“Seja online ou pessoalmente, o bullying está entre maiores preocupações infantis”

Outubro 17, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 8 de outubro de 2018.

ONU calcula que pelo menos 130 milhões de menores entre 13 e 15 anos já viveram episódio de intimidação; relatório do secretário-geral destaca que bullying cibernético “pode causar danos profundos”.

As Nações Unidas debateram esta segunda-feira um informe destacando que “seja online ou pessoalmente, o bullying está entre as principais preocupações das crianças.”

O relatório “Protegendo as crianças do bullying”, ilustra que taxas diferem em cada país, mas a intimidação está presente e espalhada pelo mundo. Em número significativo, as crianças são afetadas como vítimas, responsáveis ou espectadoras.

A ONU News conversou com a representante do secretário-geral sobre Violência contra as Crianças. Marta Santos Pais disse que o impacto da intimidação nas crianças pode ser mais profundo do que se imagina.

“Algumas vezes nós achamos que este tema existiu sempre e não é um risco, porque as crianças vão ficar mais fortes se conseguirem ultrapassar estes desafios. Mas esquecemos do impacto que têm no coração da criança, na sua saúde, na sua educação e na sua capacidade de se relacionar e de confiar noutras pessoas.”

Intimidação

O documento debatido em Nova Iorque destaca que mais de um em cada três estudantes de idades entre os 13 e 15 anos sofrem de bullying. Esse número corresponde a 130 milhões de menores dessa faixa etária.

Cerca de três em cada 10 adolescentes em 39 países da Europa e da América do Norte admitiram ter vivido um episódio de intimidação por outros na escola.

O documento menciona ainda as consequências do bullying cibernético, que envolve “publicar ou enviar mensagens eletrônicas que incluem fotos ou vídeos para assediar, ameaçar ou atingir outra pessoa”.

Para esse fim, são usados todos os tipos de plataformas sociais, que incluem salas de bate-papo, blogs e mensagens instantâneas realizando a prática que “pode causar danos profundos”.

Comportamento

Entre as consequências estão a “marca permanente deixada no espaço cibernético, que pode atingir rapidamente um público vasto.” Segundo o estudo, o bullying e o cyberbullying alimentam um ao outro, formando um constante comportamento prejudicial.

O Brasil foi um dos países onde ocorreram consultas em grupos focais envolvendo crianças com pais detidos. A pesquisa fez parte de um estudo global sobre menores privados de liberdade que foi realizado com a representante especial do secretário-geral.

A iniciativa envolveu governos na América Latina e a sociedade civil atuando com crianças entre 6 a 17 anos, filhos de presos na Argentina, no Chile, na República Dominicana, no México, na Nicarágua, no Panamá e no Uruguai.

Medidas 

O documento defende que é preciso ter “mais dados precisos, confiáveis e desagregados para quebrar o silêncio e promover mudanças positivas para evitar e combater o bullying”.

Outras iniciativas com base em fatos concretos também são essenciais para difundir medidas eficazes de prevenção e resposta ao problema.

O estudo estimula ações positivas que reforçar habilidades de vida de crianças e para informá-las, prevenir e dar resposta ao comportamento violento e ao bullying.

Outra proposta do relatório é que soluções a conflitos sejam replicadas e expandidas a comunidades, escolas e dentro dos países.

Descarregar o relatório Protecting children from bullying no link:

https://violenceagainstchildren.un.org/news/srsg-launches-second-report-secretary-general-bullying-including-cyberbullying

 

 

Cerca de 104 milhões de crianças estão fora da escola devido a conflitos e desastres

Outubro 13, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 19 de setembro de 2018.

Novo relatório afirma que um em cada cinco jovens entre os 15 e os 17 anos em países afetados por conflitos nunca estudou; situação deve afetar 1,3 bilhão de pessoas entre os 10 e os 19 anos em 2030.

Uma em cada três crianças entre os cinco e os 17 anos que vivem em países afetados por conflitos e desastres não está na escola. No total, são 104 milhões de meninos e meninas nessa situação.

As conclusões são do relatório “Um futuro roubado: jovens e fora da escola”, publicado esta quarta-feira pelo Fundo das Nações para a Infância, Unicef.

Números

Segundo a pesquisa, lançada antes da 73ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, 303 milhões de crianças não estuda. Mais de um terço não vai à escola devido a conflito e desastres.

A pesquisa analisa a situação da educação de crianças e jovens da idade pré-primária ao ensino médio em todos os países, incluindo os que estão afetados por emergências humanitárias.

Um em cada cinco jovens entre os 15 e os 17 anos em países afetados por conflitos nunca estudou. Dois em cada cinco nunca completaram o ensino primário.

Impacto

Em nota, a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “quando um país é atingido por um conflito ou desastre, as suas crianças e jovens são vítimas duas vezes”.

Fore explicou que, “no curto prazo, as escolas são danificadas, destruídas, ocupadas por forças militares ou mesmo deliberadamente atacadas”. Nessa altura, as crianças “juntam-se aos milhões de jovens fora da escola e, à medida que os anos progridem, raramente retornam”.

No longo prazo, a chefe do Unicef acredita que as crianças “e os países em que vivem continuarão a enfrentar ciclos que perpetuam a pobreza”.

Investimento

O relatório lembra que menos de 4% dos recursos humanitários mundiais são dedicados à educação e pede mais investimento dos Estados-membros.

A agência da ONU diz que é preciso uma educação de qualidade, onde crianças e jovens podem aprender em um ambiente seguro, do pré-primário ao secundário, mesmo quando existem emergências e crises prolongadas.

Segundo a pesquisa, “a pobreza continua a ser a barreira mais significativa para a educação em todo o mundo”. As crianças mais pobres têm uma probabilidade quatro vezes maior de estarem fora da escola do que as crianças de famílias mais ricas.

Crescimento

O relatório também analisa como é que este problema pode evoluir no futuro.

Segundo as previsões mais recentes, o número de pessoas entre os 10 e os 19 anos subirá para mais de 1,3 bilhão até 2030, um aumento de 8%.

O Unicef acredita que oferecer a essa força de trabalho uma educação de qualidade e melhores perspectivas de emprego terá benefícios económicos e sociais.

A chefe da agência avisou que “este é um momento crítico da história”. Segundo ela, se o mundo “agir com sabedoria e urgência, pode preparar os jovens para criar sociedades pacíficas e prósperas”.

Para a chefe do Unicef, “a alternativa é muito sombria” e o mundo “não se pode dar ao luxo de falhar”.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

 A Future Stolen:Young and out of school

 

 

Europol alerta para nível inimaginável da exploração sexual infantil na internet

Outubro 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de setembro de 2018.

Diretora executiva da organização, Catherine De Bolle, afirmou que os casos de delitos cibernéticos são “cada vez complexos e sofisticados”

Europol alertou nesta terça-feira para o aumento e a criação de novas técnicas de cibercrime e qualificou de “inquietante” o elevado número de delitos, em “níveis inimagináveis”, de exploração sexual infantil que existem na internet.

“Os cibercriminosos estão a adotar novas técnicas criativas para atacar as suas vítimas a um ritmo sem precedentes. Este relatório tem apenas um objetivo em mente: evitar que criem vítimas”, aponta o documento da polícia europeia, sedeada em Haia, nos Países Baixos. Segundo a informação agora divulgada, os criminosos que utilizam este tipo de programas, designados ‘malware’, estão a privilegiar “os bancos, onde existem maiores ganhos potenciais”, em relação a ataques aleatórios a empresas.

Os riscos de ser vítima deste tipo de programas maliciosos “aumentam” à medida que os utilizadores recorrem à banca na internet para realizar tanto a gestão da sua conta, como para fazer pagamentos. Por outro lado, a Europol advertiu ainda que a exploração sexual infantil na internet “continua a ser o aspeto mais inquietante” do crime cibernético, com “volumes de material inimagináveis” até há alguns anos.

A diretora executiva da organização, Catherine De Bolle, concluiu que os casos de delitos cibernéticos são “cada vez complexos e sofisticados” e que a aplicação da lei “exige “capacidades adicionais e recursos de investigação e forenses”.

Mais informações no relatório:

INTERNET ORGANISED CRIME THREAT ASSESSMENT (IOCTA) 2018

A cada cinco segundos morre uma criança no mundo por causas evitáveis

Outubro 11, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Edgard Garrido

Notícia do Público de 18 de setembro de 2018.

Em cada dia de 2017, morreram 15 mil crianças devido a causas evitáveis e doenças tratáveis como a diarreia, a pneumonia ou a malária.

Inês Chaíça

Em 2017 morreram em todo o mundo 6,3 milhões de crianças e adolescentes (dos 0 aos 14 anos) por causas evitáveis — fazendo as contas, é uma morte a cada cinco segundos. Dessas, 5,4 milhões tinham menos de cinco anos e metade dos óbitos (2,5 milhões) ocorreram durante o primeiro mês de vida. Má nutrição, infecções e acidentes lideram a lista das causas de morte, de acordo com um relatório conjunto da UNICEF, Organização Mundial de Saúde (OMS), da divisão de população do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas e do Banco Mundial publicado nesta terça-feira.

Apesar dos “progressos substanciais” das últimas duas décadas em matéria de prevenção da mortalidade infantil, estima-se que 15 mil crianças tenham morrido por dia em 2017 devido a causas evitáveis e doenças tratáveis, como diarreia, pneumonia ou malária. Uma situação “inaceitável”, conforme se lê no relatório.

“Estas mortes são reflexo do acesso limitado das crianças e das comunidades a actos médicos como vacinação e o tratamento de doenças infecciosas, à nutrição adequada, água limpa e ao saneamento”, analisam os autores do documento. “Alcançar metas de sobrevivência infantil ambiciosas requer que haja acesso universal a cuidados efectivos, de alta qualidade e acessíveis para mulheres, crianças e adolescentes”.

De acordo com os dados das Nações Unidas, há disparidades “regionais generalizadas”, que se relacionam com “desigualdades de rendimento”, e que afectam as hipóteses de sobrevivência das crianças. Em termos regionais, os países da África Subsaariana continuam a registar as taxas de mortalidade de crianças com menos de cinco anos de idade mais elevadas do mundo. Metade das mortes nessa faixa etária ocorreu nesta região.

Em 2017, na África Subsaariana, uma em cada 13 crianças morreu antes do quinto aniversário. Por comparação, a Nova Zelândia e a Austrália apresentam as taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo: apenas uma em cada 263 crianças morre antes de chegar aos cinco anos.

Primeiro mês após o parto é o mais perigoso 

Se estas estimativas se mantiverem, entre 2018 e 2030 deverão morrer 56 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade — e “metade deles serão recém-nascidos”, lê-se no relatório.

Em termos globais, a maioria dos óbitos regista-se nas faixas etárias mais jovens, sendo que o maior risco de morte se regista no primeiro mês de vida. “Em 2017, a mortalidade neonatal — a probabilidade de morrer nos primeiros 28 dias de vida — estimava-se em 18 mortes por 1000 nados-vivos em termos globais”, lê-se.

Estes números estão associados a factores como a idade das mães (mulheres com menos de 20 anos dão à luz bebés com menor probabilidade de sobrevivência), o nível de escolaridade da progenitora (registou-se um decréscimo na mortalidade dos bebés entre mães com o ensino secundário ou superior) e os níveis de pobreza das famílias e das respectivas comunidades. Nas zonas mais pobres, a probabilidade de se morrer antes dos cinco anos sobe para o dobro.

Entre os bebés, as principais causas de morte incluem as complicações durante o parto, pneumonia, anomalias congénitas, diarreia, sépsis e malária. Mais tarde, as principais causas de morte passam a ser lesões, acidentes rodoviários e afogamento.

Morrem mais crianças na República Centro Africana

De acordo com os dados de 2017, foi na República Centro Africana, mergulhada em conflito desde 2013, que se registou a taxa de mortalidade infantil (de crianças com menos de cinco anos) mais elevada do globo: 88 mortes por cada 1000 nascimentos. Também a mortalidade neonatal foi a mais elevada, com 42 mortes por cada 1000 nados-vivos.

Nos países de língua oficial portuguesa, é em Angola que a taxa de mortalidade infantil é mais elevada: em 2017, morreram 54 crianças com menos de cinco anos por cada 1000 nascimentos. No Brasil, registaram-se 13 mortes por cada 1000 nados vivos. Em Portugal, contaram-se três mortes em cada 1000 nascimentos.

Menos mortes do que em 1990

Analisando um período mais largo de tempo, a mortalidade infantil tem baixado em todo o mundo. Em 1990 morreram 12,6 milhões de crianças com menos de cinco anos; em 2017, 5,4 milhões. O número de óbitos entre os cinco e os 14 anos desceu de 1,7 milhões em 1990 para menos de um milhão em 2017.

“Este novo relatório sublinha o progresso notável desde 1990 na redução da mortalidade infantil”, disse o sub-secretário-geral para os Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, Liu Zhenmin, citado num comunicado de imprensa. “Reduzir a desigualdade ao dar assistência aos recém-nascidos mais vulneráveis, crianças e mães é essencial para alcançar o objectivo de desenvolvimento sustentável sobre o fim das mortes infantis evitáveis, garantindo que ninguém fica para trás”.

Dos 195 países em análise, 118 já alcançaram os objectivos de desenvolvimento sustentável e 26 estão bem encaminhados, se continuarem com o que já fizeram até agora. Ficam a faltar 51, dos quais dois terços se localizam na África Subsaariana. “Nos restantes países, o progresso terá de ser acelerado, para alcançar os objectivos do desenvolvimento sustentável até 2030”, conclui o relatório.

Se esses países conseguissem atingir esse objectivo, significaria mais dez milhões de crianças com menos de cinco anos salvas, comparado com o cenário actual.

Mais informações na notícia da Unicef:

A child under 15 dies every five seconds around the world – UN report

Escolas e famílias devem ser envolvidas na educação para conter obesidade

Setembro 27, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 12 de setembro de 2018.

FAO destaca que mais de 672 milhões de pessoas vivem com a doença; representante da agência em Nova Iorque revela que debates de Alto Nível da Assembleia Geral incluem eventos paralelos sobre impactos do problema.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, defende que a ação para prevenir a obesidade deve envolver instituições que educam as crianças desde cedo.

O relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo, Sofi, revela que uma em cada oito habitantes do planeta sofre desta doença. São mais de 672 milhões de pessoas, a maioria vivendo na América do Norte.  Em África e na Ásia a tendência aumenta.

Prevenção

Falando à ONU News, em Nova Iorque, a diretora do escritório da agência junto às Nações Unidas, Carla Mucavi, disse que é preciso aumentar a prevenção.

“Tem de haver mais consciencialização, tem de haver também políticas que possam levar, de facto, com que estes alimentos, refrigerantes, fritos, e tudo aquilo que é fast food, portanto, não apareça em primeiro plano em detrimento daquilo que seria uma alimentação saudável. Nós temos alguns problemas que educam, a partir das escolas, isto também tem de partir das famílias. Portanto, é toda a sociedade, que deve se consciencializar que uma alimentação saudável nem sempre é aquela que parece ser a mais próxima a nós. ”

Durante os Debates de Alto Nível da Assembleia Geral, a FAO terá eventos paralelos para falar de impactos da obesidade. Líderes mundiais envolvidos na discussão da situação que tem impacto nas economias.

Atenção

“Eu creio que, de facto, é alarmante o peso, o impacto que isso tem, sobretudo na saúde, na saúde das próprias pessoas, mas mesmo no sistema de saúde dos países, uma vez que encarece uma vez que temos pessoas com doenças, portanto, difíceis. Estamos a falar até de uma conferência mundial que vai ter lugar mesmo cá, aqui nas Nações Unidas, que é as doenças não-comunicáveis. Portanto, tudo isto tem também efeitos sob a forma como nos alimentamos. Portanto, eu chamaria a atenção para dar maior responsabilidade a todos os níveis, da sociedade, dos próprios governos, a nível global, em termos de políticas, mas também em termos de como é que nós nos alimentamos. ”

De acordo com a FAO, a desnutrição e a obesidade coexistem em muitos países e podem até ser observadas no mesmo lar.

Os riscos do sobrepeso e da obesidade envolvem o fraco acesso a alimentos nutritivos pelo seu alto custo, o estresse de viver com insegurança alimentar e as adaptações fisiológicas à privação alimentar.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

The State of Food Security and Nutrition in the World 2018

Mais de 4 milhões de crianças refugiadas estão fora da escola, alerta Acnur

Setembro 5, 2018 às 6:00 am | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 29 de agosto de 2018.

Agência da ONU para Refugiados destacou história de um sírio que teve seu diploma universitário revalidado no Brasil e pode agora trabalhar; apenas seis em cada 10 menores refugiados frequentam ensino primário.

Um novo estudo da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, revela que 4 milhões de crianças refugiadas não frequentam a escola. Esse número equivale a um aumento de meio milhão de menores nessa situação em um ano no mundo.

O relatório Inverter a Tendência: Educação de Refugiados em Crise foi lançado nesta quarta-feira, em Genebra, na Suíça. Dos 68,5 milhões de pessoas que foram obrigadas a fugir de suas casas, cerca de 25,5 milhões receberam status de refugiados.

Futuro

Falando à ONU News, o porta-voz da agência, William Spindler, explica porque é preciso aumentar o apoio para promover a educação daqueles que recebem abrigo em outros países.

“Sem acesso à educação, o futuro destas crianças será comprometido. A nível mundial, 92% de todas essas crianças frequentam a escola. Mas das crianças refugiadas é somente 68%. Por isso é muito importante um investimento mais forte na educação de refugiados. ”

Ao destacar a história pessoal de alguns refugiados, o relatório apresenta o sírio Salim Alnazer, de 32 anos.

Ele trabalha como farmacêutico de uma empresa de transporte e logística em São Paulo, no Brasil, o país que reconheceu seu diploma universitário abrindo as portas para um emprego. Alnazer afirma que no Brasil,  “não só encontrou paz, mas também um futuro”.

Ensino Superior

O relatório insta os países anfitriões a matricular refugiados menores de idade em sistemas de educação que permitam o reconhecimento das notas até a entrada no ensino superior.

O estudo pede parcerias mais fortes entre setor privado, organizações humanitárias, de desenvolvimento e governos para que haja mais soluções sustentáveis ​​para a educação de refugiados.

Um dos maiores desafios é a educação de crianças, que compõem mais da metade do total de refugiados. Cerca de 7,4 milhões delas estão em idade escolar.

O documento revela ainda que apenas seis em cada 10 menores refugiados vão à escola primária, comparadas aos 92% de crianças no mundo. A agência defende que essa lacuna aumenta à medida que as crianças refugiadas ficam mais velhas.

Ensino Secundário

O estudo revela ainda que cerca de dois terços das crianças refugiadas frequentando o ensino primário não chegam ao secundário. No total, 23% delas frequentam o ensino secundário, em comparação com 84% das crianças no mundo.

Após a adoção da Declaração de Nova York para Refugiados e Migrantes em 2017, o Acnur disse que foram matriculadas mais de meio milhão de crianças refugiadas fora da escola.

Qualidade

A agência quer que mais seja feito para garantir o acesso de todos os refugiados à educação de qualidade.

O baixo acesso dos refugiados à universidade é uma das maiores preocupações. Apenas 1% deles tem a oportunidade de chegar a esse nível, uma proporção que não muda há três anos.

Para o alto comissário da ONU para refugiados, a escola é o primeiro lugar em meses, ou até anos, em que crianças refugiadas encontram alguma normalidade.

O chefe do Acnur, Filippo Grandi, disse que a menos que seja feito um investimento urgente, centenas de milhares de crianças vão se tornar essas estatísticas preocupantes.

 

O relatório citado na notícia é o seguinte;

Turn the Tide: Refugee Education in Crisis

Unicef alerta sobre riscos para crianças mexicanas e centro-americanas deportadas

Agosto 30, 2018 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU NEWS de 16 de agosto de 2018.

Menores deportados do México e dos Estados Unidos sofrem consequências da pobreza, da extrema violência, falta de oportunidades e outras ameaças; em Honduras, por exemplo, 74% das crianças vivem na pobreza; na Guatemala, 942 crianças tiveram mortes violentas no ano passado.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alertou que crianças migrantes do México e da América Central estão correndo graves riscos ao serem deportadas.

Num relatório, divulgado nesta quinta-feira, em Nova Iorque e na Cidade do Panamá, a agência informou que causas como violência extrema, pobreza e falta de oportunidades não apenas provocam a migração do norte da América Central e do México, mas também são consequências para deportações realizadas pelos Estados Unidos e pelo México dessas crianças.

Indiferença

El Salvador, Guatemala e Honduras foram os países citados no estudo com altas taxas de homicídio de crianças e extrema pobreza.

Mary, da Guatemala, disse que onde vive, a cada três dias uma pessoa é assassinada.

O Unicef pediu aos governos que cooperem entre si para implementar medidas que aliviem as causas da migração forçada e irregular protegendo as crianças refugiadas e migrantes.

O relatório Uprooted in Central America and Mexico analisa desafios e perigos enfrentados por milhões de crianças na região que são vítimas da pobreza, da violência, da indiferença e do medo da deportação. A declaração foi dada pela diretora regional do Unicef na América Latina e no Caribe, Cristina Perceval.

Ela lembrou que em muitos casos, as crianças são levadas de volta para casa sem terem um lar e acabam nas mãos de gangues.

Assassinatos

Na Guatemala, 74% das crianças vivem na pobreza. As taxas para El Salvador e Honduras são 44% e 68%, respectivamente. Quando se fala de violência, a Guatemala registrou, no ano passado, 942 menores tiveram mortes violentas. Muitas crianças em Honduras, El Salvador e Guatemala são recrutadas por bandidos, sofrem com abusos e até assassinatos.

Entre 2008 e 2016, pelo menos uma criança morreu por dia em Honduras. Zoe disse que o pai o convenceu a sair do país em busca de uma vida melhor e de proteção.

Ainda de acordo com o estudo do Unicef, o estigma é um outro problema para as crianças centro-americanas deportadas. Elas ficam conhecidas pelo fracasso de chegar ao México ou aos Estados Unidos. O estigma também dificulta a reintegração delas na escola e no caso dos adultos a encontrar um trabalho.

Famílias

A agência da ONU afirmou que a separação das famílias e a detenção de menores migrantes são profundamente traumatizantes e podem ter um efeito negativo para o desenvolvimento das crianças a longo prazo. Para o Unicef, manter as famílias juntas é melhor para crianças migrantes e refugiadas.

O relatório traz uma série de recomendações para que as crianças fiquem seguras e para reduzir as causas que levam com que crianças e famílias deixem seus lares à procura de segurança ou de um futuro com mais esperança.

Para a chefe regional do Unicef, os governos têm agora uma oportunidade de fazer o que é certo ao implementar maneiras de aliviar as causas da migração e proteger as crianças em trânsito.

Entre 2016 e abril de 2018, quase 68,5 mil crianças foram detidas no México e mais de nove em cada 10 foram deportadas para os países da América Central.

O relatório citado é o seguinte:

Uprooted in Central America and Mexico: Migrant and refugee children face a vicious cycle of hardship and danger

Unicef e OMS alertam: 78 milhões de bebés não são amamentados na primeira hora após o parto

Agosto 10, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 31 de julho de 2018.

Cerca de 78 milhões de bebés (60% do total) não são amamentados na primeira hora de vida, aumentando o risco de morte e de doença, alertaram hoje a Unicef e a Organização Mundial de Saúde num novo estudo.

As organizações notam que a maior parte destes bebés nasce em países de rendimento baixo e salientam que mesmo uma demora de algumas horas na amamentação após o nascimento pode colocar as crianças em risco de vida.

O contacto pele com pele na amamentação estimula a produção de leite nas mães, incluindo o colostro, rico em nutrientes e anticorpos, chamado a “primeira vacina” de um bebé.

As taxas de amamentação na primeira hora após o nascimento são mais altas na África Austral e do Sul (65%) e mais baixas no leste da Ásia e Pacífico (32%), refere-se no relatório.

Em países como o Burundi, Sri Lanka e Vanuatu, 90% dos bebés são amamentados na primeira hora, enquanto no Azerbaijão, Chade e Montenegro, só dois em cada dez são amamentados.

O diretor-geral da OMS, Tedrso Adhanom Ghebreyesus, salientou que “a amamentação é o melhor começo de vida possível” e defendeu que é preciso as famílias, sistemas de saúde, patrões e governos apoiarem as mães para “darem aos filhos o começo que merecem”.

No relatório, chamado “Capturar o momento”, elencam-se razões que fazem demorar o primeiro aleitamento, como diferenças nos cuidados às mães e recém-nascidos.

Em muitos casos, os bebés são separados das mães imediatamente após o nascimento e não é a presença de pessoal qualificado a assistir aos partos que afeta a frequência da amamentação após o nascimento.

Práticas como dar aos recém-nascidos leite preparado, mel ou água açucarada ainda contribuem para adiar o primeiro contacto do bebé com a sua mãe.

Outro fator é o aumento de cesarianas, que em países como Egito mais do que duplicaram entre 2005 e 2014, de 20% para 52%, enquanto a percentagem de bebés amamentados desde logo desceu de 40% para 27%.

Estudos anteriores citados no documento agora divulgado mostram que os recém-nascidos que foram amamentados entre as duas e as 23 horas a seguir ao parto tinham 33% mais riscos de morrer do que os que foram amamentados antes.

Entre os recém-nascidos amamentados a partir do dia seguinte ao nascimento, o risco duplicava.

No relatório apela-se aos governos, doadores e decisores para que adotem medidas legais fortes para restringir a publicidade de leite preparado para recém-nascidos e outros substitutos do leite materno.

Lusa

O relatório Capture the Moment: Early initiation of breastfeeding – the best start for every newborn pode ser consultado no link:

https://www.unicef.org/press-releases/3-5-babies-not-breastfed-first-hour-life

 

 

A cada três minutos uma rapariga foi infetada com VIH em 2017

Agosto 7, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do site Sapo24 de 25 de julho de 2018.

Cerca de 30 jovens entre os 15 e os 19 anos foram infetados com VIH/Sida em cada hora de 2017, dois terços raparigas, pelo que a cada três minutos uma adolescente foi infetada, segundo um relatório hoje divulgado.

Intitulado “Mulheres: No centro da resposta ao VIH para crianças”, o documento é o mais recente relatório da UNICEF sobre a sida e foi hoje apresentado em Amesterdão, onde decorre uma conferência internacional sobre o tema.

A UNICEF considera que o facto de não se ter conseguido chegar a estes jovens está a desacelerar o progresso alcançado no mundo nas últimas décadas na luta contra a epidemia.

Henrietta Fore, diretora executiva da UNICEF, diz que os números identificam “uma crise de saúde mas também uma crise de ação”, e acrescenta que, “na maioria dos países, mulheres e raparigas não têm acesso a informação, a serviços ou até mesmo o poder de dizer ‘não’ a sexo desprotegido”.

De acordo com os números do relatório, só no ano passado morreram de sida 130.000 crianças e adolescentes com 19 anos ou menos, enquanto 430.000 foram infetados.

O documento precisa que os adolescentes entre os 10 e os 19 anos são quase dois terços dos três milhões de crianças e jovens (entre os 0 e os 19 anos) que vivem com VIH, e salienta que o número de mortes tem diminuído em todos os grupos etários, menos entre os adolescentes dos 15 aos 19 anos.

A propagação da epidemia entre raparigas, diz a UNICEF, está a ser impulsionada pela prática de sexo precoce, relações sexuais forçadas, “a incapacidade de ter uma voz em assuntos relacionados com sexo e a falta de acesso a aconselhamento e serviços de despistagem confidenciais”.

A UNICEF, com a agência das Nações Unidas de combate à sida, ONUSIDA, e outros parceiros, lançou iniciativas destinadas aos adolescentes, uma delas destinada a jovens de 25 países com mais casos de infeções e outra destinada a reduzir o número de novas infeções.

Estas iniciativas, e outras antes, levaram a um “sucesso significativo na prevenção da transmissão do VIH de mãe-para-filho”, indica o relatório, segundo o qual o número de novas infeções entre crianças dos 0 aos 04 anos caiu um terço entre 2010 e 2017.

Hoje, quatro em cada cinco mulheres grávidas com VIH têm acesso a tratamentos. Na região da África Austral, durante muito tempo das zonas mais afetadas, o Botsuana e a África do Sul têm agora taxas de transmissão de mãe-para-filho de apenas de 5%, e mais de 90% das mulheres com VIH estão em tratamento.

Descarregar o relatório Women: At the Heart of the HIV Response for Children nos seguintes links:

https://www.unicef.pt/actualidade/noticias/aids-report-2018/

https://www.unicef.org/hiv/hiv-women-heart-of-response

 

 

 

 

Quem nasce pobre fica “colado ao chão” até durante cinco gerações

Junho 22, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de junho de 2018.

Num novo relatório, divulgado nesta sexta-feira, a OCDE aponta Portugal como um dos países com menor mobilidade social. As origens sócio-económicas e o “capital humano” dos pais ainda são o que mais pesa na hipótese de conseguir uma carreira profissional de sucesso.

Natália Faria

O estatuto sócio-económico dos portugueses funciona como uma pesada herança que atravessa gerações. Tendo em conta a mobilidade dos ganhos de uma geração para outra e as desigualdades de rendimentos em Portugal, podem ser precisas até cinco gerações para que as crianças nascidas numa família de baixos rendimentos consigam atingir rendimentos médios. É uma espera acima da média dos países da OCDE.

A Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Económico divulgou nesta sexta-feira o estudo Um elevador social avariado? – Como promover a Mobilidade Social e as conclusões relativas a Portugal estão longe de remeter para um cenário cor-de-rosa. Desde logo, Portugal não sai bem na fotografia quanto a indicadores como a educação e a ocupação profissional. “A mobilidade medida a partir da educação é a mais baixa dos países da OCDE”, apontam taxativamente os peritos.

“Apesar das reformas generalizadas que visam melhorar o nível de escolaridade e reduzir o abandono escolar precoce em Portugal, as hipóteses de os jovens terem uma carreira de sucesso dependem fortemente das suas origens sócio-económicas e do capital humano dos pais”, acrescenta o relatório.

“A educação é um elevador social. O problema é que nós temos um nível de escolarização ainda muito abaixo da média europeia. E, porque a educação, sobretudo ao nível secundário e superior, não está ainda suficientemente generalizada, isso expressa-se depois num maior fechamento do percurso social ascendente”, interpreta o director do Observatório das Desigualdades, Renato do Carmo.

Lembrando que este estudo vem confirmar “a narrativa que já se conhece” sobre a (falta de) mobilidade social em Portugal, o também investigador no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa sublinha que “as origens sociais são ainda muito determinantes em Portugal, quer do ponto de vista social quer em termos profissionais”, consubstanciando “uma matriz que se mantém na sociedade portuguesa” e que “merecia ser mais bem estudada”, na sua multiplicidade de factores.

Claro que a mobilidade social entre gerações não está distribuída uniformemente. No que toca aos ganhos, a ascensão social para quem está no escalão mais baixo de rendimentos até está acima da média: 24% dos portugueses filhos de pais com salários baixos acabam eles próprios por ganhar pouco mas 21% conseguem escalar até ao grupo dos que auferem rendimentos mais altos.

No tipo de ocupação profissional, as desigualdades tornam-se mais vincadas. Mais de metade (55%) das crianças filhas de trabalhadores manuais tornam-se elas próprias trabalhadoras manuais – a média da OCDE é de 37%. Ao mesmo tempo, os filhos de profissionais em posições de chefia (gestores, directores…) têm cinco vezes mais hipóteses de ascenderem a posições de chefia do que os filhos de trabalhadores manuais.

Estagnação social agravou-se a partir dos anos 1990

Quanto à mobilidade social ao longo da vida de cada um, é também limitada, particularmente nos escalões mais baixo e mais alto de rendimentos. No escalão de rendimentos do topo, 69% das pessoas que se enquadram nesta categoria tendem a permanecer nela ao longo dos quatro anos seguintes. E aqueles que se enquadram no grupo dos 20% da população com rendimentos mais baixos “têm poucas hipóteses de subir no escalão de rendimentos” nos quatro anos seguintes do período analisado”: 67% ficam encurralados nesse escalão, como se estivessem “colados ao chão”, na expressão dos peritos europeus, segundo os quais esta “cola” se reforçou a partir dos anos 1990.

O desemprego de longa duração e a segmentação do mercado laboral podem ajudar a explicar o agravamento desta falta de mobilidade social nos escalões mais baixos. “A crise contribuiu para que esta mobilidade social ascendente não ocorra, nomeadamente por causa do aumento do desemprego de longa duração. É um factor conjuntural, que agravou os elementos mais estruturais, no qual até se verifica agora uma pequena recuperação mas o que a OCDE não ‘trabalha’ [nas notas relativas a Portugal] é a forma como a precarização dos vínculos laborais também está a limitar os processos de ascensão social”, acrescenta Renato do Carmo.

Aposta no pré-escolar e na formação de adultos

Por considerarem que a falta de mobilidade social não é uma inevitabilidade, os peritos da OCDE sugerem a Portugal a adopção de medidas como o reforço do apoio às crianças provenientes de extractos sociais desfavorecidos, por via da garantia de uma boa formação pré-escolar e de uma aposta na capacitação dos professores para impedirem que os estudantes em risco fiquem para trás.

Uma abordagem ao desemprego de longa duração que contemple a criação de novas ofertas de emprego para os mais necessitados é outra das medidas sugeridas, a par da garantia de uma aposta contínua na formação de adultos que antecipe as necessidades do mercado de trabalho a nível nacional mas também ao nível regional.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

A Broken Social Elevator? How to Promote Social Mobility

 

 

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