Os pais também se educam?

Dezembro 2, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 22 de novembro de 2015.

Andreia Reisinho Costa  Observador

Ana Cristina Marques

Como é ser-se filho? Pode-se trocar de papel e ensinar os pais? Reunimos cinco testemunhos de diferentes idades para mostrar que quem educa não está sempre certo. No fim, uma terapeuta comenta.

Nem sempre é fácil os filhos lidarem com os pais, ou vice-versa. Apesar das boas intenções de parte a parte, este é um terreno pantanoso. Seja porque aos 15 anos o adolescente sente-se controlado e tenta contrariar todas as ordens que recebe, seja porque só mais tarde na vida é que pai e mãe ficam libertos dessa responsabilidade e passam a ser amigos das pessoas que trouxeram ao mundo.

Se é certo que as dinâmicas familiares entre quem educa e quem é educado se alteram ao longo do tempo, também se pode afirmar que os pais, ao contrário de um cliente num restaurante, não têm sempre razão. Posto isto, será que os pais precisam de ouvir mais os filhos, de os tentar compreender e até de aceitar que, às vezes, eles é que estão certos?

Em busca de uma resposta, falámos com filhos de diferentes idades, dos 16 aos 72 anos, para que descrevessem como são (ou foram) as relações com os respetivos pais, os seus desafios e mais-valias. Em suma, para saber se os pais também se educam. No fim dos testemunhos, uma mediadora familiar ajuda-nos a fazer uma leitura da questão.

Inês Fernandes, 16 anos, estudante

“Não me posso queixar muito dos meus pais. São muito compreensivos comigo e com o meu irmão [de 20 anos]. Dá sempre para falar com eles, mesmo que eu não esteja certa. Oiço muitos sermões, mas sinto-me à vontade para falar com eles [mãe e pai]. Não tenho medo de lhes dizer nada. Eles também sempre foram assim com o meu irmão. Mas notava que, quando eu era mais pequena e ele era adolescente, ele levava com mais sermões, não sei se por ser o filho mais velho, se por ter mais responsabilidade — os meus pais tiveram de aprender com ele primeiro. Não me lembro, pelo menos, de ver meu irmão de castigo. Eu é que fiquei de castigo algumas vezes, mas ele também sempre foi mais responsável ou, então, escondia melhor as asneiras.

Vejo que as minhas amigas, que não costumam ter tanto à vontade com os pais [masculinos], têm uma tendência maior para esconder as coisas. Vejo vários pais de amigas minhas que não se sentem à vontade para falar com elas. Mas também tenho amigas em que nem o pai nem a mãe são compreensivos. Fecham-nas muito. Cortam-lhe as asas — quanto mais eles insistem no facto de elas não poderem fazer certas coisas, e quanto mais limites colocam, mais elas acabam por fazer coisas para os desafiar, o que cria mais confusões.”

Maria, 28 anos, estudante

“A minha relação com os meus pais evoluiu imenso. Em pequena a minha mãe era a vilã, o meu pai o herói. Vinte anos depois o papel inverteu-se. Falando no geral, dou-me bem com os dois, mas não tenho com nenhum uma relação perfeita (se é que isso existe). Eu e a minha mãe discutimos imenso. Somos pessoas muito diferentes (ou muito iguais, quem sabe!) e gostamos das coisas de forma diferente. O que é normal. Em pequena a minha mãe era a chata. ‘Leva o casaco. Põe o gorro. Vai pôr a mesa. Já fizeste os trabalhos de casa?’. O meu pai era o companheiro de brincadeiras, de passeios, aquele que dizia: “Deixa lá a miúda em paz, se ela tiver frio veste o casaco.” Com o tempo, fui percebendo que o meu pai não era assim tão perfeito. Pelo contrário. Com isso, aprendi a valorizar mais a minha mãe.

Quando quis mudar de curso, foi com ela que falei. Sempre que tive um problema mais sério, foi sempre à minha mãe que recorri. Por outro lado, ela tem uma necessidade enorme de ser a minha confidente e quer que eu seja a dela, o que para mim é impensável. Mãe é mãe. Uma amiga é uma amiga. Eu tenho as minhas, ela tem as dela. Como é normal, há coisas da minha vida pessoal que não lhe dizem respeito. E vice-versa.

Os pais transmitem-nos valores, educam-nos e é normal que absorvamos alguns gostos e manias deles, mas somos seres diferentes e, por vezes, torna-se complicado fazer com que eles entendam isso. Que já não temos cinco ou oito anos. Ou mesmo 18. Que sabemos o que queremos para nós (ou achamos que sabemos) e isso não tem de ser necessariamente o que eles querem para nós. Temos direito a fazer as nossas escolhas, sejam elas certas ou erradas. Os filhos, tal como os pais, têm o direito a errar.”

João Barbosa, 45 anos, jornalista

“Os meus pais eram pessoas muito diferentes, o que não é nem vantagem nem desvantagem. Penso que, sinceramente, o meu pai nunca se apercebeu bem do seu egoísmo e tirania. Mas era um homem muito honesto em termos de dinheiro, de dar a palavra com honra, amigo do amigo. Um tipo espetacular. A minha mãe era meiga, terna, doce, mas mais castradora.

Até morrer, o meu pai mandou em toda a gente, incluindo nas funcionárias do apoio domiciliário e no resto da família ou amigos. Só eu o punha na ordem. Só eu tinha autoridade. Só a mim obedecia. O meu pai faleceu em fevereiro passado e orgulho-me de lhe ter dado um enorme presente. Sentei-me junto à cabeceira e disse-lhe: O pai não foi bom pai e não foi um bom marido. Mas foi e é um amigo bestial com quem se pode contar para tudo. O meu pai fez um sorriso lindo, como há muitos anos não lhe via. Esse calor irá sempre ligar-nos.

Penso que as relações entre pais e filhos (tenho um que é do relacionamento anterior da minha mulher) têm de ser de verdade, tendo em conta a memória, o entendimento, a idade e a inteligência. Quando dizemos ‘não’ é ‘não’, mas explicamos porque é que é ‘não’. Tentamos dar o exemplo. Ir ao McDonalds, por exemplo: ele comia sempre a sopa e os nuggets e eu comia apenas os nuggets. Um dia perguntou-me porque é que eu não comia sopa e porque é que ele tinha de comer. Dei-lhe razão e passámos os dois a comer sopa.”

Helena Carmo, 52 anos, técnica de reinserção social

“A relação com a minha mãe era muito tensa na adolescência. Vistas as coisas, e eu não fazia nada de extraordinário, ela era muito conservadora. Controlava muito a minha vida fora de casa e fazia isso não só com perguntas, mas vasculhando as minhas coisas. Impunha muito as questões da aparência, dizia-me que não podia usar as calças assim ou ter aquele corte de cabelo. Ela impedia muito a minha sexualização, a forma como me apresentava. Nunca fiz isso à minha filha.

As coisas mudaram muito quando fui mãe, com 30 anos. Ela foi mãe aos 18 e quando foi avó tinha a idade que eu tenho agora [52 anos]. Ela sempre disse que tinha (e tem) um casamento muito feliz, mas fazia muita questão em que eu só me casasse depois do curso — ela casou e não estudou, não teve coragem de voltar estudar, e queria uma história diferente para mim. Hoje tenho uma relação muito forte com a minha mãe. Antes, ela não era propriamente minha amiga. Hoje é menos mãe e já somos iguais. Há muitas coisas em que ela me pede conselhos. Há uma proximidade muito maior, até ao nível dos afetos.

A relação com o pai sempre foi muito tranquila, sempre foi de conversar sobre as coisas e sobre a vida. Sobre livros e cinema. Com o meu pai sempre foi uma relação mais de igual para igual, muito aberta. Sempre me responsabilizou muito. Vim a saber, mais tarde, que os dois discutiam muito sobre a educação que a minha mãe me dava — discutiam às escondidas. A relação com o meu pai foi mais fácil sobretudo na adolescência. E foi paritária ao longo dos anos. Com a minha mãe foi muito mais de ciclos.”

Maria Filomena Mónica, 72 anos, socióloga e historiadora

“A minha relação com os meus pais variou muito ao longo do tempo. Na infância, fui imensamente feliz: sendo a filha mais velha, era adorada pela minha mãe e, embora isso fosse menos claro, pelo meu pai. Tudo mudou com a adolescência, quando lutei por ser independente e a minha mãe teve medo que eu tomasse a rédea nos dentes. Ao proibir-me tantas coisas, acabei por me revoltar: não me suicidei por um triz. No entanto, a luta contra a minha mãe acabou por me enriquecer o caráter. A partir dos 19 anos, quando fui internada num colégio em Londres – de onde viria a ser expulsa, após o que aluguei um quarto — percebi que nada nem ninguém me conseguiria vergar. Se ela não me transmitiu a religião católica, a minha mãe deu-me a noção exata dos meus deveres. Gostaria que a minha mãe tivesse confiado mais em mim.

O papel dos meus pais foi muito importante até aos 20 anos. Depois, e durante décadas, quase desapareceram. No final da vida dos meus pais, aproximei-me deles, até porque, na doença que atacou a minha mãe (Alzheimer), ela precisou de mim. Senti que era meu dever ampará-la até ao fim. (…) O meu pai era temperamentalmente diferente da minha mãe. Dominadora como esta era, os filhos poucas oportunidades tiveram de o conhecer, o que hoje lamento. Gostava de ter tido conversas a sós com ele, o que só sucedeu uma vez na vida: quando ele me foi visitar a Londres em 1962. (…) Ambos já morreram e com o tempo as feridas saram. Hoje, relembro sobretudo as qualidades da minha mãe, tão grandes quanto os seus defeitos. Ao ler há dias algumas cartas que o meu pai me escreveu quando eu estava em Oxford nos anos 1970 fiquei admirada com a doçura do seu tom.”

“Pais e filhos estão em permanente aprendizagem”

Apesar das diferenças de idades, todos os testemunhos apresentam pontos em comum e colocam a tónica na importância da comunicação. Os problemas que moldam a relação entre pais e filhos não são, por ventura, suficientes para quebrar os laços que, segundo a mediadora familiar Margarida Vieitez, são praticamente elásticos e eternos. Vieitez chega ao ponto de dizer que não existem más relações entre pais e filhos, antes uma dificuldade em se encontrarem, “porque estão tão centrados em si próprios, e na sua razão, que não conseguem ver para além disso”. O segredo, diz, está no “crescimento conjunto” de ambos.

“Pais e filhos estão em permanente aprendizagem. Todos estamos”, acrescenta a também terapeuta, não sem antes sublinhar a importância da escuta ativa. Porque é fundamental que os pais oiçam os filhos e, consoante as idades, sejam eles (ou não) a tomar as decisões. Por isso, e para responder à pergunta formulada no título: sim, os pais também se educam.

 

 

 

Mensagem do Secretário-Geral da ONU para o Dia Internacional para a Abolição da Escravatura, 2 de dezembro de 2015

Dezembro 2, 2015 às 1:46 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://www.unric.org/pt

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Este Dia Internacional para a Abolição da Escravatura é mais do que um lembrete dos crimes cometidos no passado – é uma oportunidade para renovar a nossa determinação em combater os problemas contemporâneos.

A escravatura continua a existir sob muitas formas – desde as crianças que fazem trabalho doméstico, agrícola e fabril, aos trabalhadores forçados que lutam para pagar dívidas  que não param de aumentar até às vítimas de tráfico sexual que sofrem terríveis abusos.

Embora seja difícil compilar estatísticas sobre estes crimes, os especialistas estimam que, atualmente, quase 21 milhões de pessoas são vítimas do trabalho escravo a nível mundial.

Face à situação destas pessoas – e de todas as que estão em risco – temos a responsabilidade de acabar com este ultraje.

Isto é ainda mais importante porque vivemos numa época de crises humanitárias graves. Mais de 60 milhões de pessoas foram expulsas das suas casas. Essas pessoas correm o risco de serem alvos de tráfico e de escravatura – bem como milhões de outras que atravessam as fronteiras em busca de uma vida melhor.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável oferece uma oportunidade para mudar radicalmente as condições que causam a pobreza, a injustiça e a discriminação de género. Ao adotá-la, os líderes mundiais comprometeram-se a reforçar a prosperidade, a paz e a liberdade para todos os povos. Foram definidos especificamente objetivos para a erradicação do trabalho forçado e tráfico humano e para acabar com todas as formas de escravatura moderna e de trabalho infantil.

À medida que nos esforçamos para alcançar essas metas, temos também de reabilitar as vítimas entretanto libertadas e ajudá-las a integrarem-se na sociedade. O Fundo Voluntário das Nações Unidas para as Formas Contemporâneas de Escravatura tem vindo a providenciar, há mais de duas décadas,  assistência humanitária, financeira e jurídica para dezenas de milhares de vítimas em todo o mundo, tentando operar uma diferença significativa nas suas vidas. Exorto os Estados-membros, empresas, fundações privadas e outros doadores a demonstrarem o seu compromisso para acabar com a escravatura, e garantam que este Fundo tem os recursos para cumprir o seu mandato.

Neste Dia Internacional para a Abolição da Escravatura, tomemos a decisão de usar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável como um roteiro para eliminar as causas principais deste problema e libertar todos os povos escravizados do mundo.

Veja este vídeo sobre trabalho escravo (Organização Internacional do Trabalho)

ILO Director-General calls on governments to take action to end modern slavery

 

Joint open letter to the European Council Time to act to ensure children’s rights in the EU’s migration policy: 10 action points

Dezembro 2, 2015 às 1:42 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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joint

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Joint open letter to the European Council_Time to act to ensure children’s rights in the EU’s migration policy_10 action points_30 October 2015

Muitas crianças com cancro nascem com genes que as tornam mais suscetíveis a desenvolver a doença

Dezembro 2, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.pipop.info de 23 de novembro de 2015.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Germline Mutations in Predisposition Genes in Pediatric Cancer

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Fonte: Reuters

Um estudo realizado nos Estados Unidos que avaliou 1 120 crianças e adolescentes conclui que 8,5% destas crianças nascem com genes que aumentam o risco de desenvolver cancro.

As conclusões surgem de um sequenciamento genético realizado pelo Hospital de Pesquisa Pediátrica St. Jude aos tecidos tumorais e tecidos saudáveis daquelas crianças.

James Downing, um dos investigadores, explica que entre as crianças que detinham os referidos genes promotores de cancro, apenas 40% apresentavam histórico familiar conhecido de cancro, o que sugere que este não é um fator preditor de cancro infantil.

Do total de crianças avaliadas, 8,5% possuíam no seu código genético determinados genes que as tornavam mais suscetíveis de virem a desenvolver cancro nos tecidos saudáveis, segundo as conclusões publicadas na revista New England Journal of Medicine.

Os cientistas consideram que o estudo representa “um importante ponto de viragem” na “compreensão do risco de cancro pediátrico” e provavelmente vai mudar a forma como os pacientes são avaliados e como os dados podem ser geridos a fim de melhor acompanhar e aconselhar outros membros da família, como irmãos, que também possam estar em maior risco.

 

I Encontro Família e Saúde Mental na Amadora

Dezembro 2, 2015 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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amadora

A CPCJ da Amadora, em parceria com a Câmara Municipal, o Agrupamento dos Centros de Saúde e o Hospital Prof.º Dr. Fernando da Fonseca, promovem o I Encontro Família e Saúde Mental na Amadora, a decorrer no próximo dia 15 de Dezembro, no auditório da biblioteca Dr. Piteira Santos. Entrada livre, sujeita a inscrição (com admissão por ordem de chegada) até dia 10 de Dezembro para secretariadocpcjamadora@gmail.com

https://www.facebook.com/cpcj.amadora/

 

Um boneco que previne abusos

Dezembro 2, 2015 às 10:00 am | Publicado em Recursos educativos, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do Correio da Manhã de 29 de novembro de 2015.

kiko

‘O Kiko e a mão’ é um desenho animado capaz de abordar uma temática difícil… a brincar. Segundo os dados mais recentes da União Europeia, referentes a 2013, cerca de uma em cada cinco crianças foi vítima de violência sexual ou abuso sexual. Por isso, o Conselho da Europa tem uma nova estratégia para abordar o tema junto dos mais pequeninos, concretamente na faixa etária entre os três e seis anos. Foi assim que nasceu o Kiko, que ainda anda de fraldas, mas é muito espertalhão e bem informado. Através de uma história, vai ensinando aos mais novos que sítios não devem ser tocados pelos adultos.

“Este é obviamente um tema que é difícil abordar, sobretudo numa faixa etária tão jovem. Mesmo os educadores não sabem bem como alertar as crianças para estes assuntos, até porque estamos a falar de uma temática sobre a qual não existe material de apoio nenhum. Daí o Kiko ser uma ferramenta essencial. É um boneco e conta uma história de uma forma muito simples e divertida”, esclarece a psicoterapeuta Ana Cristina Santos, que ‘esbarrou’ com o Kiko quando participou numa convenção de psicologia em Madrid. Sendo especializada no tema, Ana Cristina sentiu que era importante trazer a campanha para Portugal e fazer uma versão em português dos livros, do filme e dos panfletos, sempre com o apoio do Ministério da Saúde.

O material já existe, mas, “lamentavelmente, o Kiko ainda não foi distribuído nos centros de saúde nem na grande maioria das escolas ou junto dos profissionais que lidam mais de perto com as crianças”, alerta.

O Kiko na creche

Mesmo assim, já houve alguns estabelecimentos que, de forma autónoma, descobriram o Kiko e levaram-no para a sala de aula. Foi o caso da Creche de Santa Teresinha do Menino Jesus, na Amadora, que desenvolveu uma atividade sobre o tema recorrendo à ajuda do Kiko. “Os meninos tiveram uma reação muito boa. De maneira geral, eles levam muito a sério o que os educadores lhes dizem, e foi o que aconteceu. Depois, tivemos tanto meninos como pais a colocar questões muito pertinentes e a falar de como a mensagem tinha sido absorvida e consequentemente trabalhada em casa”, conta a coordenadora daquela IPSS, Maria João Morgado.

Apesar de faltar divulgação, a psicoterapeuta Ana Cristina Santos, que, no fundo, é a responsável pela vinda do Kiko a Portugal, vai usando as ferramentas nas conferências que faz sobre abusos sexuais ou sempre que lhe é solicitada a colaboração com escolas ou comissões de proteção de menores. Mesmo assim, sente que a mensagem deveria chegar a mais famílias e, sobretudo, a mais crianças. “Porque o abuso existe, vem quase sempre de pessoas próximas das crianças, mas é silencioso e nefasto. O abuso expropria a vítima da infância e condiciona-lhe a idade adulta. E muitas vezes só é falado nos consultórios muitos anos depois, quando nos chegam com outros problemas emocionais que frequentemente podem estar direta ou indiretamente relacionados com os abusos. E quase sempre é um segredo que ficou bem guardado durante anos, até porque quando há denúncias não há apoio adequado às vítimas. Acabam por ser vítimas duas vezes: primeiro do abuso e depois de todo o caos que a denúncia traz às suas vidas, sobretudo quando as situações ocorrem no âmbito familiar”, diz a psicoterapeuta.

Enquanto o Kiko não chega aos jardins de infância portugueses, pais e educadores podem aceder aos conteúdos pedagógicos da campanha através da internet. O livro, já traduzido para português, está disponível para download em http://www.underwearrule.org/Source/PT/Book_pt.pdf. Quanto ao filme, pode ser visto no YouTube.

Filme em português no link:

http://www.coe.int/t/dg3/children/underwearrule/film_pt.asp

mais recursos em português no link:

http://www.coe.int/t/dg3/children/underwearrule/default_PT.asp?

 

 

Crianças que não brincam na natureza, não se preocupam em protegê-la, diz artigo

Dezembro 2, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://ciclovivo.com.br  de 17 de novembro de 2015.

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Os ativistas ambientais costumam ser pessoas que passaram a infância imersos na natureza.

Se um futuro melhor depende das gerações que ainda estão por vir, então algumas coisas precisam mudar. Em artigo escrito por George Monbiot no jornal britânico The Guardian, o autor coloca em cheque as consequências da falta de contato das crianças atuais com a natureza.

A cada ano que passa, as crianças estão mais presas dentro de suas casas. Segundo Monbiot, no Reino Unido, apenas uma em cada dez crianças têm o hábito de praticar atividades ao ar livre em ambiente natural. Em contrapartida, os adolescentes que têm entre 11 e 15 anos gastam metade do dia em frente a uma tela, seja ela de computador, televisão ou smartphone. A situação é semelhante em diversas partes do mundo.

O autor cita várias hipóteses para essa mudança. Enquanto nas décadas passadas as crianças tinham mais autonomia para brincar na rua e até mesmo se deslocarem sozinhas, hoje os pais têm que lidar com o medo da violência, do trânsito e de pessoas estranhas. Assim, ficar dentro de casa é a opção mais prática, mas não a melhor delas.

Monbiot coloca esse novo hábito “doméstico” como algo perigoso, principalmente para a saúde. A inatividade dos jovens resulta em doenças como diabetes, obesidade, raquitismo e declínio das habilidades cardio-respiratórias. Muitos desses problemas seriam evitados se as brincadeiras em meio à natureza fossem mantidas, como é possível concluir em um estudo conduzido pela Universidade de Illinois, nos EUA. A pesquisa sugere que brincar na grama, entre árvores, ajuda até mesmo a reduzir os sintomas do déficit de atenção e dos problemas de hiperatividade.

Além da saúde, a falta de contato das novas gerações com a natureza pode se transformar em um problema muito maior. Como ter cuidado ou se preocupar com algo que você não conhece e não tem intimidade? Esta é a questão levantada pelo britânico. Para ele, os ativistas ambientais costumam ser pessoas que passaram a infância imersos na natureza. “Sem um sentimento pelo mundo natural e sua função, sem uma intensidade de envolvimento nas experiências da infância, as pessoas não vão dedicar suas vidas à proteção”, conclui o artigo.

Clique aqui para ler o artigo.

Redação CicloVivo

 

 


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