Direcção-Geral da Saúde recomenda que creches não dêem bolachas, sumos e doces

Outubro 25, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de outubro de 2019.

DGS lança manual com recomendações sobre alimentação saudável para crianças até aos seis anos. Excesso de peso atinge 32,6% das crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos em Portugal.

Ana Maia

Os “alimentos processados (por exemplo bolachas, cereais de pequeno-almoço) ou doces (como sumos, xaropes e mel) não deverão fazer parte da oferta alimentar das creches e infantários nem da rotina familiar”, defende a Direcção-Geral da Saúde (DGS). Esta é uma das várias recomendações que pais, educadores e profissionais de saúde podem encontrar no manual Alimentação Saudável dos 0 aos 6 Anos, lançado esta quarta-feira.

Uma das novidades do manual, que marca o Dia Mundial da Alimentação, são as recomendações direccionadas para berçários e creches, algo que até agora não existia. Para os jardins-de-infância e para as escolas existem várias normas que resultam de um trabalho conjunto entre a DGS e a Direcção-Geral da Educação.

O manual, que lembra que o excesso de peso atinge 32,6% das crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos em Portugal, traz indicações sobre quantidades e a forma como devem ser introduzidos os alimentos. “A partir dos seis meses é hora de começar a diversificar a alimentação. Esta é uma oportunidade única para treinar o paladar e as texturas”, diz Maria João Gregório, directora do Programa Nacional para a Alimentação Saudável, da DGS.

A comida confeccionada para as crianças até um ano não deve ter sal e açúcar adicionados e “os alimentos introduzidos devem ser os da Roda dos Alimentos”. “Neste período deve-se variar a oferta alimentar e há alimentos proibidos: o açúcar e o sal adicionados e também os alimentos processados que têm adição de açúcar e sal”, aponta a responsável.

A partir dos 12 meses, a criança passa a partilhar a mesma alimentação da família. “Os pais têm um papel enquanto modelo e a creche também”, diz Maria João Gregório. Crianças pequenas comem doses pequenas, reforça a directora do programa nacional que destaca que “não se deve forçar” a criança a comer mais quando não quer, nem “não aceitar que repita a dose” para evitar o consumo excessivo. Sumos devem estar fora da ementa — a água é a bebida mais importante —, tal como os doces e os alimentos processados, que “poderão ser a excepção nos dias de festa”, dizem as recomendações.

Não existe uma avaliação à comida oferecida nas creches. Mas as respostas que os profissionais de saúde recebem dos pais quando questionam sobre a alimentação “não são muitas vezes as que gostaríamos de ouvir”, reconhece Maria João Gregório.

“O manual pretende uniformizar um conjunto de orientações e dar ferramentas para que os berçários, creches e jardins-de-infância estejam mais capacitados para poderem ser promotores de uma alimentação saudável”, refere, adiantando que faz parte dos objectivos do programa trabalhar em conjunto com a Segurança Social para avaliar a alimentação dada nestes espaços.

Primeiros mil dias de vida

A par do manual, a DGS apresenta também a primeira Estratégia Nacional para a Alimentação do Lactente e Criança Pequena, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Dedicada aos primeiros mil dias de vida — a começar durante a gestação —, a estratégia divide-se em cinco eixos e será coordenada pela antiga ministra da Saúde e pediatra Ana Jorge.

Um dos focos principais é a promoção do aleitamento materno. “Dados da Notícia de Nascimento digital (instrumento de registo do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil) no SNS, ainda não publicados (relativos a um período de 3 meses em 2017), permitem verificar que até à data da alta da maternidade 79,1% dos recém-nascidos tiveram aleitamento materno exclusivo. Destes, 45% mantinham aleitamento materno exclusivo aos seis meses”, diz o documento.

“Sabemos que para promovermos o aleitamento materno durante um maior período de tempo, será necessário implementar um conjunto de medidas para um ambiente mais facilitador”, assume Maria João Gregório. Entre as medidas a promover estão a criação de uma rede nacional de bancos de leite humano — actualmente só a Maternidade Alfredo da Costa tem um — e a criação/revisão de legislação que preveja a existência de espaços próximos dos locais de trabalho onde as mães possam amamentar.

A estratégia pretende também que as áreas da actividade física, estilos de vida saudáveis e nutrição com especial ênfase na prática do aleitamento materno sejam incluídas nos currículos de formação de professores, educadores e outros profissionais. Outro dos eixos passa pela aposta em investigação com o objectivo de se criarem políticas e programas nacionais nesta área.

 

 

Medidas de apoio à família são cruciais para aumentar taxas de amamentação

Setembro 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 1 de agosto de 2019.

Semana Mundial da Amamentação acontece entre 1 e 7 de agosto; apenas 4 em cada 10 bebês são exclusivamente amamentados nos primeiros seis meses de vida, conforme recomendado; somente 12% dos países oferecem uma licença de maternidade remunerada adequada.

Políticas que apoiam a amamentação, como licença parental paga e intervalos para amamentação, ainda não estão disponíveis para a maioria das mães em todo o mundo.

A afirmação é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, no início da Semana Mundial da Amamentação, que decorre entre 1 e 7 de agosto.

Importância

Em nota, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “os benefícios de saúde, sociais e econômicos da amamentação, para mãe e filho, são bem conhecidos e aceitos em todo o mundo.” Apesar disso, “quase 60% das crianças do mundo estão perdendo os seis meses recomendados de amamentação exclusiva.”

Amamentar apoia o desenvolvimento saudável do cérebro em bebês e crianças pequenas, protege contra infecções, diminui o risco de obesidade e doenças, reduz custos de saúde e protege as mães de câncer de ovário e câncer de mama.

Fore disse que, apesar desses benefícios, “locais de trabalho de todo o mundo estão negando apoio muito necessário às mães.” Para ela, é preciso “investir muito mais em licença parental remunerada e apoio à amamentação em todos os locais de trabalho para aumentar as taxas de amamentação globais.”

Dados

Apenas quatro em cada 10 bebês são exclusivamente amamentados nos primeiros seis meses de vida, conforme recomendado. Nos países menos desenvolvidos, essas taxas sobem para mais da metade, 50,8%.

Os países de renda média-alta têm as menores taxas de amamentação, 23,9%, o que representa uma descida dos valores de 2012, quando eram 28,7%.

Segundo o Unicef, as mulheres que trabalham não recebem apoio suficiente para continuar a amamentar. Em todo o mundo, apenas 40% das mulheres com recém-nascidos têm os benefícios básicos de maternidade em seu local de trabalho. Em África, apenas 15% tem algum benefício para continuar.

Apenas 12% dos países do mundo oferecem uma licença de maternidade remunerada adequada. O Unicef recomenda pelo menos seis meses de licença remunerada para todos os pais, dos quais 18 semanas devem ser reservadas para as mães.

Segundo um estudo recente, mulheres com seis meses ou mais de licença maternidade tinham pelo menos 30% mais chances de manter qualquer amamentação pelo menos nos primeiros seis meses.

Benefícios

A ONU afirma que o aumento do aleitamento materno pode evitar 823 mil mortes anuais em crianças menores de cinco anos e 20 mil mortes anuais por câncer de mama.

Em 2018, apenas 43% dos bebês foram amamentados na primeira hora de vida. O contato imediato da pele com a pele e o início precoce da amamentação mantêm o bebê aquecido, constroem seu sistema imunológico, promovem a união, aumentam a oferta de leite materno e aumentam as chances de que ela continue amamentando exclusivamente.

O Unicef diz que se os números ideias de amamentação forem alcançados em todo o mundo, haverá uma redução estimada nos custos globais de saúde de US$ 300 bilhões.

Semana Mundial

A Semana Mundial da Amamentação começa esta quinta-feira, 1 de agosto, e termina a 7 de agosto. O objetivo é destacar a importância crítica da amamentação para crianças em todo o mundo. O tema deste ano é “Capacitar os pais, possibilitar a amamentação”.

Em nota conjunta, Henrietta Fore e o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus, pedem aos governos e empregadores de todo o mundo que adotem políticas favoráveis a esta prática.

Os dois representantes afirmam que “as provas deixam claro que, durante a primeira infância, a nutrição ideal fornecida pela amamentação pode fortalecer o desenvolvimento do cérebro das crianças com impactos que perduram ao longo da vida.”

Mais informações no site da Unicef:

https://www.unicef.org/breastfeeding/

Relatório Saúde Infantil e Juvenil – Portugal 2018

Fevereiro 5, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Descarreegar o relatório no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/relatorio-saude-infantil-e-juvenil-portugal-2018.aspx?fbclid=IwAR1oHjiEp_znostRqxuGYmgfTfWNq7D6f40nv71aeOyll92SuLHl-z06bmc

 

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 78 sobre Aleitamento Materno

Novembro 13, 2018 às 11:39 am | Publicado em Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 78. Esta é uma compilação abrangente e atualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Aleitamento Materno.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Conferência Internacional de Aleitamento Materno 2018 – 28 de Setembro no Porto

Agosto 8, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.unicef.pt/o-que-fazemos/o-nosso-trabalho-em-portugal/iniciativa-amiga-dos-bebes/conf-int-am-2018-porto/

 

Vale a pena reduzir a amamentação materna para os bebés dormirem mais?

Julho 21, 2018 às 5:05 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do MAGG de 12 de julho de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Estudo diz que os bebés que ingerem sólidos antes dos 6 meses dormem mais. Um especialista discorda: o leite da mãe em exclusivo é o melhor.

e acordo com os resultados de um estudo divulgado recentemente no Jama Pediatrics, as crianças que começam a ingerir sólidos com menos de seis meses de idade dormem mais do que aquelas que são amamentadas. A investigação liderada pelo especialista Michael Perkin, do Instituto de Pesquisa de Saúde da População e do Hospital St. George, em Londres, sugere que a introdução dos sólidos pode resultar num sono melhor.

Michael Perkin e a sua equipa analisaram 1303 bebés: os do grupo de introdução precoce de alimentos começaram a ingerir sólidos com cerca de 16 semanas, em média, em comparação com os do grupo padrão que iniciaram às 23 semanas. Durante o período do estudo, que durou cinco meses, os bebés que começaram a comer sólidos mais cedo dormiam mais do que aqueles cujas mães continuaram a amamentar exclusivamente até aos seis meses de idade — uma média de quase 17 minutos a mais, para sermos precisos.

A diferença de minutos, que atingiu o seu pico máximo aos seis meses dos bebés, persistiu após o primeiro aniversário destes, sendo que as crianças que começaram a dormir mais cedo também acordavam com menos frequência (9%) do que os outros.

Os minutos a mais de sono não compensam o fim da amamentação exclusiva

Apesar do quão atrativa possa ser a ideia de que as crianças podem dormir mais com alterações na alimentação, José Aparício, médico pediatra e coordenador do atendimento pediátrico do Hospital Lusíadas Porto, realça que as vantagens da amamentação exclusiva estão muito acima dos 17 minutos a mais de sono.

“Prefiro que os bebés durmam menos 17 minutos e que se alimentem à mama”, diz à MAGG o especialista, que alerta que este tipo de estudos e trabalhos podem influenciar uma mãe a deixar de lado a amamentação exclusiva em prol de um sono mais extenso das crianças.

O médico pediatra afirma que “17 minutos não são nada” e recomenda que “se mantenha a mama”. José Aparício é “muito crítico em relação a tudo o que coloque em causa algo adquirido já há muitos anos, como os benefícios da amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida das crianças”.

De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento materno deve ser obrigatório no primeiro meio ano dos bebés e só depois é que os alimentos sólidos podem ser introduzidos.

“Respeitando o trabalho citado, estamos a comparar uma média de 17 minutos de sono contra uma vantagem imunológica, nutricional, psicológica e intelectual, basicamente tudo aquilo que a alimentação materna traz de positivo para um bebé. São também 17 minutos em que a mãe está a olhar para o bebé e este para a mãe”, afirma o especialista.

De acordo com José Aparício, a amamentação exclusiva é fundamental e traz inúmeras vantagens. “É claro que a população em geral pode ser seduzida pela ideia de conseguir mais tempo de descanso para os filhos, mas tenho mais que argumentos para desmontar esta ideia de 17 minutos a mais à custa de acabar com a mama em exclusivo, que vou defender sempre, devido aos seus variados benefícios em diversos campos”, conclui o pediatra.

Em Portugal, quase dois terços das mães amamentam em exclusivo até aos três meses.

 

 

 

Semana do Aleitamento Materno

Outubro 6, 2015 às 11:57 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A convite do Centro de Saúde de S. Martinho do Bispo de Coimbra e, no âmbito da Semana do Aleitamento Materno, Paula Duarte do IAC- Fórum Construir Juntos – Coimbra vai dinamizar uma sessão intitulada “Direito a ser Amado e Cuidado”, no dia 6 de Outubro de 2015 , na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, destinada a grávidas, pais e mães.

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Aos seis meses de vida, só 22% dos bebés tomam apenas leite da mãe

Outubro 19, 2014 às 11:05 am | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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texto do Público de 12 de outubro de 2014.

ENRIC VIVES-RUBIO

Romana Borja-Santos

Valor fica aquém das metas da Organização Mundial de Saúde, mas tem melhorado desde que a DGS começou a publicar o Registo do Aleitamento Materno.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os bebés sejam alimentados em exclusivo com leite materno até aos seis meses, mas em Portugal só 22% das crianças nesta idade cumprem esta meta. Os dados, referentes a 2013, fazem parte do Registo do Aleitamento Materno e foram divulgados neste domingo pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Apesar de os valores estarem muito aquém das metas da OMS, que pretendia ter pelo menos 50% dos bebés em aleitamento exclusivo até aos seis meses, a verdade é que Portugal tem conseguido uma evolução positiva. No período de três anos, o país conseguiu passar de 14% dos bebés a cumprirem as indicações da OMS para 22%.

O relatório, que é feito desde 2010 com o objectivo de monitorizar os processos de alimentação de lactentes e crianças pequenas em Portugal, indica ainda que no ano passado mais de 98% dos bebés começaram a mamar antes da alta hospitalar. Em quase 77% dos casos o aleitamento materno foi conseguido em exclusivo, isto é, sem que tenha sido dado nenhum tipo de suplementos. Um valor que sobe para os 79% nos chamados Hospitais Amigos dos Bebés, que são unidades que cumprem dez medidas definidas pela OMS e consideradas essenciais para a promoção, protecção e apoio ao aleitamento materno.

Além dos dados sobre o aleitamento aos seis meses, o relatório mostra também que na chamada consulta de puerpério, feita entre a quinta e a sexta semana de vida, 88% das crianças mantinham-se a tomar o leite da mãe em exclusivo. No entanto, aos dois meses este valor cai abruptamente para menos de 52% e, aos quatro meses, volta a descer para 35%. Ao todo, em 10% dos casos as famílias optaram por iniciar a alimentação complementar (como papas e sopas) antes dos cinco meses e 25% fizeram-no antes dos seis meses.

A recolha dos dados foi feita em hospitais e centros de saúde e contou com uma amostra de mais de 31 mil recém-nascidos, o que corresponde a 25% dos nascimentos em Portugal. Porém, a DGS, perante o aumento do número de casos de prematuros, recomenda que, no futuro, seja feito um estudo específico sobre estas crianças, dadas as particularidades que os bebés pré-termo envolvem.

IV Relatório com os dados do Registo do Aleitamento Materno 2013

http://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/iv-relatorio-com-os-dados-do-registo-do-aleitamento-materno-2013-pdf.aspx

 

Amamentar permitiria salvar meio milhão de crianças por ano

Agosto 6, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Açoriano Oriental de 4 de agosto de 2014.

O documento da Unicef citado na notícia é o seguinte:

A letter from UNICEF Executive Director Anthony Lake on the occasion of World Breastfeeding Week 2014

clicar na imagem

mama

Não existe leite mau. Amamentar é uma arte mas aprende-se

Julho 8, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do i de 27 de junho de 2014.

rodrigo cabrita

Por Marta F. Reis

Neonatologista abriu este mês a primeira clínica de amamentação do país. Muitas mulheres desistem por falta de informação e apoio, diz fundadora

“Vamos esperar que ela abra a boca um bocadinho mais. Vai abrir várias vezes um pouco, mas há um momento em que abre mais e é aí que aproveitamos.” É como a certeza de que a sétima onda é maior que as outras e Alexandra, com Laura ao colo, confia no que a médica diz mesmo que isso implique resistir ao impulso de aproveitar cada aproximação. A bebé de 21 dias vai entreabrindo os lábios colada ao seu peito mas ainda não chegou o sinal de que vai pegar bem a mama, o desafio com que a mãe pela primeira vez aos 37 anos se debate há duas semanas. Não é sabedoria de algibeira, é um dos sinais subtis de “prontidão para mamar”. Elsa Paulino, pediatra neonatologista e uma das 16 consultoras de amamentação no país reconhecida pelo Conselho Internacional de Examinadores de Consultores em Lactação, está ao lado, a respirar calma para cima das duas. O gabinete está a meia-luz, com um fraldário, almofadas floridas e quadros na parede. Como se fosse um quarto. E, mesmo sendo uma consulta, há entre os conselhos o silêncio da intimidade entre mãe e filha.

Em Junho, Elsa Paulino inaugurou em Lisboa a primeira clínica de amamentação do país, dedicada ao treino antes e depois do parto. E a mostrar às mães (e aos pais) que com pequenos truques pode ser um momento perfeito, como diz a montra do espaço que quase passa despercebido no número 13 da Rua Professor Simões Raposo, no Lumiar.

Alexandra, enfermeira de profissão, estava determinada a amamentar a sua filha até quando fosse possível. A certeza de que o leite materno ajuda a reforçar o sistema imunitário dos bebés e prevenir doenças vem dos livros, mas tinha outro argumento de força. Nasceu em 77, numa altura em que amamentar era pôr à prova a conquista de emancipação das mulheres. “Dizia-se que os leites artificiais faziam melhor ao bebé.” Mas como então a família de Cantanhede estava em Angola, a escassez de fórmulas cedo começou a ser compensada com colheradas de leite condensado diluído em água. “Apesar de ter feito as vacinas, tive sarampo, rubéola, varicela, papeira. Em miúda estava sempre doente, com amigdalites, otites. Tive dores de fugir”, conta Alexandra. A irmã, dois anos mais nova, foi amamentada e não teve nada. “Não sei se foi disso, mas com o que fui sabendo mais tarde liguei as duas coisas e não quis isso para a minha filha.”

Laura nasceu, tiveram alta e começou o pesadelo. A mama gretada, caroços, dor. E a bebé de 38 semanas com 2900 gramas a perder peso. “Estava estoirada, adormecia com ela no peito. Cheguei a acordar agarrada a uma almofada de sonhar que estava a dar de mamar”, conta Alexandra, que de cada vez que Laura faz como deve ser e lhe abocanha toda a auréola do mamilo recupera tranquilidade. Cinco dias após o nascimento, semana em que perdeu oito quilos entre nervos e lágrimas, voltou ao médico para pedir ajuda. Sugeriram-lhe que tentasse tirar leite com a bomba e experimentar com o biberão. Recusou, com receio que o leite começasse a secar. Pediu conselho às amigas, cada uma deu a sua opinião. Eram manhas da menina e devia experimentar a bomba. No limite, ouviu falar da clínica. “A própria enfermeira quando cheguei olhou para mim e viu que eu estava morta, física e emocionalmente. Sentia-me uma incompetente.”

Ainda antes dos conselhos, tranquilizaram-na. “Disseram-me que não era a única.” Depois de uma primeira consulta, vai na terceira de revisão. Em dois dias a filha recuperou 120 gramas. Na primeira semana, 480. Elsa Paulino estima que 50% das mães passem por dificuldades logo nos primeiros dias, quando o leite “sobe” – entre o 3.o e 5.o triplica para dar resposta ao recém-nascido. “Como não estão a dar bem de mamar e o filho não sorve bem, a mama fica tensa e começa a haver problemas.” Para a especialista, esta realidade e o facto de muitas mulheres acabarem por desistir por falta de apoio explica ainda a reduzida percentagem de mulheres que amamentam em exclusivo nos primeiros seis meses, a recomendação da Organização Mundial de Saúde. Segundo os últimos dados do Registo de Aleitamento Materno, em Portugal 74,5% das mulheres saem da maternidade a amamentar. À sexta semana, são 65% e aos seis meses já só quatro em cada dez mantém a alimentação exclusiva com leite materno.

Para vencer as estatísticas, há mitos a derrubar. “O leite secou ou não presta são coisas que não existem. Muito do que acontece de mau na amamentação são falhas nossas”, diz Elsa Paulino. Divide as dificuldades em três grupos. Ter falta de segurança é o primeiro, o mais simples de resolver. O segundo, onde inclui Alexandra, é aquele em que é necessário adaptar a mãe ao bebé. Compressão mamária para ajudar a sucção ou técnicas de correcção da pega e da posição são alguns passos. A criança até parece mamar bem, mas doer deve ser um dos sinais de alerta. “A maioria das mulheres que nunca amamentou coloca mal o filho. Estamos formatados para o biberão: brincamos com nenucos e vêm com eles acoplados. Não mamam virados para cima no colo mas para o peito.”

O terceiro grupo, mais raro, é o mais difícil de trabalhar. Inclui antecedentes de cirurgia mamária ou fenda do palato. Mas mesmo essas situações podem ter sucesso. “Não somos os únicos a fazê–lo. Há profissionais nos hospitais, em centros de saúde e associações como a SOS Amamentação. Somos uma alternativa”, resume a médica, que acredita que o Estado tem de facilitar mais a vida às mães. Mesmo em coisas simples. “Se a recomendação é leite materno em exclusivo até aos seis meses, a licença da mãe devia ter essa duração sem penalizações”, defende. Hoje o sexto mês é possível mas é pago a 80%.

No novo espaço, a primeira consulta custa 60 euros e as seguintes 30. Têm planeadas formações por fases, do pré- -parto ao regresso ao trabalho. Para pais e profissionais. “Há lacunas nos currículos sobre as vantagens da amamentação”, diz a médica, por experiência própria. Teve quatro filhos mas só amamentou até aos oito meses “por falta de conhecimento”. O leite materno deve estar na dieta até aos dois anos. Mas também as formações para o parto não dizem tudo, diz Alexandra, que teve o cuidado de aprofundar o tema antes de Laura nascer. Foi para casa com a ideia de que tinha de dar de mamar de três em três horas e pôs o despertador a marcar o que se revelou uma luta com a filha. “É outra ideia que nos ficou da moda dos biberões e das fórmulas adaptadas de leite de vaca. O leite humano tem um baixo teor de gordura. Ao contrário de outras espécies que mamam de 12 em 12 horas, as mamadas têm de ser curtas e frequentes, às vezes de uma em uma hora”, diz Elsa Paulino. A habituação é difícil, reconhece a médica, mas, quando deixa de haver dificuldades e se entra na rotina, as mães que amamentam acabam por ser mais relaxadas. “Não estão presas por horas, não têm de andar com biberões e esterilizadores.” Alexandra agora já se sente capaz. Saber e paciência são os segredos e arranjam-se. “Dá trabalho mas não tenho mais nada para fazer. Estou de licença para cuidar dela.”

 

 

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