Deixem os adolescentes dormir!

Outubro 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.paisefilhos.pt/ de 15 de setembro de 2017.

Todos os pais de adolescentes sabem quão difícil pode ser tirá-los da cama, todas a manhãs, a tempo de irem para a escola. Mas o que parece ser pura preguiça a muita gente pode, afinal, dever-se a ciclos biológicos de sono e vigília que marcam esta fase do desenvolvimento humano.

De acordo com especialistas da Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos, entre os 13 e os 18 anos, os jovens necessitam de dormir, em média, dez horas por noite. No entanto, a maioria não descansa nem sete e tal deve-se “ao facto de 85 por cento das escolas secundárias do país iniciarem as aulas antes das oito e meia da manhã”. Uma solução aparentemente simples será a de ir para a cama mais cedo, mas aí é que os ritmos biológicos se impõem, já que neste estádio de desenvolvimento “um dos picos de vigília, catalisado pela melatonina, acontece precisamente à hora em que os adolescentes se deveriam deitar para completar as tais dez horas e acordar cerca das sete e meia da manhã, ou seja, entre as nove e as dez da noite”.

Ou seja, se estão bem acordados depois dessa hora, e se idealmente precisam de dormir mais horas do que o habitual, não admira que os adolescentes estejam sonolentos quando são arrancados da cama. Os mesmos especialistas defendem assim que o início do dia escolar deve começar um pouco mais tarde, para aproveitar melhor o potencial de vigília dos jovens, considerando mesmo o “atual défice de descanso como um problema de saúde pública”, ligado a um maior risco de consumo de álcool e estupefacientes e também a sinais de depressão e mais casos de acidentes de automóvel.

 

 

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A importância do sono no desenvolvimento da memória

Setembro 14, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.paisefilhos.pt/ de 1 de agosto de 2017.

Os períodos de sono são essenciais para muitas funções cerebrais diferentes, tanto em crianças como nos adultos. Isso é ponto assente. Agora, um estudo realizado na Hungria vem mostrar de que forma os bebés até três meses beneficiam das sestas no desenvolvimento da memória, nomeadamente na retenção de informações aprendidas e em recordarem eventos passados.

O trabalho científico realizado na Universidade Semmelweis, em Budapeste, analisou 45 bebés até às 12 semanas. As crianças foram divididas em dois grupos: a um foram mostradas faces e depois iniciaram sestas que duraram entre uma e meia a duas horas. Depois, as mesmas imagens faciais foram visualizadas e rapidamente os bebés que tinham descansado as reconheceram e se fartaram delas.

Pelo contrário, os bebés que não dormiram a sesta, e aos quais foram mostradas as mesmas faces com algum intervalo de tempo, encararam-nas como se fossem novas. De acordo com os investigadores húngaros, isso mostra que o sono desfrutado pelo primeiro grupo levou à aquisição de informação e transformação em memórias permanentes.

Para a autora principal do estudo, Klara Horvath, defende que um curto período de sono é importante para que os bebés “possam processar e consolidar as lembranças que fizeram antes das sestas. Sem estes períodos de descanso, parece que as crianças mais pequenas simplesmente esquecem o que acabam de aprender”.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Memory in 3-month-old infants benefits from a short nap

 

Distúrbios do sono em pediatria

Setembro 13, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto Cristina Maria Alves Dias, com a colaboração de Augusta Gonçalves e Carla Moreira publicado no http://www.educare.pt/ de 8 de agosto de 2017.

Porque é importante dormir? O sono é um processo fisiológico ativo, muito importante nas crianças e adolescentes, com impacto na sua saúde e no seu desenvolvimento. Há cada vez mais estudos, que mostram uma relação entre problemas no sono e o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. Por isso, é importante identificar precocemente os distúrbios do sono. Cerca de 20%-25% das crianças e adolescentes têm algum distúrbio do sono.

O sono tem fases?
O sono divide-se em sono REM (rapid eye movement) e NREM (non rapid eye movement) – fase profunda, que são essenciais na maturação adequada do sistema nervoso central. O padrão de sono das crianças altera-se à medida que crescem.

Os recém-nascidos dormem mais horas (16 a 18 horas de sono/24 horas), têm uma duração dos ciclos de sono mais curta (50-60 minutos) e passam cerca de 50% do tempo em sono NREM. As crianças mais velhas dormem menos horas (10 a 12 horas de sono/24 horas), têm maior duração de sono REM no final da noite, o sono NREM ocupa cerca de 75% da duração total do sono e a alternância de sono REM e NREM tem períodos mais longos de 90 a 100 minutos.

Os adolescentes têm alteração fisiológica da hora do sono para mais tarde, com uma diminuição da duração média do sono, apesar da necessidade relativamente constante de 9 horas de sono, e têm maiores irregularidades no padrão vigília-sono (discrepância entre padrão semanal e fim de semana).

Não dormir faz mal? As alterações no sono trazem consequências adversas ao desenvolvimento, como dificuldades de aprendizagem ou memorização com mau rendimento escolar, défice de atenção e hiperatividade, comportamentos de risco, baixa autoestima, ansiedade e, por vezes, depressão. Também se associam a instabilidade familiar e discussões. Por vezes ocorrem distúrbios nas fases do sono, o que pode condicionar as alterações referidas. O que são parassónias?

As parassónias ocorrem durante o sono, em estádios específicos ou na transição sono-vigília.

A insónia ou sonolência excessiva são incomuns, apesar de ocorrer disrupção sobre o sono.

A maioria afeta crianças e adolescentes saudáveis e geralmente desaparecem ao longo da adolescência (fenómenos transitórios de desenvolvimento). As crianças com parassónias têm taxas mais altas de inatividade matinal, despertares noturnos, resistência para ir dormir e redução da duração do sono.

Uma parassónia comum nas crianças é o sonambulismo que ocorre no sono profundo. Sabe-se que cerca de 40% crianças terão pelo menos um episódio na sua vida. O pico de incidência é aos 4-8 anos, mas adolescentes e adultos também podem ter. Duram aproximadamente 10 – 20 minutos e tendem a resolver com o passar do tempo.

Os terrores noturnos ou do sono ocorrem em 3% das crianças, dos 4-12 anos. Existe uma elevada predisposição genética, portanto os pais costumam referir ter tido estes terrores quando eram pequenos. Dá-se uma ativação significativa do sistema nervoso da criança, com hipersudorese, dilatação pupilar, taquicardia e gritos durante o ciclo de sono profundo. As crianças acordam sem memória para o evento ou têm imagens isoladas, sem o enredo típico dos pesadelos. Podem acordar parcialmente do sono, confusas e desorientadas.

Os pesadelos são situações também comuns e 10% a 50% das crianças entre os 3-5 anos têm pesadelos de intensidade suficiente para preocupar os pais. Têm uma provável relação com a ansiedade ou após algum evento traumático para a criança e ocorrem durante o sono REM (fase mais tardia do sono).

Quais os sinais de alarme das parassónias?
Os pais devem estar alerta se o seu filho apresenta sonolência excessiva durante o dia, falta de atenção ou irritabilidade, se ressona durante a noite ou se desperta muitas vezes.

É preciso realizar algum tratamento?
A ocorrência de parassónias uma ou duas vezes por mês raramente necessita de tratamento, pois são situações benignas e autolimitadas, que tendem a desaparecer até aos 10 anos. É importante manter e criar bons hábitos de sono, desde tenra idade, como por exemplo manter o quarto calmo, escuro e confortável, evitar a ingestão de alimentos ou bebidas em quantidades abundantes até 3 horas antes de dormir, reservar o quarto apenas para o sono, remover distrações como a televisão, os jogos ou livros, considerar a inclusão de auxiliares do sono (ex. animal de estimação, peluche), manter um horário de sono e a hora de ir dormir constantes, tomar um banho quente ou beber uma bebida morna (ex. copo de leite) antes de deitar e ter em atenção a segurança ambiental (ex. camas muito elevadas, tapetes escorregadios, berçários).

Cristina Maria Alves Dias, com a colaboração de Augusta Gonçalves e Carla Moreira, Pediatras da área de Pneumologia do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga. Este espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).

Adormece o seu bebé na posição mais adequada?

Setembro 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 25 de agosto de 2017.

Um estudo da American Academy of Pediatrics entrevistou mais de 3.000 mães de 32 hospitais dos EUA, para perceber como deitam as crianças. E descobriram que nem sempre o fazem bem.

Deitar um bebé na posição que pensa ser correta para dormir pode, na verdade, não ser a melhor ou a que melhor o protege durante o sono – e um estudo publicado esta semana na revista Pediatrics conclui isso mesmo: muitos pais não sabem ou não seguem as recomendações para deitar o bebé de forma adequada.

Colocar o bebé de barriga para cima antes de dormir é uma das posições aconselhadas, dado que reduz o risco de morte súbita infantil, bem como outras condições relacionadas com o sono, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americano.

Ainda assim, a percentagem de mães que tem este hábito é alta: mais de 77%. O problema é que muitos pais, mesmo sabendo da recomendação, nem sempre o fazem e acabam por adotar outras posições para o sono dos seus bebés. As razões para isso dividem-se entre a interferência de médicos e outros membros da família ou a sensação de que a criança poderá sufocar se adormecer naquela posição. Algo que, de acordo com os investigadores, é um equívoco.

O estudo da American Academy of Pediatrics, publicado esta semana, entrevistou 3.297 mães de 32 hospitais dos EUA, para saber como estas agiam no momento de deitar as crianças. Os autores do estudo garantem que falar sobre o sono infantil com os restantes familiares e amigos pode ajudar a começar a pôr em prática bons hábitos, reforçando a importância de comunicar com profissionais de saúde.

 

 

 

“Os bebés não têm manhas, isso são coisas dos adultos”

Julho 28, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/de 13 de julho de 2017.

Ana Cristina Marques

Um bebé que não dorme e chora precisa de colo e mimo. Fazer birra não é manha e não há “treinos do sono”. Quem o diz é a psicóloga Clementina Almeida, autora do livro “Socorro! O meu bebé não dorme”.

Não há treinos ou métodos milagrosos que ponham os bebés a dormir tranquilamente e durante toda a noite. Esta é, talvez, uma das principais premissas de Clementina Almeida, psicóloga clínica há 25 anos e especialista em bebés. Clementina é também a autora do livro “Socorro! O meu bebé não dorme” (Porto Editora), onde apresenta explicações científicas — escritas de uma forma acessível — que ajudam a compreender os hábitos de sono dos bebés.

Há mitos que Clementina Almeida faz cair por terra ao longo de 156 páginas e, também, ao longo desta entrevista. Ao Observador, a psicóloga que também está certificada em saúde mental infantil no Reino Unido e nos EUA, além de ser fundadora e investigadora do BabyLab da FPCE-UC, um dos laboratórios da Universidade de Coimbra, explica que existem fatores económicos e sociais que direta ou indiretamente pressionam os pais a “ensinar” os seus bebés a dormir.

E ao contrário do que se possa pensar, pegar ao colo e mimar um bebé é sinal de um desenvolvimento cerebral sustentável, até porque manhas é coisa que os adultos inventaram: “Os bebés não têm manhas, isso são coisas dos adultos. Os bebés precisam que lhe respondam e isso é a base de um desenvolvimento cerebral saudável. O mimo não estraga: os bebés não passam do prazo de validade. É preciso dar muito mimo para que sejam adultos seguros no futuro.”

Tem-se falado muito nos “treinos do sono”. O que é isso e quais são os seus principais perigos?

Tem que ver com a suposição de que o bebé pode ser treinado e que consegue aprender a adormecer sozinho ou a dormir a noite toda, coisas que em termos do desenvolvimento de um bebé são impensáveis. Estes métodos representam perigos para a saúde de um bebé, nomeadamente para o seu desenvolvimento cerebral e psicológico, uma vez que a maior parte deles criam sensações de abandono. Ou seja, os métodos exigem colocar os bebés nos berços para que estes se acalmem sozinhos; quando começam a chorar os pais vão lá e pegam neles, para depois voltarem a deixá-los e os bebés voltarem a chorar. Isto é contranatura, porque efetivamente os bebés não vêm preparados para dormir sozinhos, além de ser uma experiência, no mínimo, muito negativa, esta de ser deixado a chorar para adormecer.

E pode ter consequências a longo prazo?

Sim, porque na realidade os bebés não aprendem a adormecer sozinhos nem a acalmar-se sozinhos. O que aprendem é que não vem ninguém quando eles choram, a isto chama-se “desânimo aprendido”. É um pouco depressivo para um bebé aprender isso logo no início da sua vida. Em termos neurológicos, quando os bebés estão a chorar estão em stress, estão a pedir ajuda porque dependem do outro para sobreviver e, por isso, libertam cortisol — o cortisol em excesso e durante longos períodos (ou períodos repetidos) vai literalmente queimar neurónios. Atenção que este é o período de maior desenvolvimento e crescimento cerebral que nós temos na vida. Além disso, sabemos que quando o bebé se cala, mesmo passados dois ou três dias, os níveis de cortisol continuam elevados e a destruição de ligações também continua.

O treino que estava a descrever parece semelhante ao que é proposto por Estivill.

Exatamente, é o método Estivill ou o método Ferber. Baseiam-se todos na mesma prática, de tentar que os bebés se acalmem sozinhos e que adormeçam sozinhos por longos períodos. Note-se que o próprio Richard Ferber veio pedir desculpas aos adultos que foram treinados por este método. Estamos a falar de um pediatra muito conhecido, que trabalha em Boston, e que há 20 anos não tinha o conhecimento das neurociências que nós temos hoje em dia — eles não tinham como saber os danos que podiam causar.

Porque é que acha que estes métodos ficaram tão populares?

Primeiro, eles já foram propostos há muitos anos, há décadas. Depois, nós não tínhamos a noção do que é que se passava dentro do cérebro de um bebé quando estes métodos foram aplicados. Eles foram veiculados por muitos canais de informação e as pessoas tiveram acesso a eles e, portanto, tentaram de algum modo aplicá-los. Efetivamente os bebés deixavam de chorar por desânimo aprendido, não por estarem a dormir. Nos últimos 20-25 anos, mais no EUA, houve uma proliferação enorme de “conselheiros do sono” e de livros acerca do sono do bebé, porque nos últimos 50 anos o sono tornou-se uma das grandes preocupações para os pais, mais por imperativos sociais e económicos do que pelo desenvolvimento do próprio bebé. É fácil compreender o motivo por que estes métodos se tornaram extremamente populares.

Sendo que há muita oferta sobre este tipo de literatura, em que é que o seu livro se diferencia?

A diferença é que eu não sou “conselheira do sono”. Os “conselheiros do sono” são pessoas que nem sempre têm formação de base na área da saúde e que fazem um curso específico, superficial, sobre o sono do bebé. São cursos de uma semana e alguns deles incluem um módulo de marketing sobre o seu próprio negócio — dá para perceber o tipo de curso de que estamos a falar. Depois, são pessoas que utilizam sempre o mesmo método para todos os bebés (e todos os bebés são diferentes). Eu sou psicóloga clínica. Sou especialista na área dos bebés e tenho uma prática de 25 anos em psicologia clínica. Também sou investigadora e trabalho num laboratório de investigação acerca dos comportamentos dos bebés, em Coimbra. Todo este livro, apesar de ter tentado que fosse o mais simples possível em termos de leitura, de maneira a ser acessível a todos os pais, está apoiado nas mais recentes investigações científicas sobre o desenvolvimento do bebé, incluindo o sono.

Pode desenvolver a ideia dos imperativos sociais e económicos, que são colocados acima das necessidades do bebé?

Se repararmos, temos licenças de maternidade muito curtas, algo muito diferente do que acontecia há 100 anos, quando tínhamos as mamãs em casa a cuidar dos filhos. Hoje em dia, as mulheres trabalham, trabalham muito, e ao fim de seis meses têm de voltar ao trabalho. A única coisa que perturba o sono de uma mãe é o sono do bebé. Se um bebé não andar aos 14 meses, não se ouve ninguém dizer “tem de andar, tem de o forçar… ele tem de cair e chorar…”, porque isso não vai perturbar o sono da mamã que tem de trabalhar ao fim de seis meses. De facto, aos seis meses os bebés não estão capazes de dormir as noites todas ou o número de horas que uma mamã precisaria para ir trabalhar no dia seguinte. Estes treinos têm como objetivo pôr os bebés rapidamente a dormir e de forma independente, ou seja, vão contra o seu desenvolvimento porque efetivamente a economia da sociedade precisa que as mães estejam a trabalhar — a única coisa que está a perturbar isso é o sono do bebé.

Que mitos sobre o sono do bebé é que pretende fazer cair por terra?

Não sou eu, é a ciência. Não digo nada de novo, o que eu faço é traduzir muito do que ainda está em artigos científicos, como acontece de resto em todas as áreas do saber — tudo aquilo que está nos artigos científicos demora algum tempo a passar para o conhecimento prático do dia a dia. Os mitos passam por esta questão de os bebés não serem independentes. Os bebés vêm milenarmente programados para serem seres dependentes, eles são o computador mais sofisticado em termos de aprendizagem que temos e, para isso, precisam de ter alguém que cuide deles, que lhes dê afeto, segurança, alimento e conforto. Não são capazes de ser independentes, muito menos de se auto-regularem. Nós em adultos também temos alguma dificuldade, nem sempre as nossas formas de auto-regulação funcionam e, às vezes, temos de fazer terapia. Imagine-se então um bebé de seis meses…

Idealmente, qualquer pai quer que um bebé durma a noite toda. Isso também é um mito, não é?

Sim. Alguns bebés conseguem dormir cinco horas por noite, mas nem todos conseguem chegar a isso. E essas cinco horas/noite são o que nós consideramos uma noite completa para um bebé e não uma noite completa para nós.

Imaginemos crianças dos zero aos seis meses. Quantas horas por dia é que devem dormir?

Em relação ao número de horas que os bebés dormem por dia… ele varia muito e, sobretudo, no primeiro ano de vida. Só no final do primeiro ano de vida é que temos algum tipo de médias. O facto de um bebé dormir mais cinco horas do que outro não significa que seja anormal. De facto, há uma grande variabilidade no número de horas que os bebés precisam de dormir. Só no final do primeiro ano é que as coisas começam a ficar um pouco mais estáveis, sendo que todos começam a precisar mais ou menos de um número de horas semelhantes. Há, portanto, uma grande variabilidade que pode ir até às cinco horas por noite. Os bebés não dormem só de noite. Nos primeiros seis meses temos bebés a dormir normalmente muitas horas, que podem ser 12 mas também 15. Dormem-nas de forma muito repartida ao longo de 24 horas, com vários despertares.

Qual a importância das sestas, isto é, do sono diurno?

O sono diurno regula o sono noturno. É um sono que ativa áreas diferentes do cérebro e que trabalha memórias que não são trabalhadas no sono da noite. A verdade é que quanto melhor for a qualidade do sono das sestas, melhor é a qualidade do sono da noite, o que significa menos despertares antecipados.

Quais são os perigos de um bebé dormir a noite toda, na aceção de um adulto?

Nos mais pequenos há o risco de os bebés poderem parar em termos respiratórios. Podem também não se alimentar o suficiente, uma vez que todos estes despertares estão programados não só em relação ao afeto que os bebés precisam e ao desenvolvimento cerebral, mas também tendo conta as suas necessidades de alimentação — no início, os estômagos dos bebés são muito pequeninos, pelo que precisam de ser amamentados regularmente. Progressivamente, os bebés vão desenvolvendo um padrão neurológico do sono, que se vai aproximar daquilo que é o padrão neurológico do adulto.

É possível explicar, de forma sucinta, as grandes diferença entre o sono do adulto e o sono do bebé?

As grandes diferenças têm que ver com a forma como os bebés adormecem, que é completamente diferente da nossa. Nós adormecemos em sono profundo e eles adormecem em sono leve, o equivalente ao nosso sono REM. Têm, portanto, um sono do qual podem despertar mais facilmente. Depois, entra a questão dos ciclos de sono. Nós fazemos ciclos de sono de hora e meia, com períodos em que estamos suscetíveis a despertar de quatro em quatro horas, enquanto os bebés fazem-no de hora a hora. Essas são as grandes diferenças.

O livro fala muito sobre a questão de os pais terem receio de acarinhar ou socorrer o bebé, com receio de que este ganhe manhas… Porque é que acha que os pais acreditam que os bebés se conseguem acalmar sozinhos?

Os bebés não têm manhas, isso são coisas dos adultos. Os bebés precisam que lhe respondam e isso é a base de um desenvolvimento cerebral saudável. O mimo não estraga: os bebés não passam do prazo de validade. É preciso dar muito mimo para que sejam adultos seguros no futuro — coisa que, no fundo, é o nosso instinto. Isso são projeções que fazemos, manhas têm os adultos e não os bebés. Os bebés não conseguem ter manhas, têm é necessidades e arranjam a melhor forma para as ajudar a fazer conhecer e para tentar satisfazê-las. Algumas dessas necessidades são de conforto e de colo, o que é uma necessidade básica.

O que acontece a um bebé cujo choro não é atendido pelos pais?

O choro é, na realidade, uma das primeira formas de expressão do bebé. O bebé exprime-se essencialmente através do corpo e vai-nos dando alguns sinais, o choro é um deles. Como as competências de comunicação não são as mais elaboradas, eles utilizam o choro para transmitir as suas necessidades. Pode ser fome, pode ser desconforto…

O choro não deveria ser, então, uma coisa que os pais devessem temer?

De maneira nenhuma, muito pelo contrário. O que nós sabemos, e que os estudos acabam por reforçar, é que os bebés precisam de colo. O afeto e o amor é a base para o desenvolvimento cerebral. Ou seja, não há estimulação neuronal sem a base afetiva pelo meio, não é possível uma coisa sem a outra. Chama-se, inclusive, o jogo de dar e receber — o bebé faz e o adulto responde e assim sucessivamente. Isso é a base para criarmos seres humanos seguros e felizes, pelo que não devemos ter medo de todo.

Dando um exemplo prático e real, o que aconselha à mãe de uma bebé de dois meses que não consegue pregar olho durante o dia, apesar do cansaço visível?

Provavelmente o que está a acontecer é que os pais não estão a conseguir captar os sinais de sono do bebé. Normalmente os sinais que vemos por aí espalhados na Internet, como o bebé começar a esfregar os olhos ou a coçar orelha, não estão corretos. São antes sinais de que o bebé está a dizer que já não vão conseguir pô-lo a dormir, porque ele já está inundado em cortisol e, por isso, vai ter muita dificuldade em relaxar o seu sistema nervoso. Provavelmente estamos a deixar passar algum sinal de que o bebé precisa de descansar, que por norma são sinais mais discretos. É por exemplo o facto de o bebé ficar com um olhar mais parado e não reagir de imediato ao nosso estímulo. Esses são os sinais de que o bebé precisa de dormir, a seguir vão vir os sinais de que ele já está em desalinho completo e já não vai conseguir adormecer com tanta facilidade.

Passando esses sinais, do olhar disperso e da lentidão a responder, o que é que os pais devem fazer para tentar adormecer a criança?

Pegar ao colo é importante, porque ajuda a fazer a integração de toda a informação sensorial e ajuda o sistema nervoso a relaxar. O próprio pressionar o corpo ajuda o bebé a relaxar, bem como o ato de embalar e a criação de um ambiente mais zen. Nada de deixar que o bebé durma de dia com luz e com a televisão acesa, e à noite com escuridão e sem estimulação nenhuma — qualquer dia também queremos que eles tirem café, já que eles fazem tudo. Tudo isto dá sinais ao cérebro e não podemos dar sinais que sejam contraditórios.

Porque é que os bebés resistem tanto ao sono?

Os bebés resistem ao sono porque deixamos passar os sinais e eles ficam cheios de cortisol — chama-se o ‘efeito vulcânico’ porque eles ficam muito irritados e não conseguem dormir; é como nós termos um dia cheio de trabalho e, chegada a noite, não conseguimos descansar, o cérebro não consegue desligar, vêm ideias à cabeça, apesar de sabermos que queremos descansar. Os bebés ficam exatamente nesse estado de exaustão e, por outro lado, eles estão a passar pela maior fase de desenvolvimento cerebral e, portanto, dormir é a coisa mais aborrecida à face da terra. Dormir e comer é algo que eles, mais tarde, vão dispensar. Eles querem é coletar dados acerca do mundo e das pessoas. Até ao primeiro ano o trabalho científico deles é coletar dados sobre os objetos, como é que eles se comportam. A partir daí o que lhes interessa são as pessoas. Por isso é que às vezes vemos pessoas a dizer que os bebés estão a desafiá-las… nada disso, eles estão só a reunir dados.

O não dormir não é uma manha, mas antes uma reação química do corpo?

Sim, é o desenvolvimento cerebral a dar-se, quer dizer que o bebé está a fazer o trabalho dele, que é ser um dos melhores cientistas à face da terra. Não dormir é problemático para nós, para eles não.

Que rotinas para adormecer é que aconselha?

O essencial é que a rotina seja o mais zen possível, ou seja, que consigamos diminuir toda a estimulação à volta para que o cérebro não continue a reter informação. É necessário um ambiente mais calmo, mais convidativo ao sono e escuro, bem como retirar o bebé de zonas onde há muita gente a falar ou há uma televisão ligada. Ouvimos dizer que os bebés ou a crianças pequenas têm de ir para a cama muito cedo, caso contrário não criam a rotina de ir para a cama às 21h. Mas sabemos que muitos pais chegam a casa depois das 21h. Se um bebé não tiver mãe e pai suficiente no seu dia, garanto que ele vai acordar de noite para ter mãe e pai. Agora, esse não é o melhor tempo de qualidade para o bebé ou para os pais. O ideal é a família adaptar-se a uma rotina, ou seja, ser consistente todos os dias, de maneira que haja uma certa previsibilidade para que o cérebro saiba que aquilo vai acontecer e para que se vá adaptando. Falo de uma rotina que seja confortável para cada arranjo familiar.

O que é que esta rotina poderá incluir?

Pode incluir o diminuir as luzes, diminuir a estimulação auditiva, o embalo, o cheiro de alfazema no quarto, que é calmante, e a rotina do banho — nos primeiros tempos os bebés são, por vezes, resistentes ao banho e mais para o fim começam a achar piada e o banho transforma-se numa brincadeira, o que pode ser bom em termos de rotina. Pode até ser um momento de qualidade para brincar e pode ajudar o bebé a acalmar antes de ir dormir. Já agora, não se deve confundir locais onde o bebé adormece com locais de grande brincadeira. Se o bebé brinca durante o dia no berço, depois vai ser difícil associar que ir para o berço é sinónimo de dormir.

O que fazer quando um bebé não dorme por nada? E o que é que pode estar aqui em causa?

Tem de ser avaliado, porque há várias situações, nomeadamente patologias que têm de ser avaliadas com mais cuidado e com mais rigor para, depois, saber que medidas tomar.

Quando é que um pai deve ficar preocupado?

Acho que deve seguir o seu instinto e ter em conta caso o bebé mostre grandes sinais de cansaço, nomeadamente muita irritabilidade durante o dia e dificuldades na alimentação. Se isso perturbar as outras áreas do desenvolvimento, então aí é sinal de preocupação.

Já deu a entender que sociedade anda obcecada com o sono do bebé. O que falta mudar?

É preciso aumentar as licença de parentalidade ou, pelo menos, propor que as mães e os pais regressem ao trabalho de uma forma mais adequada àquilo que seria saudável para todos. Até porque entramos noutras questões, que é o facto de as mães deixarem os bebés com seis meses em infantários, que em Portugal não têm a qualidade desejável por uma simples razão — não cumprem o rácio de 1 para 1 no primeiro ano de vida, ou de 3 bebés para 1 nos dois anos. Se conseguíssemos libertar um pouco os pais nesse primeiro ano, isso seria o ideal para termos bebés mais saudáveis e sociedades mais felizes e equilibradas.

 

 

10 Dicas para melhorar o sono das crianças (e dos pais!)

Julho 26, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 3 de julho de 2017.

Dormir é uma necessidade primária, inerente a todo o ser humano.

A privação de sono reflete-se geralmente no nosso estado de humor, níveis de atenção e rendimento no trabalho. No caso das crianças o sono é também fundamental para o seu desenvolvimento, pois é durante o sono que são produzidas maiores quantidades de hormona do crescimento. Para além da quantidade de horas de sono, que vai diminuindo até à adolescência, é importante que a criança tenha um ambiente adequado e que sejam implementadas algumas rotinas no que respeita ao sono. Aqui ficam algumas dicas para melhorar o sono das crianças e, consequentemente, dos pais que há muito anseiam por uma noite de sono tranquila.

1. Certifique-se que o seu(sua) filho(a) tem as horas de sono diárias necessárias, de acordo com a sua idade

Primeiro mês 19 horas 24 meses 13 horas
Até aos 3 meses 18 horas Dos 3 aos 7 anos Entre 10 a 11 horas
Até aos 6 meses 16 horas Dos 7 aos 12 anos Entre 9 a 10 horas
Até aos 12 meses 15 horas Adolescentes Entre 8 a 9 horas

 

2. Permita que a criança brinque e gaste energias antes do deitar

Poderá inclusivamente fazer deste momento antes de deitar, um momento de brincadeira entre pais e filho(a), aproveitando assim para estimular o seu desenvolvimento e fortalecer também a relação e o vinculo emocional existente entre ambos.

3. Tenha cuidado com a alimentação

Tenha algum cuidado na escolha dos alimentos que dará ao seu filho(a), sobretudo na refeição do jantar. Alguns alimentos são estimulantes e outros não são adequados por provocar uma digestão mais lenta, o que não irá favorecer o período de sono.

4. Antes de deitar a criança, poderá dar-lhe um banho ou aplicar-lhe um creme realizando uma massagem localizada

Este ritual, para além de ajudar a criança a sentir-se mais relaxada, irá promover também os laços entre pais e filho, através do toque e dos cuidados prestados pelas figuras cuidadoras.

5. Defina um ritual à hora de deitar

Ao deitar poderá definir um ritual de embalar, cantar, ler uma história, ou dar-lhe um objeto de conforto. Quando despertar, ajude a criança a encontrar o seu objeto de conforto, faça-lhe umas caricias e embale-a, o importante é que de forma progressiva, esta se consiga autorregular sozinha.

6. Não substitua um mau hábito por outro

Não promova um mau hábito ao deitar, como por exemplo, dar-lhe um biberão para adormecer. Se uma criança adormece tendo como última recordação beber leite pelo biberão, ficará condicionada a depender de um biberão para voltar a adormecer quando acorda a meio da noite.

7. Evite colocar a criança a dormir na cama dos pais

A partir dos 3 ou 4 meses é apropriado tirar a criança do quarto dos pais e passá-la para o seu. Ainda assim, vai muito a tempo de o fazer, se optar pelos 6 meses de idade. Evite sempre que a criança durma na cama dos pais, pois para além da interferência na rotina do casal, tal inviabiliza a independência da criança. É preferível que os pais fiquem junto da criança até esta adormecer, regressando posteriormente ao seu quarto.

8. E se a criança chorar a meio da noite?

É importante que a criança aprenda que é hora de dormir, e que deve fazê-lo sozinha. Quando a criança chorar, os pais devem dirigir-se ao seu quarto para a acalmar. No entanto, não se apresse a socorrer a criança de cada vez que ela chorar. Em vez disso, aumente progressivamente os intervalos de tempo em que se dirige ao quarto do seu filho. Se a criança se levanta e vai para a cama dos pais, deve ser levada de volta para o seu quarto e estar com ela o tempo suficiente para lhe explicar que tem de dormir na sua cama.

9. Esteja atento(a) a alterações nas rotinas de sono do seu(sua) filho(a) e eventuais perturbações do sono que possam surgir

Até aos 5 anos de idade é esperado que as crianças desenvolvam rotinas elaboradas para adiar o sono, são mais suscetíveis de querer uma luz acesa e de dormir com  o brinquedo ou o cobertor preferido. Estes objetos, designados por objetos transicionais em Psicologia, ajudam a criança a passar da dependência que caracteriza a criança para a independência que caracteriza a criança mais velha. Caso a criança apresente outros comportamentos menos normativos, tais como, oposição ao deitar, fobia ao deitar, insónias ou terrores noturnos, estes poderão ser sinais de que algo não está bem.

10. Procure ajuda profissional

Se o seu(sua) filho(a) apresenta dificuldades ou perturbações ao nível do sono que estão a interferir significativamente no seu bem estar físico e emocional, se já tentou alterar rotinas e implementar estratégias diferentes e, ainda assim, o seu sono não melhorou, o mais indicado será procurar a ajuda de profissionais como o pediatra ou o psicólogo infantil, que o(a) ajudarão a perceber o que se passa e como melhorar o sono do(a) seu(sua) filho(a)…e dos pais.

 

 

 

Regras rígidas sobre a hora de deitar podem ajudar as crianças a dormir o suficiente

Julho 6, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 2 de junho de 2017.

Reuters

As crianças entre os 5 e os 13 anos devem dormir pelo menos nove horas por noite e os adolescentes entre os 14 e os 17 anos devem dormir pelo menos oito horas.

Os pais que cumprem uma hora de deitar fixa e que impõem regras para as rotinas nocturnas podem ter uma maior probabilidade de os seus filhos dormirem o suficiente durante a semana do que as pessoas que são mais descontraídas em relação à hora de deitar das crianças, sugere um estudo canadiano.

Segundo as linhas orientadoras do Canadá em relação ao sono, as crianças entre os 5 e os 13 anos devem dormir pelo menos nove horas por noite e os adolescentes entre os 14 e os 17 anos devem dormir pelo menos oito horas. Neste estudo, os investigadores examinaram dados de inquéritos feitos a 1622 pais que tinham pelo menos um filho nestas faixas etárias e descobriram que as crianças tinham mais 59% de probabilidade de cumprir estas recomendações mínimas durante a semana quando os pais impunham uma hora de deitar específica do que quando não faziam isto.

“O efeito positivo de impor regras sobre a hora de deitar nos dias de semana pode reflectir expectativas parentais mais alargadas, uma estrutura da hora de deitar ou a natureza proactiva de estabelecer regras”, disse a autora sénior do estudo, a Dr.ª Heather Manson do instituto Public Health Ontario de Toronto.

Avisar não chega

O estudo também descobriu que encorajar os miúdos só com avisos sobre a hora de deitar pode não funcionar como os pais esperam. Quando os pais usavam apenas avisos sobre a hora de dormir sem impor regras, as crianças tinham menos 71% de probabilidade de dormir as horas mínimas de sono recomendadas durante a semana.

“Nos dias de semana, impor regras sobre a hora de dormir e não fazer avisos era conducente a que as crianças dormissem o suficiente”, disse Manson, por email. Dependendo da idade da criança, a proporção dos pais que afirmavam que os filhos cumpriam as linhas orientadoras do Canadá em relação ao sono estava entre os 68% e os 93% nos dias de semana e entre os 49% e os 86% ao fim-de-semana.

O número de crianças que dormia as horas mínimas de sono recomendadas aumentava entre os 5 e os 9 anos mas depois diminuía entre os 10 e os 17 anos, de acordo com os resultados publicados na revista científica BMC Public Health.

Os adolescentes de 15 anos apresentavam a maior variação do sono entre os dias de semana e fins-de-semana, com menos 38% das crianças a cumprir o mínimo recomendado de descanso aos fins-de-semana do que nos dias de semana. No geral, cerca de 94% dos pais indicaram que encorajavam os filhos a irem para a cama a uma hora específica e cerca de 84% indicavam que impunham regras sobre a hora de deitar.

O estudo descobriu que impor regras é mais eficaz do que simples avisos, mesmo depois de ajustar factores como a idade e o sexo da criança, os rendimentos familiares, a educação dos pais e outras regras como restringir o tempo de utilização de ecrãs e tecnologia no quarto.

Uma das limitações do estudo é que este dependeu de os pais se lembrarem e indicarem com precisão a sua abordagem às rotinas da hora de deitar e a quantidade de horas de sono dos filhos. Este não incluiu medidas objectivas da duração ou da qualidade do sono e não foi uma experiência controlada destinada a demonstrar a maneira como os comportamentos específicos dos pais podem ter um impacto directo no sono das crianças.

Investigações anteriores descobriram que a consistência dos pais ao impor regras sobre a hora de deitar e o uso dos media é crucial para bons resultados de sono, afirmou Michelle Garrison, do Seattle Children’s Research Institute e da Universidade de Washington.

Apesar de os pais poderem guiar todos os aspectos destas rotinas com os bebés, eles podem começar a envolver mais as crianças neste processo à medida que elas crescem, para os ajudar a desenvolver hábitos de sono saudáveis e independentes, disse num email Garrison, que não esteve envolvida no estudo. Isto pode implicar, por exemplo, ler histórias a crianças pequenas todas as noites mas deixá-los escolher o livro ou então permitir aos adolescentes escolherem as actividades relaxantes que os ajudam a preparar-se para ir para a cama.

“Os pais podem continuar a ter a responsabilidade de começar a rotina à mesma hora todas as noites e ajudar a criança a aprender a auto-monitorizar-se, para saber se estão a cumprir horários e a acalmar-se antes de ir para a cama”, disse Garrison.

“À medida que se aproximam da idade adulta, a ideia é continuar a passar gradualmente esta responsabilidade para as crianças, para que elas tenham a oportunidade de praticar e desenvolver estas capacidades”, acrescentou Garrison. “Mas com uma estrutura e apoio suficientes, para não termos a expectativa de eles terem a auto-regulação de um adulto.”

Alerta dos pediatras: não dormir a sesta é tão grave como não comer

 

 

 

Alerta dos pediatras: não dormir a sesta é tão grave como não comer

Junho 4, 2017 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 1 de junho de 2017.

SPP diz que “em Portugal as crianças, principalmente as que frequentam os estabelecimentos públicos, em norma não realizam a sesta após os três anos de idade” PAULO PIMENTA

Sociedade Portuguesa de Pediatria reuniu peritas para analisar um problema que afecta muitas crianças. Falta de sestas tem consequências a curto e longo prazo, como problemas de aprendizagem e de comportamento.

Lusa

A maioria dos estabelecimentos de ensino pré-escolar públicos não promove a sesta das crianças, o que é tão grave como se não lhes dessem comer, faz saber a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).

Alexandra Vasconcelos, médica da secção de pediatria social da SPP, disse à agência Lusa que a falta da sesta nas crianças com idades a partir dos três anos representa “um grave problema de saúde pública”.

“Se as creches não fornecessem uma refeição, toda a gente se indignava. A falta de uma sesta é igualmente grave”, disse.

Preocupada com esta questão, e constatando que “em Portugal as crianças, principalmente as que frequentam os estabelecimentos públicos, em norma não realizam a sesta após os três anos de idade”, a secção de pediatria social da SPP solicitou a um painel de cinco peritas nesta área que emitisse um parecer. E a recomendação vai no sentido de as crianças com idades entre os três e os cinco/seis anos de idade realizarem uma sesta, de preferência no início da tarde e com uma duração de aproximadamente hora e meia.

A SPP ressalva que, após os quatro anos, nem todas as crianças necessitam de realizar a sesta de forma regular, pelo que “a família e a educadora de infância deverão avaliar, em conjunto, a necessidade da sua prática em cada criança”.

Riscos e benefícios

Esta organização avaliou os benefícios e consequências da privação da sesta numa criança, concluindo que esta deve ser implementada até à idade escolar. Segundo a SPP, a curto prazo a privação do sono na criança tem como consequências possíveis distúrbios na modulação do humor e dos afectos, a perturbação da função neuro-cognitiva, alteração do comportamento e alteração motora.

A longo prazo, essas consequências passam pela aprendizagem (mau rendimento escolar), comportamento (hiperactividade e défice de atenção), psicológicas (ansiedade e depressão), alterações orgânicas e perturbação da vida familiar.

Alexandra Vasconcelos disse que são cada vez mais comuns os casos de crianças que chegam aos consultórios com perturbações que, mais tarde, são atribuídos à falta de sono e, nomeadamente, ao fim das sestas. “Além do risco de saúde imediato, esta privação do sono pode deixar sequelas para o futuro.”

 

10 razões para limitar a exposição dos menores de 12 anos a telemóveis, tablets e afins

Março 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 2 de março de 2017.

alexandre-bordalo

O pediatra Hugo Rodrigues comenta à VISÃO as 10 razões apresentadas por uma terapeuta ocupacional pediátrica americana para proibir a exposição às tecnologias a crianças menores de 12 anos

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadiana de Pediatria recomendam que crianças dos 0 aos 2 anos não sejam expostas a nenhuma tecnologia e que o seu uso seja limitado a uma hora por dia a crianças dos 3 aos 5 anos e a duas horas por dia a crianças dos 6 aos 18 anos.

Mas o que se passa na realidade é que a quantidade de tempo que as crianças passam à frente das tecnologias é muito maior do que é aconselhável e, com isso, estão a prejudicar seriamente a sua saúde. Quem o diz é Cris Rowan, uma terapeuta ocupacional pediátrica. Num artigo que escreve para o The Huffington Post, alerta todos os pais, professores e governos para a importância de regular o tempo dedicado às tecnologias.

Pedimos ao pediatra Hugo Rodrigues, que escreve para a Bolsa de Especialistas da VISÃO, um comentário às 10 razões apresentadas por Cris Rowan para banir o uso de tecnologias a menores de 12 anos.

  1. Crescimento cerebral impróprio

A exposição excessiva a tecnologias tem sido associada a um défice do funcionamento executivo cerebral e de atenção, a atrasos cognitivos, a uma aprendizagem debilitada, à diminuição da capacidade de autoregulação e ao aumento da impulsividade.

O desenvolvimento cerebral só termina depois dos 20 anos na maior parte das pessoas, pelo que todos os estímulos a que as crianças e adolescentes estão expostos podem condicionar esse desenvolvimento.

Relativamente à capacidade de atenção, os estímulos dos chamados “ecrãs” são múltiplos e curtos, o que não estimula corretamente o funcionamento executivo, a atenção e aprendizagem. Para além disso, a capacidade de visualização 3D e orientação viso-espacial (coordenação entre visão e orientação espacial) encontra-se comprometida nos ecrãs, pois a imagem tem apenas duas dimensões e não três.

A impulsividade e a auto-regulação podem ficar comprometidas na medida em que mesmo a socialização que se consegue através das tecnologias está sempre intermediada por um aparelho, o que diminui a capacidade de controlo pela sensação de proteção que provoca. A este facto acrescem ainda os conteúdos (vídeos e jogos, por exemplo) que muitas vezes aumentam a agressividade e a impulsividade.

Por fim, relativamente ao défice cognitivo parece-me uma afirmação um pouco exagerada, porque essa relação é extremamente controversa e difícil de provar.

  1. Atraso no desenvolvimento

Porque implicam pouco movimento, as tecnologias acabam por atrasar o desenvolvimento da criança, e, por consequência, ter um impacto negativo no seu desempenho académico.

O desenvolvimento motor encontra-se condicionado pela ausência de estimulação nesse sentido. Particularmente a motricidade fina, que é a área mais afetada. Não tem nada a ver montar um puzzle num tablet ou com peças reais! A orientação tridimensional é algo que só se consegue com peças verdadeiras… Outro exemplo são as formas 3D, que num ecrã não existem (a esfera e um círculo, o cubo um quadrado, …).

Também em termos de linguagem, o desenvolvimento se encontra afetado. A linguagem verbal e escassa na maior parte dos programas e aplicações é muitas vezes “maltratada”, com abreviaturas e ortografia sem regra. A linguagem não verbal não se aprende sem socialização, porque requer contacto face a face e nenhum ecrã o consegue.

  1. Obesidade

O uso da televisão e de jogos de vídeo está relacionado com um aumento da obesidade. As crianças que têm aparelhos tecnológicos nos quartos têm 30% maior incidência de obesidade.

Completamente de acordo. A obesidade é a epidemia do século XXI e o sedentarismo um dos seus principais fatores de risco. Para além disso, o contacto permanente com os aparelhos tecnológicos estimula também a prática de “snacking”, que é o consumo pouco regrado de alimentos pouco nutritivos e muito densos do ponto de vista calórico (por exemplo, bolachas, chocolates, batatas fritas, etc).

  1. Privação de sono

75% das crianças com 9/10 anos têm privação de sono, o que acaba por prejudicar negativamente o desempenho académico;

Também completamente de acordo. O sono é um aspeto fundamental do dia-a-dia das crianças e adolescentes e um dos pilares do seu desenvolvimento. Os ecrãs tem um efeito nocivo na quantidade e qualidade do sono, que tem obrigatoriamente que ser “combatido”.

  1. Doenças mentais

O uso exagerado de tecnologias é considerado um dos fatores responsáveis pelo crescimento das taxas de depressão infantil, ansiedade, defeitos de vinculação, défice de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento problemático da criança.

Esta relação é controversa, mas é verdade que o isolamento social e a dependência da tecnologia que se cria podem ter interferência no humor, levando a situações de ansiedade e depressão, por exemplo. Também os conteúdos dos programas e jogos pode moldar o comportamento nesta fase tão vulnerável, levando a comportamentos problemáticos.

Quanto a relação com autismo, psicoses e doenças bipolares, as tecnologias podem ajudar a que surjam episódios de descompensação, mas não atuar como causa dessas doenças.

  1. Agressividade

As crianças estão expostas, através dos media e das tecnologias, a agressão explícita, o que pode influenciá-las a ter um comportamento agressivo.

Completamente de acordo. O controlo de conteúdos tem que ser uma prioridade para todos os pais. As crianças aprendem por imitação, pelo que tem que se selecionar muito bem tudo a que elas têm acesso.

  1. Demência digital

Os conteúdos mediáticos de “alta velocidade” podem contribuir para um défice de atenção e para uma diminuição das capacidades de concentração e de memória.

Já expliquei um pouco no ponto 1. Apesar das crianças poderem ficar muito tempo ligadas às novas tecnologias, isso não significa que tenham uma grande capacidade de concentração. A questão é que os estímulos são muito curtos, o que faz com que, na verdade, elas não estejam muito tempo atentas, mas sim atentas durante pequenos períodos de tempo de cada vez.

  1. Vício em tecnologia

Uma em cada 11 crianças, dos 8 aos 18 anos, é viciada em tecnologia.

Completamente de acordo. Este é um problema real, com o qual nós ainda não sabemos lidar adequadamente. Vai ser um enorme desafio nos próximos tempos porque se trata de uma verdadeira dependência em grande parte dos casos.

  1. Emissão de radiação

Em maio de 2011, a Organização Mundial da Saúde classificou os telemóveis e outros dispositivos sem fio com um risco de categoria 2B (possível carcinogénico), devido à emissão de radiação. As crianças são ainda mais vulneráveis a estes perigos.

Completamente de acordo. Hoje em dia vivemos completamente rodeados por radiações (Bluetooth, Wi-Fi) e muitas delas são ainda algo desconhecidas em termos de consequências para a saúde. O que é um facto é que existe a noção de que o número de casos de cancros em idade pediátrica estão a aumentar e tem obrigatoriamente que haver fatores ambientais que o justifiquem.

  1. Insustentável

A forma como as crianças são educadas não é sustentável. Não há futuro para as crianças que usam a tecnologia em excesso.

Acho demasiado negativo dizer que não há futuro. Cabe-nos a nós, adultos, fazer as escolhas certas para podermos ajudar as nossas crianças a serem adultos saudáveis, felizes e responsáveis. Para isso, é preciso usar sempre o bom-senso e tentar retirar das tecnologias o que podem ter de bom sem sofrermos o efeito negativo do seu (mau) uso.

Depoimento recolhido por Sara Soares

 

 

A privação de sono está a afetar a vida de milhares de crianças

Agosto 24, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://lifestyle.sapo.pt/

sapo

Os estudos, quase todos alarmantes, sucedem-se. Para não prejudicar o desenvolvimento dos seus filhos, implemente estratégias que permitam que as noites em sua casa passem a ser de puro descanso

Uma nova investigação da Islândia, tornada publica no início de agosto de 2016, vem alertar para o facto das crianças europeias estarem a dormir cada vez menos. Estudos do National Center on Sleep Disorders Research (NCSDR) revelam também que crianças privadas de sono estão mais sujeitas a ter acidentes, são mais fracas e apresentam baixo rendimento escolar. Muitas delas parecem hiperativas, podendo transformar-se em adultos obesos e com problemas respiratórios e coronários.

Investigações paralelas, levadas a cabo em Itália, corroboram a mesma ideia. Aquelas que entre os três e os cinco anos, durmam menos de dez horas por dia, têm mais 86 por cento de probabilidades de sofrer acidentes. Por isso, mentalize-se que pôr o seu filho a dormir a tempo e horas é tão bom para si como fundamental para o desenvolvimento dele. Entretanto, a associação American Academy of Sleep Medicine também está atenta.

Nos primeiros meses de 2016, este organismo reviu em alta o número de horas que os mais pequenos devem dormir para garantir um desenvolvimento saudável, como pode ver aqui. Em julho, um grupo de especialistas do Murdoch Children’s Research Institute, afeto ao Royal Children’s Hospital, em Melbourne, na Austrália, identificou, numa amostra de 4.460 crianças entre os 6 e os 7 anos, cerca de 22,6% dormem regularmente mal.

Estágios do sono

Cerca de um terço da nossa vida é passada a dormir. E não é por sermos preguiçosos. Sem dormir não somos capazes de retemperar forças ou de criar resistências para o dia a dia. Neste ponto, os bebés não são excepção. A diferença é que os adultos podem adormecer de repente, ao passo que os mais pequenos, para atingirem o sono profundo, demoram um pouco mais.

A criança passa por duas fases distinta de sono, o não-REM (profundo, em que respira calmamente sem mexer os olhos) e o REM (agitado e superficial, em que a respiração é irregular e o coração fica acelerado). Assim se explica que você já tenha acordado sobressaltado com episódios noturnos do seu filho que não consegue explicar (movimentos, terror noturno, pesadelos, sonambulismo), mas que é natural que aconteçam.

Horas de sonho

Mas afinal quanto tempo deve a criança dormir? Tenha a noção de que o seu filho tem necessidades próprias, embora existam padrões de sono para cada idade. Até os dois meses, o bebé dorme ao longo das 24 horas do dia, por períodos entre os 30 minutos e as três horas, acordando frequentemente durante a noite. A partir desta idade começa a existir um ritmo regular de sono e a criança vai acordando mais durante o dia.

Com meio ano, já dorme 11 horas à noite, por períodos mais longos. Após o primeiro aniversário, repousa um total de 14 horas e meia, bastando-lhe uma ou duas sonecas, num total de duas horas. Seis meses depois, é normal que não sinta necessidade de dormir de manhã. As sestas são dispensáveis, entre os dois anos e meio e os cinco anos. Segundo o estudo da NCSDR, crianças entre os sete e os onze anos devem dormir pelo menos nove horas.

Veja na página seguinte: Os (maus) hábitos que deve evitar

Os (maus) hábitos que deve evitar

Uma das principais regras para que o seu bebé durma descansado, e você também, é colocá-lo no berço de costas. Esta é uma norma de ouro na prevenção da síndrome da morte súbita do lactente. Por outro lado, não durma com ele pois a criança corre perigo de sufocar. É possível que, mesmo mais crescido, ele insista em aninhar-se na sua cama. Mas seja firme. Essa situação poderá afetar a sua relação conjugal.

Pode interferir na medida em que pode contribuir para que ela não consiga dormir noutro local, tornando-se demasiado dependente de si. Leve-a carinhosamente de volta ao quarto, coloque-a na cama e explique-lhe que não há razões para medos. Outra dúvida frequente é saber o que fazer quando o seu filho chora.

A sua tendência é ir ver imediatamente o que se passa e levá-lo para a cama do casal. Mas alguns especialistas recomendam que se deixe o bebé sonolento no berço, mesmo que chore, voltando algumas vezes ao quarto para que sinta a presença dos pais. A ideia é dar-lhe hipótese de voltar a adormecer sozinho. É também um erro andar em bicos de pés ou sussurrar. Só o está a habituar a acordar ao mínimo ruído.

Ponha fim ao martírio

Já reparou que à medida que ele vai crescendo, maior é a tendência para querer impor a sua vontade. Método é, por isso, a palavra chave para si que quer pô-lo a dormir sem dramas. É fundamental que crie uma rotina diária que torne a hora do sono um acontecimento natural. Habitue-o, por exemplo, a não deixar os trabalhos de casa para a última da hora e a dormir entre as 21h30 e as 22h00.

Prepare-o para esse momento, avisando-o com antecedência. Se ele resistir, pode explicar-lhe o quão importante é dormirmos. Por outro lado, se ele encarar o quarto como um local lúdico, durante o dia, verá que à noite não revelará tantas resistências em ir para a cama. Aconchegá-lo, contar-lhe uma história ou cantar-lhe uma canção são também truques eficazes para chamar o João Pestana.

Mesmo que ele tenha medo, os especialistas recomendam que não se deixe a luz acesa, porque a escuridão é fundamental para o seu crescimento. Pode, de qualquer forma, deixar a porta aberta, para que ele sinta que você está por perto. Depois saia do quarto e deixe-o nos braços de Morfeu. O deus dos sonhos encarregar-se-à do resto e o seu filho conseguirá o tão almejado descanso, que lhe permitirá desenvolver-se com saúde.

Texto: Nazaré Tocha com Luis Batista Gonçalves (edição online)

 

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