Cerca de 370 milhões de alunos sob risco por falta de merenda escolar, alerta ONU

Junho 8, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 29 de abril de 2020.

Unicef e PMA dizem que fechamento de escolas devido à covid-19 cortou única refeição diária para milhões de crianças em todo o mundo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA, alertaram hoje para “consequências arrasadoras na nutrição e saúde” de 370 milhões de crianças que ficaram sem acesso a merendas escolares.

Em nota, o diretor executivo do PMA, David Beasley, disse que “para milhões de crianças em todo o mundo, a merenda escolar é a única refeição que recebem em um dia.”

Riscos

Beasley afirmou que sem essas merendas, as crianças “passam fome, correm o risco de adoecer, abandonar a escola e perder a melhor chance de escapar da pobreza.” Para ele, “é preciso agir de imediato para impedir que a pandemia se transforme em uma catástrofe de fome.”

Essas refeições são especialmente importantes para meninas. Em países de baixa renda, muitos pais enviam as filhas para as escolas para que possam comer, permitindo que escapem de tarefas domésticas pesadas ou casamento infantil.

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, lembrou que “a escola é muito mais que um local para aprender.” Para muitas crianças, “é uma fonte de segurança, serviços de saúde e nutrição.”

Fore disse ainda que, se a comunidade internacional não atuar de imediato, “consequências arrasadoras serão sentidas nas próximas décadas.”

Serviços

Além dos programas de alimentação escolar, escolas em países de baia renda são centrais para serviços de saúde, como vacinas, desparasitação e suplementação.

O PMA e o Unicef estão trabalhando com os governos para apoiar essas crianças. O PMA está apoiando governos de 68 países na distribuição de refeições, cupons ou transferências em dinheiro.

As duas agências também estão ajudando os governos para garantir que, quando as escolas reabrirem, programas de saúde e nutrição continuem existindo. Isso deve incentivar os pais a enviar seus filhos de volta à escola. Também estão trabalhando para rastrear as crianças que precisam de refeições escolares através de um mapa on-line.

Nesse momento, o apoio está sendo prestado em 30 países de baixa renda e ajudando 10 milhões de crianças. Para continuar com estes serviços, as agências precisam de US$ 600 milhões.

Mais informações na Press Release:

Futures of 370 million children in jeopardy as school closures deprive them of school meals – UNICEF and WFP

Quanto maior a fome, pior na escola. Em Portugal, mais de 7% das crianças sente fome todos os dias

Maio 19, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 24 de abril de 2020.

Catarina Reis

Um estudo internacional perguntou a uma amostra de alunos do 4.º ano de escolaridade, em 47 sistemas de ensino diferentes, com que frequência sentiam fome na escola. Em Portugal, 7,33% diz ser “todos os dias”. Os especialistas garantem que este é meio caminho para uma baixa taxa de alfabetização.

Uma refeição choruda na lancheira ou nada na mão. Os cenários podem variar do zero aos 100 entre as crianças que frequentam uma mesma escola. É assim na EB1/JI Sacadura Cabral, na Brandoa, por exemplo. Coberta por uma bata onde o verde e o branco se confundem em xadrez, de pé estendido e cansado sobre um cilindro de metal cimentado no chão, de cigarro na boca, do lado de fora do gradeamento da escola, a funcionária Eduarda pensava no que seria feito dos miúdos, depois de as escolas fecharem oficialmente – na sexta-feira anterior a este acontecimento. “Vive-se com muitas dificuldades por aqui”, porque “há muitas famílias que não têm possibilidades [económicas] para enviar lanche aos filhos todos os dias”, contava. Certezas há pelo menos duas: não é só na Brandoa que mora a fome; e onde ela existe deixa graves mazelas no percurso escolar.

Em Portugal, 7,33% das crianças que frequentam o 4.º ano de escolaridade (por isso, com uma média de 10 anos de idade) admite sentir fome “todos os dias” quando chega à escola. O dado é do Estudo Internacional de Leitura e Alfabetização (PIRLS), da Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), e foi divulgado esta sexta-feira.

“Com que frequência sentes-te assim quando chegas à escola? Sinto fome…”. Foi a questão de partida para o estudo. Além dos 7,33% que completaram a frase respondendo “todos os dias”, somam-se outros 7,01% que disseram senti-lo “quase todos os dias”. Um número, ainda assim, bastante inferior à média internacional – 26% das crianças inquiridas neste ano de escolaridade diz chegar “todos os dias” à escola com fome.

A análise foi baseada nas respostas de alunos de 47 sistemas de ensino diferentes, espalhados pelo mundo. Além de Portugal, participaram estudantes da República do Azerbaijão, Austrália, Áustria, Barém, Bulgária, Canadá, Chile, Taipé Chinesa, República Checa, Dinamarca, Finlândia, França, Geórgia, Alemanha, Hong Kong, Hungria, Irão, República Islâmica, Irlanda, Israel, Itália, Cazaquistão, Letónia, Lituânia, Macau, Malta, Marrocos, Omã, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polónia, Catar, Rússia, Arábia Saudita, Singapura, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Suécia, Trindade e Tobago, Emirados Árabes Unidos, EUA, Inglaterra, Irlanda do Norte, Bélgica (região flamenga) e África do Sul.

Carência alimentar é causa direta da baixa alfabetização

A principal conclusão do documento aponta uma relação direta entre a carência de alimento sobre estas crianças e um nível mais baixo de alfabetização. “Parece haver um vínculo entre as crianças que relatam sentir fome e um desempenho menor na avaliação da alfabetização em leitura”, assegura o diretor executivo da associação IEA, Dirk Hastedt.

O que ocorre quer a nível nacional, quer a nível internacional. Porque “embora as percentagens de estudantes que afirmavam sentir fome diferissem entre sistemas educativos participantes no estudo, havia uma relação com o desempenho escolar em todos eles”.

Enquanto aqueles que admitiram sentir fome todos os dias ou na maioria dos dias obtiveram uma média de 511,16 pontos na avaliação de leitura que lhes foi feita, os alunos que referiram nunca ter chegado à escola com fome obtiveram uma avaliação média muito superior, de 534,50. A nível internacional, as médias foram de 494,58 e 533,92, respetivamente.

No caso específico de Portugal, a investigação conseguiu aferir que 3,39% das escolas oferece o pequeno-almoço a todos os seus alunos e 2,42% alargam esta oferta ao almoço. Por outro lado, há ainda 53,79% de escolas portuguesas que oferecem o pequeno-almoço, embora apenas a alguns alunos. Outros 61,93% aplicam o mesmo critério com o almoço.

A nível internacional, 45% das escolas entre os sistemas educativos representados no estudo também limitam esta oferta a apenas alguns alunos. O que o diretor Dirk Hastedt lembra depender “das circunstâncias nacionais”.

Ainda assim, levanta o debate: ficarão “estes alunos mais vulneráveis ​​durante o encerramento das escolas [por força da pandemia], se estiverem dependentes das refeições gratuitas na escola?”. Em Portugal, esta foi assumida como uma das principais preocupações da tutela face à suspensão das atividades letivas. Por isso, na primeira semana que se previa de portas fechadas, quase 800 escolas passaram a abrir com o propósito de garantir refeições aos estudantes com escalões sociais.

O número de refeições servidas nas escolas de acolhimento aumentou, com o arranque do 3.º período, a 14 de abril. De acordo com o Ministério da Educação, nos primeiros dias, “foi servida uma média de cerca de 13 500 refeições diárias”. A medida, que começou por estar limitada aos alunos do escalão A, foi entretanto alargada ao escalão B, “quase duplicando a possibilidade de oferta de refeições escolares”, escreveu o ministério, em comunicado.

mais informações na press release:

Meninas vendem-se por menos de 90 cêntimos para sobreviver à fome em Angola

Fevereiro 19, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 12 de fevereiro de 2020.

Crise tem contribuiu também para o aumento dos casos de rapto e casamento infantil em África.

Jovens raparigas estão a recorrer à prostituição para sobreviver à crise de fome instalada em África, que atingiu já milhões de pessoas.

Em Angola, raparigas de 12 anos estão a ‘vender-se’ por menos de 40 cêntimos para poderem alimentar as suas famílias.

Em declarações à agência Reuters, Robert Bulten, Diretor do Observatório Mundial para Emergências em Angola, afirmou que uma rapariga (entre os 12 e os 17 anos) pode obter cerca de 500 kwanzas, o que equivale a cerca de 93 cêntimos, por sexo. Este valor é suficiente para comprar cerca de um quilo de feijão ou dois quilos de milho.

Para Bulten, a crise em Angola também contribuiu para o aumento dos casos de rapto e casamento infantil. Para sobreviverem, as famílias têm de casar as meninas mais cedo, para que tenham menos uma boca para alimentar. No entanto, tal medida serve muitas vezes para mantê-las fora da prostituição.

As regiões do sul de África atravessam uma das piores secas das últimas quatro décadas. Bulten referiu que o preço de alguns produtos básicos duplicou desde o ano passado.

De acordo com as Nações Unidas, cerca de 45 milhões de pessoas estão a enfrentar uma crise de fome, numa “catástrofe silenciosa”, causada pela constante seca, as cheias generalizadas e a instabilidade económica.

mais informações na notícia da Reuters:

Cheap as bread, girls sell sex to survive crisis in Africa

Relatório indica que 86% das crianças angolanas não tem alimentação adequada, habitação ou saúde

Janeiro 9, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 19 de dezembro de 2018.

Agência Lusa

Um total de 86% de crianças angolanas dos 0 aos 23 meses estão privadas de uma alimentação adequada e cerca de 75% estão igualmente privadas de uma habitação, 71,8% da saúde, 53,8% da água.

Um total de 86% de crianças angolanas dos 0 aos 23 meses estão privadas de uma alimentação adequada e nesta faixa etária cerca de 75% estão igualmente privadas de uma habitação, 71,8% da saúde, 53,8% da água, foi esta quarta-feira divulgado.

Os dados contam de um “Relatório sobre a Pobreza Infantil em Angola — Uma Análise Multidimensional”, apresentado esta quarta-feira, em Luanda, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de Angola, estudo elaborado com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e financiamento da União Europeia (UE).

Segundo o relatório, 60,1% das crianças dos zero aos 23 meses em Angola estão sem acesso ao saneamento e 73,9% sem prevenção da malária.

Baseado em dados estatísticos do Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde 2015-2016 e no sistema MODA (Multiple Overlapping Deprivation Analysis — Análise de Privações Múltiplas Sobrepostas) o estudo usa as dimensões como a nutrição, saúde, proteção social, prevenção da malária, educação, acesso à água e saneamento.

No domínio da nutrição inadequada que atinge cerca de 86% de crianças no país, o estudo refere que, “a privação desta dimensão é medida tendo em consideração a privação na alimentação infantil e o consumo de micronutrientes”. “Mas, explica-se, sobretudo, por não existirem padrões alimentares apropriados”, salienta.

Durante a apresentação do relatório, numa cerimónia que decorreu, no auditório do INE, a técnica desta instituição pública, Ana Paula Machado, frisou na sua comunicação que “três em cada quatro crianças, com menos de 18 anos, sofrem entre três a sete privações ao mesmo tempo”.

O secretário de Estado para o Planeamento de Angola, Manuel da Costa, no seu discurso de abertura, sublinhou que o estudo decorre, inclusivamente, do facto de os jovens representarem cerca de 48% da população total angolana. “Enfatizar que o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022 contém opções estratégicas, até o final da presente legislatura, agrupadas em seis eixos, sendo o eixo central o desenvolvimento humano e bem-estar que constitui o centro do Plano”, disse.

A chefe da Secção Políticas, Informação e Comunicação da UE em Angola, Joana Fischer, assinalou que o estudo evidencia “extrema vulnerabilidade das crianças menores de cinco anos, defendendo “ação adequada” para melhorar o bem-estar da criança angolana. “É somente com uma visão informada sobre a realidade da criança e das raízes profundas da pobreza que poderemos agir, de forma mais adequada, para melhorar o bem-estar da criança angolana”, realçou.

O representante da UNICEF em Angola, Abubacar Sultan, recordou na sua intervenção que a pobreza e as privações na infância “prejudicam” o desenvolvimento da criança, defendendo “esforços conjuntos” para melhoria o seu bem-estar físico, social e psicológico. “Sendo por isso necessário incrementar o esforço de todos, tanto do Governo, que delibera sobre o investimento do Estado e gere as políticas públicas, como dos agentes da sociedade civil, do setor privado e das famílias”, apontou.

Aceder ao relatório A criança em Angola. Uma análise multidimensional da pobreza infantil no link:

https://www.unicef.org/angola/relatorios/crian%C3%A7a-em-angola-uma-an%C3%A1lise-multidimensional-da-pobreza-infantil

 

 

 

Fome no momento de ir para a cama ou para a escola afecta 11%

Dezembro 19, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de dezembro de 2018.

Falta comida, nuns casos, e sobram medicamentos noutros. Muito ligados à família e à boa-mesa, os jovens portugueses tendem a desorganizar-se na chegada à universidade por terem sido demasiado protegidos na infância.

Os jovens que declararam sob anonimato ir para a escola ou para a cama com fome por não haver comida suficiente em casa perfazem 11%, na soma dos que declararam que isso acontece às vezes (7,2%) ou frequentemente e sempre (3,8%). Em 2014, as categorias “frequentemente” e “sempre” perfaziam 1,5% e, em 2010, 1,2%. Será um reflexo tardio da crise, este agravamento? “Não sabemos. É provável que seja uma continuidade do agravamento registado em 2014, em que estávamos todos com um pano negro sobre a cabeça por causa da crise. Agora, há uma retoma económica, mas as pessoas que não conseguiram resolver os seus problemas podem ter ficado naquilo a que chamamos ‘um nicho escondido com problemas agravados’”, admite Margarida Gaspar de Matos, coordenador do estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses, que é divulgado nesta quarta-feira.

A investigadora lembra que “as pessoas deixaram entretanto de beneficiar dos incentivos alimentares que as escolas davam [nos piores anos da crise] a todos os miúdos, para integrar discretamente os que tinham fome e que o escondiam, até que desmaiavam nas aulas de educação física, por exemplo”. A coordenadora do estudo ressalva, porém, que os dados obtidos não permitem certezas: “É verdade que há mais rapazes do que raparigas a dizerem-se com fome e pode ser a ‘fome de crescimento’ que os levou a responder sim à pergunta”.

Quando lhes perguntam se tomaram medicamentos no mês anterior ao inquérito, a percentagem de respostas positivas entre os alunos do 8º e do 10º ano de escolaridade deixou perplexa Margarida Gaspar de Matos. “Mais de metade [52,6%] tomou remédios para a dor de cabeça, um quarto [25,2%] para as dores de estômago, 16,5% para as dores de costas, 11,2% para o nervosismo, 9% para as dificuldades em adormecer!”, espanta-se a psicóloga clínica. Acrescem os 7,6% que tomaram medicamentos para aumentar a memória e a concentração e os 6,5% que tomaram remédios para a tristeza.

E o pior é que “mais de um quarto destes miúdos tomaram estes medicamentos sem prescrição médica”, acrescenta, para lembrar que “não é possível saber qual vai ser o efeito destes remédios a longo prazo em crianças que ainda estão a desenvolver-se”. Logo, importaria que houvesse mais psicólogos no Serviço Nacional de Saúde, também porque “não há grande treino dos pediatras e dos médicos de família nas questões de saúde mental infantil, o que faz com que a resposta tenda a ser medicamentosa”.

Chegam à universidade sem saber gerir dinheiro

Nem tudo é mau no estilo de vida dos adolescentes portugueses. Na comparação com os restantes países, são dos que se alimentam melhor, nomeadamente no tocante ao hábito de tomar o pequeno-almoço e à ingestão de fruta. E, neste último inquérito, mostram-se “muito integradores da diferença, quer em relação às pessoas que vêm de outros países quer a pessoas com menos poder económico”.

Porém, apenas 9,2% admitem ler um jornal diariamente ou quase todos os dias para ficar informado. E sentem-se pouco ou nada motivados para o activismo social. “Há um afastamento que resulta da percepção de que não vale a pena”, interpreta a investigadora, para apontar outra idiossincrasia aos adolescentes portugueses: “A ligação com a família é muito forte, mas têm dificuldades em tornar-se autónomos e responsáveis”. Porque “há menos miúdos e a tendência é para serem tratados como artigos de luxo”, muitos crescem à força quando chegam à universidade. “Não estão habituados a gerir dinheiro, a comprar comida, a lavar a roupa: desorganizam-se completamente”, acrescenta, para apontar duas prioridades: criar “estruturas de autonomização e de responsabilização” dos jovens e dar-lhes “oportunidades de participação social desde pequenos”.

 

 

 

Bastam 23 euros para salvar a vida de uma criança com fome

Dezembro 13, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 11 de novembro de 2018.

No dia em que se assinalam 72 anos da sua fundação, a UNICEF lança esta terça-feira uma campanha de angariação de fundos para combater a subnutrição de crianças.

Em declarações à TSF, diretora executiva da Unicef Portugal, Beatriz Imperatori, deixa “um apelo muito forte” pela luta contra a fome, em especial na África subsariana.

Um tratamento completo para tratar uma criança subnutrida durante três semanas não representa um custo muito elevado para quem quer ajudar – cerca de 23 euros – “mas pode ser um novo início para uma criança”.

Foi o que aconteceu a Marcelino e a Unicef quer que a história deste bebé seja a história de mais crianças em risco de vida.

Ao perceber que o filho estava gravemente doente a mãe de Marcelino levou-o ao centro de saúde local. Depois de ser tratado com alimentos terapêuticos fornecidos pela Unicef o bebé regressou a casa com a mãe, levou ainda 14 doses desse alimento para dar continuidade ao tratamento.

Quase 151 milhões de crianças menores de cinco anos registaram atrasos no desenvolvimento físico e cognitivo devido à subnutrição, enquanto mais de 50 milhões de crianças tinham um peso demasiado baixo para a sua idade, segundo os últimos dados do relatório “The State of Food Security and Nutrition in the World”, referentes ao ano passado.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância foi criado em 1946 para dar resposta às necessidades das crianças europeias após a guerra. Hoje, a Unicef está presente em mais de 190 países em todo o mundo.

 

 

85 mil crianças morrem à fome no Iémen

Dezembro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 21 de novembro de 2018.

Os números são dramáticos.

Segundo a organização humanitária Save the Children, só nos últimos três anos, mais de 85 mil crianças morreram no Iémen, devido à fome ou doenças.

A guerra deixou o país com falta de alimentos e os mais novos, são os que mais sofrem.

Zita Weise Prinzo, da Organização Mundial de Saúde, explica as razões desta tragédia.

“O conflito no Iémen levou à insegurança alimentar no país. Muitas pessoas não têm acesso a comida ou ao tipo de comida certa. Ao mesmo tempo, há surtos de doenças e infeções, como a cólera, sarampo, malária ou pneumonia. E a combinação destes dois fatores levou à desnutrição generalizada no país.”

As Nações Unidas avisam que há 14 milhões de pessoas em risco de fome no Iémen. Por cada criança morta por uma bala ou bomba, dezenas morrem à fome.

E o cenário não deve melhorar nos próximos tempos, como suspeita Peter Salisbury, analista do think-tank britânico Chatham House.

“Sinceramente, não acho que as diferentes partes envolvidas na guerra estejam dispostas a fazer o tipo de compromissos necessários para a terminar. Por isso, infelizmente, acho que a guerra vai arrastar-se por vários meses, se não mesmo anos.”

O país mergulhou na guerra em 2014, quando os rebeldes Huthis tomaram de assalto a capital Sanaa e outras regiões do Iémen. Desde 2015 que as forças do governo, apoiadas por uma coligação internacional, procuram recuperar os territórios ocupados.

Um conflito que já fez mais de dez mil mortos

Escolas e famílias devem ser envolvidas na educação para conter obesidade

Setembro 27, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 12 de setembro de 2018.

FAO destaca que mais de 672 milhões de pessoas vivem com a doença; representante da agência em Nova Iorque revela que debates de Alto Nível da Assembleia Geral incluem eventos paralelos sobre impactos do problema.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, defende que a ação para prevenir a obesidade deve envolver instituições que educam as crianças desde cedo.

O relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo, Sofi, revela que uma em cada oito habitantes do planeta sofre desta doença. São mais de 672 milhões de pessoas, a maioria vivendo na América do Norte.  Em África e na Ásia a tendência aumenta.

Prevenção

Falando à ONU News, em Nova Iorque, a diretora do escritório da agência junto às Nações Unidas, Carla Mucavi, disse que é preciso aumentar a prevenção.

“Tem de haver mais consciencialização, tem de haver também políticas que possam levar, de facto, com que estes alimentos, refrigerantes, fritos, e tudo aquilo que é fast food, portanto, não apareça em primeiro plano em detrimento daquilo que seria uma alimentação saudável. Nós temos alguns problemas que educam, a partir das escolas, isto também tem de partir das famílias. Portanto, é toda a sociedade, que deve se consciencializar que uma alimentação saudável nem sempre é aquela que parece ser a mais próxima a nós. ”

Durante os Debates de Alto Nível da Assembleia Geral, a FAO terá eventos paralelos para falar de impactos da obesidade. Líderes mundiais envolvidos na discussão da situação que tem impacto nas economias.

Atenção

“Eu creio que, de facto, é alarmante o peso, o impacto que isso tem, sobretudo na saúde, na saúde das próprias pessoas, mas mesmo no sistema de saúde dos países, uma vez que encarece uma vez que temos pessoas com doenças, portanto, difíceis. Estamos a falar até de uma conferência mundial que vai ter lugar mesmo cá, aqui nas Nações Unidas, que é as doenças não-comunicáveis. Portanto, tudo isto tem também efeitos sob a forma como nos alimentamos. Portanto, eu chamaria a atenção para dar maior responsabilidade a todos os níveis, da sociedade, dos próprios governos, a nível global, em termos de políticas, mas também em termos de como é que nós nos alimentamos. ”

De acordo com a FAO, a desnutrição e a obesidade coexistem em muitos países e podem até ser observadas no mesmo lar.

Os riscos do sobrepeso e da obesidade envolvem o fraco acesso a alimentos nutritivos pelo seu alto custo, o estresse de viver com insegurança alimentar e as adaptações fisiológicas à privação alimentar.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

The State of Food Security and Nutrition in the World 2018

Número de crianças afectadas por conflitos atingiu “níveis chocantes”

Dezembro 28, 2017 às 1:59 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 28 de dezembro de 2017.

Organização expõe violência e sofrimento a que crianças de todo o mundo foram sujeitas em 2017.

O número de crianças afectadas por conflitos atingiu “níveis chocantes” em 2017. A informação não surpreende, mas é confirmada pela UNICEF esta esta quinta-feira. Usadas como escudos humanos, mortas, mutiladas, violadas, abusadas, forçadas a casar, raptadas, recrutadas para combate e escravizadas, as crianças são vítimas de uma violência extrema, sem que as leis internacionais designadas para as proteger consigam evitar estes abusos. Além disso, as crianças estão expostas a doenças infecciosas e a riscos diversos para a integridade física e moral, com falta de comida, água potável e cuidados de saúde.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, órgão que tem como objectivo promover a defesa dos direitos das crianças, detalha os abusos registados nas principais zonas de conflito armados em 2017.

Só no Afeganistão foram mortas cerca de 700 crianças nos primeiros nove meses do ano. Na República Centro-Africana, depois de meses de confrontos, “um dramático aumento de violência” conduziu à morte, violência sexual e recrutamento militar de crianças.

Na República Democrática do Congo, a violência levou à fuga de mais de 850 mil crianças e mais de 200 centros de saúde e 400 escolas foram atacados. UEstima-se que 350.000 crianças sofram de má nutrição aguda severa. Na Nigéria e nos Camarões, o grupo terrorista Boko Haram forçou pelo menos 135 crianças a serem bombistas-suicidas, quase cinco vezes mais do que em 2016.

No Iraque e na Síria, as crianças foram usadas como escudos humanos, em zonas sob cerco, vivendo na primeira linha de bombardeios e violência.

O documento destaca ainda sofrimento das crianças da minoria muçulmana rohingya, em fuga da Birmânia e que tentam sobreviver às condições desumanas a que estão sujeitas no Bangladesh, onde se refugiaram, escapando à “limpeza étnica” posta em marcha na Birmânia.

No Sudão do Sul, onde o conflito e uma economia em colapso levaram a uma crise de fome generalizada, mais de 19 mil crianças foram “recrutadas” por forças e grupos armados. Também no Sudão do Sul mais de 2300 crianças foram mortas ou feridas desde que o conflito rebentou em Dezembro de 2013.

Na Somália, até Outubro foram relatados 1740 casos de recrutamento de crianças para combater.  No Iémen, cerca de mil dias de guerra mataram pelo menos cinco mil crianças. Só aqui, mais de 11 milhões de crianças precisam de ajuda humanitária. Dos 1,8 milhões de crianças que sofrem de desnutrição, 385 mil estão gravemente desnutridas e correm risco de morte, se não forem tratadas com urgência.

O medo da morte faz também parte do quotidiano de mais de 200 mil crianças no Leste da Ucrânia, onde vivem sob constante ameaça de minas e outros restos explosivos de guerra.

“As crianças estão a ser atacadas e expostas a ataques e a uma violência brutal nas suas casas, escolas e recreios. Estes ataques continuam ano após ano. Tal brutalidade não pode ser o novo normal”, resume o director do Programa de Emergência da UNICEF, Manuel Fontaine.

Em alguns contextos, sublinha o relatório, as crianças raptadas por grupos extremistas que se conseguem libertar acabam por ser sujeitas a novos abusos por parte das forças de segurança.

A organização internacional apela “a todas as partes do conflito” para que cumpram as suas obrigações de acordo com a lei internacional  e protejam as infra-estruturas onde estão civis, nomeadamente escolas e hospitais e pede aos países mais poderosos que “concentrem a sua influencia para proteger as crianças” que sofrem directa e indirectamente com os conflitos.

 

República Democrática do Congo: Milhares de crianças podem morrer à fome nos próximos meses, avisa a ONU

Novembro 14, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Responsável do Programa Alimentar Mundial alerta que é imperativo que a ajuda chegue rapidamente ao terreno.

Num país já marcado por confrontos e instabilidade política, a República Democrática do Congo vê-se perante uma nova crise: existem mais de três milhões de pessoas no país (incluindo milhares de crianças) em risco de morrerem à fome, segundo disse à BBC o director do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, David Beasley. “Precisamos de ajuda, e precisamos dela agora”, alertou o representante.

“Estamos a falar de centenas de milhares de crianças que morrerão nos próximos meses, se não arranjarmos, em primeiro lugar, financiamento; em segundo, comida; e, em terceiro, acesso aos locais”, acrescentou, em declarações à BBC. Para já, diz Beasley, só têm 1% dos fundos que precisam e a chegada da ajuda ao terreno pode complicar-se com o início da época de chuvas. “Nem consigo imaginar o quão horrível será” se se esperar mais algumas semanas até receber os fundos, confessou.

Segundo dados do Programa Alimentar Mundial (PAM) morreram 5,4 milhões de pessoas entre os anos de 1998 e 2007 na sequência de guerras e conflitos no país – não só em consequência directa mas também por fome e doenças que poderiam ser tratadas ou evitadas. Mais de um milhão e meio de pessoas tiveram de abandonar as suas casas para fugir à violência.

Num cenário que considera desastroso, o representante das Nações Unidas conta que viu na região de Kasai, no epicentro dos problemas, um cenário de destruição: casas queimadas e crianças seriamente desnutridas e perturbadas. A República Democrática do Congo é uma das nações com a taxa mais elevada de mortalidade infantil. Além disso, 8% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica e 43% sofrem de subnutrição e revelam atrasos no crescimento. Situado no Centro de África, este é o segundo maior país do continente e tem uma população de 72,7 milhões de habitantes, sendo que 63% deles vivem abaixo do limiar de pobreza.

O representante das Nações Unidas também foi partilhando relatos da sua viagem pela República do Congo no Twitter. “Visitei hoje a vila de Nyanzale na República Democrática do Congo – ouvi tantos pedidos para acabar os conflitos que impulsionam a fome”, lê-se num deles. “Não me deito a pensar nas crianças que alimentámos hoje. Deito-me a chorar por todas aquelas que não alimentámos”, escreveu ainda.

E o cenário repete-se por outros países. No site do PAM das Nações Unidas, lê-se que 20 milhões de pessoas estão em risco de morrer de fome por todo o mundo e que, se não for prestada assistência, cerca de 600 mil crianças podem vir a morrer nos próximos meses. O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados.

Ainda que a situação tenha acalmado nos últimos meses, a República Democrática do Congo está a ser assolada por uma onda de violência desde a crise política de Dezembro, quando o Presidente Joseph Kabila recusou abandonar o poder no final do mandato – e recusa marcar novas eleições apesar de o seu terceiro mandato (que deveria ser também o último, segundo a Constituição) já ter expirado há nove meses. Na altura, o director-executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, alertava que havia “um sério risco” que o Congo pudesse “mergulhar na violência generalizada e no caos nos próximos dias, com repercussões potencialmente voláteis em toda a região”.

Em Março deste ano, a milícia rebelde Kamuina Nsapu capturou e decapitou cerca de 40 agentes da polícia, na província de Kasai. Ainda em Março, os corpos de dois funcionários das Nações Unidas que estavam desaparecidos foram encontrados na região. Os dois funcionários – um norte-americano de 34 anos e uma sueca de 36 anos, assim como um intérprete de nacionalidade congolesa – estavam a investigar crimes e violações dos direitos humanos no país. No início deste mês, morreram cerca de 30 pessoas (a maioria civis) numa emboscada no Noroeste do país.

 

Notícia do jornal Público em 29 de Outubro de 2017

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