“Se calhar já existiram mais casos do Baleia Azul que não foram identificados como tal”

Maio 16, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Ivone Patrão no dia 7 de maio de 2017.

A professora teme que os casos de adolescentes que chegam ao hospital por causa da Baleia Azul possam ser mais do que os já conhecidos e apela aos pais para que estabeleçam regras.

Bárbara Wong

Nas últimas semanas, o país foi surpreendido com um jogo que pode levar os que aderem ao suicídio, é a última etapa do jogo, antes disso as propostas passam pela automutilação. É o jogo Baleia Azul e tem tido aderentes que vão parar ao hospital. Paralelamente há uma série para jovens e adolescentes, com produção executiva da ex-estrela da Disney Selena Gómez, que também gira em torno do suicídio de uma adolescente e que já levou escolas nos EUA a boicotar a série; na Nova Zelândia e no Canadá, os departamentos responsáveis pela classificação dos filmes considerou a série Por 13 Razões não adequada a jovens com menos de 18 anos e no Brasil a visualização levou a que centenas de jovens pedissem ajuda. A série que é uma adaptação do livro de Jay Asher aborda ainda a violação, o bullying, a depressão e a falta de acesso a cuidados de saúde mental.

A psicóloga Ivone Patrão, que trabalha na primeira consulta de dependência de Internet no país, que funciona no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, escreveu recentemente o livro #geração-cordão sobre as gerações que estão dependentes das novas tecnologias. A também professora no ISPA- Instituto Universitário teme que os casos de adolescentes que chegam ao hospital por causa do Baleia Azul possam ser mais do que os já conhecidos e apela aos pais para que estabeleçam regras.

Temos o jogo Baleia Azul e temos a série Por 13 Razões onde o suicídio está permanentemente presente. Até que ponto estes não servem para despoletar nos jovens o desejo do suicídio?

Claro. Confrontamo-nos com jovens que estão em sofrimento e se estas tarefas do Baleia Azul não existissem eles estariam a automutilar-se e a instituir um plano suicida. O jogo ou a série só vêm dar o mote. Há um sofrimento físico que ajuda a anular o sofrimento psicológico. O jovem pensa: “Eu sinto-me tão deprimido, tão vulnerável, tão mal que ao cortar-me sinto-me aliviado” e este jogo, para um jovem isolado, surge como alguém que não faz juízos de valor e o incita.

Até que ponto esta geração está mais perdida do que as anteriores porque têm menos perspectivas de vida?

Não diria que é uma geração perdida, mas que tem um risco que as anteriores não tinham, por causa do acesso fácil a tudo, por não ter de saber as coisas mas só o sítio onde elas estão. Com as tecnologias eles não fazem time-out, não fazem refresh uns dos outros e não param para reflectir, para pensar, para ajustar a forma de pensar sobre algo que se passou durante o dia. Estão sempre ligados e isso ajuda a que os jovens que estão mais vulneráveis facilmente entrem no jogo. Sobretudo se têm ideias de morte, é como juntar o útil ao agradável. O jogo é uma coisa prazerosa onde se ganha. Aqui é completamente ao contrário.

O suicídio entre os jovens é a segunda causa de morte, diz a OMS.

Primeiro são os acidentes de viação e depois o suicídio. Eu diria que poderá haver muitas situações de suicídio que são considerados acidente e podem não ser. Em termos de número podemos ter dados superiores e não temos valores concretos das tentativas. Tenho situações de jovens que já tentaram suicidar-se três vezes, quer dizer que estão em sofrimento e que quem está à volta não se apercebe. Entrar neste jogo é muito fácil para estes jovens.

Mas o jogo não é também o testar os limites? Ou seja, não pode ser jogado por jovens que não têm esse quadro que descreve?

É comum e típico dos jovens querer testar os limites, mas só até um certo nível, percebem quando há uma zona de perigo. Portanto, se não estiverem em sofrimento ou vulneráveis recuam e não jogam.

As notícias sobre este jogo podem levar mais jovens a entrar no Baleia Azul?

Haverá muitos que terão curiosidade porque querem saber o que é, até que ponto os tentam manipular, mas só jogarão se estiverem em grande sofrimento.

Há tentativas de suicídio online, os jovens entram em directo, mostram aos outros o que vão fazer e que acabam por ser salvos porque alguém que está a ver telefona para a polícia, jovens que nem sequer estão em Portugal (que estão em França, em Espanha, nos EUA) e que alertam as autoridades. Tenho relatos de pais que tiveram a polícia e os bombeiros em casa, de repente, sem saber porquê, quando tinham o filho ou a filha, noutra divisão da casa, a fazer essa tentativa em directo.

Mas o jogo ou a série não podem servir de alerta para não cometer o suicídio?

Pode funcionar não para os que estão em sofrimento, mas para os que vão ouvir as notícias com mais cuidado sobre outros que ficaram hospitalizados ou morreram. Vai funcionar para pais e professores para estarem atentos. Se estas situações não surgissem como é que a população em geral sabia?

Pode servir para jovens falarem com um professor ou com os pais de um amigo que esteja nessa situação. É preciso conhecer os sinais de alerta – alterações de comportamento, baixo rendimento escolar, distanciamento na relação com os colegas.

Se calhar já existiram mais casos do Baleia Azul que os profissionais das urgências não identificaram como tal e definiram como automutilação porque o jogo era desconhecido. Haverá mais casos que poderão ser associados ao jogo.

Faz sentido para os jovens jogarem o Baleia Rosa ou vão achar que é uma parvoíce?

É positivo e estará adaptado aos que gostam da lógica dos desafios e de conseguir fazer bem e depressa as tarefas que, neste caso, são adequadas. É preferível que joguem e é de recomendar sempre que peçam ajuda especializada quando se sentem num beco sem saída.

O que é a “geração-cordão” que dá título ao seu livro?

É uma metáfora que tem a ver com a questão de ser uma geração que está sempre ligada às tecnologias e que não tem competências de autonomia e de desenvolvimento do seu projecto de vida, que não corta o cordão umbilical, não se autonomiza, não faz as tarefas da adolescência e está em contacto com o mundo mas só virtualmente. Defendo que é importante cortar o cordão umbilical à nascença e criar laços, deixar as crianças crescer de forma saudável.

Como é que devemos gerir as tecnologias nas nossas vidas?

Ainda estamos a anos-luz. Em inquéritos é muito engraçado os pais responderem: “não deixo estar muito tempo” ou “deixo o tempo que baste” [a usar o computador]. O que é isso? É ausência de clareza e traz muitos conflitos. Muitos jovens chegam à consulta porque os pais não sabem o que fazer. Desde crianças que lhes damos tablets e smartphones sem estabelecer regras e quando chegam à adolescência já é tarde.

Até que ponto os pais também dão um mau exemplo do uso das tecnologias?

Os pais são um exemplo presencial e virtual. E ainda não parámos para pensar nisso. Temos muitos pais com adolescentes que têm Facebook e outras redes e querem instituir regras em casa, mas depois fazem posts à uma da manhã. Costumo dizer que à hora de jantar, a família pode fazer um “encontro da tecnologia” onde se juntam os telefones todos. A tecnologia encontra-se num sítio e a família noutro para conversar e conviver. Dificilmente as pessoas o fazem.

Alguns pais estão conscientes que são um modelo presencial, mas não acredito que tenham a ideia que também são um exemplo virtual. Mesmo com crianças pequenas, estas observam a relação do adulto com a tecnologia e fazem uma aquisição do que vêem. Estamos no princípio da consciencialização e é preciso afinar práticas educativas. É importante que se comece cedo, não a evitar as tecnologias, mas a enquadrá-las, introduzindo-as com regras e limites.

Haverá mais situações de jovens e crianças em risco e mais a experimentar o Baleia Azul. Tenho acompanhado jovens com automutilação. Lembro-me de uma jovem que não conseguia verbalizar e escrevia sobre a sensação que tinha quando se cortava, era um alívio, tudo ficava mais simples e mais fácil de lidar.

Como é que se resolve?

Há uma componente de intervenção com a família. É importante que os objectos cortantes não estejam disponíveis, que a família não faça juízos de valor, mas que compreenda o que se passa. Geralmente está escondido, nota-se nos comportamentos: baixo rendimento escolar, depressão, isolamento, jovens que chegam à consulta muito vestidos… Começo logo a suspeitar. Há uma componente de intervenção de psicoterapia que perdura

Cura-se?

(Silêncio) É importante a adesão do jovem à intervenção. Para compreender esse estado e fazer um caminho diferente com estratégias positivas. Vi algumas imagens da mutilação da baleia no braço de uma jovem, que se nota que tem uma componente artística fantástica, portanto um desenho daquela jovem deve ser belíssimo. Significa que tem interesses que foram deixados de lado e que é preciso ir buscar. Muitas vezes há acontecimentos de vida – perda de coesão na família, a dificuldade de os pais têm de lidar com o crescimento dos filhos… Não quero fazer uma relação directa com o divórcio, mas às vezes, percebemos que estes jovens andam à semana, numa casa e noutra, e ninguém se apercebe do que está a acontecer.

Estes jovens que se automutilam também podem ser vítimas de bullying?

De bullying e de ciberbullying. Eles têm os telemóveis durante todo o dia – as regras variam de casa para a escola, de escola para escola, e até há professores que têm uma cesta onde os alunos põem o telefone, mas eles têm dois, o outro fica no bolso!

Portanto, há fotografias, vídeos, criam-se grupos para gozar com o colega, criam-se situações que é difícil os adultos terem percepção das mesmas porque uma coisa é o bullying directo que se vê no recreio, outra é este que se passa na rede.

Se não vêem, o que podem fazer os pais ou os professores?

Estes jovens dão sinais, ficam mais inquietos, mais agressivos. Às vezes podem ser os pais a pedir ajudar, a ir a uma consulta de triagem. Os pais podem ver o histórico do computador; fazer uma conversa pela positiva, de interesse e não de crítica. Tudo isto é mais fácil se os pais começarem quando eles ainda são crianças porque na adolescência cheira-lhes a intrusão. Aos 16 anos não se lhes pode pedir a password do email.

O que está a dizer é que os pais precisam de criar relação com os filhos e falar com eles.

É essencial, desde muito cedo. Eles são do toque, desenvolvem essas competências sozinhos. Os pais ficam descansados porque eles são muito espertos e esquecem-se que os filhos criam uma pegada digital, criam contas de Facebook ou de email aos oito/dez anos, podem entrar em sites que não são seguros, que podem falar com pessoas mais velhas… Damos uma chucha e há uma altura para a tirar, mas a da tecnologia é para o resto da vida.

E os pais estão a dar essa chucha antes de lhes dar um livro, um brinquedo de pano ou de madeira.

É verdade. Damos e não tem mal em dar, mas não pode ser só isso. Não tem mal usar tecnologia, é preciso saber as regras e os pais não estão a fazer isso.

Que outros casos ligados a dependência da tecnologia chegam à consulta de Santa Maria?

Chegam-nos as situações mais graves. A consulta existe desde 2013. São sobretudo rapazes com número de horas exagerado [à frente de um ecrã], em absentismo escolar, sem projectos de vida, com perturbações psiquiátricas ou deprimidos e que encontraram no jogo online uma forma de ter prazer e de viver. São desinvestidos do ponto de vista físico, não comem ou comem em excesso porque estão sempre em frente ao computador.

E as raparigas?

As raparigas têm dependência das redes sociais o que implica socialização virtual e presencial, como há partilha de conteúdos, fotos e vídeos, encontram-se. Portanto recorrem menos à consulta.

Qual é a percentagem de jovens com dependência?

Os estudos indicam 25%. No Japão ou na China é mais de 45%. Associado ao número de horas temos o isolamento e a desistência de outro tipo de actividades, de lazer, desportivas e de contacto social. Efectivamente, temos muitos jovens que deixam a prática do desporto porque assim têm mais horas para jogar; que não vão ao cinema ou que aproveitam os furos nas aulas para jogar.

O ministro da Saúde japonês implementou os bootcamps obrigatórios de desenvolvimento pessoal sem tecnologia. Têm centros de internamento.

São necessários em Portugal?

Nalgumas situações que temos que são mais graves. Estes jovens estão em absentismo escolar e não trabalham. Há comunidades terapêuticas para toxicodependentes que podem dar apoio nestas situações porque do ponto de vista neurológico é uma dependência sem estar ligada a nenhuma substância, mas activa as mesmas partes do cérebro que as drogas ou o álcool.

Fazem-se planos de intervenção para a saúde, alimentação, prevenção rodoviária, parece-me que cada município devia desenvolver um plano de intervenção saudável de tecnologia – o próprio município disponibiliza wi-fi, por que não disponibilizar formação para pais, professores e jovens? Duvido que haja algum programa autárquico sobre este assunto, que é urgente.

Passaria por consultas?

Passaria primeiro por formação. Passaria por termos técnicos nos centros de saúde que possam fazer formação mais concreta para responder quando há casos de maior vulnerabilidade. Ainda estamos no início do que vai aparecer.

Vai ser pior que o Baleia Azul?

Pode haver outros jogos, estão sempre a surgir mais jogos.

 

Serviços telefónicos de ajuda e apoio ao suicídio em Portugal e na Europa

 

SOS – Serviço Nacional de Socorro 112

SOS Voz Amiga (entre as 16 e as 24h00) 21 354 45 45 91 280 26 69 96 352 46 60

SOS Telefone Amigo 239 72 10 10

Telefone da Amizade 22 832 35 35

Escutar – Voz de Apoio – Gaia  22 550 60 70

SOS Estudante (20h00 à 1h00) 808 200 204

Vozes Amigas de Esperança (20h00 às 23h00) 22 208 07 07

Centro Internet Segura 800 21 90 90  Linha Internet Segura

 

 

Não te deixes enganar pela Baleia – Se entras no jogo, o teu papel é perder

Maio 9, 2017 às 2:30 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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“Suicídio é o limite de todo o sofrimento. Série expõe jovens ao risco” declarações de Melanie Tavares do IAC

Maio 8, 2017 às 7:41 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.noticiasaominuto.com/ de 6 de maio de 2017.

A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança, comenta a notícia.

O suicídio é um assunto sobre o qual pouco se fala, mas que tem dado muito que falar nos últimos dias. Ao mesmo tempo que vamos tendo conhecimento de adolescentes que desafiam a morte através do jogo Baleia Azul – e são já pelo menos oito os casos em Portugal -, há uma série televisiva a despertar o debate em torno do suicídio na adolescência.

Falamos da série da Netflix ’13 Reasons Why’ em que a protagonista é uma jovem que acaba com a própria vida esvaindo-se em sangue numa banheira após cortar os pulsos. A história é contada pela própria adolescente que decide deixar cassetes a explicar de viva voz as razões que a levaram a tal ato. As 13 cassetes são, propositadamente, entregues a todos aqueles que contribuíram para o seu suicídio, sem se darem conta de tal, e revelam um acumular de situações que se agravam ao longo da história.

A questão que se coloca é saber se séries como estas são ou não bem-vindas, se funcionam como alerta à nossa sociedade ou, se por outro lado, são o último ‘empurrão’ a quem já se encontra em situação vulnerável. Ao Notícias ao Minuto, a psicóloga Melanie Tavares explicou o quão perigosa pode ser a série sobretudo para aqueles que já tiverem pensamentos suicidas.

“A quem se encontra numa situação vulnerável pode até causar uma distorção cognitiva da mensagem. Qualquer pessoa, de qualquer idade, mediante situações dessas, pode identificar-se com a personagem, considerando que aquele é o caminho e até, inclusive, estar num sofrimento profundo e olhar para a personagem como uma heroína, que coragem de fazer aquilo que ela ainda não conseguiu”.

E o facto de a história ser contada de uma forma algo romantizada, na opinião da psicóloga, “não ajuda nada”. “Quando uma pessoa, ainda por cima tem uma vulnerabilidade, acaba por ser contaminada pelos efeitos perversos das coisas”, frisa a especialista do Instituto de Apoio à Criança.

A especialista defende que 13 anos – idade a partir da qual a Netflix recomenda a série – é “precoce”, tendo em conta a exposição ao perigo que ela representa. Tal como num filme pornográfico, compara, “visionar esta série, ainda que acompanhados dos pais”, não é o mais correto. É, na sua opinião, “contraproducente”, embora os pais devam, em última instância, supervisionar todos os conteúdos que os filhos vêem.

Assistir a cenas como aquelas que se vêem na série em causa não é benéfica. O importante, defende, é atuar na base da prevenção, não do suicídio em si mas sim das causas que levam a que a morte seja encarada como a única solução. “Os adolescentes não precisam de ver para falar nisso, como o caso agora da Baleia Azul, não é preciso ver para discutir o problema na escola”.

“O grande problema destas questões todas é a comunicação que falta. Falta de tempo dos pais para estar e conversar com os filhos, no meio de tantas rotinas. O tempo de estar é o que promove a comunicação e isso falha muito. numa sociedade apressada, não se trabalha muito as questões do sentir”.

Comunicação, a palavra de ordem

A prevenção, em todas as áreas que impliquem comportamentos de risco, é a palavra-chave para tratar o suicídio. É crucial estar atento a comportamentos de risco, como a a automutilação, e a sinais como a tristeza, a apatia, o isolamento social, as alterações de humor, “tudo sinais de que as coisas não estão bem”. “E no limite, quando as coisas não estão bem, comete-se o suicídio, ou como forma de acabar com o sofrimento, ou para pedir ajuda”, refere a psicóloga, explicando que, por vezes, há suicídios em que o objetivo não é morrer. “Às vezes as coisas não correm como esperam e acaba por acontecer o pior”.

A forma de combater os problemas que podem levar as crianças e adolescentes a acabar com a própria vida é, reforça a especialista, “ter mais psicólogos atentos nas escolas, equipas multidisciplinares que possam estar com a criança não só em contexto de sala de aula, que é o que acontece. Em contexto de sala de aula existe uma quantidade de regras que torna difícil perceber quando a criança ou jovem foge à norma. Quanto mais o vemos no ‘meio deles’, em situações informais, mais nos apercebemos de alterações de comportamento”.

Sendo o suicídio “o limite de todo o sofrimento”, defende, a prevenção tem de ser feita em todas as áreas, nomeadamente no bullying, na educação sexual, porque pode ser um problema de identidade, um problema de aceitação de identidade. “Prevenir o suicídio é o debate. Temos de prevenir as coisas que normalmente levam ao suicídio”, insiste. Prevenir e jamais “desvalorizar os problemas” dos adolescentes como se não o fossem.

A grande base dessa prevenção é a comunicação entre família – escola. “Se todos comunicarem, alguém há-de perceber que aquela criança/jovem está a ter comportamentos de risco”, salienta. “Ninguém sabe que faltou às aulas, que chegou atrasado e tinha um corte na mão, não há aqui ninguém que dê o alerta. Se em casa não conversa com a família e não conta que há um menino que todos os dias o ameaça na escola, não se pode evitar que isto tudo aconteça”, fundamenta, frisando que o ser humano precisa de viver em relação com o outro como de água para matar a sede. “Não vivemos se não for em relação, somos seres sociais”.

Em suma, devemos sim debater todo o tipo de problemas, suicídio juvenil incluído, mas não confrontá-los com situações tão dramáticas como as que a série mostra, porque estes “não têm maturidade para as descodificar”. Melanie deixa ainda um aviso. Apesar de o debate poder ser benéfico, o “excesso de informação tem efeito multiplicador” e “temos de ter cuidado com a forma como se veicula a informação e a forma como é percecionada. Tudo o que tem um efeito pedagógico é benéfico, o que nem sempre acontece com as notícias sobre o tema”. As notícias, defende, “não podem ter um efeito sensacionalista, de desgraça”.

 

 

Não deixes que a Baleia te marque para sempre – Se entras no jogo é para perder

Maio 8, 2017 às 2:21 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Baleia-Azul. O jogo na internet que está a levar jovens no Brasil a suicidar-se

Maio 7, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 24 de abril de 2017.

Através de grupos no facebook, jovens são desafiados pelo “curador” a cumprir tarefas
| Pedro Correia / Global Imagens

Desafio do mundo virtual tem 50 níveis e incentiva ao suicídio e à automutilação. Já originou vítimas em oito estados do país. Polícia investiga origem do jogo que surgiu primeiro numa rede social russa

O casal de namorados Luís Kafru-ne e Kaena Maciel, de 19 e 18 anos respetivamente, hospedou-se no Maksoud Plaza, hotel de luxo na região da Avenida Paulista, em São Paulo. Horas depois, Luís matou Kaena com um tiro na cabeça e suicidou-se. As autoridades suspeitam que este crime é mais um episódio do macabro Baleia-Azul, jogo na internet que já levou ao suicídio ou à automutilação adolescentes em oito estados do Brasil.

“A culpa é da baleia”, escreveu no Facebook um rapaz de 17 anos de Bauru, cidade do interior do estado de São Paulo, minutos antes de se tentar atirar de um viaduto. Casos semelhantes aconteceram nos estados do Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraíba.

A origem do Baleia-Azul, um jogo com 50 níveis de dificuldade que tem o suicídio como etapa final, é controversa. As primeiras informações datam de 2015 e estavam na rede social Vkontakte, o equivalente russo do Facebook. Os participantes são selecionados de madrugada por um administrador – chamado de “curador” – que vai lançando desafios, cada vez mais difíceis e perigosos. Além do Brasil, há casos relacionados com o jogo, cujo nome deriva do mamífero dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico que procura praias para morrer por vontade, na Rússia, Ucrânia, Roménia, Espanha e França.

Além dos casos citados, também em Jaú (estado de São Paulo), um rapaz de 13 anos tentou matar-se cortando os braços com uma lâmina de barbear, após ser excluído da família das redes sociais por suposta determinação do curador. O site G1 teve acesso a um trecho do diálogo em que o curador começa por perguntar ao adolescente se quer jogar e se está disposto a ir até ao fim, para depois determinar a primeira de 50 tarefas que consistia em listar aquilo que o fazia sentir triste.

Uma jovem de 25 anos, do Paraná, estava preocupada com o comportamento da irmã, de 11, e resolveu investigar o computador dela. Contou ao O Estado de S. Paulo que não conseguiu chegar ao fim das mensagens enviadas pelo curador: “Incitam-nos a fazer o mal às pessoas que amamos, é agressivo, intenso, perigoso.” Ainda no Paraná, oito adolescentes dos 13 aos 17 anos deram entrada em hospitais da capital Curitiba após tentativas de suicídio por medicamentos e automutilação. Um deles admitiu à polícia jogar Baleia-Azul. “Vamos procurar os responsáveis por incitação ao suicídio”, disse o secretário estadual de segurança. A pena prevista pelo Código Penal para esse tipo de crime é de dois a seis anos de prisão.

A Polícia Militar da Paraíba identificou 20 participantes no Baleia–Azul que se tentaram mutilar ou matar na capital estadual João Pessoa e noutras cidades. Há dois casos de aliciamento ao jogo no Rio de Janeiro e nove de mutilações juvenis em Santa Catarina. No Mato Grosso, a polícia suspeita que o suicídio de Maria Olívia, de 16 anos, se deveu ao Baleia-Azul, identificando na sequência uma comunidade de 350 participantes do jogo. Em Minas Gerais, registaram-se mais dois casos de suicídio nas últimas semanas. Maria de Fátima, mãe de Gabriel (19 anos), um dos jovens que morreu, disse que ele “não aguentou a pressão. Dizia que eles têm os dados das famílias de quem tenta sair e fazem ameaças. Quem for mãe ou pai dê umas palmadas, mas olhe o telemóvel dos seus filhos, não quero que mais nenhuma mãe passe pelo que estou passando”.

Em Pernambuco, a polícia aposta na prevenção, com vídeos na internet e visitas a escolas. A Escola de Comércio Álvares Penteado (São Paulo), lançou o Coelho Branco, que consiste em 15 tarefas “do bem”, e a psicóloga Tamara Camargo, com dois publicitários, lançou o site Baleia Rosa, onde adolescentes podem desabafar. “Cerca de 20% são utilizadores de Baleia-Azul e outros sites”.

 

 

 

 

Será que as notícias estão a contribuir para o problema Baleia Azul?

Maio 6, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.publico.pt/ de 5 de maio de 2017.

Maria João Gala

Especialistas ouvidos pelo PÚBLICO aconselham a que se promova o debate, mas alertam para “efeitos nocivos” de um noticiário baseado na mera descrição de mais casos. Documento de esclarecimento sobre o jogo vai ser distribuído nas escolas.

Clara Viana

Numa semana multiplicaram-se as notícias dando conta de jovens internados na sequência de autolesões alegadamente provocadas pelo jogo Baleia Azul. Estarão elas a ter um efeito de contágio? “O problema não é noticiar, mas sim como noticiar”, afirma o psicólogo Pedro Frazão, membro da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, que alerta para a possibilidade da multiplicação das notícias sobre casos concretos poder provocar, como sucede com o suicídio, “um fenómeno de identificação por parte de quem está em sofrimento, para além de dar a ideia que se está frente a uma “epidemia incontrolável”.

Notícias desenquadradas, apenas dando conta de mais casos, “não têm nenhuma vantagem, só causam alarmismo social, o que não vai resolver a situação”, alerta o pedopsiquiatra Augusto Carreira, que considera que o fenómeno está a ser tratado de “forma sensacionalista”, o que pode ter “efeitos nocivos”. Mas este especialista também considera que os media têm um papel importante a desempenhar para lançar um debate que procure encontrar o que está por detrás de comportamentos como os das alegadas vítimas do jogo Baleia Azul.

“Porque é que alguns jovens adoptam comportamentos autolesivos? O que é que os leva a magoarem-se?”, são alguma das questões propostas por Augusto Carreira, que lembra a propósito que este não é um fenómenos novo. “Os comportamentos autolesivos entre os jovens têm vindo a aumentar a nível internacional.”

Em Portugal são conhecidos sete casos de jovens que recorreram aos hospitais na sequência de autolesões alegadamente praticadas depois de terem tido contacto com o jogo Baleia Azul. Até esta quarta-feira, a Polícia Judiciária estava a acompanhar quatro destes casos e indicou que iria seguir aqueles que entretanto fossem surgindo.

Augusto Carreira diz que os jovens que aceitam os desafios colocados por este jogo são pessoas “frágeis, que são facilmente capturáveis pelas redes sociais”. Por isso, é necessário também alertar os pais para procuraram “saber o quer é que os filhos estão a fazer no escuro do quarto, frente a um computador”, frisar que é “muito importante que conversem com os filhos” e que “promovam outros estilos de vida mais saudáveis”.

Fenómenos como o deste jogo vão abranger sobretudo pessoas que “já estão em situação de sofrimento” e por isso é também preciso alertar para os sinais que podem revelar que os jovens estão em depressão ou em risco de suicídio, diz Pedro Frazão, frisando que os técnicos de saúde têm neste campo um papel fundamental não só na identificação, como na prevenção. “Não se pode passar a mensagem de que estes são factos consumados, porque não o são”, alerta.

Também o psiquiatra Álvaro Carvalho, coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental, considera que as notícias sobre o jogo Baleia Azul têm de ser enquadradas, embora considere que fenómenos como o deste jogo não são equiparáveis, em termos de contágio, aos do suicídio. “É preciso alertar a opinião pública, esclarecer, lançar o debate e esse é um papel que também cabe aos media”, acrescenta.

Álvaro Carvalho revela que a Direcção-Geral de Saúde e a Direcção-Geral de Educação elaboraram já um documento com vista a esclarecer os pais e professores sobre o que é este jogo e os perigos que representa. Este documento, diz, deverá começar a ser distribuído nas escolas em breve.

 

 

 

“Os filhos fechados em casa não estão mais seguros” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC ao JN

Maio 5, 2017 às 4:50 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) ao Jornal de Notícias de 30 de abril de 2017.

 

Manuela Eanes pressiona PGR a bloquear Baleia Azul

Maio 5, 2017 às 3:30 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 5 de maio de 2017.

Manuela Eanes | Ângelo Lucas / Global Imagens

Presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança está a reunir apoios para convencer Joana Marques Vidal a bloquear links

“O desafio Baleia Azul é um assunto tão grave que não pode esperar uma semana nem um dia. Temos que atuar já, antes que morra algum jovem”. O alerta foi dado por Manuela Ramalho Eanes, a presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança (IAC), que durante o dia de ontem reuniu apoios de alguns nomes conhecidos na defesa dos direitos dos menores para tentar sensibilizar a procuradora–geral da República, Joana Marques Vidal, a “acelerar o bloqueio de links” como o caminho mais curto para prevenir o risco.

Em declarações ao DN, à margem do quarto Fórum Abrigo, que decorreu no Montijo, Manuela Ramalho Eanes sustentou estar em causa “um crime”, pelo que, diz: “Aqui não se pode falar em liberdade. Não podemos esperar que um menor se automutile ou se suicide e não fazermos nada para o evitar. O perigo está iminente”, insistiu, acrescentando que a procuradora “é uma a pessoa muito sensível e vai perceber como é inaceitável que se esteja à espera para agir”.

A presidente honorária do IAC lamentava os quatro casos já conhecidos no país, de jovens que, alegadamente, se automutilaram no desafio da Baleia Azul – um “jogo” que terá origem numa rede social da Rússia, onde mais de cem jovens já se suicidaram – numa altura em que o Ministério Público já abriu quatro inquéritos e a PJ investiga, em contacto com os inspetores da Unidade Nacional do Crime Informático, para tentar seguir o rasto dos curadores do jogo e perceber se há portugueses envolvidos ou se as ordens vêm todas de fora do país. O JN escreveu que a adolescente de Matosinhos, internada no Porto, recebia ordens de um brasileiro, que lhe ligava de madrugada.

“Temos uma unidade de cibercrime que funciona muito bem na PGR, mas os links têm de ser bloqueados por ordem do Ministério Público, porque estão em causa vidas humanas e há que prevenir”, alertou Manuela Eanes.

Ao seu lado nesta causa já tem nomes como Laborinho Lúcio, juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça jubilado, Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, e Luís Villas-Boas, diretor do Refúgio Aboim Ascensão.

Armando Leandro admitiu estar atento ao fenómeno. “Iremos atuar, caso haja jovens com menos de 18 anos envolvidos no jogo”, disse. Já Laborinho Lúcio aponta o dedo ao fácil acesso dos menores à internet, perante o distanciamento dos pais.

“Os educadores têm cada vez menos tempo para estarem com as crianças e elas acabam por ser libertadas para uma vontade imediata”, sublinhou, destacando que é neste quadro que se inscreve a apetência dos jovens por desafios como a Baleia Azul. “Nós deixámos instalar na sociedade uma grande violência e hoje os jovens têm uma expressão muito violenta na sua relação. Isso passa para as crianças”, referiu.

Luís Villas-Boas também defendeu a necessidade “urgente” de bloquear os links suspeitos, admitindo que os jovens, entre 12 e 18 anos, em situação de “maior fragilidade emocional” serão “mais facilmente convencidos” a aderir. E deixa um recado para os adultos: “Este tipo de propaganda só acontece em certos grupos de jovens em que não haja pais ou amigos por perto capazes de impedir.”

 

 

Pelo menos oito vítimas do desafio Baleia Azul identificadas em Portugal

Maio 5, 2017 às 2:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 4 de maio de 2017.

Além das quatro vítimas já conhecidas, pelo menos outras quatro deram entrada ontem nas urgências de pedopsiquiatria do Porto

Já serão pelo menos oito as vítimas do desafio Baleia Azul identificadas em Portugal. Ontem, quarta-feira, uma adolescente de Matosinhos foi internada no Hospital de S. João, no Porto, com sinais de automutilação – seria o quarto caso desde que se soube que o jogo já fazia vítimas em Portugal, estando as anteriores sinalizadas em Setúbal, Portalegre e Faro – mas, segundo a RTP, pelo menos mais quatro adolescentes deram entrada também na quarta-feira nas urgências de pedopsiquiatria do Porto.

De acordo com as informações adiantadas pela estação, nenhum dos adolescentes ficou internado, mas todos foram reencaminhados para a consulta de comportamentos autolesivos do Hospital de Magalhães Lemos.

À RTP, a responsável pela consulta, Otília Queiroz, não quis falar de casos particulares, mas não escondeu preocupação com o “caráter predatório” do jogo que coloca desafios aos participantes, sendo o objetivo final levá-los ao suicídio. Os alvos são, normalmente, jovens mais fragilizados, e a forma como o jogo da Baleia Azul tem sido divulgado nas escolas poderá potenciar o número de vítimas. “Temos perfeita noção de que é um fenómeno viral”, referiu.

O Ministério Público abriu entretanto quatro inquéritos relacionados com o jogo online e a a PJ está já a investigar, em contacto com os inspetores da Unidade Nacional do Crime Informático (unc3t), para tentar seguir o rasto dos curadores do jogo e perceber se há portugueses envolvidos ou se as ordens vêm todas de fora do país – esta quinta-feira, o JN escreve que a adolescente de Matosinhos internada no Porto recebia ordens de um cidadão brasileiro, que lhe ligava para o telemóvel de madrugada.

A PJ, conforme o DN adianta na edição de hoje, está “muito preocupada” com a propagação do jogo na internet.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu ainda o DN de que nos quatro inquéritos abertos os responsáveis que forem encontrados – curadores ou administradores do jogo – incorrem no crime de incitamento ou ajuda ao suicídio, punível até 5 anos se a vítima for menor e atentar contra a própria vida e até 3 anos se a vítima for adulta.

Desafio da Baleia Azul fez mais duas vítimas

Maio 5, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 4 de maio de 2017.

 

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