Direcção-Geral da Saúde recomenda que creches não dêem bolachas, sumos e doces

Outubro 25, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de outubro de 2019.

DGS lança manual com recomendações sobre alimentação saudável para crianças até aos seis anos. Excesso de peso atinge 32,6% das crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos em Portugal.

Ana Maia

Os “alimentos processados (por exemplo bolachas, cereais de pequeno-almoço) ou doces (como sumos, xaropes e mel) não deverão fazer parte da oferta alimentar das creches e infantários nem da rotina familiar”, defende a Direcção-Geral da Saúde (DGS). Esta é uma das várias recomendações que pais, educadores e profissionais de saúde podem encontrar no manual Alimentação Saudável dos 0 aos 6 Anos, lançado esta quarta-feira.

Uma das novidades do manual, que marca o Dia Mundial da Alimentação, são as recomendações direccionadas para berçários e creches, algo que até agora não existia. Para os jardins-de-infância e para as escolas existem várias normas que resultam de um trabalho conjunto entre a DGS e a Direcção-Geral da Educação.

O manual, que lembra que o excesso de peso atinge 32,6% das crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos em Portugal, traz indicações sobre quantidades e a forma como devem ser introduzidos os alimentos. “A partir dos seis meses é hora de começar a diversificar a alimentação. Esta é uma oportunidade única para treinar o paladar e as texturas”, diz Maria João Gregório, directora do Programa Nacional para a Alimentação Saudável, da DGS.

A comida confeccionada para as crianças até um ano não deve ter sal e açúcar adicionados e “os alimentos introduzidos devem ser os da Roda dos Alimentos”. “Neste período deve-se variar a oferta alimentar e há alimentos proibidos: o açúcar e o sal adicionados e também os alimentos processados que têm adição de açúcar e sal”, aponta a responsável.

A partir dos 12 meses, a criança passa a partilhar a mesma alimentação da família. “Os pais têm um papel enquanto modelo e a creche também”, diz Maria João Gregório. Crianças pequenas comem doses pequenas, reforça a directora do programa nacional que destaca que “não se deve forçar” a criança a comer mais quando não quer, nem “não aceitar que repita a dose” para evitar o consumo excessivo. Sumos devem estar fora da ementa — a água é a bebida mais importante —, tal como os doces e os alimentos processados, que “poderão ser a excepção nos dias de festa”, dizem as recomendações.

Não existe uma avaliação à comida oferecida nas creches. Mas as respostas que os profissionais de saúde recebem dos pais quando questionam sobre a alimentação “não são muitas vezes as que gostaríamos de ouvir”, reconhece Maria João Gregório.

“O manual pretende uniformizar um conjunto de orientações e dar ferramentas para que os berçários, creches e jardins-de-infância estejam mais capacitados para poderem ser promotores de uma alimentação saudável”, refere, adiantando que faz parte dos objectivos do programa trabalhar em conjunto com a Segurança Social para avaliar a alimentação dada nestes espaços.

Primeiros mil dias de vida

A par do manual, a DGS apresenta também a primeira Estratégia Nacional para a Alimentação do Lactente e Criança Pequena, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Dedicada aos primeiros mil dias de vida — a começar durante a gestação —, a estratégia divide-se em cinco eixos e será coordenada pela antiga ministra da Saúde e pediatra Ana Jorge.

Um dos focos principais é a promoção do aleitamento materno. “Dados da Notícia de Nascimento digital (instrumento de registo do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil) no SNS, ainda não publicados (relativos a um período de 3 meses em 2017), permitem verificar que até à data da alta da maternidade 79,1% dos recém-nascidos tiveram aleitamento materno exclusivo. Destes, 45% mantinham aleitamento materno exclusivo aos seis meses”, diz o documento.

“Sabemos que para promovermos o aleitamento materno durante um maior período de tempo, será necessário implementar um conjunto de medidas para um ambiente mais facilitador”, assume Maria João Gregório. Entre as medidas a promover estão a criação de uma rede nacional de bancos de leite humano — actualmente só a Maternidade Alfredo da Costa tem um — e a criação/revisão de legislação que preveja a existência de espaços próximos dos locais de trabalho onde as mães possam amamentar.

A estratégia pretende também que as áreas da actividade física, estilos de vida saudáveis e nutrição com especial ênfase na prática do aleitamento materno sejam incluídas nos currículos de formação de professores, educadores e outros profissionais. Outro dos eixos passa pela aposta em investigação com o objectivo de se criarem políticas e programas nacionais nesta área.

 

 

Sim às papas, não à repetição do prato: 25 recomendações para bebés e crianças

Outubro 20, 2019 às 7:11 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 16 de outubro de 2109.

A DGS lançou um manual recheado de recomendações. Diz, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais, mas também que não deve deixar repetir. E que as refeições não devem ter mais de 30 minutos. Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às bio e às caseiras.

Patrícia Jesus

Sabia que o primeiro ano é a fase em que mais se cresce durante toda a vida? Daí a importância da alimentação logo nos primeiros meses, mas também porque estas primeiras experiências moldam as preferências e a saúde/doença para a vida.

E depois do primeiro ano? Um novo manual da Direcção-Geral de Saúde (DGS) traz uma série de recomendações para uma alimentação saudável do nascimento aos seis anos, que valem para as famílias e para as creches e infantários. O objectivo é aplicar “a evidência científica mais recente” num documento de fácil leitura, que até tem propostas práticas.

Sabia, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais quando não quer, mas também que não deve deixar repetir? Que as refeições não devem ter mais de 30 minutos? Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às biológicas e às caseiras? Que não deve dar bolachas aos bebés com menos de um ano?

Bebés até um ano

O leite materno, em exclusivo, é o ideal para o bebé nos primeiros seis meses. O bebé deve ser alimentado quando pede.

– A mãe que amamenta deve ter uma alimentação variada e equilibrada e não precisa de excluir qualquer alimento da dieta.

– Quando os bebés não são amamentados, os pais devem optar por fórmulas pelo menos até ao final do primeiro ano, idealmente até aos 2-3 anos. E não deve ser excedido o volume de 180-210 ml por cada refeição.

– A partir dos seis meses de vida é essencial a introdução progressiva de outros alimentos, para treinar o paladar para novos sabores e texturas. Mas nunca sumos ou chá.

O bebé deve alimentar-se sentado, inicialmente à colher (sopas, papas, purés) e depois com colher e quando possível sozinho.

– A “auto-alimentação” (baby lead weaning) só deve adoptada quando exista comprovada segurança (neuromotora e nutricional) e sempre sob controlo do cuidador e vigilância médica.

– Deve ser respeitado o apetite da criança: logo, deixe a criança gerir a quantidade e respeite os sinais de auto-regulação do apetite. Esteja atento aos extremos, quando come sempre de mais ou de menos.

Sal e açúcar são proibidos no primeiro ano, o que exclui alimentos como sumos, sobremesas, bolos, doces e enchidos.

– No primeiro ano nada de alimentos processados, nem doces nem salgados – isto inclui, por exemplo, bolachas.

– Deve ser feita a suplementação com vitamina D pelo menos durante o primeiro de vida.

– Embora seja importante começar com a sopa, as papas são uma importante fonte de hidratos de carbono e, pela sua suplementação, são um importante veículo de vitaminas e minerais (ferro). E as comerciais “normais” até têm benefícios em relação às biológicas que não são enriquecidas e às caseiras, que “não são nutricionalmente seguras”.

– A proteína animal (carne ou peixe) não deve exceder as 30 g/dia, devendo oferecer-se carne quatro vezes e peixe três vezes por semana. O ovo pode ser introduzido a partir dos 8-9 meses de idade, até três vezes por semana, em vez da carne ou do peixe.

– Os alimentos devem ser progressivamente menos moídos, de forma a permitir a mastigação de alimentos moles aos oito meses.

– O iogurte natural pode ser introduzido aos 8-9 meses.

– Num bebé filho de mãe vegetariana, a realizar aleitamento materno, deve ser rigorosamente vigiada a suplementação materna em vitaminas e minerais e também ao bebé.

Depois de um ano

No final do primeiro ano de vida a transição para a alimentação da família deverá estar completa. Os pais são exemplos e esta é uma boa altura para melhorar a alimentação de toda a família.

Não permita repetições, incentive a comer devagar, respeite o horário das refeições e não mantenha a criança à mesa mais de 30 minutos.

Não substitua por outros alimentos aqueles que a criança não gosta e incentive à autonomia na mesa.

– É importante a alimentação ser variada — se houver uma recusa inicial de um alimento não desista e encoraje a experimentar coisas novas.

– Ofereça à criança apenas alimentos incluídos na roda dos alimentos.

O pequeno-almoço é importante, mas dê “cereais de pequeno-almoço” apenas de vez em quando, e não dê bolachas ou “pães doces” e embalados.

– As merendas devem integrar produtos lácteos (leite/iogurte/queijo), hidratos de carbono complexos (pão de cereais variados) e frutos. Bolachas e sumos apenas de vez em quando.

– Mantenha a sopa ao almoço e ao jantar.

– Ofereça água durante o dia e às refeições e deixe os sumos para os dias de festa – o leite não deve ser confundido com uma bebida, já que é um alimento.

– Por fim, a “criança pequena” tem necessidades alimentares “pequenas” e volumes “de adulto” estão totalmente desajustados das necessidades nutricionais desta idade, contribuindo para obesidade. Porções pequenas e variedade da oferta são fundamentais. E tudo completado com actividade física, aproveitando todas as oportunidades para pôr as crianças a mexer.

O manual citado na notícia é seguinte:

Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos : Linhas de Orientação para Profissionais e Educadores

Uma história edificante sobre publicidade dirigida a crianças

Setembro 26, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Pedro Graça publicado no Público de 26 de agosto de 2019.

Os meus parabéns à Secretária de Estado da Saúde, à Diretora Geral da Saúde e em particular à Diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável que se mantiveram firmes, neste final de legislatura, na defesa do bem público

Sabemos hoje que as crianças obesas reagem particularmente bem (na ótica dos vendedores) à publicidade alimentar, em particular aos produtos hipercalóricos e com elevadas quantidades de açúcar e gordura. Sabemos também que o contacto precoce das crianças com o sabor doce ou salgado influencia o gosto por produtos açucarados e salgados ao longo de toda a vida adulta. Sabemos ainda, que estes estímulos ao consumo são mais eficazes em determinados momentos do dia (por exemplo em jogos on-line) que conseguem ser rastreados se as crianças estiverem na internet e se existir um perfil das suas preferências alimentares. O que hoje não é difícil de saber.

Este conhecimento, obriga a um investimento forte na análise dos perfis alimentares e dos gostos e preferências de milhares de crianças que já é feito hoje, em particular peles empresas que vendem produtos com margens elevadas de lucros e que podem investir no marketing e publicidade. E pode fazê-lo quem incorpora, sal, açúcar ou gordura nas linhas de produção obtendo produtos alimentares industrializados com tempos longos de prateleira ou híper estandardizados como é o caso da indústria da fast-food ou dos refrigerantes. O resultado é duplamente compensador para quem investe neste tipo de publicidade destinado aos mais jovens. Consumidores fidelizados à marca, mas principalmente ao gosto pelo doce ou salgado para o resto da vida, e no caso do on-line, uma extraordinária base de dados sobre gostos e preferências dos consumidores mais jovens. Estes consumidores mais jovens e também cidadãos (diga-se de passagem) encontram-se assim desprotegidos face a quem publicita e quase sem vigilância, em particular nas redes sociais.

Em Janeiro de 2012, o recém-criado Programa Nacional para Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da DGS propôs nos seus objetivos “a necessidade de regulamentar a publicidade de produtos alimentares dirigidos a crianças” e aumentou a cooperação portuguesa com a OMS neste domínio. Posteriormente, a Assembleia da República iniciou a discussão deste tema, a 2 de março de 2012, através do Projeto de Lei 195/XII por iniciativa do Partido Socialista. A proposta de Lei foi submetida a votação no Parlamento e aprovada, com votos a favor do PS, do PCP, do BE e de Os Verdes e abstenções do PSD e do CDS-PP a 9 de março de 2012, baixando à Comissão da Especialidade de “Ética, Cidadania e Comunicação” onde ficou a “marinar” e sem avanços durante praticamente 3 anos, até 22 de outubro de 2015 quando caducou, ao terminar a legislatura!

Com uma nova legislatura e Parlamento renovado, a 6 de fevereiro de 2016, ocorre nova votação de uma nova proposta de Lei nesta área, sendo votados favoravelmente na Reunião Plenária n.º 35 os projetos de lei do PS/PAN/Os verdes sobre esta matéria.  Com votos contra da deputada Isabel Alves Moreira (PS), com a abstenção do PSD, CDS-PP e votos a favor do PS, BE, PCP, PEV e PAN a proposta de Lei é enviada de novo para uma nova comissão de especialidade, desta vez a Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas. Estamos em fevereiro de 2016. Segue-se mais uma longa maratona de audiências e mais audiências. A votação final global só acontece a 15 de março de 2019! A 23 de abril de 2019 é finalmente publicada a Lei 30/2019 que “Introduz restrições à publicidade dirigida a menores de 16 anos de géneros alimentícios e bebidas que contenham elevado valor energético, teor de sal, açúcar, ácidos gordos saturados e ácidos gordos transformados.” Contudo, a Lei remete para a Direção Geral da Saúde para que esta possa indicar por Despacho o que se entende por produtos com excesso de açúcar, sal e gordura. O trabalho é então diligente para uma área tão sensível (basta alterar uma virgula ou casa decimal para que tudo mude) e em agosto é publicado o Despacho com a “lista de categorias de produtos” a restringir, baseada na evidência científica mais recente, que permitirá finalmente que a Lei entre em vigor.

Entre janeiro de 2012 e agosto de 2019 passaram-se sete longos anos e oito meses. Sete anos de omissões, esquecimentos, atrasos vários e bastante pressão para se alterar uma lei que todos (incluindo a OMS e UNICEF) concordam ser muito importante do ponto de vista da proteção da saúde das crianças, mas que vai fazer perder dinheiro aos acionistas deste negócio gigante de milhões que é a publicidade de “comida de menor qualidade” dirigida a crianças. A luta ainda não está ganha e os próximos meses dirão o que está para vir. Mas para já, os meus parabéns à Secretária de Estado da Saúde, à Diretora Geral da Saúde e em particular à Diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável que se mantiveram firmes, neste final de legislatura, na defesa do bem público sem alterarem vírgulas nem cederem a pressões.

Pedro Graça, Coordenador da European Action Network for Reducing Marketing Pressure to Children da Organização Mundial da Saúde entre 2016-2018. Diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

Director da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto; ex-director do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direcção-Geral da Saúde

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/perfil-nutricional-restricoes-a-publicidade-alimentar-dirigida-a-criancas-2019-pdf.aspx

Lei n.º 30/2019 de 23 de abril

Bolachas, bolos e leite com chocolate banidos da publicidade para crianças

Setembro 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 21 de agosto de 2019.

Os produtos alimentares que mais aparecem na publicidade para crianças são também os que vão ter mais restrições a partir de outubro, sejam refrigerantes ou bolachas ou outros alimentos com excesso de açúcar.

A tabela que define o perfil dos alimentos e bebidas com publicidade dirigida a menores de 16 anos é publicada esta quarta-feira em Diário da República, num despacho que entra em vigor dentro de 60 dias.

O perfil nutricional surge no seguimento da lei aprovada em abril, destinada a restringir determinada publicidade dirigida a crianças. A lei então aprovada incumbia a Direção-Geral da Saúde de identificar os produtos alimentares com elevado valor energético, teor de sal, açúcar, ácidos gordos saturados e ácidos gordos ‘trans’.

“Provavelmente as categorias mais atingidas (pelas restrições) são também as que mais publicitam”, disse a diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), Maria João Gregório, ressalvando que se trata de uma medida apenas para restringir a publicidade alimentar dirigida a crianças, e devendo ser essencialmente afetados produtos como refrigerantes e outras bebidas açucaradas, chocolates, produtos de confeitaria e pastelaria, bolachas, cereais de pequeno-almoço ou refeições prontas a consumir.

A tabela foi construída tendo em conta as sugestões da Organização Mundial da Saúde (OMS), legislação europeia, investigação científica e a realidade nacional, disse a responsável.

Dentro de dois meses, produtos como chocolates ou barras energéticas podem ter a publicidade limitada se tiveram mais de 40 kcal (quilocalorias), ou mais de cinco gramas de açúcar ou 1,5 gramas de ácidos gordos saturados por cada 100 gramas.

“Estes são os valores-limite definidos para estas categorias, porém estes valores diferem entre as diferentes categorias de produtos alimentares”, alerta a DGS num comunicado.

Maria João Gregório também o diz. Que os valores limite foram definidos categoria a categoria. “Para algumas categorias podemos ser mais permissivos, na medida em que temos valores mais elevados porque no global essa categoria tem um valor nutricional interessante”. E exemplificou com os iogurtes, com valores limite mais elevados do que chocolates, bolachas e bolos, produtos que não devem fazer parte de um “padrão alimentar saudável”.

É por isso que na categoria de iogurtes foram analisados 93 e desses 28% “estão aptos”. “Nas categorias com valor nutricional importante o objetivo foi definir um perfil que permitisse que os melhores perfis possam estar considerados aqui. Tal até pode ser um incentivo à reformulação de outros iogurtes com mais açúcar”, acrescentou.

A diretora do PNPAS reconheceu que o modelo que é agora publicado teve como base de trabalho o modelo da OMS mas com adaptações. Nega que o modelo português seja menos restritivo e diz que, por exemplo, nos cereais de pequeno-almoço, o modelo da OMS é mais permissivo. Mas conclui que, comparando a aplicação dos dois modelos a quase 2.500 produtos, “as diferenças em geral não são muitas”.

Certo é que, dentro de dois meses, produtos com o que for considerado excesso de açúcar, sal ou gordura têm a publicidade vedada em programas infantis ou outros, genéricos, cuja audiência seja superior a 25% de jovens com menos de 16 anos, e também em outras plataformas, como a publicidade em cartazes perto das escolas ou parques infantis, nas rádios, no cinema, ou mesmo na internet, neste caso mais difícil de fiscalizar e algo “em que se está a trabalhar”, com a ajuda da OMS.

Da lista fazem parte muitos mais produtos além dos chocolates, bolos ou refrigerantes, néctares e sumos de fruta. Está também, por exemplo, o leite achocolatado ou aromatizado, a manteiga, os queijos e pão, os preparados de carne ou mesmo as conservas.

Maria João Gregório não tem dúvidas. A lei também serve para mudar os hábitos alimentares, que se formam numa idade mais precoce e que se mantém na vida adulta, pelo que é importante que se promovam hábitos alimentares saudáveis junto dos jovens.

“A lei tem como objetivo limitar o estímulo ao consumo de alimentos menos saudáveis, ou não saudáveis. A verdade é que a investigação científica diz que a publicidade tem impacto no consumo alimentar das crianças, com impacto no seu estado de saúde na infância e depois na idade adulta”, salientou a responsável à Lusa, frisando que mudar comportamentos pode ter uma influência significativa na saúde, algo que a OMS também considera muito importante.

“Esta pode ser de facto uma medida muito importante. Portugal tem tido nesta área uma estratégia concertada e os resultados começam a aparecer, nomeadamente na diminuição do excesso de peso nas crianças”, disse também Maria João Gregório, lamentando que 30% das crianças em Portugal tenham ainda excesso de peso.

O Perfil Nutricional foi feito pelo PNPAS no seguimento da aprovação da lei 30/2019, que introduz restrições à publicidade dirigida a menores de 16 anos de géneros alimentícios e bebidas que contenham elevado valor energético, teor de sal, açúcar, e gorduras, alterando o Código da Publicidade.

Notícia atualizada às 9h11

mais informações no texto da DGS:

Definido o perfil dos alimentos e bebidas com publicidade restrita a menores de 16 anos

Iogurtes, cereais do pequeno-almoço, chocolates e sumos podem deixar de fazer publicidade para crianças e jovens

Agosto 8, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 23 de julho de 2019.

Vera Novais

A lista preliminar dos produtos sobre os quais não pode haver publicidade dirigida a menores é extensa: vai desde os chocolates aos queijos.

Chocolates, bolos, cereais de pequeno almoço e sumos são alguns dos produtos que vão deixar de poder fazer publicidade junto a escolas (do pré-escolar ao secundário) e parques infantis, no cinema, programas de televisão e rádios dirigidos a menores de 16 anos, e também na internet e redes sociais com conteúdos destinados a crianças desta idade, segundo uma lista preliminar a que o Público teve acesso.

A lei que altera o código da publicidade para alimentos e bebidas com alto teor de sal, açúcar e ácidos gordos saturados foi aprovada a 15 de março e publicada em Diário da República a 23 de abril. Dois meses depois deveria ter entrado em vigor, mas a Direção-Geral da Saúde (DGS) não tinha finalizado o despacho que indicaria quais os produtos abrangidos por estas novas regras.

Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, disse que 60 dias era pouco tempo para consultar todos os peritos e indústria alimentar de forma a elaborar a lista dos alimentos que devem ser sujeitos a esta restrição. Esta lista deve ter em conta não só o modelo da Organização Mundial de Saúde, mas também a legislação da União Europeia. Uma tarefa difícil tendo em conta que as recomendações são diferentes.

O Público teve acesso a esta lista, que ainda terá de ser revista pelo departamento jurídico da DGS e depois publicada em despacho, o que não se pode prever quando acontecerá devido à entrada no período de férias.

A tabela divulgada pelo Público inclui:

  • sumos com mais do que 2,5 gramas de açúcar por 100 gramas de produto, incluindo néctares, concentrados ou sumos a 100%;
  • bolos, bolachas e pães doces com mais de cinco gramas de açúcar (por 100 gramas);
  • cereais de pequeno almoço com mais de 15 gramas de açúcar (por 100 gramas);
  • iogurtes com mais de 10 gramas de açúcar (por 100 gramas);
  • chocolates, produtos de confeitaria, barras energéticas, cremes para barrar e sobremesas doces que tenham mais de: 1,5 gramas de ácidos gordos saturados, cinco gramas de açúcar e 0,3 gramas de sal por cada 100 gramas;
  • queijos e produtos análogos com mais de 13 gramas de ácidos gordos saturados (por 100 gramas).

Quase 30% das crianças, entre os seis e oito anos, com excesso de peso

Esta legislação tem como objetivo reduzir o consumo dos produtos listados — tidos como menos saudáveis nestas faixas etárias — e, assim, contribuir para reduzir a taxa de crianças obesas ou com excesso de peso.

Um estudo de 2016 do European Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI) revelava que 20,7% das crianças, entre os seis e os oito anos, consumiam biscoitos e bolos quatro ou mais vezes por semana e que três quartos das crianças nestas idades os consumiam até três vezes por semana, como recorda o Público. Mais, 86,8% das crianças, entre os seis e os oito anos, consumiam rebuçados, gomas ou chocolates três vezes por semana. E dois terços das crianças bebiam refrigerantes açúcarados.

Os últimos dados do COSI revelaram que, em Portugal, 29,6% das crianças dos seis aos oito anos tem excesso de peso e 12% é obesa. A evolução é positiva quando comparados com o primeiro estudo de 2008. Na altura, 37,9% tinham excesso de peso e 15,3% eram obesas.

“Estamos satisfeitos com estes resultados, mas 12% de crianças obesas ainda é muito”, comenta a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, citada pelo Público.

Actividade Física na infância (até aos 5 anos)

Agosto 7, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mortalidade infantil aumenta sem explicação

Maio 13, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Expresso de 19 de abril de 2019.

Vera Lúcia Arreigoso

Estudo não identificou causas para a subida de 26% nos óbitos entre 2017 e 2018. Idade tardia das mães é uma suspeita.

Não há uma causa concreta que tenha levado à morte mais 60 crianças no primeiro ano de vida em Portugal. Os peritos da Direção-Geral da Saúde (DGS) não conseguiram identificar qualquer explicação para o aumento de 229 para 289 óbitos entre 2017 e 2018. O estudo realizado revelou, ainda assim, que há um novo padrão de gravidez entre as portuguesas.

“Não se identificaram causas que justifiquem o aumento. Não há uma relação causal, mas sim algumas tendências que estão a mudar os padrões de gravidez, com consequências nos recém-nascidos”, garantiu a diretora-geral da Saúde no Parlamento, no início da semana. Graça Freitas adiantou que a principal suspeita recai sobre a idade tardia das mães.

A tendência para o adiamento da maternidade está a empurrar as mulheres para técnicas de procriação medicamente assistida, “com uma estabilização no serviço público e um aumento nas unidades privadas”, e a fomentar mais gestações de gémeos, a prematuridade e o baixo peso à nascença. Ou seja, a potenciar o nascimento de bebés com algum risco.

Graça Freitas sublinha que “os números são muito pequenos e sem relevância estatística”, mas permitiram, ainda assim, detetar algumas particularidades. Por exemplo, a mortalidade infantil foi maior nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e Açores, “embora sem ter sido encontrado um padrão causal”, e entre as mães com residência no estrangeiro, sobretudo em países africanos e do Leste europeu.

Outra das conclusões é a falta de informação e o excesso de mortes inconclusivas. O estudo revelou registos omissos, com regiões do país onde nem sequer se sabe qual foi o tipo de acompanhamento que a mulher teve durante a gravidez. Na verdade, ironiza a diretora-geral da Saúde, “a única causa que aumentou nos certificados de óbito foi a ‘causa desconhecida’, que não devia constar” e que leva as autoridades de saúde a pensar em “tornar obrigatórios alguns campos para que outros não fiquem por preencher”.

Os números relativos às mortes nos primeiros 12 meses de vida registadas já este ano “revelam o mesmo padrão dos anos anteriores, isto é, uma estabilidade nos três óbitos por mil nados vivos”, adiantou Graça Freitas. “Para este primeiro trimestre, só vamos conseguir calcular a taxa de mortalidade no final do mês quando tivermos os dados do Instituto Nacional de Estatística.”

Em 2018, quando a mortalidade infantil aumentou 26%, a taxa subiu de 2,7 para 3,3, gerando grande alarme social por poder ser um indicador da degradação dos cuidados nas unidades públicas de saúde. O ano anterior tinha sido um marco por ter colocado o país num patamar de excelência, isto é, abaixo dos três óbitos por mil nados vivos. O recorde absoluto foi batido em 2010, com uma taxa de 2,5. Também aqui não foi possível apurar explicações. “Estudámos tudo, como estudamos sempre, e não encontrámos uma causa”, admite a médica.

“Com números tão pequenos, não se podem tirar conclusões precipitadas. Há sempre o fenómeno da variabilidade dos pequenos números”, afirma Graça Freitas. Já com justificação e bem conhecida, é a reduzida taxa de mortalidade infantil em Portugal. Os números traduzem a evolução do sistema de saúde e da própria evolução social que há décadas colocam o país entre os melhores classificados em todo o mundo.

 

 

“O combate ao crescimento de movimentos anti-vacinação deve ser feito com mais e melhor informação”

Maio 12, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 29 de abril de 2019.

Susete Henriques

A DGS vai criar uma rede de municípios “Embaixadores da Vacinação” e é esta terça-feira que o projeto arranca com a assinatura de uma Carta Compromisso. O objetivo é “promover a cobertura universal da vacinação num mundo de desafios globais”, diz ao DN a coordenadora do Programa Nacional de Vacinação.

promoção da “cobertura universal da vacinação num mundo de desafios globais” é o objetivo da rede de municípios “Embaixadores da Vacinação” que a Direção-Geral da Saúde (DGS) quer implementar. É Teresa Fernandes, coordenadora do Programa Nacional de Vacinação (PNV) que explica ao DN no que consiste o projeto que é formalizado esta terça-feira, na Amadora, com a assinatura de uma Carta Compromisso.

A criação desta rede é, segundo a DGS, “uma iniciativa pioneira”, que pretende articular e otimizar a colaboração dos municípios na “promoção da literacia para a vacinação” e arranca, “de forma piloto” na Área Metropolitana de Lisboa.

No fundo é reforçar a importância do ato de vacinar e da sua cobertura universal “através de novas parcerias que visam informar cada vez mais públicos-alvo dos diferentes setores da sociedade contribuindo para a tomada de decisões informadas”, explica-nos Teresa Fernandes sobre o projeto que surge no âmbito da Semana Europeia da Vacinação, que decorre até esta terça-feira. No fundo, a ideia é levar a mensagem mais longe.

Com este projeto, pretende-se que os “Municípios Embaixadores da Vacinação”, comprometam-se, “em estreita articulação com os ACES (Agrupamentos de Centros de Saúde que gerem as Unidades de Saúde)”, e de acordo com as recomendações da DGS, a fazer a defesa da vacinação, promover o conhecimento nesta área, bem como concretizar oportunidades para o ato de vacinar. “Queremos fomentar a procura da vacinação de forma informada e consciente do seu valor para o próprio e para a sociedade”, afirma a responsável pelo PNV.

Um compromisso que é, no fundo o reforço de “que a vacinação é um direito, um dever, um ato de cidadania, de responsabilidade e de solidariedade, na defesa da saúde individual e da Saúde Pública, sublinha a DGS, em comunicado.

Aumentam casos de sarampo a nível global

A criação da rede de “Municípios Embaixadores de Vacinação” surge numa altura em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) dá conta de um aumento global do número de casos de sarampo que quase quadruplicou no primeiro trimestre deste ano face ao mesmo período de 2018, seguindo a tendência dos últimos dois anos, para 112.163 casos.

Também o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou para o problema. São mais de 20 milhões de crianças que não receberam a vacina contra o sarampo, dada em duas doses, em todo o mundo nos últimos oito anos. Esta falta de vacinação permite a exposição ao vírus e coloca em causa a imunidade de grupo e tem originado um aumento de surtos da doença em todo o mundo, conclui o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado no passado dia 25 de abril.

No âmbito da Semana Europeia da Vacinação, a UNICEF revela que cerca de 169 milhões de crianças não receberam a primeira dose da vacina, entre 2010 e 2017, o que equivale a uma média anual de 21,1 milhões de crianças.

A UNICEF indica que, em 2017, cerca de 110 mil pessoas, a maioria crianças, morreram de sarampo – 22% a mais que no ano anterior.

DGS atenta aos surtos de sarampo no mundo

Os Estados Unidos enfrentam o maior surto de sarampo em quase 20 anos e, entre os países desenvolvidos lideram a lista da UNICEF com o maior número de crianças (mais de 2,5 milhões) que não receberam a primeira dose da vacina entre 2010 e 2017. Seguem-se França e Reino Unido, com mais de 600 e 500 mil bebés não vacinados, respetivamente.

Uma realidade que leva Teresa Fernandes, da DGS, a sublinhar a importância do Programa Nacional de Vacinação. “Contribuiu para o desenvolvimento do País, reduzindo drasticamente a mortalidade infantil e as sequelas geradas por doenças que já não vemos, como a poliomielite, o sarampo, a rubéola, a difteria, o tétano, entre outras”.

Para a coordenadora do PNV, a “ausência destas doenças gera, principalmente noutros países, algum descrédito na vacinação e sobrevalorização dos seus raros efeitos adversos e incómodo provocado pela picada, por isso investimos na informação sobre o seu real valor”.

Defende, por isso, mais e melhor informação. “Cremos que o combate à desinformação e ao crescimento de movimentos anti-vacinação deve ser feito através de cada vez mais e melhor informação, proveniente de fontes credíveis e difundida a todas as pessoas, através de diversos meios de comunicação, independentemente da idade, religião, estatuto social, financeiro, migratório ou outro, pois é para todas estas pessoas que se destina a vacinação e que a mesma está disponível em Portugal, desde 1965″.

Situação em Portugal

Em Portugal, Lisboa e Vale do Tejo e o Algarve foram as regiões com taxa de cobertura vacinal abaixo do recomendado na segunda dose da vacina contra o sarampo, segundo dados de 2017.

De acordo com dados publicados no Conselho Nacional de Saúde (CNS), referentes a 2017, na segunda dose da vacina contra o sarampo, papeira e rubéola (VASPR), dada aos 12 meses e aos cinco anos, a taxa de cobertura vacinal ficou abaixo dos 95%, recomendados pela OMS em Lisboa e Vale do Tejo e o Algarve, regiões descritas como tendo “coberturas vacinais particularmente baixas”. Situação que registou melhorias, de acordo com os últimos dados da Direção-Geral de Saúde (DGS).

O estudo do CNS, especificou que, em 2017, “nenhum dos ACES [agrupamentos de centros de saúde] da região do Algarve regista uma cobertura vacinal superior a 95%, registando o ACES Algarve Central uma cobertura vacinal inferior a 90% (89,4%). O mesmo acontece nos ACES da área urbana de Lisboa, como o de Lisboa Norte (85,5%), Cascais (86,7%) e Amadora (88%), que registam “coberturas vacinais particularmente baixas”.

De acordo com a DGS, que revelou ao DN dados atualizados de 2018, a situação apresentou uma evolução favorável. Em Lisboa e Vale do Tejo, na segunda dose da vacina contra o sarampo, aos 6 anos, a taxa de cobertura é de 94,2% e, aos 7 anos, de 96,4%. Já na região do Algarve, há uma taxa de cobertura de 93% na segunda dose, aos 6 anos, e de 95,4% aos 7 anos”.

 

 

Saúde sinalizou perto de 65 mil crianças em risco de maus tratos em dez anos

Abril 29, 2019 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 22 de abril de 2019.

A negligência e os maus tratos psicológicos são os dois tipos de maus tratos mais comuns desde que a rede, agora com 269 núcleos espalhados por todo o país, foi criada em 2008.

Ana Maia

Em dez anos, perto de 65 mil crianças e jovens em risco ou vítimas de maus tratos foram sinalizados e acompanhados na rede de Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco (NACJR) que existem nos centros de saúde e nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Segundo os últimos dados, 2016 foi o ano com mais sinalizações: 9034 casos. Em 2017 houve uma redução – foram 8670 – valor em linha com o número registado em 2015.

A negligência e os maus tratos psicológicos são os dois tipos de maus tratos mais comuns desde que a rede, agora com 269 núcleos espalhados por todo o país, foi criada em 2008. Também têm sido identificadas situações de maus tratos físicos e abusos sexuais, mas em menor percentagem. Até Dezembro de 2017, os núcleos sinalizaram e acompanharam 64.876 crianças e jovens. Esta rede articula com outras entidades como escolas ou comissões de protecção de menores e tribunais.

“À semelhança do acontecido em todos os anos anteriores estudados, a ‘negligência’ constitui o mau trato prevalecente, correspondendo a cerca de dois terços do total de registos”, diz o último relatório da Comissão de Acompanhamento da Acção de Saúde para Crianças e Jovens em Risco, da Direcção-Geral da Saúde, que apresenta dados de 2016 e 2017. Em 2016 as negligências corresponderam a 67% das sinalizações e no ano seguinte a 62%.

“A negligência é um mundo enorme de situações e que vão desde as carências de higiene ao seguimento de uma doença crónica diagnosticada que não está a ser feita da forma correcta e a criança falta às consultas”, explica Vasco Prazeres, coordenador da comissão de acompanhamento. Podem também ser “sinais de uma alimentação descuidada ou falta de rotinas estabelecidas: sem horas para ir para a cama, come quando calha, percebe-se que não há grande ligação com as pessoas”.

Já o mau trato psicológico foi o segundo tipo de sinalização mais identificada ao longo destes dez anos. Em 2016 representou 21% dos casos e em 2017 foram 27%. A tendência nos últimos anos, refere o relatório, tem sido a redução dos casos de negligência e o aumento dos maus tratos psicológicos.

Para o responsável, a questão pode estar relacionada com vários factores como o trabalho desenvolvido no terreno pelos núcleos. “Quando as pessoas se tornam mais atentas a estes pequenos sinais, é possível corrigir ou procurar que sejam corrigidas algumas das situações que podem consubstanciar negligência. Isso, por si só, pode justificar uma diminuição das situações que são sinalizadas”, diz Vasco Prazeres.

Outro factor é a definição de cada um dos tipos de maus tratos que tem mudado ao longo do tempo, permitindo que situações que antes não eram identificadas agora não passem despercebidas. Vasco Prazeres dá um exemplo para o qual nem sempre se olha: “O grau de exigência brutal em termos de rendimento escolar.” São “as comparações que se fazem entre irmãos para outras situações, se calhar mais graves, que é: ‘Tu és burro, não és capaz de ter boa notas’.

Os maus tratos, sejam que de tipo forem, são transversais a todas as classes sociais. “É a realidade que nos mostra que assim é. Eventualmente somos capazes de identificar, à partida, mais vulnerabilidades e mais factores de risco que possam propiciar violência em determinados contextos sociais do que noutros”, admite Vasco Prazeres.

Foco na prevenção

Luísa Horta e Costa, coordenadora do núcleo do Centro de Saúde de Lisboa Ocidental e Oeiras, não tem dúvidas que “a sociedade em geral está mais desperta” para os maus tratos em crianças e jovens. “Não passa pela cabeça de nenhuma instituição que não existisse um núcleo. Fazem parte da vida diária das instituições do SNS”, diz a enfermeira, que é também interlocutora regional de Lisboa e Vale do Tejo com a comissão coordenadora.

Além do olhar atento dos profissionais nos centros de saúde, também as famílias lhes batem à porta a pedir ajuda quando sentem que há um risco iminente que precisa de ser resolvido. É esta maturidade conseguida ao longo de dez anos que tem permitido, por um lado, sinalizar mais casos e, por outro, intervir precocemente de forma a minimizar os riscos, evitando que alguns tenham de ser sinalizados.

Nas reuniões quinzenais de avaliação, cada gestor apresenta os seus casos a debate. A equipa é constituída por um enfermeiro, um médico, um psicólogo e um assistente social. O seguimento não se esgota numa intervenção e sempre com o foco na prevenção dos riscos.

“Temos tentado estabelecer que os núcleos tenham um olhar mais atento à primeira infância. Têm crescido as sinalizações durante a gravidez. Por exemplo, uma mãe que vem fazer o curso de preparação do parto e parentalidade e o enfermeiro percebe que não está bem ou o casal não está bem. Intervimos logo com uma primeira consulta de psicologia”, explica, acrescentando que muitas das sinalizações do núcleo são de crianças até aos dois anos. “O que fazemos é tentar parar tudo aqui”, reforça Luísa.

É essa ideia que Vasco Prazeres deixa quando fala sobre os desafios futuros. “O desafio futuro é cada vez mais que todas as equipas de saúde tenham na sua bagagem como profissionais a incorporação dos maus tratos como um problema de saúde a rastrear de forma sistemática. Sabemos que a exposição a maus tratos em idades precoces compromete em muito o desenvolvimento integral das pessoas. E que isso tem um efeito ao longo da vida. A intervenção tem o papel importante de poder travar a replicação do modelo de violência ao longo de gerações”, salienta o coordenador.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Ação de Saúde para Crianças e Jovens em Risco: Relatório 2016/2017 – dezembro de 2018

Casos de tuberculose em crianças aumentaram. Vacina BCG pode regressar

Abril 26, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 12 de abril de 2019.

Paula Dias com Rita Carvalho Pereira

As autoridades de saúde estão a considerar retomar a vacinação BCG, depois de, nos últimos anos, ter aumentado o número de casos de tuberculose em crianças.

A diretora do Programa Nacional para a Tuberculose, Isabel Carvalho, indica que a Direção-Geral da Saúde está a estudar a possibilidade da vacina BCG voltar a ser administrada às crianças de risco nas maternidades, o mais cedo possível, depois do nascimento.

Só no último ano, 34 crianças com menos de seis anos contraíram tuberculose (quatro das quais com alta gravidade), sendo que nenhuma das crianças infetada tinha sido vacinada.

Desde 2017 que a vacina BCG deixou de ser obrigatória para todas as crianças.

As regiões de Lisboa e do Porto são aquelas que apresentam o maior número de casos de infeção -e, como tal, são as mais prioritárias -, porém Isabel Carvalho ressalva que ainda não há previsão de quando a medida irá avançar.

“São ideias que têm sentido, que parecem ir melhorar a operacionalização da vacina, mas que ainda estão a ser trabalhadas”, salvaguarda a responsável, em declarações à TSF.

Isabel Carvalho defende que não existe benefício em vacinar toda a população, pelo que não faz sentido essa prática, mas admite que o facto de existir uma baixa incidência de tuberculose em Portugal fez com que os cidadãos e os profissionais de saúde começassem a descurar a doença – o que, por sua vez, levou ao aumento do tempo de diagnóstico e a uma maior probabilidade de contágio.

A diretora do Programa Nacional para a Tuberculose explica que tem ocorrido um atraso na administração da vacina às crianças que estão identificadas para vacinação, por questões logísticas. A responsável aponta ainda demoras no diagnóstico e falhas nos rastreios da doença.

As crianças consideradas de risco, aquelas que podem estar mais expostas a tuberculose, são as que têm pais “com VIH, com dependência de drogas ou álcool, com familiares de países de alta incidência ou que estiveram envolvidas num processo de exposição a tuberculose”, explica Isabel Carvalho.

“Quando achamos que a tosse se arrasta e que, apesar de tomar vário antibióticos, os sintomas não passam, temos de pensar que pode ser tuberculose e é preciso procurar ajuda”, sublinha.

 

 

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