre realizada num só estado do país.

Mais de 600 agentes do ICE foram enviados para detectar e identificar trabalhadores ilegais em cinco fábricas de processamento de alimentos no Mississippi, em cinco localidades. Segundo a direcção da agência, foram detidos “aproximadamente 680 estrangeiros removíveis”.

Esta sexta-feira, quase 48 horas depois da operação, cerca de 300 foram libertados por não terem cadastro, nem haver qualquer outro motivo para permanecerem detidos (o facto de não terem documentos não é razão para detenção; os que ficaram detidos já têm ordem de deportação, a maioria porque os seus processos de imigração já foram tratados, e não porque tenham cometido crimes violentos).

“Foram abertos processos nos tribunais federais de imigração e eles terão de comparecer em tribunal mais tarde”, disse o ICE, referindo-se aos cerca de 300 que foram libertados.

Os restantes 400 continuam detidos e vão ser transferidos das instalações provisórias para onde foram levados, na quarta-feira, para os centros de detenção do ICE.

A detenção de centenas de trabalhadores numa só operação, e em cinco localidades próximas umas das outras, foi notada nas escolas da região – na primeira semana de aulas.

Numa delas, no condado de Leake, 50 crianças (1/4 de todos os alunos) não compareceram às aulas na quinta-feira, depois de terem sido levadas pelo ICE na quarta-feira; noutra, no condado de Scott, mais de 150 crianças não foram às aulas; e na escola de Canton, 63 dos 400 alunos que têm o inglês como segundo língua também não se apresentaram às aulas na quinta-feira.

“Nós tentámos falar com eles”, disse ao site Buzzfeed o responsável da escola do condado de Scott, Tony McGee. “Em parte, estão com medo de regressar à escola. Não se sentem seguros nesta comunidade, mas nós dissemos-lhes que a escola é um porto seguro.”

Beverly Luckett, da escola de Canton, disse ao mesmo site que a situação “é muito triste”. “Eu sou mãe, e imagino o meu filho nesta situação. Parte o coração. Temos de garantir que as crianças são bem tratadas, e nós estamos a tentar aliviar o trauma que isto pode causar.”

A direcção do ICE disse que libertou os pais que têm menores ao seu cuidado em casa, e que também foram libertadas 18 crianças encontradas a trabalhar nas fábricas que foram alvo da operação.

Os raides do ICE foram ordenados pela Casa Branca em Julho, com o objectivo de deter e deportar “milhões de imigrantes” sem documentos. Desde então, milhares de pessoas foram detidas e enviadas para os centros da agência ou postas em liberdade a aguardar julgamento, mas o número de processos contra os empregadores norte-americanos é baixo: segundo um estudo da Universidade de Syracuse, em Nova Iorque, apenas 11 entre Abril de 2018 e Março de 2019.

O futuro das crianças é incerto. A esmagadora maioria nasceu nos EUA e frequenta o sistema de ensino norte-americano, e em muitos casos servem de tradutores para os seus pais, que trabalham em fábricas e em outros locais com baixos salários. Se os pais forem deportados, as crianças têm duas saídas: ou ficam nos EUA sem eles, ou regressam com eles a países como a Guatemala, as Honduras e El Salvador.

Depois de El Paso e Dayton, compram-se mochilas à prova de bala para as aulas

Agosto 9, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Photo: Danny Hermosillo

Notícia do Público de 7 de agosto de 2019.

Durante a última semana, quatro tiroteios nos EUA provocaram 36 mortos. Só este ano, houve 32 tiroteios com múltiplas vítimas no país. Perante o cenário, as vendas de mochilas à prova de bala estão a aumentar: “Já vendemos 300 nos últimos dias”, disse o proprietário de uma marca de mochilas.

Cadernos, lápis, canetas e… mochilas à prova de bala. São assim as listas de compras para o regresso às aulas nos Estados Unidos. No espaço de oito dias houve quatro tiroteios que provocaram 36 vítimas mortais, incluindo dois atiradores que foram abatidos. À luz destes acontecimentos, nos supermercados americanos a venda de mochilas à prova de bala está a aumentar a um ritmo alucinante.

As mochilas da Guard Dog Security já eram um “item popular”, refere Yasir Sheikh, presidente e fundador da Skyline USA, uma empresa que comercializa estes produtos, ao canal televisivo CNBC. Mas nos últimos anos a procura tem vindo a aumentar, especialmente após tiroteios em escolas e noutros espaços públicos. Depois do último fim-de-semana, em que os Estados Unidos viram dois tiroteios a acontecer num espaço de 24 horas, em El Paso, Texas, e em Dayton, Ohio, registou-se um pico de vendas.

Roman Zrazhevskiy, do Ready To Go Survival, uma empresa de “kits de sobrevivência”, acredita que as encomendas do fim-de-semana são mais do que “altas”: “A nossa referência é de 100 unidades por mês. Já vendemos 300 nos últimos dias”, disse ao Houston Chronicle, citado pelo site australiano news.com.au. A Bullet Blocker, que já vende este tipo de mochilas há mais de uma década, diz que as vendas aumentaram em mais de 200% nos últimos anos.

“A mochila Guard Dog parece uma mochila normal. Com uma divisão para o computador e bolsos para organização, apenas é um pouco mais pesada do que uma mochila sem armadura”, lê-se no site da marca. A ideia, diz Sheikh, é que a mochila “não faça quem a usa parecer que vai para a guerra”. Outras empresas, como a ArmorMe, vão mais longe e recomendam que os pais façam uma espécie de “treino” e criem cenários de tiroteio em casa com as crianças, usando a mochila como escudo. “Nunca sabemos quando um ataque violento pode acontecer”, lê-se no site.

A venda destas mochilas levanta questões: William Bratton, antigo comissário do Departamento de Polícia de Nova Iorque, alerta para o facto de as mochilas não serem eficazes para o tipo de armas normalmente utilizadas nos tiroteios nas escolas. Mais ainda, refere, citado no texto da CNBC, que é preciso “ter cuidado com o nível de medo que se está a criar nas crianças”.

“Estamos a pedir às crianças para enfrentarem atacantes porque os políticos têm demasiado medo de se opor ao lobby das armas”, disse, por seu turno, Shannon Watts, fundadora da organização Moms Demand Action for Gun Sense in America, ao New York Times. Igor Volski, director do grupo Guns Down America, lamentou o facto de “o mercado estar a tentar resolver um problema que os políticos se recusam a resolver”.

“Os pais não deviam ter que comprar uma mochila à prova de bala para manter os seus filhos seguros na escola”, escreveu Kamala Harris, senadora democrata e procuradora-geral da Califórnia, no Twitter. “Isto não devia ser normal.”

O baloiço rosa que une as crianças separadas pelo muro entre EUA e México

Julho 31, 2019 às 2:24 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Ronald Rael

Notícia da Sábado de 30 de julho de 2019.

Dois professores sonharam com o projeto durante uma década.

Baloiços e escorregas foram instalados na fronteira dos Estados Unidos com o México para as crianças e adultos brincarem. Este é um projeto de dois professores que se tornou real esta segunda-feira.

Segundo avança o site Huffington Post, o objetivo é as crianças de ambos os lados da fronteira poderem brincar juntas.

Um dos professores que criou o projeto, Ronald Rael, escreveu nas redes sociais que esta é “uma das experiências mais incríveis da carreira”, divulgando um vídeo que mostra várias pessoas a aderir à iniciativa.

“O muro tornou-se algo fortíssimo para as relações EUA-México e crianças e adultos foram ligados desta forma em ambos os lados”, expliou Ronald Rael, de acordo com a mesma fonte.

Recorde-se que, no mês passado, uma foto de um pai e uma filha, mortos, revelou a realidade muitas vezes fatal dos migrantes que fugiram da América do Sul em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos.

https://www.instagram.com/p/B0fY2R6hfKr/?utm_source=ig_embed

Mais informações nas notícias:

Borderwall as Architecture Becomes Reality

These Seesaws Were Built Across The U.S.-Mexico Border To Let Children Play Together

EUA: Quase duas mil crianças migrantes continuam detidas em Homestead

Julho 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia da Amnistia Internacional de 18 de julho de 2019.

A Amnistia Internacional exige o encerramento do centro de detenção de Homestead que abriga quase duas mil crianças migrantes, algumas delas desacompanhadas, devido às condições inadequadas que personificam a política desastrosa dos Estados Unidos da América (EUA) para fazer face a este problema. No relatório No Home for Children: The Homestead ‘Temporary Emergency’ Facility (“Não é uma casa para crianças: O centro de ‘emergência temporária’ de Homestead), apresentado esta quinta-feira, concluímos que, em vez de proteger, as autoridades norte-americanas estão a punir todos aqueles que tentam reconstruir a vida no país, até mesmo menores de idade.

“Homestead é uma linha industrial para processar um grande número de crianças, em vez de se focar na defesa dos seus interesses. A mensagem desta Administração é clara: se as crianças fogem para os EUA para salvar a vida, o governo vai prendê-las e tornar tudo mais difícil para que consigam a sua libertação”, afirma a investigadora Denise Bell, especialista em direitos de refugiados e migrantes da Amnistia Internacional EUA.

Visitámos Homestead em abril e julho deste ano. Na primeira vez, o centro acolhia mais de 2100 menores, com idades entre os 13 e os 17 anos. Depois, a infraestrutura chegou a ter cerca de 2500 crianças. Contudo, a informação mais recente indica que o número desceu para menos de 2000.

“As crianças detidas em Homestead estão com medo, sozinhas e longe de casa. A grande maioria tem famílias dispostas a recebê-las, como os próprios pais ou membros da família”

Denise Bell, especialista em direitos de refugiados e migrantes da Amnistia Internacional EUA

Muitos destes menores fugiram da perseguição e violência que marca os países de origem, especialmente da América Central. Até chegarem aos EUA, cumpriram uma árdua jornada de milhares de quilómetros, sozinhos ou acompanhados por um membro da família ou um conhecido, a quem foram, posteriormente, retirados.

Uma vez em Homestead, as crianças vivem num ambiente restritivo, onde são obrigadas a seguir um cronograma altamente organizado e rigoroso ou a usar placas de identificação com códigos digitalizados para controlar as saídas e entradas do edifício. As meninas são obrigadas a preencher um formulário quando necessitam de tampões ou pensos higiénicos. O acesso à educação também tem inúmeras limitações, já que não segue o currículo do sistema de ensino da região. Além disso, existem barreiras linguísticas no acesso.

Reclusão e tentativas de fuga

Em média, as crianças permanecem 89 dias em Homestead. Depois, são entregues a famílias de acolhimento ou instituições. A Amnistia Internacional sabe que, em alguns casos, houve tentativas de fuga.

“As crianças detidas em Homestead estão com medo, sozinhas e longe de casa. A grande maioria tem famílias dispostas a recebê-las, como os próprios pais ou membros da família”, nota Denise Bell.

“A detenção prolongada e indefinida é uma crise criada pelo próprio governo. A Administração optou por dificultar a entrega das crianças às famílias por existir o risco de deportação devido a uma política desnecessária de partilha de informação. Essa política perpetuou a separação”, acrescenta a investigadora.

O que pedimos

As crianças só devem ser detidas como último recurso. Caso seja inevitável, terá de ser pelo tempo mais curto e no ambiente menos restritivo possível.

“As crianças que vêm para aqui devem ser tratadas como qualquer outra e receber os nossos cuidados, em vez de desprezo”

Denise Bell, especialista em direitos de refugiados e migrantes da Amnistia Internacional EUA

A utilização de infraestruturas temporárias, como Homestead ou quaisquer outras de natureza semelhante, deve ser descontinuada. Paralelamente, as autoridades norte-americanas têm de abrir uma investigação às condições destes centros e autorizar o acesso às organizações não-governamentais e aos membros do Congresso.

“A detenção de crianças que foram alvo, sem qualquer razão, de violência e perseguição horrendas nos seus países de origem é uma mancha no histórico dos direitos humanos dos EUA. As crianças que vêm para aqui devem ser tratadas como qualquer outra e receber os nossos cuidados, em vez de desprezo”, conclui Denise Bell.

https://www.amnistia.pt/wp-content/uploads/2019/07/Homestead-Report.pdf

A história de uma rapariga violada, do rapaz que a violou e do juiz que quer perdoar o culpado porque é de “boas famílias”

Julho 17, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Expresso de 3 de julho de 2019.

Marta Gonçalves

Violaram Mary. Espancaram-na, filmaram-na nua, deixaram-na sozinha. G.M.C foi considerado culpado mas, como é “boas famílias”, o juiz achou que ele merecia perdão e que a acusação ia destruir a vida do jovem.

Mary tinha 16 anos quando foi violada numa festa. Foi G.M.C., também de 16 anos, que a violou. Ela bebeu, ele também. Foram para uma cave às escuras onde um grupo de convidados estava. Deitaram Mary no sofá, borrifaram-na com ambientador e espancaram-na no rabo – as marcas da tortura haveriam de lá estar na manhã seguinte. Depois, Mary e G.M.C ficaram sozinhos. Ele filmou-se com o telemóvel a penetrá-la, gravou-a com o tronco nu. Depois, Mary ficou sozinha. Uns dias depois, ele enviou as imagens aos amigos acompanhada desta frase: “Quando a tua primeira vez é uma violação”, escreveu ele.

Tudo isto aconteceu. Tudo isto são factos dados como provados pela justiça norte-americana. O rapaz que o fez foi acusado de agressão sexual, violação de privacidade e de prejudicar o bem-estar de uma criança. James Troiano, juiz do tribunal de família, considerou que não se tratou de um violação e que o rapaz merece perdão porque “é de boas famílias”, “é um potencial candidato às melhores universidades” e que esta acusação lhe vai destruir a vida.

Mary não é o nome verdadeiro da vítima. As letras usadas para identificar o rapaz são as iniciais dos seus nomes. As autoridades norte-americanas, pelo menos nos documentos que são públicos, optaram por manter escondidas as identidades dos envolvidos.

O juiz considerou que violação implica um ataque de desconhecidos e o uso de armas. O que se passou, disse, foi apenas agressão sexual.

“Este jovem vem de uma boa família que o pôs numa excelente escola, onde ele se estava a sair extremamente bem. Claramente, ele não é só um candidato a uma qualquer universidade, é um potencial candidato a uma das melhores universidades. Os resultados dele para entrar no ensino superior são muito bons”, argumentou o juiz, que recusou o pedido do Ministério Público para que o jovem fosse julgado como um adulto (de acordo com a lei no estado de New Jersey, a partir dos 15 anos, devido à gravidade do crime cometido, um menor pode ser julgado como um adulto e, consequentemente, enfrentar as mesmas condenações).

Na argumentação, o juiz detalhou todas as atividades extracurriculares em que G.M.C estava inscrito e o facto de ser escoteiro.

O caso aconteceu em 2017 e foi agora recuperado pelo jornal “The New York Times”, após o juiz James Troiano ter sido repreendido pelo tribunal de recurso: é criticado e acusado de beneficiar adolescentes de famílias privilegiadas. O mesmo tribunal abre também a possibilidade de o caso ser transferido da secção de família e menores para um “grande júri”, em que G.M.C seria julgado como adulto.

James Troiano, 70 anos, é um dos dois juízes do tribunal de família de New Jersey que nas últimas semanas foram criticados por instâncias superiores devido às suas decisões em casos deste género. No outro processo, a juíza Marcia Silva considerou que um rapaz de 16 anos não deveria ser julgado como adulto porque, “além de ter perdido a virgindade”, a vítima de 12 anos “não sofreu mais danos”.

“Calculado e cruel”

Mary não sabe bem como chegou a casa depois daquela noite de 2017. Depois de tudo acontecer, os amigos de G.M.C. disseram aos amigos de Mary que a jovem estava apenas mal-disposta pela quantidade álcool que tinha bebido. Ela vomitava e levaram-na para casa.

Na manhã seguinte, contou tudo à mãe e falou-lhe na possibilidade de “algo de sexual ter acontecido”. Tinha marcas no corpo e a roupa estava estragada. Mary só começou a perceber o que se passou naquela noite quando alguém lhe contou que andava a circular pela escola um vídeo dela.

Mary confrontou G.M.C.. Ele negou e voltaria negar em tribunal.

Essa mentira, defendeu o Ministério Público durante o julgamento, não foi “uma má interpretação infantil do que se passou. Foi um comportamento “premeditado, calculado e cruel”. Por outro lado, o juiz considerou que os acontecimentos “não foram predatórios” e que as mensagens trocadas entre os amigos “foi apenas um miúdo de 16 anos a dizer coisas estúpidas aos amigos”.

Mais informações na notícia do The New York Times:

Teenager Accused of Rape Deserves Leniency Because He’s From a ‘Good Family,’ Judge Says

Por medo de atiradores, escolas dos EUA vigiam redes sociais de alunos

Julho 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia da Veja Brasil de 9 de junho de 2019.

Entre as medidas adotadas está o sistema de reconhecimento facial dos estudantes; ONGs se preocupam com imprecisão da tecnologia, indicando falsos suspeitos

Por Da Redação

O medo de atiradores estimulou a adoção de um sistema de vigilância dos alunos em escolas nos Estados Unidos. Entre as primeiras medidas, estão o monitoramento das redes sociais de adolescentes, para prevenir e identificar comportamentos agressivos.

Em algumas regiões do país, o método já cresceu a ponto de incluir a tecnologia de reconhecimento facial dos suspeitos, o monitoramento das postagens de quem está apenas no entorno das escolas, inclusive os adultos, e a identificação do uso de palavras que podem ser associadas a massacres.

Há empresas que vendem uma “análise psicológica” das postagens de alunos e aplicativos de “inteligência emocional” para avisar os pais sobre as buscas feitas na internet com palavras-chave como “morte”, “matar” ou “armas”.

Se a vigilância de redes sociais já era um assunto controverso, o debate sobre o direito à privacidade ganhou um novo componente na última semana, quando o distrito escolar de Lockport, no Estado de Nova York, anunciou a instalação do projeto de reconhecimento facial dos alunos. A ideia é cruzar os rostos de quem transita pela escola com uma base de dados com informações sobre alunos expulsos e com passagens pela polícia.

Autoridades locais pediram imediatamente que o projeto seja adiado. Os métodos de vigilância têm sido alvo de críticas de especialistas que consideram que os sistemas minam a privacidade dos jovens, a liberdade de expressão e podem criar traumas por possíveis falsas acusações. Os pais também temem o compartilhamento dessas informações com autoridades públicas ou para fins comerciais, já que a coleta de dados é feita por empresas privadas.

Os testes dos sistemas de reconhecimento facial ainda mostram que sua precisão varia de acordo com a cor de pele ou o gênero do rosto analisado. Segundo um professor da rede pública de Massachusetts, Erik Learned-Miller, o sistema, se não for bem testado, pode se tornar tendencioso.

Preconceito velado

E é com isso que Latarndra Strong se preocupa. Mãe de dois adolescentes, de 13 e 15 anos, ela foi informada de que a escola dos filhos, em Orange County, na Carolina do Norte, havia contratado uma empresa para analisar as postagens dos alunos.

“Morte, tiros, assassinato” são palavras que pulam no celular do diretor de uma das escolas que contratou estes serviços, com custo de aproximadamente 2 dólares americanos por aluno. Em alguns casos, o monitoramento das redes cria situações absurdas, como um alerta para postagens inofensivas com variações da palavra morte: é o caso de um alerta gerado a partir as mensagens “eu adoro meu gato e morreria por ele” ou “estresse pode matar”.

“Eles decidem quem será criminalizado. Como mãe, estou preocupada com o que é feito com esses dados”, diz Latarndra. Segundo ela, a escola avisou da contratação do sistema de monitoramento, mas não consultou os pais. “Quero entender os gatilhos que, segundo eles, fazem com que um aluno se torne suspeito.”

A Carolina do Norte é outro estado a adotar o sistema.  A empresa contratada é a Social Sentinel, uma companhia privada presente em distritos escolares de 35 dos 50 Estados americanos. Como ela, outras companhias já se espalharam pelos Estados Unidos. Seu trabalho consiste em analisar o conteúdo postado pelo aluno ou contido em e-mails do servidor da escola para identificar alunos que precisam de ajuda.

A empresa defende a importância de seu trabalho, mencionando uma pesquisa da organização Educators School Safety Network, estimando que 40% das pessoas que machucam a si mesmas ou a outros já expressaram esse desejo nas redes sociais. “É nossa missão identificar essas postagens e dar a nossos clientes a oportunidade de intervir”, informou um porta-voz da empresa.

Segundo a Social Sentinel, a tecnologia é continuamente refinada e o modelo é conservador, para criar um “número mínimo de falsos positivos”. A empresa afirma que não gera dados para outros propósitos, como marketing, e garante não monitorar usuários específicos ou dados privados.

Regulação do sistema

O advogado Brad Shear, especialista em redes sociais, passou a defender jovens rejeitados em universidades em razão de postagens online nos últimos anos. Com dois filhos na escola, ele é crítico do novo sistema de vigilância.

“É preciso haver regulação e lei”, critica ele. “O melhor a fazer é educar as crianças. Há casos de falsos positivos, e essas empresas estão tentando assustar educadores e pais dizendo que precisam disso para se tornarem seguros.” Segundo ele, há casos em que adolescentes postam letras de músicas nas redes sociais e já entram na mira dos alertas.

Em artigo, as pesquisadoras Rachel Levinson-Waldman e Faiza Patel, do Centro de Justiça Brennan, da New York University, apontam que 92% dos adolescentes frequentam redes sociais diariamente e que 24% deles estão conectados quase constantemente.

“Os programas de monitoramento podem funcionar como dispositivos de escuta que registram cada fala e os transmitem aos diretores escolares. Esse escrutínio pode revelar um comportamento de risco que requer intervenção. Mas, com muito mais frequência, também reprimirá a capacidade dos jovens de se expressarem”, afirmam.

O escritório nova-iorquino da Associação Americana para Liberdades Civis (ACLU) tem sido uma das vozes críticas à proposta de reconhecimento facial, sob o argumento de que o sistema de identificação passa aos estudantes a mensagem de que eles são criminosos em potencial e, por isso, precisam ter os rostos escaneados enquanto estudam ou brincam.

“Está claro que o Estado deve intervir e garantir que essas tecnologias imprecisas, preconceituosas e perigosas não sejam impostas a alunos, professores e pais sem a devida consideração de seus direitos”, afirmou Stefanie Coyle, conselheira de educação do NYCLU.

‘Isso só aumenta o estresse’

Ethan Sommers, de 19 anos, entrou para o movimento March For Our Lives depois de ter amigos que foram vítimas de tiroteios em escolas. O grupo foi criado por jovens depois do massacre de Parkland, na Flórida. Para ele, não está claro como o monitoramento de redes sociais ou reconhecimento facial pode tornar o ambiente estudantil mais seguro.

“Achamos que isso não ajuda, porque só aumenta o estresse”, afirma. “Não só falha na proteção, como não contribui com a qualidade da saúde mental dos estudantes, que é a nossa principal preocupação”, afirmou.

Erik Learned-Miller, professor de ciência da computação da Universidade de Massachusetts, tem se dedicado a pesquisas sobre os sistemas de reconhecimento facial. Segundo ele, ainda não há normatização suficiente sobre o tema para fazer com que os benefícios compensem os riscos.

“Se você nunca testou, por exemplo, o equipamento em situações de pouca luz, como sabe se vai funcionar? Os administradores de escolas compram o serviço sem saber nada sobre a tecnologia, as companhias não providenciam essas informações e não há diretrizes claras sobre isso. Não recomendaria às escolas comprarem neste momento uma tecnologia que não está pronta”, afirma Miller, que aponta erros em identificação facial nas suas pesquisas.

Em Nova York, um jovem de 18 anos está processando a Apple por ter sido detido injustamente por meio dos sistemas de monitoramento. Segundo ele, o sistema de reconhecimento facial da loja – que a empresa nega usar – o identificou como suspeito de forma equivocada. A polícia o liberou por entender ser a pessoa errada, mas Ousmane Bah pede uma indenização de 1 bilhão de dólares à empresa por danos morais.

Miller compara os sistemas à venda de remédios controlados. “É preciso passar por um processo para que sejam estipuladas as contraindicações”, afirma. “Qual é o custo do erro? Suponha que um pai entre em uma escola e não seja identificado corretamente, o que acontecerá? Um policial será acionado e vai atirar? Eu não sou anti-indústria, mas tenho visto empresas superestimando a precisão da tecnologia”, afirma o pesquisador.

Em maio, a cidade de São Francisco, na Califórnia, sede das gigantes de tecnologia, aprovou uma lei que proíbe o uso desses programas de reconhecimento facial pela polícia local. A cidade entendeu que o risco aos direitos e liberdades civis “supera seus benefícios”.

Em 2016, um estudo do Centro de Privacidade e Tecnologia da Universidade Georgetown indicava que as bases de dados coletados por agentes públicos reconheciam o rosto de 117 milhões dos mais de 240 milhões de americanos adultos.

(com Estadão Conteúdo)

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.