“A nossa sociedade está amordaçada com pais que vivem o tempo a trabalhar”

Maio 18, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Christopher Futcher / Getty Images

Notícia da Sábado de 2 de maio de 2019.

por Diogo Camilo

Carlos Neto, professor da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, considera que é “urgente dar mobilidade às crianças” e teme que estejam a ser criadas condições para “mais obesidade, mais depressão, mais défice de atenção e hiperatividade” no futuro.

Carlos Neto, professor da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, considera que é “urgente dar mobilidade às crianças” de maneira a aumentar a literacia física e motora de jovens. Em entrevista ao jornal i, o investigador indica que, ao não dar autonomia e independência aos mais novos, estão a ser criadas condições para que haja “mais obesidade, mais depressão, mais défice de atenção e hiperatividade” no futuro.

De acordo com um inquérito feito a 1466 famílias sobre a frequência com que crianças portuguesas brincam, apenas 9,4% dos familiares consideram que a criança “precisa de se divertir”, com a resposta mais frequente a ser a promoção do “desenvolvimento afetivo e emocional da criança”, com 31,3% dos inquiridos a indicá-la.

“Os pais dão sobretudo importância aos aspetos cognitivos e deixam para último os que estão relacionados com a atividade física”, indica Carlos Neto ao i, acrescentando que este é um reflexo de uma sociedade que tem “medo dos riscos, sobreproteção das crianças e desvalorização da literacia física”.

O inquérito indica ainda que o local onde as crianças mais brincam (53,8% delas) é na escola, algo que se justifica com o tempo passado. Carlos Neto refere, no entanto, que o centro das escolas hoje em dia “é o cérebro e não o corpo” e que a introdução de um campo de futebol em cada escola do 1º ciclo foi “um crime”.

“Discriminaram as crianças sem ter em conta as diferenças de género. No momento em que se instala um campo de futebol e de jogos está-se a pôr na escola um estereótipo adulto, com balizas e cestos que acabam por limitar as atividades livres das crianças”, afirma ao jornal.

 

Conferência: “Riscos, autonomia e brincar livre no desenvolvimento da criança.” 23 novembro em Lisboa

Novembro 14, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/337005977055709/

 

“Uma criança que vai a pé para a escola tem muito mais ganhos”

Outubro 28, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 16 de outubro de 2018.

Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana, defende que as crianças precisam de fazer o caminho para a escola de forma mais autónoma.

“Temos de acabar com esta dependência, automóvel!”, exclama Carlos Neto. “Uma criança que vai a pé, de bicicleta, ou mesmo de transportes públicos, tem muito mais ganhos”, assegura o investigador da Faculdade de Motricidade Humana.

O professor acredita que, ao descobrir o caminho, vivenciar o território, brincar e conviver com os amigos, a criança fica mais disposta a aprender. “As crianças não estão a viver o território, não estão a viver estas experiências e quando entram numa sala de aula, quando vão de carro, não estão preparadas para aprender”, defende.

E a partir de que idade é recomendável irem sozinhas? “Na Dinamarca, com 4 ou 5 anos vão de bicicleta de forma tranquila”, responde Carlos Neto. “Se vão de carro, colocadas à porta da escola, muitas delas transportadas ao colo para dentro da sala de aula numa forma absolutamente patológica do que é a super proteção, isso é negar aquilo que é o direito da criança ser autónoma, o direito dela brincar livremente e o direito de ser pessoa”.

Ouvir as declarações de Carlos Neto no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/uma-crianca-que-vai-a-pe-para-a-escola-tem-muito-mais-ganhos-10007728.html

A aparente descontração dos pais alemães

Janeiro 13, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.goethe.de/ins/pt/lp/prj/toa/ptindex.htm

celia-mateus

A minha vida mudou e muito no ano 2012. Vim viver para a Alemanha com o meu filho de 5 anos e o meu marido por motivos profissionais. Sabia a língua? Não, nem uma palavra, mas também não interessava nada. É preciso ter abertura de espiríto e encarar as diferentes fases da vida com optimismo, acreditando que tudo irá correr pelo melhor. Eis as minhas aventuras.

Na Alemanha é muito comum ver crianças sozinhas na rua, duas a duas ou em grupo a caminho da escola. Umas a passear de bicicleta e outras a passar nos semáforos das estradas movimentadas. Crianças pequenas que saem das suas casas para irem para a casa dos amigos, que fica na rua ao lado.

Tudo isto são cenas que me relembram a minha própria infância nos anos oitenta em Portugal, que era exatamente assim. Uma época que se perdeu. Mas porquê? Pelo medo muito fomentado pelas constantes notícias na televisão sobre o que vai mal no mundo? E, afinal, o que fazem os pais alemães de diferente? Certamente, eles amam tanto os seus filhos como quaisquer outros pais. Como conseguem eles ter a calma e a descontração para dar esta liberdade aos filhos, liberdade essa mais contida no panorama português? Em primeiro lugar, esta “descontração” no controlo parental é apenas aparente e, em segundo lugar, as crianças são incentivadas a serem independentes e, para que tal aconteça, devem sentir-se responsáveis pelos seus atos.

No jardim de infância, por exemplo, katharina-hankequando os vão levar ou buscar, não os ajudam a despir e a vestir ou a descalçar e a calçar. Ficam à sua frente, a dizer o que devem fazer, tipo: “Agora despe o casaco e pendura no cacifo com o teu nome. Agora descalça-te e guarda os sapatos no lugar deles. Tira as luvas e o gorro e coloca-os dentro das mangas do casaco”, e por aí fora. Assisti muitas vezes a isto e pensava para comigo, que pais eram estes que não ajudavam os seus filhos pequenos? Os pais alemães esperavam o tempo que fosse necessário até todas as tarefas estarem concluídas. E o que acontecia? Os meses passavam e as crianças alemãs, gradualmente, começavam a ser mais “desenrascadas” e já se despiam e vestiam cada vez mais depressa e sem ser necessário que lhes dissessem qual a ordem correta.

Quando o meu filho foi para escola primária alemã, explicaram-nos que os pais só devem acompanhar os filhos no primeiro dia de escola. A partir daí, as crianças devem ir a pé ou de autocarro.
O meu filho de seis anos, sozinho no autocarro da escola?
Não consegui fazê-lo, pelo que ocasionalmente recebia uns olhares espantados dos próprios miúdos, que não compreendiam a minha presença na escola.

As crianças pequenas são também incentivadas a andar de bicicleta, para acompanhar a família nos passeios de fim de semana e, como consequência disso, muitas crianças de três anos já sabem andar numa bicicleta com pedais. Enquanto isso o meu filho aprendeu a andar de bicicleta sem pedais com três anos! Em Portugal não existem bicicletas destas para crianças de dois anos, ao contrário do que se vê na Alemanha.

celia-mateus2Outro bom exemplo são os parques infantis, que na Alemanha estão sempre apinhados de pais com os seus filhos. Os pais sentam-se, conversam, levam termos de café, bolachas e fruta, que trocam entre eles e vigiam os seus filhos sem se levantar. Se eles desaparecem da sua vista, não vão a correr para ver onde os miúdos andam, se foram para trás de algum arbusto, se para cima de uma árvore ou se estão empoleirados num baloiço mais alto onde não deviam estar. Todos os pais alemães que conheço achavam estranho eu andar sempre atrás do meu filho e, gradualmente, deixei de o fazer, não que não me preocupasse, mas a verdade é que ele estava sempre por ali.

Qual é, então, a diferença na educação alemã? Trata-se de incentivar a independência e a responsabilidade, através da confiança que depositam nos seus filhos. Ao estar fora da vista dos pais, a criança sente que precisa de se desenvencilhar sozinha e ao fazê-lo está também a ser mais independente. São maneiras diferentes de educar, cada uma com as suas vantagens e desvantagens.

Seja como for, pese embora eu não me consiga libertar do “controlo parental português”, agrada-me viver num país que me relembra a minha própria infância e sentir que o meu filho pode viver a sua infância na plenitude que ela merece.

celia-mateus3

 

Célia Mateus
licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Luís de Camões e especializou-se em Relações Públicas, área onde trabalhou mais de 10 anos, passando pela Câmara Municipal de Lisboa e pela NPF-Pesquisa e Formação. Nos últimos anos trabalhou na área do Turismo, como agente de Viagens na Best Travel.

Copyright: Tudo Alemão
Novembro de 2015

Língua original: Português

 

Brincar na rua. Os miúdos querem, os pais têm medo

Novembro 8, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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reportagem do Notícias Magazine de 9 de outubro de 2016.

pedro-correia

descarregar a reportagem no link:

https://ciecum.wordpress.com/2016/10/18/brincar-na-rua-os-miudos-querem-os-pais-tem-medo/

As pessoas crescidas nunca percebem nada

Novembro 4, 2016 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Reportagem da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 16 de outubro de 2016.

sic

Em menos de um século passámos de um extremo ao outro: de crianças completamente à solta para crianças superprotegidas e cada vez mais ocupadas. O medo dos raptos, dos pedófilos, do trânsito faz com que os mais novos não tenham a liberdade de outros tempos. Os especialistas já vieram alertar para os riscos da falta de autonomia. “As pessoas crescidas nunca percebem nada” é a Reportagem Especial que pode ver aqui.

Visualizar a reportagem no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemespecial/2016-10-16-As-pessoas-crescidas-nunca-percebem-nada-1

O Bernardo já é hipertenso

Outubro 18, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto publico no http://p3.publico.pt/ de 3 de outubro de 2016.

jenn-richardson

Hoje, as crianças já não podem sair à rua e estão entre as mais sedentárias da Europa. Porquê? Porque é perigoso, porque em cada adulto, um pedófilo, e hoje já não se pode confiar em ninguém, nem nos amigos, nem nos vizinhos

Texto de João André Costa

Eu, quando era catraio e frequentava a preparatória, era na “aldeia dos macacos”, espaço de recreio recheado a pinheiros, caruma, areia e baloiços, que encontrava toda a brincadeira, todas as aventuras no topo das árvores, os joelhos esfolados na areia mais as calças rasgadas de todos os dias, sem que por isso viessem aí as nossas mães de mãos ao ar e credo na boca porque no dito recreio não morava uma caixa de primeiros socorros, um adulto sempre de plantão que nos dissesse o que era permitido, ou não, fazer, e como, um seguro contra todos e uma resma de papel em folha de 25 linhas com todas as medidas a tomar em caso de acidente.

E, se calhar, por não termos a tal resma é que o Francisco partiu a cabeça no 6.º ano quando o Tó lhe mandou uma pedrada à pinha. O Francisco não morreu nem contraiu uma septicemia, foi para os bombeiros e levou três pontos a sangue frio com uma dessas agulhas da caixa de costura, no regresso ainda deu umas lambadas ao Tó e hoje são grandes amigos.

Hoje, a “aldeia dos macacos” foi substituída por um pavimento infantil com placas de borracha, já não há areia nem árvores “derivado ao perigo para as crianças“, ou assim nos disse o presidente da junta, as áreas de recreio foram delineadas a régua e esquadro e no lugar dos baloiços de madeira, cujas farpas insistiam em cravar-se nas mãos e nas pernas, para gáudio do sistema imunitário, temos agora escorregas esterilizados no fim dos quais não há quaisquer hipóteses de nos matarmos e/ou partirmos os dentes, nem que nos atiremos de cabeça, assim logrando todas e quaisquer hipóteses de impressionar as ”garinas“ lá da escola.

Isto, se deixarem as crianças sair à rua. Hoje, as crianças já não podem sair à rua e estão entre as mais sedentárias da Europa. Porquê? Porque é perigoso, porque em cada adulto, um pedófilo, e hoje já não se pode confiar em ninguém, nem nos amigos, nem nos vizinhos, e noutro dia o Paulo teve de dar explicações à polícia por andar de mão dada com o filho num parque.

Não, hoje em dia temos telemóveis com ”touche“, ”tablets“, ecrãs led com ligação à net e computadores, todos ligados ao mesmo tempo para que os catraios não nos chateiem quando chegamos a casa cansados do trabalho, ou da falta dele. Para que, passiva e “ruminantemente”, cresçam e engordem, felizes para todo o sempre. Pelo menos até chegarem à escola onde não existem nem audiovisuais nem quadros interactivos e onde os professores ainda pagam os paus de giz do próprio bolso à senhora contínua, sempre muito incomodada quando a interrompem a meio da leitura da ”Maria“.

E porque hoje as crianças já não podem sair à rua temos ginásios, onde as crianças que ontem corriam na ”aldeia dos macacos“ podem agora aprender a brincar com toda a segurança e conforto. Porque os Bernados deste mundo ainda só têm oito anos mas já são hipertensos e 40 quilos de peso falam sempre mais alto. Mas não só, pois ir ao ginásio também é fino e fica sempre bem dizê-lo em conversa com os amigos ou através daquela ”selfie no “Facebook”. Quando aprendi a andar de bicicleta malhei não sei quantas vezes a saltar por cima das tampas de esgoto. O Miguel, a pedalar freneticamente logo atrás de mim para dar um salto anda maior, ficou com os dentes da frente perdidos entre as gengivas e o volante da “bêémexis”.

De caminho, não deixámos de percorrer em duas rodas todas estas estradas que ainda nos correm no sangue. O teu sobrinho, no entanto, nunca vai poder andar de bicicleta. Da última vez que fomos a casa deixámos-lhe uma bicicleta novinha em folha encostada a um canto para pasto da ferrugem. Entretanto, já ficámos a saber que lá no ginásio tem uma bicicleta de ginástica só para ele. Só nos resta saber quem vai pagar a conta, se tu, se a tua mãe, e eu nunca me lembro de ter pago o que quer que seja para correr na “aldeia dos macacos” ou em cima da bicicleta.

 

 

 

“É inacreditável que hoje se passeiam mais os cães do que as crianças”

Setembro 28, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://www.dn.pt/ a Carlos Neto no dia 26 de setembro de 2016.

antonio-pedro-santos

Carlos Neto é professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa | António Pedro Santos / Global Imagens

Ana Bela Ferreira

Há mais de 40 anos que o investigador Carlos Neto trabalha com crianças e está preocupado com o sedentarismo. “Há pais que já não têm prazer em brincar com os filhos”

A falta de autonomia das crianças é culpa das famílias ou das escolas que também as ocupam demasiado tempo?

Eu diria que temos de encontrar um conjunto de fatores para explicar o fenómeno, porque não se pode pôr culpas a ninguém em particular. Veja-se a cidade de Lisboa e o inferno que é às seis da tarde e às oito da manhã e a maneira como as famílias têm de se encarregar de distribuir a vida dos filhos no tempo escolar e para além da escola. Por outro lado, não há uma política habitacional pensada do ponto de vista de criar uma mobilidade saudável no crescimento e no desenvolvimento dos jovens. Só dessa maneira é que se pode compreender o que é que está a acontecer com o baixo índice de mobilidade que temos em Portugal. Os estudos que fizemos em 16 países demonstram que ficámos em 14.º lugar. Muito abaixo dos países escandinavos, onde essa mobilidade é muito elevada, onde têm uma autonomia muito grande e vivem a natureza e o território da cidade de forma plena. Em Portugal, e nos países do Mediterrâneo, a situação é muito complexa, porque há perigos diversos e depois há medos que se instalaram na cabeça dos pais.

Mas esses perigos não existem também nos países nórdicos?

Eles têm uma filosofia de organização do tempo e do espaço completamente diferente. Significa que os nossos jovens e crianças têm muita dificuldade em ter essa autonomia desde muito cedo, porque encontram diversos constrangimentos. Desde o trânsito, o fenómeno da urbanização, a maneira como o tempo escolar e o tempo de trabalho dos pais está organizado. Por outro lado, ganhou-se um medo enorme de as crianças andarem autónomas na rua. A rua desapareceu, está em extinção como local de jogo, de brincadeira, de encontro de amigos. O problema da socialização é uma das questões mais importantes que se colocam hoje na nossa juventude e nas culturas de infância. Temos aqui um problema muito sério que só pode ser resolvido com medidas corajosas e arrojadas do ponto de vista político.

Isso significa facilitar os transportes, criar espaços verdes?

Espaços verdes, política habitacional mais adequada à política educativa e também à gestão do tempo de trabalho dos pais. Está tudo demasiadamente formatado e as crianças e jovens precisam que isso seja desconstruído para a vivência do corpo em situações mais espontâneas e mais naturais, do espaço construído e do espaço natural da cidade. Quando falamos em índice de mobilidade baixa, isso significa que temos de atuar em várias frentes para tornar mais sustentável uma vida feliz e com sucesso das crianças e jovens porque elas merecem. E acima de tudo uma perspetiva de não repressão do corpo em movimento porque o sedentarismo não é só físico, é também mental, social e emocional. A investigação científica tem demonstrado claramente que quem mais faz atividade física, mais brinca na infância, mais tem relação com os amigos, são crianças que normalmente têm mais sucesso no futuro, mais rendimento escolar e obviamente têm um índice de felicidade e de empatia muito maior.

Mas hoje as crianças quase só se relacionam com as outras em atividades organizadas.

Praticamente está tudo organizado quer do ponto de vista das atividades no meio escolar quer nas atividade extraescolares. Se isto ainda não bastasse têm depois uma cultura de ecrã muito agressiva. É muito natural ver crianças à volta de uma mesa de café e não se falam, estão todas a olhar para o iPhone. O corpo em movimento é fundamental para todo o desenvolvimento, não só emocional, também cognitivo, social e emocional. A escola tem de urgentemente mudar o modelo de funcionamento, quer na organização curricular quer na forma como as crianças são mais ou menos participativas. Temos de dar uma espécie de um trambolhão na sala de aula, no sentido de tornar as aulas mais ativas por parte das crianças.

Falta uma política de brincadeira?

Há alguns sinais interessantes do Ministério da Educação de tentar que a vida na escola não seja uma coisa tão formal e tão séria, isto é, de ter tempos mais disponíveis para expressão dramática, educação física, música, dança ou um conjunto de atividades que consigam que o corpo disponibilize maior capacidade expressiva, de empatia, de modo a tornar os cidadãos mais cultos, com maior capacidade de ética e de cidadania e portanto não estar apenas centrado nos rankings. Está provado cientificamente que crianças com maior nível de atividade física e relacional no recreio aprendem mais na sala de aula. Portanto, não podemos querer crianças sedentárias ou a ouvir um conhecimento que muitas vezes não lhes interessa. O ensino não pode ser isto no século XXI.

A gestão do tempo da família também tem de mudar?

Temos de dar um ar fresco a este país, este país não pode estar com esta depressão enorme em que temos pais e professores esgotados, porque as crianças reparam em tudo. Há pais que já não têm prazer em brincar com os filhos, e há professores que já não têm capacidade de perceber a importância dessa atividade espontânea do que é correr atrás de uma bola, subir a uma árvore, fazer um jogo de grupo no recreio ou pura e simplesmente subir o muro e tentar descobrir o que está do lado de lá. Ou ter locais secretos. Como é que nós promovemos a saúde pública e mental numa perspetiva de maior cidadania, de maior empreendedorismo e de maior grau de felicidade? É isso que está em causa quando falamos em promover o corpo em movimento. Nunca foi tão importante o papel dos pais e da família na educação dos filhos no que diz respeito à implementação deste tipo de atividades. Sair com as crianças para a rua e brincar, desfrutar a natureza. Os pais têm de ter mais tempo disponível para fazer este tipo de atividades. É inacreditável que hoje se passeiem mais os cães do que as crianças. Inacreditavelmente faz-se hoje um esforço inadmissível de tornar os robôs mais humanos e ao mesmo tempo estamos a robotizar o comportamento humano.

 

Suíços resistem à educação baseada no medo – por enquanto

Setembro 5, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.swissinfo.ch/por/ de 29 de agosto de 2016.

Express

Por John Heilprin

Quando o consultor de negócios Christoph Hunziker voltou para Berna com sua família após mais de um ano no Peru, foi preciso apenas um dia para que seu filho de 6 anos de idade se acostumasse a ir sozinho para o jardim de infância.

A caminhada é de apenas algumas centenas de metros, através de um caminho entre prédios de apartamentos. Mas ele precisava ainda atravessar a entrada de uma garagem. O percurso acabou se transformando em um rito de passagem importante para ele.

“Isso tornou-o muito mais independente. E também mais maduro, eu acho. E responsável”, diz Hunziker.

Na Suíça, assim como nos Estados Unidos, Canadá e alguns outros países, é comum ver crianças caminhando sozinhas para a escola, ou brincando fora do alcance da voz ou dos olhos dos pais.

“Eu acho que ser independente o tanto quanto possível é algo completamente normal para as crianças”, diz Alexander Renggli, diplomata suíço e pai de dois filhos, que vê aí uma possível ligação com o sistema político da Suíça, baseado na democracia direta. “Talvez seja também parte de um valor político fundamental que temos na Suíça. É o que chamamos de autorresponsabilidade.”

Renggli passou grande parte de sua infância no exterior em lugares onde ele não podia sair por si mesmo, mas como pai ele aprecia a maneira suíça.

“Eu acho que isso também traduz de forma básica a maneira como somos socializados, como crescemos, assumindo responsabilidades desde pequeno”, disse.

Medo da violência

Os índices de criminalidade nos Estados Unidos são mais baixos agora do que na época em que os pais de meia-idade de hoje eram crianças e não podiam brincar ou ir para a escola sozinhos. O mesmo ocorre em alguns países como o Reino Unido, Canadá e Austrália.

E isso é um dos principais pontos do “Free-Range Kids”, um movimento de pais nos EUA que surgiu após o sucesso do livro da americana Lenore Skenazy, que aborda como educar as crianças para que elas cresçam em segurança e seguras de si.

Skenazy, que lançou o livro depois de escrever uma coluna de jornal em 2008 sobre deixar seu filho de 9 anos de idade andar sozinho de metrô em Nova York, disse que a Suíça oferece um bom exemplo de como não “superproteger” as crianças.

“A liberdade é uma parte essencial da vida”, diz Skenazy. “Se os pais estão sempre lá para mediar os problemas, os medos, os perigos e as confusões, as crianças acabam não tendo a oportunidade de fazer isso por conta própria.”

Meu primeiro dia de aula  Os primeiros passos de Elias na escola.

Crianças que brincam ou vão sozinhas para a escola é algo comum não só na Suíça, mas também em outros países como Alemanha, Japão e Holanda.

A ênfase na promoção da autossuficiência das crianças, permitindo-lhes mais independência, contrasta com alguns outros países desenvolvidos como os EUA, que só recentemente aprovou uma lei federal que permite às crianças irem à escola pela forma que os pais julgarem ser “apropriada à idade”.

Skenazy cita os índices de criminalidade para mostrar que a situação está muito mais segura nos EUA do que muitas pessoas pensam. Mas as pessoas acabam cedendo a seus medos, segundo ela, porque “o cérebro funciona como o Google”, às vezes dando importância demais a um único incidente – um fenômeno percebido também na Suíça.

Casos suíços

Em 2007, o desaparecimento de uma menina de cinco anos de idade no cantão de Appenzell, na região leste do país, pôs em questão a proteção das crianças na tradicionalmente “segura” Suíça, onde os casos de desaparecimento e assassinatos de crianças são raros.

No verão deste ano, o desaparecimento de um menino de 12 anos de idade em uma cidade do cantão de Solothurn revelou alguns perigos da era digital.

O menino foi encontrado na casa de um homem de 35 anos de idade em Düsseldorf, na Alemanha. Eles se conheceram jogando pela internet. A polícia prendeu o homem por suspeita de abuso sexual de menor e falsidade ideológica, e apreendeu em seu domicílio material de pornografia infantil.

Esses tipos de incidentes – e o ciclo incessante de notícias que geram – fazem com que alguns educadores temam que a Suíça possa, eventualmente, mudar suas normas. Para Babette Domig, professora aposentada de escola primária em Berna, muitas famílias suíças que vivem de forma tradicional no campo não têm tempo para superproteger suas crianças.

“Ter mais tempo, mais informações, saber mais (sobre o mundo), às vezes não só ajuda. Eu acho que é o que está acontecendo no momento”, disse.

Autonomia

Quando as crianças não podem descobrir as coisas por si mesmas, elas podem ficar sem as habilidades necessárias para lidar com as dificuldades. A psicóloga alemã Dorothe Dörholt diz ver algumas semelhanças entre seus jovens pacientes suíços.

“Muitos cresceram protegidos demais de tudo, sem ter contato com situações negativas”, conta. “Mais tarde, de repente, eles saem da escola, vão para a universidade e se sentem sobrecarregados. Eles não têm as ferramentas para lidar por conta própria com as dificuldades que enfrentamos como jovens adultos.”

Dörholt diz que todos os lugares em que ela morou – Alemanha, Estados Unidos e Suíça – são seguros para as crianças, mas o comportamento dos pais varia segundo o “medo ressentido”.

“Tem muito a ver com a mídia. Se você vê o tempo todo crianças sendo raptadas, mesmo que seja uma ocorrência rara, você acaba achando que o mundo é um lugar perigoso”, disse.

Segundo a psicóloga, as crianças têm uma tendência natural para a autonomia e é importante que os pais permitam que isso aconteça.

“Porque, se uma criança tiver êxito, ela percebe, ‘Uau, eu posso fazer isso’, e se não tiver, ela percebe, ‘Uau, isso foi difícil. Não consegui, mas nada de ruim aconteceu, então posso tentar de novo”, conta Dörholt.

A volta para casa

Alguns pais, como Hunziker, dizem que a volta da escola – um dos poucos momentos da semana quando as crianças podem ter tempo livre – é ainda mais importante para as crianças aprenderem a ser autônomas do que a ida para a escola, quando há um tempo a ser respeitado.

O próprio filho de Hunziker ficou irritado no primeiro dia do jardim de infância, quando viu que seu pai estava observando-o. Para o pai, a transição pode ter sido mais difícil – começando no Peru, onde ele se preocupava com o trânsito de Lima e outros problemas de segurança.

“Quando minha esposa ia a algum lugar com as crianças e eu ficava em casa ou estava em outro lugar, eu costumava ficar realmente preocupado”, conta Hunziker. “Mas aprendi a deixar um pouco, na verdade, com o tempo nos soltamos.”

mais informações no link:

http://www.swissinfo.ch/eng/-free-range-kids-_swiss-resist-fear-based-childrearing—for-now/42384890?srg_sm_campaign=general&srg_sm_medium=soc&srg_sm_source=sflow

 

Crianças Que Acampam Vão Melhor Na Escola, São Mais Felizes e Saudáveis, Sugere Estudo

Abril 16, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://macamp.com.br de 1 de outubro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

What do children learn when camping? Perceptions of parents and children

notícia original:

Get Kids Camping: research results

macamp

Por Marcos Pivari

Crianças que acampam ao ar livre pelo menos uma vez por ano têm melhor desempenho escolar, além de serem mais saudáveis e felizes, de acordo com seus pais. Essa foi a conclusão de um estudo realizado pelo Instituto de Educação da Universidade de Plymouth, que contou com a colaboração do Camping and Caravanning Club, instituição do Reino Unido com mais de 500.000 membros, que ajudou a entender as relações entre educação e acampamento.

Pais e crianças do Reino Unido responderam a uma série de perguntas que visavam os benefícios educacionais, psicológicos e sociais que a experiência dos acampamentos proporcionava para crianças de todas as idades.

Liderada por Sue Waite, professora associada do Instituto de Educação Plymouth, a pesquisa constatou que 4 de cada 5 pais julgavam que os acampamentos tinham um efeito positivo sobre a educação escolar de seus filhos. Além disso o estudo mostrou que 98% dos pais disseram que os acampamentos faziam os filhos apreciarem e se conectarem à natureza; 95% disseram que os filhos ficavam mais felizes quando acampavam; e 93% que a prática de camping ajudava no desenvolvimento de novas habilidades úteis para a vida mais tarde.

Alguns pais,15%, relataram que estar desligado de tecnologias (computadores, tablets, celulares) é uma coisa boa para seus filhos e um dos benefícios da prática de camping; 20% dos pais disse que o acampamento dá às crianças liberdade, independência e confiança; mais de dois terços, 68%, julgavam que os acampamentos ajudavam seus filhos no processo de aprendizagem em sala de aula, pois as crianças podem compartilhar suas aventuras e experiências de quando acamparam, bem como de suas empolgantes visitas a locais onde elas aprendem história.

Sue Waite disse: “O interessante é que os pais acreditam que o acampamento ajuda na compreensão do currículo escolar nas matérias de Geografia, História e Ciências. E na verdade isso acontece porque as atividades de camping mais comuns são naturais – como procurar plantas e animais escondidos em pedras e árvores e trilhas em meio à natureza – onde as crianças conseguem entender melhor os ecossistemas e identificar as formas de vida, respeitando assim a natureza e o meio ambiente.

Quando perguntado às crianças que participaram da pesquisa o que elas mais gostavam nos acampamentos as respostas mais comuns eram: fazer e conhecer novos amigos, se divertir, brincar ao ar livre e aprender várias habilidades de campismo. As crianças também reconheceram o valor dos acampamentos para as disciplinas escolares e para a resolução de problemas e para o trabalho em grupo.

O artigo original está em:  http://goo.gl/z1Jfsm

 

 

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