Pais que “mimam” os filhos estão a criar uma geração de adultos deslocados e incapazes de lidar com frustração

Fevereiro 15, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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À mesa do restaurante, o João faz uma fita a exigir o telemóvel da mãe para se distrair durante o almoço. A Maria atira-se para o chão da loja de brinquedos porque quer que o pai lhe compre aquela boneca, agora. E, sentado no sofá de casa, o Pedro irrita-se com os pais porque quer uma resposta urgente sobre poder ou não ir à festa dos amigos no sábado à noite. Todos eles, independentemente da idade, têm algo em comum: vão tornar-se adultos “mimados”, incapazes de lidar com as frustrações do mundo.

A culpa do destino destes três, João, Maria e Pedro, é do imediatismo que rege as relações atualmente. Temos, enquanto pais, dito muitos “sim” aos filhos quando na verdade, o ideal seria dizer mais “não sei” ou “vou pensar”. Como explica a psicóloga e educadora Rosely Sayão, essa atitude traz como maior prejuízo uma alienação em relação à realidade.

— O adulto que tem o culto do imediatismo, em vez de ser uma pessoa controlada, tem dificuldade em aceitar as situações e inserir-se no mundo.

Pressionados a responder às demandas dos filhos imediatamente, os pais acabam por soltar as respostas impensadas, e a consequência, na visão da coach de vida e carreira Ana Raia, é a criação de jovens pouco preparados para lidar com a vida.

Os pais atualmente não aguentam não ceder ao imediatismo. No passados os pais permitiam-se em deixar os filhos insatisfeitos por muito tempo. Hoje em dia, com o stress, acabam por ceder à pressão rapidamente, criando assim um dos maiores desafios na educação das crianças e jovens: o imediatismo.

Ana Raia acredita que a tecnologia contribui para o imediatismo, uma vez que, ao toque de um dedo no ecrã, a resposta para qualquer pergunta ou busca de informação podem ser obtidas em pouquíssimos segundos. Temos o mundo dentro de nossa casa, dentro da nossa carteira, dos nossos bolsos.

Não conseguimos sustentar uma dúvida por muito tempo, um incómodo, uma pulga atrás da orelha. Não sabemos lidar com um mal-estar num mundo onde a felicidade é imperativa.

E a dúvida, explica Rosely Sayão, é preciosa, assim como a espera e o pensamento porque ajudam a criança a crescer e a amadurecer. Crianças que não têm momentos de “mente vazia”, por exemplo, poderão sofrer graves consequências na vida adulta.

Alguém que está sempre entretido terá para sempre a necessidade de entretenimento constante, alerta o médico Daniel Becker, criador do projeto Pediatria Integral. Defende que, para ser criativo, o cérebro humano precisa da criatividade.

— São necessários momentos de engajamento externo e momentos  de ócio em estado de contemplação. Quando uma criança tem o seu tempo completamente controlado com atividades como escola, inglês, natação, Facebook, Instagram, WhatsApp, etc, acaba por ficar incapacitada de desenvolver processos interiores profundos e importantes.

Becker acrescenta que crianças que não interagem com os seus pares ou mesmo com adultos porque passam o dia com gadgets na mão, desenvolverão menos a inteligência emocional, a empatia e a capacidade de comunicação quando crescerem.

Se este não fosse já um bom argumento, ainda haveria a opinião de outros especialistas, que encaram o hábito dos pais entregarem telemóveis e tablets às crianças, como algo benéfico apenas para os adultos.

Na opinião de Rosely Sayão, dar um gadget à criança em momentos onde seria suposto sociabilizar com a família e os amigos, não é um carinho, mas sim, um comodismo.

— O telemóvel e o tablet nestas situações têm a função do “fica sossegado”, e nada mais.

Mas, então, o que devemos fazer quando estamos a almoçar com amigos ou em família, e os miúdos não param de chatear para irmos embora?

O pediatra Daniel Becker diz que:

“As pessoas esquecem-se que as crianças sabem conversar e que podem fazer pequenas conversas. Mesmo as mais pequenas têm esta capacidade de compreensão. Basta dizer ao filho que, nos momentos em que estiverem a conversar em família, ele não terá o tablet, mas que, quando os pais estiverem a falar só com os seus amigos, ele poderá jogar por 15 minutos. Assim, alcança-se um equilíbrio.

Soluções como esta são recursos para que os pais lidem não só com o imediatismo das crianças, mas também o deles que, de forma não intencional pode servir de exemplo negativo aos filhos, que acabam por copiar as atitudes da família.

Para o pediatra presidente do Congresso Brasileiro de Urgências e Emergências Pediátricas, Hany Simon, a ansiedade e a angústia na adolescência e na vida adulta podem ser resultados do imediatismo paterno presenciado na infância. E, como reforça Rosely Sayão, viver de forma “urgente” só traz impactos emocionais negativos nas crianças.

— Somos escravos do imediato desde que nascemos. Choramos para mostrar rapidamente que estamos vivos, somos atendidos e temos as nossas necessidades básicas saciadas. Com isto, vem também uma sensação de prazer, que vamos desejar para sempre. No entanto, não é o princípio do prazer que vai reger a nossa vida mas sim o princípio da realidade. O papel dos pais é mostrar aos filhos a realidade do mundo.

imagem@umcomo.com

Publicado em R7, adapatado por Up To Kids®

 

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Niños narcisitas: epílogo de la malcriadez

Dezembro 25, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://www.psyciencia.com/ de 31 de maio de 2017.

Por Rita Arosemena P.

Malcriar a un niño en tiempos modernos se ha convertido en una tarea exageradamente fácil.

Para la psicóloga María Jesús Álava Reyes, muchos padres han caído en la trampa de aquel viejo estilo de crianza disfuncional según el cual a los niños hay que darles todo lo que pidan porque, sino, no se les quiere.

Con mayor frecuencia de lo que pensamos, un par de adultos ya formados termina convirtiéndose en esclavo de infantes menores de dos años y, lo que es peor, con el paso de los años, el niño resulta convertirse en esclavo de sí mismo. De sus demandas, de sus miedos, de sus expectativas irracionales y de su propia agresividad.

Consentir demasiado a los niños no los convierte en personas más decentes o sanas, de hecho, les genera más daño que beneficio en tanto hace de ellos individuos incapaces de lidiar con la frustración o manejar adecuadamente sus emociones. Los niños que ven satisfechas todas sus exigencias terminan por desconocer el significado de una negativa y aprenden a medir las consecuencias de sus actos únicamente en términos de “alcance de objetivos”.

El niño aprende que: “Si una pataleta hace que mamá o papá me den lo que quiero, entonces está bien que haga una pataleta”, una conducta que los padres refuerzan incluso sin darse cuenta al momento de ceder inmediatamente ante las exigencias de sus hijos.

La apoteosis de la malcriadez, desafortunadamente, no deriva en un efecto inmediato de corta duración sino en toda una cadena de comportamientos disfuncionales a escala colectiva. Los niños excesivamente consentidos de hoy pasan a ser los adultos narcisistas de mañana y de pronto un individuo común se descubre víctima de las demandas irracionales de otro que parece no darse cuenta de que su forma de ver el mundo y desenvolverse en sus relaciones interpersonales es denigrante para los demás.

Pero ¿cómo ocurre la transformación de un niño común en un niño narcisita?

Trastorno Narcisista: cómo surge y por qué

El Trastorno Narciscista puede durar años o toda la vida y, aunque la causa exacta no se conoce, se presume que implica una serie de factores tanto ambientales como genéticos.

Las personas narcisista se caracterizan principalmente por exhibir una necesidad exagerada de admiración, indiferencia con respecto a los sentimientos de los otros, intolerancia a la crítica y una percepción subjetiva de que los demás están en deuda con ellos.

Para la psicóloga Elinor Greenberg, los factores ambientales que actúan como marcadores para el desarrollo del Trastorno Narcicista comienzan a actuar desde la infancia impulsados por el hecho de que todos los niños buscan atención y aprobación por parte de sus padres, lo cual puede llevar a la creación de escenarios en los cuales una conducta narcisista se convierte en algo natural.

Los escenarios que describe Greenberg son:

Escenario 1: Valores parentales narcisistas

En esta situación, el niño es criado en una familia que es muy competitiva y sólo recompensa logros altos. Uno o ambos padres son narcisistas exhibicionistas. El lema de la familia es: “Si no puedes ser el mejor, ¿para qué lo intentas?”

El amor es condicional. Si ganas un partido de fútbol o la feria de ciencias, o eres estrella en el espectáculo de la escuela, entonces te rodea la alabanza y la atención

Pero si no lo haces, eres una decepción para tus padres. Todo el mundo en la familia se supone que es especial y lo prueban una y otra vez; no importa cuánto logres, la presión nunca termina.

Los niños de estas familias no se sienten amados de forma estable. Es difícil para ellos disfrutar de cualquier cosa si no confiere una condición de estatus. En lugar de ser apoyados por sus padres para explorar lo que les gusta, sólo reciben apoyo para alcanzar logros altos. Sus padres no están interesados ​​en el “yo real” de sus hijos, sino en cómo pueden hacer que la familia se vea bien para poder presumir a sus vecinos: “¡Mira lo que hizo mi hijo!”

Los niños que crecen en hogares como éste sólo se sienten seguros y valiosos cuando son exitosos y reconocidos como los “mejores”. El amor condicional de su niñez y la evaluación excesiva del alto estatus y el éxito en su hogar pone en marcha un patrón que puede durar toda la vida y según el cual deben perseguir el éxito y confundirlo con la felicidad.

Escenario 2: La Devaluación del Padre Narcisista

En este escenario hay un padre muy dominante y devaluador que siempre está presionando al niño. El padre es generalmente irritable y tiene expectativas irracionalmente altas. Si hay dos o más hijos, el padre alaba uno y menosprecia a los demás. El “bueno” puede convertirse rápidamente en el “malo” y de repente un hermano diferente se convierte en el mejor hijo. Nadie en la familia se siente seguro y todos pasan su tiempo tratando de pacificar al explosivo padre narcisista.

La madre o el padre acompañante es tratado a menudo exactamente igual que el resto de sus hijos. Cuando él o ella no está de acuerdo con el padre narcisista, también son devaluados.

Los niños que crecen en estos hogares acumulan resentimiento y humillación. Es probable que reaccionen a este estilo de crianza de distintas maneras:

Una depresión autoagresiva basada en la vergüenza

Una rebeldía que busca demostrar que sus padres estaban equivocados

Un sentimiento de ira permanente que hace de ellos individuos narcisistas y tóxicos que sienten alivio destruyendo la vida de los demás. 

Escenario 3: “El niño de oro”

Estos padres suelen ser narcisistas introvertidos que se sienten incómodos siendo el centro de atención. En cambio, se jactan de su hijo talentoso. A menudo, el niño es habilidoso y merece elogios, pero estos padres a veces lo llevan al extremo de la ridiculez convirtiendo a sus hijos en el objeto de una idealización excesiva, la imagen de un niño impecable y especial que termina haciendo de él un individuo narcicista en el futuro.

De acuerdo con Greenberg, esto crea niños narcisistas porque “todo el mundo quiere ser amado incondicionalmente”“si los niños creen que sus padres sólo los valoran porque son especiales, esto puede contribuir a una inseguridad subyacente”

Con el tiempo, la forma que los niños adoptan para combatir esta inseguridad es una visión desequilibrada del yo. El niño comienza a percibir cualquier defecto como algo inaceptable y, no solo persiguen desesperadamente el perfeccionismo, sino que también luchan por conservar su rol de “Niños de Oro”.

Cuando no reciben elogios por parte de los demás, se sienten insatisfechos y agobiados porque piensan que están haciendo algo mal, que decepcionan a su familia.

Escenario 4: El admirador del exhibicionista

Algunos niños crecen en hogares donde hay un padre narcisista exhibicionista que los recompensa con elogios y atención mientras que los admiren y permanezcan subordinados a él. A estos niños se les enseñan valores narcisistas, pero se les cohíbe a la hora de aprender a recibir elogios desinteresados por parte de los demás. En lugar de esto, se les inculca que su papel en la familia es adorar sin crítica la grandeza del padre narcisista, sin intentar nunca igualar o superar los logros de este.

En la edad adulta, estos niños se sienten incómodos siendo el centro de atención así que pasan a ser narcisitas introvertidos o encubiertos. Sus problemas de narcisismo y autoestima son menos evidentes para cualquiera que no los conozca bien. Algunos se adaptan a este papel muy bien y llevan vidas productivas en un trabajo que implica el apoyo a un narcisista exhibicionista de alto rendimiento que ellos admiran y que viene a representar la figura del padre.

Para Greenberg, lo más triste de la crianza disfuncional que deriva en niños y adultos narcisistas es que deriva de ambientes domésticos donde esta parece ser la única opción posible, donde convertirse en narcicista es “la única solución sana”.

Fuente: Psychology Today

 

 

 

O seu filho faz “birras” à refeição?

Dezembro 18, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Pais & Filhos

Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 3 de novembro de 2017.

Escrito por Paula Beirão Valente

o segundo ano de vida do bebé a velocidade de crescimento é menor, mas a atividade física aumenta. Esse é o período ideal para aceitar novos alimentos e novos sabores, que serão mais difíceis de introduzir mais tarde. Por norma, a partir dos três anos, a “janela de oportunidade” fecha com a redução do apetite, causando, com frequência, preocupação aos pais.

É a altura em que apresentam o que costumamos chamar de neofobia, isto é, relutância em consumir alimentos que não conheçam. Nesta altura, desenvolvem “cortes alimentares”, recusando alimentos que antes aceitavam ou pedindo um alimento particular em cada refeição. Esta situação tende a ser temporária e os pais acabarão por controlar, não apenas a alimentação da criança, como também eventuais comportamentos impróprios. É importante saber que nem a abordagem de controlo rígido, nem a abordagem passiva têm sucesso.

Os pais e os cuidadores da criança deverão preparar um leque variado de alimentos, evitar os que forem recusados ou confecioná-los de modo diferente para terem outro sabor ou apresentação, em último caso poderão, ainda, ser substituídos por outros do mesmo grupo da roda dos alimentos.

Aconselho a inclusão da criança na preparação da refeição, fazendo com que ela sinta que foi a responsável pela escolha dos alimentos e elogiando o prato durante o seu consumo. Desse modo, baixamos a probabilidade de rejeição da refeição. Uma vez que são necessárias várias tentativas para que o paladar da criança se adapte aos “novos” alimentos, poderá persuadir o seu filho a provar o alimento, mesmo que não o ingira na sua totalidade. Com o tempo, a aceitação tende a aumentar. Por outro lado, se os filhos recusarem, por teimosia, a ingestão da mesma, deverão continuar sentados à mesa até ao fim da refeição. Acrescento, também, que não deverão ser compensados mais tarde com alimentos que gostem ou que peçam. Só assim pensarão duas vezes antes de repetirem o comportamento.

A falta de disponibilidade e de conhecimentos é um fator determinante na qualidade daquilo que os filhos comem e o papel da família na educação alimentar é inquestionável.

E se pesa pouco?

Em situações de baixo peso, as refeições intercalares tornam-se essenciais para suprir as necessidades energéticas da criança. Deste modo, aconselho um reforço destas com alimentos que sejam naturalmente aceites, tais como: pão (com fiambre de aves, queijo fresco, atum, ovo, bife de aves inteiro ou picado com alguns legumes e molhos com azeite como por exemplo, molho “pesto” ou molho de iogurte; cereais (ricos em fibra e com redução de açúcar), iogurtes, leite e fruta. Poderá misturá-los, tornando-os mais apelativos, como os batidos de fruta, de forma a tornar estas refeições menos monótonas e de ingestão mais rápida. Importa, que estes sejam cuidadosamente preparados para serem, simultaneamente, variados e ricos em nutrientes. Para estas crianças aconselha-se iniciar as refeições principais com o prato principal, deixando a sopa para o final, garantido a ingestão dos alimentos mais energéticos em primeiro lugar. Os alimentos com temperaturas extremas e odor forte tendem a ser também excluídos. Como tal, pratos como a sopa, indispensáveis nesta idade, deverão ser servidos mornos. Estudos revelaram também que o consumo de alimentos é diminuído quando a criança está cansada. Neste caso, um pequeno descanso prévio à refeição poderá ser eficaz.

 

E se a criança estiver fazendo… BIRRA?

Outubro 12, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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imagem retirada daqui

11 formas de acalmar uma criança zangada

Setembro 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 14 de setembro de 2017.

“Já tentei tudo e não consigo acalmar o meu filho quando está zangado!”, desabafou um pai desesperado, no final do workshop “Ganhar os miúdos versus Ganhar aos miúdos”, que dei no fim de semana passado.

Dei-lhe algumas sugestões e prometi que escreveria um artigo sobre o assunto, com dicas práticas para acalmar as crianças quando as palavras não funcionam. Aqui vai.

Cada criança é uma criança…

… e aquela solução que resulta com uma, pode não resultar com outra. E até pode resultar naquele momento mas não resultar no seguinte. Ou vice versa.

Se uma ideia não resulta, tente outra. Mas mantenha a primeira em aberto, pode sempre tentar usá-la novamente mais tarde. Em diferentes situações, as crianças podem responder de forma positiva a diferentes métodos.

Sem mais demoras, aqui ficam então as tais dicas práticas e para ajudar a acalmar os miúdos. Algumas poderão parecer-lhe desadequadas para um momento de conflito, mas sem tentar não vai saber se resultam ou não!

  1. Dê-lhe um abraço. Costumo fazê-lo com os meus filhos. Num momento de tensão, em que estão zangados, ponho os meus braços à volta deles e puxo-os para o meu colo, levemente. Dou-lhes um abraço apertado, mas não em demasia, deixando-os à vontade para me abraçarem de volta ou sairem dali se preferirem.
  2. Mude-lhe o foco. Resulta sobretudo com crianças mais pequenas. E passa por distrair, redirecionar o comportamento, com toda a calma, para algo de que a criança goste: um objeto, atividade, ou história, por exemplo. Mas cuidado para não transformar esta estratégia numa recompensa!
  3. Susurre-lhe. Segredar ao ouvido pode ajudar o seu filho a acalmar-se, por forma a que possa ouvir o que lhe quer dizer. Depois é preciso dar seguimento, empatizar, mostrar compreensão pelos sentimentos e procurar uma solução conjunta para resolver a situação.
  4. Cante e/ou dance! Seja criativa/o! Improvisar uma cantoria num momento de tensão vai surpreender a criança, que esperava uma reação diferente, provavelmente de censura ou ameaça de castigo. E pode ser suficiente para que ela troque o ar zangado por… um sorriso. O mesmo se passa com a dança, pode começar uma dança divertida e convidá-la para participar.
  5. Faça-lhe cócegas. Um clássico, que desmonta a birra de muitas crianças. Cá em casa resulta quase sempre com os meus filhos.
  6. Todos para o banho! Às vezes, um banho ou duche de água quente ou fria pode ajudar a acalmar a criança. E porque não tomarem banho juntos?
  7. Crie um ambiente. Difundir óleos essenciais pela casa, como Lavanda ou Camomila, ajuda a promover uma atmosfera calma, que pode ajudar ao “arrefecimento” da zanga.
  8. Seja paciente. Sente-se ao lado do seu filho e espere, simplesmente. Não diga nem faça nada. Deixe-o tentar encontrar o seu próprio modo de se acalmar. Tal como as anteriores, esta “técnica” não resulta em todos os casos, sobretudo naqueles em que a criança está mais alterada. Mas aqui fica à sua consideração. Afinal, não há quem seja maior especialista nos seus filhos do que você!
  9. Arranje-lhe um espaço seguro… para onde a criança possa ir acalmar-se. Assegure-se que não sairá do seu raio de ação e que está à vontade para voltar a si quando quiser.
  10. Leia-lhe uma história. Mesmo que a criança não se mostre disponível para ouvir ao início, escolha um local confortável e encorage-a a sentar-se consigo e a ouvir o que tem para contar.
  11. Faça-lhe uma massagem. Comece com um toque no ombro ou nos pés, para testar a recetividade. Uma massagem tranquila, com pouca pressão, pode ajudar a libertar a tensão acumulada na criança.

Estudo confirma que as crianças portam-se pior na presença das mães

Junho 24, 2017 às 11:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 22 de maio de 2017.

Um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade de Washington revelou que as crianças são 800% piores na presença das respetivas mães.

Em crianças com menos de dez anos, a percentagem sobe para  1.600%

Não era preciso um estudo para nos dar esta novidade mas é bom ter aparecido para termos a certeza que não somos nós que estamos a ficar malucas!

Quantas vezes deixamos os miúdos na cresce a chorar e a educadora diz que passados 5 minutos estavam óptimos? Ou vamos busca-los e conseguimos vê-los a brincar animadamente, até que dão pela nossa presença e está o caldo entornado?

Pois é, não estamos sozinhas.

O estudo da Universidade de Washington acompanhou 500 famílias e avaliou em cada uma delas comportamentos como birras, gritos, tentativas de bater nos pais, carência e atos de começar a falar à bebé (crianças que já falam corretamente)… E  descobriram que as crianças de até aos oito meses de idade ficavam a brincar felizes de vida até verem a sua mãe chegar: 99,9% desta crianças demonstraram ter propensão para o choro e precisar de atenção imediata. Mesmo no caso de uma criança invisual que, a partir do momento em que ouviu a voz da mãe, começou a atirar coisas, e a querer lanchar (muito embora tivesse acabado de comer).

Um bebé de oito meses ainda se sente parte de sua mãe, o vínculo é fortíssimo. O fato de essa criança chorar, atirar as coisas ou “chamar a atenção” ao ouvir o som de sua mãe, é uma tentativa de voltar para perto de si!

Depois dos 2 anos, ou ainda nos 3 anos – idade da formação da sua própria identidade – as crianças tendem a confrontar mais aqueles em que eles têm maior apego e vêem como porto seguro, os pais, na procura das sua própria personalidade ainda em formação e ainda não conhecida por completo por eles. É algo complexo!

Crianças portam-se pior na presença das mães

O estudo revelou ainda que, nada mais nada menos do que a totalidade destas crianças se revelaram mais sensíveis às instruções passadas num tom de voz normal se provenientes de alguém que não a sua mãe. Para receber resultados comportamentais semelhantes, as mulheres tiveram de falar num tom de voz muito alto, como se alguém tivesse a ser atacado por um animal feroz.

Paul Olsen, pai de três crianças e participante no estudo, ficou chocado com os resultados: “Eu nunca percebi porque é que a minha mulher nunca conseguia fazer nada quando estava com os miúdos: ela é literalmente o íman e a kriptonite deles. No entanto, comigo eles são totalmente diferentes.”

Artigo de momsnewdaily, adaptado para Up To Kids®

 

 

 

10 dicas para vencer as birras

Junho 6, 2017 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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As birras das crianças podem ser uma verdadeira dor de cabeça para pais e cuidadores.
Em situações mais graves as birras podem interferir significativamente no quotidiano de pais e filhos, visto que simples tarefas como ir ao supermercado podem ser uma tormenta!

É importante compreender o fenómeno das birras considerando o período desenvolvimentista em que as crianças estão. Entre os 2 e os 5 anos é expetável que surjam algumas birras, o que se justifica em grande parte pelas características cognitivas típicas destas idades. Nesta fase o pensamento das crianças é caracterizado por algum egocentrismo, isto é, tendem a perceber as situações apenas do seu ponto de vista e não se colocam no ponto de vista das outras pessoas, nomeadamente dos pais ou demais cuidadores. Experienciam a mesma dificuldade face à capacidade para anteciparem e compreenderem os sentimentos dos outros – leitura da mente. Desta forma, as crianças centram-se nos seus próprios interesses e negligenciam as regras impostas pelos adultos.

Assim, as birras fazem parte do processo de desenvolvimento e aprendizagem de uma criança, sendo necessário estabelecer regras e limites claros que permitam estruturar o seu quotidiano e compreender o mundo que as rodeia, bem como, ajudá-las a gerir o sentimento de frustração.

Implemente regras claras – Quando se dirige a um sítio público, apresente-lhe as consequências positivas e negativas decorrentes do seu comportamento. Antes de entrar numa loja, estabeleça contacto visual com o seu filho e exponha de forma clara o comportamento que espera e o que vai acontecer como resultado: “Quando entrarmos na loja, quero que fiques ao pé de mim. Não foges para lado nenhum. Se ficares ao pé de mim, divertimo-nos e depois tens uma recompensa. Se não ficares ao pé de mim, vais fazer uma pausa para o carro.” Confirme que o seu filho percebeu as instruções, fazendo-o repeti-las.

Dê apoio ao seu filho – Ao entrar num local público, comece imediatamente a comentar de modo positivo o comportamento do seu filho. “Obrigado por ficares ao pé de mim. Gostei muito.” Continue a reforçar a atitude do seu filho com frequência.

Seja firme – as birras das crianças podem ser muito poderosas e por diversos motivos os pais são tentados a ceder. Em lugares públicos os olhares dos outros são muitas vezes motivo de incómodo para os pais. Noutras situações de maior cansaço, ou indisponibilidade emocional para “lutar” contra as birras, a saída mais fácil parece ser mesmo ceder. Tente ser firme e consistente nas regras que implementou, caso contrário, a tendência será para que a criança tente sempre contornar as regras na esperança que os pais cedam às suas vontades.

Mantenha calma – pode ser muito difícil lidar com situações de birra e a calma nem sempre prevalece. É importante que não se exalte quando o seu filho faz uma birra e que lhe dê um exemplo adequado de como gerir emoções. Se queremos que a criança aprenda a lidar com a frustração e com as emoções de valência negativa, o adulto deverá constituir um modelo de comportamento.

Use a pausa, se necessário – Assim que o seu filho começar a violar as regras, pode pegar-lhe na mão com firmeza e levá-lo até ao carro (ou canto da loja) para uma pausa de cinco minutos.

Não preste atenção à birra– Na presença duma birra, o passo essencial é não satisfazer o pedido da criança. Se o fizer, estará a dizer à criança que o seu mau comportamento lhe oferece privilégios. Em vez disso, afaste-se da criança e ignore-a. Se não for capaz de tomar esta atitude, retire a criança do espaço em que se encontra. Leve-a para casa e coloque-a numa divisão da casa sem distrações, onde possa refletir acerca do seu mau comportamento. Não lhe dê atenção, nem procure dar nenhum sermão à criança nesta altura, pois o seu estado emocional de exaltação não o vai permitir.

Quando a birra terminar, converse com o seu filho – Explique-lhe com clareza que este tipo de comportamentos não leva a nada. Poderá aplicar um pequeno castigo, de acordo com a regra que havia estipulado. Não ameace, aplique o castigo! Seja consistente, se não o fizer, a criança poderá aproveitar-se desse facto para obter mais recompensas. Se decidir aplicar um castigo, faça-o imediatamente a seguir ao mau comportamento. Se deixar passar muito tempo, a criança deixará de associar o castigo a esse comportamento em concreto, pelo que o castigo deixará de ter o efeito pretendido.

Planeie de forma adequada a sua rotina – Para evitar confusões e brigas constantes, planeie a sua rotina, e evite levar o seu filho para locais onde se desestabilize frequentemente.

Esteja atenta ao comportamento do seu filho – se as birras não faziam parte do comportamento do seu filho e nota que têm vindo a surgir com mais frequência, esteja atenta! Tente perceber se algo mudou na sua rotina, no seu comportamento na escola ou noutros contextos. As birras poderão ser um reflexo de instabilidade emocional provocada por outras problemáticas.

Procure ajuda profissional – se as birras assumem presença constante no vosso quotidiano, a sua frequência e intensidade já ultrapassaram o que seria normativo em termos de desenvolvimento, até já utilizou diversas estratégias aqui apresentadas e não vê melhorias no comportamento do seu filho, o melhor será mesmo procurar aconselhamento junto de um profissional, nomeadamente de um psicólogo infantil, que o poderá ajudar a compreender as causas das birras, ajudá-lo a alcançar maior estabilidade emocional e capacidade de auto-controlo, ajudando também os pais a lidar mais eficazmente com este problema e a modificar possíveis fatores de manutenção do mesmo.

Artigo das Psicólogas Carla Pereira e Sandra Alves para uptokids.pt

“Dá mais trabalho ensinar um miúdo a comer do que dar-lhe um tablet”

Abril 3, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 20 de março de 2017.

Romana Borja-Santos

Filipa Sommerfeldt Fernandes garante que há truques simples para conseguir que as crianças apreciem a comida “sem fazer um circo”.

Chega a hora da refeição e começam os problemas e o choro. Colheres que entram à força na boca das crianças ou apenas com a ajuda de um repertório infinito de músicas, coreografias ou vídeos num tablet. O cenário parece-lhe familiar? “Comer deve ser um momento natural. Não é preciso fazer disso uma festa nem um cavalo de batalha”, diz Filipa Sommerfeldt Fernandes que é especialista em ritmos de sono. Nos últimos tempos, dedicou-se, contudo, a outro tema: como acabar com as guerras à mesa e incentivar as crianças a terem uma alimentação mais saudável e variada.

Nas várias consultas com os pais, a criadora da página “Sleepy Time — Especialista do Sono” foi-se apercebendo de que as birras à mesa — mais tarde ou mais cedo — são também um problema comum e começou a estudar o assunto para conseguir dar respostas com mais fundamento, sem ser apenas baseada na experiência com os dois filhos, de quatro anos e de um ano.

As suas ideias acabam de ser publicadas no livro Comer sem Birras (editora Manuscrito). Filipa Sommerfeldt Fernandes, de 35 anos, salvaguarda que não é médica nem nutricionista e, por isso, o manual não pretende dar sugestões de menus, mas sim explicar como tornar os momentos à mesa “num momento sem ansiedade”.

Há estratégias para várias idades, “desde a introdução da alimentação complementar, aos seis meses, até aos oito anos”.

“Normalmente as grandes questões de ficarem esquisitos dão-se a partir do ano e meio a dois anos, em que rejeitam mais as novidades”, explica ao PÚBLICO a autora, lembrando que, “no primeiro ano de vida, os bebés quase quadruplicam de peso e depois a necessidade calórica também abranda”.

O primeiro conselho passa por “descomplicar”. Filipa Sommerfeldt Fernandes, cuja formação de base é em comunicação, tendo após o nascimento do primeiro filho feito formações na área do sono e alimentação, considera que, por vezes, o problema está do lado da expectativa dos pais, que acreditam que “as crianças precisam de comer quantidades enormes e de deixar o prato vazio”.

Quanto tempo à mesa?

“É preciso avaliar o dia todo. Há miúdos que petiscam o dia inteiro bolachas, fruta, queijo e na hora da refeição não comem. Mas olhando para as 24 horas até comeram uma boa quantidade”, prossegue. Para quem está a começar a introdução da alimentação, recomenda que evitem a tentação de “fazer grandes circos” e que estabeleçam rotinas, apresentando desde cedo vários alimentos que toda a família come. Da mesma forma, alerta que também o tempo que se exige que uma criança fique sentada à mesa deve ser ajustado à idade. “Há pais que acham que as crianças devem aguentar mais de uma hora sentadas.”

O ideal, defende a autora, é que o momento da refeição seja vivido em família e de forma natural: não é preciso festejar porque a criança comeu tudo, mas também não vale a pena forçar nos dias em que não quer. “Mas se não quer comer então devemos esperar pela próxima refeição, para os miúdos perceberem que se não comerem naquele momento também não vão comer bolachinhas entretanto.”

Lembra, contudo, que os casos sistemáticos de rejeição a novas texturas devem ser conversados com os médicos de família, pediatras ou terapeutas da fala, para excluir alguns casos de doenças que podem reflectir-se numa “hipersensibilidade oral” da criança.

Quanto aos principais erros dos pais, considera que dão até demasiado tarde purés de legumes e de frutas às crianças, que acabam por não ter contacto com outras formas e texturas dos alimentos. “É normal que em algumas fases os miúdos sejam esquisitos em experimentar coisas novas, mas isso não significa que os pais devem deixar de apresentar novos alimentos. Quanto mais familiar um alimento for, mais facilmente será aceite pela criança.”

Depois, considera que há problemas transversais à sociedade e que acabam por ter repercussões em casa. “Somos pais com menos tempo e temos demasiadas solicitações externas. Acabamos por ter menos paciência e queremos apressar as crianças, porque queremos que comam bem e durmam cedo. Apressamos demasiado os nossos filhos e não lhes damos tempo. Dá muito mais trabalho ensinar um miúdo a comer do que dar-lhe um tablet para a mão para garantir que ele abre a boca”.

Explorar com as mãos

Entre algumas das sugestões, Filipa recomenda que desde cedo as crianças possam explorar alimentos com as próprias mãos. “Devemos colocá-los num prato e ter talheres por perto, porque eles aprendem por mímica. A hora da refeição é o único momento em que as crianças sentem que podem controlar e fechar a boca. Se os deixarmos também participar na escolha do que comem isso torna o momento mais natural.”

É também importante que os alimentos sejam oferecidos como se fossem iguais, sem haver a tentação dos pais dizerem que uma bolacha é melhor ou mais saborosa do que brócolos “ou que se comerem tudo têm direito a sobremesa”.

Para quem já vai tarde e está em fase de plenas birras, o passo número um sugerido passa por aquilo a que Filipa chama de “limpar o ar”. Ou seja, num período de aproximadamente uma semana não pressionar para comer e oferecer apenas o que as crianças gostam. Progressivamente, a ideia é oferecer o que elas gostam mas com formas de preparação diferentes e, então, começar a juntar aos poucos ingredientes novos ou menos amados.

O ideal, defende a especialista, é não dar demasiada atenção à reacção da criança nem estar sempre a perguntar se gostou ou não de algo. “O paladar educa-se. Antes, os miúdos comiam o que os crescidos comiam, que era o que havia em casa e tornava as coisas mais fáceis e naturais”, insiste, apesar de lembrar que é importante nas refeições em família ter cuidado com o sal e açúcar para os mais novos.

As oito principais dicas:

  • Comece por “limpar o ar” e retirar pressão do momento da refeição. Isto significa que não se deve enervar ou mostrar que se enerva com a forma como corre a refeição;
  • Dê um período de tréguas, em que oferece apenas o que a criança mais gosta de comer, variando na apresentação e texturas;
  • Continue a oferecer o que a criança gosta, mas misturando pouco a pouco alimentos novos e aqueles que sabe que antes rejeitava. Uma vez mais, não pressione e evite disfarçar os alimentos.
  • Dê o exemplo. Se comer pizzas, doces e refrigerantes ao pé dos seus filhos dificilmente eles vão querer peixe cozido com legumes;
  • Inclua as crianças na escolha e confecção das refeições;
  • Estabeleça rotinas e horários, assegurando-se de que a criança não está demasiado cansada quando come;
  • Não force a comer tudo o que está no prato nem pergunte a toda a hora se gostou;
  • Não use a comida como moeda de troca.

O que diz a Sociedade Portuguesa de Pediatria?

A pediatra Henedina Antunes, da Comissão de Nutrição e da Sociedade Portuguesa de Pediatria e da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica, não conhece o livro de Filipa Fernandes. Mas não tem dúvidas: as crianças devem explorar os alimentos com as mãos desde cedo. “Os pais têm a oportunidade de tocar nos alimentos quando os preparam. Já as crianças, quando comem, é natural que queiram ter contacto com a textura e não só com o sabor”, explica ao PÚBLICO esta especialista.

A também responsável do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga alerta, contudo, que “devem sempre ser oferecidas todas as gamas de alimentos”.

“Uma criança precisa de ter pelo menos 12 vezes contacto com um sabor para se habituar”, diz, “e o maior risco de obesidade surge nas crianças a quem só é apresentado o que gostam”.

 

 

 

Birras: três dicas para ajudar

Fevereiro 27, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 10 de fevereiro de 2017.

uptokis

As birras fazem parte do crescimento, hão-de existir sempre, e não havendo uma fórmula para as evitar na totalidade, há formas de lidar com as crianças ensinando-as a gerir melhor as emoções e a conseguir acalmar as suas próprias ansiedades.

Ficam três dicas simples que o vão ajudar:

1. Antecipar

Antecipar alguns momentos do dia-a-dia é fundamental para que tudo aconteça duma forma mais tranquila. Se vai a casa dos avós e tem de sair mais cedo explique-lhe o que vai acontecer de preferência antes de sair de casa. Planeie o dia para que o seu filho não seja apanhado de surpresa. Quanto mais as crianças tiverem o seu dia planeado, também elas gerem melhor o que sentem, caso contrário, vai estar a brincar com os primos e, de repente, os pais dizem: “vamos embora”. Para a criança é um atentado à diversão e gera-se um problema. No entanto, se já estiver preparada irá lidar melhor com o que sente e mesmo que faça uma birra, não sente que foi uma traição dos pais.

2. Olhos nos olhos

Quanto tempo consegue falar com o seu filho a olha-lo nos olhos? Sem as distrações do telemóvel, da televisão, da máquina da roupa ou o jantar para fazer? Criar o hábito de ter um espaço de conversa com o seu filho vai dar-vos uma oportunidade de se conhecerem melhor, de partilharem o que pensam e sentem e, acima de tudo, vai passar a mensagem ao seu filho de que se preocupa com ele. Quanto mais cedo na relação houver este espaço mais fácil será a comunicação entre os dois. Se a criança for muito pequena, esta conversa pode ser uma brincadeira com um simples brinquedo, de forma a que a atenção não seja exclusiva para o brinquedo mas sim para a relação entre os dois.

3. Atenção

Se o seu filho está a fazer uma birra porque quer um brinquedo, uma ida ao parque ou a casa dos avós, está a exigir atenção. A melhor forma de o fazer entender que não é possível satisfazer o seu desejo nessa altura é baixar-se, colocar-se ao nível dele, olhá-lo nos olhos e falar com um tom de voz calmo. Lembre-se que se responde com frustração ou impaciência vai gerar ainda mais frustração, pois o que o seu filho lhe está a dizer é “nunca olhas para mim, nunca queres saber de mim, só fazes o que tu queres”. Mantenha-se calmo e devolva-lhe aquilo que ele sente – “eu sei que estás chateado comigo porque queres ir ao parque, mas neste momento não vai ser mesmo possível porque tens de ir tomar banho e jantar”. Não prometa ir no dia seguinte porque os imprevistos acontecem e as crianças não se esquecem do que lhes foi prometido.

Este tema surge muitas vezes nas sessões de psicologia com os pais. As birras são uma situação recorrente nas famílias e de difíceis contornos quando já está instalada, provocando um desgaste emocional muito grande para todos. As birras são naturais, a não ser que se tornem muito repetitivas e persistentes. Nesse caso poderão ser um sintoma de que algo está a correr menos bem.

O mais importante é apostar na relação de confiança e partilha, garantir que os pais são o adulto na relação (muitos pais acabam por ceder às birras cabendo no fim o poder de decisão à criança), ter calma suficiente para lidar com os imprevistos, e incluir o seu filho nos planos preparando-o para a dinâmica dos vossos dias.

 

 

Como ajudar as crianças a desenvolverem ao máximo as suas capacidades?

Janeiro 16, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Álvaro Bilbao à http://activa.sapo.pt/ no dia 3 de janeiro de 2017.

activa

É mais simples do que parece. O neuropsicólogo Álvaro Bilbao falou-nos de avós, telemóveis, e da importância da generosidade.

Catarina Fonseca

O cérebro infantil tem um potencial enorme de desenvolvimento, mas basicamente… estamos a dar cabo dele. O neuropsicólogo Álvaro Bilbao é formado em Neuropsicologia pelo Hospital Johns Hopkins e pelo Kennedy Krieger Institute, nos Estados Unidos, e pelo Royal Hospital no Reino Unido, e tem passado os últimos anos a explicar aos pais como funciona a mente infantil (e o mundo em que estamos

De que precisa o cérebro de uma criança para se desenvolver?

Precisa de carinho, de limites e de muita conversa entre pais e filhos. Hoje somos demasiado protetores e somos demasiado perfeccionistas. Queremos crianças perfeitas, queremos ser pais perfeitos, e estamos a passar-lhes muito stresse.

Porquê essa exigência da perfeição?

Por um lado queremos filhos-troféu, que mostrem ao mundo como somos bons pais. Por outro lado, estamos numa sociedade muitíssimo competitiva e superficial, em que a imagem se torna mais importante que o interior. A imagem substituiu o currículo. O Instagram apresenta-nos pessoas de plasticina, e é isso que queremos. O curioso é que não é nada disto que torna uma criança feliz. Uma criança feliz sabe partilhar, aprendeu a ser optimista, tem pouco stresse e é alegre nas suas imperfeições.

Mas depois na prática não é isso que os pais valorizam mais…

Tem toda a razão. Por exemplo, o que os pais me dizem é que querem imenso que a criança seja generosa, altruísta e criativa, mas aquilo em que verdadeiramente se empenham na prática, no dia a dia, é em que tenha boas notas. Funcionamos na nossa família como numa empresa: o que interessa são os resultados. Por exemplo, em todas as salas de aula de todas as escolas há uma criança calada e infeliz, sentada no fundo da sala. Algum pai ou mãe diz ao filho: ‘Sabes aquele menino lá no fundo da sala, falaste com ele hoje? Vamos convidá-lo cá para casa?’ É importante que todas as pessoas estejam bem integradas nesta sociedade, e que se envolvam as crianças neste esforço.

Acha que isso está a mudar?

No outro dia recebi uma mãe que vivia com os pais e os filhos. Este ano mudou-se e faz 40km de carro para que os filhos frequentem um colégio Waldorf e tenham uma educação mais em contacto com a natureza. E eu perguntei-lhe, ‘Mas há alguma coisa mais natural que um avô? Prefere portanto que os seus filhos estejam mais em contacto com uma árvore do que com um avô?’ (risos) Não vemos vantagem competitiva num avô. Com uma família, uma criança aprende infinitamente mais do que com um computador. Quando uma criança sai com uma tia, com os primos, ativa a zona direita do cérebro, responsável pelas emoções. E aprende não apenas a compreender melhor as outras pessoas como a ser menos neurótica e a perceber-se melhor a si própria.

O que é uma criança neurótica?

São crianças hiperexigentes, que têm medo do fracasso porque os pais estão constantemente a elogiá-lo ou a criticá-lo. Queremos crianças que tenham bons resultados, sim, mas que sejam alegres. Queremos uma criança que goste de jogar futebol porque é divertido, não porque os pais acham que lhe vai fazer bem. A sociedade não ajuda. Dantes tínhamos bons alunos e alunos não tão bons. Hoje temos bons alunos, e hiper-ativos que tomam medicação.

Há crianças que não gostam de estudar?

Claro que há. Não é um drama nem um defeito, mas isso torna-se um problema para os pais e para os professores. Pode ter a ver com pequenos problemas de aprendizagem, pode ser que a criança tenha um carácter mais extrovertido e não goste de ficar sentada a estudar. Se ela é feliz, nada disto tem de ser um problema, nem vai comprometer o seu futuro, mas nós não aceitamos que haja crianças diferentes.

Matamos a criatividade às crianças?

Sim, e fazêmo-lo desde muito cedo. Para muitos neuropsicólogos, a criatividade é a atividade mais importante do cérebro. É ela que permite encontrar soluções para problemas. ‘A lógica permite-nos chegar do ponto A ao ponto B, a imaginação permite-lhes chegar a todo o lado’, dizia Einstein. Claro que se calhar para uma empresa não é importante que os trabalhadores sejam criativos. Mas depois na nossa vida pessoal caímos num estado de apatia que nos leva à depressão. Pensamos, tenho tudo o que sempre quis, faço o que tenho de fazer, mas não sou feliz… Também nós, adultos, precisamos de brincar, de criar, de nos divertirmos.

As crianças também precisam de limites?

Claro. Os pais dizem-me coisas como ‘consegui que o meu filho não brincasse mais com o meu telemóvel’. ‘E como conseguiu?’ ‘Disse-lhe que estava estragado’. (risos) Ora isto não é resolver nada… Se lhe disser ‘Não quero que o uses’, claro que a criança faz uma birra. E depois? Temos muito medo de ser assertivos, que as crianças se zanguem e façam uma cena.

Como acalmar uma birra?

Usando a empatia. Se lhe dissermos ‘As outras pessoas estão a olhar para ti’, ele vai ficar envergonhado, se o tentarmos controlar não vai funcionar, mas se lhe dissermos ‘Olha: eu sei que gostavas de brincar com o telemóvel, mas não é para a tua idade, queres brincar comigo a outra coisa?’ a criança vai tranquilizar-se. Mas aos pais assusta-os imenso as emoções, porque saem fora do seu controlo. Temos de ensinar às crianças que não é preciso ter medo das emoções, que não faz mal ficar zangado.Não faz mal não sermos perfeitos, não faz mal pedir desculpa quando erramos, dizer que não sabemos quando não sabemos. As crianças respeitam mais os pais que assumem os seus erros e que põem limites sem medo da sua ira.

Diz que os castigos não funcionam…

Não é que não funcionem: mas são a técnica menos eficaz para ensinar uma criança. Se uma criança bate noutra criança, é melhor castigá-la do que não fazer nada. Mas um castigo faz com que a criança se sinta mal e desgasta muito a relação entre pais e filhos. A criança faz as coisas mal não porque quer, mas porque não sabe. Portanto, ensine-lhe a fazer as coisas bem. Há coisas que funcionam muito melhor: os limites, as regras, ensinar a pedir desculpa, e principalmente o reforço: premiar quando a criança faz alguma coisa bem, em vez de castigá-la quando erra. Imagine que há um irmão que se pega sempre com outro. E se um dia não se pegam, pode dizer-se – ‘Fiquei muito contente porque hoje não brigaram. Que recompensa querem?’ Se os podemos castigar de vez em quando? Sim, quando não nos ocorre nada melhor. Mas por norma funciona melhor o reforço.

Afinal, que papel devem ter as novas tecnologias na vida das crianças?

As emoções trabalham com a parte direita do cérebro, e quando estamos com um ecrã, trabalhamos com a parte esquerda. Nos primeiros 2 anos de vida, recomendo zero ecrãs. Sabemos que as crianças que passam mais tempo agarradas aos iPads têm mais problemas, quer de comportamento quer de défice de atenção. Perdem-se muitas etapas imprescindíveis: a brincadeira livre, o brincar com as mãos, o contacto com a natureza. Uma criança tem um tipo de atenção mais lenta, que é o que lhe permite aprender as coisas, fixar-se nos detalhes, e um ecrã não lhe dá este tipo de aprendizagem. Depois chegam aos 6 anos e queixamo-nos de que não se concentram.

Quais as desvantagens dos ecrãs?

Hoje, as crianças não gostam tanto de fruta como há 200 anos ou em certos países de África, porque têm sabores mais ‘imediatos’. Da mesma maneira, uma criança habi- tuada a videojogos, que dão estímulos imediatos, quando chega à escola tudo aquilo lhe parece pouco estimulante, porque nada apita e nada vem em 78 cores. Portanto, as crianças estão cada vez mais viciadas em estímulos cada vez mais intensos. Têm satisfação imediata, têm tudo imediatamente e perdem assim capacidade para desejar, que implica espera, elaboração e imaginação. Estamos a roubar-lhes a capacidade de sonhar. Sabe aquele dia em que vamos de viagem? Toda a semana antes desse dia é de sonho e de antecipação. É isso que estamos a tirar-lhes.

Porque é importante saber esperar?

A capacidade que uma criança tem para esperar é o que melhor prediz a sua entrada na universidade anos depois. Porquê? Porque para ter boas notas a criança tem de esperar: tem de esperar que a professora fale, quando lê um livro tem de ser paciente para terminá-lo, quando faz um exame tem de ler tudo para ver se não cometeu erros. Claro que há outras coisas importantes, como a relação com os pais, por exemplo. Quer treinar o cérebro do seu filho? Habitue-o a esperar: esperar até que todos estejam sentados à mesa, que todos tenham acabado de comer para sair da mesa, para ter um brinquedo que quer. Ou então não fazer nada disto: dar-lhe um telemóvel para as mãos no pediatra para que esteja entretido e não chateie, passar–lhe o iPad enquanto está no carro. Assim lhe ensinamos que tem de estar sempre entretido.

Como pai, o que achou mais difícil com os seus próprios filhos?

Não os proteger demais e dar-lhes tempo para eles. Não os sufocar com a minha presença. Também tive dificuldade enquanto casal, em equilibrar a atenção que dávamos um ao outro com a atenção de que os filhos precisavam. Eu e a minha mulher só nos conhecíamos há um ano e meio quando fomos pais. Crescemos todos ao mesmo tempo. Outra aprendizagem foi perceber que a minha mulher, como mãe, protegia as crianças, enquanto eu as empurrava para desafios e perigos, e que ambos estávamos certos, porque tínhamos papéis diferentes.

 

 

 

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