Tradições que prejudicam animais e crianças

Agosto 18, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no Público de 29 de julho de 2019.

Sentir prazer em torturar e magoar um ser, humano ou não humano, não é nem pode ser uma tradição. Representa a humanidade naquilo que ela tem de mais horrível, vil e abjecto.

Muitas crianças assistem a touradas, através da televisão ou ao vivo. Assistem com os pais e os avós, aficionados de gema que procuram proporcionar aos seus filhos e netos uma experiência cultural verdadeiramente única. Em seu entender, trata-se de uma tradição que importa manter viva, um banho de arte quase equiparado a um passeio no Louvre. Em simultâneo, alegam que a exposição à violência não tem impacto negativo em quem assiste, nomeadamente, nas crianças.

O principal argumento surge associado à ideia de que as touradas são uma tradição com raízes históricas. Tradição? Tradição?? Mas desde quando é que as tradições têm de ser mantidas apenas porque sim? Porque, se é esse o caso, então vamos manter os combates de gladiadores, os sacrifícios humanos e de animais (bem, as touradas não diferem muito destes), a caça às bruxas, os torneios medievais, os bacanais gregos, a mutilação genital feminina e masculina, o enforcamento, o apedrejamento, as crianças-soldado, o canibalismo, and so on. Sentir prazer em torturar e magoar um ser, humano ou não humano, não é nem pode ser uma tradição. Representa a humanidade naquilo que ela tem de mais horrível, vil e abjecto.

E o que dizer sobre o impacto que esta exposição à violência tem no desenvolvimento emocional e social das crianças?

Desde muito cedo, as crianças aprendem a distinguir e expressar as emoções mais básicas, como a alegria, tristeza, medo, surpresa, nojo e raiva. Ao mesmo tempo, desenvolvem a capacidade empática, associada ao comportamento altruísta. Quer isto dizer que observar o sofrimento alheio tende a activar emoções negativas e também um comportamento de ajuda.

Ora, ao assistirem a uma tourada as crianças são expostas a uma situação que envolve infligir sofrimento atroz num animal, associado a emoções positivas por parte de quem agride e observa. Alegria, júbilo, bater palmas e dar gritos de entusiasmo e incentivo. Apogeu total quando se cortam as orelhas ou o rabo do animal. Ou seja, dito de uma forma mais clara, o sofrimento do animal é associado a emoções positivas nas pessoas. Pessoas que, ao mesmo tempo, emitem mensagens incongruentes e paradoxais (e hipócritas), como limpar as lágrimas do animal antes de o trespassar.

Assim, se podíamos pensar que observar sofrimento no outro podia, de alguma forma, activar nas crianças comportamentos de ajuda e altruísmo, verificamos que acaba por acontecer exactamente o contrário. A violência torna-se normal, banal, legítima e aceitável. Observar o sofrimento alheio é algo bom. Ser cruel tem recompensas. Ser violento é positivo.

É isto que queremos ensinar às nossas crianças?

Não deixamos as crianças ir ao cinema ver filmes para maiores de 12 anos. Criticamos e censuramos alguns programas de televisão e videojogos porque são violentos. E colocamos filtros parentais nos telemóveis e computadores, preocupados com a eventual exposição das crianças a conteúdos desadequados. O que faz todo o sentido, na medida em que numerosos estudos corroboram a existência de uma relação entre a observação de violência (virtual ou ao vivo) com o desenvolvimento de crenças e atitudes que legitimam e aceitam o recurso à violência, aumentando a probabilidade de exibição de comportamentos agressivos. Esta relação observa-se, em particular, nas crianças.

E deixamos as crianças ir às touradas?

Perante tudo isto, questiono: queremos tradições que prejudicam animais e crianças?

Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicoterapia e Psicologia da Justiça; docente e investigadora no ISCTE-IUL

Bullying e cyberbullying, há mais raparigas vítimas e mais rapazes agressores

Maio 10, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Teenage Girl Being Bullied By Text Message – Snews

Notícia e imagem do Educare de 29 de abril de 2019.

Estudo sobre problemas comportamentais dos jovens revela que a maioria não está ligada a estas formas de agressão. Dos envolvidos, 13% dos rapazes assumiram-se como agressores ou vítimas provocadoras no bullying e 7,9% admitiram o mesmo papel em relação ao cyberbullying. Recomendam-se programas dedicados à resiliência.

O estudo “Bullying, Cyberbullying e Problemas de Comportamento: O Género e a Idade Importam”, realizado no âmbito do Health Behaviour in School Age Children (HBSC) de 2018, analisou o envolvimento dos jovens nestas formas de comportamento e violência, bem como a frieza emocional, em função do género e da idade. Um dos resultados da pesquisa mostram que 75,6% dos rapazes e 78,6% das raparigas não estiveram envolvidos em bullying e 88,5% dos rapazes e 90,2% das raparigas não reportaram situações de cyberbullying. Ou seja, a maioria não esteve envolvida em situações deste género.

Dos que admitiram o seu envolvimento, os dados revelam que 14,8% das raparigas foram vítimas no bullying e 6,9% no cyberbullying. No caso dos rapazes, 11,2% foram vítimas de bullying e 3,7% de cyberbullying. Treze por cento dos rapazes assumiram-se como agressores ou vítimas provocadoras no bullying e 7,9% disseram o mesmo em relação ao cyberbullying. Nas raparigas, relativamente à condição de agressor ou vítima provocadora, as percentagens baixam para 6,6% no bullying e 2,9% no cyberbullying.

Este estudo demonstrou que o género tem influência no envolvimento neste tipo de situações. Há mais raparigas que contam o seu envolvimento em situações de bullying como vítimas e um número mais elevado de rapazes que admitem estar envolvidos nesses casos como agressores e como vítimas provocadoras. Nas diferenças de género, e em relação ao total de problemas de comportamento e à frieza emocional, os resultados indicam que este tipo de dificuldades é maior nos rapazes.

Segundo a investigação, o envolvimento nestas situações aumentou do 6.º para o 8.º ano de escolaridade, diminuindo significativamente a partir daí. A idade tem também peso no total de problemas de comportamento e na frieza emocional, que vão diminuindo com o tempo. O estudo recomenda “o desenvolvimento de políticas públicas, na área da educação e saúde, em contexto escolar e comunitário, de tolerância zero à violência”.

“Apesar do envolvimento em situações de cyberbullying ser menos frequente por comparação com o envolvimento em situações de bullying, os resultados obtidos apresentaram um padrão semelhante”, adianta o estudo já divulgado no âmbito do 10.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, que decorreu em Lisboa, e que analisou uma amostra composta por 8 215 estudantes, 52,7% raparigas, com uma média de idades de 14,36 anos, que frequentavam os 6.º, 8.º, 10.º e 12.º anos de escolaridade.

O estudo chama a atenção para o desenvolvimento de competências de pais e professores na identificação de sinais de envolvimento em situações de violência, no suporte a dar às vítimas e provocadores, e na desmistificação da aura de poder e superioridade associada à provocação. O comportamento provocativo deve ser encarado, acima de tudo, como uma perturbação antissocial que necessita de apoio psicológico. “Resiliência na Adolescência”, outro estudo também integrado no HBSC, conclui que “as meninas apresentam valores significativamente mais elevados na empatia, resolução de problemas e objetivos e aspirações, enquanto que os rapazes apresentam valores mais elevados na autoeficácia”.

Os adolescentes mais velhos apresentam valores mais elevados de empatia, objetivos e aspirações. “Os adolescentes portugueses apresentam, de um modo geral, bons níveis de recursos internos associados à resiliência. É, no entanto, importante desenvolver programas promotores de resiliência tendo em atenção que os recursos associados à resiliência se adquirem e agregam ao longo da vida e que grupos mais vulneráveis e expostos a mais adversidades terão mais dificuldade em acionar este mesmo processo”, lê-se no estudo.

Aceder ao estudo mencionado na notícia:

Bullying, ciberbullying e problemas de comportamento: o género e a idade importam?

 

Adolescência : Risco social e saúde mental – 2º Encontro do NHACJR do Hospital Fernando da Fonseca – 24 de maio

Maio 9, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Para mais informações contactar: ufe@hff.min-saude.pt

 

Receber visitas de um pai agressor? A decisão deve ser da criança

Maio 6, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 7 de março de 2019.

As crianças e os jovens deveriam ser ouvidos no âmbito dos processos de regulação parental em contexto de violência doméstica porque melhor do que ninguém conhecem as dinâmicas do relacionamento abusivo entre os progenitores, defendeu a APAV.

O psicólogo e responsável pela área da violência de género e doméstica da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), Daniel Cotrim, aponta que “é importante ouvir os jovens e as crianças” nos processos de regulação das responsabilidades parentais quando existe uma situação de violência doméstica “porque eles têm muitas coisas importantes para dizer”.

“Isto não acontece, não são ouvidas as crianças e os jovens neste tipo de processos”, criticou Daniel Cotrim.

De acordo com o responsável, só recentemente começou a haver alguma sensibilidade e sensibilização por parte dos magistrados para perceberem o que é que as crianças querem.

“Elas são especialistas em questões de risco e segurança porque eles conhecem muito bem quais são as dinâmicas daquele relacionamento abusivo entre o pai e a mãe”, defendeu, acrescentando que conhecem “os gatilhos” e os momentos em que o risco aumenta.

Denunciou que, na maior parte das situações acompanhadas pela APAV, há um “desfasamento” entre os Tribunais de Família e Menores, onde correm os processos de regulação das responsabilidades parentais, e os Tribunais Criminais, que decidem sobre processos-crime, como os de violência doméstica.

Este “desfasamento” faz com que o Tribunal Criminal decrete uma medida de afastamento e de proteção da vítima de violência doméstica e dos filhos, ao mesmo tempo que o Tribunal de Família e Menores decreta um período de visitas do progenitor agressor aos filhos.

Revelou que nesses casos são muitas vezes os próprios filhos quem não quer esse contacto, seja pelo medo que o agressor descubra onde é que eles estão agora a viver, seja por recearem que a situação de violência volte a repetir-se.

“Ouvimos muitas vezes dos jovens que têm medo destas visitas porque não se sentem como os importantes da visita, mas sim que servem para ser mensageiros de um pedido de reconciliação por parte do agressor, pedindo para suspender o processo ou voltar para casa”, disse Daniel Cotrim.

Acrescentou que o “grau de risco é complicado” e que muitas vezes, sobretudo nas primeiras visitas do progenitor agressor aos filhos, “o foco não está no contacto afetivo”.

“Existirão alguns que sim, mas, na maioria, o primeiro contacto é para perceber onde está a mãe, para perceber onde está a outra pessoa”, apontou.

Como consequência, depois destas visitas, os “jovens dizem que sentiram que não ganharam nada com aquilo, pelo contrário”.

“Sentem que a sua vontade não foi ouvida e não foi tida em conta”, acrescentou.

Criticou, por isso, que quando se fala do superior interesse da criança, muitas vezes esteja em causa “o superior interesse dos adultos, dos pais ou das mães e no que querem atingir através dos filhos”.

Na opinião de Daniel Cotrim, “nunca é uma coisa boa para os jovens” as visitas do progenitor agressor, sublinhando que, em muitos casos, são os filhos que pressionam para uma fuga do ambiente de violência e da relação abusiva.

“É importante ouvir o que as crianças e os jovens têm a dizer neste tipo de situações” e que é “fundamental” que os Tribunais de Família e Menores e os Tribunais Criminais comuniquem. “A violência doméstica é um crime, mas é um crime que ocorre no seio da família. Não faz sentido cada um deles [tribunais] funcionar como se fossem duas quintas separadas”, concluiu.

Claves para manejar las conductas disruptivas en el aula

Agosto 2, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educaciontrespuntocero.com/ de 19 de dezembro de 2016.

En la actualidad uno de los principales problemas dentro de nuestras aulas son los problemas de conducta en niños y adolescentes. Cuando hablamos de conductas disruptivas nos referimos a las conductas inapropiadas que perjudican el buen funcionamiento del aula, referidas a las tareas, relaciones con los compañeros, al cumplimiento de las normas de clase o a la falta de respeto al profesor.

Niños que no dejan hablar, ofenden a los demás, tienen comportamientos agresivos o desmesurados, pierden el control con facilidad, muestran y verbalizan una actitud negativa frente al trabajo, negando cooperación y llamando la atención…

Estas conductas son un desajuste en el desarrollo evolutivo del niño ya que impiden crear y mantener relaciones sociales saludables con sus iguales y con los adultos. Debemos tener presente que detrás de una conducta inapropiada suele haber factores psicológicos que la desencadenan: sentimientos de abandono, frustración, baja autoestima, falta de establecimiento de normas en el núcleo familiar… Estas respuestas son tácticas adquiridas o aprendidas para provocar al adulto y llamar la atención.

El comportamiento disruptivo es común en la infancia, pero en algunos casos, debido a su frecuencia y persistencia en el tiempo se convierte en un problema. Generalmente, estas conductas se producen tanto en el hogar, como en la escuela.

Para poder establecer unas pautas de actuación ante las conductas sería bueno que el profesorado realice un registro de las conductas. Este nos dará muchas pistas sobre cómo podemos ayudar en el problema.

No existen formulas “mágicas” y en muchas ocasiones lo que vale y funciona muy bien para unos, no genera tanta repercusión en otros. Sin embargo, como profesionales de la educación sí podemos seguir una serie de pautas que ayudarán a relajar el ambiente y reducir los episodios de estas conductas:

  • Autocontrol de adulto: Entender que las conductas intentan provocar enfado en los demás, por tanto, no dejarnos manipular, no entres en discusiones, mantén la calma y no levantes el tono de voz. Trata de hablar suave, no demasiado cerca y nunca reteniendo o agarrando. Si no subes el tono de voz, fomentará que el alumno no haga. Podemos ser contundentes sin sonar de forma agresiva. Es recomendable que el niño perciba seguridad en el adulto que le impone las medidas correctoras con un tono firme pero no amenazante.
  • Aplicar un manual de convivencia entre todos los alumnos, que quede visible a la vista de todos (carteles, murales…), donde queden bien establecidas unas normas claras y explícitas de conducta. Es necesario que los alumnos intervengan en este proceso, ya que de este modo lo verán como objetivos a alcanzar y no cómo normas impuestas. Dejar claro las consecuencias antes de aplicarlas
  • Fomentar la reflexión grupal, plantear soluciones a distintas dinámicas del aula, es un modo de enseñar a los alumnos a que solucionen sus problemas.
  • Evitar que capte y se lleve toda nuestra atención ya que sino estas conductas aumentarán. Recordar al inicio o final de la clase que esa conducta es indeseable. Si obstaculiza mucho el desarrollo de la clase se puede usar la técnica del “Time Out” (tiempo fuera)
  • Cuando ocurra o se desencadene una conducta agresiva, hay que responder, pero no reaccionar de forma desproporcionada. Es bueno aislarlo para que no tenga público. Cuando se haya calmado, hablar con el alumno/a se debe mantener contacto visual, evitar entrar en su juego o en argumentaciones, el profesor es la figura de autoridad, eso no es discutible, no debes tratar de quedar por encima, ni humillar, ni entrar en discusiones. Dejar claro que buscamos, cuales son las normas y las consecuencias de incumplirlas.
  • Evitar situaciones que puedan generar o provocar la disrupción sin pretenderlo. Esto será más fácil de hacer si tenemos un registro previo como el que se plantea arriba.
  • Ejercer de modelo: Reconocer cómo nosotros también cometemos errores. Pedir disculpas si es necesario. Ellos aprenderán el modelo que les ofrecemos.
  • No prestar atención a faltas leves.
  • Podemos reducir las conductas disruptivas verbalizando expectativas positivas. Marcar lo que esperamos de ellos ayuda mucho. Usar además el refuerzo positivo
  • Con los más pequeños la economía de fichas resulta una técnica muy eficaz.
  • Crea clases dinámicas, donde haya muchos cambios de actividad, donde las tareas y actividades estén graduadas al nivel de dificultad. Ten un acercamiento al alumno conflictivo y utiliza el humor. Esto generará un ambiente más distendido dentro del aula.

Recordar que lo más importante es nuestro autocontrol, perder los nervios puede agravar el episodio. Estas situaciones son muy complicadas de gestionar, por ello, la mejor fórmula y solución es la práctica diaria, sumada a la reflexión profunda sobre nuestra acción. Cuando nos enfrentemos a una de estas situaciones, debemos intentar aprender de ellas, analizándolas, pensando en lo que funcionó y analizando lo que no lo hizo.

Si a pesar de aunar pautas y formas de actuación, las conductas disruptivas siguen siendo intensas y perduran en el tiempo, es recomendable acudir a un experto que pueda pautarnos y trabajar directamente con el alumno. Estas terapias se centran en entrenar a los padres, profesores y alumno en habilidades de control del comportamiento mediante estrategias de modificación de conducta.

Cristina Martínez Carrero es psicopedagoga y maestra de Audición y Lenguaje

 

Nem menos sensíveis, nem mais agressivas. Os videojogos não têm os efeitos que se pensava nas crianças

Junho 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 21 de maio de 2017.

ERIC PIERMONT/ Getty Images

Um estudo alemão analisou os efeitos a longo prazo dos videojogos e concluiu que as crianças não se tornam mais agressivas ou menos empáticas mesmo que joguem todos os dias e que os jogos sejam violentos

Há uma preocupação generalizada sobre o impacto dos videojogos nas crianças. Numa altura em que a popularidade e a qualidade destes jogos continua a aumentar, um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina de Hannover, na Alemanha, realizou um estudo que promete deixar alguns pais mais descansados.

A investigação, liderada por Gregor Szycik, analisou os efeitos a longo prazo dos videojogos e não encontrou nenhuma ligação com alterações nas respostas neurais nas crianças.

O estudo observou 30 participantes (todos do sexo masculino) que nos últimos quatro anos jogaram videojogos de tiro, como Call of Duty e Counterstrike, durante duas horas ou mais, todos os dias. Os participantes foram comparados a outras crianças que não jogavam.

Enquanto eram examinados através de uma ressonância magnética – que media a ativação de zonas específicas do cérebro -, os participantes observaram imagens projetadas com o objetivo de provocar respostas emocionais e empáticas. No final, preencheram um questionário e os resultados revelaram pouca ou nenhuma variação nos níveis de agressividade e empatia entre jogadores e não jogadores.

Apesar do pequeno número de participantes, Gerry Moore, professor de psicoterapia e saúde mental na Universidade da Cidade de Dublin, ouvido pelo The Irish Times, salienta uma particularidade deste estudo: foi pedido às crianças que não jogassem durante um tempo anterior aos testes – a maioria não tinha jogado nas últimas 24, o que significa que não foi tido em conta o impacto imediato de jogar jogos violentos. Outros estudos que encontraram relação entre a violência dos jogos e a violência do comportamento usaram os dados obtidos imediatamente após o jogo. “Ao providenciar este intervalo no tempo, este estudo mostrou que que as crianças poderiam mostrar mais empatia se lhe fosse permitido parar e talvez contar até 10 e dispersar a situação”, considera.

O especialista diz ainda que o nível de empatia das crianças não pode ser determinado exclusivamente pelo tempo que passam a jogar videojogos, por mais violentos que sejam. “As pessoas aprendem a ser empáticas muito cedo. Muitos estudos indicam que a empatia começa a desenvolver-se tão cedo como os estágios pré-verbais da infância – muito antes das crianças começarem a jogar videojogos”, defende.

 

 

 


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