Creche em Lisboa quer introduzir novidades de forma lúdica e divertida

Maio 29, 2020 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de maio de 2020.

LUSA

Com poucas crianças em sala, nesta primeira fase, a creche Paço de São Francisco crê que será essencial introduzir as mudanças de forma divertida, para que não causem tanta estranheza e as crianças até possam achar piada à experiência.

Circuitos de entrada e saída das crianças, salas mais vazias, sem brinquedos difíceis de higienizar, pais que ficam à porta e horários reduzidos são algumas das mudanças numa das milhares de creches que reabrem na segunda-feira.

A reabertura progressiva das creches arranca na próxima semana, depois de encerradas durante cerca de dois meses como forma de conter a propagação do novo coronavírus, e, na Creche Paço de São Francisco, em Lisboa, ultimam-se os preparativos para o regresso.

Tanto as educadoras de infância como a directora concordam que, nesta fase, será essencial introduzir as novidades de forma lúdica e divertida, para que as mudanças não causem tanta estranheza e para que as crianças até possam achar piada à experiência.

“É como se estivessem a entrar numa missão a Marte”, exemplifica a directora, sugerindo também que as crianças que se sentem nas mesas individuais do refeitório sejam nomeadas o rei ou a rainha da sala naquele dia.

“Eles vão ver uma nova realidade, mas eu acho que nós vamos pintar com arco-íris essa realidade e o que queremos é que eles se sintam bem”, afirma Inês Cancela, sublinhando que esta é uma fase para as educadoras se reinventarem, seja nas actividades, seja nos afectos, com abraços diferentes e sorrisos tapados por máscaras e expressos pelo olhar.

Regressam apenas 14 crianças

Entre as mais de 40 crianças que em Março estavam inscritas nesta creche, apenas 14 vão regressar já em Maio e a directora, Inês Cancela, admite que este número reduzido facilitou a adaptação dos procedimentos e dos espaços à nova realidade, um trabalho que envolveu um grande esforço da equipa.

“Foi, literalmente, calçar os sapatos e tentar perceber o que é isto aplicado à creche, ou seja, que orientações é que a Direção-Geral da Saúde (DGS) nos deu, que nós tínhamos de aplicar aqui na nossa escola”, contou à Lusa.

Segundo Inês Cancela, a principal alteração foi na entrada e saída das crianças. No espaço exterior, as linhas verdes no chão indicam a distância de segurança que os pais devem manter enquanto esperam para entregar os filhos a uma educadora, que fica à porta a receber as crianças, uma vez que a entrada aos pais passa a estar interdita, para não comprometer a “zona limpa”.

Esta “zona limpa” é todo o espaço interior da creche, onde não entram brinquedos ou calçado do exterior, conforme as indicações da DGS, que prevêem também que o número de crianças por sala seja reduzido para maximizar o distanciamento entre elas.

Na Paço de São Francisco não vai ser necessário dividir as turmas, uma vez que, para já, só vão regressar 14 crianças, desde os quatro meses aos três anos.

“Em termos de distanciamento das crianças, nós vamos tentar garantir aquilo que a DGS e a Segurança Social nos pedem, sendo que com 14 crianças agora é mais fácil, mas quando em Junho tivermos a lotação das crianças que esperamos ter vai ser um desafio maior”, admite a directora, explicando que, nessa altura, espera voltar a receber pelo menos cerca de 32 crianças.

Além da dinâmica mais rigorosa à entrada, também a monitorização das crianças vai ser maior nesta fase e uma das novas medidas passa pelo controlo da temperatura de manhã, ao final do dia e depois da sesta.

“São crianças que já percebem toda a dinâmica”

A última semana foi dedicada à higienização, à definição dos novos procedimentos e à reorganização dos espaços. Nas paredes dos corredores, os desenhos feitos pelas crianças estão agora intercalados com as orientações da DGS para a covid-19 e com as novas regras. Nas várias salas, os brinquedos mais pequenos e de difícil limpeza foram arrumados e no recreio sobrou apenas o escorrega.

“Retirámos tudo aquilo que é difícil de higienizar, mas nós somos de hábitos e acho que facilmente as crianças se vão adaptar a uma nova vivência diária”, disse à Lusa uma das educadoras, explicando que também houve um esforço da equipa para não fazer alterações no espaço demasiado drásticas.

Célia Faustino acompanha crianças entre os dois e três anos e, com base na sua experiência, acredita que a adaptação nestas idades não será tão complicada, uma vez que antes as crianças já brincavam em grupos pequenos.

“São crianças que já percebem toda a dinâmica, e antes de toda esta realidade já brincavam nas várias áreas e muitas vezes individualmente”, recorda, admitindo que o regresso, depois de um período em que estiveram cerca de dois meses afastados, possa ser mais complicado.

“Quer queiramos quer não, têm saudades dos amiguinhos, independentemente de nós fazermos chamadas no grupo e de as crianças irem sempre vendo a cara uns dos outros. Agora vêm com vontade de tocar e de abraçar, mas vai correr tudo bem”, considera a educadora.

Apenas cinco educadoras

Na reabertura, só cinco das 10 educadoras vão regressar à creche, uma decisão que se justifica com o número reduzido de crianças e também com a necessidade de manter algumas delas em lay-off para assegurar a continuidade dos apoios da Segurança Social.

Por isso, também o horário de funcionamento da creche será reduzido nesta fase inicial, para que as mesmas educadoras possam acompanhar, durante todo o dia, o mesmo grupo de crianças.

No entanto, todos os membros da equipa da Paço de São Francisco realizaram testes de diagnóstico da covid-19 e estão prontas para regressar ao trabalho, se necessário.

A reabertura progressiva das creches arranca na próxima semana, depois de encerradas durante cerca de dois meses como forma de conter a propagação do novo coronavírus, e, na Creche Paço de São Francisco, em Lisboa, ultimam-se os preparativos para o regresso.

Covid-19: DGS publica manual com regras para escolas e creches

Maio 22, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do site Notícias ao Minuto de 21 de maio de 2020.

Melissa Lopes

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou o manual ‘Saúde e Atividades Diárias’, no qual são apresentadas as medidas de prevenção e controlo da Covid-19 em estabelecimentos de ensino, nomeadamente no regresso às aulas presenciais do 11.º e do 12.º ano e nas creches e amas.

De acordo com o manual agora publicado, “os alunos devem ser organizados em grupos, que devem ter, na medida do possível, horários de aulas, intervalos e refeições organizados de forma a evitar o contacto com os restantes grupos”.

Para evitar um maior cruzamento de pessoas, recomenda a autoridade de saúde, devem ser definidos circuitos de entrada e saída de aula para cada grupo e cada sala deve ser, sempre que possível, utilizada pelo mesmo grupo de alunos.

A DGS refere ainda que os espaços que não são necessários à atividade letiva devem ser encerrados.

Dentro da sala de aula, é importante garantir a maximização do espaçamento entre alunos e alunos/docentes, mantendo a distância mínima de 1,5 a 2 metros, e virar as secretárias todas para o mesmo lado.

A comunidade escolar deve também cumprir as medidas de distanciamentohigiene pessoal e ambiental, bem como usar máscara durante toda a atividade letiva. Adicionalmente, é recomendada a higienização das mãos à entrada e saída do recinto e que sejam mantidas abertas as portas de acesso.

O manual apresenta também os procedimentos a adotar em creches e amas para diminuir o risco de transmissão do novo coronavírus, entre as quais se destacam a maximização do espaçamento entre crianças, incluindo no período de refeições, a organização das crianças e educadores em salas fixas e a entrega das crianças à porta da instituição.

Na sala de atividades, cada criança deve usar sempre o mesmo berço ou espreguiçadeira e, quando se sentam ou circulam no chão, devem deixar o calçado à entrada, podendo ser pedido aos encarregados de educação que levem um par de calçado extra. Este volume do manual apresenta também os cuidados a adotar no refeitório e no transporte das crianças para as creches.

Pode ver o manual completo aqui: Covid-19: DGS publica manual com medidas para escolas e creches

De recordar que os alunos do 11.º e 12.º anos regressaram esta segunda-feira, dia 18, às aulas presenciais, dia em que os pais voltaram também a poder deixar as crianças nas creches.

Em Portugal, morreram 1.263 pessoas das 29.660 confirmadas como infetadas com o novo coronavírus, e há 6.452 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde. A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 323 mil mortos e infetou quase 4,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Reabertura das creches. Tudo o que pais e educadores precisam de saber

Maio 13, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Rádio Renascença de 8 de maio de 2020.

Luís Aresta

A DGS adverte que o regresso à atividade nas creches envolve riscos. Pais e educadores têm pela frente um desafio nunca visto. E as crianças também.

A diretora-geral da Saúde reconhece que a reabertura das creches comporta riscos, porque “a sintomatologia nas crianças em idade de creche é ligeira”, sendo passível de “transmissão aos idosos”.

Numa sessão de esclarecimento esta sexta-feira, em que participaram vários agentes envolvidos na reabertura das creches, Graça Freitas tentou transmitir alguma tranquilidade sobre o tema, afirmando que, pelo que se sabe até ao momento, a transmissão é normalmente feita “do adulto para a criança”, existindo hoje uma maior facilidade de identificar as cadeias de transmissão e, como tal, de isolar casos suspeitos de Covid-19.

Na mesma sessão, apurou a Renascença juntou de fontes envolvidas na reunião, a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social colocou um ‘se’ na reabertura das creches, prevista para 18 de maio.

Ana Mendes Godinho sublinhou que o regresso ao convívio entre crianças e educadores está ainda dependente da avaliação que o Governo e as autoridades sanitárias irão fazer desta primeira quinzena sob estado de calamidade.

Linhas orientadoras são desafio às creches, às crianças e aos pais

Apesar de algumas das medidas anunciadas esta sexta-feira já estarem contempladas nos planos de contingência das creches, outras, agora anunciadas e que serão formalizadas nos próximos dias, são um autêntico desafio para educadores, crianças e pais.

No essencial, as medidas detalhadas pela DGS são as seguintes, para todas as creches:

  • Existência de área de isolamento de casos suspeitos de Covid-19, com circuitos definidos e isoláveis
  • Garantia de substituição de funcionários doentes
  • Não utilização de sistemas de ar condicionado em sistema de recirculação
  • Existência de um dispensador de gel desinfetante por sala
  • Encerramento de espaços não utilizados
  • Arejamento dos espaços com abertura de portas e janelas
  • Rigor na higiene de todos os espaços, com reforço de ações de limpeza e descontaminação, incluindo limpeza de mesas e cadeiras entre turnos nas “cantinas”
  • Distanciamento entre crianças nas pausas e espaços de refeição
  • Berços, camas ou catres sempre utilizados pela mesma criança e com espaçamento mínimo de 2m entre si (há creches que se queixam de falta de espaço para implementar esta medida)
  • Divisão de turmas, tornando-as mais pequenas
  • Turmas fixas, ocupando diariamente o mesmo espaço, com o mesmo educador e com os mesmos circuitos de circulação
  • Mesas de trabalho orientadas no mesmo sentido (as creches trabalham habitualmente com mesas redonda ou dispostas em “U”)
  • Uso de “máscara cirúrgica” pelos profissionais e pelas crianças com idade superior a 6 anos (abaixo desta idade a máscara não é permitida)
  • Espaçamento de 2m entre crianças (medida que a própria DGS reconhece não ser de fácil aplicação)
  • Material didático não deve ser partilhado entre as crianças
  • Os brinquedos pessoais ficam em casa
  • Os pais devem disponibilizar calçado para uso exclusivo no interior das creches
  • Os pais não podem entrar nas creches, devendo a entrega e receção das crianças ser feita de forma individual
  • No caso do transporte das crianças em viaturas disponibilizadas pelas creches, ou empresas prestadoras desse tipo de serviço, serão aplicadas as mesmas regras em vigor para os transportes públicos.

Ministra confirma creches gratuitas para 40 mil crianças

Janeiro 30, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 22 de janeiro de 2020.

Ana Mendes Godinho confirmou no Parlamento que o Governo vai fazer uma alteração ao Orçamento do Estado para tornar totalmente gratuitas as creches para os filhos de quem tem rendimentos mais baixos.

A medida foi negociada com o PCP e com o BE e vai mesmo ver a luz do dia. As creches vão ser totalmente gratuitas para todos os filhos das famílias que estão no primeiro escalão de rendimentos.

Tal como o Expresso noticiou, o Governo acertou com os comunistas que haverá uma alteração ao Orçamento do Estado deste ano que vai alterar o complemento-creche e assim tornar as creches gratuitas. “Venho anunciar que no contexto do diálogo com os vários partidos, o Governo está disponível para em sede de discussão do Orçamento do Estado na especialidade tornar gratuitas as creches para as crianças de famílias do primeiro escalão de rendimentos”, disse a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, no início da audição sobre o Orçamento do Estado para 2020 (OE/2020), no Parlamento. Neste caso, a medida aplica-se logo ao primeiro filho.

Ana Mendes Godinho diz que esta alteração da medida permite abranger 40 mil crianças. As famílias do primeiro escalão de rendimento já não pagam creche pública, contudo pagam ainda uma parte da creche nos protocolos com as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

Esta é uma alteração a uma medida que foi aprovada pelo Governo de criar um complemento-creche para todas as famílias a partir do segundo filho. Essa medida tem ainda de ser regulada e, disse a ministra esta semana numa entrevista ao Público, deverá entrar em vigor apenas no último trimestre deste ano. Para já não se sabe o valor do complemento a atribuir a cada família.

Apesar do avanço na medida, anunciada pelo PCP quando deu a conhecer que se absteria no Orçamento por ter conseguido acordo com o Governo em algumas medidas, os comunistas querem ir mais além. Ainda esta terça-feira, Jerónimo de Sousa disse que vai defender a “gratuitidade das creches para crianças até aos três anos” e nesse aspecto considera que o PS deu um “passo tímido” e pode ir mais longe.

Os partidos têm até segunda-feira para apresentar as propostas de alteração ao Orçamento.

Mais 1500 milhões para as famílias

Na sua intervenção inicial, Ana Mendes Godinho destacou o aumento de 1500 milhões de euros nos apoios à natalidade e parentalidade quando se compara o OE/2020 com 2015.

Para este ano, o orçamento prevê, para além do apoio à família no custo com creches – uma mdedia que a ministra garantiu que será concretizada ainda este ano – várias outras medidas.

Uma delas é o alargamento da licença de parentalidade obrigatória do pai de 15 para 20 dias, que entra em vigor com o OE/2020, depois de ter sido aprovada por unanimidade no Parlamento em 2019.

Outra medidas passam pelo aumento do montante diário dos subsídios por riscos específicos e para assistência a filho (de 65% para 100% da remuneração de referência) e a extensão da licença para assistência a filhos com deficiência ou doença crónica aos casos de doença oncológica (paga a 65%).

Falta de vagas para crianças de três anos desclassifica Portugal, mas vai haver mudanças em breve

Janeiro 23, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de janeiro de 2020.

Universalização do pré-escolar para as crianças de três anos deverá ser concretizada este ano. Orçamento do Estado prevê reforço de cerca de 43 milhões de euros para este nível de educação.

Clara Viana

Se for cumprido o que se encontra previsto no Orçamento do Estado (OE) para 2020, Portugal poderá deixar de figurar ainda este ano na “lista negra” dos países que continuam a não ter vagas necessárias para garantir a frequência da educação pré-escolar às crianças com três anos de idade.

É esta, aliás, uma das características destacadas no último relatório da rede europeia Eurydice com os Números-chave sobre a Educação Pré-Escolar e Cuidados para a Infância na Europa, divulgado na última semana. Cerca de metade dos 38 países analisados neste estudo têm oferta gratuita do pré-escolar a partir dos três anos, Portugal incluído, mas, “em contraste” com o que se passa na maioria dos casos, por cá “ainda se observa uma falta considerável de vagas para este grupo etário”, frisa-se no relatório. Que aponta como explicação para esta situação o facto de o “direito legal” a uma vaga só estar disponível para crianças a partir dos quatro anos.

Este “direito legal” consiste na obrigação de o Estado garantir vagas a todas as crianças inscritas na educação pré-escolar. É o que se chama universalização deste nível de ensino, que já está garantida entre os quatro e os cinco anos de idade, tendo sido criadas desde 2016 cerca de mais 7500 novas vagas na rede pública.

No OE2020, o Governo compromete-se a “concretizar” na totalidade esta universalização, ou seja, pressupõe-se, alargando a obrigação de garantir vagas às crianças de três anos.

Que tal irá acontecer este ano é também a informação veiculada pelo relatório da Eurydice, com base nas informações transmitidas pelas autoridades nacionais, embora no seu programa o Governo assuma que tal já aconteceu na anterior legislatura, conforme chegou a ser prometido, ao apresentar como garantido “o acesso à escolaridade universal desde os três anos”.

Em respostas ao PÚBLICO, o Ministério da Educação adianta que “mesmo nos concelhos onde a pressão da procura é mais sentida, existem vagas na Rede Nacional de Educação Pré-Escolar que ficaram por ocupar”, mas voltou a não revelar quantas crianças de três anos ficaram em lista de espera neste ano lectivo. O ministério também se escusou a indicar quantas novas salas serão precisas abrir para garantir o acesso dos mais novos ao pré-escolar.

No novo OE está previsto um reforço de cerca de 43 milhões de euros para este nível de educação que, segundo os últimos dados conhecidos, também veiculados no relatório europeu, era frequentado em 2017/2018 por 87% das crianças com três anos, 93,1% da população com quatro e 95,2% dos que já tinham cinco anos.

Creches pagas

Cerca de 17% do total destas crianças estavam inscritas em estabelecimentos privados com fins lucrativos, um dos valores mais altos entre os países analisados. Também perto de 17,5% das que tinham menos de três anos estavam em creches privadas com fins lucrativos. A restante oferta está a cargo do chamado sector solidário, que é apoiado pelo Estado, e onde as mensalidades a pagar pela frequência são calculadas sobretudo em função do rendimento familiar.

No que respeita ao grupo dos menores de três anos, refira-se que só em cinco dos 38 países analisados as creches são de acesso gratuito, uma medida que o PCP quer ainda inscrever no OE para 2020.

Apesar de a oferta existente (117.300 lugares em 2018) deixar de fora quase metade das crianças com menos de três anos, Portugal está entre os países europeus que têm uma maior proporção de inscritos em creches: cerca de 50%, contra uma média da UE que se fica nos 34,2%.

Voltando ao pré-escolar, recorde-se que a universalização do acesso não significa obrigatoriedade da frequência. É o que se passa em Portugal, que também se assume como excepção neste campo. Dos 12 países europeus em que se encontra estabelecido o “direito legal” a uma vaga para crianças a partir dos quatro anos, só existem dois em que a frequência do pré-escolar a partir desta idade não é obrigatória. Portugal é um deles.

Benefícios do pré-escolar

Numa recomendação recente com vista a garantir que “todas as crianças tenham acesso a educação e acolhimento na primeira infância de elevada qualidade”, o Conselho Europeu recordava algumas das constatações a que se foi chegando nos últimos anos. Por exemplo, a de que as crianças que frequentaram o pré-escolar tiveram “melhores resultados nos testes de língua e de matemática” realizados nas avaliações internacionais conduzidas pela OCDE. Ou de que este acesso precoce a uma educação de qualidade constitui “um factor importante para evitar o abandono escolar”, sendo também “essencial para a saúde e o bem-estar das crianças”.

O objectivo europeu é agora o de assegurar que antes dos três anos de idade todas as crianças possam também ter acesso a uma “educação e acolhimento de qualidade”, o que é também encarado como um “instrumento que viabiliza o emprego da mulher”. Essa é uma das razões pelas quais “cerca de um terço dos países europeus dá prioridade [no acesso] às crianças de famílias em que ambos os pais trabalham ou estudam”. Portugal não figura neste lote.

A creche não é apenas uma resposta social, também é educativa

Janeiro 5, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Educare de 30 de dezembro de 2019.

Análise às respostas e ao funcionamento das instituições dedicadas à primeira infância revela que é necessário rever a legislação, refletir sobre a qualidade da educação, perceber as condições laborais dos profissionais. A investigação está no relatório “Estado da Educação 2018”, do Conselho Nacional de Educação, e apresenta várias propostas.

Sara R. Oliveira

As crianças, nos primeiros tempos de vida, expressam-se de variadas formas. Choram, riem, batem palmas, gatinham, rebolam, mexem as pernas e os braços. Não há palavras, não há explicações. É uma linguagem diferente da usada no mundo dos adultos. Maria Assunção Folque, da Universidade de Évora, doutorada em Educação, e Teresa Vasconcelos, da Escola Superior de Educação de Lisboa, debruçam-se sobre a educação na primeira infância, em vários patamares e aspetos, num texto assinado em conjunto no relatório “Estado da Educação 2018” do Conselho Nacional de Educação (CNE).

As autoras começam o texto por resgatar um excerto do poeta Herberto Hélder. “Uma criança disse: dá-me aquele ramo de estrelas maduras. (…) Às vezes, as crianças não falam quando estão dentro do silêncio. As crianças falam até ao fim de cada palavra”. As crianças que ainda não falam precisam que falem por elas. Até ao fim de cada palavra. Maria Assunção Folque e Teresa Vasconcelos analisam respostas e possibilidades para as crianças dos 0 aos 3 anos, a função das creches no passado e no presente, lembram recomendações, o que foi e não foi feito, o que deve ser revisto e mudado. Além disso, recordam que grande parte dos partidos que concorreram às últimas eleições legislativas, de 6 de outubro deste ano, mencionou “a necessidade urgente de creches para as crianças dos 0 aos 3 anos, de modo a permitir a conciliação trabalho-família e/ou a resposta ao direito à educação desde o nascimento”.

Vários estudos nacionais e internacionais indicam que “se as creches e os jardins de infância não forem de superior qualidade educativa, em nada contribuirão para o desenvolvimento das crianças, principalmente as mais desfavorecidas”. Essa qualidade deve ser estrutural e pedagógica. “Talvez possamos afirmar que a creche é ainda vista socialmente como uma resposta quando não há outras alternativas, privilegiando-se para os três primeiros anos a possibilidade de ficar em casa com um familiar”. Mas investigações feitas revelam também que os adultos que cuidam de crianças em ambientes isolados, como o caso de mães sozinhas ou pais desempregados que não participam em atividades da comunidade, “estão mais expostos a desenvolverem estados depressivos que podem ter um impacto negativo na qualidade das interações e das experiências que proporcionam aos seus filhos”.

Neste momento, as creches são uma resposta simultaneamente educativa e social, acolhem crianças entre os 4 meses e os 3 anos. Nem sempre foi assim. No século XVI, surgem as primeiras creches no país através das Misericórdias. Durante a monarquia, as primeiras instituições para crianças até aos seis anos eram de iniciativa privada e destinavam-se às classes sociais mais vulneráveis. Mais tarde, no início do Estado Novo, acaba a obrigatoriedade vigente, desde os tempos da 1.ª República, de criação de creches em fábricas para os filhos das mulheres trabalhadoras. Prevalece a “ideologia da maternidade”. Em finais dos anos 60, início dos 70 do século passado, as estruturas do Ministério da Saúde e Assistência começam a apoiar iniciativas com carácter social e privado. “Remonta a essa altura uma conquista importante: as educadoras de infância – e não apenas as enfermeiras – passaram a trabalhar em creches.”

Rigidez nos horários e condições de frequência
Informações recentes dão conta que mais de metade das crianças dos 0 aos 3 anos não tem lugar numa creche financiada direta ou indiretamente pela Segurança Social. No entanto, a capacidade de resposta aumentou nos últimos dez anos. Entre 2006 e 2017, a taxa de cobertura subiu de 26,7% para 49,1%. Em 2017, havia cerca de 118 500 lugares em creche, 62% dos quais comparticipados pelo Estado, através de acordos de cooperação com entidades da rede solidária. “A questão que colocamos é saber onde estão as outras 50% das crianças dos 0 aos 3 anos”, observam as autoras do texto.

Comparações feitas com outros países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Portugal surge como o quarto país que menos gasta em benefícios familiares e educação para as crianças até aos cinco anos (cerca de 20%), face ao que disponibiliza para as crianças dos seis aos 11 anos (cerca de 35%) ou dos 12 aos 17 anos (45%). Os números conduzem a uma conclusão. “Este indicador revela que ainda não assumimos as crianças mais novas como nossa responsabilidade comum”, comentam.

“Em termos de acessibilidade promovida pelo alargamento de horários das creches, dada a diversidade cada vez maior de horários de trabalho das famílias, temos observado um aumento das horas de abertura das creches. Se por um lado esta flexibilidade permite às famílias uma melhor gestão dos compromissos profissionais e familiares, não deixa de ser preocupante este excessivo número de horas de frequência das crianças em creches”, constatam Maria Assunção Folque e Teresa Vasconcelos.

Em termos de horários e de condições de frequência, verifica-se que ainda há alguma rigidez e estandardização nos serviços de educação de infância. É difícil encontrar, em meios urbanos, uma vaga para a frequência em part-time e a constituição de grupos heterogéneos em termos etários é uma prática pouco comum. O alargamento e universalização da oferta educativa, sobretudo nos grandes centros urbanos, e a necessidade de uma qualidade educativa dos diversos tipos de atendimento às crianças deste nível etário, são dois aspetos importantes e que exigem, segundo as autoras, uma urgente revisão ou intervenção “cirúrgica” na Lei de Bases de 1986.

Em 2011, o CNE recomendou ao Governo, na altura com Isabel Alçada como ministra da Educação, a revisão urgente da Lei de Bases, de modo a contemplar no sistema educativo a educação dos 0 aos 3 anos, no pressuposto de que a educação se inicia à nascença. “Esta recomendação insiste ser urgente uma educação de infância que se inicie aos 0 e não aos 3 anos de idade dando uma prioridade à promoção de estruturas de atendimento para as crianças dos 0 aos 3 anos de superior qualidade.” Quase nove anos depois, há pelo menos duas perguntas inevitáveis. Onde estão as crianças dos 0 aos 3 anos que não frequentam creches ou infantários? Que fizeram os ministérios da Educação de sucessivos governos?

Políticas de intervenção para comunidades específicas
Maria Assunção Folque e Teresa Vasconcelos fazem o diagnóstico da situação, avançam com linhas de ação futuras, e avisam que é necessário, desde logo, rever a legislação que regula o funcionamento das creches e dos jardins de infância, a sua qualidade, e as condições laborais dos profissionais. O objetivo passa por conferir uma maior coerência interna das instituições que atendem famílias e crianças entre os 0 e os 6 anos. O tempo de serviço prestado por educadores que trabalham ou trabalharam em creche deve ser contabilizado como serviço docente e o regime de habilitação para a docência deve ser revisto, “no sentido de reequilibrar os pesos atribuídos às diversas disciplinas e os que se destinam a saberes da área de formação geral”.

As autoras referem que é preciso investir em políticas específicas de intervenção com famílias ou comunidades mais desfavorecidas, garantindo projetos que promovam a excelência pedagógica e comunitária. As crianças migrantes e refugiadas, ou de minorias étnicas e socioeconómicas, não podem ser esquecidas. E a diminuição do número de crianças por adulto, no caso de crianças com necessidades educativas específicas ou em situação de desvantagem, deve ser acautelada, em respeito pelos direitos de aprendizagem diversificados.

A progressiva municipalização da educação dos 0 aos 6 anos é vista como uma vantagem e, para tal, é necessário fazer uma caracterização geográfica das instituições. “Para além de garantir a universalização do atendimento evita-se o desdobrar de serviços, alguns deles podendo estar duplamente financiados”, sustentam. A avaliação da qualidade e a divulgação dos resultados das creches e jardins de infância devem estar nas mãos da Inspeção Geral de Educação e, por outro lado, é essencial reconhecer a necessidade de permanência de uma educadora de infância no berçário da creche para garantir, em conjunto com as auxiliares, “uma rotina que traga segurança, que seja repousante, mas simultaneamente estimulante para os bebés a partir dos 4 meses de idade, garantindo uma intencionalidade pedagógica”.

Maria Assunção Folque e Teresa Vasconcelos defendem que é necessário introduzir o conceito de uma rede nacional para a educação e atendimento das crianças dos 0 aos 3 anos com creches públicas municipais que, sublinham, “permitam a disseminação de centros de qualidade que possam inspirar e complementar outras iniciativas: IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social] e Misericórdias, autarquias e juntas de freguesia, cooperativas e ensino particular (infantários) ou ainda creches ligadas a escolas, a universidades e politécnicos, a empresas, etc.”. E o Ministério da Educação deveria assumir a parte pedagógica na sua totalidade, não distribuindo responsabilidades nesta área.

O sistema de financiamento das creches e jardins de infância deve ser também revisto, segundo as autoras, de forma a diferenciar o apoio do Estado às famílias que tenham menores recursos. “Este sistema promoverá o acesso de todos e a sustentabilidade económica das IPSS evitando a recusa de vagas para crianças de famílias com menores recursos financeiros”, explicam as autoras da análise feita às respostas sociais e pedagógicas na primeira infância.

Crianças portuguesas passam mais 10 horas semanais em creches do que média europeia

Dezembro 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 26 de novembro de 2019.

As crianças passam quase 40 horas por semana com as amas, nos infantários ou creches em Portugal, um dos períodos mais elevados da Europa, cuja média é cerca de dez horas semanais menor.

Os números constam do “Estado da Educação 2018”, hoje publicado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que faz um retrato do país no ano passado, mas também uma análise da evolução na última década.

O número médio de horas semanais que os bebés e crianças portuguesas passam nas creches, mas também em estabelecimentos de educação pré-escolar, “é dos mais elevados de entre os países da União Europeia”, refere o relatório, que analisa também a situação do país tendo em conta as metas europeias.

Os bebés até aos três anos passam, em média, 39,1 horas por semana, ou seja, quase oito horas por dia, com amas ou em creches, enquanto as crianças com três ou mais anos passam 38,5 horas semanais.

Já a média semanal de permanência dos países da UE28 é de 27,4 horas para os mais pequenos e de 29,5 horas para os mais velhos. Ou seja, há uma diferença de quase dez horas semanais.

Portugal também surge como um dos países com mais oferta de creches para crianças com menos de três anos quando comparando com os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da UE23 (países da União Europeia membros da OCDE): em Portugal a taxa de cobertura desta resposta social é de 36,7%, ligeiramente acima da média da OCDE (36,3%) e da UE23 (35,6%).

Entre 2008 e 2015 houve um aumento gradual de oferta de vagas nas creches e de amas, mas, em 2015, começaram a registar-se quebras anuais.

Já nas regiões autónomas, houve um crescimento consistente. Na Região Autónoma da Madeira, por exemplo, havia no ano passado uma taxa de cobertura de 56,8%.

A preocupação com a rede de pré-escolar transformou-se numa das bandeiras da maioria dos partidos políticos nas últimas eleições de novembro, recordou a presidente do CNE.

“Quase todos os partidos políticos nestas últimas eleições apresentam nos seus programas essa ideia de que as creches teriam que ter uma intencionalidade educativa e que era preciso reforçá-la”, disse a presidente do CNE, Maria Emília Brederode Santos.

A taxa de pré-escolarização, destinada às crianças entre os 3 e os 5 anos, aumentou 7,8 pontos percentuais, situando-se em 2017/2018 nos 90,1%.

A presidente do CNE defende que é preciso ver a “educação como um direito que se tem desde que se nasce”. Vários estudos têm relevado que a frequência do pré-escolar é uma das melhores ferramentas para combater o insucesso escolar.

Quanto ao ensino básico, o relatório sublinha a diminuição de mais de 150 mil alunos em dez anos (2017/2018 vs 2008/2009): com destaque para o primeiro ciclo, que diminuiu 18%, seguindo-se o 2.º ciclo (17%) e, finalmente, o 3.º ciclo com menos 9,6% de alunos.

Mantém-se a tendência de diminuição do número de alunos em todos os ciclos de ensino.

SIM // HB

Estado da Educação 2018

Direcção-Geral da Saúde recomenda que creches não dêem bolachas, sumos e doces

Outubro 25, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de outubro de 2019.

DGS lança manual com recomendações sobre alimentação saudável para crianças até aos seis anos. Excesso de peso atinge 32,6% das crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos em Portugal.

Ana Maia

Os “alimentos processados (por exemplo bolachas, cereais de pequeno-almoço) ou doces (como sumos, xaropes e mel) não deverão fazer parte da oferta alimentar das creches e infantários nem da rotina familiar”, defende a Direcção-Geral da Saúde (DGS). Esta é uma das várias recomendações que pais, educadores e profissionais de saúde podem encontrar no manual Alimentação Saudável dos 0 aos 6 Anos, lançado esta quarta-feira.

Uma das novidades do manual, que marca o Dia Mundial da Alimentação, são as recomendações direccionadas para berçários e creches, algo que até agora não existia. Para os jardins-de-infância e para as escolas existem várias normas que resultam de um trabalho conjunto entre a DGS e a Direcção-Geral da Educação.

O manual, que lembra que o excesso de peso atinge 32,6% das crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos em Portugal, traz indicações sobre quantidades e a forma como devem ser introduzidos os alimentos. “A partir dos seis meses é hora de começar a diversificar a alimentação. Esta é uma oportunidade única para treinar o paladar e as texturas”, diz Maria João Gregório, directora do Programa Nacional para a Alimentação Saudável, da DGS.

A comida confeccionada para as crianças até um ano não deve ter sal e açúcar adicionados e “os alimentos introduzidos devem ser os da Roda dos Alimentos”. “Neste período deve-se variar a oferta alimentar e há alimentos proibidos: o açúcar e o sal adicionados e também os alimentos processados que têm adição de açúcar e sal”, aponta a responsável.

A partir dos 12 meses, a criança passa a partilhar a mesma alimentação da família. “Os pais têm um papel enquanto modelo e a creche também”, diz Maria João Gregório. Crianças pequenas comem doses pequenas, reforça a directora do programa nacional que destaca que “não se deve forçar” a criança a comer mais quando não quer, nem “não aceitar que repita a dose” para evitar o consumo excessivo. Sumos devem estar fora da ementa — a água é a bebida mais importante —, tal como os doces e os alimentos processados, que “poderão ser a excepção nos dias de festa”, dizem as recomendações.

Não existe uma avaliação à comida oferecida nas creches. Mas as respostas que os profissionais de saúde recebem dos pais quando questionam sobre a alimentação “não são muitas vezes as que gostaríamos de ouvir”, reconhece Maria João Gregório.

“O manual pretende uniformizar um conjunto de orientações e dar ferramentas para que os berçários, creches e jardins-de-infância estejam mais capacitados para poderem ser promotores de uma alimentação saudável”, refere, adiantando que faz parte dos objectivos do programa trabalhar em conjunto com a Segurança Social para avaliar a alimentação dada nestes espaços.

Primeiros mil dias de vida

A par do manual, a DGS apresenta também a primeira Estratégia Nacional para a Alimentação do Lactente e Criança Pequena, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Dedicada aos primeiros mil dias de vida — a começar durante a gestação —, a estratégia divide-se em cinco eixos e será coordenada pela antiga ministra da Saúde e pediatra Ana Jorge.

Um dos focos principais é a promoção do aleitamento materno. “Dados da Notícia de Nascimento digital (instrumento de registo do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil) no SNS, ainda não publicados (relativos a um período de 3 meses em 2017), permitem verificar que até à data da alta da maternidade 79,1% dos recém-nascidos tiveram aleitamento materno exclusivo. Destes, 45% mantinham aleitamento materno exclusivo aos seis meses”, diz o documento.

“Sabemos que para promovermos o aleitamento materno durante um maior período de tempo, será necessário implementar um conjunto de medidas para um ambiente mais facilitador”, assume Maria João Gregório. Entre as medidas a promover estão a criação de uma rede nacional de bancos de leite humano — actualmente só a Maternidade Alfredo da Costa tem um — e a criação/revisão de legislação que preveja a existência de espaços próximos dos locais de trabalho onde as mães possam amamentar.

A estratégia pretende também que as áreas da actividade física, estilos de vida saudáveis e nutrição com especial ênfase na prática do aleitamento materno sejam incluídas nos currículos de formação de professores, educadores e outros profissionais. Outro dos eixos passa pela aposta em investigação com o objectivo de se criarem políticas e programas nacionais nesta área.

 

 

Alemanha aprova multas até 2.500 euros para pais que não vacinem filhos contra sarampo

Agosto 2, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 17 de julho de 2019.

A decisão aprovada entra em vigor em março de 2020 e também impõe que crianças em centros de refugiados sejam vacinadas, e determina a exclusão de crianças não vacinadas do direito às creches.

O conselho de ministros da Alemanha aprovou nesta quarta-feira multas que poderão chegar aos 2.500 euros para os pais que decidam não vacinar contra o sarampo os seus filhos em idade escolar.

A decisão aprovada nesta quarta-feira entra em vigor em março do próximo ano e também impõe que as crianças em centros de refugiados sejam vacinadas, e determina a exclusão de crianças não vacinadas do direito de frequentarem as creches.

“Queremos, dentro do possível, evitar que todas as crianças estejam expostas ao sarampo porque é uma doença altamente contagiosa e pode ter uma evolução muito má, às vezes fatal”, argumentou o ministro da Saúde, Jens Spahn.

De acordo com os dados oficiais, no ano passado registaram-se no país um total de 543 casos de sarampo e este ano, até ao momento, já foram contabilizados mais de 400.

A decisão do Conselho de Ministros surge num momento em que na Alemanha, assim como na maior parte da Europa, vários grupos questionam a importância das vacinas.

A ansiedade e os traumas de pais e filhos no dia em que as crianças entram na creche

Setembro 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site MAGG de 3 de setembro de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Semanas antes do derradeiro momento, há pais que já não conseguem controlar a ansiedade. A MAGG ouviu mães, educadoras e psicólogas.
horo. Há muitas lágrimas envolvidas no primeiro dia de creche dos filhos depois de umas férias de verão, sobretudo se for a primeira vez que as crianças deixam o núcleo familiar de pais e avós e enfrentam um mundo novo numa escola. No início desta nova etapa na vida de uma família, nem sempre são apenas os miúdos que choram — em muitos casos, as lágrimas mais insistentes correm dos olhos das mães e dos pais.

Foi o que aconteceu a Paula Santos, 43 anos, mãe de um rapaz e duas meninas, mas apenas quando repetiu a experiência. A entrada do filho mais velho na creche, que aconteceu quando o bebé tinha seis meses, foi relativamente tranquila — a jornalista não se consegue recordar de o momento ter sido doloroso. “Honestamente, quando olho para trás, não me lembro de me ter custado muito. Eu via-o como um bebé forte e de fácil adaptação e tínhamos gostado muito da educadora de infância que o iria acompanhar”, conta Paula Santos à MAGG, que admite que o cenário se alterou completamente com a segunda filha.

Apesar de ter inscrito a bebé exatamente com a mesma idade do irmão mais velho, Paula recorda que os momentos não podiam ter sido mais distintos. A entrada da filha na creche foi um período complicado. “No primeiro dia quase não consegui falar com as cuidadoras, tinha a voz embargada e fui-me embora a chorar. Foi impossível evitar. Tinha de ir buscá-la passada uma hora e fiquei no carro à porta do infantário, a trabalhar e a contar os minutos”, recorda a jornalista, que está quase a passar por esta experiência uma terceira vez.
Prestes a lidar com a entrada da filha mais nova na creche (que irá acontecer esta segunda-feira, 3 de setembro), e apesar de a menina ter dois anos e ser mais velha do que os irmãos aquando da ingressão num espaço escolar, Paula diz já estar a sofrer por antecipação. “Estou certa de que irá correr tudo bem, porque é uma criança sociável e vai para a mesma instituição onde está a irmã, na qual confiamos; mas isto é o meu lado racional a falar. O lado animal de mãe tem as sirenes todas ligadas com a expetativa da separação. Só posso concluir que tenho vindo a piorar em vez de melhorar. Nem quero imaginar se tiver um quarto filho”.

As maiores preocupações dos pais

Na generalidade, o primeiro dia de creche não é fácil para as crianças nem para os adultos. Trata-se de uma situação delicada, que pressupõe uma separação e uma grande mudança na dinâmica familiar — e são várias as questões que preocupam os progenitores.

De acordo com Beatriz Matoso, psicóloga clínica, os pais preocupam-se muito em “como vão as crianças suportar a sua ausência, como vão comer e adormecer num ambiente estranho, se são capazes de se adaptar à nova realidade social que lhes é desconhecida, onde é fundamental sentirem-se bem com os educadores e com as outras crianças”.

A educadora de infância Carlota Yoshicawa assina por baixo, e explica à MAGG que a ansiedade dos pais nos primeiros dias de creche prende-se muito com a preocupação em deixar os filhos com alguém que lhes é desconhecido. “Por mais que confiem em nós, educadores, não deixamos de ser um extra, alguém que lhes vai ficar com os filhos, por vezes até mais tempo do que eles próprios”, afirma Carlota Yoshicawa, que também assume que, mesmo que apenas no primeiro dia, os pais não conseguem deixar de pensar se os mais pequenos estão bem entregues, “ficam sempre na dúvida se as crianças vão receber a mesma atenção e mimo que têm em casa”.

Esta é uma ideia partilhada pela também educadora de infância Marta Parracho, que admite que as mães tentam perceber como será o dia a dia dos filhos na creche. “Preocupam-se em saber tudo o que a criança irá fazer desde que chega até que sai e tentam dar-nos a conhecer todas as manias, manhas e preferências dos filhos para que saibamos o que fazer em cada momento”, afirma a profissional.

Ana Gomes, 30 anos, mãe de Vitória, hoje com 15 meses, passou por isso no primeiro dia de creche da filha, na altura com apenas quatro meses. A blogger responsável pela plataforma “A Melhor Amiga da Barbie” estava muito nervosa e acreditava que a adaptação da filha iria ser difícil. “Afinal, como é que estranhos iam tomar conta da minha bebé sem lhe conhecerem os truques? Pensei que ela fosse chorar imenso”, recorda Ana Gomes.

Mas a blogger não está sozinha: de acordo com a educadora Marta Parracho, são muitas as mães que têm pânico que os filhos desatem a chorar, embora esse seja um receio normal. “Percebo que nenhum pai quer deixar o filho para trás em lágrimas, mas esse é um comportamento expetável para uma criança que é deixada num local onde nunca esteve, com pessoas que não conhece e em quem ainda não confia”, afirma a profissional.

Para além do choro, e apesar de a psicóloga clínica Vera Lisa Barroso alertar que os receios das mães diferem muito de acordo com a idade da criança, a especialista realça que, “perante crianças mais novas, com menor destreza física e a marcha recentemente conquistada, muitos dos medos prendem-se com a possibilidade de os filhos caírem e magoarem-se, ou eventualmente não se conseguirem defender dos colegas mais velhos”.

“Os pais não devem impor a sua presença na creche depois de entregar a criança.”

Quando as crianças ainda não dominam a fala, Vera Lisa Barroso explica que “os medos podem prender-se com o facto de os filhos não conseguirem comunicar o seu dia ou solicitar a ajuda precisa em determinadas situações decorrentes na creche”. Já no caso de crianças mais velhas, mais introvertidas ou ansiosas, “os pais podem recear a dificuldade no estabelecimento de relações sociais, envolvimento e interação com os pares; quando são irrequietas, podem recear a obediência às regras e limites estabelecidas pelos adultos ou mesmo a desestabilização das normas da sala e do comportamento do grupo”, explica a especialista, que alerta que é expectável que os pais mais ansiosos e protetores antecipem muitos perigos e dificuldades.

Em todo o caso, as preocupações fundamentais prendem-se com o bem-estar e com a boa adaptação dos filhos à creche, acima de tudo. A psicóloga Vera Lisa Barroso destaca que os adultos querem muito saber se “a criança se alimenta bem, dorme, respeita regras e limites da sala, ouve e respeita as educadoras, interage com os pares e fica bem quando é deixada de manhã”, sendo um bom sinal quando regressa a casa bem-disposta e alegre.

Alerta vermelho: o que não deve (mesmo) fazer nos primeiros dias de creche

Lúcia Pimentel, 36 anos, é mãe de três filhos, com 16, 15 e quatro anos e, tal como conta à MAGG, a experiência de os deixar ao cuidado de terceiros quando teve de regressar ao trabalho não foi fácil.

“Um tinha dois anos, o outro apenas oito meses. Nunca os tinha deixado com ninguém e estava a passá-los para o colo de uma pessoa totalmente desconhecida”, afirma a assistente hospitalar, que recorda que estava muito insegura e ansiosa. “O meu coração batia a mil, tinha medo, já estava com saudades deles. Na verdade, parecia que ia tudo desabar à minha volta e tinha uma vontade enorme de chorar, coisa que aconteceu assim que os passei para o colo das profissionais”, conta Lúcia Pimentel.

“Não concordo, e não sou a favor, de ficarem ali agarrados aos filhos com várias trocas de palavras, como quando tentam enganá-los, dizendo ‘vou ali e venho já’.”

Porém, a educadora Marta Parracho alerta que a ansiedade das mães, apesar de compreensível, não deve ser demonstrada às crianças, bem como “manifestar preocupações em conversas com a educadora ou familiares em frente aos mais pequenos”. A educadora assinala também outras atitudes contraproducentes e negativas para a adaptação dos miúdos, como “deixá-lo entregue à educadora e, depois de ouvir o filho chorar, voltar a trás e levá-lo para casa; ir à creche um dia e no seguinte não (a rotina é extremamente importante nesta fase); e não cumprir o que prometeu à criança, como dizer que a vai buscar depois do almoço, e afinal só aparece depois do lanche”.

Já a educadora Carlota Yoshicawa não tem dúvidas quanto ao que considera ser uma das piores estratégias utilizadas pelos pais: “Não concordo, e não sou a favor, de ficarem ali agarrados aos filhos com várias trocas de palavras, como quando tentam enganá-los, dizendo ‘vou ali e venho já’. Nos primeiros dias, e em alguns casos ainda durante as semanas seguintes, os pais não devem alongar o tempo de entrega dos filhos. Deve ser um momento calmo com uma troca de carinho e uma palavra à educadora ou auxiliar, transmitindo à criança confiança neles e nos adultos”.

A psicóloga Beatriz Matoso também reforça a importância de uma coordenação atenta, disponível e confiante entre pais e educadores durante este processo de entrada na creche, alertando, mais uma vez, que as mães e pais “não devem impor a sua presença na creche depois de entregar a criança, a menos que essa seja solicitada, bem como referirem-se aos educadores como agentes de uma autoridade castigadora e à creche como um lugar de possível castigo”.

A adaptação a um novo espaço é um processo para pais e filhos

Apesar do nervosismo, Ana Gomes conta que a adaptação da pequena Vitória acabou por ser melhor do esperava: “Correu tudo lindamente, ela nunca chorou, nem nos primeiros dias, nem posteriormente”. E, de acordo com os profissionais que trabalham na área da educação, bem como dos especialistas em psicologia, o processo de adaptação é realmente muito importante, existindo várias ferramentas e ideias que os pais podem usar para que este corra da melhor forma.

Uma das estratégias é aumentar gradualmente o tempo de permanência das crianças na creche. A educadora de infância Carlota Yoshicawa realça que esta é uma ótima ideia, dado que, por vezes, existem casos de crianças que nunca foram deixadas com estranhos. “Se até à data estiveram em casa com familiares ou caras já conhecidas, ali encontram-se numa sala que lhes é completamente estranha, com adultos e outras crianças que nunca viram na vida”, alerta a educadora, que acrescenta que “a realidade é que são cerca de oito horas com esses ‘estranhos’, e nos primeiros dias, é um choque muito grande para os mais pequenos”.
A criação de rotinas é igualmente importante para os mais pequenos, tal como explica Carlota Yoshicawa: “A criança deve começar a ter noção das suas rotinas, e saber que existem momentos para a brincadeira, para a higiene e para a alimentação. Assim, quando a mãe tiver de o colocar na creche, sabe que ele já vai com essa noção e não se vai sentir perdido e desamparado”.

Para que esta nova fase na vida de uma família seja tranquila, a educadora Marta Parracho sugere que encarregados de educação e educadores se conheçam antes de a criança começar a frequentar a creche. “Uma conversa aberta com a educadora sem qualquer vergonha, sem tabus, sem complexos, assumindo desde logo a ansiedade pode ajudar na relação entre pais e profissionais, e no ganho de confiança e segurança entre todos”, salienta Marta Parracho, que não é a única a acreditar na importância vital de encontros prévios com as educadoras.

“Para se assegurarem de que os seus filhos ficam bem entregues, os pais devem contactar previamente os educadores para os conhecerem e lhes colocarem as questões que os preocupam, aproveitando para lhes pedir orientações que facilitem a adaptação da criança a esta nova realidade”, afirma a psicóloga Beatriz Matoso, que ainda oferece outra preciosa dica. “Uma foto da criança em interação com outros miúdos, enviada para o telemóvel da mãe e do pai, pode reduzir a ansiedade e facilitar o processo de adaptação em curso”, conclui a especialista.

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