Peritos americanos avisam Portugal para consumo juvenil de álcool e droga

Novembro 4, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 21 de outubro de 2017.

Vera Lúcia Arreigoso

Estudo indica que os jovens portugueses têm hábitos que aumentam o risco de morte prematura

Portugal juntou-se pela primeira vez ao instituto norte-americano para as Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, para saber ao pormenor o que impede a população nacional de ter uma vida saudável. E o primeiro alerta vai para o consumo de álcool e droga entre os jovens — é esse o fator inicial a eliminar para que os portugueses evitem uma morte prematura antes da esperança média de vida com saúde, 72 anos para as mulheres e 68 para os homens. O resultado revela que, na generalidade, está nas mãos de cada um escolher uma vida mais curta ou longa, sendo que os hábitos são determinantes e começam a fazer efeito logo na juventude.

No relatório, a publicar pelo IHME mais perto do fim do ano, os peritos americanos referem à Direção-Geral da Saúde (DGS) que o consumo daquelas duas substâncias aumenta o risco de acidentes no imediato e a longo prazo leva ao aparecimento de doenças cardiovasculares, cancro, cirrose ou outras patologias do fígado, por exemplo. Apesar de a influência negativa do álcool e da droga ter vindo a diminuir, em 2016 ainda eram perdidos 2516 dias de vida por mil habitantes devido ao seu consumo.

“Fala-se muito no envelhecimento mas é preciso também não descurar as doenças dos mais jovens e a chamada de atenção para o álcool e drogas vai nesse sentido”, diz Astrid Vicente, coordenadora do Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis do Instituto Ricardo Jorge.

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, também concorda com a conclusão dos peritos americanos. “Está na nossa capacidade de decisão mudar porque são fatores sobre os quais temos poder individual. Podemos reduzir a carga global de doença apenas fazendo escolhas adequadas à nossa saúde.”

Na lista de ‘gatilhos’ do IHME, a evitar para que a população não morra antes do que é expectável, surgem logo de seguida a má alimentação, a hipertensão associada ao consumo de sal, o tabaco e o excesso de peso. A análise, entre 1990 e 2016, mostra que o país já conseguiu melhorar o estado da sua saúde, mas tem de fazer mais. “Portugal tinha uma das esperanças de vida mais baixas, mas vinte e seis anos depois é comparável à média do conjunto de países mais desenvolvidos”, sublinha a DGS.

A morte prematura diminuiu 25%, beneficiando de reduções nos anos de vida perdidos devido às doenças que mais matam no país — cerebrovasculares (menos 56%) e isquémicas do coração (decréscimo de 38%) — ou à sinistralidade rodoviária (diminuição de 76%), por exemplo. No entanto, mais portugueses viram a vida terminada precocemente por cancros do pulmão (34,5% no total de anos de vida perdidos), do cólon e reto (31%) e pela doença de Alzheimer (81,8%), neste caso um aumento atribuído à melhoria do diagnóstico e não do número de doentes.

Dor de costas é a maleita mais incapacitante

Além das causas que impedem a população de viver o tempo expectável, o documento analisa as maleitas que incapacitam. Ou seja, ‘o que não mata, mas mói’. E neste caso, as doenças crónicas foram responsáveis por 88,5% do total de anos de vida saudável perdidos.

Tal como em 1990, as dores de costas e de pescoço mantêm-se a maior causa de incapacidade e ganharam mais peso, seguidas pelas doenças do foro mental e comportamental. É ainda referida a diabetes, cuja relevância no conjunto de maleitas que impedem uma vida saudável aumentou 46%, de 2,7% para 3,6%.

“A soma dos anos de vida perdidos prematuramente e do número de portugueses que ficam com incapacidades dá-nos a carga global da doença. Sabemos que quase 90% dos anos saudáveis que os portugueses não viveram foi devido a doenças crónicas — 17% por cerebrocardiovasculares e 18% por cancro, por exemplo, embora existam recuos a cada ano —, portanto há um denominador comum: os estilos de vida, sobretudo a alimentação rica em sal e açúcar, o tabaco e a falta de exercício”, sublinha o diretor-geral da Saúde cessante, Francisco George. A confirmação deste dado só tem uma leitura: “Se mudarmos estes comportamentos, vamos conseguir que mais cinco mil portugueses vivam, pelo menos, até aos 70 anos.”

Nas últimas duas décadas, a sensibilização da população já deu provas. No documento consta uma redução evidente da carga de doença — morte prematura e incapacidade — nas doenças cerebrovasculares (menos 51,35%) e cardíacas (menos 36,3%) e até no cancro do estômago, muito associado à alimentação, mas que, mesmo assim, tem uma mortalidade prematura acima dos outros países desenvolvidos.

Encarregada da Divisão de Estatísticas da Saúde e Monitorização da DGS, Carla Farinha garante que o relatório, o primeiro do IHME sobre Portugal (o 11º país com protocolo), “vai permitir delinear políticas de saúde pública”. Para já, o foco é nacional, mas a responsável revela que o objetivo é avançar depois para análises regionais e locais, permitindo que cada área atue sobre os riscos concretos da sua população.

Os peritos americanos fazem ainda uma comparação com outros países e Portugal soma pontos na doença isquémica do coração e no cancro do pulmão, com um risco de morte prematura inferior ao de quase todos os seus pares. Ao invés, a nota negativa é dada às doenças cerebrovasculares, às infeções respiratórias inferiores (pneumonias) e às neoplasias do cólon e reto.

 mais informações na notícia da DGS:

Carga Global da Doença em Portugal: um novo olhar sobre a saúde dos portugueses

 

 

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Mais de 95 mil crianças e jovens não estarão vacinados contra o sarampo

Abril 18, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt de 17 de abril de 2017.

Profissionais de saúde também estão em grupo vulnerável de uma doença que pode matar Rui Gaudêncio

Pais que se esqueceram de vacinar filhos, pessoas em situação económica vulnerável ou imigrantes em situação irregular preocupam especialistas. Há 21 casos confirmados.

Joana Gorjão Henriques

Pais que perderam a percepção do risco e se esqueceram de vacinar os filhos. Pais que têm difícil acesso à saúde por razões económicas ou estão em situação irregular em Portugal. Estrangeiros e portugueses que são contra as vacinas. Embora não se saiba o número exacto, cerca de 5% das crianças e jovens até aos 18 anos não estão vacinados contra o sarampo, estima a Direcção-Geral de Saúde (DGS).

Tendo em conta que, de acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), residiam em Portugal, em 2015, cerca de 1 milhão e 900 mil crianças e jovens até aos 18 anos, cerca de 95.600 indivíduos nessa faixa etária (os tais 5%) não estarão vacinados.

Ana Jorge: poderá ser necessário antecipar vacinação de bebés

Este é o perfil de quem compõe as “bolsas de não-vacinados” que estão a preocupar os especialistas, numa altura em que os casos de sarampo confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge já chegam aos 21, informou a DGS em comunicado esta segunda-feira à noite, e um ano depois de a doença ter sido declarada eliminada em Portugal. Vários outros doentes estão em investigação.

Ao final do dia desta segunda-feira, o director-geral da Saúde, Francisco George, questionou os “direitos e deveres” dos pais que não fazem vacinação dos filhos pois “essa decisão não põe em risco apenas as próprias crianças”, tem “um reflexo na comunidade”. Também disse que estava a ser estudada a hipótese de baixar a idade da primeira vacina para antes dos 12 meses.

Actualmente, a vacina do sarampo é administrada em duas doses: uma aos 12 meses e uma segunda aos cinco anos. O grupo mais vulnerável é o das crianças entre os 6 e os 12 meses, “pois já não têm os anticorpos maternos e ainda não fizeram a primeira dose”, afirmou ao PÚBLICO Maria do Ceú Machado, que foi Alta Comissária da Saúde e directora do departamento de Pediatria do Hospital Amadora-Sintra e foi nomeada no mês passado para a presidência do Infarmed.

95% vacinados

Teresa Fernandes, da equipa de coordenação do Programa Nacional de Vacinação (PNV) da DGS, referiu ao PÚBLICO que a percentagem de 95% de pessoas vacinadas corresponde a uma média nacional, mas sublinhou que há pequenas comunidades, a nível local, com taxas mais altas de não-vacinados onde o risco aumenta.

Estas comunidades estão em bairros ou são famílias, são “pequenas populações”, afirmou. A DGS sabe onde estão as crianças que não cumpriram o PNV, mas ao PÚBLICO a especialista preferiu não especificar a sua dispersão geográfica para não lançar o pânico. “A nível local e regional estão a ser desenvolvidas acções” de sensibilização para conseguir a sua vacinação, acrescentou.

As “bolsas de não-vacinação” preocupam os especialistas, já que, como explicou Ricardo Mexia, da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, a existência de um grupo que não esteja vacinado aumenta a probabilidade de contágio e de propagação da doença.

Em 2001, a taxa de vacinação era de 98% e em 2007 tinha baixado para 95%, lembra Ricardo Mexia. A vacina do sarampo tem “imunidade de grupo”, ou seja, têm de estar mais de 95% das crianças vacinadas para a população estar protegida, explica, por seu lado, Maria do Céu Machado, actualmente directora do departamento de Pediatria do Hospital Santa Maria.

Teresa Fernandes revelou ainda que as taxas mais baixas da cobertura da vacina foram detectadas sobretudo em crianças que tinham sete anos em 2016 e que não receberam a segunda dose.

Para esta especialista, apesar de, a nível europeu e mundial, existirem pais que não vacinam os filhos por serem contra, em Portugal esse fenómeno ainda não gera preocupação. Também Luís Varandas, da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, não o considera problemático. “Podemos especular sobre as razões do reaparecimento [do sarampo] mas uma delas prende-se com a própria doença que é altamente contagiosa e não precisamos de muitos casos para se propagar”, comenta. “O outro aspecto são as bolsas de não-vacinação em termos europeus, porque há muito sarampo na Europa. E outro é a mobilidade: alguém que está em período de incubação e se desloque, facilmente transmite a doença. Se todos os anos temos 1% da população que não está vacinada, ao fim de cinco anos temos uma pool de pessoas não imune relativamente alto.”

Clusters de estrangeiros”

Já Maria do Ceú Machado diz que há “clusters de estrangeiros (sobretudo belgas e alemães) e alguns portugueses que se dizem esclarecidos”, nomeadamente um grupo nos arredores de Lisboa, que opta pela não-vacinação.

Segundo o Centro Europeu de Controlo de Doenças, o sarampo cresceu na Europa e quase todos as situações terão ligação ao surto que começou na Roménia em Fevereiro de 2016, país que lidera o número de surtos com mais de quatro mil casos, diz a Lusa. A agência refere que nos primeiros quatro meses do ano houve mais casos de sarampo em Portugal do que na última década.

As razões do reaparecimento do sarampo em Portugal ainda estão a ser analisadas. Francisco George lembrou que é necessária uma pesquisa grande já que o período em que pode haver contágio antes de aparecerem as erupções na pele é de até quatro dias e a incubação pode chegar às três semanas.

Só a partir de 1990 é que a vacina do sarampo foi generalizada em Portugal – por isso quem nasceu entre 1974 e 1990, em princípio, só recebeu uma dose. Até 1974, quando foi introduzida a vacina do sarampo no PNV, a maioria dos adultos contraía sarampo, pelo que nessa faixa etária há mais pessoas imunes. Neste momento, as recomendações são uma dose para os adultos. Em caso de dúvida sobre se se está ou não vacinado, deve-se vacinar, aconselha Teresa Fernandes.

Grupos vulneráveis

Além das pessoas que não estão vacinadas e das crianças até aos 12 meses, os profissionais de saúde e pessoas que não tiveram segunda dose estão entre os grupos vulneráveis, afirma Luís Varandas. “E quanto maior o tempo de contacto, maior a probabilidade de contrair a doença.”

A equipa do PNV está a chamar as crianças que não estão vacinadas. A vacinação não é 100% eficaz, mas a probabilidade de alguém vacinado apanhar sarampo baixa significativamente – além de se tornarem menos graves os sintomas, como febre, erupções cutâneas, tosse ou conjuntivite. O sarampo é uma das principais causas de morte de crianças no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As encefalites, pneumonia e otites que degeneram em surdez são algumas das consequências mais perigosas.

A Teresa Fernandes, da DGS, rejeita a ideia de epidemia. Como a doença foi declarada eliminada pela OMS, “há um número de casos acima do esperado”. Também Luís Varandas não acredita num surto, mas diz que ” vai haver mais casos”.

Notícia corrigida: é encefalites e não encefalias

 

 

 

Roda dos Alimentos Mediterrânica Interativa

Fevereiro 28, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos, Vídeos | Deixe um comentário
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Roda da Alimentação Mediterrânica

http://nutrimento.pt/cartazes/a-roda-da-alimentacao-mediterranica/

A nova Roda dos Alimentos Mediterrânica interativa pode ser utilizada pelos profissionais da saúde e educação e disponibilizada em unidades de saúde, assim como no contexto de sala de aula como uma ferramenta para auxiliar os professores na abordagem ao tema.

Neste sentido e de forma a facilitar o seu acesso e utilização, considerando a dificuldade no acesso à internet por muitas instituições, disponibilizamos a roda em vários formatos de uso:

http://nutrimento.pt/noticias/roda-dos-alimentos-mediterranica-em-video-para-todos/

Pode um jogo online engordar uma criança? Autoridades de saúde dizem que sim

Fevereiro 24, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 14 de fevereiro de 2017.

lisa-soares

Nuno Guedes

Direção-Geral da Saúde alerta: pais devem ter cuidado com a publicidade na Internet a alimentos nocivos e dirigida, especialmente, a crianças e adolescentes.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde (DGS) dá um exemplo que ele próprio já encontrou na Internet: um jogo, patrocinado, com chocolates.

À partida, parece uma brincadeira inofensiva, mas Pedro Graça diz que estamos perante uma das típicas publicidades “insidiosas” comum na Internet e nas redes sociais.

São casos como este e muitas outras formas de publicidade a alimentos nocivos para a saúde, para crianças e adolescentes, que levam a DGS a estar preocupada com a publicidade na Internet e a fazer um alerta aos pais, mas também ao Estado que deve regular.

Em declarações à TSF, Pedro Graça diz que um estudo recente feito no Canadá concluiu que 90% da publicidade a alimentos na Internet envolvia produtos de “má qualidade nutricional”, algo que em Portugal, até com a internacionalização de muitas marcas, “não será muito diferente”.

O responsável da DGS recorda que a publicidade nos meios tradicionais (rádios, TV, imprensa) foge cada vez mais para a Internet, um sítio onde, segundo afirma, os anúncios estão “fora de controlo” e onde as crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo.

Pedro Graça sublinha que “estimamos que uma criança está em média uma ou duas horas por dia em frente à televisão, mas se lhe juntarmos a Internet esse tempo em frente aos ecrãs duplica e mesmo triplica ou quadruplica, o que aumenta a nossa preocupação”.

Um crescimento do sedentarismo que, segundo o especialista, é acompanhado muitas vezes pela publicidade a produtos altamente calóricos e maus do ponto de vista nutricional.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável cita ainda um estudo da Fundação para a Ciência e Tecnologia que diz que 55% das crianças portuguesas acedem à Internet diariamente por conta própria, a partir do seu quarto, enquanto que os pais portugueses são aqueles que na Europa menos “controlam os conteúdos de uma forma interativa com os filhos” (68 %).

Em declarações TSF, o deputado do PS, Pedro Delgado Alves, explica que as mudanças ao Código da Publicidade que estão a ser discutidas no Parlamento também vão atingir a Internet, mas admite que é muito difícil, quase impossível, regular tudo o que chega às crianças e adolescentes.

ouvir a reportagem no link:

http://www.tsf.pt/sociedade/interior/pode-um-jogo-online-engordar-uma-crianca-autoridades-de-saude-dizem-que-sim-5665827.html

Carta da Criança Hospitalizada e Zebedeu – Um Príncipe no Hospital em destaque no site da DGS

Fevereiro 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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carta

Texto do site da https://www.dgs.pt/

A Carta da Criança Hospitalizada foi preparada por várias associações europeias em 1988, e o Sector da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança (IAC) publica, desde 1996, a sua versão em português.

A Carta da Criança Hospitalizada, nos seus dez princípios, define de forma clara um conjunto de direitos da Criança que, uma vez garantidos, asseguram a excelência do acolhimento e estadia da criança no hospital.

Em 2012, procurando cumprir um dos direitos consignados na própria Carta da Criança Hospitalizada – direito a receber uma informação adaptada à sua idade e compreensão -o IAC lançou o livro “Zebedeu – Um Príncipe no Hospital”, que aborda os direitos da criança no hospital, numa linguagem adaptada à compreensão do público infantil.

Para aceder a estes conteúdos, visite o website do IAC.

zebedeu

Olhar pela saúde nas escolas

Janeiro 18, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/de 6 de janeiro de 2017.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Técnico de Avaliação do Programa Nacional de Saúde Escolar do Ano Letivo 2014/2015

educare

Programa de Saúde Escolar revela hábitos de alunos e investe em ações que abordam assuntos como a alimentação, os afetos, a sexualidade, a saúde mental. O relatório do ano letivo 2014/2015 foi divulgado pela Direção-Geral da Saúde e mostra o trabalho feito nas cinco regiões do país.

Sara R. Oliveira

Não havia muitos alunos que escovavam os dentes na escola no ano letivo 2014/2015 e nem todos tinham o boletim de vacinas atualizado. Nesse ano, foram sinalizados 2060 casos de maus tratos e registados 50 590 acidentes escolares. Oitenta por cento das escolas cumpriam a restrição de fumar e 15% tinham coberturas de fibrocimento. O Norte e o Algarve investiram na educação para os afetos e a sexualidade. O Alentejo dedicou-se sobretudo à educação alimentar e Lisboa e Vale do Tejo à prevenção do consumo de tabaco. Estes são alguns dos resultados do relatório técnico do Programa de Saúde Escolar do ano letivo 2014/2015, elaborado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Ao todo, 73% dos alunos matriculados nesse ano letivo foram alvo desse programa, ou seja, 886 490 dos 1 219 652. Uma maior percentagem, 80%, no 1.º ciclo do Ensino Básico e, com menor incidência, 54%, no Secundário. O programa teve mais expressão nos primeiros níveis de ensino. E existem diferenças regionais que, não sendo significativas, revelam prioridades nesta intervenção escolar. O Norte e o Alentejo privilegiaram as escolas do 1.º ciclo. O Centro e o Algarve o 2.º ciclo. Lisboa e Vale do Tejo abrangeu de forma equilibrada todos os níveis de ensino. E o Algarve foi a região que, proporcionalmente, mais trabalhou com os alunos do Secundário.

A análise feita revela que 31% dos alunos abrangidos pelo programa escovavam os dentes na escola, 66% estavam vacinados, 85% cumpriam a vigilância em saúde e 58% tinham um plano de saúde individual. O Norte foi a região que mais contribuiu para a melhoria da vigilância da saúde dos mais novos, o Algarve sobressaiu na melhoria da vacinação. O apoio a crianças e jovens com necessidades de saúde especiais (com doenças crónicas complexas, doenças neuromusculares, diabetes, asma e doenças alérgicas, entre outras) foi mais significativo no Norte e no Algarve. Seja como for, o programa ajudou a melhorar os indicadores de saúde das crianças e jovens, bem como o cumprimento da vacinação e vigilância da saúde.

Segundo o relatório da DGS, a saúde escolar sinalizou 2060 crianças e jovens vítimas ou suspeitas de maus tratos: 631 no 1.º ciclo, 532 no 3.º ciclo, 482 no 2.º ciclo, 267 no pré-escolar e 147 no Secundário. O maior número de sinalizações verificou-se no Norte, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo e a região Centro. O Alentejo e o Algarve tiveram menos situações reportadas. Os casos de maus tratos ou suspeitas sinalizados nas escolas são encaminhados para os Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco.

Oitenta por cento das escolas cumpriam a restrição de fumar no ano 2014/2015. A evolução tem sido positiva. No ano 2013/2014, a percentagem era de 79%, no ano letivo anterior de 76% e em 2011/2012 de 75%. “Apesar da boa evolução, nem todas as escolas cumprem a restrição de fumar e ainda há queixas sobre o desrespeito da lei”, lê-se no relatório. Em 2014/2015, contaram-se nove queixas por alunos fumarem.

O relatório dá ainda conta de 50 590 acidentes escolares: 2726 no pré-escolar, 14 380 no 1.º ciclo, 12 020 no 2.º ciclo, 14 868 no 3.º ciclo e 6 596 no Secundário. Todas as escolas avaliadas tinham sistema de recolha de resíduos sólidos, 98% da água para consumo humano era da rede pública e 90% tinham ligação à rede pública de esgotos. Quinze por cento tinham cobertura em chapa de fibrocimento, a maior percentagem estava situada na região de Lisboa e Vale do Tejo.

A DGS refere que a intervenção no âmbito da saúde escolar tem contribuído para a melhoria da saúde oral e redução da cárie dentária, através da implementação da escovagem dos dentes, de forma correta e precoce. “As crianças e jovens com necessidades de saúde especiais, isto é, problemas de saúde que podem comprometer, ou não, as aprendizagens é outra área de preocupação que as equipas de saúde escolar procuram eliminar/minimizar através da elaboração de planos de saúde individuais”, sublinha a DGS.

Afetos, tabaco, alimentação

As ações sobre alimentação saudável e atividade física foram as que chegaram a mais alunos, 386 383 ao todo. A seguir surgem as ações de educação para os afetos e a sexualidade com 378 400 alunos e as dedicadas ao ambiente e saúde com 270 672. Questões ligadas à saúde mental e à promoção de competências socioemocionais abrangeram 143 014 crianças e jovens, e a prevenção do consumo do tabaco chegou a 122 443 alunos. A prevenção do consumo de bebidas alcoólicas e de substâncias psicoativas ilícitas envolveu menos de 100 mil alunos. No pré-escolar, todos os assuntos são abordados, à exceção da saúde mental e do consumo do tabaco e de substâncias psicoativas ilícitas.

O Norte e o Algarve destacaram-se pelo investimento em educação para os afetos e sexualidade. O Alentejo deu preferência à educação alimentar e o Centro à educação para o ambiente e saúde e à alimentação. Lisboa e Vale do Tejo sobressaiu na prevenção do consumo de tabaco.

O relatório indica que, no futuro, é necessário promover uma maior intervenção em saúde mental e competências socioemocionais. “Melhorar o nível de literacia para a saúde dos alunos é muito mais do que informar sobre os riscos associados a determinados comportamentos e doenças. É motivar, é compreender a informação de saúde, é saber aceder e utilizar essa informação para promover e manter uma boa saúde”. O programa pode virar-se para outras direções. “Outras áreas novas como os hábitos de sono e repouso, a educação postural e a prevenção de comportamentos aditivos sem substância não foram intervencionadas de forma expressiva na escola. No entanto, elas são de capital importância para a saúde das crianças e dos jovens que a frequentam”, realça-se.

No ano letivo 2014/2015, foram avaliados 2230 estabelecimentos de ensino quanto à segurança, higiene e saúde. A maior parte das escolas tem boa segurança e higiene no seu meio envolvente. As escolas do Algarve eram as mais seguras no recinto, no edifício e na zona de alimentação coletiva. A segurança do meio envolvente da escola era maior no Alentejo. O Algarve e o Centro tinham uma maior percentagem de escolas com boas condições de higiene nos diversos espaços escolares. E, como se sabe, a boa higiene do ambiente escolar implica a limpeza geral do espaço, do mobiliário urbano, a boa conservação das salas de aula, balneários, vestiários, instalações sanitárias, remoção de resíduos em todas as áreas do estabelecimento, cantinas incluídas.

Literacia de alunos e docentes

O relatório focou-se no ano letivo em que mudou o paradigma de intervenção da saúde escolar e o seu sistema de informação. No ano em que foi elaborado um referencial de educação para a saúde, em que se operacionalizaram projetos para a promoção de estilos de vida saudáveis, do pré-escolar ao secundário, e se investiu em materiais pedagógicos.

Ao todo, 53 557 educadores de infância e docentes foram alvo do programa. Tal como acontece com os alunos, os professores dos primeiros níveis de educação, em especial os educadores de infância, são os que têm maior apoio no âmbito da saúde escolar. Situação que se repete e que a DGS avisa que é preciso inverter. “O principal trabalho das equipas de saúde escolar, especialmente no que à promoção da saúde diz respeito, é junto dos docentes e não docentes”, lê-se no relatório. O Alentejo, o Centro e o Norte trabalharam com cerca de 80% dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo.

O programa melhora a literacia para a saúde de alunos e docentes. Quanto mais cedo se passar à ação, melhor. “Obter ganhos em saúde, a médio e longo prazo, passa por olhar para o perfil de saúde da população portuguesa e trabalhar desde cedo em prol da promoção e educação para a saúde, e da redução dos determinantes das doenças crónicas como a obesidade, o tabaco, a diabetes e a hipertensão arterial que condicionam a esperança de vida saudável”. E não se pode esquecer a formação. A DGS defende que “investir em promoção da saúde na escola é dar prioridade aos docentes, capacitando-os para que os determinantes da saúde sejam integrados nos currículos das mais diversas áreas do saber e a sua ‘transmissão’ aos alunos seja pedagogicamente adequada ao nível de desenvolvimento do grupo escolar”.

 

 

Com novo plano de vacinas, aos 12 meses bebés ficam protegidos contra 11 doenças

Janeiro 7, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Graça Freitas ao https://www.publico.pt/ no dia 26 de dezembro de 2016.

A vacina da meningite B, que fica cara aos pais, vai ser dada apenas aos grupos de risco

A vacina da meningite B, que fica cara aos pais, vai ser dada apenas aos grupos de risco

Já há 300 mil adolescentes vacinadas contra o vírus do papiloma humano em Portugal, calcula a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas. E a nova vacina incluída no Programa Nacional de Vacinação — que arranca em Janeiro — protege contra mais de 90% dos cancros de colo do útero.

Alexandra Campos

A grande mensagem do novo Programa Nacional de Vacinação (PNV), que entra em vigor em 2 de Janeiro, é que a vacinação é para a vida.  As crianças começam a ser imunizadas contra a tosse convulsa ainda na barriga das mães. Depois, com menos picadas do que actualmente, aos seis meses já ficam protegidas contra sete doenças e, com apenas um ano, ficam livres de 11 patologias, enfatiza a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas.

A médica calcula que já são 300 mil as raparigas imunizadas contra o vírus do papiloma humano e frisa que a nova vacina protege contra mais de 90% dos cancros do colo do útero. Já a vacina da meningite B, que fica cara aos pais, vai ser dada apenas aos grupos de risco, mas o alargamento a todas as crianças continua em estudo.

O novo PNV vai arrancar com algum atraso nos centros de saúde porque o concurso de uma das vacinas não está concluído, avisa Graça Freitas, que confia que tudo esteja normalizado em duas semanas.

O novo Programa Nacional de Vacinação tem muitas alterações. Uma das novidades é a vacinação universal das grávidas para a tosse convulsa. Mas, habitualmente, as grávidas são avessas a vacinar-se. Acha que vão conseguir convencê-las desta necessidade?

Estamos convencidos de que vamos ter uma boa adesão.  Em cada momento, desde 1965 (o PNV já tem 51 anos),  foi-se fazendo o melhor programa possível para a saúde pública e para a população naquele momento. Há aqui uma relação de confiança entre quem promove a vacinação e quem se vacina. Num mundo tão conturbado, é importante realçar a confiança da população.

A taxa de vacinação em Portugal é muito elevada?

Sim, é à volta de 95% ou mais. Há outros países com bons resultados, mas não há muitos que mantenham esta cadência. A grande mensagem deste PNV, em termos generalistas, é que a vacinação é para o longo da vida, não é só pediátrica. Começamos pela vacinação das grávidas contra a tosse convulsa, a primeira vacina que estamos a introduzir é in utero. Vacina-se a mãe para que possa passar a imunidade, os anticorpos que desenvolve, através da placenta, de forma a proteger o seu filho, que só se pode vacinar contra tosse convulsa aos dois meses. Aquelas primeiras semanas de vida são as de maior vulnerabilidade para a doença.

Mas este ano há um pico de casos de tosse convulsa em Portugal e as vacinas para as grávidas que se vendem nas farmácias chegaram a esgotar-se…

Sim, houve um pico de casos, mas agora abrandou. Esta doença é sazonal, há mais casos nos meses quentes mas, mesmo com os picos, os casos são poucos. O problema é que [esta patologia], nas primeiras semanas de vida pode ser grave. As grávidas devem fazer a vacina da tosse convulsa entre a 20.ª e a 36.ª semana, idealmente até à 32.ª semana. A vacina é segura, para a mãe não tem consequências, e é um acto de generosidade e de amor porque protege o filho. Esta é uma mudança crucial.

Outra novidade é que os bebés vão ser sujeitos a menos picadas?

Exactamente. Aos dois meses e aos seis meses, para manter a aceitação, para aumentar o conforto e minimizar a dor, tomamos a decisão de introduzir duas doses de vacina hexavalente (a mesma ampola contém seis vacinas).  Assim, aos dois e aos seis meses poupamos uma injecção.

Havia recomendações de especialistas, nomeadamente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, para incluírem também outras vacinas, como a do rotavírus, da varicela e hepatite A, algumas das quais custam muito dinheiro aos pais. Por que é que isso não aconteceu?

Ponderamos sempre a inclusão em função do interesse público, do benefício para a sociedade, mais do que o benefício individual. Nenhum programa em nenhuma parte do mundo tem todas as vacinas. Portugal, por exemplo, durante anos teve a BCG quando a maior parte dos países já não tinham.

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Mas a vacinação contra o rotavírus e a varicela faz ou não faz sentido?

Do ponto de vista da saúde pública não faz sentido. A doença por rotavírus é uma gastroenterite, não é grave, basta que as crianças estejam hidratadas. Agora, do ponto de vista individual, não temos nada com isso, a decisão é dos pais e dos médicos.

Por que motivo é que a vacina da meningite B fica reservada apenas para grupos de risco?

É para grupos de risco, mas o alargamento ainda está em estudo.

É uma vacina cara para os pais…

Sim, mas temos que ter a certeza que é benéfica para todos, se vai diminuir a circulação ou não. É um processo de decisão muito complexo. Isto depende sempre da evidência científica, dos estudos.

Nos últimos anos têm-se sucedido também as falhas no fornecimento da vacina BCG. Foi por isso que decidiram deixar de a dar a todas as crianças e passaram a dar só às de grupos de risco?

Não, já estávamos a estudar esta mudança havia muitos anos. Esta é outra novidade, mas já era assim desde o ano passado. Só que agora passa a ser oficialmente assim. [No entanto], os grupos de risco, as pessoas imunodeprimidas, as que vão fazer uma viagem especial, os profissionais de alguma área que os põe em risco, podem continuar a beneficiar de vacinação gratuita.

No caso das adolescentes, o que é que muda na vacina contra o papiloma vírus humano (HPV)?

Mudámos de uma vacina que tinha quatro grupos do HPV e protegia contra 75% dos cancros do colo do útero para outra contra nove genótipos do HPV que protege contra 90% a 95% dos cancros do colo do útero. É um ganho muito grande.

Já há muitas adolescentes vacinadas em Portugal?

Há mais ou menos 300 mil adolescentes vacinadas, é a minha estimativa. É muita menina, estou muito feliz com isto.

Vários especialistas recomendam também a vacinação contra o HPV para os rapazes. Por que é que isso não avançou?

Tínhamos que ser muito ricos. Se as meninas ficarem protegidas, mais tarde, quando os rapazes tiverem relações sexuais com elas, não há transmissão. Há aqui um ganho adicional para os rapazes. Agora, voltamos à história do plano individual: se uma família quiser dar esta vacina aos rapazes, não é um erro. Mas, do ponto de vista da saúde pública, consideramos que era preferível investir o dinheiro a aumentar a abrangência para as raparigas em vez de vacinar também rapazes.

Já na idade adulta, porquê toda esta insistência com a vacinação contra o tétano?

Porque o tétano nunca se vai extinguir, a bactéria sobrevive anos no ambiente e a doença não dá imunidade, o que é uma coisa estranha. E esta é uma doença muito grave. A boa notícia é que, ao longo da vida, os reforços desta vacina vão passar a ser feitos de vinte em vinte anos, em vez de dez em dez anos. Só a partir dos 65 anos, como o sistema imunitário já não é tão bom, é que as pessoas se têm que se vacinar de dez em dez anos.

Como é que vão operacionalizar o novo programa no terreno a partir de Janeiro?

Estamos a fazer todos os esforços e vamos conseguir que isto arranque como está previsto a partir de 2 de Janeiro na maior parte dos sítios para a maior parte das vacinas.  Noutras situações poderá haver um delay de dias, durante a primeira e a segunda semanas.

O gasto com o actual PNV ascende a 30 milhões de euros. Quanto é que o novo vai custar? Vai ficar um bocadinho acima, não sei dizer porque o concurso das vacinas hexavalentes ainda não está completamente encerrado. Estas são um bocadinho mais caras, a HPV9 também é mais cara e a das grávidas representa um custo adicional. [Em contrapartida], reduzimos a BCG mas esta é uma vacina barata.  O orçamento ficará acima dos 30 milhões,  mas não sei os números exactos.

O concurso não está concluído? Então como vão avançar em Janeiro?

A vacina hexavalente é a menos problemática, porque os poucos meninos que vão fazer dois meses estes dias podem fazer a pentavalente mais um. E vamos ter a hexavalente nos primeiros dias de Janeiro. Se as crianças cumprirem o esquema, quando fazem seis meses ficam protegidas contra sete doenças. É muito importante que os pais não se atrasem. Quando fazem um ano, ficam protegidas contra 11 doenças. A grande vantagem é a de que, com um ano de idade, as pessoas já estão livres de 11 doenças, algumas delas graves.

Apesar disso, há pessoas que têm medo de se vacinar.

Sim, há movimentos de hesitação em vacinar, por isso vamos fazer uma fortíssima aposta na informação e comunicação. Queremos que os pais estejam sempre informados dos benefícios e dos raros riscos da vacinação, e também dos riscos da não vacinação.

 

Indisciplina e más notas provocadas por sofrimento emocional acentuado

Janeiro 5, 2017 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 30 de dezembro de 2016.

A notícia contém declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

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Isolamento pode ser um dos sinais de sofrimento | Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

Ana Bela Ferreira

Promoção da saúde mental é prioridade da Direção Geral da Saúde, que já formou 300 profissionais para ajudar jovens

As dificuldades de aprendizagem e indisciplina de muitas crianças resultam de “um sofrimento emocional acentuado”, alerta a Direção Geral da Saúde (DGS), no relatório do Programa Nacional de Saúde Escolar, feito no letivo 2014/2015 e recentemente apresentado. Preocupada com o problema, a promoção da saúde mental passou a ser “o eixo central da intervenção da Saúde Escolar”.

A aposta – resultado de uma parceria entre a DGS e Direção Geral da Educação – “tem a ver com a consciência de que o universo escolar traz atrelado uma série de preocupações e a certeza de quando há uma boa saúde mental é mais fácil a aprendizagem, a inserção social, o sucesso escolar e como é importante apostar desde o início nestas áreas”, defende Conceição Tavares Almeida, psicóloga e assessora para a área da infância e adolescência no programa nacional de saúde mental.

Para poder ajudar as crianças e jovens, arrancou, em fevereiro deste ano, um plano de formação “de cerca de 300 profissionais de saúde e de educação que ficaram capacitados para desenvolver projetos de promoção da saúde mental orientados pela tipologia de competências socioemocionais”, segundo explicou ao DN a coordenadora do Programa Nacional Saúde Escolar, Gregória Paixão von Amann. E que o coordenador do Programa Nacional para a Saúde Mental – que trabalhou em conjunto com a equipa da Saúde Escolar – confirma que está previsto manter em 2017. “Está no plano de atividades a continuidade deste programa de formação, para chegar mais ou menos a mais 300 pessoas e assegurar apoio a quem já teve esta formação. Está previsto, mas às vezes pode haver problemas de orçamento, tal como já tivemos no ano passado”, aponta o especialista.

Com estas ações, os responsáveis de saúde pretendem que sejam desenvolvidos projetos junto das crianças que as ensinem “a aceitar as diferenças entre si, a respeitarem-se mutuamente, a saberem identificar quando precisam de ajuda e recorrerem a um adulto de referência, a assumirem gradualmente a responsabilidade das suas ações e a tomarem as melhores decisões para a sua saúde e vida”, refere a coordenadora do programa de saúde escolar.

Além disso, “quando os professores estão alerta para a situação por detrás daqueles comportamentos, acabam por adequar a sua forma de estar e conseguem ter outros resultados, não tem que ser uma atitude desculpabilizante, mas de compreensão”. E como “comportamento gera comportamento”, os alunos “acabam por mudar a sua atitude perante o professor”, justifica Melanie Tavares, coordenadora da mediação escolar do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

É “melhorando a qualidade da interação entre a criança ou jovem com a família, a escola e o meio sociocultural”, que a DGS acredita ser o caminho para combater o sofrimento emocional de muitas crianças. “No âmbito do Programa Nacional de Saúde Escolar a promoção da saúde mental é uma prioridade pois é a dimensão da saúde que permite lidar, de forma mais eficaz, com as emoções, os sentimentos, as frustrações e usufruir do seu contributo para a capacidade de pensar e de tomar decisões”, diz Glória von Amann.

Não há crianças mal educadas

Uma das razões para investir na saúde mental dos jovens é, segundo o psiquiatra Álvaro Carvalho, o facto de “nenhuma criança é mal educada porque sim”. “O caráter só se forma no final da adolescência, ou seja, até lá comportamentos de indisciplina ou agressivos são, com frequência, expressão de problemas emocionais, que podem ter origem na família ou na escola”.

Esse é o entendimento que tem estado na base da atuação dos gabinetes de apoio ao aluno e à família (GAAF) do IAC, desde que foram criados em 1998. “A nossa intervenção sempre assentou em quatro pilares: aluno, escola, família e comunidade. A nossa experiência diz-nos que na maioria das vezes o problema está na família, na falta de apoios socioeconómicos ou acompanhamento”, refere Melanie Tavares, coordenadora da mediação escolar do IAC. Da sua experiência, a psicóloga, lembra que “os alunos são o espelho das situações familiares”. “Uma criança quando não está bem só consegue por cá para fora coisas más. Se tivermos adultos educados para lidar com este tipo de crianças ou jovens, eles desistem do comportamento que tinham”, acrescenta.

Dos casos que acompanham, “sem fazer um estudo, diria que 80% dos alunos que identificámos com problemas emocionais, tiveram problemas de comportamento”. No ano letivo anterior, os GAAF identificaram 229 alunos com problemas do foro psicológico e 544 participações disciplinares (sendo que o mesmo aluno pode ter mais do que uma participação).

O número de crianças “com problemas mentais” não é conhecido em Portugal, como esclarece Álvaro Carvalho, que faz referência aos dados internacionais que apontam para uma incidência de 20% e dessas só um quinto das crianças são tratadas.

Por vezes o mais difícil é perceber os sinais. “A questão é que tudo pode ser sintoma”, aponta Melanie Tavares. “Pode ser começar a ficar agitada ou muito parada, deixar de ter capacidade de concentração, ou então ficar muito concentrada e sobre investir na parte escolar, alterações alimentares. No fundo, é preciso estar atento a mudanças”, sintetiza Álvaro Carvalho.

 

 

 

Escolas sinalizaram mais de dois mil casos de maus tratos em 2014/2015

Dezembro 30, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de dezembro de 2016.

o documento citado na notícia é o seguinte:

Relatório Técnico de Avaliação do Programa Nacional de Saúde Escolar do Ano Letivo 2014/2015

Relatório da Direcção-Geral da Saúde tem dados do ensino pré-escolar ao secundário Rui Gaudencio

Relatório da Direcção-Geral da Saúde tem dados do ensino pré-escolar ao secundário Rui Gaudêncio

No último ano lectivo avaliado pelo Programa Nacional de Saúde escolar, um quinto das escolas não respeitava a restrição de fumar.

Alexandra Campos

Mais de dois mil casos de maus tratos e suspeitas de maus tratos a crianças e jovens foram denunciados pelos estabelecimentos de ensino no ano lectivo de 2014/15, no âmbito do Programa Nacional de Saúde Escolar, revela um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

No relatório técnico que faz a síntese das acções levadas a cabo no âmbito deste programa (que nesta última edição incluiu novos indicadores), especifica-se que foram 2060 os casos e as suspeitas de maus tratos identificados por professores ou funcionários ou elementos das equipas de saúde escolar nos estabelecimentos do ensino pré-escolar ao secundário.

O maior número de supostas vítimas foi identificado no ensino básico e a região Norte foi a que mais casos de maus tratos denunciou aos núcleos de apoio a crianças e jovens em risco que estão integrados nos agrupamentos de centros de saúde.

Estes núcleos são constituídos por equipas pluridisciplinares que identificam os autores dos maus tratos, habitualmente familiares das vítimas, e tentam resolver as situações de risco, razão pela qual no relatório da DGS não são adiantados detalhes sobre os casos. “Não nos vamos sobrepor às competências destes núcleos, referenciamos para quem tem a responsabilidade de tratar desta situações”, explica Gregória von Amenn, coordenadora do Programa Nacional de Saúde Escolar da DGS.

São estes núcleos nos centros de saúde que prioritariamente têm a responsabilidade da intervenção junto dos menores em risco, ainda antes das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens e dos próprios tribunais, os quais apenas devem ser chamados a intervir quando não for possível aos primeiros actuar de forma a remover o perigo.

Escolas denunciam um quarto dos casos

No relatório da DGS enfatiza-se que, em 2014, foram sinalizados a nível nacional mais de oito mil casos de maus tratos e suspeitas de maus tratos a crianças e jovens, o que permite concluir que aproximadamente um quarto destas situações são detectadas e denunciadas pelos estabelecimentos de ensino.

Mas o documento destaca ainda que no ano lectivo 2014/2015 ocorreram 50.590 acidentes dos mais variados tipos nos estabecimentos de ensino. Neste ano lectivo, o programa abrangeu 886 mil alunos dos mais de 1,2 milhões que estão matriculados em estabelecimentos de ensino, desde o pré-escolar até ao secundário. Ou seja, 73% do total dos alunos foram alvo de acções de promoção e educação para a saúde.

O que se percebe também é que um quinto dos estabelecimentos avaliados não cumpria então “a restrição de fumar” e que ainda há queixas sobre o desrespeito da legislação do tabaco (sobre consumo em locais inadequados, falta de vigilância, etc), apesar de a situação ter melhorado substancialmente nos últimos ambos. Fica-se a saber que menos de um terço (31%) dos alunos escova os dentes na escola.

O ano lectivo de 2014/2015 foi um ano de mudança no qual “se alterou o paradigma de intervenção da saúde escolar” e se mudou o seu sistema de informação, depois de ter sido assinado um protoclo de cooperação em Fevereiro de 2014 entre directores gerais da saúde e da educação.

 

Sopa e peixe? Crianças consomem, adolescentes nem tanto

Outubro 10, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 22 de setembro de 2016.

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Um relatório do projeto “Almoço Virtual” mostra que mais de metade dos alunos dos seis aos 14 anos leva sopa nos tabuleiros, mas que a percentagem desce quando vão ficando mais velhos.

Novo relatório do projeto “Almoço Virtual” mostra que, à medida que envelhecem, as escolhas alimentares dos estudantes mudam e passam a consumir menos peixe e menos sopa.

O projeto “Almoço Virtual”, com a parceria da Direção-Geral da Saúde, monitorizou as escolhas alimentares em mais de 14.g00 crianças e adolescentes que frequentam escolas da Grande Lisboa durante o ano letivo 2015-2016. A análise mostra que maior parte dos estudantes analisados dava preferência a produtos excessivamente calóricos.

O estudo mostra que em mais de metade (57,5%) dos alunos entre os seis e os 14 anos levavam sopa nos tabuleiros. Na faixa etária seguinte, entre os 15 e os 18 anos, apenas 44% dos alunos escolhia levar sopa. No peixe, a frequência era maior nos alunos mais novos (23% escolheram peixe) do que nos mais velhos (21%).

Nos tabuleiros dos alunos mais velhos existe, por norma, mais carne e refrigerantes do que nos dos mais novos.

Na constituição da sua refeição, os adolescentes escolhem menos vezes sopa, peixe, água, legumes e fruta e mais vezes carne, cola e doces do que as crianças e do que os adultos, o que contribui para o facto de os adolescentes apresentarem um excesso calórico (67%) superior ao das crianças (62,6%).

João Martins, um dos responsáveis por este estudo, afirmou ao JN – na sua edição impressa – que os resultados “podem querer dizer que os mais novos ainda agem sob influência do que aprendem”.

O projeto “Almoço Virtual” promove a “informação e o espírito crítico das crianças e adolescentes” e pretende que estes façam escolhas alimentares saudáveis.

Depois do estudo, maior parte dos inquiridos revelaram querer mudar os hábitos alimentares, como se pode ver pelo gráfico abaixo.

A iniciativa do Almoço Virtual desenrola-se através da simulação de um self-service, disposto num autocarro, em que os inquiridos são convidados a escolher réplicas de silicone de alimentos comuns. O autocarro do Almoço Virtual vai rumar, durante o ano letivo 2016/2017, pelo Porto, Coimbra, Évora e Beja.

 

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