Decretar guerra aberta ao “unboxing” no YouTube para proteger as crianças na Internet

Março 21, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo 24 de 6 de março de 2020.

As crianças norte-americanas passam muito tempo a ver vídeos no YouTube. Seja a ver conteúdos relacionados com videojogos ou outras temáticas, tanto a plataforma da Google como outras empresas (TikTok, por exemplo) podem vir a sofrer alterações significativas na maneira como operam com este tipo de temáticas. Isto, caso um decreto-lei, denominado KIDS (The Kids Internet Design and Safety ACT — O Projeto de Segurança das Crianças na Internet), passe no Congresso dos Estados Unidos.

O decreto foi introduzido pelos senadores democratas Ed Markey e Richard Blumenthal e, caso seja aprovado, estas plataformas vão ter de alterar a maneira como trabalham o conteúdo publicado pelos seus utilizadores e que seja focado para um público mais jovem. As alterações podem ocorrer desde os seus anúncios ao próprio design, passando pela limitação de conteúdo quando alguém com menos de 16 anos utiliza as plataformas, de acordo com o The Verge.

“Hoje em dia os rostos das crianças estão cada vez mais cobertos pelo brilho dos seus ecrãs e está na hora de enfrentar assustadora realidade de que alguns sites e aplicações são feitos de maneira a prejudicar as crianças”, segundo o senador Markey. “As empresas mais poderosas incentivam as crianças a comprar produtos online a toda a hora, e as plataformas de topo estão saturadas de conteúdo perturbador ao qual nenhuma criança deve ser exposta”, completou.

O decreto parece focar-se muito nos “unboxings” (abrir caixas de novos produtos que surgem no mercado), algo bastante popular no YouTube. No sentido prático do decreto, o The Verge dá o exemplo de um canal popular entre os jovens norte-americanos, o Ryan’s World, em que um vídeo pode alcançar milhões de visualizações. Caso este decreto vá em frente, este conteúdo não seria banido, mas o YouTube ficaria proibido de o recomendar a crianças — algo que limitaria bastante a sua difusão na plataforma.

Os senadores querem também mudar a arquitetura de alguns os sites e aplicações que, na sua opinião, estão desenhados para apelar às crianças. Ora, caso o decreto seja aprovado, este iria proibir as empresas de terem funcionalidades como o “autoplay” (começar a dar um novo vídeo assim que o atual termine) e deixaria de ser possível enviar notificações ou recompensas que incentivam as crianças a ficar durante longos períodos a navegar.

Markey, co-autor deste decreto, é o principal responsável por outro em vigor: o COPPA (Children’s Online Privacy Protection Act — Proteção da Privacidade das Crianças Online, em português), que proíbe que os sites recolham dados de crianças com menos de 13 anos. Contudo, tal não impediu que tanto o YouTube como o TikTok, fossem multados em vários milhões de dólares pela comissão de defesa do consumidor norte-americana (Federal Trade Comission — FTC) por terem violado as diretrizes deste decreto. E Markey já está a trabalhar no COPPA 2.0 — que tem como intuito aumentar a idade para 15.

“As grandes empresas montam as suas plataformas para ludibriar e explorar as crianças para ganhar mais gostos, mais visualizações, mais compras. O KIDS Act coloca anticorpos em curso no reinado de negligência dos marketers e das gigantes tecnológicas — protegendo as crianças e dando aos pais alguma paz de espírito”, disse Richard Blumenthal, o outro co-autor do decreto.

No início deste ano o YouTube levantou novas restrições a conteúdo que tem como alvo as crianças e alterou as regras e o modo como se podem encontrar vídeos que visem claramente o público jovem, por exemplo, aqueles que dão destaque a personagens infantis, temas, brinquedos ou jogos.

Unicef diz que 700 crianças migrantes estão isoladas no México, perto dos EUA

Fevereiro 5, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 3 de fevereiro de 2020.

Crianças e famílias de migrantes aguardam resposta de solicitações de asilo na cidade de Matamoros, no nordeste mexicano; Unicef amplia acesso aos serviços de proteção, psicossociais, água e saneamento na área.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, estima que 2,2 mil migrantes e requerentes de asilo, incluindo 700 crianças, estejam isolados na cidade de Matamoros, que fica na fronteira com o México.

Eles aguardam que suas solicitações de asilo sejam analisadas pelo sistema judicial dos Estados Unidos.

Situação humanitária

Segundo a agência da ONU, muitas dessas crianças e famílias estão no local há semanas ou meses. A situação em que elas se encontram é difícil devido à insegurança e ao acesso limitado a serviços essenciais.

O Unicef no México está atuando na resposta à situação humanitária em Matamoros para ajudar as crianças e as famílias carentes. Esses esforços incluem a criação de espaços para os menores, fornecimento de apoio psicossocial e a coordenação de serviços de água, saneamento e higiene.

A agência da ONU faz um apelo para que as instituições mexicanas implementem o Protocolo para a Proteção das Crianças Migrantes, desenvolvido pelo governo.

Adolescentes

O Protocolo estabelece as intervenções necessárias que as instituições mexicanas devem fornecer quando uma criança migrante entra no território para garantir que seus direitos sejam cumpridos.

A vice-representante do Unicef no México, Pressia Arifin-Cabo, disse que a agência está “monitorando a situação das crianças e adolescentes migrantes em Matamoros” e que é preciso “garantir que elas sejam protegidas em seu local de origem, durante o trânsito e em direção ao seu destino final.” Ela alertou que é preciso “agir agora, porque as crianças não podem esperar.”

Arifin-Cabo destacou que “é importante que o Protocolo para a Proteção das Crianças Migrantes seja implementado pelo Governo do México o mais rapidamente possível.”

Segundo ela, “existe uma incerteza sobre o que vai acontecer com essas crianças e adolescentes”. E que além disso, a “instabilidade afeta o seu bem-estar e tem consequências para sua sobrevivência e desenvolvimento.”

Notícia da Unicef:

Mexico: An estimated 700 migrant children stranded in Matamoros near U.S. border

Mais pizza e batatas, menos fruta e legumes. Trump quer reverter programa de refeições saudáveis nas escolas

Janeiro 28, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de janeiro de 2020.

O presidente dos Estados Unidos quer reverter o programa de refeições escolares mais saudáveis, que Michelle Obama pôs em prática há oito anos. Em nome do desperdício alimentar, Donald Trump pretende dar às escolas mais flexibilidade nas suas escolhas. Indústrias alimentares agradecem, nutricionistas criticam.

O presidente americano Donald Trump anunciou na sexta-feira a intenção de reverter o programa que promove refeições mais saudáveis nas escolas dos Estados Unidos, iniciado por Michelle Obama. Ao atenuar as regras que obrigaram as escolas a aumentar a quantidade de frutas e legumes dadas aos alunos, o que acontece é que se abre a porta a mais pizzas, hambúrgueres, carne e batatas.

“As escolas dizem-nos que ainda há muito desperdício de alimentos e é necessário haver maior flexibilidade no senso comum para conseguir dar aos alunos refeições nutritivas e apetitosas”, referiu, em comunicado, o secretário da Agricultura Sonny Perdue, baseado na premissa de que os alunos descartam aquilo de que gostam menos e que isso deve ser mudado.

Os nutricionistas e organizações de saúde já contestaram a posição. “O Governo Trump continua a atacar a saúde das crianças sob o pretexto de simplificar os cardápios das escolas”, afirmou, em comunicado, Colin Schwartz, membro do Centro de Ciência de Interesse Público. E acrescentou ainda que esta ideia vai “permitir às crianças escolherem pizza, hambúrgueres, batatas fritas e outros alimentos ricos em calorias e gorduras [saturadas]”, em vez de haver “menus escolares equilibrados todos os dias”.

Citada pelo “The New York Times”, Juliana Cohen, professora de Nutrição na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, considera que o programa lançado em 2012 por Michelle Obama “melhorou as dietas de milhões de crianças, sobretudo as mais vulneráveis que vivem em famílias com níveis elevados de insegurança alimentar”. O desperdício alimentar, acrescentou, “já era um problema antes de estes padrões alimentares mais saudáveis terem sido postos em prática, portanto revertê-los não irá resolver a questão”.

Também a presidente da Parceria para uma América mais Saudável, Nancy Roman, referiu que “não é apenas o que está no prato”, mas também a forma como a refeição “é preparada”. “As crianças precisam especialmente de ser expostas a frutas e vegetais que não sejam processados”, acrescentou.

14 milhões de crianças obesas nos EUA

Por outro lado, alguns sectores da indústria e do lobby alimentar aplaudiram a sugestão de Trump. Um dos exemplos, refere o “Guardian”, é a indústria da batata, que há já muito tempo que tentavam atenuar os padrões estabelecidos no programa nacional criado durante a administração Obama e que exigia maior consumo de fruta, vegetais e cereais integrais, obrigando à redução de sal, açúcar e gorduras. Michelle Obama foi a responsável por essa campanha por uma alimentação mais regrada e um estilo de vida mais saudável. “Let’s move” foi o nome da iniciativa lançada em 2012 e que visava também promover o exercício físico.

Estas novas medidas deverão abranger cerca de 99 mil escolas e 30 milhões de estudantes, entre os quais 22 milhões vivem em famílias com baixos rendimentos. Também se sabe que uma em cada cinco crianças e adolescentes nos Estados Unidos tem um peso acima do recomendado para a sua idade. São cerca de 14 milhões de crianças obesas e alterar a qualidade das refeições escolares era tida como uma forma eficaz de melhorar a sua alimentação.

Mais informações na notícia do The New York Times:

Trump Targets Michelle Obama’s School Nutrition Guidelines on Her Birthday

Menino de um ano morre devido a dieta crua. Pais vegan acusados de homicídio (EUA)

Dezembro 21, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 20 de dezembro de 2019.

Ryan e Sheila O’Leary alimentavam os filhos só com fruta e vegetais.

Um casal vegan foi acusado de homicídio e abuso infantil após o filho ter morrido, alegadamente, devido a uma dieta imposta pelos pais de apenas fruta e vegetais.

Ryan e Sheila O’Leary, do estado norte-americano da Florida, alimentavam os quatro filhos, com idades compreendidas entre 11 anos um ano, com base em alimentos crus como mangas, bananas ou abacates.

O filho mais novo, com 18 meses, pesava apenas sete quilos quando morreu. Sete quilos é o que em média um bebé de sete meses deve pesar para ter o peso adequado.

A mãe, Sheila, de 35 anos, disse à polícia que o bebé nasceu em casa e nunca tinha ido ao médico antes. Esta mulher é também acusada por abuso infantil e negligência.

Quando morreu, a criança não comia há cerca de uma semana. A mãe afirma que achava ser por causa dos dentes e tentou amamentá-lo. Segundo o relato da Sheila à polícia, eram cerca de quatro da manhã quando, durante a amamentação, o menino começou a ter a respiração pesada.

A mãe disse à polícia que ficou preocupada porque nunca tinha acontecido, mas como o menino depois adormeceu, Sheila não chamou os meios de socorro.

Só no dia seguinte, quando acordou, é que Sheila se apercebeu que o filho não respirava e estava frio. Foi aí que ligou para o 112 e o pai da criança o tentou reanimar, mas já era tarde.

Foi concluído que a criança morreu devido a desnutrição, desidratação, problemas de fígado e inchaço nas mãos, pés e parte inferior das pernas.

Os pais serão ouvidos em tribunal na próxima segunda-feira.

Mais informações na notícia:

US vegan parents who eat only raw fruit and vegetables are charged with MURDER for the starvation death of their 18-month-old son who was found weighing only 17lbs

 

Bebé vegan morre nos EUA: negligência ou culpa da dieta?

Novembro 25, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de novembro de 2019.

Uma dieta vegan, à base de frutas cruas, foi apontada como a causa de morte de um bebé de 18 meses, ainda que haja estudos que indicam que é possível crescer e ser saudável sem ingerir quaisquer produtos de origem animal.

No caso específico de bebés e crianças pequenas, o pediatra Mário Cordeiro sublinha que “nada disto [de se decidir ser vegan ou ovo-lacto-vegetariano] é errado se for feito com cabeça”. Para o especialista — que publicou recentemente mais um livro de poesia, com o título Fernando Pessoa não tinha cão — o ideal passa por “consultar o médico” e seguir, passo a passo, e mediante as necessidades de cada idade, a orientação nutricional.

“É perfeitamente possível crescer de forma saudável tendo uma dieta vegan ou vegetariana como base”, considera o profissional de saúde, acrescentando que, porém, é “importante complementar a mesma dieta com vitaminas e minerais” adequados a cada fase do crescimento.

Uma dieta vegan precisa de suplementos

Já os especialistas em nutrição deixam o alerta: para se seguir uma dieta vegan, independentemente da idade, “é preciso ter muita cautela, conjugar os alimentos com muito conhecimento, para ter a certeza de que não

há défice nutricional”, dizia a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, ao PÚBLICO, no âmbito do 4.º Simpósio Nacional da Grávida, que decorreu, em Setembro, em Vilamoura.

A bastonária sugeria ainda que se fizesse um suplemento de B12, que os produtos de origem vegetal não têm, mas também a ter em atenção o consumo de nutrientes como “o cálcio, o ferro, o zinco e as proteínas que se encontram mais nos alimentos de origem animal”.

Também o nutricionista Pedro Carvalho, num artigo publicado em Maio de 2018, advertia que “uma alimentação sem carne, pescado, lacticínios e ovos (…) implica necessariamente alguns ajustes quer em alimentos quer em suplementos de modo a que o aporte de proteína de boa qualidade, ferro, vitamina B12, cálcio, vitamina D, ómega 3 e iodo não fique comprometido”.

Pais acusados de homicídio por negligência

Uma chamada para as emergências, no dia 27 de Setembro, deu conta de um bebé de 18 meses frio e sem respirar, na sua casa em Cape Coral, no estado norte-americano da Florida. A autora do telefonema era a mãe, de 35 anos, que, já depois de ter sido declarado o óbito da criança, contou às autoridades que o filho não ingeria sólidos há uma semana, estando a ser amamentado — facto que a progenitora terá associado ao mal-estar com a dentição.

Mas o que os socorristas encontraram foi um bebé que apresentava sinais severos de subnutrição: a criança pesava apenas sete quilos, o que corresponde ao peso médio de um bebé entre os cinco e os seis meses, no percentil 50. A mãe explicou que, sendo vegan, a dieta da família, marido e quatro filhos incluídos, era à base de alimentos crus, nomeadamente frutas como manga, rambutão, banana e abacate.

Além do bebé, já sem vida, as autoridades identificaram ainda que as outras crianças também tinham problemas de nutrição, sobretudo as mais novas, de 3 e 5 anos, que são filhas biológicas do casal: peso muito abaixo do normal para a idade, dentes escurecidos e tez amarelada. A terceira, mais velha e filha apenas da mãe, apresentava sinais menos preocupantes, facto que os médicos associaram às visitas da menor a casa do pai biológico, de dois em dois meses.

Ambos os progenitores entregaram-se à polícia pouco tempo depois de ser conhecido o relatório da autópsia que determinou que o menino morreu de subnutrição, informou o jornal local News-Press. Os dois ficaram detidos, com julgamento marcado para 9 de Dezembro.

O caso não é inédito: este ano, um casal foi julgado na Austrália por manter a sua bebé de 19 meses num estado de subnutrição severa (pesava cinco quilos), tendo sido absolvido. Em 2011, um casal vegan foi julgado, em França, pela morte da filha de 11 meses, alegadamente causada pelo regime alimentar que exclui todos os produtos de origem animal — os pais foram condenados a cinco anos, mas acabaram por escapar à prisão, com pena suspensa.

Criança de nove anos julgada nos EUA por cinco homicídios em primeiro grau

Outubro 26, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 9 de outubro de 2019.

Uma criança norte-americana de 9 anos, acusada de causar um incêndio numa habitação que matou cinco pessoas no Illinois (EUA) vai responder em tribunal por cinco homicídios em primeiro grau.

O menor também vai ser julgado por duas acusações de incêndio criminoso e outra de incêndio criminoso agravado, informou o (Peoria) Journal Star esta terça-feira.

No incêndio que aconteceu a 6 de abril morreram uma criança de 1 ano, duas de 2 anos, um homem de 34 anos e uma mulher de 69 anos no Timberline Mobile Home Park, perto da vila de Goodfield, a cerca de 240 quilómetros a sudoeste de Chicago.

O advogado que representa o Estado no condado de Woodford, Greg Minger, não revelou detalhes sobre o suspeito, incluindo um possível relacionamento com as vítimas.

Nenhuma criança tão jovem foi acusada de assassínio em massa desde pelo menos 2006, segundo a base de dados dedicado a este tipo de homicídios da AP-USATODAY-Northeastern University.

A base de dados reúne informação sobre todos os homicídios nos EUA desde então, nos quais quatro ou mais pessoas foram mortas (sem incluir o agressor) por um curto período de tempo (24 horas), independentemente da arma, localização, relacionamento vítima ou agressor.

Minger disse que analisou exaustivamente vários relatórios sobre o incêndio antes de prosseguir com a acusação. Já o médico-legista do condado de Woodford, Tim Ruestman, sustentou que o incêndio começou intencionalmente.

“Foi uma decisão pesada”, disse Minger. “É uma tragédia, (…) no final das contas está a ser acusado uma pessoa muito jovem de um dos crimes mais graves que temos. Mas acho que isso precisa ser feito neste momento”, acrescentou.

Um dos grandes desafios para os procuradores públicos será tentar provar que a criança teve a intenção de matar com antecedência, o que é necessário em casos em que as acusações são de homicídio em primeiro grau, explicou o ex-procurador Gus Kostopoulos, que se tornou advogado de defesa juvenil em Chicago.

“Crianças de nove anos não sabem que o Pai Natal não existe. Eles não sabem que as pessoas morrem e não voltam à vida”, argumentou. “Não sei se crianças de 9 anos podem ter a intenção de cometer assassinato”, frisou.

Um dos principais advogados de Illinois para crianças que se encontram no sistema de justiça criminal criticou fortemente a decisão de se acusar uma criança tão jovem por assassínio.

“As acusações estão completamente fora de linha, considerando tudo o que aprendemos (…) especialmente sobre o desenvolvimento cerebral das crianças”, sustentou, por seu lado, a presidente da Juvenile Justice Initiative, Betsy Clark, entidade que tem sede em Evanston, Illinois.

Esta especialista defendeu que crianças menores de 14 anos nunca devem ser processadas, independentemente do crime, e lembrou que esta é a idade mínima de responsabilidade criminal em muitos países, como é o caso da Alemanha.

Na década de 1890, Illinois tornou-se um dos primeiros lugares do mundo a estabelecer um tribunal juvenil, retirando assim os menores do sistema adulto, recordou Betsy Clark.

Contudo, este caso prova que Illinois já não está na vanguarda da justiça juvenil, concluiu Betsy Clark.

As acusações de crimes violentos contra crianças são raras, disse Clark, acrescentando que nunca ouviu falar de outros casos em que alguém tão jovem foi acusado de tantos homicídios. “A liberdade condicional, dada a idade, é o único resultado que pode acontecer aqui”, avaliou.

Nenhum mandado de prisão deve ser emitido para o suspeito, adiantou Minger, indicando que à criança será nomeado um advogado, sendo sujeita a um julgamento em tribunal, na frente de um juiz.

Segundo a lei de Illinois, um suspeito com menos de 10 anos não pode ser detido.

A apresentação de acusações de homicídio contra crianças menores de 10 anos é rara, mas existem precedentes. Em setembro, um juiz de Michigan rejeitou uma acusação de homicídio contra um garoto de 9 anos acusado de disparar fatalmente sobre a sua mãe perto de Sturgis.

O juiz da Divisão de Família do Condado de St. Joseph, David Tomlinson, decidiu que, segundo a lei de Michigan, a criança pelo que não deveria ir a julgamento porque ainda não tinha 10 anos.

Khaseen foi morto à frente de 50 jovens. Em vez de o ajudarem, filmaram – Notícia com declarações de Melanie Tavares do IAC

Setembro 23, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A notícia contém declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

Notícia e imagem do site Contacto de 20 de setembro de 2019.

Como é que, nem um só, em meia centena decide ir em auxílio do adolescente que estava ser agredido e esfaqueado? A explicação da psicóloga dá que pensar.

Khaseen Morris, de 16 anos, poderia ter sido salvo. Poderia não ter morrido no hospital de Nova Iorque, na segunda feira à noite, após ter sido esfaqueado no peito, alegadamente por Tyler Flach (na foto em baixo), de 18 anos, no exterior de um centro comercial, em Long Island, Nova Iorque.

Como é que, nem um só, em meia centena decide ir em auxílio do adolescente que estava ser agredido e esfaqueado? A explicação da psicóloga dá que pensar.

Khaseen Morris, de 16 anos, poderia ter sido salvo. Poderia não ter morrido no hospital de Nova Iorque, na segunda feira à noite, após ter sido esfaqueado no peito, alegadamente por Tyler Flach (na foto em baixo), de 18 anos, no exterior de um centro comercial, em Long Island, Nova Iorque.

Khaseen Morris poderia até nem ter sido esfaqueado, nesse dia à tarde.

Bastava que os 50 ou 60 jovens que assistiam às agressões de outros seis sobre Khaseen Morris e um amigo tivessem agido e auxiliado o adolescente. Podiam ter acabado com a violência antes do pior acontecer.

Mas não foi isso que aconteceu.

Meia centena viu tudo e não fez nada

Os 50 ou 60 jovens que assistiam foram mesmo só espetadores, muitos até filmaram a agressão e foram colocando nas redes sociais. Tudo filmado até Khaseen Morris ser esfaqueado e ficar deitado no chão, em agonia total.

Nem aí algum dos jovens o foi ajudar. Apenas assistiram a tudo e filmaram todo o seu sofrimento e sangue até ser levado para o hospital. Onde acabaria por morrer, nessa noite.

O amigo, de 17 anos, com quem estava Khaseen também sofreu bastantes  agressões e ficou ferido. Acabou com a cabeça e braço partidos, segundo a NBC.

Ciúmes por causa de uma jovem

Conta também o jornal New York Times que a causa das agressões terá sido uma rapariga.

Khassen Morris “estaria a sair” com a ex-namorada de Tyler Flach. E este não gostou.

Por isso, Tyler Flach terá combinado com outros cinco jovens a agressão no centro comercial, tendo combinado o encontro com Khaseen, depois das aulas, segundo contaram as autoridades policiais citadas pela CNN. A escola que o adolescente frequentava, Oceanside High School,  era perto do centro comercial e os estudantes costumavam reunir-se ali. O video mostra o suspeito de assassinato de Khaseen a ser detido.

Flach foi detido na quarta-feira, presente a tribunal e declarou-se inocente.

Os vídeos da agressão e esfaqueamento do adolescente correram e ainda correm pela internet.

Foram eles que ajudaram a polícia a identificar os agressores, embora os agentes afirmem que preferiam que os jovens tivessem ajudado Khaseen Morris em vez de filmar.

 A grande questão

O agente de polícia Stephen Fitzpatrick, de Long Island lançou a grande questão na conferência de imprensa: “Os miúdos estavam ali e não ajudaram Khaseen (…) filmaram a sua morte em vez de o ajudar”.

Tratou-se de meia centena de adolescentes, ou até mais, que impavidamente assistiram a tudo e ninguém o ajudou. Porquê?

Melania Tavares, psicóloga do Instituto português de Apoio à Criança (IAC) consegue explicar tal “frieza” e “indiferença” desta meia centena de espetadores e porque nenhum destes adolescentes ou jovem foi ajudar a vítima e acabar com as agressões.

“Em contexto de grupo as pessoas tendem a não agir, é frequente”, estão à espera que outro o faça, explica a psicologia social. E quanto maior o grupo menor é a probabilidade de alguém tomar tal iniciativa.

Psicóloga explica indiferença ao sofrimento

Entre os jovens a questão tem ainda outros contornos.

Melania Tavares dá como exemplo casos de bullying que já aconteceram e que também foram filmados por espetadores, que em grupo observavam a situação. “Nenhum deles agiu, nenhum ajudou. Filmaram”. Para colocar nas redes sociais.

Mas, como podem os jovens ser tão indiferentes à violência que se desenrola à sua frente e não ajudar as vítimas?

“Porque não têm noção. Estão habituados aos jogos de vídeo, à violência virtual e consideram que o mundo real é igual”, conta esta psicóloga que é também coordenadora do setor de humanização dos serviços de atendimento à criança do IAC.

A vida real como nos jogos virtuais

Nestas crianças e adolescentes “não existe noção de risco, dos perigos nem da gravidade dos ferimentos, para eles é tudo como nos jogos virtuais”.

E foi essa a perceção de muitos dos adolescentes que assistiram às agressões feitas a Khaseen Morris e ao seu amigo no centro comercial de Long Island.

Porém, entre a meia centena de espetadores, Melania Tavares realça que houve alguns que tiveram vontade de ajudar as vítimas, de tentar travar as agressões. Mas, não o fizeram.

Alguns queriam ajudar mas tiveram medo

“Por cobardia. Queriam fazê-lo mas tiveram medo de avançar. Tiveram medo que depois também fossem alvo de agressões até por parte dos espetadores”, explicou a psicóloga que é ainda a coordenadora do setor de atividades lúdicas do IAC.

Depois há ainda a questão da imagem: “Quem fosse ajudar poderia ser um herói, mas tinha medo de ser criticado pelos outros jovens e isso seria mau para a sua imagem. E hoje em dia, os adolescentes dão extrema importância à imagem que passam de si”, sobretudo por causa das redes sociais.

Não há empatia

Nos dias de hoje, onde se mistura a realidade virtual com a real, cresce-se sem “empatia” para com o outro. E isso acontece, porque as “relações afetivas não são de um para um”, não se desenvolvem frente a frente, mas através das redes sociais.

“Comunicam virtualmente, e até podem estar na sala ao lado. Por isso deixam de ter empatia na vida real, ficam indiferentes ao sofrimento”, afirma Melania Tavares. Para estas gerações a vida real é um jogo virtual.

Khaseen Morris poderia até nem ter sido esfaqueado, nesse dia à tarde.

Bastava que os 50 ou 60 jovens que assistiam às agressões de outros seis sobre Khaseen Morris e um amigo tivessem agido e auxiliado o adolescente. Podiam ter acabado com a violência antes do pior acontecer.

Mas não foi isso que aconteceu.

Meia centena viu tudo e não fez nada

Os 50 ou 60 jovens que assistiam foram mesmo só espetadores, muitos até filmaram a agressão e foram colocando nas redes sociais. Tudo filmado até Khaseen Morris ser esfaqueado e ficar deitado no chão, em agonia total.

Nem aí algum dos jovens o foi ajudar. Apenas assistiram a tudo e filmaram todo o seu sofrimento e sangue até ser levado para o hospital. Onde acabaria por morrer, nessa noite.

O amigo, de 17 anos, com quem estava Khaseen também sofreu bastantes  agressões e ficou ferido. Acabou com a cabeça e braço partidos, segundo a NBC.

Ciúmes por causa de uma jovem

Conta também o jornal New York Times que a causa das agressões terá sido uma rapariga.

Khassen Morris “estaria a sair” com a ex-namorada de Tyler Flach. E este não gostou.

Por isso, Tyler Flach terá combinado com outros cinco jovens a agressão no centro comercial, tendo combinado o encontro com Khaseen, depois das aulas, segundo contaram as autoridades policiais citadas pela CNN. A escola que o adolescente frequentava, Oceanside High School,  era perto do centro comercial e os estudantes costumavam reunir-se ali. O video mostra o suspeito de assassinato de Khaseen a ser detido.

Flach foi detido na quarta-feira, presente a tribunal e declarou-se inocente.

Os vídeos da agressão e esfaqueamento do adolescente correram e ainda correm pela internet.

Foram eles que ajudaram a polícia a identificar os agressores, embora os agentes afirmem que preferiam que os jovens tivessem ajudado Khaseen Morris em vez de filmar.

 A grande questão

O agente de polícia Stephen Fitzpatrick, de Long Island lançou a grande questão na conferência de imprensa: “Os miúdos estavam ali e não ajudaram Khaseen (…) filmaram a sua morte em vez de o ajudar”.

Tratou-se de meia centena de adolescentes, ou até mais, que impavidamente assistiram a tudo e ninguém o ajudou. Porquê?

Melania Tavares, psicóloga do Instituto português de Apoio à Criança (IAC) consegue explicar tal “frieza” e “indiferença” desta meia centena de espetadores e porque nenhum destes adolescentes ou jovem foi ajudar a vítima e acabar com as agressões.

“Em contexto de grupo as pessoas tendem a não agir, é frequente”, estão à espera que outro o faça, explica a psicologia social. E quanto maior o grupo menor é a probabilidade de alguém tomar tal iniciativa.

Psicóloga explica indiferença ao sofrimento

Entre os jovens a questão tem ainda outros contornos.

Melania Tavares dá como exemplo casos de bullying que já aconteceram e que também foram filmados por espetadores, que em grupo observavam a situação. “Nenhum deles agiu, nenhum ajudou. Filmaram”. Para colocar nas redes sociais.

Mas, como podem os jovens ser tão indiferentes à violência que se desenrola à sua frente e não ajudar as vítimas?

“Porque não têm noção. Estão habituados aos jogos de vídeo, à violência virtual e consideram que o mundo real é igual”, conta esta psicóloga que é também coordenadora do setor de humanização dos serviços de atendimento à criança do IAC.

A vida real como nos jogos virtuais

Nestas crianças e adolescentes “não existe noção de risco, dos perigos nem da gravidade dos ferimentos, para eles é tudo como nos jogos virtuais”.

E foi essa a perceção de muitos dos adolescentes que assistiram às agressões feitas a Khaseen Morris e ao seu amigo no centro comercial de Long Island.

Porém, entre a meia centena de espetadores, Melania Tavares realça que houve alguns que tiveram vontade de ajudar as vítimas, de tentar travar as agressões. Mas, não o fizeram.

Alguns queriam ajudar mas tiveram medo

“Por cobardia. Queriam fazê-lo mas tiveram medo de avançar. Tiveram medo que depois também fossem alvo de agressões até por parte dos espetadores”, explicou a psicóloga que é ainda a coordenadora do setor de atividades lúdicas do IAC.

Depois há ainda a questão da imagem: “Quem fosse ajudar poderia ser um herói, mas tinha medo de ser criticado pelos outros jovens e isso seria mau para a sua imagem. E hoje em dia, os adolescentes dão extrema importância à imagem que passam de si”, sobretudo por causa das redes sociais.

Não há empatia

Nos dias de hoje, onde se mistura a realidade virtual com a real, cresce-se sem “empatia” para com o outro. E isso acontece, porque as “relações afetivas não são de um para um”, não se desenvolvem frente a frente, mas através das redes sociais.

“Comunicam virtualmente, e até podem estar na sala ao lado. Por isso deixam de ter empatia na vida real, ficam indiferentes ao sofrimento”, afirma Melania Tavares. Para estas gerações a vida real é um jogo virtual.

Os desenhos das crianças migrantes em centros de detenção nos EUA

Setembro 17, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 10 de julho de 2019.

Crianças de 10 e 11 anos que tinham sido separadas das famílias.

A Academia Pediátrica Americana (APP) partilhou os desenhos desconcertantes de três crianças migrantes que tinham sido separadas das famílias e se encontravam sob custódia dos Estados Unidos.

As crianças, com idades entre os 10 e 11 anos, tinham acabado de ser soltas pelos Serviços de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e encontravam-se no Centro de Descanso Humanitário da Catholic Charities (organização sem fins lucrativos) em McAllen, no Texas.

A equipa do centro sugeriu às crianças que desenhassem algo que mostrasse como foi o seu tempo sob custódia dos CBP e o resultado foi entregue à APP.

Colleen Kraft, pediatra e ex-presidente da APP, disse à CNN que “o facto dos desenhos serem tão realistas e horrendos dá-nos uma visão sobre o que estas crianças passaram. Quando uma criança desenha isto, está-nos a dizer que sentiu como se tivesse estado numa prisão.”

O grupo de pediatras afirma que tem tentado avisar os CBP sobre as melhores formas de rastrear e cuidar das crianças sob a sua custódia, mas, de acordo com a CNN, todas as reuniões não resultaram em nada.

Sara Goza, a atual presidente da APP, visitou por duas das instalações da CBP. Nas visitas afirma nunca ter encontrado “um único pediatra” e “a primeira coisa que me atingiu foi o cheiro. Um cheiro a suor, urina e fezes. Tempo nenhum nestas instalações é seguro para crianças.” acrescenta.

Em dezembro passado morreram duas crianças nestes centros, uma de gripe e outra com uma infeção generalizada.

Estas mortes, segundo a APP, podiam ter sido evitadas se houvesse pediatras nos Centros de detenção.

“Os agentes da CBP são polícias. Têm um trabalho importante, sim, mas não estão treinados para cuidar de crianças.” disse Kraft, ao que Goza acrescentou “temos pediatras que se voluntariam para irem para as fronteiras já amanhã e trabalhar com estas crianças, dar aconselhamento médico e treinar quem lá está diariamente. Mas até agora a oferta não foi a lado nenhum.”

Só em 2018, foram detidas mais de 396 mil pessoas a tentar atravessar a fronteira entre os EUA e o México ilegalmente. Imagens divulgadas pelo Departamento de Segurança Interna mostram os centros de detenção com mais do dobro das pessoas para as quais estavam capacitados.

Segundo a Agência norte-americana para a Saúde e Serviços Humanos, havia, no mês passado, 11.800 crianças migrantes retidas pela agência. Sendo que 2.300 são crianças que foram retiradas aos pais.

A ProPublica, uma organização sem fins lucrativos, recebeu uma gravação, em que se ouve o choro de crianças num centro de detenção,de Jennifer Harbury, advogada e ativista de direitos humanos, que obteve o áudio com a ajuda de um informador. Não foram, contudo, fornecidos detalhes sobre o local exato onde foi captado o som.

Ouvir a gravação no link:

https://sicnoticias.pt/mundo/2019-07-10-Os-desenhos-das-criancas-migrantes-em-centros-de-detencao-nos-EUA?fbclid=IwAR3VICYKjwy-oGTGPuUSuzp7x5YIHJT8sCbFzubU8-fOIYShJo22MaFqn9w

Mais de 900 crianças migrantes foram separadas dos seus pais nos EUA no último ano

Agosto 22, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do El Pais Brasil de 31 de julho de 2019.

Amanda Mars Checa

Dado consta na ação movida pela entidade de direitos civis ACLU, abrangendo o período posterior ao suposto fim dessa prática por parte da Administração Trump.

O assunto eclodiu em maio do ano passado. A Administração norte-americana reconheceu que havia perdido a pista de 1.500 menores indocumentados desde o final de 2017. Supostamente eles tinham sido transferidos para a casa de parentes ou famílias de acolhida. A partir disso, teve que reconhecer que, entre 19 de abril e 6 de junho, havia separado 2.000 crianças, às vezes bebês, de seus pais ou outros familiares adultos. A avalanche de críticas foi tal que Donald Trump se viu forçado a retificar essa política. Entretanto, uma ação judicial apresentada nesta terça-feira pela União Americana das Liberdades Civis (ACLU, principal entidade de direitos civis dos EUA) mostra que no último ano mais de 900 menores foram separados de seus pais ou responsáveis.

Com a entrada em vigor da doutrina de tolerância zero, qualquer adulto que tentasse entrar nos Estados Unidos de forma irregular e sem cumprir os devidos procedimentos de asilo passou a ser considerado um delinquente e processado judicialmente como tal. Como os menores não podem ser presos, nem permanecer mais de 21 dias sob custódia, eram separados.

A pressão política, junto com o estarrecimento da opinião pública diante das imagens de crianças chorando, levou Trump a anunciar que as famílias permaneceriam unidas, embora sem explicar muito bem como, pois evitou desdizer sua política de mão firme. Dias depois, um juiz federal de San Diego acabou de determinar essa mudança, ao dar 30 dias ao Governo para reunir as famílias separadas.

Agora, segundo o Departamento de Segurança Doméstica, a separação das crianças migrantes e seus pais ou tutores legais na hora de cruzar a fronteira é algo excepcional. A maioria se deve a que os adultos cometeram algum tipo de delito (administrações anteriores, como a de George W. Bush e Barack Obama, separavam os menores se estes estivessem sob risco de abusos ou dependessem de um adulto que cometeu crimes graves). A ACLU, entretanto, alega que mesmo delitos menores estão sendo usados para justificar as separações.

Especificamente, o escrito da organização, apresentado nesta terça-feira a um tribunal federal de San Diego, aponta que 911 crianças imigrantes foram separadas de seus familiares entre 26 de junho de 2018 e 29 de junho de 2019. Entre outros casos, relata que um indocumentado perdeu sua filha ao ser condenado por destruição de propriedade privada, ao causar um prejuízo de cinco dólares.

Raide anti-imigração no Mississippi deixa centenas de crianças separadas dos pais

Agosto 9, 2019 às 12:06 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de agosto de 2019.

Quase 700 imigrantes sem documentos foram detidos em cinco fábricas na mesma região. Cerca de 300 foram entretanto libertados e ficam a aguardar julgamento, mas as organizações humanitárias estão preocupadas com o trauma que a operação pode causar às crianças.

Centenas de crianças foram retiradas de infantários e escolas no estado norte-americano do Mississippi e levadas para abrigos temporários, nas últimas 48 horas, por agentes dos serviços de imigração dos EUA. Em vídeos partilhados nas redes sociais, vêem-se crianças a chorar, sem saber onde estão os pais, depois de uma operação ordenada pelo Presidente Trump para deter e deportar imigrantes sem documentos.

A operação da agência de imigração norte-americana (ICE, na sigla em inglês) foi a maior de sempre realizada num só estado do país.

Mais de 600 agentes do ICE foram enviados para detectar e identificar trabalhadores ilegais em cinco fábricas de processamento de alimentos no Mississippi, em cinco localidades. Segundo a direcção da agência, foram detidos “aproximadamente 680 estrangeiros removíveis”.

Esta sexta-feira, quase 48 horas depois da operação, cerca de 300 foram libertados por não terem cadastro, nem haver qualquer outro motivo para permanecerem detidos (o facto de não terem documentos não é razão para detenção; os que ficaram detidos já têm ordem de deportação, a maioria porque os seus processos de imigração já foram tratados, e não porque tenham cometido crimes violentos).

“Foram abertos processos nos tribunais federais de imigração e eles terão de comparecer em tribunal mais tarde”, disse o ICE, referindo-se aos cerca de 300 que foram libertados.

Os restantes 400 continuam detidos e vão ser transferidos das instalações provisórias para onde foram levados, na quarta-feira, para os centros de detenção do ICE.

A detenção de centenas de trabalhadores numa só operação, e em cinco localidades próximas umas das outras, foi notada nas escolas da região – na primeira semana de aulas.

Numa delas, no condado de Leake, 50 crianças (1/4 de todos os alunos) não compareceram às aulas na quinta-feira, depois de terem sido levadas pelo ICE na quarta-feira; noutra, no condado de Scott, mais de 150 crianças não foram às aulas; e na escola de Canton, 63 dos 400 alunos que têm o inglês como segundo língua também não se apresentaram às aulas na quinta-feira.

“Nós tentámos falar com eles”, disse ao site Buzzfeed o responsável da escola do condado de Scott, Tony McGee. “Em parte, estão com medo de regressar à escola. Não se sentem seguros nesta comunidade, mas nós dissemos-lhes que a escola é um porto seguro.”

Beverly Luckett, da escola de Canton, disse ao mesmo site que a situação “é muito triste”. “Eu sou mãe, e imagino o meu filho nesta situação. Parte o coração. Temos de garantir que as crianças são bem tratadas, e nós estamos a tentar aliviar o trauma que isto pode causar.”

A direcção do ICE disse que libertou os pais que têm menores ao seu cuidado em casa, e que também foram libertadas 18 crianças encontradas a trabalhar nas fábricas que foram alvo da operação.

Os raides do ICE foram ordenados pela Casa Branca em Julho, com o objectivo de deter e deportar “milhões de imigrantes” sem documentos. Desde então, milhares de pessoas foram detidas e enviadas para os centros da agência ou postas em liberdade a aguardar julgamento, mas o número de processos contra os empregadores norte-americanos é baixo: segundo um estudo da Universidade de Syracuse, em Nova Iorque, apenas 11 entre Abril de 2018 e Março de 2019.

O futuro das crianças é incerto. A esmagadora maioria nasceu nos EUA e frequenta o sistema de ensino norte-americano, e em muitos casos servem de tradutores para os seus pais, que trabalham em fábricas e em outros locais com baixos salários. Se os pais forem deportados, as crianças têm duas saídas: ou ficam nos EUA sem eles, ou regressam com eles a países como a Guatemala, as Honduras e El Salvador.

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