A geração superficial

Dezembro 15, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Tim Gouw on Unsplash

Artigo de opinião de Carmo Machado publicado na Visão de 13 de novembro de 2018.

Nós, os professores de Português, somos confrontados com a repulsa dos alunos ao verbo escrever. Vivemos este descalabro diariamente.

Qualquer professor hoje em dia se apercebe das dificuldades que os alunos sentem quando se lhes pede um texto, qualquer que seja a sua tipologia. E então nós, os professores de Português, somos confrontados diariamente com a repulsa dos alunos ao verbo escrever. Vivemos este descalabro diariamente. Por isto mesmo, em mais um sábado à noite de trabalho – enquanto lá fora a chuva caía, as pessoas normais dormiam e eu corrigia a enorme pilha de trabalhos escritos dos meus alunos – não fiquei surpreendida ao ler esta advertência de um aluno: Bom dia ou boa noite, professora. Nas próximas duzentas a trezentas palavras lerá aquela que foi provavelmente a composição que mais me custou escrever. Por isso mesmo, sente-se, coma qualquer coisa e tenha misericórdia de mim.

Sim, a maior parte dos alunos tem aversão à escrita porque não lê, sentindo uma enorme dificuldade em escrever, problema que aumenta de ano para ano. Ler estimula o raciocínio, desenvolve o vocabulário, aumenta a capacidade de interpretação, diminui os erros ortográficos, ajuda a produzir textos coesos, desenvolve a capacidade argumentativa, só para referir algumas vantagens. De facto, se vocês não lerem, como irão conseguir escrever? A esta pergunta, alguns alunos respondem-me de imediato: Ó stora, mas a gente lê. Todos os dias lemos imensas coisas na Internet… Bingo!

Preocupada com esta realidade – a constatação crescente de que os alunos sentem cada vez maior dificuldade em redigir um texto, por pequeno que seja – fui à procura de respostas. O livro de Nicholas Carr, Os Superficiais – O que a internet está a fazer com os nossos cérebros (Gradiva), seguindo a proposta da biblioterapeuta Sandra Barão Nobre, ajudou-me a compreender melhor este flagelo. De facto, enquanto lia este livro dei várias vezes comigo a concordar com o autor, ao mesmo tempo que transferia o que ele afirma para aquilo que eu constato diariamente nas aulas e no contacto com os alunos. A geração com que trabalho é uma geração alienada e cada vez mais superficial. A internet, sabemo-lo, veio mudar o mundo. Está a mudar as nossas vidas e começou já a transformar os nossos cérebros.

A dependência do computador e da ligação à rede começa a interferir na forma como percecionamos o mundo, provocando danos irreparáveis na maneira como utilizamos a linguagem. Penso que reside aqui, neste uso e abuso que fazemos das tecnologias, uma das principais causas das dificuldades crescentes dos alunos no uso da escrita. O que pode então a Ciência dizer-nos sobre as consequências do uso da internet nos nossos cérebros e nos cérebros dos nossos alunos? Muito mesmo. Vários estudos realizados por educadores, investigadores de diferentes áreas como psicólogos e neurobiólogos mostram que quando os alunos estão em rede (o que acontece a maior parte do tempos nos dias que correm), o ambiente em que se encontram promove uma leitura negligente e rápida. Ora, neste contexto, o pensamento torna-se também ele apressado sendo a aprendizagem que fazemos das coisas cada vez mais superficial.

O que fazemos quando estamos em rede acarreta consequências neurológicas impercetíveis no imediato mas cujo efeito é preocupante. Não é preciso ser-se professor para se constatar que a capacidade de concentração dos jovens e adolescentes é cada vez menor. Na verdade, tal como o tempo gasto a explorar páginas web (na maior parte das vezes sem qualquer conteúdo de interesse) suplanta o tempo que passamos a ler noutros registos e formatos (já nem me atrevo a referir-me aos livros), também o tempo que se consome a redigir mensagens curtas de texto (vulgo sms) suplanta o tempo que se utiliza a escrever um parágrafo, vários parágrafos, um texto… Deste modo, enquanto saltitamos entre hiperligações que nos levam a nenhures perdemos a oportunidade de refletir silenciosamente. Eis o ponto seguinte desta rede de vazios. O silêncio é praticamente inexistente na vida dos nossos alunos. Dentro ou fora da aula, os alunos não o conhecem. Logo, os antigos processos e funções intelectuais que permitiam o raciocínio aprofundado e a reflexão começaram a destruir-se e a desaparecer. O cérebro recicla os neurónios e as sinapses não utilizadas, dando-lhe outras tarefas mais urgentes. É certo que os alunos possuem e/ou ganharam outras competências que nós não possuímos mas perderam capacidade de foco e de concentração. Segundo Nicholas Carr, o nosso cérebro está a regredir ao cérebro primitivo ou reptiliano, em alerta e distração permanente.

Facto: estamos perante uma geração cada vez mais alienada e superficial que pensa cada vez com menor profundidade e que, como consequência, relaciona ideias e conceitos de forma cada vez mais rudimentar. Perante isto, é quase impensável que quando peço aos meus alunos para pesquisarem informações suplementares sobre um determinado tema, eles queiram aprofundar seja o que for. A grande questão que se nos coloca enquanto professores é se conseguiremos encontrar um ponto de equilíbrio entre a utilização abusiva que os nossos alunos hoje em dia fazem de todo o aparato tecnológico que têm à sua disposição e a necessidade de silêncio e introspeção que a leitura profunda de um livro pode proporcionar. Porque rodeados que estão de estímulos tecnológicos, ler torna-se mais difícil, aprofundar é um esforço hercúleo e escrever uma quimera.

Por tudo isto, decidi responder ao meu aluno: Bom dia ou boa noite, querido aluno. Nas duzentas a trezentas palavras que escreveste, li aquela que foi provavelmente a composição que mais me custou ler. Por isso mesmo, levanta-te e desliga-te. A internet promove uma leitura diagonal dos temas e dá-te apenas fragmentos dispersos do conhecimento que procuras. Sim, querido aluno, a internet é uma biblioteca de fragmentos. Por isso mesmo, come qualquer coisa e abre um livro: a plasticidade cerebral espera por ti.

Carmo Miranda Machado é formadora profissional na área comportamental e professora de Português no ensino público há vinte e sete anos, tendo trabalhado com alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade. Possui um Mestrado em Ciências da Educação (Orientação das Aprendizagens) pela Universidade Católica Portuguesa e tem como formação base uma Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Tem dedicado a sua vida às suas três grandes paixões: o ensino, a escrita e as viagens pelo mundo. Colabora na Revista Mais Alentejo desde Fevereiro de 2010 como autora da crónica Ruas do Mundo, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano. Publicou até ao momento, os seguintes títulos pela editora Colibri: Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011) e Rios de Paixão (2015).

 

3 atividades em família que desenvolvem a competência da escrita nas crianças

Julho 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Photo by pan xiaozhen on Unsplash

 

Pais, avós e irmãos são os parceiros ideais para o sucesso da criança na aquisição e domínio da competência da escrita.

Se no seio familiar a criança tiver oportunidade de se envolver em atividades de escrita, começa desde cedo a compreender as suas diferentes funções e a identificar os diferentes suportes de escrita.

Ser capaz de identificar as funcionalidades da escrita permite à criança compreender para que serve escrever e aumentar a sua motivação para realizar esta tarefa. Em tempo de férias escolares, as famílias poderão realizar atividades divertidas e que permitam à criança identificar a escrita como um meio para transmitir informação, para organizar e registar informação e para dar instruções precisas.

Ficam aqui 3 actividades para as crianças desenvolverem a competência da escrita durante as férias, de forma descontraída e divertida.
(Nota: Estas atividades devem contar com a participação ativa da criança na decisão dos conteúdos e do registo escrito dos mesmos e ser adequadas ao seu nível de competência.)

 

1. Jornal de Parede Familiar
Objetivo: Registar por escrito acontecimentos relevantes, das férias escolares da criança. É necessário um painel para afixar as notícias.

Um familiar poderá ser o editor do jornal, acordando com a criança a periodicidade com que as noticias poderão ser afixadas. Algumas das ideias que poderão ser exploradas são:

Fotografias legendadas de momentos passados nas férias (podem imprimir em casa, ou pedir ajuda aos pais para imprimir fora)
Ilustrações de passeios ou visitas acompanhadas de breves descrições
Anúncios de eventos festivos ou flyers.

2. Listas e Mapas de Registo em Família
Objetivo: Registar informação útil à família, que pode ser consultada a qualquer altura.

As listas poderão ser afixadas na parede ou num quadro. Em conjunto, poderão ser elaboradas listas de compras a fazer no supermercado, listas do vestuário e de objetos a incluir na mala de viagem, listas de números de telefone e moradas úteis, mapas de registo dos aniversários familiares durante o Verão, e mapas de registo de tarefas durante as férias.

 

3. Caderno de Instruções para toda a Família
Objetivo: Registar por escrito as instruções de atividades que podem ser dinamizadas no período de férias, mantendo-as sempre acessíveis a todos.

Num caderno, poderão ser escritas instruções de jogos de praia, instruções de cuidados a ter com o sol, instruções de receitas que possam ser confeccionadas pela criança, ou das regras de utilização
de piscinas ou parques aquáticos.

Ao dinamizar atividades com os pequenos escritores lá de casa, as famílias terão a oportunidade de reforçar e valorizar as competências trabalhadas ao longo do ano letivo, em particular no domínio da escrita, em tempo de férias!

Por Sílvia Duarte Silva, licenciada em Psicologia

Estudo inglês afirma que a tecnologia está a fazer com que as crianças não consigam pegar em lápis

Março 17, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 25 de fevereiro de 2018.

A crescente utilização de tablets e smartphones por parte dos mais pequenos está a fazer com que não ganhem força nos músculos dos dedos.

As crianças estão a a ter cada vez mais dificuldades no simples acto de segurar num lápis ou numa caneta. A culpa? Um estudo da britânica Heart of England NHS Foundation Trust diz que a culpa é da tecnologia.

Segundo os médicos deste conglomerado privado que são citados pelo The Guardian, a utilização excessiva dos touchscreens de smartphones ou tablets está a impedir que os músculos dos dedos das crianças se desenvolvam corretamente.

“As crianças estão a chegar à escola sem terem a força de mãos e destreza que tinham há 10 anos”, afirma Sally Payne, pediatra chefe do gabinete de terapia ocupacional da Heart of England.

“Hoje, os miúdos chegam à escola e quando lhes passamos um lápis para a mão, por exemplo, percebe-se que não têm as capacidades de movimento fundamentais”, diz Payne ao Guardian.”

“Para conseguirem agarrar num objeto deste género e movimentarem-no precisam de ter um grande controlo dos músculos mais sensíveis dos dedos “, acrescentou. “Eles precisam de ter muitas oportunidades para desenvolver essas aptidões.”

Para Payne, a natureza das brincadeiras de criança mudaram, isto porque “é mais fácil dar um Ipad a um miúdo do que encorajá-lo a brincar com coisas que o ajudem a desenvolver-se melhor, como Legos, cortes e colagens ou coisas feitas em corda, que eles possam puxar e esticar.”

O Patrick, de seis anos, tem vindo a participar todas as semanas (ao longo dos últimos seis meses) numa aula de terapia ocupacional que tem como objetivo ajudá-lo a desenvolver a força no seu dedo indicador — para que consiga pegar num lápis. A sua mãe, Laura, culpa-se da desvantagem do filho: “Em retrospectiva vejo que dei coisas tecnológicas ao Patrick para que ele brincasse, tendo com isto excluído quase todos os os outros brinquedos mais tradicionais. Quando ele entrou na escola fui contactado pelas professoras dele que que estavam preocupadas: ele estava a segurar no seu lápis como um homem das cavernas. Ele simplesmente não lhe conseguia pegar de outra forma qualquer. Por causa disso estava a ter dificuldades a aprender a escrever.”

A mãe de Patrick afirma ainda que apesar desta dura realidade, a terapia esta a funcionar bem e que agora tem uma “posição muito mais firme” em relação ao acesso à tecnologia. “Acho que a escola detectou o problema mesmo a tempo de ser corrigido, antes que surgissem danos irreparáveis.”

Mellissa Prunty, pediatra especializada na vertente da terapia ocupacional que se foca mais nos problemas de escrita, também está preocupada com o facto de cada vez haverem mais crianças a aprenderem a escrever muito tarde, por causa da tecnologia.

“Um dos problemas principais é o facto da caligrafia ser algo muito próprio de cada pessoa e isso desenvolve-se durante a infância”, explica a médica que também é a vice-presidente da National Handwriting Association (“Associação Nacional da Caligrafia”, em português) e diretora da clínica de investigação da Brunel University London.

Existem várias formas de “ensinar a escrever” nas escolas inglesas, sendo que muitas deles já usam tablets como auxiliares dos tradicionais lápis. Para a mesma Prunty, esta realidade é um problema grave, já  que muitas crianças também usa tablets fora da escola.

Karin Bishop, a directora adjunta da Royal College of Occupational Therapists, afirmou que: “É inegável a importância da tecnologia e a forma como ela já mudou o mundo onde os nossos filhos estão a crescer. Apesar de existirem vários aspectos positivos desta realidade, há cada vez mais indícios do seu impacto no crescente sedentarismo do nosso estilo de vida e das nossas interações sociais. À medida que as nossas crianças vão passando cada vez mais tempo dentro de casa e “online”, passam menos tempo a participar em actividades mais físicas.”

 

 

Resultados de novo estudo podem ajudar a explicar discussões acesas nas redes sociais

Dezembro 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Kacper Pempel/ Reuters

Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 13 de dezembro de 2017.

Repostas furiosas, ânimos exaltados,muito pouca ponderação. O cenário é conhecido de todos os que andam pelo mundo das redes sociais e uma nova investigação dá uma pista para o explicar

A voz de uma pessoa é mais persuasiva do que a palavra escrita e isso é relevante sobretudo quando em causa estão ideias diferentes das nossas.

Num estudo publicado recentemente no Psychological Science, uma equipa de investigadores das universidades da Califórnia e de Chicago, conduzida por Juliana Schroeder, levou a cabo várias experiências em que um grupo de voluntários era expostos a várias ideias: umas com as quais concordavam e as outras não.

Um dos exercícios consistia em fazer 300 participantes ver, ouvir ou ler argumentos sobre a guerra, o aborto ou a música, neste caso específico country ou rap, que são dois estilos que normalmente polarizam as opiniões. Depois, era pedido aos voluntários que avaliassem a pessoa que tinha exposto o argumento. Quando os participantes não concordavam, a tendência era a de “desumanizar” o interlocutor, ou atribuir-lhe uma menor capacidade para pensar ou sentir. Mas quando o mesmo argumento era ouvido, fosse em vídeo ou só mesmo através de um ficheiro de áudio, os participantes não se mostraram tão críticos.

Convicções transmitidas oralmente fazem o comunicador parecer mais razoável e até mais humano, explica ao The Washington Post Juliana Schroeder, enquanto as mesmas crenças perdem “os elementos humanizadores” quando são comunicadas por escrito.

A investigação começou com um artigo de jornal. Um dos cientistas leu uma citação no jornal de um discurso de um político com o qual discordava acentuadamente. Num email enviado ao Washington Post, Schroeder explica que o mesmo investigador ouviu, na semana seguinte, exatamente a mesma parte do discurso a passar na rádio e ficou “chocado” com a diferença da sua própria reação: Quando leu, o político pareceu-lhe imbecil, mas quando o ouviu, o mesmo político pareceu-lhe razoável.

Agora, já com o resultado do estudo na mão, Schroeder acredita que estas conclusões podem ajudar a explicar o efeito tão acentuado das redes sociais no aumento da polarização das opiniões políticas.

“De certa forma, a tecnologia está a tornar as nossas interações mais baseadas em texto. Muitas pessoas recebem a maioria das suas notícias através das redes sociais. Isto pode ser desumanizador e pode aumentar a polarização”, reflete.

 

 

Os chumbos devem ser uma oportunidade ou um problema?

Junho 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do http://www.educare.pt  de 9 de junho de 2017.

Estudo conclui que o défice de competências na leitura é a principal causa dos chumbos no 2.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico. A maioria dos professores inquiridos refere que as repetências têm vantagens na consolidação das aprendizagens. A desmotivação dos alunos é o maior problema.

 Sara R. Oliveira

O défice de competências na área da leitura é a primeira causa de repetência precoce no 2.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Os alunos, que podem ter 6 ou 7 anos de idade, reprovam no 2.º ano por não lerem bem, por não atingirem os objetivos do programa em relação à leitura e à escrita, quer no domínio técnico de identificação e descodificação dos sinais, quer na compreensão da leitura ou do domínio do vocabulário. É a primeira causa assinalada com 44%, seguida das dificuldades de concentração com 15% e de dificuldades de aprendizagem com 10%. Abaixo dos dois dígitos estão a imaturidade, a falta de pré-requisitos, a falta de estudo ou de interesse e ainda a indisciplina e a falta de acompanhamento familiar. Estes dados e conclusões fazem parte do estudo “Aprender a Ler e a Escrever em Portugal”, projeto coordenado pela ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, juntamente com Isabel Alçada, também ex-ministra da Educação, e ainda Teresa Calçada e João Mata. O estudo resulta de uma parceria entre a EPIS – Empresários pela Inclusão Social e o Fórum das Políticas Públicas.

“O que explica o fenómeno da repetência precoce é, em primeiro lugar, as dificuldades de aprendizagem da leitura, é o facto de algumas crianças não aprenderem a ler nos tempos previstos nos programas de ensino. Em segundo lugar, a naturalização destas dificuldades, ou seja, a convicção partilhada nas escolas do insucesso de que ‘as crianças são diferentes, e sempre haverá crianças que não aprendem ou que aprendem mais lentamente’”. “É o distanciamento e o processo de transformação do problema de ensino e aprendizagem, no interior da escola, num problema de gestão pedagógica de alunos repetentes que cria cortinas de opacidade e impede que o problema seja ‘visto’. Não sendo visto, não é resolvido”, lê-se no estudo.

De 541 escolas consideradas de insucesso escolar, o estudo incidiu numa amostra de 127 e nos dois primeiros níveis de ensino. A grande maioria dos professores, ou seja, 80% dos docentes das turmas visitadas, refere que não é possível eliminar totalmente o insucesso no 1.º Ciclo e 87% afirmam que a repetência tem vantagens – 57% dos coordenadores partilham dessa opinião. A aquisição e consolidação das aprendizagens é a principal vantagem da repetência referida por 71% dos professores e por 60% dos coordenadores. A recuperação de dificuldades é indicada por 12%, a maturidade por 10%, mais tempo para a aprendizagem por 4% e o reforço das aprendizagens por 3%. Nas desvantagens das repetições, são indicados vários fatores como o desinteresse e a desmotivação, a perda do grupo, a autoestima, o desfasamento da faixa etária, o estigma, a perda de conteúdos adquiridos, a perda de tempo. “A repetência é vista como uma oportunidade e não como um problema.” Esta é outra conclusão deste projeto depois do contacto com as escolas.

Um “mal menor”

“Repetir é uma alternativa melhor do que passar sem saber. Para os professores entrevistados a repetência é a alternativa correta, a única alternativa. No seu leque de opções não são encaradas outras alternativas, não são referidas outras soluções”, adianta-se no estudo. Entre as razões referidas para não ser possível eliminar totalmente o insucesso, o contexto familiar surge com 23%, as dificuldades de aprendizagem com 12%, o meio socioeconómico desfavorecido com 9%. A organização do sistema de ensino surge com 5% e as capacidades dos alunos com 3%.

Professores e dirigentes escolares indicam que os contextos familiares dos alunos – famílias que não valorizam nem acompanham a vida escolar dos filhos – e as razões socioeconómicas e culturais são fatores que explicam as dificuldades de aprendizagem da leitura. Quando o método não funciona, os professores pensam no que podem fazer. Diversificar estratégias é a primeira ideia com 27% e alterar os métodos aparece em segundo lugar com 25%. O apoio individualizado é referido por 4% dos docentes e a diferenciação pedagógica por 7%.

“No final, os esforços empreendidos pelos professores não têm impacto significativo. No final do ano, os que recuperaram progridem, os que não recuperaram repetem. Para ser diferente seriam necessárias, na opinião dos professores, outras medidas”, sublinha-se. Nessas medidas para recuperar alunos mais fracos, os professores referem que é importante o acompanhamento familiar e a valorização da escola, o apoio individualizado do professor titular, e ainda a redução de alunos por turma.

“Não sendo tais soluções acessíveis aos professores, a repetência apresenta-se realmente como a única alternativa, passando a ser encarada como um mal menor ou como um ‘não problema’. Os professores consideram que algumas crianças precisam de mais tempo para aprender. Em muitos casos consideram que aos seis anos muitas crianças revelam imaturidade, e que deviam entrar mais tarde na escola. E nesse sentido, a repetência é em si uma boa solução”. Do lado dos dirigentes escolares, 64% realçam que a aquisição e consolidação de competências é a principal vantagem dos chumbos, 24% colocam a desmotivação no topo da lista das desvantagens.

Segregar alunos difíceis

A dimensão das turmas é apontada como uma situação crítica e a redução só é permitida em situações específicas. Muitos alunos na sala, mais dificuldades em cumprir com o que se pretende. E as turmas mistas que as escolas vão constituindo são, segundo se afirma neste projeto, “uma solução de recurso”. Misturam-se alunos repetentes de vários anos de escolaridade. “Trata-se de uma forma de segregação dos alunos mais difíceis, em turmas separadas, cujos princípios pedagógicos de organização não obedecem nem ao critério da idade, nem ao do nível ou grau de ensino. Também não é aplicado o princípio da continuidade pedagógica (39 professores de turmas mistas (em 65) afirmaram não ter sido professores dos seus alunos no ano anterior)”.

Os autores do estudo fazem algumas recomendações. Desde logo, afirmam que é fundamental reconhecer que há um problema no ensino da leitura, que tem uma expressão preocupante nos primeiros anos de escolaridade e que os seus efeitos negativos se prolongam nos percursos escolares e no desempenho dos alunos. A palavra de ordem é prevenir, ou seja, identificar os problemas de aprendizagem, diagnosticar, conhecer para intervir precocemente.

Há várias ferramentas à disposição de quem ensina como a rede de bibliotecas e o Plano Nacional de Leitura, que podem ajudar em dinâmicas de apoio às escolas e aos professores nas atividades relacionadas com a leitura. Por outro lado, sugere-se no estudo que é importante desenvolver instrumentos de diagnóstico e de intervenção precoce com base em experiências e projetos que já existam nas escolas, bem como acompanhar, de forma continuada, os agrupamentos com elevados níveis de insucesso nos primeiros anos de aprendizagem, incentivando a definição de estratégias e de planos de ação para resolver problemas. Debater a questão das repetências em vários setores da sociedade também é importante.

Uma intervenção estratégica por parte das direções dos agrupamentos com escolas de insucesso é considerada fundamental e deve incluir vários aspetos, como defendem os autores do estudo. Os professores devem ter acesso a informações, a metodologias de diagnóstico e de intervenção precoce, e ter condições para a diversificação de estratégias pedagógicas de ensino e de intervenção individualizada. Quem gere as escolas deve estimular o trabalho colaborativo dos professores, criar espaços de reflexão, de debate e de planificação de ações conjuntas para tentar solucionar problemas de aprendizagem. As escolas devem ter dados e informações sobre o insucesso no 1.º Ciclo e identificar quais os recursos necessários para reduzir esse insucesso.

Mais retenções a sul e no interior

O insucesso escolar precoce tem uma expressão particularmente dramática no 2.º ano de escolaridade. “Durante décadas, todos os anos, uma percentagem sempre superior a 10% de alunos, no 2.º ano de escolaridade, com sete anos de idade, iniciava um percurso escolar marcado pela repetência e pelo insucesso, do qual é difícil recuperar”. De 2001 a 2009, registou-se uma descida nas repetências, chegando a baixar para os 6,5%. Mas nos últimos anos, a situação mudou e o número de alunos retidos no 2.º ano aumentou de novo e voltou à casa dos 10%. O que leva a questionar o efeito de algumas medidas, nomeadamente a generalização do pré-escolar, a integração das escolas do 1.º Ciclo nos agrupamentos, a extensão da rede de bibliotecas.

Este projeto da EPIS surge para aprofundar o conhecimento sobre o insucesso escolar nos primeiros anos de escolaridade, matéria em que Portugal se destaca pelos piores motivos. É o país da OCDE com a maior percentagem de alunos que chumbaram pelo menos duas vezes nos primeiros seis anos de escolaridade. Os números indicam que os alunos portugueses que aos 15 anos já reprovaram pelo menos duas vezes são o dobro, em percentagem, dos jovens chilenos que ocupam o segundo lugar desta classificação – 5,4% para Portugal e 2,5% para o Chile. E são quase sete vezes mais, em percentagem, do que a média da OCDE. Portugal é ainda o segundo país com reprovações mais precoces, a seguir à Bélgica. Dezassete por cento dos alunos que participaram no PISA, programa internacional de avaliação, repetiram pelo menos uma vez no 1.º Ciclo do Ensino Básico.

Grande parte dos estudos referem que a repetência e a passagem administrativa não são soluções para melhorar o sucesso escolar, as aprendizagens, os comportamentos e atitudes dos alunos. Por isso, é preciso aprofundar conhecimentos e perceber o impacto dos chumbos no desempenho dos alunos. “No debate público sobre o insucesso escolar, a questão da repetência é uma questão crítica em aberto, a propósito da qual são esgrimidos argumentos opostos. Os que defendem esta prática pedagógica invocam a necessidade de rigor, os críticos da repetência apontam a sua ineficácia na recuperação das aprendizagens, bem como os seus efeitos negativos nos desempenhos escolares futuros”, lê-se no estudo.

Das 3 866 escolas públicas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, 541 têm níveis de repetência superiores à média nacional em todos os anos de escolaridade. São consideradas as escolas do insucesso. Em mais de 900 escolas do 1.º Ciclo não há o fenómeno da repetência e quatro em 10 concelhos, ou seja, 38,5%, não têm escolas com elevado insucesso escolar. Com estas contas, conclui-se então que o insucesso escolar acontece em 61,5% dos concelhos de Portugal continental.

Os dados em análise neste estudo reportam-se ao ano letivo 2013/2014. Apertando mais a amostra, verifica-se que quase dois terços das escolas com elevada retenção e desistência estão em 14,4% do país. E foi possível encontrar três padrões. Mais retenções nos concelhos do sul, menos no norte. Lisboa tem, por exemplo, 39 escolas de insucesso que representam 42% do total das escolas do seu território, enquanto o Porto tem 10 escolas de insucesso que são 20% das que existem na sua área. Mais retenções nos concelhos do interior e de reduzida dimensão, do norte ao sul do país. Mais retenções em alguns concelhos da periferia da cidade de Lisboa, com Loures, Amadora, Almada, Setúbal no topo da lista.

No mapa do país, o insucesso escolar nos primeiros anos de ensino surge em determinados locais. “Não está disseminado por todo o território. Ele é tributário de desigualdades territoriais que as escolas não conseguem contrariar. São escolas expostas e vulneráveis às desigualdades dos contextos territorial e social em que se inserem”, realça o estudo.

 

Crianças ainda precisam aprender a escrever à mão?

Agosto 14, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://zh.clicrbs.com.br/rs/ de 31 de julho de 2016.

Os estudos citados na notícia são os seguintes:

Relationships of Attention and Executive Functions to Oral Language, Reading, and Writing Skills and Systems in Middle Childhood and Early Adolescence

Handwriting in early childhood education: Current research and future implications

anna parini

Pesquisas mostram que formar letras manualmente é importante para o desenvolvimento do cérebro

Por: The New York Times

No mundo dos teclados, a antiquada caligrafia parece desnecessária. Há uma tendência a descartar a escrita à mão como uma habilidade que não é mais essencial, mesmo que os pesquisadores já tenham alertado para o fato de que aprender a escrever pode ser a chave para… bem, aprender a escrever.

Existe um crescente número de pesquisas sobre o que o cérebro desenvolve ao formar letras no papel, sejam elas de forma ou cursivas. Em um artigo publicado este ano na revista científica The Journal of Learning Disabilities, pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionava com a atenção e com a chamada “habilidade de função executiva” (como o planejamento, por exemplo) em crianças do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem. Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e principal autora do estudo, contou que essa e outras pesquisas sugerem que “escrever à mão, formando letras, envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita”.

No ano passado, em um artigo publicado no The Journal of Early Childhood Literacy, Laura Dinehart, professora de Educação na Primeira Infância da Universidade Internacional da Flórida (EUA), discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho acadêmico: crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores porque seu trabalho é mais agradável para os professores lerem. As que têm dificuldades para escrever podem dedicar uma parte muito grande de sua atenção na produção de letras, e assim o conteúdo sofre.

Habilidade vai além do desenvolvimento motor

Mas realmente estimulamos o cérebro das crianças ao ajudá-las a formar letras com suas mãos? Em uma população de crianças pobres, diz Laura, as que tinham boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância se deram melhor mais tarde na escola.

— Essa ideia de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora está errada. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento e o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas — afirma a professora da Universidade de Washington Virginia Berninger.

As pessoas precisam ver as letras “nos olhos da mente” para produzi-las na página, explica ela. A imagem do cérebro mostra que a ativação dessa região é diferente em crianças que têm problemas com a caligrafia.

Escaneamentos cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede característica é ativada no cérebro quando eles leem, incluindo áreas que se relacionam com processos motores. Os cientistas acreditam que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.

Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana (EUA), escaneou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia.

— Seus cérebros não distinguiam as letras. Elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo — conta ela.

Depois que as crianças aprenderam a escrever à mão, os padrões de ativação do cérebro em resposta às letras mostraram mais ativação daquela rede de leitura, incluindo regiões do órgão que os adultos usam para processar a linguagem escrita.

Escritores híbridos

Especialistas em caligrafia vêm lutando com a questão de se a letra cursiva confere habilidades e benefícios especiais, além dos fornecidos pela letra de forma. Virginia Berninger cita um estudo de 2015 que sugere que, começando por volta do quarto ano, as habilidades com a letra cursiva ofereciam vantagens tanto na ortografia quanto na composição de palavras e frases.

Para crianças pequenas, digitar palavras não parece gerar a mesma ativação do cérebro. À medida que as pessoas crescem, claro, a maioria faz a transição para a escrita em teclados. Ainda assim, estudos sobre anotações feitas à mão sugerem que “alunos de faculdade que escrevem em teclados são menos propensos a lembrar e a saber do conteúdo do que se anotassem à mão”, conta Laura Dinehart.

Segundo Virginia, a pesquisa sugere que crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de forma, depois dois anos de aprendizado e prática de letra cursiva, e, então, atenção sistemática para a digitação.

Usar um teclado, e especialmente aprender as posições das letras sem olhar para as teclas, diz ela, pode muito bem aproveitar as fibras que se intercomunicam no cérebro, já que, ao contrário da caligrafia, as crianças vão usar as duas mãos para digitar.

— É preciso ensinar as crianças a serem escritoras híbridas. Letra de forma primeiro para a leitura, depois cursiva para a ortografia e a composição. Então, no final da escola primária, digitação — afirma Virginia.

Pediatras alertam que esse pode ser mais um caso em que deveríamos tomar cuidado para que a atração do mundo digital não leve embora experiências significativas que podem ter impacto real no desenvolvimento rápido do cérebro das crianças. Dominar a caligrafia é uma maneira de se apropriar da escrita de maneira profunda.

 

Não acabem com a caligrafia: escrever à mão desenvolve o cérebro

Julho 11, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://diariodigital.sapo.pt/ de 25 de junho de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Relationships of Attention and Executive Functions to Oral Language, Reading, and Writing Skills and Systems in Middle Childhood and Early Adolescence

diário digital

Num artigo publicado no The Journal of Learning Disabilities, pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionavam com a atenção e com o que é chamado de habilidades de «função executiva» (como planeamento) em crianças do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem.

Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington e principal autora do estudo, contou que a evidência dessa e de outras pesquisas sugere que «escrever à mão – formando letras – envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita».

No ano passado, num artigo no Journal of Early Childhood Literacy, Laura Dinehart, professora associada de Educação da Primeira Infância na Universidade Internacional da Florida, discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho académico: crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores porque o seu trabalho é mais agradável para os professores lerem; as que têm dificuldades com a escrita podem achar que uma parte muito grande da sua atenção está a ser consumida pela produção de letras, e assim o conteúdo sofre.

Mas podemos realmente estimular o cérebro das crianças ao ajudá-las a formar letras com as suas mãos? Numa população de crianças pobres, diz Laura, as que possuíam boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância deram-se melhor mais tarde na escola.

Ela diz que mais pesquisas são necessárias sobre a escrita nos anos pré-escolares e sobre as maneiras para ajudar crianças pequenas a desenvolver as habilidades que precisam para realizar «tarefas complexas» que exigem coordenação de processos cognitivos, motores e neuromusculares.

Esse mito de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora simplesmente está errado. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planeamento motor, o controlo motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas

As pessoas precisam de ver as letras «nos olhos da mente» para produzi-las na página, explica ela. A imagem do cérebro mostra que a activação dessa região é diferente em crianças que têm problemas com a caligrafia.

Monitorizações cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede cerebral característica é activada quando leem, incluindo áreas que se relacionam com processos motores. Os cientistas inferiram que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.

Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana, observou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia. «Os seus cérebros não distinguiam as letras; elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo», conta ela.

Depois de as crianças terem aprendido a escrever à mão, os padrões de activação do cérebro em resposta às letras mostraram mais activação daquela rede de leitura, incluindo os giros fusiformes, junto com o giro inferior frontal e regiões parietais posteriores do cérebro, que os adultos usam para processar a linguagem escrita – mesmo que as crianças ainda estivessem num estágio muito inicial na caligrafia.

«As letras que elas produzem são muito rabiscadas e variáveis, e isso na verdade é bom para o modo como as crianças aprendem as coisas. Esse parece ser um dos grandes benefícios da escrita à mão», conta Larin James.

 

Robô criado para ser o “pior aluno da turma”

Junho 17, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 9 de junho de 2015.

Investigadores suíços criaram um robô humanoide que desempenha o papel de “pior aluno da turma”. Foi programado para interagir com os humanos e permitir que as crianças melhorem a aprendizagem.

As crianças são incentivadas a ensinar o robô para que elas próprias aprendam ao ensinar e aumentem a autoconfiança.

Séverin Lemaignan, um dos autores do projeto, explica que “se o robô falhar na escrita, a criança vai sentir-se responsável por isso”.

O sistema ainda está em fase de protótipo e tem sido usado experimentalmente.

Lemaignan assegura que esta tecnologia “não pretende substituir os professores”, mas sim ter o papel “de mau aluno que o professor não pode desempenhar”.

mais informações no site do projeto:

http://chili.epfl.ch/cowriter

 

 

 

 

 

Encontro “A apropriação da linguagem escrita nas primeiras idades” 21 de março Évora

Março 19, 2015 às 8:10 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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ENCONTRO Apropriação da cultura escrita - dia 21 mar 2015 - Evora PT

A APROPRIAÇÃO DA CULTURA ESCRITA NAS PRIMEIRAS IDADES – Implicações da teoria histórico-cultural 21 de Março |10:30 | Colégio do Espírito Santo A inscrição é gratuita mas sujeita a confirmação através do mail

mafm@uevora.pt

Falta de escrever à mão «pode prejudicar desenvolvimento cerebral de crianças»

Março 1, 2015 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do  http://diariodigital.sapo.pt  de 12 de fevereiro de 2015.

Mais informações no artigo do New York Times:

What’s Lost as Handwriting Fades

Diário digital

Uma pesquisa americana sugere que o uso excessivo de teclados e ecrãs sensíveis ao toque ao invés de escrever à mão, com lápis e papel, pode prejudicar o desenvolvimento das crianças.

A neurocientista cognitiva Karin James, da Universidade de Bloomington, nos EUA, estudou a importância da escrita à mão para o desenvolvimento do cérebro da criança.

Para chegar à conclusão de que teclados e telas podem prejudicar este desenvolvimento, a investigadora estudou crianças que ainda não sabiam ler – que poderiam ser capazes de identificar letras mas não sabiam como juntá-las para formar palavras.

No estudo, as crianças foram separadas em grupo diferentes: um grupo foi treinado para copiar letras diferentes enquanto outras trabalharam com as letras usando um teclado.

A pesquisa testou a capacidade destas crianças de aprender as letras; mas os cientistas também usaram exames de ressonância magnética para analisar quais as áreas do cérebro que eram activadas e, assim, tentar entender como o cérebro muda enquanto as crianças se familiarizavam com as letras do alfabeto.

O cérebro das crianças foi analisado antes e depois da experiência e os cientistas compararam os dois grupos diferentes, medindo o consumo de oxigénio no cérebro para mensurar a sua actividade.

Os pesquisadores descobriram que o cérebro responde de forma diferente quando aprende através da cópia de letras à mão de quando aprende as letras digitando-as num teclado.

As crianças que trabalharam copiando as letras à mão mostraram padrões de activação do cérebro parecidos com os de pessoas alfabetizadas, que podem ler e escrever. Este não foi o caso com as crianças que usaram o teclado.

O cérebro parece ficar «ligado» e responde de forma diferente às letras quando as crianças aprendem a escreve-las à mão, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprender a escrever à mão e o de aprender a ler.

«Os dados do exame do cérebro sugerem que escrever prepara um sistema que facilita a leitura quando as crianças começam a passar por este processo», disse James.

Além disso, desenvolver as habilidades motoras mais sofisticadas necessárias para escrever à mão pode ser benéfico em muitas outras áreas do desenvolvimento cognitivo, acrescentou a pesquisadora.

As descobertas da pesquisa podem ser importantes para formular políticas educacionais.

«Em partes do mundo há uma certa pressa em introduzir computadores nas escolas cada vez mais cedo, isto (esta pesquisa) pode atenuar (esta tendência)», disse Karin James.

 

 

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