5 sinais de depressão em crianças e adolescentes

Março 7, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do DN Life de 21 de fevereiro de 2019.

Diz a OMS que 30 por cento da população mundial (se não mais) irá sofrer de depressão ao longo da vida. Diversos estudos vão ainda mais longe e afirmam que os primeiros sintomas, em 50 por cento dos casos, surgem antes dos 18 anos. Razões mais do que válidas para ficarmos todos atentos.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Ler todo o texto no link:

https://life.dn.pt/comportamento/5-sinais-de-depressao-em-criancas-e-adolescentes/?fbclid=IwAR0Uh8MNqKeHWSaGRKN5RDFjz3GxTeMSiWtcDTAfikXREvmOXSbIeH00UKs2/

 

Os ecrãs são ou não inofensivos para a saúde dos mais novos?

Fevereiro 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Público de 21 de janeiro de 2019.

Especialistas dizem que os dispositivos electrónicos podem não ser a causa de doenças como a obesidade e depressão. Alguns pais mostram preocupações em relação ao uso dos aparelhos.

Mariana e Silva Pereira

O tempo que as crianças e jovens passam à frente dos ecrãs pode não ser tão mau como se pensa, mas é preciso ter cuidado. Quem o diz é Russel M. Viner, director do Colégio dos Pediatras britânico (Royal College of Paedriatics and Child Health), e a investigadora Neza Stiglic, num estudo publicado no início do ano pelo BMJ Journals.

A pesquisa – feita a partir da revisão de 13 trabalhos já publicados sobre a relação entre os dispositivos electrónicos e a saúde (peso e doenças respiratórias e cardíacas), saúde mental, exercício físico, dieta alimentar e sono em crianças e jovens dos 0 aos 18 anos – revelou uma ligação “moderada” entre o uso dos ecrãs e as crianças obesas ou com depressão. Também foram encontradas provas “moderadas” na relação entre o “tempo passado com dispositivos móveis” e “um maior gasto de energia, dietas inadequadas e má qualidade de vida”. Por isso, os autores propõem que se façam novos estudos, uma vez que nos últimos anos houve uma evolução enorme na utilização destes dispositivos.

Por cá, Ivone Patrão, psicóloga e investigadora do ISPA – Instituto Universitário, revela que na sua pesquisa encontra uma “clara relação entre a dependência online – nos rapazes dos videojogos e nas raparigas das redes sociais –, e as alterações no humor, no ritmo do sono, nas forma como se relacionam com os pares e com a família; o que depois se traduz em comportamentos de menor atenção, concentração, de maior irrequietude, ou até de prostração, face ao cansaço”.

A pesquisa de Russel M. Viner e a Neza Stiglic não conseguiu determinar se o uso dos aparelhos é a fonte da obesidade e depressão ou se as pessoas que sofrem destes problemas estão mais expostas a passar mais tempo em frente a um ecrã. Ivone Patrão diz que pode tratar-se de uma “comorbidade”. “Por vezes a criança ou o jovem já estavam, por exemplo deprimidos, e o estar online surge como uma estratégia de escape. Noutras situações, um hobbie passa a ocupar o dia-a-dia do jovem, que desiste de outras actividades para estar cada vez mais tempo online e para sentir o prazer que isso lhe dá”, explica.

Para Tito de Morais, autor do blogue Miúdos Seguros na Net, “a utilização excessiva de dispositivos móveis por crianças e jovens não estará na origem de patologias como a obesidade e depressão, mas contribui para [as] agravar”. O especialista acrescenta ainda que o sedentarismo será o factor que mais influencia a reprodução destas doenças.

Pais devem negociar

Dora e Augusto Silva, pais de um menino de nove e uma menina de cinco anos, que frequentam o Agrupamento de Escolas do Parque das Nações, em Lisboa, confessam viver uma “luta diária” para incutir a máxima: primeiro os trabalhos de casa, segundo as actividades de lazer (e em quantidades limitadas). Como é que o fazem? Fixam um tempo para os filhos usarem o tablet, recorrendo a um temporizador do mesmo. Assim as crianças percebem que já o estão a usar há muito tempo, justificam.

Há quem restrinja mais afincadamente a utilização de aparelhos, como é o caso de Inês Rodrigues, mãe de duas meninas de seis e nove anos, da mesma escola, que não usam os dispositivos todos os dias e só tem autorização para o fazer quando “os deveres escolares estiverem cumpridos”. A mãe também proíbe o acesso aos aparelhos fora de casa.

Os pais dizem que os miúdos passam entre meia a uma hora diária frente aos dispositivos electrónicos, mas que no fim-de-semana a média aumenta. “Pode variar de uma a quatro horas, ou mesmo mais”, confessam Dora e Augusto Silva.

Para Ivone Patrão, os pais devem adoptar uma postura preventiva. A introdução das novas tecnologias pode ser feita desde a infância, “mas com uma bandeira bem levantada”, a da “negociação dos conteúdos e do tempo de acesso”. Os pais devem adoptar um modelo de negociação, estipulando regras: “Não é pelo conflito que vai haver mudança de comportamento, mas pelo parar, sentar e negociar o que cada uma das partes pretende e está disposta a ceder”, afirma a autora do livro #GeraçãoCordão, recomendando ajuda especializada para casos extremos.

Também Tito de Morais partilha da mesma perspectiva, acrescentando que os adultos devem propôr “alternativas em termos de actividades, criando tempos de utilização [dos ecrãs] adequados”. É o que já faz Inês Rodrigues, que procura actividades fora de casa para realizar com as filhas, já Dora e Augusto Silva incentivam os mais novos à prática do desporto ou de um instrumento.

Ainda assim, o casal reconhece pontos positivos aos aparelhos electrónicos, nomeadamente o auxílio ao estudo. Inês Rodrigues também orienta as filhas para a visualização de conteúdos “de alguma forma educativos” com o objectivo de evitar a pesquisa de assuntos “vazios”.

Texto editado por Bárbara Wong

 

 

 

Os bebés também têm depressões

Maio 21, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site MAGG de 13 de março de 2018.

por MARTA GONÇALVES MIRANDA

O doente mais novo do pedopsiquiatra Pedro Caldeira da Silva, que criou a Consulta dos Bebés Irritáveis, tinha apenas quatro meses.

O médico pedopsiquiatra Pedro Caldeira da Silva, da Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia, em Lisboa, acredita que os bebés podem ter depressões. E os sintomas não são assim tão diferentes dos adultos: apatia, pouco interesse na relação com o outro, um olhar triste. Independentemente de não saberem falar, andar ou guardar memórias, eles também sentem dor. “O importante é reconhecer que os bebés podem ter sofrimento — chamemos-lhe depressão ou chamemos-lhe outra coisa qualquer.”

Para combater o estigma associado às crianças e a psiquiatria, o médico criou a Consulta dos Bebés Irritáveis em 2002. Quase 20 anos depois, o número de casos diagnosticados tem-se mantido estável, mas chega quase aos 10%. E é importante perceber que às vezes o bebé não chora apenas porque tem cólicas como disse à MAGG  Pedro Caldeira da Silva. Leia a entrevista.

Como é que um bebé pode ter uma depressão?

Mesmo entre os especialistas é difícil aceitar [essa ideia.] Há especialistas que acham que os bebés não podem ter uma depressão, porque acham que para ter uma depressão é preciso ter um aparelho mental construído, ter memórias. Portanto, só a partir de uma determinada altura da evolução do desenvolvimento é que se pode falar verdadeiramente em depressão. A nossa experiência na Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia não é bem essa, e há um conjunto grande de especialistas que trabalham em permanência na infância e que falam em depressão em bebés muito pequeninos.

Os especialistas que se opõem à ideia de bebés com depressões acreditam que só é possível ter este quadro a partir de que idade?

Pensam que a partir dos dois anos. Nós podemos pensar na depressão com dois ramos: o da perda súbita de pessoas significativas; e o da insuficiência crónica [de afecto]. Neste último digamos que é preciso ter uma idade maior, dizem alguns. Eu não colocaria sequer esse limite nos dois anos, pode acontecer mais cedo. A partir de certa altura é uma questão de terminologia entre os especialistas, mas o importante é reconhecer que os bebés podem ter sofrimento — chamemos-lhe depressão ou chamemos-lhe outra coisa qualquer.

Segundo a sua experiência, quão cedo é que um bebé pode ter uma depressão?

Lembro-me de um bebé com quatro meses que tinha um quadro depressivo. E os quadros de depressão nos bebés, curiosamente, são muito semelhantes aos quadros de depressão nos adultos.

De que sintomas é que estamos a falar?

Adinamia [redução da força muscular, debilitação muscular e fraqueza], pouca vitalidade, o evitamento do olhar, pouco interesse na relação com o outro, um aparente atraso no desenvolvimento. Alterações do sono e da alimentação, irritabilidade. É um quadro muito semelhante ao dos adultos, com as mudanças inerentes — pouco interesse no jogo, na relação. Um ar triste.

O bebé com quatro meses foi o paciente mais novo que tratou?

Sim. Este era um bebé que estava internado no hospital, tinha sido lá deixado pela mãe.

Foi abandonado?

Sim, mas entregue num sítio em que a mãe provavelmente achava que iria ser bem tratado. Mas claro que o serviço de pediatria não é um bom sítio para deixar bebés. No hospital, e naquela altura — isto já foi há mais de dez anos — os cuidados eram muito transversais no sentido em que uma enfermeira mudava as fraldas, outra alimentava. O resto das necessidades do bebé não eram atendidas, de forma que o bebé estava ali. Estava ali.

Acompanhou esse bebé?

Pediram-me para vê-lo porque estava muito irritado, não aguentava estar deitado, chorava imenso e tinha um ar muito triste. Observei o bebé e a coisa mais marcante que se notava logo era o evitamento do olhar. O bebé não olhava nem por nada. Tinha um aparente atraso de desenvolvimento e transmitia-nos uma tristeza muito grande. Estive com o bebé e isto foi filmado. Em meia hora ajudei-o a reanimar. O filme é muito interessante nesse ponto de vista porque vê-se um bebé a reanimar. Partindo de um evitamento maciço e intencional do olhar, o bebé recusava, recusava e chorava, até finalmente aceitar a relação e recuperar a atividade. Isto foi observado depois pelo pessoal do serviço de pediatria e serviu para mudarem a prática. Perceberem que, mesmo no internamento, é preciso uma continuidade de cuidados.

Com esse caso houve de facto uma transformação no serviço de internamento?

Sim. Os bebés precisam destas experiências repetidas.

De que forma é que interagiu com ele?

Tentei captar-lhe o olhar, entrar no ritmo dele. Tentei regular a distância, perceber qual era a distância com que ele se sentia mais seguro. Tentei perceber quantas modalidades sensoriais é que ele tolerava ao mesmo tempo: se conseguia falar-lhe, tocar-lhe e embalá-lo ao mesmo tempo. Fui ensaiando, fui-me mostrando persistentemente disponível e provavelmente o bebé foi-se sentindo seguro e retomou a relação.

Não sabe o que é que aconteceu ao bebé?

Não, não sei. Soube apenas que este vídeo ajudou na altura os juízes a decidirem mais rapidamente o que fazer com ele.

O que é que pode levar à depressão de um bebé?

Em primeiro lugar, as perdas importantes. No ponto de vista da saúde mental de primeira infância, os primeiros trabalhos importantes publicados foram realizados por René Spitz, um pediatra e psicanalista norte-americano.

Que tipo de estudos é que ele realizou?

Ele fez trabalhos nas prisões nos anos 40 e documentou o que se passava com os bebés que estavam com as mães até aos seis meses e depois eram retirados às progenitoras. E eram “muito bem tratados”, estavam em salas com muitas camas, todas brancas, sem grandes estímulos, eram muito bem lavadinhos e limpos e… mais nada. Spitz documentou isto e constatou que os bebés retirados às mães tinham aquilo que ele chamou depressão anaclítica.

Depressão anaclítica?

Uma depressão por perda. Depois realizou mais trabalhos destes em hospitais, e foram estes que permitiram que as mães estivessem presentes nos internamentos das crianças. Em Portugal as mães passaram a poder estar com os bebés em 1981 ou 1982. As coisas demoram.

Em Portugal as coisas chegam mais devagar?

Não é só cá. Demorou muito tempo a obter este reconhecimento e vencer a resistência de que as mães eram um empecilho na vida dos filhos.

A perda é uma das razões que podem levar à depressão de um bebé. Qual é a outra?

A outra é a insuficiência crónica. A indisponibilidade emocional dos cuidadores tem mais consequências do que propriamente o mau-trato físico.

Estamos a falar de por exemplo mulheres que sofrem de depressão pós-parto?

Por exemplo. A depressão pós-parto é um factor de risco. Nesse caso os bebés não estão necessariamente deprimidos mas mimetizam a expressão deprimida das mães. Quando nós observamos um bebé filho de uma mãe com uma depressão, nós próprios sentimo-nos um bocado deprimidos. Os bebés mimetizam a face da mãe — não quer dizer que estejam deprimidos. Mas pode ser um dos factores: se a depressão se arrasta, não é reconhecida e se mantém cronicamente, há este aspeto da indisponibilidade crónica para o bebé.

Pode haver também uma predisposição genética para a depressão nos bebés?

Provavelmente há, embora esta predisposição genética aumente com a idade. A componente genética do desencadear da depressão aumenta com a idade. Nos bebés muito provavelmente as coisas são quase exclusivamente de base relacional.

Tem ideia de quantos casos de bebés são diagnosticados com depressão?

Aqui na Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia são menos de 10% dos nossos casos. Ainda são alguns.

Maioritariamente são bebés que desenvolveram depressões associadas à perda?

Não, penso que a maioria dos casos estão associados sobretudo à insuficiência crónica.

Como é que um pai ou uma mãe reage a um diagnóstico destes?

Nós não transmitimos necessariamente o diagnóstico. O diagnóstico serve para o que serve, portanto não é necessário muitas vezes transmiti-lo. Umas vezes sim, informamos, quando nos parece que é útil, outras vezes não.

Como é que é feito o tratamento?

O tratamento é relacional. Não se usam anti-depressivos em bebés. É fornecer ao bebé rapidamente uma experiência diferente.

Quando é possível, tenta-se que sejam os pais a fazê-lo?

O tratamento é muito sensível, e nós temos muito cuidado com isso. Tentamos ver se de facto na família é possível fazer esta experiência continuada satisfatória. Para um bebé ou uma criança muito pequenina, para quem os cuidadores não estão muito atentos ou não atendem às suas necessidades, começar um tratamento destes é um risco. Se a relação com o bebé é interrompida, isto para ele vai representar um abandono e nós podemos acabar por contribuir para agravar a depressão. Temos de ter muito cuidado e perceber bem qual é a motivação e a disponibilidade emocional da família para então decidirmos qual é a via de intervenção. Mas muito frequentemente utilizamos as técnicas da chamada psicoterapia mãe-criança, em que se fala com a mãe na presença do bebé ou se está com o bebé na presença da mãe.

E em que é que isso consiste exatamente?

Usamos a palavra. Falamos sobre o bebé com a mãe, falamos sobre as dificuldades da mãe, ou chamamos a atenção para os movimentos do bebé, o que é que necessita, se precisa de colo. Às vezes falamos pelo bebé.

Isso quando existe de facto uma disponibilidade por parte da família. E quando não existe?

Quando não existe, não existe. As pessoas ou procuram ajuda e aceitam ou não procuram e não aceitam. Mas outra das coisas que podemos fazer é ponderar a ajuda das creches ou dos jardins de infância. Sensibilizar alguém que esteja mais disponível para a criança de forma mais continuada. Isto dá-nos alguma garantia de que vai haver uma continuidade.

Quando é que criou a Consulta dos Bebés Irritáveis?                                                                                       

Em 2002. A nossa preocupação foi, e continua a ser, a seguinte: trazer um bebé ou trazer uma criança à psiquiatria é muito difícil. Há um estigma normal e natural associados. Portanto, nós fazemos muitas coisas com a intenção de diminuir o estigma.

Como por exemplo?

Por exemplo, não temos nenhum entrave ao pedido de consulta. As pessoas telefonam e têm consulta, não precisam de relatórios, computadores ou médicos de família. O acesso é completamente livre, porta aberta, desde que as crianças tenham menos de três anos. Foi também um bocadinho neste contexto que nós pensámos como é que podíamos chamar a atenção para o facto de haver bebés que estão em sofrimento, que choram, choram, choram e são difíceis de acalmar e que, enfim, nós podemos dar alguma ajuda além de dizer que é das cólicas. O que nós pensámos então foi criar uma consulta que estivesse descentrada da psiquiatria, que não tivesse estes nomes, e que chamasse a atenção para isto e que as pessoas tivessem um sítio aonde pudessem recorrer.

O que é que é um bebé irritável?

É um bebé que os pais acham que é irritável.

É tão simples quanto isso?

É tão simples quanto isso. Depois nós logo vemos o que é. Nós temos conseguido dar resposta numa semana. A Unidade da Primeira Infância nunca teve lista de espera. Temos 35 anos. Isto é um ponto de honra. Quando é preciso fazemos mais atendimentos, quando há total impossibilidade das nossas enfermeiras, faz-se um acompanhamento telefónico antes da consulta. Nós conseguimos dar sempre resposta. Depois o que encontramos no bebé irritável varia muito. Nós estávamos à espera de encontrar muitos casos de bebés com as chamadas perturbações regulatórias do processamento sensorial. Há um conjunto de bebés que têm reatividade especial aos estímulos sensoriais — aos sons, ao toque, ao embalar —, e que desse ponto de vista podem ser muito irritáveis.

São muito sensíveis?

Sim, ou pelo contrário podem ser muito pouco sensíveis e por isso procurarem ativamente estímulos. Estávamos a pensar que iríamos encontrar muitos casos desses, e para esses o esclarecimento das características do bebé ajuda a adaptar a relação. E encontrámos alguns, mas a grande maioria dos que nos chegaram eram bebés com dificuldades no sono. Também encontrámos muitas mães com depressão pós-parto não reconhecida. Hoje em dia penso que já há muito mais sensibilidade para isto, mas ainda é preciso chamar a atenção para este problema. Muitas mulheres e bastantes homens têm depressão pós-parto e não o reconhecem, não procuram ajuda.

 

 

‘Pais-helicóptero’ estão criando filhos simplesmente ‘inempregáveis’

Julho 19, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.pensarcontemporaneo.com/

‘Pais-helicóptero’ são os pais que estão sempre girando em torno dos filhos. Praticamente os embrulham em plástico-bolha, criando uma corte de jovens adultos que têm dificuldade de ter um desempenho satisfatório no trabalho e em suas vidas.

‘Pais-helicóptero’ pensam que estão fazendo o melhor, mas, na verdade, estão prejudicando as chances de sucesso dos filhos. Em particular, estão arruinando as chances de que os filhos consigam um emprego e consigam mantê-lo.

‘Pais-helicóptero’ não querem que seus filhos se machuquem. Querem suavizar cada golpe e amortecer cada queda. O problema é que essas crianças superprotegidas nunca aprendem como lidar com a perda, com o fracasso ou com o desapontamento — aspectos inevitáveis da vida de todos.

A superproteção torna quase impossível que esses jovens desenvolvam a tolerância em relação à frustração. Sem esse importante atributo psicológico, os jovens entram na força de trabalho em grande desvantagem.

‘Pais-helicóptero’ fazem coisas demais pelos filhos, portanto, essas crianças crescem sem uma ética de trabalho saudável e sem habilidades básicas. Sem essa ética de trabalho e habilidades necessárias, o jovem não será capaz de realizar muitas das tarefas exigidas pelo local de trabalho.

‘Pais-helicóptero’ superprotegem seus filhos e os privam de qualquer consequência significativa por suas ações. Com isso, eles perdem a oportunidade de aprender lições de vida valiosas a partir dos erros que cometem; as lições de vida que iriam contribuir para sua inteligência emocional.

‘Pais-helicóptero’ protegem suas crianças de qualquer conflito que possam ter com seus colegas. Quando essas crianças crescem, não sabem como resolver dificuldades entre eles e um colega ou supervisor.

As pessoas resolvem problemas tentando coisas, cometendo erros, aprendendo e tentando novamente. Esse processo cria confiança, competência e autoestima. ‘Pais-helicóptero’ impedem que seus filhos desenvolvam todos esses importantes atributos que são necessários para uma carreira de sucesso.

‘Pais-helicóptero’ pensam que seus filhos devem vencer qualquer coisa. Todo mundo que participe de um evento esportivo deve ganhar um troféu. Todos devem conseguir uma nota de aprovação, mesmo que sua tarefa esteja atrasada ou malfeita.

Em um local de trabalho funcional, há apenas um vencedor de uma competição, e apenas um trabalho de alta qualidade é recompensado. Se as crianças crescem pensando que independentemente do que façam irão vencer, não perceberão que, na verdade, têm de trabalhar duro para conseguir ter sucesso.

Esses jovens mimados ficarão arrasados quando continuarem perdendo competições, se saindo mal em entrevistas ou sendo demitidos de seus empregos. Não entenderão quanto esforço é realmente necessário para ser um vencedor no mundo do trabalho.

Esses jovens carecem de competência e ação por nunca terem tido de resolver um problema ou completar um projeto sozinhos. Esperam que outros façam essas coisas para eles, assim como seus pais sempre fizeram. Em essência, não podem pensar ou agir por si mesmos.

A criação-helicóptero inculca uma série de atitudes negativas nas crianças. Elas crescem com grandes expectativas de sucesso, independentemente de quanto tempo ou energia investem, e sentem que merecem tratamento preferencial — sendo que nenhum dos dois comportamentos cai bem com seus colegas ou chefes.

Em uma entrevista de emprego, os futuros empregadores podem ser dissuadidos pela atitude excessivamente egocêntrica de um jovem ou alarmados por sua falta de habilidades básicas.

A aura de ignorância e incompetência de um jovem, combinada com expectativas de recompensas imediatas e substanciais sem relação com o desempenho, pode ser o beijo da morte em qualquer entrevista para um bom emprego.

Quando os pais decidem acompanhar seu filho de 20 e poucos anos em uma entrevista de emprego, isso mina qualquer confiança que um empregador possa ter nesse funcionário em potencial. “Por que”, os empregadores podem se perguntar, “alguém procurando emprego precisaria trazer a mamãe ou o papai na entrevista, a menos que esse jovem seja mais uma criança do que um adulto?”.

Mesmo de pequenas maneiras, os ‘pais-helicóptero’ paralisam seus filhos. A criança adulta de ‘pais-helicóptero’ vai fazer sua pausa para o café e então sair da copa sem ter limpado sua sujeira ou lavado sua xícara. Podemos imaginar como isso causará ressentimento entre seus colegas.

Esses jovens esperam que “alguém” limpe sua coisas, da mesma forma que sua sujeira foi sempre limpada quando eram crianças. Não percebem que já não há ninguém os seguindo, limpando sua sujeira, seja física, interpessoal ou profissional.

Barb Nefer, em um artigo publicado no site WebPsychology, diz que a geração do “milênio está sendo fortemente atingida pela depressão no trabalho. Um em cada cinco trabalhadores [20%] já sofreu de depressão no trabalho, comparado a 16% da Geração X [nascidos entre 1960 e final dos anos 70] e dos ‘baby boomers’ [nascidos entre 1943 e 1960]”.

Nefer destaca que, de acordo com um “‘white paper’ da Bensinger, DuPont & Associates, os ‘millennials’ têm desempenho inferior no trabalho e índices mais altos de absenteísmo, bem como mais conflitos e incidentes de advertência por escrito”, fatores que “podem afetar o desempenho no trabalho”.

De acordo com um artigo de Brooke Donatone publicado pelo Washington Post, uma nota de 2013 na revista “Journal of Child and Family Studies revelou que universitários que tiveram criação-helicóptero relataram níveis mais altos de depressão”.

O artigo do Washington Post também destaca que uma “criação intrusiva interfere no desenvolvimento da autonomia e da competência. Por isso, a criação-helicóptero leva a uma maior dependência e menor habilidade de completar tarefas sem supervisão dos pais”.

Às vezes, a melhor forma de ‘estar presente’ na vida dos filhos é não estar.
Os artigos acima deixam claro que a ‘criação-helicóptero’ está contribuindo para um crescente índice de depressão entre jovens bem como para uma incapacidade de ter um desempenho otimizado no local de trabalho.

Se você é um pai ou uma mãe que quer que seus filhos sejam bem-sucedidos na carreira quando adultos, precisa estar ciente de quaisquer tendências relacionadas à criação-helicóptero em você ou em seu parceiro.

Amar seus filhos significa guiá-los, protegê-los e apoiá-los. Não significa sufocá-los, superprotegê-los ou fazer tanto por eles que nunca aprendam a pensar por si mesmos, a lidar com desafios ou com o desapontamento e fracasso.

A coisa mais amorosa que você pode fazer como pai ou mãe é dar um passo atrás e deixar seu filho cair, se preocupar e resolver as coisas sozinho. Às vezes, a melhor forma de “estar presente” na vida de seu filho é não estar. É assim que você os capacita a desenvolver confiança, competência, autoestima e inteligência emocional.

Hoje os jovens precisam de pais que os ajudem a se tornar adultos úteis. Isso significa girar menos em torno deles e embrulhá-los menos em plástico-bolha e empoderá-los mais para que façam coisas por si mesmos, resolvam coisas por si mesmos e aprendam a lidar com as dificuldades, tudo por si mesmos.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost Canada e traduzido do inglês.

O artigo The Washington Post citado no texto é o seguinte:

Why are so many millennials depressed? A therapist points the finger at Mom and Dad.

O estudo citado é o seguinte:

Helping or Hovering? The Effects of Helicopter Parenting on College Students’ Well-Being

 

Depressão na infância – não ignore a Baleia Azul no meio da sala

Maio 22, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Num espaço de semanas ou meses, diversas séries ou tendências da internet, como a baleia azul, têm vindo a intensificar o diálogo e a reflexão sobre a auto-mutilação, o suicídio e os comportamentos de risco entre os jovens. Pois bem, mais do que sobre os jovens, hoje pretendo chamar a atenção que estes comportamentos não se prendem apenas com adolescentes… uma criança também pode sentir depressão, uma criança pode tentar suicídio, uma criança pode isolar-se e até auto-mutilar-se.

São pensamentos horríveis e assustadores e que nos colocam a questão: Mas que motivo teria uma criança para ficar deprimida?

Primeiro que tudo, e muito antes de continuar sequer a reflexão, há algo que todos nós adultos temos de compreender: as crianças não estão apenas a começar a crescer, elas estão também a começar a sentir. Sentir é algo constantemente novo para elas, o que quer dizer que dia sim, dia sim, as crianças conhecem um sentimento novo. Imaginam o quão avassalador isto é? É verdade que todos nós passámos por isso e hoje estamos todos cá, contudo, temos agora uma coisa chamada relatividade. Ou seja, com base na nossa experiência de vida, temos a capacidade de relativizar o que sentimos e perceber com a maturidade de hoje, os sentimentos que tivemos na altura. Esta capacidade de maturação permite-nos entender o sofrimento, a dor, a alegria e o êxtase com maior ponderação. Ou seja, se calhar já não consideramos que deixar cair o rebuçado ao chão é a pior coisa do mundo, tendo já perdido um familiar, por exemplo. Mas com as crianças não… o que quer dizer que se a criança deixar cair o rebuçado ao chão, este é realmente o maior problema da vida dela, não tem como comparar e, pior, não tem como saber que melhora depois. É uma estreia.

Por isso imaginem o peso que tem para estas crianças passar por períodos mais complicados, como por exemplo, o afastamento de alguém, perder algo de que gostem muito, uma mudança repentina ou mesmo a morte de um familiar próximo. É como se fosse um mar e um oceano de novidades negativas que se aproximam.

Outro ponto fundamental para entender é que, enquanto nós adultos somos capazes de dialogar e exprimir o que sentimos por palavras, organizando e refletindo sobre as emoções, as crianças não sabem ainda como fazer isso. Por isso, muitas vezes as expressões que elas passam são confusas, mal percebidas e catalogadas de outra forma. Por exemplo, as crianças expressam-se pelo corpo. Ora, quando estão em situação de desconforto, as crianças tendem a ficar mais agitadas, mais irrequietas ou com uma maior tendência para a oposição. Por isso, muitas vezes, crianças com depressão são confundidas com hiperativas ou mal criadas.

Outra reflexão a ter é que, tal como nos adultos, a depressão infantil não se reflete sempre da mesma forma: sim, para algumas crianças significa muita agitação irrefletida, mas para outras poderá ser o isolamento, o afastar-se da escola, a recusa de uma atividade, entre tantas outras coisas.

Como lidar com os sentimentos de uma criança

Por isso, existem vários pontos a ter em atenção. O primeiro é nunca diminuir a dor da criança. Pensemos, quando nos sentimos tristes, sentimo-nos tristes. O alguém nos dizer que não vale a pena estar triste não muda nada, e para as crianças acontece o mesmo. Contudo, o adulto deve apresentar um papel contentor que lhe mostre que tudo passa e que tudo ficará bem. Falar sobre as emoções e os sentimentos é também essencial, de forma a facilitar e a promover o diálogo. Por fim, é essencial pedir ajuda. E não só as crianças… pais, professores, monitores, todos os responsáveis da criança devem saber quando pedir ajuda a um profissional para ajudar. Porque a depressão não é apenas uma doença de adultos, e se é séria em adultos, também o é em crianças.

Depressão infantil: tanta tristeza para um filho tão pequeno

Abril 21, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/

Ilustração Filipa Viana/WHO

Texto Júlia Vinhas/CADIn*
Ilustração Filipa Viana/WHO

A depressão nas crianças e jovens é uma realidade bem diferente da oscilação diária de emoções que fazem parte do desenvolvimento infantil. Não é porque uma criança está triste que tem necessariamente de estar deprimida. Mas também não devemos desvalorizar estados emocionais negativos só porque são crianças e não têm, por isso, «razões» para estarem deprimidas. Como se tivessem de existir razões para estar deprimido…

A diferença entre uma depressão e os sentimentos de emoções negativas (normativos) está na duração e na intensidade dos sintomas. Os estudos indicam que crianças com progenitores com história de depressão têm maior predisposição para desenvolver a patologia.

A família não tem apenas o peso genético, tem também o peso psicoemocional. A presença de sentimentos de angústia excessiva, medos e negligência no ambiente familiar pode contribuir como fator de risco para a depressão infantil.

Mas há fatores psicológicos – nomeadamente situações traumáticas ou até fatores ambientais relacionados com condições de vida (pobreza, por exemplo) – que podem contribuir para o aparecimento da depressão.

O diagnóstico de depressão infantil é algumas vezes confundido com outras perturbações do desenvolvimento. Associadas a este diagnóstico surgem algumas comorbilidades (perturbação de hiperatividade e défice de atenção, perturbação de oposição e desafio, comportamentos de autoagressão, dificuldades de aprendizagem), o que o torna ainda mais difícil de ser corretamente formulado.

A boa notícia é que, quando diagnosticada atempadamente e devidamente intervencionada por uma equipa multidisciplinar (médico, psicólogo, família, professores), é possível uma boa recuperação, quer em termos emocionais quer em termos sociais, cognitivos e comportamentais.

Ainda que o tema da depressão nas crianças seja cada vez mais debatido, diferenciado e estudado, existe um longo caminho por desbravar. Culturalmente é difícil aceitar que uma criança possa estar deprimida, por isso este diagnóstico é muitas vezes protelado ou subestimado.

Ter um diagnóstico e o acompanhamento adequado foi essencial para a Maria poder regressar à escola e mudar a forma como se sentia. A mudança não aconteceu de um dia para o outro, mas foi profunda.

Estas são palavras da Maria (nome fictício), que esteve dois anos em recusa escolar:

«Entrei num mundo chamado depressão. Tudo começou aos 12 anos, era uma menina normal, feliz, rodeada de amigos… Tudo isso foi desaparecendo. Fechei-me em casa, não conseguia conviver com as pessoas como antes, não frequentava mais a escola pois a sensação de poder entrar e viver o mesmo que as outras crianças viviam era aterrador.»

«Sentia-me triste 24 horas em cada dia que passava, não gostava mais da minha família, não me importava mais com nada nem comigo mesma. Era eu e a depressão. Via todos aqueles que estavam comigo a afastar-se, não tinha mais planos para o dia de amanhã. Basicamente ficava à espera que me libertasse da tristeza quando ela quisesse ir embora.»

«Aprendi a valorizar-me, a ganhar esperança, lidar com todos os problemas que poderiam surgir na minha vida adiante. Consegui ultrapassar tudo e sei que sempre que precisar posso contar sempre com o apoio da minha psicóloga. Hoje posso dizer que sou outra Maria, encontrei um rumo, voltei à escola, já tenho amigas que gostam de mim por aquilo que sou e encontro-me feliz.»

*Parceria NM/CADIn (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil). Júlia Vinhas é psicóloga, especialista em psicologia clínica e da saúde no CADIn.

SINTOMAS A QUE OS PAIS DEVERÃO ESTAR ATENTOS

 

  1. Adolescência
  • Manifestações mais próximas do adulto (humor deprimido, perda de energia, desinteresse, sentimentos de desesperança e/ou culpa, alterações do sono isolamento, baixa autoestima, ideias suicidas)
  • Comportamentos de risco
  •  Agressividade consigo e com os outros
  •  Não ter um projeto de vida
  • Pouco interesse pela escola
  1. Dos 6 aos 12 anos
  • Ter um aspeto triste, chorar facilmente
  • Queixar-se de falta de energia – dores de barriga e cabeça, perda de força nos membros
  • Perder o interesse por atividades de que antes gostava (desportos, jogos)
  •  Demonstrar sentimentos de incompetência, negativos, de desvalorização, falta de confiança e baixa   autoestima («não sei», «não sou capaz», «não consigo», «ninguém gosta de mim»)
  • Medos frequentes e injustificados
  1. Até aos 6 anos
  • Perder o interesse por atividades lúdicas
  •  Ficar ansioso com a separação dos pais
  •  Não brincar com outras crianças ou evitar o contacto
  •  Fazer chichi na cama (quando já era autónomo)
  •  Ter frequentes acessos de raiva/choro ou comportamentos de oposição
  •   Mudar os padrões habituais de sono ou apetite
  •  Queixar-se de dores sem haver uma razão

mais imagens de Filipa Viana no site:

http://filipaviana.com/

Formação Depressão Infantil – 17 novembro Braga e Sacavém

Novembro 3, 2016 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O que os pais devem saber quando escolhem um desporto para os filhos

Outubro 3, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.eosfilhosdosoutros.com/ de 15 de setembro de 2016.

by

João Moreira Pinto

Saiu um artigo da maior importância para os pais de jovens desportistas e não só. O artigo publicado pela Associação Americana de Pediatria pretende ser um documento orientador para os pediatras e cuidadores de crianças que praticam desporto. Não sendo eu pediatra (porque sou cirurgião pediátrico), sou pai de um rapaz que adora desporto. Mais, acho que nós pais (e Mães) atentos procuramos que os nossos filhos façam muito desporto como parte integrante de uma vida saudável. Mas quantos desportos devem as crianças praticar? Devem especializar-se num só desporto ou diversificar? Quantas horas por semana? Estas e outras perguntas são respondidas neste artigo que revê tudo o que a ciência conseguiu estudar e provar até ao momento.

Indo por partes. Os benefícios do desporto infantil estão estudados e são consensuais: melhora as capacidades motoras das crianças, facilita a sua socialização, promove a autoestima, o trabalho de equipa e a capacidade de liderança, é um divertimento saudável. Mas depois há um lado negro do desporto, em particular do desporto de competição (isto são dados dos EUA): (1) 70% das crianças que frequentam desporto ‘organizado’ (desporto em clubes) desistem por volta dos 13 anos; (2) pelo menos 50% das lesões desportivas em crianças e adolescentes são por excesso de esforço (overuse). E para quê? (Continuamos com dados dos EUA.) Apenas 1% dos atletas que competem no high-school level recebem bolsas. E apenas 0,03-5% deles chegarão a um nível profissional. De facto, por muito que nos entusiasme imaginar que os nosso filhos serão os melhores naquele desporto, a probabilidade de serem atletas profissionais é muito muito pequena.

Nós (pais) temos tendência a projetar as nossas frustrações nas expectativas que criamos para o futuro dos nossos filhos. «Já viste como gosta da bola? O puto há-de ser o próximo Ronaldo.» «A minha princesa vai ser a bailarina que eu nunca consegui ser.» «No que depender de mim, dar-lhe-ei todas as condições para ser o melhor.» «E desde cedo, porque eu só não aprendi, porque já fui tarde…» É aqui que a porca torce o rabo, porque (1) o desporto infantil não pode servir para apaziguar as frustrações dos pais, (2) o problema não está em começar tarde um desporto. Este é uma ideia errada que muitos pais têm.

A estatística americana (que julgo poder aplicar-se à nossa realidade) mostra que a especialização num só desporto demasiado cedo na vida da criança leva a uma taxa maior de desistência da carreira desportiva. Para além do mais, existem outros riscos associados ao desporto de competição em idade precoce: isolamento social, lesões desportivas, ansiedade, depressão e até abuso físico, emocional e sexual por adultos envolvidos nas atividades do clube. É mais importante para a criança entre os 0 e os 12 anos experimentar muitos desportos. Diferentes desportos representam diferentes movimentos, diferentes competências físicas, psicológicas e sociais, diferentes ambientes, etc.

Em estudos comparativos (agora já com amostras europeias), provou-se que a diversificação precoce (ou seja, variar muito os desportos que a criança) e a especialização tardia (ou seja, centrar num desporto somente mais tarde na adolescência) relaciona-se com um maior sucesso desportivo em competições de elite. Com excepção de alguns desportos, como a ginástica e a patinagem artística, onde o pico de performance acontece antes da maturação física, todos os outros desportos devem ser praticados em especialização/exclusividade após a adolescência.

Posto isto, o artigo resume algumas informações que os pediatras e cuidadores devem ter em mente quando discutem a vida desportiva das crianças:

Primeiro, o foco principal do desporto é a diversão e aprendizagem de competências físicas que nos serviram para toda a vida. Quanto ao número de horas/semana que a criança deve praticar desporto organizado, uma regra que se pode aplicar é: número de horas/semana deverá ser sempre menor que a sua idade em anos (para um máximo de 16 anos).

Segundo, a participação em múltiplas actividades desportivas até à puberdade, diminui o número de lesões, stress e burnout dos jovens desportistas. A especialização tardia (fim da adolescência) relaciona-se com maior sucesso desportivo. A diversificação precoce e a especialização tardia aumenta a probabilidade de envolvimento desportivo por toda a vida, bem-estar físico futuro e possivelmente mais participação em desporto de elite.

Terceiro, se um jovem atleta decide especializar-se num só desporto, é importante:

  1. Discutir com o jovem quais os seus objectivos pessoais e distingui-los dos nossos (pais) e dos dos treinadores.
  2. Estar atento ao ambiente de treino e às práticas, para saber se estão de acordo com as melhores práticas para aquele desporto em específico.
  3. Ter pelo menos 3 meses de pausa/ano, dividido em períodos de 1 mês. Esta pausa refere-se ao desporto que o jovem pratica, mas pode/deve ser substituídos por outras actividades físicas que mantenham a boa-forma do atleta.
  4. 1-2 dias por semana de folga do seu desporto pode diminuir o número de lesões.
  5. Monitorizar o estado físico, psicológico e nutricional dos jovens atletas.

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Pode ler o artigo original aqui: Sports Specialization and Intensive Training in Young Athletes.

 

Maioria dos antidepressivos não funciona em crianças e adolescentes

Junho 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.sapo.pt  de 9 de junho de 2016.

AFP

A maioria dos remédios antidepressivos é ineficaz em crianças e adolescentes que sofrem de depressão grave, podendo ser, eventualmente, até perigosos, aponta um estudo publicado esta quinta-feira no jornal médico britânico The Lancet

Realizado por um grupo internacional de investigadores, o estudo revê 34 testes em mais de 5.000 crianças e adolescentes, com idades entre os 9 e os 18 anos, envolvendo 14 medicamentos antidepressivos.

Apenas um destes medicamentos, a fluoxetina – comercializada principalmente como Prozac -, mostrou-se mais eficaz do que um placebo para tratar os sintomas de uma depressão.

A fluoxetina também é mais bem tolerada do que os demais antidepressivos, escreve o mesmo estudo.

No sentido contrário, a nortriptilina foi considerada a menos eficaz dos 14 antidepressivos estudados, e a imipramina, a menos tolerada. Já a venlafaxina está associada a um risco crescente de pensamentos suicidas.

Os investigadores reconhecem, porém, que a verdadeira eficácia e os riscos de efeitos secundários indesejáveis graves desses medicamentos continuam a ser campo desconhecido, devido à fragilidade dos testes clínicos existentes.

É o caso, sobretudo, dos pensamentos e comportamentos suicidas associados aos fármacos antidepressivos. Num comentário agregado ao estudo, o cientista australiano Jon Jureidini destaca que, no que diz respeito à paroxetina, estes atingem 10% dos doentes, numa nova análise de dados, contra os 3% de estudos já publicados.

Segundo estimativas citadas pelo estudo, 2,8% das crianças entre os 6 e os 12 anos e 5,6% dos adolescentes sofrem de problemas depressivos graves nos países desenvolvidos. Esse número pode estar subestimado, alerta no entanto o mesmo estudo.

Esses sintomas são diferentes dos observados nos adultos e incluem, em especial, irritabilidade, falta de vontade de ir à escola ou comportamento agressivo.

Em relação aos antidepressivos – que também podem causar, além das ideias suicidas, dores de cabeça, náuseas e insónias -, a sua prescrição continua a aumentar, ainda que a maioria dos países ocidentais recomende, a partir de agora, que sejam reservados às depressões mais graves e após o fracasso da psicoterapia.

“Os antidepressivos não parecem oferecer um benefício claro nas crianças e nos adolescentes”, concluem os autores do estudo, que acrescentam que “a fluoxetina é, provavelmente, a melhor opção quando o tratamento medicamentoso é indicado”.

Vários especialistas comemoraram os resultados do estudo, que fortalecem as recomendações de países como França ou Reino Unido, no que diz respeito à prescrição de antidepressivos a crianças e adolescentes.

O primeiro tratamento das depressões em ambos os grupos deve continuar a ser “a abordagem psicológica, ou relacional”, que é “mais eficaz no longo prazo”, disse à agência de notícias France Presse o vice-presidente da Sociedade Francesa de Psiquiatria da Criança e do Adolescente, Daniel Marcelli, que participou na elaboração das recomendações de França.

“Estamos de acordo com as conclusões dos autores, que consideram que os antidepressivos devem ser utilizados de forma sensata e controlada de perto”, declarou a psiquiatra britânica, Bernadka Dubicka.

 

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 64 sobre A Depressão em Crianças e Adolescentes

Junho 17, 2016 às 12:30 pm | Publicado em Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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depressão

Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 64. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre A Depressão em Crianças e Adolescentes.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

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