A ansiedade e os traumas de pais e filhos no dia em que as crianças entram na creche

Setembro 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site MAGG de 3 de setembro de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Semanas antes do derradeiro momento, há pais que já não conseguem controlar a ansiedade. A MAGG ouviu mães, educadoras e psicólogas.
horo. Há muitas lágrimas envolvidas no primeiro dia de creche dos filhos depois de umas férias de verão, sobretudo se for a primeira vez que as crianças deixam o núcleo familiar de pais e avós e enfrentam um mundo novo numa escola. No início desta nova etapa na vida de uma família, nem sempre são apenas os miúdos que choram — em muitos casos, as lágrimas mais insistentes correm dos olhos das mães e dos pais.

Foi o que aconteceu a Paula Santos, 43 anos, mãe de um rapaz e duas meninas, mas apenas quando repetiu a experiência. A entrada do filho mais velho na creche, que aconteceu quando o bebé tinha seis meses, foi relativamente tranquila — a jornalista não se consegue recordar de o momento ter sido doloroso. “Honestamente, quando olho para trás, não me lembro de me ter custado muito. Eu via-o como um bebé forte e de fácil adaptação e tínhamos gostado muito da educadora de infância que o iria acompanhar”, conta Paula Santos à MAGG, que admite que o cenário se alterou completamente com a segunda filha.

Apesar de ter inscrito a bebé exatamente com a mesma idade do irmão mais velho, Paula recorda que os momentos não podiam ter sido mais distintos. A entrada da filha na creche foi um período complicado. “No primeiro dia quase não consegui falar com as cuidadoras, tinha a voz embargada e fui-me embora a chorar. Foi impossível evitar. Tinha de ir buscá-la passada uma hora e fiquei no carro à porta do infantário, a trabalhar e a contar os minutos”, recorda a jornalista, que está quase a passar por esta experiência uma terceira vez.
Prestes a lidar com a entrada da filha mais nova na creche (que irá acontecer esta segunda-feira, 3 de setembro), e apesar de a menina ter dois anos e ser mais velha do que os irmãos aquando da ingressão num espaço escolar, Paula diz já estar a sofrer por antecipação. “Estou certa de que irá correr tudo bem, porque é uma criança sociável e vai para a mesma instituição onde está a irmã, na qual confiamos; mas isto é o meu lado racional a falar. O lado animal de mãe tem as sirenes todas ligadas com a expetativa da separação. Só posso concluir que tenho vindo a piorar em vez de melhorar. Nem quero imaginar se tiver um quarto filho”.

As maiores preocupações dos pais

Na generalidade, o primeiro dia de creche não é fácil para as crianças nem para os adultos. Trata-se de uma situação delicada, que pressupõe uma separação e uma grande mudança na dinâmica familiar — e são várias as questões que preocupam os progenitores.

De acordo com Beatriz Matoso, psicóloga clínica, os pais preocupam-se muito em “como vão as crianças suportar a sua ausência, como vão comer e adormecer num ambiente estranho, se são capazes de se adaptar à nova realidade social que lhes é desconhecida, onde é fundamental sentirem-se bem com os educadores e com as outras crianças”.

A educadora de infância Carlota Yoshicawa assina por baixo, e explica à MAGG que a ansiedade dos pais nos primeiros dias de creche prende-se muito com a preocupação em deixar os filhos com alguém que lhes é desconhecido. “Por mais que confiem em nós, educadores, não deixamos de ser um extra, alguém que lhes vai ficar com os filhos, por vezes até mais tempo do que eles próprios”, afirma Carlota Yoshicawa, que também assume que, mesmo que apenas no primeiro dia, os pais não conseguem deixar de pensar se os mais pequenos estão bem entregues, “ficam sempre na dúvida se as crianças vão receber a mesma atenção e mimo que têm em casa”.

Esta é uma ideia partilhada pela também educadora de infância Marta Parracho, que admite que as mães tentam perceber como será o dia a dia dos filhos na creche. “Preocupam-se em saber tudo o que a criança irá fazer desde que chega até que sai e tentam dar-nos a conhecer todas as manias, manhas e preferências dos filhos para que saibamos o que fazer em cada momento”, afirma a profissional.

Ana Gomes, 30 anos, mãe de Vitória, hoje com 15 meses, passou por isso no primeiro dia de creche da filha, na altura com apenas quatro meses. A blogger responsável pela plataforma “A Melhor Amiga da Barbie” estava muito nervosa e acreditava que a adaptação da filha iria ser difícil. “Afinal, como é que estranhos iam tomar conta da minha bebé sem lhe conhecerem os truques? Pensei que ela fosse chorar imenso”, recorda Ana Gomes.

Mas a blogger não está sozinha: de acordo com a educadora Marta Parracho, são muitas as mães que têm pânico que os filhos desatem a chorar, embora esse seja um receio normal. “Percebo que nenhum pai quer deixar o filho para trás em lágrimas, mas esse é um comportamento expetável para uma criança que é deixada num local onde nunca esteve, com pessoas que não conhece e em quem ainda não confia”, afirma a profissional.

Para além do choro, e apesar de a psicóloga clínica Vera Lisa Barroso alertar que os receios das mães diferem muito de acordo com a idade da criança, a especialista realça que, “perante crianças mais novas, com menor destreza física e a marcha recentemente conquistada, muitos dos medos prendem-se com a possibilidade de os filhos caírem e magoarem-se, ou eventualmente não se conseguirem defender dos colegas mais velhos”.

“Os pais não devem impor a sua presença na creche depois de entregar a criança.”

Quando as crianças ainda não dominam a fala, Vera Lisa Barroso explica que “os medos podem prender-se com o facto de os filhos não conseguirem comunicar o seu dia ou solicitar a ajuda precisa em determinadas situações decorrentes na creche”. Já no caso de crianças mais velhas, mais introvertidas ou ansiosas, “os pais podem recear a dificuldade no estabelecimento de relações sociais, envolvimento e interação com os pares; quando são irrequietas, podem recear a obediência às regras e limites estabelecidas pelos adultos ou mesmo a desestabilização das normas da sala e do comportamento do grupo”, explica a especialista, que alerta que é expectável que os pais mais ansiosos e protetores antecipem muitos perigos e dificuldades.

Em todo o caso, as preocupações fundamentais prendem-se com o bem-estar e com a boa adaptação dos filhos à creche, acima de tudo. A psicóloga Vera Lisa Barroso destaca que os adultos querem muito saber se “a criança se alimenta bem, dorme, respeita regras e limites da sala, ouve e respeita as educadoras, interage com os pares e fica bem quando é deixada de manhã”, sendo um bom sinal quando regressa a casa bem-disposta e alegre.

Alerta vermelho: o que não deve (mesmo) fazer nos primeiros dias de creche

Lúcia Pimentel, 36 anos, é mãe de três filhos, com 16, 15 e quatro anos e, tal como conta à MAGG, a experiência de os deixar ao cuidado de terceiros quando teve de regressar ao trabalho não foi fácil.

“Um tinha dois anos, o outro apenas oito meses. Nunca os tinha deixado com ninguém e estava a passá-los para o colo de uma pessoa totalmente desconhecida”, afirma a assistente hospitalar, que recorda que estava muito insegura e ansiosa. “O meu coração batia a mil, tinha medo, já estava com saudades deles. Na verdade, parecia que ia tudo desabar à minha volta e tinha uma vontade enorme de chorar, coisa que aconteceu assim que os passei para o colo das profissionais”, conta Lúcia Pimentel.

“Não concordo, e não sou a favor, de ficarem ali agarrados aos filhos com várias trocas de palavras, como quando tentam enganá-los, dizendo ‘vou ali e venho já’.”

Porém, a educadora Marta Parracho alerta que a ansiedade das mães, apesar de compreensível, não deve ser demonstrada às crianças, bem como “manifestar preocupações em conversas com a educadora ou familiares em frente aos mais pequenos”. A educadora assinala também outras atitudes contraproducentes e negativas para a adaptação dos miúdos, como “deixá-lo entregue à educadora e, depois de ouvir o filho chorar, voltar a trás e levá-lo para casa; ir à creche um dia e no seguinte não (a rotina é extremamente importante nesta fase); e não cumprir o que prometeu à criança, como dizer que a vai buscar depois do almoço, e afinal só aparece depois do lanche”.

Já a educadora Carlota Yoshicawa não tem dúvidas quanto ao que considera ser uma das piores estratégias utilizadas pelos pais: “Não concordo, e não sou a favor, de ficarem ali agarrados aos filhos com várias trocas de palavras, como quando tentam enganá-los, dizendo ‘vou ali e venho já’. Nos primeiros dias, e em alguns casos ainda durante as semanas seguintes, os pais não devem alongar o tempo de entrega dos filhos. Deve ser um momento calmo com uma troca de carinho e uma palavra à educadora ou auxiliar, transmitindo à criança confiança neles e nos adultos”.

A psicóloga Beatriz Matoso também reforça a importância de uma coordenação atenta, disponível e confiante entre pais e educadores durante este processo de entrada na creche, alertando, mais uma vez, que as mães e pais “não devem impor a sua presença na creche depois de entregar a criança, a menos que essa seja solicitada, bem como referirem-se aos educadores como agentes de uma autoridade castigadora e à creche como um lugar de possível castigo”.

A adaptação a um novo espaço é um processo para pais e filhos

Apesar do nervosismo, Ana Gomes conta que a adaptação da pequena Vitória acabou por ser melhor do esperava: “Correu tudo lindamente, ela nunca chorou, nem nos primeiros dias, nem posteriormente”. E, de acordo com os profissionais que trabalham na área da educação, bem como dos especialistas em psicologia, o processo de adaptação é realmente muito importante, existindo várias ferramentas e ideias que os pais podem usar para que este corra da melhor forma.

Uma das estratégias é aumentar gradualmente o tempo de permanência das crianças na creche. A educadora de infância Carlota Yoshicawa realça que esta é uma ótima ideia, dado que, por vezes, existem casos de crianças que nunca foram deixadas com estranhos. “Se até à data estiveram em casa com familiares ou caras já conhecidas, ali encontram-se numa sala que lhes é completamente estranha, com adultos e outras crianças que nunca viram na vida”, alerta a educadora, que acrescenta que “a realidade é que são cerca de oito horas com esses ‘estranhos’, e nos primeiros dias, é um choque muito grande para os mais pequenos”.
A criação de rotinas é igualmente importante para os mais pequenos, tal como explica Carlota Yoshicawa: “A criança deve começar a ter noção das suas rotinas, e saber que existem momentos para a brincadeira, para a higiene e para a alimentação. Assim, quando a mãe tiver de o colocar na creche, sabe que ele já vai com essa noção e não se vai sentir perdido e desamparado”.

Para que esta nova fase na vida de uma família seja tranquila, a educadora Marta Parracho sugere que encarregados de educação e educadores se conheçam antes de a criança começar a frequentar a creche. “Uma conversa aberta com a educadora sem qualquer vergonha, sem tabus, sem complexos, assumindo desde logo a ansiedade pode ajudar na relação entre pais e profissionais, e no ganho de confiança e segurança entre todos”, salienta Marta Parracho, que não é a única a acreditar na importância vital de encontros prévios com as educadoras.

“Para se assegurarem de que os seus filhos ficam bem entregues, os pais devem contactar previamente os educadores para os conhecerem e lhes colocarem as questões que os preocupam, aproveitando para lhes pedir orientações que facilitem a adaptação da criança a esta nova realidade”, afirma a psicóloga Beatriz Matoso, que ainda oferece outra preciosa dica. “Uma foto da criança em interação com outros miúdos, enviada para o telemóvel da mãe e do pai, pode reduzir a ansiedade e facilitar o processo de adaptação em curso”, conclui a especialista.

Avós ou creche. O que é mais benéfico para as crianças?

Setembro 7, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do MAGG de 28 de agosto de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero
Há prós e contras nos dois ambientes. A MAGG foi saber a opinião de 3 especialistas e as histórias de 4 mães.
Além de serem associados a muito mimo, paciência e cozinhados fantásticos, há há algum tempo que os avós se tornaram num apoio imprescindível para os pais portugueses — de acordo com um estudo publicado em 2014 pela Fundação Calouste Gulbenkian, Portugal, a par com outros países do sul da Europa, apresenta uma maior percentagem de avós a cuidar dos netos a tempo inteiro.

No nosso País, em que as licenças de maternidade duram, geralmente, quatro a seis meses (quatro meses mantendo o pagamento de ordenado na totalidade, seis a receber 80% do salário), muitos pais têm de arranjar uma alternativa e decidir onde deixar os filhos durante o horário de trabalho quando estes são ainda muito pequenos. Há quem tenha a possibilidade de os deixar com os pais ou sogros, estando o problema facilmente resolvido; outros não têm tanta sorte, e não há outra solução que não recorrer a amas ou creches.

No entanto, mesmo quando a ajuda dos avós está disponível, existem pais que optam pela creche. Foi o que aconteceu a Patrícia Oliveira, 30 anos, diretora criativa na Strazzera (uma empresa na área de produção de moda) e mãe de Lucas, de 2 anos e meio. “Inicialmente, o nosso plano era colocar o Lucas na creche por volta desta altura, mas tivemos de o fazer antes. Foi a minha mãe que ficou com ele quando regressei ao trabalho mas, pouco depois de ele fazer um ano, percebi que tínhamos de mudar”.
Depois de o filho celebrar o primeiro aniversário, a diretora criativa percebeu que este adorava brincar com outras crianças no parque, que estava a desenvolver-se rapidamente e que já era muito puxado para a avó aguentar o ritmo do pequeno Lucas. “Ele tem uma energia louca e começou a ser difícil para a minha mãe cuidar dele todos os dias”, conta à MAGG Patrícia Oliveira, que recorda que não foi fácil arranjar vaga numa creche pública, dado que que a decisão “foi tomada muito em cima da hora”.

A mãe de Lucas confessa que os primeiros 15 dias não foram fáceis — “ele chorava um bocadinho quando o deixávamos” —, mas o menino, na altura com cerca de ano e meio, adaptou-se rapidamente. Patrícia Oliveira lembra que “em uma semana e meia já fazia uma rotina normal”, e hoje em dia a diretora criativa não tem dúvidas de que esta foi a melhor decisão.

“Os pais que preferem colocar os filhos na creche mais cedo estão bastante preocupados com a promoção do desenvolvimento das crianças.”

“Acho que é ótimo para a criança poder ficar em casa no primeiro ano, caso exista essa hipótese, mas, a partir daí, acho mais benéfica a creche. No caso do Lucas, acalmou-lhe o lado ‘furacão’, aprendeu muitas regras e desenvolveu-se bastante — noto, por exemplo, nos desenhos que faz e no cumprimento de ordens”.

A creche é sinónimo de desenvolvimento?

Andreia Pinto, 35 anos, é mãe de Madalena, hoje com 2 anos, e não tem qualquer dúvida sobre os benefícios da creche. Mesmo com a opção de colocar a filha ao cuidado do avô, a supervisora inscreveu a pequena Madalena no berçário com seis meses. “A escola foi a primeira opção, nem equacionei os avós ou amas. Acho que os miúdos se desenvolvem muito mais, têm atividades adequadas à idade, outras crianças, aprendem outras coisas e supostamente ganham mais anticorpos, mesmo que fiquem mais vezes doentes”, afirma Andreia Pinto.

Tal como explica à MAGG a psicóloga clínica Inês Chiote Rodrigues, “os pais que preferem colocar os filhos na creche mais cedo estão bastante preocupados com a promoção do desenvolvimento das crianças” e acreditam que essa será a melhor alternativa para que estes evoluam mais depressa. Mas será a creche sinónimo de um maior desenvolvimento?

A especialista salienta que “pode potenciar a socialização e o estímulo, sendo um local seguro onde a criança aprende a brincar e a conviver com outras crianças”, para além ser uma mais-valia na adaptação a rotinas saudáveis. Porém, em relação ao desenvolvimento dos mais pequenos, assume que tudo depende do ambiente de interação e estímulo oferecido à criança.

“A grande diferença entre a creche e o ficar com os avós é a interação e a aprendizagem sobre partilha, capacidades que são adquiridas nas várias atividades que as educadoras podem fazer nos espaços escolares. Há a noção de que uma criança que entra mais cedo para a creche está mais preparada para a escola, no que diz respeito à capacidade de socialização, de partilha e de cumprimento de regras, mas tudo depende da forma como a criança é estimulada em casa dos avós”, afirma Inês Chiote Rodrigues.

“A criança não se desenvolve mais obrigatoriamente por estar na creche. Basta ainda não estar no seu timming certo para isso acontecer.”

A educadora de infância Gabriela Silva também salienta a importância de analisar cada criança, bem como a sua situação, individualmente. “Como em tudo, cada caso é um caso, seja no que se refere à criança e às suas necessidades, ao tipo de avós e aos profissionais do espaço escola, seja em que idade for. Cada criança tem um tempo próprio para as suas aprendizagens e desenvolvimento individual. Em contexto de grupo recebe mais estímulo, obviamente, mas tal não quer dizer que a criança se desenvolva mais obrigatoriamente por estar na creche. Basta ainda não estar no seu timming certo para isso acontecer”, explica a também formadora na área de Educação de Infância.
Para além dos cuidados básicos, a psicóloga clínica Inês Chiote Rodrigues acredita que, caso exista uma “interação frequente, saídas até parques infantis, interação com outras crianças (netos de amigos, irmãos, primos ou no parque), assim como o estabelecimento e firmeza nas regras e rotinas, a criança poderá ter igualmente um ótimo desenvolvimento em casa dos avós”.

Esta é uma ideia partilhada por José Aparício, médico pediatra e coordenador do atendimento pediátrico do Hospital Lusíadas Porto, que acredita que os avós são uma ótima solução, principalmente para crianças nos primeiros dois anos de vida. “Fala-se do desenvolvimento e da interação com outras miúdos, mas uma criança de um ano não interage com o grupo, mas sim com a educadora. Caso os avós sejam pessoas ativas, que passeiem com a criança, que a estimulem, sou da opinião que é mais benéfico para os miúdos ficarem com eles nos primeiros tempos de vida. Admito que em termos de estimulação pode não ser exatamente a mesma coisa que a creche, mas tem outros benefícios.”

Quando os avós são a escolha óbvia

Raquel Luís, 30 anos, é mãe de Tomás, prestes a fazer dois anos, e, para a professora de Inglês no âmbito das Atividades Extra-Curriculares do Ensino Básico e educadora de tempos livres, a escolha foi óbvia: “Para mim, faz todo o sentido que o meu filho fique em casa dos meus sogros”.

“É inegável que, em casa dos avós, tem a atenção e o carinho que não teria na escola. Em casa dos meus sogros é só ele, na creche, se for preciso, está com mais 20 crianças, que não são nada às pessoas que lá estão.”

À MAGG, a professora conta que já colocou o filho em várias listas de espera de creches, mas Tomás só deverá frequentar as mesmas no início do próximo ano letivo, a cerca de dois meses de completar três anos de idade — esta é uma altura em que Raquel Luís acredita que o filho já se consegue explicar melhor, algo que é de vital importância para si.

“Com tanta coisa que se ouve de maus tratos, de negligenciarem as crianças, prefiro colocá-lo na escola numa altura em que ele se consiga exprimir melhor. Claro que com três anos não o consegue fazer de uma forma totalmente clara, mas sabe dizer-me como foi o dia, como é que correu, o que gostou, o que não gostou e se lhe bateram”, afirma Raquel Luís, que também assume que o fator financeiro entra nas contas e, ao colocar o filho na creche mais tarde, poupa dinheiro.

O alegado desenvolvimento mais rápido das crianças nestes espaços não é fator para a monitora de tempos livres, que admite que a evolução célere do filho é algo que não a preocupa. “É comum dizer-se que, na creche, os miúdos desenvolvem-se mais depressa, andam, falam, mas isso ele vai, eventualmente, fazer. Não sinto que ficar com os avós atrase o desenvolvimento dele”, salienta Raquel Luís que, apesar de ter noção de que a creche pode dar outro tipo de entretenimento ao filho que os sogros não dão, acredita que não é o facto de Tomás estar com avós que vai fazer com que o menino se desenvolva mais devagar. “Conheço muitas crianças que estiveram nos avós e começaram a falar mais rápido que outras, que estão nas creches”, afirma a professora.

Para Raquel Luís, mais importante do que Tomás ser rápido a aprender a falar, é o amor que recebe em casa dos avós, algo que não acredita ser possível numa creche: “É inegável que, em casa dos avós, tem a atenção e o carinho que não teria na escola. Em casa dos meus sogros é só ele, na creche, se for preciso, está com mais 20 crianças, que não são nada às pessoas que lá estão. E acho que, para uma criança, sentir-se acolhida no mundo, ter amor e carinho, é essencial — o amor que lhe é transmitido nos primeiros meses e anos fica para a vida.”
A psicóloga Inês Chiote Rodrigues concorda que a permanência das crianças em casa dos avós nos primeiros anos de vida tem os seus benefícios. De acordo com a especialista, neste cenário, “há, naturalmente, um cuidado diferente. Não só existe um laço emocional forte, mas também uma disponibilidade maior por parte dos avós, dado que a atenção recai apenas sobre aquela criança”. Assim, e tal como explica a especialista, “pode existir uma maior oportunidade de escutar e observar, ganhando um maior conhecimento sobre as caraterísticas e necessidades da criança”, mas tudo depende da qualidade dos cuidados, que vão muito além de trocar fraldas.

“A interação e os estímulos dados ao bebé são muito importantes, pois o seu desenvolvimento cognitivo e emocional está dependente daquilo que recebe nos primeiros dois anos de vida por parte dos cuidadores”, afirma Inês Chiote Rodrigues. No entanto, e apesar dos benefícios já referidos em ficar na companhia dos avós, esta situação também pode trazer contrariedades.

“Quando as crianças ficam em casa até aos três anos, criam rotinas e regras que podem variar um pouco das da escola, e é possível que tenha de existir um período de adaptação”, conta a psicóloga clínica. Porém, este não é o único contra.

A educadora de infância Gabriela Silva relata que, “com certos avós, a criança corre o risco de se tornar mais ‘abebezada’ e permanecer assim durante mais tempo. Refiro-me ao nível e qualidade da linguagem e da expressão verbal, à dieta alimentar, dado que os avós, por vezes, só oferecem o que a criança gosta e não possibilitam a experimentação de novos alimentos, sabores e texturas, como o caso da sopa ser sempre passada, por exemplo. E não nos podemos esquecer da autonomia na higiene pessoal — há miúdos que chegam à pré primária sem se saberem limpar sozinhos”.

Quanto à sociabilidade das crianças, ou ao perigo de falta dela, Inês Chiote Rodrigues volta a afirmar que não é possível ter certezas absolutas. “Tudo depende da própria disposição genética da criança no que diz respeito à introversão/extroversão, assim como do ambiente à sua volta, para que desenvolva ou não essa capacidade de interação”, explica a psicóloga, que acrescenta que, “caso a criança esteja com os avós, mas saia para brincar e esteja com outras crianças, sendo estimulada nesse sentido, existe uma menor probabilidade de ser pouco sociável com outros miúdos”.

Creche ou antro de doenças?

Se já colocou os seus filhos na creche em tenra idade, com certeza passou pelo drama das doenças. Afinal, assim que as crianças entram nestes espaços, é habitual ficarem doentes semana sim, semana não. Este é um cenário bastante familiar para Elizabete Monteiro, 34 anos, mãe de dois rapazes, com 3 e 6 anos, e grávida atualmente de uma menina. “Na época, não tinha qualquer apoio familiar perto de mim e fui obrigada a colocar o meu filho mais velho no berçário apenas com dois meses e meio. O T. estava muitas vezes doente, não dormia de noite e era um bebé muito agitado”, recorda a gestora de marca.

“Os pais precisam de pensar no preço a pagar, no que envolve manter os filhos numa creche, suscetíveis a estes contágios.”

“Quando as crianças estão no berçário ou na creche, estão muito sujeitas a infeções pulmonares e bronquiolites, dado que os pulmões só maturam aos três anos de idade. Este tipo de doenças obrigam à toma de antibióticos, por vezes até a internamentos hospitalares e grandes períodos de recolha em casa”, afirma Gabriela Silva.

No entanto, a educadora de infância explica que é muito complicado controlar as doenças em contexto do espaço escolar, chegando a afirmar que é quase impossível. “Nos primeiros anos, tudo passa pela boca das crianças, aumentando exponencialmente o contágio”, afirma Gabriela Silva, que acredita que tanto os berçários como as creches deveriam impedir o acesso a crianças doentes, com febre, otites ou amigdalites, para citar alguns exemplos.

Este é outro dos motivos pelos quais o pediatra José Aparício acredita que, nos primeiros anos de vida, as crianças ficam melhor ao cuidado dos avós, caso essa alternativa esteja em cima da mesa. “Principalmente nos primeiros dois anos, os mais pequenos não têm muitas defesas e ficam doentes com muita facilidade. Os pais precisam de pensar no preço a pagar, no que envolve manter os filhos numa creche, suscetíveis a estes contágios. É preciso equacionar o dinheiro gasto em medicamentos e as faltas ao trabalho dos adultos”, alerta o coordenador do atendimento pediátrico do Hospital Lusíadas Porto.

3 anos: a idade mágica

Apesar de não existirem regras universais, a entrada das crianças na creche ou pré-primária (vulgo, jardim-escola) com 3 anos é algo consensual entres os especialistas, tanto no campo da educação como no meio médico.

Para a educadora de infância Gabriela Silva, “a entrada após os 3 anos é sempre ideal e tenho esta opinião como mãe e educadora. No entanto, imaginando que a criança tem um atraso no desenvolvimento, irá ganhar e muito com a entrada no espaço escolar o mais cedo possível, dado que irá receber um estímulo constante, melhor do que qualquer terapia”.

Em termos de saúde e sociabilidade, o pediatra José Aparício também refere a marca dos 3 anos como uma ótima idade para ingressar em espaços escolares. “Aos três anos, as crianças já têm mais defesas e outra imunidade, não estando tão suscetíveis a doenças. E com essa idade também já conseguem interagir mais com o grupo e absorver regras de conduta com outras competências”, salienta o especialista.

A psicóloga Inês Chiote Rodrigues reforça esta ideia e explica que é a partir do terceiro ano de idade que, geralmente, as crianças desenvolvem mais autonomia. “Aprendem a expressar-se, a partilhar e a necessidade de interação e socialização é ainda maior. Antes desta idade, apesar do brincar ser fundamental, o maior foco ainda é proporcionar os cuidados básicos ao bebé como a troca de fraldas, alimentação, higiene e afeto”, conclui a especialista.

Kay Mellish: “É uma perda de tempo passar 12 horas a fazer um trabalho de oito” parentalidade e natalidade na Dinamarca

Junho 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista e foto do Observador a Kay Xander Mellish no dia 2 de junho de 2018.

Rita Porto

Sair cedo do trabalho para ir buscar os filhos, longas licenças de parentalidade, apoios à fertilidade. As políticas de natalidade e parentalidade explicadas por quem as vive na Dinamarca.

Marcar uma reunião na Dinamarca ou com alguma empresa sediada no país depois das três da tarde é impensável. Até pode tentar, mas não terá grande sucesso. Aliás, a probabilidade de encontrar quem quer que seja num escritório depois das 17 horas é praticamente nula. Por uma simples razão: a essa hora, os dinamarqueses, tanto as mulheres como os homens, já saíram para ir buscar os seus filhos.

O relato é de Kay Xander Mellish, uma norte-americana que trocou os Estados Unidos pela Dinamarca há 18 anos. O pretexto para mudar de continente foi um emprego, mas o motivo que a levou a ficar foi outro: “Acabei por ficar porque é um ótimo sítio para criar filhos. Não há competição, não há notas“.

Formada em Jornalismo e em História de Arte pela Universidade de Nova Iorque, a norte-americana fez trabalhos para órgãos de comunicação como o Wall Street Journal, The Guardian e The South China Morning Post. Na Dinamarca trabalhou em vários sítios até que decidiu criar a sua própria empresa, através da qual ajuda empresas dinamarquesas a melhorarem o seu inglês. É também autora de livros como “How to Live in Denmark” (“Como viver na Dinamarca”) — também um site e podcast — e “How to Work in Denmark” (“Como trabalhar na Dinamarca”), que servem de guia para os estrangeiros que querem mudar-se para o país.

Graças a esses trabalhos, tem viajado pelo mundo a dar palestras sobre a vida dinamarquesa. E foi também isso que a trouxe a Portugal para participar como uma das oradoras da conferência “Natalidade: Como fazer crescer Portugal?”. O Observador falou com a norte-americana para conhecer melhor o que se passa neste país do norte da Europa, em que as crianças são uma prioridade — para os pais, mas também para o Governo.

Como é criar um filho na Dinamarca? Quais são as principais diferenças em relação a Portugal?
Pelo que percebi, só de falar com portugueses, a grande diferença são as horas de trabalho. Em Portugal, geralmente, trabalha-se das nove da manhã às nove da noite e talvez não se seja assim tão produtivo. Convenhamos, não se consegue ser muito produtivo durante 12 horas.

Quantas horas se trabalha na Dinamarca?
Na Dinamarca, o dia de trabalho são sete horas e meia e as pessoas cumprem à risca. Se começam a trabalhar às 8h00, saem às 15h30 e é considerado normal um trabalhador, tanto do sexo masculino como do sexo feminino, dizer: “Tenho de me ir embora, tenho de ir buscar os meus filhos”. Portanto, quando aconselho os estrangeiros que vêm fazer negócios na Dinamarca, digo-lhes para não marcarem reuniões para depois das três da tarde, porque as pessoas não vão poder estar presentes, têm de ir buscar os filhos. E se forem a um escritório às 17h00, não está lá ninguém, as pessoas foram para casa. Algumas pessoas podem ligar-se a partir de casa, à noite, e trabalhar. Não é que não trabalhem, mas o trabalho deles é muito focado num curto período de tempo. Por exemplo, as horas de almoço são de meia hora. 30 minutos e é na cantina do escritório. Não se vai à rua para almoçar com um amigo ou algo do género, isso não se faz. Há estas sete horas e meia em que se está concentrado e isso permite que as pessoas tenham mais tempo para a família.

“97% das crianças vão para as creches do Estado, incluindo as crianças da família real”

Além da flexibilidade nos horários, a Dinamarca tem outras políticas que promovem a parentalidade. Todas as pessoas com filhos recebem um subsídio do Estado todos os meses até o filho atingir a maioridade e, caso a criança esteja doente, podem ficar mais do que um dia em casa com o filho. O Governo organizou também um sistema, apelidado de “grupo de mães”, em que se juntam entre quatro a seis jovens mulheres para se apoiarem mutuamente.

Kay Xander Mellish destaca ainda os jardins de infância públicos, locais onde as crianças aprendem a brincar em vez de serem inseridas desde cedo num “local académico”. Na Dinamarca, há mesmo um tipo específico de jardins de infância, em que as crianças passam o dia na floresta.

Que género de políticas é que há na Dinamarca que promovem a natalidade e a parentalidade?
Uma delas já falámos: as horas de trabalho. Outra das coisas que as pessoas podem fazer na Dinamarca, além de saírem a horas, é poder tirar o dia se o filho estiver doente e ficar com a criança em casa. Há quem consiga tirar cinco dias, mas normalmente tira-se apenas um ou dois dias. Há também o sistema de jardins de infância do Governo.

Como funciona?
Começa quando a criança tem cerca de 12 meses e continua até ela ir para a escola. E não são locais académicos, em que as crianças têm de aprender as letras do alfabeto. São sítios designados de “free play” [com maior liberdade], em que se aprende a conviver com as outras pessoas. Portanto, se for um homem ou uma mulher com um emprego, deixa a criança por volta das 7h00/7h30 no jardim de infância, vai trabalhar às 8h00. Por volta das 15h30/16h00, regressa para ir buscar a criança e como tem mais tempo livre, é mais provável que consigam cozinhar uma refeição do zero juntos. Se está em casa por volta das 16h00 e janta às 18h00, talvez tenha tempo para fazer uma sopa. A pessoa não está tão stressada e a correr de um lado para o outro. E todos frequentam estas creches: 97% das crianças vão para as creches do Estado, incluindo as crianças da família real dinamarquesa. Não pôr a criança no jardim de infância é considerada uma má decisão dos pais.

Em Portugal, ainda é frequente as crianças ficarem com os avós…
As únicas pessoas que fazem isso são geralmente imigrantes e a avó quer ter alguma coisa para fazer, então não põem a criança no jardim de infância. Mas tem havido problemas graves com isso porque depois as crianças não aprendem bem a língua dinamarquesa e quando começam a escola, estão muito atrasadas. É por isso que estão a pensar tornar obrigatório pôr as crianças no jardim de infância. Esta é uma política do Governo que eu acho que funciona muito bem. E eles têm um ótimo tipo de jardins de infância chamado ‘forest kindergarten’ [jardim de infância na floresta, numa tradução livre]. É muito popular para os rapazes, mas também para as raparigas. Os pais deixam as crianças no jardim de infância, elas entram num autocarro e são levadas para passarem o dia na floresta. Todo o dia, faça chuva ou faça sol. As crianças aprendem imenso sobre a natureza, as coisas boas e as coisas más — não romantizam a natureza. É perfeito para os rapazes porque eles têm imensa energia e podem correr de um lado para o outro, mas algumas raparigas também iriam gostar.

As crianças acabam por não ficar fechadas numa sala de aula…
Exato, isso não acontece durante muito tempo. As crianças nem sequer têm notas até terem 13 ou 14 anos.

Isto foi sempre assim ou foram políticas introduzidas recentemente?
O Estado social dinamarquês surgiu depois da II Guerra Mundial: como precisavam das mulheres a trabalhar, era preciso alguém para tomar contas das crianças. Foi assim que surgiu o sistema das creches. As pessoas são muito independentes na Dinamarca, os avós têm as suas próprias vidas, não ficam a tomar conta dos netos. Podem ir buscá-los de vez em quando. Ou seja, a ideia era o Estado intervir e ajudar. As pessoas confiam muito no Estado, pagam impostos muito altos, mas estão dispostos a isso porque vêem o retorno. Nos Estados Unidos, por exemplo, também se pagam impostos altos, mas nem sempre se vê o retorno. Aqui vê-se porque há um nível muito baixo de corrupção. Vê-se que grande maioria do dinheiro é gasto em hospitais, em assistência infantil e as pessoas estão dispostas a investir nisso.

Fertilidade: o apoio do Estado e o benefício dos dadores anónimos

O Governo dinamarquês também promove a natalidade através de apoios à fertilidade. Aliás, um em cada 12 nascimentos no país resulta de tratamentos de fertilidade, sendo que a maioria se realiza através de apoio estatal. Todos têm acesso a estes apoios e existe um programa específico para as mulheres solteiras e para as mulheres homossexuais engravidarem com dadores de esperma — há muitas mulheres de outros países que vão de propósito à Dinamarca para fazerem estes tratamentos. Na Dinamarca, os dadores são anónimos e o Governo ainda dá uma bolsa isenta de impostos em troca da doação de esperma.

A Dinamarca também tem apoios no que toca à fertilidade.
Sim, é verdade. O Governo dá apoio se se tratar de uma mulher solteira e quiser ter um bebé sozinha. Ou se for um casal de lésbicas a querer ter um filho. Acho que isso não acontece tanto com os casais gays. No caso de um casal heterossexual que está a ter dificuldades em engravidar, o serviço de saúde paga a fertilização in vitro e a inseminação artificial. Há muitos dadores de esperma em Dinamarca, [o país] é dos maiores exportadores de esperma. Uma das razões é o facto de o dador poder ser anónimo.

O anonimato não é um problema?
Não, de todo. Claro que há sempre algumas pessoas que dizem coisas, mas há milhares e milhares de dadores na Dinamarca. É uma ótima forma de os jovens ganharem dinheiro, são 100 euros por sessão. Por quanto tempo? 15 minutos? É capaz de fazer mil euros por mês, portanto é algo muito popular. Como é anónimo, arranja-se uma amostra de jovens de “alta qualidade”: estudantes de medicina, direito, carpinteiros, homens inteligentes. Quando não é anónimo, muitas vezes os dadores são homens que chegam aos 42 anos e que estão deprimidos por não terem uma mulher. É uma “qualidade” diferente.

O Governo dinamarquês promove muito a natalidade com todas estas políticas. É um fenómeno cultural ou há alguns governos que investem mais nestas políticas?
Acho que é cultural, a Dinamarca é um país “child friendly” [é um bom país para as crianças]. Uma coisas que disse na minha apresentação é que é possível levar uma criança a um bom restaurante. Desde que ela esteja bem comportada, é bem-vinda. Na Alemanha, por exemplo, já torcem o nariz. As pessoas gostam genuinamente de crianças, portanto sentem-se mais à vontade para levar uma criança para esse tipo de ambientes. E isto não é uma questão religiosa, as pessoas não estão a ter mais filhos por acharem que têm de o fazer por uma questão religiosa, como dizem que pode estar a acontecer em Israel, mas as igrejas têm-se envolvido nesta questão: têm aulas de música para bebés, por exemplo. Como os pais estão um ano sem trabalhar, têm muito tempo livre e não querem ficar parados durante todo aquele tempo. Por isso, há uma série de aulas para bebés [independentes da igreja] de música, de natação, sessões de cinema para os bebés — são muito populares e acontecem normalmente por volta das dez da manhã. 

Licenças até cerca de um ano

O envolvimento dos homens dinamarqueses na vida doméstica vai muito além do tempo da licença de paternidade. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) — que mostram as horas que os homens e as mulheres dos países da OCDE, da China, da Índia e da África do Sul dedicam ao trabalho não pago (tarefas domésticas, compras, cuidar de adultos e crianças, voluntariado, entre outros)  –, a Dinamarca é o país onde os homens mais horas fazem neste tipo de trabalho — três horas e seis minutos –, sendo que as mulheres passam quatro horas e dois minutos do seu dia a fazer este género de tarefas. Já Portugal é o segundo país da OCDE onde as mulheres fazem mais horas de trabalho não pago, cinco horas e 28 minutos, enquanto os homens fazem apenas uma hora e 36 minutos.

Como funcionam as licenças na Dinamarca?
Quando se tem um filho na Dinamarca, a mulher tem quatro semanas de licença antes do nascimento e outras 14 semanas depois do nascimento. Os homens são obrigados a tirar duas semanas depois do nascimento do filho — é obrigatório — e depois os pais têm 32 semanas que podem dividir entre eles, mas as mulheres normalmente tiram mais tempo: a mulher talvez tire nove meses e o pai três. 

E recebem o salário a 100%? Não têm cortes?
Depende do sítio onde se trabalha. Se for uma empresa prestigiada, fazem essa oferta para ficar com os melhores trabalhadores. 

As empresas, mesmo assim, preferem contratar homens em vez de mulheres?
Tecnicamente não lhes é permitido fazer isso, mas com o sistema que está implementado — com a assistência à infância do Governo a partir dos 12 meses –, mesmo que a mulher decida ter um filho, ao fim de um ano ela está de volta. Portanto, se for alguém com um potencial a longo prazo para a empresa, seria escolhida de qualquer maneira. Na verdade, nunca se sabe quando alguém vai decidir ter filhos.

Então não é um problema?
Claro que as pessoas pensam nisso, mas sabendo que os homens também tiram licenças… Por norma, homens com um maior grau de diferenciação tiram pelo menos dois ou três meses e é visto como a coisa certa a fazerSe disser que não vai tirar tempo nenhum para estar com o filho, as pessoas ficariam a pensar mal dele. E não quero estar a estereotipar os homens portugueses e os homens dinamarqueses, mas os dinamarqueses foram considerados pela OCDE como os homens que mais trabalhos domésticos fazem em casa. Na Dinamarca, é considerado muito “macho” lavar a loiça e os homens gabam-se do tempo que passam com os filhos: empurrar o carrinho do bebé ou usar marsúpios.

Ou seja, não existe uma diferença de género…
Não, de todo. É uma coisa de “macho” andar com o filho. É como se dissessem: “Olhem o que eu fiz, eu consigo fazer isto”. E é considerado “fixe” exibir o tempo que se passa com os filhos.

Este papel ativo dos homens em casa na Dinamarca é algo recente?
É algo dos anos 70, com o movimento de libertação das mulheres. Mais: outra grande diferença que imagino que exista entre Portugal e Dinamarca são os salários. Na Dinamarca, os salários são tão elevados que as pessoas não têm ajuda doméstica. São poucas as pessoas que têm uma empregada ou uma cozinheira. Ou seja, para alguma coisa ficar feita, têm de ser as duas pessoas a fazê-la. E também o facto de as crianças passarem mais tempo com os pais faz com que, quando chegam aos 9 ou 10 anos, já cozinhem refeições.

Porque cozinharam com os pais…
Exatamente. E as crianças assumem maiores responsabilidades. Quando se passa mais tempo com os filhos, é possível mostrar-lhes como ser responsável. É assim que se faz. Eu diria que, na Dinamarca, toda a família faz a sua parte nas lides domésticas, porque é demasiado caro contratar alguém para o fazer. 

“É perda de tempo passar 12 horas a fazer um trabalho de oito horas”

Segundo dados do Eurostat, a Dinamarca é o único país da União Europeia onde, em 2017, os funcionários trabalharam menos de 38 horas por semana (37.8), sendo que as mulheres trabalharam 37.1 horas e os homens 38.3. Em Portugal, trabalhou-se por semana 41 horas: os homens fizeram 41.8 horas por semana e as mulheres 40.1. A média da UE é de 40.3 horas.

Apesar do pouco contacto que teve com a realidade portuguesa, Kay Xander Mellish não tem dúvidas do que mudaria: o excesso de horas laborais. Para a norte-americana, não faz sentido estar tantas horas no trabalho, quando é possível fazer-se o mesmo em menos horas.

Não sei se é a primeira vez que vem a Portugal…
É a segunda, mas a última vez que cá estive foi há muito tempo.

Qual foi a sua primeira impressão de Portugal? Ficou com alguma ideia de como seria a questão da natalidade ou de criar filhos cá?
Não, conheci apenas a parte turística, mas graças à conferência, percebi que Portugal está a passar por um desafio. Sei que muitos países do sul da Europa estão a passar por isso. Disseram que em Itália isso acontece porque o homem não faz a sua parte das lides domésticas, então uma mulher questiona-se como vai ter filhos quando tem um emprego a tempo inteiro e ainda cuida da casa e de um marido. Por isso é que acho que é tão importante que os homens não só façam a sua parte como o façam de boa vontade e não encarem isso como uma obrigação de ajudar a mulher.

Se pudesse mudar alguma coisa em Portugal, o que seria?
Diminuir as horas de trabalho. Menos horas de trabalho e mais concentradas. É uma perda de tempo passar 12 horas a fazer um trabalho de oito horas. Faça as oito horas de trabalho, passe as outras quatro a fazer outra coisa. Essas quatro horas podem ser passadas com a sua família.

 

 

 

 

Dentro das creches da ‘geração Autoeuropa’

Março 21, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Flexibilidade. As creches com horário alargado são um alívio para os pais que trabalham por turnos Nuno Botelho

Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 27 de fevereiro de 2018.

Liliana Coelho Texto

Nuno Botelho Fotos

Quem tem horários menos convencionais e filhos é obrigado a encontrar soluções, caso dos trabalhadores da Autoeuropa, que para trabalhar aos fins de semana exigem ter onde deixar os filhos. Em todo o país há apenas uma nessas condições. Mas há outras onde as crianças podem passar mais de 11 horas, podendo chegar ou sair de madrugada. Fizemos uma reportagem em duas delas.

Os dias estão maiores, mas já anoitece. Passa pouco das 18h30. Apressado e sorridente, Danilo Esteban chega ao Colégio Rik & Rok, na Amadora. Operador de logística de uma loja de materiais de construção, Danilo vem buscar as duas filhas gémeas, Emma e Isabella, de quatro anos. Hoje estão com sorte, vão mais cedo para casa, mas muitas vezes têm que ficar até mais tarde na creche, devido aos turnos no trabalho dos pais. Foi por essa razão que Danilo e a mulher, María – que saíram da Venezuela há dois anos –, decidiram inscrever as gémeas neste infantário. “Esta flexibilidade facilitou a adaptação de toda a família. Emma e Isabella têm-se desenvolvido bastante ao longo destes 24 meses. Hoje são mais independentes”, conta o pai.

Criado em 2010 pela Fundação Pão de Açúcar, o Colégio Rik & Rok teve como objetivo inicial responder às necessidades dos funcionários do grupo Auchan que são pais e que trabalham por turnos. Entretanto, o espaço foi também aberto à comunidade, embora dê prioridade aos filhos de trabalhadores do grupo, de lojas do Dolce Vita Tejo ou de espaços comerciais próximos. O infantário – que recebe de bebés com poucos meses até crianças de 5 anos – está aberto sete dias por semana e num horário alargado, das 7h até à meia-noite e meia.

A pensar no bem-estar da criança foi definido um período máximo de 11 horas por dia e cinco dias por semana para cada uma poder estar no colégio. Mas há exceções. “Hoje, por exemplo, temos um menino cujo pai entra às 4h da manhã no trabalho, a mãe sai à mesma hora do seu turno e ninguém o consegue vir buscar antes, razão pela qual, excecionalmente, será ultrapassado esse limite. Não tínhamos como dizer não. Tentamos sempre dar resposta às necessidades dos pais e à conciliação da vida profissional e familiar”, explica Luís Costa, diretor pedagógico do colégio Rik & Rok.

Às 19h30, o refeitório está quase vazio. E o silêncio impera. Esta noite jantam apenas quatro crianças no colégio, incluindo um bebé, mas por vezes rondam as 15. Enquanto os outros estão em casa nas suas rotinas com as suas famílias, estas crianças jantam com as educadoras e auxiliares do turno da noite. Despem as roupas e os bibes tricolores e vestem os pijamas, para dormirem até os pais chegarem.

O relógio avança. Mal o Salvador vê a mãe, corre para os braços dela. Desde os dois anos e meio que frequenta o colégio Rik & Rok, já lá vai mais de um ano. A mãe, Tânia Mendes, trabalha numa loja no Dolce Vita Tejo. Quando soube da existência desta creche – através de amigos – não hesitou em inscrever o filho. “A proximidade e os horários alargados foram os fatores chave. E tivemos sorte em conseguir logo vaga, porque a procura aqui é enorme, tal como no outro colégio Rik & Rok, em Alfragide”, comenta Tânia Mendes, sublinhando ainda que, como qualquer outra IPSS, o custo é acessível. “O valor que pago já inclui atividades extra, como natação e Ative Kids. Não pagamos mais nada, o que é ótimo”, acrescenta.

953 CRECHES COM COMPLEMENTO DE HORÁRIO

O colégio da Fundação Pão de Açúcar é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) com horário alargado − a única que está a funcionar ao fim de semana − , onde os pais pagam os valores normais de acordo com os rendimentos do agregado. Das 1862 creches com acordo de cooperação com a Segurança Social, 953 asseguravam horário superior a 11 horas diárias em dezembro, ou seja recebiam da Segurança Social o apoio Complemento de Horário de Creche, segundo os dados enviados ao Expresso pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. A maioria dessas creches insere-se nos distritos de Lisboa (176), Aveiro (165) e Porto (143).

Só no ano passado foram garantidos 111 novos Complementos de Horário em Creche face à assinatura do Compromisso de Cooperação com o Sector Social e Solidário. Depois de a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa ter exigido uma solução para as famílias que trabalham por turnos ou ao sábado, na sequência dos novos horários de trabalho, o ministério de Vieira da Silva esclareceu que o complemento de horário em creche é um apoio que está disponível a todos os trabalhadores. Basta efetuar o pedido junto da IPSS, que deverá requerer à Segurança Social a sua análise.

No ensino privado a procura por creches com horário alargado também tem aumentado nos últimos anos. Segundo Marta Sobral, presidente da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos do Ensino Particular (ACEPEEP), desde 2012 vários colégios têm alargado os horários de funcionamento. “Antes considerávamos prolongamento a partir das 17h30, agora é a partir das 18h30. Há cada vez mais pais à procura desta flexibilidade, por terem empregos exigentes”, diz a presidente da ACEPEEP.

BENEFÍCIO PARA OS FUNCIONÁRIOS

Mas há também empresas que oferecem creche gratuita com horário alargado aos filhos dos funcionários. É o caso da Jerónimo Martins, que tem dois infantários para os trabalhadores da logística, nos Centros de Distribuição da Azambuja e de Alfena-Valongo, suportados a 100% pelo grupo. Aberta de segunda à sábado e feriados, a creche da Azambuja funciona entre as 5h30 e as 18h e é frequentada por cerca de 80 crianças até aos cinco anos.

No infantário Rik e Rok da Amadora, o ambiente hoje é de festa – é dia de desfile de Carnaval, e os pais das crianças vão poder ver os filhos mascarados, ao contrário de vários outros que trabalham longe das creches. Dora Santos já está na fila para assistir ao desfile do filho Simão, de três anos. A filha mais velha, de 16 anos, também frequentou o mesmo infantário. “Sou mãe solteira e não conto com a ajuda de familiares. Por isso, a possibilidade de ter aqui os filhos veio mesmo a calhar”, confessa Dora, rececionista do centro de distribuição, que diz tentar manter a rotina do filho mesmo nas folgas. Simão fica habitualmente na creche entre as 6h e as 15h. A adaptação foi fácil, garante a mãe.

João Agina, operador de armazém, também aguarda ansioso pelo desfile dos dois filhos, de 16 meses e cinco anos. Entretanto, chega o mais pequeno. A sala de um ano é das primeiras a desfilar. Pedro vem mascarado de índio e bem-disposto. Mas assim que vê o pai salta para o seu colo e desata a chorar. “É normal, ainda é pequeno. Por isso, apesar de trabalhar aqui ao lado não costumo vir vê-lo nos intervalos para não o importunar”, conta João Agina.

Entre a azáfama das educadoras e auxiliares que ultimam as fantasias e a excitação das crianças na zona do infantário, um bebé boceja e gatinha até à porta, enquanto outro está deitado de barriga para baixo a dormir no berçário. Como se nada se estivesse a passar. “Às 10h há ainda bebés que adormecem. O dia para eles já vai longo. Almoçam todos às 11h, porque se há um atraso de cinco minutos ficam a dormir todos”, explica Cristina Santos, diretora pedagógica. Os pais trabalham por turnos que podem começar às 5h30. Alguns aproveitam o transporte disponibilizado pelo grupo em Lisboa, o que obriga as crianças a acordar às 4h e pouco da manhã. Rotinas duras para esta idade, segundo o especialistas.

“O ideal para uma criança é não ir para a creche até aos três anos de idade, pois aumenta o risco de infeção. E depois a entrada deve ser progressiva: os mais pequenos devem ficar de início só uma manhã, porque a tarde deve servir para dormir. Em termos do desenvolvimento, essa seria a situação perfeita”, defende Paulo Coutinho, pediatra e coordenador do Atendimento Pediátrico Permanente do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF do Porto. Contudo, admite que é preciso encontrar um equilíbrio entre a vida familiar e profissional. Porque cada caso é um caso, cada família é uma família. “Idealmente uma criança não devia estar no infantário fora do seu horário fisiológico. Pelo menos isso devia ser evitado sempre que é possível”, frisa o pediatra.

COMO COMPENSAR OS FILHOS?

Opinião partilhada pela psicóloga infantil Ana Galhardo: “As crianças precisam de rotinas e de regras definidas para um crescimento saudável. Mas por vezes colocá-las numa creche com horário alargado é indispensável. Porque não há outra opção, fruto das exigências do tempo em que vivemos.”

Os pais que não contam com uma rede familiar alargada próximo de casa e que trabalham por turnos rotativos são obrigados a procurar este tipo de soluções. Apesar de não ser a situação ideal, Ana Galhardo destaca a “grande capacidade de resiliência” das crianças. “Embora existam também cada vez mais crianças com perturbações de todo o tipo, como perturbações de sono e/ou psicológicas, ansiedade ou stress infantil, que tem a ver com a pressa e as exigências do mundo em que vivemos”, observa.

Por norma, não são situações preocupantes mas, por vezes, há uma “falta de vínculo grave entre pais e filhos”. A única forma de compensar, defende Ana Galhardo, é através do investimento em tempo de qualidade. No entanto, isso é difícil por vezes, porque os “pais estão poucas horas por dia em casa” e “chegam frequentemente cansados”. É fundamental também que a família tente criar rotina dentro do caos, potenciando maior comunicação e previsibilidade. “Por exemplo, um pai que vai passar dois dias fora em trabalho deve informar com antecedência essa ausência ao filho. Uma criança possui uma grande capacidade de adaptação, mas precisa de ser informada com tempo. O planeamento é a base.”

 

Lançamento do Livro “Ser Bebé na Creche” 16 de Fevereiro, 19 horas, nas instalações da ESE Almeida Garrett

Fevereiro 13, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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ESE Almeida Garrett tem o prazer de Vos convidar para o lançamento do livro de uma docente desta Escola, Professora Mestre Ana Bela Baptista da Silva, intitulado

“SER BEBÉ NA CRECHE. VIAGEM MARAVILHOSA PARA
A AUTO CONFÇIANA”,

cuja apresentação será feita pela Senhora Professora Doutora Ângela Cremon de Lemos.
Dia 16 de Fevereiro de 2018 pelas 19 horas, nas instalações da ESE Almeida Garrett, na Rua de São Paulo, nº 89, 1200 – 427 Lisboa.

Alunos portugueses acima da média da UE na leitura e ciência, piores no abandono

Novembro 26, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 10 de novembro de 2017.

Pedro Sousa Tavares

Relatório da UE confirma indicadores dos testes PISA de 2015 mas também evidencia caminho a percorrer em várias áreas

O bom desempenho dos alunos portugueses de quinze anos nos testes PISA 2015, da OCDE, reflete-se no relatório Monitor da Educação e Formação 2017, da União Europeia. Com base nesses resultados, os estudantes nacionais são colocados acima da média comunitária na Leitura (17,2% de resultados fracos contra 19,7%) e na Ciência (17,4% contra 20,6%), com a Matemática a destoar (23,8% face a 22,2%).

Mas este bom indicador – que na realidade já era conhecido deste que foram revelados os resultados do PISA 2015 – convive com vários outros que, apesar de regra geral indicarem melhorias entre 2013 e 2016, evidenciam também a distância que ainda separa o país dos parceiros comunitários e das metas propostas.

Nos principais indicadores, nomeadamente aqueles que fazem parte dos compromissos assumidos para 2020 em termos de qualificações pelos países da União Europeia, Portugal progrediu mais rapidamente do que os parceiros. Mas continua abaixo da média.

No abandono escolar precoce (alunos dos 18 aos 24 anos que não concluíram o secundário nem estão a estudar), o total baixou dos 18,9% para os 14% e este é um dos “progressos” elogiados ao país no relatório. Por comparação, a média comunitária progrediu dos 11,9% para os 10,7%.

Mas estes números continuam a evidenciar que mais jovens portugueses abandonam a escola prematuramente do que nos restantes países europeus. Entre as medidas “em curso” para contrariar essa realidade, o relatório destaca a implementação do Plano nacional de Promoção do Sucesso Escolar, lembrando que “o número de escolas participantes excedeu as expectativas” iniciais do Ministério da Educação.

Igualmente significativos o crescimento da percentagem dos portugueses, entre os 30 e os 34 anos, que concluíram cursos superiores. A média cresceu dos 30% para os 34,6%. Ainda assim, os autores do relatório consideram que, apesar da melhoria, “será um desafio atingir a ambiciosa meta nacional para 2020”. O objetivo, recorde-se, é chegar aos 40% de diplomados nestas faixas etárias dentro de pouco mais de dois anos.

A cobertura de creches e pré-escolar é uma das áreas em que, de acordo com o relatório, o país regrediu entre 2013 e 2016, passando dos 95% para os 93,6%. Com isso, o país deixa também de ter uma cobertura superior à média comunitária, que evoluiu no mesmo período dos 93,9% para os 94,8%. Contudo, é recordado o compromisso do governo de assegurar a universalidade da cobertura de pré-escolar, dos três aos cinco anos, até ao final da legislatura, em 2019.

A Educação de adultos também teve uma quebra, ainda que residual (9,7% para os 9,6%), com os peritos da União Europeia a lembrarem que esta tem “um papel central” nas atuais políticas.

Descarregar o relatório Education and Training Monitor 2017 no link:

https://ec.europa.eu/education/policy/strategic-framework/et-monitor_pt

 

 

 

 

Alerta dos pediatras: não dormir a sesta é tão grave como não comer

Junho 4, 2017 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 1 de junho de 2017.

SPP diz que “em Portugal as crianças, principalmente as que frequentam os estabelecimentos públicos, em norma não realizam a sesta após os três anos de idade” PAULO PIMENTA

Sociedade Portuguesa de Pediatria reuniu peritas para analisar um problema que afecta muitas crianças. Falta de sestas tem consequências a curto e longo prazo, como problemas de aprendizagem e de comportamento.

Lusa

A maioria dos estabelecimentos de ensino pré-escolar públicos não promove a sesta das crianças, o que é tão grave como se não lhes dessem comer, faz saber a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).

Alexandra Vasconcelos, médica da secção de pediatria social da SPP, disse à agência Lusa que a falta da sesta nas crianças com idades a partir dos três anos representa “um grave problema de saúde pública”.

“Se as creches não fornecessem uma refeição, toda a gente se indignava. A falta de uma sesta é igualmente grave”, disse.

Preocupada com esta questão, e constatando que “em Portugal as crianças, principalmente as que frequentam os estabelecimentos públicos, em norma não realizam a sesta após os três anos de idade”, a secção de pediatria social da SPP solicitou a um painel de cinco peritas nesta área que emitisse um parecer. E a recomendação vai no sentido de as crianças com idades entre os três e os cinco/seis anos de idade realizarem uma sesta, de preferência no início da tarde e com uma duração de aproximadamente hora e meia.

A SPP ressalva que, após os quatro anos, nem todas as crianças necessitam de realizar a sesta de forma regular, pelo que “a família e a educadora de infância deverão avaliar, em conjunto, a necessidade da sua prática em cada criança”.

Riscos e benefícios

Esta organização avaliou os benefícios e consequências da privação da sesta numa criança, concluindo que esta deve ser implementada até à idade escolar. Segundo a SPP, a curto prazo a privação do sono na criança tem como consequências possíveis distúrbios na modulação do humor e dos afectos, a perturbação da função neuro-cognitiva, alteração do comportamento e alteração motora.

A longo prazo, essas consequências passam pela aprendizagem (mau rendimento escolar), comportamento (hiperactividade e défice de atenção), psicológicas (ansiedade e depressão), alterações orgânicas e perturbação da vida familiar.

Alexandra Vasconcelos disse que são cada vez mais comuns os casos de crianças que chegam aos consultórios com perturbações que, mais tarde, são atribuídos à falta de sono e, nomeadamente, ao fim das sestas. “Além do risco de saúde imediato, esta privação do sono pode deixar sequelas para o futuro.”

 

Ser Bebé – Educação na Primeira Infância: Conceções, Modelos e Perspetivas | 27 de maio | Leiria

Maio 15, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://apei.pt/index.php

Pré-escolar até aos quatro anos ainda não chegou a todas as crianças

Maio 2, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 17 de abril de 2017.

Pedro Sousa Tavares

A área metropolitana da capital chega ao fim do ano letivo sem soluções para 10% dos alunos desta idade. Ministério promete apenas “mitigar significativamente” o problema mas não se compromete com 100% de cobertura

O despacho de matrículas para o atual ano letivo já previa a universalização da oferta do pré-escolar aos 4 anos de idade. Mas, à entrada da reta final das aulas, o objetivo continua por cumprir, devido à escassez de soluções na Grande Lisboa. E o Ministério da Educação também não garante que o problema esteja resolvido no arranque do próximo ano letivo.

A este respeito, numa resposta enviada ao DN, o gabinete do ministro Tiago Brandão Rodrigues assume apenas que “o que o Ministério pode garantir é que está a trabalhar para que a limitação na co-bertura que neste momento existe ao nível dos 4 anos, na área da Grande Lisboa, seja significativamente mitigada”. Atualmente, de acordo com os dados da tutela, “a resposta às crianças de 5 anos está assegurada e relativamente às de 4 anos temos taxas de cobertura de perto de 100% nas regiões do Norte, Centro, Alentejo e Algarve e de cerca de 90% em Lisboa”. O Ministério lembra também que, “para responder à procura das famílias, abriram este ano mais cerca de cem salas relativamente ao anterior”. Números que, no entanto, se revelaram insuficientes para resolver o défice ao nível da capital.

Em causa – tendo em conta que, de acordo com as estatísticas do INE, em 2012 nasceram 29 313 crianças na Área Metropolitana de Lisboa, e que estas teriam 4 anos de idade no arranque do presente ano letivo – estão cerca de 3000 alunos para os quais não foi possível encontrar resposta. Isto, partindo do princípio de que a grande maioria das crianças nascidas na região ficaram a viver na mesma.

Pela mesma lógica, refira-se, a natalidade poderá ser uma forte “aliada” do ministério em 2017/18, já que, face aos 27 182 nascimentos de 2013, é de prever que existam no próximo ano letivo menos 2131 crianças de 4 anos nascidas na Grande Lisboa. Mas o impacto nunca será suficiente por si para resolver os problemas, até porque as localidades e freguesias da metrópole com menor oferta ao nível do pré–escolar não serão necessariamente as mesmas em que os nascimentos baixaram.

De resto, nas respostas enviadas ao DN, referindo-se à maior pressão demográfica nas áreas metropolitanas, o próprio Ministério refere que “a falta de cobertura tem, muitas vezes, que ver também com o encontro entre a preferência dos pais e as zonas onde existe a oferta”.

No entanto, a tutela também não esconde que pretende esperar para ver quais serão as reais necessidades antes de se comprometer com reforços de meios: “Para 2017/2018, as reuniões de preparação da rede escolar estão agora a começar e só a partir daqui poderemos ter mais informação sobre a relação entre a oferta e a procura e os compromissos que poderão ser necessários assumir para concretizar a medida de expansão do pré-escolar”, explica.

A “forte cooperação com o setor solidário e social [IPSS]”, bem como com a rede do ensino particular e cooperativo, serão para manter no próximo ano letivo. Mas para já o ministério não adianta se poderá ou não reforçá-la, tal como não assume investimentos adicionais ao nível da oferta nas escolas públicas.

Pais esperam medidas rápidas

Para os representantes das famílias é que esta incerteza não é aceitável, numa altura em que começam as matrículas, as quais, por norma, no pré-escolar começam, via internet, a 15 de abril e terminam a 15 de junho. “Nesta altura, é perfeitamente razoável pensarmos que as coisas deveriam estar garantidas”, disse ao DN Jorge Ascensão, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais. “Se não estão, esperemos que até ao final do mês as questões estejam resolvidas”.

Jorge Ascensão lembrou que, na preparação do presente ano letivo, os pais foram informados de que “estava tudo garantido para que a oferta cobrisse as necessidades todas”, o que acabou por não acontecer. “Fomos constatando algumas falhas. Esperemos que tenha havido o tempo necessário e que tenham sido encontradas formas de resolver essas falhas e que, para o ano, efetivamente a oferta possa cobrir toda a rede e todas as necessidades”, defendeu.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) contou que, nas reuniões que têm feito com as escolas, “reuniões regionais”, os responsáveis do ministério “ainda não” apontaram medidas específicas para compensar as falhas na rede. No entanto, acrescentou, “percebe-se que querem dar esse salto”.O presidente da ANDAEP defendeu também ser importante que o poder local se envolva na questão: “As câmaras municipais e autarquias têm de estar atentas em número de crianças em condições de frequentarem o pré-escolar.” O governo tem o compromisso de universalizar a oferta do pré-escolar, desde os 3 anos de idade, até ao final da legislatura, em 2019. Um compromisso recentemente reforçado por diplomas aprovados, no mês passado, na Assembleia da República.

 

 

 

O meu amigo eu vou respeitar

Abril 30, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.hypeness.com.br/

A Escola de Educação Infantil Pequenos Passos, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, fez o maior sucesso com um vídeo postado no Facebook na semana passada. Parte de um projeto desenvolvido por Gisele Freire, uma das sócias da escola, a ideia é ensinar às crianças alguns valores importantes, como respeito, amizade e humildade.

Com o auxílio das professoras, caixas de papelão foram transformadas em vagões coloridos, onde diversas palavras foram escritas e, no fim do mês passado, foram usadas pelas crianças para formar o trenzinho.

No vídeo divulgado, elas passeiam pelo pátio da escola cantarolando uma música escrita por Eliton Seára, também professor do local, onde entoam palavras de respeito aos coleguinhas.

Segundo Gisele, a ideia do projeto surgiu após perceber que as crianças estão naquela fase de brigar e morder uns aos outros, e que esta seria uma maneira lúdica de passar bons valores para elas. Duvido que você vai ver algo mais fofo durante essa semana!

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