Entraram mil novos nomes para a “lista de pedófilos” desde o início do ano

Setembro 27, 2017 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 8 de setembro de 2017.

Entre o início do ano e final de agosto, foram contabilizados mais de mil novos nomes no registo de identificação criminal de condenados pela prática de crimes contra a liberdade sexual de menores.

Entre o início do ano e final de agosto, o Ministério da Justiça contabilizou 1096 novos nomes no registo de identificação criminal de condenados pela prática de crimes contra a autodeterminação e liberdade sexual de menores, avança a edição desta sexta-feira do Jornal de Notícias. Esta “lista de pedófilos” já contava com 1261 nomes que entraram em 2016. Atualmente, a base de dados conta com 5487 referências.

Ainda assim, o número de pessoas na lista com condenações por crimes sexuais que envolvem menores era menor em novembro de 2016 — contava com 5739 nomes na altura. O Ministério da Justiça explicou ao Jornal de Notícias que a diminuição tem a ver com o fim do prazo estes condenados podem permanecer no registo criminal. O prazo depende da gravidade do crime, que pode variar entre cinco e 20 anos.

Esta “lista de pedófilos” existe há dois anos e as polícias só podem aceder à base de dados para investigação. Os tribunais também podem consultá-la para concluir sobre processos que envolvam crianças. Os pais só podem aceder à lista indiretamente e terá de ser justificada junto das autoridades e mediante a apresentação de uma situação concreta.

 

 

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Menina de 12 que enviou foto a pedófilo pode ficar com registo criminal

Setembro 26, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/de 17 de setembro de 2017.

Foto: Arquivo/Global Imagens

 

Uma menina de 12 anos, residente no sul de Inglaterra, pode enfrentar acusações depois de ter enviado uma fotografia do próprio corpo para um homem que a assediava na Internet.

Segundo o britânico “Independent”, especialistas da área da exploração infantil advertiram a mãe da jovem para a hipótese de a filha poder ficar com registo criminal, uma vez que é ilegal partilhar imagens explícitas de menores, ainda que a pessoa que as envie seja também menor.

O suspeito que coagiu a menina a enviar a fotografia ainda não foi detido. O homem tê-la-á contactado, através de um perfil falso, pelo serviço de mensagens privadas do Instagram, onde a abordou e revelou as intenções.

A jovem recusou os sucessivos pedidos feitos pelo alegado pedófilo, mas, algumas mensagens depois, acabou por enviar uma fotografia onde expunha o corpo.

Quando a mãe da jovem teve acesso às mensagens, entrou em contacto com o Centro de Exploração Infantil e Proteção na Internet (CEOP) – um braço da agência governamental “National Crime Agency” (NCA) – que reportou o caso à polícia.

Depois de as autoridades terem falado com a menina e revistado o iPad onde trocava mensagens com o sujeito, um oficial do CEOP alertou a mãe para a possibilidade de esta enfrentar uma acusação.

“Nem quis acreditar. Como é que a vítima pode acabar com cadastro? É uma miúda nova e inocente que cometeu um erro”, disse a mãe ao jornal “The Sunday Mirror”, acrescentando que já se questionou se fez bem em reportar o caso.

mais informações na notícia:

Schoolgirl groomed online by paedo could face CHARGES after she was pressured into sending topless snap

 

Austrália quer ser o primeiro país a impedir pedófilos de viajar para o estrangeiro

Junho 12, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 30 de maio de 2017.

A Ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, anunciou a proposta esta terça-feira, durante uma conferência de imprensa no Parlamento LUSA/LUKAS COCH

 

A medida foi proposta pelo governo de Camberra e tem como objectivo proteger crianças de “países vulneráveis” no sudeste asiático.

Catarina Reis O governo australiano anunciou, esta terça-feira, que planeia proibir de viajar para o estrangeiro todos os cidadãos registados por pedofilia no sistema criminal da Austrália. A proposta, que a concretizar-se será uma estreia mundial, vai ser apresentada no Parlamento e visa proteger principalmente as crianças de outros países do sudeste asiático, “mais vulneráveis” a práticas de abuso sexual de menores, noticia o Sydney Morning Herald.

O ministro da Justiça australiano, Michael Keenan, explicou que as leis de prevenção existentes são “completamente inadequadas” e acredita que a Austrália está a debater “a mais forte repressão de sempre sobre o turismo sexual de menores”. “Nenhum país alguma vez tomou uma acção tão decisiva para impedir os seus cidadãos de viajar, muitas vezes para países vulneráveis, para abusar de crianças”, disse o ministro, numa conferência de imprensa no Parlamento de Camberra, nesta terça-feira.

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, entende que a medida permitiria anular os passaportes de cerca de 20 mil pessoas condenadas por pedofilia, que já cumpriram as suas penas de prisão mas que continuam sob controlo das autoridades — 3200 estão sob controlo vitalício, por isso, nunca seriam elegíveis para viajar. Bishop falava na mesma conferência de imprensa que o seu colega da Justiça.

As excepções à aplicação da moção serão definidas com base no parecer e verificação das autoridades australianas, que irão comprovar se os cadastrados não representam um risco para as crianças no estrangeiro e se há razões legítimas — pessoais ou profissionais — para viajarem. O governo acrescenta que estarão isentos todos os indivíduos que deixarem de pertencer à base de dados criminal.

De acordo com dados divulgados pelo executivo australiano, em 2016 aproximadamente 800 predadores sexuais viajaram da Austrália para o estrangeiro. No mesmo ano, os jornais locais noticiaram a história de um australiano, Robert Andrew Fiddes Ellis, condenado a 15 anos de prisão na Indonésia por ter abusado de 11 raparigas naquele país.

Texto editado por Hugo Torres

 

Só 1,5% dos inquéritos de pornografia infantil resultam em acusação

Dezembro 20, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/de 20 de dezembro de 2016.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Inquéritos referentes a pornografia infantil : primeiro semestre 2016

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Amadeu Guerra (à esquerda) está à frente do departamento do Ministério Público que investiga os crimes complexos desde março de 2013 | Jorge Amaral / Global Imagens

Dos 1350 inquéritos abertos nos últimos três anos, 20 deram origem a acusação e nesta altura só metade foi a julgamento

Todos os casos de pornografia infantil que foram levados a julgamento pelo Ministério Público (MP) resultaram em condenação. Mas é grande a disparidade entre o número de inquéritos abertos e os que chegam a tribunal.

Segundo o relatório do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) – de outubro de 2013 a junho de 2016 -, foram abertos 1350 inquéritos, mas até agora apenas 601 foram investigados. Desses, 173 foram arquivados por falta de provas e 20 resultaram em acusação, ou seja, apenas 1,5% dos processos. Nesta fase, dez foram a julgamento e todos resultaram em condenação do arguido. Dos restantes, oito aguardam julgamento e aos outros dois foi aplicada a suspensão provisória do processo.

“As informações recolhidas permitem concluir que dez dos 20 processos em que foram proferidas acusações foram, entretanto, realizados os respetivos julgamentos e proferidas sentenças de condenação. Anota-se que nenhum dos julgamentos realizados resultou em absolvição”, pode ler-se no relatório do primeiro semestre de 2016, divulgado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em novembro de 2013, a PGR atribuiu a este departamento a exclusividade das diligências iniciais de todos os casos de pornografia de menores, encaminhando só numa fase posterior o inquérito para “os serviços locais do Ministério Público”. As explicações oficiais da PGR para justificar a mudança de orientação, na altura, baseavam-se na “noção, empírica, de grandes cifras negras e de pouco sucesso nas investigações” destes casos, que tinham origem em denúncias de entidades estrangeiras.

As suspeitas chegam a Portugal através do National Center for Missing and Exploited Children (NCMEC), organismo norte-americano que alerta as autoridades portuguesas para casos de pornografia infantil ou assédio com fins sexuais com crianças, em que as vítimas possam ser portuguesas ou em que o número identificador do computador foi localizado em Portugal.

Em dezembro de 2014, a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa acusou um homem de 58 anos de mais de 680 mil crimes. Na casa do suspeito (centro de Lisboa) foram encontradas 682 447 imagens com atos de pornografia ou de abuso sexual com raparigas entre os 2 e os 13 anos. O suspeito também produzia vídeos com imagens de menores e tinha bonecas insufláveis com tamanho de crianças.

No ano passado, em Gondomar, um homem desempregado, com 28 anos, a viver com os pais, construiu, alegadamente, um “império” de sordidez. Terá criado, desde os seus 17 anos, um banco de dados com imagens pornográficas de raparigas (dos 7 aos 18 anos) que seduzia nas redes sociais e convencia a despirem-se em frente à webcam. Partilhava ainda com outros interessados milhares de ficheiros com imagens de crianças a serem agredidas sexualmente.

Cristina Soeiro e Raquel Guerras, psicólogas da Polícia Judiciária (PJ), traçaram um perfil deste tipo de agressores registados entre 2009 e 2014. Todos homens, com idades entre os 20 e os 69 anos, solteiros, com habilitações académicas ao nível do secundário e do superior. Em termos profissionais, mais de metade estavam no ativo. A maioria vivia em bairros de classe média, mais de 30% com os pais e 11% com a mulher. Perto de 77% eram heterossexuais e em 61% das situações estudadas eram pedófilos.

O relatório alerta para a demora nas perícias informáticas a cargo da PJ. “Todos estes processos supõem a realização de perícia informática, a qual é quase sempre um imprescindível meio probatório. É sabido que as perícias, a cargo da PJ, estão a ser realizadas com uma enormíssima demora e um atraso que anda pelos três anos”, denuncia.

O NCMEC tem vindo a identificar, “anualmente, centenas de situações de eventual crime relacionado com crianças com ligação a Portugal. Estas situações foram no passado transmitidas a autoridades policiais portuguesas. Porém, na sua generalidade, foram inconsequentes em termos processuais”, admite o relatório. O DCIAP espera “que em breve o número de acusações deduzidas venha a aumentar muito, consoante forem sendo concluídos os inquéritos”, remata o trabalho divulgado no site da PGR.

 

 

 

Lista de pedófilos condenados com 5.739 registos no primeiro ano de vigência

Dezembro 1, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://diariodigital.sapo.pt/ de 16 de novembro de 2016.

Um total de 5.739 nomes constam do Registo de Identificação Criminal de Condenados por Crimes Sexuais contra a Autodeterminação Sexual e a Liberdade Sexual de Menor, que completa um ano de vigência a 22 de novembro.

“O número atual de registos integrados no Registo de Identificação Criminal de Condenados por Crimes Sexuais contra a Autodeterminação Sexual e a Liberdade Sexual de Menor é de 5.739”, indicou à agência Lusa o Ministério da Justiça (MJ).

Conforme precisa o MJ, o registo foi criado pelo artigo 4.º da Lei 103/2015, de 24 de agosto, começando a produzir efeitos 90 dias após a publicação da lei, pelo que completará um ano de vigência a 22 de novembro próximo.

De acordo com a lei, fazem parte deste registo todos os condenados pela prática de crimes sexuais em que a vítima seja menor, até ao máximo de 20 anos sobre a extinção da pena, principal ou de substituição, ou da medida de segurança, e desde que entretanto não tenha ocorrido nova condenação por crime contra a autodeterminação sexual e a liberdade sexual de menor, ou quando verificada a morte do agente.

“Ou seja, também fazem parte deste registo pessoas que tenham sido condenadas antes da entrada em vigor da lei e cujo crime conste do seu registo criminal, o que acontece durante um período de 20 anos para os crimes considerados mais graves”, explica o MJ.

Diário Digital com Lusa

 

Ainda nenhum pai pediu lista de pedófilos

Setembro 2, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 26 de agosto de 2016.

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Lista oficial de pedófilos já tem 5618 nomes

Setembro 2, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 24 de agosto de 2016.

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Pedofilia: 9 maneiras de proteger seu filho

Junho 3, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://revistacrescer.globo.com de 18 de maio de 2016.

revistacrescerglobo

Nesta semana, uma das notícias mais comentadas na mídia foi sobre um caso de pedofilia, envolvendo um ex-BBB. Se o assunto já costuma deixar pais e mães de orelha em pé todos os dias, quando há algum acontecimento sob os holofotes, a preocupação triplica. Coincidentemente, nesta quarta-feira, 18 de maio, é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, uma data para refletir de que maneira podemos proteger as crianças da pedofilia. Mas, afinal, há alguma maneira de identificar e combater o abuso?

É possível, sim, tomar alguns cuidados. “Não há um perfil do agressor, que pode ser alguém da própria família, e nem do agredido, que pode ser de várias idades e de diferentes classes sociais”, diz Daniela Pedroso, psicóloga do Hospital Pérola Byington. E reforça: “A principal atitude que as mães devem ter é conversar muito com a criança e, assim, criar uma relação de confiança com ela”, afirma.

9 maneiras de proteger seu filho da pedofilia

Confira as orientações de Daniela Pedroso, psicóloga do Hospital Pérola Byington:

1. Explique que o corpo da criança é só dela e que ninguém tem o direito de mexer nele. Deixe claro que, se qualquer algum adulto tentar fazer algo estranho com ela, você precisa saber.

2. O agressor, na maioria dos casos, é um conhecido. Se o seu filho reclamar que não gosta de alguém com quem vocês convivam, tente entender o motivo. “Muitas vezes, pode não ser uma fantasia”, diz Daniela.

3. Ainda que a maior parte dos casos seja praticada por pessoas conhecidas, é importante manter a orientação de que seu filho não deve falar com estranhos.

4. Uma das maneiras de aproximação dos agressores é a internet. Por isso, se o seu filho tem um perfil em alguma rede social ou usa serviços de troca de mensagens, não deixe os dados liberados para quem não é amigo e não coloque muitas fotos.

5. Converse com seu filho sobre o uso da internet. Se precisar, ative filtros de segurança no computador.

6. Fique sempre por perto quando seu filho estiver navegando e saiba quais são os sites que ele visita. Se for necessário, verifique o histórico com alguma frequência.

7. Fique atento ao comportamento de seu filho. Mudanças bruscas, apesar de não comprovarem que algo de errado está acontecendo, podem representar fortes indícios. Voltar a fazer xixi na cama, ter brincadeiras violentas com bonecas e medo de ficar sozinho com adultos, apresentar comportamento mais “sexualizado” e problemas na escola são alguns destes sinais.

8. Ensine seu filho a nomear as partes do corpo corretamente e diga quais delas não devem ser tocadas por outras pessoas.

9. Acredite no seu filho, se ele disser que está sendo vítima de abuso. Criar uma relação de confiança é fundamental.

Denuncie!

Se souber de algum caso de abuso sexual infantil, você pode fazer a denúncia pelo Disque 100. De acordo com uma campanha divulgada na internet pela Fundação Abrinq, só em 2014, foram 24 mil denúncias de violência secual contra crianças e adolescentes. Desse tota, cerca de 19 mil foram de abuso e 5 mil de exploração sexual. Nem sempre é fácil tocar no assunto ou até mesmo admitir que acontece. A omissão facilita a vida do agressor e permite que os casos continuem acontecendo.

Para estimular as pessoas a denunciarem os casos, há várias campanhas nas redes sociais. Organizações e grupos têm usado as hashtags #NãoFecheosOlhos, #FaçaBonito e #Disque100 ao fazer o alerta.

Em Portugal pode ligar para a Linha SOS-Criança encontra-se disponível através do número 217 931 617 e do número gratuito 116 111, o E-MAIL: iac-soscrianca@iacrianca.pt ou o Chat Online SOS-Criança

 

Abuso sexual de menores: o olhar das vítimas e dos agressores

Março 1, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 15 de fevereiro de 2016.

Mariella Furrer

O livro “My Piece of Sky” reúne testemunhos de vítimas, abusadores e agentes da autoridade. O livro resulta do trabalho de dez anos da fotógrafa Mariella Furrer, também vítima de abuso sexual na infância

Texto de Ana Marques Maia

“Sofri muito com o abuso sexual de que fui vítima. Durou segundos, ou poucos minutos, não sei ao certo, mas a vergonha acompanha-me até hoje.” Mariella tinha 5 anos, não conhecia o seu abusador. “Na altura, não compreendi o que me tinha acontecido, mas de algum modo sabia que era errado. Senti culpa por deixar que aquele homem me tocasse.”

É através da compilação de fotografias, excertos de diários, desenhos e testemunhos de vítimas, abusadores, familiares, polícia, pessoal médico, activistas, que a fotógrafa retrata um fenómeno que considera “epidémico” na África do Sul. Durante 10 anos Mariella Furrer investigou, entrevistou, fotografou e editou para que “My Piece of Sky” se tornasse realidade. O motivo é simples: “Quando fui abusada, se soubesse que outras crianças também tinham sido, ter-me-ia sentido muito melhor.”

Venus foi violada aos oito anos de idade

Venus (nome fictício) tinha oito anos de idade quando o vizinho Steven lhe pediu que o seguisse. Ela assentiu e foi arrastada para o meio de uns arbustos, onde ele tentou violá-la. “Ela ofereceu resistência e ele esfaqueou-a no coração e pulmões com uma tesoura, violou-a e sodomizou-a. De seguida, arrastou-a para uma área mais escondida e deixou-a à sua sorte”, contou a fotógrafa de origem suíço-libanesa ao P3, em entrevista via Skype. “Era Inverno, as temperaturas estavam abaixo dos zero graus. As pessoas procuraram-na e ela conseguia ouvi-las chamar, mas as suas cordas vocais não respondiam devido ao estrangulamento, estavam temporariamente danificadas.” Nessa noite, segundo testemunho da mãe de Venus, Steven, seu vizinho há dez anos, perguntou o que se passava, revelando preocupação. Na manhã seguinte tornou a perguntar: “Já a encontraram?”.

Venus perdeu os sentidos após o ataque e acordou apenas na manhã seguinte. Rastejou numa direcção aleatória e apenas por sorte se deparou com uma estrada. “Foi encontrada por uma mulher que, por acaso, conhecia a sua mãe. Se ela tivesse rastejado na direcção oposta, nunca teria sido encontrada e teria morrido”, garantiu Mariella.

Foi através da Unidade de Protecção de Menores e da clínica Teddy Bear, na África do Sul, que a fotógrafa teve acesso à maioria dos casos que documentou. Compõem o livro, no total, 17 depoimentos de vítimas e dos seus familiares e seis testemunhos de abusadores sexuais. “Conheci outra menina pequena que foi submetida a uma intervenção cirúrgica. Ela foi violada ainda muito nova, não tinha ainda três anos de idade. É algo que as pessoas não sabem. As crianças pequenas que sofrem este tipo de violência são normalmente submetidas a cirurgia para reparação de danos internos. Demorei seis ou sete anos até conseguir fotografar uma cirurgia” e isso foi importante para poder revelar um lado da história que raras vezes merece menção quando se trata o assunto nos media.

“Nem todos os pedófilos são abusadores sexuais”

Nem todos os casos de abuso sexual de crianças acontecem em contexto de violência. Mariella Furrer trabalhou muitos anos com vítimas, sobreviventes, polícia, técnicos e activistas e garante que, contactando com as vítimas, é impossível não odiar os agressores. Mas, confessa, “ao conhecê-los, percebi que a questão é muito mais complexa do que parecia à partida”.

A maioria dos agressores sexuais que conheceu não era do tipo violento. Eram aquilo que se denomina de “groomers”, pessoas que “cuidam” da criança, que estabelecem com ela uma relação de proximidade e afecto. “Isso torna tudo mais confuso para a criança, porque existe efectivamente uma relação de confiança entre ela e o agressor. Deparei-me com o exemplo do Grant, que dizia: ‘Este homem era a única pessoa que me amava, mas também me violou’”. Grant tinha apenas oito anos e vivia no seio de uma família negligente. “O meu pai embriagava-se muitas vezes e a minha mãe tinha a sua própria vida para cuidar”, disse Grant a Mariella.

“O Creasey era muito bom para mim. Dizia-me sempre que era bonito e que tinha um óptimo corpo. Tirava-me fotografias, revelava-as e mostrava-me como funcionava o ampliador.” Darren, abusador sexual, confirma em depoimento: “Muitas das crianças [de quem abusei] não tinham uma figura parental forte e nesses casos eu assumia esse papel — à minha maneira”. As crianças que encaixam neste tipo de perfil são mais vulneráveis a este tipo de “predação”, o que não significa que as que provêm de lares estruturados e famílias atenciosas sejam imunes.

“É importante ressalvar que nem todos os pedófilos são abusadores sexuais”, alerta a fotógrafa. A atracção sexual por crianças pode existir sem que a agressão se verifique. “Conheci um homem velho, já nos seus setenta anos. Abusava de crianças desde os nove anos de idade. Sempre na mesma faixa etária. Há quinze anos, teve um esgotamento nervoso, procurou ajuda e passou a frequentar um grupo de terapia para agressores sexuais, que nunca mais abandonou desde então. Garante que há mais de vinte anos que não toca numa criança. O que me chocou mais foi ter-me dito que, apesar desse auto-controlo, não havia um só dia que não acordasse a fantasiar com uma criança”, relatou Furrer.

“A raiz de todo o abuso é o abuso”

Teresa, agressora sexual, não é um exemplo clássico desse grupo em que as mulheres estão em minoria. “A minha dependência do sexo começou quando era ainda muito nova. Desde as minhas primeiras memórias que ambos os meus pais abusavam sexualmente de mim com regularidade. Quando tinha oito anos estava envolvida na violação da bebé da nossa empregada doméstica — com o seu consentimento. Ao tentar calar a criança — por ordem do meu pai — sufoquei-a com uma almofada e ela foi enterrada no nosso jardim. Senti tanta culpa e tanta raiva e medo que simplesmente bloqueei qualquer forma de sentimento, enterrei tudo de forma a nunca mais pensar nisso.” Teresa viria mais tarde a abusar sexualmente das suas duas filhas, Petra e Anna. “Fiz exactamente as mesmas coisas que me fizeram odiar os meus pais. Abusei também do filho da minha irmã, Johann. Odiei-me por tê-lo feito. Odiava olhar para o meu próprio corpo, limpá-lo ou cuidar dele, sabia que era apenas usado para destruir vidas inocentes.”

O assédio em contexto familiar não é incomum. O abusador tem, nesse caso, contacto privilegiado com a criança e mais poder sobre ela. “Se acontece dentro da família, as consequências podem ser devastadoras, o que leva muitas crianças a não revelar o abuso”. Mesmo quando o abuso é confessado a outro familiar, existem factores que podem desencorajar uma queixa às autoridades: dependência financeira do abusador, vergonha, descrença no sistema judicial, medo de que a criança seja excluída. “Conheci o caso de uma menina de 12 anos que foi enviada pela mãe para uma outra cidade para dar à luz. A mãe escondeu a gravidez de toda a gente. Em vez de ajudar a criança e de ser feito um aborto, preferiu que a menina mantivesse a gravidez e que o recém-nascido fosse dado para adopção. Não acredito que ela quisesse prejudicar a própria filha, mas…” “O silêncio foi mais fácil do que a vergonha”, concluiu Mariella. Em alguns países, onde o matrimónio depende da virgindade da mulher, as queixas formais de abuso sexual de menores são ainda mais raras.

Mariella acredita que na génese de todo o abuso sexual está alguma forma de abuso sofrida pelo perpetrador. “Um historial de abuso físico ou psicológico é comum a todos os agressores que conheci. Não quero com isto dizer que todos os que sofrem abuso se tornam agressores, quero apenas frisar que o abuso é o denominador comum a todos os agressores.” Acredita que a comunidade escolar pode ter um papel importante na detecção de casos de risco e que, para tal, deverá receber formação suplementar. “É urgente um investimento nesse campo por parte dos governos. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças diz que o custo a longo prazo de apenas um ano de casos reportados de abuso sexual de crianças custa ao estado 124 biliões de dólares. Estas pessoas irão lidar com depressão, problemas psicológicos e psiquiátricos, suicídio, consume de álcool ou drogas. Se esse dinheiro fosse investido em prevenção e formação de profissionais escolares…”

Mariella Furrer nasceu no Líbano, em Beirute, e vive desde os primeiros anos de vida no Quénia. O livro auto-publicado “My Piece of Sky” recebeu diversos prémios: a última atribuição foi feita pela International Photography Award, que o considerou o segundo melhor fotolivro do ano de 2015. Mariella trabalha como fotojornalista “freelancer” entre países africanos e europeus e o seu trabalho já conheceu publicação “Sunday Times Magazine of London”, “Time Magazine, “Newsweek”, “Life Magazine” e “New York Times”. Mariella Furrer foi também júri da última edição do World Press Photo.

Depoimentos:

 

Portia (vítima): “A minha assistente social disse que eu não tinha ar de quem tivesse sido violada. O meu padrasto não foi preso porque estava apenas a ensinar-me a ser mulher.”

Venus (vítima): “Olha o que ele me fez. Nunca vou perdoá-lo. Ele vai pagar por isto.”

Rebecca (vítima): “Tive sorte porque a minha amiga Elizabeth e todas as outras foram esfaqueadas e eu não.”

Babalwa (vítima): “O médico disse-me que não vou poder ter filhos. O meu tio danificou o meu útero.”

Thuli (vítima): “O meu pai violava-me três vezes por semana. Quando comecei a pensar em matá-lo, uma certa calma tomava conta de mim. Parecia a coisa certa a fazer.”

Ashley (vítima): “A culpa é minha porque o meu corpo sentiu prazer.”

Peter (abusador): “Quando tinha nove ou dez anos, molestava uma menina. A minha segunda vítima tinha cinco ou seis anos, mas foi por pouco tempo. A minha irmã também estava envolvida nos meus jogos sexuais.”

Nigel (abusador): “O maior alerta que posso lançar é que a maior parte dos abusadores são pessoas simpáticas. Isto porque as crianças não seguiriam um monstro.”

Ryan (abusador): “Sei que é doente, mas não consigo evitar.”

 

Visualizar todas as fotografias da reportem no link:

http://p3.publico.pt/cultura/livros/19202/abuso-sexual-de-menores-o-olhar-das-vitimas-e-dos-agressores

 

9 fotos que os pais compartilham nas redes e comprometem a segurança dos filhos

Fevereiro 4, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://educarparacrescer.abril.com.br de 26 de janeiro de 2016.

Stephan Hochhaus

Cada pose do filho vira motivo para uma nova postagem dos pais nas redes sociais. Mas é preciso tomar muito cuidado! Com essa superexposição de imagens as crianças ficam vulneráveis a perigos na internet, como pedofilia, sequestro e roubos

Texto Aline Gomiero

 

  1. FOTO COM REGISTRO DE LOCALIZAÇÃO

Antes de tirar a foto do pequeno, desative o geolocalizador do celular ou da câmera fotográfica. Ninguém precisa saber quais são os locais que a criança frequenta. Pessoas mal intencionadas podem usar essas dicas para assustar você quando seu filho não estiver em casa. Sabe aqueles trotes que simulam sequestros? Eles ficam muito mais assustadores se a pessoa que estiver ligando tiver informações precisas da vida do seu filho.

  1. FOTO DA CRIANÇA NUA

Posso publicar uma foto do meu filho tomando banho? As partes íntimas do pequeno estão aparecendo? Antes de compartilhar algo assim, pense três vezes para não se arrepender depois. Infelizmente há o risco de pedofilia.

  1. FOTO DA CRIANÇA COM UNIFORME DA ESCOLA

Evite que estranhos identifiquem a rotina do seu filho, que saibam qual é o nome do colégio que ele estuda e os cursos extras que ele frequenta. Essas informações podem ser usadas em planejamento de sequestro.

  1. FOTO DA CRIANÇA EM ALTA QUALIDADE

partir do momento em que uma foto cai na rede, perde-se totalmente o controle sobre ela. Fotos em alta resolução, por exemplo, podem ser editadas e usadas com mais facilidade.

  1. FOTO DA CRIANÇA COM OUTROS AMIGUINHOS

Jamais publique a foto de outra criança sem a autorização dos pais. A internet é uma rede mundial, e todo cuidado é pouco. Fique atento e respeite o limite das outras famílias!

  1. FOTO DA CRIANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO DOS PAIS

Mais uma vez: não divulgue informações da sua vida pessoal. Isto é muito perigoso!

  1. FOTOS QUE VÃO FAZER A CRIANÇA SENTIR VERGONHA NO FUTURO

Não publique fotos que possam fazer seu filho se sentir constragido futuramente.

  1. FOTO DA CRIANÇA PERTO DE OBJETOS DE VALOR

Evite postar fotos que possam chamar atenção para os bens materiais da sua família. Ninguém precisa, por exemplo, saber que seu filho ganhou um iPad de presente.

  1. FOTOS PUBLICADAS EM ÁLBUM ABERTO PARA TODOS

É ingenuidade acreditar que existe segurança apenas porque o seu perfil só pode ser visualizado por amigos e amigos dos amigos. Quem são os amigos dos seus amigos? Você os conhece? Todo cuidado é pouco.

 

 

 

 

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