Quando TV, tablet e telemóvel se transformam em babysitters

Fevereiro 24, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Reportagem do Expresso de 27 de janeiro de 2017.

quando

ler a reportagem no link:

http://www.internetsegura.pt/sites/default/files/Estudo%20Crescendo%20entre%20Ecras.pdf

 

 

Crianças portuguesas dominam televisão e tablet

Fevereiro 23, 2017 às 10:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.cmjornal.pt/ de 16 de fevereiro de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Crescendo entre Ecrãs. Usos de meios eletrónicos por crianças (3-8 anos)

crescendo

15% das crianças entre os três e os oito anos vê reality shows com os pais.

Por Hugo Real

As crianças portuguesas entre os “três e os oito anos são nativos digitais, vivem em lares digitais, têm pais digitais e 94 % vê televisão todos os dias. O televisor e o tablet funcionam muitas vezes como babysitter ou instrumento apaziguador”. Esta é uma das principais conclusões do estudo ‘Crescendo entre Ecrãs. Usos de meios eletrónicos por crianças (3-8 anos)’, um trabalho desenvolvido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social em parceria a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que já está disponível online.

De acordo com o estudo, “as famílias de condição escolar mais baixa têm mais aparelhos digitais em casa e consomem mais conteúdos da televisão generalista”. Já as crianças de famílias de um “estrato socioeconómico mais elevado são as que mais usam a internet”. O inquérito mostra ainda que o televisor está presente em 99% dos lares, sendo seguido pelo telemóvel (92%), o computador portátil (70%) e o tablet (em 68%). “Estes equipamentos estão nos espaços comuns da casa, ao alcance das crianças e, em alguns casos, até lhes pertencem. As crianças apropriam-se dos dispositivos comuns e conseguem manuseá-los com facilidade”, refere a investigação coordenada pela professora Cristina Ponte.

De acordo com o estudo, 94% das crianças vê, diariamente, 1h41 minutos de televisão, sendo que este valor que sobe ao fim de semana. Desenhos animados e programas infantis são os conteúdos favoritos e para a família. Em termos de canais, o Panda é visto diariamente por 75% das crianças, enquanto que os canais Disney chegam a 56%. “O consumo de canais generalistas é superior em crianças integradas em famílias com menor escolaridade”, acrescenta o documento.

O trabalho indica ainda que 79% das crianças vê televisão com acompanhamento parental, “o que significa que 21% das crianças vê televisão sozinha”. “Os pais declaram ver frequentemente com a criança desenhos animados e programas infantis, mas também visionam com os filhos outros conteúdos, como telenovelas, descoberta de talentos, concursos, noticiários… e até reality shows (15%)”.

Segundo a investigação, os tablets são vistos pelos pais como “um dispositivo adequado para as crianças” e estas fazem uso destes equipamentos em “dois terços dos lares onde há este dispositivo, com ou sem a tutela dos pais e irmãos mais velhos”, sendo que 63% tem mesmo o seu próprio equipamento. De resto, os tablets e smartphones são mesmo “usados para acalmar ou distrair a criança durante as refeições ou para premiar o bom comportamento ou desempenho escolar”. É de registar ainda que “18% das crianças destas idades têm um telemóvel para uso pessoal (metade dos quais smartphones)”.

O inquérito revela também que 38% destas “crianças acedem à internet, sendo o tablet o dispositivo mais usado para este fim (63%)”.

 

 

 

 

Campanhas de publicidade com crianças sob investigação

Fevereiro 16, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de fevereiro de 2017.

adriano-miranda

Anúncios para adultos em que se usam crianças estão a ser averiguados pela Direcção-Geral do Consumidor.

ANA DIAS CORDEIRO

Crianças livres de se sujarem porque existem detergentes para a roupa que limpam tudo; e adultos felizes porque uma marca automóvel lançou um modelo com o qual vão poder divertir-se como quando eram crianças.

Estas mensagens são acompanhadas de imagens de crianças em dois anúncios que passam actualmente nos canais das estações de televisão — RTP, SIC e TVI — e motivaram uma reacção da associação Frente Cívica contra a utilização de crianças para fins publicitários de produtos para adultos. A associação enviou cartas à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), à Direcção-Geral do Consumidor (DGC), ao provedor de Justiça, às entidades de protecção dos direitos das crianças, à Assembleia da República, entre outras, e também às três televisões.

A DGC adiantou ao PÚBLICO que está a averiguar estes casos. “No âmbito das suas atribuições, a DGC está a reunir elementos sobre as mensagens publicitárias, tendo aberto processo de averiguações, e actuará nos termos previstos na lei”, disse a directora do organismo, Ana Catarina Fonseca. A responsável explicou que o que está previsto no Código da Publicidade significa que “haverá respeito pela lei quando exista uma relação directa entre a criança e os produtos e serviços divulgados”, ou seja, “quando os produtos ou serviços em questão se destinem a ser utilizados pelos menores ou se enquadrem no seu universo de necessidades, de interesses e atividades”.

É precisamente essa parte da lei que a associação invoca lembrando ainda um parecer do Comité Económico e Social Europeu (CESE), de 2012, que considera que “publicidade que utiliza as crianças como veículo da sua mensagem comercial em qualquer das suas formas” põe em causa “aspectos da dignidade da pessoa humana e dos direitos da criança”.

leiO CESE é a favor da “proibição genérica da publicidade que usa indevida e abusivamente a imagem de crianças em temas” que não lhe digam directamente respeito.

Também contactada, Luísa Roseira, vogal do conselho regulador da ERC, disse que não é possível ter uma posição definida à partida quando o que se trata é de “publicidade dirigida a adultos”. Explica ainda que cada caso é um caso e que “o conceito é indeterminado e o contexto é importante” para se tomar posição. “A proibição de tudo por si só pode ser perigosa. A liberdade é sempre um bom princípio”, enfatiza.

Para adultos ou crianças?

Para a vogal, a dificuldade começa na definição: “Não é fácil dizer o que é e o que não é publicidade dirigida a adultos.” Dá exemplos: a publicidade de um carro é dirigida aos adultos mas se a marca quiser transmitir a mensagem de que se trata de “um monovolume especialmente concebido para transportar crianças com segurança”, Luísa Roseira não vê que tal coloque um problema. Considera também natural uma publicidade a um detergente mostrar que é eficaz nas situações de maior sujidade e estas estão normalmente relacionadas com crianças. O mesmo não seria possível argumentar com publicidade a bebidas alcoólicas ou preservativos.

Paulo de Morais, presidente da Frente Cívica, criada em Dezembro de 2016, dirigiu igualmente cartas às administrações das televisões pedindo-lhes que impeçam a divulgação destas campanhas. Ao PÚBLICO, das três televisões, apenas a TVI respondeu, garantindo que “respeita escrupulosamente a lei em vigor, especialmente todas as normas que possam afectar menores em televisão”.

Os casos agora suscitados dizem respeito à Unilever, sendo um dos anúncios a um detergente comercializado por este grupo — que não respondeu às questões do PÚBLICO — e à BMW.

“A campanha referida pela associação é uma campanha internacional que foi adaptada ao mercado nacional (…). Nesta campanha, as crianças não são os intervenientes principais da mensagem publicitária. (…) A imagem das crianças a brincar na rua surge como reforço à mensagem principal da campanha: ‘Há quanto tempo não se diverte assim?’”, explica João Trincheiras do Grupo BMW. “As crianças surgem como evocação do tempo feliz da infância”, reforça, antes de concluir: “Não existe aqui qualquer tipo de aproveitamento ilegal das imagens das crianças.”

 

 

Presos ao ecrã

Janeiro 5, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 23 de dezembro de 2016.

pais-filhos

Escrito por Paulo Oom, pediatra

A utilização maciça da multimédia, através do telemóvel, televisão e consolas tem repercussões. Ser muito social nas redes sociais pode significar um grande isolamento.

 Hoje, o tempo de estudo de uma criança é bem diferente do que era há uns tempos. Já não existe a secretária cheia de papel, borrachas e lápis ou a tradicional biblioteca ou escritório cheios de livros para consulta. Pelo contrário, a criança tem hoje ao seu dispor inúmeros recursos em qualquer computador e quase tudo o que precisa saber lhe salta para cima à distância de um clique. Um teclado e um “rato” são tudo.

Também as brincadeiras já não são o que eram. Andar de bicicleta, jogar futebol, jogar basquete, brincar à cabra-cega ou ao mata são coisas de um passado distante. Pelo contrário, nunca como antes houve à disposição das crianças e jovens tanta tecnologia para se divertirem e distraírem. São computadores, consolas, telemóveis e múltiplos comandos que as levam para aventuras nunca antes vividas e emoções nunca antes sentidas. A criança está sentada em frente a um grande ecrã onde todo o mundo passa à sua frente. Virtual, claro.

Uma velocidade impressionante

Uma das formas mais interessantes para analisarmos o impacto das novas tecnologias é analisar quanto tempo demora determinada tecnologia a atingir os 50 milhões de utilizadores. Um número impressionante, é certo, mas que reflete bem a penetração no mundo de cada novidade. Para a rádio, por exemplo, foram necessários 38 anos para atingir aquele número de ouvintes. Já o telefone, depois de inventado, precisou de “apenas” 20 anos e a televisão de uns “poucos” 13 anos para conseguirem ter 50 milhões de utilizadores regulares. Os números mais recentes, contudo, impressionam mais. Para a internet bastaram quatro anos e mais recentemente todos os recordes foram batidos com o Facebook a precisar de três anos e meio e o Twitter de apenas três anos para serem utilizados por 50 milhões de almas. No entanto, nada disto é comparável aos 88 dias conseguidos pelo Google + para se espalhar pelo mundo e atingir o mesmo número de utilizadores.

Uma utilização maciça

Um estudo americano recente, desenvolvido pela Kaiser Family Foundation, revelou que as crianças e jovens americanos com idades entre os oito e os 18 anos utilizam aparelhos multimédia durante 7h38m por dia ! E esta evolução tem sido crescente, pois ao longo dos últimos anos a sua utilização tem vindo a aumentar, ao contrário da leitura de livros tradicionais que tem vindo a diminuir progressivamente. Muitos destes jovens possuem atualmente vários dispositivos multimédia, com destaque para os iPod/Mp3 seguidos de perto pelo telemóvel e pelo computador. O telemóvel tem vindo a disseminar-se e hoje cerca de um terço das crianças com menos de dez anos possui um. Esta percentagem sobe para perto dos 90 por cento quando falamos de adolescentes entre os 15 e os 18 anos. Ainda no mesmo estudo verificamos que apesar da profusão de instrumentos multimédia ao dispor dos jovens, e das preocupações levantadas por muitos pais, apenas um terço dos pais estabelece regras em relação à sua utilização, nomeadamente em relação ao tempo durante o qual podem utilizar cada dispositivo.

Um estudo semelhante realizado em Portugal revelou que praticamente 100 por cento dos lares portugueses possuem televisão e que em cerca de 90 por cento existe um computador. Mais importante, 60 por cento das crianças portuguesas têm uma televisão e 30 por cento um computador no quarto. No total, o tempo gasto por dia em multimédia pelas crianças e jovens portugueses ultrapassa as 5h30m. Estamos no caminho certo? Não parece…

As consequências são inevitáveis

Tudo isto tem consequências. As crianças comunicam cada vez menos umas com as outras de forma presencial e o seu relacionamento é feito muitas vezes à custa de símbolos como smiles, LOL ou polegares virados para cima. Em vez de darem a mão parece estarem ligadas por wi-fi. Mesmo quando em família, começam a ser raros os momentos passados em conjunto a conversar, a rir ou a passear ao ar livre. O computador e principalmente o telemóvel tomaram gradualmente conta de todo o tempo disponível. As refeições estão cada vez mais multimédia e numa mesa, para além dos pratos, talheres, copos e guardanapos, existem sempre espalhados diversos telemóveis. Mesmo na escola e nos recreios a maior parte das brincadeiras foi substituída pelo olhar mecânico para o pequeno ecrã e o teclar constante. Chegam a estar lado a lado mas a comunicar através das teclas. Infelizmente muitas vezes o exemplo é dado pelos próprios pais. No estudo americano que já referi verificou-se que estes passam por semana mais de 33 horas vidrados no ecrã. Que lindo exemplo. Como podem depois ter autoridade para impor limites?

Uma evolução plástica em resposta ao meio ambiente

O cérebro é um órgão maravilhoso. Ele é o cerne da consciência e controla a atividade de todo o corpo. O cérebro de um recém-nascido contém cerca de 100 biliões de células. Ao longo dos primeiros anos de vida o cérebro vai aumentando em tamanho mas o número de células mantem-se aproximadamente o mesmo. O seu tamanho final depende de muitos fatores incluindo aspetos genéticos, uma boa nutrição, a estimulação fornecida pelos seus pais e as experiências vividas pela criança.

 A principal característica das células cerebrais é a sua capacidade para se conectarem umas com as outras, estabelecendo circuitos que vão ser utilizados para as mais diversas funções. Uma única célula cerebral pode ligar-se a 15.000 outras células.

Aos três anos o cérebro de uma criança possui mais de mil triliões de ligações. Mas este número começa a diminuir a partir daí, pois apenas se vão manter para o resto da vida as ligações utilizadas e vão ser reprimidas as ligações não utilizadas ou inúteis. Isto confere ao cérebro humano uma enorme plasticidade e a capacidade de se desenvolver em resposta às exigências do ambiente. Esta maturação cerebral não ocorre toda ao mesmo tempo mas ao longo da vida durante os primeiros 18 a 20 anos. E ocorre para diferentes áreas do cérebro de forma sequencial. Sabemos por isso que existem períodos da vida onde a criança e jovem estão especialmente aptos a progredir na aquisição de determinadas funções. São as suas “janelas de oportunidade”.

É o caso da visão e da audição que estão especialmente ativas na sua maturação desde o nascimento e até aos cinco anos de idade, ou da linguagem que tem uma enorme capacidade de desenvolvimento do nascimento até aos dez anos. Já a destreza motora desenvolve-se principalmente até aos 12 anos.

 Por fim, o desenvolvimento das relações sociais e os aspetos emocionais das ligações humanas podem desenvolver-se desde o nascimento até aos 18 ou 20 anos. Ao longo de todo este processo sabemos que as áreas cerebrais que forem estimuladas pela experiência desenvolvem-se gradualmente enquanto que as áreas que não forem estimuladas caem em desuso e são “descontinuadas”. É uma forma de o cérebro humano canalizar a sua energia para estabelecer as relações entre as células e as vias que interessam, em detrimento daquelas que parecem menos utilizadas (e portanto inúteis).

Uma das últimas áreas a desenvolver-se é a zona do lobo frontal, que é responsável pelo controlo emocional, planeamento, julgamento e pensamento crítico. Estas áreas amadurecem principalmente durante a adolescência e até aos vinte anos. Isto permite explicar alguns dos comportamentos de risco da adolescência e ao mesmo tempo levantar suspeita de que os jovens que não utilizam estas áreas do cérebro durante a adolescência por estarem demasiadamente ocupados num mundo virtual virão a ser seguramente adultos diferentes daquele que foram os seus pais.

Multitasking – vantagem ou prejuízo?

O fenómeno multitasking, tão em voga atualmente, é por muitos considerado como uma enorme vantagem, por permitir que o jovem execute diversas funções ao mesmo tempo. A criança já não estuda simplesmente. Estuda ao mesmo tempo que ouve música, navega na internet e fala ao telefone. Mas esta suposta “vantagem” não o é na realidade. O cérebro tem pouca capacidade para efetuar diversas funções em simultâneo. Pelo contrário quando um jovem executa diversas atividades em simultâneo o que acontece na realidade é que o seu cérebro vai alternando por períodos muito curtos entre uma e outra função. E quanto maior o número de funções maior a dispersão cerebral entre todas elas, não conseguindo nunca concentra-se numa só. Daqui resulta um conhecimento muito alargado no que diz respeito aos tópicos envolvidos, mas muito pouco profundo quando analisado cada tópico em particular. É o célebre conhecimento “mile wide and inch deep”. Muito pouco de muita coisa.

Relacionamentos sociais:

quantos mais melhor?

Analisando diferentes espécies conseguimos perceber que a percentagem do seu cérebro ocupada com os aspetos sociais varia de espécie para espécie e que isso influencia o número de relacionamentos significativos que cada indivíduo consegue ter. Indivíduos de espécies animais com um cérebro maior, conseguem relacionar-se com um maior número de indivíduos da mesma espécie. Extrapolando para o tamanho do cérebro humano seria de esperar que qualquer um de nós conseguisse lidar, na nossa vida social, com 100 a 230 relacionamentos sociais significativos, sendo o valor médio esperado para a nossa espécie de 150. No entanto, verificamos que o número médio de relacionamentos Facebook entre os jovens é de 834. Mais social será provavelmente igual a menos social pois a maioria desses relacionamentos será tão superficial que em nada se distinguirá da não-existência.

Exercício físico e violência

Não parece haver uma relação inversa entre a utilização multimédia e a prática de exercício físico. Muitas crianças com uma utilização considerada alta de multimédia praticam bastante exercício, provavelmente porque durante a prática física estão a ouvir música através de algum dispositivo eletrónico. O sedentarismo não é explicado apenas pela utilização destes dispositivos, mas alguns poderão estar mais relacionados com a obesidade, como é o caso das consolas de jogos. Da mesma forma, a utilização de multimédia não torna aparentemente as crianças mais violentas. Enquanto as vendas de jogos considerados de “conteúdo violento” aumentam, o número de crimes violentos entre os jovens tem vindo a diminuir. Parece que os jovens conseguem distinguir com alguma coerência o mundo real do virtual ou conseguem “descarregar” o seu stresse e agressividade na consola de jogos, servindo como um escape para a violência no mundo real. Cada caso é um caso e cabe aos pais irem acompanhando o adolescente que têm em casa e estabelecerem as regras adequadas.

Nota final

Estudos demonstram que a utilização multimédia não é inocente. Canaliza a energia do jovem para o desenvolvimento de certas áreas cerebrais em detrimento de outras, em períodos sensíveis do desenvolvimento, tornando mais difícil que no futuro este seja capaz de reverter a situação.

Escola e satisfação pessoal

É aqui que existem os maiores problemas. Muitos estudos realizados nesta área demonstram que existe uma relação direta entre a utilização de aparelhos multimédia e os maus resultados escolares, provavelmente pelo efeito multitasking, em que a criança estuda agarrada aos seus vários dispositivos, de que resulta um défice de atenção em relação àquilo em que devia estar concentrada. A internet é mais utilizada para gozo do que para estudo e muitas vezes simultaneamente para os dois, com maus resultados.

Mais importante parece ser a relação encontrada entre a satisfação pessoal do jovem e o grau de atualização de aparelhos multimédia. Diversos estudos chegaram à conclusão que quanto maior a utilização dos elementos multimédia menor é o grau de satisfação do jovem com a sua vida e aqueles que o rodeiam. Os jovens com utilização alta de multimédia são, em média, mais ansiosos e mais dados a depressões que os restantes.

 

 

 

 

 

Ciclo de Conferências “A voz das crianças nos olhares sobre a infância” no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa de 14 de março a 18 de maio

Março 10, 2016 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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a voz

CICLO DE CONFERÊNCIAS
“A voz das crianças nos olhares sobre a infância”

O interesse pela infância tem suscitado, desde os anos 80/90 do século XX, um conjunto crescente de pesquisas cujo denomina-dor comum assenta no pressuposto de que as crianças “são sujeitos competentes de produção da vida social”, “actores de corpo inteiro da sua socialização”, indivíduos com direito “à palavra”. Rejeitando uma visão adultocêntrica, estas pesquisas procuram entender a concepção que as crianças têm do mundo que as rodeia e estudar as relações sociais por elas produzidas, a partir do seu próprio ponto de vista. As investigações que dão corpo ao ciclo de conferências inserem-se justamente neste paradigma socio-lógico, tendo subjacente a mesma opção metodológica: dar voz às crianças.

1.ª Conferência: 14 de março | 11h00 | Sala 7 do IE
“Quem habita os alunos? A socialização de crianças de origem africana”, por Irene Santos (IE-ULisboa)

Outras conferências:
11 de abril | 20 de abril | 27 de abril | 4 de maio | 18 de maio

mais informações:

http://www.ie.ulisboa.pt/portal/page?_pageid=406%2C1898837&_dad=portal&_schema=PORTAL

 

Crianças e jovens dormem cada vez menos

Fevereiro 12, 2016 às 9:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.nos.uminho.pt de 26 de janeiro de 2016.

doutissima

Catarina Dias

Estudo do CIEC conclui que 72% dos menores dormem de 7 a 9 horas diárias durante a semana, “o que é pouco”, diz Olinda Oliveira. Foram inquiridos 502 alunos, com idades entre os 9 e 17 anos.

Um estudo da Universidade do Minho revela que 72% dos menores dormem de 7 a 9 horas diárias durante a semana, “o que nem sempre é suficiente” para assegurar o seu bem-estar físico e psicológico. Associados a noites “mal dormidas” estão sintomas como mudança de humor, desmotivação, ansiedade, falta de concentração ou ainda, em casos extremos, problemas de comportamento, obesidade e menor resistência a doenças, diz Olinda Oliveira, autora deste trabalho. A presença de aparelhos multimédia no quarto parece ser um dos fatores que mais retarda a hora de deitar.

A investigação incluiu uma amostra de meio milhar de alunos, com idades compreendidas entre os 9 e 17 anos. Pretendeu averiguar a quantidade e a qualidade de sono dos alunos em função do meio de residência, sexo e ano de escolaridade, identificar fatores externos com impacto na redução progressiva das horas de repouso, bem como avaliar de que forma a qualidade do sono interfere na saúde física e emocional, nos comportamentos e na aprendizagem dos envolvidos.

Os resultados comprovam o que se passa na generalidade dos países do Ocidente: a tendência em dormir menos de 9 horas por noite aumenta à medida que se avança nos anos de escolaridade. “Esta mudança nos hábitos e padrões do sono pode ter efeitos negativos nos processos de desenvolvimento, no progresso psicossocial e na performance académica dos jovens”, realça a investigadora, que teve a orientação de Zélia Anastácio, do Instituto de Educação. A culpa é também dos aparelhos eletrónicos A tese de mestrado mostra ainda que mais de metade dos estudantes admite sentir, “às vezes”, distração. E há outros sintomas que, mesmo não sendo manifestados pela maioria dos 502 inquiridos, surgem com alguma frequência, tais como mudanças de humor (198), ansiedade (195), bocejo constante (185), agitação (166), desmotivação (160), olheiras (141), irritabilidade (129), pequenos acidentes (118), muita tristeza (114) e fadiga muscular (100). Da amostra integral, 12% confessou ter adormecido pelo menos uma vez nas aulas.

Entre os fatores externos que mais retardam a hora de deitar está a existência de aparelhos multimédia no quarto. Mais de sete em cada dez inquiridos afirmaram ter televisão no quarto, seguindo-se do computador, aparelho de música e internet (55,8%). “A necessidade cada vez maior de privacidade por parte das crianças e dos adolescentes leva os pais a colocarem uma panóplia de aparelhos nos quartos dos filhos, propiciando hábitos de sono pouco saudáveis”, justifica Olinda Oliveira. A Fundação Nacional do Sono dos EUA vai ainda mais longe ao afirmar que os alunos com quatro ou mais itens eletrónicos nos quartos têm quase o dobro da probabilidade de adormecer na escola e/ou enquanto fazem os trabalhos de casa.

Meio rural favorece qualidade do sono

O local de residência parece igualmente influenciar a qualidade do sono dos mais jovens. Os que habitam em meios rurais tendem a ter períodos de sono mais tranquilos e deitam-se mais cedo durante a semana (21h00-22h00) e ao fim de semana (23h00-24h00). “As profissões praticadas pelos pais do meio urbano nem sempre implicam horários fixos de trabalho, o que atrasa a hora do jantar e, consequentemente, de deitar, afetando negativamente toda a unidade familiar”, esclarece.

Foram ainda identificadas diferenças significativas nos hábitos de sono, segundo o sexo dos inquiridos (249 do sexo feminino e 253 do sexo masculino). Durante a semana, as raparigas acordam mais cedo do que os rapazes, invertendo-se a tendência ao fim de semana. Estas discrepâncias vêm confirmar o que já é defendido noutros estudos internacionais: “Por norma, as mulheres têm ao longo da vida maior incidência de problemas de sono, como insónias e pesadelos”, sublinha a investigadora Olinda Oliveira. O seu trabalho foi também alvo de publicação pela Elsevier e pela Asociación Nacional de Psicología y Educación.

 

 

 

O telemóvel e a televisão também jantam com os portugueses

Dezembro 11, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://lifestyle.publico.pt  de 26 de novembro de 2015.

publico

Por Life&Style

Dietistas preocupados pois estes hábitos podem levar a maus comportamentos alimentares.

Cinco vezes por semana, 98% dos portugueses janta à frente da televisão ou com o telemóvel ao lado. Quem o diz é um inquérito levado a cabo pela Iglo, junto de cerca de 4500 pessoas.

Para a Associação Portuguesa de Dietistas (APD) e para o Movimento 2020 – um projecto da APD, com o objectivo de promover e implementar as boas práticas no que respeita à saúde alimentar e hábitos de vida saudável – estes hábitos podem levar a maus comportamentos alimentares.

Segundo Zélia Santos, presidente da APD e membro do conselho executivo do Movimento 2020, “o momento da refeição deve ir muito além da sua função nutricional, dada a conotação social e cultural que a alimentação tem nas nossas vidas. Cozinhar e conviver à mesa, na companhia de familiares e amigos, fomenta o bem-estar e cria condições para uma alimentação correcta e consciente. Por exemplo, a mesa é o cenário ideal para passar às crianças a importância de fazer uma alimentação equilibrada e criar apetência pelas escolhas mais saudáveis”. No contexto dos resultados apurados pelo inquérito, a responsável conclui: “Ao ritmo a que se vive, a hora de jantar torna-se no momento privilegiado para as famílias se reunirem e conversarem. Ao ocupar espaço com o telemóvel ou a televisão, há uma probabilidade acrescida de estarmos a tornar a refeição numa ingestão indiscriminada de alimentos e a perder o prazer do convívio, que é um dos conceitos em que assenta a dieta mediterrânica”.

O inquérito foi feito online através de um questionário, tendo a recolha de dados decorrido entre os dias 16 de Julho e 5 de Agosto de 2015. A amostra global é composta por 4469 indivíduos residentes em Portugal (86% do sexo feminino, 60% solteiros e 39% entre os 26 e os 35 anos), o que corresponde a uma margem de erro de 1,47%, para um intervalo de confiança de 95%.

 

 

 

Explique às crianças apenas o que elas perguntarem sobre os atentados

Novembro 25, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Noticia do Público de 18 de novembro de 2015.

MARTY MELVILLE AFP

Ana Cristina Pereira

Especialista diz que adultos devem ajudar as crianças a perceber que as imagens que vêem em todo o lado não correspondem a novos ataques.

Soube dos atentados à hora do almoço de sábado. Já de noite, viu o arranque do noticiário. Estava uma mulher grávida pendurada numa janela do Bataclan, em Paris, a gritar “Socorro! Socorro!” Saiu da sala, foi até à cozinha, fechou a porta que dá para a sala e sentou-se à mesa, a ler. Regressou decorridos muitos, muitos minutos, certa de o assunto ser outro.

– Pai, podemos ir viver para Plutão? – perguntou a menina, de oito anos.

– É capaz de ser boa ideia. Se arranjares um foguetão, podemos ir lá espreitar para ver se é giro. Realmente, estamos a precisar de mudar de planeta.

– Plutão já não é um planeta.

A filha mais velha do assessor de comunicação André Serpa Soares fez aquilo a que os psicólogos chamam evitamento. Naquela noite, saiu da cama dela, enfiou-se na cama dos pais e pediu-lhes que a deixassem dormir lá, de luz acesa. Não se pôs a fazer perguntas sobre os atentados. Não quis conversa. Quis apenas ficar ali, em silêncio. O pai abraçou-a toda a noite e foi-lhe dizendo: “não te preocupes”; “estamos em casa”; “estamos em segurança”, estamos juntos”; “isso não vai acontecer aqui”, “eu protejo-te sempre”.

Ficou convencido de que naquela noite algo se quebrou dentro da filha. “Acho que ela perdeu a confiança nas pessoas”, comenta. “Perdeu aquele olhar infantil, inocente. Percebeu que há maldade no mundo.” Sabe que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Preferia que tivesse sido mais tarde. Demorou uns dias a interiorizar. No domingo, ela deitou-se na cama dela, mas a meio da noite tornou a ir para a dos pais. “Disse que se tinha enganado na casa de banho e ficou por ali”, conta ele. Na segunda-feira, já dormiu na cama dela. “Deitou-se cedo, adormeceu logo.”

Ao longo da semana, muitas crianças viraram-se para os pais amedrontadas, confusas. Quem são aquelas pessoas? Porque fizeram aquilo? Pode acontecer aqui? Desviá-las do televisor, ignorar as perguntas, não é solução, avisa Ana Santos, psicóloga da infância, especialista em luto. A informação está a correr, na família, na escola, nas redes sociais, nos órgãos de comunicação social.

Os adultos devem ajudar as crianças a perceber que as imagens que vêem em todo o lado, várias vezes ao dia, não são novas, salienta Ana Santos. Não há novos ataques, não há novos feridos, não há novos mortos; há imagens que se repetem, porque o que aconteceu é importante, porque se calhar nem toda a gente viu ainda, porque há profissionais que vão descobrindo mais pormenores.

Há que respeitar as necessidades de cada criança. “Há que evitar o excesso de informação”, aponta. Não é preciso introduzir conceitos como jihadismo ou Estado Islâmico. Isso pode aumentar a confusão. Bastará uma explicação simples. “Hoje, pergunta o que precisa de perceber. Amanhã, quer saber mais, faz outras perguntas.”

Na opinião daquela especialista, as crianças devem ser incentivadas a expressar o que pensam, o que sentem. Ao transparecer preocupação, ao fazer perguntas, revelam empatia com outras pessoas, que podem nem conhecer, mas que estão em sofrimento. “Às vezes, os adultos ficam ansiosos, porque elas podem perguntar algo a que eles não sabem responder”, nota. Não têm de ter sempre resposta. “Podem dizer: ‘Não sei. Diz-me o que é que tu pensas. Deixa-me pensar nisso.’”

Não importa apenas o que os adultos vão dizendo às crianças. Importa também o modo como o fazem. Se estiverem com medo, por mais que digam que está tudo bem, que não há perigo, transmitirão medo às crianças. Se estiverem serenos, transmitir-lhes-ão serenidade. “Podem dizer-lhes que há pessoas preparadas para enfrentar problemas destes e que o estão a fazer”, exemplifica.

Há ainda que lhes explicar o carácter excepcional daqueles acontecimentos. Nem tudo se controla e isso não é o fim do mundo. “Não se controla o que os outros pensam, como não se controla se chove ou se faz sol. Por vezes, acontecem coisas más, mas as coisas más não são o normal”, diz.

A maturidade dita o grau de complexidade das perguntas que cada um faz e deverá ditar o grau de complexidade das respostas. Os adolescentes podem ir à frente dos pais no acesso à informação. Vivem agarrados aos telemóveis, smartphones, tablets, portáteis. Também com eles, recomenda Ana Santos, há que respeitar o ritmo pessoal, mas já se justifica falar sobre o que significa tudo isto.

A assessora de comunicação Ana Sofia Gomes tem de tudo dentro de casa. A filha de 14 anos ficou com medo de ir a Paris a uma prova de esgrima; a de oito preferiu não ver imagens dos atentados; a de cinco anos perguntou-lhe se também os iam matar. Nestes dias, houve muitas crianças a fazer aquela pergunta. As crianças até aos 11 anos tendem a pensar que todo o mal que acontece aos outros lhes pode acontecer. Ana Sofia respondeu o que muitos adultos pelo país fora têm respondido: que não, que Portugal é um país pequeno, que está num cantinho da Europa, mas teve de encontrar explicações mais complexas para a mais velha, que já estuda história, que já percebe que Portugal está na União Europeia e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

 

 

 

 

 

 

Rua Sésamo cria primeira personagem autista

Outubro 27, 2015 às 7:25 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 21 de outubro de 2015.

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Chama-se Julia e será a primeira personagem autista da série. Inserida na iniciativa Rua Sésamo e o Autismo tem por “objetivo fazer com que todas as crianças olhem para o que têm em comum e não para as suas diferenças”.

O projeto televisivo inclui ainda uma aplicação gratuita, que disponibiliza livros de histórias, vídeos e outros recursos audiovisuais, para ajudar as famílias das crianças autistas, nas tarefas domésticas. Em declarações à revista People, Sherrie Westin, vice-presidente executiva dos impactos globais e filantropia, afirmou que “a maioria dos familiares dos jovens com este tipo de deficiências gravita em conteúdos digitais, daí ter-se criado a Julia digitalmente”.

mais informações no link:

http://autism.sesamestreet.org/

Crianças que se deitam com tablets: um péssimo hábito cada vez mais frequente

Outubro 1, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Sol  de 18 de setembro de 2015.

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Há hoje uma geração de crianças que desde muito tenra idade está habituada e (não raras vezes) viciada na utilização de tablets. Os pais, eles próprios cada vez mais dependentes de tecnologia, estimulam o uso destes dispositivos, que agora estão já a entrar na cama dos mais novos, apesar de todos os alertas, revelou um estudo da britânica Childwise que acompanhou os hábitos de 1034 pais de crianças com idades entre os seis meses e os quatro anos.

O Monitor Pre-School Report, citado pelo Daily Mail, concluiu que uma em cada 10 crianças com menos de quatro anos fica ‘colada’ ao monitor de um tablet a ver programas infantis na cama, apesar de as recomendações dos especialistas serem claras: a cama das crianças deve ser totalmente livre de qualquer dispositivo electrónico. Aliás, nas horas anteriores ao momento de deitar deve mesmo evitar-se ao máximo o uso de aparelhos electrónicos, nunca esquecendo que crianças até aos dois anos não devem de todo ver televisão nem usar tablets.

Conclui ainda o mesmo estudo que cada vez mais crianças em idade pré-escolar [3-5 anos] usam os telefones dos pais para aceder a aplicações e muitos deles têm mesmo o seu próprio tablet ou consola de videojogos.

Com o acesso a programas e jogos infantis cada vez mais facilitados na televisão e tablets, muitos pais recorrem-lhes para ajudar os filhos a adormecer. Mas a preocupação de adição a estes dispositivos é cada vez maior para os especialistas.

O estudo concluiu que nunca os bebés viram tanta televisão como agora, estando já numa média de 2.6 horas por dia, um aumento que se deveu nos últimos anos também à possibilidade de escolher na televisão os programas que se quer ver.

Aos dois anos, a maioria das crianças já está a usar tecnologia, sendo que quase todas aos quatro anos têm acesso total”, lê-se no relatório.

Um especialista em saúde infantil da britânica Royal Society of Medicine, Aric Sigman, apelou aos pais que “parem de estar constantemente a verificar os e-mails nos telemóveis em frente das crianças para tentar travar esta obsessão com tecnologia.”

 notícia do Daily Mail:

Toddlers who are put to bed with an iPad: One in ten under fours are watching programmes despite parents being warned of health hazards of night-time viewing

 

http://www.childwise.co.uk/reports.html

 

 

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