Número de crianças deslocadas por conflitos e desastres atinge recorde

Maio 13, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 5 de maio de 2020.

Segundo Unicef, 19 milhões de crianças viviam nessa situação em 2019, mais do que em qualquer outro ano; pandemia de covid-19 está piorando uma situação que já era crítica.

Cerca de 19 milhões de crianças estavam deslocadas dentro de seus países devido a conflitos e violência em 2019, mais do que em qualquer outro ano. Os dados são do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

De acordo com o relatório, aconteceram cerca de 12 milhões de novos deslocamentos no ano passado. Cerca de 3,8 milhões foram causados por conflitos e 8,2 milhões por desastres, a maioria relacionados ao clima.

Riscos

Segundo o Unicef, a pandemia de covid-19 está piorando uma situação que já era crítica. Assentamentos informais estão superlotados e precisam de serviços de higiene e saúde. Muitas vezes, o distanciamento físico não é possível, criando condições que favorecem a propagação da doença.

Em nota, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “quando surgem novas crises, como a pandemia, as crianças são especialmente vulneráveis.” Para ela, “é essencial que governos e parceiros humanitários trabalhem juntos para manter as crianças seguras, saudáveis, aprendendo e protegidas.”

Ações

O relatório analisa os riscos que estas crianças enfrentam, como trabalho infantil, casamento e tráfico, bem como as ações necessárias para protegê-las.

Segundo a agência, são necessários investimentos estratégicos e um esforço conjunto de governos, sociedade civil, empresas e atores humanitários para resolver os fatores de deslocamento.

Melhores dados, mais atualizados e de fácil acesso, que indiquem gênero e idade das crianças, também são críticos para cumprir a agenda.

O relatório afirma ainda que “essas crianças e jovens devem ter uma palavra a dizer e ser parte da solução” para o problema.

Mais informações na press release da Unicef:

19 million children internally displaced by conflict and violence in 2019, highest number ever

Em Idlib, as crianças morrem por causa das bombas, se lá ficarem, e do frio, se fugirem

Março 5, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 28 de fevereiro de 2020.

Maria João Guimarães

Famílias encurraladas entre uma ofensiva de Assad e uma fronteira fechada tentam proteger os seus filhos. Mais de metade dos 900 mil deslocados da guerra da Síria são crianças.

Quando foi preciso fugir, com a sua família, de uma localidade na zona de Idlib, no Noroeste da Síria, onde os bombardeamentos começavam a soar demasiado próximos, Umm Abdo preparou o mínimo essencial para si e os seus três filhos: os casacos de inverno, uma muda de roupa.

Antes de sair, foi com as filhas ao quarto ver os peluches (o filho, de dez anos, já não tem idade para isso). Dima, de oito anos, pega no seu favorito, um urso de peluche cor-de-rosa. Betoule, dois anos, um pássaro amarelo. Não os podem levar: só o essencial irá. As meninas dizem adeus aos peluches, deixam-nos no armário, e saem, sem protestos ou hesitações, da casa onde viveram os últimos dois anos.

A jornalista da CNN Arwa Damon que acompanhou a família descreveu o ritual que muitas crianças já conhecem, despedir-se das casas onde moram há mais ou menos tempo. No Telegraph, a jornalista Josie Ensor notou como é claro que as crianças já têm prática: a maioria das que estão em Idlib já tiveram de fugir, antes, de ofensivas do regime de Assad noutras cidades.

“As crianças da Síria, a única esperança para o futuro do país, estão traumatizadas. Muitas perderam pais, irmãos, primos, e não vão esquecer rapidamente quem os matou”, comentou Ensor. Uma psicóloga infantil que passou por vários cenários violentos disse um dia à jornalista que nunca tinha visto nada como a Síria: crianças com comportamento “robótico, sem riso, sem tristeza, nada”. “Falam de coisas horríveis que viram ou que lhes aconteceu, sem terem uma resposta apropriada”, comentou.

A actual crise de deslocados em Idlib, que é a maior dos nove anos de guerra na Síria, está a ser especialmente dura para as crianças. Estão em movimento mais de 900 mil pessoas, mais de metade das quais são crianças, fugindo para o espaço cada vez mais reduzido entre a linha da frente onde atacam as forças do regime e a fronteira turca, que está fechada.

Na ofensiva das forças de Bashar al-Assad contra Idlib, o último reduto dos rebeldes, as crianças são vítimas de bombardeamentos a zonas civis, ou do frio quando ficam sem abrigo. Desde o início do ano morreram 370 pessoas na ofensiva das forças de Assad, que atingem muitas vezes zonas civis – incluindo escolas e hospitais, dizem os Capacetes Brancos. Destas vítimas, 97 eram crianças.

Queimar a própria roupa

Várias morreram de hipotermia. Num dos campos, um mural mostra a “menina dos fósforos”, figura de um conto de Hans Christian Andersen.

“Só queria que os meus filhos pudessem sentir calor”, disse ao New York Times Ahmad Yassin Leila, que perdeu o seu bebé de 18 meses, morto por hipotermia. “Não quero mais nada, só uma casa com janelas que possam manter o frio e o vento lá fora.”

Na CNN, Samiya, também deslocada na zona, contou como ficou sem combustível numa noite gelada. O seu bebé de sete meses estava quente quando lhe mudou a fralda e o alimentou. Mas quando a mãe acordou, ainda de madrugada, o bebé estava gelado, com a pele cinza. Correu para o médico, que lhe disse que o filho tinha morrido de hipotermia.

Num briefing ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, Henrieta Fore , directora-geral da Unicef (a agência da ONU para a infância), falou destas mortes de frio. Contou como quando já não há madeira, as famílias queimam o que conseguem – sacos de plástico, lixo, mobília – para ter um pouco de calor.

O New York Times diz que entre quem tem viajado de carrinha, há quem tenha trazido uma lembrança de uma casa – uma porta, uma moldura de janela. Também essas servem de lenha. Quando acaba, são queimados, em último recurso, roupa, ou sapatos. “Quando se vê as crianças morrer de frio, queima-se a própria roupa para as aquecer”, disse Amun Ahmed, 53 anos, avó de 11, ao Wall Street Journal.

Ahmed está com as filhas e netos numa sala de aula numa antiga escola agora usada como abrigo. Há famílias a dormir em casas abandonadas, em carros ou carrinhas, em tendas, e debaixo das oliveiras, cobertas com lonas, cobertores, ou com nada.

Os pais tentam proteger os seus filhos como podem. A história de Abdullah Mohammad, que ensinou a filha de três anos a rir do estrondo dos ataques aéreos, fingindo que era fogo-de-artifício, correu mundo, graças, também, ao seu paralelo com o filme A Vida é Bela. O vídeo foi postado por um amigo turco da família nas redes sociais e depois de se ter tornado viral, as autoridades turcas contactaram a família de Mohammad e pouco mais de uma semana depois de gravar o vídeo, a família viajou para a Turquia, onde está com amigos numa localidade de fronteira.

China está a separar milhares de crianças muçulmanas dos pais e a “reeducá-las”

Julho 22, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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SOPA Images/ Getty Images

Notícia da Visão de 9 de julho de 2019.

Os uighures são muçulmanos que vivem em Xinjiang, no noroeste da China. As autoridades estão a separar famílias, enviar crianças para colégios internos e os pais para campos. Aqueles que escaparam para Turquia falaram à BBC e só pedem para voltar a ver os filhos

Xinjiang é um território autónomo no noroeste da China. Faz fronteira com oito países, entre eles a Mongólia, a Rússia, o Cazaquistão e a Índia. Até há pouco tempo, a grande maioria da sua população era Uighur, uma etnia com traços culturais ligados ao islamismo. Mas a relação entre esta minoria étnica e o povo chinês tem causado vários episódios de violência e perseguição.

Uma grande reportagem emitida na semana passada pela BBC denuncia que as autoridades chinesas estão a separar famílias muçulmanas, situações em que os pais são colocados em campos, ou até mesmo prisões, e as crianças são enviadas para colégios internos onde lhes é incutida a língua, a cultura e a paixão pela China. Alguns conseguiram fugir para outros países.

Abdurahman Tohi é um das centenas de muçulmanos uighures que agora vive na Turquia. Há três anos que não vê nem sabe nada sobre a mulher e os filhos, depois de os mesmos terem partido para Xinjiang numa curta visita aos avós. Este ano, descobriu na internet um vídeo do seu filho de quatro anos, num orfanato, a falar não na língua materna, mas em mandarim. Quando lhe perguntam qual a sua terra natal, a criança responde com entusiasmo “República Popular da China”.

Estes e mais casos são dados a conhecer através de uma série de entrevistas feitas pelo jornalista da BBC na Turquia, o único sítio onde os uighures são livres para falar à imprensa. A grande maioria não sabe onde estão os filhos e outros familiares e emociona-se ao mostrar fotografias dos mesmos às cameras.

Na mesma reportagem, a BBC relata a visita a uma escola em Xinjiang que alberga mais de 800 crianças. “O governo chinês permitiu a entrada de alguns jornalistas (…) isto é o que eles querem que o mundo veja”, afirma o narrador da reportagem, insinuando, e mais tarde comprovando, que as instalações foram modificadas com o intuito de transparecer uma imagem mais livre. Por exemplo, a retirada de câmaras de vigilância e a colocação de espaços de lazer, como campos de basquete, em sítios que normalmente estão vazios.

Os números indicam cerca de 400 crianças separadas dos pais e internadas em colégios onde lhes são ensinadas a língua oficial da China, aspetos da cultura e da identidade do país, convencendo-os de que estão a ser inseridos na sua verdadeira identidade cultural. Separados dos familiares e da sua religão, os jovens estão, segundo as autoridades chineses, a ser desviados do extermismo religioso e da violência.

Pode ler e assitir à grande reportagem da BBC aqui.

Migrações: Mais de 1.600 crianças morreram ou desapareceram em cinco anos

Junho 28, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do site Notícias ao Minuto de 28 de junho de 2019.

LUSA

As crianças fazem parte dos 32 mil migrantes mortos ou desaparecidos registados no mesmo período, embora a OIM alerte que os dados estejam incompletos e que o número real de vítimas seja certamente maior, em particular entre menores, cujos casos são menos relatados do que os de adultos.

Todos estes dados são recolhidos pelo Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM, que divulga um relatório anual desde 2014 e que este ano conta pela primeira vez com a colaboração do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Ambas as agências das Nações Unidas (ONU) manifestaram a sua vontade de reforçar esta colaboração para melhorar os dados sobre as crianças migrantes, incluindo aquelas que permanecem na estrada.

Segundo as estatísticas, o maior número de vítimas ocorre no Mediterrâneo, com 17.900 vítimas registadas (2014-2018), havendo ainda 12.000 casos em que se desconhece o paradeiro ou não foram recuperados os corpos.

Em 2018, houve uma redução de 26% nas mortes no Mediterrâneo (2.299 face a 3.239 em 2017), embora a OIM alerte que foi acompanhada por uma redução acentuada – de dois terços – no número de migrantes que tentam atravessá-lo (de 144.301 há dois anos para 45.648 em 2018).

O relatório assinala que “o perigo de morrer” no Mediterrâneo “aumentou em 2018”, uma vez que até as estatísticas mais conservadoras estimam que 3% dos migrantes que tentaram atravessar o Mediterrâneo no ano passado acabaram por morrer, face a 2% em 2017.

No ano passado, houve também um forte aumento de vítimas na rota ocidental do Mediterrâneo, que correspondem àquela que os migrantes tomam para tentar chegar à costa de Espanha, com registo de 811 mortes, em comparação com 224 um ano antes.

A rota central, para os migrantes que tentam chegar a Itália ou a Malta desde a Líbia, continua a ser a mais perigosa, com 1.314 mortes e desaparecimentos, embora o número significasse uma redução de mais da metade em relação a 2017.

Outra rota arriscada para os migrantes é a fronteira entre o México e os Estados Unidos, onde 1.907 pessoas morreram nos últimos cinco anos, incluindo 26 crianças, embora apenas no primeiro semestre deste ano tenha aumentado para outros 13.

A imagem dos corpos de um pai e da sua filha, que morreram afogados quando tentavam atravessar clandestinamente a fronteira México-Estados Unidos, suscitou a indignação internacional ao mostrar o drama migratório vivido naquela região.

A fotografia divulgada na quarta-feira, e reproduzida por vários ‘media’ internacionais, mostra os cadáveres de Oscar Martinez Ramirez, um cozinheiro de 25 anos de El Salvador, e da sua filha de 23 meses, posicionados de barriga para baixo a flutuar na margem do rio Bravo (ou rio Grande na terminologia norte-americana).

O relatório Fatal Journeys Volume 4: Missing Migrant Children pode ser descarregado na notícia da IOM:

One Child Every Day: Lack of Data Leaves Most Vulnerable Group at Risk – UN Migration Report

Há perto de 50 milhões de crianças “desenraizadas” no mundo

Setembro 8, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da Unicef Portugal de 7 de setembro de 2016.

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Há perto de 50 milhões de crianças “desenraizadas” no mundo – UNICEF

28 milhões estão deslocadas dentro e fora dos seus países devido a conflitos e violência

NOVA IORQUE, 7 de Setembro de 2016 – Em todo o mundo, perto de 50 milhões de crianças estão actualmente desenraizadas, das quais 28 milhões deixaram as suas casas devido a conflitos para os quais não contribuíram minimamente, e muitas outras migraram na esperança de encontrar uma vida melhor e mais segura. Muitas vezes traumatizadas pelos conflitos e pela violência dos quais fogem, estas crianças enfrentam outros perigos pelo caminho, incluindo o risco de afogamento em travessias por mar, má nutrição e desidratação, tráfico, rapto, violação e mesmo de assassínio. Nos países pelos quais passam ou nos de destino, são muitas vezes vítimas de xenofobia e discriminação.

Um novo relatório que a UNICEF lança hoje, Uprooted: The growing crisis for refugee and migrant children (Desenraizadas: A crise que se agrava para crianças refugiadas e migrantes), apresenta novos dados que traçam um quadro muito desolador sobre a vida e a situação de milhões de crianças e suas famílias afectadas por conflitos violentos e outras crises que fazem parecer mais seguro arriscar tudo numa viagem perigosa do que permanecer em casa.

“Imagens inesquecíveis de algumas crianças – o corpo inerte de Aylan Kurdi que morreu afogado e deu à costa numa praia, ou o rosto aturdido e ensanguentado de Omran Daqneesh quando é levado para uma ambulância depois de uma bomba ter arrasado a sua casa – chocaram o mundo,” afirmou Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF. “Mas cada imagem, cada rapariga ou cada rapaz, representa muitos milhões de crianças em perigo – o que exige que a nossa compaixão pela criança cuja imagem chega até nós se traduza em acção para todas as crianças.”

O Relatório revela que:

  • As crianças representam uma percentagem desproporcionada e crescente das pessoas que procuraram refúgio fora dos seus países de origem – elas constituem cerca de um terço da população global mas cerca de metade de todos os refugiados. Em 2015, cerca de 45 por cento de todas as crianças refugiadas sob protecção do ACNUR vieram da Síria e do Afeganistão.
  • 28 milhões de crianças abandonaram as suas casas devido à violência e a conflitos no interior dos seus países e além fronteiras, entre as quais 10 milhões de crianças refugiadas; 1 milhão de requerentes de asilo cujo estatuto de refugiado ainda não foi determinado; e cerca de 17 milhões de crianças deslocadas nos seus próprios países – crianças que precisam urgentemente de assistência humanitária e acesso a serviços essenciais.
  • São cada vez mais as crianças que atravessam fronteiras sozinhas. Em 2015, mais de 100.000 crianças (menores de 18 anos) não acompanhados requereram asilo em 78 países – três vezes mais do que em 2014. As crianças não acompanhadas estão entre as que correm maior risco de exploração e abuso, incluindo por parte de passadores e traficantes.
  • Para além daquelas, cerca de 20 milhões de crianças migrantes em diversas partes do mundo deixaram as suas casas por razões de diversa ordem, entre as quais a pobreza extrema ou a violência de gangs. Muitas estão particularmente em risco de abuso e detenção porque não têm documentos, porque têm um estatuto legal incerto e por falta de acompanhamento e monitorização sistemáticos do seu bem-estar – as crianças que escapam por entre as lacunas do sistema.

Segundo o relatório “Desenraizadas”, a Turquia acolhe o maior número de refugiados recentes, e muito provavelmente o maior número de crianças refugiadas do mundo. Proporcionalmente à sua população, o Líbano é de longe o país que acolhe o maior número de refugiados: aproximadamente 1 em cada 5 pessoas no Líbano é um refugiado. Comparativamente, no Reino Unido há aproximadamente 1 refugiado por cada 530 pessoas; e 1 por cada 1.200 nos EUA. Contudo, se considerarmos o nível de rendimento dos habitantes dos países de acolhimento é na República Democrática do Congo, na Etiópia e no Paquistão que se regista a maior proporção de refugiados.

O relatório defende que onde existem rotas seguras e legais, as migrações podem representar oportunidades tanto para as crianças que migram como para as comunidades que as acolhem. Um estudo sobre o impacte das migrações em países de elevado rendimento concluiu que os migrantes contribuíram com mais impostos e contribuições para os sistemas sociais do que a ajuda que receberam; que preencheram lacunas de pessoal altamente qualificado e pouco qualificado no mercado de trabalho; e contribuíram para o crescimento económico e a inovação nos países de acolhimento.

Mas, o que é grave é que as crianças que deliberadamente deixaram as suas casas ou se viram forçadas a fugir, muitas vezes perdem os potenciais benefícios da migração, como a educação – um dos principais factores que leva muitas famílias e crianças a optar pela migração. Uma criança refugiada tem cinco vezes mais probabilidade de não frequentar a escola do que uma criança não refugiada. E quando têm a oportunidade de a frequentar, é na escola que as crianças migrantes e refugiadas são mais frequentemente vítimas de discriminação, nomeadamente mediante tratamento injusto e bullying.

Fora da sala de aula, as barreiras legais impedem as crianças refugiadas e migrantes de beneficiarem dos mesmos serviços que as crianças naturais do país em questão. Nos casos mais graves, a xenofobia pode chegar a ataques directos. Só na Alemanha, as autoridades registaram 850 ataques contra abrigos de refugiados em 2015.

“Que preço pagaremos se não proporcionarmos a estes jovens as oportunidades necessárias para terem uma educação e uma infância mais normal? Como poderão eles contribuir positivamente para as suas sociedades? Se o não puderem fazer, não serão apenas os seus futuros que ficarão comprometidos mas também as suas sociedades serão enfraquecidas,” disse Lake.

O relatório destaca seis medidas específicas para proteger e ajudar crianças deslocadas, refugiadas e migrantes:

  • Proteger as crianças refugiadas e migrantes da exploração e da violência, especialmente as crianças não acompanhadas.
  • Pôr fim à detenção de crianças requerentes do estatuto de refugiado ou migrante através da adopção de uma série de alternativas práticas.
  • Manter as famílias juntas como a melhor forma de proteger as crianças e atribuir às crianças um estatuto legal.
  • Permitir que todas as crianças refugiadas e migrantes possam continuar a sua aprendizagem e que tenham acesso à saúde e a outros serviços de qualidade.
  • Apelar à acção concreta para combater as causas que estão na origem de movimentos de refugiados e migrantes em larga escala.
  • Promover medidas para combater a xenofobia, a discriminação e a marginalização.

 

 

 


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