Os ecrãs impedem os jovens de desenvolver empatia. E as sociedades tornam-se “brutais”

Março 26, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 2 de fevereiro de 2019.

A resiliência constrói-se. Num ambiente de segurança, o cérebro de alguém que sofreu um trauma regenera-se “muito mais rapidamente do que imaginamos”. Mas, atenção, avisa o psiquiatra Boris Cyrulnik, uma criança que cresce a olhar para ecrãs não consegue desenvolver empatia.

Alexandra Prado Coelho

A nossa capacidade de resistência à adversidade – a chamada resiliência – não está inscrita nos genes. Não nascemos com uma determinada predisposição, antes somos moldados pelo ambiente desde o útero materno e pela vida fora, e é isso que nos torna mais ou menos resilientes.

O defensor desta ideia, o neuropsiquiatra francês Boris Cyrulnik – que esteve em Portugal esta semana para fazer uma conferência na Noite das Ideias, iniciativa da Embaixada de França e do Instituto Francês, dia 31 de Janeiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa – sabe do que fala. Ele próprio é um exemplo de resiliência e tornou-a o tema principal das suas pesquisas e do seu trabalho de toda a vida.

Hoje com 81 anos, este sobrevivente do Holocausto tem trabalhado com pessoas, sobretudo crianças e jovens, que passaram por situações traumáticas. “A resiliência”, diz, “é uma construção constante, é um fenómeno de desenvolvimento e nós desenvolvemo-nos o tempo todo, a nível biológico, psicológico, afectivo, social.” E acrescenta, com um sorriso de garoto: “Só paramos de nos desenvolver aos 120 anos. Depois disso, é possível, mas é difícil.”

Muito do processo de regeneração de um cérebro que sofreu um trauma passa pela segurança mas também pela empatia com os outros. Ora, actualmente, com a presença constante da tecnologia nas nossas vidas, é precisamente a capacidade de criação de empatia que começa a estar em risco. E que consequências isso tem para uma sociedade?

“Uma pessoa nunca pode ser reduzida ao seu trauma”

Antes de entrarmos por aí, vamos começar por perceber o que pode afectar, positiva e negativamente, o nosso cérebro desde o início da vida. O poder dos genes, ou seja, o determinismo genético, tem o seu momento alto “no encontro do espermatozóide com o óvulo”, depois disso é o meio que começa a agir sobre o jovem feto. “Há meios que orientam [a criança] para a aquisição de factores de protecção e outros para a aquisição de factores de vulnerabilidade. Se a mãe está stressada, segrega substâncias que passam no líquido amniótico e o bebé adquire esses factores de vulnerabilidade. Se a mãe se sente segura e feliz, o bebé desenvolve-se bem e tem factores de protecção.”

A forma como, por exemplo, essas substâncias segregadas pela mãe alteram o cérebro do bebé pode ser observada em exames neurológicos. As crianças afectadas pelo stress materno “nascem com uma alteração dos dois lóbulos pré-frontais e do sistema límbico e a amígdala do cérebro reage muito fortemente”. Isto significa que “chegam ao mundo com uma alteração cognitiva pela situação de precariedade social da mãe”.

Um ambiente onde a criança se sinta protegida é, por isso, essencial. A boa notícia é que “o cérebro regenera muito rapidamente”. Mesmo um trauma profundo pode curar-se “muito mais facilmente do que imaginamos”. A consciência disso deve-se, em grande parte, ao trabalho que Cyrulnik desenvolveu. “Antes dizíamos sobre estas crianças, é genético, não vale a pena preocupar-nos com elas. E não nos ocupávamos. Hoje rodeamo-las de segurança e a resiliência regressa. Em 48 horas começam a segregar hormonas de crescimento e hormonas sexuais, sejam masculinas ou femininas. Mas se não os rodearmos de segurança passam a vida toda em sofrimento.”

Boris Cyrulnik tinha sete anos quando perdeu os pais, levados pelos nazis para Auschwitz, onde morreram. Antes de ser detida, a mãe confiou o rapaz a uma família, que acabou por o entregar também aos alemães. Conseguiu escapar, escondendo-se numa sinagoga, da qual acabou por conseguir fugir, tendo trabalhado numa quinta para conseguir sobreviver até ao final da guerra. Só aos dez anos é que foi entregue a uma família que o criou.

Depois disso, as tentativas que fez para falar da sua situação depararam com um muro de indiferença. Os franceses não queriam ouvir, da boca de uma das vítimas, a história de como tinham abandonado e condenado à morte crianças judias. Num país também ele profundamente traumatizado, Boris Cyrulnik percebeu que não valia a pena insistir em contar a sua história. Mas foi também esta experiência que o fez perceber que queria ser psiquiatra.

A ideia de que uma criança, por maior que seja o trauma que sofreu, não pode ser ajudada a ultrapassá-lo é o que mais o indigna – e, trabalhando com órfãos na Roménia, vítimas de genocídio no Ruanda, ou crianças-soldado na Colômbia, foi reforçando essa convicção. “Uma pessoa nunca pode ser reduzida ao seu trauma”, costuma dizer.

Há, contudo, outros factores que devem ser tidos em conta – a diferença entre rapazes e raparigas, por exemplo, que se nota logo no desenvolvimento nos primeiros anos de vida. “As raparigas começam a falar cerca de cinco meses antes dos rapazes. Porquê, não sei. Mas é um factor de protecção, porque quando estão infelizes podem dizê-lo, podem pedir ajuda, enquanto os rapazes não sabem dizê-lo e passam à acção mais rapidamente.” Passagem à acção que vão manter como característica de comportamento ao longo da vida.

Quando chegam à adolescência, “as raparigas, que têm uma biologia mais estável, têm um avanço neuropsicológico de cerca de dois anos relativamente aos rapazes”. Não só falam melhor, como são “mais estáveis emocionalmente” e já terminaram a sua “fadiga de crescimento”.

Nas décadas seguintes, nota-se que as raparigas e as mulheres “aprendem os rituais de interacção melhor que os rapazes” e continuam a “dominar a palavra” – se isso ainda não parece ser evidente no espaço público, onde a visibilidade das mulheres continua a ser menor, Boris Cyrulnik acha que é apenas uma questão de tempo: “Há aí [nessa invisibilidade] um grande determinismo social. Mas penso que isso vai desaparecer em dez anos”.

O domínio masculino no espaço público está ligado à força física e à violência. “A violência foi um factor adaptativo em todas as culturas. Muitos sociólogos dizem que é pela violência que a sociedade se constitui. Se os homens não fossem violentos, a espécie humana teria desaparecido”.

Na sua infância e juventude, durante a II Guerra Mundial, “o trabalho era uma forma de violência, 15 horas por dia, seis dias por semana”. Recorda as vidas duríssimas dos mineiros em França ou dos operários dos estaleiros navais. “Era um trabalho de uma violência extrema, os operários tinham as costas feridas pelos pedaços de carvão que lhes caiam em cima, as mulheres tinham que os lavar para evitar as infecções e para que eles pudessem ir trabalhar no dia seguinte, senão, não haveria dinheiro nem comida.”

A força e a violência eram, portanto, essenciais e isso fazia com que os homens fossem “vistos como heróis”, sendo, por isso mesmo, “sacrificados na mina ou na guerra”. Esta violência adaptativa não faz sentido nas actuais sociedades ocidentais como a europeia, por exemplo, mas continua a fazer sentido em países em guerra. A diferença é clara: “A violência é destruição num contexto de paz mas é construção social num contexto de guerra”. Daí que no Médio Oriente “um rapaz que não é violento, é desprezado, pela mãe, a mulher, os outros rapazes”.

“No mundo actual [ocidental], o sector terciário desenvolveu-se, a escola também, as mulheres têm desempenhos iguais ou superiores aos homens e a violência já não tem valor de construção da sociedade, é apenas destruição”, explica. “Mas isso só acontece desde os anos 60 do século XX. Eu nasci em 1937, faço parte de uma geração na qual apenas 3% das crianças estudavam. Os outros iam trabalhar, com 12, 13 anos, os rapazes para a mina, as raparigas para casa, e a maternidade acontecia aos 16, 17 anos. Hoje isso é impensável.”

E, no entanto, mesmo que desadaptada ao contexto actual, a violência contínua de certa forma inscrita na nossa “memória transgeracional” – pronta a renascer assim que for necessária. “Acontece nas sociedades que se afundam, por exemplo, o Brasil, a Venezuela, que estavam numa curva ascendente e a violência era muito combatida, sobretudo pelas mulheres, porque se manifestava apenas na destruição do casal, da família, da sociedade.” Quando a crise económica faz afundar o país, “a violência reaparece e torna-se um valor adaptativo e nesse contexto um homem que não é violento é imediatamente eliminado”.

Ao longo da sua carreira, Cyrulnik viu muitas situações nas quais esses instrumentos de adaptação da espécie humana vinham ao de cima, tanto a violência como, por outro lado, a solidariedade. E percebeu que são valorizados de forma diferente conforme o contexto. No entanto, nota, a solidariedade que surge nessas circunstâncias é geralmente “de clã, de grupos com as mesmas crenças religiosas, a mesma cultura, a mesma cor de pele, o mesmo nível social”.

Quanto à violência, “nas guerras decoramos os psicopatas quando matam um adversário, e em alturas de paz colocamo-los na prisão – eles são sempre psicopatas, é o meio que valoriza, ou não, a passagem ao acto”.

Esta presença da violência, que “atravessa todas as culturas”, ajuda a perceber também a vitimização da mulher. “Elas sofreram, foram massacradas, porque são menos dotadas para a violência”. Por outro lado, quando a situação piora e a violência se torna novamente adaptativa, “as mulheres valorizam os homens violentos e querem estabelecer laços com eles”. O que acontece hoje, em contextos de paz, é que “as mulheres, que foram de facto vítimas, e algumas ainda são, servem-se da noção de vítima para tomar o poder e legitimar a própria violência, que não é física, mas verbal”.

O bebé “precisa do cheiro” da mãe

Está também a surgir nas nossas sociedades outro fenómeno que preocupa o psicanalista: a dificuldade de desenvolver empatia, que afecta sobretudo os mais jovens. A empatia é algo que implica interacção humana, sublinha. E quando grande parte da relação com o mundo é feita não através de outros seres humanos mas sim de ecrãs de televisões, computadores ou telemóveis, é muito mais difícil aprender a empatia.

E, no entanto, esta é algo que um bebé recém-nascido adquire com uma surpreendente facilidade. “Os bebés compreendem imediatamente a menor variação da mímica facial da mãe, desde muito pequenos. Somos uns virtuosos, únicos entre as espécies vivas a lidar com a mímica facial.” Daí que seja difícil criar um robot que possa realmente substituir uma pessoa.

Mas, relativamente à tecnologia, Cyrunik não tem uma posição redutora. “Tinha um amigo com uma clínica de hemodiálise e duas ou três vezes por semana as pessoas dormiam na clínica e criavam laços com a máquina, queriam sempre a mesma porque já conhecia as reacções deles. Como na psicanálise, havia uma relação transferencial.”

Por outro lado, “quando as crianças são criadas com ecrãs, são privadas da interacção, das palavras, do piscar de olhos, dos sorrisos; com um ecrã não há rituais de interacção”. Isso faz com que “tenham um atraso no desenvolvimento da linguagem quase como uma criança autista, não sabem descodificar as interacções, se alguém lhes sorri não compreendem, não aprendem os pequenos gestos que nos permitem viver juntos, socializam mal, tornam-se impulsivos”. Um bebé, frisa Cyrulnik, “precisa do cheiro, do calor dos braços da mãe”.

Se um bebé “é isolado antes de adquirir a palavra, o que acontece até aos 21 meses, há uma atrofia dos lóbulos pré-frontais e dos anéis límbicos”. São crianças que crescem “com um cérebro moldado pelo fracasso social e cultural” e “não conseguem controlar as suas emoções”.

Por isso, a ligação que muitos jovens (e não só) estabelecem hoje com esses ecrãs omnipresentes preocupa-o. “Já há consequências. Os jovens que passam mais de três horas por dia em frente a ecrãs mexem-se menos, encontram-se menos com os outros, têm mais depressões e, sobretudo, param o desenvolvimento da empatia – a aptidão a descentrarem-se de si próprios para conseguir a representação do mundo mental dos outros”.

A ausência de empatia manifesta-se, diz Cyrulnik, na forma como muitas pessoas “não estão atentas aos outros”. “No metro de Paris, por exemplo, isso é flagrante. Estão no meio da porta e não se mexem quando os outros querem entrar ou sair. Estão centrados neles mesmos porque a escola centrou-os sobre eles mesmos, os ecrãs também e aprenderam mal os rituais de interacção”.

O exemplo do metro pode ser menor, mas Cyrulnik confirmou esta constatação noutras situações mais graves. Recorda um rapaz que, no hospital e quando uma pessoa da família acabara de morrer e os outros familiares choravam, ria a olhar para alguma coisa no telemóvel. Ou outro que assaltara uma senhora que caíra acabando por morrer em consequência de uma pancada na cabeça e que respondia apenas que “se ela tivesse largado a mala, não teria morrido”.

“Sociedades brutais”

Uma sociedade com menores níveis de empatia é necessariamente mais perigosa, conclui. “Os psicopatas podem matar, roubar, violar, sem culpabilidade”. Por isso defende a necessidade de se desenvolver uma “pedagogia da empatia”, que deve começar nas escolas, para explicar que “não nos podemos permitir tudo”. Tal como é preciso perceber que “se um rapaz tem um desejo sexual não pode permitir-se tudo”, também uma rapariga que não esteja interessada nele “não pode permitir-se tudo, não pode humilhá-lo”.

Conseguirmos colocar-nos no lugar do outro – é isso a empatia e também, segundo Cyrulnik, a base da moralidade – ajuda a perceber que nem tudo é possível. “Temos, como sociedade, que ter uma maior consciência disso”. Em França, após a I Guerra Mundial havia um enorme número de órfãos e “praticamente todos conseguiram rapidamente uma família de acolhimento”. Hoje, nessa mesma França, em paz, “passam 16 meses entre o alerta de que uma criança está em risco e o momento em que vai encontrar uma família, e são 16 meses em que a criança é infeliz”. A ausência de empatia, avisa, “faz sociedades brutais”.

 

 

 

Construir a resiliência desde a infância: qual o papel do adulto?

Março 22, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Luciano Lozano Getty Images

Artigo de opinião de

A resiliência não é uma qualidade inata que se detém ou não ao nascer. É algo que se desenvolve através de um processo dinâmico entre fatores individuais e do ambiente e da interação entre estes dois.

A física refere-se ao termo “resiliência” como “propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação” (in Priberam). Nas ciências sociais, apesar de encontrarmos múltiplas aceções, a mais comum é aquela que define a resiliência como a capacidade ou o conjunto de capacidades que permitem ao ser humano lidar e adaptar-se de forma positiva às circunstâncias adversas. Porém, ao contrário dos corpos a que a física se dedica, sabemos que no ser humano as experiências, sobretudo na infância, permanecem connosco e modificam a forma como pensamos e sentimos.

Apesar de vivermos uma era em que a adversidade é frequentemente abafada pelo aparente estado contínuo de felicidade que as redes sociais promovem, a verdade é que, em determinados momentos, todas as famílias vivem situações difíceis e stressantes. Divórcios, problemas de saúde física e mental e experiências escolares negativas estão talvez entre as mais frequentes, mas não nos esqueçamos de uma parte significativa da nossa população (e das nossas crianças) que vive em grande desvantagem social, na pobreza e/ou exposta à violência. Neste sentido, a ciência tem demonstrado que exposição sistemática e prolongada a experiências adversas na infância está associada a um maior risco de desenvolvimento de doença mental, abuso de substâncias, abandono escolar e perturbações de ansiedade.

Perante isto, devemos questionar-nos: porque é que há crianças que superam melhor a adversidade do que outras? Como podemos ajudá-las a desenvolver o seu sentido de resiliência e prepará-las para as dificuldades que poderão enfrentar durante a adolescência e a vida adulta?

Para tal, importa entender que a resiliência não é uma qualidade inata que se detém ou não ao nascer. É algo que se desenvolve através de um processo dinâmico entre fatores individuais e do ambiente e da interação entre estes dois (Beyond Blue Ltd., 2017). Imagine uma balança com dois pratos: a resiliência manifesta-se quando a saúde mental e o desenvolvimento de uma criança se encontram numa direção positiva, apesar do peso que os fatores negativos exercem no outro lado (Center on the Developing Child, 2015). E, ainda que o acompanhamento adicional e especializado não deva ser descurado em crianças que passam por eventos traumáticos ou por experiências negativas continuadas, a literatura aponta para várias estratégias e abordagens consideradas universais e ajustáveis a todas as crianças. Vejamos algumas delas.

Fale sobre resiliência 
Leia livros e conte histórias que abordem a superação de situações difíceis. Incentive a criança a falar sobre casos que conheça. Explique-lhe onde e a quem pode recorrer quando necessitar de ajuda.

Construa e fomente relações de suporte
Crie uma relação próxima e afetiva. Faça com que a criança ganhe um sentido de pertença. Dê atenção e afeto, brinque, conforte, ouça os seus interesses e mostre empatia, o que não significa que concorde sempre com ela, mas que é capaz de se pôr no seu lugar e entender os seus sentimentos.

Promova o autocontrolo e a autorregulação 
A criança aprende a autorregular o seu comportamento através das interações diárias com os cuidadores. Por isso, garanta bons hábitos de sono e de alimentação. Ajude-a a acalmar-se, através da respiração ou a imaginar algo que lhe dê prazer. Ensine-a a saber esperar desde cedo: recorra a rimas e lengalengas enquanto espera por algo; defina rotinas e momentos próprios para determinadas ações; elogie sempre que se mostra paciente. Encoraje a perseverança perante os desafios e a frustração.

Fomente a autonomia e a responsabilidade 
Dê oportunidade para que a criança tome decisões relevantes sobre os contextos em que está envolvida e que possa ser ela própria, e não o adulto, a encontrar formas de resolver os seus problemas. Permita-lhe correr riscos saudáveis, adequados à sua idade e fase de desenvolvimento.

Ajude a gerir emoções 
Nem todas as adversidades são traumáticas e muitas delas podem ser positivas. Ao experienciar dificuldades, criam-se oportunidades de crescimento. Ser resiliente não é estar sempre bem ou ter menores reações emocionais. É saber lidar e gerir essas emoções de forma saudável e positiva. Por isso, valide os sentimentos da criança, incentive-a a nomear o que sente, fale com ela sobre situações que a deixam ansiosa e ajude-a a encontrar formas de se sentir mais segura.

Em conclusão, a construção da resiliência na infância deve iniciar-se no seio de relações afetivas, através de modelos positivos em casa e na comunidade, em que pais, cuidadores e educadores assumem um papel de máxima importância na promoção da saúde mental.

 

 

Geração Inabilitada

Julho 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem publicados no site Up to Kids

 A crença de que a felicidade é um direito tem tornado inabilitada a geração mais preparada

Ao conviver com os mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão no caminho para tornar-se adultos, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, a mais inabilitada.

Preparada do ponto de vista das habilidades, inabilitada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, inabilitada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, inabilitada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o património da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que os seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – só falta apenas que o mundo reconheça a sua genialidade.

Tenho-me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação das suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e uma boa parte embirra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que alcançaram tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é baseada na construção – e que para conquistar um espaço no mundo é preciso virar muitos frangos. Com ética e honestidade – e não às cotoveladas ou aos gritos. Como os seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que lhes anuncia uma nova e não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Porque razão grande parte dessa nova geração é assim? Penso que este é uma questão importante para quem está a educar uma criança ou um adolescente nos dias de hoje. Esta época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de tudo e de todos – sem esperar qualquer responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinónimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces do mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto da sua condição humana como das suas capacidades individuais?

A nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “o fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de trabalhar para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bom, bom é aquele que não estudou, passou a noite nos copos e passou nas específicas para entrar em Medicina. Este atesta a excelência dos genes dos seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar o seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforços, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pago caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por este mundo para testemunhar a cara de espanto e de mágoa de alguns jovens ao descobrir que a vida não é como os pais lhes tinham prometido. Expressão que logo muda para o amuo. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não estão minimamente preparados para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumo desaparece deixando nada para trás. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a explicitar-se no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem sequer para falar da tristeza e da confusão.

Parece-me que é isto que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando do seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito se torna um sintoma – já que ninguém está disposto a ouvir, porque ouvir significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não é por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode manter o quotidiano sem que ninguém precise olhar a sério para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem alcançar. E por isso, é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo a funcionar.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas não se conhecem. E, portanto, estão a perder uma grande chance. Todos sofrem muito neste teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com estes jovens no parapeito da vida adulta, com as suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores à sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que um jovem se transforma em adulto.

Seria muito bom que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad, dizer de vez em quando: “Organiza-te, dá a volta e resolve, meu filho. Poderás contar sempre comigo, mas essa batalha é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, o meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou a tentar descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significar dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão mau quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais transmitiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou amuar ao descobrir que vai ter de conquistar o seu espaço no mundo sem qualquer garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não resultou, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o facto da vida ser insuficiente não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo a sentir-se injustiçado porque um dia a vida acaba.

Por Eliane Brum, publicado na Revista Época, por Clínica Alamendas
Adaptado por Up To Kids®

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Imigrantes de segunda geração saem-se melhor na leitura do que portugueses

Abril 24, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 27 de março de 2018.

Diferença de 12 pontos no PISA não é significativa, mas não deixa de reflectir o empenho dos pais destes jovens na aprendizagem da língua, defende investigador.

JOANA GORJÃO HENRIQUES

Os filhos de pais estrangeiros não estão condenados a ter maus resultados. Já ter nascido em Portugal e falar português em casa pode fazer a diferença. Um estudo divulgado há dias, pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE), mostra que nos últimos testes do Programme for International Student Assessment (PISA), que avaliam as competências de leitura dos jovens aos 15 anos, os chamados imigrantes de segunda geração em Portugal até se saíram melhor do que os portugueses.

Estes alunos obtiveram mais 12 pontos na Leitura do que os portugueses, analisa o especialista em estatística João Marôco. Em 2015, pela primeira vez, Portugal ficou acima da média da OCDE com 498 pontos (a média foi de 493).

A análise foi feita a partir de um relatório da OCDE, que saiu a 19 de Março, The Resilience of Students with an Immigrant Background. O especialista do ISPA — Instituto Universitário e coordenador do PISA de 2015 em Portugal lembra que o peso dos imigrantes na amostra nacional é reduzido: 3% no caso de segunda geração e de 4% na primeira.

Embora a diferença de 12 pontos não seja especialmente significativa, o facto de ela existir pode explicar-se pelo empenho dos pais na aprendizagem da língua como factor de integração, refere. Na literacia em Ciências e Matemática os números são aproximados entre portugueses e imigrantes de segunda geração.

As maiores distâncias de performance verificam-se entre portugueses e imigrantes de primeira geração, algo que é explicado pelo menor estatuto socioeconómico e cultural destes últimos, refere.

Outro dado: em geral, os alunos que falam português em casa têm desempenhos significativamente superiores a de quem não fala.

Na base de dados da OCDE não é possível diferenciar o país de origem dos alunos. O investigador admite que imigrantes de diferentes países apresentariam resultados diferentes.

No relatório, a OCDE diz que em Portugal as diferenças de performance no PISA entre alunos nativos e imigrantes não são explicados por diferenças socioeconómicas e culturais dos dois grupos. Mas o analista discorda: em Portugal os imigrantes de segunda geração têm um estatuto socioeconómico e cultural que é duas vezes superior ao dos portugueses. Já os imigrantes de primeira geração são mais desfavorecidos. Isto significa que “é evidente a inclusão bem-sucedida” dos imigrantes da segunda geração na sociedade portuguesa.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The Resilience of Students with an Immigrant Background

 

Pais que “mimam” os filhos estão a criar uma geração de adultos deslocados e incapazes de lidar com frustração

Fevereiro 15, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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À mesa do restaurante, o João faz uma fita a exigir o telemóvel da mãe para se distrair durante o almoço. A Maria atira-se para o chão da loja de brinquedos porque quer que o pai lhe compre aquela boneca, agora. E, sentado no sofá de casa, o Pedro irrita-se com os pais porque quer uma resposta urgente sobre poder ou não ir à festa dos amigos no sábado à noite. Todos eles, independentemente da idade, têm algo em comum: vão tornar-se adultos “mimados”, incapazes de lidar com as frustrações do mundo.

A culpa do destino destes três, João, Maria e Pedro, é do imediatismo que rege as relações atualmente. Temos, enquanto pais, dito muitos “sim” aos filhos quando na verdade, o ideal seria dizer mais “não sei” ou “vou pensar”. Como explica a psicóloga e educadora Rosely Sayão, essa atitude traz como maior prejuízo uma alienação em relação à realidade.

— O adulto que tem o culto do imediatismo, em vez de ser uma pessoa controlada, tem dificuldade em aceitar as situações e inserir-se no mundo.

Pressionados a responder às demandas dos filhos imediatamente, os pais acabam por soltar as respostas impensadas, e a consequência, na visão da coach de vida e carreira Ana Raia, é a criação de jovens pouco preparados para lidar com a vida.

Os pais atualmente não aguentam não ceder ao imediatismo. No passados os pais permitiam-se em deixar os filhos insatisfeitos por muito tempo. Hoje em dia, com o stress, acabam por ceder à pressão rapidamente, criando assim um dos maiores desafios na educação das crianças e jovens: o imediatismo.

Ana Raia acredita que a tecnologia contribui para o imediatismo, uma vez que, ao toque de um dedo no ecrã, a resposta para qualquer pergunta ou busca de informação podem ser obtidas em pouquíssimos segundos. Temos o mundo dentro de nossa casa, dentro da nossa carteira, dos nossos bolsos.

Não conseguimos sustentar uma dúvida por muito tempo, um incómodo, uma pulga atrás da orelha. Não sabemos lidar com um mal-estar num mundo onde a felicidade é imperativa.

E a dúvida, explica Rosely Sayão, é preciosa, assim como a espera e o pensamento porque ajudam a criança a crescer e a amadurecer. Crianças que não têm momentos de “mente vazia”, por exemplo, poderão sofrer graves consequências na vida adulta.

Alguém que está sempre entretido terá para sempre a necessidade de entretenimento constante, alerta o médico Daniel Becker, criador do projeto Pediatria Integral. Defende que, para ser criativo, o cérebro humano precisa da criatividade.

— São necessários momentos de engajamento externo e momentos  de ócio em estado de contemplação. Quando uma criança tem o seu tempo completamente controlado com atividades como escola, inglês, natação, Facebook, Instagram, WhatsApp, etc, acaba por ficar incapacitada de desenvolver processos interiores profundos e importantes.

Becker acrescenta que crianças que não interagem com os seus pares ou mesmo com adultos porque passam o dia com gadgets na mão, desenvolverão menos a inteligência emocional, a empatia e a capacidade de comunicação quando crescerem.

Se este não fosse já um bom argumento, ainda haveria a opinião de outros especialistas, que encaram o hábito dos pais entregarem telemóveis e tablets às crianças, como algo benéfico apenas para os adultos.

Na opinião de Rosely Sayão, dar um gadget à criança em momentos onde seria suposto sociabilizar com a família e os amigos, não é um carinho, mas sim, um comodismo.

— O telemóvel e o tablet nestas situações têm a função do “fica sossegado”, e nada mais.

Mas, então, o que devemos fazer quando estamos a almoçar com amigos ou em família, e os miúdos não param de chatear para irmos embora?

O pediatra Daniel Becker diz que:

“As pessoas esquecem-se que as crianças sabem conversar e que podem fazer pequenas conversas. Mesmo as mais pequenas têm esta capacidade de compreensão. Basta dizer ao filho que, nos momentos em que estiverem a conversar em família, ele não terá o tablet, mas que, quando os pais estiverem a falar só com os seus amigos, ele poderá jogar por 15 minutos. Assim, alcança-se um equilíbrio.

Soluções como esta são recursos para que os pais lidem não só com o imediatismo das crianças, mas também o deles que, de forma não intencional pode servir de exemplo negativo aos filhos, que acabam por copiar as atitudes da família.

Para o pediatra presidente do Congresso Brasileiro de Urgências e Emergências Pediátricas, Hany Simon, a ansiedade e a angústia na adolescência e na vida adulta podem ser resultados do imediatismo paterno presenciado na infância. E, como reforça Rosely Sayão, viver de forma “urgente” só traz impactos emocionais negativos nas crianças.

— Somos escravos do imediato desde que nascemos. Choramos para mostrar rapidamente que estamos vivos, somos atendidos e temos as nossas necessidades básicas saciadas. Com isto, vem também uma sensação de prazer, que vamos desejar para sempre. No entanto, não é o princípio do prazer que vai reger a nossa vida mas sim o princípio da realidade. O papel dos pais é mostrar aos filhos a realidade do mundo.

imagem@umcomo.com

Publicado em R7, adapatado por Up To Kids®

 

A geração “floco de neve”: pessoas sensíveis que se ofendem por tudo

Dezembro 8, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.revistapazes.com/ de 7 de novembro de 2017.

Quando imaginamos um floco de neve, nós o associamos à beleza e singularidade, mas também à sua enorme vulnerabilidade e fragilidade. Estas são precisamente duas das características que definem as pessoas que atingiram a idade adulta na década de 2010. Afirma-se que a geração “floco de neve” seja formada por pessoas extremamente sensíveis aos pontos de vista que desafiam sua visão do mundo e que respondem com uma suscetibilidade excessiva às menores queixas, com pouca resiliência.

A voz de alarme, por assim dizer, foi dada por alguns professores de universidades como Yale, Oxford e Cambridge, que notaram que a nova geração de alunos que frequentavam suas aulas era particularmente suscetível, não tolerante à frustração e particularmente inclinados fazerem uma tempestade em um copo de água.

Cada geração reflete a sociedade que eles viveram

Dizem que as crianças saem mais ao padrão da sua geração que aos pais. Não há dúvida de que, para entender a personalidade e o comportamento de alguém, é impossível abstrair do relacionamento que estabeleceu com seus pais durante a infância e a adolescência, mas também é verdade que os padrões e expectativas sociais também desempenham um papel importante no estilo educacional e moldam algumas características de personalidade. Em resumo, podemos dizer que a sociedade é a terra onde a semente é plantada e crescida e os pais são os jardineiros que são responsáveis por fazer crescer.

Isso não significa que todas as pessoas de uma geração respondam ao mesmo padrão, felizmente há sempre diferenças individuais. No entanto, não se pode negar que as diferentes gerações têm metas, sonhos e formas de comportamento característico que são o resultado das circunstâncias que tiveram que viver e, em alguns casos, tornam-se inimagináveis em outras gerações.
Claro, o mais importante é não colocar rótulos, mas analisemos para entender o que está na base desse fenômeno, para não repetir os erros e para que possamos dar a devida importância a habidades de vida tão importantes quanto a Inteligência Emocional e a resiliência.

3 erros educacionais colossais que criaram a geração “floco de neve”

  1. Sobreprotecção. A extrema vulnerabilidade e escassa resiliência desta geração têm suas origens na educação. Estes são, geralmente, crianças que foram criadas por pais superprotetores, dispostos a pavimentar o caminho e resolver o menor problema. Como resultado, essas crianças não teve a oportunidade de enfrentar as dificuldades e conflitos do mundo real e desenvolver tolerância à frustração, ou resiliência. Não devemos esquecer que uma dose de proteção é necessária para que as crianças cresçam em um ambiente seguro, mas quando impede que explorem o mundo e limite seu potencial, essa proteção se torna prejudicial.
  2. Sentido exagerado de “eu”. Outra característica que define a educação recebida pelas pessoas da geração “floco de neve” é que seus pais os fizeram sentir muito especiais e únicos. Claro, somos todos únicos, e não é ruim estar ciente disso, mas também devemos lembrar que essa singularidade não nos dá direitos especiais sobre os outros, já que somos todos tão únicos quanto os outros. O sentido exagerado de “eu” pode dar origem ao egocentrismo e à crença de que não é necessário tentar muito, uma vez que, afinal, somos especiais e garantimos o sucesso. Quando percebemos que este não é o caso e que temos que trabalhar muito para conseguir o que queremos, perdemos os pontos de referência que nos guiaram até esse momento. Então começamos a ver o mundo hostil e ameaçador, assumindo uma atitude de vitimização.
  3. Insegurança e catástrofe. Uma das características mais distintivas da geração do floco de neve é que eles exigem a criação de “espaços seguros”. No entanto, é curioso que essas pessoas tenham crescido em um ambiente social particularmente estável e seguro, em comparação com seus pais e avós, mas em vez de se sentir confiante e confiante, temem. Esse medo é causado pela falta de habilidades para enfrentar o mundo, pela educação excessivamente superprotetiva que receberam e que os ensinou a ver possíveis abusos em qualquer ação e a superestimar eventos negativos transformando-os em catástrofes. Isso os leva a desejarem se bloquear em uma bolha de vidro, para criar uma zona de conforto limitado onde eles se sintam seguros.

Para entender melhor como a educação recebida afeta uma criança, é importante ter em mente que as crianças procuram pontos de referência em adultos para processar muitas das experiências que experimentam. Isso significa que uma cultura paranóica, que vê abusos e traumas por trás de qualquer ato e responde com sobreproteção, gerará efetivamente crianças traumatizadas. A forma como os adultos enfrentam uma situação particularmente delicada para a criança, como um caso de abuso escolar, pode fazer a diferença, levando a uma criança que consegue superar e se torna resiliente ou uma criança que fica com medo e torna-se uma criança vítima

Qual é o resultado?

O resultado de um estilo de parentesco superprotetivo, que vê o perigo em todos os lugares e promove um sentido exagerado de “eu”, são pessoas que não possuem as habilidades necessárias para enfrentar o mundo real.

Essas pessoas não desenvolveram tolerância suficiente à frustração, então o menor obstáculo os desencoraja. Nem desenvolveu uma Inteligência emocional adequada, então eles não sabem como lidar com as emoções negativas que certas situações suscitam.

Como resultado, eles se tornam mais rígidos, se sentem ofendidos por diferentes opiniões e preferem criar “espaços seguros”, onde tudo coincide com suas expectativas. Essas pessoas são hipersensíveis à crítica e, em geral, a todas as coisas que não se encaixam na visão do mundo.

Também são mais propensos a adotar o papel das vítimas, considerando que estão todos contra ou equivocados. Desta forma, eles desenvolvem um local de controle externo, colocando a responsabilidade sobre os outros, em vez de se encarregar de suas vidas e mudar o que podem mudar.

O resultado também é que essas pessoas são muito mais vulneráveis ao desenvolvimento de transtornos psicológicos, do estresse pós-traumático à ansiedade e à depressão. Na verdade, não é estranho que o número de transtornos de humor aumente ano após ano.

Fonte:
Mistler, BJ et. Al. (2012) The Association for University and College Counseling Center Directors Annual Survey Reporting. Pesquisa do AUCCCD ; 1-188

Este artigo foi publicado originariamente no site Rincón Psicología e fora livremente adaptado pela equipe da Revista Pazes.

Créditos da foto de capa: Andrew Robles
@andrewroblesphoto/unsplash.com

 

 

 

Como escolher uma arte marcial para os filhos

Outubro 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://uptokids.pt/ de 21 de setembro de 2017.

Como escolher uma arte marcial para os filhos

São muitas as razões que podem levar os pais a querer que os seus filhos pratiquem uma arte marcial. Aprender a concentrar-se, disciplinar-se, melhorar a coordenação motora ou aprender a defender-se, são alguns dos motivos mais apontados para tomar a decisão de levar os mais novos a experimentar uma aula de Judo, Karaté, Aikido ou outra actividade semelhante. Todas eles são válidos — tenho mais dúvidas quanto ao aprender a defender-se, mas disto falarei noutra ocasião — mas nem todos funcionam da mesma maneira em qualquer lugar ou com qualquer criança.

O que fazer então? Como saber onde levar os mais novos e que actividade praticar?

Antes de mais nada, é preciso ter uma ideia do que é cada arte marcial. Ao contrário da noção infelizmente ainda bastante enraizada, artes marciais não são genericamente “socos e pontapés”. Cada uma delas tem a sua história, a sua especificidade e as suas qualidades. Tirando casos felizmente raros, todas as artes marciais podem vir a ser extremamente úteis como ferramenta de apoio na educação das crianças e jovens. Os benefícios, que com o tempo se tornarão evidentes, não dependem da modalidade em si mas da qualidade do seu ensino e da sua adequação ou não à criança que a pratica. E esse é um trabalho de pesquisa que os pais deverão fazer.

Depois, é preciso conhecer bem a criança e pensar se a disciplina na qual estamos a pensar consistirá para ela um prazer ou um sacrifício. Se há muitas diferenças entre as várias artes marciais, mais diferenças existem entre crianças. Cada personalidade se adaptará de forma diferente a diferentes propostas e aquilo que é estimulante para um jovem poderá ser um constrangimento para outro.

Competição

Dentro das artes marciais, sejam elas japonesas, coreanas, chinesas ou europeias, há uma grande divisão logo à partida: o facto de serem ou não serem actividades competitivas ou desportivas. Isso fará toda a diferença para alguns dos futuros praticantes, já que nem todas as crianças são competitivas por natureza. As que o são, se bem guiadas pelo professor, tirarão o melhor partido dessa sua tendência. As que o não são, deverão ter um espaço onde praticar o movimento pelo movimento, sem ter que ganhar ou perder. É fundamental não esquecer que o prazer retirado da prática será a primeira motivação para uma criança se interessar por qualquer actividade.

A escolha

Por tudo o que escrevi acima, é fundamental que os responsáveis pelos mais novos se informem sobre que modalidades há e em que consistem. Em que é que são iguais, em que é que são diferentes, quais os seus objectivos, qual a sua história. É muito importante que tenham em conta que as artes marciais lidam, desejavelmente, com a domesticação da violência e da agressividade. Os dojo (termo japonês que designa o sítio onde se praticam as artes marciais) são por isso locais onde se lidará com relações de poder e com os seus equilíbrios. A fronteira entre a autoridade e o autoritarismo é ténue e a tentação de utilizar a força e as capacidades adquiridas é grande. Um professor não deverá fazer demonstrações de força gratuita e não deverá aceitar nunca a violência entre alunos, seja esta física ou psicológica.

É, assim, aconselhável que os pais peçam ao professor da disciplina que escolheram para assistir a uma aula antes de fazer a inscrição dos filhos. Tal será com certeza possível em praticamente todos os sítios e, se logo no primeiro dia a presença dos pais for dificultada ou impedida, isso poderá ser um mau sinal. Chamo a atenção para o facto de que me refiro apenas a assistir à primeira aula ou aula de experiência, já que na maioria dos locais de prática os pais não poderão estar presentes em todas as aulas. É também importante falar com o professor responsável e fazer as perguntas todas. Não há que ter medo de incomodar; ele estará com toda a certeza habituado a que assim seja e responderá a todas as dúvidas. É aliás do seu próprio interesse que os pais estejam devidamente informados.

Por fim, não se esqueça de que as actividades marciais poderão ser uma excelente ajuda no desenvolvimento dos mais novos, mas não substituem tudo o resto. Sem a ajuda dos pais e o interesse da criança, de pouco mais servirão do que para passar o tempo. Pondere no que cada arte marcial oferece para saber se é mesmo o que convém ao seu filho e desconfie de promessas milagrosas. A auto disciplina é desejável, mas interessará que uma criança se comporte como um militar? A prossecução de padrões de sucesso como numa empresa altamente competitiva será a melhor forma de educar? As propostas são muitas e é por vezes de facto difícil tomar a melhor opção. No fundo, tratar-se-á de de ter em conta alguns pontos para os quais tentei aqui chamar a atenção e seguir o melhor dos instintos: o de cada mãe ou pai.

8º Congresso Nacional de Medicina do Adolescente – Adolescência e Violência – Prevenção, deteção e intervenção – 17-19 maio em Leiria

Março 9, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.asic.pt/index.php/congressos-asic?start=5

Portugal é dos países onde mais alunos pobres conseguem bons resultados

Dezembro 13, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de dezembro de 2016.

marco-duarte

“os melhores alunos sabem hoje mais do que em 2000, mas os alunos com maiores dificuldades também”, diz o ministro da Educação Marco Duarte

Os resultados dos alunos de contextos desfavorecidos no PISA mostram que as escolas têm feito um “trabalho notável”, destaca investigadora.

Clara Viana e Samuel Silva

Ser resiliente significa também conseguir superar o meio de onde se vem. Em Portugal isto acontece com 38,1% dos estudantes oriundos de contextos socioeconómicos desfavorecidos, mais 4,4 pontos por comparação a 2006. O país é assim 13.º num total de 70 estados e economias analisados no PISA com mais “alunos resilientes” — ou seja, que conseguem desempenhos a Matemática, Ciências e Leitura elevados, apesar de pertencerem a meios mais pobres.

O PISA (Programme for International Assessment) é um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que visa avaliar a literacia dos alunos de 15 anos em Ciências, Leitura e Matemática. Realiza-se de três em três anos. Os resultados da última edição, datada de 2015, foram conhecidos nesta terça-feira e, pela primeira vez, Portugal conseguiu ultrapassar a média da OCDE nos três domínios analisados.  É um “marco histórico”, frisou o investigador do Instituto de Avaliação Educativa (Iave), João Marôco, coordenador da participação portuguesa em estudos internacionais.

Mas o PISA não dá só a conhecer as médias dos desempenhos dos alunos. Através de múltiplos indicadores e de milhares de questionários a alunos, professores e pais, avalia, por exemplo, em que medida os sistemas educativos promovem a inclusão. A resiliência é um dos aspectos focados no PISA 2015. Segundo a OCDE, os “estudantes resilientes” são aqueles que apesar de serem oriundos de contextos desfavorecidos (o grupo dos 25% mais desfavorecidos em cada país), conseguem ter desempenhos que os colocam entre os que obtêm melhores resultados nos testes do PISA (no grupo dos 25% melhores resultados).

Neste domínio, Portugal está nove pontos à frente da média da OCDE (29,2%). À sua frente estão países ou economias como o Vietname, Hong Kong, Finlândia ou Espanha. Atrás, embora não no fim da tabela, estão a Dinamarca, a Suécia ou a França.

A que se deve a posição portuguesa? Isabel Flores, investigadora do projecto aQeduto, que no último ano analisou em pormenor os resultados do PISA 2012 para apurar o que estes dizem sobre o sistema educativo português, diz que “ainda é cedo” para tirar conclusões. “As bases de dados do PISA são gigantescas e é preciso tempo para as analisar em profundidade”, justifica em declarações ao PÚBLICO.

Escola faz a diferença

Mas não estranhará se se deparar com algumas das mesmas tendências registadas em 2012, como estas duas: “A família, embora importante, não é determinante para o sucesso escolar.” O que será então? Nos resultados de 2012 constatou-se que “o efeito escola foi dos mais determinantes na variação positiva dos resultados” ou seja, houve uma grande percentagem de escolas de meios desfavorecidos que se destacou por ter conseguido melhorar de forma considerável o desempenho dos seus alunos”.

São escolas que “fazem um trabalho notável”, descreve Isabel Flores, que acrescenta não ter ficado surpreendido com os bons resultados dos alunos portugueses no PISA de 2015: “Todas as variáveis apontavam nesse sentido.”

Ainda assim, Portugal destaca-se pela negativa na ligação entre chumbos e o estatuto socioeconómico dos alunos, sendo que a maioria dos repetentes vem de meios desfavorecidos, como destacou nesta terça-feira o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues (ver texto nestas páginas).

pisa

Menos alunos nos níveis básicos

Falando na sessão de apresentação dos resultados do PISA, Tiago Brandão Rodrigues lembrou também outra forma de medir as desigualdades dos sistemas: a diferença entre a percentagem de alunos que estão nos níveis mais avançados e aqueles que se ficam pelos escalões elementares. “Portugal foi dos poucos países que melhoraram os resultados consistentemente, sem aumentar as desigualdades” – ou seja, precisou, “os melhores alunos sabem hoje mais do que em 2000, mas os alunos com maiores dificuldades também”.

Uma das tendências assinaladas no PISA, no que respeita a Portugal, é a subida da percentagem dos alunos nos níveis de desempenho mais elevados, que tem vindo a acontecer ao longo das várias edições, em simultâneo com uma descida dos estudantes que se ficam pelos níveis mais básicos. A Ciências, que é o domínio para o qual há mais dados, por ser o que esteve em foco na edição de 2015, a percentagem de alunos nos níveis 5 e 6, os mais elevados do PISA, passou de 3,1% para 7,4% entre 2006 e 2012, e os que ficaram no escalão dois ou abaixo desceu, no mesmo período de 24,5% para 17,4%.

Isabel Flores lembra que este resultado foi atingido numa altura em que Portugal passou por uma forte crise económica, que se traduziu também em cortes nos salários dos professores e nos meios ao dispor das escolas. Para a investigadora, isto mostra que os estabelecimentos de ensino fizeram um trabalho de “excelência”. “Temos que sentir orgulho no nosso sistema educativo”, diz.

O comissário europeu da Educação, Tibor Navracsics, destacou em Bruxelas que “Portugal foi o único país da União Europeia que melhorou continuamente a sua performance no PISA desde 2000”. Em Portugal, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, pediu ao ministro da Educação que reflicta sobre os “resultados muitíssimo bons” revelados pelos testes PISA e que repense decisões que desfizeram ou reverteram políticas que permitiram este desempenho.

Professores destacam trabalho longo

No sentido oposto pronunciou-se a Associação de Professores de Matemática (APM). Em comunicado, a direcção da APM alerta que as medidas tomadas no consulado de Nuno Crato “podem começar a influenciar negativamente este progresso, a começar pelas que afectam as condições de trabalho dos professores com os seus alunos, até às mudanças curriculares”.

Ainda assim, os presidentes das associações de professores são unânimes em sublinhar que a melhoria de resultados evidenciada nos PISA de 2015 é mérito de um trabalho longo feito pelo país. “Não é obra de um governo específico”, sublinha o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, Jorge Buescu, que elenca quatro questões que no seu entender deram um contributo “essencial” para esta realidade: uma “grande melhoria” na formação dos professores e também nos currículos escolares, a certificação dos manuais escolares e a introdução dos exames nacionais no final de cada ciclo de ensino, que introduziram “um controlo de qualidade à formação dos alunos” no sistema educativo.

A Associação Portuguesa de Matemática concorda que os resultados são fruto de um “trabalho continuado e do investimento feito em Educação” ao longo dos últimos anos, “sobretudo, no que toca à Matemática, entre os anos 2000 e 2011”.

Também a Português, o desempenho nacional reflecte “sete ou oito anos de esforço dos professores”, defende a presidente Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira. “Mesmo com as mudanças de Governo e as subsequentes medidas legislativas já não se altera o que é estrutural: os professores perceberam que o essencial é saber ler, escrever e falar e os nossos alunos são capazes de aprender”, acrescenta Rosário Andorinha, da Associação Nacional de Professores de Português.

 

 

Alunos da Marinha Grande começam aulas em silêncio

Setembro 20, 2016 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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reportagem da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 7 de setembro de 2016.

mindup

visualizar o vídeo da reportagem no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2016-06-07-Alunos-da-Marinha-Grande-comecam-aulas-em-silencio

Na Marinha Grande há um agrupamento de escolas onde os alunos dos primeiros quatro anos de escolaridade começam cada dia de aulas com exercícios de respiração e concentração. Chama-se Projecto Mind Up e professores e alunos garantem que os resultados saltam à vista.

 mais informações nos links:

https://ebamieirinha.wordpress.com/2015/09/16/mind-up/

http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/EPIPSE/mindup.pdf

 

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