Mais de 4 milhões de crianças refugiadas estão fora da escola, alerta Acnur

Setembro 5, 2018 às 6:00 am | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 29 de agosto de 2018.

Agência da ONU para Refugiados destacou história de um sírio que teve seu diploma universitário revalidado no Brasil e pode agora trabalhar; apenas seis em cada 10 menores refugiados frequentam ensino primário.

Um novo estudo da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, revela que 4 milhões de crianças refugiadas não frequentam a escola. Esse número equivale a um aumento de meio milhão de menores nessa situação em um ano no mundo.

O relatório Inverter a Tendência: Educação de Refugiados em Crise foi lançado nesta quarta-feira, em Genebra, na Suíça. Dos 68,5 milhões de pessoas que foram obrigadas a fugir de suas casas, cerca de 25,5 milhões receberam status de refugiados.

Futuro

Falando à ONU News, o porta-voz da agência, William Spindler, explica porque é preciso aumentar o apoio para promover a educação daqueles que recebem abrigo em outros países.

“Sem acesso à educação, o futuro destas crianças será comprometido. A nível mundial, 92% de todas essas crianças frequentam a escola. Mas das crianças refugiadas é somente 68%. Por isso é muito importante um investimento mais forte na educação de refugiados. ”

Ao destacar a história pessoal de alguns refugiados, o relatório apresenta o sírio Salim Alnazer, de 32 anos.

Ele trabalha como farmacêutico de uma empresa de transporte e logística em São Paulo, no Brasil, o país que reconheceu seu diploma universitário abrindo as portas para um emprego. Alnazer afirma que no Brasil,  “não só encontrou paz, mas também um futuro”.

Ensino Superior

O relatório insta os países anfitriões a matricular refugiados menores de idade em sistemas de educação que permitam o reconhecimento das notas até a entrada no ensino superior.

O estudo pede parcerias mais fortes entre setor privado, organizações humanitárias, de desenvolvimento e governos para que haja mais soluções sustentáveis ​​para a educação de refugiados.

Um dos maiores desafios é a educação de crianças, que compõem mais da metade do total de refugiados. Cerca de 7,4 milhões delas estão em idade escolar.

O documento revela ainda que apenas seis em cada 10 menores refugiados vão à escola primária, comparadas aos 92% de crianças no mundo. A agência defende que essa lacuna aumenta à medida que as crianças refugiadas ficam mais velhas.

Ensino Secundário

O estudo revela ainda que cerca de dois terços das crianças refugiadas frequentando o ensino primário não chegam ao secundário. No total, 23% delas frequentam o ensino secundário, em comparação com 84% das crianças no mundo.

Após a adoção da Declaração de Nova York para Refugiados e Migrantes em 2017, o Acnur disse que foram matriculadas mais de meio milhão de crianças refugiadas fora da escola.

Qualidade

A agência quer que mais seja feito para garantir o acesso de todos os refugiados à educação de qualidade.

O baixo acesso dos refugiados à universidade é uma das maiores preocupações. Apenas 1% deles tem a oportunidade de chegar a esse nível, uma proporção que não muda há três anos.

Para o alto comissário da ONU para refugiados, a escola é o primeiro lugar em meses, ou até anos, em que crianças refugiadas encontram alguma normalidade.

O chefe do Acnur, Filippo Grandi, disse que a menos que seja feito um investimento urgente, centenas de milhares de crianças vão se tornar essas estatísticas preocupantes.

 

O relatório citado na notícia é o seguinte;

Turn the Tide: Refugee Education in Crisis

Solidariedade é a palavra a usar este ano no Dia Mundial do Refugiado – 20 de junho

Junho 20, 2018 às 11:15 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do CPR de 19 de junho de 2018.

Lisboa, 19 de junho de 2018 (LUSA/CPR) – A palavra “solidariedade” dá o mote este ano às iniciativas do Conselho Português para os Refugiados (CPR) marcadas para o Dia Mundial do Refugiado, data assinalada esta quarta-feira.

“No Dia Mundial do Refugiado, pretendemos mobilizar o apoio público e expressar a nossa solidariedade para com os refugiados e as comunidades que os acolhem”, referiu a organização não-governamental, numa nota enviada à Lusa.

Nesta data, instituída em dezembro de 2000 pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, “o mundo celebra a coragem e a resiliência de milhões de refugiados, numa altura em que as guerras e os conflitos civis se multiplicam e as necessidades superam, muitas vezes, a assistência oferecida a esta população tão vulnerável”, destacou o CPR, relembrando ainda que “uma retórica anti-migração está em ascensão na Europa” e que “os esforços para a combater são essenciais”.

Depois de 2017 ter homenageado as autarquias que acolheram migrantes em Portugal, o CPR foca este ano as atenções nas associações que foram criadas para apoiar os refugiados.

Neste contexto, o CPR promove na quarta-feira, entre outras iniciativas, um fórum de refugiados, “uma reflexão alargada que dará voz aos refugiados” segundo a organização não-governamental, que vai contar com a participação da Associação de Refugiados em Portugal (ARP) e da União dos Refugiados em Portugal (UREP).

As iniciativas são desenvolvidas em estreita parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Neste dia, o CPR relembra ainda a petição online lançada em junho de 2016 pelo ACNUR (#WithRefugees).

A petição, que na segunda-feira à tarde ultrapassava as 1,9 milhões de assinaturas, foi criada para “enviar uma mensagem aos governos de que devem trabalhar em conjunto e fazer a respetiva parte”.

O Dia Mundial do Refugiado é assinalado este ano num momento em que a comunidade internacional, sob os auspícios das Nações Unidas, está em negociações para tentar formalizar, até finais de 2018, um pacto global para os refugiados e para uma migração segura, regular e ordenada.

O ‘Global Compact for Migration’ (na versão em inglês) deu os primeiros passos em setembro de 2016, quando os 193 membros da Assembleia-Geral da ONU adotaram por unanimidade a chamada “Declaração de Nova Iorque”. Até ao próximo mês de julho, o texto preliminar do documento está a ser discutido em consultas formais.

O processo sofreu um revés quando, em dezembro passado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, decidiu retirar os Estados Unidos deste pacto da ONU, alegando que o acordo é “incompatível” com a política da atual administração norte-americana.

Apesar da retirada norte-americana, as Nações Unidas mantêm a meta de adotar o pacto global durante uma conferência intergovernamental a realizar ainda este ano.

 

mais informações nos links:

https://www.unicef.org/press-releases/around-30-million-children-displaced-conflict-need-protection-now-and-sustainable

http://www.acnur.org/portugues/2018/06/19/mais-de-68-milhoes-de-pessoas-deslocadas-em-2017-e-essencial-um-novo-acordo-global-sobre-refugiados/

https://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=23223&LangID=E

 

Declaração da ACNUR no segundo aniversário da morte de Alan Kurdi

Setembro 1, 2017 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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illustration of Alan Kurdi by Yante Ismail © UNHCR/Yante Ismail

Texto da ACNUR de 31 de agosto de 2017.

Statement by the UN Refugee Agency on two-year anniversary of death of Alan Kurdi

Nearly two years after the lifeless body of three-year-old Syrian toddler Alan Kurdi was found on a Turkish beach, UNHCR, the UN Refugee Agency, urges the international community to take robust action to prevent more tragedies.

Although the number of arrivals in Europe has drastically decreased since Alan’s death, people continue to attempt the journey and many have lost their lives in the process. Since 2 September 2015, at least 8,500 refugees and migrants have died or gone missing trying to cross the Mediterranean alone. Many others have died in the desert.

Many of the children trying to reach Europe travel on their own, making the journey even more terrifying and perilous. This was the case for 92 per cent of the 13,700 children who arrived to Italy by sea in the first seven months of 2017.

The urgent need for solutions for these children and others on the move remains – if people see no hope and live in fear, then they will continue to gamble their lives making desperate journeys.

UNHCR is encouraged by the commitments made at the Paris meeting on migration and asylum on Monday that address some of these issues, but much more needs to be done to protect and save lives.

Political leaders need to work together to develop safer alternatives, to better inform those considering making the journey of the dangers they face, and most importantly to tackle the root causes of these movements, by resolving conflicts and creating real opportunities in countries of origin.

ENDS

To read the full statement by the High Commissioner on the Paris meeting, please click here:

Click here to read the report on arrivals to Europe for the first half of 2017.

For more information please contact:

In Geneva, Cecile Pouilly, pouilly@unhcr.org, +41 79 108 26 25

In London, Matthew Saltmarsh, saltmars@unhcr.org, +44 7880 230 985

 

Dia Mundial do Refugiado – 20 de junho

Junho 20, 2017 às 2:29 pm | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança, Divulgação | Deixe um comentário
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Petição:

http://www.unhcr.org/withrefugees/petition/

mais informações:

http://www.unhcr.org/

http://www.refugiados.pt/

http://www.cpr.pt/

O CEDI do IAC disponibiliza online a publicação:

 Infocedi nº60 Crianças Refugiadas

 

“Uma criança refugiada não se salva com comida, é preciso dar-lhe colo”

Julho 25, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Público a Lora Pappa de 30 de junho de 2016.

DR

Quando os políticos não fazem o seu trabalho e as regras não servem, há sempre alguém que não desiste. Lora Pappa não desistiu da Europa, mesmo quando a Europa desistiu dela. Aconselhou governos e foi consultora do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR). Depois de décadas a identificar as falhas no sistema de acolhimento de refugiados percebeu que só tinha uma opção. “Começámos do zero, decidimos fazer o que ninguém estava a fazer”, explica. Em 2010, fundou a ONG METAdrasi para ajudar as crianças que sobrevivem às guerras e se perderam dos pais a começar de novo. “O que eu mais queria era que o nosso trabalho deixasse de ser necessário”, diz a activista, em Lisboa para receber o Prémio Norte-sul do Conselho da Europa.

Como é que ninguém se tinha lembrado que as crianças têm necessidades especiais?

Em situações normais, o mandato do ACNUR é pressionar os governos a fazer o que é preciso. Nos anos todos que lá passei, fui percebendo quais eram as grandes falhas do sistema de acolhimento grego. A maior de todas era que muitos menores sem acompanhantes estavam em centros de detenção. E o mais extraordinário é que já havia centros só para menores em Atenas, mas não havia quem se responsabilizasse e os acompanhasse até lá.

O problema era a falta de guardiões legais?

Exacto. Foi um grande risco, porque há crianças que fogem e nós podemos ter problemas com a justiça. Mas decidimos que valia a pena. Dissemos, “alguém tem de o fazer”. Começámos devagar, formámos assistentes sociais e treinámos intérpretes. O objectivo era que as crianças não passassem mais de 24 horas no centro de detenção. No nosso primeiro ano de actividade, 2011, tivemos muitos problemas com traficantes e fomos obrigados a contratar seguranças. Estes miúdos estão perdidos, não confiam em ninguém. E se alguém que viram no barco as convence a fugir para seguir viagem… é muito difícil explicar-lhes que é mais seguro ficar.

Quantas crianças já acompanharam?

Mais de 3700. Há os números oficiais e há a realidade, que é muito diferente. Percebemos que muitos menores não acompanhados nem sequer são registados como crianças. Dizem à polícia que têm 18 ou 19 anos porque têm medo de ser presos. E os polícias não têm culpa, não estão treinados para saber como agir.

E em que estado é que estas crianças vos chegam às mãos?

Quando uma criança sobreviveu à guerra e depois sobreviveu a um naufrágio, quando se perdeu dos pais e nem sabe se ainda tem família, tem de aparecer um adulto que perceba que tem de começar por lhe lembrar que é uma criança. São casos muito especiais, é preciso criar uma rede para que os miúdos voltem a sentir-se seguros. Por isso é que criámos a figura do guardião. Em muitos casos, elas nem sabem o que querem, já só sabem o que lhes disseram para fazer. “Tens de chegar à Alemanha”, “Vens connosco, que vamos tratar de ti”. Às vezes, basta um dia connosco e para voltarem a lembrar-se que são crianças.

O Governo e as instituições europeias já perceberam a razão de ser do vosso trabalho?

Demorou, mas agora percebem. Aliás, as outras ONG e os serviços do Governo estão sempre a pedir-nos ajuda. Quando a crise começou nós já tínhamos os guardiões nas fronteiras, nas ilhas, e em Atenas. Era só uma gota do oceano, mas era uma gota fundamental. Mas há quem ainda não entenda o nosso trabalho, quem pense que basta pôr-lhe um prato de comida à frente. Mas não pode ser, as crianças são crianças. Uma criança refugiada não se salva com comida, é preciso dar-lhe colo. Devíamos conseguir que cada criança tivesse o seu guardião, mas nas alturas mais complicadas temos de fazer opções. A certa altura, tivemos de dar prioridade aos rapazes até aos 15 anos, mas conseguimos sempre guardiões para todas as raparigas com menos de 18. Ter um guardião aumenta em 40% as possibilidades de uma criança ficar na Grécia em vez de seguir caminho e cair nas redes de traficantes. Nós não as largamos, se os pais ficaram para trás não descansamos até os encontrar. E os pais nunca desistem, há famílias que passam quatro meses na Grécia à procura dos filhos…

E quando já não há pais nem outros familiares?

Explicamos-lhes que é melhor ficarem connosco. Muitas vezes eles não sabem que os pais morreram, só sabem que se perderam deles. É preciso dar-lhes tempo para até poderem decidir por si próprios. Outras vezes viram os pais morrer, sabem que se afogaram. Mas para podermos avançar e requerer o asilo exigem-nos corpos e certificados de óbito… Como é que explica aos burocratas em Bruxelas que os corpos foram comidos pelos peixes?

Com o acordo entre a União Europeia e os turcos, os refugiados que já estavam na Grécia foram todos encerrados em centros de detenção à espera de serem devolvidos à Turquia. Como é que isso dificultou o vosso trabalho?

O acordo é uma loucura. A luta já era constante, mas ficou tudo pior. Quando a fronteira foi encerrada, em Fevereiro, nós estimámos que havia 2000 crianças desacompanhadas a tentar passar para a Macedónia. Finalmente, há duas semanas, os serviços gregos de asilo começaram o pré-registo dos menores… Já encontraram 500 na Grécia continental e mais de 300 nas ilhas. Estavam detidas nos centros e ninguém sabia.

A União Europeia abandonou os gregos?

Quando a União assinou o acordo com a Turquia nem pensou no que estava a fazer à Grécia. Toda a gente sabia que os serviços de asilo gregos têm 250 funcionários. É preciso ser-se de outro planeta para não perceber que no dia seguinte à entrada em vigor do acordo toda aquela gente ia requerer asilo. E de um momento para outro temos 8000 pessoas a pedir asilo e… os mesmos 250 funcionários. Toda a ajuda que ia chegar nunca chegou.

E como é que os serviços gregos tentam fazer face a isto?

O que sei é que é os gregos fazem o que podem. Mas sem a solidariedade dos outros Estados membros é uma missão impossível. Em Agosto do ano passado, por exemplo, percebi que o número oficial de menores não acompanhados era igual ao do Verão de 2014… Com toda a gente que estava a chegar, claro que não podia ser! Apanhei um avião para [a ilha de] Lesbos e nem queria acreditar, havia crianças sozinhas por todo o lado. Mas os polícias não sabiam o que fazer. “Obrigo-as a irem para os centros de detenção? Já nem há áreas separadas”, diziam-me. Não podem ser os polícias a decidir o destino destas crianças. Foi aí que percebemos que tínhamos de criar centros de trânsito especiais. Batemos a todas as portas a pedir dinheiro e a União Europeia respondeu que não nos podia ajudar, estava a gastar tudo com as ONG estrangeiras. Finalmente, conseguimos o financiamento através de jovens gregos que vivem nos Estados Unidos. E a situação era dramática, tínhamos crianças a enforcarem-se, uma rapariga foi violada…

Como é que é possível que as regras estejam tão longe da realidade?

Não sei. O que sei é que a Comissão Europeia tem o seu ritmo. O “monstro” da burocracia não se compadece com a realidade. Talvez tudo mude agora com o “Brexit”. Não estou muito optimista, mas gostava que fosse uma chamada de atenção, que obrigasse quem decide a parar para pensar. Infelizmente, não acredito. Às vezes penso os líderes europeus só vão acordar no dia em que o continente estiver em guerra.

Se o acordo for levado à letra, a ideia é que a Grécia não respeite os direitos humanos e as Convenções de Genebra. O que eu sei é que os funcionários fazem o possível e o impossível para não tornar a vida destas pessoas ainda mais difícil.

A somar a tudo o que foi prometido à Grécia e nunca se fez, por causa do acordo houve ONG estrangeiras que decidiram sair do país.

Sim, é um luxo que nós não temos, por mais que discordemos do acordo. As pessoas continuam lá e precisam ainda mais de ajuda. As ONG que distribuíam comida, por exemplo, foram-se embora. E nós íamos deixar estas pessoas à fome? Não podíamos. Primeiro estão as pessoas, lutamos com elas, por elas, o que não podemos é abandoná-las. Decidimos que tínhamos de encontrar outras maneiras de protesto… E a verdade é que ainda nenhum sírio foi expulso para a Turquia, os que saírem decidiram fazê-lo. Vamos lutar por estas pessoas até ao fim, nos tribunais da Grécia ou nos tribunais internacionais, com todos os meios ao nosso dispor.

O vosso projecto mais recente passa por encontrar famílias de acolhimento para estas crianças. Como é que isso está a correr?

Nós já sabíamos que as melhores práticas implicavam criar essa estrutura. É o que se faz há muitos anos na Holanda ou na Bélgica. Mas o ideal é colocar as crianças em famílias com o mesmo contexto cultural e geográfico, que falem a língua… E quando avançámos, no fim de 2014, percebemos que na Grécia, com a crise económica, os imigrantes vivem todos em casas minúsculas e passam por muitas dificuldades. Acabámos por concluir que o único caminho era abrir esta possibilidade a famílias gregas, sem termos ideia de qual seria a reacção das pessoas. Começámos muito discretamente, fizemos um comunicado de imprensa e em dois dias tivemos 280 telefonemas… Gregos a dizer “já tenho um quarto, tragam-me a criança amanhã”. Claro que não é assim, é preciso saber se as famílias cumprem determinadas condições. Mas foi tão comovente.

E os resultados estão a ser os que esperavam?

Ainda melhores! Já colocámos 12 crianças com famílias. E bastam umas semanas para estes miúdos estarem a falar-nos dos seus “pais gregos”. É incrível o que eles crescem e se abrem quando se vêem de novo a viver com uma família. Tivemos o caso de uma miúda de 12 anos que estava a tomar conta do irmão, mais pequeno, desde a Síria. Claro que já não sabia o que era ser criança, já não se lembrava. É maravilhoso.

O principal obstáculo então não é a falta de dinheiro. É mesmo a burocracia?

Exactamente, é incrível, mas o custo de colocar uma criança refugiada numa família é três vezes menor do que o custo de a manter num abrigo. Claro que as famílias recebem um subsídio, mas é tão pequeno, ninguém faz isto pelo dinheiro. Quem decide receber uma criança só tem de ter empatia e paciência… Se os miúdos dão problemas é por lhes faltarem adultos que os mandem dormir, que os obriguem a fazer a cama. Estas crianças deixaram de saber o que é ter regras, disciplina. É tão simples quanto isso.

Outra área em que a METAdrasi foi absolutamente revolucionária é a formação dos intérpretes. O Governo, a ONU, toda a gente quer os vossos intérpretes e vos pedem para dar formação… O que é que não estava a ser feito?

Até nós aparecermos ninguém se preocupava com a qualidade dos intérpretes. Ninguém achava importante que se falasse a língua. Nós temos pessoas que falam 33 línguas. É uma irresponsabilidade enorme, achar que isso é secundário… Estes intérpretes não são simples tradutores, são a voz de pessoas que se encontram nas situações mais frágeis que se pode imaginar, podem fazer a diferença entre a vida e a morte. Se alguém se queixa de dores no “coração” e o intérprete traduz “rim”, o que é que vai acontecer àquela pessoa? A maioria dos nossos intérpretes são ex-refugiados ou imigrantes, passaram por muito, estiveram em situações limite. Mas nem eles estavam preparados para o horror de que a Grécia tem sido cenário. Quando os corpos dão à costa, são eles que agarram nos pais em pranto enquanto esperam para reconhecer os filhos… São coisas que eles nunca mais vão esquecer.

 

 

Manual do Professor : Não São Apenas Números : Jogo de Ferramentas Educacional sobre Migração e Asilo na Europa + DVD

Março 25, 2016 às 6:00 am | Publicado em Recursos educativos, Site ou blogue recomendado, Vídeos | Deixe um comentário
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manualdescarregar o manual no link:

http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Projetos/Agenda_Europeia_Migracoes/Documentos/manual_professor_completo.pdf

Não São Apenas Números é um jogo de ferramentas sobre migração e asilo na União Europeia concebido para ajudar os professores e outros educadores a envolver os jovens em discussões informadas sobre este assunto. É adequado para jovens com idades compreendidas entre 12 e 18 anos.

A importância social e política das questões relacionadas com migração e asilo tem crescido constantemente nas duas últimas décadas, no decurso das quais o mundo testemunhou um aumento do movimento dos migrantes, requerentes de asilo e refugiados. Ao mesmo tempo, continuam a surgir problemas de discriminação, xenofobia e racismo, causando muitas vezes tensões nas comunidades.

À medida que as sociedades europeias se tornam mais multiculturais é essencial tomar consciência dos principais motivos que incitam ou obrigam as pessoas a deixarem os seus países. A compreensão deste fenómeno pode ajudar a promover o respeito pela diversidade e encorajar a coesão social. Em particular, é necessário divulgar mais informação aos jovens, que são os decisores políticos de amanhã, mas cujas opiniões sobre migração e asilo nem sempre se baseiam em informações factuais e objetivas.

Por este motivo, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) associaram-se para desenvolverem e divulgarem este novo jogo de ferramentas de ensino que visa encorajar o debate aberto e informado sobre estas questões importantes e complexas.

Este jogo de ferramentas proporciona aos jovens a oportunidade de perceberem que por trás de cada estatística anónima relacionada com a migração e o asilo existe um rosto humano e uma história pessoal.

Materiais contidos no DVD

Retratos:

1 – Rean (refugiada) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/REAN-PT.wmv

2 – Adelina (refugiada) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/ADELINA-PT.wmv

3 – Doré (jovem migrante) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/DORE-PT.wmv

4 – Tino (migrante do pós 2.ª Guerra Mundial) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/TINO-PT.wmv

5 – Alfredo e Veronica (trabalhadores migrantes altamente qualificados) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/ALFREDO-VERONICA-PT.wmv

Hiperligações para as fotografias: https://www.iom.int/jahia/webdav/shared/shared/mainsite/activities/facilitating/photo1_lg.jpg

https://www.iom.int/jahia/webdav/shared/shared/mainsite/activities/facilitating/photo2_lg.jpg

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https://www.iom.int/jahia/webdav/shared/shared/mainsite/activities/facilitating/photo7_lg.jpg

Exercício sobre auxílio à imigração irregular: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/REAN-EX-PT.wmv

Exercício dos media (Vídeo com 2 min sem comentários mostrando a chegada de migrantes e refugiados por barco): http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD1/mediaexercice.wmv

 

mais recursos educativos sobre migrações e refugiados no link:

http://www.dge.mec.pt/agenda-europeia-para-migracoes

Iniciativa “Uma Vida Melhor para os Refugiados” Exposição “A coisa mais importante” no CCB 6 de Fevereiro

Fevereiro 3, 2015 às 7:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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acnur

A IKEA Foundation e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em parceria com a Fundação Centro Cultural de Belém, têm a honra de convidar V. Ex.ª para a apresentação da iniciativa “Uma Vida Melhor para os Refugiados” e inauguração oficial da exposição “A coisa mais importante(The most important thing), de Brian Sokol, no próximo dia 6 de fevereiro, às 11h00, no foyer do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Todos os anos, milhões de crianças e suas famílias são forçadas a fugir das suas casas por causa da guerra, conflitos ou desastres naturais. Estas pessoas encontram segurança e abrigo nos campos de refugiados do ACNUR. Mas a falta de iluminação na maioria dos campos pode ter um efeito devastador na segurança, perspetivas de educação e no rendimento dos refugiados. Queremos apoiar o ACNUR na proteção dos 11,7 milhões de refugiados em todo o mundo, em particular as crianças que representam metade deste valor. Uma ideia brilhante para uma boa causa!

Para além de alertar o público para a problemática dos refugiados, a iniciativa “Uma Vida Melhor para os Refugiados” visa apoiar o ACNUR a providenciar melhores condições de iluminação e segurança nos campos de refugiados, pelo que nas lojas IKEA, entre 1 de fevereiro e 28 de março, por cada lâmpada LED vendida, a IKEA Foundation doa 1€ ao ACNUR para programas de apoio internacional.

A par desta iniciativa, e pela primeira vez em Portugal, é inaugurada uma mostra fotográfica internacional, composta por 15 histórias reais de refugiados retratados no Sudão do Sul, que foram forçados a abandonar as suas casas, trazendo consigo o essencial. Uma exposição que implicitamente confronta o visitante com o dilema “que objeto traria consigo se tivesse de abandonar a sua casa?”.

Sem outro assunto de momento, subscrevemo-nos com os nossos melhores cumprimentos, na esperança de poder contar com a sua presença,

Ana Teresa Fernandes

Diretora de Comunicação e Sustentabilidade

IKEA Portugal

Para mais informações e confirmação de presença:

Inforpress | 21 324 0227

Olga Neves | 96 346 12 94 oneves@inforpress.com)

 


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