Pais gostam mais que os filhos vejam televisão do que estejam na internet

Fevereiro 23, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 6 de fevereiro de 2018.

Inquérito realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social junto de 650 agregados mostra que só um em cada 10 pais vigiam a utilização da Internet pelos filhos.

CLARA VIANA

Os pais atribuem uma “função pacificadora” à televisão, mas não têm a mesma percepção em relação ao uso da Internet. Esta é uma das conclusões de um inquérito realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) junto de 650 agregados familiares com crianças entre os três e os oito anos, que foi completado por uma série de entrevistas e observação em lares de 20 famílias.

Os dados, divulgados em 2017, foram analisados por uma série de especialistas neste domínio, o que deu origem ao e-book Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs, que se encontra disponível desde esta terça-feira no site da ERC.

Nos inquéritos realizados, 73% dos entrevistados concordaram “com a afirmação de que a criança está calma quando está a ver televisão”. “Esta função apaziguadora pode complementar a de baby-sitter electrónica: 54% dos inquiridos concordam com a afirmação de que têm um tempo de descanso quando a criança está a ver televisão”, destaca, no artigo Crescendo entre Ecrãs,uma equipa de investigadores liderada por Cristina Ponte da Universidade Nova de Lisboa.

Os investigadores frisam, de seguida, que esta “função apaziguadora é menos reconhecida por pais cujos filhos usam a Internet: pouco mais de metade (54%) concorda com a afirmação de que a criança está calma quando está nesses ecrãs e menos de um terço (30%) concorda com a afirmação de que eles mesmo têm um tempo de descanso”. Segundo os investigadores, esta diferença relativamente à televisão pode dever-se ao facto de a Internet proporcionar “actividades mais dinâmicas, como a procura de conteúdos, e uma maior interacção”.

Na mesma linha, os resultados do inquérito nacional mostram também que todas as crianças vêem televisão, mas só 38% usam Internet. Este acesso cresce com a idade, passando de 22% entre os 3-5 anos para 62% das crianças com 6-8 anos. Apesar de mostrarem maiores preocupações em relação à Internet do que à televisão, apenas um em cada dez pais disse que realizava “mediação técnica”, como bloquear ou filtrar sites ou verificar o histórico das páginas visitadas.

Descarregar o documento mencionado na notícia:

Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs

 

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Programa SuperNanny no tribunal: pais de duas famílias revogaram o consentimento que tinham assinado

Fevereiro 21, 2018 às 12:42 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia de Ana Cristina Marques para o Observador em 20 de fevereiro de 2018:

O início do julgamento ficou marcado pela revogação de consentimento de uma família e de um dos pais no que respeita aos direitos de imagem das crianças. Há mais de uma dezena de testemunhas.

Começou esta terça-feira o julgamento da ação sobre a suspensão que envolve o polémico programa SuperNanny, a ter lugar no Tribunal de Oeiras. A sessão que se iniciou pelas 10h00 ficou marcada pela revogação do consentimento de uma família e de um dos pais (pertencente a uma família composta por três figuras parentais) face ao contrato estabelecido com a SIC.

Ao todo, o Ministério Público, em representação dos menores, convocou três famílias, duas delas correspondentes aos programas já emitidos pela estação de Carnaxide, a 14 e 21 de janeiro, e uma terceira de um programa que já estaria gravado. Ao todo, deverão ser ouvidas mais de uma dezena de testemunhas.

A família Mateus e a família Frade, do primeiro e segundo episódios, respetivamente, não revogaram o consentimento que haviam assinado com a produtora, no entanto, o pai da menina que ficaria apelidada de “furacão Margarida”, na sequência do primeiro episódio, fê-lo.

O julgamento do programa SuperNanny começou com a SIC a contestar a legitimidade do Ministério Público estar em representação dos menores. O Ministério Público pediu a interrupção dos trabalhos por uma hora, de maneira a apresentar a devida resposta.

No seguimento do julgamento, o Ministério Público informou que duas famílias não aceitaram a intervenção da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens CPC — “instituições oficiais não judiciárias com autonomia funcional”, pelo que o processo remeterá, agora, para o Ministério Público.

O tribunal limitou um máximo de cinco testemunhas a todas as partes envolvidas. Em audiência, o Ministério Público identificou como testemunhas Rosário Farmhouse, presidente da CNPDPCJ, o psicólogo clínico Eduardo Sá, Regina Tavares da Silva, presidente do Comité Nacional da Unicef, Cristina Ponte, professora associada na Universidade Nova, na área das ciência da comunicação e Rute Agulhas, psicóloga e membro da Ordem dos Psicólogos.

Já a SIC, que considerou “não existir fundamento legal para limitar o rol de testemunhas”, o que, na sua acessão põe “em causa o seu direito ao contraditório”, identificou as seguintes testemunhas: a psicóloga e apresentadora do programa em causa Teresa Paula Marques, Pedro Cardoso, Edward Levan, da Warner Bros., e Luís Proença, da direção de programas da SIC. A SIC falou ainda em audiência sobre “o constragimento de tempo e do natural acesso às testemunhas”.

Entre as testemunhas da Warner estão os psicólogos Cristina Valente, que participou no debate da SIC sobre o SuperNanny, e Quintino Aires.

As testemunhas do Ministério Público vão ser ouvidas ainda esta tarde, e as testemunhas da SIC e da Warner apenas no próximo dia 2 de março, altura em que se dá seguimento aos trabalhos judiciais.

De referir que a SIC requereu ainda que as escolas frequentadas pelas seis crianças visadas no processo cedam ao tribunal informação relativa ao desempenho dos menores, mas também ao bem-estar em ambiente escolar, anterior e posterior à exibição do primeiro e segundo episódio do programa SuperNanny.

A SIC suspendeu o programa SuperNanny a 26 de janeiro, na sequência do pedido urgente do Ministério Público para a retirada de todos os conteúdos já publicados do programa e para a suspensão de um próximo episódio. os conteúdos dos programas emitidos permanecem online, porém.

A juíza Cláudia Alves, do Tribunal de Lisboa Oeste emitiu um despacho judicial no final de janeiro através do qual permitia a continuação da emissão do programa mediante algumas condições: para que o terceiro episódio de SuperNanny pudesse ir para o ar, a SIC teria de usar “filtros de imagem e de voz”, quer dos menores, quer dos seus progenitores. Perante estas condições, a estação de televisão decidiu não emitir o programa.

 

 

SuperNanny: “As crianças não são adultos em miniatura” Declarações de Manuel Coutinho do IAC

Fevereiro 20, 2018 às 5:10 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Getty Images

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Notícia da http://www.sabado.pt/ de 20 de fevereiro de 2018.

por Leonor Riso

Manuel Coutinho, psicólogo e secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança, acredita que o tribunal deverá defender a não transmissão do programa.

Hoje, no Tribunal de Oeiras, será julgada a acção acerca da suspensão do programa de televisão SuperNanny. Durante esta audiência, serão apresentadas a contestação e a prova.

O tribunal não deverá permitir que o programa de televisão da SIC suspenso através de um pedido apresentado pelo Ministério Público no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste volte a ser transmitido, defende Manuel Coutinho, psicólogo e secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC). “As crianças não são adultos em miniatura. Os pais não podem exercer os seus direitos sobre os filhos de qualquer maneira”, sustenta.

“Acho que o desfecho será favorável a todas as organizações que chamaram a atenção para o facto do superior interesse da criança não ser assegurado”, afirma Coutinho. A Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens afirmou-se contra o programa, posição acompanhada pela Unicef Portugal, pela Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados e pelo próprio IAC.

“Continuo a achar que as crianças têm direito à reserva, que não devem ser expostas a situações que as deixem vulneráveis. Há limites que ninguém deve ultrapassar e isso aconteceu neste programa [SuperNanny]. O Estado tem o dever constitucional de defender toda a gente, em especial os mais vulneráveis”, defende o psicólogo de adultos e crianças.

Coutinho frisa que o programa não é pedagógico. “A psicologia não se exerce na praça pública”, acredita. Caso tenha uma função de ensinar, “deve fazer-se com actores e simulando situações”.

 

O miúdo porta-se mal? Não chame a supernanny

Fevereiro 3, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Patricia Poppe (de blusa branca) convida os pais a ouvirem-se DR

Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de janeiro de 2018.

Não há uma receita para educar, mas há ajudas a que os pais podem recorrer. Da família à ajuda profissional. Tudo menos expor os filhos ao olhar público.

Bárbara Wong

Não é fácil educar. É raro o pai que nunca se confrontou com um dilema, com uma dúvida sobre a educação dos filhos. E agora o que vou fazer? Fiz bem? Devia ter feito de outra maneira? A culpa é minha? Se calhar tenho de pedir ajuda, mas a quem? O polémico programa televisivo Supernanny procura dar essa ajuda aos pais dos filhos mais mal comportados. O guião é simples: há uma família que precisa de ajuda e há uma psicóloga ou terapeuta familiar que tem a solução. A criança problemática deixa de o ser e os pais aprendem a gerir os problemas. Final feliz? Nem por isso. Não é na televisão nacional que se resolvem os problemas privados. Os pais têm outras alternativas.

O programa foi para o ar no último domingo e na segunda-feira de manhã já a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) criticava o conteúdo por considerar que existe um “elevado risco de o programa violar os direitos das crianças, designadamente o direito à imagem, à reserva da vida privada e à intimidade”. Também a UNICEF e o Instituto de Apoio à Criança subscreveram as críticas; e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e a Ordem dos Psicólogos receberam queixas. No final da semana, a família do segundo episódio pedia para que este não fosse para o ar; e a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Loures exigia à SIC que retirasse as imagens da criança do primeiro episódio do ar, ao que a estação respondeu que não iria obedecer.

A SIC defende que Supernanny é um programa com “uma vertente pedagógica”, acrescentando que o objectivo “é sempre o de auxiliar pais e educadores a melhorarem a relação com os seus filhos, ajudando-os a estabelecer regras e limites e melhorando a comunicação entre todos, criando assim uma dinâmica familiar mais saudável”. Em causa está o superior interesse da criança, abalado com a exposição mediática, dizem as entidades que se mostram contra o programa e também os especialistas com quem o P2 falou para este trabalho. Portanto, é ponto assente que se os pais estiverem muito desesperados com o comportamento dos filhos, não devem recorrer a um meio onde os problemas da sua família fiquem expostos à vista de milhares de pessoas. A audiência do primeiro episódio foi de um milhão de espectadores.

Então a quem recorrer? Em primeiro lugar à família e aos amigos. Às vezes não é fácil tomar a decisão de pedir ajuda externa porque os pais têm vergonha de não serem capazes de gerir o problema sozinhos, reconhece José Morgado, especialista em Psicologia da Educação e professor e investigador no ISPA, em Lisboa. “Às vezes, os pais têm pudor em pedir ajuda porque acham que são péssimos pais. É preciso trabalhar a auto-estima dos pais”, defende.

Mas não deveria ser um problema pedir ajuda, diz por seu lado Ana Teresa Brito, da Fundação Brazelton/José Gomes Pedro. E a ajuda está em todo o lado. No médico que acompanhou o casal durante a gravidez, no pediatra da criança, no enfermeiro do posto de saúde que dá as vacinas, no educador de infância que a recebe na creche ou no pré-escolar, enumera a especialista. Há toda uma “aldeia” de profissionais que podem ajudar a família porque estabeleceram uma relação com ela, declara. “Uma aldeia cuja família respeite e confie”, acrescenta.

E se essa aldeia não funcionar? Porque o ideal é que funcione, mas pode não ser suficiente. Então há ajudas mais especializadas. José Morgado acredita que o psicólogo de educação é o profissional que pode ajudar os pais e as crianças ou adolescentes em questões de comportamento em casa ou na escola. Ao psicólogo de educação cabe “ouvir e fazer perguntas, muitas perguntas” para compreender o que se passa naquela família. “Mas quando se instala em mim a dúvida se é um problema de saúde mental, então encaminho para a pedopsiquiatria. É preciso sensibilidade no âmbito técnico, mas também ético”, defende o professor.

Pais em grupo

Muitas vezes as dúvidas dos pais só precisam de ser partilhadas, por exemplo, em grupo. Há 14 anos que a Universidade Católica Portuguesa, no Porto, tem o projecto Aprender a Educar, com sessões sobre temas de parentalidade. Para participar “basta ser pai”, informa Mariana Negrão, coordenadora do projecto, que reconhece que este chega sobretudo a pais mais informados, que vão à universidade ouvir especialistas, mas também expor as suas dúvidas. Até agora foram feitas 140 sessões para três mil participantes.

O programa tem saído de portas para a comunidade, para escolas e colégios, mas também para “contextos mais complexos” como é o dos pais com Rendimento Social de Inserção, por exemplo. Nesses casos, tratam-se questões específicas e adaptadas ao público, mas o esquema é sempre o mesmo: expõe-se o tema, ouvem-se os pais partilhar as suas dúvidas ou as suas histórias. Também José Morgado faz o mesmo, a convite de instituições de Norte a Sul do país, ilhas incluídas. “Os primeiros 20 minutos falo, depois abro espaço para debate e a coisa corre bem. No final há pais que vêm falar dos seus problemas”, resume.

O modelo de Escola de Pais de Patricia Poppe, psicóloga educacional e psicoterapeuta, é diferente. Desde 2014 que a especialista iniciou um programa para os encarregados de educação da Escola Alemã, em Lisboa, onde trabalha desde 1986. Uma vez por semana, durante 15 sessões de hora e meia, os pais reúnem-se e conversam entre si. Falam de tudo e aprendem a ouvir. Não vão ali para ouvir receitas, mas naquela partilha podem encontrar soluções para a maneira como educam, explica a psicóloga, que também faz este trabalho de grupoanálise no seu consultório privado.

Para entrar no grupo é preciso passar por uma entrevista e conhecer bem as regras: escutar os outros, respeitar a sua opinião, saber que tudo o que ali se diz é confidencial, comprometer-se a ir regularmenta e evitar encontrar-se com os outros pais fora do grupo. “São limites seguros que são criados, que permitem que se fale sobre o que se sente, sem medo, sem julgamentos”, explica Patricia Poppe.

Não há receitas

“Muitos pais querem fazer o melhor, mas não conseguem lá chegar. Por isso, [neste grupo] procuro criar um ambiente acolhedor e de segurança para que os pais possam falar abertamente e partilhar”, assim, os pais descobrem que os outros têm problemas semelhantes ou antevêem as questões com que se poderão confrontar mais tarde – porque os grupos são feitos com pais que têm filhos de diferentes idades. Esta partilha faz com que “diminua a vergonha e a culpa”. “Quando os filhos têm problemas, os pais sentem que a culpa é deles”, constata a psicóloga.

Este é um modelo em que não se privilegia a “parte cognitiva e racional”, que é o que acontece nas sessões onde um especialista fala de um tema; mas que os pais vivem porque escutam os outros. “Tudo o que se passa no grupo vai ser interiorizado e levado para casa. Esta é a grande mais-valia”, sublinha Patricia Poppe, acrescentando que “não há uma receita”. “Ninguém diz como é que os pais têm de fazer [em relação ao comportamento dos filhos], os pais descobrem sozinhos porque nada é imposto, vem do seu interior”, reforça.

 

Um conselho que Ana Teresa Brito dá aos pais é “ouvir a sua intuição”. “Acreditamos que os pais são os maiores especialistas, mesmo quando estão a falhar, porque foram eles que sonharam o seu bebé”, justifica.

Não há uma receita para educar, mas há coisas que se podem aprender, defende Mariana Negrão. Assim como há cursos de preparação para o parto também devia haver de parentalidade, considera. “Não se nasce ensinado, os pais têm de experimentar, ir aprendendo e não ter receio de expor a sua ‘incompetência'”, acrescenta.

Hoje os pais sentem a pressão para serem perfeitos, continua a professora da Católica. Mas “não precisamos de superpais”, diz José Morgado. “Se houvesse receitas, saíamos todos direitinhos, desenhados a regra e esquadro. Claro que há princípios e valores que devem ser ensinados, mas que servem para apoiar a relação da criança com o mundo. Não queremos que haja uma receita para educar porque cada criança é única e queremos que as crianças recriem o mundo!”, conclui Ana Teresa Brito.

 

 

 

 

 

Quem educa a Supernanny?

Janeiro 31, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de PedroTadeu publicado no https://www.dn.pt/ de 23 de janeiro de 2018.

Não se põe uma criança a chorar frente a um milhão de pessoas. Não se disciplina uma criança frente a um milhão de pessoas. Não se ralha a uma criança frente a um milhão de pessoas. Não se discute a educação de uma criança frente a um milhão de pessoas.

Não se discute o amor dos pais de uma criança para uma plateia de um milhão de pessoas. Não se faz de um quarto de uma criança o palco de um espetáculo ridículo para um milhão de pessoas. Não se faz de uma criança um ator amacacado da sua própria personalidade, só para conseguir entreter um milhão de pessoas.

Não se inculca, condiciona, manipula, negoceia, chantageia, castiga, premeia ou envergonha uma criança frente a um milhão de pessoas. Não se explora, para gozo de um milhão de pessoas, a imaturidade, a inocência, a infantilidade de crianças inconscientes, inconstantes, incoerentes, irresponsáveis e, por tudo isso, indefesas.

Não se faz negócio, comércio, tráfico de emoções com crianças que nunca podem estar preparadas, precisamente por serem crianças, para decidir, por si só, em consciência, se realmente é do seu interesse aceitar vender o riso ou a lágrima a um milhão de pessoas.

Não se mostra a um milhão de pessoas uma criança, aos berros, descontrolada de raiva. Não se mostra a um milhão de pessoas uma briga, estúpida, de crianças irmãs.

Não se revelam os erros de uma criança a um milhão de pessoas. Não se divulgam os erros dos pais de uma criança a um milhão de pessoas.

Uma criança numa família disfuncional não é exemplo pedagógico para um milhão de pessoas.

Uma criança com pais incompetentes, doentes, amargos, deprimidos, gananciosos, egocêntricos, incautos, distraídos, enganados, esmagados ou pouco inteligentes não pode ser usada como modelo comportamental para um milhão de pessoas.

Uma criança com dificuldades de aprendizagem, de socialização, de agressividade, de timidez, de obediência ou de afirmação não pode ser exibida a um milhão de pessoas como exemplo sintético do mal psiquiátrico ou analítico do desvio psicológico.

Uma criança com problemas pessoais ou familiares deve ser ajudada, sim, mas não deve ver o seu problema íntimo, intransmissível, único, ser transformado num anátema eternizado para o resto da vida através da exposição a um milhão de pessoas das suas dores, sejam superficiais, sejam profundas.

A alegria, a tristeza, o êxito, o fracasso, a angústia, a candura, a malícia, a perversidade, o carácter de uma criança não é assunto para ser debatido por um milhão de pessoas como quem discute o enredo de uma telenovela .

O problema da Supernanny, com o seu casaquinho vermelho, as sobrancelhas arrebitadas e os maneirismos queques, qual diabinho simpático, não são as múltiplas ideias que ela tem sobre a educação das crianças e das suas famílias. O problema da Supernanny é ela não ter recebido educação essencial para reter uma única ideia ética sobre a era mediática.

Sendo assim, usando pedagogia antiga, proponho que para educar a Supernanny a obriguem a escrever, num quadro de ardósia, um milhão de vezes, tantos quantos os espectadores do seu programa, a seguinte frase: “A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro…”

 

O Impacto da Exposição de Crianças e Jovens em Programas com Formato de Reality Show

Janeiro 30, 2018 às 3:18 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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descarregar o parecer no link:

https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/criancas_realityshow.pdf

Juiz argumenta que “Supernanny” viola Convenção dos Direitos da Criança

Janeiro 28, 2018 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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DR

Notícia do https://www.jn.pt/ de 24 de janeiro de 2018.

O juiz desembargador Paulo Guerra defende que o programa “Supernanny” viola a Convenção dos Direitos da Criança e disse acreditar que o Ministério Público avance com um procedimento cautelar para proibir a sua emissão.

“Confio que o Ministério Público achará a providência judiciária adequada, que poderá passar por um procedimento cautelar, com vista à proibição da emissão desta repetida e básica ignomínia que torpedeia os direitos fundamentais e humanos de qualquer criança”, disse o juiz em declarações à agência Lusa.

Paulo Guerra, especialista na área da proteção da criança, disse que “o programa viola flagrantemente o disposto no artigo 16.° da Convenção dos Direitos da Criança, diploma internacional que se aplica diretamente na ordem jurídica portuguesa, como se fosse lei nacional, a partir do momento em que o seu texto foi ratificado por Portugal em 1990”.

Este diploma internacional, adiantou, é aplicável à situação de qualquer criança portuguesa ou residente em Portugal, esteja ou não em perigo inicial.

“E nem precisamos de lei idêntica no nosso sistema normativo nacional”, frisou. Para o juiz, o programa em causa nada tem de pedagógico.

A estação televisiva SIC considera que o programa tem uma “vertente pedagógica, fundamental para um debate necessário – e […] alargado à sociedade portuguesa – sobre questões como a educação familiar e a parentalidade”.

“Se queriam ser pedagogos, simulassem com atores e nunca com crianças reais que, tenho a certeza, nem sequer foram ouvidas sobre esta exposição e forçosa encenação”, salientou.

Quanto ao facto de o programa ser cópia de formatos internacionais, o juiz entende que não é por existir pena de morte em muitos países que legitima a defesa de tal pena capital.

Presente num total de 15 países, o programa retrata casos de crianças indisciplinadas, para as quais uma ama – no formato português é a psicóloga Teresa Paula Marques – propõe soluções para pais e educadores.

Este programa ficou envolto em polémica logo após a transmissão do primeiro episódio.

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) e a UNICEF Portugal também se manifestaram contra o programa e a Ordem dos Psicólogos Portugueses informou que já tinha dado um parecer negativo sobre o programa em março de 2016.

Entretanto o Ministério Público anunciou na terça-feira que abriu um inquérito para investigar factos suscetíveis de integrarem o crime de desobediência, relativos ao programa “Supernanny” emitido a 14 de janeiro.

“No que respeita ao primeiro programa emitido, o Ministério Publico, na sequência de certidão enviada pela CPCJ (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens) de Loures, instaurou um inquérito para investigar factos suscetíveis de integrarem o crime de desobediência”, refere a PGR.

Este inquérito corre termos no Departamento Investigação e Ação Penal (DIAP) da comarca de Lisboa Oeste.

A PGR adianta que o Ministério Público “encontra-se a acompanhar a situação e a analisar todas as possibilidades legais de intervenção”.

“Está, assim, em curso um trabalho de recolha de elementos com vista a decidir quais os procedimentos a desencadear no âmbito das competências do Ministério Público”, salientou a PGR em resposta à agência Lusa.

Convenção sobre os Direitos da Criança

 

O segundo SuperNanny visto à lupa por três especialistas. “Aquele happy ending é uma mentira”

Janeiro 27, 2018 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 22 de janeiro de 2018.

Cátia Bruno

O Observador pediu a três especialistas que assistissem ao segundo episódio. Há críticas à exposição dos menores, à falta de profundidade da intervenção e até às técnicas utilizadas.

Um aviso em fundo negro e letras brancas começa por dizer que “a privacidade dos intervenientes” foi “respeitada” e que as imagens foram exibidas “com a sua concordância”. O trabalho “da educadora” usa técnicas e instrumentos “pedo-pedagógicos”, mas não substitui o acompanhamento de “profissionais de saúde”.

A SIC optou por iniciar assim o segundo episódio do programa SuperNanny, que foi exibido este domingo, respondendo aos avisos e recomendações por parte de entidades como a Comissão Nacional de Proteção de Direitos das Crianças e Jovens (CNPDCJ), a Unicef e o Instituto de Apoio à Criança, que apontaram violações dos direitos da criança como o direito à “imagem”, “reserva da vida privada” e “intimidade” dos menores envolvidos. Esta segunda-feira, a Ordem dos Advogados juntou-se ao coro de críticas, falando numa exposição mediática “inadmissível” das crianças.

Depois do aviso em fundo negro surgem, como aperitivo, imagens a antecipar o que será exibido neste episódio. Uma criança a chorar, deitada no chão da casa-de-banho, descontrolada, tenta pontapear a mãe. Dois irmãos batem um no outro. Uma mãe grita com a filha, que responde insultando-a. Depois, é-nos dada a conhecer a nova família que pediu ajuda à SuperNanny: dois pais que trabalham a tempo inteiro e dois filhos, uma de 13 anos e um de cinco.

O Observador pediu a três profissionais da área da psicologia e da terapia familiar que assistissem a este episódio e partilhassem as suas observações sobre as estratégias ali aplicadas e a relevância (ou falta dela) do formato. Alguns revelaram não ter assistido ao episódio por opção, como forma de “boicote” a um formato que consideram negativo. Outros preferiram não comentar para não “alimentar a polémica”.

Entre aqueles que aceitaram partilhar as suas opiniões, um consenso instalou-se: o programa poderia ser positivo, mas o facto de incluir crianças reais e expor os seus nomes, rostos e rotinas na intimidade é um grande problema. “O formato em si poderia ser positivo se a identidade das crianças fosse protegida”, resume a psicóloga clínica Raquel Martins Ferreira ao Observador.

Não é o caso. E, mesmo nessa situação, seria necessário reforçar que não há uma solução mágica que resulte com toda a gente: “Não há uma intervenção padrão. Não podemos impingir as mesmas estratégias a todas as famílias”, explica Isabel Abreu Lima, especialista em psicologia educacional e professora na Universidade do Porto. As respostas clínicas dadas nestas situações, sublinham os especialistas ouvidos pelo Observador, são dadas em consultório, respeitando a confidencialidade e intimidade dos intervenientes. E vão muito além das estratégias apresentadas no último episódio, como colocar uma criança descompensada, a fazer uma birra, num “cantinho da pausa” ou estimular a comunicação entre mãe e filha através de uma carta.

Nanny “não está ali como psicóloga”, mas usa estratégias da psicologia

Para os profissionais ouvidos pelo Observador, a polémica começa logo pelo facto de não ser claro se Teresa Paula Marques, a SuperNanny, formada em Psicologia, está ali na qualidade de psicóloga ou não. Em caso afirmativo, diz Raquel Martins Ferreira, levantam-se “questões éticas”. Teresa Paula Marques sublinhou ao Observador não estar no programa como psicóloga e o aviso emitido pela SIC define-a como “educadora”, apesar de inicialmente ter sido apresentada como psicóloga nas promoções do programa; mas Martins Ferreira não tem dúvidas em classificar as soluções apresentadas pela Nanny no programa como “estratégias da psicologia e da terapia familiar”.

João Lázaro, psicólogo clínico com 27 anos de experiência, cuja clínica inclui consultas especializadas para crianças e adolescentes, é ainda mais taxativo: “Ela será licenciada em psicologia, psicóloga não é”, resume, tendo em conta a violação de princípios éticos a que diz ter assistido. “Os papéis não se podem confundir”, diz, referindo-se às justificações apresentadas pela própria, que classifica de “desculpas de mau pagador”. “Aquele aviso inicial que a SIC apresenta no programa ilustra bem as questões da legalidade e da moralidade. As pessoas podem dizer ‘isto é legal’, mas o programa também se inscreve numa dimensão de imoralidade”, resume o clínico.

As críticas à postura de Teresa Paula Marques vão ainda mais longe. “Se ela está lá como psicóloga, há uma data de coisas que estão a falhar, como a empatia. Eu não posso fazer aquele olhar reprovador, é um juízo de valor que não pode ser feito por uma psicóloga”, atira Raquel Martins Ferreira. Já a especialista em educação Isabel Abreu Lima reforça essa mesma crítica, sublinhando a posição de “paternalismo total” da “Supernanny”, presente sobretudo no diagnóstico que Teresa Paula Marques faz aos dois pais da família em questão, depois de assistir a alguns serões em casa da família: “Ela faz acusações como ‘não há respeito’, usa um tom acusatório… Até o tipo de vocabulário que ela usa, como dizer que algo é ‘inadmissível’, não é correto.”

Os profissionais destacam ainda outro tipo de violações daquilo que deve ser uma intervenção terapêutica correta. “Uma criança que tenha estes comportamentos desafiantes acentua a birra em frente a estranhos. Não sei até que ponto isto não a intensifica, com os operadores de câmara ali, aquela gente toda à volta…”, destaca Raquel Martins Ferreira. João Lázaro, por seu lado, sublinha a confidencialidade como sendo “a base” no tratamento das questões mentais e de comportamento, que expõem “o íntimo das pessoas e não uma simples dor de estômago”. “Eu costumo dizer aos meus pacientes que estou disponível 365 dias por ano para os ouvir, mas se não me quiserem cumprimentar na rua, eu compreendo perfeitamente”, resume.

“Só vemos uma parte daqueles miúdos, que parecem uns demónios”

Neste segundo episódio, o filho mais novo da família, de apenas cinco anos, é apresentado como uma criança problemática que protagoniza birras violentas, insultando a mãe, puxando-lhe os cabelos e chegando a tentar pontapeá-la. Numa das cenas exibidas no episódio, a criança aparece a tomar banho a contragosto — deitado no chão da casa-de-banho por se recusar levantar e depois na banheira em pé, coberto apenas por uma toalha na cabeça.

Os espectadores assistem à criança a espernear enquanto lhe é vestido o pijama do Batman, a recusar-se a comer a sopa de legumes que tem à frente e a escorregar da cadeira, bem como a arrastar-se pelo chão de uma das divisões da casa, recusando-se a ir para o “cantinho da pausa”, uma das estratégias apresentadas pela SuperNanny para lidar com a sua birra. Isabel Abreu Lima aponta igualmente críticas à forma como essa solução é apresentada: “É uma estratégia totalmente errada. Ou é uma pausa ou é um tempo sozinho e ela faz um híbrido dos dois”, diz, destacando que o objetivo deve ser não um “castigo”, mas sim que a criança “aprenda a auto acalmar-se”. “Muitos daqueles comportamentos foram quase punitivos, e esses só são aplicados em situações mais graves.”

A especialista — que também não viu com bons olhos a distribuição de tarefas domésticas pelos filhos, falando numa situação “artificial” e “imposta” pela Nanny — critica ainda a obrigação de a criança pedir desculpa e dar um beijinho à mãe depois de ter estado cinco minutos no “cantinho”. “A criança teve aquele descontrolo mas não é porque é má ou diabólica, é porque não sabe como se comportar”, explica, acrescentando que “muitas vezes estas crianças não sabem o que se espera delas.” A alternativa, diz Abreu Lima, que se foca na parentalidade positiva, deveria ser ir buscar a criança calmamente e reintroduzi-la na rotina normal. “Se possível, pô-la a fazer outra coisa que possa ser positiva.”

João Lázaro prefere não comentar as técnicas aplicadas, por se inserirem na área “cognitivo-comportamentalista”, que não é a sua especialidade. Mas critica outro tipo de estratégias por parte da produção do programa, que classifica de desonestas, “como a mãe aparecer com um ar descuidado e no fim já terem tido o cuidado de a maquilhar e pentear.” “Como se o programa tivesse resolvido todos os problemas”, resume.

“Os casos clínicos não se observam numa relação causa-efeito. É preciso perceber como os pais se veem como pais, quais as memórias que têm da sua educação…”, acrescenta Lázaro, que desaprova ainda a ideia apresentada da mãe das crianças como “a general” e o pai como “simpático e bonacheirão”, para ilustrar uma dinâmica de “polícia bom e polícia mau”. “Como é que estes pais vão ser vistos publicamente depois? Aquele happy ending é uma mentira”, considera o profissional.

Também Martins Ferreira e Abreu Lima sublinharam a falta de “etapas prévias”, como a intervenção com os pais, e o foco excessivo nas crianças. Para a docente da Universidade do Porto, o programa acaba por se revelar paradoxal, porque expõe os menores mas apresenta-os de forma unidimensional: “Nós só vemos a parte negativa daqueles miúdos, que parecem uns demónios”, diz, criticando o “sensacionalismo do programa” que se foca apenas nos comportamentos inadequados. “O comportamento daquelas crianças não é só birras — há outras coisas que ali são omissas” e com as quais os profissionais de saúde também trabalham.

Efeitos nas famílias só serão visíveis a longo prazo

Se o filho mais novo é apresentado neste episódio como sendo uma fonte constante de birras, a filha mais velha, de 13 anos, também tem a sua quota de maus momentos. As discussões com a mãe são várias vezes referidas, mas apenas ilustradas duas vezes: quando a adolescente chama ‘parvalhona’ à mãe que grita com ela e quando se esconde na despensa recusando-se a aspirar a sala. Com ela, a Nanny não recorreu a estratégias como o tempo de pausa, mas apresentou várias soluções para melhorar a comunicação com a família: tirar fotos aos pais e ao irmão e escrever uma carta para a mãe que foi depois lida num momento a sós das duas, mas onde as câmaras estiveram presentes.

Raquel Martins Ferreira, que acompanha vários pré-adolescentes e adolescentes no seu consultório, considera que a exposição desta menor pode, até certo ponto, ser mais problemática, já que ela “tem muito mais consciência” do que o irmão. Isabel Abreu Lima critica o “exibicionismo” da cena (“parecia que estávamos no ‘Perdoa-me’”, diz) e o facto de a conversa não ter partido da mãe, mas ter sim sido imposta por Teresa Paula Marques. Já João Lázaro sublinha que aquele momento faz sentido, mas nunca exposto em público: “Eu não digo à minha mulher e aos meus filhos que os amo à frente de milhões de pessoas. O que vincula a relação de uma família é a porta da nossa casa”, resume.

Martins Ferreira considera que os efeitos podem ser ainda mais perniciosos por se ter aberto uma caixa de Pandora na relação entre a adolescente e a sua família que pode ser positiva, mas que necessita de acompanhamento. “Ela diz repetidamente à mãe que precisa de atenção e isso pode ser muito positivo em contexto terapêutico”, aponta a profissional, destacando que a tensão entre mãe e filha revelou ser fruto “de uma saturação que ela revela do irmão e de partilhar o quarto com ele”. “Mas neste contexto não sei até que ponto isto não pode levar a uma culpabilização dos pais e do irmão, porque a puseram numa situação de vulnerabilidade em público.”“Quando a SuperNanny introduz estratégias como a da carta e não lhes dá seguimento, fica a faltar estrutura. A família fica desamparada”, critica.

Para além de todas estas apreciações, os especialistas ouvidos pelo Observador concordam em absoluto que o formato do programa é particularmente preocupante pela exposição em público de dimensões da vida íntima de menores de idade — e acreditam que podem ter consequências nefastas a longo prazo. João Lázaro, que classifica o programa como “um Big Brother da família” e uma experiência “tenebrosa”, teme as consequências para estas crianças na escola e na própria relação com a família, com os filhos a poderem acusar os pais no futuro de terem exposto a sua “incompetência na televisão”: “Como é que esta adolescente vai encarar os seus pares agora que a viram no seu robezinho às bolinhas cor de rosa, no seu quarto? Isto é uma violência muito grande”, diz. “Vai ficar marcado. Vai acompanhá-los o resto da vida. O bullying não é só quando se bate ou quando se goza. Só daqui a muitos anos vamos ver os efeitos disto.”

Isabel Abreu Lima sublinha que estamos perante “a devassa” da intimidade de uma criança que tem vizinhos, amigos e que ali é identificada às claras. “Nunca faria aquilo com um filho meu, mas reconheço que alguns pais se identificam, pensam ‘não sou a única a sentir isto’, e a TV podia cumprir um papel muito importante ensinando aos pais o que podem fazer”, volta a sublinhar, dando como exemplo o problema apresentado neste episódio de apenas um dos pais ter o papel disciplinador. “Mas expor as crianças na sua própria cama, a tomarem banho… É inadmissível. Até custa ver.”

 

 

Tribunal ordena uso de filtros de imagem e som no “SuperNanny”

Janeiro 26, 2018 às 5:18 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 26 de janeiro de 2017.

Ministério Público tinha pedido que emissão deste domingo do programa fosse proibida ou, em alternativa, as imagens das famílias fossem protegidas

O Tribunal Cível de Oeiras ordenou esta sexta-feira a utilização de filtros de imagem e som nas crianças e pais que participam no programa “SuperNanny”, avança a SIC Notícias.

A decisão foi tomada depois de o Ministério Público ter pedido ao tribunal que proibisse a emissão deste domingo do programa da SIC ou que, em alternativa, as imagens das crianças intervenientes neste terceiro episódio e respetivas vozes fossem protegidas através da utilização de filtros.

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República informa que o Ministério Público da área cível da comarca de Lisboa Oeste, “em representação de crianças e jovens participantes no mesmo, interpôs uma ação especial de tutela da personalidade”. Nessa ação, o MP pede ao tribunal “que decrete, a título provisório e de imediato, que seja retirado ou bloqueado o acesso a qualquer conteúdo dos programas já exibidos” de SuperNanny e que “o programa a emitir no próximo domingo não seja exibido ou, caso o tribunal julgue mais adequado, que essa exibição fique condicionada à utilização de filtros de imagem e voz que evite a identificação das crianças”.

A nota da PGR explica que se trata de “uma decisão provisória e urgente” e que o MP “pede que, no final do processo, a mesma seja convertida em definitiva e que todos os eventuais futuros programas apenas possam ser exibidos nos moldes que o tribunal venha a determinar”.

A Procuradoria acrescenta que “foram instaurados processos de promoção e proteção a favor das crianças participantes no programa cuja identidade já se conhece”.

“No que respeita ao primeiro programa emitido, o Ministério Publico, na sequência de certidão enviada pela CPCJ de Loures, instaurou um inquérito para investigar factos suscetíveis de integrarem o crime de desobediência”, remata a nota.

O primeiro programa Supernanny foi emitido pela SIC no dia 14 de janeiro, e causou de imediato grande polémica nas redes sociais. No dia seguinte, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens tomou uma posição contra o programa por considerar existir um “elevado risco” de este “violar os direitos das crianças, designadamente o direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade”.

A 17 de janeiro, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Loures enviou um ofício à SIC a solicitar que em 48 horas bloqueasse o acesso a qualquer conteúdo do referido programa, bem como quaisquer outras retransmissões do mesmo. Caso não fosse cumprida a exigência, a comissão referia que os factos seriam participados ao Ministério Público para averiguação da eventual prática do crime de desobediência.

A situação das duas crianças que apareceram no segundo programa ‘SuperNanny’ foi remetida para o Ministério Público, depois de os pais recusarem acompanhamento da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Sintra.

Confirmando a noticia dada hoje pelo DN, a presidente do organismo explicou à Lusa que os pais das crianças do segundo programa foram chamados à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Sintra (CPCJ), mas, como não deram consentimento para atuação, o processo seguiu para o Ministério Público. Antes, na terça-feira, Rosário Farmhouse dissera que todas as famílias que participam no programa ‘Supernanny’ serão convocadas pelas comissões de proteção de crianças da sua área.

O objetivo, explicou, é avaliar as situações em causa e sensibilizar para a exposição pública a que estão a sujeitar os seus filhos.

A ação de tutela dos direitos da personalidade agora intentada pelo MP terá de ser decidida com urgência por um juiz. Este pode decretar de imediato o que o MP pede ou atentar àquilo que decerto a SIC solicitará — que sejam ouvidos os argumentos do canal, o que implicará adiamento da decisão. Uma vez que o próximo programa está anunciado para domingo, para que a ação do MP tenha efeito útil sobre este episódio terá de haver decisão entre hoje e amanhã.

Como o DN hoje noticiou, a SIC não está a identificar, nas promoções do mesmo que surgem na antena e no site do Supernanny, a família que iria participar no terceiro episódio. Nas promoções que estão a ser emitidas, anunciando o episódio de domingo, aparece apenas a psicóloga Teresa Paula Marques.

 

 

NOTA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL Programa “Supernanny” Ministério Público

Janeiro 26, 2018 às 4:14 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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NOTA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL

Programa “Supernanny”

Relativamente ao programa “Supernanny”, a Procuradoria-Geral da República esclarece:

O Ministério Público da área cível da comarca de Lisboa Oeste, em representação de crianças e jovens participantes no mesmo, interpôs uma ação especial de tutela da personalidade.

Nessa ação é pedido ao Tribunal que decrete, a título provisório e de imediato:

  •  Que seja retirado ou bloqueado o acesso a qualquer conteúdo dos programas já exibidos.
  • Que o programa a emitir no próximo domingo não seja exibido ou, caso o tribunal julgue mais adequado, que essa exibição fique condicionada à utilização de filtros de imagem e voz que evite a identificação das crianças.

Trata-se de uma decisão provisória e urgente. Sendo que o Ministério Público pede que, no final do processo, a mesma seja convertida em definitiva e que todos os eventuais futuros programas apenas possam ser exibidos nos moldes que o tribunal venha a determinar.

Não se trata de uma providência cautelar mas, como se referiu, de uma ação especial de tutela da personalidade, prevista nos arts.º 878.º e seguintes do Código de Processo Civil, a qual se reveste de natureza urgente.

Acrescenta-se que foram instaurados processos de promoção e proteção a favor das crianças participantes no programa, cuja identidade já se conhece.

No que respeita ao primeiro programa emitido, o Ministério Publico, na sequência de certidão enviada pela CPCJ de Loures, instaurou um inquérito para investigar factos susceptíveis de integrarem o crime de desobediência. Este inquérito corre termos no DIAP da comarca de Lisboa Oeste.

Lisboa, 26 de janeiro de 2018

O Gabinete de Imprensa

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