9 fotos que os pais compartilham nas redes e comprometem a segurança dos filhos

Fevereiro 4, 2016 às 12:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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texto do site http://educarparacrescer.abril.com.br de 26 de janeiro de 2016.

Stephan Hochhaus

Cada pose do filho vira motivo para uma nova postagem dos pais nas redes sociais. Mas é preciso tomar muito cuidado! Com essa superexposição de imagens as crianças ficam vulneráveis a perigos na internet, como pedofilia, sequestro e roubos

Texto Aline Gomiero

 

  1. FOTO COM REGISTRO DE LOCALIZAÇÃO

Antes de tirar a foto do pequeno, desative o geolocalizador do celular ou da câmera fotográfica. Ninguém precisa saber quais são os locais que a criança frequenta. Pessoas mal intencionadas podem usar essas dicas para assustar você quando seu filho não estiver em casa. Sabe aqueles trotes que simulam sequestros? Eles ficam muito mais assustadores se a pessoa que estiver ligando tiver informações precisas da vida do seu filho.

  1. FOTO DA CRIANÇA NUA

Posso publicar uma foto do meu filho tomando banho? As partes íntimas do pequeno estão aparecendo? Antes de compartilhar algo assim, pense três vezes para não se arrepender depois. Infelizmente há o risco de pedofilia.

  1. FOTO DA CRIANÇA COM UNIFORME DA ESCOLA

Evite que estranhos identifiquem a rotina do seu filho, que saibam qual é o nome do colégio que ele estuda e os cursos extras que ele frequenta. Essas informações podem ser usadas em planejamento de sequestro.

  1. FOTO DA CRIANÇA EM ALTA QUALIDADE

partir do momento em que uma foto cai na rede, perde-se totalmente o controle sobre ela. Fotos em alta resolução, por exemplo, podem ser editadas e usadas com mais facilidade.

  1. FOTO DA CRIANÇA COM OUTROS AMIGUINHOS

Jamais publique a foto de outra criança sem a autorização dos pais. A internet é uma rede mundial, e todo cuidado é pouco. Fique atento e respeite o limite das outras famílias!

  1. FOTO DA CRIANÇA NO AMBIENTE DE TRABALHO DOS PAIS

Mais uma vez: não divulgue informações da sua vida pessoal. Isto é muito perigoso!

  1. FOTOS QUE VÃO FAZER A CRIANÇA SENTIR VERGONHA NO FUTURO

Não publique fotos que possam fazer seu filho se sentir constragido futuramente.

  1. FOTO DA CRIANÇA PERTO DE OBJETOS DE VALOR

Evite postar fotos que possam chamar atenção para os bens materiais da sua família. Ninguém precisa, por exemplo, saber que seu filho ganhou um iPad de presente.

  1. FOTOS PUBLICADAS EM ÁLBUM ABERTO PARA TODOS

É ingenuidade acreditar que existe segurança apenas porque o seu perfil só pode ser visualizado por amigos e amigos dos amigos. Quem são os amigos dos seus amigos? Você os conhece? Todo cuidado é pouco.

 

 

 

 

A sexofobia torna-nos vítimas

Janeiro 15, 2016 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Entrevista de Gabriela Moita a Félix López publicada no Público de 10 de janeiro de 2016.

Publico

Gabriela Moita

De que falamos quando falamos de abusos sexuais? É a primeira pergunta da psicóloga Gabriela Moita ao especialista em Psicologia da Sexualidade Félix López, que esteve em Portugal para uma conferência sobre a ética das relações amorosas.

Atreve-te a pensar.” É esta filosofia, kantiana, que orienta Félix López, catedrático de Psicologia da sexualidade na Universidade de Salamanca e doutor Honoris Causa, pela Universidade de San Marcos do Peru, a quem o saber que os outros divulgam, nomeadamente os anglo-saxónicos, não chega. É um conhecimento que importa, naturalmente, mas, como qualquer conhecimento, é limitado pelas teias culturais do próprio pensamento. As suas passagens pelos Estados Unidos, Canadá e outros tantos locais alimentam-lhe a curiosidade de saber o que se passa por terras de Espanha e pela região do Mediterrâneo em geral. É o grande mentor do desenvolvimento do estudo da sexualidade humana em Espanha, colaborando e influenciando várias instituições, organizações e pessoas em Portugal. A sua produção bibliográfica é já vasta e tem sempre a particularidade de ser escrita para a população em geral. Félix López é, além de um produtor de conhecimento, um brilhante divulgador desse saber, pela forma como escreve, acessível a todas as pessoas.

Uma das suas primeiras publicações traduzida para português, Para Compreender a Sexualidade (APF, 1999), foi, e ainda é, um livro de cabeceira de muitos/as de nós. Los Abusos Sexuales a Menores y Otras Formas de Maltrato Sexual (Ed. Síntesis, 2014) e Ética de las Relaciones Sexuales y Amorosas (Ed. Pirámide, 2015) são os seus mais recentes livros. Hoje vamos falar de abusos sexuais, investigação em que Félix López é pioneiro em Espanha, tema que, ao atrever-se a pensar, alarga aos maus tratos sexuais: a discriminação e agressão de que as pessoas transexuais são alvo, a exclusão dos homossexuais e lésbicas, a mutilação genital feminina, os casamentos forçados.

De que é que estamos a falar quando falamos de abusos sexuais?

Em linhas gerais, um abuso sexual é sempre não se ter em conta a liberdade do outro nas relações sexuais. É quando o outro não pode livremente decidir aceitar e desfrutar da relação. No caso dos menores, temos um problema adicional. Decidimos [culturalmente] que os menores de certa idade não podem consentir ter actividade sexual, e então aí já não é uma questão de consentimento, é uma questão de respeito pelos menores de idade. Qual a idade limite? Isso é um tema cultural e legalmente discutível. Em Espanha a idade de consentimento era até aos 12 anos, elevou-se aos 13 e acaba de se elevar aos 16. Este facto mostra que falamos de um tema legal e penalmente discutível: quando é que uma pessoa pode decidir envolver-se, voluntariamente, em relações sexuais? Assume-se que, em relação a um menor, quando não alcançou a idade de consentimento que esteja definida no seu país, a relação sexual é sempre um delito contra ele, ainda que consinta, ainda que aceite, inclusivamente que desfrute dessa sexualidade.

A afirmação do desejo e do prazer do menor é por vezes o argumento dos abusadores para justificar o seu próprio acto.

Mas não é uma justificação. A um menor de certa idade não lhe concedemos a capacidade de aceitar essas relações. Não é legítimo abusar-se da confiança de um menor, enganando-o, dando-lhe prémios, usando da surpresa. Com um menor, uma pessoa nunca deve encetar actividades sexuais. Logo, o conceito é mais complexo; vejamos que, em relação aos que já têm idade de consentimento, só é considerado abuso sexual se não houver esse consentimento. Em Espanha, se alguém estava na fasquia dos 13 anos [antes da alteração da lei], se tinha feito 13 anos e consentia em ter relações, ainda que fosse com uma pessoa de 50, isso não era um delito.

Porque já lhes era reconhecida essa capacidade, já lhes era outorgado o poder de consentir?

Claro, do ponto de vista penal. O que conta é o código penal, porque à maior parte das famílias não lhes parece bem que a sua filha ou o seu filho de 13, 14 anos, tenha relações com uma pessoa maior.

Como é que se consegue um equilíbrio nestas duas áreas: o conceito penal e a visão de cada época, por um lado, e a preocupação das famílias, por outro?

É muito importante saber que todas as formas de maus tratos não são conceitos científicos, ainda que os profissionais e a ciência possam dizer muitas coisas sobre os efeitos e sobre os riscos. São conceitos penais, sociais, jurídicos, são conceitos que mudam. Um exemplo mais claro: quando eu era pequeno, os pais diziam aos professores: “Batam-lhe!” Não era um conceito penalmente condenável, era um meio de educar, de controlar. Agora é uma forma de maus tratos.

Nelson Garrido

Estamos a falar de regras sociais?

Claro. A concretização penal de todas as formas de maus tratos é sempre discutível. O caso mais grave, que é uma forma de maus tratos sexuais, cortar o clítoris a uma menina, é em algumas culturas considerado um dever familiar, um dever social, religioso, que é preciso cumprir. E nós dizemos não. Em nome de quê? Porque afecta a sexualidade da rapariga. O discurso profissional [da Psicologia] é diferente do penal. Não dizemos não porque é outra cultura, dizemos não porque o clítoris tem muita relação com o prazer, é um critério profissional. Cortar o clítoris, os lábios ou os seios a uma rapariga é uma forma gravíssima de maus tratos sexuais. Há os riscos de morte, de infecções, a falta do exercício da liberdade. Estas práticas são um atentado contra a propriedade do corpo, ameaçando o desenvolvimento sexual e a vida sexual e amorosa das pessoas para toda a vida. No código penal figura como maus tratos físicos, mas é uma forma gravíssima de maus tratos sexuais. É claramente uma forma de controlo da sexualidade da mulher.

Está a alargar o tema dos abusos sexuais aos maus tratos sexuais. Podemos falar um pouco mais sobre isto?

Sim. O tema dos maus tratos a menores começou pelo reconhecimento apenas dos maus tratos físicos, e definiram-se diferentes subtipos de maus tratos. Passou-se, por pressão dos investigadores e profissionais, a reconhecer os maus tratos emocionais, psicológicos. Também neste caso foi fácil assinalar diferentes subtipos. Num terceiro momento identificou-se a negligência. Percebeu-se, condenando, que não se maltrata apenas quando se toca ou quando se insulta, mas também quando não se dá de comer a uma criança, não se veste, não se protege. Quando não se satisfazem necessidades básicas. Começaram, de seguida, as investigações sobre abusos, e colocaram-se os abusos sexuais como forma de maus tratos. Mas há países como os Estados Unidos e o Canadá que, apesar de muitos méritos científicos, são sexofóbicos. Os maus tratos físicos têm uma lista de tipos, os maus tratos emocionais têm uma lista grande, a negligência muitas formas. Relativamente à sexualidade, temos abusos sexuais e nada mais. Isto não tem lógica.

Porque é que, no que respeita à sexualidade, só temos a condenação dos abusos?

Porque se trata de um mundo sexofóbico. A inclusão dos abusos sexuais é muito importante e inquestionável, mas incompleta. No entanto, [os investigadores anglo-saxónicos] não podiam atrever-se a incluir outras formas de maus tratos sexuais que não são menos graves. Já falei da mutilação genital feminina. Temos os contratos matrimoniais que são feitos pelas mães entre as suas filhas e, normalmente, homens mais velhos. São milhões na Índia, no Nepal, em Marrocos. Quando as raparigas têm cinco ou seis anos, dizem-lhes: ‘Vais casar com este senhor quando fores adolescente. Quando tiveres idade, vais viver com ele.’

E aí já não é considerado abuso sexual? Por causa da moldura do casamento?

É claro que é uma forma de maus tratos sexuais gravíssima, afecta a vida.

E por que razão muda a palavra “abuso” para “maus tratos”?

Porque em Espanha maus tratos é um conceito penal para todas as formas de maus tratos na infância. A minha proposta é que se acrescente a categoria “maus tratos” sexuais, onde se incluiriam os abusos sexuais mas também as diferentes formas de exploração sexual comercial de menores, onde há interesses económicos muito fortes por trás, com duas formas bem específicas: a (erradamente) chamada prostituição infantil (porque em nenhum caso se pode considerar uma decisão livre) e a pornografia infantil. Há que incluir na categoria dos maus tratos também o não aceitar a transexualidade ou o transgenerismo de um menino ou de uma menina, de um rapaz ou de uma rapariga. Não aceitar a identidade da pessoa.

É uma agressão.

Não aceitar a homossexualidade, a orientação sexual, é uma forma de maus tratos. É fundamental que este tipo de maus tratos figure, do ponto de vista penal, da mesma forma que os maus tratos físicos. Essa é a proposta. Toda a gente me diz que tenho razão, ninguém me diz: “Félix, estás enganado.” Agora é preciso que se mude.

Essa proposta foi apresentada a quem?

Foi apresentada em três congressos da Federação Espanhola de Maus Tratos. E agora a Federação está a apoiar. E também a Sociedade de Medicina Sexual e Sexologia de Espanha e uma Associação de Pediatras, e muitos profissionais. Neste momento, estamos a enviá-la aos que estão em campanha eleitoral, aos políticos [a entrevista decorreu antes das eleições de dia 20].

E a sua proposta, ao fim e ao cabo, é apenas de coerência.

Sim. Por isso escrevi o livro Os Abusos Sexuais a Menores e Outras Formas de Maus Tratos Sexuais. Também critico os maus usos que se faz agora do tema dos abusos sexuais. Porque, ao dar enfoque apenas de uma maneira negativa, persegue-se a sexualidade infantil.

De que forma?

Na sociedade em que vivemos, o sexo é visto de forma negativa, como uma coisa má, que não se deve aceitar. As pessoas que estão a trabalhar nos abusos sexuais estão a trabalhar como nos Estados Unidos, estão muito histéricas. Perseguem os abusos, muito bem, mas perseguem também a sexualidade infantil, têm fobia. É preciso fazer todo o possível para prevenir os abusos, mas há que valorizar e proteger a sexualidade infantil.

De que forma é que esta caça aos abusadores não leva também a uma certa culpabilização das vítimas? Como é possível fazer as duas coisas simultaneamente, fazer o elogio da sexualidade, e não deixar as vítimas muito penalizadas e, ao mesmo tempo, punir os abusadores, controlar o outro lado?

É preciso prevenir para que as crianças aprendam a dizer “não” e a procurar ajuda. É preciso defender a sexualidade, falar bem dela na família, na escola. É preciso falar de masturbação e de outras manifestações da sexualidade. Mas é preciso ensinar às crianças que há pessoas que as podem instrumentalizar. É preciso falar do consentimento e da falta dele. Essas coisas têm de ser diferenciadas de forma muito clara. Mas é preciso continuar a falar bem da sexualidade e a melhor maneira é não permitir [o atropelo de] alguns aspectos sexuais essenciais, tais como a não aceitação do corpo no caso das mutilações, a discriminação de algumas orientações do desejo, a discriminação de algumas identidades de género que figuram como formas de maus tratos. O mais grave que podemos fazer do ponto de vista sexual, amoroso, é não aceitar o corpo sexual da mulher, não aceitar a identidade sexual que é definida por cada pessoa, não aceitar a orientação sexual, não aceitar a liberdade de se casar. É incrível. É gravíssimo! E as consequências são objectiva e profissionalmente muito graves.

Esses são aspectos sociais que de alguma maneira contribuem para fomentar o abuso. Como é o recente caso de Alan, o jovem transexual da Catalunha que se suicida na noite de Natal na sequência da agressão de que é alvo. Quer comentar esta recente situação dramática?

A notícia do suicídio de Alan, um jovem transexual de 17 anos, atribuído à “pressão e incompreensão no âmbito escolar” é, infelizmente, uma notícia que se repete com demasiada frequência e que é demasiado dolorosa, porque a recusa das diversidades sexuais (neste caso a transfobia) provoca sofrimentos injustificados, cuja única origem está na ignorância e no preconceito. São as pessoas que não aceitam a diversidade que têm um problema, e não o inverso. É uma vergonha que os pais admitam estas atitudes aos filhos, os professores aos alunos e a sociedade aos cidadãos. Este é, exactamente, um exemplo de um caso grave de maltrato sexual. Neste sentido, os colegas que agrediram e os professores que não impediram essa agressão deveriam ser castigados.

Esta agressão existe, muitas vezes, dentro das próprias famílias?

Lamentavelmente. Tenho um caso que conto sempre para explicar a importância desta nova tipologia. É um caso real. Estava a seguir um rapaz de 14 anos, em Salamanca, que era transexual. O diagnóstico era claro, estávamos a preparar tudo. E a família não aceitava. Nunca consegui que a família aparecesse. E a situação era tão tensa, ele estava tão mal, a família tinha ideias tão terríveis que liguei para a protecção de menores e disse que tínhamos um problema grave: “Este rapaz, que tem um corpo de rapariga, tem problemas graves na família, não o aceitam e isto, do meu ponto de vista, é uma forma de maus tratos.” Resposta da protecção de menores: “Não está previsto, não podemos fazer nada.” Passam dois meses, o rapaz corta o cabelo, tira os brincos, põe uma faixa para que não se perceba mais o peito, veste calças. É um rapaz. E vai para casa. O pai dá-lhe uma tareia e parte-lhe duas costelas. Liga-me a sua tia, porque o rapaz no final foge. Ligo à protecção de menores: “Tinha-vos dito, agora têm um caso de maus tratos físicos.” E intervêm. É uma tristeza. O pai teve de lhe dar uma tareia para poderem intervir. Mas pôde negar-lhe o direito à sua identidade. É mais do que um direito, é uma maneira de ser. Este rapaz não escolhe a sua identidade. Este rapaz é. É o ser que lhe é negado.

A “sexofobia”, a não aceitação da diversidade sexual, legitima a actuação destes pais. A sociedade com estas características persegue as manifestações sexuais que não são convencionais. E então a transexualidade não é convencional, a homossexualidade não é convencional e por isso estas pessoas são perseguidas, agredidas, ostracizadas. Deixam que as famílias as persigam, que a escola as persiga, etc., o que é uma forma grave de maus tratos. Não há muito tempo, estas formas de sexualidade eram até punidas legalmente.

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Há uma maior preocupação com o abuso sexual de menores do que com estes outros tipos de maus tratos sexuais, como é o desrespeito pelo corpo da mulher, a discriminação em relação a algumas orientações sexuais, a discriminação em relação a algumas identidades de género. E no entanto qualquer uma destas agressões é do mesmo nível de gravidade.

Muitas das coisas que ocorrem nos abusos sexuais são sempre graves, porque são abusos sexuais, mas as consequências de uma transexualidade não aceite não seriam menos graves. E não estou a defender os agressores de crianças. Estou a dizer que é muito grave não aceitar a homossexualidade ou a transexualidade ou cortar os lábios genitais a uma criança. De entre os abusos sexuais, todos são graves do ponto de vista da agressão; mas, no plano das consequências, há de tudo. Há alguns abusos que têm efeito a curto prazo mas que em seguida passam, superam-se. Porém, actualmente há um discurso que não é realista e que agrava os efeitos dos abusos sexuais. É uma profecia negativa, catastrofista sobre as vítimas dos abusos sexuais, mas não é cientificamente correcta. A maior parte das vítimas de abusos — sendo muito grave o que fizeram os agressores — vai ter uma vida adulta normal e satisfatória. E estamos a fazer uma profecia terrífica [quando] não se distinguem as consequências do abuso. Há formas de abusos sexuais, como é o caso de frotteurismo no metro, que continuam a ser abuso sexual pela violação da liberdade do outro — por isso não podemos retirar-lhe gravidade —, mas quanto às consequências e às sequelas, neste último caso, não posso dizer que sejam uma catástrofe.

E que dizer sobre a violência de género e todo o tipo de violência familiar?

Este tipo de violência pode ter graves consequências para as crianças, pelo que deve ser considerada também uma forma específica de maus tratos na infância, que afecta muito especialmente a má socialização como homem e como mulher. Para além das consequências directas da violência, os modelos educativos não igualitários perpetuam as desigualdades e impedem o desenvolvimento saudável de homens e mulheres, socializando para a discriminação das mulheres desde a infância e provocando carências que dificultam a vida sexual e amorosa de ambos os sexos.

Nos Estados Unidos, estive num instituto de Violência Familiar onde fazem investigação magnífica a nível mundial. E eu dizia: “Não se pode entender a violência familiar sobre a mulher sem ter em conta as relações afectivas. Não se pode entender os abusos sem ter em conta a sexualidade. Não se pode apenas prevenir os abusos sem falar de sexualidade.”

E isso anda desligado?

Não se pode prevenir os abusos quando nem sequer são nomeados! Imagine que existem cento e tal programas de prevenção de abusos. Em muitos deles afirma-se: “Um abuso é quando alguém me toca nas partes íntimas.” Claro, como são bons pedagogos, dizem que a criança vai entender isto. E perante o boneco dizem: “E quais são as partes íntimas? As que estão cobertas pelo fato de banho.” Não têm nome. Há à partida um erro: no abuso não é necessário que toquem nos genitais. Mas que partes íntimas, as que estão cobertas pelo fato de banho? Digo-lhes sempre: “Aquilo que não nomeiam, não sei se sabem, é o que mais nomes tem.” A criança tem de saber o que se passou. Tem de poder dizê-lo. Esta “sexofobia” do mundo anglo-saxónico torna-nos vítimas neste tema, mantendo o silêncio. Mantendo coberto o que não deve ser mencionado.

Vamos voltar um bocadinho atrás. Uma das coisas que sabemos é que, normalmente, quando há muita investigação acerca de um tema, é porque alguma coisa aconteceu. O que é que levou a que, nos anos 1980, começasse a haver uma maior investigação sobre os abusos?

Primeiro porque era um problema silenciado e oculto. Porquê nos Estados Unidos? Porque alguém descobriu que se estava a romper o silêncio. E o que aconteceu é que o pensamento conservador facilitou muito estas investigações. Todo o pensamento conservador está muito de acordo em que se punam os abusos — nisto eu estou de acordo com eles, mas não através de uma dupla vitimização da vítima, e com isso aproveitando para contribuir para uma visão negativa da sexualidade.

E o que é que permitiu nessa época “desocultar”?

No meu caso, por exemplo, tive algum tempo no Canadá e estava convencido de que a família mediterrânica funcionava melhor do que a família anglo-saxónica, e quis saber o que se passava em Espanha. Percebi que uma mulher em cada cinco sofreu abusos… em Espanha, uma mulher em cada cinco?

Não era o que esperava.

Não. Não somos diferentes do mundo anglo-saxónico. A investigação sobre abusos é aquela em que se pode usar mais recursos, foi um convite do Ministério dos Assuntos Sociais. O mesmo nunca teria acontecido se eu, por exemplo, pedisse ao ministério apoio para a investigação sobre a homossexualidade pré-púbere. O pensamento conservador é assim.

É perverso…

É perverso porque desta forma, ao tentar proteger [as pessoas], aproveita-se para perseguir a sexualidade. Numa conferência, em que eu me posicionava contra esta profecia negativa, apareceu uma senhora que me disse: “Ainda bem que o ouvi, abusaram de mim em pequena e eu estou bem. Tenho um companheiro e estou muito bem sexualmente, mas quando ouvia as notícias pensava que algo estava mal comigo.” Eu respondi-lhe: “A maioria das pessoas que foi abusada felizmente está bem!” Isto não retira nenhuma responsabilidade ao agressor, nem diminui a gravidade ao abuso.

São coisas muito diferentes.

Sim. Mas esta profecia negativa é terrível. Há uma pressão enorme para que as pessoas se sintam mal, para que aquilo seja um problema. Claro que também há muita gente a ganhar dinheiro com isto…

Um senhor, num centro infantil, fazia fotografias de meninas e meninos nus sem permissão dos pais. Processaram-no por abusos, com toda a razão. Mas o importante é que de imediato, devido a má informação, me apareceram três famílias de Salamanca, muito preocupadas com o futuro dos seus filhos. “Que idade tinha a sua filha quando lhe tiraram as fotografias?” “Um ano.” Por favor! “Esse senhor fez muito mal em tirar fotografias de crianças nuas sem permissão dos pais. Parece-me muito bem que o retirem do centro e que sejam tomadas as devidas medidas em relação ao senhor, mas, por favor, a sua filha só terá um problema se durante toda a vida lhe disserem que abusaram dela quando era pequena.” É discutível, mas é uma obsessão. É outra vitimização, considerar, por exemplo, que todos os que sofreram abuso precisam de terapia. Isto não é verdade. Talvez 20-30% precisem de terapia.

E é uma decisão das próprias pessoas. A pessoa percebe num determinado momento que precisa de terapia, não é preciso ser indicada para terapia.

Não, o que as vítimas necessitam é que acreditem nelas e de apoio para a denúncia. Para os que não precisam, a terapia é contraproducente.

A investigação diz alguma coisa sobre o que leva o abusador a abusar?

Sabe-se muito mas não podemos unificar a resposta. O mais comum é que um abusador sexual tenha uma destas duas falhas ou as duas: falta de ética e falta de autocontrolo. É o caso de abusadores/as que sabem que estão a fazer algo errado mas não são capazes de deixar de o fazer. Pode ser pela maneira como vivem a sua sexualidade, porque tomam drogas, bebem álcool e perdem o controlo. É uma destas duas coisas, ou as duas, em quase todos os casos. Mas podem ser muitas coisas. A falta de empatia, a falta de possibilidade de relações.

Estas são causas pessoais, individuais. E as sociais?

A fundamental é não haver uma verdadeira educação ética e sexual, na qual as pessoas vivam a dimensão sexual para a desfrutar e para estar bem com os outros, não para os obrigar ou atormentar. Daí a necessidade da ética. E quando não serve a ética, temos o penal, claro. Há vários níveis: o penal, o ético e, de alguma maneira, o educativo.

Como é que se pode usar a ética em termos de prevenção?

É o que estou a fazer. Estamos a fazer isto com o acompanhamento de um disco e de um livro. Umas unidades didácticas dentro da educação sexual. Como trabalhar a ética, as relações. Funciona muito bem. É muito útil, a ética do consentimento, a ética do prazer partilhado, a ética da igualdade homem/mulher.

Este tipo de trabalho tem sido feito com abusadores? Uma coisa é usá-lo em termos de prevenção, outra imagino que seja trabalhar em terapia.

Usamos nas terapias com adolescentes abusadores. A tese que defendo é que com eles é bom começar com a ideia de que estão a perder o melhor. O prazer partilhado, a ternura partilhada. Querer que o outro desfrute.

E é um tipo de trabalho que tem tido resultados positivos.

Creio que sim. Na terapia, por exemplo, os agressores agradecem muito que se comece por aqui. Normalmente os agressores são vistos como maus, como perversos. “Reconhece, arrepende-te e agora vamos fazer-te terapia.” E isso num dado momento tem de ser trabalhado. Mas o importante é dizer: “Vou dizer-te que estás equivocado, que estás a perder o melhor.” E então ficam surpreendidos que falemos bem da sexualidade.

É oferecer outra possibilidade.

Sim. Agora há muitos problemas com adolescentes que bebem muito álcool. Seguramente, nesse campo há riscos de abusos sexuais. É muito frequente. De forma directa, brusca. Situações muito difíceis de avaliar. Agora chegam e dizem: “Tínhamos bebido muito.”

Como é que uma criança vai conseguir compreender que aquela pessoa que cuida dela é também a pessoa que abusa dela? Esta é uma das questões mais complicadas.

Sim. As crianças tendem a ver o outro como inteiramente bom ou inteiramente mau. Uma situação destas cria-lhes muitas contradições. Por isso, ainda que por escrito usemos a palavra “abusador”, “agressor” — agressor é discutível porque a maior parte dos abusos sexuais são feitos com uma estratégia não violenta —, não dizemos: “O teu pai é um abusador.” Dizemos sempre: “O teu pai precisa de ajuda.” É mais fácil para a criança/adolescente ouvir isto. Se o pai precisa de ajuda, estamos a dizer que fez coisas más e não que é totalmente mau. Se se diz que o pai é um demónio, que é um agressor, esta ambivalência vai entrar em contradição com o facto de o pai ser também um homem carinhoso. E em casos de pessoas com incapacidades, às vezes o abusador é a pessoa que, do ponto de vista da vítima, melhor a trata. O que é muito importante é que as crianças percebam que nunca são culpadas.

Nunca são e todavia sentem-se quase sempre culpadas.

Bom, às vezes é difícil. Por isso é que prefiro falar em delitos contra a liberdade. Não são coisas sujas. Há uma coisa que me intriga na investigação, dizer que quando uma vítima desfrutou da sexualidade é provável que elabore pior. Isto é difícil de entender. Tem que ver com o discurso negativo que fazemos da sexualidade, do prazer.

O que é que leva ao silêncio? Porque é que a vítima não diz, não partilha?

Primeiro porque nem sempre são só as vítimas que silenciam. Setenta por cento das vítimas que entrevistámos disseram a alguém, mas esse alguém guardou segredo. A quem disseram? Em primeiro lugar a um amigo ou uma amiga. Em segundo lugar à mãe, e o resto a outros familiares. E o que se passou? Guardou-se segredo. Às vezes é a própria vítima que não quer divulgar. É preciso ter em conta que há medo da vergonha social, medo de se ser rotulado/a, medo da estigmatização, inclusivamente medo da perda do valor da virgindade. Nesta tradição, é uma perda de valor.

Ou seja, somos todos responsáveis por esse silêncio, é a nossa visão da sexualidade.

Sim. É um problema social muito grave, a tendência para o silêncio. Na minha investigação, o mundo eclesiástico fica colocado num mau lugar. São os dados! Fundamentalmente no que diz respeito aos meninos. As freiras cometem menos abusos, pelo menos num plano explícito, por isso em relação às meninas não é tão grave. Em relação aos meninos, posso dizer que, quando entrevistámos os meninos espanhóis que tinham entre 18 e 60 anos, em 1994, 9% dos abusados tinham-no sido por uma pessoa religiosa, um homem. E 4% por um familiar. É especialmente doloroso que as pessoas que falam tanto da sexualidade, e tão mal, façam estas coisas. No entanto, é muito importante saber-se que é um problema muito mais geral. Várias instituições guardam a informação, silenciando.

Ou seja, este silêncio da criança é também o silêncio social.

Claro. Sobretudo porque a sexualidade, como disse Foucault, estava reduzida ao segredo, não se podia falar. E como se fala por cima disto? Tanto não se podia falar que havia muita gente que tinha dificuldade em nomear o que se estava a passar. Tenho uma história surpreendente para contar. Um colega meu, também catedrático, quando começámos a investigação de abusos — cada relato era terrível, entre 10 e 15% dos meninos e entre 20 e 25 das meninas tinham sofrido algum tipo de abusos —, surpreendia-se. A cada momento. Este colega sofreu um abuso doloroso. Era uma criança. E muitos anos depois estranhava que houvesse tantos abusos. Por certo não tinha nenhuma sequela especial, o que desdramatiza o que pode ser uma vítima. Conto para mostrar como a mesma pessoa pensava que isso não sucedia. Temos um problema grande. Além disso, quase 50% das vítimas sofreram abusos várias vezes do mesmo agressor. E isto sim, pode ser prevenido. É preciso ensinar as crianças e os adolescentes, dizendo-lhes: “Tens de aprender a dizer que não, mas sobretudo a seres capaz de contar, para que não aconteça de novo.”

Isso é uma coisa que os pais podem fazer? Como é que se pode ajudar uma criança a defender-se?

É mais fácil conseguir que a criança o confesse e que não se repita do que conseguir que não aconteça. Ainda que o ideal, obviamente, seja que não aconteça.

O acontecer não depende só dela.

Claro. A estratégia mais usada é a das pessoas que têm confiança. Do pai, do tio, do avô, do vizinho, do amigo da família, do padre. Ou a surpresa, também. Não é fácil defenderem-se. Além do mais, no [caso] extremo de se defenderem, criamos dificuldades nas relações entre pais e filhos. Mas é preciso fazer o possível para que não aconteça, pelo que se tem de trabalhar com a família, tem de se trabalhar com a escola, com a sociedade em geral.

Tem de se trabalhar nas duas frentes.

Há muito tempo que o movimento feminista denuncia que não é às mulheres que se deve dizer para não se vestirem desta ou daquela maneira ou para irem para o outro lado da rua, etc., mas sim dizer aos homens que as deixem em paz. É o respeito pela outra pessoa. O direito à liberdade. Aqui muito mais, no caso das crianças. Trabalhamos sempre com pais, com profissionais e com a sociedade em geral nesta lógica: se sucedeu, é importante que, depois da primeira vez, acreditemos na criança e que não haja uma segunda vez. Se só aconteceu uma vez, a probabilidade de que deixe menos sequelas é muito mais elevada. Fica a convicção, na criança, de que foi capaz de se proteger, denunciando, de que tem a capacidade de procurar ajuda e assim defender-se. É muito mais estruturador do que ficar enredado em mundos terríveis de segredos.

Há situações um pouco ambíguas ou tão surpreendentes que a criança não sabe que nome há-de dar àquilo. E isto pode dificultar o dizer, a partilha. Porque ela põe em dúvida que aquilo tenha sido uma possibilidade. Como é que podemos ajudá-la a sair daqui?

Temos um programa que ajuda a distinguir. As crianças são muito capazes de distinguir entre tocar bem e tocar mal. Por exemplo — uma coisa muito bonita —, os bons e os maus segredos, o que é o meu corpo, o que é o teu corpo. Os trabalhos de prevenção passam pela abordagem destas áreas. O que se passa é que os agressores usam muitas estratégias e é difícil inventariarmos todas.

Uma das perguntas que os cuidadores fazem é se é possível perceber. Pais, mães e outros educadores sentem-se, por vezes, culpados por não terem percebido. Há alguns sinais que possam ajudar a perceber?

A melhor maneira é fazer prevenção. Se as crianças não ouviram falar de abusos, se não ouviram falar de sexualidade, estão muito menos preparadas para se protegerem, para estranharem, para denunciarem. Por isso, é muito importante a educação sexual. Depois de se ter falado bem da sexualidade, é importante deixar claro que, apesar de quase toda a gente se comportar bem, há pessoas, e podem ser pessoas próximas, que precisam de ajuda e que podem ter atitudes e comportamentos desajustados. Isto deverá ser explicado, naturalmente, de acordo com a idade da criança. Aos mais pequenos com contos, aos mais crescidos explicando o conceito. As crianças percebem muito bem o que devem e o que não devem fazer. Entendem perfeitamente.

O grande foco é a educação. A grande estratégia é a educação da família?

A educação da família para que se fale de sexualidade. O trabalho com os professores para que falem deste tema. Depois de uma educação sexual positiva, falar da parte obscura da sexualidade. É um trabalho muito interessante que se pode fazer na escola, com jogos de grupo: “O meu corpo é meu, o teu corpo é teu.” As crianças pequenas brincam muito, muito bem: “O meu cabelo é meu, os meus olhos são meus.” De seguida: “O teu cabelo é teu, os teus olhos são teus”, “eu respeito-te, tu respeitas-me”. Desde os três, quatro anos que estes conceitos são trabalhados.

Para que perceba a eficácia deste tipo de jogos, conto uma história, passada num centro de Salamanca com uma rapariga de 17 anos, com défice intelectual. Estávamos em círculo, a falar, e estava lá a rapariga e um rapaz ao seu lado. Num dado momento, a rapariga dá-lhe uma palmada na mão. Pergunto o que se passa: “Está a tocar-me na perna, a perna é minha, tem de pedir permissão!” E eu aplaudi e disse: “Claro, tem de pedir permissão!”

Uma coisa que normalmente é pouco falada, e muito confundida, é a diferença entre abusador e pedófilo. São misturados estes termos e usados indiscriminadamente.

Há que perceber duas coisas. Do ponto de vista estatístico, os pedófilos são muito poucos. Um pedófilo é uma pessoa que só se excita e tem prazer na sexualidade com pré-púberes. Trata-se de uma mania sexual, comparável à necrofilia, às pessoas que gostam de velhos, etc. Estatisticamente, há poucos pedófilos, não são eles os responsáveis pela maior parte dos abusos. Segundo, entre os pedófilos temos de distinguir entre os que têm essa dificuldade, essa mania, e a controlam, e que em muitos casos são bons cidadãos, e podemos ajudá-los a desfrutar da sua sexualidade. E os que não controlam. Mas a maior parte dos abusos sexuais são cometidos por pessoas que podem ter relações com adultos, e têm relações com adultos, casados, solteiros, e que também as têm com crianças. Mas no mundo dos abusadores sexuais não se pode confundir estas pessoas.

Esteve ligado à questão da Casa Pia. Há alguma coisa que queira dizer sobre isso que possa ser útil? Nessa época, estes conceitos foram muito misturados. Abusadores e pedófilos eram palavras utilizadas indiferenciadamente.

Pediram-me e intervim estudando os documentos do processo. Não entrevistei os abusadores, pelo que não sei da sua vida sexual, mas creio que não eram necessariamente pedófilos. Abusadores eram, claro!

Sofri muito porque era um caso demasiado claro para estarem quatro anos a dar voltas. Era claríssimo para os juízes. Tenho de dizer que, de todas as minhas actividades profissionais — e tenho participado em muitos casos bem graves —, a que me deixou psicologicamente com maior dor foi esta. E sofri muito porque acompanhei isto a ver que a sociedade portuguesa não reagiu. Creio que em Espanha teria havido uma reacção popular muito forte. Era um caso terrível de prepotência dos abusadores, que se consideram impunes. A impunidade é uma coisa incrível.

 

 

Metade das fotos dos sites de pedofilia são tiradas das redes sociais dos pais

Janeiro 11, 2016 às 8:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do site http://bebemamae.com

getty images

Por: Bruna Romanini

São imagens das crianças fazendo atividades cotidianas que são retiradas do Facebook, Instagram e outras redes sociais

Metade do material encontrado em sites de pedofilia são imagens inocentes de crianças realizando atividades do dia a dia. E pior, estas imagens foram postadas por seus próprios pais em suas contas nas redes sociais, como Facebook e Instagram! Foi o que descobriu uma investigação feita pela Comissão Australiana de Seguranças das Crianças na Web.

Muitas das fotos inocentes estavam em pastas com nomes como “crianças na praia”, “ginástica artística”, entre outras. “Diversos dos pedófilos deixaram claro que obtiveram as imagens vasculhando as redes sociais de pais. As imagens vinham quase sempre acompanhadas de comentários explícitos e perturbadores”, alerta Alastair MacGibbon, um dos responsáveis pela investigação. Esta ação conseguiu remover mais de 25 mil imagens de crianças que eram utilizadas em sites de pedofilia.

A seguir, confira maneiras simples de evitar que criminosos acessem suas fotos e vida pessoal:

  • Ajuste as configurações de privacidade das suas redes sociais. Saiba que tanto o Facebook quanto o Instagram possuem configurações que só permitem que algumas pessoas, seus amigos ou seguidores, vejam as imagens que você posta;
  • Tenha apenas pessoas próximas e confiáveis como amigos ou seguidores nas redes sociais;
  • Converse com seus amigos e familiares sobre os cuidados importantes na hora de postar fotos do seu filho ou de outras crianças;
  • Não publique endereços de moradia, trabalho, creche ou outros nas redes sociais;
  • Caso tenha um blog ou algo parecido, evite publicar fotos do seu filho.

 

Fotos de crianças publicadas nas redes roubadas por pedófilos

Outubro 6, 2015 às 10:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 1 de outubro de 2015.

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Milhares de fotografias de crianças publicadas pelos pais nas redes sociais foram encontradas num site de pedofilia.

É usual observar fotografias de crianças nas redes sociais publicadas pelos pais. Contudo, muitas vezes, estas imagens são usadas para outros fins.

Um investigador do governo australiano referenciou num site de pedofilia milhares de imagens de meninos e meninas retiradas do Facebook e do Instagram. Nesse site, cujo nome não foi revelado, foram encontradas repartições de fotografias que remetiam para as redes. “Amigas da minha filha no Instagram”, “Crianças na praia” e “Ginástica” foram alguns dos exemplos dados por Toby Dagg, investigador da eSafety.

“Muitos utilizadores referem, de forma clara, que obtiveram o conteúdo através das contas nas redes sociais. As imagens são quase sempre acompanhadas por comentários altamente específicos e perturbadores”, refere.

O investigador alerta que as “famílias, de forma muito inocente”, publicam fotos dos filhos sem usar as regras básicas de segurança.

Já Susan McLean, especialista em cibersegurança, diz mesmo que as crianças protegem as suas contas nas redes sociais melhor do que os próprios pais. Dá como exemplo, as regras de privacidade do Facebook que são mais usadas pelos jovens de que pelos adultos.

“Não interessa se a foto é inocente. Se a criança tem aquilo que o predador procura, ele vai usar a foto”, avisa McLean.

 

 

 

 

Pedófilos detidos por roubar fotos de crianças do Facebook dos pais

Outubro 2, 2015 às 8:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 2 de outubro de 2015.

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Lado negro da internet esconde crimes, fraudes e pedofilia

Agosto 1, 2015 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do site http://grupovioles.blogspot.pt/  de 20 de julho de 2015.

os-niveis-da-internet-deep-web-superficie

O uso da Internet tem crescido ao longo dos anos no Brasil.

Segundo dados da Pesquisa Brasileira de Mídia, realizada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, indica que 76% das pessoas acessam a rede mundial de computadores todos os dias, com uma exposição média diária de 4 horas e 59 minutos de segunda à sexta-feira e 4 horas e 24 minutos nos fins de semana.

De acordo com o estudo, 67% dos internautas buscam informações, 38% utilizam para passar o tempo e 24% em estudo e aprendizagem.

Porém, o que a maioria dos usuários não sabe é que há áreas sombrias da rede mundial de computadores, na qual é garantido o sigilo das informações de quem são as que navegam nesta região, explica a professora de Engenharia Elétrica e Computação, Pollyana Mustaro, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Para ela, a deep web constitui a parte da internet que pauta-se no anonimato, ou seja, não é indexada pelos motores de busca, sendo que a proposta do software The Onion Router (TOR) é promover a liberdade de expressão em diferentes âmbitos, dentre os quais se destacam o jornalístico, o científico e o político.

Segundo a especialista, neste cenário surgiram então as “darknets”, redes privadas para compartilhamento de informações sigilosas criptografadas.

“Contudo, esta proposta também pode ser utilizada para contravenções e atividades ilegais como terrorismo, pedofilia, experimentos humanos, contratação de assassinos de aluguel, comércio de armas, compra de remédios e venda de dados de cartões de crédito.

Assim, ao mesmo tempo em que se propicia a livre expressão do pensamento, também se estabelecem mecanismos para o funcionamento do crime organizado digital, mas fica a questão, o que o usuário pode fazer para se proteger?”, cogita.

A professora Pollyana detalha que uma das medidas específicas em relação a cartões de crédito, por exemplo, é atentar para o tipo de anexos que são enviados em e-mails, pois podem conter arquivos maliciosos que possibilitam abrir portas no sistema operacional para o monitoramento das atividades do usuário, permitindo capturar o número do cartão e o código de segurança.

Da mesma forma, também se deve observar a certificação digital em sites de comércio eletrônico e atentar para os casos em que se recebe, por exemplo, um telefonema da suposta operadora de cartões para obtenção de informações por meio de engenharia social.

Tais práticas podem permitir a obtenção de dados que, posteriormente, sejam vendidos e/ou veiculados nas “darknets” ou utilizados para outras finalidades.

Fonte: Portal O Debate

 

 

Os pais já não terão acesso ao registo de abusadores de menores

Julho 15, 2015 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Oposição acusa maioria de “tirar o tapete à ministra da Justiça”, que apresentou a proposta. Ministério diz que nunca quis que os condenados fossem identificados pelos pais, apesar de a proposta original o permitir.

A maioria PSD/CDS eliminou a possibilidade de os pais terem acesso à lista com a identidade dos condenados por abuso sexual de menores, uma alteração de última hora. Mas os termos em que o registo nacional de abusadores de menores acabou por ser aprovado esta sexta-feira no Parlamento provocou um coro de críticas da oposição que acredita que a solução final ainda é “pior”.

A proposta agora aprovada permite às pessoas que exerçam responsabilidades parentais e tenham um “fundado receio” de que alguém abusa sexualmente de menores que peçam à polícia que averigúe os factos que sustentem esse receio, mas já não lhes possibilita o acesso à identidade ou morada dos condenados.

“A proposta não ficou melhor. [Os pais deixam de ter acesso à identidade] mas podem perguntar se há um pedófilo na sua área de residência. Ora isto não vai servir para nada, a não ser para criar uma suspeita generalizada”, criticou a deputada do PS, Isabel Oneto.

“A proposta que foi aprovada é de um absurdo total”, sustentou o deputado do PCP António Filipe, para quem o clima de suspeição acaba mesmo por ser agravado com esta alteração. “Isto conduz a uma situação de suspeição generalizada e de alarme social. Todos vão desconfiar de todos, é uma coisa sem pés nem cabeça, não sei quem teve esta ideia peregrina”, enfatizou.

Já Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda, considerou que a maioria está a deixar “cair o acesso dos pais à lista de modo encapotado”.

Porém, para o deputado do PSD Hugo Soares a oposição está a fazer muito barulho para nada. “Não mudamos nada de especial. Agora, se um cidadão tiver um fundado receio de que na sua área de residência vive alguém condenado por abuso sexual de menores, pode perguntar à polícia, que dá essa indicação, mas sem a morada nem a identidade”. Para que serve essa informação, então? “Para reforçar os cuidados de vigilância”, explicou.

No Parlamento, a deputada do PSD Teresa Leal Coelho também desvalorizou a alteração, considerando que vai “no sentido daquilo que os partidos da oposição têm vindo a defender” e está “em linha com o defendido pela ministra da Justiça na Assembleia da República”. “A ministra afirmou sempre que os pais não tinham acesso à identificação. Admitimos, porém, que a norma precisava de clarificação, pois a sua interpretação gerava confusão”, explicou, mais tarde, ao PÚBLICO.

O acesso, pelos pais, à base de dados dos condenados por abusos sexuais de menores era a questão mais polémica da proposta do Governo e foi liminarmente retirada porque a maioria percebeu que levantava “problemas constitucionais”, reconheceu o deputado do CDS Telmo Correia, citado pela Rádio Renascença.

“O deputado [Telmo Correia] fez essa afirmação porque seguiu a interpretação que podia ser feita. Foi isso que clarificamos agora. A intenção deste registo é que se faça uma polícia de proximidade. Saber que a polícia tem mais instrumentos para poder fazer um policiamento de proximidade é vantajoso. Imagine que tem uma filha pequena. Se tiver a informação de que na sua área de residência existe alguém condenado [por abuso de menores], tem especial cautela. Por exemplo, pode não a deixar ir sozinha ao café”, exemplificou Teresa Leal Coelho.

Questionado pelo PÚBLICO, o Ministério da Justiça considerou que “não foi feita uma alteração, mas uma clarificação da proposta”. E sublinhou que “a ministra da Justiça na apresentação da proposta original nunca disse que se pretendia que fosse dada a identificação dos condenados aos pais e que esse nunca foi o espírito da lei”. O que estava previsto “era apenas que os pais, que suspeitassem de alguém, pudessem ir a uma esquadra e nesse caso a polícia só lhes dizia se existem ou não abusadores sexuais de menores na área de residência para estarem atentos sem revelar identificações”, disse a tutela.

Mas, de facto, a proposta antes de ser alterada permitia que os pais tivessem acesso à identificação de abusadores, o que aliás criou grande polémica com procuradores, juízes, Conselho Superior do Ministério Público e Comissão Nacional de Protecção de Dados a denunciarem a inconstitucionalidade. A proposta previa que os pais poderiam ter acesso “à informação do registo de condenados” e que, se suspeitassem que “determinada pessoa conste do registo”, poderiam ir a uma esquadra para que lhes fosse “confirmada ou infirmada a respectiva inscrição no registo e a sua residência no concelho”.

Para os juízes, a solução desta sexta-feira foi a óbvia. “Imperou o bom senso e fez-se o que se tinha de fazer. A proposta era a abusiva e nunca passaria no Tribunal Constitucional”, referiu a presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Maria José Costeira. A posição dos procuradores é, contudo, mais critica. “A lei é inócua, populista e demagógica. Não vai mudar nada”, apontou o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, António Ventinhas.

O PSD e o CDS avocaram esta alteração ao plenário, no período de votações, e começaram por não a apresentar, como é habitual nestas situações, mas o PS pediu a palavra e, através de Isabel Oneto, acusou a maioria de “estar a tirar o tapete à ministra da Justiça” com esta alteração.

Tanto a alteração como toda a iniciativa legislativa (em votação final global) foram aprovadas com os votos favoráveis do PSD e do CDS-PP e os votos contra de toda a oposição. Mas a alteração suscitou dúvidas a “uma dúzia” de deputados do PSD que, liderados por Fernando Negrão, presidente da Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, vão fazer uma declaração de voto. “Esta última alteração suscita-nos dúvidas que serão esclarecidas na declaração de voto ”, disse Fernando Negrão.

Desde o início que a proposta foi alvo de grande contestação, tendo a oposição avisado desde logo que ia pedir a fiscalização do diploma ao Tribunal Constitucional.

Em Março, o Conselho de Ministros aprovou a proposta de lei para a “a criação de um registo de identificação criminal de condenados por crimes contra a autodeterminação sexual e a liberdade sexual de menores”. O secretário de Estado da Justiça explicou, na altura, que, nos termos da proposta, “os pais não têm acesso à base de dados e aos registos”, mas podem dirigir-se “às autoridades policiais da sua residência habitual” e “perguntar se o nome A, B, C ou D, com fundamento em situações concretas perfeitamente identificadas, existe ou não nessa base de dados”.

 

Pedro Sales Dias e Alexandra Campos, jornal Público em 3 de julho de 2015

40% dos casos no DCIAP são de pornografia infantil

Maio 5, 2015 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 4 de maio de 2015.

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Participação da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, no programa “Prós e Contras” sobre a “A lista de pedófilos” hoje a partir das 22.30 na RTP 1

Maio 4, 2015 às 1:31 pm | Na categoria Uncategorized | Deixe o seu comentário
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Participação da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, no programa “Prós e Contras” hoje a partir das 22.30 na RTP 1. O tema a abordar é o registo nacional de pedófilos.

Os prós e os contras de uma lei que pretende salvaguardar as crianças.
A lista deve existir para lá do cumprimento de pena de prisão?
Há uma vigia permanente que protege melhor as crianças de eventuais violações sexuais?
Ou corre-se o risco de abrir a porta ao cidadão polícia?
E a lei está ou não dentro da legalidade constitucional?
Pais, juristas, psicólogos e médicos, todos juntos no maior debate da televisão portuguesa.
A lista de pedófilos, Prós e Contras 2ª feira à noite na RTP1.

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Participação da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, no programa “Discurso Direto” TVI 24 hoje a partir das 15.00

Abril 29, 2015 às 12:15 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Participação da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, no programa Discurso Direto” TVI 24 hoje a partir das 15.00. O tema a abordar é o registo nacional de pedófilos.

discurso

 

 

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