Nuvem Vitória conta histórias à noite a crianças hospitalizadas

Janeiro 3, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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João Santos

Notícia do Jornal de Notícias de 15 de dezembro de 2018.

Associação está presente em quatro hospitais e tem cerca de 300 voluntários. Verba atribuída pelo Lidl no âmbito da campanha solidária de Natal vai permitir alargar a ação a outras unidades.

O sorriso das crianças internadas na pediatria do Hospital de São João, no Porto, aquando da visita dos voluntários da Nuvem Vitória para lhes lerem histórias na hora de deitar, deixa adivinhar o quanto aquele momento é mágico. Num piscar de olhos, os mais novos esquecem os tratamentos e deixam-se encantar pelos contos.

Parece simples, mas a ideia de fazer algo diferente a nível de voluntariado esteve anos numa gaveta até ver a “luz da noite”, em 2016, pelas mãos da ex-jornalista Fernanda Freitas e do advogado Pedro Dias Marques. “Pensámos num projeto inovador, que envolvesse voluntariado e leitura, as nossas duas âncoras. Contar histórias só se fosse à noite, pois eu não tinha tempo de dia”, conta a presidente da associação, explicando o significado do nome: “Porque terminamos com a frase “Vitória, vitória, acabou-se a história”. Claro que há a mensagem subliminar da vitória sobre a doença. Quanto à nuvem, queríamos uma imagem fofinha, que não aparecesse à noite, mas quando aparece faz magia. Uma nuvem à noite não se vê, a não ser que seja Vitória”.

O projeto-piloto começou na pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, estendendo-se, depois, ao “Joãozinho”, no Porto, e ao Hospital de Vila Franca de Xira e Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão. Atualmente, a Nuvem Vitória está presente nas noites de segunda a sexta-feira e conta com a ajuda de cerca de 300 voluntários, que trabalham em sistema rotativo, uma duas ou todas as semanas do mês, dependendo da disponibilidade.

O apoio que a associação receberá através da campanha solidária do Lidl, que decorre até ao próximo dia 30, permitir-lhe-á alargar a ação. “No próximo ano teremos mais seis núcleos, um deles em Braga, mas até 2020 queremos estar em 14 hospitais. Gostávamos de ter um núcleo em cada capital de distrito”, avança Fernanda Freitas, salientando ser “a gestão ultra-profissional da Nuvem” que abre as portas das administrações hospitalares.

Percurso até ser voluntário

Não se pense, contudo, que é fácil ser “Nuvem”. Há lista de espera e muitos passos a seguir até se chegar às crianças. “O primeiro é ter mais de 21 anos, fornecer o registo criminal para se confirmar que pode trabalhar com menores e dizer a disponibilidade. Segue-se a formação de um fim de semana, na qual recebe o regulamento, o contrato e o número de apólice de seguro e aprende os direitos e deveres”, enumera a presidente, frisando: “Ter jeito para contar histórias é o que menos importa”.

“O que interessa é ter compromisso, responsabilidade e bom senso. Porque o saber contar histórias vem com tempo. Pega-se num livro e lê-se mais torto ou direito, com enganos… os miúdos não ligam a isso. Eles querem é aquele bocadinho de atenção”, anota Fernanda Freiras, completando: “Se depois desta experiência traumática, as crianças chegarem a casa e só se lembrarem da Nuvem e das histórias que lhes lemos, já cumprimos a missão”.

Apesar de vários estudos comprovarem os benefícios da leitura, não só na saúde física dos mais novos, como na mental, a presidente anota que o objetivo da associação não é “evangelizar os pais que não têm esse hábito”.

“A nossa função é, naquele momento, serenar as crianças que estão internadas. Os pais percebem a importância do nosso trabalho e há crianças que lhes pedem para continuarem a ler quando vão para casa. Não fazemos a parte moral de tentar incutir a leitura, em especial naquelas situações em que sabemos que eles não leem. É uma situação melindrosa e podemos estar a ferir suscetibilidades e não é isso que se pretende”, esclarece Margarida Soares, jurista e coordenadora do núcleo do Porto da Nuvem, continuando: “Mas há crianças que dizem que quando forem para casa querem que os pais continuem a fazer igual”.

Plataforma “Quero Dormir”

E numa altura em que os dados em Portugal apontam para uma diminuição acentuada das horas que os portugueses dormem, sejam crianças ou adultos, este projeto acabou por espoletar a criação da plataforma do sono, denominada “Quero Dormir”.

“Este site que está a ser construído por nós, em parceria com a Associação Portuguesa do Sono e a Ordem dos Psicologos Portugueses, vai ser um depositório de notícias e informações credíveis. Terá, ainda, um mapa para geo-referenciar especialistas do Sono ou serviços onde haja a especialidade do Sono”, revela Fernanda Freitas, deixando um alerta: “A médica da Associação Portuguesa de Psicólogos que trabalha connosco diz-nos que há tantas coisas que acontecem na adolescência que podia ter sido resolvidas com umas boas noites de sono na infância. Há estudos sobre a ligação do bulling ou da violência com a falta de sono”.

Hospital elogia voluntariado

No Hospital de São João, o trabalho desenvolvido não só pela Nuvem Vitória, mas também por outras entidades é “muito importante”, segundo declarações de Ana Príncipe, assessora do presidente do Conselho de Administração do Hospital S. João e técnica de saúde, mas obriga a uma análise rigorosa dos projetos.

“Uma das razão pelas quais a Nuvem tem de ter um escrutínio muito apertado é porque estamos numa hora mais desprotegida, quer para os funcionários, quer para os meninos, quer para os familiares. Por isso, o voluntariado a esta hora tem de ter características muito especiais para ser um fator de felicidade e o bem-estar dos nossos doentes”, explica a assessora, salientando: “A noite é muito complicada de gerir pelos pais, são muitas horas “mortas””.

Ana Príncipe anota que os profissionais de saúde, enfermeiros e médicos de serviço, “olham para os voluntários como uma nuvem passageira, suave, que passa sem ser notada”. “A Nuvem Vitória sabe passar despercebida ao funcionamento normal de um hospital desta dimensão e isso é muito importante. Além disso, o símbolo da Nuvem e a cor branca despertam sentimentos bons associados ao saudável e à felicidade que isso traz”, complementa a técnica de saúde.

Contos ajudam a acalmar

Quando Alexandrina Pinto, mãe de uma paciente, Ana, de 12 anos, viu os voluntários pediu-lhes que fossem contar uma história à filha, que aquando da visita já estava a dormir.

“Pedi à Nuvem Vitória para lhe ler uma história, pois acho que mesmo que esteja a dormir, o subconsciente da Anocas fica alerta”, diz esta mãe, visivelmente mais confortada após a leitura do conto. “Só conheci esta associação neste último internamento, mas acho fundamental o trabalho deles, pois ajuda a descer a energia, a acalmar as crianças e a prepará-las para o sonho. Da outra vez a minha filha estava acordada e adorou a história”, acrescenta Alexandrina Pinto, revelando que a leitura é um hábito antigo em casa.

“Desde a gravidez li sempre muita poesia e histórias em voz alta e desde que a Ana nasceu leio-lhe à noite. Se não estou eu a adormecê-la, peço a quem está que também lhe leia. E, criei um hábito com o meu pai de ler histórias sem livro para ela descobrir mais coisas sobre a família, porque acho que é importante. Sempre que é o meu pai a adormecê-la, ela escolhe uma pessoa da família e ele conta-lhe uma história”, finaliza esta mãe.

Oito mil histórias para adormecer e mais uma contada a crianças nos hospitais

Dezembro 24, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 3 de dezembro de 2018.

Miguel Morgado

O sono e as leituras de cabeceira juntaram à mesa duas psicólogas, uma blogger, uma empresa de distribuição (Lidl Portugal) e uma associação, a Nuvem Vitória. Associação conta histórias para adormecer a crianças que estão em hospitais ou instituições. Até 2020, quer triplicar o número de 300 voluntários e adormecer 50 mil crianças.

A temática do sono e a importância de contar de histórias de embalar às crianças. O mote juntou à mesa duas psicólogas, Teresa Rebelo Pinto e Clementina Pires de Almeida, uma blogger, Rita Ferro Alvim e uma associação (Nuvem Vitória), representada na pessoa de quem a criou e preside, Fernanda Freitas, ex-jornalista.

Como pano de fundo, juntando as quatro vozes num encontro marcado num café (Amélia), em Campo de Ourique, Lisboa, uma empresa de distribuição (Lidl Portugal) lançou uma campanha de Natal (que decorre até 30 de dezembro) integrada na estratégia de Responsabilidade Social para apoiar a Nuvem Vitória, associação criada em 2016 que através dos seus 300 voluntários espalhados nos hospitais de Santa Maria, em Lisboa, de São João, no Porto, e de Vila Franca de Xira, e no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão lê histórias para adormecer a crianças que estão nessas hospitais e instituições.

“A maior parte das pessoas desvaloriza o sono. É uma perda de tempo, pensam”, alertou Teresa Rebelo Pinto, psicóloga, especialista em sono. “Focamo-nos muito na alimentação e no desporto e secundarizamos a importância do sono”, acrescentou Rita Ferro Alvim, blogger.

“Quando nascemos não temos o ritmo do sono interiorizado. O sono aprende-se e reaprende-se. E temos que ajudar as crianças a aprender”, referiu a psicóloga, Teresa Rebelo Pinto. Porquê? “Quando dormimos pouco, o sistema imunitário fica mais fraco, temos mais dificuldades cognitivas e relacionais”, descreveu.

No caso das crianças, que ficam “mais excitadas e agitadas”, socorre-se de estudos que associam a “redução/privação do sono e o insucesso escolar”, registando-se ainda “níveis mais elevados de agressividade”, perturbações e riscos de “obesidade (quatro vez mais provável)” ou “ansiedade e diabetes” alertou. “As doenças do sono, não só insónias, têm que ser tratadas por um especialista; não é o vizinho, nem é o tempo que ajuda a passar”, rematou Teresa Rebelo Pinto.

Para Clementina Pires de Almeida, psicóloga clínica, especialista em bebés, ao contar histórias para adormecer “estamos a contribuir para o desenvolvimento cerebral” sendo que essa leitura de cabeceira terá “uma repercussão a nível de velocidade de processamento e domínio a linguagem” das crianças, sublinhou.

Ao nível do sono, as histórias, incluídas na rotina para adormecer, são “momentos de conexão e em que podemos ajudá-los a acalmar”. Em contexto hospitalar, essa rotina, tem um impacto mensurável. “Pode ser usada como uma ferramenta terapêutica não invasiva com resultados fantásticos na recuperação da criança”, sustentou, como seja o “alívio da dor, da ansiedade e a diminuição do stress”, exemplificou.

Nuvem Vitória quer adormecer 50 mil crianças

Fernanda Freitas, ex-jornalista da RTP e presidente da Associação Nuvem Vitória, sempre gostou de “dormir” e “contar histórias” relatadas “ao nível de voluntariado no hospital”, assumiu.

“Criar uma resposta a um problema que não tinha resposta”, esteve na base da criação deste voluntariado em hospitais. “Contar histórias à partida onde as crianças gostam de as ouvir e onde os voluntários têm (mais) tempo, não interferindo com o horário de trabalho”, acrescentou. O projeto-piloto, esse, nasceu em Santa Maria, apoiado num “estudo de ambiente de pediatria”.

Hoje, a Nuvem Vitória contabiliza “8 mil histórias e 6 mil horas de voluntariado”. E aponta a um compromisso futuro de até 2020 “abrir em 10 unidades e IPSS”, ter “900 voluntários” e chegar à leitura para “50 mil crianças hospitalizadas ou institucionalizadas”, assumiu Fernanda Freitas, presidente da associação cuja missão é a de contar histórias para adormecer a crianças hospitalizadas.

http://nuvemvitoria.pt/

 

Neste hospital os miúdos guiam minicarros até à sala de operação

Novembro 7, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Sophie Mars, de 9 anos, foi a primeira criança a conduzir um dos seis minicarros eléctricos a caminho do bloco operatório Tom Maddick SWNS.com

Notícia do Observador de 22 de outubro de 2018.

Alfredo Lavrador

As operações estão longe de figurar entre os pontos altos da vida das crianças (e dos pais). Para dourar a pílula, este hospital convida os miúdos a conduzir minicarros até à sala das operações.

Está localizado em Leicester, no Reino Unido, o hospital em que uma criança pode encarar uma operação como algo não tão traumático e, quem sabe, até com um pequeno twist positivo. Tudo porque a administração tem uma frota de minicarros eléctricos que os petizes podem conduzir através dos corredores até à sala de operações.

Os responsáveis pelo Childrens Hospital, no Leicester Royal Infirmary, no coração do Reino Unido, tiveram uma ideia tão simples quanto brilhante. Para atenuar o stress pré-operatório, os empregados cotizaram-se para reunir a verba necessária para adquirir um minicarro eléctrico, que os pacientes de mais tenra idade poderiam conduzir pelos corredores e deslocar-se, ao volante, até à sala de operações. Os resultados foram tão satisfatórios quanto o sorriso na cara das crianças, à medida que se aproximavam do local em que se iria realizar a intervenção cirúrgica. E tudo correu lindamente, até o carro avariar e deixar de alegrar a pequenada, suavizando uma situação que se é problemática para adultos, é-o mais ainda para os mais pequenos.

Salvou a situação uma família local, proprietária da Sturgess Motor Group, especializada na venda de automóveis novos e usados, que entregou uma frota de seis minicarros ao hospital de crianças, “como forma de agradecimento ao estabelecimento de saúde”, pois também os seus petizes já tinham ali sido pacientes, “pelo que reconheciam a importância de criar condições menos perturbadoras para as crianças”, estivessem elas a braços com uma situação oncológica ou um mero osso partido..

E, provavelmente para promover corridas para ver quem é o primeiro a chegar ao bloco operatório,  a frota é composta por versões reduzidas de veículos muito populares, com ênfase nos SUV, do Land Rover Defender ao Volvo XC90, passando pelo Range Rover. Presente está igualmente o icónico Fiat 500 e os desportivos Alfa Romeo 4C e o Jaguar F-Type.

Para Julie Clerc, patrona dos University Hospitals de Leicester, “a viagem até ao bloco operatório pode ser traumática, mesmo para adultos, o que nos levou a pensar numa forma de tornar essa deslocação mais agradável para os mais novos”. O que, ao que tudo indica, foi conseguido.

 

Contadores de história: projeto na UFRJ que ajuda crianças com doenças crônicas completa 10 anos

Outubro 9, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Extraglobo de 18 de setembro de 2018.

Prestes a completar 10 anos de atuação junto à crianças em tratamento no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), o projeto ‘Contadores de história’ está reunindo relatos de ex-voluntários, pais e pacientes em um livro que deverá ser lançado no próximo ano.

Sem ajuda de custos fixa de nenhuma instituição, o projeto sobrevive com doações, vaquinhas online e apoio dos voluntários, que são alunos da UFRJ ou funcionários do hospital. Cada um dos voluntários doa duas horas semanais para alegrar as crianças que fazem tratamento na unidade. Somente em 2017, foram quase 10 mil crianças atendidas e 3 mil horas de histórias narradas aos pacientes.

O projeto faz tanto sucesso entre os alunos da universidade que, para ser voluntário não basta se inscrever, mas tem que ter uma pitada de sorte. Com 70 vagas por semestre, a organização do projeto recebe cerca de 1500 inscrições dos mais diferentes cursos. Então, para deixar a escolha mais justa possível, é feito um sorteio para decidir quem serão os voluntários.

— No começo, a ideia era ter voluntários de fora da UFRJ. Mas como o hospital é na Ilha do Fundão, não estava dando muito certo. Então decidimos limitar para os alunos da UFRJ e foi um sucesso — comemorou Regina.

Além do certificado de horas complementares, para Regina, o principal estimulo para tantos universitários se colocarem a disposição é um só: fazer o bem.

— O que nos chama atenção é a necessidade de incluir na formação dos alunos esse olhar mais humano. Eles se descobrem lá. Isso ajuda na formação humana e cidadã deles. O que nos mais encanta é que o projeto é praticamente tocado pelos alunos . — conta.

Aluna de comunicação social e voluntária em 2017, Raiane Cardoso, saia de casa em Campo Grande às 5 horas da manhã para estar no hospital às 8 horas para participar das leituras. Depois a jovem ainda tinha ir para a faculdade no campus da Praia Vermelha, na Urca. A expêriencia com as crianças e a vontade de fazer o bem foram os principais motivadores da estudante.

No setor que Raiane mais contava histórias, conhecido como aquário devido as pinturas na parede, estavam as crianças em tratamento de câncer. Por conta do longo período de acompanhamento médico que a doença exige, a estudante acabou criando laços mais fortes com as crianças e seu familiares, como foi no caso do pequeno Felipe.

— A gente têm que estar preparado, você acaba se envolvendo com a história da criança. No aquário eu basicamente contava histórias para as mesmas crianças sempre. E lá tinha um menino chamado Felipe, que era bem pequeno. Nos 6 meses acompanhei de perto o tratamento dele, e teve momentos que depois de contar a história para ele, tive que ir embora de tão emocionada que ficava. — relembra Raiane.

Hoje formada, a terapeuta ocupacional Tainara Brites, ficou por 2 anos no ”Contando Histórias” e passou por diferentes funções da iniciativa, como organizadora de festas e auxiliando os voluntários iniciantes. Para ela, a maior dificuldade foi deixar de olhar as crianças como pessoas doentes:

— No início era bem difícil a entrada do hospital. Principalmente pelo espaço, que não era muito familiar na época. Ver uma criança conectadas em aparelhos não era fácil. O medo dos aparelhos e barulhos era muito grande no inicio. Com os treinamentos e as entradas semanais para contação de histórias esse olhar mudou bastante. Aos poucos comecei a enxergar a criança para além dos fios, acessos e aparelhos. Tirar o foco na doença ajudou muito para minha atuação ser mais natural e menos mecanizada. — conta.

Quem tiver interesse em ajudar o projeto ”Contando Histórias” de alguma maneira, pode entrar em contato com os organizadores pela página do Facebook.

Estudantes criaram site que agrega desenhos de crianças internadas

Outubro 31, 2017 às 6:00 am | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.noticiasaominuto.com/ de 19 de outubro de 2017.

 

Um grupo de estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) criou uma plataforma online que agrega desenhos da autoria de crianças hospitalizadas em pediatrias de todos os distritos de Portugal.

Os desenhos ilustram a visita do papa Francisco a Fátima por ocasião do centenário das aparições, no passado dia 13 de maio.

“De fácil navegação e bastante intuitivo”, o ‘site’ está preparado para ser apresentado em cinco diferentes línguas (português, inglês, francês, italiano e espanhol) e possibilita a consulta dos desenhos através da navegação do mapa de Portugal dividido em distritos, explica a FEUP, em comunicado.

O projeto, denominado ‘Waves of Drawings’, foi desenvolvido por sete estudantes da FEUP, cinco do Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação e dois do Mestrado em Multimédia, que realizaram todo o trabalho em regime extra curricular. O grafismo da plataforma ficou a cargo da ‘designer’ Emília Dias da Costa.

A FEUP esclarece que “o pontapé de saída do ‘Waves of Drawings’, projeto nacional agregador de todas as pediatrias do Serviço Nacional de Saúde (SNS), foi dado pelo Centro Hospitalar de São João”, do Porto, que coordena.

“Após ter organizado, em 2015, uma exposição de desenhos de 28 serviços de pediatria dos estados-membros da União Europeia (UE), decidiu organizar uma outra, desta vez com desenhos de todas as pediatrias do SNS, apresentada no passado mês de setembro, à presidente do Hospital ‘Bambino Gesù’, Mariella Enoc, em Roma”, refere.

O Bambino Gesú, também conhecido como o ‘Hospital do Papa’, é um hospital pediátrico tutelado administrativamente pela Secretaria do Estado do Vaticano e é considerado “um ponto de referência no tratamento de crianças não só de Roma como de toda a Itália”.

mais informações na notícia:

Pediatrias do Serviço Nacional de Saúde unidas em projeto com ADN FEUP

 

 

 

 

Crianças desenham a dor para nos obrigar a vê-la

Outubro 20, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de outubro de 2017.

Nelson Garrido

Caras tristes, seringas, enfermeiras e camas com grades são imagens recorrentes que as crianças hospitalizadas desenham para um concurso que quer “valorizar as queixas dos mais pequenos”. Nesta quinta-feira, 20 de Outubro, assinala-se o Dia Nacional de Luta contra a Dor. Olhemos então para ela

Rita Pimenta

Como vêem os mais pequenos a dor? Desde 2005 que a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) desafia crianças hospitalizadas ou em tratamentos regulares a desenhar a dor. Para que lhe demos mais e melhor atenção. “Tratar a dor nas crianças continua a representar um enorme desafio para os profissionais de saúde e é um motivo de grande preocupação e aflição dos pais”, diz ao PÚBLICO Clara Abadesso, médica e coordenadora do Grupo de Dor na Criança e Adolescente da associação.

Por isso, distinguem trabalhos de crianças com idade igual ou inferior a 12 anos que se encontrem hospitalizadas em unidades de saúde nacionais ou que estejam submetidas a tratamentos em hospitais de dia. E assim nos obrigam a olhar para a dor dos mais pequenos.

Os desenhos desta edição podem ser vistos desde as 10h desta quinta-feira no Hospital Pediátrico de Coimbra, na exposição Vou Desenhar a Minha Dor, a que se “associou um componente educativo e informativo para público em geral e profissionais de saúde”. Objectivo: “Chamar a atenção para a dor em pediatria.” A mostra será itinerante pelos vários hospitais do país.

Desenhar a dor ajuda as crianças a ultrapassarem-na? A pediatra responde: “Ao desenhar, as crianças conseguem descrever a sua experiência de dor de uma forma incrível. Através dos desenhos expressam-na nas suas várias dimensões.” São elas: “Física — que tipo de dor — dor associada a doença, a lesão ou traumatismo, a procedimentos diagnósticos ou terapêuticos (ex. uma injecção ou punção venosa para colheita de sangue para análises ou colocação de um cateter), a localização, a sua intensidade (por vezes); emocional — quais as emoções associadas à dor; e cognitiva — significados que dão à dor, o que é que a dor as impede de fazer, que estratégias ou mecanismos as ajudam a lidar ou reduzir a dor.”

Outro aspecto relevante desta iniciativa que a médica aponta é o facto de, enquanto as crianças estão a desenhar, se focarem numa actividade que lhes é agradável e lhes activa o imaginário, distraindo-as, “isso pode ajudar a reduzir a dor”. Como normalmente os miúdos gostam de desenhar, as famílias aderem facilmente à proposta de o fazerem à luz de um tema que as afecta.

O concurso está dividido em três escalões etários: menos de seis anos; dos seis aos oito e dos nove aos 12 anos. Este ano, não houve concorrentes menores de seis, mas chegaram à APED 23 desenhos da categoria seis-oito anos e 38 desenhos da categoria nove-12 anos. Ao 1.º prémio corresponde um cheque-oferta de 250 euros, ao 2.º prémio, um de 200 e ao 3.º, um de 150. O patrocínio é da Bene Farmacêutica.

Clara Abadesso não se cansa de reforçar o propósito do concurso: “Para os pais e para os profissionais de saúde, é importante perceber como as crianças vêem a dor, como a sentem, como a expressam. Realça de facto a importância que é necessário dar à prevenção, redução e tratamento da dor!”

Para além dos fármacos

Sendo o alívio da dor um direito das crianças, também é “um indicador de qualidade dos serviços de saúde” e o tratamento deve incluir muito mais do que fármacos. Por isso na divulgação da exposição se lembra que “existem uma série de estratégias não farmacológicas que deverão ser empregues no dia-a-dia nos serviços de saúde para minorar o problema da dor”.

E, afinal, o que é a dor? A assistente hospitalar remete-nos para uma das definições oficiais da dor, da IASP — International Association for the Study of Pain: “Uma experiência multidimensional desagradável, envolvendo não só uma componente sensorial, mas também uma componente emocional, e que se associa a uma lesão tecidular concreta ou potencial, ou é descrita em função dessa lesão.”

E para uma outra, de carácter mais individual e subjectivo: “Dor é tudo o que a pessoa que a experimenta diz que é, existindo sempre que ela diz que existe” (McCaffery, 1979).

Finalmente, pelas suas próprias palavras: “É uma experiência individual, subjectiva e multidimensional. Não resulta apenas da parte sensorial, tem também a parte emocional, que é baseada no estado afectivo, experiências de dor passadas, etapa de desenvolvimento e muitos factores de ordem pessoal, cultural e até espiritual. Existe ainda a parte comportamental — como é que a pessoa vai reagir à dor, que também é muito variável e pode até condicionar uma amplificação ou redução da dor.”

Problema “incompreendido”

É importante estudar a dor? A especialista lembra que este é um “dos problemas médicos mais ‘incompreendidos’, subdiagnosticados e subtratados”. E valoriza a investigação científica dos últimos 25 anos. “Sabe-se mais sobre a neurobiologia da dor — como funcionam as vias da dor, como funciona o cérebro face à dor; sobre a natureza multifactorial da dor; das consequências a curto e longo prazo da dor inadequadamente tratada; formas de avaliar a dor através de escalas especificas; novos fármacos para o tratamento da dor; a importância e eficácia de estratégias não farmacológicas para o alivio da dor; a maior eficácia de um tratamento que utiliza tanto estratégias farmacológicas como não farmacológicas, a importância do tratamento multidisciplinar na dor crónica, etc.”

Clara Abadesso diz que “ainda há muito para fazer para que a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da dor sejam mais eficazes, quando se introduz na prática clínica o que já se demonstrou na investigação cientifica”.

O PÚBLICO tentou falar com concorrentes dos primeiros anos, agora adultos, mas não foi possível. A recusa veio por timidez e por falta de memória sobre o passado. Sinal de que pelo menos aquela dor passou.

Os vencedores desta edição foram:

Escalão seis-oito anos

1.º — Diogo Dinis Carvalho Santos,

2.º — Bianca Isabel Brás Pontes,

3.º — Filipa Pinto Brandão (todos do Hospital São João, Porto) e também 3.º — Afonso Henriques Freitas Abreu (Hospital Dr. Nélio Mendonça, Funchal)

Escalão nove-12 anos

1.º — Maria Leonor de Matos e Sobral do Rosário (Hospital de Santa Maria, Lisboa) e também 1.º — Paloma Vasconcelos da Costa (Hospital do Barreiro – Montijo EPE)

2.º — Pedro Afonso  da Rocha Nogueira (Hospital São João, Porto)

3.º — Inês Nóbrega Oliveira (Hospital Dr. Nélio Mendonça — Funchal).

mais desenhos das crianças no link:

https://www.publico.pt/2017/10/19/culto/noticia/criancas-desenham-a-dor-para-nos-obrigar-a-vela-1789486?page=%2Fultimas&pos=1

 

 

Por que o número de crianças hospitalizadas por tentativa de suicídio dobrou nos EUA?

Agosto 19, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da http://www.bbc.com/portuguese/ de 7 de agosto de 2017.

Ricardo Senra Da BBC Brasil em Washington

Relatos de mães e pais pedindo ajuda após encontrarem seus filhos à beira da morte após tentativas de suicídio se tornaram comuns em fóruns online e redes sociais nos Estados Unidos.

“Minha filha tomou uma garrafa inteira de Lexapro e meia garrafa de Wellbutrin (ambos antidepressivos). Ela vomitou cinco vezes antes de me contar, quando acordei para trabalhar naquela manhã. Essa é uma visão que nenhum pai deveria ver”, conta Hammer, em um desabafo que deu origem a mais de 15 relatos semelhantes.

Ann diz que não sabe o que fazer para ajudar a filha. “Ela tem 15 anos e tentou se suicidar hoje ingerindo produtos de limpeza. (…) Ela já tinha tentado se matar vários meses atrás com um corte no pulso.”

Claudia fala sobre culpa e vergonha.

“Minha filha, uma criança linda e talentosa, teve uma overdose ontem e eu sinto vergonha por não tê-la ajudado e protegido suficientemente. Sinto culpa, porque meu trabalho é garantir que a vida dela seja boa e segura. Mas no fundo, muito no fundo, também sei que a vida hoje é incrivelmente difícil para as crianças. As cobranças e expectativas parecem se mover muito rápido para que eles acompanhem, e eles sentem que falharam.”

Phyllis fala sobre o filho, um menino de 15 anos. “Encontrei meu filho no meu quarto, em overdose depois de tomar meus remédios. Não consigo parar de pensar no que poderia ter acontecido. Não consigo dormir, não consigo comer, e aquela manhã não sai da minha cabeça. Encontrei-o deitado na minha cama, quase sem respirar.”

As tragédias se refletem nos resultados de dois relatórios divulgados recentemente nos EUA. Eles chamam atenção para um crescimento sem precedentes nas tentativas e mortes consumadas por suicídio entre crianças e adolescentes de todo o país.

As meninas encabeçam o grupo que mais cresce nesse ranking, evidenciando os impactos de problemas geralmente associados a adultos – como depressão, ansiedade, bipolaridade e pressão por padrões de beleza inatingíveis – na saúde mental de quem ainda frequenta a escola.

Recorde

De acordo com dados divulgados na semana passada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças do governo americano, as mortes de meninas entre 15 e 19 anos por suicídio atingiram um recorde em 40 anos – e dobraram entre 2007 e 2015, com 5,1 casos para cada 100 mil.

O fenômeno atinge também crianças e adolescentes do sexo masculino, cujas mortes ainda acontecem em maior número, mas crescem em ritmo menos acelerado: 30% no mesmo período (são 14,2 casos para cada 100 mil), segundo o órgão oficial.

Em números absolutos, em 2015, foram registrados 524 suicídios de meninas e 1.537 de meninos entre 15 e 19 anos.

Outro relatório apresentado recentemente no Encontro Anual de Sociedades Pediátricas dos EUA aponta que as internações de menores de idade por pensamentos ou tentativas de suicídio dobraram entre 2008 e 2015.

O estudo se focou em crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos e, novamente, apontou que o grupo que mais registrou aumento nas internações é o das meninas – que atualmente respondem por 2 em cada 3 dos casos.

O suicídio é hoje a segunda principal causa de mortes de crianças e jovens em idade escolar (12 a 18 anos) nos EUA, ficando atrás apenas de acidentes.

O volume impressiona: a taxa de suicídios infanto-juvenis, segundo o governo americano, é maior que a soma das mortes por câncer, doenças cardíacas e respiratórias, problemas de nascimento, derrame, pneumonia e febre.

Pressão online

Chefe da ala de saúde comportamental do hospital pediátrico Cook Children’s, no Texas, a psicóloga Lisa Elliott diz que os dados recém-revelados “são absolutamente dolorosos, mas não são uma surpresa”.

“Nós precisamos tirar os estigmas da saúde mental”, diz a PhD, alertando para a incidência dos quadros entre menores de idade, e não só entre adultos. “Problemas de saúde mental têm que ser vistos pelos pais como qualquer doença, da mesma maneira que os problemas de coração são.”

Em coro com outros especialistas, ela afirma que o quadro se agrava pelo uso irresponsável de redes sociais, que pode gerar competitividade e uma busca por padrões de beleza e desempenho.

“As redes podem ter impacto negativo sobre a autoestima das meninas e isso aumenta o isolamento delas”, avalia Elliott. “Quando notam que não têm uma vida tão perfeita ou glamourosa quanto a de outros, elas concluem que ‘algo anormal ou errado está acontecendo comigo’.”

Segundo a psicóloga, a sensação de invisibilidade nas redes impulsiona práticas ligadas ao bullying entre jovens de ambos os sexos.

“O anonimato traz uma desumanização, uma perda de empatia pelos outros, especialmente aqueles diferentes de nós. Assim perdemos a capacidade de respeitar as opiniões diferentes, o que infelizmente resulta em mais bullying e mais isolamento.”

À BBC Brasil, Eileen Kennedy-Moore, psicóloga e autora de diversos livros sobre saúde mental infantil, diz que não faz sentido proibir o acesso a redes sociais (“os celulares e tablets estão aí, não há como lutar contra isso”), mas que os pais precisam colocar “limites sensatos” na relação entre seus filhos e aparelhos eletrônicos.

“Adolescentes e crianças sempre tiveram a sensação de uma audiência imaginária, de que todos estão sempre olhando para eles”, conta a especialista, que vive e trabalha em Nova York.

“Com as redes sociais, a experiência de ser vigiado e julgado o tempo todo aumenta”, avalia.

Segundo Kennedy-Moore, os aparelhos eletrônicos “também precisam ser colocados para dormir, já que nada de bom acontece nesses telefones depois da meia-noite”.

“As relações online podem ser uma fonte de apoio e conforto. Pacientes de câncer, por exemplo, encontram grupos de apoio na internet que são maravilhosos”, diz Moore. “Mas amizades online não podem substituir as amizades cara a cara, e os pais precisam prestar atenção nisso.”

Economia e ‘contágio’

Daniel J. Reidenberg, diretor do Conselho Nacional para Prevenção de Suicídios, alerta para outras raízes associadas ao aumento dos suicídios infanto-juvenis.

“Há uma pressão extrema sobre esse grupo por competição, ambições e preocupações com o futuro”, diz.

“Crises econômicas também têm impacto, uma vez que alguns jovens se sentem um fardo para as famílias. Jogos, vídeos, TV e filmes também influenciam muito as mentes dos jovens. Outra chave para a questão são outros suicídios a que esses jovens expostos. O contágio do suicídio é real, e os jovens são particularmente sensíveis a ele”, diz o especialista à BBC Brasil.

Segundo Lisa Elliott, enquanto meninos que tentam cometer suicídio apelam para métodos mais violentos, como o uso de armas, os casos de meninas são normalmente associados ao excesso de substâncias controladas e drogas ilícitas.

“Adolescentes não entendem completamente as drogas que estão ingerindo e suas potenciais consequências. Isso pode resultar em overdoses acidentais”, alerta.

De acordo com os entrevistados, os pais que buscam ajuda profissional normalmente contam que encontraram menções a suicídio nos telefones ou cadernos dos filhos, ou perceberam mudanças de comportamento, como isolamento e afastamento dos amigos, irritabilidade, problemas de sono e em notas escolares e falta de interesse em atividades que antes agradavam.

“A tentativa mostra muitas vezes que as crianças querem dizer que estão muito bravas ou tristes, mas não sabem como articular isso”, avalia Kennedy-Moore. “E muitas pesquisas mostram que a maioria dos que tentam se suicidar acaba se arrependendo do ato.”

Para Elliott, os dados apontados pelas pesquisas não devem ser ignorados pelos pais – cujo maior erro costuma ser achar que histórias como as que abrem esta reportagem nunca acontecerão com pessoas próximas.

As referências a suicídios no noticiário, segundo a especialista, podem servir como oportunidade para conversas sobre o tema entre pais e filhos.

“Pergunte a eles por que acham que isso está acontecendo e se sentem algo semelhante”, diz. “Assim, você pode descobrir muito sobre o que eles ou seus amigos estão vivendo.”

A presença dos pais nas vidas das crianças e jovens é a estratégia mais eficaz, segundo os entrevistados.

“Muitas vezes, nós enchemos a agenda dos nossos filhos com atividades porque pensamos que é saudável, quando seria melhor ter mais tempo com relações humanas saudáveis e realmente gastar tempo em família com qualidade, sem dispositivos eletrônicos”, afirma Elliott.

 

 

O Instituto de Apoio à Criança e a Humanização dos Serviços de Pediatria – Press Release

Agosto 11, 2017 às 4:44 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Press Release

O Instituto de Apoio à Criança e a Humanização dos Serviços de Pediatria

 

Instituto de Apoio à Criança congratula-se com o despacho n.º 6668/2017, do Ministério da Saúde, publicado em Diário da República, o qual estabelece as disposições e procedimentos sobre a efetivação do direito de acompanhamento de criança ou jovem, com idade inferior a 18 anos, em situação de intervenção cirúrgica, no momento da indução da anestesia e durante o recobro cirúrgico. Este despacho é igualmente aplicável a pessoas maiores de idade com deficiência ou em situação de dependência.

O despacho assinado pelo Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, refere que “A ansiedade da criança ou jovem e da família tendem a diminuir quando existe suporte emocional no pré-operatório, sendo este importante quer por razões humanitárias e de desenvolvimento, quer porque aumenta a cooperação com a equipa de saúde, quer ainda porque reduz a angústia ao acordar e assim os problemas de comportamento no pós-operatório.”

Nesta linha, ao longo de mais de trinta anos, o IAC defende e promove os Direitos da Criança, designadamente o direito à assistência médica e aos cuidados de saúde necessários e adequados às crianças.

Em 1998, o Instituto de Apoio à Criança através do Setor da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança  publicou e divulgou a nível nacional a Carta da Criança Hospitalizada, que reafirma os direitos da criança hospitalizada e expressa os princípios universalmente aceites, tais como:

 

o internamento como último recurso;

– o acompanhamento pelos pais ou seus substitutos dia e noite;

– o dever de informar as crianças e os pais ou seus substitutos sobre qualquer tratamento, a fim de os incentivar à participação, decisão e colaboração dos cuidados;

– a equipa de saúde deve responder às necessidades psicológicas e emocionais das crianças e das famílias;

– entre outros.

A hospitalização é uma situação em que a criança é sujeita a um internamento hospitalar para procedimentos de diagnóstico ou terapêuticos. Para a criança, a hospitalização significa a separação da família, a rotura com as suas atividades diárias, doença e tratamentos, ou seja, sofrimento e dor. Estes fatores manifestam-se de diferentes formas e podem ser geradores de ansiedade, pelo que se considera como prioritário a Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança – O Direito aos melhores cuidados é um Direito fundamental para o desenvolvimento integral e harmonioso da Criança.

 

      A Direção do Instituto de Apoio à Criança

                                                                                                                                      Lisboa, 11.08.2017

Pais vão poder acompanhar filhos durante anestesia no bloco operatório

Agosto 9, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 2 de agosto de 2017.

A indução da anestesia pode ser uma das experiências mais marcantes da vida da criança ou jovem Nelson Garrido

Hospitais têm que criar condições, até ao final do ano, para que o direito ao acompanhamento seja possível. O objectivo é diminuir a ansiedade das crianças no momento da anestesia e na fase do recobro.

Alexandra Campos

As crianças e jovens com idade inferior a 18 anos que forem sujeitas a cirurgias vão passar a poder ser acompanhadas no bloco operatório no início da anestesia por um dos pais ou alguém que os substitua e será também permitida a presença de um acompanhante mais tarde, no momento do recobro. “A ansiedade da criança ou jovem e da família tendem a diminuir quando existe suporte emocional”, justifica o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, num despacho que vem instituir este direito e que é publicado esta quarta-feira em Diário da República.

Os hospitais onde são efectuadas cirurgias em idades pediátricas têm agora cinco meses – até ao final do ano – para avançarem com as medidas de adaptação necessárias para que este despacho seja cumprido. Mas será sempre necessária a autorização prévia dos médicos responsáveis pela cirurgia e anestesia, especifica o diploma a que o PÚBLICO teve acesso.

O direito genérico dos doentes ao acompanhamento está previsto na legislação que define os direitos e deveres dos utentes dos serviços de saúde desde há anos. Mas a lei acentua expressamente que é “vedado ao acompanhante assistir a intervenção cirúrgica”, excepto se para tal for dada “autorização do clínico responsável”.

Agora, pretende-se abrir esta possibilidade em momentos específicos das intervenções cirúrgicas nas crianças e jovens, mas não só – prevê-se que passem igualmente a beneficiar do direito de acompanhamento durante a anestesia e no momento do recobro os adultos com deficiência ou em situação de dependência, “com as necessárias adaptações”, prevê o diploma.

Para materializar este direito, estabelece-se que, quando uma equipa decide que um menor vai ser operado, “o cirurgião e o anestesista responsáveis devem providenciar para que se reúnam as condições adequadas”.

Experiência marcante

Mas estão previstas algumas restrições. “Factores como patologia grave da criança ou do jovem ou outros que desaconselhem a presença no bloco operatório” devem ser esclarecidos e convenientemente transmitidos antes da cirurgia, sublinha-se.

Recordando que são prioridades do Governo a promoção da “humanização dos serviços” e o reforço do “poder do cidadão” no Serviço Nacional de Saúde, o secretário de Estado cita estudos efectuados no Reino Unido e nos Estados Unidos da América que demonstram que, além de diminuir a ansiedade da criança, a presença dos pais antes da operação “aumenta a cooperação”, o que acaba por beneficiar a “própria equipa de saúde”.

“A indução da anestesia pode ser uma das experiências mais marcantes da vida da criança ou jovem, existindo estudos que evidenciam a associação significativa entre induções anestésicas difíceis e alterações do comportamento no pós-operatório”, lê-se no despacho, que sublinha que, sendo muitas vezes as cirurgias nestas idades encaradas como uma “vivência ameaçadora”, os esforços para minimizar este tipo de efeitos têm um “efeito positivo” mesmo “em termos da capacidade para lidar com a adversidade no futuro”.

Preparar os pais e os hospitais

Caberá aos hospitais assegurarem a formação prévia do acompanhante, em consultas antes da cirurgia, que podem incluir visitas e vídeos informativos.

As unidades de saúde terão também que disponibilizar locais próprios onde os progenitores possam trocar de roupa e deixar os seus pertences e definir circuitos em que estes possam movimentar-se “sem colocar em causa a privacidade de outras crianças e jovens nem o funcionamento normal do serviço”.

Os acompanhantes serão ainda devidamente industriados sobre as fases da anestesia e do recobro e sobre o momento em que devem sair do bloco operatório. Caso surjam complicações inesperadas, devem abandonar de imediato o local.

Médicos a favor

Resta saber como vão reagir os cirurgiões e os anestesistas. No diploma, explica-se que foram pedidos pareceres à Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente e à Direcção-Geral da Saúde e que foram também ouvidas as ordens dos médicos e dos enfermeiros, que se pronunciaram a favor.

Em 2016, também através de despacho, esclareceu-se que os pais ou qualquer “pessoa significativa” podiam assistir aos partos das crianças que nascessem por cesarianas nos hospitais públicos. Este direito de acompanhamento já estava previsto na lei mas não era até então possível na maior parte dos hospitais, porque os profissionais de saúde recusavam frequentemente a presença de acompanhante no bloco, argumentando que aumenta o risco de infecção.

Este ano, porém, o colégio da especialidade de anestesiologia da Ordem dos Médicos contestou a possibilidade de acompanhamento durante as cesarianas, num parecer muito crítico. “Compreende-se e valoriza-se a importância da presença parental”, mas esta não se considera “apropriada” em “ambiente de sala operatória”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, explicou, entretanto, ao PÚBLICO que são situações diferentes. A Ordem dos Médicos é completamente a favor da presença dos pais no momento da indução da anestesia e no recobro, afirma Miguel Guimarães, lembrando que esta prática já se tornou habitual em vários hospitais. É o caso, por exemplo, do Hospital Pediátrico de Coimbra, onde isto já se faz há cerca de 20 anos.

o despacho citado na notícia é o seguinte:

Despacho n.º 6668/2017

 

 

Robôs que ajudam crianças diabéticas

Março 30, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://pt.euronews.com/ de 13 de março de 2017.

 

A diabetes é um desafio sério para muitas crianças e adolescentes, o seu bem-estar depende de várias decisões que têm de tomar ao longo do dia. Será que os jogos eletrónicos podem dar uma ajuda?

Ilona vive numa pequena cidade perto de Amesterdão com o marido e os filhos, Tatum e Arjan. Tatum tem 11 anos e o irmão Arjan, de 13 anos, tem diabetes: “a escola fica a meia hora de distância de bicicleta. Todas as manhãs, uma criança precisa de pensar no que vai comer durante o dia e a na quantidade de insulina necessária. Precisam de ter isso em mente ao longo do dia para voltarem a casa em segurança, sem ficarem com açúcar no sangue pelo caminho”.

As crianças fazem parte de um projeto de investigação europeu que pretende ajudar crianças diabéticas através de jogos eletrónicos. Aplicações especiais nos tablets ajudam as crianças a escolher os alimentos certos e acompanham as suas atividades de uma forma mais divertida.

A investigação envolve três hospitais e duas organizações de diabetes em Itália e na Holanda. Nas consultas as crianças podem brincar com um robô programado para ser não apenas um treinador, mas também um amigo.

Os pediatras podem programar o robô para definir objetivos individuais para cada criança. Os investigadores notaram que as crianças que têm um amigo eletrónico chegam mais contentes às consultas.

No jogo, o robô oferece várias ações tais como um convite para uma festa de aniversário ou várias opções de sobremesa. A criança deve fazer a escolha mais saudável. Depois invertem-se os papéis e o robô deve adivinhar a resposta certa.

O robô não dá conselhos relativos à medicação, mas ajuda a compreender os sintomas da diabetes. Os investigadores planeiam envolver mais crianças nesta experiência e desenvolver uma rede que ligue robôs e tablets, para ajudar estes amigos eletrónicos a aprender e a crescer com as crianças.

 

 

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