INDISCIPLINA: Atitudes que favorecem a relação com os alunos

Agosto 4, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site https://www.soescola.com/ de 17 de abril de 2017.

A indisciplina é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos educadores para desenvolverem o trabalho pedagógico.

Os conflitos em sala de aula caracterizam-se pelo descumprimento de ordens e pela falta de limites como, por exemplo: falar durante as aulas o tempo todo, não levar material necessário, ficar em pé, interromper o professor, gritar, andar pela sala, jogar papeizinhos nos colegas e no professor, dentre outras atitudes que impedem os docentes de ministrar aulas de qualidade.

INDISCIPLINA: O QUE FAZER?

Pensando nisso listei algumas atitudes que podem favorecer essa relação entre professor e aluno.

VEJA ALGUMAS DICAS:

1. Planejar e programar bem as aulas. Não confiar na improvisação.

2. Manter sempre os alunos ocupados porque nada favorece tanto a indisciplina como não ter nada que fazer.

3. Evitar centrar-se num aluno, pois os outros ficarão entregues a si mesmos.

4. Evitar os privilégios na aula. A escola deve ser um lugar de combate aos privilégios.

5. Não fazer alarde de rigor. Quando for necessário corrigir, fazê-lo com naturalidade e segurança.

6. Não falar de assuntos estranhos à aula.

7. Aproximar-se dos alunos de modo amigável, tanto dentro como fora da escola.

8. Estar a par dos problemas particulares dos alunos para poder ajudá-los quando necessário.

9. Se tiver de fazer uma correção (intervenção), que esta seja firme, mas que nunca ultrapasse a linha do amor próprio e seja de preferência em privado.

10. Procurar um ambiente cordial, tranquilo e sereno.

11. Ser coerente e não justificar as incoerências. Quando houver alguma incoerência o melhor é reconhecê-la e honestamente retificá-la.

12. Se se aplica um castigo deve ser mantido e cumprido, a não ser que haja um grande equívoco que justifique uma mudança de atitude.

13. Não se deve castigar sem explicar clara e explicitamente o motivo do castigo.

14. Não agir em momentos de ira e descontrole.

15. Evitar ameaças que depois não possam ser cumpridas, pois isso tira prestígio ao professor.

16. Os alunos monitores devem colaborar na disciplina da aula.

17. Há que ser pródigo em estímulos e reconhecimentos de tudo o que de bom faça o aluno, embora sem exageros ou formas que pareçam insinceras.

18. Evitar castigar todos aos alunos por culpa de um só, a não ser que existam implicações gerais.

19. Evitar atitudes de ironia e sarcasmo.

20. Ser sincero e franco com os alunos.

21. Saber dar algo aos alunos, não pedir-lhes sempre.

 

Manual do Professor : Não São Apenas Números : Jogo de Ferramentas Educacional sobre Migração e Asilo na Europa + DVD

Março 25, 2016 às 6:00 am | Publicado em Recursos educativos, Site ou blogue recomendado, Vídeos | Deixe um comentário
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manualdescarregar o manual no link:

http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Projetos/Agenda_Europeia_Migracoes/Documentos/manual_professor_completo.pdf

Não São Apenas Números é um jogo de ferramentas sobre migração e asilo na União Europeia concebido para ajudar os professores e outros educadores a envolver os jovens em discussões informadas sobre este assunto. É adequado para jovens com idades compreendidas entre 12 e 18 anos.

A importância social e política das questões relacionadas com migração e asilo tem crescido constantemente nas duas últimas décadas, no decurso das quais o mundo testemunhou um aumento do movimento dos migrantes, requerentes de asilo e refugiados. Ao mesmo tempo, continuam a surgir problemas de discriminação, xenofobia e racismo, causando muitas vezes tensões nas comunidades.

À medida que as sociedades europeias se tornam mais multiculturais é essencial tomar consciência dos principais motivos que incitam ou obrigam as pessoas a deixarem os seus países. A compreensão deste fenómeno pode ajudar a promover o respeito pela diversidade e encorajar a coesão social. Em particular, é necessário divulgar mais informação aos jovens, que são os decisores políticos de amanhã, mas cujas opiniões sobre migração e asilo nem sempre se baseiam em informações factuais e objetivas.

Por este motivo, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) associaram-se para desenvolverem e divulgarem este novo jogo de ferramentas de ensino que visa encorajar o debate aberto e informado sobre estas questões importantes e complexas.

Este jogo de ferramentas proporciona aos jovens a oportunidade de perceberem que por trás de cada estatística anónima relacionada com a migração e o asilo existe um rosto humano e uma história pessoal.

Materiais contidos no DVD

Retratos:

1 – Rean (refugiada) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/REAN-PT.wmv

2 – Adelina (refugiada) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/ADELINA-PT.wmv

3 – Doré (jovem migrante) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/DORE-PT.wmv

4 – Tino (migrante do pós 2.ª Guerra Mundial) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/TINO-PT.wmv

5 – Alfredo e Veronica (trabalhadores migrantes altamente qualificados) Hiperligação: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/ALFREDO-VERONICA-PT.wmv

Hiperligações para as fotografias: https://www.iom.int/jahia/webdav/shared/shared/mainsite/activities/facilitating/photo1_lg.jpg

https://www.iom.int/jahia/webdav/shared/shared/mainsite/activities/facilitating/photo2_lg.jpg

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https://www.iom.int/jahia/webdav/shared/shared/mainsite/activities/facilitating/photo7_lg.jpg

Exercício sobre auxílio à imigração irregular: http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD6/PT/REAN-EX-PT.wmv

Exercício dos media (Vídeo com 2 min sem comentários mostrando a chegada de migrantes e refugiados por barco): http://www.unhcr.org/numbers-toolkit/DVD1/mediaexercice.wmv

 

mais recursos educativos sobre migrações e refugiados no link:

http://www.dge.mec.pt/agenda-europeia-para-migracoes

Como o professor pode ajudar crianças tímidas?

Dezembro 29, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://naescola.eduqa.me

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Toda sala de aula conta com um punhado de crianças agitadas, algumas desobedientes, que apresentam relutância em seguir as regras. Toda sala contém, também, outras crianças, essas pertencentes a um segundo grupo, o dos “quietinhos”. Os quietinhos falam menos e em voz mais baixa, obedecem sem pestanejar e costumam ser elogiados nas reuniões com os pais.

Muito bom, certo? Dentre eles, porém, é possível que haja crianças com sérios problemas relacionados à timidez e que podem acabar negligenciadas. Afinal, quem demanda mais atenção do professor? Normalmente, os bagunceiros recebem intervenções frequentes, em detrimento daqueles que “não dão trabalho”.

O que é a timidez – e como identificá-la?

A timidez é um traço de personalidade como qualquer outro e, em doses moderadas, não prejudica o desenvolvimento da criança nem é considerada doença. É o caso de crianças que possuem amigos e conseguem se adaptar ao ambiente escolar (ou festas infantis, eventos familiares, etc.), mesmo sendo discretas, retraídas.

Já quando a introspecção traz sofrimento para a criança, é necessário observar e intervir. Esses são sinais aos quais se deve ficar atento:

Ela evita passeios, excursões e outras situações de interação social que deveriam ser prazerosas?

Procura se manter isolada e brinca sozinha constantemente?

Sai correndo ou esconde-se diante de estranhos ou grandes grupos de pessoas?

Tem baixo rendimento escolar por não conseguir interagir com colegas ou professores (realizar atividades em grupo, participar de rodas de conversa)?

Crianças tímidas têm baixa autoestima e acreditam que estão sendo avaliadas o tempo todo. Seu medo é de não atingir as expectativas dos colegas, por isso, elas se preocupam excessivamente com o que dizer, como agir, o que vestir, como se comportar.

Quando se sentem expostas, essas crianças apresentam alguns sintomas:

Suor;

Palmas das mãos geladas;

Frio na barriga ou enjoo;

Batimentos cardíacos acelerados;

Gagueira ou inabilidade de falar;

Angústia e nervosismo.

O que causa (ou agrava) a timidez?

A princípio, a timidez, assim como a extroversão, é um traço genético – mas o ambiente tem um papel relevante em apaziguá-la ou estimulá-la. O meio familiar influencia muito no comportamento da criança: pais tímidos, que evitam situações sociais ou são pouco comunicativos, transmitem essa inibição para os filhos (além de proporcionarem menos oportunidades para que eles a superem, afinal, também querem evitar grandes grupos).

O mesmo acontece quando a família age de forma superprotetora, privando a criança de experiências e relacionamentos externos. Adultos que agem como se o mundo fosse um perigo constante para a criança acabam deixando-a insegura e retraída.

Ambientes agressivos ou instáveis também pode ocasionar uma timidez excessiva.

Como o professor pode ajudar?

Em primeiro lugar, é importante que o professor não exponha a criança a situações que causem constrangimento para ela. Obrigar uma criança tímida a escrever no quadro-negro ou ler um texto, sozinha, diante dos colegas, pode ser traumático. O acompanhamento deve ser feito gradualmente, inserindo-a em contextos amigáveis em que ela se sinta segura para colaborar.

  • Fortaleça o laço entre o professor e a criança tímida: converse com ela em particular para descobrir seus interesses e incentivar o diálogo. Ela precisa de ajuda para aprender a se expressar, portanto, demonstre interesse, elogie e faça perguntas. Em sala de aula, o aluno inibido pode se sentar perto do professor, para que consiga falar sem precisar gritar ou se levantar (e, consequentemente, sem atrair muita atenção para si).
  • Ensine sobre convivência e interação social: projetos que trabalhem o respeito, a colaboração e o diálogo vão criar um ambiente seguro na escola. Comece do básico, praticando pequenos gestos que gostaria de inserir na rotina – olhar nos olhos do outro ao falar, sorrir, pedir “por favor” e “com licença”, agradecer, oferecer ajuda aos colegas e professores.
  • Crie situações de trabalho em pequenos grupos: organize a turma em duplas ou trios para criar situações de interação entre as crianças. O mais indicado é que o professor defina os grupos com antecedência, assim, não há risco de uma criança não ser escolhida pelos seus pares. Colocar duas crianças tímidas juntas pode ser uma forma não ameaçadora de começar, afinal, nenhuma das duas terá todo o protagonismo durante a atividade. Contudo, uma criança tímida e outra, extrovertida, com certeza também vão se beneficiar muito do relacionamento (nesse caso, procure pensar em assuntos que interessam ao tímido, para que ele sinta que pode contribuir com a equipe).
  • Descubra os interesses da criança tímida e explore-os em sala: ela gosta de insetos? Aviões? Construir castelos com blocos de montar? Pintura com tinta guache? Falar sobre dinossauros? Encontre tópicos que sejam do interesse da criança tímida para que ela tenha um incentivo a mais para participar da aula.
  • Faça combinados: Quando a criança não quiser participar de uma atividade, tente chegar a um meio termo. Talvez ela não esteja preparada para cantar no palco em uma apresentação, mas será que não gostaria de tocar um pandeiro para acompanhar a canção? Ler para os colegas, em pé, em frente à classe, não pode ser substituído por ler apenas algumas linhas sem se levantar?

Oriente a família da criança

Se for o caso, marque reuniões com os pais e ajude-os a traçar um plano para superar a timidez. Encoraje-os a participar de eventos da escola (como festa junina ou apresentação de Natal) e sugira que convidem alguns coleguinhas do filho para brincar nos finais de semana.

Os primeiros encontros podem ser breves, de apenas algumas horas – assistir a um desenho animado, cozinhar algo gostoso, passar a tarde na piscina, ir ao parque – e uma só criança pode ser convidada. Mais adiante, eles podem experimentar visitas mais longas, como dormir na casa do amigo ou viajar por alguns dias.

Outras atividades, como teatro, coral, dança e esportes em equipe também são excelentes para fortalecer os vínculos entre as crianças e cultivar a autoestima da criança tímida.

 

 

 

 

 

O bom aluno – as razões do sucesso finlandês

Julho 7, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Expresso de 28 de junho de 2015.

Jussi helttunen

Isabel Leiria

No país onde só há exames no fim do secundário e os estudantes passam menos tempo nas aulas do que os portugueses,  os bons resultados impressionam o mundo. 
O Expresso foi conhecer as razões do sucesso finlandês .

A primeira tarefa do dia não é a mais óbvia. A ordem é para desarrumar a sala de aula, arrastar as carteiras para junto das paredes e dos armários e deixar espaço livre ao meio para que os alunos possam sentar-se ou deitar-se no chão, a escolha é deles, e escreverem em pequenas folhas de papel todas as palavras que associam ao mar. “Podia mandá-los um a um ao quadro, escrever e apontar, mas assim é mais dinâmico”, explica a professora do 3º ano. Dispostos em círculo, os 19 alunos, de meias ou apenas de crocs nos pés, vão escrevendo as palavras, para a seguir as agruparem em nomes, adjetivos, verbos.

Da sala de aula para a sala dos professores, é um curto caminho feito por um corredor silencioso. Lá dentro, está apenas o diretor, 43 anos, ténis All Star vermelhos e camisa de xadrez por fora das calças. Chegou há um ano à escola, frequentada por 200 alunos. Oferece o café possível, explicando que “café bom numa sala de professores é algo que não existe”. E fala dos planos que tem para o próximo ano letivo, quando o novo currículo nacional do ensino básico entrar em vigor e todas as escolas terão de dedicar parte do tempo, pode ser um período ou um ano inteiro, a ensinar de uma nova maneira.

Nesse tempo, não haverá uma hora para aprender Matemática, outra para a língua, outra para Ciências da Natureza. Os conhecimentos serão passados e trabalhados de forma integrada. E os estudantes trabalharão em grupo, em projetos que terão de envolver vários professores. “Caberá a eles — docentes e também alunos, determinam as orientações — decidir que fenómeno ou tópico vão trabalhar”, explica. E atira um exemplo. “Chocolate. Há um mundo inteiro dentro de uma barra de chocolate e inúmeras coisas que podem ser estudadas. A produção, os transportes, o marketing, a educação para a saúde.”

Na sala do 3º ano, há já alguns anos que o método é experimentado pela professora. Na altura de aprender o espaço e as medidas, os alunos trocaram os manuais e cadernos de exercícios por réguas e foram para fora medir o recreio. Traçaram marcas e lançaram frisbees e bolas para ver quem atirava mais longe. “É uma forma de combinar a Educação Física com a Matemática.” Às quintas-feiras cozinhavam cupcakes, aprendiam vocabulário novo e treinavam conversões, de quilos para gramas, de quartos de litro para mililitros.“É assim que se deve aprender, porque é assim na vida real”, defende a professora.

São os últimos dias de mais um ano letivo e nas escolas não se sente ansiedade, stresse ou nervosismo. Os alunos não têm de se preocupar em estudar para os exames nacionais, porque não os há, pelo menos até chegarem ao final do liceu. Os professores não estão preocupados com escalas de vigilância e assoberbados em correções de testes. Dentro de pouco tempo, começarão a gozar a primeira de 16 semanas de férias. E o ano nem sequer foi particularmente duro nem para uns nem para outros, já que, dizem as estatísticas, são dos que menos tempo passam em aulas em toda a Europa.

No final, pasme-se, os resultados acabam por ser muito positivos. Tão positivos que há anos que geram a admiração e uma ponta de inveja dos outros países, alguns bem mais ricos e poderosos.

Por estas linhas, o leitor já se deve ter apercebido que esta não é uma reportagem sobre o sistema educativo português. Mas também não é uma ficção. Está a quilómetros de ambos. Esta história passa-se num país a 3500 km de distância de Lisboa, com 5,5 milhões de habitantes, sem ouro nem petróleo, e que em três décadas conseguiu passar de uma economia essencialmente rural para um país tecnologicamente avançado e uma referência na área da Educação. A tal ponto que gerou uma espécie de turismo educativo, com delegações internacionais e jornalistas — o Expresso fê-lo agora — a visitarem o país. Por isso, seja bem-vindo à Finlândia. Escolha uma cadeira. A aula vai começar.

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Lição nº 1: ninguém é melhor do que o outro

  As perguntas no enunciado são simples. Como é que os finlandeses fazem? A que se deve o sucesso dos alunos que, ano após ano, se destacam nos resultados dos testes internacionais? As respostas também. O problema é, digamos, copiá-las. Agora que surgiram notícias sobre a próxima grande reforma que o país está a preparar — a Finlândia vai acabar com o ensino por disciplinas, chegaram a escrever alguns jornais estrangeiros —, o mundo inteiro voltou a olhar para o Norte da Europa. Já lá vamos. Porque a história do milagre finlandês começa antes, nos anos 70, quando o país decidiu que devia apostar tudo na Educação. Foi ponto assente então e continua a sê-lo desde então.

Esta é a primeira lição: a Educação não é arma de arremesso político nem objeto de guerras partidárias. Depois de dez anos em vigor, os novos currículos nacionais para o básico e o secundário foram alvo de discussão e de debate entre autoridades centrais e locais, escolas, professores e especialistas, aprovados pelo anterior Governo, para serem aplicados em 2016 já pelo novo executivo de centro-direita, que resultou das eleições do passado mês de abril.

“Nós não somos ricos, não tempos petróleo. Os finlandeses acreditam que a Educação é a única forma de subir na vida. Tem sido essa a ferramenta para terem uma vida melhor e por isso é tão valorizada”, explica Pasi Silander, responsável pelo projeto E-Campus para a cidade de Helsínquia e que prevê, além da digitalização do ensino nas secundárias da capital, o desenvolvimento da aprendizagem por fenómenos em alternativa ao modelo clássico por disciplinas individuais. O modelo está já a ser testado em todos as escolas de Helsínquia que, pelo segundo ano, tiveram de definir o ensino dado no 5º período (o último antes das férias) segundo esta orientação.

“Também ajuda o facto de a sociedade ser muito homogénea, de as pessoas serem parecidas” e de partilharem uma convicção: todas as pessoas são iguais, devem ser tratadas da mesma forma e ter direito às mesmas oportunidades, independentemente da origem étnica, riqueza ou local onde vivem.

Equidade e igualdade são pois marcas impressas no ADN do sistema educativo finlandês. E são levadas a um ponto tal que há quem critique a escola por se preocupar muito com quem está a ficar para trás e pouco com quem é capaz de ir mais além. Os testes internacionais do PISA (a maior avaliação realizada na área da educação, conduzida trianualmente pela OCDE e que catapultou a educação finlandesa para o top mundial) mostram precisamente que há pouca variação de resultados entre alunos e entre escolas. E que a Finlândia é um dos países onde os resultados dos alunos de 15 anos menos dependem das condições socioeconómicas das famílias.

Não havendo fórmulas matemáticas que o demonstrem, é possível atirar hipóteses plausíveis. Como o facto de todas as escolas públicas, e quase todas o são na Finlândia, terem equipas de assistência ao estudante. É uma espécie de força de intervenção, que atua aos primeiros sinais de alarme, composta pelo diretor, um enfermeiro, um psicólogo, um assistente social, um orientador escolar e um professor do ensino especial. Nem todos os estabelecimentos do país têm uma equipa tão completa, mas todos os alunos têm direito a encontrar-se com estes especialistas numa base semanal.

As equipas de assistência ao estudante reúnem-se para discutir e identificar possíveis problemas com os alunos, sejam eles de comportamento, dificuldades de aprendizagem, suspeitas de bullying, etc, e decidir a melhor forma de os resolver. A ideia é simples: dar todo o apoio adicional que for preciso, antes que o problema se torne maior. E diga-se que não estamos a falar de uma pequena equipa para uma imensidão de alunos. Aqui, não há mega-agrupamentos como em Portugal, já que o número médio de estudantes por estabelecimento de ensino secundário, por exemplo, é de 250. A estratégia parece resultar. Não é verdade que não há chumbos na Finlândia. Mas também não é mentira que isso só aconteceu a 3,8% dos alunos de 15 anos, de acordo com a última edição do PISA, de 2012.

Este é um dos contrastes mais evidentes quando se põe em paralelo o sistema de ensino português. À mesma pergunta — alguma vez chumbou no seu percurso escolar até ao momento? — não foram 3,8% mas 34,3% os alunos a dizerem que sim. A média na OCDE ronda os 12%.

Perguntemos, então, a um português residente em Helsínquia, com quatro filhos no sistema de ensino, o que valoriza mais na Educação daquele país: “A qualidade e o facto de se preocuparem com os alunos. Há um endereço de e-mail para os pais e escolas comunicarem. Têm um psicólogo. Se um miúdo precisar de um tratamento dentário é garantido”, exemplifica André Capitão. “E também há a noção de que as crianças precisam de tempo para brincarem e que não têm de começar logo a aprender a ler e a escrever.” Na verdade, o 1º ano da escola começa na Finlândia aos sete e o chamado pré-escolar aos seis.

Se os recursos são invejáveis, os custos não o são menos. Todo o ensino, desde o pré-escolar até ao universitário, é gratuito, incluindo as refeições. Durante a escolaridade obrigatória (que é apenas de nove anos, apesar de a maioria dos jovens continuar a estudar, e não de 12 como em Portugal) os pais também não têm de pagar nem transportes nem os manuais escolares.

Por esta altura, o leitor poderá pensar que a Finlândia gastará rios de dinheiro para suportar um sistema destes. Mas o que os números mostram (relativos a 2011) é que há países a gastar bastante mais, como é o caso dos Estados Unidos ou da Suécia, e que têm apresentado piores resultados nos testes internacionais. Fazendo a comparação com Portugal, se um aluno da primária custa 8 mil dólares por ano na Finlândia, por cá o Estado despende 5800, lê-se no último relatório Education at a Glance (os valores estão já ajustados ao poder de comprar em cada país para tornar a comparação mais realista). Mas no caso do secundário, a diferença é bem menor (9800 dólares contra 8700). Na verdade, os valores não se afastam das médias da OCDE e da União Europeia, o que levanta a questão da eficácia com que o dinheiro é usado.

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Professor: uma carreira concorrida e prestigiada

  Saiamos da escola primária de Kotinummi, nos arredores de Helsínquia, e entremos numa outra sala de aula, na secundária de Kallio, agora no centro da capital. Não há toque de entrada e à hora marcada para o início da aula já se veem os alunos a trabalhar em grupos, todos virados para os computadores onde fazem os seus trabalhos. O ambiente é o mais informal que se possa imaginar. Há bonés na cabeça, telemóveis na mão e Niina Vänttä, a professora de Ciências Sociais que se apresenta sem manuais nem livros de ponto, mas apenas com um portátil debaixo de braço e que todos os estudantes tratam pelo nome próprio — o que se repete, aliás, de escola para escola.

Falta de consideração? Muito longe disso. Os alunos são os primeiros a reconhecer: “Os professores aqui são vistos como superautoridades, que todos respeitam. Se dizem para nos calarmos, nós calamo-nos. Claro que há uns melhores do que outros, mas todos estão muito bem preparados e ajudam-nos”, descreve Anna Tavaila, 19 anos.

À qualidade dos professores, Anna e as colegas de grupo somam outras razões que levaram o país a distinguir-se na Educação. “O ensino secundário não é obrigatório e todos estamos aqui porque queremos aprender. Os nossos pais e os nossos professores sempre nos disseram como a Educação é importante. Somos um país pequeno, mas que conseguiu resultados. Que tem orgulho na sua Educação e que quer mostrar isso ao mundo.”

No seu caso particular e de todos os finalistas do secundário há uma motivação adicional. Pela primeira vez vão fazer exames nacionais. Para concluir o 12º ano e que também serão tidos em conta na admissão ao ensino superior.

Se quiserem estudar para ser professores, por exemplo, sabem, que a competição é feroz. Ao contrário do que acontece por essa Europa fora, ser-se professor na Finlândia é altamente popular entre os jovens: o número de candidatos aos cursos de formação de professores tem aumentado nos últimos anos e apenas 10% dos que querem dar aulas no ensino básico conseguem entrar numa das oito universidades que têm estes cursos. Se em Portugal é difícil ser-se médico, na Finlândia, é difícil ser-se professor.

“É uma carreira prestigiada. Temos boas condições, bastantes férias e temos muita autonomia no nosso trabalho. Fazemos o nosso planeamento e definimos os nossos métodos de ensino”, explica Niina Vänttä.

Fique ainda a saber que um professor generalista do ensino básico (do 1º ao 6º ano há normalmente um docente e entre o 7º e o 9º é que estão divididos por disciplinas), ganhava em 2013 quase quatro mil euros. Um colega do secundário (10º ao 12º) recebia um pouco mais do que esse valor. Antes de pensar que gostaria de ser professor na Finlândia, não se esqueça de fazer contas ao custo de vida. Helsínquia, por exemplo, é uma das cidades mais caras do mundo. Olhando para as remunerações médias dos profissionais habilitados com um mestrado (formação mínima obrigatória para se dar aulas) no país, os professores finlandeses recebem abaixo. Comparando com os colegas europeus pode dizer-se que é uma profissão razoavelmente remunerada.

Quanto à colocação de professores, pense na forma como funciona em Portugal, com um concurso nacional que envolve dezenas de milhares de candidatos, colocados centralmente pelo Ministério da Educação através de uma lista única e concursos de escola intrincados capazes de paralisar um arranque normal de ano letivo. E agora pense num sistema bem mais simples, em que os diretores das escolas anunciam as vagas que têm e escolhem os docentes que querem. É assim na Finlândia. “Um diretor pode querer um professor muito bom em novas tecnologias ou alguém que domine uma nova pedagogia. Eles é que sabem o que precisam”, justifica Niina Vänttä.

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A escola do século XXI

  A aula continua a decorrer, mas não é Niina quem dá as ordens, apresenta a matéria ou perde tempo a mandar calar os alunos. Tal como nas outras secundárias da capital, o último período de aulas foi dedicado aos trabalhos em grupo. Em conjunto com o colega de Matemática, a professora de Ciências Sociais definiu um conjunto de exercícios que os estudantes teriam de realizar ao longo de sete semanas. “A ideia é não ser o professor a ensinar tudo. Dividi-os em grupos de cinco e são eles que têm de procurar as respostas. Uma vez por semana reunimo-nos e temos uma aula tradicional.”

Os alunos dizem que gostam, que é “mais fácil compreender assim a matéria, do que só de ouvido”, que são treinados a ser “mais independentes”, a ir “à procura de respostas”, descrevem Kerttu, Tanja, Anna, do grupo de raparigas que já concluiu todas as tarefas. Apontando para os monitores, explicam como foram respondendo a perguntas sobre a evolução dos salários e escrevendo textos a propósito da inflação, colocando-os depois no Google Drive, de forma a que professora e alunos conseguissem visualizar sempre os documentos e as correções.

É assim que estão à beira de completar mais duas das 75 cadeiras que têm de fazer no secundário, ao ritmo que entenderem (o ensino está desenhado para três anos, mas há quem se adiante e faça em pouco mais de dois e os que precisem de quatro). Mais de metade dos módulos são obrigatórios, mas os restantes são eles que escolhem. “Podemos decidir o que queremos estudar e isso é muito bom”, aponta Olli-Pekka, 18 anos.

No próximo ano, já com o novo currículo nacional em vigor, a integração irá mais longe, com os professores de Ciências Sociais, Inglês, Música e Artes a juntarem-se para dar parte das suas cadeiras, de forma integrada, através do módulo Café Musical. Cada grupo terá de criar uma ideia de negócio em torno de um café, pô-lo a funcionar, preocupando-se com todos os detalhes, desde a decoração à programação cultural. As receitas reverterão para os alunos.

“A sociedade mudou muito e os estudantes precisam de competências diferentes para quando forem trabalhar. No mundo real não existe a Matemática, a Biologia, a Química… Não existem disciplinas escolares, mas fenómenos complexos, aos quais não podemos dar resposta como se se fossem perguntas de escolha múltipla. Durante anos, essa foi uma boa forma de ensinar. Agora precisamos de algo diferente, de forma a garantir que estamos a formar estudantes com essas novas competências”, argumenta Pasi Silander, satisfeito com as experiências que têm sido feitas nas escolas de Helsínquia. “Ao princípio todos diziam: nem pensar que os professores do secundário vão conseguir articular-se e trabalhar juntos. Agora estão a fazê-lo.”

Na primária de Siltamäki, com 240 alunos e 17 professores, é visível o espírito de colaboração entre todos e o orgulho de trabalhar numa escola que está muito à frente na forma como utiliza as novas tecnologias ao serviço da educação. Por todo o lado veem-se computadores, tablets e quadros inteligentes, há uma sala stresse free, onde a música que sai dos altifalantes faz lembrar o som ambiente de um spa. E que contrasta com outra ali perto, onde miúdos do 3º ano manuseiam freneticamente o rato para movimentar e colocar blocos na versão educativa do Minecraft, um sucesso de vendas no mundo dos jogos para PC.

Parece um intervalo, mas é na verdade mais um tempo de estudo no horário normal. “Sim, também dou aulas tradicionais”, esclarece Tomi Tolonem, cabelo rapado, barba comprida e ar de motard ou vocalista de banda de heavy metal. Adepto da nova tendência conhecida como ‘gamificação’ (o termo deriva da palavra inglesa game — jogo) aplicada à Educação, Tomi acredita que é possível criar novos contextos para o ensino, muitos apelativos para os alunos, mas também com utilidade e resultados concretos.

A ideia é mudar a forma como se ensina, recorrendo à estrutura narrativa e aos mecanismos inerentes aos jogos: as aulas são transformadas em missões, os exercícios em desafios. “Primeiro contei-lhes a história da ilha em que estão presos. Depois vou lançando os desafios e para os superarem têm de trabalhar em conjunto, erguerem abrigos, por exemplo”, explica Tomi. A última ordem foi para construírem o maior número de formas geométricas que conhecessem, recorrendo aos blocos do Minecraft. A hora é de aprender Geometria.

Com tanta experimentação e margem de manobra das autoridades locais e escolas (a educação está completamente municipalizada), sem exames e sem inspeções às escolas, surge a dúvida: quem controla a qualidade do sistema e que os alunos estão de facto a aprender? “Confiamos nos nossos professores, porque sabemos que estão altamente preparados. Não acreditamos que temos de fazer como os Estados Unidos em que estão sempre a medir os resultados”, responde Pasi.

De resto, e apesar de todas as adaptações locais sobre a forma de lá chegar, há uma espécie de ‘bíblia’ onde está escrito tudo aquilo que os alunos têm de saber no final dos diferentes níveis do ensino e que são os currículos nacionais do básico e do secundário, sublinha o responsável do ECampus de Helsínquia. E os professores têm de o seguir à risca.

Neste momento, os leitores mais familiarizados com a gíria educativa estarão a pensar que, afinal, na Finlândia também existem as metas curriculares, aprovadas pelo atual ministro da Educação, Nuno Crato, e que tanta polémica estão a gerar, por serem, aparentemente, demasiado prescritivas e pormenorizadas.

Só que um olhar mais atento para os documentos revela as especificidades de cada sistema. Não sabemos se a capacidade de síntese dos finlandeses é uma das suas qualidades ou se o excesso de palavreado é um dos nossos defeitos. Os factos são estes: enquanto na Finlândia se conseguiu escrever em 10 páginas tudo o que os alunos precisam de saber fazer a Matemática do 1º ao 9º ano, por cá foi preciso um documento com mais de 80, a que se juntam 30 do programa. A proporção repete-se nas outras disciplinas.

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Uma nova Nokia? 

Durante anos, a Nokia e a Educação foram os dois grandes motivos de orgulho nacional deste pequeno país. O declínio da primeira, entretanto parcialmente comprada pelo Microsoft, abandonando a produção de telemóveis, depois de ter sido durante anos nº 1 mundial, foi mais do que uma profunda machada na economia da Finlândia.

Abalada a confiança, restou a Educação, com o país a ocupar desde 2000 os primeiros lugares nos testes PISA, realizados por meio milhão de alunos de 15 anos, de 64 países/regiões da OCDE e parceiros que testam a sua literacia a Matemática, Ciências e Leitura. Acontece que em 2014 soou o alarme. Os resultados dos testes feitos dois anos antes mostravam ao mundo que a Finlândia tinha sido ultrapassada no topo do ranking por vários países asiáticos e mesmo alguns europeus, particularmente na competência Matemática.

Jouni Välijärvi, diretor do Instituto Nacional para a Investigação na Educação, admite a deceção: “Sim, é preocupante. O declínio começou em 2009 e continuou em 2012. Ainda assim continuamos com bons resultados e estamos no top da Europa. Penso que uma das razões tem a ver com uma diminuição do empenho dos alunos, particularmente em relação à leitura. As escolas competem cada vez mais com a internet e outros serviços digitais de cada vez maior qualidade e diversidade. Isto também ajuda a explicar por que razão os rapazes estão cada vez mais atrás das raparigas, incluindo a Matemática.”

Nem tudo são diferenças entre Portugal e Finlândia e, tal como cá, a crise parece falar mais alto. Não há finlandês que não esteja preocupado com os cortes que se avizinham no próximo Orçamento do Estado, ainda mais quando a Economia teima em não arrancar. E a Educação ressente-se. Também lá como cá fecham-se escolas e cortam-se meios. “As escolas e os professores têm cada vez menos recursos para o desenvolvimento pedagógico a nível local. O investimento na formação profissional está a diminuir. Isto é uma ameaça para o desenvolvimento e inovação num sistema educativo de qualidade”, alerta Jouni Välijärvi.

A aula já vai longa e acaba por aqui. Para grande parte dos alunos portugueses, o tempo agora é de estudar para os exames.

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CONTRASTES

Horas de aulas 

A Finlândia é um dos países onde os alunos têm menos horas de aulas ao longo da 
escolaridade obrigatória. 
São em média 703 por ano, enquanto em Portugal esse valor é de 827

Habilitações  É no campo das qualificações que existe um dos maiores contrastes entre os dois países. 85% da população adulta finlandesa (18-64) têm pelo menos o ensino secundário, contra 38% em Portugal. Entre os diplomados na 
população adulta, a diferença 
é de 40% para 19%

Felicidade  Poucos países batem os níveis de bem-estar manifestados pelos alunos portugueses de 15 anos. 86,4% disseram concordar com a afirmação “sinto-me feliz na minha escola”, contra 66,9% dos finlandeses

Salários As diferenças começam por ser muito grandes em início de carreira, com um professor do 3º ciclo do básico a ganhar por ano cerca de 29 mil dólares cá e perto de 35 mil lá (valores já convertidos para garantir a paridade do poder de compra). Ao fim de 15 anos continua a ganhar menos. 
Mas no topo da carreira, 
a situação inverte-se

Temperatura  A temperatura média em fevereiro, normalmente o mês mais frio do ano, em Helsínquia é de – 5,7˚ centígrados. Em Lisboa, é de 12,7˚ centígrados

Custos Em Helsínquia, um café 
custa 3 euros, tanto quanto um bilhete de metro ou autocarro. Jantar num restaurante 
dificilmente ficará a menos 
de 20 euros se beber vinho 
ou mesmo cerveja ultrapassará os 30 euros. Despesa que fazem com que o custo 
de vida na capital finlandesa seja 58% mais caro do que 
na capital portuguesa

Texto publicado na revista E de 30 de maio de 2015

 

 

 

Workshop “Ser professor: como construir uma boa relação com os alunos”

Abril 29, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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http://www.cadin.net/ser-professor/

Conferência – Desafios na Sala de Aula para o Professor

Março 5, 2015 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Dicas para valorizar o professor do seu filho

Fevereiro 26, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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10 Habilidades que todo docente debería potenciar en el aula

Agosto 29, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://justificaturespuesta.com/ de 15 de julho de 2014.

Este artículo está inspirado en un interesantísimo libro de Daniel Goleman titulado Liderazgo. El poder de la inteligencia emocional. En uno de los apartados de este libro Goleman se centra en la dicotomía entre un jefe bueno y un jefe malo. Aunque este libro se centra en el liderazgo empresarial, creo que las cualidades o habilidades que Goleman defiende para ser un buen jefe son perfectamente extrapolables a la labor docente. Mi intención en esta entrada es la de relacionar las habilidades que defiende Goleman para ser un buen jefe con las habilidades o cualidades que todo docente debería potenciar en el aula. Quiero hacer constar que he realizado algunas pequeñas modificaciones respecto a las cualidades que cita Goleman, pero no afectan al sentido último que Goleman pretende transmitir.

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  1. Escucha empática. Goleman no se refiere explícitamente al término escucha empática, sino a la expresión saber escuchar. En mi caso he preferido centrarme en el concepto de escucha empática porque la escucha empática consiste en escuchar a tus alumnos con y desde el corazón. Si quieres saber más sobre qué se entiende por la escucha empática te remito al siguiente enlace. Aún así, creo que Goleman insiste en saber diferenciar entre oír -pasividad- y escuchar -actuación e interés-. Como docente debes esforzarte por escuchar a tus alumnos, por acompañar a tus alumnos y, sobre todo, hacerles ver que lo que te están diciendo te importa, te importa de verdad, te importa de corazón.
  2. Estímulo. Siempre he defendido la idea de que un docente debe ser capaz de generar las mejores preguntas para obtener las mejores respuestas. Muchas veces se cree que el docente está en un aula para dar respuestas, para ofrecer únicamente soluciones. No siempre debe ser así. Un profesor que inspira es aquel que es capaz de hacer que sus propios alumnos aprendan por sí mismos. Ese es el verdadero estímulo que debes potenciar en el aula con tus alumnos.
  3. Comunicación. Para mí la comunicación debe ser un sinónimo de enseñanza. He insistido mucho en este blog en establecer una clara diferencia entre explicar y enseñar. La diferencia es significativa, porque mediante la explicación sólo transmites conocimientos de forma unidireccional, mientras que con la enseñanza lo que provocas es la utilidad de los aprendizajes, el autoaprendizaje, la interacción mediante el diálogo con tus alumnos.
  4. Valentía. Enseñar es de por sí un acto de valentía. Enseñar es de por sí un acto de determinación. En muchas ocasiones como docente confundes la intimidación en el aula con la valentía y no debería ser así. La valentía es una cualidad que debes potenciar en el aula porque es una clara apuesta por la coherencia y la honestidad en tu trabajo. Se es valiente cuando se sabe exactamente qué y cómo enseñar. Y la valentía lo que propicia es una mayor seguridad en ti mismo que luego se traslada a los conocimientos que transmites a tus alumnos. La falta de valentía, además de generar intimidación, también provoca miedo. Acerca del miedo te recomiendo la lectura del artículo titulado Docente, ¿a qué le tienes miedo?
  5. Humor. Soy un gran defensor del humor en el aula. Creo que el humor es una herramienta extraordinariamente eficaz para el aprendizaje porque cohesiona un grupo, genera pausas en la transmisión de contenidos, rebaja la tensión en un grupo y ayuda a crear un clima más favorable para el trabajo que se desarrolla en una sesión lectiva. El humor, la risa, la carcajada son cualidades que generan magníficos resultados a la hora de gestionar una crisis en el aula, ya que puedes recurrir a ellas y recuperarlas para gestionar un conflicto. Y no lo olvides que el humor enamora. Sobre cómo enamorar a tus alumnos te remito al siguiente enlace.
  6. Generosidad. Goleman habla de empatía. Yo me centraré más en la generosidad de tu labor como docente. La profesión de docente es la profesión capaz de generar otras profesiones. La docencia es una de las profesiones más generosas que existen porque das sin esperar nada a cambio. Si algo evitar debes evitar en esta profesión es el egocentrismo, porque el egocentrismo sólo te aleja de tus compañeros y de tus alumnos.
  7. Determinación. Goleman habla de decisión. Muchos docentes hablan de motivación en las aulas. Yo prefiero hablar de determinación. Es un término que creo que transmite mucho más, que transmite acción, que transmite decisión. En el artículo titulado True grit o sobre la determinación como clave para el éxito escolarexplico claramente lo que se entiende por el concepto determinación.
  8. Responsabilidad. Enseñar es por encima de todo un acto de responsabilidad. Y aunque la responsabilidad no está exenta de crítica, esta crítica a veces puede convertirse en algo tóxico, es decir, la autocrítica desaparece y sólo haces crítica de lo que te rodea, de tus compañeros, de tus alumnos, de tu centro, del sistema. Sin darte cuenta te convierte en un docente tóxico.
  9. Modestia. Si algo detesto en un docente es la arrogancia. Una arrogancia que a veces se da en algunos compañeros de profesión. Cuando llevas muchos años en la docencia es fácil perder la perspectiva de lo que sabes y de lo que eres capaz de aprender o, mejor dicho, de lo que tus alumnos son capaces de enseñarte. Hay que entrar todos los días en el aula con la mente abierta, hay que entrar con la suficiente modestia como para tener la predisposición a aprender de tus alumnos. La modestia no hace más que conectar emocionalmente con tus alumnos, porque te permite escucharles de forma activa, y cuando un docente es capaz de escuchar de forma activa a sus alumnos es cuando tiene toda la predisposición para aprender de ellos.
  10. Reparto de la autoridad. La autoridad está reñida con la desconfianza. Como docente debes hacer un esfuerzo por delegar o, mejor dicho, por enseñar a delegar tanto en tus compañeros como en tus alumnos. Una excelente manera de repartir la autoridad es mediante el aprendizaje cooperativo. Mediante el aprendizaje cooperativo enseñas a tus alumnos a aprender de ellos mismos y de sus compañeros. Cuando repartes autoridad estás realizando un ejercicio de confianza, estás tendiendo la mano para que tus alumnos tomen la iniciativa en algo. Esto no hará más que favorecer su propia autonomía y mejorará su autoconcepto y sin que tu autoridad en el aula se vea afectada.

Estas son las 10 cualidades o habilidades que como docente deberías tener presente cuando te dispones a entrar en un aula. Sin duda se trata de todo un reto para ti, pero tengo el convencimiento de que siendo consciente de dichas habilidades es como serás capaz de afrontarlas con la determinación que una profesión como la de docente exige. ¿Aceptas el reto? Yo ya he empezado…

 

 

Palestras e Jornadas de reflexão Repensar as TIC na Educação

Março 11, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto da ERTE – Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas de 4 de Março de 2013.

Numa iniciativa da SANTILLANA Formação e decorrente da publicação do livro «Repensar as TIC na Educação – o professor como agente transformador», coordenado pelo Prof. Doutor Fernando Albuquerque Costa, irão realizar-se palestras e jornadas de reflexão sobre esta temática entre 22 de março e 17 de maio.

As jornadas de reflexão estão pensadas para grupos de 30 pessoas, com a duração de 1 dia, permitindo a reflexão e debate alicerçados no pensamento e na prática educativa dos participantes, em torno de problemáticas como a integração das tecnologias na escola (uma visão de conjunto do leque de questões com que professores e educadores se têm de confrontar para uma decisão e uma intervenção mais esclarecidas neste domínio) e conceitos e práticas (os desafios colocados à escola pelo constante desenvolvimento tecnológico). O programa das jornadas de reflexão foi desenhado procurando o equilíbrio entre momentos plenários e oportunidades de trabalho em pequeno grupo, potenciando condições reais de debate e de partilha de práticas.

As palestras terão a duração de 3 horas, a acontecer ao final do dia, em escolas. Durante as palestras, os autores terão oportunidade de apresentar e por à discussão o conjunto de ideias em torno das quais o livro foi pensado e estruturado, para que cada um dos participantes possa tomar consciência do que pode fazer para participar na transformação da escola.

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Workshop “O Papel do Docente perante os Maus Tratos na Infância e Juventude”

Fevereiro 10, 2012 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação, Uncategorized | Deixe um comentário
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