As Crianças e o uso da Internet, Redes Sociais, Videojogos, Smartphones, Tablets, etc no Reino Unido

Outubro 8, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

Serviços de streaming: será que há demasiados programas para crianças?

Abril 27, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de abril de 2019.

Com a chegada de novas plataformas de streaming, como a Disney+ e a Apple TV+, há cada vez mais programação infantil disponível neste formato. Os especialistas afirmam que não há motivos para alerta, desde que os pais imponham limites.

Reuters

Independentemente de preferirem a Elsa, o SpongeBob ou a heroína russa Masha, as crianças têm hoje motivos infinitas​ para implorar mais tempo de ecrã. No entanto, quase ninguém acha que exista demasiados programas para os mais novos.

As empresas de media têm investido fortemente em conteúdo infantil, à medida que criam novos negócios digitais para persuadir directamente os consumidores. Na quinta-feira, a Walt Disney anunciou detalhes sobre o Disney+, um serviço de streaming que se estreia nos Estados Unidos em Novembro, por 6,99 dólares por mês (6,20 euros). Será lançado gradualmente na Europa a partir do início de 2020, sendo que não existem datas concretas para a chegada Portugal.

O benefício para a Disney, Netflix, Viacom e outras empresas de media é claro: prender os telespectadores enquanto ainda são jovens, com conteúdo que geralmente tem merchandising e está ligado a parques temáticos. O modelo de streaming, em particular, faz sentido: as crianças são, por natureza, binge-watchers (quem vê de seguida muitos episódios de uma série), com um apetite infinito para repetições.

No entanto, os especialistas que estudam o consumo de media pelas crianças não estão preocupados com a explosão da oferta, desde que os pais imponham limites, afirma Shelley Pasnik, directora da organização sem fins lucrativos Center for Children and Technology. “A parentalidade já não implica confiar na limitação imposta pelos produtores audiovisuais. Em vez disso, cabe aos pais e às regras que existem em casa tornar [o conteúdo] limitado e ajudar as crianças a entender quando devem parar”, defende Pasnik.

Ao considerar as suas regras sobre o tempo de ecrã, os pais que querem proteger os filhos dos anúncios provavelmente reconhecem o valor de serviços sem anúncios, como Disney+ e Apple TV+, a próxima aposta da Apple Inc. Mas esse formato poderá dar um falso conforto: quando se trata de vender produtos, o conteúdo pode ter o mesmo efeito que os anúncios. “Mesmo que não haja anúncios a interromper a narrativa, a pessoa pode não estar ciente de que o seu filho ou filha esteja a desenvolver uma grande afinidade com uma personagem e torna-se uma loucura no momento de ir às compras”, diz Pasnik.

O controlo parental — que pode ser difícil de encontrar — não é uma solução fácil. Em vez disso, os especialistas dizem que os pais devem ajudar seus filhos a fazer escolhas em torno da programação; que vejam [o conteúdo] com eles, se possível; e que falem sobre o que viram, ajudando a estabelecer a ligação com os valores da família. “Os pais precisam comunicar por que razão um programa pode ser visto e ajudar os filhos a processar as mensagens subjacentes naquilo que acabaram de assistir”, aponta Jill Murphy, vice-presidente do Center for Children and Technology.

 

As crianças devem ver as notícias?

Janeiro 23, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Notícias magazine de 20 de dezembro de 2018.

Com os miúdos na sala, à hora do noticiário, a televisão deve estar ligada ou desligada? Os pais hesitam entre a vontade de as poupar às más notícias e a violência e a noção de que vedar-lhes o acesso à realidade pode não ser a melhor solução. A resposta parece ser supervisionar e mediar, mas sem ocultar nem proibir.

Texto de Sofia Teixeira | Ilustração de Shutterstock

Ver os noticiários é um desafio ao otimismo: guerra, terrorismo, fome, desemprego, violência doméstica, incêndios, cheias, tempestades tropicais. Mas é uma das formas que temos de estar informados acerca do que se passa no mundo. O que fazer, no entanto, em relação às crianças?

Devemos deixar que estejam na sala quando está a dar o telejornal, começar desde cedo a chamar‑lhes a atenção para as notícias ou, até certa idade, elas passam melhor sem saber que o mundo, por vezes, é um lugar um pouco menos simpático do que a casa em que vivem e a escola que frequentam?

Em casa de Patrícia Silva e das filhas, Carolina e Rute, de 10 e 3 anos, não há televisão ligada nos noticiários quando elas estão por perto. A mãe é perentória em relação a isso: “Não deixo que vejam: há sempre imagens e assuntos que não considero adequados para elas2, defende. Reconhece que a mais velha, com 10 anos, já deve começar a estar informada, mas como o mundo às vezes é tão feio prefere poupá‑la por enquanto.

“Ela é muito sensível e já não era a primeira vez que ficava mesmo muito impressionada com notícias. Na verdade, até eu própria evito ver algumas coisas”, confessa. “Se estivermos num sítio público não peço para desligarem a televisão nem saio do espaço por causa disso, mas em casa a televisão está formatada para canais infantis.”

Não era a primeira vez que uma televisão ligada lhe dava problemas que não sabia bem como resolver. “Há uns tempos viu uma notícia sobre uma violação. Como é que eu explico a uma criança de 10 anos o que é uma violação? Disse‑lhe que um senhor desconhecido tinha obrigado a menina a dar‑lhe beijos na boca, como os namorados fazem. Mas até com isso a miúda ficou impressionada. Não parava de perguntar porque é que senhora não lhe bateu e fugiu.”

A psicóloga clínica Cláudia Madeira Pereira entende que não há uma única resposta adequada a esta dúvida dos pais – deixar ou não ver? – nem uma idade que se possa ou deva fixar como baliza entre uma coisa e outra. “A prática clínica mostra‑me que, independentemente da idade, do nível de desenvolvimento e da maturidade, os conteúdos televisivos mediáticos podem interferir com o bem‑estar psicológico das crianças e influenciar a sua representação da realidade.”

A psicóloga entende que, além da idade, da maturidade e até da educação para os media, é importante considerar a sensibilidade e o desenvolvimento psicoemocional das crianças quando se trata de permitir o visionamento de conteúdos televisivos. “E tão importante como isto tudo é a supervisão dos pais durante o visionamento.”

É importante para fazer a triagem entre o que pode ou não ser visto, mas também para perceber as reações ao que vê, até porque, quando as crianças têm acesso a conteúdos mediáticos de difícil compreensão, é essencial que sejam os pais a ajudá‑las a resolver o conflito que a criança vive: “Entre a necessidade de saber o que está a acontecer e o mal‑estar que esse ‘saber’ provoca nelas.”

Para isto, defende, é fundamental que os pais procurem ajudar a criança a falar sobre o que viu e a miúdos serão confrontados com elas. Interpretar os significados que atribui ao que viu, ajudando‑a a compreender a informação de acordo com a sua idade, nível de desenvolvimento e a sensibilidade particular.

Sara Pereira, professora associada da Universidade do Minho, doutorada em Estudos da Criança e investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, também da Universidade do Minho, prefere a palavra “mediação”: um trabalho de explicação, diálogo e filtro – que não é apenas relativo aos media – e faz parte das funções parentais em tudo o que preenche o mundo da crianças, media incluídos.

A investigadora acredita que não se deve esconder às crianças o mundo em que vivem e que é importante que, desde pequenas, elas percebam que esse mundo tem coisas fantásticas, mas também problemas, alguns muito sérios.

“O que os pais podem fazer em casa, mais do que esconder, será fazer mediação desses acontecimentos, ou seja, explicar o que se passa, de modo a que as crianças possam compreender. Se fecharmos as crianças ao mundo, ou o mundo às crianças, quando é que se considera que estão aptas a lidar com o que se passa à sua volta? O que se perde nesses anos em que as crianças estiveram fora desse mundo? Não me parece que haja uma idade adequada para ‘acordar’ as crianças para a sua realidade”, defende.

Margarida tem 7 anos e é a isso que está habituada quase desde sempre, ao início da noite a televisão é ligada no noticiário com ela presente. A mãe e o pai não acham que ela deva ser privada do contacto com a realidade. “Acho que é importante ela ir vendo e percebendo o que se passa no mundo, ainda que tenha uma perceção de acordo com a idade”, conta a mãe, Sandra Isidro. A mãe ou o pai estão sempre por perto e se percebem que o que está a dar é violento mudam o canal.

Mas este mudar de canal é mais a exceção do que a norma: o que fazem habitualmente, quando as notícias são más, é falar com a filha sobre os assuntos, fazendo uma explicação adaptada à idade.

“Neste verão, por exemplo, ficou preocupada com todas as imagens de incêndios. Explicámos o problema de forma a poder entender, falámos do que pode fazer para prevenir incêndios e também de como podíamos ajudar as pessoas que ficaram sem casa.” Naturalmente que a filha ainda liga pouco às notícias. Se estão a dar desenhos animados não tira os olhos do ecrã, durante o telejornal a atenção costuma ser pouca.

“Acredito que noventa por cento do que vê lhe passe ao lado ou não perceba bem, mas também acho que alguma coisa há de lá ficar. Noto, por exemplo, que presta mais atenção ao que lhe interessa, se aparece uma coisa relacionada com o contexto escolar fica mais atenta.”

“A partir dos 8 anos, as crianças são capazes de distinguir fantasia de realidade, de compreender que as notícias correspondem a algo que efetivamente acontece e de compreender a relevância social destes assuntos, de modo que é sobretudo a partir destas idades que deve prevalecer uma mediação mais ativa”, defende Patrícia Silveira, professora na área de Ciências da Comunicação na Universidade Católica e na Universidade Europeia e coautora do livro Tratar os Media por Tu – Guia Prático de Educação para os Media, publicado pela Direção-Geral da Educação.

Mesmo a salvaguarda das crianças de imagens violentas não é unânime: a exposição a conteúdos de natureza violenta existe e é impossível controlar‑lhes totalmente o acesso sobretudo numa época em que as crianças, desde cedo, têm acesso ao mundo através de múltiplas plataformas tecnológicas, por isso, Patrícia Silveira – autora de uma tese de doutoramento sobre as crianças e as notícias – garante que as medidas restritivas ou proibitivas não são a melhor solução.

“Podem gerar o efeito contrário, que se traduz na permanência de medos e de dúvidas em relação aos assuntos. Mesmo que haja a tentativa de proibir, em algum momento as crianças contactarão ou já contactaram com esses assuntos.” A investigadora concluiu num estudo recente que há notícias de cariz violento que perturbam e deixam as crianças preocupadas, às quais preferiam não estar expostas de modo tão permanente e sobre as quais gostariam de receber explicação.

Embora reconhecendo que cada caso é um caso, defende que o melhor “é controlar o acesso a notícias de cariz violento, e complementar essa ação com uma mediação avaliativa, que consiste num acompanhamento mais permanente e numa explicação cuidada dos assuntos. Ao mesmo tempo, é importante ouvir as crianças, as suas dúvidas, e esclarecer os seus medos”.

Este tipo de mediação, defende, traz muitos mais benefícios do que optar por proibir totalmente o acesso a estas notícias: vai sempre chegar o dia em que os miúdos serão confrontados com elas.

O PAPEL DOS MEDIA

Educar para os media cabe aos pais e à escola, mas também aos próprios media. “Neste momento, não temos em Portugal nenhum serviço noticioso para crianças, como teve a RTP em tempos. É uma pena que uma estação de serviço público não aposte num serviço de notícias para os mais novos, que explique numa linguagem acessível ao público mais novo os acontecimentos da atualidade”, defende a investigadora Sara Pereira, lembrando que um serviço de notícias para as crianças poderia também ser útil para as escolas e para as famílias conseguirem equilibrar melhor o seu papel de mediadores.

A investigadora Patrícia Silveira concorda, lembrando que a Convenção sobre os Direitos da Criança legitima que os mais pequenos devem ter acesso a informação adequada que os ajude a aprender sobre o mundo.”E essa legitimação passa também pela responsabilização das empresas mediáticas e jornalísticas e pela obrigatoriedade que têm de proporcionar formas para que as novas gerações se informem sobre o mundo global e o local. Afinal de contas elas também são, ou deveriam ser, públicos das notícias. Os mais jovens são permanentemente acusados de apatia e desinteresse, mas isso resulta também do facto de as notícias serem feitas à medida dos adultos”, diz.

Em Portugal, de momento, o único projeto neste género é a Visão Júnior, uma revista mensal de informação dirigida a crianças e jovens entre os 6 e os 14 anos.

 

 

O seu filho está viciado em jogos e televisão?

Outubro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Texto do site Sapo Lifestyle

As crianças regem-se pelo prazer, não lidam bem com a frustração e inspiram-se no comportamento dos pais. Você pode e deve ajudá-las. Saiba como!

Sim, confirmamos. As crianças também podem estar viciadas em fontes de prazer que vão descobrindo à medida que crescem. Mais, o facto de se estarem a desenvolver e o exemplo dado pelos pais contribuem de forma decisiva para o problema. «Os vícios são comportamentos repetitivos que podemos considerar compulsões. Por um lado, o ser humano é, por natureza, muito repetitivo, por outro, guiamo-nos por duas leis, a da promoção do prazer e a do evitamento do desprazer», explica Alcina Rosa, psicóloga.

O que podemos, então, fazer para evitar este comportamento? «Usar o autocontrolo, o nosso comportamento consciente», responde a especialista que alerta para um fator determinante no caso dos mais pequenos. «Na infância, este regulador ainda não está muito desenvolvido. As crianças regem-se pelo que gostam ou não e cabe aos pais ajudá-las a desenvolver essa capacidade», refere ainda a especialista. Vamos a isso!

Televisão e videojogos

O seu filho evita sair de casa, tem um rendimento escolar fraco, dificuldades na socialização, isola-se, revela falta de interesse por outras atividades. Estes são sinais de alarme. A televisão e as consolas são frequentemente usadas pelos progenitores como amas porque, enquanto a criança está a jogar ou em frente ao televisor, está quieta. «Também o próprio comportamento dos pais, que passam horas a ver TV, se torna um exemplo», alerta Alcina Rosa.

Instituir a regra «primeiro, o trabalho, depois, o lazer» e fixar uma hora para deitar são duas prioridades que os pais devem ter. «Se a criança quiser passar todo o seu tempo de lazer em frente à TV, os pais têm de competir com outras atividades, como jogos sociais, leitura de livros, conversas. Pode custar um bocadinho descolá-lo da televisão mas, se a atividade que propomos lhe agradar, depressa se esquece da TV e se envolve», afirma Alcina Rosa.

Internet e redes sociais

A criança demonstra falta de atenção, cansaço, isola-se, tem comportamentos pouco sociáveis e uma fraca rede de amizades. Os próprios pais podem estar a passar muito tempo ao computador e nas redes sociais, comportamento que pode ser apreendido pelos mais pequenos. Este também pode constituir um problema. O que é que se deve fazer nestes casos? «Restringir totalmente o acesso não é uma solução, pois fazem parte da sua realidade», sublinha Alcina Rosa.

«Mas evitar que o computador esteja no quarto é um bom princípio», alerta a especialista. Dessa forma, é mais fácil controlar o tempo de utilização e o uso que faz dele. «Deve saber que programas utilizam e se são adequados à idade», refere Mafalda Navarro, psicóloga clínica. «A mais-valia será saber do que falam, que programas utilizam e se estão a despender o tempo apropriado à idade». Atividades em família que promovam o contacto social são fundamentais.

Telemóvel

Também aqui existem sinais de alarme, nomeadamente «perder a noção do tempo, negligenciar tarefas básicas, ansiedade e sintomas de abstinência, necessidade crescente de melhor equipamento, isolamento e baixo rendimentos», descreve Mafalda Navarro. «É contraproducente insistirmos com a criança para que desligue o telemóvel se os pais têm os seus sempre ligados», refere ainda. «Quantas vezes vemos pais darem um telemóvel à criança para ficarem sossegadas?», reforça Alcina Rosa.

Alterar esta situação exige algum acompanhamento. «Proibir não funciona. O essencial é ensinar, desde cedo, a controlar-se, a corrigir comportamentos de forma consciente ou, mal os pais virem costas, fará aquilo que não é suposto», alerta Alcina Rosa. «Quanto mais tarde receberem um telemóvel, melhor», aconselha ainda.

Veja na página seguinte: Quando as crianças são viciadas em doces e em fast food

Doces e fast food

«Este tipo de alimentação constante causa uma dependência igual a substâncias como o álcool ou drogas», alerta Mafalda Navarro, psicóloga. Um dos principais erros a evitar é «usar doces ou uma ida a uma cadeia de fast food como prémio por algo que os mais novos fizeram bem. Dessa forma, a criança associa algo que lhe é prejudicial a um comportamento correto», diz Alcina Rosa.

«A melhor maneira de evitar que coma esse tipo de alimentos é não tê-los no seu campo de visão. Não ter em prateleiras acessíveis e, principalmente, o próprio adulto não consumir à sua frente», aconselha Mafalda Navarro, acrescentando que «também é importante que os pais expliquem aos filhos que são alimentos nocivos que devem ser consumidos esporadicamente e que se não os dão todos os dias é porque estão a cuidar deles e a zelar pela sua saúde».

Texto: Paula Barroso com Alcina Rosa (psicóloga clínica) e Mafalda Navarro (psicóloga clínica)

 

 

As armadilhas dos falsos desenhos animados que as crianças veem na Internet

Julho 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagens da Visão de 7 de julho de 2018.

Rui Antunes

Vídeos com conteúdos impróprios, como o homem-aranha a urinar na banheira da protagonista de Frozen ou um cão da Patrulha Pata a ser abalroado por um comboio, estão à distância de alguns cliques. E um estudo recente em Portugal indica que apenas um em cada dez pais monitoriza o que os filhos pequenos visualizam no telemóvel e no tablet

Um cão da Partulha Pata a ser brutalmente atropelado por um comboio e outro a atirar-se do telhado de um arranha-céus. A Porquinha Peppa a beber lixívia. Personagens de As Aventuras de Labybug a dançar no varão. O homem-aranha a urinar na banheira de Elsa, protagonista do filme de animação Frozen. O Mickey estendido numa poça de sangue após ser abalroado por um carro ou a Minnie presa pela cintura num alçapão de uma escada rolante.

Se não quer que o seu filho veja este tipo de conteúdos na Internet, o melhor é começar a prestar mais atenção aos vídeos a que ele acede a partir do telemóvel ou tablet. Disfarçados em desenhos animados que fazem as delícias dos mais pequenos, estes comportamentos violentos e impróprios proliferam na web, ao alcance de meros cliques. Obviamente, não são vídeos das séries originais, mas nenhuma criança o sabe. Se surgem na lista de recomendações, por semelhança de conteúdo, é para elas irresistível assistir a mais um episódio com as suas personagens preferidas.

“A exposição reiterada a cenas violentas, mesmo que virtualmente, gera o efeito de banalização e legitimação da violência e aumenta a probabilidade dos impactos negativos sobre o desenvolvimento cognitivo, emocional e espiritual da criança”, alerta a psicóloga Joana Garcia Fonseca. “Quando os heróis das crianças resolvem tudo por métodos violentos, elas não aprendem outra maneira de resolver os conflitos, pelo que estarão mais predispostas a reproduzir atitudes violentas no seu comportamento”, acrescenta a coordenadora da equipa técnica de Lisboa, Santarém e Setúbal da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens.

Esta consequência é expectável, sobretudo, em crianças que vivem em contextos familiares de agressividade e violência. “As crianças que vivem em ambientes caracterizados pelo diálogo e compreensão mútua, mesmo que também vejam programas violentos, tenderão a desenvolver um sentido crítico”, esclarece Joana Garcia Fonseca.

Quase um quarto das crianças em idade pré-escolar usa a Internet

Um estudo divulgado já este ano pela ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social) concluiu que 22% das crianças portuguesas em idade pré-escolar já utiliza a Internet. Até aos oito anos, a percentagem sobe para os 62%. E os desenhos animados estão entre os conteúdos mais procurados. A maior parte é inofensiva – ou pelo menos não atinge a gravidade dos exemplos citados, que chegam a ter milhões de visualizações antes de serem removidos ou etiquetados como conteúdo para adultos -, mas outros nem tanto. Por essa razão, diz Joana Fonseca, “é importante que os pais se preocupem com os programas que os seus filhos veem, da mesma maneira que se preocupam com a alimentação, o sono, a roupa, a higiene ou o cuidado com que atravessam a rua”.

Segundo o estudo da ERC, com o sugestivo título “Boom Digital? Crianças e ecrãs”, apenas um em cada dez pais monitorizam as páginas a que os filhos acedem, o que, perante estas (e outras) armadilhas pode ser visto como negligência. Na verdade, nem aplicações destinadas aos mais novos, em idade pré-escolar ou no primeiro ciclo, como o Youtube Kids, estão a salvo de recomendar conteúdos impróprios para crianças. Confiar apenas no filtro dos algoritmos é um erro crasso.

“Os pais devem conhecer os conteúdos do que dão a visualizar aos seus filhos. Se tiverem dúvidas, devem visualizar conjuntamente, a fim de poder explicar e ajudar a selecionar”, aconselha a psicóloga da comissão que zela pelas crianças, sugerindo aos pais o recurso à linha Internet segura para o esclarecimento de dúvidas relacionadas com o uso que os filhos dela fazem. Mais do que restringir o acesso, sustenta Joana Garcia Fonseca, importa “ajudá-los a saber pensar e a tomar decisões”, sendo fundamental que aprendam a distinguir o bom do mau. “Conversar com os filhos é essencial para compreenderem o que é real e o que é fantasia.” Na escola, a mensagem deve ser a mesma, de modo a reforçar o sentido crítico das crianças quando navegam no mundo virtual.

Outro ponto chave é não fazer dos ecrãs uma espécie de ama para todas as ocasiões, faça chuva ou faça sol. “Muitas vezes, os pais utilizam a televisão ou os programas disponibilizados na Internet, nomeadamente no Youtube, como babysitter. Escasseiam as alternativas de interação real da criança com o meio ambiente e com os outros. Passear, ouvir uma história, jogar um puzzle, fazer um piquenique ou, simplesmente, brincar. Quantas vezes os pais oferecem estas oportunidades de socialização e relação aos seus filhos atualmente?”, questiona a psicóloga.

 

 

 

 

Panda Biggs cortou beijo homossexual na série infanto-juvenil Sailor Moon

Junho 19, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de junho de 2018.

Os cortes, que se alargaram às cenas em que se fala da identidade de género, motivaram queixa da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Entidade Reguladora da Comunicação Social decidiu arquivar o processo.

Natália Faria

Há muito que a natureza da relação entre duas personagens numa série de animação infanto-juvenil alimentava discussões acesas nos fóruns da Internet: Haruka e Michiru, da série Sailor Moon Crystal, não são primas, como foram apresentadas nalgumas das versões internacionais da série japonesa, mas namoradas. E, apesar de se vestir como um rapaz, Haruka é, afinal, uma rapariga apaixonada por desporto e corridas de automóveis. Mas a sua aparência andrógina e a relação homossexual que mantém com Haruka são aparentemente de “apreensão complexa” para as crianças dos oito aos 14 anos a que a série se destina, pelo que o canal Panda Biggs decidiu cortar as cenas que abordavam as temáticas da homossexualidade e transgénero.

A decisão motivou várias queixas à Entidade Reguladora Para a Comunicação Social (ERC), uma das quais apresentada pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), o organismo responsável pela promoção e defesa desses princípios. A ERC entendeu, porém, que não resulta do corte dessas cenas qualquer apelo à discriminação em razão da orientação sexual, pelo que determinou o arquivamento do processo.

Na decisão publicada esta sexta-feira, a ERC refere-se a quatro participações contra o Panda Biggs relacionadas com a transmissão da série de animação japonesa Sailor Moon Crystal 3, além da queixa apresentada pela própria CIG. Todas aludiam aos cortes da cena em que as duas personagens femininas se beijavam, bem como de todas as demais cenas em que se aflorava a questão da identidade de género de uma das personagens, Haruka, uma rapariga com gostos, comportamento e aparência geralmente associados ao género masculino. No entender dos queixosos, tais cortes reforçam a “invisibilidade de expressões afectivas não-normativas”. E a alegação de que se tratou de um acto discriminatório com base na orientação sexual assentou na constatação de que as cenas de assédio sexual, em que uma personagem masculina força o beijo de uma rapariga, foram transmitidas “sem qualquer pudor sobre o público-alvo”.

Decisões destas traduzem-se na “desvalorização social destas pessoas [não normativas], colocando-as numa situação de fragilidade e marginalidade social”, alegam os queixosos, um dos quais sustenta que o corte da cena em que uma personagem revela que é andrógina configura uma “discriminação de género” que vai contra o artigo 13.º da Constituição.

Cenas desadequadas

À ERC, o Panda Biggs alegou que tais cenas eram desadequadas ao público-alvo e ao perfil do canal e que a sua retransmissão poderia “não ter o melhor acolhimento”. “Tratou-se tão-somente de uma apreciação de natureza editorial que nada tem a ver com censura”, alegou o canal, reivindicando o direito à liberdade editorial.

A ERC reconhece que os artigos 37.º e 38.º da Constituição consagram tal liberdade e sustenta que não resulta de tais cortes qualquer incitamento ao ódio gerado pelo sexo e pela orientação sexual mas um silenciamento das temáticas homossexuais e transgénero de um programa infantil tidas como desadequadas ao público jovem. “Tal preocupação até é legítima, dado que se está perante um assunto fracturante na sociedade portuguesa”, concede a ERC.

“É forçoso reconhecer que as temáticas da homossexualidade e do transgénero ainda não são, no contexto social actual, inteiramente aceites por toda a sociedade portuguesa, originando controvérsia. Pode admitir-se até que sejam de uma apreensão mais complexa para as crianças”, reforçou a ERC, para concluir: “Não se põe, por isso, em causa a liberdade editorial do serviço de programas Panda Biggs, que tem a liberdade de escolher os programas que transmite.”

Deliberação da ERC citada na notícia:

Deliberação ERC/2018/95 (CONTPROG-TV)

 

 

Deliberação ERC Participações contra SIC – Programa televisivo Supernanny

Junho 11, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Consultar a deliberação no link:

Deliberação ERC/2018/93 (CONTPROG-TV)

Os efeitos negativos da exposição precoce aos ecrãs nas crianças

Maio 19, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Kelly Sikkema on Unsplash

Notícia do Lifestylesapo de 8 de maio de 2018.

Ver televisão é um passatempo muito comum nas crianças mais pequenas. A excessiva exposição pode influenciar negativamente a saúde física e mental, revela um estudo.

As principais conclusões de um estudo da Universidade de Montreal, no Canadá, indicam que ver muita televisão precocemente (aos 2 anos de idade) está associado a riscos subsequentes na adolescência, como vir a ser obesa no futuro, ter hábitos alimentares pouco saudáveis e risco de “saltar” o pequeno-almoço, assim como ter problemas de socialização na escola.

O estudo da Universidade de Montreal foi realizado a cerca de duas mil crianças, nascidas entre 1997 e 1998. Os investigadores seguiram estas crianças desde os 5 meses de idade até completarem 13 anos. Quando fizeram 2 anos, os pais também foram revelando a quantidade de horas que passavam em frente à televisão.

As conclusões do estudo referem que a cada 1h13m que era adicionada ao tempo diário de ver televisão quando as crianças eram pequenas, estava associado a um aumento de 8% no risco de hábitos alimentares não saudáveis, 10% de deixar de tomar o pequeno-almoço aos fins de semana e uma diminuição de 4,7% na socialização na escola, já na adolescência.

As crianças que foram objeto deste estudo tornaram-se adolescentes com hábitos pouco saudáveis, como consumirem mais comida designada de “junk food” e registaram um maior índice de massa corporal.

Os hábitos de vida não afetam apenas o risco metabólico, mas também podem influenciar os resultados pessoais de sucesso, alerta ainda o estudo.

A ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA RECOMENDA:

– Para crianças dos 2 aos 5 anos, a recomendação dita uma hora por dia para programas televisivos com conteúdos de qualidade e adequados à idade da criança, e sempre com supervisão dos pais.

– Os pais de crianças de 6 anos devem impor limites sobre o tipo de conteúdos aos quais podem ter acesso e por quanto tempo, e garantir ainda que a tecnologia não interfe com as atividades físicas e qualidade do sono.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Prospective associations between toddler televiewing and subsequent lifestyle habits in adolescence

 

Façam o que eu digo, não façam o que eu faço? notícia da Sábado com declarações de Manuel Coutinho do IAC

Março 14, 2018 às 12:07 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Pais gostam mais que os filhos vejam televisão do que estejam na internet

Fevereiro 23, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 6 de fevereiro de 2018.

Inquérito realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social junto de 650 agregados mostra que só um em cada 10 pais vigiam a utilização da Internet pelos filhos.

CLARA VIANA

Os pais atribuem uma “função pacificadora” à televisão, mas não têm a mesma percepção em relação ao uso da Internet. Esta é uma das conclusões de um inquérito realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) junto de 650 agregados familiares com crianças entre os três e os oito anos, que foi completado por uma série de entrevistas e observação em lares de 20 famílias.

Os dados, divulgados em 2017, foram analisados por uma série de especialistas neste domínio, o que deu origem ao e-book Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs, que se encontra disponível desde esta terça-feira no site da ERC.

Nos inquéritos realizados, 73% dos entrevistados concordaram “com a afirmação de que a criança está calma quando está a ver televisão”. “Esta função apaziguadora pode complementar a de baby-sitter electrónica: 54% dos inquiridos concordam com a afirmação de que têm um tempo de descanso quando a criança está a ver televisão”, destaca, no artigo Crescendo entre Ecrãs,uma equipa de investigadores liderada por Cristina Ponte da Universidade Nova de Lisboa.

Os investigadores frisam, de seguida, que esta “função apaziguadora é menos reconhecida por pais cujos filhos usam a Internet: pouco mais de metade (54%) concorda com a afirmação de que a criança está calma quando está nesses ecrãs e menos de um terço (30%) concorda com a afirmação de que eles mesmo têm um tempo de descanso”. Segundo os investigadores, esta diferença relativamente à televisão pode dever-se ao facto de a Internet proporcionar “actividades mais dinâmicas, como a procura de conteúdos, e uma maior interacção”.

Na mesma linha, os resultados do inquérito nacional mostram também que todas as crianças vêem televisão, mas só 38% usam Internet. Este acesso cresce com a idade, passando de 22% entre os 3-5 anos para 62% das crianças com 6-8 anos. Apesar de mostrarem maiores preocupações em relação à Internet do que à televisão, apenas um em cada dez pais disse que realizava “mediação técnica”, como bloquear ou filtrar sites ou verificar o histórico das páginas visitadas.

Descarregar o documento mencionado na notícia:

Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs

 

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