Não conseguimos enfrentar as birras!

Dezembro 14, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto do http://lifestyle.publico.pt  de 27 de novembro de 2015.

João Cordeiro

Por Sofia Nunes da Silva

Pipa e Francisco jantam em casa dos primos João e Catarina. Francisco: Bom a Francisca passou de anjinho a diabinho! Está impossível! É de um gajo se passar da cabeça! Catarina: Que exagero Francisco! Francisco: Ouve, eu não a consigo controlar. Ela quer uma coisa e no outro minuto quer outra… chora, grita…nunca a vi assim…são birras de enlouquecer. E a Pipa acha que a melhor forma é dar-lhe alternativas!! João: Eh, calma! A minha priminha sempre soube o que fazer! Pipa: Pois olha, mas pela primeira vez não sei! Ela não era assim, e eu vejo-a tão descontrolada e tento evitar isso, mas parece que nada resulta… também não me parece que seja a bater! Catarina: Calma aí Família! Nunca ouviram falar na «fase das birras»?

Este diálogo é ilustrador da ambivalência que muitos pais sentem na chamada «fase das birras». Esta é uma etapa de desenvolvimento caracterizada por um descontrolo ao nível motor, impulsividade marcada e desejos imediatos, em que o mundo da criança se encontra mergulhado num forte egocentrismo. Nesta perspectiva, a luta pela independência obriga-a ao confronto com as primeiras frustrações. Vai pôr-se à prova, testar limites, e para isso tem que ir muitas vezes longe de mais.

Nesta fase, a criança passa o dia a treinar as novas capacidades, relativamente a si própria e na relação com os pares, o que implica viver momentos de tensão que vai acumulando ao longo do dia. Quando chega ao seu porto de abrigo e encontra os seus guardiões, pode finalmente relaxar e libertar-se.

Fá-lo geralmente, através de descargas tensionais caracterizadas por descontrole motor e impulsividade com os que lhe são mais próximos, em quem confia e que aguentam as suas «explosões» devolvendo-lhe contenção e sentido.

Na realidade, a criança sente-se perdida e desorganizada perante o desejo de autonomia, que a faz reclamar poder, mas que também a assusta e leva a reagir de forma impulsiva. Começa a exigir de si própria uma aprendizagem, que pretende imediata e da qual não consegue abdicar. Há uma vontade de conquista através da sua afirmação nas várias situações. Naturalmente, surgem sentimentos de frustração, desorganização e descontrole sempre que se confronta com o que não consegue fazer, compreender ou é impeditivo de pôr em prática a sua independência e afirmação. O que ela procura a par com o seu desejo de autonomia são os seus próprios limites.

É fundamental que os pais entendam que as birras, nesta idade, não são chamadas de atenção e têm um significado. Representam um importante e necessário contributo para o desenvolvimento afectivo, emocional e social da criança, nesta luta entre poder/autonomia e a necessidade de manter a sua dependência/protecção.

Em todo este contexto há um pedido implícito de ajuda que lhe devolvam a confiança “perdida” no momento de descontrole/desorganização. É quando a criança se confronta com o facto de não conseguir gerir o poder que adquiriu e se sente fragilizada e angustiada.

Muitas vezes, os pais sentem-se perdidos, oscilando entre reacções de maior rigidez ou evitando a frustração, oferecendo alternativas com o objectivo que não sofra ou se desorganize.

Mas a principal tarefa desta fase para os pais é ajudarem o filho a atingir este equilíbrio, e não a substituírem-se a ele. Pretende-se que este aprenda e treine o seu auto-controle, experimentando a frustração que é necessária e o leva a suplantar-se.

As atitudes de confronto e provocação encerram um pedido aos adultos de decisão sobre o que pode ou não pode fazer, ou seja, um pedido de limites e disciplina. Esta tarefa é difícil e exige também autocontrole por parte dos pais.

É, portanto, fundamental que se substituam um pelo outro para ganhar forças nesta caminhada, com o objectivo de não se fragilizarem. Isto é, alternando a presença de um e outro com a criança, permite ao elemento mais angustiado do par parental pode afastar-se.

A tentação de criar um ambiente em que tudo corra bem, procurando agradar a todos, juntamente com o receio de que o filho goste menos de nós, desenvolve uma atitude de permanente indecisão não fornecendo directrizes e orientação, forçando-o a atitudes mais insistentes e provocatórias.

Uma atitude de firmeza e consistência pode ser muito importante, como por exemplo: segurar na criança, sentá-la ao colo, deixá-la a pensar no seu quarto até que se acalme, explicando-lhe depois de forma breve e clara que não são comportamentos que queiram ver repetidos e que os vão impedir.

No entanto, importa ter presente que estes comportamentos se mantêm entre os 18 meses e ao longo dos dois anos de vida da criança, que precisa de tempo para interiorizar e aprender o significado dos limites dos pais. Por isto, a repetição destes episódios de disciplina têm que acontecer de forma frequente e consistente.

E na realidade serão os filhos os mais importantes avaliadores do trabalho dos pais realizado nas fases anteriores!

 

 

 

Antidepressivos durante a gravidez aumentam risco de autismo em 87%

Dezembro 14, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 14 de dezembro de 2015.

ARQUIVO GLOBALIMAGENS

Lusa

Causas do autismo continuam por desvendar, mas genética e ambiente podem ser fatores de risco, indica estudo

A toma de antidepressivos durante a gravidez aumenta em 87% o risco de autismo para a criança, segundo um estudo canadiano publicado hoje nos Estados Unidos da América, no Journal of the American Medical Association, Pediatrics.

As conclusões do estudo são importantes, atendendo a que são prescritos antidepressivos para tratar a depressão a entre 6% e 10% das mulheres, sublinham os investigadores que analisaram os dados médicos de 145.456 grávidas na província do Quebec.

“As diversas causas do autismo continuam por desvendar, mas os trabalhos demonstram que a genética e o ambiente podem ser fatores de risco”, explica a professora Anick Bérard, da Universidade de Montreal e do Centro Hospitalar Universitário Sainte-Justine, principal autora daquele estudo.

“A nossa investigação permite estabelecer que tomar antidepressivos, sobretudo os que atuam sobre a serotonina (um neurotransformador), durante o segundo ou o terceiro trimestre da gravidez, duplica quase o risco de autismo no bebé”, acrescentou.

Bérard e a sua equipa seguiram 145.456 crianças desde a gestação até aos 10 anos.

 

 

Demasiadas crianças tomam antipsicóticos. E correm o risco de ficar “como robôs”

Dezembro 14, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 14 de dezembro de 2015.

Diagnóstico é feito em idade escolar |  Arquivo/Global Imagens

Diagnóstico é feito em idade escolar | Arquivo/Global Imagens

Ana Bela Ferreira, Rute Coelho e Diana Mendes

Médicos alertam para excesso de medicação em casos de hiperatividade e défice de atenção, com recurso a substâncias para tratar esquizofrenia

Têm 2 anos ou menos, algumas ainda estão em idade de berço, e são diagnosticadas como crianças hiperativas, com défice de atenção, agressivas ou retraídas. E cada vez mais estão a ser tratadas com anti-psicóticos e outros remédios psiquiátricos habitualmente prescritos a adultos com doenças graves do foro mental. No ano passado, foram vendidas 276 029 embalagens de Metilfenidato (ritalina), mais 30 mil do que em 2013. O medicamento é receitado sobretudo nos hospitais públicos (37%) e em clínicas privadas (39%) a crianças e adolescentes (entre os 5 e os 19 anos) e os números têm vindo a aumentar, sobretudo desde 2010, mostra o relatório do Infarmed.

O recurso crescente a antipsicóticos – com efeitos sérios no desenvolvimento – e a probabilidade de muitos dos miúdos serem medicados sem necessidade estão a preocupar os médicos. “Estou preocupadíssima com essa tendência, que já é muito expressiva em Portugal. Qualquer dia as crianças são como robôs medicados”, diz ao DN a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos. Opinião semelhante tem o neuropediatra Nuno Lobo Antunes (ver entrevista), que admite receber muitas crianças “medicadas de forma errada para o problema errado. Especialmente no caso dos neurolépticos” – como o Risperdal, recomendado para a esquizofrenia, mas também usado no tratamento do autismo.

O problema não é um exclusivo de Portugal. Nos EUA, por exemplo, perto de 20 mil receitas para os medicamentos psiquiátricos Risperdal e Seroquel – adequados a tratar doenças crónicas como a esquizofrenia ou a doença bipolar – foram passados a bebés de 2 anos ou menos. Um aumento de 50% relativamente aos 13 mil do ano anterior, segundo a multinacional de marketing farmacêutico IMS Health, citada pelo The New York Times.

Em Portugal, esta realidade está agora a ser estudada. Álvaro Carvalho, diretor do programa nacional para a saúde mental da Direção–Geral da Saúde, adiantou ao DN que “há a presunção de que há um tratamento excessivo de crianças com medicamentos como a ritalina, neste caso do grupo das anfetaminas”. E que por essa razão houve necessidade de, há um ano, se criar “um grupo de trabalho sobre prescrição de psicofármacos em idade pediátrica, com o objetivo de termos informações que não sejam apenas dados empíricos”. A intenção é fazer normas e guidelines sobre a prescrição de medicamentos nesta área. “O que já sabemos é que há uma grande pressão devido a pedidos de prescrição aos médicos pelos pais, psicólogos ou professores para tratar a hiperatividade.” E há um excesso de diagnóstico de crianças quando “se tratam problemas de comportamento”, diz. “Apesar de ainda não haver dados, há elementos para nos preocuparmos.”

Ana Vasconcelos diz que “muitos destes remédios não estão adaptados a um cérebro em crescimento” como o das crianças. Cada vez mais as patologias dos miúdos têm que ver “com o medo e o stress dos pais”, numa sociedade que vive “com mais sofrimento do que prazer. As crianças reagem atacando-nos”.

Mais prescrições

Já neste ano, o Infarmed publicou um relatório sobre as vendas de embalagens de medicamentos indicados para a perturbação de hiperatividade com défice de atenção (PHDA), que revela que a cada ano se vende mais embalagens – com mais incidência nos distritos de Viana do Castelo e Viseu, mas também em Lisboa e no Porto – para um problema que afeta 5% a 7% da população. Por norma, são medicados para o défice de atenção e hiperatividade as crianças a partir dos 5 anos. E apenas nos casos em que terapia psicológica, educacional e social não teve resultado, sublinham as indicações do Infarmed.

Mas a tendência em crescimento de receitar psicotrópicos como antipsicóticos ou antidepressivos a crianças com 2 ou menos anos já é, segundo Ana Vasconcelos, uma realidade no nosso país. “Em Portugal começou a haver muitos pediatras e neuropediatras a tratar problemas como o défice de atenção ou a hiperatividade nas crianças com remédios como a ritalina ou o Risperdal.” A especialista prefere uma abordagem diferente, com “um diagnóstico psicopatológico, procuro chegar à causa do comportamento”.

Na opinião da pedopsiquiatra, o problema é que estas crianças “ficam inadaptadas”. “É muito grave dar medicamentos sem saber o que se está a fazer. Tem de se fazer uma abordagem neurobiológica e estudar o lado cognitivo, afetivo e emocional da criança antes de prescrever remédios que podem não ser adequados à sua realidade”, diz a especialista. Caso contrário, “estamos a robotizar crianças, mas não a tratar a situação.”

Ritalina e Risperdal mais usados

A ritalina é mais usada em Portugal para tratar o défice de atenção infantil (até 2014 era dos poucos medicamentos comparticipados) e sempre esteve envolvida em polémica. Pensa-se que terá sido criada em 1944 para aumentar a concentração no campo de batalha de soldados nazis. Nos Estados Unidos e no Brasil há registo de casos em que a ritalina é usada ilegalmente sem prescrição médica por estudantes e alguns profissionais para diminuir o cansaço e ajudar no desempenho académico e profissional.

Os dados da IMS Health para os EUA não indicam quantas crianças receberam receitas, visto que muitas delas têm várias prescrições por ano, mas estudos prévios sugerem que terão sido pelo menos dez mil, segundo o artigo do NYT. As receitas para o antidepressivo Prozac ascenderam a 83 mil no grupo etário dos 2 ou menos anos, o que representou um aumento de 23% de prescrições nesta faixa etária, indicam os dados da IMS Health.

No artigo do The New York Times conta-se a história de Andrew Rios, de 4 anos, que tomou o antipsicótico Risperdal quando tinha 18 meses para tratar crises de agressividade. Depois de começar a tomar a droga, Andrew passou a gritar durante o sono e a interagir com pessoas e objetos invisíveis. A mãe foi pesquisar o medicamento e descobriu que este não estava aprovado e nunca tinha sido estudado para crianças tão novas como o seu filho.

 

Impact: melhorar e monitorizar os sistemas de proteção contra o tráfico e a exploração de crianças

Dezembro 14, 2015 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

impact

descarregar o relatório transnacional no link:

http://www.cesis.org/admin/modulo_news/ficheiros_noticias/20140401101021-1impactrelatoriotransnacional.pdf

descarregar o relatório nacional no link:

http://www.cesis.org/admin/modulo_news/ficheiros_noticias/20140908180050-1impact_nacional_reportfinal.pdf

mais informações:

http://www.impact-eu.org/

 


Entries e comentários feeds.