Um milhão de dólares para professora que afastou alunos dos gangues

Abril 4, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 19 de março de 2018.

Docente em escola problemática nos subúrbios de Londres distinguida com o Global Teacher Prize

Andria Zafirakou, professora de artes e têxteis na escola secundária Alperton Community School, foi a vencedora do Global Teacher Prize 2018. Zafirakou destacou-se não só pelo seu papel na sala de aula mas também fora. A escola fica em Brent, arredores de Londres. Uma área marcada pela multiculturalidade (falam-se 35 línguas na escola), pela pobreza e pela criminalidade.

A professora decidiu levar o conceito de artista residente para a sala de aulas. Os resultados foram tais que Alperton passou a ter o estatuto de “escola especializada” em artes visuais.

Fora da sala, Andria Zafirakou começou a trabalhar diretamente com a polícia para evitar os contactos dos gangues com os alunos. Ao fim do dia, assegura-se de que os alunos são encaminhados para os autocarros.

Em relação à atividade desportiva (e à defesa pessoal) criou um clube de boxe e uma equipa feminina de críquete.
A sua energia e criatividade contagiantes deram resultado: Alperton está hoje no top das escolas de Inglaterra e Gales que melhoraram os resultados escolares dos alunos. O departamento de matemática venceu o prémio nacional Tes de 2017.

O Global Teacher Prize é um prémio de um milhão de dólares (814 mil euros) atribuído anualmente a um professor que tenha dado um contributo extraordinário para a sua profissão.

O prémio, atribuído pela Fundação Varkey (patrocinado pelo xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, emir do Dubai) serve para sublinhar a importância dos educadores e o facto de que, em todo o mundo, os seus esforços merecem ser reconhecidos e celebrados.

Mais informações no link:

http://www.globalteacherprize.org/

 

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A cultura da escola vai mudar “porque a economia está a pedir coisas diferentes”

Janeiro 3, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Nuno Ferreira Santos

Entrevista do https://www.publico.pt/ a Maria Emília Brederode Santos no dia 27 de dezembro de 2017.

Maria Emília Brederode Santos mostra-se satisfeita com as medidas já adoptadas pelo actual ministro da Educação e quer saber mais sobre as escolas que têm conseguido superar as expectativas que existiam sobre elas devido ao meio de origem de grande parte dos seus alunos.

Clara Viana

Aos 75 anos, a pedagoga Maria Emília Brederode Santos substituiu, em Outubro, o ex-ministro David Justino no cargo de presidente do Conselho Nacional de Educação — um órgão independente, com funções consultivas, constituído por académicos e especialistas, cujo presidente é eleito pela Assembleia da República.

Refere-se aos alunos por “meninos” e defende que tanto por razões de “justiça individual”, como de “justiça social”, se deve apostar num currículo mais amplo, que dê espaço às expressões artísticas, à educação para a cidadania, mas também às novas competências que hoje são pedidas pela economia e que, segundo ela, acabarão por levar a uma mudança da actual cultura escolar.

Porque é que aceitou este desafio nesta altura?
Quando estava relativamente sossegada? Primeiro porque não o estava. Desde que me reformei tenho continuado a trabalhar mais ou menos tanto quanto antes. A diferença é que tenho que trabalhar sobre algumas coisas que normalmente não trabalharia. Mas isso também é bom. Obriga-nos a não ir só por aquilo que já conhecemos e em que estamos interessados.

Mas pensa que tem algum contributo a dar a este sector tendo em conta a sua experiência?
Sim. Não gosto de me levar muito a sério. Mas penso que tenho uma visão humanista e com algumas preocupações que poderão interessar a um organismo como o Conselho Nacional de Educação (CNE). Primeiro porque penso que sou muito democrática e o CNE é um órgão muito democrático. O principal interesse do CNE é o de ter tantos parceiros da educação aqui representados e com interesses muitas vezes contraditórios. E eu gosto do contraditório. Aliás, um dos primeiros livros que escrevi tinha em epígrafe uma frase, que já não sei de quem era, mas de que gosto muito, que é a seguinte: o adversário é o principal amigo do investigador. Podia dizer-se também do decisor. Uma das minhas intenções é reforçar muito as comissões especializadas, que é onde há mais debate, para se construir senão consensos, pelo menos compromissos e ir mais longe, melhorar as decisões.

No prefácio ao relatório Estado da Educação 2016 que assinou defende que se deve levar às escolas o debate sobre “questões fracturantes”. Considera que a sociedade está disposta a aceitá-lo? Pergunto isto tendo na memória a onda de protestos que suscitou a possibilidade levantada pelo Ministério da Educação de se abordar a Interrupção Voluntária da Gravidez no 2.º ciclo de escolaridade, propósito que foi depois deixado cair. 
Esse é um assunto particularmente delicado, mas penso que há outros temas que interessam aos jovens ou que se pode levá-los a interessar-se e que são menos fracturantes. Por exemplo, a questão das fake news. Sempre defendi a necessidade de uma educação para os media, mas quando eu defendia isso era mais a televisão, os jornais. Hoje é global. Agora toda a gente diz que as fake news sempre existiram. É verdade, mas não desta maneira, como uma prática quase aceite em que até se inventam eufemismos para a palavra “mentira”. Penso que é uma questão de sobrevivência democrática haver uma formação mediática que permita às pessoas saberem defender-se e com o que estão a lidar.

E essa formação continua a estar ausente das escolas?
Depende muito dos professores. O que seria interessante era adoptar como perspectiva que as escolas deveriam tratar algumas questões transversais, aquilo que os franceses agora chamam questões vivas, os grandes problemas da actualidade, e sobre as quais os jovens ouvem falar e se poderão interessar mais. A sua abordagem obriga à transversalidade e ao trabalho de colaboração. Podem desenvolver-se mais estas competências dos jovens e criar também uma outra dinâmica nas escolas.

Em princípio esse é um dos objectivos do novo projecto da flexibilidade curricular que este ano lectivo está a ser desenvolvido em 235 escolas. Como é que vê esse projecto?
Ainda não vejo nada porque não conheço. Mas gostava muito que no CNE o acompanhássemos. Gostava de ver como é que as escolas estão a pegar na possibilidade de organizarem o currículo e de terem mais autonomia.

E como é que o CNE poderia fazer isso? No mesmo prefácio ao Estado da Educação defende que o CNE deve ir mais para o terreno, entrar na escola, nas salas de aula…
É uma questão de organizar e de fazer essas idas. Não estou a dizer que se façam investigações de fundo com a preocupação de uma grande representatividade. É mais a aposta de tentar identificar os caminhos que estão a ser seguidos e os problemas que surgem a tempo de serem corrigidos.

Muitas vezes as escolas não são muito receptivas a olhares que vêm de fora.
Nunca tive esse problema enquanto estive Instituto de Inovação Educacional [foi presidente entre 1997 e 2002] onde fazíamos muito esse acompanhamento de escolas. Desde que não haja um olhar fiscalizador, avaliador, penso que não existem problemas. E aqui o objectivo seria ir às escolas para aprender com elas e tentar melhorar em conjunto.

Também nesta perspectiva de proximidade, uma outra actividade em que o CNE se deve envolver é com as escolas que ultrapassam as expectativas. Tentar perceber quais são os caminhos que podem permitir que as escolas tragam de facto um valor acrescentado aos meninos

Os resultados do último PISA [testes internacionais que visam avaliar a literacia dos alunos com 15 anos] mostram que em Portugal o número destas escolas tem vindo a subir.
É curioso porque ao mesmo tempo também somos dos países, na Europa, onde há uma maior correlação entre o peso do meio social de onde se vem e os resultados escolares.

É como se estivéssemos ao mesmo tempo a viver em dois mundos. O que leva aquelas escolas, chamadas “resilientes”, a fazerem a diferença?
Não sei. Mas vou ver. É fantástico para as pessoas da educação que a escola possa fazer a diferença. Por um lado é uma grande responsabilidade, mas por outro lado uma grande motivação.

No seu seu texto defende o “reforço da intencionalidade educativa junto das crianças dos 0 aos três anos”. Quer isso dizer que deve existir um currículo para crianças tão pequenas?
Tudo isto são assuntos a analisar. Claro que não pode ser confundido com a ideia de um currículo escolar, mas a intencionalidade educativa já existe porque todas as creches têm de ter uma educadora de infância. É mais uma questão de se tomar consciência da importância disso. Porque há muito a tendência de se pensar que dos 0 aos 3 anos o que é preciso é que as crianças estejam bem alimentadas, estejam seguras, bem cuidadas. Mas também é importante conversar com elas, brincar com elas, contar-lhes histórias, ler-lhes poesias e é chamar a atenção para isso sem que se caia no excesso de estimulação.

Em Portugal há o compromisso de se universalizar o pré-escolar aos três anos de idade até 2020, mas o último Estado da Educação aponta para uma redução da proporção de crianças a frequentar este nível. Tem algumas pistas para explicar o sucedido?  
Não, mas penso que devíamos ir ver, analisar, porque só constatar não chega. O Estado da Educação é um retrato, assim como alerta o Ministério da Educação e a Assembleia da República para determinados problemas, também nos deve alertar a nós próprios para tentar, sempre que possível, perceber o que as coisas significam.

Falando do estado da educação, como é que define hoje a escola em Portugal?
Como uma escola que fez uns avanços extraordinários, pelo menos no que é medido pelos testes internacionais e em certas disciplinas, mas receio que também esteja um pouco cristalizada e tenho pena de que tenha perdido a riqueza curricular. As pessoas, os meninos, são tão diferentes e há quem possa dar o melhor de si de outra maneira que não só na matemática e na língua materna.

Era importante que houvesse uma muito maior variedade de actividades e de aprendizagens. Por [uma questão de] justiça individual, já que toda a gente merece desenvolver-se em vários aspectos, mas também por justiça social, porque enquanto existem meninos cujas famílias valorizam a música e o teatro e os levam a essas actividades, há outros que não têm essa possibilidade. E, já que a escola é a única rede que chega a toda a gente, deveria proporcionar a todos essas aprendizagens e esse contacto com outras realidades.

Considera então que nas escolas existe pouco espaço dado ao conjunto das expressões?
Sim. Há pouco espaço dado às expressões artísticas, à educação para a cidadania, às tais questões transversais de que já falei.

Mas isso não aconteceu sempre?
Não, começou a acontecer quando os testes internacionais começaram a realizar-se. Estes testes foram e são importantes para nos ajudarem a situar e para ver que progredimos mas, como se situam só em certas áreas, também tiveram esse efeito redutor.

Que também foi potenciado pela generalização dos exames?
Penso que sim. Considero que de vez em quando é importante haver exames, mas quando se introduz esta avaliação tem de se ter consciência dos efeitos perversos que por vezes esta tem, como o de valorizar só determinadas áreas que são mais facilmente examinadas.

A função dos exames e da avaliação pode ser múltipla. Mas como pessoa da educação estou mais interessada nas informações que me podem dar para melhorar. Se um menino mostra dificuldades na resolução de um teste o que me interessa é tentar identificar quais são essas dificuldades, e porque é que existem, para poder intervir imediatamente para melhorar.

É então uma adepta das provas de aferição introduzidas pela actual tutela?
Sim, embora as provas de aferição sejam mais para aferir o sistema. E acho que até para os meninos é bom que haja provas, não sei se lhes chamaria de aferição ou outra coisa qualquer. Uma das coisas que a OCDE também recomenda é a intervenção ao primeiro sinal de dificuldade. Como é nós sabemos quando esse sinal acontece? Tem de ser através de um acompanhamento muito próximo do aluno ou através de qualquer manifestação. Não estou nada contra as provas mas depende da atitude com que são encaradas. Para que é que elas servem?

Intervir ao primeiro sinal de dificuldade não deveria ser o papel do professor, que é quem está mais próximo do aluno? Face aos fracos desempenhos dos alunos também evidenciados pelas provas de aferição pensa que este trabalho está a ser bem feito pelos professores? Têm essa formação?
Sempre que se fala em formação, os professores sentem isso como uma acusação, portanto não queria ir por aí. Mas há uma determinada cultura escolar que ainda perdura, do século XIX, século XX, que é dar a matéria. Isso antes fazia-se para grupos de alunos relativamente homogéneos, mas entretanto a população mudou, já não é uniforme. Terá de haver um repensar da escola no seu todo para fazer evoluir esta cultura da escola para uma cultura algo diferente e penso que isso vai acontecer. Porque a economia está a pedir coisas diferentes.

O que a economia hoje pede são competências diferentes daquelas que este modelo de escola desenvolve. Para além das competências digitais e do inglês língua estrangeira, requer-se hoje os chamados “soft skills”, ser capaz de colaborar, ter espírito de iniciativa. Sem querer que a escola ande a reboque da economia, penso que isso vai condicionar a escola. O que eu gostava é que a escola, para além de desenvolver estas novas competências, também formasse pessoas capazes de decidir o seu destino e de escolher em que tipo de sociedade pretendem viver.

Qual a avaliação que faz do mandato do ministro da Educação? 
Acho que nestes dois anos muita coisa já foi feita no sentido que gostaria, do tal alargamento do currículo, da maior autonomia das escolas, da vontade de valorizar a aprendizagem e não tanto os resultados. Tem ido nesse sentido, o que eu aprecio.

 

Estado da Educação: Alunos que estão atentos às aulas têm boas notas

Dezembro 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 12 de dezembro de 2017.

A maioria dos alunos portugueses do secundário recorre a explicações, sendo os estudantes que estão com mais atenção nas aulas os que conseguem melhores resultados académicos, revela relatório.

A maioria dos alunos portugueses do secundário recorre a explicações, sendo os estudantes que estão com mais atenção nas aulas os que conseguem melhores resultados académicos, revela o relatório “Estado da Educação 2016”, divulgado esta terça-feira.

O Conselho Nacional de Educação (CNE) faz, no relatório “Estado da Educação 2016”, um retrato socioeconómico dos alunos e do seu desempenho académico, mas também da rede de escolas, do universo de professores e diretores assim como do financiamento atribuído a esta área, que abrange desde as crianças que entram para o pré-escolar até aos adultos que decidem voltar à escola.

A forma como os alunos do ensino secundário estuda e se prepara para as provas também é referido no relatório que indica que Portugal tem a percentagem mais elevada de alunos do ensino secundário que recorre a explicações fora do espaço escolar.

“61% (dos alunos) declaram ter aulas particulares de Matemática para ter boa nota nos exames”, lê-se no relatório divulgado.

Mas existem três ou quatro formas de agir que parecem ajudar no sucesso académico, tendo em conta os bons resultados dos alunos portugueses que participaram em provas internacionais.

Os estudantes com melhores notas dizem que “estão mais atentos nas aulas e resistem ao barulho e à desorganização”.

Além disso, estes alunos são mais perseverantes, “pois consideram que não desistir conduz a melhores resultados” e são também “mais autoconscientes da sua responsabilidade”.

O relatório aponta ainda como bom preditor de sucesso os alunos que dizem que querem ter boas notas e que querem ser dos melhores.

Em sentido oposto, faltar às aulas é apontado como um problema que poderá comprometer os resultados académicos, notando-se uma diferença muito grande entre a maioria dos alunos que nunca falta e uma pequena percentagem de quem falta com muita frequência.

O Estado da Educação revela ainda que os professores do secundário optam quase sempre por pedir aos alunos que façam trabalhos de casa que estão nos manuais – “os exercícios do livro são mais populares” — em detrimento de trabalhos de projeto, que foram apontados apenas por 13% dos alunos inquiridos.

Outro dos problemas prende-se com o facto de em Portugal a grande maioria das aulas continuar a ser expositiva, o que levou a presidente do CNE, Maria Emília Brederode Santos, a defender que é preciso repensar os métodos de ensino ainda utilizados pelos professores.

Maria Emilia Brederode Santos acredita que as aulas em que o professor se limita a falar sobre a matéria e os alunos a ouvir podem ter impacto na elevada taxa de insucesso escolar e Portugal é um dos países onde os professores mais utilizam o método expositivo (apenas ultrapassado pelos irlandeses).

As aulas expositivas são o método seguido por todos os docentes e não apenas pelos mais velhos: esta opção “não se correlaciona com a idade dos professores, mas sim com práticas enraizadas nos diferentes países”, sublinha o relatório.

descarregar o relatório Estado da Educação 2016 no link:

http://www.cnedu.pt/content/noticias/CNE/CNE-EE2016_web.pdf

 

 

Falta de interesse pelo ensino ameaça futuro da educação

Novembro 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 25 de outubro de 2017.

Maria João Gala/Global Imagens

 

Só 1,5% dos alunos que fizeram os testes PISA em 2015 (e a maioria deles com resultados abaixo da média) admitem suceder aos 2/3 dos docentes que se vão reformar até 2032

A renovação do corpo docente poderá tornar-se um problema sério para o país no futuro próximo. De acordo com um estudo realizado para o Conselho Nacional de Educação (CNE), com base no relatório dos testes PISA 2015 da OCDE, apenas 1,5% dos estudantes de 15 anos – a maioria dos quais com desempenhos abaixo da média – admitem ser professores no futuro. E esta crise de vocações para o ensino surge na altura em que se prevê que, face ao forte envelhecimento da classe, dois terços dos atuais professores se reformem nos próximos quinze anos.

Esta percentagem de apenas 1,5% de estudantes interessados em imitar o percurso dos seus professores foi um dos indicadores que surpreenderam pela negativa os autores do estudo “Porque melhoraram os resultados do PISA em Portugal”, que será apresentado hoje, na Universidade do Algarve, no âmbito do Mês da Educação e da Ciência que está a ser promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Até porque, revela também este estudo, os alunos portugueses até têm uma imagem positiva dos seus professores. O problema, diz ao DN Isabel Flores, uma das investigadoras, é que não só são poucos os que convertem essa admiração pelos docentes numa vocação mas também os poucos que o fazem estão na franja que tem resultados mais fracos. Nos testes PISA, que têm por referência o valor médio de 500 pontos, os alunos portugueses que admitem vir a ser professores não vão além dos 450 pontos a Matemática, quando a média nacional à disciplina rondou os 490.

“Não está em causa apenas o número”, explica Isabel Flores. “Na Finlândia também só há 3% de alunos que querem ser professores. Mas lá a média destes alunos é de 570. São os melhores: a média deles foi 510/511 pontos”, explica. “O facto de entre nós apenas os alunos comparativamente mais fracos desejarem ser professores é muito preocupante. A partir destes dados – e também do envelhecimento do corpo docente – concluímos que é urgente mudar a imagem da profissão de professor entre os mais jovens”, considera.

Profissão “desqualificada”

Também para David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação (passará em breve a pasta a Maria Emília Brederode dos Santos), estas conclusões implicam a tomada de medidas. “Esses dados deixam-nos preocupados. Não só são poucos os que querem ser professores como os que o desejam são alunos que neste momento não estão entre os que têm boas notas”, diz.

Para o ex-ministro da Educação, o desinteresse dos alunos está relacionado com a “representação social dos professores”, que perdeu relevância devido aos critérios de seleção dos que lecionam nas escolas: “Se nós não fizermos algo que permita que haja alguma seletividade no acesso a professores e critérios de qualidade na sua formação inicial, vamos ter problemas, porque cada vez mais a profissão de professor é vista como desqualificada”, considera.

“O atual sistema, sendo aparentemente igualitário, não permite ao Estado fazer a seleção dos melhores”, acrescenta, relembrando o estudo “De onde vêm os professores”, também do CNE. “Esses dados já são assustadores, porque revelam que uma grande parte das escolas que estão a fornecer os maiores contingentes de professores, nomeadamente para o ensino básico e educadores de infância, não são necessariamente as escolas mais reconhecidas pelos seus méritos”, diz.

Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), até concorda com a ideia de que a profissão está desqualificada. Mas não por falta de qualidade de parte do efetivo: “Essa é uma opinião do professor David Justino desde o tempo em que era ministro”, lembra. “Se as escolas não têm qualidade, fechem-nas”, desafia.

Para o sindicalista, o que está a afetar o prestígio da profissão de docente é sobretudo a realidade dos diplomados da área: “Os jovens sabem, veem e percebem que os professores são hoje profissionais que vivem dramas terríveis de desemprego. Sabem que um professor que conclui a sua formação fica dez a quinze anos desempregado ou a viver situações de grande precariedade, colocado longe da sua residência e das suas famílias. São carreiras cada vez menos atrativas”, sintetiza, lembrando que em Inglaterra “também se desvalorizou a profissão e, passados alguns anos, tiveram de ir recrutar professores a países de língua inglesa, como a Índia”.

De acordo com o último relatório Perfil do Docente, do Ministério da Educação, num universo de 104 386 docentes a dar aulas nas escolas públicas no ano letivo de 2015-16, apenas 383 tinham menos de 30 anos. A percentagem de docentes sub-30 era de apenas 0,4% do total.

 

 

 

“É preciso recuperar a disciplina e a autoridade na escola”

Novembro 15, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://brasil.elpais.com/ de 13 de julho de 2017 a Inger Enkvist

Ana Torres Menárguez

Ex-assessora de educação do Governo sueco se posiciona contra as novas metodologias educacionais.

Não é fácil encontrar uma opinião como a de Inger Enkvist (Värmland, 1947). Enquanto a maioria dos gurus educacionais defende acabar com as fileiras de carteiras escolares e os formatos convencionais de aula e dar mais liberdade aos alunos dentro da classe, Enkvist, ex-assessora do Ministério de Educação da Suécia, acredita que é preciso recuperar a disciplina e a autoridade dos docentes na sala de aula. “As crianças têm que desenvolver hábitos sistemáticos de trabalho e para isso necessitam que um adulto as orientem. Aprender requer esforço e, quando se deixa os alunos escolherem, simplesmente não acontece.”

Catedrática de Espanhol na Univesidade Lund (Suécia), Enkvist começou sua carreira na educação como professora do ensino secundário e durante mais de trinta anos se dedicou a estudar e comparar os sistemas educacionais de diferentes países. Além da publicação de livros como Repensar a Educação (Bunker Editorial, 2014), escreveu mais de 250 artigos sobre educação.

Enkvist compareceu em março à Comissão de Educação do Congresso dos Deputados da Espanha para apresentar sua visão sobre o modelo educacional espanhol, no qual aponta falta de motivação por parte do professorado e a necessidade de reformulação dos graus de professor em Educação Infantil e Primário – correspondente aos anos de ensino fundamental no Brasil – para tentar atrair os melhores estudantes.

Pergunta. As novas correntes de inovação educacional reivindicam um papel mais ativo por parte dos alunos. Acabar com as aulas expositivas e criar metodologias que impliquem ação por parte do estudante. Por que você se opõe a esse modelo?

Resposta. A nova pedagogia promove a antiescola. As escolas foram criadas com o objetivo de que os alunos aprendessem o que a sociedade havia decidido que era útil. Qual é o propósito da escola se o estudante decide o que quer fazer? Essas correntes querem enfatizar ao máximo a liberdade do aluno, quando o que ele necessita é de um ensino sistemático e bem estruturado, sobretudo se levamos em conta os problemas de distração das crianças. Se não se aprende a ser organizado e a aceitar a autoridade do professor no ensino fundamental, é difícil que se consiga isso mais tarde. O aluno nem sempre vai estar motivado para aprender. É preciso esforço.

P. Em seu livro a senhora questiona a crença de que todas as crianças querem aprender e, portanto, é uma boa opção deixar que tomem a iniciativa e aprendam sozinhos. Quais são seus argumentos contra isso?

R. Nunca foi assim. É uma ideia romântica que vem de Rousseau: dar como certo que o ser humano é inocente, bem-intencionado e bom. Uma criança pode concentrar-se em uma tarefa por iniciativa própria, mas normalmente será numa brincadeira. Aprender a ler e escrever ou matemática básica requer trabalho e ninguém se sente chamado a dedicar um esforço tão grande a assimilar uma matéria tão complicada. É preciso haver apoio, estímulo e algum tipo de recompensa, como o sorriso de um professor ou os cumprimentos dos pais.

P. O que se deveria recuperar do antigo modelo de educação?

R. Ter claro que o professor organiza o trabalho da classe. Se os alunos planejam seu próprio trabalho, é muito complicado que obtenham bons resultados, e isso desmotiva o professor, que não quer responsabilizar-se por algo que não funciona. Essas metodologias estão distanciando das salas de aula os professores mais competentes. Já não se considera benéfico que o adulto transmita seus conhecimentos aos alunos e se fomenta que os jovens se interessem pelas matérias seguindo seu próprio ritmo. Em um ambiente assim não é possível ensinar porque não existe a confiança necessária na figura do professor. Viver no imediato sem exigências é bem o contrário da boa educação.

P. A senhora qualificou a autoaprendizagem como contraproducente. Mas uma vez terminada a formação obrigatória, e que os estudantes consigam um trabalho, o mercado de trabalho muda rápido e eles podem se ver obrigados a se reciclar e mudar de profissão. Não acha que é uma boa ideia lhes ensinar desde pequenos a tomar a iniciativa na aprendizagem?

R. Essa é a grande falácia da nova pedagogia. As crianças têm que aprender conteúdos, e não o chamado aprender a aprender. Não basta dizer aos alunos que devem tomar decisões. Não vão saber como fazer isso. Dou um exemplo. O Governo sueco oferece cursos de formação para adultos e é um desespero quando só se apresentam cidadãos com um perfil educacional elevado. Eles se interessam e acham útil, e por isso têm entusiasmo para começar. Se uma pessoa aprende um conteúdo, considera que é capaz e que no futuro poderá voltar a fazer isso. Quem é mais adaptável e mais flexível ao perder um emprego? Aquele que já tem uma base de conhecimentos, que conta com mais recursos internos, e isso é a educação que lhe proporciona. Quanto mais autodisciplina, mais possibilidades você tem pela frente e menos desesperado se sentirá diante de uma situação limite.

P. Há um grande debate quanto à utilidade dos exames. Alguns especialistas defendem que na vida adulta não ocorra esse tipo de prova e que o importante é ter desenvolvido habilidades para adaptar-se a diferentes entornos.

R. Essa é a visão de alguém que não sabe como funciona o mundo das crianças. Na vida adulta, todos temos prazos, momentos de entregar um texto, e isto se aprende na escola. Com os exames a criança aprende a se responsabilizar e entende que não comparecer a uma prova tem consequências: não será repetida para ele. Se não cumprimos nossas obrigações na vida adulta, logo nos veremos descartados dos ambientes profissionais. Os exames ajudam a desenvolver hábitos sistemáticos de trabalho.

P. Por que você considera que o momento atual da escola não permite que ninguém se destaque?

R. A escola não é neutra, nem todos vão aprender do mesmo modo. Nas classes há desequilíbrios enormes em um mesmo grupo, pode haver até seis anos de diferença intelectual entre os alunos. A escola deveria manter as crianças com diferentes capacidades juntas até os onze anos e, a partir daí, oferecer diferentes níveis para as matérias mais complexas. Isso é feito em algumas escolas públicas da Alemanha. Para os que não entendem, dou um exemplo. Imagine colocar em uma mesma classe 30 adultos com níveis socioculturais e interesses totalmente díspares e pretender que aprendam juntos. Isso é o que estamos pedindo a nossos filhos. Em menos de uma semana haveria uma rebelião.

P. A escola mata a criatividade, segundo o pedagogo britânico Ken Robinson.

R. O mais simples é pensar em um músico de jazz. Parece que está improvisando, brincando. Como pode fazer isso? Sabe 500 melodias de memória e usa pedaços dessas peças de forma elegante. Repetiu isso tantas vezes que parece que o faz sem esforço. A teoria é necessária para que surja a criatividade.

P. Quanto aos conteúdos que se aprende na escola, acha que seria necessário modernizá-los?

R. Uma professora espanhola me contou que um de seus alunos lhe disse na sala de aula: para que serviria estudar Unamuno? Que aplicação prática poderia ter? Precisamos conhecer a situação de nosso país, saber de onde viemos. Com Unamuno se aprende um modelo de reação, que não há motivo para ser adotado, mas conhecê-lo te ajuda a elaborar a sua própria forma de ver o mundo.

 

 

 

Inteligência artificial na educação: não a ignore, use-a bem! | artigo

Outubro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Texto e imagem do blogue http://blogue.rbe.mec.pt/ de 19 de setembro de 2017.

por Sébastien Turbot* | Fonte: Porvir |

Como a chegada de novas ferramentas e algoritmos pode transformar a experiência mão na massa e tornar a aprendizagem mais profunda e relevante

“A combinação de humanos com máquinas não é o futuro, é o presente”, disse o xadezista russo Garry Kasparov numa recente palestra TED.

E esse “presente” está a transformar o mundo da educação em ritmo acelerado. Com as crianças cada vez mais a usar tablets e a programação a ser incluída nos currículos nacionais por todo o mundo, a tecnologia está a tornar-se parte integrante das salas de aula, tal como o giz e o quadro negro.

Já testemunhámos o aumento e o impacto da tecnologia da educação, especialmente através de uma multiplicidade de plataformas de aprendizagem adaptativa, como Khan Academy e Coursera, que permitem aos alunos aprimorar as suas habilidades e conhecimento.

E agora a realidade virtual (VR, na sigla em inglês) e a inteligência artificial (AI, também em inglês) estão a ganhar força. Um recente relatório do grupo editorial britânico Pearson decifra como a inteligência artificial transformará positivamente a educação nos próximos anos. Segundo os autores do relatório, “o futuro oferece o potencial de ferramentas e apoio ainda maiores. Imagine companheiros de aprendizagem ao longo da vida alimentados por AI que possam acompanhar e apoiar estudantes individuais ao longo de seus estudos – dentro e além da escola – ou novas formas de avaliação que medem a aprendizagem enquanto ela está a ocorrer, moldando a experiência de aprendizagem em tempo real”.

Na verdade, os altos custos continuam a ser um desafio, mas o dia em que as ferramentas de inteligência artificial e realidade virtual serão tão acessíveis quanto os smartphones e os computadores de mesa não está longe.

As máquinas inteligentes estão a desempenhar um papel importante na entrega de conhecimentos personalizados e relevantes aos alunos, onde e quando necessário. Por exemplo, a Content Technologies Inc., uma empresa de pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial baseada nos Estados Unidos, está aproveitando a aprendizagem profunda para entregar livros personalizados. A empresa lançou Cram101 e JustFact101 para transformar livros de texto feitos há dezenas de anos em guias de aprendizagem inteligentes e relevantes, tornando o tempo de estudo eficiente.

Além disso, a aprendizagem agora está-se a transformar numa experiência verdadeiramente imersiva dentro e fora da sala de aula. Como curador de conferência, planeio vivências com atividades imersivas para oferecer aos participantes experiências memoráveis, deixando-os com um forte desejo de voltar no ano seguinte.

E como educador, acredito que a mesma estratégia tem o poder de estimular criatividade, engajamento e resultados de aprendizagem mais fortes entre os meus alunos. Mas, durante décadas, a aprendizagem experimental foi confinada a experiências científicos no arcaico laboratório da escola ou a trabalhos de férias de verão. Mas com realidade virtual e inteligência artificial, a aprendizagem experiencial ou mão na massa tem um significado totalmente novo.

Uma variedade de ferramentas de realidade artificial, incluindo o HoloLens, da Microsoft, Oculus Rift, do Facebook, ou o Google Expedition estão a traduzir aulas tradicionais em experiências de significado do mundo real.

Imagine uma sala cheia de estudantes explorando o naufrágio do Titanic, a ver dinossauros a caminhar ao redor deles, descobrindo a Amazônia ou simplesmente aterrando na lua como astronautas – que salto gigante na educação?!

“Estamos a afastar-nos simplesmente de “aprender” um assunto ou tópico para “sentir” o conteúdo. Essa não é simplesmente uma ferramenta de engajamento ou um truque, ela permite que um aluno explore, experimente ou seja envolvido em algo, como se estivesse realmente presente naquele ambiente ou lugar “, escreveu recentemente Graeme Lawrie, diretor de inovação e extensão na escola Sevenoaks, que fica no Reino Unido.

E os estudantes não são os únicos beneficiários.

Os sistemas de tutoria inteligentes, como o Carnegie Learning ou o Third Space Learning, ajudam os professores a libertar-se da abordagem “tamanho único”. Essas plataformas individuais de tutoria utilizam o big data e ferramentas de análise de aprendizagem para fornecer aos tutores retornos avaliativos em tempo real sobre desempenho, pontos fortes e fracos dos alunos. O retorno avaliativo ajuda os professores a determinar as necessidades exatas de aprendizagem, as falhas em habilidades de cada aluno e fornecer orientação suplementar.

Muitas vezes ouço especialistas dizerem que “a tecnologia piorou os maus professores. Portanto, não há dúvida de que precisamos continuar a investir em formação e desenvolvimento profissional. Nenhuma máquina pode substituir professores humanos, mas pode salvá-los de desmoronar sob pressão. Lembram-se do professor da Universidade de Georgia Tech (EUA) Ashok Goel, que usava o assistente Jill Watson construído a partir de inteligência artificial? Trata-se de uma ilustração de como as máquinas inteligentes ajudarão a transição dos professores do sábio no palco para assumirem o papel de mentores e facilitadores.

Para Thomas Arnett, escritor do Instituto Clayton Christensen, “Em vez de ver o progresso tecnológico como uma ameaça, professores e líderes educacionais devem aproveitar as várias maneiras pelas quais a tecnologia pode melhorar seu trabalho”.

Arnett acredita que a automação ajudará a simplificar as tarefas básicas de ensino e ajudar os líderes escolares a lidar com os principais desafios para a instrução de qualidade – a saber, diferenças na qualidade dos professores, interesses diversos de estudantes e o acumular de expectativas colocadas sobre os professores.

“Inovações que tornam commodity algumas habilidades dos professores também fornecem ferramentas para aumentar a eficácia de professores não-especialistas e especialistas para novos patamares e se adaptarem às novas prioridades de uma força de trabalho e sistema educacional do século 21″, escreve Arnett em seu relatório Teaching in the Machine Age (Ensino na era da máquina).

Neste relatório, Arnett também discute o potencial da inteligência artificial para reconhecer e desenvolver professores de alto potencial. “Os pesquisadores podem identificar os professores com chance de atingir alta qualidade no futuro com base nas observações, em respostas questionários preenchidos por alunos e nas notas das provas, mas são muito menos bem-sucedidos na identificação das características de professores eficientes ou na elaboração de um caminho claro para os preparar e desenvolver”.

E o mais importante, além do domínio do conteúdo, os professores serão capazes de ajudar os seus alunos a desenvolver as tão necessárias habilidades não-cognitivas do século 21, como confiança e criatividade.

A imagem que eu projeto neste artigo pode parecer excessivamente otimista para muitos.

Na verdade, a inteligência artificial e a tecnologia educacional não são uma panaceia para desafios sistémicos. A inteligência artificial pode acabar não sendo o próximo salto gigante na educação e, obviamente, trará o seu próprio conjunto de problemas e desvantagens.

Mas não vamos ignorar os seus pontos fortes inatos que poderiam ajudar a resolver as flagrantes lacunas no ensino e na aprendizagem que estamos a lutar para resolver há décadas.

adapatdo do português do Brasil.

Inteligência artificial na educação: não ignore, faça bom uso!

Inteligência artificial na educação: não ignore, faça bom uso!. (2017). PORVIR. Retrieved 19 September 2017, from http://porvir.org/inteligencia-artificial-na-educacao-nao-ignore-faca-bom-uso/

*Sébastien Turbot é o curador e diretor de programas globais no WISE (World Innovation Summit for Education) da Qatar Foundation. Siga-o no Twitter: @sturbot

 

Os Modelos Pedagógicos Alternativos – Uma nova visão da Criança

Setembro 7, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto publicado no site https://jardimdadescoberta.com a 13 de abril de 2017.

Este artigo foi escrito pelo Jardim da Descoberta para a edição de Março 2017 da revista  da Zen Kids (poderá ser consultado, juntamente com muitos outros conteúdos muito interessantes, aqui).

Os ventos da mudança estão finalmente a chegar também à área da Educação em Portugal, à semelhança do que já aconteceu em muitos outros países, onde os modelos educativos alternativos já encontram um lugar consistente dentro do próprio sistema de ensino público, com resultados que estão à vista de todos.

Mas o que são estes modelos alternativos? O que têm de diferente em relação ao modelo convencional?

Quem nunca sentiu um entusiasmo e concentração tão grandes a desempenhar uma determinada acção ou pensar numa certa ideia, que não deu pelo tempo passar? Que aprendeu de forma natural só pelo simples facto de estar apaixonado por esse tema ou tarefa? Que sentiu, mesmo que por cinco minutos, que não gostaria de estar a fazer absolutamente mais nada para além dessa tarefa?

É precisamente esta chama que os novos modelos educativos procuram manter e optimizar nas Crianças, partindo do princípio de que não precisam de ser forçadas a aprender, pois estão naturalmente interessadas em o fazer.

A ideia de aplicação de um modelo educativo rígido e estanque, com imposição uniforme e organizada de conteúdos a um conjunto de Crianças todas diferentes entre si, que são avaliadas segundo os mesmos critérios, é algo que merece, de facto, ser levado a discussão.

Os resultados deste modelo pedagógico que se aplica na maioria das escolas portuguesas parecem estar à vista, numa geração de jovens adultos cada vez mais incapaz de se resignar a uma vida de nove às cinco, com trabalhos que embora até possam ser satisfatórios monetariamente, não o são interiormente. Uma geração que não sente os trabalhos que desempenha e para a qual ter um curso superior ou um trabalho fixo não tem o mesmo valor que para as gerações anteriores.

De certa forma, é um modelo que apaga a luz natural que todos conhecemos e sentimos nas Crianças de explorar e descobrir o mundo. Impede que se conheçam si mesmas, que se apaixonem pelo que as rodeia, e substitui-a por uma imposição de conhecimentos que não respeita aquilo que as Crianças são e o que cada uma dela é enquanto indivíduo. É um modelo que promove o pensamento convergente e o não-questionamento, apagando o “cientista” ou o “inventor” original e único que cada Criança trás dentro de si. Incentiva um ambiente competitivo e de pressão onde se acredita que os alunos precisam de incentivos para aprender, e punições caso não o façam. Sobretudo uma ideia de que brincar, ser Criança, é incompatível com a aprendizagem.

A mudança está a chegar a Portugal

Os ventos da mudança estão finalmente a chegar também à área da Educação em Portugal, à semelhança do que já aconteceu em muitos outros países, onde os modelos educativos alternativos já encontram um lugar consistente dentro do próprio sistema de ensino público, com resultados que estão à vista de todos.

Aos poucos, aqui e ali, ouvem-se vozes que reconhecem a importância que a Educação representa para um futuro que se quer melhor, e defendem uma reforma no nosso sistema de Ensino, que olhe para a Criança de um prisma totalmente novo.

Por outro lado, a sociedade está também cada vez mais aberta à ideia de que aquilo que transmitimos e ensinamos às Crianças hoje será determinante para a definição de que tipo de adultos serão elas amanhã. Da responsabilidade que compete aos educadores de contribuírem para esse mundo melhor. E aqui não se inclui unicamente o desejo de que sejam uma geração renovada, que se conhece e sabe o que deseja para a sua vida. Aqui incluem-se igualmente desejos universais. Desejos de que se tornem adultos tolerantes, adultos que se respeitem uns aos outros, que queiram e promovam a Paz, de que o nosso mundo tem tanta sede.

A sociedade civil, através das redes sociais, de petições, de reuniões, da abertura de escolas e da organização dos mais variados tipos de atividades e eventos, tem vindo a questionar o paradigma da Educação e a importância de fornecer às Crianças novas actividades que permitam o seu crescimento integral, harmonioso e feliz. E este é o primeiro passo para o despertar de uma nova mentalidade, agora no que respeita ao papel da Educação.

Modelos Pedagógicos Alternativos

Dentro das alternativas pedagógicas existentes em relação ao modelo convencional, aquelas que têm uma maior relevância, e que apresentam inclusive o crescimento mais rápido em todo o mundo, são os modelos designados por “Montessori” e “Waldorf”, e dos quais existem algumas escolas em Portugal, todas de cariz privado.

Além destas duas correntes, no nosso país merece ainda destaque o Movimento Escola Moderna (MEM) que encontra uma importante representação. Além disso, é neste modelo que se baseia a única escola pública portuguesa com um sistema de ensino dito alternativo: a Escola da Ponte, já referenciada no artigo “Mudam-se os tempos, Mudam-se as Escolas”, na edição de Dezembro da revista Zen Kids.

Estes modelos pedagógicos reconhecem a chama de que falávamos há pouco. Uma chama que é inata nas Crianças, e que se pode traduzir no seu interesse natural, e até mesmo biológico, em aprender. São seres que nascem incompletos e a Natureza encarregou-se de os prover com este “professor interior” que os conduz na busca de novas experiências, todos os dias, e com uma capacidade de concentração, de auto-motivação e de auto-disciplina que nenhum modelo algum dia poderá impor ou ensinar.

Por outro lado, reconhecem cada Criança como sendo única, e ao invés de deixarem essa autenticidade esmorecer com a imposição uniforme de conhecimentos, é ela que guia a educação da Criança, ajudando-a a descobrir os seus verdadeiros interesses, com liberdade e ao seu ritmo. São métodos que ajudam as Crianças a seguirem os seus verdadeiros interesses, seja lá onde for que essas paixões as conduzam, e independentemente do tempo que o demorem a fazer.

Não se entenda com isto que a Educação se desresponsabiliza do seu papel de “educar”. A Educação antes prepara-se para poder guiar as Crianças neste caminho e neste sentido. Passa a basear-se na compreensão do ser humano, e as metodologias são desenvolvidas tendo em conta os diversos estádios de desenvolvimento de uma Criança, optimizando assim aquilo que em cada momento ela aprende melhor. Tudo o que se apresenta à Criança durante o ciclo escolar tem a sua vida interior em consideração e a sua concreta capacidade de se desenvolver. Esta visão tem a enorme vantagem de impedir que as Crianças sejam sobrecarregadas, mas sim constantemente desafiadas.

Os modelos alternativos existentes partem então destes pressupostos, e preparam-se, cada um com as suas especificidades, para receber cada Criança. São ambientes educativos preparados para, por exemplo, abordar um mesmo tema várias vezes e de formas sempre diferentes, respeitando-se o ritmo e capacidade de compreensão de cada um.

Consideram ser essencial protege-las do stress e da pressão da vida moderna e dos estímulos excessivos das novas tecnologias, privilegiando o contacto com a Natureza e com materiais naturais, ao invés de plástico ou brinquedos eletrónicos. A arte e a criatividade encontram uma frequência assídua na maioria das actividades, sendo extremamente valorizado o contacto com as mais diversas manifestações da arte, a música, a dança e a expressão criativa, independentemente da idade. Além disso, visam desenvolver nas Crianças valores universais de cooperação, respeito, paz, confiança, e tantos outros dos quais fazem parte uma vivência saudável.

São modelos educativos todos com o seu mérito pelo facto de olharem para a Criança de um prisma totalmente novo, nutrindo-lhe um profundo respeito enquanto ser criativo, espiritual e individual. Olham para a Criança de uma forma global, intervindo nas vertentes espiritual, mental, física e psicológica independentemente dos temas ou matérias que estejam a ser trabalhados. Acima de tudo, são modelos que querem ajudar as Crianças a conhecerem-se e confiarem em si mesmas, e a beneficiarem com isso de vidas mais autênticas e verdadeiras, coincidentes com aquilo que é único em cada uma.

No entanto, estes modelos também apresentam as suas diferenças. Apresentamos algumas das mais substanciais em seguida, para se ilustrar um pouco o que sejam as suas especificidades.

Montessori e Waldorf

No método Montessori, por exemplo, há uma grande valorização do mundo real, visto como uma criação maravilhosa e que deve ser apresentada como tal às Crianças, nas suas mais diversas manifestações. Não quer com isto dizer que a fantasia ou a imaginação sejam postas de parte. Estas são antes integradas nos processos criativos.

Já numa escola Waldorf, as histórias de encantar fazem parte do dia-a-dia, incorporando-se os contos de fadas e a fantasia no currículo escolar, partindo-se da premissa de que o trabalho das Crianças é brincar e a sua imaginação deve ser sempre trabalhada e incentivada. A abordagem das aprendizagens é essencialmente artística, e dá-se um profundo valor ao movimento, ao ritmo saudável e à rotina saudável.

Outra diferença prende-se com a forma como os alunos são ensinados. Numa sala de aula Montessori, as Crianças movem-se com liberdade e ao seu ritmo, ganhando um nível superior de autonomia, auto-disciplina e auto-motivação.

Toda a sala é pensada para as Crianças, sendo tudo em tamanho “mini” e por elas acessível, não havendo secretária ou cadeiras para adultos. Há cinco grandes áreas entre as quais uma sala de aula se divide: Vida Prática, Sensorial, Linguagem, Matemática e Cultura. Cada área integra diversas actividades e materiais que servem sempre algum propósito educativo. O Professor dá as lições individualmente ou em pequenos grupos, podendo as Crianças também optar por ser ensinadas por outros alunos. Nestas salas os alunos têm diversas idades, de forma a representar melhor aquilo que de facto existe na vida real, ao mesmo tempo que ensina valores como os da cooperação e entreajuda. As Crianças desempenham as actividades que querem, ao seu ritmo, sendo certo que todas as actividades acabam por estar relacionadas, e quando dominam uma, passam para a seguinte.

Já numa sala de aula Waldorf, as Crianças trabalham em grupos da mesma idade e com um professor a liderar as actividades. Até aos sete anos de idade, a educação centra-se mais no desenvolvimento motor e sensorial, e só depois nos planos intelectual e cognitivo, idade a partir da qual as Crianças são iniciadas na escrita, leitura e matemática. Todas as actividades servem igualmente propósitos educativos, e são por isso muito variadas e têm sempre em consideração o ponto de desenvolvimento das Crianças. Por exemplo, num grupo de Crianças mais novas, numa altura em que o cérebro está especialmente permeável ao desenvolvimento da motricidade fina, desempenham-se actividades como costura, trabalho artesanal, ou preparação de alimentos. Com os mais velhos, as salas apresentam o modelo mais tradicional, mas as forma como as lições decorrem é substancialmente diferente. Aos alunos são apresentadas possibilidades (ao invés de conteúdos rígidos) e os mesmos são questionados sobre essas temáticas e sobre os desafios que surgem, incentivando-se o pensamento divergente e a inovação. Não há manuais escolares, pois são os próprios alunos que criam os seus, com ilustrações, textos, caligrafias.

 

Movimento Escola Moderna

Através deste Movimento, valoriza-se a aprendizagem da liberdade, responsabilidade e solidariedade. A democracia é igualmente um valor com forte presença, na resolução de questões que surgem e na própria determinação dos conteúdos e matérias a trabalhar. Não há diferenciação de idades ou professores, e tudo se concretiza através da realização e apresentação de projectos que são escolhidos de comum acordo entre os alunos e os professores.

Destes projectos participam todas as disciplinas, rompendo com o paradigma tradicional de separar as disciplinas que a maioria das vezes estão ligadas entre si, e ganham forma através de imprensas escolares, entrevistas, pesquisas, textos livres, e muitas outras formas. Por outro lado, é definido um plano de trabalho autónomo para cada aluno, que é cumprido em cooperação com o professor, respeitando-se o ritmo de cada Criança.

Enquanto esperamos, porque não começar já nas nossas casas?

É certo que ainda temos um longo caminho a percorrer na implementação destes modelos em Portugal, e sobretudo de uma forma que seja acessível a todos. Mas tal linha está certamente em sentido ascendente com o visível esforço conjunto da sociedade civil e com os resultados extremamente positivos que têm vindo a ser demonstrados com a experiência de outros países.

No entanto, a verdade é que já existem muitos exemplos de famílias que aplicam os princípios e atividades ensinadas por estes modelos nas suas próprias casas, com resultados extremamente positivos no crescimento dos mais novos.

 

 

 

Cuáles son las apps imprescindibles para profesores y docentes?

Agosto 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educaciontrespuntocero.com/

por Pablo Espeso

Por aquí ya hemos hablado en alguna ocasión de los recursos imprescindibles para un profesor: páginas web, plataformas o sitios en los que encontrar ideas, actividades y, en general, todo tipo de materiales para usar en clase. También tenemos ideas para asignaturas más específicas, pero no nos habíamos parado a pensar en todos aquellos docentes que, día a día, utilizan su smartphone o tablet en el aula. ¿Cuáles son las apps imprescindibles para cualquier profesor?

La realidad es que una buena parte de la vida en el aula puede realizarse exclusivamente con un teléfono móvil, o con una tableta. A través de un dispositivo como estos pueden gestionarse notas y asistencia o comunicarse con las familias, realizar presentaciones, trabajos o tomar notas, crear tu propio contenido exclusivo para tus alumnos o incluso evaluar a través de herramientas de gamificación. A continuación encontrarás una selección de apps que hacen más llevadera la vida del docente: son las apps imprescindibles para profesores.

Un LMS

A medida que las TIC han ido adentrándose en las aulas, cada vez son más las plataformas de aprendizaje adecuadas a este nuevo contexto. Se les llama LMS, Learning Management System, y permiten que los alumnos puedan visualizar contenido volcado por un profesor en un portal web. De este modo podrán acceder a todo tipo de recursos alrededor de una asignatura, materia o lección.

Ejemplos hay muchos pero siempre es recomendable seguir algunas pautas para elegir el más adecuado a nuestro entorno: Edmodo, Google Classroom, Moodle… son solo algunos de los más reconocidos, y prácticamente todos tienen apps para poder gestionar la información desde otros dispositivos. Además, también muchos de ellos permiten la comunicación con las familias, una característica cada vez más deseada en la era digital.

Almacenamiento en la nube

Cada vez son más frecuentes los sistemas de almacenamiento en la nube que nos permite compartir cualquier tipo de archivo, entre diferentes dispositivos, así como por supuesto categorizar y organizar información, ya sea para un uso personal o incluso para enviársela a nuestros alumnos.

De nuevo, plataformas de almacenamiento en la nube hay muchas, decenas de diferentes servicios que podemos adecuar a nuestros intereses. Algunos más conocidos como Dropbox o OneDrive, y otros más minoritarios pero que merece la pena estudiemos para poder incorporarlos a nuestro día a día como docentes.

Apps de ofimática

Lo que antaño era exclusivo de ordenadores ahora ha abierto un nuevo mundo de posibilidades a través de smartphones y tablets. Existen innumerables apps de ofimática con las que, además de abrir y visualizar ficheros que nos envíen, también podemos editar y personalizar los nuestros propios. Edición de textos, hojas de cálculo, bases de datos…

En esto siempre ha existido una suite de cabecera: Microsoft Office que en esta nueva etapa está dominando el mercado de la ofimática con Office 365, compuesta por los programas que conocemos de siempre (Word, Excel, PowerPoint) junto con algunos añadidos como OneNote u Outlook para el correo electrónico. Todo en formato de app o accesible a través de un navegador o del software más tradicional.

Junto a Office 365 han ido apareciendo unas cuantas alternativas que merece la pena plantear: Google Drive, Apple iCloud o varias decenas de diferentes alternativas que podemos encontrar en las respectivas tiendas de apps.

Para las presentaciones

Tener un proyector o una pizarra digital en clase es algo cada vez más habitual, y una de las cosas que podemos hacer para aprovechar al máximo estas tecnologías es utilizarlas para mostrar contenido: presentaciones, por ejemplo, en formato digital.

Si te interesa crear tus propias presentaciones para morstrarlas en el aula, entonces necesitarás una app que te permita crearlas directamente desde el tablet o el smartphone: al igual que sucede con las suites de ofimatica, también existen multitud de apps con las que crear presentaciones para clase. Por ejemplo el conocido PowerPoint, pero también alternativas más visuales como Prezi, que tiene algunos resultados increíbles.

Estas apps en ocasiones te permiten elaborar desde cero la presentación, y otras veces solo mostrarla y proyectarla. Puede que lo tengas que hacer a través de un cable o, más cómodo, de forma inalámbrica. Sea como fuere, al docente del siglo XXI le ayudará saber que todo esto puede hacerlo desde el dispositivo de su bolsillo.

Para tomar notas

No solo nuestros alumnos deben tomar notas en él aula. Para los docentes surgen numerosas oportunidades a lo largo del día en las que una libreta vendría de maravilla para tomar apuntes, recoger información (por ejemplo, de una prueba de evaluación, de un debate…). Por supuesto, también hay apps para ello.

Ejemplos hay muchos. OneNote, de Microsoft, cumple con esta misión: tomar notas, compartirla e incluso editarlas de forma colaborativa entre varios profesores o alumnos. Y no se ciñe exclusivamente a notas de texto: también reseñas imágenes o vídeos, enlaces a páginas web o incluso dibujos hechos a mano, o con un lápiz digital.

Otra de las opciones más representativas en lo que a apps para tomar notas se refiere es Evernote, aunque como decimos hay muchas más de donde elegir.

Apps de diseño

Otra grata posibilidad que los nuevos dispositivos móviles han traído a cualquier usuario son aquellas que permiten dar rienda suelta a nuestra parte más creativa: diseñar, editar imágenes, crear infografías… en definitiva, crear imágenes digitales.

De nuevo las posibilidades se cuentan por decenas e incluso podemos subdividirlas en diferentes categorías: para dibujar, para crear infografías o para editar vídeo. Aquí hay que hacer un importante estudio previo para pensar qué es exactamente lo que quiere el docente, y con ello buscar aquella app que mejor se adecue a sus intereses.

Juegos y concursos

La gamificación tiene su espacio en clase, y además de divertir al docente también le sirve para evaluar. Aplicaciones como Kahoot o Trivinet permiten plantear un ‘concurso’ y que los alumnos se unan a participar. Son solo dos de los muchos ejemplos de plataformas para evaluar a nuestros estudiantes, la mayoría de ellas desde nuestro teléfono móvil.

El profesor es el encargado de crear el juego de preguntas y respuestas, ya sea a través de un dispositivo móvil o desde el ordenador; una vez lo tenga, puede enviárselo a sus alumnos para que estos participen. La muchas de estas plataformas tienen la respectiva app que podemos descargar e instalar para acceder directamente a todo el contenido, y junto con todas las demás herramientas permiten redondear este ‘pack’ de apps imprescindibles para docentes.

 

 

 

Aqui as crianças aprendem com robôs

Agosto 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 14 de julho de 2017.

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Há muita coisa a influenciar quem classifica os exames. Até a letra dos alunos

Julho 6, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Leonor Santos no dia 24 de junho de 2017.

 

A especialista em avaliação, Leonor Santos, considera que os exames não contribuem para as aprendizagens e também que não garantem a equidade. Por isso é contra este tipo de provas tal como elas são feitas em Portugal.

Clara Viana

Trabalhos de grupo, com uma componente oral, ou projectos de investigação prolongados no tempo podem ser uma alternativa aos exames de Matemática que conhecemos. Quem o diz é Leonor Santos, especialista em avaliação das aprendizagens, responsável pelo mestrado em Educação da Matemática, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Leonor Santos deixa ainda um aviso: o programa da disciplina, em vigor no ensino básico, é “um crime” e deve ser alterado quanto antes.

Os exames são um instrumento útil da avaliação das aprendizagens a Matemática?

Não há evidência de que a existência de um exame contribua para as aprendizagens. A investigação, e a nossa própria experiência pessoal, mostram, aliás, que o estudo intensivo que se faz nas vésperas de exame traz alguma aprendizagem, mas que esta é de curta duração. Não creio que seja essa a razão principal para existirem exames. Podemos ter argumentos de natureza social, por exemplo, o dos exames serem uma prestação de contas ou de fornecerem elementos que identifiquem a qualidade ou não do sistema educativo.

Mas do meu ponto de vista esse objectivo não se alcança através de exames, mas sim de provas de aferição que, aliás, voltaram, o que vejo com muito agrado. São instrumentos importantes para revelar o próprio sistema educativo, servem para identificar as dificuldades principais dos alunos e permitem, inclusivamente, que se façam alterações fundamentadas nos currículos.

Mas os exames também não permitem que tal se faça?

Não é esse o seu objectivo. Os exames, o que pretendem é certificar as aprendizagens realizadas e ver quais os alunos que são capazes de ter um desempenho satisfatório ou bom e quais aqueles que não capazes de ter. Só que, na minha perspectiva, o sucesso escolar não é igual a aprendizagem. O sucesso escolar é ter bom aproveitamento, mas nem sempre um aluno que aprendeu tem necessariamente um bom desempenho numa prova que é limitada no tempo e que tem algumas características particulares, como acontece com os exames.

A diferença entre as provas de aferição e os exames é que as primeiras não contam para a nota.

A diferença é enorme porque os propósitos destas provas são distintos. O exame é uma prova que tem por objectivo classificar e hierarquizar os alunos. Enquanto as provas de aferição têm como preocupação fornecer informação detalhada às escolas sobre o desempenho dos alunos, o que pode constituir mais um elemento sobre o que há a regular, sobre aspectos a que é preciso dar mais atenção, etc. E, portanto, existe a preocupação de se dar um contributo para melhorar o ensino e, consequentemente, as aprendizagens dos alunos. O que não acontece com os exames. Sabemos que o que sai no exame vai influenciar grandemente o trabalho do professor em sala de aula. A existência de exames tem o efeito de reduzir o currículo aos conteúdos que saem na prova. Portanto, traduz-se num ensino muito centrado na preparação para esta avaliação.

A professora é contra a existência de exames seja em que nível for, mesmo no ensino secundário?

Os exames não contribuem para as aprendizagens e também não garantem a equidade entre os alunos. Antes pelo contrário. Por isso não, não estou de acordo com a existência destas provas.

Mas o argumento de que os exames promovem a equidade é recorrentemente utilizado pelos defensores desta forma de avaliação

Pois é, mas eu acho o contrário. Penso que os exames aprofundam a desigualdade. E porquê? Até chegarem àquele momento do exame, os alunos têm experiências que foram muito distintas. Nem todos trabalharam os mesmos temas com o mesmo nível de profundidade. Tiveram professores distintos, ensinos distintos e chegam ali com um passado muito diferente. Não é o facto de existir uma prova única para todos, num mesmo momento, que garante a equidade.

Podem dizer que os exames servem para responder a uma necessidade, que a sociedade sente, de que haja uma prova e resultados com garantias de objectividade, já que as classificações são dadas por um grupo de avaliadores que seguem os mesmos critérios de correcção. Mas também isto é uma fantasia. Se assim fosse não havia recursos de exames, porque as pessoas não iam gastar dinheiro a pedir a revisão de provas se com esta se não houvesse mudanças nas classificações.

Na revisão das provas geralmente as classificações sobem.

E porquê? Isto acontece não porque os primeiros classificadores tenham agido de forma incorrecta, mas porque somos humanos e temos atitudes diferentes que podem influenciar o modo como se aplicam os critérios de avaliação. Há investigação que já demonstrou que a preocupação dos avaliadores que estão a classificar pela primeira vez é a de manter os mesmos critérios para todas as provas. Mas quando está a fazer uma revisão de prova, a sua atitude é completamente diferente: tenta aproveitar tudo o que for possível.

Isso não quer dizer que aplique critérios de correcção diferentes daqueles que constam do referencial, mas por mais pormenorizados que estes sejam existe uma grande margem de decisão do próprio avaliador e isso é incontornável.

Os investigadores que têm estudado estas questões chegaram à conclusão que um classificador é sujeito a dois efeitos enquanto está a classificar as provas, sejam elas de exame ou testes dos seus próprios alunos. São os efeitos de assimilação e o de contraste.

E isso quer dizer o quê?

Comecemos pelo efeito de contraste. Foi constatado que um classificador quando se depara com uma prova de qualidade elevada, acima da média, vai ser mais exigente com a prova que vai ver a seguir. E o efeito contrário também se dá: quando encontra uma prova de nível muito baixo, na seguinte é mais permissivo. E quando se diz mais exigente e mais permissivo não se está a dizer que não respeite os critérios de avaliação. As decisões que se tomam para além do que está definido é que são diferentes.

Quanto ao efeito de assimilação o que este põe em evidência é quando se olha para uma prova, mesmo que esta seja anónima como é o caso dos exames, se infere um conjunto de coisas sobre a pessoa que a fez. Por exemplo, se é uma prova toda rasurada, em que se escreveu tudo encavalitado, involuntariamente, e inconscientemente, pensa-se que esse aluno tem as ideias muito confusas. Se, pelo contrário, for uma prova muito direitinha, sem rasuras, com uma letra bem-feita, infere-se que deve ser um aluno com bom desempenho. E estas informações vão, uma vez mais, ter efeito sobre a maneira como se aplica os critérios de correcção. Se for um aluno que tem um desempenho elevado somos mais tolerantes do que para aqueles que achamos que têm desempenhos baixos.

Para além das provas de aferição, que outro tipo de avaliação é que pode ser mais útil no que respeita às aprendizagens a Matemática?

Há desafios na avaliação externa que, com o tempo, podemos procurar enfrentar. Não há nenhuma teoria que diga que um exame tem de ser uma prova escrita, feita em tempo limitado, individualmente. Pode ser de outra maneira. Pode ter uma componente de trabalho colectivo, pode ter uma componente de trabalho oral, pode ser uma tarefa que seja mais da natureza de trabalho de projecto ou uma tarefa de investigação — em Matemática, faz todo o sentido —, em que o tempo não é um elemento informativo da maior ou menor capacidade que o aluno tenha.

Por exemplo, na Suécia realizaram-se provas orais feitas por grupos de alunos, em que lhes era dada uma proposta de trabalho de natureza investigativa, que eles exploravam e depois tinham de explicar como tinham feito e porque tinham feito dessa maneira. Qual é a grande vantagem destas alternativas? A vantagem é que permite testar capacidades matemáticas que fazem parte do que é expectável o aluno desenvolver e que não são possíveis de serem consideradas numa prova escrita com tempo limitado. E, se assim for, o tal fenómeno, que referi há pouco, do exame contribuir para reduzir o currículo já não acontece da mesma forma. Se existir uma prova oral em que os alunos têm que evidenciar a sua capacidade de raciocínio matemático e comunicação matemática então o professor tem de se preocupar em desenvolver essas capacidades ao longo do ano.

Mas este tipo de exames contam para avaliação?

Um exame conta sempre para a avaliação. Como já disse, é uma prova que tem por objectivo classificar e hierarquizar os alunos.

Que avaliação faz dos programas que estão em vigor?

O programa do ensino básico de Matemática foi mudado [pela anterior tutela] de forma radical em termos do que é que se entende que é saber matemática. De uma forma muito simplista, diria que uma grande orientação do programa de 2007 era a de que os alunos soubessem matemática com compreensão, percebendo o que estavam a fazer. Neste novo programa o que importa de facto é ter um grande domínio de cálculo e a compreensão virá mais tarde, quando o aluno for mais maduro. Tem coisas absolutamente desadequadas para o nível etário dos alunos. Estes memoriam, aprendem a fazer, mas de facto não compreendem. Isto não é saber matemática.

Defende a revisão do programa?

Defendo de uma forma absolutamente categórica que o programa devia ser quanto antes alterado. O que estamos a fazer é um crime relativamente aos alunos do ensino básico.

 

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