Pode um jogo online engordar uma criança? Autoridades de saúde dizem que sim

Fevereiro 24, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 14 de fevereiro de 2017.

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Nuno Guedes

Direção-Geral da Saúde alerta: pais devem ter cuidado com a publicidade na Internet a alimentos nocivos e dirigida, especialmente, a crianças e adolescentes.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde (DGS) dá um exemplo que ele próprio já encontrou na Internet: um jogo, patrocinado, com chocolates.

À partida, parece uma brincadeira inofensiva, mas Pedro Graça diz que estamos perante uma das típicas publicidades “insidiosas” comum na Internet e nas redes sociais.

São casos como este e muitas outras formas de publicidade a alimentos nocivos para a saúde, para crianças e adolescentes, que levam a DGS a estar preocupada com a publicidade na Internet e a fazer um alerta aos pais, mas também ao Estado que deve regular.

Em declarações à TSF, Pedro Graça diz que um estudo recente feito no Canadá concluiu que 90% da publicidade a alimentos na Internet envolvia produtos de “má qualidade nutricional”, algo que em Portugal, até com a internacionalização de muitas marcas, “não será muito diferente”.

O responsável da DGS recorda que a publicidade nos meios tradicionais (rádios, TV, imprensa) foge cada vez mais para a Internet, um sítio onde, segundo afirma, os anúncios estão “fora de controlo” e onde as crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo.

Pedro Graça sublinha que “estimamos que uma criança está em média uma ou duas horas por dia em frente à televisão, mas se lhe juntarmos a Internet esse tempo em frente aos ecrãs duplica e mesmo triplica ou quadruplica, o que aumenta a nossa preocupação”.

Um crescimento do sedentarismo que, segundo o especialista, é acompanhado muitas vezes pela publicidade a produtos altamente calóricos e maus do ponto de vista nutricional.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável cita ainda um estudo da Fundação para a Ciência e Tecnologia que diz que 55% das crianças portuguesas acedem à Internet diariamente por conta própria, a partir do seu quarto, enquanto que os pais portugueses são aqueles que na Europa menos “controlam os conteúdos de uma forma interativa com os filhos” (68 %).

Em declarações TSF, o deputado do PS, Pedro Delgado Alves, explica que as mudanças ao Código da Publicidade que estão a ser discutidas no Parlamento também vão atingir a Internet, mas admite que é muito difícil, quase impossível, regular tudo o que chega às crianças e adolescentes.

ouvir a reportagem no link:

http://www.tsf.pt/sociedade/interior/pode-um-jogo-online-engordar-uma-crianca-autoridades-de-saude-dizem-que-sim-5665827.html

Carta da Criança Hospitalizada e Zebedeu – Um Príncipe no Hospital em destaque no site da DGS

Fevereiro 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Texto do site da https://www.dgs.pt/

A Carta da Criança Hospitalizada foi preparada por várias associações europeias em 1988, e o Sector da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança (IAC) publica, desde 1996, a sua versão em português.

A Carta da Criança Hospitalizada, nos seus dez princípios, define de forma clara um conjunto de direitos da Criança que, uma vez garantidos, asseguram a excelência do acolhimento e estadia da criança no hospital.

Em 2012, procurando cumprir um dos direitos consignados na própria Carta da Criança Hospitalizada – direito a receber uma informação adaptada à sua idade e compreensão -o IAC lançou o livro “Zebedeu – Um Príncipe no Hospital”, que aborda os direitos da criança no hospital, numa linguagem adaptada à compreensão do público infantil.

Para aceder a estes conteúdos, visite o website do IAC.

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Olhar pela saúde nas escolas

Janeiro 18, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/de 6 de janeiro de 2017.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Técnico de Avaliação do Programa Nacional de Saúde Escolar do Ano Letivo 2014/2015

educare

Programa de Saúde Escolar revela hábitos de alunos e investe em ações que abordam assuntos como a alimentação, os afetos, a sexualidade, a saúde mental. O relatório do ano letivo 2014/2015 foi divulgado pela Direção-Geral da Saúde e mostra o trabalho feito nas cinco regiões do país.

Sara R. Oliveira

Não havia muitos alunos que escovavam os dentes na escola no ano letivo 2014/2015 e nem todos tinham o boletim de vacinas atualizado. Nesse ano, foram sinalizados 2060 casos de maus tratos e registados 50 590 acidentes escolares. Oitenta por cento das escolas cumpriam a restrição de fumar e 15% tinham coberturas de fibrocimento. O Norte e o Algarve investiram na educação para os afetos e a sexualidade. O Alentejo dedicou-se sobretudo à educação alimentar e Lisboa e Vale do Tejo à prevenção do consumo de tabaco. Estes são alguns dos resultados do relatório técnico do Programa de Saúde Escolar do ano letivo 2014/2015, elaborado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Ao todo, 73% dos alunos matriculados nesse ano letivo foram alvo desse programa, ou seja, 886 490 dos 1 219 652. Uma maior percentagem, 80%, no 1.º ciclo do Ensino Básico e, com menor incidência, 54%, no Secundário. O programa teve mais expressão nos primeiros níveis de ensino. E existem diferenças regionais que, não sendo significativas, revelam prioridades nesta intervenção escolar. O Norte e o Alentejo privilegiaram as escolas do 1.º ciclo. O Centro e o Algarve o 2.º ciclo. Lisboa e Vale do Tejo abrangeu de forma equilibrada todos os níveis de ensino. E o Algarve foi a região que, proporcionalmente, mais trabalhou com os alunos do Secundário.

A análise feita revela que 31% dos alunos abrangidos pelo programa escovavam os dentes na escola, 66% estavam vacinados, 85% cumpriam a vigilância em saúde e 58% tinham um plano de saúde individual. O Norte foi a região que mais contribuiu para a melhoria da vigilância da saúde dos mais novos, o Algarve sobressaiu na melhoria da vacinação. O apoio a crianças e jovens com necessidades de saúde especiais (com doenças crónicas complexas, doenças neuromusculares, diabetes, asma e doenças alérgicas, entre outras) foi mais significativo no Norte e no Algarve. Seja como for, o programa ajudou a melhorar os indicadores de saúde das crianças e jovens, bem como o cumprimento da vacinação e vigilância da saúde.

Segundo o relatório da DGS, a saúde escolar sinalizou 2060 crianças e jovens vítimas ou suspeitas de maus tratos: 631 no 1.º ciclo, 532 no 3.º ciclo, 482 no 2.º ciclo, 267 no pré-escolar e 147 no Secundário. O maior número de sinalizações verificou-se no Norte, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo e a região Centro. O Alentejo e o Algarve tiveram menos situações reportadas. Os casos de maus tratos ou suspeitas sinalizados nas escolas são encaminhados para os Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco.

Oitenta por cento das escolas cumpriam a restrição de fumar no ano 2014/2015. A evolução tem sido positiva. No ano 2013/2014, a percentagem era de 79%, no ano letivo anterior de 76% e em 2011/2012 de 75%. “Apesar da boa evolução, nem todas as escolas cumprem a restrição de fumar e ainda há queixas sobre o desrespeito da lei”, lê-se no relatório. Em 2014/2015, contaram-se nove queixas por alunos fumarem.

O relatório dá ainda conta de 50 590 acidentes escolares: 2726 no pré-escolar, 14 380 no 1.º ciclo, 12 020 no 2.º ciclo, 14 868 no 3.º ciclo e 6 596 no Secundário. Todas as escolas avaliadas tinham sistema de recolha de resíduos sólidos, 98% da água para consumo humano era da rede pública e 90% tinham ligação à rede pública de esgotos. Quinze por cento tinham cobertura em chapa de fibrocimento, a maior percentagem estava situada na região de Lisboa e Vale do Tejo.

A DGS refere que a intervenção no âmbito da saúde escolar tem contribuído para a melhoria da saúde oral e redução da cárie dentária, através da implementação da escovagem dos dentes, de forma correta e precoce. “As crianças e jovens com necessidades de saúde especiais, isto é, problemas de saúde que podem comprometer, ou não, as aprendizagens é outra área de preocupação que as equipas de saúde escolar procuram eliminar/minimizar através da elaboração de planos de saúde individuais”, sublinha a DGS.

Afetos, tabaco, alimentação

As ações sobre alimentação saudável e atividade física foram as que chegaram a mais alunos, 386 383 ao todo. A seguir surgem as ações de educação para os afetos e a sexualidade com 378 400 alunos e as dedicadas ao ambiente e saúde com 270 672. Questões ligadas à saúde mental e à promoção de competências socioemocionais abrangeram 143 014 crianças e jovens, e a prevenção do consumo do tabaco chegou a 122 443 alunos. A prevenção do consumo de bebidas alcoólicas e de substâncias psicoativas ilícitas envolveu menos de 100 mil alunos. No pré-escolar, todos os assuntos são abordados, à exceção da saúde mental e do consumo do tabaco e de substâncias psicoativas ilícitas.

O Norte e o Algarve destacaram-se pelo investimento em educação para os afetos e sexualidade. O Alentejo deu preferência à educação alimentar e o Centro à educação para o ambiente e saúde e à alimentação. Lisboa e Vale do Tejo sobressaiu na prevenção do consumo de tabaco.

O relatório indica que, no futuro, é necessário promover uma maior intervenção em saúde mental e competências socioemocionais. “Melhorar o nível de literacia para a saúde dos alunos é muito mais do que informar sobre os riscos associados a determinados comportamentos e doenças. É motivar, é compreender a informação de saúde, é saber aceder e utilizar essa informação para promover e manter uma boa saúde”. O programa pode virar-se para outras direções. “Outras áreas novas como os hábitos de sono e repouso, a educação postural e a prevenção de comportamentos aditivos sem substância não foram intervencionadas de forma expressiva na escola. No entanto, elas são de capital importância para a saúde das crianças e dos jovens que a frequentam”, realça-se.

No ano letivo 2014/2015, foram avaliados 2230 estabelecimentos de ensino quanto à segurança, higiene e saúde. A maior parte das escolas tem boa segurança e higiene no seu meio envolvente. As escolas do Algarve eram as mais seguras no recinto, no edifício e na zona de alimentação coletiva. A segurança do meio envolvente da escola era maior no Alentejo. O Algarve e o Centro tinham uma maior percentagem de escolas com boas condições de higiene nos diversos espaços escolares. E, como se sabe, a boa higiene do ambiente escolar implica a limpeza geral do espaço, do mobiliário urbano, a boa conservação das salas de aula, balneários, vestiários, instalações sanitárias, remoção de resíduos em todas as áreas do estabelecimento, cantinas incluídas.

Literacia de alunos e docentes

O relatório focou-se no ano letivo em que mudou o paradigma de intervenção da saúde escolar e o seu sistema de informação. No ano em que foi elaborado um referencial de educação para a saúde, em que se operacionalizaram projetos para a promoção de estilos de vida saudáveis, do pré-escolar ao secundário, e se investiu em materiais pedagógicos.

Ao todo, 53 557 educadores de infância e docentes foram alvo do programa. Tal como acontece com os alunos, os professores dos primeiros níveis de educação, em especial os educadores de infância, são os que têm maior apoio no âmbito da saúde escolar. Situação que se repete e que a DGS avisa que é preciso inverter. “O principal trabalho das equipas de saúde escolar, especialmente no que à promoção da saúde diz respeito, é junto dos docentes e não docentes”, lê-se no relatório. O Alentejo, o Centro e o Norte trabalharam com cerca de 80% dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo.

O programa melhora a literacia para a saúde de alunos e docentes. Quanto mais cedo se passar à ação, melhor. “Obter ganhos em saúde, a médio e longo prazo, passa por olhar para o perfil de saúde da população portuguesa e trabalhar desde cedo em prol da promoção e educação para a saúde, e da redução dos determinantes das doenças crónicas como a obesidade, o tabaco, a diabetes e a hipertensão arterial que condicionam a esperança de vida saudável”. E não se pode esquecer a formação. A DGS defende que “investir em promoção da saúde na escola é dar prioridade aos docentes, capacitando-os para que os determinantes da saúde sejam integrados nos currículos das mais diversas áreas do saber e a sua ‘transmissão’ aos alunos seja pedagogicamente adequada ao nível de desenvolvimento do grupo escolar”.

 

 

Com novo plano de vacinas, aos 12 meses bebés ficam protegidos contra 11 doenças

Janeiro 7, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Graça Freitas ao https://www.publico.pt/ no dia 26 de dezembro de 2016.

A vacina da meningite B, que fica cara aos pais, vai ser dada apenas aos grupos de risco

A vacina da meningite B, que fica cara aos pais, vai ser dada apenas aos grupos de risco

Já há 300 mil adolescentes vacinadas contra o vírus do papiloma humano em Portugal, calcula a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas. E a nova vacina incluída no Programa Nacional de Vacinação — que arranca em Janeiro — protege contra mais de 90% dos cancros de colo do útero.

Alexandra Campos

A grande mensagem do novo Programa Nacional de Vacinação (PNV), que entra em vigor em 2 de Janeiro, é que a vacinação é para a vida.  As crianças começam a ser imunizadas contra a tosse convulsa ainda na barriga das mães. Depois, com menos picadas do que actualmente, aos seis meses já ficam protegidas contra sete doenças e, com apenas um ano, ficam livres de 11 patologias, enfatiza a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas.

A médica calcula que já são 300 mil as raparigas imunizadas contra o vírus do papiloma humano e frisa que a nova vacina protege contra mais de 90% dos cancros do colo do útero. Já a vacina da meningite B, que fica cara aos pais, vai ser dada apenas aos grupos de risco, mas o alargamento a todas as crianças continua em estudo.

O novo PNV vai arrancar com algum atraso nos centros de saúde porque o concurso de uma das vacinas não está concluído, avisa Graça Freitas, que confia que tudo esteja normalizado em duas semanas.

O novo Programa Nacional de Vacinação tem muitas alterações. Uma das novidades é a vacinação universal das grávidas para a tosse convulsa. Mas, habitualmente, as grávidas são avessas a vacinar-se. Acha que vão conseguir convencê-las desta necessidade?

Estamos convencidos de que vamos ter uma boa adesão.  Em cada momento, desde 1965 (o PNV já tem 51 anos),  foi-se fazendo o melhor programa possível para a saúde pública e para a população naquele momento. Há aqui uma relação de confiança entre quem promove a vacinação e quem se vacina. Num mundo tão conturbado, é importante realçar a confiança da população.

A taxa de vacinação em Portugal é muito elevada?

Sim, é à volta de 95% ou mais. Há outros países com bons resultados, mas não há muitos que mantenham esta cadência. A grande mensagem deste PNV, em termos generalistas, é que a vacinação é para o longo da vida, não é só pediátrica. Começamos pela vacinação das grávidas contra a tosse convulsa, a primeira vacina que estamos a introduzir é in utero. Vacina-se a mãe para que possa passar a imunidade, os anticorpos que desenvolve, através da placenta, de forma a proteger o seu filho, que só se pode vacinar contra tosse convulsa aos dois meses. Aquelas primeiras semanas de vida são as de maior vulnerabilidade para a doença.

Mas este ano há um pico de casos de tosse convulsa em Portugal e as vacinas para as grávidas que se vendem nas farmácias chegaram a esgotar-se…

Sim, houve um pico de casos, mas agora abrandou. Esta doença é sazonal, há mais casos nos meses quentes mas, mesmo com os picos, os casos são poucos. O problema é que [esta patologia], nas primeiras semanas de vida pode ser grave. As grávidas devem fazer a vacina da tosse convulsa entre a 20.ª e a 36.ª semana, idealmente até à 32.ª semana. A vacina é segura, para a mãe não tem consequências, e é um acto de generosidade e de amor porque protege o filho. Esta é uma mudança crucial.

Outra novidade é que os bebés vão ser sujeitos a menos picadas?

Exactamente. Aos dois meses e aos seis meses, para manter a aceitação, para aumentar o conforto e minimizar a dor, tomamos a decisão de introduzir duas doses de vacina hexavalente (a mesma ampola contém seis vacinas).  Assim, aos dois e aos seis meses poupamos uma injecção.

Havia recomendações de especialistas, nomeadamente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, para incluírem também outras vacinas, como a do rotavírus, da varicela e hepatite A, algumas das quais custam muito dinheiro aos pais. Por que é que isso não aconteceu?

Ponderamos sempre a inclusão em função do interesse público, do benefício para a sociedade, mais do que o benefício individual. Nenhum programa em nenhuma parte do mundo tem todas as vacinas. Portugal, por exemplo, durante anos teve a BCG quando a maior parte dos países já não tinham.

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Mas a vacinação contra o rotavírus e a varicela faz ou não faz sentido?

Do ponto de vista da saúde pública não faz sentido. A doença por rotavírus é uma gastroenterite, não é grave, basta que as crianças estejam hidratadas. Agora, do ponto de vista individual, não temos nada com isso, a decisão é dos pais e dos médicos.

Por que motivo é que a vacina da meningite B fica reservada apenas para grupos de risco?

É para grupos de risco, mas o alargamento ainda está em estudo.

É uma vacina cara para os pais…

Sim, mas temos que ter a certeza que é benéfica para todos, se vai diminuir a circulação ou não. É um processo de decisão muito complexo. Isto depende sempre da evidência científica, dos estudos.

Nos últimos anos têm-se sucedido também as falhas no fornecimento da vacina BCG. Foi por isso que decidiram deixar de a dar a todas as crianças e passaram a dar só às de grupos de risco?

Não, já estávamos a estudar esta mudança havia muitos anos. Esta é outra novidade, mas já era assim desde o ano passado. Só que agora passa a ser oficialmente assim. [No entanto], os grupos de risco, as pessoas imunodeprimidas, as que vão fazer uma viagem especial, os profissionais de alguma área que os põe em risco, podem continuar a beneficiar de vacinação gratuita.

No caso das adolescentes, o que é que muda na vacina contra o papiloma vírus humano (HPV)?

Mudámos de uma vacina que tinha quatro grupos do HPV e protegia contra 75% dos cancros do colo do útero para outra contra nove genótipos do HPV que protege contra 90% a 95% dos cancros do colo do útero. É um ganho muito grande.

Já há muitas adolescentes vacinadas em Portugal?

Há mais ou menos 300 mil adolescentes vacinadas, é a minha estimativa. É muita menina, estou muito feliz com isto.

Vários especialistas recomendam também a vacinação contra o HPV para os rapazes. Por que é que isso não avançou?

Tínhamos que ser muito ricos. Se as meninas ficarem protegidas, mais tarde, quando os rapazes tiverem relações sexuais com elas, não há transmissão. Há aqui um ganho adicional para os rapazes. Agora, voltamos à história do plano individual: se uma família quiser dar esta vacina aos rapazes, não é um erro. Mas, do ponto de vista da saúde pública, consideramos que era preferível investir o dinheiro a aumentar a abrangência para as raparigas em vez de vacinar também rapazes.

Já na idade adulta, porquê toda esta insistência com a vacinação contra o tétano?

Porque o tétano nunca se vai extinguir, a bactéria sobrevive anos no ambiente e a doença não dá imunidade, o que é uma coisa estranha. E esta é uma doença muito grave. A boa notícia é que, ao longo da vida, os reforços desta vacina vão passar a ser feitos de vinte em vinte anos, em vez de dez em dez anos. Só a partir dos 65 anos, como o sistema imunitário já não é tão bom, é que as pessoas se têm que se vacinar de dez em dez anos.

Como é que vão operacionalizar o novo programa no terreno a partir de Janeiro?

Estamos a fazer todos os esforços e vamos conseguir que isto arranque como está previsto a partir de 2 de Janeiro na maior parte dos sítios para a maior parte das vacinas.  Noutras situações poderá haver um delay de dias, durante a primeira e a segunda semanas.

O gasto com o actual PNV ascende a 30 milhões de euros. Quanto é que o novo vai custar? Vai ficar um bocadinho acima, não sei dizer porque o concurso das vacinas hexavalentes ainda não está completamente encerrado. Estas são um bocadinho mais caras, a HPV9 também é mais cara e a das grávidas representa um custo adicional. [Em contrapartida], reduzimos a BCG mas esta é uma vacina barata.  O orçamento ficará acima dos 30 milhões,  mas não sei os números exactos.

O concurso não está concluído? Então como vão avançar em Janeiro?

A vacina hexavalente é a menos problemática, porque os poucos meninos que vão fazer dois meses estes dias podem fazer a pentavalente mais um. E vamos ter a hexavalente nos primeiros dias de Janeiro. Se as crianças cumprirem o esquema, quando fazem seis meses ficam protegidas contra sete doenças. É muito importante que os pais não se atrasem. Quando fazem um ano, ficam protegidas contra 11 doenças. A grande vantagem é a de que, com um ano de idade, as pessoas já estão livres de 11 doenças, algumas delas graves.

Apesar disso, há pessoas que têm medo de se vacinar.

Sim, há movimentos de hesitação em vacinar, por isso vamos fazer uma fortíssima aposta na informação e comunicação. Queremos que os pais estejam sempre informados dos benefícios e dos raros riscos da vacinação, e também dos riscos da não vacinação.

 

Indisciplina e más notas provocadas por sofrimento emocional acentuado

Janeiro 5, 2017 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 30 de dezembro de 2016.

A notícia contém declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

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Isolamento pode ser um dos sinais de sofrimento | Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

Ana Bela Ferreira

Promoção da saúde mental é prioridade da Direção Geral da Saúde, que já formou 300 profissionais para ajudar jovens

As dificuldades de aprendizagem e indisciplina de muitas crianças resultam de “um sofrimento emocional acentuado”, alerta a Direção Geral da Saúde (DGS), no relatório do Programa Nacional de Saúde Escolar, feito no letivo 2014/2015 e recentemente apresentado. Preocupada com o problema, a promoção da saúde mental passou a ser “o eixo central da intervenção da Saúde Escolar”.

A aposta – resultado de uma parceria entre a DGS e Direção Geral da Educação – “tem a ver com a consciência de que o universo escolar traz atrelado uma série de preocupações e a certeza de quando há uma boa saúde mental é mais fácil a aprendizagem, a inserção social, o sucesso escolar e como é importante apostar desde o início nestas áreas”, defende Conceição Tavares Almeida, psicóloga e assessora para a área da infância e adolescência no programa nacional de saúde mental.

Para poder ajudar as crianças e jovens, arrancou, em fevereiro deste ano, um plano de formação “de cerca de 300 profissionais de saúde e de educação que ficaram capacitados para desenvolver projetos de promoção da saúde mental orientados pela tipologia de competências socioemocionais”, segundo explicou ao DN a coordenadora do Programa Nacional Saúde Escolar, Gregória Paixão von Amann. E que o coordenador do Programa Nacional para a Saúde Mental – que trabalhou em conjunto com a equipa da Saúde Escolar – confirma que está previsto manter em 2017. “Está no plano de atividades a continuidade deste programa de formação, para chegar mais ou menos a mais 300 pessoas e assegurar apoio a quem já teve esta formação. Está previsto, mas às vezes pode haver problemas de orçamento, tal como já tivemos no ano passado”, aponta o especialista.

Com estas ações, os responsáveis de saúde pretendem que sejam desenvolvidos projetos junto das crianças que as ensinem “a aceitar as diferenças entre si, a respeitarem-se mutuamente, a saberem identificar quando precisam de ajuda e recorrerem a um adulto de referência, a assumirem gradualmente a responsabilidade das suas ações e a tomarem as melhores decisões para a sua saúde e vida”, refere a coordenadora do programa de saúde escolar.

Além disso, “quando os professores estão alerta para a situação por detrás daqueles comportamentos, acabam por adequar a sua forma de estar e conseguem ter outros resultados, não tem que ser uma atitude desculpabilizante, mas de compreensão”. E como “comportamento gera comportamento”, os alunos “acabam por mudar a sua atitude perante o professor”, justifica Melanie Tavares, coordenadora da mediação escolar do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

É “melhorando a qualidade da interação entre a criança ou jovem com a família, a escola e o meio sociocultural”, que a DGS acredita ser o caminho para combater o sofrimento emocional de muitas crianças. “No âmbito do Programa Nacional de Saúde Escolar a promoção da saúde mental é uma prioridade pois é a dimensão da saúde que permite lidar, de forma mais eficaz, com as emoções, os sentimentos, as frustrações e usufruir do seu contributo para a capacidade de pensar e de tomar decisões”, diz Glória von Amann.

Não há crianças mal educadas

Uma das razões para investir na saúde mental dos jovens é, segundo o psiquiatra Álvaro Carvalho, o facto de “nenhuma criança é mal educada porque sim”. “O caráter só se forma no final da adolescência, ou seja, até lá comportamentos de indisciplina ou agressivos são, com frequência, expressão de problemas emocionais, que podem ter origem na família ou na escola”.

Esse é o entendimento que tem estado na base da atuação dos gabinetes de apoio ao aluno e à família (GAAF) do IAC, desde que foram criados em 1998. “A nossa intervenção sempre assentou em quatro pilares: aluno, escola, família e comunidade. A nossa experiência diz-nos que na maioria das vezes o problema está na família, na falta de apoios socioeconómicos ou acompanhamento”, refere Melanie Tavares, coordenadora da mediação escolar do IAC. Da sua experiência, a psicóloga, lembra que “os alunos são o espelho das situações familiares”. “Uma criança quando não está bem só consegue por cá para fora coisas más. Se tivermos adultos educados para lidar com este tipo de crianças ou jovens, eles desistem do comportamento que tinham”, acrescenta.

Dos casos que acompanham, “sem fazer um estudo, diria que 80% dos alunos que identificámos com problemas emocionais, tiveram problemas de comportamento”. No ano letivo anterior, os GAAF identificaram 229 alunos com problemas do foro psicológico e 544 participações disciplinares (sendo que o mesmo aluno pode ter mais do que uma participação).

O número de crianças “com problemas mentais” não é conhecido em Portugal, como esclarece Álvaro Carvalho, que faz referência aos dados internacionais que apontam para uma incidência de 20% e dessas só um quinto das crianças são tratadas.

Por vezes o mais difícil é perceber os sinais. “A questão é que tudo pode ser sintoma”, aponta Melanie Tavares. “Pode ser começar a ficar agitada ou muito parada, deixar de ter capacidade de concentração, ou então ficar muito concentrada e sobre investir na parte escolar, alterações alimentares. No fundo, é preciso estar atento a mudanças”, sintetiza Álvaro Carvalho.

 

 

 

Escolas sinalizaram mais de dois mil casos de maus tratos em 2014/2015

Dezembro 30, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de dezembro de 2016.

o documento citado na notícia é o seguinte:

Relatório Técnico de Avaliação do Programa Nacional de Saúde Escolar do Ano Letivo 2014/2015

Relatório da Direcção-Geral da Saúde tem dados do ensino pré-escolar ao secundário Rui Gaudencio

Relatório da Direcção-Geral da Saúde tem dados do ensino pré-escolar ao secundário Rui Gaudêncio

No último ano lectivo avaliado pelo Programa Nacional de Saúde escolar, um quinto das escolas não respeitava a restrição de fumar.

Alexandra Campos

Mais de dois mil casos de maus tratos e suspeitas de maus tratos a crianças e jovens foram denunciados pelos estabelecimentos de ensino no ano lectivo de 2014/15, no âmbito do Programa Nacional de Saúde Escolar, revela um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

No relatório técnico que faz a síntese das acções levadas a cabo no âmbito deste programa (que nesta última edição incluiu novos indicadores), especifica-se que foram 2060 os casos e as suspeitas de maus tratos identificados por professores ou funcionários ou elementos das equipas de saúde escolar nos estabelecimentos do ensino pré-escolar ao secundário.

O maior número de supostas vítimas foi identificado no ensino básico e a região Norte foi a que mais casos de maus tratos denunciou aos núcleos de apoio a crianças e jovens em risco que estão integrados nos agrupamentos de centros de saúde.

Estes núcleos são constituídos por equipas pluridisciplinares que identificam os autores dos maus tratos, habitualmente familiares das vítimas, e tentam resolver as situações de risco, razão pela qual no relatório da DGS não são adiantados detalhes sobre os casos. “Não nos vamos sobrepor às competências destes núcleos, referenciamos para quem tem a responsabilidade de tratar desta situações”, explica Gregória von Amenn, coordenadora do Programa Nacional de Saúde Escolar da DGS.

São estes núcleos nos centros de saúde que prioritariamente têm a responsabilidade da intervenção junto dos menores em risco, ainda antes das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens e dos próprios tribunais, os quais apenas devem ser chamados a intervir quando não for possível aos primeiros actuar de forma a remover o perigo.

Escolas denunciam um quarto dos casos

No relatório da DGS enfatiza-se que, em 2014, foram sinalizados a nível nacional mais de oito mil casos de maus tratos e suspeitas de maus tratos a crianças e jovens, o que permite concluir que aproximadamente um quarto destas situações são detectadas e denunciadas pelos estabelecimentos de ensino.

Mas o documento destaca ainda que no ano lectivo 2014/2015 ocorreram 50.590 acidentes dos mais variados tipos nos estabecimentos de ensino. Neste ano lectivo, o programa abrangeu 886 mil alunos dos mais de 1,2 milhões que estão matriculados em estabelecimentos de ensino, desde o pré-escolar até ao secundário. Ou seja, 73% do total dos alunos foram alvo de acções de promoção e educação para a saúde.

O que se percebe também é que um quinto dos estabelecimentos avaliados não cumpria então “a restrição de fumar” e que ainda há queixas sobre o desrespeito da legislação do tabaco (sobre consumo em locais inadequados, falta de vigilância, etc), apesar de a situação ter melhorado substancialmente nos últimos ambos. Fica-se a saber que menos de um terço (31%) dos alunos escova os dentes na escola.

O ano lectivo de 2014/2015 foi um ano de mudança no qual “se alterou o paradigma de intervenção da saúde escolar” e se mudou o seu sistema de informação, depois de ter sido assinado um protoclo de cooperação em Fevereiro de 2014 entre directores gerais da saúde e da educação.

 

Sopa e peixe? Crianças consomem, adolescentes nem tanto

Outubro 10, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 22 de setembro de 2016.

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Um relatório do projeto “Almoço Virtual” mostra que mais de metade dos alunos dos seis aos 14 anos leva sopa nos tabuleiros, mas que a percentagem desce quando vão ficando mais velhos.

Novo relatório do projeto “Almoço Virtual” mostra que, à medida que envelhecem, as escolhas alimentares dos estudantes mudam e passam a consumir menos peixe e menos sopa.

O projeto “Almoço Virtual”, com a parceria da Direção-Geral da Saúde, monitorizou as escolhas alimentares em mais de 14.g00 crianças e adolescentes que frequentam escolas da Grande Lisboa durante o ano letivo 2015-2016. A análise mostra que maior parte dos estudantes analisados dava preferência a produtos excessivamente calóricos.

O estudo mostra que em mais de metade (57,5%) dos alunos entre os seis e os 14 anos levavam sopa nos tabuleiros. Na faixa etária seguinte, entre os 15 e os 18 anos, apenas 44% dos alunos escolhia levar sopa. No peixe, a frequência era maior nos alunos mais novos (23% escolheram peixe) do que nos mais velhos (21%).

Nos tabuleiros dos alunos mais velhos existe, por norma, mais carne e refrigerantes do que nos dos mais novos.

Na constituição da sua refeição, os adolescentes escolhem menos vezes sopa, peixe, água, legumes e fruta e mais vezes carne, cola e doces do que as crianças e do que os adultos, o que contribui para o facto de os adolescentes apresentarem um excesso calórico (67%) superior ao das crianças (62,6%).

João Martins, um dos responsáveis por este estudo, afirmou ao JN – na sua edição impressa – que os resultados “podem querer dizer que os mais novos ainda agem sob influência do que aprendem”.

O projeto “Almoço Virtual” promove a “informação e o espírito crítico das crianças e adolescentes” e pretende que estes façam escolhas alimentares saudáveis.

Depois do estudo, maior parte dos inquiridos revelaram querer mudar os hábitos alimentares, como se pode ver pelo gráfico abaixo.

A iniciativa do Almoço Virtual desenrola-se através da simulação de um self-service, disposto num autocarro, em que os inquiridos são convidados a escolher réplicas de silicone de alimentos comuns. O autocarro do Almoço Virtual vai rumar, durante o ano letivo 2016/2017, pelo Porto, Coimbra, Évora e Beja.

 

Escolas ignoram regras de 2012 e vendem alimentos prejudiciais à saúde

Outubro 3, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 6 de setembro de 2016.

Leonardo Negrão/Global Imagens

Leonardo Negrão/Global Imagens

Joana Capucho

Há escolas que insistem em vender doces embalados e bebidas açucaradas nas máquinas automáticas

O bar da escola ainda não abriu. Restam algumas garrafas de água na montra. Ao lado, na máquina de venda automática, há águas, embalagens pequenas de Oreo, Chips Ahoy e Cacao Wafer, pacotes de Compal, Fresky, Capri Sonne e B!. Foi este o cenário encontrado ontem pelo DN numa escola dos 2.º e 3.º ciclos de Aveiro. “Devem vir trazer mais coisas antes de as aulas começarem. Costuma ter sandes, gelatinas, chocolates, bolachas de água e sal e digestivas, salame, bolo de bolacha”, conta Maria, aluna do 8.º ano.

Quatro anos depois de a Direção-Geral da Educação (DGE) ter publicado regras muito específicas para a alimentação nas escolas, ainda há instituições de ensino que disponibilizam bebidas açucaradas, que podem ser equiparadas a refrigerantes (categoria que inclui iced tea, bebidas aromatizadas e com gás) e outros alimentos pouco saudáveis nas máquinas de venda automática. E continuam a chegar queixas à Direção-Geral da Saúde. Os diretores reconhecem que as máquinas são uma fonte

de rendimento para as escolas e garantem que estas estão a renegociar com as empresas que as abastecem para que vendam alimentos mais saudáveis. No ano passado, um estudo feito pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, que avaliou quase 20 escolas do concelho, concluiu que 80% das escolas ainda estavam a oferecer produtos que não deviam estar disponíveis e apenas metade daquelas ofereciam fruta.

“Ainda se veem alimentos e bebidas que não devem ser comercializados em algumas escolas públicas portuguesas, mas é cada vez menos usual”, admitiu ao DN Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP). O também diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, diz que, no seu caso, a escola decidiu eliminar as máquinas de venda automática, mas há diretores que optam por renegociar os contratos com as empresas.

“As máquinas estavam preparadas para determinado tipo de produtos. As escolas que as querem manter têm de falar com as empresas para mudar os produtos que existiam, nomeadamente os refrigerantes”, adianta Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes Escolares, destacando que as máquinas de venda automática são “uma fonte de rendimento” para as escolas, que recebem uma percentagem das vendas.

À Direção-Geral da Saúde (DGS) ainda chegam algumas queixas. Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, diz ao DN que, “pontualmente”, há pais que informam a DGS de que determinada escola não está a cumprir as regras (ver entrevista). De acordo com as orientações para os bares escolares e máquinas de venda automática emitidas em 2012, há alimentos a privilegiar, a limitar e a não disponibilizar. Entre aqueles que não podem ser vendidos estão os refrigerantes (lista que inclui iced tea, bebidas com gás ou à base de cola, água aromatizada), chocolates em embalagens superiores a 50 gramas, pastéis, bolachas e biscoitos com cobertura e/ou recheados, guloseimas, entre outros.

Jorge Ascensão, presidente da Confederação Geral das Associações de Pais, acredita que o problema “está mais ou menos controlado”, existindo apenas “situações pontuais”. Sempre que as associações de pais se apercebem de irregularidades, a escola é contactada.

Embora muitas escolas já tenham eliminado os referidos produtos, há casos em que os alunos conseguem comprá-los a poucos metros da instituição. “Do outro lado da rua há cafés a vender esses alimentos, que os alunos levam para a escola”, denuncia Filinto Lima. Para o presidente da ANDAEP, as escolas devem “sensibilizar os alunos e as famílias, que também dão às crianças em casa aquilo que as escolas estão proibidas de vender”.

Bufetes Escolares – Orientações

Veganismo na infância? Sim, é possível

Agosto 23, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 16 de agosto de 2016.

observador

Vera Novais

Os casos sucedem-se: pais veganos que deixam os filhos ficarem subnutridos. Será culpa do veganismo ou é negligência? Uma deputada italiana quer criminalizar os pais que sigam este regime alimentar.

Pais condenados por deixarem morrer uma criança à fome, é uma notícia que deixa chocado qualquer um – ou, no mínimo, quem tenha filhos ou crianças ao seu cuidado. Revoltam-se os leitores contra os pais. Mas se a notícia incluir que os pais são veganos e que terão tentado dar uma alimentação estritamente vegan ao bebé, culpa-se a dieta. Será que é mesmo caso para culpar o veganismo?

A deputada italiana do partido de centro-direita Forza Italia, Elvira Savino, considera que sim, por isso apresentou um proposta de lei que prevê que se penalize, com uma pena de um ano, os pais que impõem uma dieta vegan aos seus filhos (até aos 16 anos), noticia o jornal italiano La Republica. A proposta é motivada pelos recentes casos de crianças hospitalizadas em Itália com sinais de subnutrição. Consoante a gravidade das consequências na vida da criança, incluindo a morte, as penas podem ir até seis anos (qualquer pena é acrescida de 12 meses se a criança tiver menos de três meses).

Mas não é só em Itália que se têm registado casos de bebés que têm problemas de saúde graves ou que morrem devido às dietas impostas pelos pais. Recorde-se o caso de um bebé norte-americano que morreu, em 2004, às seis semanas com pouco mais de 1,5 quilogramas. Os pais, que se assumiam vegans, alimentavam o bebé exclusivamente com bebida de soja e sumo de maçã. Foram condenados por homicídio – não por serem vegans, mas por terem deixado morrer o filho à fome.

“Não importa quantas vezes tenham dito: ‘Somos vegans, somos vegetarianos’, não é essa a questão aqui. A criança morreu porque não era alimentada. Ponto.”

Chuck Boring, procurador [citado pelo New York Daily]

 

É por causa de situações como esta que Elvira Savino é tão inflexível. No texto da proposta de lei, a deputada critica os pais que de forma imprudente criaram dietas estritas sem consultarem nutricionistas ou que se limitaram a dar-lhes bebidas de amêndoas fervidas e lembra que estas atitudes prejudicam gravemente a saúde das crianças.

Todas as crianças devem ser alimentadas exclusivamente com leite materno até aos seis meses, como defende a Organização Mundial de Saúde. “E os vegans aceitam e promovem o aleitamento materno”, nota Alejandro Santos. Para o nutricionista, a questão mais importante nesta fase, e ainda antes disso, é a alimentação da mãe – vegan ou não.

As doenças metabólicas que se manifestam nos adultos, podem ter tido origem no desenvolvimento embrionário, refere o professor e investigador da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. A carência ou excesso de determinados nutrientes durante a gestação influencia a expressão dos genes no bebé. Daí que seja tão importante que a mãe ingira a quantidade de proteínas, vitaminas ou energia ideal durante este período.

Após o nascimento, a Comissão de Nutrição da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) também defende o aleitamento exclusivo nos primeiros seis meses. Durante este período, as mães vegans devem ter o cuidado de usar suplementos ou alimentos fortificados para suprirem a necessidade de alguns nutrientes. “Assim, a dieta das lactantes vegans deve ser rica (suplementação ou fortificação) em vitamina B12, situação que não se coloca em amamentantes ovolactovegetarianas.” Estas mães devem ter também em atenção os níveis de cálcio, o ácido gordo docosahexanóico (DHA) e iodo, assim como a disponibilidade em zinco e ferro.

Claro que existem casos em que a mãe não pode ou não consegue amamentar a criança durante estes seis meses. Neste caso, Alejandro Santos recomenda que as mães recorram a um banco de leite materno, mas se esta opção não estiver disponível, a melhor escolha para as mães vegans alimentarem os bebés são as fórmulas adaptadas com hidrolisados de proteína de soja – ideais também para crianças alérgicas à proteína do leite. “As bebidas de arroz, amêndoa ou de soja [que não sejam as fórmulas adaptadas] não são bons substitutos do leite, mesmo que aleguem ser suplementadas com cálcio”, alerta o nutricionista. “As bebidas de arroz e amêndoa são pobres nutricionalmente.” Aliás, estas bebidas não devem ser introduzidas na dieta da criança antes dos 12 meses, refere a nutricionista Sandra Gomes Silva.

A partir dos seis meses (e nunca antes dos quatro) podem introduzir-se, faseadamente, alimentos sólidos, refere Alejandro Santos. Uma situação que é comum a qualquer criança saudável e não está dependente da opção de dieta. Os alimentos devem ser introduzidos um a um, para perceber se a criança faz algum tipo de reação ao alimento. A primeira seleção pode ser a maçã, pera, cenoura ou espinafres. Durante este período a criança pode continuar a ser amamentada e o aleitamento pode ser prolongado por quanto tempo seja confortável à mãe ou ao bebé, refere o nutricionista.

O importante nesta fase é “respeitar os ritmos e gostos do bebé”, refere Sandra Gomes Silva. Os pais devem procurar dar uma alimentação variada e o mais natural possível – devem evitar-se os alimentos processados que tenham quantidades altas de sal e açúcar -, acrescenta a nutricionista. O cuidado com as escolhas na alimentação são tão importantes para uma criança vegan ou vegetariana, como para uma criança omnívora, conclui.

Embora a Organização Mundial de Saúde também defenda o aleitamento até aos dois anos (ou até por mais tempo), depois dos seis meses este não deve ser o alimento exclusivo da criança. A alimentação exclusiva com leite materno levou à morte de uma bebé francesa, em 2008. Três anos depois, os pais foram condenados a cinco anos de prisão pela morte da filha de 11 meses que morreu com 5,7 quilogramas, quando deveria ter oito quilos. Além disso, os pais recusavam-se a fazer suplementação de vitaminas e rejeitavam a medicina tradicional, tratando a bronquite da filha com cataplasmas. A menina morreu de pneumonia, agravada pela carência das vitaminas A e B12.

“Não estamos aqui para julgar o estilo de vida alternativo, mas para decidir se este homem e esta mulher demonstraram falta de assistência e causaram a morte da sua filha.”

Anne-Laure Sandretto, procurador [citado pelo The Guardian]

 

O leite materno não é alimento suficiente para uma criança com mais de seis meses, mas mais do que isso, o leite de uma mãe vegan carece de vitamina B12. As mães ovolactovegetarianas ou as que comem carne ou peixe pelo menos uma vez por semana, podem conseguir uma boa quantidade da vitamina, mas as mães vegans não, alerta Alejandro Santos. Essas devem receber suplementação. E as crianças também.

“A Comissão de Nutrição da SPP refere que lactantes a efetuar dietas vegetarianas restritivas deverão efetuar suplementação com DHA, vitamina B12 e ferro e ainda que a suplementação do lactente deverá ser considerada não apenas nestes micronutrientes mas também em zinco, particularmente após os 5-6 meses”, refere o parecer da comissão enviado ao Observador.

É exatamente a “deficiência em zinco, ferro (do tipo contido na carne e peixe), vitamina D, vitamina B12 e ómega 3” nas crianças e adolescentes que a deputada Elvira Savino quer evitar com a proposta de lei. Não se opõe a que os pais e adultos sigam dietas mais restritas, mas não poderão impô-las às crianças. Como explicaram os especialistas contactados pelo Observador, adultos e crianças vegan podem e devem ser suplementados para evitar estas carências.

Nuno Metello, presidente da direção da Associação Vegetariana Portuguesa, afirma mesmo que todos os vegans precisam de reforçar a ingestão de vitamina B12, seja com suplementos alimentares, seja com alimentos fortificados. E acrescenta que os alimentos que os veganos afirmam ser ricos em vitamina B12, não são, na verdade, boas fontes deste nutriente. “Não tomar suplementação [desta vitamina] é perigoso”, alerta Nuno Metello, vegan há 11 anos.

Vitamina B12

“As únicas fontes veganas fidedignas de vitamina B12 são os alimentos enriquecidos (incluindo alguns leites vegetais, alguns produtos de soja e alguns cereais de pequeno-almoço) e os suplementos de B12”, refere o site Muda o Mundo.

Há outra vitamina que Alejandro Santos lembra que todas as crianças – vegans ou não – devem receber como suplemento: a vitamina D, importante para uma formação óssea adequada, mas também para a regulação do sistema imunitário e cardiovascular. O Vigantol é o medicamento recomendado com frequência, mas uma opção pouco interessante para vegans, porque é de origem animal. No entanto, existem suplementos de vitamina D de origem vegetal que podem ser adotados. Nuno Metello afirma que ele próprio toma suplementos de vitamina D durante o inverno [mais sobre suplementos para vegans aqui].

“Não existe nenhum tipo de alimentação que dispense totalmente a suplementação.”

Nuno Metello, presidente da direção da Associação Vegetariana Portuguesa

Alejandro Santos alerta que “qualquer padrão alimentar que restrinja fortemente a seleção de alimentos [sejam eles quais forem] acarreta maior risco de carências nutricionais”. No entanto, o nutricionista que se assume não-vegan e não-vegetariano, afirma que não existem provas científicas de que a alimentação vegan seja prejudicial à criança. E lembra que uma dieta omnívora não é, só por si, garantia de boa alimentação. O que a alimentação vegan obriga é que os pais tenham mais cuidado na preparação de refeições variadas e equilibradas – um conselho que os pais omnívoros também devem seguir. Por isso, o nutricionista recomenda que os pais criem um menu diário de refeições para a criança e que tentem saber junto de um nutricionista se é equilibrado ou não.

Sandra Gomes Silva que acompanha nas suas consultas adultos, grávidas e crianças com dietas vegans ou vegetarianas afirma que “uma alimentação vegan ou vegetariana é possível desde o nascimento”, desde que sejam cumpridos os requisitos energéticos e nutricionais. As crianças com dietas vegans ou vegetarianas têm um bom desenvolvimento físico, mental e emocional, diz. “Verifico, nas minhas consultas, que as crianças vegans crescem dentro do padrão normal de desenvolvimento.”

Sobre a proposta de lei, a nutricionista diz que “carece de sustentação científica, sendo preconceituosa e discriminatória para com quem tem uma alimentação vegetariana”. A argumentação da deputada, como refere Sandra Gomes Silva, está baseada em casos de desnutrição e morte infantil “causados por uma alimentação desadequada, desequilibrada e incompleta, nada têm a ver com a alimentação vegetariana saudável”.

Nuno Metello concorda: “Penso que a proposta resulta de muita desinformação e preconceito da parte da deputada”. O presidente da direção da Associação Vegetariana Portuguesa considera que “se a deputada não fosse desinformada e preconceituosa, a proposta incidiria em dietas desequilibradas em geral, sejam elas vegans ou não, e não no facto de estas incluírem ou não produtos de origem animal”. Dietas mal planeadas não são exclusivas dos pais vegans, também acontecem entre os pais que não seguem dietas vegetarianas, afirma.

“Conselhos errados sobre a dieta vegan em crianças podem definitivamente colocá-las em risco. Mas não há qualquer dúvida de que, quando seguem uma dieta saudável, as crianças vegans desenvolvem-se bem”, refere a dietista Virgina Messina, citada pelo site da Associação Vegetariana Portuguesa.

A Comissão de Nutrição da Sociedade Europeia de Pediatria, Gastrenterologia e Nutrição, citada pela Comissão de Nutrição da SPP, discorda e “refere que se a amamentante tiver um regime vegan, é elevado o risco de alterações do desenvolvimento cognitivo do lactente, risco que aumentará se o lactente continuar com uma dieta sem alimentos de origem animal”. A sociedade recomenda que crianças e jovens ingiram produtos lácteos e que não sigam uma dieta vegan.

Pelo contrário, a Associação Dietética Vegetariana norte-americana defende que as dietas vegetarianas ou vegans apropriadas são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem ajudar na prevenção e tratamento de algumas doenças. “As dietas vegetarianas bem planeadas são adequadas em todos os estádios da vida, incluindo na gravidez, aleitamento, infância e adolescência e nos atletas.”

Acreditando neste princípio, três partidos italianos rivais da Forza Italia apresentaram também propostas de lei, mas no sentido de tornar as dietas vegans e vegetarianas mais comuns nas cantinas italianas, noticia a BBC. Em Portugal, a própria Direção-Geral de Saúde criou um manual para a “Alimentação Vegetariana em Idade Escolar”. Mas Elvira Savino prefere lembrar a Constituição e os direitos da criança para justificar uma lei que pretende “estigmatizar definitivamente comportamentos alimentares imprudentes e perigosos, impostos pelos pais, ou por quem exerce estas funções, em detrimento dos menores”. E pretende “sancionar a imposição de uma dieta alimentar desprovida dos elementos essenciais para o crescimento de uma criança”.

Mas esta formulação da lei está a preocupar os especialistas, como refere a BBC. Um uso incorreto das palavras pode levar a que não sejam só os pais vegetarianos e vegans a serem penalizados, mas um leque muito maior de pais, como os que têm crianças obesas. Para outros especialistas é o próprio conteúdo da proposta que é posto em causa quanto à sua validade, como referiu o jornal britânico.

Alejandro Santos reconhece que os casos das crianças subnutridas suscitam preocupação, mas “convêm recordar que a negligência dos pais no que toca à alimentação dos filhos não se limita apenas este grupo de pessoas [vegans]”. “Se é compreensível a criminalização da negligência parental quando é quebrado com dolo o direito da criança a uma alimentação equilibrada, já me parece mais difícil de sustentar a criminalização de uma prática alimentar que sendo bem feita não pode ser considerada negligente”, disse o nutricionista num comentário à proposta de lei. Sendo pai e nutricionista declara que nunca adotou ou recomendou uma dieta vegan, mas parece-lhe que este talvez seja “um exemplo extremo da aplicação do princípio da precaução”.

“A segurança de dietas extremamente restritivas, como as dietas à base de fruta ou alimentos crus não foi estudada em crianças.”

Associação Dietética Vegetariana norte-americana

Para os pais que quiserem seguir um regime vegan ou vegetariano, a Associação Vegetariana Portuguesa pode fornecer informação sobre alimentação vegan e vegetariana, mas não faz recomendações, nota Nuno Metello. Os pais que desejem adotar este tipo de dieta para os filhos (ou para si) devem procurar ajuda de especialistas, refere. O presidente acrescenta ainda que: “A associação só promove informação credível baseada na Ciência”.

Uma dieta com todos os nutrientes, ainda que vegan, teria, provavelmente, evitado que um bebé italiano fosse internado no hospital em estado de subnutrição e com baixos níveis de cálcio. Quando deu entrada, levado pelos avós, o bebé de 14 meses pesava tanto como um bebé de três, cerca de cinco quilogramas. Os pais, que seguiam uma alimentação vegan estrita, arriscam-se agora a perder a custódia da criança.

Alejandro Santos diz que uma criança vegan, depois dos seis meses, e desde que continue a beber leite materno ou uma fórmula adaptada pode alimentar-se de purés de legumes ou tofu. Importante será a suplementação em ferro – a partir dos seis meses – e a adição de óleos vegetais, como o óleo de canola ou linhaça. A dieta rica em fibras dá uma sensação de saciedade muito rapidamente, mas o conteúdo energético é reduzido, o que pode ser compensado pelos óleos. Os cereais integrais, as leguminosas e, mais tarde, os frutos gordos (frutos secos ou de casca dura), também são alimentos densos energeticamente, refere Sandra Gomes Silva. A partir dos 12 meses, e desde que não haja problemas de saúde, a criança vegan pode começar a comer o mesmo que os adultos.

Todos os bebés e crianças, mas também os adolescentes e adultos, devem ter uma dieta equilibrada e diversificada que forneça todos os nutrientes e energia necessários ao crescimento e à realização das tarefas diárias. Os regimes alimentares omnívoros, ovolactovegetarianos ou estritamente vegans podem consegui-lo, ainda que possam ter de recorrer a suplementos alimentares ou alimentos fortificados. Cabe aos profissionais de saúde, sejam pediatras ou nutricionistas, ajudar os pais a realizar as melhores escolhas alimentares para essas crianças.

Alejandro Santos não promove dietas que sejam restritivas na seleção de alimentos em crianças saudáveis, mas também não tem fundamentos científicos para afirmar que a dieta vegetariana ou vegan na criança é errada. “Os profissionais de saúde que tentam desviar os pais deste tipo de alimentação [vegan] tem uma boa intenção, mas ir contra convicções fortes leva ao afastamento destes profissionais”, alerta o nutricionista. “Se os pais deixam de ser acompanhados e não encontram boa informação correm riscos muito maiores.”

Pais e profissionais de saúde têm de manter-se atualizados sobre as dietas vegans e vegetarianas, lembra Sandra Gomes Silva. A nutricionista deixa um conselho aos colegas nutricionistas e aos pediatras: “Os profissionais de saúde devem procurar acompanhar os pais, mesmo que não defendam o regime alimentar, de forma a garantir que são tomadas as melhores opções para a saúde da criança”. A nutricionista, que também pratica uma alimentação vegetariana, afirma que as pessoas que frequentam as consultas de nutrição ficam satisfeitas por encontrarem profissionais de saúde que as compreendam e as consigam acompanhar.

Os nutricionistas “têm um papel importante na prestação de assistência durante o planeamento de dietas vegetarianas saudáveis àqueles que desejem iniciar este tipo de alimentação ou que já o pratiquem e devem ser capazes de fornecer informação correta sobre a nutrição vegetariana”, refere a Associação Dietética Vegetariana norte-americana. No entanto, Alejandro Santos admite que há muitos profissionais de saúde que não estão preparados para esta situação.

Veja em anexo as recomendações da Direção-Geral de Saúde para vegetarianas no adulto e nas crianças em idade escolar.

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Alimentação Vegetariana Saudável – Direção-Geral de Saúde

Alimentação Vegetariana em Idade Escolar – Direção-Geral de Saúde

 

 

Mais de 70% das crianças de 8 e 9 anos já consomem sal em excesso

Março 18, 2016 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 17 de março de 2016.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Portugal – Alimentação Saudável em Números 2015

 

Paulo Spranger

Mais de 70% das crianças portuguesas de 8 e 9 anos e mais de 80% dos adolescentes dos 13 aos 17 anos consomem sal acima dos valores recomendados.

“O consumo de sal é uma guerra que temos de continuar a travar”, declarou Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, durante a apresentação do relatório “Portugal – Alimentação Saudável em Números 2015”.

Segundo o documento, na faixa etária dos 7 e 8 anos 74% dos meninos e 70% das meninas têm um consumo de sal inadequado. Dos 13 aos 17 anos, o nível de consumo excessivo de sal aumenta para 84% nos rapazes e para 72% nas raparigas.

Globalmente, os níveis de consumo de sal melhorarem em Portugal entre 2006 e 2012, mas continua a ser o país europeu com consumo salino mais elevado.

Pedro Graça lembrou que 40% da população portuguesa tem hipertensão e que o consumo de sal na alimentação é um dos fatores de risco para doenças cérebro-cardiovasculares.

“Considera-se que a redução de sal é um assunto prioritário e que o excesso de consumo de sal é um importante problema de saúde pública. É por isso necessário definir metas de redução quantificáveis e monitorizáveis ao nível do consumo”, indica o relatório apresentado pela Direção-Geral da Saúde.

Segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, considera-se como meta a atingir a redução do consumo de sal entre 3% a 4% ao ano na população portuguesa, durante os próximos quatro anos, procurando alcançar um o consumo de sal de 5 gramas per capita/dia a atingir até 2025.

 

 

 

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