Leia esta entrevista sobre cyberbullying: “A arma das agressões é o telemóvel”

Outubro 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Luís Fernandes ao Expresso de 20 de maio de 2017.

Carolina Reis

A divulgação de um vídeo sobre um alegado abuso sexual a uma jovem perante a passividade e incentivo dos colegas durante a Queima das Fitas no Porto, abriu de novo a reflexão sobre o cyberbullying. Luís Fernandes, psicólogo habituado a fazer intervenção nas escolas, lembra que atualmente tudo pode ir parar à internet. E que todos os intervenientes nestas situações vão sofrer agressões.

Estamos perante um caso de cyberbullying?
Penso que sim. Uma das características que distinguem o bullying do cyberbullying é a repetição. E para isso basta ser gravado. Esta foi uma situação pontual, mas ao ser gravada enquadra-se. E a arma das agressões acaba por ser o telemóvel.

No vídeo, é possível ver que alguns jovens incentivam e filmam, sem que alguém impeça ou diga para parar. Como se classifica esta atitude coletiva?
É o efeito manada, os miúdos agem sem pensar, de uma forma automática. Normalmente, há um que lidera — e que não tem de ser quem protagoniza — e os outros vão atrás. Na maior parte das vezes, não têm a verdadeira noção do impacto das ações. No trabalho que faço, encontro jovens que confessam que nunca pensaram que ganhasse outras dimensões. Acaba por ser uma coisa quase entre eles, só que nas redes sociais há sempre alguém que partilha.

Estes jovens são nativos digitais. Não deviam ter noção de como funciona a internet?
Com a idade que têm [aparentam ser estudantes universitários] já deviam ter alguma maturidade para não ter este tipo de comportamento. O que nós vemos — e isto é outra característica do cyberbullying — é que ultrapassam os limites porque não têm um feedback em tempo real que os faça travar. Se não existir alguém no grupo que faça alguma coisa, que diga que já estão a exagerar, ou que aquilo não faz sentido, há um efeito escalada. É um efeito de bola de neve, cada vez se vai tornando mais interessante, não tendo a noção até onde pode ir. Isso deixa-nos pasmados quando acontece nesta faixa etária.

Quem partilha o vídeo também está a contribuir para as agressões?
Sem dúvida. Enquanto que no bullying, as pessoas devem intervir, fazer algo, ter uma atitude proativa, no cyberbullying o ideal é não fazer nada. Cada vez que nós estamos a partilhar é mais uma agressão que está a acontecer. É mais um caminho em termos de redes sociais que vai ficar. O que é colocado na internet fica lá para sempre, nós perdemos o controlo. Há servidores diferentes, há pessoas que entretanto gravaram o vídeo e o podem colocar vezes sem conta.

Quais serão as consequências para estes jovens?
Este vídeo vai estar sempre presente na vida desta rapariga. É um rótulo que fica para sempre. Tanto para a vítima, como para os outros jovens. O perfil deles nas redes sociais começa a ser procurado, e eles a serem alvos de ameaças e agressões.

Ninguém está protegido na internet?
É assustador, mesmo para quem não tem perfis em redes sociais e pensa que está mais protegido. Há um acontecimento qualquer, como um jantar entre colegas, alguém tira uma foto e partilha-a numa rede social. A pessoa — mesmo sem querer — vai ver o seu nome numa rede social em que pode ser vítima de alguma agressão.

Como se previnem estes comportamentos?
Quando começamos a trabalhar estas questões, o que acontece por volta dos 14 anos, já vamos atrás dos prejuízos. Tem de existir uma prevenção o mais precoce possível. Se estes jovens tivessem sido alvo de algum tipo de formação, estariam mais atentos e sensíveis. E, se calhar, isto não tinha acontecido. Ou tinha e algum deles que tinha tido o discernimento de travar esta situação. É preciso um plano nacional de prevenção.

Muitas pessoas discutem agora se o ato foi ou não consentido. Como vê esta atitude?
Descentram-se do essencial para comentar o acessório. O essencial é que aquilo aconteceu. Mesmo que a rapariga soubesse que estava a ser filmada, nunca era situação para ser divulgada. Devia ter havido outro filtro que também não houve. Aquelas pessoas – sejam agressores ou vítimas – também estão a ser expostas na praça pública.

O seu filho é alvo de bullying?

Outubro 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle

Luís Fernandes, psicólogo e investigador, co-autor do livro «CyberBullying – Um Guia para Pais e Educadores», explica como reagir perante estas situações e indica o que nunca, mas nunca, deve fazer.

Dados do Programa Escola Segura e da GNR indicam que o bullying nas escolas portuguesas aumentou nos últimos anos. O número crescente de queixas que tem chegado às autoridades também o confirma. Luís Fernandes, psicólogo e investigador na área do bullying e da violência na escola, confirma esse crescendo, explicando que se trata de «comportamentos agressivos entre crianças e jovens em idade escolar».

«São ações repetidas que nascem de um desequilíbrio de poder, através de agressões físicas, psicológicas e/ou sexuais, algumas realizadas via internet e dispositivos digitais [cyberbullying]», refere. «Pais e educadores devem atuar rapidamente pois o bullying só pode ser vencido com o apoio de toda a comunidade educativa, sendo essencial que vítima, agressor e quem assiste à agressão sejam acompanhados», diz.

Siga as orientações de Luís Fernandes, psicólogo e investigador na área do bullying e da violência na escola.

Com o seu filho

– Dê o seu apoio. «Seja solidário com a criança/jovem transmitindo-lhe que poderá contar consigo em qualquer circunstância, que irá resolver a situação. Caso tenha sido o próprio a contar o que está a passar-se, elogie a sua coragem», aconselha o especialista.

– Evite acusações. «Não acuse a criança/jovem por, de alguma forma, ser responsável pela situação. Isso não ajuda em nada a resolução do problema e fragiliza mais a vítima», assegura o psicólogo e investigador.

– Envolva-se. «Vá acompanhando a situação de perto, pois isso transmite segurança e permite ainda monitorizar e intervir precocemente perante novas situações que possam surgir», realça o especialista.

Com a escola

– Defina um plano de atuação. «Contacte o professor titular da turma [no primeiro ciclo], o diretor de turma [nos outros ciclos de ensino] e/ou a direção da escola para perceber se estão a par da situação e definir-se um plano que proteja a criança/jovem», sugere Luís Fernandes.

– Conheça o regulamento interno. «Saiba quais os procedimentos previstos para estas situações, se existe um regulamento interno que refira os comportamentos que não são aceitáveis, assim como as suas consequências», recomenda o psicólogo e investigador.

– Informe-se sobre o caso. «Apure se as agressões e/ou humilhações decorrem há muito tempo e quais os principais locais onde costumam ocorrer e se existem desconfianças por parte dos pais do agressor», insiste o especialista.

– Sugira uma ação de sensibilização. «Sensibilizar quem assiste à agressão é uma mais-valia para a resolução destes problemas. Sugira uma ação pedagógica junto dos colegas do seu filho», sugere ainda.

Com o agressor

– Nunca o contacte. «Evite contactar diretamente os agressores ou os pais destes a pedir satisfações ou a exigir que estes deixem de incomodar os seus filhos, pois esta situação poderá agravar as agressões», alerta Luís Fernandes, psicólogo e investigador, co-autor do livro «CyberBullying – Um Guia para Pais e Educadores», publicado pela Plátano Editora, em parceria com Sónia Seixas e Tito de Morais.

– Procure um mediador. «O ideal será entender se existem pessoas que funcionem como mediadores da própria situação, como, por exemplo, um diretor de turma ou o coordenador dos diretores de turma (normalmente um dos docentes mais experientes da escola), o psicólogo (caso exista) ou o diretor da escola», sugere.

«A participação dos funcionários é igualmente fundamental uma vez que a maioria dos casos ocorre nos recreios e/ou espaços comuns da escola», realça ainda o especialista português.

Os números do bullying

– 25% das crianças e jovens em idade escolar, seja como vítimas, agressores ou nesse duplo papel [vítimas que se transformaram em agressores], estão envolvidas em casos de bullying.

– 616 casos de bullying registados mensalmente em Portugal.

– Mais de 50% das vítimas não denunciam as agressões.

– 70% das situações de bullying ocorrem nos recreios e/ou espaços comuns da escola.

Texto: Carlos Eugénio Augusto com Luís Fernandes (psicólogo e investigador na área do bullying e da violência na escola e co-autor do livro «CyberBullying – Um Guia para Pais e Educadores»)

Bullying: o que nunca deve dizer se o seu filho for vítima?

Outubro 14, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do DN Life de 7 de outubro de 2019.

É um problema pesado, muitas vezes associado a depressões, baixa autoestima, distúrbios de apetite e sono, ansiedade, fraco desempenho escolar, dores de estômago, solidão. E sim, o bullying é da responsabilidade de todos, pelo que também em casa devemos evitar agravar o sofrimento.

Texto de Ana Pago

“IGNORA”
Se passar ao lado do problema bastasse para resolvê-lo, não teríamos números gritantes a mostrar que um em cada quatro jovens se envolve em situações de bullying como vítima, agressor ou ambos os papéis (“por exemplo, um aluno de 7.º ano que é vítima de um do 9.º e agride, ele próprio, um colega do 5.º”, explica o psicólogo Luís Fernandes, a trabalhar nas áreas da prevenção, combate e intervenção no bullying). Pior: pedir à criança para ignorar os ataques não só não valida o seu sofrimento muito real – por alguma razão ela tentou falar consigo –, como a fará sentir-se mais sozinha e desamparada do que nunca.

“EVITA ESSES COLEGAS”
É outra sugestão bem-intencionada mais fácil de proferir que de fazer, ou não seriamos o 15.º país com mais relatos de bullying na Europa e América do Norte, segundo Luís Fernandes. “Trabalhar com os agressores é tão importante como com quem sofre, já que muitas vezes os próprios são vítimas de violência em contexto familiar”, explica o coautor (com a investigadora Sónia Seixas) dos livros Plano Bullying e Diz Não ao Bullying. Além disso, dizer a um filho que evite os bullies apenas fará com que sinta ser uma vítima deles porque não é suficientemente bom a afastar-se.

“AS CRIANÇAS SÃO MESMO ASSIM”
Se é um facto que as crianças conseguem ser bastante cruéis entre elas, que os agressores são muitas vezes vítimas de ambientes agressivos e que devemos educar para a tolerância, é também um facto que desculpas deste género nunca podem legitimar a violência. “O bullying dói muito e o agressor quer realmente fazer mal”, confirma em entrevista ao Huffington Post Barbara Coloroso, autora de The Bully, The Bullied and the Bystander (O Intimidador, a Vítima e a Testemunha em tradução livre). “Se os pais minimizarem, racionalizarem ou tentarem explicar o comportamento do bully, não tardará a que os filhos prefiram sofrer em silêncio”, acrescenta a especialista em educação.

“TENS QUE SABER DEFENDER-TE”
Na cabeça dos pais o repto irá seguramente incitar os filhos à autodefesa: como não? É como se as palavras tivessem poder em si mesmas, de tão fortes que são. Na prática, porém, o mais provável é a criança ficar a sentir que a culpa de ser vítima é toda dela, por não se saber opor ao agressor. Tal como será unicamente sua a responsabilidade de ter que aprender a defender-se o quanto antes.

“PRECISAS DE SER FORTE”
Sendo outro abanão que pretende ajudar a criança a acabar de vez com aquele sofrimento sempre presente, uma estratégia mil vezes melhor passa por tranquilizar a vítima, estar do seu lado, mostrar que vamos fazer tudo para acabar com as humilhações, adianta o psicólogo Luís Fernandes. “Dá um conforto extraordinário”, diz. E sabe-o porque uma garota de 11 anos, a quem um dia perguntou quando é que o bullying terminou para ela, lhe respondeu que foi no instante em que o pai a abraçou e garantiu que as agressões nunca mais iam voltar a acontecer agora que ele sabia de tudo.

“NÃO SEJAS TÃO DRAMÁTICO”
É capaz de ser das piores observações que uma criança pode ouvir do adulto com quem fala (por mais que este tente apenas desdramatizar o problema sem se dar verdadeiramente conta dos estragos que estará a causar ao fazê-lo). Ninguém tem culpa de ser vítima de bullies. Ninguém é violentado porque quer, pelo que os pais terão de ter especial cuidado para não passarem a mensagem errada de que os filhos estão a exagerar no que sentem.

“É SÓ UMA FASE, VAI PASSAR”
Nem uma coisa nem outra, sublinha o psicólogo Luís Fernandes, que considera haver ainda muitos mitos em torno do bullying que importa desfazer: “Não acontece só em algumas escolas, não é uma mera brincadeira e nunca deve ser encarado como uma fase que passará em breve e que, portanto, pode ser relativizada”, afirma. Até pode vir a suceder num futuro próximo, mas por enquanto ainda é um tormento que ninguém tem o direito de minimizar.

10 Mandamentos da Prevenção e Combate ao Bullying

Outubro 7, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

A prevenção do bullying online está em destaque no mês da cibersegurança

Outubro 1, 2019 às 2:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do TEK Sapo de 1 de outubro de 2019.

A iniciativa de Sónia Seixas, Luís Fernandes e Tito de Morais tem já planeadas três sessões de uma série de transmissões em direto que vão decorrer até 31 de outubro.

O mês de outubro é simultaneamente o mês europeu da cibersegurança e o mês de prevenção do bullying. Para promover as boas práticas na utilização do ciberespaço Sónia Seixas, Luís Fernandes e Tito de Morais lançaram uma série de transmissões em direto no Facebook dedicadas a temas relacionados com o ciberbullying.

Os autores do livro “Ciberbullying – Um Guia Para Pais e Educadores” e investigadores do curso online “Bullying e Ciberbullying: Prevenir & Agir”, promovido pela Direção-Geral de Educação, vão contar com a colaboração de convidados de Portugal, Brasil, França, Estados Unidos e Reino Unido.

Para já estão já agendadas três transmissões da série que vai decorrer até 31 de outubro. A primeira acontece hoje, 1 de outubro, às 20h30, e tem como tema as estratégias digitais que os pais podem tomar para identificar, prevenir e intervir em situações de bullying online. A sessão online vai ser liderada por Elizabeth Milovidov, consultora, autora e fundadora da Digital Parenting Coach.

A segunda sessão, no dia 2 de outubro às 21h30, vai ser dedicada à temática do comportamento das pessoas nos ambientes digitais. A conversa guiada por Fabiana Gutierrez, co-fundadora da Carlotas, uma empresa na área do desenvolvimento social, terá como foco a empatia como uma ferramenta para segurança e cidadania digital.

Já o terceiro dia de outubro será dedicado à discussão das perspetivas históricas de países de ambos os lados do atlântico relativamente ao ciberbullying. A transmissão em direto, às 21h30, vai contar com a presença de Anne Collier, fundadora e diretora executiva da Net Safety Colaborative. A organização americana sem fins lucrativos criou a Social Media Helpline for Schools: uma linha de ajuda nas redes sociais para escolas nos Estados Unidos que lida com casos de bullying online.

Os interessados em aprender mais sobre a problemática do bullying online podem participar gratuitamente nas sessões na secção de vídeos da página de Facebook da iniciativa. Quem não conseguir acompanhar a emissão em direto, poderá ver a sua gravação, uma vez que esta ficará disponível no mesmo endereço.

Bullying: “A denúncia é essencial”

Abril 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Notícia do https://www.educare.pt/ de 29 de março de 2018.

Qualquer criança ou jovem, seja qual for a idade, pode ser vítima de agressões verbais ou físicas de forma continuada. A isto chama-se bullying. Uma realidade que preocupa pais e professores. O EDUCARE.PT reuniu algumas orientações que podem ajudar a lidar com este problema.

Luis Fernandes, psicólogo escolar e autor do livro Plano Bullying, lembra que a idade em que é mais provável acontecer o bullying é por volta dos 13 anos. Infelizmente para muitos pais, “coincide com a adolescência, a fase em que as crianças se fecham mais”, constata. O que dificulta ainda mais a tarefa dos pais quando suspeitam que algo de errado se passa. É preciso haver “à vontade” para ter aquela conversa onde se vão querer todas as respostas.

Porém, a urgência de saber o que se passa não deve precipitar os pais para um interrogatório. “O ambiente deve ser tranquilo, não ser de crítica e proporcionar espaço para escutar o filho”, adverte o psicólogo. Partilhar com os pais os incidentes de que é alvo não é fácil para a criança. Vários estudos revelam que mais de 60% das vítimas de bullying não contam aos pais nem aos amigos o que se está a passar.

Mas entre o agressor e a vítima existem, na maior parte dos casos, as testemunhas. Crianças ou jovens que são espectadores e receiam envolver-se ou que constituem os “companheiros de crime” do agressor. “A denúncia é essencial”, concorda Luis Fernandes, porque nem sempre as vítimas apresentam sinais que falem por si.

Os alertas surgem quando um bom aluno começa a baixar as notas, começa a não usar o telemóvel ou a Internet, ou se desliga da realidade e da família. Luís Fernandes aconselha os pais a estarem atentos a “mudanças repentinas”, mas adverte: “Sem denúncia é muito complicado ter conhecimento do que se passa na escola.”

Bárbara Wong, autora do guia de relacionamento dos pais com a escola, O Meu Filho Fez o Quê?, aconselha observação redobrada, pois perguntar nem sempre é suficiente para obter respostas. “Os pais devem estar muito atentos.” Para perceber se o filho anda sozinho ou em grupo. “Se for um miúdo isolado é alvo mais fácil de bullying.” Podem também sugerir ao filho que convide os amigos para estudar em sua casa. “São coisas que acabam por ser muito simples, mas permitem aos pais compreender mais do que se passa na escola.”
Investigações feitas nesta área estimam que 70% do bullying acontece no recreio. Longe do olhar dos pais e professores, mas à vista dos funcionários da escola. “Por isso, muito do trabalho dos psicólogos escolares é dar competências aos funcionários para poderem olhar de uma forma mais atenta”, diz Luis Fernandes. Para perceber que “naquele grupo de miúdos onde parece que andam todos às lutas, há um que todos os dias bate noutro”.

Por outro lado, 30% do bullying acontece durante o tempo letivo. “A gestão da sala de aula é cada vez mais complicada”, diz o psicólogo escolar. “Basta um papelinho que circula despercebido ao professor e ninguém sabe o que se vai passar no intervalo.” Para Luis Fernandes, sensibilizar é a palavra de ordem. Elaborar materiais, cartazes com frases alusivas ao problema afixados no estabelecimento de ensino e fazer sessões de esclarecimento são algumas das estratégias possíveis para o conseguir. “É preciso trabalhar o bullying em meio escolar de forma a torná-lo mais evidente, mais visível a todos os alunos que fazem parte da escola”, conclui.

Allan L. Beane, especialista norte-americano na área do bullying, argumenta no seu livro A Sala de Aula Sem Bullying que o professor pode vencer o bully se conseguir mobilizar os restantes alunos da turma a intervir em situações onde qualquer colega esteja em perigo.
A turma pode ajudar o professor a tomar consciência sobre situações que ocorram no recreio ou fora da escola. Através de um inquérito anónimo, onde pede aos alunos que contem experiências onde as palavras ou o comportamento de algum colega os tenham magoado. Mas é importante garantir que as descrições não apontam nomes, alerta o autor.

Além desta recolha de testemunhos, o professor pode usar entrevistas pessoais aos alunos ou a pequenos grupos. Seja qual for a opção, todo o inquérito deve ser antecedido de uma breve explicação sobre o que é o bullying. Os alunos devem ser encorajados a denunciar ao professor qualquer situação que observem, defende Allan L. Beane.

Quando falta o à vontade para o aluno falar diretamente, depois das aulas e em privado com o adulto, é preciso criar outras estratégias. Allan L. Beane sugere o uso de uma caixa de bilhetes para o professor. Assim que receba a denúncia o professor deve atuar. Para mostrar aos alunos que a confiança depositada nele é merecida. Isto implica comunicar qualquer incidente ao diretor de turma e estar preparado para o que se segue.

Em casos extremos o professor deve também reportar o caso à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco ou às autoridades. Mediante a gravidade dos casos, Bárbara Wong lembra que “os professores devem recorrer à polícia, sobretudo quando existe o programa Escola Segura e os agentes trabalham com as escolas”. E apela a que ninguém tenha medo de se envolver em denúncias. Até porque “tanto é agressor o que bate como o que assiste”, conclui.

Violência Juvenil e Bullying na Escola – Debate na Escola EB2,3 Mário de Sá Carneiro, em Camarate, 9 de Fevereiro(18.30)

Fevereiro 8, 2018 às 4:34 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.cm-loures.pt/Conteudo.aspx?DisplayId=3836

Sessão (Cyber)Bullying – Identificar e prevenir – 9 novembro Escola Básica Galopim de Carvalho em Évora

Novembro 8, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A sessão tem entrada livre mas é necessária inscrição que deve ser efetuada através do email, vidasativas@appcdm-evora.org.pt  ou através dos números, 266747155 e 961366778.

Bullying em contexto escolar – Palestra com Luís Fernandes na Escola Secundária Júlio Dantas (Lagos), 26 de outubro

Outubro 20, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/Associa%C3%A7%C3%A3o-de-Pais-Ag-Escolas-J%C3%BAlio-Dantas-1395732094022781/

 

Bullying na Primeira Pessoa – 9 de junho Auditório do ISMAT em Portimão

Junho 7, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://www.facebook.com/aeismat/

http://www.ismat.pt/pt/

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