Como explicar a uma criança a importância das medidas de distanciamento social e isolamento? Ordem dos Psicólogos

Maio 28, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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COVID – 19 : Recomendações para pais divorciados ou separados: responsabilidade parentais. Ordem dos Psicólogos

Maio 20, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Acordar às 8:30, brincar às 11:15, dormir às 20:30. A sugestão da DGS para crianças até aos 5 anos

Maio 7, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 27 de abril de 2020.

Catarina Reis

Enquanto os pais aguardam a decisão do governo sobre a reabertura ou não das creches, a Direção-Geral da Saúde (DGS) lançou um plano semanal de atividades que as crianças podem fazer com a família e também de forma autónoma.

Em tempos de pandemia, “é fundamental” não esquecer “a organização de uma rotina diária que responda às necessidades de todos”. Por isso, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elaborou um calendário semanal de sugestão para os pais de crianças até aos cinco anos. Uma iniciativa em parceria com a Ordem dos Psicólogos Portugueses.

A fórmula é simples: as famílias devem procurar o equilíbrio entre “os momentos de trabalho e de lazer, de interação e autonomia e que garanta tempo para si próprio”. O dia pode arrancar até às 8:30 para, depois do devido pequeno-almoço, a família reunir-se para uma atividades conjunta, entre as 9:00 e as 10:00.

Depois, há tempo para uma atividade autónoma – à falta de ideias, a DGS reúne um conjunto de sugestões no seu site. Às 11:15, a criança deve brincar livremente, fazer uma sesta às 13:45, brincar de novo (sozinha e acompanhada da família) até às 18:30, para adormecer entre as 20:30 e as 21:30.

Depois de anunciado o primeiro dia de sugestões na página de Facebook da DGS, não tardou até que chegassem as primeiras críticas de encarregados de educação. Alertam para a dificuldade de manter uma rotina com as crianças desta idade, principalmente quando os responsáveis têm de responder ao teletrabalho.

No entanto, a DGS lembra, na sua página oficial, que este é apenas um conjunto de recomendações e o modelo “deve ser sempre adaptado às características e realidade específica de cada família”. O importante, lê-se, é que seja garantida “a estabilidade e a previsibilidade”, fatores “essenciais para o equilíbrio emocional das crianças, sobretudo das mais pequenas”.

O calendário sugerido pela Direção-Geral da Saúde, lançado oficialmente cerca de um mês após a chegada da pandemia a Portugal, foi divulgado esta segunda-feira nas redes sociais, um dia depois de ser avançada a possibilidade de reabertura das creches já no dia 1 de junho

Em tempos de covid-19, isolamento pode aumentar casos de cyberbullying, alertam psicólogos

Abril 21, 2020 às 5:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de abril de 2020.

No Dia Nacional de Sensibilização para o Cyberbullying, a Ordem dos Psicólogos Portugueses lança recomendações para jovens e pais.

Hugo Moreira

O período de isolamento obriga os mais jovens a utilizar com maior frequência a Internet para trabalhos escolares, entretenimento e socialização. Embora o mundo digital permita quebrar algumas barreiras físicas, acarreta também riscos. “Com o aumento da presença dos ecrãs, a tendência é para que aumentem os casos de cyberbullying”, alerta Raquel Raimundo, presidente da Delegação Regional do Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses, acrescentando que, em tempos de confinamento, verifica-se um aumento de casos e a “passagem de situações de bullying presencial para cyberbullying”. “A distância não tem inibido essas práticas”, remata a psicóloga, “antes pelo contrário”.

No Dia Nacional de Sensibilização para o Cyberbullying, a Ordem de Psicólogos Portugueses (OPP) ajuda a explicar aos jovens, pais e professores quais os perigos a enfrentar e lança recomendações para uma maior segurança online.

O que é o cyberbullying?

Da adaptação do bullying às novas tecnologias, surge o cyberbullying, descrito pela OPP como “o uso da tecnologia para assediar, ameaçar, provocar ou embaraçar alguém de forma repetitiva e intencional”. Particularmente nefasto pela dificuldade em encontrar quem o pratica e do facto das barreiras físicas não se aplicarem, traduz-se, por exemplo, em “enviar mensagens cruéis, fazer um post insultando alguém, criar uma página falsa ou publicar uma imagem ou um vídeo desrespeitoso nas redes sociais”. Isto significa que “um cyberbullie pode incomodar alguém 24 horas por dia, garantindo que nenhum lugar (nem a casa) é seguro, humilhando alguém perante centenas de testemunhas e sem sequer revelar a sua verdadeira identidade”, lembram os psicólogos.

O problema pode afectar qualquer um: “a própria Unicef, que se normalmente vemos dedicada a outas questões, publicou um estudo no ano passado em que refere que um terço das crianças de cerca de 30 países já foi vítima destas agressões”, lembra Raquel Raimundo.

cyberbullying não deve ser tomado de ânimo leve pelos pais, cuidadores e professores. A OPP lembra que as vítimas podem “desenvolver problemas de saúde psicológica, como a ansiedade e a depressão, tendo sido reportados em situações limite casos de suicídio”. Assim, é fundamental que estes adultos “conheçam e se envolvam no mundo digital”, percebendo que “a partir do momento em que a criança ou adolescente tem um telemóvel/computador/tablet está em risco”.

Recomendações para maior segurança online

A consciencialização dos riscos associados à Internet é a primeira recomendação deixada por Raquel Raimundo. A maioria dos conselhos deve ser tido em conta não só por jovens, mas também por todos os utilizadores da Internet em geral. Não divulgar passwords, não abrir mensagens não identificadas ou não fazer log-out das contas, sobretudo em dispositivos partilhados, são algumas das formas de minimizar riscos online.

Aos jovens é também recomendado que pensem bem antes de fazerem publicações. “Pensa que quem te quiser ferir ou prejudicar pode usar essas imagens para te chantagear ou humilhar”, lembra a OPP. Pesquisar o próprio nome num motor de busca pode ajudar a revelar conteúdos que os utilizadores não se recordem que tinham online, exemplifica Raquel Raimundo.

Numa primeira instância, o guia lembra aos pais que ensinar os mais jovens a lidar com situações problemáticas e superar obstáculos pode ajudar as vítimas a lidarem melhor com a situação, fazer com que as testemunhas denunciem os casos ou até diminuir o número de potenciais agressores por não sentirem a necessidade de “descarregar nos outros”. Aos pais e cuidadores recomenda-se também que aproveitem as funcionalidades de segurança e privacidade dos dispositivos e redes sociais. Por outro lado, os diálogos frequentes e o respeito pela privacidade dos mais jovens ajudam a não haver quebra de confiança.

Ainda assim, a OPP alerta que “a maior parte das crianças e adolescentes vítimas de cyberbullying não denuncia a situação” por medo ou embaraço. E enumera alguns sinais de alerta, como:

  • Mostrar-se aborrecido ou perturbado durante ou após a utilização do telemóvel/computador/tablet;
  • Mostrar-se triste, ansioso, preocupado ou alheado da realidade;
  • Fazer da sua vida digital um segredo ou tentar protegê-la a todo o custo;
  • Minimizar “janelas” na presença do adulto, pedir ajuda para eliminar contas ou bloquear amigos;
  • Isolar-se e evitar a família, os amigos ou as actividades habituais;
  • Recusar assistir às aulas à distância ou participar em situações de grupo;
  • Diminuição do rendimento escolar ou aparente aumento do número de horas de estudo, sem grandes melhorias de resultados;
  • Mostrar-se zangado e descontrolado;
  • Mudanças de humor, comportamento, sono ou apetite, sem justificação aparente;
  • Parar de usar o telemóvel/computador/tablet;
  • Mostrar-se nervoso e ansioso sempre que surge uma nova mensagem;
  • Evitar discussões sobre o uso do telemóvel/computador/tablet.
  • O que fazer em casos de cyberbullying

Ignorar, caso seja um incidente isolado, pode ajudar a não estimular o agressor. Contudo, caso seja persistente, a OPP sugere que a situação seja denunciada: “O teu silêncio pode permitir ao cyberbullie tornar-se cada vez mais violento.” Se o bloqueio e a denúncia através dos sistemas instaurados pelas diversas redes sociais não funcionar, deve-se recolher provas através de capturas de ecrã ou fotografias e, caso se suspeite o risco da segurança, devem ser contactadas as autoridades. Os psicólogos lembram que a ajuda de colegas pode ser essencial na denuncia de casos e apoio às vítimas destes ataques.

Já os pais devem levar as ameaças a sério, mas tentar controlar as emoções e evitar reagir de forma impulsiva. É essencial garantir ao jovem que a culpa não é dele e lembrar que pode acontecer a qualquer pessoa, afirma o guia. Também os pais devem ajudar a recolher provas e pedir a colaboração da escola, pois o agressor e a vítima podem frequentar a mesma, ou das autoridades. Há também instituições, como a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, que dispõem de linhas de apoio específicas para casos destes.

E se o jovem for um cyberbullie?

“Há a tendência para pensar que os agressores são sempre os filhos dos outros”, assume a psicóloga Raquel Raimundo. No entanto, é preciso assumir o problema e perceber que “é o comportamento que é reprovável e é sobre ele que se deve agir, não sobre a criança”. É importante perceber o que desencadeou esses comportamentos e discutir com o jovem o impacto negativo que tem.

Os pais, nestas circunstâncias, devem definir “controlos parentais rígidos em todas as plataformas digitais” e recordar que “o uso das plataformas digitais é um privilégio”. Além disso, devem partilhar as suas preocupações com a escola ou com profissionais como os psicólogos.

Professores são fundamentais na prevenção

Os professores podem estar na linha da frente no combate ao cyberbullying e devem manter-se atentos a sinais de alarme e adoptar estratégias de prevenção. Sobretudo em altura de isolamento, os docentes devem promover a discussão do tema.

“O professor não deve demitir-se do seu papel, adoptando uma política clara e inequívoca de que este tipo de comportamento não será tolerado, dentro ou fora do período de isolamento”, recorda o documento da OPP.

Prestar atenção às interacções entre os alunos e intervir directamente nos casos de agressão, procurando ajuda do psicólogo escolar ou membros da direcção da escola são outras das recomendações dadas aos docentes.

O Instituto de Apoio à Criança pode ajudar com:

Linha SOS-Criança 116111

Whatsapp 913069404

CHAT: http://soscrianca.ajudaonline.com.pt

Estudar em tempo de pandemia : Guia para pais e cuidadores – Ordem dos Psicólogos

Abril 21, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Ajudar as Crianças a lidar com o stress durante o surto de COVID19

Março 19, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/p/covid19

original da WHO:

https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/mental-health-considerations.pdf?sfvrsn=6d3578af_8

Como lidar com uma situação de isolamento (e com crianças)

Março 19, 2020 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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doc_covid_19_opp

Vamos lá falar a sério sobre Constelações Familiares

Janeiro 22, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no Público de 15 de janeiro de 2020.

Estão disponíveis numerosos livros e artigos que nos reafirmam a eficácia desta abordagem. No entanto, baseiam-se apenas em estudos de caso e estatísticas publicadas pelos próprios tribunais. Ou seja, falamos de casos avaliados de uma forma totalmente subjectiva sem qualquer rigor metodológico.

O tema das Constelações Familiares (CF) tem suscitado acesas discussões, especialmente após o parecer da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) ter afirmado de forma clara que as CF não constituem um modelo terapêutico reconhecido pela ciência psicológica, na medida em que não apresentam enquadramento científico, teórico ou académico e, ainda, que se desconhece a forma como se avalia a sua eficácia, pelo que acabam por ser uma ameaça ao bem-estar das pessoas.

Em Portugal, a utilização desta abordagem ocorre em diversos contextos, nomeadamente no âmbito de processo judiciais sobre o exercício das responsabilidades parentais. Existem tribunais de família e menores que encaminham de forma directa as famílias para esta abordagem, o que motivou a OPP a pronunciar-se junto do Conselho Superior da Magistratura e da Procuradoria-Geral da República, reforçando a sua posição. Os tribunais em causa, por sua vez, mantêm a sua prática inalterada.

Face ao exposto, procedeu-se a uma exaustiva revisão de literatura com o objectivo de conhecer o estado da arte desta abordagem.

O que são as CF?

Esta abordagem foi criada pelo filósofo alemão Bert Hellinger, nascido em 1925 e que, ao longo da sua vida, foi desenvolvendo aquilo a que chamou de “pensamento sistémico”, na medida em que envolve todos os membros de um sistema (familiar ou profissional). Esta abordagem enfatiza o papel das emoções e das energias que envolvem o nosso inconsciente e a forma como estas interferem nas nossas decisões, procurando aceder-se à “consciência sistémica” do indivíduo. Para o autor, os sistemas apresentam três necessidades específicas, “As três leis das ordens do amor”:

  1. a) Lei do Pertencimento: cada ser humano tem necessidade de ser reconhecido como membro integrante e ninguém pode ser excluído do seu sistema. Quando ocorre essa exclusão, surge um “desequilíbrio” e essa situação pode ser transmitida a um descendente, mesmo que este não possua qualquer conhecimento dessa exclusão. Este acaba por ocupar um lugar que não é o seu e pode apresentar doenças, alterações de comportamento, relações conflituosas ou mesmo suicídio.
  2. b) Lei da Hierarquia: diz respeito à posição que cada elemento ocupa no sistema. Existe uma prioridade dos mais antigos sobre os mais novos e, quando uma pessoa está fora do seu lugar, desobedecendo a esta lei, a “consciência colectiva” pede reorganização. Surgem as distorções nas relações, com sofrimento nos vários elementos da família.
  3. c) Lei da Compensação: sempre que uma pessoa tem um gesto positivo com outra, esta tem necessidade de retribuir, tentando compensar com um gesto um pouco maior –criando-se um ciclo nas relações sistémicas. Quando é um gesto negativo o ciclo repete-se, causando desadequação nas relações. Para que se quebre este ciclo, a proporção do mal recebido deve ocorrer em menor proporção ou deve ser retribuído com um gesto positivo.

O autor salienta ainda o conceito de “destino”, que mantém os elementos integrantes dos sistemas presos e conectados uns aos outros, mesmo sem que esses elementos saibam o motivo dessa ligação.

Como se realiza uma sessão de CF?

As CF podem ser utilizadas em diversos contextos. Envolvem diferentes actores, nomeadamente, o indivíduo (constelado), o facilitador (constelador) e bonecos, objectos ou imagens que representam os sistemas do indivíduo. Quando a abordagem ocorre em grupo, a dinâmica funciona com representações, onde os diversos participantes representam as pessoas dos sistemas do constelado. A representação é entendida como uma conexão profunda proporcionada por uma força que guia todos de forma conjunta, a ‘grande alma’ (consciência da existência individual, colectiva e cósmica).

Os representantes vivenciam uma experiência fenomenológica e sentem fisicamente as sensações e movimentos que acabam por expressar as forças ocultas que influenciam o sistema (“movimentos da alma”). O constelador acede, assim, ao campo do constelado, onde existem memórias vividas por ele e pelos seus antepassados, conscientes e inconscientes. Os representantes começam a sentir o que se passa no inconsciente do constelado e percebem nos próprios corpos emoções, dores, tonturas… o constelador visualiza as informações ocultas do sistema e começa a reorganizá-lo. Coloca os representantes em novas posições e procura um novo equilíbrio no sistema. O constelado, que observa a dinâmica de fora, tem uma visão mais clara dos emaranhamentos familiares e de como estes podem ser resolvidos.

As CF e o Direito

A aplicação desta abordagem nos tribunais teve início em 2004 com o juiz brasileiro Sami Storch, que introduziu o termo “direito sistémico”, procurando ajudar os casais a encontrar uma verdadeira solução para os seus problemas. Esta implica aceitar a separação como um destino, conduzida por forças inconscientes. Entende-se que a aceitação gera paz e esta facilita os acordos parentais. As CF são também utilizadas para reconciliar agressores e vítimas (p. ex., situações de abuso sexual e violência), partindo-se do pressuposto de que estão ambos ao mesmo nível. De acordo com estes pressupostos, os agressores acabam por ser desresponsabilizados e as vítimas co-responsabilizadas.

Que evidências existem sobre a eficácia das CF?

Estão disponíveis numerosos livros e artigos que nos reafirmam a eficácia desta abordagem. No entanto, baseiam-se apenas em estudos de caso e estatísticas publicadas pelos próprios tribunais. Ou seja, falamos de casos avaliados de uma forma totalmente subjectiva sem qualquer rigor metodológico.

Em 2011, Hunger e colaboradores realizaram uma revisão de literatura com a análise de mais de 100 publicações e verificaram a ausência de evidências que permitissem validar as CF. Salientam ainda a falta de teorização científica por parte de Hellinger, que se baseia essencialmente em ideias filosóficas e religiosas. Em 2014, publicaram o primeiro estudo de avaliação de impacto das CF a curto prazo, com uma amostra de participantes que foram avaliados no momento inicial e em dois momentos posteriores, com recurso a um questionário criado para o efeito. Os resultados deste primeiro estudo indicam melhoria nas dimensões que o questionário avalia. No entanto, este estudo encerra inúmeras limitações, que os autores reconhecem: a inexistência de um grupo de controlo, o facto de não terem sido controladas diversas variáveis e a ausência de medidas observacionais. Questionamos, ainda, a validade do referido questionário.

Em 2015, os mesmos autores replicaram este estudo, avaliando os participantes a médio e longo prazo (oito e 12 meses após a frequência dos seminários de CF). Os resultados mostram que apenas 1% dos participantes evidenciou mudanças positivas significativas. A maioria dos sujeitos não manifestou qualquer mudança e 5 a 6% mudaram numa direcção tida por negativa. À semelhança do estudo anterior, também este apresenta numerosas limitações, que os autores apontam.

Em 2019, dois autores portugueses publicaram um artigo que teve por base um estudo de caso, com uma participante psicóloga e consteladora. A participante foi avaliada em diferentes momentos ao longo do tempo (com instrumentos que, sendo psicóloga, conhecia seguramente), observando-se uma evolução positiva e diminuição dos seus sintomas depressivos. Ao mesmo tempo, é referido que a participante estava medicada com ansiolítico e praticava reiki, entendendo os autores, no entanto, que a evolução positiva pode ser atribuída apenas às CF. Com que fundamento? Naturalmente estes resultados são bastante questionáveis e não podem, de forma alguma, ser generalizados.

Conclui-se que os estudos publicados até à data não permitem validar a eficácia desta intervenção. Neste contexto, pensamos ser necessário reflectir sobre alguns aspectos.

Em primeiro lugar, qualquer pessoa pode decidir aplicar esta abordagem. Não o poderá fazer, no entanto, alegando tratar-se de uma prática reconhecida pela ciência psicológica (ver Código Deontológico da OPP).

Em segundo lugar, questionamos se cabe ao tribunal decidir qual a abordagem terapêutica a ser oferecida a uma família. Pronuncia-se o tribunal sobre a medicação que um médico deverá administrar? Entendemos que o tribunal pode e deve articular-se com os serviços da comunidade, mas privilegiando apenas os que oferecem práticas reconhecidas pelas respectivas ordens profissionais.

Em terceiro lugar, o conflito familiar e a violência são situações de especial vulnerabilidade, pelo que as pessoas devem ser devidamente informadas sobre aquilo que lhes está a ser proposto. Para que o seu consentimento seja realmente informado. Os advogados representam aqui um papel de máxima importância, na medida em que se assumem como figuras de confiança das famílias e as devem ajudar no processo de tomada de decisão.

Toda e qualquer prática deve pautar-se pelo respeito pela dignidade e direitos da pessoa, evitando qualquer tipo de intervenção que a possa prejudicar, quer por acção, quer por omissão. Ao encaminhar as famílias para uma abordagem de CF, em detrimento de outras devidamente validadas, não estará o sistema profissional a ameaçar de forma significativa o bem-estar das pessoas?

Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicoterapia e Psicologia da Justiça; docente e investigadora no ISCTE-IUL

Parentalidade na Era Digital : Orientação parental para a proteção online de crianças contra a exploração sexual e o abuso sexual

Fevereiro 22, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Encontro “A Audição da Criança” com a participação de Isabel Porto do IAC, 23 de março em Lisboa

Março 22, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Isabel Porto do Projecto Rua do Instituto de Apoio à Criança irá participar com a comunicação “”A boa vontade não é suficiente… “.

mais informações no link:

https://www.encontroaudicaocrianca.com/

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