E se a criança estiver fazendo… BIRRA?

Outubro 12, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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11 formas de acalmar uma criança zangada

Setembro 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 14 de setembro de 2017.

“Já tentei tudo e não consigo acalmar o meu filho quando está zangado!”, desabafou um pai desesperado, no final do workshop “Ganhar os miúdos versus Ganhar aos miúdos”, que dei no fim de semana passado.

Dei-lhe algumas sugestões e prometi que escreveria um artigo sobre o assunto, com dicas práticas para acalmar as crianças quando as palavras não funcionam. Aqui vai.

Cada criança é uma criança…

… e aquela solução que resulta com uma, pode não resultar com outra. E até pode resultar naquele momento mas não resultar no seguinte. Ou vice versa.

Se uma ideia não resulta, tente outra. Mas mantenha a primeira em aberto, pode sempre tentar usá-la novamente mais tarde. Em diferentes situações, as crianças podem responder de forma positiva a diferentes métodos.

Sem mais demoras, aqui ficam então as tais dicas práticas e para ajudar a acalmar os miúdos. Algumas poderão parecer-lhe desadequadas para um momento de conflito, mas sem tentar não vai saber se resultam ou não!

  1. Dê-lhe um abraço. Costumo fazê-lo com os meus filhos. Num momento de tensão, em que estão zangados, ponho os meus braços à volta deles e puxo-os para o meu colo, levemente. Dou-lhes um abraço apertado, mas não em demasia, deixando-os à vontade para me abraçarem de volta ou sairem dali se preferirem.
  2. Mude-lhe o foco. Resulta sobretudo com crianças mais pequenas. E passa por distrair, redirecionar o comportamento, com toda a calma, para algo de que a criança goste: um objeto, atividade, ou história, por exemplo. Mas cuidado para não transformar esta estratégia numa recompensa!
  3. Susurre-lhe. Segredar ao ouvido pode ajudar o seu filho a acalmar-se, por forma a que possa ouvir o que lhe quer dizer. Depois é preciso dar seguimento, empatizar, mostrar compreensão pelos sentimentos e procurar uma solução conjunta para resolver a situação.
  4. Cante e/ou dance! Seja criativa/o! Improvisar uma cantoria num momento de tensão vai surpreender a criança, que esperava uma reação diferente, provavelmente de censura ou ameaça de castigo. E pode ser suficiente para que ela troque o ar zangado por… um sorriso. O mesmo se passa com a dança, pode começar uma dança divertida e convidá-la para participar.
  5. Faça-lhe cócegas. Um clássico, que desmonta a birra de muitas crianças. Cá em casa resulta quase sempre com os meus filhos.
  6. Todos para o banho! Às vezes, um banho ou duche de água quente ou fria pode ajudar a acalmar a criança. E porque não tomarem banho juntos?
  7. Crie um ambiente. Difundir óleos essenciais pela casa, como Lavanda ou Camomila, ajuda a promover uma atmosfera calma, que pode ajudar ao “arrefecimento” da zanga.
  8. Seja paciente. Sente-se ao lado do seu filho e espere, simplesmente. Não diga nem faça nada. Deixe-o tentar encontrar o seu próprio modo de se acalmar. Tal como as anteriores, esta “técnica” não resulta em todos os casos, sobretudo naqueles em que a criança está mais alterada. Mas aqui fica à sua consideração. Afinal, não há quem seja maior especialista nos seus filhos do que você!
  9. Arranje-lhe um espaço seguro… para onde a criança possa ir acalmar-se. Assegure-se que não sairá do seu raio de ação e que está à vontade para voltar a si quando quiser.
  10. Leia-lhe uma história. Mesmo que a criança não se mostre disponível para ouvir ao início, escolha um local confortável e encorage-a a sentar-se consigo e a ouvir o que tem para contar.
  11. Faça-lhe uma massagem. Comece com um toque no ombro ou nos pés, para testar a recetividade. Uma massagem tranquila, com pouca pressão, pode ajudar a libertar a tensão acumulada na criança.

Estudo confirma que as crianças portam-se pior na presença das mães

Junho 24, 2017 às 11:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 22 de maio de 2017.

Um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade de Washington revelou que as crianças são 800% piores na presença das respetivas mães.

Em crianças com menos de dez anos, a percentagem sobe para  1.600%

Não era preciso um estudo para nos dar esta novidade mas é bom ter aparecido para termos a certeza que não somos nós que estamos a ficar malucas!

Quantas vezes deixamos os miúdos na cresce a chorar e a educadora diz que passados 5 minutos estavam óptimos? Ou vamos busca-los e conseguimos vê-los a brincar animadamente, até que dão pela nossa presença e está o caldo entornado?

Pois é, não estamos sozinhas.

O estudo da Universidade de Washington acompanhou 500 famílias e avaliou em cada uma delas comportamentos como birras, gritos, tentativas de bater nos pais, carência e atos de começar a falar à bebé (crianças que já falam corretamente)… E  descobriram que as crianças de até aos oito meses de idade ficavam a brincar felizes de vida até verem a sua mãe chegar: 99,9% desta crianças demonstraram ter propensão para o choro e precisar de atenção imediata. Mesmo no caso de uma criança invisual que, a partir do momento em que ouviu a voz da mãe, começou a atirar coisas, e a querer lanchar (muito embora tivesse acabado de comer).

Um bebé de oito meses ainda se sente parte de sua mãe, o vínculo é fortíssimo. O fato de essa criança chorar, atirar as coisas ou “chamar a atenção” ao ouvir o som de sua mãe, é uma tentativa de voltar para perto de si!

Depois dos 2 anos, ou ainda nos 3 anos – idade da formação da sua própria identidade – as crianças tendem a confrontar mais aqueles em que eles têm maior apego e vêem como porto seguro, os pais, na procura das sua própria personalidade ainda em formação e ainda não conhecida por completo por eles. É algo complexo!

Crianças portam-se pior na presença das mães

O estudo revelou ainda que, nada mais nada menos do que a totalidade destas crianças se revelaram mais sensíveis às instruções passadas num tom de voz normal se provenientes de alguém que não a sua mãe. Para receber resultados comportamentais semelhantes, as mulheres tiveram de falar num tom de voz muito alto, como se alguém tivesse a ser atacado por um animal feroz.

Paul Olsen, pai de três crianças e participante no estudo, ficou chocado com os resultados: “Eu nunca percebi porque é que a minha mulher nunca conseguia fazer nada quando estava com os miúdos: ela é literalmente o íman e a kriptonite deles. No entanto, comigo eles são totalmente diferentes.”

Artigo de momsnewdaily, adaptado para Up To Kids®

 

 

 

10 dicas para vencer as birras

Junho 6, 2017 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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As birras das crianças podem ser uma verdadeira dor de cabeça para pais e cuidadores.
Em situações mais graves as birras podem interferir significativamente no quotidiano de pais e filhos, visto que simples tarefas como ir ao supermercado podem ser uma tormenta!

É importante compreender o fenómeno das birras considerando o período desenvolvimentista em que as crianças estão. Entre os 2 e os 5 anos é expetável que surjam algumas birras, o que se justifica em grande parte pelas características cognitivas típicas destas idades. Nesta fase o pensamento das crianças é caracterizado por algum egocentrismo, isto é, tendem a perceber as situações apenas do seu ponto de vista e não se colocam no ponto de vista das outras pessoas, nomeadamente dos pais ou demais cuidadores. Experienciam a mesma dificuldade face à capacidade para anteciparem e compreenderem os sentimentos dos outros – leitura da mente. Desta forma, as crianças centram-se nos seus próprios interesses e negligenciam as regras impostas pelos adultos.

Assim, as birras fazem parte do processo de desenvolvimento e aprendizagem de uma criança, sendo necessário estabelecer regras e limites claros que permitam estruturar o seu quotidiano e compreender o mundo que as rodeia, bem como, ajudá-las a gerir o sentimento de frustração.

Implemente regras claras – Quando se dirige a um sítio público, apresente-lhe as consequências positivas e negativas decorrentes do seu comportamento. Antes de entrar numa loja, estabeleça contacto visual com o seu filho e exponha de forma clara o comportamento que espera e o que vai acontecer como resultado: “Quando entrarmos na loja, quero que fiques ao pé de mim. Não foges para lado nenhum. Se ficares ao pé de mim, divertimo-nos e depois tens uma recompensa. Se não ficares ao pé de mim, vais fazer uma pausa para o carro.” Confirme que o seu filho percebeu as instruções, fazendo-o repeti-las.

Dê apoio ao seu filho – Ao entrar num local público, comece imediatamente a comentar de modo positivo o comportamento do seu filho. “Obrigado por ficares ao pé de mim. Gostei muito.” Continue a reforçar a atitude do seu filho com frequência.

Seja firme – as birras das crianças podem ser muito poderosas e por diversos motivos os pais são tentados a ceder. Em lugares públicos os olhares dos outros são muitas vezes motivo de incómodo para os pais. Noutras situações de maior cansaço, ou indisponibilidade emocional para “lutar” contra as birras, a saída mais fácil parece ser mesmo ceder. Tente ser firme e consistente nas regras que implementou, caso contrário, a tendência será para que a criança tente sempre contornar as regras na esperança que os pais cedam às suas vontades.

Mantenha calma – pode ser muito difícil lidar com situações de birra e a calma nem sempre prevalece. É importante que não se exalte quando o seu filho faz uma birra e que lhe dê um exemplo adequado de como gerir emoções. Se queremos que a criança aprenda a lidar com a frustração e com as emoções de valência negativa, o adulto deverá constituir um modelo de comportamento.

Use a pausa, se necessário – Assim que o seu filho começar a violar as regras, pode pegar-lhe na mão com firmeza e levá-lo até ao carro (ou canto da loja) para uma pausa de cinco minutos.

Não preste atenção à birra– Na presença duma birra, o passo essencial é não satisfazer o pedido da criança. Se o fizer, estará a dizer à criança que o seu mau comportamento lhe oferece privilégios. Em vez disso, afaste-se da criança e ignore-a. Se não for capaz de tomar esta atitude, retire a criança do espaço em que se encontra. Leve-a para casa e coloque-a numa divisão da casa sem distrações, onde possa refletir acerca do seu mau comportamento. Não lhe dê atenção, nem procure dar nenhum sermão à criança nesta altura, pois o seu estado emocional de exaltação não o vai permitir.

Quando a birra terminar, converse com o seu filho – Explique-lhe com clareza que este tipo de comportamentos não leva a nada. Poderá aplicar um pequeno castigo, de acordo com a regra que havia estipulado. Não ameace, aplique o castigo! Seja consistente, se não o fizer, a criança poderá aproveitar-se desse facto para obter mais recompensas. Se decidir aplicar um castigo, faça-o imediatamente a seguir ao mau comportamento. Se deixar passar muito tempo, a criança deixará de associar o castigo a esse comportamento em concreto, pelo que o castigo deixará de ter o efeito pretendido.

Planeie de forma adequada a sua rotina – Para evitar confusões e brigas constantes, planeie a sua rotina, e evite levar o seu filho para locais onde se desestabilize frequentemente.

Esteja atenta ao comportamento do seu filho – se as birras não faziam parte do comportamento do seu filho e nota que têm vindo a surgir com mais frequência, esteja atenta! Tente perceber se algo mudou na sua rotina, no seu comportamento na escola ou noutros contextos. As birras poderão ser um reflexo de instabilidade emocional provocada por outras problemáticas.

Procure ajuda profissional – se as birras assumem presença constante no vosso quotidiano, a sua frequência e intensidade já ultrapassaram o que seria normativo em termos de desenvolvimento, até já utilizou diversas estratégias aqui apresentadas e não vê melhorias no comportamento do seu filho, o melhor será mesmo procurar aconselhamento junto de um profissional, nomeadamente de um psicólogo infantil, que o poderá ajudar a compreender as causas das birras, ajudá-lo a alcançar maior estabilidade emocional e capacidade de auto-controlo, ajudando também os pais a lidar mais eficazmente com este problema e a modificar possíveis fatores de manutenção do mesmo.

Artigo das Psicólogas Carla Pereira e Sandra Alves para uptokids.pt

“Dá mais trabalho ensinar um miúdo a comer do que dar-lhe um tablet”

Abril 3, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 20 de março de 2017.

Romana Borja-Santos

Filipa Sommerfeldt Fernandes garante que há truques simples para conseguir que as crianças apreciem a comida “sem fazer um circo”.

Chega a hora da refeição e começam os problemas e o choro. Colheres que entram à força na boca das crianças ou apenas com a ajuda de um repertório infinito de músicas, coreografias ou vídeos num tablet. O cenário parece-lhe familiar? “Comer deve ser um momento natural. Não é preciso fazer disso uma festa nem um cavalo de batalha”, diz Filipa Sommerfeldt Fernandes que é especialista em ritmos de sono. Nos últimos tempos, dedicou-se, contudo, a outro tema: como acabar com as guerras à mesa e incentivar as crianças a terem uma alimentação mais saudável e variada.

Nas várias consultas com os pais, a criadora da página “Sleepy Time — Especialista do Sono” foi-se apercebendo de que as birras à mesa — mais tarde ou mais cedo — são também um problema comum e começou a estudar o assunto para conseguir dar respostas com mais fundamento, sem ser apenas baseada na experiência com os dois filhos, de quatro anos e de um ano.

As suas ideias acabam de ser publicadas no livro Comer sem Birras (editora Manuscrito). Filipa Sommerfeldt Fernandes, de 35 anos, salvaguarda que não é médica nem nutricionista e, por isso, o manual não pretende dar sugestões de menus, mas sim explicar como tornar os momentos à mesa “num momento sem ansiedade”.

Há estratégias para várias idades, “desde a introdução da alimentação complementar, aos seis meses, até aos oito anos”.

“Normalmente as grandes questões de ficarem esquisitos dão-se a partir do ano e meio a dois anos, em que rejeitam mais as novidades”, explica ao PÚBLICO a autora, lembrando que, “no primeiro ano de vida, os bebés quase quadruplicam de peso e depois a necessidade calórica também abranda”.

O primeiro conselho passa por “descomplicar”. Filipa Sommerfeldt Fernandes, cuja formação de base é em comunicação, tendo após o nascimento do primeiro filho feito formações na área do sono e alimentação, considera que, por vezes, o problema está do lado da expectativa dos pais, que acreditam que “as crianças precisam de comer quantidades enormes e de deixar o prato vazio”.

Quanto tempo à mesa?

“É preciso avaliar o dia todo. Há miúdos que petiscam o dia inteiro bolachas, fruta, queijo e na hora da refeição não comem. Mas olhando para as 24 horas até comeram uma boa quantidade”, prossegue. Para quem está a começar a introdução da alimentação, recomenda que evitem a tentação de “fazer grandes circos” e que estabeleçam rotinas, apresentando desde cedo vários alimentos que toda a família come. Da mesma forma, alerta que também o tempo que se exige que uma criança fique sentada à mesa deve ser ajustado à idade. “Há pais que acham que as crianças devem aguentar mais de uma hora sentadas.”

O ideal, defende a autora, é que o momento da refeição seja vivido em família e de forma natural: não é preciso festejar porque a criança comeu tudo, mas também não vale a pena forçar nos dias em que não quer. “Mas se não quer comer então devemos esperar pela próxima refeição, para os miúdos perceberem que se não comerem naquele momento também não vão comer bolachinhas entretanto.”

Lembra, contudo, que os casos sistemáticos de rejeição a novas texturas devem ser conversados com os médicos de família, pediatras ou terapeutas da fala, para excluir alguns casos de doenças que podem reflectir-se numa “hipersensibilidade oral” da criança.

Quanto aos principais erros dos pais, considera que dão até demasiado tarde purés de legumes e de frutas às crianças, que acabam por não ter contacto com outras formas e texturas dos alimentos. “É normal que em algumas fases os miúdos sejam esquisitos em experimentar coisas novas, mas isso não significa que os pais devem deixar de apresentar novos alimentos. Quanto mais familiar um alimento for, mais facilmente será aceite pela criança.”

Depois, considera que há problemas transversais à sociedade e que acabam por ter repercussões em casa. “Somos pais com menos tempo e temos demasiadas solicitações externas. Acabamos por ter menos paciência e queremos apressar as crianças, porque queremos que comam bem e durmam cedo. Apressamos demasiado os nossos filhos e não lhes damos tempo. Dá muito mais trabalho ensinar um miúdo a comer do que dar-lhe um tablet para a mão para garantir que ele abre a boca”.

Explorar com as mãos

Entre algumas das sugestões, Filipa recomenda que desde cedo as crianças possam explorar alimentos com as próprias mãos. “Devemos colocá-los num prato e ter talheres por perto, porque eles aprendem por mímica. A hora da refeição é o único momento em que as crianças sentem que podem controlar e fechar a boca. Se os deixarmos também participar na escolha do que comem isso torna o momento mais natural.”

É também importante que os alimentos sejam oferecidos como se fossem iguais, sem haver a tentação dos pais dizerem que uma bolacha é melhor ou mais saborosa do que brócolos “ou que se comerem tudo têm direito a sobremesa”.

Para quem já vai tarde e está em fase de plenas birras, o passo número um sugerido passa por aquilo a que Filipa chama de “limpar o ar”. Ou seja, num período de aproximadamente uma semana não pressionar para comer e oferecer apenas o que as crianças gostam. Progressivamente, a ideia é oferecer o que elas gostam mas com formas de preparação diferentes e, então, começar a juntar aos poucos ingredientes novos ou menos amados.

O ideal, defende a especialista, é não dar demasiada atenção à reacção da criança nem estar sempre a perguntar se gostou ou não de algo. “O paladar educa-se. Antes, os miúdos comiam o que os crescidos comiam, que era o que havia em casa e tornava as coisas mais fáceis e naturais”, insiste, apesar de lembrar que é importante nas refeições em família ter cuidado com o sal e açúcar para os mais novos.

As oito principais dicas:

  • Comece por “limpar o ar” e retirar pressão do momento da refeição. Isto significa que não se deve enervar ou mostrar que se enerva com a forma como corre a refeição;
  • Dê um período de tréguas, em que oferece apenas o que a criança mais gosta de comer, variando na apresentação e texturas;
  • Continue a oferecer o que a criança gosta, mas misturando pouco a pouco alimentos novos e aqueles que sabe que antes rejeitava. Uma vez mais, não pressione e evite disfarçar os alimentos.
  • Dê o exemplo. Se comer pizzas, doces e refrigerantes ao pé dos seus filhos dificilmente eles vão querer peixe cozido com legumes;
  • Inclua as crianças na escolha e confecção das refeições;
  • Estabeleça rotinas e horários, assegurando-se de que a criança não está demasiado cansada quando come;
  • Não force a comer tudo o que está no prato nem pergunte a toda a hora se gostou;
  • Não use a comida como moeda de troca.

O que diz a Sociedade Portuguesa de Pediatria?

A pediatra Henedina Antunes, da Comissão de Nutrição e da Sociedade Portuguesa de Pediatria e da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica, não conhece o livro de Filipa Fernandes. Mas não tem dúvidas: as crianças devem explorar os alimentos com as mãos desde cedo. “Os pais têm a oportunidade de tocar nos alimentos quando os preparam. Já as crianças, quando comem, é natural que queiram ter contacto com a textura e não só com o sabor”, explica ao PÚBLICO esta especialista.

A também responsável do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga alerta, contudo, que “devem sempre ser oferecidas todas as gamas de alimentos”.

“Uma criança precisa de ter pelo menos 12 vezes contacto com um sabor para se habituar”, diz, “e o maior risco de obesidade surge nas crianças a quem só é apresentado o que gostam”.

 

 

 

Birras: três dicas para ajudar

Fevereiro 27, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 10 de fevereiro de 2017.

uptokis

As birras fazem parte do crescimento, hão-de existir sempre, e não havendo uma fórmula para as evitar na totalidade, há formas de lidar com as crianças ensinando-as a gerir melhor as emoções e a conseguir acalmar as suas próprias ansiedades.

Ficam três dicas simples que o vão ajudar:

1. Antecipar

Antecipar alguns momentos do dia-a-dia é fundamental para que tudo aconteça duma forma mais tranquila. Se vai a casa dos avós e tem de sair mais cedo explique-lhe o que vai acontecer de preferência antes de sair de casa. Planeie o dia para que o seu filho não seja apanhado de surpresa. Quanto mais as crianças tiverem o seu dia planeado, também elas gerem melhor o que sentem, caso contrário, vai estar a brincar com os primos e, de repente, os pais dizem: “vamos embora”. Para a criança é um atentado à diversão e gera-se um problema. No entanto, se já estiver preparada irá lidar melhor com o que sente e mesmo que faça uma birra, não sente que foi uma traição dos pais.

2. Olhos nos olhos

Quanto tempo consegue falar com o seu filho a olha-lo nos olhos? Sem as distrações do telemóvel, da televisão, da máquina da roupa ou o jantar para fazer? Criar o hábito de ter um espaço de conversa com o seu filho vai dar-vos uma oportunidade de se conhecerem melhor, de partilharem o que pensam e sentem e, acima de tudo, vai passar a mensagem ao seu filho de que se preocupa com ele. Quanto mais cedo na relação houver este espaço mais fácil será a comunicação entre os dois. Se a criança for muito pequena, esta conversa pode ser uma brincadeira com um simples brinquedo, de forma a que a atenção não seja exclusiva para o brinquedo mas sim para a relação entre os dois.

3. Atenção

Se o seu filho está a fazer uma birra porque quer um brinquedo, uma ida ao parque ou a casa dos avós, está a exigir atenção. A melhor forma de o fazer entender que não é possível satisfazer o seu desejo nessa altura é baixar-se, colocar-se ao nível dele, olhá-lo nos olhos e falar com um tom de voz calmo. Lembre-se que se responde com frustração ou impaciência vai gerar ainda mais frustração, pois o que o seu filho lhe está a dizer é “nunca olhas para mim, nunca queres saber de mim, só fazes o que tu queres”. Mantenha-se calmo e devolva-lhe aquilo que ele sente – “eu sei que estás chateado comigo porque queres ir ao parque, mas neste momento não vai ser mesmo possível porque tens de ir tomar banho e jantar”. Não prometa ir no dia seguinte porque os imprevistos acontecem e as crianças não se esquecem do que lhes foi prometido.

Este tema surge muitas vezes nas sessões de psicologia com os pais. As birras são uma situação recorrente nas famílias e de difíceis contornos quando já está instalada, provocando um desgaste emocional muito grande para todos. As birras são naturais, a não ser que se tornem muito repetitivas e persistentes. Nesse caso poderão ser um sintoma de que algo está a correr menos bem.

O mais importante é apostar na relação de confiança e partilha, garantir que os pais são o adulto na relação (muitos pais acabam por ceder às birras cabendo no fim o poder de decisão à criança), ter calma suficiente para lidar com os imprevistos, e incluir o seu filho nos planos preparando-o para a dinâmica dos vossos dias.

 

 

Como ajudar as crianças a desenvolverem ao máximo as suas capacidades?

Janeiro 16, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Álvaro Bilbao à http://activa.sapo.pt/ no dia 3 de janeiro de 2017.

activa

É mais simples do que parece. O neuropsicólogo Álvaro Bilbao falou-nos de avós, telemóveis, e da importância da generosidade.

Catarina Fonseca

O cérebro infantil tem um potencial enorme de desenvolvimento, mas basicamente… estamos a dar cabo dele. O neuropsicólogo Álvaro Bilbao é formado em Neuropsicologia pelo Hospital Johns Hopkins e pelo Kennedy Krieger Institute, nos Estados Unidos, e pelo Royal Hospital no Reino Unido, e tem passado os últimos anos a explicar aos pais como funciona a mente infantil (e o mundo em que estamos

De que precisa o cérebro de uma criança para se desenvolver?

Precisa de carinho, de limites e de muita conversa entre pais e filhos. Hoje somos demasiado protetores e somos demasiado perfeccionistas. Queremos crianças perfeitas, queremos ser pais perfeitos, e estamos a passar-lhes muito stresse.

Porquê essa exigência da perfeição?

Por um lado queremos filhos-troféu, que mostrem ao mundo como somos bons pais. Por outro lado, estamos numa sociedade muitíssimo competitiva e superficial, em que a imagem se torna mais importante que o interior. A imagem substituiu o currículo. O Instagram apresenta-nos pessoas de plasticina, e é isso que queremos. O curioso é que não é nada disto que torna uma criança feliz. Uma criança feliz sabe partilhar, aprendeu a ser optimista, tem pouco stresse e é alegre nas suas imperfeições.

Mas depois na prática não é isso que os pais valorizam mais…

Tem toda a razão. Por exemplo, o que os pais me dizem é que querem imenso que a criança seja generosa, altruísta e criativa, mas aquilo em que verdadeiramente se empenham na prática, no dia a dia, é em que tenha boas notas. Funcionamos na nossa família como numa empresa: o que interessa são os resultados. Por exemplo, em todas as salas de aula de todas as escolas há uma criança calada e infeliz, sentada no fundo da sala. Algum pai ou mãe diz ao filho: ‘Sabes aquele menino lá no fundo da sala, falaste com ele hoje? Vamos convidá-lo cá para casa?’ É importante que todas as pessoas estejam bem integradas nesta sociedade, e que se envolvam as crianças neste esforço.

Acha que isso está a mudar?

No outro dia recebi uma mãe que vivia com os pais e os filhos. Este ano mudou-se e faz 40km de carro para que os filhos frequentem um colégio Waldorf e tenham uma educação mais em contacto com a natureza. E eu perguntei-lhe, ‘Mas há alguma coisa mais natural que um avô? Prefere portanto que os seus filhos estejam mais em contacto com uma árvore do que com um avô?’ (risos) Não vemos vantagem competitiva num avô. Com uma família, uma criança aprende infinitamente mais do que com um computador. Quando uma criança sai com uma tia, com os primos, ativa a zona direita do cérebro, responsável pelas emoções. E aprende não apenas a compreender melhor as outras pessoas como a ser menos neurótica e a perceber-se melhor a si própria.

O que é uma criança neurótica?

São crianças hiperexigentes, que têm medo do fracasso porque os pais estão constantemente a elogiá-lo ou a criticá-lo. Queremos crianças que tenham bons resultados, sim, mas que sejam alegres. Queremos uma criança que goste de jogar futebol porque é divertido, não porque os pais acham que lhe vai fazer bem. A sociedade não ajuda. Dantes tínhamos bons alunos e alunos não tão bons. Hoje temos bons alunos, e hiper-ativos que tomam medicação.

Há crianças que não gostam de estudar?

Claro que há. Não é um drama nem um defeito, mas isso torna-se um problema para os pais e para os professores. Pode ter a ver com pequenos problemas de aprendizagem, pode ser que a criança tenha um carácter mais extrovertido e não goste de ficar sentada a estudar. Se ela é feliz, nada disto tem de ser um problema, nem vai comprometer o seu futuro, mas nós não aceitamos que haja crianças diferentes.

Matamos a criatividade às crianças?

Sim, e fazêmo-lo desde muito cedo. Para muitos neuropsicólogos, a criatividade é a atividade mais importante do cérebro. É ela que permite encontrar soluções para problemas. ‘A lógica permite-nos chegar do ponto A ao ponto B, a imaginação permite-lhes chegar a todo o lado’, dizia Einstein. Claro que se calhar para uma empresa não é importante que os trabalhadores sejam criativos. Mas depois na nossa vida pessoal caímos num estado de apatia que nos leva à depressão. Pensamos, tenho tudo o que sempre quis, faço o que tenho de fazer, mas não sou feliz… Também nós, adultos, precisamos de brincar, de criar, de nos divertirmos.

As crianças também precisam de limites?

Claro. Os pais dizem-me coisas como ‘consegui que o meu filho não brincasse mais com o meu telemóvel’. ‘E como conseguiu?’ ‘Disse-lhe que estava estragado’. (risos) Ora isto não é resolver nada… Se lhe disser ‘Não quero que o uses’, claro que a criança faz uma birra. E depois? Temos muito medo de ser assertivos, que as crianças se zanguem e façam uma cena.

Como acalmar uma birra?

Usando a empatia. Se lhe dissermos ‘As outras pessoas estão a olhar para ti’, ele vai ficar envergonhado, se o tentarmos controlar não vai funcionar, mas se lhe dissermos ‘Olha: eu sei que gostavas de brincar com o telemóvel, mas não é para a tua idade, queres brincar comigo a outra coisa?’ a criança vai tranquilizar-se. Mas aos pais assusta-os imenso as emoções, porque saem fora do seu controlo. Temos de ensinar às crianças que não é preciso ter medo das emoções, que não faz mal ficar zangado.Não faz mal não sermos perfeitos, não faz mal pedir desculpa quando erramos, dizer que não sabemos quando não sabemos. As crianças respeitam mais os pais que assumem os seus erros e que põem limites sem medo da sua ira.

Diz que os castigos não funcionam…

Não é que não funcionem: mas são a técnica menos eficaz para ensinar uma criança. Se uma criança bate noutra criança, é melhor castigá-la do que não fazer nada. Mas um castigo faz com que a criança se sinta mal e desgasta muito a relação entre pais e filhos. A criança faz as coisas mal não porque quer, mas porque não sabe. Portanto, ensine-lhe a fazer as coisas bem. Há coisas que funcionam muito melhor: os limites, as regras, ensinar a pedir desculpa, e principalmente o reforço: premiar quando a criança faz alguma coisa bem, em vez de castigá-la quando erra. Imagine que há um irmão que se pega sempre com outro. E se um dia não se pegam, pode dizer-se – ‘Fiquei muito contente porque hoje não brigaram. Que recompensa querem?’ Se os podemos castigar de vez em quando? Sim, quando não nos ocorre nada melhor. Mas por norma funciona melhor o reforço.

Afinal, que papel devem ter as novas tecnologias na vida das crianças?

As emoções trabalham com a parte direita do cérebro, e quando estamos com um ecrã, trabalhamos com a parte esquerda. Nos primeiros 2 anos de vida, recomendo zero ecrãs. Sabemos que as crianças que passam mais tempo agarradas aos iPads têm mais problemas, quer de comportamento quer de défice de atenção. Perdem-se muitas etapas imprescindíveis: a brincadeira livre, o brincar com as mãos, o contacto com a natureza. Uma criança tem um tipo de atenção mais lenta, que é o que lhe permite aprender as coisas, fixar-se nos detalhes, e um ecrã não lhe dá este tipo de aprendizagem. Depois chegam aos 6 anos e queixamo-nos de que não se concentram.

Quais as desvantagens dos ecrãs?

Hoje, as crianças não gostam tanto de fruta como há 200 anos ou em certos países de África, porque têm sabores mais ‘imediatos’. Da mesma maneira, uma criança habi- tuada a videojogos, que dão estímulos imediatos, quando chega à escola tudo aquilo lhe parece pouco estimulante, porque nada apita e nada vem em 78 cores. Portanto, as crianças estão cada vez mais viciadas em estímulos cada vez mais intensos. Têm satisfação imediata, têm tudo imediatamente e perdem assim capacidade para desejar, que implica espera, elaboração e imaginação. Estamos a roubar-lhes a capacidade de sonhar. Sabe aquele dia em que vamos de viagem? Toda a semana antes desse dia é de sonho e de antecipação. É isso que estamos a tirar-lhes.

Porque é importante saber esperar?

A capacidade que uma criança tem para esperar é o que melhor prediz a sua entrada na universidade anos depois. Porquê? Porque para ter boas notas a criança tem de esperar: tem de esperar que a professora fale, quando lê um livro tem de ser paciente para terminá-lo, quando faz um exame tem de ler tudo para ver se não cometeu erros. Claro que há outras coisas importantes, como a relação com os pais, por exemplo. Quer treinar o cérebro do seu filho? Habitue-o a esperar: esperar até que todos estejam sentados à mesa, que todos tenham acabado de comer para sair da mesa, para ter um brinquedo que quer. Ou então não fazer nada disto: dar-lhe um telemóvel para as mãos no pediatra para que esteja entretido e não chateie, passar–lhe o iPad enquanto está no carro. Assim lhe ensinamos que tem de estar sempre entretido.

Como pai, o que achou mais difícil com os seus próprios filhos?

Não os proteger demais e dar-lhes tempo para eles. Não os sufocar com a minha presença. Também tive dificuldade enquanto casal, em equilibrar a atenção que dávamos um ao outro com a atenção de que os filhos precisavam. Eu e a minha mulher só nos conhecíamos há um ano e meio quando fomos pais. Crescemos todos ao mesmo tempo. Outra aprendizagem foi perceber que a minha mulher, como mãe, protegia as crianças, enquanto eu as empurrava para desafios e perigos, e que ambos estávamos certos, porque tínhamos papéis diferentes.

 

 

 

Chega de birra nas lojas: ensine seu filho a economizar para comprar

Dezembro 14, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.paisefilhos.com.br/de 27 de abril de 2016.

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A educação financeira pode começar desde cedo

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

Seu filho já teve algum ataque de birra em público por você não comprar algo que ele queria? Saiba que cabe aos pais colocar limites, explicar e conversar sobre o valor do dinheiro, mas você também precisa dar o exemplo. Crianças precisam aprender a dar valor ao dinheiro e gastar só com o que importa desde cedo.

Segundo Patrícia Broggi, mãe de Luca e Tiago, nossa embaixadora, colunista e autora do livro “Falando de Grana”, para evitar um ataque de birra, é necessário que o filho tenha sido acostumado desde pequeno que toda compra tem sua hora e motivo e não comprar só por comprar.

Outro ponto é que as crianças precisam aprender que um presente deve ter ocasião, como aniversário, Natal ou uma data especial. Assim, eles saberão valorizar o que ganham. “Caso queira muito uma coisa e resolva fazer birra, os pais precisam ser firmes. A birra passa. Até porque, muitas vezes, basta ganhar para esquecer do presente logo depois”, argumenta.

Os filhos aprendem muito mais com as nossas ações do quem com as nossas palavras, explica Patrícia. “Além de desencorajar o consumismo nos seus filhos através de conselhos, é muito importante você não praticá-lo. Senão a mensagem não repercute”.

Por isso, repense em como você tem lidado com a questão e procure tomar atitudes que reforcem a mensagem que você quer passar. Algumas dicas da jornalista são: no final de semana, prefira passear em família no parque do que ir ao shopping. Na praia, priorize atividades como entrar no mar e jogar bola em vez de comprar um picolé, milho e refrigerante. A ideia é não valorizar o consumo.

Economizar para comprar

Uma solução para começar a educação financeira é dar uma mesada, que pode ser até de um valor simbólico, e ensiná-lo a poupar para planejar uma compra e guardar o que sobrar. Se seu filho tiver um desejo, nada melhor do que você criar com ele uma meta para alcançar esse objetivo. “Façam juntos um planejamento de economia, mostrando que se ele poupar por alguns meses, consegue comprar o que quer”, diz a escritora.

Não tenha medo de usar o bom e velho “não”. Ficar com dó e ceder vai mostrar a seu filho que quando ele bater o pé e espernear, vai conseguir que você faça a vontade dele. “Mesmo se o que ele quiser não faça nenhuma diferença no seu orçamento, o importante é você pensar no valor do dinheiro para uma criança e como ela deve administrá-lo”, aconselha Patrícia.

 

 

Neuropsicólogo Álvaro Bilbao: “Todas as crianças têm direito a ter pais imperfeitos”

Novembro 13, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://observador.pt/ a Álvaro Bilbao no dia 22 de outubro de 2016.

observador

Se quer controlar a birra dos seus filhos não perca a calma e lembre-se que a birra é um problema dele, não seu. Esta e mais umas quantas dicas do pai e neuropsicólogo Álvaro Bilbao.

Muitos pais, ainda antes dos filhos nascerem, já se preocuparam com a escola que os pequenos vão frequentar, com a alimentação que vão escolher para eles, com os limites e as cedências, com as birras e os castigos, mas Álvaro Bilbao tem um conselho muito simples para aliviar todas estas preocupações: desfrutem. Tirar partido do prazer de ser mãe ou pai, aceitar que não vai conseguir fazer tudo na perfeição (e ainda bem), manter o equilíbrio e evitar a tensão, são alguns dos conselhos para iniciar a jornada.

“Na minha perspetiva, educar é apenas apoiar a criança no seu desenvolvimento cerebral, para que algum dia esse cérebro lhe permita ser autónoma, atingir as suas metas e sentir-se bem consigo própria”, escreveu o neuropsicólogo num livro que pretende servir de guia aos pais para que ajudem os filhos a desenvolver o potencial intelectual e emocional.

Álvaro Bilbao tem feito trabalhos de investigação na área da psicologia e neurociência, tendo-se especializado em plasticidade cerebral, mas admite que, embora estude o cérebro há muitos anos, foram os três filhos que deram sentido a esse conhecimento e que o ajudaram a perceber melhor o cérebro das crianças. É este conhecimento acumulado que procura partilhar no livro “O cérebro da criança explicado aos pais”, editado em Portugal pela Planeta.

piramde

Os pais procuram fórmulas mágicas, querem soluções prontas a usar. Se um pai o abordasse com a pergunta: “O que é que eu tenho de fazer?”, que resposta lhe poderia dar?

Para ser um bom pai?

Sim.

Gostar muito dos seus filhos, demonstrar-lhes muito amor, jogar muito com eles, impor-lhes limites, dizer-lhes quando fizeram as coisas bem e, por último, ajudá-los a serem pacientes e a saberem esperar. Estas são as cinco coisas mais importantes. Se fizerem isto, já estão muito bem.

A pergunta agora é: como se faz isso?

Para isso temos cinco ferramentas muito importantes. A ferramenta da comunicação: ter uma comunicação positiva com os nossos filhos, uma comunicação que os ajude a colaborar – porque há comunicações que os ajudam a colaborar e outras que ajudam a que a criança não obedeça. A empatia, isto é, entender como se sente a criança, colocarmo-nos no seu lugar e dar palavras aos seus sentimentos. Muito importante é dar reforços [positivos] quando a criança está a fazer as coisas bem – não muito, mas com bastante frequência -, quando a criança faz as coisas melhor, quando supera uma dificuldade. Em quarto lugar: impor limites para que a criança não faça coisas que não queiramos que faça. E em quinto lugar: fazer com que a criança corrija as dificuldades e isto consegue-se sobretudo com normas, normas que a criança entenda que quando faz algo errado terá de retificar ou terá uma consequência. E se conseguirmos fazer tudo isto como um jogo, a criança vai entendê-lo muito melhor.

Com jogos?

Sim. Por exemplo, quando os meus filhos não querem tomar banho imponho-lhes um limite: eles sabem que vão acabar na banheira porque esse é o limite que eu coloco, mas posso levá-los para a banheira zangados ou posso levá-los com um jogo. Com um jogo muitas vezes aprendem melhor, têm menos tensão.

Os limites são uma das maiores dificuldades dos pais, porque as crianças estão sempre a testá-los. Qual a melhor forma para os pais fazerem valer esses limites? Com os jogos como estava a dizer? Primeiro é não ter medo das emoções das crianças. Não ter medo que a criança fique triste, não ter medo que fique zangado, não ter medo que faça uma birra. Em segundo lugar é preciso fazê-lo de uma forma tranquila, com confiança e explicando à criança que tem de fazer as coisas. E saber dizer que não.

Há muitos pais que têm medo de enfrentar os filhos, mas há que pensar que o pai ou a mãe têm trinta e tal anos, têm uma inteligência, têm uma altura e um peso, e a criança pesa 10 quilos, portanto temos de ter confiança. Se não tivermos confiança vai ser mais difícil. Às vezes podemos jogar, outras vezes podemos ficar sérios, outras vezes podemos simplesmente dizer que não, outras vezes podemos obrigar – obrigar com carinho, sem puxar a orelha. No final, isto implica que a criança não faça aquilo que não queremos e que faça aquilo que pedimos, que nos obedeça.

Todas essas soluções vão depender sempre dos pais e das crianças. Ou existe uma solução certa para cada situação?

Não. Não existe uma fórmula mágica como dizia, depende sim da habilidades dos pais, da intuição, da empatia – a capacidade de entender os filhos – e da habilidade que tenham para usar a empatia, a comunicação, o reforço, os limites e as alternativas aos castigos ou as normas.

Muitos pais dizem: “O meu filho não me ouve”. Mas quando falam com eles estão a olhar para o telemóvel e do alto. O importante é que os pais saibam que para falarem com os seus filhos se têm de baixar, têm de os olhar nos olhos e, preferencialmente, tocar-lhes – para terem a sua atenção. A criança tem de saber que estamos a falar a sério. Se peço à criança que se vista, mas estou na cozinha e ele está no quarto, e o digo de forma tranquila, ela pode não entender. Mas se vou ao quarto e digo: “Olha, vais vestir isto”, a criança vai entender melhor.

Não há uma fórmula mágica, mas muitas pequenas fórmulas mágicas que ajudam a que tudo seja mais fácil.

E podemos dizer “Não”?

É preciso dizer “Não” muitas vezes, desde que são bebés. Os pais têm muito medo da frustração das crianças. Os pais dos bebés acham que estes nunca podem ficar frustrados, mas é o contrário. A criança precisa de abraços e beijos, mas também é importante que em alguns momentos a criança saiba esperar, entenda que a mãe tem de ir tomar banho, entenda que não pode gatinhar em alguns sítios porque tem vidros ou porque está sujo, saiba que tem de ficar quieto quando a mãe lhe troca a fralda. E isto é importante, são os primeiros limites, e a partir daí vão aparecendo muitos outros limites na vida de criança e na vida de adulto.

O que pensa Álvaro Bilbao sobre…

 

Quando as crianças não respeitam os limites os pais ou lhes batem ou os colocam de castigo, mas sei que tem algumas propostas de alternativas aos castigos. Que alternativas são essas?

Em primeiro lugar, é reforçar [positivamente] a criança quando se porta bem. Uma criança que desobedece quando vai tomar banho, possivelmente é uma criança cujos pais nunca lhe disseram que estavam muito contentes quando foi para o banho. Em segundo lugar, é preciso reforçar também quando a criança faz as coisas um pouco melhor. Se todos os dias a criança se irrita muito para ir para o banho e um dia fica menos irritada, os pais podem dizer-lhe: “Hoje chateaste-te menos, assim está bem”.

Isso custa-nos muito entender, mas nunca devemos deixar de reforçar a uma criança que está a melhorar o seu comportamento. Sobretudo com as crianças mais difíceis o que funciona é reforçar os progressos. Uma criança que berra, que não está atenta nas aulas, nunca vai ter um comportamento perfeito de um dia para o outro, mas se o reforçarmos vai mudando.

Temos de arranjar uma forma de impor limites e de motivar a conduta da criança. E se mesmo assim a criança não obedece, temos de ver se o reforçamos pelo que fez de melhor ou se lhe aplicamos alguma consequência – mas que seja feita em forma de norma. A consequência mais natural é a reparação do que fez mal: se partiu um copo tem de apanhar os cacos, se uma criança bate noutra tem de pedir desculpas, e isto é mínimo. Quando fazemos isto, as crianças aprendem que os copos não se atiram para o chão e aprendem que não se bate às outras crianças. Mas se nos zangamos muito, se o castigamos e a criança não pede desculpa ou se pede desculpas só porque foi castigado, então a criança não aprende bem.

Uma das alturas difíceis e em que as crianças testam os limites é na hora de ir dormir. Existe uma hora certa para ir dormir? Como é que os pais podem pôr uma criança a dormir quando ela não quer?

Não creio que seja tão importante uma hora concreta no relógio como uma rotina: jantar, lavar os dentes, ler um conto, estar na cama, dar um beijo e dizer adeus. E então apagar a luz e acabou-se.

Mas às vezes é preciso ser muito compreensivo. Há alturas em que as crianças precisam dos pais, por exemplo, por volta dos cinco ou seis anos aparecem os terrores e os medos noturnos, como o medo do escuro ou dos monstros, nesses momentos pode ser importante estar com a criança. Noutros momentos as crianças só querem brincar e brincar e temos de dizer-lhes que não. Portanto é importante saber quando é ‘Sim’ e quando é ‘Não’, mas sempre com empatia, para que se sinta querido, mas conseguindo respeitar certos limites.

Se uma criança diz: “Mamã, tenho medo porque acho que está um monstro no armário” e se respondemos: “Cala-te e dorme”, não estamos a ser empáticos. Agora, se ele quer brincar, aí podemos pará-lo e dizer-lhe: “Não. Agora é hora de ir dormir”. Eu utilizo três regras muito simples: apagar a luz, não se pode falar e não se pode sair. Temos de ficar no quarto e se eles acenderem a luz apagamo-la, e se eles falarem dizemos: “Ssshhh! Calados”, e se se levantam da cama, voltamos a deitá-los.

Já falou muitas vezes da empatia. Como é que os pais podem ter um comportamento mais empático quando a criança está a fazer uma birra por causa de um chupa-chupa, por exemplo?

Quando uma criança faz uma birra é porque está a expressar uma frustração de um desejo e a criança não se consegue acalmar sozinha, o seu cérebro não tem a capacidade para se acalmar sozinha. Então podemos fazer coisas que não ajudam, como ficarmos zangados com a criança ou fazê-los sentir vergonha – dizendo que as pessoas estão a olhar ou que o irmão não faz as mesmas birras que ele -, mas isto só faz com que a birra seja cada vez maior.

As coisas que podemos fazer para ajudar: em primeiro lugar, usar a empatia, porque isso ajuda a acalmar o cérebro, a parte emocional; em segundo lugar, podemos ajudá-lo a ser flexível, pensar noutras coisas de que também gosta e coisas que pode fazer quando chegar a casa, e noutro dia pode escolher um prémio distinto se se portar bem; e em último lugar, se a criança quiser e estiver um pouco mais calma, podemos abraçá-lo.

Mas uma coisa que pode ajudar a muitos pais é que eles não têm de acalmar as birras dos seus filhos – é uma coisa tão natural como fazer xixi na fralda quando têm seis meses ou não conseguir falar quando têm um ano. Portanto, é normal. Podemos ajudar um pouco. Não ralharia com o meu filho se fizesse xixi na fralda com seis meses de vida – porque não tem sentido -, portanto também não vou ralhar com a criança que fica irritada. Mais, uma criança que faz uma birra está a passar por uma fase de falta de controlo e se também perdermos o controlo, não lhes vamos ensinar nada que lhes seja útil.

Falou em abraçar depois de uma birra. É bom para as crianças que os pais lhes deem abraços e colo depois de uma birra? Às vezes os pais também estão muito zangados.

Sim, porque quando a criança está com os pais e os abraça produz oxitocina, que faz com que a criança se sinta mais tranquila, que se sinta mais unida, mas também ajudamos a que a criança se acalme – quando está mais tranquilo tem a recompensa do abraço que o ajuda a sentir bem. Nesse sentido acho que é bom.

Não seria bom abraçá-lo quando está zangado, nem tão pouco comprar-lhe o que quer para que não fique assim, porque estaríamos a reforçar o estado zangado. Quando estiver calmo, estaremos a reforçar a calma.

Há uma situação que pode levar as crianças a terem comportamentos diferentes, como quando os pais estão separados ou quando passam muito tempo com os avós. As crianças lidam bem com isto, conseguem aprender facilmente os comportamentos que devem ter com cada um?

Sim. Aprendemos muito em função das pessoas e dos lugares. É mais fácil para uma criança aprender que em casa dos avós, com os avós, pode comer bolachas sempre que queira, e que na sua casa não é assim, do que entender que o pai um dia deixa comer e no outro dia não – isso é mais difícil de entender para as crianças. É muito bom que as crianças vivam diferentes realidades, conheçam pessoas diferentes, porque os faz adaptar melhor a situações distintas. As crianças que têm de se adaptar à casa dos avós, à casa do pai e à casa da mãe, adaptam-se melhor – é uma competência que se desenvolve por necessidade.

Além das birras, atualmente há outro problema que preocupa os pais, como o défice de atenção, mas no livro refere que existe um sobrediagnóstico dos problemas cognitivos das crianças.

Na nossa sociedade, 10% das crianças tomam medicação para o défice de atenção, mas somente 4%, no máximo, terão na realidade esse problema. Isto acontece porque os pais têm menos paciência com as crianças que não se portam bem, as escolas têm menos paciência com as crianças que não se portam bem, as crianças aprendem com os pais e com os professores a serem menos pacientes e, portanto, têm mais problemas de atenção. As escolas não querem crianças com tantos problemas e por isso pedem aos pais e professores que resolvam o problema e, com tudo isto, diagnostica-se mais e se dá-se mais medicação – o que não é bom.

E isto acontece em todos os países ocidentais. Em todos os que há estudos aparece esta tendência de diagnosticar mais do que o necessário. Estamos a medicar crianças que não precisam e isso não é bom para o cérebro.

Para não encher as crianças de medicamentos é importante que estas tenham bons hábitos de sono, que tenham uma alimentação saudável – sem corantes, conservantes e aditivos -, também é importante que façam exercício, que vão para a rua brincar depois da escola, em vez de irem para as atividades extracurriculares e que os ajudemos a ter paciência e autocontrolo. E, por último, que passem menos tempo com os telemóveis na mão.

Um capítulo dedicado às melhores aplicações para crianças antes dos seis anos que se resume a uma citação de Bill Gates e a uma nota de rodapé do autor: "Não encontrei nenhuma que seja útil"

Um capítulo dedicado às melhores aplicações para crianças antes dos seis anos que se resume a uma citação de Bill Gates e a uma nota de rodapé do autor: “Não encontrei nenhuma que seja útil”

Há pais que não têm tempo e que optam pelas tecnologias para entreter os filhos, mas há pais que ficam muito obcecados com todos os pormenores da educação da criança. Que conselhos daria a estes pais?

Todas as crianças têm direito a ter pais imperfeitos e a viver uma vida sem stress. Porque se um pai é perfeito e se faz tudo bem, então a criança vai sofrer de hiperexigência. Não há pais perfeitos. O melhor pai é o pai normal, que ensina ao filho as coisas boas, mas que também demonstra os seus defeitos, e que tenta ajudar o seu filho. Não podemos controlar tudo, e muito menos no que diz respeito aos filhos. Cada um fará o melhor que pode.

Texto de Vera Novais, fotografia de Hugo Amaral.

 

5 sinais de que o seu filho é um pequeno ditador

Fevereiro 21, 2016 às 6:36 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Observador de 10 de fevereiro de 2016.

daniel jedzura istock

Falámos com o autor da obra “O Pequeno Ditador Cresceu” para saber quais as características das crianças que podem vir a ser tiranas. Caso se reveja, no fim há conselhos para ajudar pais e filhos.

Ana Cristina Marques

O recém-chegado livro O Pequeno Ditador Cresceu é uma espécie de sequela da obra O Pequeno Ditador, o mesmo que em 2007 chegou ao mercado para vender 33 mil exemplares, só em Portugal, e abrir os olhos a tantos pais que estavam a educar os filhos com demasiada permissividade. Dez anos depois, os pequenos tiranos cresceram em altura e peso: a nova obra do psicólogo Javier Urra vem mostrar uma realidade pouco feliz que envolve situações de violência filiar.

Já antes o pedagogo espanhol disse à agência de notícias Lusa que tanto em Portugal como em Espanha existem casos de filhos capazes de maltratar mães e pais — admitiu até estarmos perante uma pandemia. Ao que parece, o problema está no facto de ser muito fácil e cómodo aprender a ser-se ditador quando os pais aceitam passar por escravos.

Por esse motivo, o Observador falou com Javier Urra de modo a conseguir identificar as características de uma criança tirana a tempo de evitar que esta recorra à violência verbal ou física para fazer valer o seu ponto de vista. Os sinais de alerta seguem abaixo.

Tudo gira à volta deles

Falamos de crianças com mais direitos do que deveres e que tendem a viver numa sociedade onde tudo gira à sua volta. Em causa está um padrão de educação muito permissivo que se distancia por completo daquele de gerações anteriores, em que os pais eram tidos como figuras de autoridade. Para apontar as possíveis consequências dessa mudança, Javier Urra fala de uma sociedade democratizada onde os papéis do homem e da mulher têm vindo a alterar-se e os filhos já não são encarados enquanto posse dos pais.

“O excesso de preocupação dos pais em relação aos filhos é um problema. Cerca de 40% dos pais e mães espanhóis não sabem como agir com os filhos. Cerca de 8% são agredidos pelos filhos, os filhos não entendem a relação edipiana com as mães. A mãe ensina que o mais importante da casa é o filho e não o casal e isso é um erro. A criança é apenas mais um.”

O Pequeno Ditador Cresceu, página 59

Têm demasiada liberdade

Para Javier Urra a infância está demasiado reduzida, no sentido em que os mais novos, por critério dos próprios pais, já podem optar e decidir sobre determinados assuntos. Não é por acaso que, no que toca a crianças tiranas, estas conseguem que a vida familiar seja organizada em sua função. Dito isto, Urra enfatiza que a liberdade deve ser dada com uma boa dose de limites à mistura e admite que as famílias tendem a tratar os filhos como tesouros de palmo e meio, razão pela qual deixa uma ressalva: “Nós, pais, não somos escravos dos nossos filhos. Somos pais e temos os mesmos direitos que têm os filhos.”

“Uma sociedade permissiva que educa os filhos nos seus direitos e não nos seus deveres produz filhos tiranos. Introduziu de forma equívoca o lema ‘não pôr limites’ e ‘deixar fazer’, abortando uma correta maturação. Para ‘não traumatizar’ fazem cedências, permitem-lhes e oferecem-lhes tudo. Existe hoje em dia uma falta total de autoridade dos pais em relação aos filhos.”

Fazem birras intencionais

Tudo começa muito cedo e as birras podem servir de diagnóstico para os pequenos (grandes) ditadores — são disso exemplo os momentos em que uma criança faz uma fita desesperante e, como consequência, os pais cedem aos seus pedidos. Mas uma coisa é o capricho, esclarece o psicólogo, outra é uma situação que provoca ira e cólera numa criança. Javier Urra assegura que os mais novos são capazes de chantagear com o carinho e com recurso à birra.

“O seu comportamento colérico, para lá da simples convulsão, faz temer uma adolescência conflituosa e talvez contribua para aumentar um problema social sério: a violência juvenil.”

O Pequeno Ditador Cresceu, página 56.

Mas porque é que a fita está no começo de tudo? Porque depois dela vem o pontapé que muitas vezes é menosprezado pelos pais. Sobre isto o psicólogo e pedagogo faz questão de lembrar que o que hoje é um pontapé “inofensivo” — porque a criança ainda é pequena –, amanhã poderá ter outras proporções e consequências. A isso seguem-se ainda os insultos, a humilhação e, em algumas circunstâncias, a violência física. E, garante Urra, é sempre a mãe quem sofre em primeiro lugar.

Dão ordens aos pais e são insensíveis

Os pequenos tiranos costumam ser filhos únicos ou, então, têm irmãos que já abandonaram o lar. Mas há mais: são crianças caprichosas, que não conhecem limites e até dão ordens aos pais e chantageiam todos aqueles que se metem no seu caminho. Além de quererem ainda ser constantemente o centro das atenções, são desobedientes e apresentam uma grande insensibilidade emocional.

Não sabem aceitar a frustração

À partida são crianças que desde cedo não sabem ouvir a palavra “não”, o que ajuda a explicar que tenham dificuldades em lidar com a frustração e em desenvolver sentimentos de culpa. São ainda muito paranoicas ou sensíveis a tudo o que possa parecer ou soar contra a sua pessoa ou que lhes possa causar dano. Num mesmo sentido há outras caraterísticas a registar: por norma são egoístas, narcisistas e até hedonistas.

“Há que ensinar os filhos a aceitar as situações que nos incomodam e desgostam, a conviver com alguns fracassos. O êxito é efémero. A felicidade completa não se pode atingir. (…) Aceitar e enfrentar frustrações forja uma personalidade mais sã, equilibrada e madura.”

O Pequeno Ditador Cresceu, página 147

Tenho um filho tirano, o que posso fazer?

Tal como o autor disse em entrevista ao Observador, o livro em questão foi escrito para prevenir que uma criança se torne numa pequena ditadora. Quer isto dizer que, caso o filho adolescente já manifeste os comportamentos acima assinalados, o melhor será consultar a ajuda de um profissional. No entanto, até aí chegar há alguns conselhos a registar, tendo sempre em conta que os três primeiros anos de vida são fundamentais na aprendizagem e nos ensinamentos de cada criança, os quais têm o poder de moldar a respetiva personalidade.

Eis algumas normas básicas de disciplina para os mais novos, retiradas da obra de Javier Urra:

  • Obedecer aos pais;
  • Não bater (aos pais, irmãos, amigos);
  • Não mentir;
  • Não responder com maus modos;
  • Não gritar quando se zanga;
  • Não interromper os mais velhos quando estão a falar;
  • Não partir ou estragar coisas da casa e da escola;
  • Não tirar coisas aos irmãos e/ou amigos;
  • Respeitar os horários para almoçar, jantar, estudar, brincar e ir para a cama;
  • Não ameaçar os pais que vai fugir de casa.

E para que uma ordem ou instrução seja eficaz…

  • Dê apenas uma instrução de cada vez, não repita ordens mil vezes;
  • É mais eficaz dar uma ordem de maneira consecutiva do que tentar impor várias ao mesmo tempo;
  • Dê oportunidades de obedecer mediante avisos e lembretes;
  • Elogie a obediência e estabeleça consequências para a desobediência. Se a criança sabe que uma atitude ou ação concreta implica sanção e a comete, que esta seja cumprida.

Proponha uma correção, sugira uma pista: acmarques@observador.pt

 

 

 

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