Afinal quantos filhos deve ter um casal católico responsável?

Janeiro 23, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 22 de janeiro de 2015.

Rodrigo Cabrita

Por Rosa Ramos

Não há um número exacto, explica um especialista em teologia moral. Os católicos devem estar abertos à vida e só devem parar de ter filhos por “razões objectivas graves”

Os cristãos, para serem cristãos, não precisam de procriar “como coelhos” e é preciso que esteja presente, nas famílias, o conceito de “paternidade responsável”. As declarações do Papa Francisco da última segunda-feira correram rapidamente o mundo – apesar de não serem novidade à luz da doutrina da Igreja.

A encíclica “Humanae Vitae”, escrita por Paulo VI em 1968 e que continua a reger a doutrina católica sobre planeamento familiar e abertura à vida, já falava em “paternidade responsável”. Sendo que, para o efeito, os únicos métodos contraceptivos aceitáveis são os naturais. Porém, e passados quase 50 anos sobre o documento, como se estabelece a fronteira entre a abertura à vida a que os casais católicos estão obrigados e a paternidade responsável de que fala o Papa Francisco? Quantos filhos devem ter, afinal, os casais católicos?

“Acredito que três crianças por família, segundo o que dizem os especialistas, é o número chave para sustentar a população”, defendeu o Papa no início da semana. Porém, Duarte Sousa Lara, padre e especialista em Teologia Moral, considera que este é um entendimento “estritamente demográfico”. Segundo o catecismo da Igreja Católica, exercer uma paternidade ou maternidade responsáveis não tem, desde logo, a ver com o número de filhos. A religião prevê que o relacionamento sexual entre marido e mulher aconteça sempre numa lógica de amor, entrega e abertura a crianças. E que um casal só possa pensar em não ter mais crianças – e recorra a técnicas naturais para o evitar – se existirem “condições objectivas graves”, como a gravidez pôr em risco a saúde da mãe ou a existência de carências económicas.

Por isso, sublinha o moralista Duarte Sousa Lara, não há um limite exacto a partir do qual um casal católico deva parar de ter filhos. E os “graves motivos” de que a doutrina fala variam sempre de caso para caso. “Vale a consciência de cada casal perante Deus”, explica o especialista, acrescentando que marido e mulher “são chamados a avaliar as circunstâncias da sua vida” na hora de decidir se devem, ou não, aumentar a família e se os motivos pelos quais entendem não o fazer são realmente graves e não egoístas. “Um casal que diz não ter condições económicas ter mais filhos e, ao mesmo tempo, está a juntar dinheiro para comprar um jeep ou para ir de férias não estará, seguramente, a braços com condições objectivas graves para não ampliar a família”, exemplifica Duarte Sousa Lara, admitindo, no entanto, que as sociedades europeias não são “favoráveis” ao aumento das famílias.

“A fecundidade sempre foi entendida, ao longo dos séculos, como um bem e a esterilidade surgia como uma maldição. As nossas sociedades subverteram isso e os filhos tornaram-se numa má notícia”, defende Duarte Sousa Lara.

 

 

 

ONU acusa Vaticano de ocultar abusos sexuais de crianças

Janeiro 17, 2014 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 17 de janeiro de 2014.

Rodrigo Cabrita

Rodrigo Cabrita

Por Joana Azevedo Viana

Pela primeira vez, as Nações Unidas confrontaram a Igreja Católica com acusações de pedofilia, numa audiência em Genebra

O Vaticano está a ser confrontado publicamente pela primeira vez por uma instância internacional para que responda sobre a “ocultação sistemática” de abusos sexuais de menores por membros da Igreja Católica.

Numa audiência ontem em Genebra, levada a cabo por um painel de investigação das Nações Unidas, os membros da organização apresentaram uma série de duras questões ao representante do Vaticano sobre a razão por que não foram divulgados mais dados sobre os abusos e mais informações sobre o que a Igreja pretende fazer para prevenir estes casos no futuro.

No mês passado, o Vaticano tinha recusado aceder a um pedido em que o Comité da ONU para os Direitos da Criança (CRC) exigia mais dados sobre os abusos cometidos por padres e outros clérigos católicos, alegando que só tornaria essas informações públicas se outro país as requeresse como parte de investigações judiciais específicas.

Também em Dezembro, o papa Francisco anunciou que o Vaticano ia criar um comité de inquérito interno para lutar contra o abuso sexual infantil dentro da Igreja Católica.

De acordo com o jornalista da BBC em Genebra, um dos membros do comité da ONU deixou claro que “as coisas têm de ser feitas de forma diferente”. O arcebispo Silvano Tomasi, actual observador permanente do Vaticano junto das Nações Unidas, sublinhou que os crimes em questão “não podem nunca ser justificados” e que cada criança merece ser “inviolável”.

O Vaticano, que tem estatuto de país, é desde 1990 signatário da Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças, um instrumento legal criado para garantir a protecção dos direitos infantis. Contudo, depois da divulgação do primeiro relatório de implementação, em 1994, a Igreja Católica deixou de submeter relatórios sobre o assunto até 2012, quando começaram a surgir as primeiras denúncias por vítimas de abusos na Europa e noutros países.

Na quinta-feira passada, o papa Francisco disse, na sua homilia, que o escândalo dos abusos sexuais sobre crianças é “a vergonha da Igreja”. “Há tantos escândalos que não quero referi-los individualmente, já todos ouviram falar deles”, acrescentou perante centenas de fiéis.

Ontem, na primeira audiência levada a cabo pelo CRC, Tomasi garantiu, em resposta à pergunta “A Igreja Católica acredita que a pedofilia é algo que pode ultrapassar com sucesso?”, que “prevenir o abuso de menores é uma preocupação imediata e real” do Vaticano.

Quanto ao julgamento de acusados, o embaixador da Igreja na ONU disse que os padres “não são funcionários do Vaticano mas cidadãos dos seus países, sendo por isso abrangidos pela jurisdição destes”. Questionado sobre se o Vaticano pretende entregar às autoridades o arcebispo Jozef Wesolowski, enviado papal polaco na República Dominicana convocado em Setembro após ser acusado de abuso sexual de menores, Tomasi disse que este “está a ser investigado pelos procuradores do Vaticano”.

 


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