Impacto da Covid 19 na protecção de crianças arrisca “dimensões históricas”

Julho 27, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 13 de julho de 2020.

Crianças do pré-escolar passam mais de hora e meia por dia em frente a ecrãs

Julho 2, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 19 de junho de 2020.

Foram avaliados os hábitos de 8.430 crianças, com idades compreendidas entre os três e os 10 anos, a residir nas cidades de Coimbra, de Lisboa e do Porto

Um estudo concluiu que as crianças do ensino pré-escolar (até aos cinco anos) passam, em média, mais de uma hora e meia (154 minutos) por dia em frente à televisão e outros dispositivos, anunciou esta sexta-feira a Universidade de Coimbra (UC).

Publicado na revista científica BMC Public Health, o estudo, intitulado “Social inequalities in traditional and emerging screen devices among Portuguese children: a cross-sectional study”, foi realizado por uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC).

O estudo, refere a UC, teve como objetivo avaliar o tempo de ecrã das crianças portuguesas em diferentes equipamentos eletrónicos — os tradicionais (como a televisão, o computador e as consolas de jogos) e os modernos, incluindo os ‘tablets’ e os ‘smartphones’ –, bem como “determinar as diferenças no uso de acordo com o sexo e a idade das crianças e a posição socioeconómica das famílias”.

Foram avaliados os hábitos de 8.430 crianças, com idades compreendidas entre os três e os 10 anos, a residir nas cidades de Coimbra, de Lisboa e do Porto.

Os dados foram recolhidos em 118 escolas públicas e privadas, e as taxas de participação foram de 58% em Coimbra, 67% em Lisboa e 60% no Porto.

De acordo com os resultados do estudo, nas crianças mais velhas o tempo em frente ao ecrã é maior, sobretudo devido ao maior tempo gasto em dispositivos eletrónicos, como computadores, videojogos e ‘tablets’: aproximadamente 201 minutos por dia.

“Concluímos que a maior parte das crianças, principalmente entre os meninos, excede as recomendações de tempo de ecrã indicadas pela Organização Mundial da Saúde e pela Associação Americana de Pediatria, em que o tempo de ecrã deve ser limitado a uma hora (em crianças até aos cinco anos) ou a duas horas por dia (em crianças acima dos seis anos)”, afirma, citada pela UC, Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo agora publicado.

Embora a televisão continue a ser o equipamento mais utilizado, “o uso de ‘tablets’ está generalizado e o tempo gasto neste equipamento é elevado, incluindo em crianças com três anos de idade”, nota a investigadora.

O tempo de ecrã “é sempre mais elevado em crianças de famílias de menor posição socioeconómica, independentemente da idade, sexo, ou do tipo de equipamento”, sublinha ainda Daniela Rodrigues.

De acordo com a investigadora, tendo em conta que o tempo de ecrã está associado a um impacto negativo na saúde das crianças, por exemplo, menor tempo e qualidade do sono, maior atraso no desenvolvimento cognitivo e da linguagem, excesso de peso, etc., estes resultados “indicam que é necessário um maior controlo por parte dos pais no acesso que as crianças têm aos equipamentos eletrónicos”.

Este panorama é “ainda mais preocupante numa altura em que, devido à pandemia de covid-19, as crianças estão obrigadas a passar mais tempo em casa, e precisam de recorrer a alguns destes equipamentos para aceder à telescola”, adverte.

“É fundamental identificar os subgrupos de risco e identificar como cada dispositivo é usado de acordo com a idade, para permitir futuras intervenções apropriadas”, sustenta a investigadora da FCTUC.

Os pais, conclui Daniela Rodrigues, “devem ter em mente que as crianças passam a maior parte do tempo a ver televisão, mas os dispositivos móveis estão a tornar-se extremamente populares a partir de tenra idade”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Social inequalities in traditional and emerging screen devices among Portuguese children: a cross-sectional study

Lá fora, a telescola portuguesa salva o ano perdido de alunos sem aulas

Junho 7, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de maio de 2020.

Catarina Reis

Não só em Portugal, mas um pouco pelo mundo fora, as aulas do #EstudoEmCasa são a solução para aqueles que não têm alternativas às aulas presenciais, suspensas pela pandemia. No Brasil, Laura não perde as aulas de Educação Física e Artística. No Canadá, Jacob aprende a língua materna do pai.

“A cada duas semanas, a gente dá uma volta pequenina de carro, só para a Laura ver a cidade. Voltamos para casa e acabou.” O passeio torna-se apenas mais uma memória entre as poucas capazes de se construir por agora e a família da brasileira Mariana Pasquarelli, 33 anos, regressa ao dever de confinar na sua casa. Os tempos não são para menos. Em São Paulo, mais propriamente no município de Sorocaba, os dias contam-se a medo. A quarta região mais populosa do interior da cidade, com 671 186 habitantes, registou um aumento de 50% dos casos de covid-19 só na última semana, passando de 423 para 548.

“Diversão, aqui, só na televisão, nas aulas de Educação Física e Educação Artística”, conta Mariana, mãe de Laura, de oito anos, estudante assídua da nova telescola portuguesa, criada ao abrigo do Ministério da Educação. As vozes das professoras e dos professores do #EstudoEmCasa não só ecoam em Portugal, esbatendo desigualdades nas salas de estar de várias casas. Viajam quilómetros pelo mundo para dar o que outros sistemas de ensino privaram aos seus alunos.

Uma (tele)escola em português com sotaque paulista

Na casa de Mariana, admite, são raros os minutos em que a televisão não está ligada num canal português. O marido é neto de portugueses e o timbre fadista faz-lhe falta. “Adora Portugal e gosta de ver coisas de Portugal.” Num destes dias, enquanto assistiam ao telejornal da SIC, a surpresa assaltou-lhes o rosto quando viram ser anunciado o arranque das aulas da RTP Memória. No seu sotaque paulista, não escondeu o entusiasmo: “Nossa, que oportunidade! Graças a Deus!”, recorda. E não poupa a ideia de elogios: “Fizeram um cenário, tiveram uma preocupação, um carinho. Estou impressionada pra caramba.”

Desde que as ruas do Brasil pararam para ver sambar o Carnaval de todas as cores e silhuetas, tudo mudou. Foi por volta dessa altura que a pequena Laura trocou a sala de aula pela sala da casa. Já não era tempo de festa, estava provado. “Lembro-me que houve uma semana que resolvemos não mandá-la [para a escola], porque já estávamos a registar casos. Até porque nessa altura não era obrigatório ir, eram atividades de Carnaval. Depois, a escola fechou”.

Uma semana mais tarde, os pais foram chamados à escola “para pegar um livro de Português e Matemática, com exercícios para eles fazerem em casa”, conta. Não havia mais nada nos planos para a educação. Nem orientações às escolas vindas da tutela – à semelhança do que ocorreu em Portugal -, deixando o sistema e aqueles que dele dependem à mercê da vontade de cada professor. “Por conta dela, não porque é obrigatório, a professora criou um grupo de WhatsApp para falar com eles e a Laura todos os dias entra para falar com a professora, mostra o que fez nas aulas da televisão.”

Já lá vão os dias em que estudar se tornava cada vez mais numa obrigação aborrecida que tanto exigiam a Laura, sempre um passo à frente de todas as engrenagens. “Ela gosta muito de estudar. Não sei se é por ela nos ver lendo muito e vendo o jornal. Na escola, ela é a aluna mais adiantada da sala, a professora tem de dar alguma coisa para ela não se aborrecer”, conta Mariana. Com a telescola portuguesa, os dias têm outro fim. Com a matéria “um pouquinho mais avançada”, Laura já “não fica frustrada” ao assistir às aulas de 3.º e 4.º ano. “Está a desafiá-la e ela adora.”

Nem o português da Europa é matéria estranha nos seus dias. Mariana conta que, no que toca às expressões idiomáticas da língua de Camões, “ela já é melhor” do que a mãe. “Até diz que, quando for mais velha, vai morar para Portugal. Isto aqui não está fácil” e Laura sabe-o. Vai treinando o sotaque, entre artes plásticas e umas piruetas no quarto. As aulas preferidas são as de educação artística e educação física. “De vez em quando, vou encontrá-la lá no quarto cheia de panela, vassoura, a fazer a aula. Eles pedem uma lista de material para a próxima aula e ela me avisa o que precisa.”

Entretanto, a palavra já correu entre pais. Mariana Pasquarelli fez questão de partilhar a novidade com outros pais, que estão a adotar as aulas do #EstudoEmCasa.

No Canadá, todos os dias são de RTP, uma vez por semana de telescola

A palavra já corre aquele canto do Brasil, mas não só. Lá no topo do globo, a boa nova também chegou.

Denise Carreira tem nome português, mas é nascida e criada no Canadá, mais propriamente em Vancouver. O histórico de vida denuncia-lhe o sotaque, um português de meia palavra, atraiçoada pela língua inglesa, quando calha. De Portugal, tem gravada a decisão dos seus pais de emigrarem para o outro lado do Atlântico e os anos que trabalhou em escolas portuguesas como professora de inglês. Regressaria ao Canadá de mão dada com um português, que deixou a família para trás para ir morar com ela em Vancouver. Acabaram por casar e são hoje pais do pequeno Jacob, de nove anos. Denise ainda leciona inglês, no ensino secundário – nestes tempos que correm, fá-lo à distância.

Mas a língua portuguesa é presença habitual também nesta casa. “Já vemos às vezes a RTP em casa, o meu marido está sempre a ler as notícias, lê o Diário de Notícias, a Bola”, conta Denise. Foi na televisão que “viu que os portugueses iam ter aulas na televisão”. “O meu marido até se lembrou de que via, há muitos anos, aulas como estas na televisão. Disse-me logo: “Olha, é como a telescola, mais ou menos”. Ele esteve em França, uns anos, e os pais conseguiam mostrar-lhe estas aulas.”

A boa memória destes tempos fez o pai de Jacob não duvidar de que seria uma boa alternativa ao ano letivo do filho travado pela pandemia. Até ao final da semana passada, o Canadá registava um total e 82 420 casos positivos de covid-19 e 6245 óbitos. Pela força dos números, a primavera canadiana retrocedeu. Em Vancouver, professores e alunos viram as escolas fechar durante a suspensão letiva à qual designam “spring break”.

“Aqui, não tínhamos muitos casos, mas a decisão foi nacional. As escolas só ficaram abertas para os social workers, os profissionais de saúde” e outros trabalhadores essenciais na linha da frente [tal como aconteceu em Portugal], recorda Denise Carreira, que a partir daqui teve de assegurar o ensino do filho em casa. “A professora enviou umas fichas em papel, de vez em quando manda uns e-mails, mas eu é que tenho de apoiar o ensino dele”. Por escolha da maioria dos pais, aliás, é que ficou assim decidido, que a aprendizagem passaria a ser assegurada com o seu apoio. “Acho que o meu filho gostava de mais apoio, de ver a professora, mas ela perguntou aos pais como queriam que fosse – online ou só envio de fichas – e a maioria disse que queria assim. Porque para eles estarem a ligar o computador à mesma hora poderia ser bastante difícil.”

Na amargura dos dias, num “balanço difícil entre o trabalho e o resto”, Denise encontrou na telescola da RTP a oportunidade para que Jacob pudesse continuar a lidar com uma figura docente, enquanto aperfeiçoava o seu português. Uma ou duas vezes por semana, o aluno de nove anos senta-se em frente à televisão para assistir às aulas de Português do 1.º e 2.º anos – “porque aqui ainda não está avançado” – e Matemática do 3.º e 4.º anos.

Tem sido um sucesso lá por casa. “Ele consegue estar a ver, a escrever, a pintar, enquanto está em frente à televisão. É uma coisa mais humana, porque está ali um professor ou uma professora.”

Em Portugal, a telescola bate recordes de audiência na RTP Memória. Lá fora, colmata os efeitos de governos que deixaram para trás milhares de crianças e jovens.

SIC proibida de emitir programa SuperNanny sem autorização da CPCJ

Maio 28, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 21 de maio de 2020.

Por Carolina Rico

Decisão do Supremo Tribunal de Justiça em 2018 e contestada pela SIC foi suportada esta quinta-feira pelo Tribunal Constitucional.

Tribunal Constitucional (TC) deu razão ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) no caso do programa SuperNanny.

A decisão do Supremo, proferida a 11 de dezembro de 2018, determina que a SIC e a Warner Brothers estavam impedidas de “exibir ou, por qualquer modo, divulgar” quaisquer novos episódios do programa SuperNanny, sem que, previamente, “comuniquem e solicitem autorização, e a obtenham, de participação dos menores no programa à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens competente”.

Na sequência de recurso interposto pela SIC, esta quinta-feira o Constitucional revela que confirmou a decisão do TC num acórdão proferido no dia 13 de maio de 2020, tendo decidido “não julgar inconstitucional a norma que sujeita a participação de menores em programas de televisão a autorização da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens”.

O Supremo Tribunal de Justiça já tinha negado recursos da SIC e a Warner Brothers sobre a ação cível do Ministério Público, que agiu em representação das crianças e jovens participantes no reality show.

Entendeu o STJ que “o direito à imagem e o direito à reserva sobre a intimidade da vida privada e os outros direitos de personalidade são concretizações da dignidade da pessoa humana, que é um valor intangível e indisponível”.

Transmitido em 15 países, o programa SuperNanny retrata casos de crianças indisciplinadas, para as quais uma ama – no formato português a psicóloga Teresa Paula Marques – propunha soluções para pais e educadores.

O programa ficou envolto em polémica logo após a transmissão do primeiro episódio, emitido pela SIC no dia 14 de janeiro de 2018. No dia seguinte, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens tomou uma posição contra o programa por considerar que existe um “elevado risco” de este “violar os direitos das crianças, designadamente o direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade”.

Mais informações no ACÓRDÃO N.º 262/2020

#EstudoEmCasa: Já estão disponíveis as app para iOS e Android

Abril 22, 2020 às 7:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do PPLWare de 20 de abril de 2020.

Face à pandemia provocada pelo novo coronavírus, a telescola começou hoje às 9h na RTP memória. Durante este terceiro período, a RTP Memória irá ceder a emissão a conteúdos pedagógicos temáticos, lecionados por professores, para alunos do ensino básico.

Além da RTP memória existem canais no YouTube com conteúdos pedagógicos. Hoje foram também disponibilizadas as apps para  iOS e Android.

#EstudoEmCasa  é o nome do espaço que vai ocupar a grelha das 09h às 17h50, com conteúdos organizados para diferentes anos letivos, uma ferramenta importante para complementar o trabalho dos professores com os seus alunos.

Os conteúdos pedagógicos temáticos irão contemplar matérias que fazem parte das aprendizagens essenciais do 1.º ao 9.º ano, agrupados por: 1.º e 2.º anos, 3.º e 4.º anos, 5.º e 6.º anos, 7.º e 8.º anos e 9.º ano, abrangendo matérias de uma ou mais disciplinas do currículo, as quais servirão de complemento ao trabalho dos professores com os seus alunos.

#EstudoEmCasa: Apps para iOS e Android

Além da emissão também via RTP Play, é possível acompanhar as aulas nas apps para iOS e Android.  Os conteúdos disponíveis contemplam as matérias que fazem parte das aprendizagens essenciais do 1.º ao 9.º ano, agrupados da seguinte forma:

  • 1.º e 2.º anos;
  • 3.º e 4.º anos;
  • 5.º e 6.º anos;
  • 7.º e 8.º anos;
  • 9.º ano.

Esta é uma ferramenta importante para complementar o trabalho dos professores com os seus alunos. Os canais no YouTube foram criados recentemente e já podem ser subscritos aqui.

APP Store

Google Play

Estudo em Casa – de segunda a sexta na RTP Memória – Horários

Abril 14, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.rtp.pt/estudoemcasa-apresentacao/?fbclid=IwAR2xcG245_-iu0yfzlJjxJpXmyXpBGULVdS2N9zbRCHWqaNVKGY0b30Divw

Nova Telescola avança no arranque do 3.º período para alunos até ao 9.º ano

Abril 13, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de abril de 2020.

Oferta vai ser criada em parceria com a RTP e usar canais disponíveis na TDT e outras plataformas da TV pública. Rede europeia antecipa que alunos não voltam a ter aulas presenciais neste ano lectivo.

Maria Lopes e Samuel Silva

Vem aí uma nova Telescola. Terá um outro nome e um formato distinto daquele que os estudantes conheceram a partir de 1965, mas será através da televisão que o Governo fará o ensino à distância chegar a um maior número de alunos, numa altura em que se torna claro que as aulas presenciais vão continuar suspensas durante o 3.º período por causa da pandemia de covid-19.

A ideia é leccionar o último período através de um ou mais canais de acesso universal da RTP, isto é, que estão na TDT (Televisão Digital Terrestre) que é gratuita, e outras plataformas da televisão pública. Com aulas diárias de segunda a sexta-feira, como na escola. O PÚBLICO confirmou que o Governo tem vindo a trabalhar com o canal público com o objectivo de que a iniciativa arranque logo na primeira semana de aulas, com início previsto a 13 de Abril, depois do período de férias de duas semanas que coincidem com o feriado religioso da Páscoa.

Os conteúdos disponibilizados na televisão vão ser apresentados pelo Ministério da Educação como complementares ao acompanhamento que se pretende que os professores continuem a fazer à distância, como nas duas últimas semanas do 2º período. Ministério da Educação e RTP estão a estudar soluções para que não haja sobreposições de programação para as famílias que têm mais do que um filho.

A nova Telescola vai destinar-se aos alunos do ensino básico, ou seja, até ao 9º ano. De fora fica o ensino secundário, para o qual na próxima semana serão anunciadas medidas específicas, sobretudo para os alunos do 11º e 12º ano, que têm exames nacionais agendados para a segunda metade de Junho.

Na RTP está já constituída uma equipa com pessoal criativo e técnico para colocar o projecto de pé. Mas há ainda muitas questões por definir, como o tempo diário de emissão, como será dividido pelos diferentes níveis de ensino (se se agregam os vários anos de um ciclo), se os conteúdos são gravados na RTP ou num agrupamento escolar. Os conteúdos serão sempre responsabilidade exclusiva do ministério.

O PÚBLICO questionou o Ministério da Educação sobre os pormenores do novo modelo de ensino mediado pela televisão, não tendo obtido uma resposta. A tutela só vai pronunciar-se sobre a nova Telescola depois da decisão sobre o eventual prolongamento da suspensão das aulas presenciais — que o primeiro-ministro disse ser tomada no dia 9 (quinta-feira).

O presidente da administração da RTP apenas diz ao PÚBLICO que “há vontade conjunta” e que “a RTP e o Ministério da Educação estão a trabalhar para haver conteúdos educativos para serem emitidos pela televisão pública”. Gonçalo Reis acrescenta que a operadora pública é “parceira no sentido de assegurar a produção televisiva e a emissão num ou vários canais da RTP”. “A difusão de conteúdos desta natureza numa altura como a que vivemos é a centralidade da nossa função de serviço público”, vinca, escusando-se a entrar em pormenores sobre a operação que está a ser preparada.

No fim-de-semana passado, o ministro da Economia antecipava que o 3º período traria aulas na TV por cabo. A opção do Ministério da Educação recaiu, porém, sobre a TDT, que tem uma taxa de penetração superior à do cabo. Além do mais, todos os canais da televisão digital terrestre estão também nos pacotes de TV por cabo comercializados pelas operadoras de telecomunicações.

Na TDT, a RTP tem quatro canais (1, 2, 3, e Memória; a que se somam os canais regionais dos Açores e Madeira, com emissão nas respectivas regiões autónomas). Tendo em conta a natureza de cada um, a maior facilidade em libertar faixas horárias estará na RTP2 (que já tem dois blocos horários com programação infantil) e na RTP Memória. Depois, há também a plataforma digital RTP Play, onde podem ser vistos conteúdos já emitidos em antena ou outros exclusivamente para este serviço. Porém, poderá haver ainda uma outra solução na TDT, mas implica negociar com a Altice: para além dos canais da RTP, da SIC, TVI e ARTV, a plataforma da televisão digital tem ainda espaço para mais dois canais, mas o seu uso para a telescola implica um processo mais demorado.

O Governo vai também afastar-se do nome Telescola, até porque o conceito que agora é proposto será completamente diferente do que existiu nos anos 1960 e 70. A Telescola criada em 1965 estava concentrada em apenas dois anos, equivalentes aos actuais 5.º e 6.º anos. As aulas eram seguidas pela televisão por crianças que não podiam ir a escolas regulares, sobretudo em regiões do interior. Os conteúdos televisionados eram depois complementados em contexto de sala de aula por professores – habitualmente dois, um para a área de letras e outro para as ciências.

Além dos conteúdos disponibilizados através de um dos canais disponíveis na TDT, a RTP vai também dar uma nova visibilidade à sua plataforma Ensina, ainda pouco conhecida entre a comunidade educativa. Este portal, lançado em 2014, reúne conteúdos educativos em vídeo, áudio e infografias divididos por matérias: Artes, Português, Ciência, Cidadania, além de uma área de infantil destinada ao público pré-escolar.

A Itália, que foi o primeiro país a encerrar escolas como forma de combater o novo coronavírus, logo no início de Março, lançou uma iniciativa semelhante. Um acordo entre o Governo e a emissora estatal RAI permitiu disponibilizar, através da plataforma multimédia RAI Play, os conteúdos do canal de televisão RAI Scuola, que cria conteúdos educativos há mais de 20 anos.

A RAI vai oferecer aulas reais em vídeo, bem como selecções temáticas de conteúdos, organizados por disciplinas e destinados a todas as faixas etárias, desde as crianças dos jardins de infâncias aos estudantes do ensino secundário. Os primeiros materiais disponibilizados na semana passada incluem desafios para o desenvolvimento de habilidades manuais, aulas de programação informática e programas sobre as obras de escritores como Primo Levi, Amos Oz ou Pier Paolo Pasolini.

Noutros países, os operadores públicos estão a anunciar conteúdos destinados aos estudantes que não podem ter aulas desde meados de Março. A France Télévision mudou toda a programação do canal France 4 para passar a transmitir aulas ao vivo, ministradas por professores de escolas públicas. A programação abre às 9h00 com 30 minutos de leitura dedicados às crianças do primeiro ciclo e tem conteúdos para o pré-escolar, o ensino secundário e até ao ensino superior – a quem são dedicados, por exemplo, 30 minutos de Francês, ao início da tarde. Também na Irlanda e na República Checa as aulas chegaram, nas últimas semanas, às televisões públicas. Mesmo fora da Europa, países como o Senegal estão a adoptar esta solução.

Aulas não devem regressar

A substituição das salas de aulas pelas salas de estar no dia-a-dia dos estudantes está para durar. É essa a convicção dos especialistas da rede europeia Eurydice que, num relatório divulgado esta semana, antecipam que a generalidade dos alunos do continente europeu não deverá voltar às escolas até ao final deste ano lectivo.

A maioria dos países decidiu reavaliar a situação a cada duas semanas, tal como Portugal. Por isso, o regresso às aulas está ainda previsto para 13 de Abril, data de regresso das férias da Primavera, em Portugal conhecidas como férias da Páscoa. Mas, tal como é admitido pelas autoridades nacionais, também os restantes governos europeus devem decidir renovar esse prazo, antecipa a Eurydice.

Noutros 16 sistemas de ensino, os Governos suspenderam as aulas por tempo indeterminado. Malta é o único país que já anunciou que as escolas vão manter-se encerradas até o final do ano lectivo. A Finlândia estendeu recentemente a suspensão de aulas presenciais até 13 de Maio, duas semanas antes da data em que previa terminar o período lectivo. De acordo com o relatório publicado esta semana, aquele país nórdico prepara-se para estender o encerramento das escolas “até ao final do período”.

“Parece provável que outros países façam anúncios semelhantes nos próximos dias e semanas”, antecipam os especialistas da Eurydice. “Portanto, a perspectiva de os alunos não retornarem à escola neste ano académico é muito real”.

Eurydice, uma rede de peritos que reúne informações sobre educação na Europa, publica regularmente estudos sobre os sistemas educativos de todo o continente e recolheu, nas últimas semanas, dados sobre os impactos das medidas de mitigação da covid-19 em cerca de 40 países. De acordo com este relatório, apenas dois países não encerraram totalmente as escolas: Islândia e Suécia mantêm abertas as escolas primárias e do 2º ciclo do ensino básico, isto é aquelas que recebem estudantes mais novos. As restantes estão encerradas, tal como acontece no resto dos países.

O encerramento de escolas foi uma das medidas usadas pelos governos para retardar a propagação do novo coronavírus. Na Itália, o país mais atingido pela pandemia, as escolas fecharam a 5 de Março, uma decisão que viria a ser seguida desde logo pela Albânia, Grécia, República Checa e Roménia.

A maioria dos sistemas educativos europeus fechou as suas escolas até 16 de Março, data em que também entrou em vigor a suspensão das aulas presenciais em Portugal. O último país a anunciar medidas deste tipo foi o Reino Unido, onde todas as escolas fecharam as portas a 20 de Março.

De acordo com esta rede europeia “todos os países europeus estão a organizar aulas à distância”. Os métodos variam entre o uso de manuais e materiais habitualmente usados em contexto escolar, o recurso a plataformas de e-learning, conteúdos partilhados através de redes sociais e aulas divulgadas com o auxílio de programas de televisão nacionais, elenca a Eurydice no relatório divulgado esta semana.

As Crianças e o uso da Internet, Redes Sociais, Videojogos, Smartphones, Tablets, etc no Reino Unido

Outubro 8, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

Serviços de streaming: será que há demasiados programas para crianças?

Abril 27, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de abril de 2019.

Com a chegada de novas plataformas de streaming, como a Disney+ e a Apple TV+, há cada vez mais programação infantil disponível neste formato. Os especialistas afirmam que não há motivos para alerta, desde que os pais imponham limites.

Reuters

Independentemente de preferirem a Elsa, o SpongeBob ou a heroína russa Masha, as crianças têm hoje motivos infinitas​ para implorar mais tempo de ecrã. No entanto, quase ninguém acha que exista demasiados programas para os mais novos.

As empresas de media têm investido fortemente em conteúdo infantil, à medida que criam novos negócios digitais para persuadir directamente os consumidores. Na quinta-feira, a Walt Disney anunciou detalhes sobre o Disney+, um serviço de streaming que se estreia nos Estados Unidos em Novembro, por 6,99 dólares por mês (6,20 euros). Será lançado gradualmente na Europa a partir do início de 2020, sendo que não existem datas concretas para a chegada Portugal.

O benefício para a Disney, Netflix, Viacom e outras empresas de media é claro: prender os telespectadores enquanto ainda são jovens, com conteúdo que geralmente tem merchandising e está ligado a parques temáticos. O modelo de streaming, em particular, faz sentido: as crianças são, por natureza, binge-watchers (quem vê de seguida muitos episódios de uma série), com um apetite infinito para repetições.

No entanto, os especialistas que estudam o consumo de media pelas crianças não estão preocupados com a explosão da oferta, desde que os pais imponham limites, afirma Shelley Pasnik, directora da organização sem fins lucrativos Center for Children and Technology. “A parentalidade já não implica confiar na limitação imposta pelos produtores audiovisuais. Em vez disso, cabe aos pais e às regras que existem em casa tornar [o conteúdo] limitado e ajudar as crianças a entender quando devem parar”, defende Pasnik.

Ao considerar as suas regras sobre o tempo de ecrã, os pais que querem proteger os filhos dos anúncios provavelmente reconhecem o valor de serviços sem anúncios, como Disney+ e Apple TV+, a próxima aposta da Apple Inc. Mas esse formato poderá dar um falso conforto: quando se trata de vender produtos, o conteúdo pode ter o mesmo efeito que os anúncios. “Mesmo que não haja anúncios a interromper a narrativa, a pessoa pode não estar ciente de que o seu filho ou filha esteja a desenvolver uma grande afinidade com uma personagem e torna-se uma loucura no momento de ir às compras”, diz Pasnik.

O controlo parental — que pode ser difícil de encontrar — não é uma solução fácil. Em vez disso, os especialistas dizem que os pais devem ajudar seus filhos a fazer escolhas em torno da programação; que vejam [o conteúdo] com eles, se possível; e que falem sobre o que viram, ajudando a estabelecer a ligação com os valores da família. “Os pais precisam comunicar por que razão um programa pode ser visto e ajudar os filhos a processar as mensagens subjacentes naquilo que acabaram de assistir”, aponta Jill Murphy, vice-presidente do Center for Children and Technology.

 

As crianças devem ver as notícias?

Janeiro 23, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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shutterstock

Texto do Notícias magazine de 20 de dezembro de 2018.

Com os miúdos na sala, à hora do noticiário, a televisão deve estar ligada ou desligada? Os pais hesitam entre a vontade de as poupar às más notícias e a violência e a noção de que vedar-lhes o acesso à realidade pode não ser a melhor solução. A resposta parece ser supervisionar e mediar, mas sem ocultar nem proibir.

Texto de Sofia Teixeira | Ilustração de Shutterstock

Ver os noticiários é um desafio ao otimismo: guerra, terrorismo, fome, desemprego, violência doméstica, incêndios, cheias, tempestades tropicais. Mas é uma das formas que temos de estar informados acerca do que se passa no mundo. O que fazer, no entanto, em relação às crianças?

Devemos deixar que estejam na sala quando está a dar o telejornal, começar desde cedo a chamar‑lhes a atenção para as notícias ou, até certa idade, elas passam melhor sem saber que o mundo, por vezes, é um lugar um pouco menos simpático do que a casa em que vivem e a escola que frequentam?

Em casa de Patrícia Silva e das filhas, Carolina e Rute, de 10 e 3 anos, não há televisão ligada nos noticiários quando elas estão por perto. A mãe é perentória em relação a isso: “Não deixo que vejam: há sempre imagens e assuntos que não considero adequados para elas2, defende. Reconhece que a mais velha, com 10 anos, já deve começar a estar informada, mas como o mundo às vezes é tão feio prefere poupá‑la por enquanto.

“Ela é muito sensível e já não era a primeira vez que ficava mesmo muito impressionada com notícias. Na verdade, até eu própria evito ver algumas coisas”, confessa. “Se estivermos num sítio público não peço para desligarem a televisão nem saio do espaço por causa disso, mas em casa a televisão está formatada para canais infantis.”

Não era a primeira vez que uma televisão ligada lhe dava problemas que não sabia bem como resolver. “Há uns tempos viu uma notícia sobre uma violação. Como é que eu explico a uma criança de 10 anos o que é uma violação? Disse‑lhe que um senhor desconhecido tinha obrigado a menina a dar‑lhe beijos na boca, como os namorados fazem. Mas até com isso a miúda ficou impressionada. Não parava de perguntar porque é que senhora não lhe bateu e fugiu.”

A psicóloga clínica Cláudia Madeira Pereira entende que não há uma única resposta adequada a esta dúvida dos pais – deixar ou não ver? – nem uma idade que se possa ou deva fixar como baliza entre uma coisa e outra. “A prática clínica mostra‑me que, independentemente da idade, do nível de desenvolvimento e da maturidade, os conteúdos televisivos mediáticos podem interferir com o bem‑estar psicológico das crianças e influenciar a sua representação da realidade.”

A psicóloga entende que, além da idade, da maturidade e até da educação para os media, é importante considerar a sensibilidade e o desenvolvimento psicoemocional das crianças quando se trata de permitir o visionamento de conteúdos televisivos. “E tão importante como isto tudo é a supervisão dos pais durante o visionamento.”

É importante para fazer a triagem entre o que pode ou não ser visto, mas também para perceber as reações ao que vê, até porque, quando as crianças têm acesso a conteúdos mediáticos de difícil compreensão, é essencial que sejam os pais a ajudá‑las a resolver o conflito que a criança vive: “Entre a necessidade de saber o que está a acontecer e o mal‑estar que esse ‘saber’ provoca nelas.”

Para isto, defende, é fundamental que os pais procurem ajudar a criança a falar sobre o que viu e a miúdos serão confrontados com elas. Interpretar os significados que atribui ao que viu, ajudando‑a a compreender a informação de acordo com a sua idade, nível de desenvolvimento e a sensibilidade particular.

Sara Pereira, professora associada da Universidade do Minho, doutorada em Estudos da Criança e investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, também da Universidade do Minho, prefere a palavra “mediação”: um trabalho de explicação, diálogo e filtro – que não é apenas relativo aos media – e faz parte das funções parentais em tudo o que preenche o mundo da crianças, media incluídos.

A investigadora acredita que não se deve esconder às crianças o mundo em que vivem e que é importante que, desde pequenas, elas percebam que esse mundo tem coisas fantásticas, mas também problemas, alguns muito sérios.

“O que os pais podem fazer em casa, mais do que esconder, será fazer mediação desses acontecimentos, ou seja, explicar o que se passa, de modo a que as crianças possam compreender. Se fecharmos as crianças ao mundo, ou o mundo às crianças, quando é que se considera que estão aptas a lidar com o que se passa à sua volta? O que se perde nesses anos em que as crianças estiveram fora desse mundo? Não me parece que haja uma idade adequada para ‘acordar’ as crianças para a sua realidade”, defende.

Margarida tem 7 anos e é a isso que está habituada quase desde sempre, ao início da noite a televisão é ligada no noticiário com ela presente. A mãe e o pai não acham que ela deva ser privada do contacto com a realidade. “Acho que é importante ela ir vendo e percebendo o que se passa no mundo, ainda que tenha uma perceção de acordo com a idade”, conta a mãe, Sandra Isidro. A mãe ou o pai estão sempre por perto e se percebem que o que está a dar é violento mudam o canal.

Mas este mudar de canal é mais a exceção do que a norma: o que fazem habitualmente, quando as notícias são más, é falar com a filha sobre os assuntos, fazendo uma explicação adaptada à idade.

“Neste verão, por exemplo, ficou preocupada com todas as imagens de incêndios. Explicámos o problema de forma a poder entender, falámos do que pode fazer para prevenir incêndios e também de como podíamos ajudar as pessoas que ficaram sem casa.” Naturalmente que a filha ainda liga pouco às notícias. Se estão a dar desenhos animados não tira os olhos do ecrã, durante o telejornal a atenção costuma ser pouca.

“Acredito que noventa por cento do que vê lhe passe ao lado ou não perceba bem, mas também acho que alguma coisa há de lá ficar. Noto, por exemplo, que presta mais atenção ao que lhe interessa, se aparece uma coisa relacionada com o contexto escolar fica mais atenta.”

“A partir dos 8 anos, as crianças são capazes de distinguir fantasia de realidade, de compreender que as notícias correspondem a algo que efetivamente acontece e de compreender a relevância social destes assuntos, de modo que é sobretudo a partir destas idades que deve prevalecer uma mediação mais ativa”, defende Patrícia Silveira, professora na área de Ciências da Comunicação na Universidade Católica e na Universidade Europeia e coautora do livro Tratar os Media por Tu – Guia Prático de Educação para os Media, publicado pela Direção-Geral da Educação.

Mesmo a salvaguarda das crianças de imagens violentas não é unânime: a exposição a conteúdos de natureza violenta existe e é impossível controlar‑lhes totalmente o acesso sobretudo numa época em que as crianças, desde cedo, têm acesso ao mundo através de múltiplas plataformas tecnológicas, por isso, Patrícia Silveira – autora de uma tese de doutoramento sobre as crianças e as notícias – garante que as medidas restritivas ou proibitivas não são a melhor solução.

“Podem gerar o efeito contrário, que se traduz na permanência de medos e de dúvidas em relação aos assuntos. Mesmo que haja a tentativa de proibir, em algum momento as crianças contactarão ou já contactaram com esses assuntos.” A investigadora concluiu num estudo recente que há notícias de cariz violento que perturbam e deixam as crianças preocupadas, às quais preferiam não estar expostas de modo tão permanente e sobre as quais gostariam de receber explicação.

Embora reconhecendo que cada caso é um caso, defende que o melhor “é controlar o acesso a notícias de cariz violento, e complementar essa ação com uma mediação avaliativa, que consiste num acompanhamento mais permanente e numa explicação cuidada dos assuntos. Ao mesmo tempo, é importante ouvir as crianças, as suas dúvidas, e esclarecer os seus medos”.

Este tipo de mediação, defende, traz muitos mais benefícios do que optar por proibir totalmente o acesso a estas notícias: vai sempre chegar o dia em que os miúdos serão confrontados com elas.

O PAPEL DOS MEDIA

Educar para os media cabe aos pais e à escola, mas também aos próprios media. “Neste momento, não temos em Portugal nenhum serviço noticioso para crianças, como teve a RTP em tempos. É uma pena que uma estação de serviço público não aposte num serviço de notícias para os mais novos, que explique numa linguagem acessível ao público mais novo os acontecimentos da atualidade”, defende a investigadora Sara Pereira, lembrando que um serviço de notícias para as crianças poderia também ser útil para as escolas e para as famílias conseguirem equilibrar melhor o seu papel de mediadores.

A investigadora Patrícia Silveira concorda, lembrando que a Convenção sobre os Direitos da Criança legitima que os mais pequenos devem ter acesso a informação adequada que os ajude a aprender sobre o mundo.”E essa legitimação passa também pela responsabilização das empresas mediáticas e jornalísticas e pela obrigatoriedade que têm de proporcionar formas para que as novas gerações se informem sobre o mundo global e o local. Afinal de contas elas também são, ou deveriam ser, públicos das notícias. Os mais jovens são permanentemente acusados de apatia e desinteresse, mas isso resulta também do facto de as notícias serem feitas à medida dos adultos”, diz.

Em Portugal, de momento, o único projeto neste género é a Visão Júnior, uma revista mensal de informação dirigida a crianças e jovens entre os 6 e os 14 anos.

 

 

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