Raparigas saem-se melhor numa escola sem computadores. Como está a educação em Portugal

Dezembro 6, 2019 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de novembro de 2019.

Nas escolas, o sucesso escolar afeta mais os rapazes e os computadores são cada vez menos numa era cada vez mais tecnológica. Os dados constam do “Estado da Educação 2018”, publicado esta terça-feira pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que traça um retrato do país.

As raparigas têm mais sucesso escolar do que os rapazes e, nas escolas, faltam computadores e acesso à internet. São algumas das conclusões retiradas do relatório “Estado da Educação 2018”, do Conselho Nacional de Educação (CNE), divulgado esta terça-feira. O documento faz um retrato do país em 2018, analisa a evolução da última década e compara Portugal com o resto da Europa. Certo é que o ensino está a melhorar, mas ainda há lacunas a combater.

Rapazes chumbam mais

Os chumbos e a existência de “uma escola nitidamente muito feminina”, onde os rapazes têm menos sucesso, são dois dos fenómenos descritos no documento. “Todos os indicadores têm vindo a melhorar, designadamente as taxas de retenção”, sublinhou Maria Emília Brederode Santos, presidente do CNE. Aliás, no ano passado o país atingiu “a taxa de retenção mais baixa da década” entre os alunos do 1.º ao 3.º ciclos, assinalou.

No ano letivo de 2017/2018, as taxas de retenção e desistência diminuíram em todos os anos de escolaridade, com exceção do 3º ano que se manteve inalterado. “Ainda temos 7,8% de retenção” neste nível de ensino, lamentou. No 8º ano, a taxa aumentou de 6,7% para 6,8%, relativamente ao ano anterior, lê-se no relatório, que alerta para o facto de as histórias de insucesso crescerem à medida que se avança na escolaridade.

No 1.º ciclo (do 1.º ao 4,º ano), o problema atinge 2,8% das crianças, mas no 1.º os alunos não chumbam. Quando se olha para o ano seguinte, em que, pela primeira vez, é permitido reter um estudante, a situação agrava-se: 6,6% dos estudantes do 2.º ano de escolaridade não passam. No 2º ciclo, as taxas também diminuíram, rondando agora os 5%, e no 3º ciclo é de 7,8%. A grande melhoria encontra-se entre os alunos do 9.º ano: em 2012/2013, a taxa de retenção e desistência era de 17,7% e agora é de 6,5%.

Lembrando que Portugal está longe da média da União Europeia, a presidente do CNE entende que é preciso fazer mais. “Continuamos preocupados, porque se nos compararmos com outros países, a taxa ainda é elevada”, disse, sublinhando que o chumbo “tem consequências a médio e longo e médio prazo”.

E é no sexo masculino que o problema do insucesso tem mais impacto. “A escola está nitidamente muito feminina. As mulheres têm muito mais resultados positivos na escola do que os rapazes, uma diferença quase de metade no secundário e depois com a entrada no superior”, afirmou Maria Brederode Santos.

Por exemplo, notam-se grandes diferenças entre os jovens adultos com o ensino secundário completo: a maioria das mulheres (54%) entre os 25 e os 44 anos terminou o ensino obrigatório, ao passo que entre os homens a percentagem é de 44,8%. A falta de qualificações dos jovens adultos era, precisamente, um dos graves problemas apontados aos portugueses, que também tem vindo a melhorar. Atualmente quase metade das pessoas entre os 25 e os 44 anos têm o ensino secundário completo. Em dez anos, este valor quase duplicou, sublinhou a presidente do CNE.

Ficar retido acaba por aumentar os casos de abandono escolar, reduzir as possibilidades de entrar no ensino superior assim como frequentar a educação de adultos. Maria Brederode afirma que também são as pessoas com mais qualificações que, mais tarde, acabam por voltar a estudar. Por isso, a presidente do CNE entende que a escola precisa mudar: “Era importante também pensar que mudanças são necessárias na escola e que mudanças estão a ocorrer”.

O relatório indica, por exemplo, que o abandono escolar precoce em Portugal atinge 11,8% dos alunos, enquanto a média dos 28 países da União Europeia é de 10,6%. Apesar de estar acima da média europeia, Portugal registou uma evolução muito positiva na última década: em 2009 o abandono precoce em Portugal era de 30,9% enquanto na Europa era de 14,2%.

Para a presidente do conselho, Portugal aproxima-se das metas estabelecidas com a União Europeia para 2020 e aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, no que diz respeito à frequência da educação pré-escolar e à taxa geral de escolarização no ensino básico.

Insucesso e dificuldades financeiras caminham lado a lado

A percentagem de alunos do básico e secundário que beneficia de ação social escolar (ASE) diminuiu na última década, mas o Conselho Nacional de Educação (CNE) alerta que a escola pública ainda não venceu o determinismo social no insucesso.

“A maior percentagem de alunos que beneficiam de ASE, no ano 2017/2018, frequenta percursos curriculares alternativos dos 2.º e 3.º CEB [ciclo do ensino básico], os cursos de educação formação do 3.º CEB, e os cursos vocacionais e profissionais do ensino secundário, o que parece indiciar uma relação entre os problemas financeiros e as dificuldades de aprendizagem, por um lado, e o determinismo social, por outro”, escreve o CNE.

Os dados recolhidos pelo CNE indicam que a percentagem de beneficiários de ASE nas escolas públicas em 2017/2018 foi a mais baixa na última década, com 36,1% de alunos, contra os 43,1% de 2010-2011, o valor mais alto.

“Quando se comparam as proporções de alunos com ASE nos diversos níveis de educação e ciclos de ensino, por modalidades, constata-se que existe uma aproximação entre as percentagens de alunos que beneficiam do escalão A [aplicável aos alunos com maiores dificuldades financeiras] e do escalão B, no ensino secundário, ao nível do ensino regular. Nas outras ofertas existe um maior desfasamento entre os dois escalões, sendo maior a percentagem dos alunos do escalão A, que abrange os alunos mais carenciados”, lê-se no relatório.

Numa análise por modalidades escolares, são os percursos curriculares alternativos e os cursos de vertente profissionalizante ou vocacional que apresentam maiores percentagens de beneficiários de ASE, sobretudo do escalão A de apoio.

No ensino superior o total de beneficiários de ASE baixou em 2017-2018 em poucas centenas face ao ano letivo anterior, com mais de 74 mil estudantes apoiados, a quase totalidade em instituições públicas.

Sobre o alojamento para estudantes universitários, um dos maiores problemas atualmente na garantia de acesso ao ensino superior, o CNE aponta o crescimento do número de camas disponíveis nos últimos anos em residências, com mais 823 camas em 2017 do que em 2015 e um crescimento de 4% em 2018, consequência do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior.

Portugal longe da meta de formados no superior

Também a percentagem de adultos com formação superior é muito diferente quando se compara homens e mulheres. Até 2020, pelo menos 40% dos adultos em Portugal deverão ter uma formação de ensino superior, mas a média nacional ainda ronda os 33,5%, segundo o relatório que mostra que Portugal manteve em 2018 a taxa de 2017.

No entanto, as mulheres já ultrapassaram a meta (42,5%), ao contrário dos homens em que apenas um em cada quatro tem o ensino superior (24,1%). Nesse período, a proporção de mulheres com formação superior aumentou 2,1 pontos percentuais, enquanto entre os homens se registou precisamente uma redução de 2,1 pontos percentuais.

Uma das razões para a baixa percentagem de homens com formação superior poderá estar relacionada com a opção por cursos vocacionais no ensino secundário, defendeu Brederode Santos. Sublinhando a importância e qualidade destes cursos, a presidente do CNE lembrou que estes jovens acabam por ficar “em desvantagem” quando se candidatam ao ensino superior, uma vez que têm de fazer as mesmas provas de acesso.

Para o CNE, não se pode exigir aos alunos dos cursos profissionais conhecimento sobre matérias que não foram lecionadas nas aulas. O CNE não defende “uma via verde para o ensino superior”, mas a realização de exames tendo em conta as matérias dos programas.

No próximo ano, o CNE vai debruçar-se sobre a situação dos cursos vocacionais e profissionais em Portugal e a questão do acesso ao ensino superior.

Escolas pouco tecnológicas

Nas escolas, o retrato é outro: numa era em que a tecnologia vai ditando o dia-a-dia, os computadores escolares são velhos, poucos e muitos não têm sequer ligação à internet. Uma queixa generalizada pelas várias escolas do país. Ainda neste ano, a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) correu as escolas do país, de norte a sul, para fazer um registo das maiores dificuldades encontradas pelos diretores no processo de ensino e aprendizagem. “Este foi um dos temas mais focados. É uma queixa generalizada”, contava ao DN o presidente da associação, Filinto Lima.

De acordo com o relatório do Conselho Nacional de Educação, o número de computadores nas escolas do continente tem vindo a diminuir de ano para ano, registando-se “em 2017/2018 uma quebra de 28% relativamente ao ano de 2015/2016”, lê-se.

Dez anos depois de o Governo ter lançado um programa que permitiu a distribuição de um computador Magalhães a cada aluno do 1.º ciclo, a realidade das escolas mudou. Hoje cada computador é dividido por 6,6 alunos do 1.º ciclo. Além de menos, os equipamentos nas salas de aula estão a ficar velhos.

A percentagem de computadores com mais três anos “aumentou significativamente”, passando de 64,4% em 2015/2016 para 85% no último ano em análise. Dos computadores existentes nas escolas, apenas uma parte tem ligação à internet. No 1.º ciclo, por exemplo, há um computador para cada 7,4 alunos, mas o relatório sublinha que esta situação tem vindo a melhorar desde o ano letivo de 2015/2016 em todos os ciclos e níveis de ensino público.

Docentes no topo da carreira não chega a 1%

Os professores em Portugal são profissionais muito qualificados e estão envelhecidos, mas só 0,02% estão no topo de carreira. “Em Portugal, o tempo para chegar ao topo da carreira é longo e a diferença entre a remuneração no topo de carreira e no início é muito significativa, quando comparado com outros países europeus”, refere o relatório “Estado da Educação 2018”.

A carreira dos professores divide-se em dez escalões e, na maioria dos casos, cada escalão deveria equivaler a quatro anos de serviço. No entanto, os professores do 3.º escalão, por exemplo, têm em média 22,6 anos de serviço e mais de 48 anos de idade.

Já no topo da carreira estão “apenas 0,02% dos docentes (…) e têm em média 61,4 anos de idade e 39 anos de tempo de serviço”, refere o relatório, da autoria do Conselho Nacional de Educação (CNE).

O congelamento prolongado das carreiras e a não recuperação da totalidade do tempo de serviço são as razões apontadas pela CNE para esta situação. A contagem integral do tempo de serviço é uma das grandes reivindicações dos sindicatos que têm prometido não deixar morrer, depois de ter provocado uma crise política na anterior legislatura, mas sem o resultado obtido pelos docentes.

Em 2017/2018, havia menos de 150 mil professores do ensino obrigatório, ou seja, houve uma redução de mais de 30 mil apenas numa década. O relatório mostra que aconteceu um decréscimo em todos os níveis e ciclos de educação e ensino.

Mais de metade dos professores sairá das escolas até 2030

Também tem vindo a diminuir o número de alunos nas escolas e este ano várias notícias deram conta da falta de docentes nas escolas. Para a presidente da CNE, neste momento não faltam docentes mas é preciso fazer “um planeamento para a vaga de aposentações que se aproxima e a baixa procura de cursos de formação de professores”.

Segundo um outro relatório do CNE, mais de metade dos professores (57,8%) poderá aposentar-se até 2030.

Em Portugal, o corpo docente está cada vez mais envelhecido: no ano letivo de 2017/2018, quase metade dos professores, desde a educação pré-escolar até ao secundário, tinha 50 ou mais anos (46,9%), enquanto a percentagem dos que tinham menos de 30 anos era de 1,3% em 2017/2018. As escolas portuguesas e italianas são as que têm menos docentes jovens.

No ensino superior a situação não é diferente: na década 2008-2018, aumentou a proporção de docentes com 50 ou mais anos (mais 15,1 pontos percentuais) e diminuiu os que têm menos de 30 anos de idade (menos 3,1 pontos percentuais).

Estão mais velhos e a grande maioria é “muito qualificada”: mais de 80% dos professores do ensino obrigatório têm licenciatura ou equiparado e, no ensino superior, 71% dos professores universitários são doutorados assim como 42,1% nos politécnicos (dados de 2017/2018).

Por outro lado, nos últimos anos, são cada vez menos os jovens que sonham ser professores. Os cursos da área Educação têm vindo a registar perdas importantes, atingindo em 2018 o valor mais baixo de inscritos desde 2009, com apenas 13 084 alunos.

Crianças passam mais 10 horas semanais em creches

As crianças passam quase 40 horas por semana com as amas, nos infantários ou creches em Portugal, um dos períodos mais elevados da Europa, cuja média é cerca de dez horas semanais menor. O número médio de horas semanais que os bebés e crianças portuguesas passam nas creches, mas também em estabelecimentos de educação pré-escolar, “é dos mais elevados de entre os países da União Europeia”, refere o relatório.

Os bebés até aos três anos passam, em média, 39,1 horas por semana, ou seja, quase oito horas por dia, com amas ou em creches, enquanto as crianças com três ou mais anos passam 38,5 horas semanais. Já a média semanal de permanência dos países da UE28 é de 27,4 horas para os mais pequenos e de 29,5 horas para os mais velhos. Ou seja, há uma diferença de quase dez horas semanais.

Portugal também surge como um dos países com mais oferta de creches para crianças com menos de três anos quando comparando com os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da UE23 (países da União Europeia membros da OCDE): em Portugal a taxa de cobertura desta resposta social é de 36,7%, ligeiramente acima da média da OCDE (36,3%) e da UE23 (35,6%).

Entre 2008 e 2015 houve um aumento gradual de oferta de vagas nas creches e de amas, mas, em 2015, começaram a registar-se quebras anuais. Já nas regiões autónomas, houve um crescimento consistente. Na Região Autónoma da Madeira, por exemplo, havia no ano passado uma taxa de cobertura de 56,8%.

A preocupação com a rede de pré-escolar transformou-se numa das bandeiras da maioria dos partidos políticos nas últimas eleições de novembro, recordou a presidente do CNE. “Quase todos os partidos políticos nestas últimas eleições apresentam nos seus programas essa ideia de que as creches teriam que ter uma intencionalidade educativa e que era preciso reforçá-la”, disse a presidente do CNE, Maria Emília Brederode Santos.

A taxa de pré-escolarização, destinada às crianças entre os 3 e os 5 anos, aumentou 7,8 pontos percentuais, situando-se em 2017/2018 nos 90,1%. A presidente do CNE defende que é preciso ver a “educação como um direito que se tem desde que se nasce”. Vários estudos têm relevado que a frequência do pré-escolar é uma das melhores ferramentas para combater o insucesso escolar.

Quanto ao ensino básico, o relatório sublinha a diminuição de mais de 150 mil alunos em dez anos (2017/2018 vs 2008/2009): com destaque para o primeiro ciclo, que diminuiu 18%, seguindo-se o 2.º ciclo (17%) e, finalmente, o 3.º ciclo com menos 9,6% de alunos.

Mantém-se a tendência de diminuição do número de alunos em todos os ciclos de ensino.

Despesa da educação a crescer

A despesa do Estado em educação cresceu desde 2012, mas está ainda mais de 700 milhões de euros abaixo de 2009, indica ainda o relatório do CNE. De um ponto de vista geral, o CNE aponta que “a despesa do Estado em educação, em 2018, apresenta um acréscimo de cerca de 3% relativamente ao ano anterior (mais 253,14 milhões de euros)”, mas, “quando comparado com o ano inicial da série (2009), a despesa decresceu perto de 8% (menos 727,51 milhões de euros)”.

Numa perspetiva que abrange toda a despesa do Estado com educação exceto o ensino superior, os números apontam para um aumento de 108 milhões de euros face ao ano anterior e uma diminuição de cerca de 12% (menos 867 milhões de euros), comparativamente a 2009.

O CNE refere que dos 6,3 mil milhões de euros gastos em educação não superior em 2018 pelo subsetor Estado, quase 4,7 mil milhões (76%) representam gastos com pessoal.

Se a educação pré-escolar e o ensino básico e secundário (na escola pública) e o ensino especial registaram um aumento de despesa, os gastos com o ensino profissional estão em queda há cinco anos e atingiram em 2018 o valor mais baixo da década, com 375 milhões de euros. Também a despesa com ação social escolar baixou em 2018, com uma redução de mais de seis milhões de euros em apenas um ano.

Já o ensino superior registou em 2018 a despesa “mais alta da década, tendo aumentado cerca de 162 milhões no último ano” para cerca de 2,6 mil milhões de euros. “Mais de metade é executada em despesas de pessoal e provém de receitas gerais”, refere o CNE, que indica ainda que em 2018 as universidades e politécnicos tiveram cerca de 600 milhões de euros de receitas próprias.

A ação social no ensino superior representou um acréscimo de despesa para o Estado em 2018, que gastou mais seis milhões de euros de fundos nacionais, mas os apoios sociais a universitários continuam a ser maioritariamente assegurados por fundos comunitários: cerca de 60% da despesa com ação social direta provêm de fundos europeus.

Dos 145,51 milhões de euros gastos em ação social direta em 2018, apenas 58,88 milhões de euros foram pagos pelo Estado, sendo os restantes 86,63 milhões de euros financiados por fundos comunitários.

O CNE aponta também que o valor da receita das instituições do ensino superior, sem incluir saldos de gerência, foi o mais alto da década, “tendo aumentado cerca de 250 milhões de euros no último ano”.

As propinas representaram para as instituições públicas receitas de cerca de 343 milhões de euros.

Ao nível da investigação científica, a despesa do Estado cresceu em 2018 quase 160 milhões de euros face ao ano anterior, para os 659 milhões de euros. Para atingir a meta europeia de 2,7% do PIB investidos em investigação em desenvolvimento, Portugal vai ter que mais do que duplicar o investimento no setor, uma vez que os dados do relatório, neste caso referentes a 2017, apontam para gastos na ordem dos 1,3% do PIB. Nesse ano a média da União Europeia foi de 2,1%.

Estado da Educação 2018

ONU marca Dia Internacional da Menina dizendo que elas são “força imparável”

Outubro 15, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Unicef/ UN0212108/Mohammadi
As meninas continuam enfrentando mais obstáculos para ir à escola

Notícia da ONU news de 11 de outubro de 2019.

Agência ONU Mulheres diz que muitos compromissos para dar autonomia às meninas ainda não foram cumpridos; 12 milhões delas casam-se antes de completar 18 anos e 130 milhões de alunas estão fora da escola; já Unicef diz que investir em meninas é investir num futuro melhor para todos.

Esta sexta-feira, 11 de outubro, as Nações Unidas marcam o Dia Internacional da Menina sob o tema: “Força da menina: natural e imparável”, numa tradução livre.

A ONU Mulheres lembra que em 2020, o mundo celebrará os 25 anos da primeira Conferência Mundial sobre Mulheres, que reuniu mais de 30 mil representantes de 200 países, em Pequim, na China.

Fora da escola

Foi neste encontro, que nasceu a aprovação da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim.

Mesmo assim, os desafios persistem e muitos compromissos assumidos ainda não foram cumpridos.

Todos os anos, 12 milhões de meninas casam-se antes de completar 18 anos de idade. Cerca de 130 milhões ainda estão fora da escola e quase 15 milhões de adolescentes entre 15 e 19 anos são forçadas a uma experiência sexual.

Movimento

Em nota, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, diz que o movimento, que começou em Pequim, não parou de crescer. Segundo a agência, “o que começou como um movimento mundial lutando por direitos à saúde sexual e reprodutiva, participação política e igualdade salarial, expandiu-se.”

Hoje, as lutas são contra o casamento infantil, violência de gênero, mudança climática, questões de autoestima e educação. Também pedem mais investimentos financeiros e um desenvolvimento inclusivo.

O Unicef destaca alguns progressos nessas décadas. Segundo a agência, “as meninas estão rompendo fronteiras impostas por estereótipos, incluindo crianças com deficiência e outras que vivem em comunidades marginalizadas.

O Unicef afirma que “como empreendedoras, inovadoras e criadoras de movimentos globais, as meninas estão liderando e promovendo um mundo relevante para elas e para as gerações futuras.”

Apoio

Apesar do progresso dos últimos 25 anos, “as meninas em todo o mundo, especialmente aquelas que vivem em áreas rurais ou emergência humanitárias e com deficiência, ainda precisam de ajuda.”

A comunidade internacional deve criar mais oportunidades para que as suas vozes sejam ouvidas e para que elas possam participar na tomada de decisões. Também deve-se dedicar mais recursos para esta população, “porque investir em meninas é investir num futuro melhor para todos.”

Aniversário

O Unicef afirma que, quase 25 depois da sua aprovação, a Plataforma de Ação de Pequim “continua sendo uma base poderosa para avaliar o progresso na igualdade de gênero.”

O documento exige um mundo onde todas as meninas e mulheres possam viver sem violência, frequentar a escola, escolher quando e com quem se querem casar e ganhar um salário igual por um trabalho igual.

A Declaração de Pequim foi o primeiro documento internacional a mencionar, especificamente, os direitos das meninas. Esse reconhecimento continua na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que dedica o objetivo 5 à conquista da igualdade de gênero e à autonomia de todas as mulheres.

A Plataforma de Ação de Pequim tem nove metas relativas às meninas:

 

  1. Eliminar todas as formas de discriminação;
  2. Eliminar atitudes e práticas culturais negativas;
  3. Promover e proteger direitos e aumentar a conscientização sobre necessidades e potencial;
  4. Eliminar a discriminação na educação e desenvolvimento de capacidades;
  5. Eliminar a discriminação nas áreas de saúde e nutrição;
  6. Eliminar a exploração econômica do trabalho infantil e proteger as meninas no trabalho;
  7. Erradicar a violência;
  8. Promover a conscientização e participação na vida social, econômica e política;
  9. Fortalecer o papel da família na melhoria da condição das meninas.

mais informações nos links:

https://www.unicef.org/gender-equality/international-day-girl-2019

https://www.unwomen.org/en/news/stories/2019/10/statement-ed-phumzile-international-day-of-the-girl

UNESCO lança Atlas Interativo sobre o direito das raparigas e das mulheres à educação

Setembro 24, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia da Unesco Portugal de 31 de julho de 2019.

A UNESCO lançou recentemente um novo Atlas Interativo sobre o direito das raparigas e das mulheres à educação. Este atlas, que integra o movimento “A educação dela, o nosso futuro”, constitui uma ferramenta de monitorização com o objetivo de dar a conhecer a situação atual, a nível nacional, nesta matéria.

Mais de 70 anos após a integração do direito à educação na Declaração Universal dos Direitos Humanos, muitas raparigas e mulheres vêm-se impedidas de exercer este direito devido à desigualdade de género e práticas discriminatórias. A pobreza, o casamento precoce e a violência motivada pela diferença de género são algumas das causas que explicam a elevada percentagem de meninas e mulheres analfabetas e sem acesso ao sistema de ensino em todo o mundo.

É primordial reforçar o direito das raparigas e mulheres a uma educação de qualidade através da implementação de instrumentos internacionais por forma a eliminar a discriminação e alcançar a igualdade de direitos entre os géneros.

A comunidade internacional reagiu a esta discriminação generalizada ao adotar instrumentos jurídicos internacionais de direitos humanos, como a Convenção da Unesco contra a Discriminação na Educação ou a Convenção das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. Este compromisso foi ainda reafirmado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente pela meta 4.5, que impõe explicitamente que os Estados eliminem as disparidades de género na educação e garantam igual acesso a todos os níveis até 2030.

O Atlas Interativo desenvolvido pela UNESCO permitirá um acompanhamento eficaz dos progressos alcançados nos quadros normativos nacionais que regulam o direito das raparigas e mulheres à educação.

Com base nas informações reunidas e no feedback fornecido pelos Estados, o Atlas será desenvolvido e atualizado periodicamente até 2030.

Aceda aqui ao Atlas da UNESCO sobre o direito das raparigas e das mulheres à Educação.

Conheça o ponto de situação de Portugal neste Atlas aqui.

Estudo. Facebook e Instagram estão a prejudicar a saúde mental das crianças

Setembro 9, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do MAGG de 14 de agosto de 2019.

por Mariana Leão Costa

O estudo conclui que 51% das raparigas e 43% dos rapazes afirmam ligar-se às redes sociais mais de três vezes por dia.

No imediato, as redes sociais servem propósitos nobres como manter as pessoas ligadas e em permanente contacto. Mas nem sempre estes propósitos são assim tão altruístas. Os exemplos são muitos mas recordamos, por exemplo, o caso da mulher espanhola que, em maio deste ano, se suicidou por ver um vídeo seu de cariz sexual a ser partilhado nas redes sociais.

Agora, um novo estudo britânico publicado a 13 de agosto vem lembrar quais os impactos que as redes sociais podem ter na saúde mental das crianças. Segundo a investigação, estas plataformas expõem os adolescentes ao cyberbullying, retira-lhes horas de sono e ainda os leva a não fazer exercício físico.

O estudo foi realizado com uma amostra de mais de 12 mil crianças com idades entre os 13 e os 16 anos. Foi-lhes perguntado quantas vezes abriam as redes sociais por dia, mas não quanto tempo ficavam em cada uma delas. 51% das raparigas e 43% dos rapazes afirmaram ligar-se às redes sociais três vezes por dia.

Os investigadores concluíram que abrir o Facebook, o Whatsapp ou o Instagram semanalmente, aumenta o risco em 20% de as crianças sofrerem de distúrbios psicológicos. Aqueles que se ligavam mais de três vezes por dia tinham uma saúde mental mais pobre do que os outros que registavam valores mais baixos.

O estudo sugere ainda que as raparigas estão mais sujeitas a estes problemas do que os rapazes. “Os danos da saúde mental relacionados com a frequente exposição às redes sociais nas raparigas podem relacionar-se com a exposição ao cyberbullying e à falta de sono e exercício físico”, pode ler-se no estudo.

“As intervenções que promovam a saúde mental devem incluir esforços para prevenir ou aumentar a resiliência ao cyberbullying e assegurar um sono e exercício físico adequado nos jovens”, aconselham os investigadores

“Engenharia é só para os rapazes, mãe”. Komal Singh escreveu um livro para quebrar o mito

Setembro 4, 2019 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do DN Insider de 13 de agosto de 2019.

Cátia Rocha

Komal Singh trabalha na Google e lançou recentemente um livro chamado “Ara, a Engenheira das Estrelas”, para mostrar aos mais jovens (e também aos pais) que o mundo da tecnologia tem espaço para todas e todos. 

Komal Singh cresceu na Índia, numa família ligada à engenharia. Estudou ciências da computação e, há alguns anos, mudou-se para o Canadá, onde diz ter encontrado o “seu emprego de sonho”: trabalha na Google. Mãe de uma menina de cinco anos e de um rapaz de cerca de dois anos, foi a própria filha que fez um retrato diferente daquele que Komal pensava ser a realidade. “Só os rapazes é que podem ser engenheiros, mãe”, explicou-lhe a filha, com a naturalidade das crianças.

“Passei por muitas emoções: senti-me zangada, depois desapontada, triste… E, finalmente, a palavra que uso muitas vezes é chateada, fiquei mesmo aborrecida. Mas acho que, quando processei todas as emoções, percebi que, aos olhos de uma criança, é assim que o mundo é”, explica Singh. “As crianças são muito inteligentes a detetar padrões e gostam de encontrá-los. E se a minha filha consegue vê-los, muitas crianças conseguem”.
Komal Singh percebeu que não tinha sentido ter o seu emprego de sonho e não fazer mais com isso. “Percebi que não fazia sentido trabalhar numa das melhores empresas do mundo, fazer coisas fantásticas, se vivo num mundo em que as raparigas não acreditam que têm a habilidade para fazer este tipo de coisas”.

Começava assim a nascer a ideia deste livro, que já foi publicado em vários países, também com o apoio da Google. Depois do choque da afirmação da filha, Komal Singh escolheu trabalhar nesta ideia do livro como um “projeto 20%”: qualquer trabalhador da Google pode usar parte do seu tempo de trabalho para dedicar-se a um projeto apaixonante, que não precisa necessariamente de estar ligado à sua área de trabalho.

“Este livro começou como o meu projeto 20% e evoluiu ao ponto de haver colegas a querer ajudar, da melhor forma que conseguissem. Alguns ajudaram com edição técnica, há um grupo na Google que trabalha em realidade virtual e eles deram uma ajuda nas experiências de realidade virtual para o livro… Há outro grupo que criou o site, outro que fez o vídeo onde é explicada a ideia do livro, por exemplo”, recorda a autora do livro. “As pessoas decidiram ajudar da melhor forma que conseguissem e foi muito interessante ver o poder da comunidade a entrar em ação”, reconhece.

Não é só neste aspeto que houve participação comunitária. O livro retrata a aventura de Ara, uma menina de seis anos que pretende desenvolver um algoritmo para poder contar todas as estrelas no céu. A tarefa não é fácil e, pelo meio, contará com a ajuda de várias mulheres ligadas ao mundo da ciência, matemática, engenharia e tecnologia, que têm correspondência com o mundo real. Afinal, foram inspiradas em trabalhadoras da Google, que vêem agora a sua profissão ser retratada em livro e traduzida para vários idiomas.

A própria Komal explica que a filha ainda não percebe bem o trabalho envolvido no livro, mas que a pequena já tem novas ambições de profissão: autora e engenheira. “Não percebe que é difícil publicar um livro, acha que isto é só um trabalho de artes manuais que fiz para ela, mas já a levei a algumas apresentações do livro, levo-a a escolas e vê as crianças a ouvir a história do livro. E isso já tem impacto nela, porque percebe que um livro pode ter influência e mudar as ideias de muitas crianças”.

A autora explica que já recebeu desenhos de crianças inspirados no livro ou até criações de “algoritmos para alimentar um gato ou ir à escola, com todas as ações detalhadas”, diz, com um sorriso. “É bom ver que as crianças olham para o livro não só como algo de entretenimento mas também de aprendizagem”, reconhece. Mas o livro não é só para os mais pequenos, já percebeu.

“Ao início, achava que este livro era só para crianças, mas depois percebi que não, que também era para os pais. Aliás, tenho recebido muito feedback de pais, de muitas mães referem que passaram a estar mais expostas à área da programação e ao mundo tecnológico, porque leram o livro e sentiram-se inspiradas. Viram o livro e o tema como algo acessível, algo que toda a gente pode fazer, que não são precisos super-poderes para programar”.

No entanto, Komal Singh reconhece que, apesar de ser importante despertar a curiosidade para o mundo da tecnologia e engenharia, ainda há muito trabalho a fazer. “Mostrar este mundo não é suficiente, é preciso fazer muito mais, claro, mas a parte de mostrar este mundo às raparigas, despertar-lhes a curiosidade e imaginação já é um princípio. Acho que nenhum rapaz ou nenhuma rapariga deve ser pressionado a fazer aquilo que não quer, mas acho que esta é uma forma de gerar curiosidade e talvez acordar a inclinação natural para uma carreira ou área”.

Komal Singh explica ainda que gostaria de lançar mais livros – também já a pedido de outros pais. “Quero muito lançar mais livros, para explicar questões do panorama tecnológico, abordando também as pioneiras que trabalham nessas áreas”, indicando que a inteligência artificial tem sido um dos assuntos mais pedidos, tanto por miúdos como graúdos.

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Crianças praticam menos desporto por falta de tempo e dinheiro

Agosto 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de julho de 2019.

Investigação avança que as raparigas são as mais privadas da actividade desportiva por entraves associados à segurança.

Lusa

A falta de tempo e de dinheiro são dois dos principais obstáculos à prática desportiva pelas crianças, revela um estudo do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS), Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra (FCTUC).

A investigação avança que “a falta de tempo e de dinheiro são duas grandes barreiras para a prática de desporto em crianças com idades entre os 6e os 10 anos”.

Mas a segurança também é um dos entraves à pratica desportiva por parte das crianças, “especialmente das raparigas”, segundo a mesma investigação, intitulada “Parental perception of barriers to children’s participation in sports: biological, social, and geographic correlates of Portuguese children”, destaca um comunicado da FCTUC.

Publicado no Journal of Physical Activity and Health, o estudo pretende identificar “as barreiras percebidas pelos pais que podem contribuir para estratégias de promoção da actividade física em crianças, e perceber até que ponto o estatuto socioeconómico, o local de residência e o sexo, a idade e a participação desportiva das crianças afectam essas barreiras percebidas”, explicita a instituição.

Dos 834 pais inquiridos, residentes nos concelhos vizinhos de Coimbra e da Lousã, “quase metade referiu a falta de tempo e a falta de dinheiro como as principais barreiras para a prática desportiva das crianças”.

Saúde, transporte, segurança, instalações, clima, cansaço e falta de interesse das crianças foram outras barreiras apontadas pelos pais.

“Como esperado, de modo geral, os pais com menor poder socioeconómico indicaram mais barreiras, principalmente a nível do custo e do transporte para a prática dessas actividades”, refere Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo. “Curioso foi que os pais de raparigas reportaram mais barreiras relacionadas com o custo e a segurança do que os pais de rapazes”, salienta, citada pela FCTUC.

Ainda de acordo com a investigadora do CIAS, o facto de os pais das raparigas indicarem o custo e a segurança como barreiras pode, “até certo ponto e aliado a outros factores já conhecidos, ajudar a explicar porque é que os rapazes praticam mais desporto do que as raparigas”.

Em relação ao local de residência – locais com maior ou menor nível de urbanização –, a diferença mais significativa que os investigadores encontraram está na falta de tempo: “Os pais dos meios mais urbanizados referem significativamente mais vezes a falta de tempo como barreira do que os pais de meios menos urbanizados”, afirma Daniela Rodrigues.

“Comummente, a maioria das famílias, particularmente das comunidades urbanas, tem pai e mãe em empregos de tempo integral, o que pode contribuir para a falta de tempo dos pais nesses ambientes”, admite.

Os resultados deste estudo “devem ser considerados no planeamento e nas intervenções futuras para promover efectivamente a actividade física em crianças”, recomendam os seus autores. “As barreiras mencionadas pelos pais podem ser superadas em alguns casos com o envolvimento de governos locais, decisores políticos e escolas, disponibilizando sessões de desporto locais para crianças imediatamente após a escola ou durante o dia escolar”, sugerem.

O artigo citado na notícia é o seguinte:

Parental Perception of Barriers to Children’s Participation in Sports: Biological, Social, and Geographic Correlates of Portuguese Children

Raparigas são as mais afectadas por sintomas depressivos na adolescência

Abril 22, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de abril de 2019.

No estudo participaram 2.492 pessoas, avaliados aos 13, 17 e 21 anos de idade. Foram considerados todos os adolescentes nascidos em 1990, que frequentavam escolas públicas e privadas da cidade do Porto.

Lusa

Uma investigação desenvolvida na Faculdade de Medicina do Porto, a que a Lusa teve acesso esta terça-feira, detectou uma elevada prevalência de sintomas depressivos nas raparigas aos 13 anos, duas vezes mais elevada do que nos rapazes da mesma idade.

“Os valores da prevalência de sintomas depressivos logo numa idade inicial da adolescência, aos 13 anos, foram surpreendentes, tanto em raparigas como em rapazes, mas de uma forma mais significativa em raparigas”, afirmou à Lusa Cláudia Bulhões, responsável pelo estudo.

De acordo a investigadora e médica de família, 18,8% das raparigas sofrem de sintomas depressivos aos 13 anos de idade. Os mesmos sintomas afectam 7,6% dos rapazes. “Já aos 13 anos esta prevalência era duas vezes superior nas raparigas do que nos rapazes”, sublinhou.

Cláudia Bulhões concluiu também que “estes sintomas depressivos não acontecem de uma forma episódica, isto é, eles vão ter implicações ao longo da adolescência. Os adolescentes que tinham sintomas depressivos aos 13, a maioria apresentava também sintomas depressivos aos 17 e acabava por ter repercussões aos 21 anos”.

As conclusões integram a tese de doutoramento intitulada Depressive Symptoms in Adolescents, da autoria de Cláudia Bulhões, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

De acordo com o estudo, aos 17 anos de idade, a prevalência de sintomas depressivos foi de 17,1% nas raparigas e 5,3% nos rapazes. Aproximadamente 6% das raparigas e 2% dos rapazes apresentavam sintomas depressivos nos dois momentos de avaliação. Cerca de 35% dos adolescentes com sintomas depressivos aos 13 anos apresentavam sintomas depressivos quatro anos mais tarde.

Cláudia Bulhões verificou ainda que os participantes com níveis mais elevados de sintomas depressivos na adolescência apresentaram piores resultados sociais e de saúde no início da vida adulta. Os sintomas depressivos afectaram sobretudo rapazes com história familiar de depressão e raparigas com hábitos tabágicos e cuja menarca (primeiro ciclo menstrual) surgiu numa idade mais precoce.

“Os resultados enfatizam a importância do reconhecimento dos sinais e sintomas de depressão, principalmente no início da adolescência”, defendeu a investigadora. Como tal, a tese de doutoramento de Cláudia Bulhões pretende contribuir para um melhor conhecimento da epidemiologia dos sintomas depressivos na adolescência em Portugal.

“É importante criar uma ferramenta que nos auxilie na avaliação desta questão, de uma forma estruturada, ao nível das nossa consultas, identificando estes adolescentes numa fase inicial de desenvolvimento do quadro, para que, realmente, possamos desenvolver estratégias no tratamento ou orientação”, sustentou.

No estudo participaram 2.492 pessoas, avaliados aos 13, 17 e 21 anos de idade. Foram considerados todos os adolescentes nascidos em 1990, que frequentavam escolas públicas e privadas da cidade do Porto.

 

 

Raparigas são as que se sentem mais gordas mas há mais rapazes com excesso de peso

Abril 22, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia da LUSA de 9 de abril de 2019.

As raparigas são as que se sentem mais gordas, mas há mais rapazes com excesso de peso, revela um estudo, segundo qual quase 70% dos adolescentes portugueses têm peso normal.

“Terão os adolescentes portugueses uma alimentação adequada?” é o título da investigação integrada no estudo Health Behaviour in School aged Children (HBSC), um inquérito realizado de quatro em quatro anos em 48 países, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde, sobre os comportamentos dos adolescentes.

Caracterizar os hábitos alimentares e perceções relativas ao corpo dos adolescentes foi o objetivo do estudo, que envolveu 6.997 alunos (51,7% meninas) do 6º, 8º e 10º ano.

Segundo o estudo, 54,7% dos adolescentes percecionam-se como tendo o corpo ideal. As meninas são as que mais se percecionam como estando “um pouco” gordas (28,5% versus 21,6%) e os rapazes “um pouco” magros (11,8 contra 17,3%).

Ao longo da escolaridade mais adolescentes tendem a considerar o seu corpo um pouco gordo ou muito gordo e uma menor percentagem considera ter um corpo ideal, refere o estudo divulgado a propósito do 10.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, que decorre na quarta e quinta-feira em Lisboa.

Cerca de 45% e 33% dos adolescentes reportaram comer diariamente frutas e vegetais, respetivamente, enquanto um quarto disse consumir doces e colas (refrigerantes) quase todos ou todos os dias, sendo as raparigas a referirem um consumo mais frequente.

Ao longo da escolaridade, menos adolescentes referem tomar o pequeno-almoço diariamente e mais jovens dizem nunca o fazerem.

O estudo conclui que “os adolescentes portugueses têm comportamentos alimentares desajustados ao recomendado para esta faixa etária e que o excesso de peso e a imagem corporal são um problema relevante nesta população”.

Em declarações à agência Lusa, Nuno Loureiro, um dos autores do estudo, afirmou que existem alguns alunos que “não têm claro que têm excesso de peso, e se percebem [que o têm] terão a perceção que está sob controlo”.

“Alguns destes alunos poderão ser atletas, e com a pressão por obter um corpo ‘Ronaldo'” ou “simplesmente porque a sua modalidade assim o determina, têm práticas intensas de exercício com grande predomínio de ganho muscular, algo que influencia e muito a fórmula de cálculo de IMC [Índice de Massa Corpora]”, disse o professor do Instituto Politécnico de Beja.

Estes alunos entrarão no indicador em excesso de peso, mas terão satisfação com o seu peso, explicou.

Também podem existir alunos que efetivamente estão com excesso de peso, mas gostam de si: “estão satisfeitos como estão e são mais resistentes à mudança, digamos que podem ser classificados com estando no estado pré-contemplativo”, adiantou.

“A perceção da imagem do corpo não está muitas vezes ligada ao valor da classificação do IMC, pois os jovens apresentam um valor normal e continuam a reportar estarem insatisfeitos com o seu corpo”, sublinhou.

Nuno Loureiro advertiu que o indicador excesso de peso “não pode nem deve ser visto como uma correspondência inversa para a ideia de corpos bonitos, corpos de modelos ou da procura de abdominais de ferro, porque devido a fatores genéticos e outros fazem com que esta tarefa seja muito difícil para muitos”.

Considerou ainda “preocupante” 15,8% dos adolescentes terem excesso de peso e 3,1% obesidade, defendendo “estratégias efetivas” de apoio, como gabinetes multidisciplinares na escola, onde se concilie uma abordagem estruturada para alteração destes indicadores, “mas num ambiente sem culpas ou dramas, incentivando a adoção de estilos de vida saudável”.

A coordenadora do estudo HBSC em Portugal, Margarida Gaspar de Matos, acrescentou que ter uma alimentação saudável e moderada, rica em fibras e com baixo teor de gordura sal e açúcar, a par da atividade física, é essencial para combater o excesso de peso, mas reconheceu que muitas vezes é difícil pôr em prática na escola e em casa,

“Temos já conhecimento científico (dos profissionais e dos alunos), mas é difícil pôr em prática”, porque muitas vezes existe “um ‘ambiente’ não solidário ou não amigável” da alimentação saudável.

HN // ZO

Lusa/fim

 

 

Meninas Privadas de Educação – Documentário RTP

Março 29, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Em todo o mundo, mais de cem milhões de raparigas são privadas de frequentar as salas de aula e ter acesso à Educação escolar. Um documentário que revela uma verdade chocante em pleno século 21.

Visualizar a reportagem no link:

https://www.rtp.pt/programa/tv/p35892

Quando podem as adolescentes começar a tomar a pílula?

Fevereiro 5, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 16 de janeiro de 2019.

Rita Costa

Fizemos a pergunta ao pediatra Sérgio Neves, que revela alguns dos casos em que este contracetivo é recomendado.

“A adolescente tem que ter iniciado já a sua menstruação”, começa por responder o pediatra Sérgio Neves. Depois da menarca, já é possível as adolescentes tomarem a pílula e não apenas como contracetivo.

O pediatra que explica que, na adolescência, são várias as situações em que as pílulas são recomendadas pelos médicos.

Quando surge a primeira menstruação “existem muitas vezes problemas nos primeiros anos, nomeadamente períodos muito abundantes que podem levar a anemias, por perdas de sangue e de ferro”, explica Sérgio Neves. Às vezes, estes problemas levam a limitar a frequência escolar, porque algumas adolescentes sentem-se muito mal durante a menstruação e precisam de faltar às aulas.

“Muitas vezes, a pílula surge como uma forma de regular esses ciclos e diminuir as perdas menstruais”, as dores e a sensação de cansaço.

A pílula pode também ser tomada para combater o acne. “Quase todas as pílulas têm algum benefício, mas existem outras mais especificas, antiandrogénicas, que combatem o efeito das hormonas masculinas que promovem o aparecimento e o agravamento do acne”, acrescenta.

Ouvir as declarações de Sérgio Neves no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/quando-podem-as-adolescentes-comecar-a-tomar-a-pilula-10443491.html?fbclid=IwAR3O5m0_–N15mR-FgCVjyxNPEq6WtJ_z9tcF8qo2RNBtz8cKxvOPwyLx4I

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