Poluição: 300 milhões de crianças respiram ar tóxico

Dezembro 2, 2016 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto da http://www.unicef.pt/

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Poluição: 300 milhões de crianças respiram ar tóxico

Quase uma em cada sete crianças no mundo – 300 milhões – vivem em zonas com os mais elevados níveis de toxicidade de poluição atmosférica – seis vezes ou mais acima dos limites recomendados internacionalmente, revela o novo relatório da UNICEF ‘Clear the air for children’. A publicação utiliza imagens recolhidas via satélite para mostrar pela primeira vez quantas crianças estão expostas a poluição atmosférica que excede os níveis internacionais definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e onde vivem.

“A poluição do ar é um dos principais factores que contribuem para a morte anual de cerca de 600.000 crianças menores de cinco anos – e uma ameaça para a vida e o futuro de milhões de crianças. Os poluentes não só prejudicam o desenvolvimento dos pulmões das crianças como podem mesmo afectar o seu desenvolvimento cerebral, causando danos que ficam para toda a vida, o que, naturalmente tem consequências para o seu futuro. Nenhuma sociedade se pode permitir ignorar a poluição do ar.” Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF
Cerca de 2 mil milhões de crianças vivem em zonas onde a poluição atmosférica, causada por factores como as emissões de veículos, a utilização de combustíveis fósseis pesados, as poeiras e a queima de lixos, excede os limites de qualidade mínima do ar definidas pela OMS. A Ásia do Sul tem o maior número de crianças, 620 milhões, a viver nestas zonas, seguindo-se África com 520 milhões de crianças. Na região da Ásia Oriental e Pacífico 450 milhões de crianças vivem em zonas que excedem os limites estabelecidos.

O estudo analisa também os efeitos nefastos da poluição do ar em espaços fechados maioritariamente causada pelo uso de combustíveis como carvão e madeira para cozinhar e aquecimento, que afecta sobretudo as crianças de agregados familiares de baixo rendimento em zonas rurais. Em conjunto, a poluição atmosférica e a poluição do ar em espaços fechados estão directamente relacionadas com doenças como a pneumonia e outras do foro respiratório que são causa de morte de perto de uma em cada 10 crianças menores de cinco anos, o que torna a poluição do ar num dos principais riscos para a saúde das crianças.

As crianças são mais susceptíveis do que os adultos à poluição do ar, tanto interior como exterior, pois os seus pulmões, cérebros e sistemas imunitários estão ainda em desenvolvimento e as suas vias respiratórias são mais permeáveis. As crianças mais pequenas também respiram a um ritmo mais rápido do que os adultos e inspiram uma maior quantidade de ar em relação ao seu peso corporal. As crianças mais desfavorecidas, que tendencialmente já têm uma saúde mais debilitada e cujo acesso a serviços de saúde é precário, são as mais vulneráveis a doenças causadas pela poluição do ar.

É necessário melhorar a qualidade do ar para proteger as crianças dos efeitos da poluição. A UNICEF recomenda algumas medidas aos Governos:

• Reduzir a poluição;

• Alargar o acesso das crianças a serviços de saúde;

• Minimizar a exposição das crianças;

• Monitorizar a poluição ambiental.

 

A UNICEF trabalha no terreno para proteger as crianças dos seus efeitos no âmbito dos seus programas de cooperação a fim de reduzir o impacto da poluição atmosférica na saúde das crianças. Por outro lado, apoia também programas destinados a melhorar o acesso das crianças a serviços de saúde de qualidade e para as vacinar contra doenças como a pneumonia.

Pneumonia e diarreia matam 1.4 milhões de crianças por ano – mais do que todas as outras doenças infantis juntas

Novembro 28, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da https://www.unicef.pt/ de 11 de novembro de 2016.

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Pneumonia e diarreia matam 1.4 milhões de crianças por ano – mais do que todas as outras doenças infantis juntas

Os líderes mundiais reunidos na COP22 têm a oportunidade de assumir compromissos

que ajudarão a salvar a vida de 12.7 milhões de crianças até 2030

MARRAQUEXE, Marrocos, 11 de Novembro de 2016 – A pneumonia e a diarreia juntas matam 1.4 milhões de crianças por ano. A esmagadora maioria destas crianças vivem em países de baixo e médio rendimento. Estas mortes infantis continuam a ocorrer apesar de ambas as doenças serem amplamente preveníveis através de soluções simples e de baixo custo, tais como amamentação exclusiva, vacinação, cuidados de saúde primários de qualidade e redução da poluição do ar no interior das habitações.

Estas conclusões fazem parte de um novo relatório da UNICEF lançado hoje –One is Too Many: Ending Child Deaths from Pneumonia and Diarrhoea’ (Uma é demasiado: Pôr fim à morte de crianças devidas à pneumonia e diarreia).

A pneumonia continua a ser a principal causa de morte de crianças menores de cinco anos, tendo ceifado a vida de perto de um milhão de crianças em 2015 – aproximadamente uma criança a cada 35 segundos – e mais do que a malária, a tuberculose, o sarampo e a SIDA juntos. Aproximadamente metade de todas as mortes de crianças por pneumonia estão ligadas à poluição do ar, um facto que os líderes mundiais devem ter bem presente durante o debate em curso na conferência COP 22, sublinha a UNICEF.

“Temos provas claras de que a poluição do ar ligada às alterações climáticas está a prejudicar a saúde e o desenvolvimento das crianças, provocando pneumonias e outras infecções respiratórias,” afirmou Fatoumata Ndiaye, Directora Executiva Adjunta da UNICEF.

“Dois mil milhões de crianças vivem em zonas onde a poluição do ar excede os padrões internacionais, e muitas delas adoecem e morrem como resultado. Os líderes mundiais que participam na COP22 podem ajudar a salvar a vida de crianças comprometendo-se a tomar medidas para reduzir a poluição do ar associada às alterações climáticas e acordando em investir na prevenção e nos cuidados de saúde,” disse Fatoumata Ndiaye.

Como a pneumonia, os casos de diarreia entre crianças podem, frequentemente, estar associados a níveis de precipitação mais baixos decorrentes das alteações climáticas. A disponibilidade reduzida de água potável deixa as crianças em risco acrescido de doenças diarreicas e de sequelas ao nível físico e do desenvolvimento cognitivo.

Cerca de 34 milhões de crianças morreram de pneumonia e diarreia desde 2000. Sem maior investimento em medidas-chave de prevenção e tratamento, a UNICEF estima que mais 24 milhões de crianças venham a morrer de pneumonia e diarreia até 2030.

“Estas doenças têm um enorme impacto na mortalidade infantil e o seu tratamento tem um custo relativamente baixo,” afirmou a Directora Executiva Adjunta da UNICEF. “Contudo, continuam a receber apenas uma pequena parcela do investimento global em saúde, o que não faz nenhum sentido. Esta é a razão pela qual apelamos a um maior investimento global para intervenções de protecção, prevenção e tratamento que sabemos que são eficazes para salvar vida de muitas crianças.”

A UNICEF recomenda também um maior financiamento nos cuidados de saúde infantis em geral e que uma particular atenção a grupos de crianças especialmente vulneráveis à pneumonia e à diarreia – as mais pequenas e as que vivem em países de baixo e médio rendimento.

O relatório mostra que:

  • Cerca de 80 por cento das mortes de crianças ligadas à pneumonia e 70 por cento das que estão associadas à diarreia ocorrem durante os dois primeiros anos de vida:
  •  Ao nível global, 62 por cento das crianças menores de cinco anos vivem em países de baixo e médio rendimento, mas representam mais de 90 por cento dos casos de morte devido a pneumonia e diarreia no mundo.

 

 

Save the Children indica Cuba como melhor país para ser menina na América Latina

Novembro 23, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação, Relatório | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.hypeness.com.br/

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Em outubro deste ano, a ONG Save The Children divulgou um relatório intitulado Hasta la Última Niña (“Até a última menina”, em espanhol) em que aponta os países que oferecem melhores oportunidades para o desenvolvimento das meninas. Enquanto a Suécia foi a primeira colocada no mundo segundo a instituição, seguida por Finlândia e Noruega, Cuba foi o país com melhor desempenho entre todos os localizados na América Latina e no Caribe.

No índice criado pela organização, Cuba ficou em 34º lugar geral em termos de oportunidades para meninas – o Brasil ficou com a 102ª posição. Entre os pontos levados em consideração para compor o ranking estão os índices de casamento infantil, gravidez na adolescência, mortalidade materna, mulheres na política e acesso à educação.

Na comparação com outros países, Cuba ficou na frente do Japão e apenas duas posições atrás dos Estados Unidos. Com a conquista, o país se torna um modelo para outros países em desenvolvimento em termos de igualdade e oportunidade para as mulheres.

De acordo com a agência EFE, a assessora de governabilidade para América Latina e o Caribe da Save the Children, Teresa Carpio, teria lembrado que a violência é a principal barreira para o desenvolvimento das meninas na América Latina. O problema afeta de maneira ainda pior as meninas descendentes de povos originários e negras.

O ranking analisou um total de 144 países. O Haiti foi o país com o pior desempenho entre os que estão localizados na região da América Latina e Caribe, enquanto a República Centro-africana, o Chade e o Níger ocupam as três últimas posições do ranking mundial. Para ver o relatório completo, clique aqui.

Texto da Save the Children no link:

https://www.savethechildren.es/publicaciones/hasta-la-ultima-nina

 

 

Apenas uma em cada seis crianças até aos dois anos recebe nutrientes suficientes

Outubro 31, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 14 de outubro de 2016.

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Lusa

Relatório da Unicef adverte que as práticas nutricionais, uma vez melhoradas, salvariam a vida a 100 mil crianças. No entanto ainda se verificam grandes discrepâncias na quantidade e qualidade do que é consumido pelas crianças em idade pré-escolar.

Apenas uma em cada seis crianças com menos de dois anos recebe alimentos em quantidade e diversidade suficientes para a sua idade, o que deixa as restantes em risco de danos físicos e mentais irreversíveis.

A conclusão é de um relatório da agência das Nações Unidas para a infância, a Unicef, hoje divulgado. Intitulado “Desde a primeira hora de vida”, o relatório revela um mundo onde uma dieta saudável está fora do alcance da maioria.

“Os bebés e as crianças pequenas têm maior necessidade de nutrientes do que em qualquer outra fase da vida. Mas milhões de crianças pequenas não desenvolvem todo o seu potencial físico e intelectual porque recebem pouca comida e demasiado tarde”, disse France Begin, conselheira sénior para os assuntos de Nutrição da Unicef, citada num comunicado da organização.

O relatório adverte, ainda, que apenas 52% das crianças de entre os seis e os 23 meses recebem o número mínimo de refeições diárias para a sua idade e a diversidade alimentar é outro problema: menos de metade das crianças recebe diariamente alimentos de pelo menos quatro grupos alimentares diferentes.

Entre os seis e os 11 meses, a faixa etária em que a nutrição é mais importante, a situação é ainda mais preocupante: apenas 20% estão a receber alimentos de quatro grupos diferentes por dia, o que provoca carências de vitaminas e minerais.

As consequências da introdução tardia de alimentos sólidos na faixa etária correspondente são, invariavelmente, o atraso no desenvolvimento físico e intelectual das crianças.

A importância da amamentação na primeira hora de vida

No relatório, a Unicef frisa que, em 2015, apenas 45% dos 140 milhões de bebés que nasceram foram amamentados na sua primeira hora de vida, e três em cada cinco bebés com menos de seis meses não recebem os benefícios da amamentação exclusiva.

Segundo as recomendações da Organização Mundial de Saúde, a amamentação deveria de ser a forma exclusiva de alimentação dos bebés até aos seis meses de idade. No entanto, quase metade das crianças em idade pré-escolar sofre de anemia e metade das crianças entre os seis e os 11 meses não recebe qualquer tipo de alimento de origem animal.

A Unicef alerta ainda para as desigualdades. Na África subsaariana e no Sul da Ásia, apenas uma em cada seis crianças dos agregados familiares mais pobres com idades entre os seis e os 11 meses têm uma dieta minimamente diversificada, comparando com uma em cada três dos agregados mais ricos.

Esforço para garantir uma dieta saudável

Uma melhoria das condições de nutrição das crianças poderia salvar 100 mil vidas, sublinha a organização, mas será necessário haver um esforço conjunto de várias entidades, uma vez que as famílias, embora façam o seu melhor com os recursos a que têm acesso, não podem fazer tudo sozinhas.

É precisa a liderança dos governos e os contributos de sectores-chave da sociedade para fornecer uma dieta saudável às crianças, pode ler-se no relatório.

“Não podemos permitir-nos falhar nesta nossa luta para melhorar a nutrição das crianças pequenas. A sua capacidade para crescer, aprender e contribuir para o futuro dos seus países depende disso”, concluiu France Begin.

Tornar os alimentos nutritivos mais baratos e acessíveis para as crianças mais pobres exige investimentos mais consistentes e direccionados por parte dos governos e do sector privado.

Transferências em dinheiro ou em géneros para as famílias vulneráveis; programas de diversificação de colheitas; e o enriquecimento de alimentos básicos são essenciais para a melhorar a nutrição das crianças pequenas.

Serviços de saúde comunitários com capacidade para ajudar a ensinar aos cuidadores melhores práticas alimentares, bem como a água e o saneamento adequados – essenciais para a prevenção de doenças diarreicas nas crianças – são igualmente cruciais.

 

 

Protecting children from bullying – Report of the Secretary-General

Outubro 30, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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descarregar o relatório no link:

http://srsg.violenceagainstchildren.org/document/a-71-213_1483

Portugal é um dos melhores países do mundo para se ser rapariga

Outubro 28, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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notícia do https://www.publico.pt/ de 11 de outubro de 2016.

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Portugal está entre os dez países do mundo em que as jovens mulheres têm mais oportunidades, de acordo com um ranking publicado esta terça-feira por uma organização não-governamental.

Segundo o índice elaborado pela ONG Save The Children, Portugal aparece no oitavo lugar a nível mundial, entre os países que mais oportunidades apresentam para as raparigas. As jovens portuguesas têm a possibilidade de terem um futuro melhor do que as suíças, italianas, espanholas ou alemãs.

O índice junta uma série de indicadores que tentam mostrar uma “imagem da situação das raparigas nos países de todo o mundo”.

Os indicadores medidos pela Save The Children são o “casamento infantil”, “gravidez na adolescência”, “mortalidade maternal”, “mulheres no Parlamento” e “conclusão do ensino secundário”. Cada país recebe pontos cumulativos consoante a falta de progresso em cada área – o que faz com que pontuações mais altas correspondam a piores situações para as mulheres.

A pontuação atribuída a Portugal depende quase em exclusivo da pouca representatividade das mulheres no Parlamento. Nas últimas eleições legislativas foram eleitas 76 deputadas, que preenchem um terço do hemiciclo. Este indicador é aquele em que a generalidade dos países mais falha. A sua inclusão é justificada pela premissa de que “uma proporção mais elevada de deputadas no Parlamento corresponde a maior atenção dada a questões que afectam os direitos das raparigas”.

A Suécia é o país que mais oportunidades garante às raparigas, seguido da Finlândia, Noruega e Holanda, enquanto o pior é o Níger, atrás do Chade e da República Centro-Africana.

Apesar de ser notória uma relação entre o desenvolvimento económico e as oportunidades dadas às jovens mulheres, há algumas surpresas. Os EUA, por exemplo, aparecem abaixo do top-30, ao nível de países como o Cazaquistão ou a Argélia. A posição das mulheres é fragilizada por causa da grande prevalência de mães adolescentes e do elevado nível de mortes durante a gravidez. Segundo o relatório, morreram 14 mulheres norte-americanas por cada cem mil nascimentos em 2015.

Por outro lado, países menos desenvolvidos, como o Ruanda, Cuba e Bolívia, apresentam os maiores índices de paridade nos parlamentos nacionais.

O Brasil apresenta dados preocupantes, ocupando o 102.º lugar do ranking, muito por causa dos elevados índices de adolescentes grávidas e casamentos de crianças.

“Não é uma inevitabilidade que os países de baixos rendimentos produzam desigualdade de género”, conclui Lisa Wise, uma das autoras do relatório.

 

Queixas de abuso sexual de menores quadruplicam em Lisboa

Outubro 20, 2016 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 18 de outubro de 2016.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Memorando Semestral 1.º Semestre 2016 Ação do Ministério Público no Distrito Judicial de Lisboa (Área Penal)

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Rute Coelho

Ministério Público registou quase 500 casos no final do 1ºsemestre, quando no mesmo período de 2015 eram 128. Mas de junho a setembro caíram mais 200 processos na PJ

“Entraram 700 processos de abusos de menores até setembro deste ano, quando em todo o ano de 2015 tinham entrado 900”, afirmou ao DN a coordenadora de investigação criminal da secção de crimes sexuais da PJ de Lisboa, Rita Vieira. Se a tendência prosseguir, vai chegar ao fim do ano com um número bem superior dos investigados no ano passado. “Tem havido muito mais participações. Vêm sobretudo da família das vítimas mas também das escolas e comissões de menores.”

Os inquéritos de crimes sexuais contra menores abertos pelo Ministério Público quadruplicaram (288%) no primeiro semestre, em relação a período homólogo do ano passado: 496 contra 128, segundo o relatório semestral da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa. Depois, de junho a setembro, entraram mais 200 processos na PJ, chegando aos 700.

Esta é a área onde os estereótipos estão sempre a ser quebrados. Há o caso da jovem lindíssima de olhos azuis que entrou na PJ para ser interrogada por ter submetido a própria filha de quatro anos a jogos sexuais com ela e um homem. Ou o do avô de 90 anos que abusou do neto. Ou ainda a filha de 16 anos que foi violada pelo padrasto e depois pelo próprio pai. Estes são alguns dos casos, das dores e traumas que os 21 inspetores da secção de crimes sexuais da Polícia Judiciária de Lisboa investigam.

Os concelhos com mais denúncias por abusos sexuais de menores são Amadora, Loures, Sintra e Vila Franca de Xira. Mas a diretoria de Lisboa da PJ tem uma competência territorial muito vasta que abrange ainda os distritos alentejanos de Évora e Portalegre.

“A maior parte dos abusos sexuais a crianças (até aos 14 anos) que investigamos ainda ocorrem dentro da família. Os abusadores são sobretudo o pai, o padrasto, o tio, o avô e as vítimas são mais as meninas, embora também existam rapazes”, adianta Rita Vieira.

A coordenadora deixou a investigação dos crimes de burlas há quatro anos para vir chefiar a equipa de homens e mulheres desta área sensível. “Muitos dos inspetores são licenciados em Psicologia e fazem várias formações na área para melhor comunicar com vítimas e arguidos nestes casos. Muitos também são pais e mães. Não é fácil chegarem a casa e desligarem. Há um grande peso psicológico e emocional nestes casos”.

Os inspetores acompanham os processos até estes chegarem a julgamento. Mas a ligação com as vítimas e as famílias não se perde. “Sei que há vitimas que telefonam com regularidade aos investigadores da minha secção, já muito depois do caso ter sido julgado. Por vezes até comunicam do estrangeiro e contam como refizeram a vida”, conta Rita Vieira. “Também há mães de vítimas que ligam muitas vezes para desabafar.”

Um “desvario psicológico”

A experiência já permitiu a Rita Vieira extrair algumas lições. “Uma criança que começa a ser abusada com oito ou nove anos e esses abusos se prolongam por uns quantos anos dificilmente recupera”. Ou que “a criminalidade sexual é um desvario psicológico e que foge a ideias preconcebidas. Temos homens de 90 anos a violar crianças da família mas também temos miúdos de 15, 16 e 17 anos a violar colegas em grupo”.

Mães que abusam

E também há mães que abusam dos filhos menores ou filhas, embora numa percentagem mínima. Rita Vieira não quis falar de casos investigados mas o DN sabe que uma das situações que mais impressionou a sua equipa aconteceu há dois anos. Uma jovem com 23 anos, de olhos azuis e cabelos comprido, com ar de modelo, deixou os inspetores perplexos porque nunca ninguém a imaginaria como criminosa sexual. Envolveu-se com o namorado da irmã mais nova, um rapaz de 17 anos, e obrigava a filha de apenas quatro anos a participar nos jogos sexuais do casal. Os abusos sexuais decorreram durante meses. A criança estava entregue à guarda do pai mas, sem que este imaginasse, sempre que a filha ficava com a mãe era submetida a atos sexuais. E tudo isto se passou no quadro de uma família humilde, trabalhadora mas estruturada, da zona de Lisboa. Quando foi presente ao juiz, a jovem ficou submetida a proibição de contactos com a filha e inibida do poder paternal. Foi um caso que espantou todos. Como foi o da mãe que abusava do filho deficiente cognitivo. “Não se pode partir do princípio de que o que nos estão a contar é impossível. Por princípio, nesta secção investigamos todas as denúncias.”

 

 

“Uma criança traficada já seria demais.” Em Portugal, houve 177 nos últimos oito anos

Outubro 14, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 13 de outubro de 2016.

Texto de Mariana Correia Pinto

Campanha governamental vai estar nas televisões, rádios, jornais e “muppies” para alertar para o tráfico de crianças. Em 2015, houve 18 menores sinalizados, diz o Observatório do Tráfico de Seres Humanos

“Uma criança traficada já seria demais” — mas não é de uma criança que a nova campanha do Governo lançada esta quinta-feira no metro do Chiado, em Lisboa, quer falar. Nos últimos oito anos, entre 2008 e 2015, foram sinalizados 177 menores como vítimas de tráfico. Só em 2015, foram 18. “São muitos e têm de nos preocupar seriamente. Se os adultos traficados estão completamente desprotegidos, as crianças estão ainda mais”, comentou a secretária de estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, que esteve no lançamento oficial da iniciativa.

 Apesar de a situação estar “bastante controlada” em Portugal, os socialistas prometem ficar atentos ao “fenómeno”, sobretudo no actual contexto europeu, de uma grave crise de refugiados. “Não digo que haja crianças refugiadas em Portugal a serem traficadas, longe disso. Mas há um conjunto de fenómenos à nossa volta que têm de nos tornar mais atentos para este fenómeno.”

Segundo o Observatório do Tráfico de Seres Humanos, do Ministério da Administração Interna, entre os 18 menores sinalizados como vítimas, foram confirmados seis, todas “vítimas do sexo feminino, de nacionalidade estrangeira”, sendo cinco delas angolanas. Em três desses casos, Portugal era o país de destino, nos restantes apenas local de trânsito. “Vivemos numa Europa de fronteiras abertas onde as pessoas circulam. Temos de ter essa atenção”, sublinha a governante em conversa com o P3.

A escolha do metro do Chiado para a divulgação da campanha não foi aleatória. Os “locais de trânsito” são “zonas onde estas coisas acontecem à nossa frente mas são invisíveis”, alerta. Nos cartazes — com o apelo “tráfico de crianças: mude a história e dê-lhes uma infância” — divulga-se um número nacional (808 257 257) para denunciar casos de tráfico e ainda o contacto telefónico das equipas multidisciplinares que procuram combater o fenómeno, em articulação com a Polícia Judiciária e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Desde que entraram em funções, os socialistas criaram uma equipa no Algarve, tendo agora cinco núcleos de acção distribuídos pelo país: além do Sul, já havia um no Norte, um no Centro, um em Lisboa e Vale do Tejo e outro no Alentejo. Num trabalho feito em parceria com ONG especializadas, há ainda três casas abrigo onde vítimas de tráfico podem ser alojadas: no Porto e no Sul do país há espaços para mulheres e crianças, no distrito de Coimbra um local para homens. 

Nas contas gerais — e a partir do momento em que a contabilidade começou a ser feita, em 2008 — houve “mais de 1300 pessoas [adultas] sinalizadas”. “São muitas”, lamenta Catarina Marcelino. O padrão, esse, tem-se alterado. Se em 2008 o tráfico de seres humanos era feito essencialmente para fins sexuais, agora tem a ver com fins laborais. Tem havido “um conjunto de redes desmanteladas”, congratula-se a socialista, e isso tem surtido “um efeito preventivo”.

Além dos cartazes espalhados por todo o país, a campanha — lançada pouco antes do Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos, assinalado a 18 de Outubro — conta com um vídeo que irá passar nas televisões e marcará presença nas rádios e jornais.  

 mais informações:

Trafico de Seres Humanos: Relatório sobre 2015

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Desigualdades educativas estão a diminuir

Outubro 12, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 26 de setembro de 2016.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Estado da Educação 2015

Sara R. Oliveira

Menos retenções e desistências nas escolas. Menos alunos e menos professores. Menos estudantes com piores resultados. Docentes mais velhos e com mais formação. O Relatório da Educação 2015 do Conselho Nacional de Educação apresenta dados do setor.

Menos professores no sistema, e mais velhos, menos alunos nas escolas, com algum desencanto à mistura. Menos retenções, menos abandono escolar, menos despesas do Estado com o setor. O Conselho Nacional de Educação (CNE) voltou a analisar vários documentos, estudos, relatórios, que mostram como anda a comunidade educativa em Portugal nos últimos anos. O Relatório da Educação 2015 está feito e é apresentado nesta hoje depois da abertura do ano letivo 2016/2017 com as intervenções de David Justino, presidente do CNE, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Relatório da Educação mostra algum desencanto dos alunos, o que não acontecia há 15 anos, quando havia uma maior percentagem a responder que gostava muito da escola. São as raparigas que estão mais desencantadas. De modo geral, a percentagem de alunos que referem gostar muito da escola tem vindo a diminuir. Os alunos do 6.º ano são os que mais frequentemente referem gostar da escola, numa percentagem que, no entanto, desceu de 92% em 2001/2002 para 82,3% em 2013/2014. Neste ano letivo, os alunos do 8.º ano estão mais insatisfeitos do que os colegas do 10.º ano, com percentagens superiores nas opções não gosto nada e não gosto muito. Portugal foi, entre os países da OCDE, o que registou o maior decréscimo da percentagem de raparigas com 15 anos que responderam gostar muito da escola entre 1997 e 2014.

“Ao contrário do discurso de algum senso comum, a pressão e a exigência da escola sobre os alunos têm vindo a diminuir nos últimos 15 anos e, mais uma vez, são as raparigas que mais sentem essa pressão das tarefas escolares”, sublinha David Justino, presidente do CNE, na introdução do relatório. Na sua perspetiva, as desigualdades educativas diminuíram e a melhoria do desempenho médio dos alunos deve-se à redução acentuada do grupo dos estudantes com piores resultados. “Se é certo que há um pequeno contributo dos resultados dos alunos mais proficientes, o maior contributo vem da redução da proporção dos alunos mais fracos”, acrescenta.

Além disso, a percentagem de escolas, inseridas em meios desfavoráveis, cujos alunos obtiveram resultados acima da média passou de 19% em 2003 para 34% nos testes PISA de 2012. “A elas se deve a capacidade de contrariar os determinismos sociais do desempenho educativo, obtendo resultados bem acima do que a origem social dos seus alunos deixaria estimar”, realça o presidente do CNE. “Arriscamo-nos a dizer que nunca tivemos tão bons alunos como os que têm passado pelas escolas nos últimos anos. O problema está em saber se os estamos a tratar bem e a educá-los melhor. Ora, esta responsabilidade não é exclusiva da escola, mesmo quando uma parte significativa das escolas portuguesas continuam a fazer a diferença, a contrariar os determinismos sociais e a superar as melhores expectativas”, afirma.

Pressão com os trabalhos de casa
Mais de 30% dos alunos garantem que sentem alguma ou muita pressão com os trabalhos da escola. São os jovens do 10.º ano que mais sentem essa pressão. E há aqui dados que se podem cruzar. Os alunos que apresentam as percentagens mais elevadas em não sentirem pressão com os trabalhos da escola são os que gostam muito da escola. Por outro lado, os que dizem gostar nada da escola são os que dizem sentir muita pressão com os trabalhos da escola. Ainda assim, a percentagem dos alunos que referem sentir alguma ou muita pressão com os TPC tem vindo a diminuir e em 2013/2014 apresenta mesmo os valores mais baixos para todas as idades e sexos.

Os dados de 2013/2014 indicam uma relação, estatisticamente significativa, entre alunos que afirmam não gostar nada da escola e os que manifestam uma pior relação com os colegas. Há, portanto, uma correlação entre o gostar da escola e a relação com os colegas e mesmo com os professores. Em 2012, a maior percentagem de alunos infelizes encontra-se em escolas onde os resultados do PISA estão abaixo da média da OCDE, sendo também nestas escolas que, de 2003 a 2012, aumentou a percentagem de alunos que se sentem excluídos.

Há menos alunos nas escolas. Em 2014/2015, relativamente ao ano anterior, o número em todos os níveis de educação e ensino diminuiu. É no 2.º ciclo que se regista a maior quebra, com menos 12 179 alunos. Nos próximos cinco anos, segundo o Relatório da Educação, estima-se uma redução anual do afluxo de novos alunos no 1.º ciclo, cerca de duas vezes maior à dos últimos 10 anos e que previsivelmente não será contrariada antes de 2021/2022. Entre 2006 e 2015, o ensino público não superior perdeu 73 572 alunos e o privado ganhou mais 18 912. E em 2014/2015, o peso percentual dos alunos a frequentar vias profissionalizantes, no Secundário, diminuiu 1%, o que representa um decréscimo de 5388 alunos.

A taxa de abandono precoce desceu para 13%, mas, por outro lado, Portugal tem uma das elevadas taxas de retenção escolar da Europa. Um pouco mais de um terço dos alunos com 15 anos têm já no seu trajeto pelo menos uma retenção. Proporção que aumenta para 40% nos alunos do Secundário, e o número médio de retenções ultrapassa os dois anos. No Ensino Superior, há menos procura por parte dos alunos, a que o agravamento das condições financeiras das famílias e as dificuldades de inserção no mercado de trabalho não são alheios. Depois de um crescimento até 2010, os cinco anos seguintes registaram uma quebra de cerca de 20% nas primeiras matrículas nos três ciclos de Ensino Superior. Em 2014/2015, há menos 4,8% de inscritos no Superior face a 2005/2006 e menos 11,8% do que em 2010/2011.

Os dados indicam que há mais crianças, mais 7267, apoiadas no âmbito da Intervenção Precoce na Infância entre 2012 e 2015. Nos últimos três anos, há mais crianças com Necessidades Educativas Especiais nas escolas regulares e menos nas escolas especiais em todos os níveis de educação e ensino. E assiste-se à diminuição do número de técnicos afetos à educação especial no continente nos últimos quatro anos.

Só 0,4% têm menos de 30 anos
Há menos professores nas escolas. Entre 2006 e 2015, do pré-escolar ao Secundário, a diminuição atingiu os 24%. No privado, a diminuição foi menos acentuada, de 5,9%. O Ensino Superior também não escapou à redução, com uma perda de 13,6%: menos 30% no privado e menos 6,6% no público. O envelhecimento da classe docente é um tema recorrente e já atinge todos os níveis de educação. Em 2014/2015, os docentes com 50 e mais anos de idade representavam 43,2% no ensino público e 18,4% no privado, do pré-escolar ao Secundário, e 39,4% no Ensino Superior. Os que tinham menos de 30 anos totalizavam apenas 0,4% no público e 7,3% no privado.

O corpo docente continua maioritariamente feminino na educação pré-escolar e nos ensinos Básico e Secundário, diminuindo gradualmente a percentagem à medida que se progride no nível de ensino. O que não acontece no Superior, cujo corpo docente é maioritariamente masculino, com exceção do ensino politécnico privado em que as mulheres se encontram em maioria. Em termos de formação, aumentou o número de docentes do pré-escolar e do Básico e Secundário com doutoramento ou mestrado e de doutorados no Superior: 150% no politécnico e 33% no universitário, entre 2006 e 2015.

Há menos retenções e desistências. Em 2015, a taxa do Ensino Básico regular e dos cursos científico-humanísticos do Secundário, em todos os anos de escolaridade, diminuiu. E aumentou a taxa de conclusão no Básico e dos cursos científico-humanístico, dos cursos profissionais e dos cursos tecnológicos no Secundário. Segundo o relatório, em 2015, a maioria das escolas apresenta resultados médios de classificação interna e externa que as colocam dentro de um intervalo-padrão de variabilidade, em todos os ciclos e níveis de ensino. Relativamente à tendência de sobrevalorização da classificação interna, ela é maior nas escolas privadas do que nas públicas, em todos os ciclos e níveis de ensino. No Básico, a grande maioria dos alunos não tiveram as suas classificações internas finais alteradas na sequência dos resultados obtidos nas provas finais.

“No Ensino Secundário, o impacto das classificações de exame no cálculo da classificação final de cada disciplina apresenta variações mais ou menos significativas consoante a disciplina analisada. No entanto, esse impacto é pouco relevante para a reprovação dos alunos”, lê-se no relatório.

Casamento infantil : a triste realidade de uma boda a cada 7 segundos

Outubro 12, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto do http://pt.euronews.com/ de 11 de outubro de 2016.

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Dulce Dias

Durante o tempo que vai levar a ler este parágrafo, já uma menina de menos de 15 anos foi obrigada a casar-se. Segundo a ONG Save The children, a cada 7 segundos, uma rapariga de menos de 15 anos é forçada ao matrimónio – na maior parte dos casos, com um homem muito mais velho.

As meninas oriundas de zonas de guerra ou refugiadas por causa dos conflitos são particularmente vulneráveis – mas não são as únicas. Países como o Afeganistão, o Iémen ou a Somália são particularmente apontados do dedo pela ONG mas outros que não estão em guerra, como a Índia, também praticam o casamento infantil.

Sahar*, 14 anos, grávida de dois meses

Sahar casou-se há um ano, no Líbano. Hoje tem 14 anos e está grávida de dois meses. Do dia do casamento recorda: “Tinha-o imaginado um dia de festa – mas foi miserável. Sentia-me mal, estava muito triste”.

Sahar é oriunda da Síria mas a guerra levou-a a fugir para o Líbano e foi, oficialmente, com o objetivo de a proteger que o pai a forçou a casar-se aos 13 anos.

Infelizmente, esta história não é única. Em 2013, uma em cada quatro adolescentes sírias entre os 15 e os 17 anos refugiadas na Jordânia estava casada, segundo um relatório da ONG Save the Children (em inglês).

Um relatório publicado propositadamente neste 11 de outubro, primeiro Dia Internacional das Meninas, decretado pela ONU para fazer avançar a condição feminina no mundo.

Uma condição que começa pela educação – algo que, normalmente é negado às meninas que são forçadas ao casamento.

Khadra* fugiu do marido aos 16 anos

Khadra queria ser médica. Aos 15 anos, quando estava no secundário, o pai casou-a com um homem com o dobro da idade dela. Obviamente, Khadra abandonou os estudos e, ao final de um ano de maus tratos físicos conseguiu fugir do marido. Foi então que soube que estava grávida.

A uma gravidez complicada seguiu-se um parto de cesariana e Khadra esteve três dias sem recuperar a consciência.

Com um filho nos braços, voltar para os bancos da escola já não era uma opção.

“O casamento infantil é o início de um ciclo de desvantagens que nega às meninas os direitos básicos de aprenderem, de se desenvolverem e de serem simplesmente crianças”, explica Helle Thorning-Schmidt.

A directora da Save the Children continua: “As raparigas que se casam demasiado jovens têm mais probabilidade de serem confrontadas à violência doméstica, aos abusos e às violações. Engravidam e estão expostas a doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a sida. Como geram crianças antes de o corpo estar completamente preparado para a maternidade, enfrentam consequências devastadoras para a própria saúde e a dos respetivos bebés.”

700.000.000 de casamentos infantis

Entre as mulheres adultas de hoje, a ONU calcula que 400 milhões de mulheres entre 20 e 49 anos já foram casadas ou tiveram uma união informal quando eram meninas.

Ao todo, atualmente, há cerca de 700 mulheres e raparigas que foram forçadas ao casamento infantil, um número que, segundo a UNICEF, alcançará os 950 milhões em 2030, se nada for feito para contrariar a tendência.

Inverter a tendência

Cinco grande factores – casamento precoce, nível de educação, gravidez adolescente, mortalidade materna e proporção de mulheres nos respetivos parlamentos – contribuem para o desenvolvimento ou não das raparigas, que contabilizam, actualmente, 1100 milhões de seres humanos.

São esses fatores que a Save the Children destaca no indíce de oportunidades das raparigas, que comporta 144 países e no qual Portugal aparece muito bem posicionado em 8.° lugar, à frente de pa’ises como a Suiça, a Alemanha ou a França. O primeiro lugar é ocupado pela Suécia.

* Sahar e Khadra são nomes fictivos, para proteger a identidade das duas meninas

 

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