Práticas nefastas contra mulheres e meninas são uma crise “silenciosa e endémica” ainda longe de desaparecer

Julho 24, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de junho de 2020.

Aline Flor

A prevalência de práticas como a mutilação genital feminina e os casamentos infantis tem diminuído, mas o crescimento populacional significa que o número de raparigas submetidas a estas práticas continua a subir, alerta um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População.

Todos os dias, em média, 33 mil raparigas são obrigadas a casar. Por todo o mundo, ao longo deste ano, mais de quatro milhões de meninas serão submetidas a um corte dos genitais. Devido a décadas de negligência de filhas em relação aos filhos e selecção com base no género, estima-se que a população mundial tenha perdido 142,6 milhões de raparigas que poderiam ter sobrevivido num mundo sem discriminação.

“Todos devíamos estar indignados”, reage Natalia Kanem, directora executiva do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA, na sigla em inglês), na apresentação à imprensa do relatório Estado da População Mundial 2020. O relatório anual desta agência da ONU, que há décadas se dedica a recolher dados sobre população e saúde sexual e reprodutiva, dedica-se este ano às práticas nefastas que afectam sobretudo as mulheres, como o achatamento dos seios ou os chamados tabus menstruais, abordando com profundidade aquelas três que mais pessoas afectam todos os anos: mutilação genital feminina (MGF), casamentos infantis e preferência por filhos do sexo masculino. A apresentação pública em Portugal tem lugar na tarde desta terça-feira, em Lisboa, numa sessão organizada pela associação P&D Factor com o instituto Camões que contará com a presença de deputados de vários partidos e ainda Fatumata Djau Baldé, presidente do Comité para o Abandono de Práticas Nefastas da Guiné-Bissau, país onde 45% das mulheres foi submetida à MGF.

Se por um lado o objectivo traçado pelo UNFPA era acabar com as práticas nefastas até ao final desta década, há ainda um longo caminho a percorrer. “Enquanto as percentagens de prevalência das práticas nefastas estão a baixar, os números absolutos de raparigas submetidas a estas práticas continuam a subir, em grande medida devido ao crescimento populacional”, alerta a médica e responsável pelo UNFPA. Estima-se que, na actualidade, 650 milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo se tenham casado antes de completar 18 anos e que 200 milhões tenham sido submetidas à MGF. Entre as mais de 140 milhões de mulheres que poderiam estar vivas num mundo em que a preferência por filhos homens não fosse fatal para as meninas, 118 milhões referem-se apenas às estimativas na China e na Índia, os dois países mais populosos do mundo. Kanem apela a esforços mais firmes da parte dos governos: “isto requer mais investimento naquilo que sabemos que funciona, ou não atingiremos os nossos objectivos”.

“Não podemos deixar nada, incluindo a pandemia de covid-19, colocar-se no nosso caminho”, pede a responsável — mas o facto é que já se colocou. Em vários países, há relatos de que o confinamento (com as meninas longe das escolas e os projectos comunitários parados) foi ocasião para famílias submeterem as suas filhas à MGF em surdina. A pobreza extrema que se abateu sobre algumas comunidades fez com que mais famílias, muitas das quais com muitos filhos para alimentar, decidissem entregar as filhas em casamentos arranjados. Como refere o relatório, o casamento infantil “está intimamente ligado a níveis mais altos de fertilidade e à perpetuação da pobreza”. Mas, ao contrário dos rapazes, que em algumas culturas também são forçados a casar, as raparigas têm a sua vida em jogo quando o casamento precoce também significa que poderão “engravidar, querendo ou não, antes que o seu corpo esteja pronto para isso”, o que “levanta uma série de consequências” para as meninas e para os bebés.

Numa altura de recuos na promoção de políticas activas em matéria de planeamento familiar, o relatório do UNFPA recorda o compromisso assumido na cimeira de Nairobi, no final do ano passado: acabar com a necessidade não atendida de contraceptivos; acabar com as mortes maternas preveníveis; acabar com a violência com base no género, onde se inclui a MGF e os casamentos infantis. Os três “zeros”, como descreve a portuguesa Mónica Ferro, que lidera o gabinete do UNFPA em Genebra, e que também vê na covid-19 um obstáculo maior. “Embora o mundo tenha entrado em 2020 com um optimismo renovado”, descreve, “a verdade é que esta pandemia veio revelar o quão frágeis esses sucessos eram e trazer mais uma série de obstáculos e de desafios para atingir os nossos zeros”.

Práticas nefastas como a MGF são mais prevalentes no continente africano e em alguns países da Ásia, como a Indonésia, e do Médio Oriente. Contudo, trata-se de uma prática que tem lugar em países de todo o mundo, incluindo na União Europeia. O relatório do UNFPA refere Portugal entre os países europeus onde existem comunidades praticantes — em 2015, o Instituto Europeu para a Igualdade de Género estimava que pelo menos 1300 meninas residentes em Portugal estivessem em risco de ser mutiladas. Recorde-se que, no mesmo ano, um estudo aprofundado do Observatório Nacional de Violência e Género estimava serem cerca de 1800 as meninas com menos de 15 anos já submetidas a esta prática ou em risco de o ser.

Apesar de em muitos destes países existirem leis que condenam estas práticas, “as leis são apenas um ponto de partida”: “em alguns casos, as leis podem ter o efeito não intencional de levar essas práticas à clandestinidade”. O relatório menciona sinais de que algumas comunidades mais resistentes mantêm estas práticas ancestrais numa “versão moderna”, alerta o relatório, apontando desde a medicalização da MGF, identificada em países como Egipto e Sudão, ao uso das tecnologias de saúde reprodutiva para “aborto selectivo” de fetos do sexo feminino, por vezes contra a vontade das mães.

Na conferência de imprensa antes da apresentação, esta terça-feira, do relatório “Contra a minha vontade: desafiando práticas que prejudicam mulheres e meninas e impedem a igualdade”, Natalia Kanem resumiu em três palavras o caminho para mudanças e resultados reais: respeitar, proteger, cumprir. Ou seja, combater normas que desrespeitem as mulheres, pôr em prática leis que protejam as meninas e incentivem as famílias a cuidar das raparigas, e exigir dos Estados que cumpram os compromissos internacionais na área da igualdade de género e dos direitos das crianças. Neste ponto, até já se sabe quanto custará atingir estes objectivos: uma média de 3400 milhões de dólares “bem investidos” por ano, entre 2020 e 2030, teria o condão de poupar 84 milhões de raparigas a casamentos infantis ou à MGF.

No fundo, refere a médica, as normas sociais e estereótipos que estão na raiz destas práticas nefastas, ainda que “poderosas e destrutivas”, são apenas ideias, e por isso podem ser mudadas. “Vimos estas ideias mudarem na República da Coreia, em Singapura, na Tunísia”, exemplifica Natalia Kanem, “onde a preferência por rapazes já foi muito forte e em tempos havia muitos mais homens do que mulheres”. O respeito pelos direitos humanos das mulheres e crianças, contudo, tem que ser um valor abraçado pelas comunidades. “Décadas de experiência e estudos mostram que as abordagens da base para o topo são melhores para fomentar mudanças”. “Mudanças orgânicas são mudanças duradouras”, constata.

Indicadores de Portugal e países lusófonos

No relatório do UNFPA, Portugal mantém números positivos em termos de saúde sexual e reprodutiva: acesso consolidado a métodos contraceptivos (incluindo modernos), baixos níveis de gravidez na adolescência, baixa mortalidade materna, uma média de 1,3 filhos por mulher.

Por outro lado, os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ainda vivem realidades diferentes, com várias assimetrias. No campo das práticas tradicionais nefastas, foco do relatório, destaca-se a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau (45% entre todas as mulheres, 42% entre os 15 e os 19 anos) e os casamentos precoces em Moçambique (53%, um aumento de 5 pontos percentuais), mas também em São Tomé e Príncipe (35%), Angola (30%) e Guiné Equatorial (30%).

Segundo dados do relatório do UNFPA 2020, as taxas de mortalidade materna ainda são muito altas em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, se bem que nos últimos dois anos os primeiros tenham visto uma melhoria, com o último a retroceder para números aquém da média dos países com piores indicadores ​(667 mortes maternas por 100 mil nados vivos). Com serviços de saúde precários e lacunas na assistência por pessoal médico ou qualificado, fica limitada a resposta a complicações no parto e aumenta a incidência de ferimentos como a fístula obstétrica (o que traz muitas grávidas destes países a Portugal para terem filhos em segurança).

Problemas como a gravidez na adolescência e a dificuldade no acesso à contracepção afectam todos os países africanos da CPLP, em particular a Guiné Equatorial, Moçambique e Angola. Enquanto Portugal lida com a baixa natalidade e estagnação populacional, países como Angola e Moçambique duplicaram a população nos últimos 25 anos.

Cabo Verde, com menos de 600 mil habitantes, acaba por ter os melhores indicadores entre os países africanos da CPLP, tendo contudo observado um agravamento nos números da mortalidade materna neste relatório do UNFPA.

Mais informações na notícia da UNFPA:

Five things you didn’t know about practices that harm girls

Países devem acelerar ações para combater casamento infantil e mutilação genital

Julho 14, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 30 de junho de 2020.

Práticas nocivas a meninas e mulheres fazem milhões de vítimas todos os anos; relatório Estado da População Mundial 2020, lançado nesta terça-feira, indica que 4,1 milhões serão submetidas à mutilação genital feminina ainda este ano; investimentos de US$ 3,4 bilhões até 2030 podem ajudar a eliminar a prática.

O Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, lança nesta terça-feira o relatório “Estado da População Mundial 2020”. O documento lista a grande preocupação da agência com o número de meninas e mulheres em todo o mundo que se tornam vítimas de práticas nocivas como casamento infantil e mutilação genital feminina.

O relatório revela que pelo menos 19 práticas prejudiciais que vão desde a queima dos seios a testes de virgindade são consideradas violações de direitos humanos. O documento foca nas três violações mais frequentes: a mutilação genital feminina, o casamento infantil e a tendência a preferir filhos a filhas. 

Homens mais velhos

O Unfpa, que é a agência da ONU especializada em direitos sexuais e reprodutivos, afirma que essas práticas causam traumas profundos nas meninas e roubam delas o direito a atingirem o seu potencial na vida. 

Somente este ano, 4,1 milhões de meninas serão sujeitas à mutilação genital feminina. Hoje, 33 mil meninas menores de 18 anos são forçadas a se casarem, geralmente com homens mais velhos. 

E a preferência por filhos em vez de filhas, em algumas culturas, tem levado à seleção do sexo e à negligência extrema que causa a morte das crianças e resultam no desaparecimento de “140 milhões” de mulheres.

Mudanças

Países que ratificaram tratados internacionais como a Convenção sobre os Direitos da Criança têm o dever de acabar com essas práticas contra as meninas, muitas vezes por membros da família, comunidades religiosas, agentes de saúde e até mesmo do Estado ou de empresas comerciais. 

Várias nações adotaram legislações, mas somente as leis não bastam. Décadas de experiência têm mostrado que iniciativas que vêm de baixo para cima e incluem os cidadãos são as que realmente geram as mudanças. 

A diretora-executiva do Unfpa, Natalia Kanem, afirma que para combater o problema é necessário eliminar as raízes dessas práticas, especialmente as normas criadas por causa do gênero.

O relatório também mostra que o sistema jurídico e as economias de um país têm que ser reestruturadas para apoiar as mulheres com oportunidades iguais. É preciso mudar casos como o de nações, onde as mulheres não podem herdar propriedades, e eliminar ainda o incentivo das famílias para favorecer os homens.

Covid-19

A agência da ONU acredita que o mundo pode erradicar o casamento infantil e a mutilação genital em apenas 10 anos se aumentar ações para manter as meninas na escola ensinando a elas habilidades para a vida. E é preciso incluir meninos e homens neste processo de mudança.

O Unfpa afirma que investimentos de US$ 3,4 bilhões poderiam ajudar a eliminar ambas as práticas acabando também com o sofrimento de 84 milhões de meninas. 

O relatório cita ainda a ameaça causada pela Covid-19 a alguns avanços dos últimos anos. 

Um estudo recente mostra que os serviços e programas de saúde reprodutiva continuam fechados por seis meses. Até 2030, mais 13 milhões de meninas podem ser forçadas a se casarem e outros 2 milhões se tornarem vítimas da mutilação genital. 

A chefe do Unfpa disse que a agência não vai descansar até que todas as meninas e mulheres estejam no controle dos direitos delas próprias.

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Cerca de 800 milhões de mulheres casaram ainda meninas

Abril 25, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 10 de abril de 2019.

Relatório da ONU adianta que, em países onde existem emergências humanitárias, 500 mulheres e meninas morrem a cada dia devido a problemas ligados à gravidez ou ao parto.

Cerca de 800 milhões de mulheres foram casadas quando eram meninas e 300 milhões não têm acesso a métodos e serviços contracetivos, informa o relatório anual do Fundo da População das Nações Unidas, esta quarta-feira publicado.

O relatório, com o qual o organismo assinala os seus 50 anos de existência, adianta que, em países onde existem emergências humanitárias, 500 mulheres e meninas morrem a cada dia devido a problemas ligados à gravidez ou ao parto, sublinhando a necessidade de conseguir que todas tenham plenos direitos sobre a sua reprodução.

Sobre o matrimónio infantil, o documento destaca que em países como o Bangladesh, o Chade, a Etiópia ou a Guiné, 60% das mulheres casam-se antes dos 18 anos, enquanto a percentagem dos homens a quem acontece o mesmo é de 20%.

Em média, uma em cada cinco mulheres no mundo casaram antes dos 18 anos, sendo que o número duplica nos países menos desenvolvidos.

“Apesar do aumento do acesso a contracetivos, milhões de mulheres continuam a não os poder usar, nem desfrutar dos direitos reprodutivos que eles permitem”, destaca a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), Natália Kanem, num comunicado a propósito da publicação do documento deste ano.

“Esta carência, que influencia diversas facetas da vida, desde a educação à segurança, impede que as mulheres possa escolher o seu próprio futuro”, afirmou.

O documento mede, pela primeira vez, a possibilidade de as mulheres terem escolha sobre três variáveis da sua vida reprodutiva: decidir sobre a relação sexual com o seu parceiro, usar contracetivos e ter acesso a serviços de saúde ligados a esta questão.

Nos 51 países de onde a FNUAP recebeu dados completos, foi possível detetar que 43% das mulheres não têm a possibilidade de decidir o que querem relativamente a nenhuma destas variáveis.

Embora admita haver ainda muitos desafios para enfrentar, o FNUAP refere que, em 50 anos de existência, registaram-se claros avanços, como o facto de o uso de contracetivos pelas mulheres ter crescido de 24% em 1969 para 58% em 2019 (de 1 para 37% nos países menos desenvolvidos).

O FNUAP aproveita também a comemoração do 50º. Aniversário para homenagear 15 personalidades pela sua contribuição para que todos tenham direitos sobre a reprodução, entre as quais figura a ex-presidente chilena Michele Bachelet, atual alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O documento mostra ainda diversas estatísticas demográficas, como a taxa de fertilidade (número de filhos que cada mulher tem, em média, durante a idade reprodutiva), que passou de 4,8 filhos há 50 anos para 2,9 em 1994.

Esta taxa, que em teoria deveria manter-se acima de dois para garantir que a população total não diminui, continua a baixar a nível global.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

State of World Population 2019 : UNFINISHED BUSINESS : the pursuit of rights and choices FOR ALL

Press Release:

World must work harder to secure sexual and reproductive rights for all, says new UNFPA report

 

 

 

 

No Dia dos Namorados, agências da ONU chamam atenção para o casamento infantil

Fevereiro 20, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 14 de fevereiro de 2019.

De acordo com o Unicef, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam todos os anos; para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero.

Todos os dias, dezenas de milhares de meninas se tornam noivas. Casamentos infantis violam os direitos delas, expõem elas à violência em potencial, colocam em risco suas saúdes e criam um futuro negro.

“Aos 14 anos, fui submetida ao casamento prematuro, onde os meus pais me aconselharam a me casar ainda menor de idade. Eles disseram que se eu me casasse não sofreria mais e que quando chegasse ao meu novo lar, tudo seria diferente e eu teria uma vida boa sem depender de ninguém.”

Esta é Mariamo, de Mocambique. Ela contou a história dela ao Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Mariamo está entre 21% de jovens mulheres no mundo que segundo a agência, se casam antes dos 18 anos de idade.

“Eu pensava que iria viver uma vida melhor como os meus pais tinha me falado, mas nada daquilo era verdade. Eu sofri, passava as noites sem comer. O meu marido ia pescar e quando voltava eu perguntava, o que vamos comer? Ele dizia, não tenho nada, porque não consegui nada. Você também mulher pode procurar algo para comermos porque você tem mãos.”

Noivas Infantis

De acordo com o Unicef, todos os anos, assim como Mariamo, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam. Até 2030, se o mundo não agir de forma decisiva para terminar o casamento infantil, mais de 150 milhões de meninas podem se tornar “noivas infantis”.

Mas, como aponta o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, isso não precisa ocorrer e programas para terminar com o casamento infantil estão fazendo a diferença, libertando crianças de uniões indesejadas.

Valentines’Day

Neste 14 de fevereiro, Dia dos Namorados ou Valentines’Day, em inglês, também conhecido como Festa de São Valentim, o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, está abordando o que acontece quando meninas dizem “eu não quero” ao casamento infantil.

Como diz a diretora executive do Unicef, Henrietta Fore, “para muitos, o Dia dos Namorados é associado com romance, flores e propostas de casamento.” Mas ao tempo, como ela destaca, “para milhares de meninas ao redor do mundo o casamento não é uma escolha, mas um fim indesejado de suas infâncias e futuros.”

Como parte de uma campanha, meninas e mulheres compartilharam suas histórias. Kakenya Ntaiya contou que cresceu na região rural do Quênia. Ela explicou que “a forma tradicional de vida para as meninas é passar pela Mutilação Genital Feminina em preparação para o casamento quando jovens.”

Kakenya disse que “escapou do casamento infantil e lutou pela educação dela.” A jovem eventualmente criou a Kakenya’s Dream, o Sonho de Kakenya na tradução em português, uma ONG que usa a educação para empoderar meninas e transformar as comunidades rurais.

Violência Doméstica

O Unicef destaca que o casamento infantil leva a uma vida de sofrimento. Meninas que se casam antes dos 18 anos têm menos chance de estudar e têm mais chance de serem vítimas de violência doméstica.

A agência também destaca que jovens meninas adolescentes são mais susceptíveis a morrerem devido a complicações na gravides e no parto do que mulheres na casa dos 20 anos.

Pobreza

Para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero. Muitas famílias acreditam que o casamento irá assegurar o futuro das filhas, mas na verdade, ele muitas vezes atrapalha as perspectivas das meninas.

Como enfatiza a agência, o casamento infantil é um fenômeno global, que afeta meninas em diversas comunidades e religiões.

Em 2017, O Programa Global do Unicef e do Unfpa para lidar com a questão atingiu 1 milhão de meninas e 4 milhões de membros de comunidades com informação e serviços para terminar com o casamento infantil.

Para o Unfpa, tudo muda quando meninas aprendem que existe um futuro melhor à sua disposição.

Abaixo o Unicef cita 10 fatos que ilustram porque é preciso #TerminarOCasamentoInfantil.

  1. Em todo o mundo, se estima que 650 milhões de meninas e mulheres vivas hoje se casaram antes de completarem 18 anos.
  2. Globalmente, o número total de meninas casadas na infância é estimado em 12 milhões por ano.
  3. A região sul da Ásia abriga o maior número de noivas infantis. São cerca de 285 milhões delas, o que representa  mais do que 40% do total no mundo. Em segundo lugar aparece a África subsaariana, com cerca de 115 milhões de noivas infantis ou 18% dos casos no mundo.
  4. A prática do casamento infantil diminuiu em todo o mundo. Na última década, a proporção de mulheres que se casaram quando crianças diminuiu em 15%, de 1 em 4 (25%) para aproximadamente 1 em 5 (21%).  Ao todo,  cerca de 25 milhões de casamentos infantis foram evitados. O aumento dos índices de educação de meninas, os investimentos pró-ativos do governo em meninas adolescentes e as fortes mensagens públicas sobre a ilegalidade do casamento infantil e os danos que causam estão entre as razões para a mudança.
  5. No sul da Ásia, o risco de uma menina se casar na infância diminuiu em mais de um terço, de quase 50% há uma década para 30% nos dias atuais.  A queda foi em grande parte impulsionada por grandes avanços na redução da prevalência do casamento infantil na Índia.
  6. Cada vez mais, os casos de casamento infantil estão migrando do Sul da Ásia para a África Subsaariana. A região apresenta um progresso mais lento e a uma população crescente. Dos casamentos infantis mais recentes, cerca de 1 em cada 3 acontecem agora na África subsaariana, em comparação com 1 em 7 há 25 anos.
  7. Na América Latina e no Caribe, não há evidências de progressos. Os níveis de casamento infantil continuam tão altos quanto há 25 anos.
  8. O casamento infantil ocorre também em países de alta renda. Nos Estados Unidos, a maioria dos 50 Estados tem uma exceção na lei que permite que as crianças se casem antes dos 18 anos. Até 2017, na União Européia, apenas quatro países não toleravam exceções à idade mínima de 18 anos para o casamento.
  9. O casamento na infância tem repercussões em muitas áreas da vida de uma menina. Por exemplo, na Etiópia, a maioria das jovens que se casaram quando crianças deram à luz antes do seu 20º aniversário. As noivas infantis também têm menos chances de receberem cuidados especializados durante a gravidez e o parto. Além disso, as adolescentes casadas na Etiópia têm três vezes mais probabilidade de estar fora da escola do que as jovens solteiras.
  10. Para eliminar o casamento infantil até 2030, conforme estabelecido na Agenda para o Desenvolvimento Sustentável, o progresso global teria que ser 12 vezes mais rápido do que o nivel observado na última década.

 

 

 

Unfpa diz que 48% das meninas em Moçambique casam-se muito cedo

Setembro 2, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU NEWS de 15 de agosto de 2018.

Ouvir o áudio no link:

https://news.un.org/pt/audio/2018/08/1634522

Exposição internacional “Too Young to Wed/ Novas Demais para Casar”chega a Portugal

Setembro 8, 2014 às 2:03 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site da Oikos de 29 de agosto de 2014.

novas

Too Young to Wed /Novas Demais para Casar” – é uma exposição sobre os casamentos infantis, precoces e forçados que põem em causa os Direitos Humanos de milhões de crianças em todo o mundo. Pretende contribuir para o aumento da consciencialização sobre o tema, apoiar as raparigas já casadas, desencorajar e eliminar esta prática e salvar cerca de 142 milhões de outras raparigas de igual destino. Chega a Portugal no âmbito da campanha “Continuamos à Espera” e estará aberta ao público de 1 a 15 de setembro, em Lisboa.

Em muitas sociedades o casamento é uma celebração que significa a união entre dois adultos. Mas infelizmente, diariamente, 39.000 meninas, em idade de brincar e ir à escola, são forçadas a casar. Muitas noivas são tão pequenas ainda que levam os seus brinquedos para a cerimónia de casamento. Geralmente essas meninas tornam-se mães no início da adolescência, enquanto elas próprias ainda são crianças. Isto pode resultar em profundas consequências negativas para as meninas, para as suas famílias e para toda a comunidade.

Esta exposição internacional é fruto de parceria entre o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e a Agência Premier Photo VII, integrando trabalhos das fotógrafas Stephanie Sinclair e Jessica Dimmock com diversas fotos e infografias organizadas em cinco áreas temáticas: expectativas da comunidade, viagens, saúde materna, violência e saúde mental, esperança e educação.

Depois de inaugurada na sede da ONU, em Nova Iorque, e passar por várias capitais e países, chega a Portugal no âmbito da campanha “Continuamos à Espera”, da iniciativa de quatro organizações portuguesas: P&D Factor – Associação para a Cooperação e Desenvolvimento, CCC- Associação Corações com Coroa, AJPAS – Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e Saúde e Oikos – Cooperação e Desenvolvimento; em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, IP e apoio da Caixa Geral de Depósitos.

A apresentação oficial da Exposição será no próximo dia 10 de Setembro pelas 16h30 no local da exposição e contará com as presenças do Secretário de Estado da Cooperação e Negócios Estrangeiros (Luís Campos Ferreira), do UNFPA (Alanna Armitage), da Presidente da P&D Factor (Graça Campino Poças), da Presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. (Ana Paula Laborinho), dos dirigentes das demais ONG parceiras da Campanha “Continuamos à Espera” –  Presidente da Corações Com Coroa e Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA (Catarina Furtado), Presidente da AJPAS (António Carlos Silva), da Oikos (Pedro Krupenski), entre outras entidades e personalidades.

“Too Young to Wed” – Novas demais para casar – estará aberta ao público entre 1 a 15 de setembro, das 9h00 às 19h00 no átrio central do edifício sede da Caixa Geral de Depósitos, na Avenida João XXI em Lisboa (a entrada pode ser feita também pela Culturgest, Rua do Arco Cego).

Entrada livre.

Relatório sobre a Situação da População Mundial 2012

Novembro 6, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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por

Descarregar o relatório Aqui

Relatório Situação da População Mundial 2013 – Maternidade Precoce : enfrentando o desafio da gravidez na adolescência

Outubro 30, 2013 às 5:29 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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mother

Texto da UNFPA Brasil de 29 de Outubro de 2013.

Todos os dias, nos países em desenvolvimento, 20 mil meninas com menos de 18 anos dão à luz e 200 morrem em decorrência de complicações da gravidez ou parto. Em todo o mundo, 7,3 milhões de adolescentes se tornam mães a cada ano, das quais 2 milhões são menores de 15 anos – número que podem aumentar para 3 milhões até 2030, se a tendência atual for mantida.

A gravidez indesejada na adolescência traz consequências para a saúde, educação, emprego e direitos de milhões de meninas em todo o mundo, e pode se tornar um obstáculo ao desenvolvimento de seu pleno potencial.

As implicações da gravidez na adolescência e o que pode ser feito para garantir uma transição saudável e segura para a vida adulta são algumas das questões abordadas pelo relatório “Situação da População Mundial 2013”, do UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, que este ano traz como título “Maternidade Precoce: enfrentando o desafio da gravidez na adolescência”.

O relatório (disponível em inglês e espanhol) será lançado mundialmente nesta quarta-feira, 30 de outubro, em 150 países.

Relatório Situação da População Mundial 2013 completo em inglês

Relatório Situação da População Mundial 2013 completo em espanhol

Resumo do relatório em português

Principais dados globais

Relatório em francês, russo e árabe + recursos multimédia no site principal da UNPFA

Nujood Ali ganhou a batalha contra o seu casamento forçado

Julho 25, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança | Deixe um comentário
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nujood

Educated and healthy girls are a force for change!
Through education, girls have the opportunity to reach their full potential, claim their human rights and lift themselves and their
present and future families out of poverty to create sustainable change for entire communities and generations to come!
Thank you for being part of World Population Day, today and during this week. Adolescent pregnancy will remain at the core of our work: This year’s State of World Population Report will focus on young mothers and  fathers and how adolescent pregnancy affected their lives.

UNFPA

Dia Mundial da População, 11 de Julho de 2013 – ONU destaca a gravidez na adolescência

Julho 11, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mensagem do Secretário-Geral da ONU para o Dia Mundial da População, 11 de julho de 2013

Mais informações e recursos digitais sobre gravidez e maternidade na adolescência, saúde sexual reprodutiva no site da UNFPA

 

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