Obsessão em medicar crianças para estarem mais atentas e sossegadas preocupa CNE

Setembro 26, 2016 às 12:00 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 24 de setembro de 2016.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Estado da Educação 2015

A obsessão em ter as crianças mais atentas e sossegadas, com recurso a substâncias químicas, poderá representar um condicionamento irreversível do seu desenvolvimento cognitivo e social que nenhum medicamento poderá recuperar, alerta o Conselho Nacional de Educação (CNE).

No relatório “Estado da Educação 2015”, hoje divulgado, o presidente do CNE, David Justino, escreve que se tornou preocupante o consumo de substâncias estimulantes do sistema nervoso central, especialmente as orientadas para a superação de “supostos problemas” de hiperatividade e défice de atenção.

“O recurso cada vez mais generalizado ao metilfenidato (princípio ativo da designação comercial de Ritalina) reflete um problema que não deverá ser menosprezado”, adverte o ex-ministro da Educação na apresentação do documento.

O investigador refere a venda de quase 300.000 embalagens deste medicamento, em 2014 (dados do Infarmed), para defender uma reflexão por parte dos pais, dos professores, dos profissionais de saúde e dos decisores políticos sobre as razões de “tão rápido crescimento do consumo” e sobre os efeitos que o abuso destas substâncias pode ter no desenvolvimento geral das crianças.

O CNE recorreu também a dados da Direção-Geral de Saúde para mostrar que o consumo destes medicamentos passou de 2.937.039 doses diárias em 2009 para 6.515.293 em 2013 (considerando os fármacos comparticipados e dispensados à população em regime de ambulatório).

De acordo com o relatório Saúde Mental em Números 2015, as crianças portuguesas até aos 14 anos estão a consumir mais de cinco milhões de doses diárias de metilfenidato.

O investigador nota, por outro lado, uma “assinalável tendência” para a diminuição do consumo de substâncias aditivas: “Há uma clara redução dos que reconhecem ter experimentado o consumo de tabaco e cannabis e uma tendência positiva dos que afirmam não consumir”.

Os resultados apurados por este estudo relativamente às bebidas alcoólicas referem uma situação menos favorável, “ainda que a tendência seja para diminuir”.

No que diz respeito ao ensino superior, o presidente do CNE assinala que há alunos e oportunidades a menos e que um dos problemas que se coloca na internacionalização das instituições é “a escassa especialização”.

“As ofertas generalistas de caráter tradicional tendem a dominar, face ao desejável desenvolvimento de núcleos de ensino e investigação especializados em domínios onde as instituições portuguesas possam ser reconhecidas e com capacidade para competir com as suas congéneres estrangeiras”, observa.

David Justino refere também que os indicadores de produção científica “continuam a ser moderados” quando comparados com os de países de idêntico nível de desenvolvimento económico e social.

“O facto de possuirmos alguns centros de excelência, não consegue esconder que a maioria não ultrapassa a mediania, bem como a irremediável tendência para paroquialização e enquistamento das equipas e das instituições de investigação científica”, critica o presidente do CNE.

O documento, de 300 páginas, é editado anualmente pelo CNE.

Lusa

 

 

Crimes sexuais contra menores triplicaram nos primeiros seis meses de 2015

Setembro 23, 2016 às 2:11 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 22 de setembro de 2016.

o relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Memorando Semestral 1.º Semestre 2016 Ação do Ministério Público no Distrito Judicial de Lisboa (Área Penal)

Lusa

Relatório semestral da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa dá conta da abertura de 496 inquéritos por crimes sexuais contra menores.

Os inquéritos de crimes sexuais contra menores mais do que triplicaram no primeiro semestre do ano, face a igual período de 2015, na área da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), segundo aquele organismo do Ministério Público.

Nos primeiros seis meses do ano, registou-se igualmente um significativo aumento dos processos entrados por negligência na prestação de cuidados de saúde, que duplicaram em relação ao mesmo período de 2015, e crimes fiscais, que aumentaram 41 por cento.

O memorando semestral, assinado pela procuradora-geral Maria José Morgado, refere que foram instaurados, entre Janeiro e Junho, 496 inquéritos por crimes sexuais contra menores na área da PGDL, enquanto nos mesmos meses de 2015 tinham dado entrada 128 processos.

Nos primeiros seis meses do ano, a área da PGDL registou 43 processos por negligência na prestação de cuidados de saúde, contra os 21 casos verificados no mesmo período de 2015.

O documento, que faz um balanço da actividade do Ministério Público (MP) na área da PGDL, adianta que foram instaurados 1383 inquéritos por crimes fiscais, mais 41 por cento do que no mesmo período de 2015. Verificou-se também um aumento dos inquéritos entrados por violência por agente de autoridade (mais 36%), contra agente de autoridade (mais 10%) e por violência doméstica (mais 8%), indica a PGDL.

De acordo com o mesmo documento, a violência doméstica continua a ser o crime com mais processos instaurados na área da PGDL, tendo-se registado um total de 5578 inquéritos.

Menos processos por corrupção

Por sua vez, os crimes que registaram uma descida, nos primeiros seis meses do ano, foram contra profissionais de saúde (menos 54%), contra pessoas vulneráveis (menos 18%) e a violência em comunidade escolar (menos 5%).

Também os processos entrados no distrito judicial de Lisboa por crimes de corrupção e afins sofreram uma ligeira diminuição (menos 4%), tendo dado entrada 194 inquéritos entre Janeiro e Junho, contra os 203 do mesmo período do ano passado. No entanto, o documento destaca que se verificou, no primeiro semestre, um “acentuado aumento dos valores monetários envolvidos” nos crimes económicos contra o Estado e corrupção e afins. O valor monetário dos inquéritos analisados totalizaram quase 50 milhões, nos primeiros seis meses do ano, enquanto, no período homólogo de 2015, o montava ultrapassava os 38 milhões.

No total, no primeiro semestre do ano, deram entrada na PGDL 79.694 inquéritos, menos 13.164 inquéritos que no período homólogo de 2015. No balanço adianta-se também que, no final do primeiro semestre, existiam menos 5863 processos pendentes comparativamente com a data homóloga de 2015.

A PGDL refere que a redução nas pendências se deve “unicamente à diminuição nas entradas de processos, sem a qual se verificaria um saldo negativo”. “A não se verificar esta diminuição nas entradas, as pendências teriam aumentado no distrito de Lisboa, o que se ficaria a dever à manifesta escassez de magistrados e funcionários”, sublinha ainda aquele organismo do Ministério Público (MP).

Fazem parte da PGDL as comarcas de Lisboa, Lisboa Norte, Lisboa Oeste, Madeira e Açores.

 

 

 

Taxa de escolarização das crianças de três anos aumentou para 77%

Setembro 18, 2016 às 5:28 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 15 de setembro de 2016.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Education at a Glance 2016 : OECD Indicators

Dados de Portugal no link:

http://www.keepeek.com/Digital-Asset-Management/oecd/education/education-at-a-glance-2016/portugal_eag-2016-75-en#.V9vNAmkVARo

2016

Natália Faria

A despesa pública com este sector é menor do que a média da OCDE em 18 pontos percentuais. A explicação pode estar no facto de apenas metade das crianças portuguesas frequentarem estabelecimentos públicos. Organismo recomenda maior comparticipação estatal no sector.

Os alunos que frequentaram o pré-escolar tendem a sair-se melhor no desempenho académico nas idades mais avançadas, segundo a OCDE. E, no que aos números diz respeito, Portugal destaca-se pela positiva na fotografia de grupo deste organismo, já que, entre 2005 e 2014, a taxa de escolarização das crianças de três anos de idade aumentou de 61% para 77%. O país cresceu assim a um ritmo superior à média da OCDE que, no período analisado, se situou entre os 54% e os 69%, e ficou mais próximo da meta de estender a educação pré-escolar a todas as crianças entre os três e os seis anos de idade.

Ainda em termos de cobertura da rede, na faixa etária dos quatro anos o cenário mostra-se ainda mais abonatório para Portugal, já que, em 2014, 91% das crianças estavam matriculadas no ensino pré-escolar, contra uma média da OCDE de 85%. Uma vantagem clara se se considerar que a frequência do pré-escolar é consensualmente apontada como uma das melhores armas no combate às desigualdades sociais.

Mas nem tudo é cor-de-rosa. Traçado o cenário em grandes números, a OCDE aponta idiossincrasias portuguesas no pré-escolar. Desde logo porque, em termos de despesa, o pré-primário pesa apenas 0.6% do PIB português, ligeiramente abaixo da média de 0.8% da OCDE, numa poupança conseguida à custa das famílias, isto é, apenas 65% da despesa com o pré-escolar provém dos recursos públicos, ficando o restante a cargo das famílias. Na média da OCDE, 83% dos custos com o pré-escolar provêm dos cofres estatais. Portugal investe, portanto, menos 18 pontos percentuais.

Por outro lado, apenas 54% das crianças portuguesas matriculadas no pré-escolar frequentam estabelecimentos públicos, contra uma média de 67% nos países da OCDE, o que ajuda a explicar a maior sobrecarga financeira das famílias portuguesas. Ora, os peritos da OCDE sustentam a propósito que o financiamento público é alicerce fundamental para garantir a qualidade do pré-escolar, nomeadamente porque possibilita o recrutamento de pessoal capaz de garantir “o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças”. “Nos países que não canalizam verbas públicas suficientes para cobrir tanto a qualidade como a quantidade [da educação pré-escolar], algumas famílias poderão sentir-se inclinadas a encaminhar os seus filhos para estabelecimentos privados, o que implica um fardo financeiro mais pesado. Outros poderão preferir ficar em casa, o que põe em causa a participação dos progenitores no mercado de trabalho”, acrescenta ainda o relatório.

O ex-secretário de Estado da Educação e investigador da Universidade Católica Joaquim Azevedo considera que estas recomendações “fazem todo o sentido”. “É muito pesado para as famílias suportarem os custos da educação pré-escolar. Com a entrada no 1º ciclo do básico, as coisas acalmam, mas, até lá, é muito difícil para as famílias. Aliás, essa é precisamente uma das medidas prioritárias no apoio aos casais com filhos”, recorda, referindo-se ao relatório Por um Portugal amigo das crianças, da natalidade e das famílias 2015-2035, cujos trabalhos coordenou e que elenca um conjunto de recomendações de “remoção dos obstáculos” à natalidade.

A dimensão das turmas no pré-escolar é outro dos aspectos que mancham a imagem portuguesa. O rácio português de 17 crianças por cada professor é “dos mais elevados” dos países analisados, cuja média aponta um rácio médio de 14 alunos por professor.

Numa altura em que vigora já a universalidade do pré-escolar para as crianças de quatro anos, o actual ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, prometeu que até 2020 todas as crianças de três anos de idade deverão ter acesso garantido ao pré-escolar. O problema que está actualmente em cima da mesa é que, com a universalidade aos quatro anos, a procura aumentou mas a oferta manteve-se. Resultado: há centenas de crianças em lista de espera para um lugar na rede pública da educação pré-escolar.

 

 

“Preciso de sair deste inferno”, dizem crianças refugiadas detidas na Grécia

Setembro 11, 2016 às 5:00 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 9 de setembro de 2016.

descarregar o relatório citado na notícia no link:

https://www.hrw.org/sites/default/files/report_pdf/greece0916_web.pdf

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Maria João Guimarães

Relatório da Human RIghts Watch alerta para os problemas da detenção de menores não-acompanhados. “Sinto-me como se tivesse assassinado alguém”, lamenta um adolescente.

Fugindo de bombas, ataques diários ou perseguições, atravessando país após país sem saber falar a língua em nenhum lado, longe da família que pode estar para trás ou ter morrido na viagem perigosa, muitos menores acabam por chegar finalmente à Europa e… ser presos. Não durante uma noite mas, muitas vezes, por mais de um mês, diz a Human Rights Watch.

Muitos não percebem por que estão ali, em celas sem colchões, com ratos ou pulgas, sem comida suficiente ou, pior, com celas em que estão também adultos. “Sinto-me como se tivesse assassinado alguém”, disse Mukhtar G., um adolescente de 17 anos detido num centro na Grécia, citado pela organização de defesa dos direitos humanos no seu relatório Porque não me deixam sair daqui?: crianças não acompanhadas detidas na Grécia, apresentado esta sexta-feira.

A Human Rights Watch detalha as condições das crianças na Grécia, um dos principais pontos de chegada de refugiados que atravessam o Mar Egeu vindos da Turquia em viagens perigosas às mãos de traficantes, pouco depois de a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) ter alertado para o grande aumento de crianças refugiadas em todo o mundo: há quase 50 milhões de crianças deslocadas, das quais mais de metade, 28 milhões, foram levadas a sair por causa de conflitos.

Entre 2005 e 2015, o número de crianças refugiadas a cargo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) passou de quatro milhões para mais de oito milhões, um aumento para o qual contribuíram sobretudo os últimos cinco anos, diz a Unicef no seu relatório Desenraizadas: A crescente crise de crianças refugiadas e migrantes. Quase metade, 45%, da população de crianças refugiadas vem de apenas dois países: Afeganistão e Síria.

Nos últimos dois anos, o ponto de entrada na Europa de muitas destas crianças foi a Grécia. O país, que enfrentou em 2015 uma chegada de refugiados sem precedentes que se juntou à já difícil crise económica, não tem centros suficientes para acolher estes menores que estão sozinhos. Assim, acaba por os deter.

Enquanto a medida é apresentada como servindo o próprio interesse das crianças e menores e sendo curta e muito ocasional, a autora do relatório da HRW, Rebecca Riddell, sublinha que o tempo médio de detenção são 40 dias e que estar fechado numa cela apinhada e suja é a última coisa de que um menor em fuga da guerra necessita.

Sobretudo, porque não faz ideia do que lhe está a acontecer. Alguns dos menores que foram entrevistados pela HRW já tinham sido presos noutros locais ao longo da viagem, mas para muitos a chegada à Europa marca a primeira detenção.

E em nenhum caso ouvido pela organização houve possibilidade de falar com a polícia através de um intérprete. Com sorte, algum dos menores falava um pouco de inglês e algum polícia também, mas é raro acontecer, e mesmo isso não permite uma comunicação livre de mal entendidos, nota Ridell ao PÚBLICO, por telefone. “A falta de informação é muito perturbadora para as crianças”, diz. “Elas não percebem aspectos básicos da sua detenção: porque estão presas, para onde vão ser levadas, quando poderão esperar sair.” Muitas vezes estão detidas junto com adultos. “Não me consigo sentir seguro, porque outras pessoas estão a drogar-se”, contou Nawaz, 17 anos. “Há lutas, e nessas alturas não consigo dormir.”

“Juro por Deus, durmo ao lado de ratos”, contou um rapaz argelino de 15 anos. “Sinto-me sozinho aqui, longe da minha família, dos meus amigos… Preciso de sair deste inferno”, disse um afegão de 16 anos.

“Já não conto os dias”, desabafou um curdo de 16 anos que fugiu de uma área controlada por radicais islâmicos e foi levado de um centro de detenção da guarda costeira para um da polícia. Outro problema é que a muitos menores são retirados os telefones, a sua ligação à família que está noutro país. O isolamento aumenta. “A minha família nem sabia onde eu estava”, disse outro entrevistado.

Os próprios polícias não gostam desta situação. “Além de polícias somos pais”, disse um responsável policial em Igoumenitsa, Sul da Grécia. “Claro que concordamos que não devíamos ser nós a lidar com as crianças, mas para já é a melhor opção”, defendeu.

A HRW discorda e embora reconheça esforços das autoridades gregas, Rebecca Riddell sublinha que “a detenção não justificada de crianças é um problema crónico na Grécia – mesmo tendo em conta a escala das novas chegadas e a falta de acção da União Europeia que dificultou muito o problema, ele já existia”. Por isso, “apesar destes desafios e das dificuldades, a Grécia tem obrigação de cuidar destes menores”, defende.

Só nos primeiros sete meses de 2016, o país registou mais de 3300 crianças não acompanhadas, e nos primeiros seis deteve 161, nota a HRW.

No quadro global, as crianças representam cerca de metade do contingente global de refugiados, apesar de constituírem apenas um terço da população mundial, nota a Unicef. “O mundo ouve histórias de crianças refugiadas, uma de cada vez, e o mundo consegue dar apoio a essa criança, mas quando falamos de milhões isso causa um horror incrível e acentua a necessidade em lidar com este crescente problema”, afirmou a autora do relatório da agência para a infância da ONU, Emily Garin.

As crianças enfrentam perigos especiais. Em 2014 e 2015 a Europol alertava para o desaparecimento de dez mil crianças não acompanhadas na Europa, provavelmente às mãos de redes de exploração sexual ou de trabalho forçado.

Na Alemanha, a Associação Federal para Menores Refugiados Não-Acompanhados estima que tenham desaparecido entre 15 a 25% dos entre 35 mil e 40 mil menores sozinhos que chegaram ao país em 2015. No país, o caso de um menor desaparecido causou comoção: Mohammed, um menino bósnio de quatro anos, que estava com a família num centro de registo de Berlim, foi levado por um estranho que acabaria por matá-lo. O caso só terminou um mês depois com a prisão e confissão do homicida, condenado a prisão perpétua.

mais notícias sobre o assunto da Human Rights Watch nos links:

https://www.hrw.org/the-day-in-human-rights/2016/09/09

https://www.hrw.org/news/2016/09/08/greece-migrant-children-held-deplorable-conditions

Há perto de 50 milhões de crianças “desenraizadas” no mundo

Setembro 8, 2016 às 12:00 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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Comunicado de imprensa da Unicef Portugal de 7 de setembro de 2016.

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Há perto de 50 milhões de crianças “desenraizadas” no mundo – UNICEF

28 milhões estão deslocadas dentro e fora dos seus países devido a conflitos e violência

NOVA IORQUE, 7 de Setembro de 2016 – Em todo o mundo, perto de 50 milhões de crianças estão actualmente desenraizadas, das quais 28 milhões deixaram as suas casas devido a conflitos para os quais não contribuíram minimamente, e muitas outras migraram na esperança de encontrar uma vida melhor e mais segura. Muitas vezes traumatizadas pelos conflitos e pela violência dos quais fogem, estas crianças enfrentam outros perigos pelo caminho, incluindo o risco de afogamento em travessias por mar, má nutrição e desidratação, tráfico, rapto, violação e mesmo de assassínio. Nos países pelos quais passam ou nos de destino, são muitas vezes vítimas de xenofobia e discriminação.

Um novo relatório que a UNICEF lança hoje, Uprooted: The growing crisis for refugee and migrant children (Desenraizadas: A crise que se agrava para crianças refugiadas e migrantes), apresenta novos dados que traçam um quadro muito desolador sobre a vida e a situação de milhões de crianças e suas famílias afectadas por conflitos violentos e outras crises que fazem parecer mais seguro arriscar tudo numa viagem perigosa do que permanecer em casa.

“Imagens inesquecíveis de algumas crianças – o corpo inerte de Aylan Kurdi que morreu afogado e deu à costa numa praia, ou o rosto aturdido e ensanguentado de Omran Daqneesh quando é levado para uma ambulância depois de uma bomba ter arrasado a sua casa – chocaram o mundo,” afirmou Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF. “Mas cada imagem, cada rapariga ou cada rapaz, representa muitos milhões de crianças em perigo – o que exige que a nossa compaixão pela criança cuja imagem chega até nós se traduza em acção para todas as crianças.”

O Relatório revela que:

  • As crianças representam uma percentagem desproporcionada e crescente das pessoas que procuraram refúgio fora dos seus países de origem – elas constituem cerca de um terço da população global mas cerca de metade de todos os refugiados. Em 2015, cerca de 45 por cento de todas as crianças refugiadas sob protecção do ACNUR vieram da Síria e do Afeganistão.
  • 28 milhões de crianças abandonaram as suas casas devido à violência e a conflitos no interior dos seus países e além fronteiras, entre as quais 10 milhões de crianças refugiadas; 1 milhão de requerentes de asilo cujo estatuto de refugiado ainda não foi determinado; e cerca de 17 milhões de crianças deslocadas nos seus próprios países – crianças que precisam urgentemente de assistência humanitária e acesso a serviços essenciais.
  • São cada vez mais as crianças que atravessam fronteiras sozinhas. Em 2015, mais de 100.000 crianças (menores de 18 anos) não acompanhados requereram asilo em 78 países – três vezes mais do que em 2014. As crianças não acompanhadas estão entre as que correm maior risco de exploração e abuso, incluindo por parte de passadores e traficantes.
  • Para além daquelas, cerca de 20 milhões de crianças migrantes em diversas partes do mundo deixaram as suas casas por razões de diversa ordem, entre as quais a pobreza extrema ou a violência de gangs. Muitas estão particularmente em risco de abuso e detenção porque não têm documentos, porque têm um estatuto legal incerto e por falta de acompanhamento e monitorização sistemáticos do seu bem-estar – as crianças que escapam por entre as lacunas do sistema.

Segundo o relatório “Desenraizadas”, a Turquia acolhe o maior número de refugiados recentes, e muito provavelmente o maior número de crianças refugiadas do mundo. Proporcionalmente à sua população, o Líbano é de longe o país que acolhe o maior número de refugiados: aproximadamente 1 em cada 5 pessoas no Líbano é um refugiado. Comparativamente, no Reino Unido há aproximadamente 1 refugiado por cada 530 pessoas; e 1 por cada 1.200 nos EUA. Contudo, se considerarmos o nível de rendimento dos habitantes dos países de acolhimento é na República Democrática do Congo, na Etiópia e no Paquistão que se regista a maior proporção de refugiados.

O relatório defende que onde existem rotas seguras e legais, as migrações podem representar oportunidades tanto para as crianças que migram como para as comunidades que as acolhem. Um estudo sobre o impacte das migrações em países de elevado rendimento concluiu que os migrantes contribuíram com mais impostos e contribuições para os sistemas sociais do que a ajuda que receberam; que preencheram lacunas de pessoal altamente qualificado e pouco qualificado no mercado de trabalho; e contribuíram para o crescimento económico e a inovação nos países de acolhimento.

Mas, o que é grave é que as crianças que deliberadamente deixaram as suas casas ou se viram forçadas a fugir, muitas vezes perdem os potenciais benefícios da migração, como a educação – um dos principais factores que leva muitas famílias e crianças a optar pela migração. Uma criança refugiada tem cinco vezes mais probabilidade de não frequentar a escola do que uma criança não refugiada. E quando têm a oportunidade de a frequentar, é na escola que as crianças migrantes e refugiadas são mais frequentemente vítimas de discriminação, nomeadamente mediante tratamento injusto e bullying.

Fora da sala de aula, as barreiras legais impedem as crianças refugiadas e migrantes de beneficiarem dos mesmos serviços que as crianças naturais do país em questão. Nos casos mais graves, a xenofobia pode chegar a ataques directos. Só na Alemanha, as autoridades registaram 850 ataques contra abrigos de refugiados em 2015.

“Que preço pagaremos se não proporcionarmos a estes jovens as oportunidades necessárias para terem uma educação e uma infância mais normal? Como poderão eles contribuir positivamente para as suas sociedades? Se o não puderem fazer, não serão apenas os seus futuros que ficarão comprometidos mas também as suas sociedades serão enfraquecidas,” disse Lake.

O relatório destaca seis medidas específicas para proteger e ajudar crianças deslocadas, refugiadas e migrantes:

  • Proteger as crianças refugiadas e migrantes da exploração e da violência, especialmente as crianças não acompanhadas.
  • Pôr fim à detenção de crianças requerentes do estatuto de refugiado ou migrante através da adopção de uma série de alternativas práticas.
  • Manter as famílias juntas como a melhor forma de proteger as crianças e atribuir às crianças um estatuto legal.
  • Permitir que todas as crianças refugiadas e migrantes possam continuar a sua aprendizagem e que tenham acesso à saúde e a outros serviços de qualidade.
  • Apelar à acção concreta para combater as causas que estão na origem de movimentos de refugiados e migrantes em larga escala.
  • Promover medidas para combater a xenofobia, a discriminação e a marginalização.

 

 

 

Raptadas, traficadas, violadas, mortas – os riscos que milhares de crianças enfrentam todos os meses no caminho da América Central para os EUA

Agosto 29, 2016 às 8:00 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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Press Release e relatório da Unicef no link:

http://www.unicef.org/media/media_92569.html

Relatório anual da atividade das CPCJ de 2015

Agosto 26, 2016 às 6:00 am | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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descarregar o relatório no link:

http://www.cnpcjr.pt/left.asp?14.04.18

Relatório da rede GAAF 2015/2016

Agosto 17, 2016 às 2:38 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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descarregar o relatório no link:

http://www.iacrianca.pt/index.php/atualidades/noticias/item/843-relatorio-do-iac-mediacao-escolar-do-ano-letivo-2015-2016

3.6 milhões de crianças estão agora em risco devido ao aumento da violência no Iraque – relatório “A Heavy Price for Children”

Julho 29, 2016 às 6:00 am | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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descarregar o relatório no link:

http://www.uniraq.org/index.php?option=com_k2&view=item&task=download&id=1882_155abec0c097a09d6cd3c8694f9a6f3c&Itemid=626&lang=en

ou

http://www.unicef.pt/relatorio_iraque_um_preco_elevado_para_as_criancas.pdf

mais informações na notícia da Unicef Portugal

3.6 milhões de crianças estão agora em risco devido ao aumento da violência no Iraque

 

Young people not in employment, education or training (NEET): An overview in ETF partner countries

Julho 28, 2016 às 8:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe o seu comentário
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etf

descarregar o documento no link:

http://www.etf.europa.eu/web.nsf/pages/NEET_ETF_partner_countries

There are very high numbers of young people who are neither in education or training nor in employment in the partner countries. Thirteen out of 18 countries for which we have figures show a NEETs rate for 15–29-year-olds higher than 25% (that is one in every four young people).

However, there is great variation between countries, from numbers similar to the EU28 (around 15%) to rates beyond 35%.

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