Crianças praticam menos desporto por falta de tempo e dinheiro

Agosto 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de julho de 2019.

Investigação avança que as raparigas são as mais privadas da actividade desportiva por entraves associados à segurança.

Lusa

A falta de tempo e de dinheiro são dois dos principais obstáculos à prática desportiva pelas crianças, revela um estudo do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS), Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra (FCTUC).

A investigação avança que “a falta de tempo e de dinheiro são duas grandes barreiras para a prática de desporto em crianças com idades entre os 6e os 10 anos”.

Mas a segurança também é um dos entraves à pratica desportiva por parte das crianças, “especialmente das raparigas”, segundo a mesma investigação, intitulada “Parental perception of barriers to children’s participation in sports: biological, social, and geographic correlates of Portuguese children”, destaca um comunicado da FCTUC.

Publicado no Journal of Physical Activity and Health, o estudo pretende identificar “as barreiras percebidas pelos pais que podem contribuir para estratégias de promoção da actividade física em crianças, e perceber até que ponto o estatuto socioeconómico, o local de residência e o sexo, a idade e a participação desportiva das crianças afectam essas barreiras percebidas”, explicita a instituição.

Dos 834 pais inquiridos, residentes nos concelhos vizinhos de Coimbra e da Lousã, “quase metade referiu a falta de tempo e a falta de dinheiro como as principais barreiras para a prática desportiva das crianças”.

Saúde, transporte, segurança, instalações, clima, cansaço e falta de interesse das crianças foram outras barreiras apontadas pelos pais.

“Como esperado, de modo geral, os pais com menor poder socioeconómico indicaram mais barreiras, principalmente a nível do custo e do transporte para a prática dessas actividades”, refere Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo. “Curioso foi que os pais de raparigas reportaram mais barreiras relacionadas com o custo e a segurança do que os pais de rapazes”, salienta, citada pela FCTUC.

Ainda de acordo com a investigadora do CIAS, o facto de os pais das raparigas indicarem o custo e a segurança como barreiras pode, “até certo ponto e aliado a outros factores já conhecidos, ajudar a explicar porque é que os rapazes praticam mais desporto do que as raparigas”.

Em relação ao local de residência – locais com maior ou menor nível de urbanização –, a diferença mais significativa que os investigadores encontraram está na falta de tempo: “Os pais dos meios mais urbanizados referem significativamente mais vezes a falta de tempo como barreira do que os pais de meios menos urbanizados”, afirma Daniela Rodrigues.

“Comummente, a maioria das famílias, particularmente das comunidades urbanas, tem pai e mãe em empregos de tempo integral, o que pode contribuir para a falta de tempo dos pais nesses ambientes”, admite.

Os resultados deste estudo “devem ser considerados no planeamento e nas intervenções futuras para promover efectivamente a actividade física em crianças”, recomendam os seus autores. “As barreiras mencionadas pelos pais podem ser superadas em alguns casos com o envolvimento de governos locais, decisores políticos e escolas, disponibilizando sessões de desporto locais para crianças imediatamente após a escola ou durante o dia escolar”, sugerem.

O artigo citado na notícia é o seguinte:

Parental Perception of Barriers to Children’s Participation in Sports: Biological, Social, and Geographic Correlates of Portuguese Children

Actividade física: o mais importante entre o menos importante – crianças

Julho 25, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Cíntia França publicado no Público de 12 de julho de 2019.

Cíntia França

Professora de Educação Física e doutoranda em Ciências do Desporto pela Universidade de Coimbra.

Depois de uma criança estar inserida numa prática desportiva organizada, por exemplo, individual ou colectiva, dificilmente conseguirá deixar de a integrar por opção própria. O movimento é a paixão mais forte e benéfica que existe.

O aumento dos tempos lectivos veio acompanhado de mais trabalhos de casa. Esta equação de soma é subtraída do tempo, resultando no tempo livre. Isto, provavelmente, pelo facto de o sucesso escolar ser, na prática, o principal ditador do destino de uma criança. Afinal, só poderemos ser o que quisermos ser se a média o permitir, independentemente das tantas outras coisas que definem um ser humano.

O sistema é vicioso e tira mais do que oferece. O programa curricular é mais extenso e, quando aliado ao número de alunos por professor, percebemos que dificilmente será possível “acompanhar a matéria”. Por essa razão (e não só) surgiram as explicações, aumentando novamente a necessidade de enfiar a cabeça entre os livros. Este é mais um factor que afecta o tempo.

Em suma, é o tempo que está em jogo e, se considerarmos a quantidade de tarefas atribuídas às nossas crianças e jovens, ficamos quase com a sensação de que iremos viver para sempre. Afinal, onde está o tempo para estar na escola, fazer os trabalhos de casa, talvez ir até à explicação, estudar e, quem sabe, fazer algo que não esteja relacionado com a escola, como praticar desporto ou outra qualquer actividade? É preciso tempo para se ser saudável e para se crescer.

Curiosamente, talvez seja esta limitação do tempo que torna a actividade extra tão preciosa. Depois de uma criança estar inserida numa prática desportiva organizada, por exemplo, individual ou colectiva, dificilmente conseguirá deixar de a integrar por opção própria. O movimento é a paixão mais forte e benéfica que existe.

Assim, sobra-nos apenas uma opção: gerir o tempo. E como o tempo é, normalmente, gerido através das prioridades que são individualmente estabelecidas, adoptemos a noção de que o desporto é a “coisa” mais importante entre as “coisas” menos importantes. Continuemos a catalogar o sucesso escolar como o principal objectivo, mas, em detrimento dos tempos mortos em tecnologias, priorizemos o desporto. As crianças ficarão obrigatoriamente presas aos computadores, quer numa fase mais avançada do seu percurso escolar quer num emprego futuro. Portanto, resta-nos evitar que se dispersem na tecnologia enquanto realmente essa opção está disponível.

O desporto é um meio privilegiado para o desenvolvimento da disciplina, do sentido de responsabilidade e de compromisso, do respeito pelo colega ou adversário, da capacidade de superação e, consequentemente, melhoria da auto-estima, do espírito de equipa, resultando, sumariamente, na promoção da felicidade. Se pensarmos no que consiste a vida, lembrar-nos-emos destes princípios. Queremos seres humanos bem-sucedidos e queremos igualmente bons seres humanos. Vamos dar-lhes a conhecer o desporto e a recompensa humana será, provavelmente, bem mais valiosa do que a média

Pai, mãe, ensinem as crianças a mexerem-se

Julho 18, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Daniel Rocha

Artigo de opinião de Cíntia França publicado no Público de 5 de julho de 2019.

São vários os estudos que concluem que a inactividade durante a infância e a adolescência raramente é contrariada na vida adulta. Logo, é forte a probabilidade de existirem cada vez mais adultos sedentários.

A evolução para uma sociedade totalmente capitalista e dependente da tecnologia produziu um impacto (quase) incalculável nas nossas crianças. Enclausurámo-nos em apartamentos, rodeados de estradas ou de outros apartamentos, e o espaço tornou-se contado ao pormenor, definido pelos limites do que é considerado seguro aos nossos olhos. Ganhámos o urbanismo e perdemos a independência.

Será, portanto, impensável — e inconcebível, por vezes — deixar uma criança ir a pé para a escola. Não fará sentido não a deixar à porta das suas actividades diárias, evitando a necessidade de se ter que atravessar uma passadeira. Estamos demasiado cansados, depois de um dia de trabalho, para nos deslocarmos até onde exista um verdadeiro espaço. Estamos, definitivamente, cegos por não nos apercebemos da forma como impactamos o desenvolvimento das nossas crianças.

As provas de aferição realizadas na área da Educação Física, realizadas, pela primeira vez, no passado ano lectivo, sumarizaram dados extremamente preocupantes. Ora vejamos:

  • 33% dos alunos apresentou dificuldades em participar num jogo colectivo;
  • 46% não conseguiu dar seis saltos consecutivos à corda;
  • 40% não conseguem dar uma cambalhota para a frente.

Estes foram os dados escandalosamente repetidos na comunicação social. Estes são os dados que expressam as capacidades dos nossos alunos do 2.º ano de escolaridade. Crianças cuja motricidade foi seriamente afectada pelo nosso estilo de vida. Crianças que dominam a tecnologia do telemóvel e do tablet, privilegiando a activação dos “dados móveis” em detrimento da participação activa no recreio da escola. Crianças que se deparam com a instabilidade que ronda a importância da Educação Física no contexto escolar: ora pela distribuição dos tempos lectivos, ora pelo facto de a disciplina pesar, ou não, nas médias finais. Crianças essas que dificilmente terão a oportunidade de assistir a um evento desportivo que não esteja centrado no futebol.

Pai, mãe, ensinem as crianças a mexerem-se! O desporto é algo demasiado importante para ser ignorado. Capaz de ensinar a vencer e a ser vencido; de incentivar o respeito pelo outro; de perceber a relação entre o corpo e o espaço; de elevar os limites para aquelas que julgamos ser as barreiras das nossas capacidades; de relacionar com o outro, permitindo-nos ganhar amigos para a vida.

Pai, mãe, o desporto é algo demasiado importante para privarem as crianças de o praticarem. São vários os estudos que concluem que a inactividade durante a infância e a adolescência raramente é contrariada na vida adulta. Logo, é forte a probabilidade de existirem cada vez mais adultos sedentários e que serão, precocemente, afectados pela doença.

Pai, mãe, provavelmente nada será mais libertador do que o movimento. Para tal, é necessário que os vossos filhos aprendam como fazê-lo: no recreio da escola, no parque, na actividade extracurricular, no clube, no quintal de vossa casa. Sem esquecer que a aprendizagem envolve prática e não resulta de uma actividade esporádica.

Pai, mãe, ensinem as crianças a mexerem-se e elas ficar-vos-ão gratas para o resto da vida.

Cíntia França

Professora de Educação Física e doutoranda em Ciências do Desporto pela Universidade de Coimbra.

Violência Zero no Desporto

Junho 5, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações nos links:

https://www.facebook.com/violenciazero.gov/

https://www.instagram.com/violenciazeropt/?utm_source=ig_profile_share&igshid=7390k9cnzp5o

https://www.violenciazero.gov.pt/pt

Do jogo ao desporto – Carlos Neto

Abril 16, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Virgil Cayasa on Unsplash

Artigo de Carlos Neto publicado no site Fronteiras XXI

Em Portugal 70% das crianças brincam menos de uma hora por dia. As crianças têm hoje menos tempo para brincar do que os prisioneiros nas prisões. A inversão desta tendência pode ser alcançada através de políticas públicas que promovam mais atividade física regular, uma educação física consistente no contexto escolar, atividades desportivas adequadas em diferentes idades e cidades que permitam a criação de estilos de vida saudável para todos os cidadãos.

Vivemos num tempo de grande inatividade física e as crianças e jovens sofrem por isso. É um tempo de analfabetismo motor, porque elas não têm de facto uma literacia física e motora adequada, porque o tempo de brincar na rua desapareceu e está em vias de extinção (Neto, 2001). As crianças hoje não têm tempo para brincar, explorar com os amigos a rua de forma livre e espontânea.

É preciso dizer que há um declínio enorme do jogo livre nas últimas décadas do ponto de vista de tempo e espaço para brincar. Por outro lado, aumentou de forma dramática as desordens mentais: ansiedade, depressão, hiperatividade/deficit de atenção e taxa de suicídio na adolescência.

Esta mudança nas últimas quatro décadas, poderá dever-se a uma transição epidemiológica (excesso de peso e obesidade, diabetes, doenças cardíacas e respiratórias, etc.), transição demográfica (densidade populacional e espacial), transição nutricional e digital (alteração de hábitos alimentares e aumento da utilização quotidiana de dispositivos digitais) e diminuição significativa de tempo e espaço de jogo de atividade física.

Para ter uma ideia, 70% das crianças em Portugal brincam menos de uma hora por dia. As crianças têm hoje menos tempo para brincar do que os prisioneiros nas prisões, que têm mais tempo de ócio fora das celas. O tempo na infância, passou a ser vivido de forma muito organizada, estruturada e limitada. Temos currículos escolares muito extensos e intensos, e as crianças passam muito tempo sem mexer o corpo estando sentadas e quietas. Os relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS), têm vindo a alertar para um aumento exponencial de sedentarismo em todas as idades, géneros, raças, continentes e culturas, com consequências nocivas a curto, médio e longo prazo para a saúde física e mental da população mundial.

A inversão desta tendência pode ser alcançada através de políticas públicas que promovam mais atividade física regular, uma educação física consistente no contexto escolar, atividades desportivas adequadas em diferentes idades e cidades mais saudáveis que permitam oportunidades de criação de estilos de vida saudável para todos os cidadãos. Uma relação mais próxima com a natureza, colocar o corpo em situações de maior nível de risco e desenvolver atividades lúdicas e desportivas em grupo é um grande desafio para a saúde pública dos cidadãos do século XXI.

Na infância e juventude é urgente encontrar estratégias de ação para melhorar o seu reportório motor, lúdico e desportivo. A formação desportiva mobiliza milhares de crianças e jovens, mas interessa elaborar uma reflexão séria como esse processo deve ser caraterizado e implementado na escola e no clube desportivo.

A nossa opção quanto à filosofia de ação na formação desportiva, inicia-se através de duas dinâmicas complementares: oportunidades de brincar (jogo exploratório) e jogar (atividade motora com regras) em situações informais (em casa, na rua, recreio escolar, espaços ao ar livre) e no plano escolar (educação física e desporto escolar) através de atividades físicas e motoras de forma intencional, sistemática e periódica. Deste modo, será necessário:

1-Criar condições propícias para a formação de uma cultura motora básica (saber fundamental), através de formas de trabalho diversificado e capazes de desenvolver e manter durante qualquer idade, uma plasticidade motora, capaz de permitir a adaptação a novas situações de maior complexidade ou culturalmente institucionalizadas;

2-Permitir o acesso a tarefas motoras mais ou menos definidas, a fim de permitir uma estruturação percetiva consistente (consciência da sua mobilidade corporal e perceção de dados exteriores). Desenvolver igualmente aspetos relacionados com aquisições motoras centradas sobre conceitos de direção, lateralidade, ajustamento postural, coordenação motora global e segmentar, perceção temporal e espacial e imagem do corpo, nas relações estabelecidas na utilização do próprio corpo, dos objetos e com os companheiros, como elementos decisivos para um aperfeiçoamento desejável no desenvolvimento motor infantil.

A designação de cultura motora fundamental que propomos não significa cultura de movimentos. Pretende somente traduzir a capacidade de domínio do corpo a partir da vivência de múltiplas situações de movimento. De outra forma, poderemos designar a qualidade de desempenho motor adquirido como uma capacidade facilitadora de novas aprendizagens em situações mais estruturadas ou inabituais.

Por outro lado, a mobilidade das crianças em contexto pedagógico significa que as ações motoras apresentam um processo dinâmico com um fim definido, sem muitas vezes se perceber de forma bem clara a intencionalidade dos seus comportamentos (fantasia, simbolismo e afeto). Trata-se de formas de movimento com um nível próprio de organização e que permitam graus de complexidade progressiva das estruturas motoras.

Passar do jogo ao desporto, implica perceber o desenvolvimento lúdico, motor, percetivo, cognitivo, emocional e social da criança ao longo do tempo (life spain). A formação desportiva deverá seguir uma orientação desenvolvimentista (respeito pelo crescimento e evolução motora infantil) e não por uma orientação desportivista (imposição de modelos adultos no trabalho desportivo com crianças e jovens).

A motricidade, o movimento, a atividade física e o jogo, são formas de ação fundamentais nas primeiras idades, porque é aí que tudo começa, isto é, a formação desportiva começa mais cedo do que as pessoas julgam. Não se fazem campeões a partir dos 12, 13, 14 anos. Começa antes, mas é preciso perceber qual é a conceção pedagógica, técnica e científica que se deve trabalhar na formação desportiva nas primeiras idades.

 

 

Seminário contra a Violência e Discriminação no Desporto, 15 dezembro na FMH

Dezembro 11, 2018 às 9:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.fmh.utl.pt/pt/noticias/eventos/item/7062-seminario-contra-a-violencia-e-discriminacao-no-desporto

Câmara de Almeirim vai castigar clubes pelo mau comportamento dos pais

Dezembro 4, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de novembro de 2018.

Iniciativa “Pais de Desportistas são Pais Responsáveis” pretende erradicar comportamentos violentos e premiar atitudes de fair play nos escalões de formação.

Miguel Dantas

A Câmara Municipal de Almeirim colocou em marcha uma iniciativa que pretende sensibilizar os pais de jovens atletas para o mau comportamento nos eventos desportivos. Intitulada “Pais de Desportistas são Pais Responsáveis”, a campanha punirá os clubes cujos adeptos tiverem comportamentos antidesportivos e dará incentivos aos emblemas que demonstrarem fair play. Inicialmente pensado para as categorias de formação, o código de conduta será aplicado a todas as modalidades praticadas no concelho.

Pedro Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Almeirim, revela ao PÚBLICO que o ambiente tóxico transversal a várias modalidades foi o principal catalisador para a criação do código de conduta que entrou em vigor no início de Novembro: “Temos um conjunto de pais que acompanham os filhos nas idades de formação. O problema é que algumas pessoas vêem os seus filhos como Ronaldos e não percebem que os miúdos estão a praticar desporto, em primeiro lugar porque é saudável, e depois para se divertirem”.

O presidente da autarquia do distrito de Santarém garantiu que a ideia já estava a ser pensada há vários meses e tem como principal objectivo a erradicação faseada de comportamentos que manchem a prática desportiva saudável: “Queremos banir más atitudes. Desautorizar os técnicos, insultar os adversários e os árbitros, todos os maus exemplos que acabam por contrariar aquilo que devia ser o bem da prática desportiva. No futuro quero, no limite, que se altere a má linguagem que se utiliza nos desportos”.

Efeito “tranquilizador” para os árbitros

Para além dos adversários, os árbitros são, muitas vezes, outro dos alvos preferenciais dos pais dos jovens atletas. Para Jorge Maia, presidente do Conselho de Arbitragem de Santarém, a campanha terá um efeito “tranquilizador” nos juízes que arbitrem encontros em Almeirim.

“Qualquer comportamento que seja fora do normal, atendendo ao escalão etário, o árbitro sinalizará num formulário próprio e remeterá para os serviços da autarquia, para que os clubes possam ser penalizados ou valorizados consoante o comportamento que tenham”, explica Jorge Maia.

Segundo o dirigente do Conselho de Arbitragem, ainda não foram registados quaisquer incidentes nos encontros de formação, percebendo-se que os comportamentos dos encarregados de educação já estão a ser moldados pela iniciativa: “Acima de tudo notamos da parte dos pais um receio daquilo que possa advir para os clubes”.

Carlos Neto, investigador em áreas como o jogo e o desenvolvimento da criança, elogia a iniciativa da autarquia de Almeirim, alertando, porém, para o longo caminho que ainda há para percorrer: “Todas as iniciativas relacionadas com a moderação parental nos comportamentos desportivos são sempre bem-vindas. Precisamos de fazer formação parental, dos treinadores, dos dirigentes porque ainda há muita tendência para colocarmos modelos [de competição] adultos em práticas infantis”.

Para o professor da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, em muitos casos, os pais reflectem nos filhos as expectativas próprias que acabam por não ser concretizadas: “Há uma projecção para as crianças terem o êxito que eles não conseguiram. No fundo, é transportado para os filhos um ideal que os próprios não tiveram oportunidade de realizar”.

O investigador faz questão de não generalizar os progenitores, afirmando que “há pais para todos os gostos” e que a maioria tem comportamentos de fair play. Porém, nos casos em que essas atitudes salutares não se verificam, são os jovens os agentes desportivos que saem mais afectados: “A criança gosta de fazer desporto porque lhe dá prazer, não pelos prémios e medalhas. Muitas vezes, não conseguem aguentar essa pressão emocional. Há muitas crianças a sofrer enquanto fazem desporto”.

 

 

 

Campanha Start to Talk, promovida pelo Conselho da Europa, 18 novembro Dia Europeu para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual

Novembro 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.coe.int/pt/web/human-rights-channel/stop-child-sexual-abuse-in-sport

 

A prática desportiva também estimula a criatividade das crianças

Maio 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Texto e foto do site Educare de 27 de abril de 2018.

Uma investigação portuguesa que demonstra que o desporto potencia a criatividade dos mais novos ganhou um prémio internacional. Sara Santos vai apresentar os resultados do seu trabalho numa conferência em Nova Iorque, em junho. Há vontade de disseminar o programa pelo país e fora dele.

Sara R. Oliveira

Sara Santos é investigadora do Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD) e estuda os efeitos de um programa de treino desportivo, de seu nome Skills4genius®, no pensamento criativo de crianças. A prática desportiva estimula a criatividade dos mais novos. Esta é a conclusão que sobressai das suas pesquisas. Este trabalho ganhou a edição 2018 da Ruth B. Noller Research Grant, promovida pela Creative Education Foundation, que distingue a investigação emergente no domínio da criatividade. É a primeira vez que este prémio é atribuído a Portugal.

A investigadora, professora no Instituto Superior da Maia (ISMAI) e na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), tem-se debruçado no desenvolvimento criativo através do desporto. A criatividade foi avaliada com recurso ao Torrance Test of Creative Thinking (TTCT), um teste com elevado reconhecimento científico, e a intervenção foi implementada em contexto escolar, no 1.º ciclo do Ensino Básico. E os resultados pioneiros saltam à vista. O pensamento criativo está bem presente em crianças, entre os 6 e os 10 anos de idade, que valorizam o exercício físico.

As escolas terão essa noção? Para Sara Santos, os estabelecimentos de ensino deveriam proporcionar contextos que fomentem o processo criativo das crianças. “Contudo, neste momento, as suas práticas estão completamente obsoletas e necessitam de ser revigoradas. Ambientes ativos, como sejam a prática desportiva em clubes ou a educação física nas escolas, potenciam o desenvolvimento simultâneo do pensamento criativo, e da performance motora criativa, portanto não os devemos depreciar”, refere.

“É extremamente importante que as crianças sejam elementos ativos no seu processo de ensino e aprendizagem, só assim desenvolvem competências críticas e metacognitivas capazes de suportarem a criatividade que é considerada a predisposição do século XXI”, sublinha.

Qualidade no treino e no ensino
O programa Skills4genius® foi desenvolvido tendo em consideração o contexto dos jogos desportivos coletivos e os resultados têm sido consistentes. Há desportos mais aconselháveis do que outros? “A investigação científica ainda é escassa neste domínio e não se consegue responder se as modalidades coletivas são mais indicadas comparativamente às individuais. Não obstante, independentemente da tipologia da modalidade, o mais importante para o desenvolvimento da criatividade é a qualidade do processo de treino/ensino que deve ser sustentando em pedagogias positivas e na variabilidade do movimento”, explica.

Sara Santos pretende disseminar os resultados obtidos que têm implicações para o contexto educativo e desportivo que, por sua vez, irão permitir orientar as práticas dos professores e treinadores para que “criem contextos enriquecedores que instigam o comportamento criativo nas crianças, evitando, assim, a diminuição da criatividade com a progressão da idade”. O objetivo é disseminar o programa Skills4genius® à escala nacional e talvez internacional.

A distinção internacional é relevante e reconhece o trabalho de toda a equipa do CreativeLab-CIDESD, que tem impulsionado esta recente área de investigação. Entre 31 candidaturas de vários países, ganhou o projeto português. O prémio atribui uma verba para apoiar a investigação e Sara Santos tem ainda a oportunidade de apresentar o seu trabalho na conferência “Creative Problem Solving Institute Conference (CPSI)”, em Buffalo, Nova Iorque, que tem lugar de 19 a 24 de junho. Uma oportunidade para conhecer e partilhar estratégias pedagógicas inovadoras que Sara Santos acredita irão enriquecer as suas práticas enquanto docente e investigadora.

mais informações nos links:

 

Sara Santos, Ruth B. Noller Research Grant Recipient

 

O país onde crianças combatem por dinheiro

Novembro 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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©Berta Couto

Texto do http://p3.publico.pt/ de 23 de outubro de 2017.

“É difícil ficarmos imunes ao elevado número de crianças que vive nas ruas da Tailândia. (…) Face a isto não há praia de águas azul-turquesa ou ilhas de James Bond que nos tragam algum conforto emocional”, garante Berta B.B. Couto, autora do projecto fotográfico Fight For One’s Life, em declarações via email ao P3. “As crianças tailandesas são frequentemente vistas como obrigações ou fardos pelas comunidades onde vivem, motivo por que são usadas como fonte de rendimento”, explica. Os combates da arte marcial Muay Thai, protagonizados pelos menores a troco de dinheiro, são a resposta encontrada pelas famílias, pelos ginásios e pelas próprias crianças para escapar à pobreza.

A arte marcial é, actualmente, encarada como “um grande negócio”, alimentado sobretudo pelo turismo. Não há “banca de venda de tours” que não apregoe o combate de jovens lutadores como “uma das principais atracções do país”, descreve a enfermeira e fotógrafa. Uma lei promulgada pelo estado tailandês proibiu, em 1999, a prática profissional de Muay Thai por indivíduos menores de 15 anos, mas Berta sabe que muitos começam a treinar e a lutar muito antes de atingirem essa idade. Em Junho de 2017, interessada em praticar a arte marcial, a portuguesa entrou em contacto com vários ginásios da modalidade, acabando por começar a treinar num clube desportivo em Chiang Mai, no norte da Tailândia. Uma experiência que foi imersiva: “Durante um mês mantive contacto diário com três jovens lutadores, entre os 14 e 16 anos de idade. Vivi a sua rotina, reconheci as várias emoções vividas por eles ao longo de um dia de treino que começa ainda antes do sol nascer e que termina apenas quando o corpo reconhece o limiar da exaustão”.

A fotógrafa foi criando laços com os jovens e os treinadores e tornou-se também parte do grupo, como se vê nas suas fotografias. “São de facto uma família. Foi isso que me permitiu conhecer a fundo as suas histórias. Percebi que alguns destes jovens foram abandonados pelas famílias, enquanto outros procuraram apenas uma maneira de saírem das ruas onde viviam.” Foi o caso de uma das crianças que Berta conheceu, um rapaz que, com apenas 12 anos, teve o seu primeiro contacto com o mundo das drogas, depois de ter sido rejeitado pelos pais e de ter vivido na rua. “O Muay Thai”, prossegue, “pode ser visto como um desporto cruel e explorador, sobretudo quando vemos estes jovens a cair no ringue inconscientes após um knockout ou quando lhes vemos a face coberta de sangue, braços e pernas partidas, lesões que podem custar semanas de danos físicos e mentais”. Estas crianças, considera, pertencem a outro local: “Deveriam estar a brincar com outros jovens, vivendo a inocência característica destas idades.”

Berta, que se considera uma defensora dos direitos humanos, teve dificuldade em afastar-se emocionalmente do que estava a presenciar, “Várias vezes me questionei sobre o que eu estava ali a viver”, desabafa. Até que um momento a fez ver um outro lado desta realidade: “Quando vi o sorriso de pura felicidade do Pok (um dos jovens lutadores com quem partilhei vários treinos) após uma vitória e depois vi-o a aprender a tocar a Stairway to Heaven na guitarra que comprou com o dinheiro dos combates percebi que [estas crianças] não lutam somente por um título; estão a lutar pelas suas vidas, por um futuro que vão alcançado dia-a-dia, em cada luta”. Procuram um lar, um lugar onde tenham comida, um tecto para dormir, uma família; e encontram-no nos ginásios de Muay Thai, que vêem como “uma porta aberta para um futuro que antes pensavam inalcançável”. Os treinadores lucram com as apostas associadas aos combates, os jovens ganham prémios monetários por cada luta que vencem e os turistas aplaudem um espectáculo que, certamente, reprovariam no seu país de origem.

Enfermeira de cuidados intensivos, Berta é uma apaixonada por fotografia. “Queria ser o Robert Capa feminino, mas, sabendo que dificilmente atingiria esse objectivo, acabei por enveredar por uma profissão onde pudesse ajudar as pessoas”, reflecte. Em Fevereiro de 2017, a portuguesa partiu “numa viagem sem plano e sem data de regresso”. Depois de ter passado pelo Nepal, onde documentou os danos colaterais das monções dos últimos meses, está por estes dias nos Himalaias. A travessia pode ser acompanhada na sua conta no Instagram, que actualiza regularmente.

 

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