Alunos imigrantes têm piores notas, mas mais ambição

Abril 20, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social, Relatório | Deixe o seu comentário
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Notícia do site Educare de 6 de abril de 2016.

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https://www.oecd.org/education/Helping-immigrant-students-to-succeed-at-school-and-beyond.pdf

educare

Com os pais a sonhar vê-los com um curso superior, os alunos imigrantes lutam contra uma série de dificuldades. Barreiras psicológicas, linguísticas e sociais ao seu sucesso. Numa escola que nem sempre os acolhe como deveria, têm piores notas que os colegas não imigrantes, mas maiores expectativas quanto ao futuro.

Andreia Lobo

Os alunos imigrantes têm piores resultados ao nível da leitura do que a Matemática quando comparados com os colegas nascidos no país de acolhimento, revela a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). O relatório “Helping immigrant students to succeed at school and beyond” sugere que as barreiras linguísticas à compreensão dos textos estão na base das diferenças encontradas nos desempenhos destes dois grupos de estudantes.

Na maioria dos países da OCDE, os alunos de 15 anos que fazem parte da primeira geração de imigrantes – tanto eles como os pais nasceram fora do país – obtiveram piores desempenhos no PISA 2012 (Programme for Internationanal Student Assessment) do que os colegas nativos e os imigrantes de segunda geração já nascidos no país de acolhimento.

No entanto, os imigrantes tendem a ter melhores desempenhos em países onde existe uma política de imigração altamente seletiva. Mas enquanto a cultura e a educação adquiridas antes da imigração têm um profundo impacto no que os alunos conseguem alcançar na escola, o desempenho está ligado principalmente às características dos sistemas educativos do país anfitrião.

Alunos imigrantes oriundos do mesmo país e com estatuto socioeconómico semelhante têm desempenhos diferentes consoante o país onde estudam. Em média, os estudantes dos países árabes residentes na Holanda obtêm resultados superiores em 100 pontos nos testes de Matemática do PISA, quando comparados com estudantes da mesma nacionalidade, mas a estudarem no Qatar.

Nos testes de Matemática, os estudantes albaneses na Grécia têm resultados em 50 pontos superiores aos imigrados no Montenegro. Uma diferença muito próxima da que separa os desempenhos globais dos estudantes gregos e montenegrinos.

Estudantes nascidos no território-mãe da China pontuam acima da média da OCDE em muitos países e economias-destino, mas tendem a ter melhores resultados em Hong Kong (China) do que em Macau (China).

A OCDE acredita que o estatuto socioeconómico não explica por si só as variações nas performances dos alunos imigrantes do mesmo país a estudarem em países distintos. Outros fatores desempenham um papel importante a este nível, incluindo a motivação dos alunos, e o apoio dos pais.

Ainda assim, os dados agora publicados sugerem que “os sistemas educativos têm um papel fulcral na integração destes alunos e alguns países de destino são melhores do que outros a nutrir as competências e as habilidades dos estudantes com diferentes contextos culturais e intelectuais”.

Entre 2003 e 2012, a diferença nos resultados obtidos a Matemática pelos alunos imigrantes e não imigrantes nos países da OCDE diminuiu 10 pontos. Entre os países e economias parceiras onde, pelo menos, 5% da população estudantil era de origem imigrante, tanto em 2003 como em 2012, a Bélgica, a Alemanha, a Nova Zelândia, a Suíça e os EUA conseguiram reduzir a diferença ao nível da pontuação obtida nos testes de Matemática entre alunos imigrantes e nativos nesse período.

Na Bélgica, Alemanha e Suíça, a redução fica a dever-se à melhoria de resultados obtidos pelos alunos imigrantes, mais acentuada do que entre os alunos nativos. Na Alemanha o fosso entre estes dois grupos de alunos diminuiu: em 2003, os alunos não imigrantes superaram os colegas de outros países em 81 pontos nos testes de Matemática; em 2012, a diferença era só de 54 pontos.

Pelo contrário, na Itália a diferença na pontuação obtida a Matemática entre alunos com e sem origem imigrante aumentou em 26 pontos. De uma diferença de 22 pontos em 2003 para 48 pontos em 2012. De acordo com a OCDE, a mudança reflete uma melhoria entre os estudantes nativos entre 2003 e 2012 e simultaneamente nenhuma melhoria entre os alunos imigrantes.

No Canadá, França e Suécia, o desempenho de ambos os grupos de alunos – imigrantes de segunda geração e sem origem imigrante – deteriorou-se entre 2003 e 2012, no entanto, o declínio entre os primeiros foi particularmente acentuado.

Pertencer ou não à escola

A integração dos alunos imigrantes torna-se mais fácil quando estes se sentem parte da escola. O sentimento de pertença pode ajudar os alunos a superarem algumas dificuldades, garante a OCDE. Que perguntou precisamente isso. Sentes-te integrado? As respostas dadas pelos alunos de 15 anos que em 2012 participaram no PISA levaram a OCDE a distinguir três grupos de países consoante o grau de pertença à escola.

No primeiro grupo de países, que inclui o Reino Unido e os Estados Unidos da América, a primeira geração de imigrantes expressa um sentimento de pertença à escola mais forte que os restantes alunos; a segunda geração de imigrantes mostra-se tão integrada como os colegas nascidos no país de acolhimento.

Argentina, Dinamarca, França e México constituem o segundo grupo. Aqui, os alunos imigrantes de segunda geração, que já nasceram no país de acolhimento, sentem-se mais alienados na escola, sentindo-se menos parte da comunidade escolar do que os colegas nativos e os imigrantes de primeira geração.

A integração é mais progressiva no terceiro grupo do qual fazem parte Itália, Noruega, Espanha, Suíça e Suécia. Os alunos imigrantes de segunda geração fazem tanto parte da escola como os não imigrantes, mas os de primeira geração sentem menos pertença à escola.  Há países mais acolhedores, onde os alunos imigrantes se sentem quase em casa. A Finlândia é um desses casos. Quase 90% dos estudantes do Iraque residentes na Finlândia dizem sentir que pertencem à escola onde estudam, mas entre os colegas que estudam na Dinamarca apenas 69% sentem o mesmo.

Algo parecido acontece com os estudantes imigrantes turcos e dos países árabes. Na Dinamarca, 64% dos alunos turcos e 73% dos alunos árabes sentem que pertencem à escola onde estudam. Os colegas da mesma nacionalidade que estudam na Finlândia mostram-se mais integrados: 93% dos alunos turcos e 90% dos alunos dos países árabes consideram fazer parte da escola.

“Os resultados sugerem que o bem-estar psicológico dos alunos imigrantes não é afetado apenas pelas diferenças entre o seu país de origem e o de destino”, alerta a OCDE. “Mas também pelo modo como são recebidos na escola e na comunidade local do país-destino. E que os pode ajudar a ultrapassar os obstáculos que enfrentam no sucesso educativo e na construção de uma vida nova.”

Em 26 países, 50% dos alunos são imigrantes

Dos 43 países membros ou parceiros da OCDE analisados, em 26 pelo menos metade dos alunos é de origem imigrante; entre esses, em sete deles a percentagem de alunos imigrantes é de quase 70%; em mais sete é ainda superior. No topo dos países que acolhem mais alunos vindos de fora estão os Emirados Árabes Unidos, contabilizando mais de 85%, seguindo-se o Qatar, com pouco mais de 80%, e a Grécia com 80%. A média da OCDE fica ligeiramente abaixo dos 70%.

A concentração de alunos imigrantes nas escolas, por si só, não tem efeitos adversos nos seus resultados ou no esfoço para se integrarem, insiste a OCDE, “mas as condições socioeconómicas, sim”.

Por todos os países, os alunos que frequentam escolas com elevada presença de colegas oriundos de outros países (mais de um em cada quatro) tendem a ter piores resultados que os colegas cujas escolas não têm alunos imigrantes. Mas “esta diferença reflete o facto de muitos alunos imigrantes serem alunos socioeconomicamente desfavorecidos”, explicam os investigadores.

Comparando as escolas que não têm alunos imigrantes com aquelas onde estes representam mais de 25% do total de alunos, as primeiras conseguem melhores resultados, em 18 pontos mais elevados. “O equivalente a seis meses de escola”, esclarece a OCDE. Quando a análise dos resultados tem em conta os fatores socioeconómicos a diferença reduz-se para os cinco pontos.

Mais cedo, melhor

Os alunos que chegam ao país de acolhimento com 12 anos ou mais, estando há pelo menos quatro anos na escola, “têm resultados de longe piores” ao nível da leitura que os imigrantes que chegam com menos idade. Os alunos imigrantes sofrem uma espécie de “penalização pela chegada tardia”, descreve a OCDE. Porque somam dificuldades na leitura e na comunicação. As barreiras linguísticas são um fenómeno visível entre os imigrantes nascidos na China e imigrados para a Austrália. E também nos países europeus.

No entanto, a idade de chegada não tem influência nos desempenhos ao nível da leitura dos estudantes alemães imigrados para a Suíça, por exemplo. O mesmo não pode ser dito sobre os alunos de 15 anos provenientes de Portugal e da antiga Jugoslávia que imigraram nos últimos anos. Tiveram resultados bem piores ao nível da leitura que os colegas portugueses e ex-jugoslavos que nessa altura já tinham frequentado todos os seus anos de escolaridade no sistema educativo suíço.

Se, por um lado, é importante proporcionar apoio ao nível da aprendizagem do idioma aos alunos imigrantes mais velhos, refere a OCDE, por outro lado, também deve haver uma preocupação com o envolvimento dos imigrantes mais novos no pré-escolar.

Entre os participantes do PISA, os alunos imigrantes com a educação pré-escolar feita no país de acolhimento conseguem mais 49 pontos nos testes de leitura por comparação com os colegas que não frequentaram esse nível de ensino. Os países devem, por isso, encorajar os pais dos alunos imigrantes a inscreverem os filhos em programas de ensino pré-escolar, o qual deve oferecer oportunidades às crianças para o desenvolvimento das competências linguísticas, recomenda a OCDE.

Chumbar é preciso?

É três vezes mais provável que os alunos imigrantes chumbem um ano, no percurso do ensino primário ao secundário, que um colega não imigrante. Esta é a média entre os países da OCDE. As diferenças no número de retenções são maiores nos países que acolhem maior percentagem de pessoas a pedir asilo: Finlândia e Suécia.

Por outro lado, alerta a OCDE, este insucesso lança muitos dos alunos imigrantes em vias de ensino que limitam as suas escolhas futuras. “A orientação curricular precoce para programas de ensino académico ou profissional tende a favorecer as desigualdades do sistema de ensino, uma vez que os alunos mais carenciados têm maior probabilidade de ser direcionados para vias de ensino menos exigentes”, refere o relatório.

Além disso, esclarece a OCDE, “os pais dos alunos imigrantes muitas vezes não estão familiarizados com os sistemas de ensino, por essa razão não são capazes de escolher os programas educativos que melhor se adequam aos seus filhos”.

Pior, mostra o relatório: “Mesmo os pais mais informados podem não ver os seus filhos a seguir uma via de ensino académica, caso os estereótipos negativos sobre os alunos imigrantes estejam enraizados na sociedade e a via profissional seja vista como um caminho direto para o mercado de trabalho”. Entre os participantes do PISA, os investigadores constataram ser 44% mais provável um aluno imigrante ingressar num curso profissional do que um colega não imigrante.

Ainda assim, entre os países da OCDE, uma percentagem mais elevada de alunos imigrantes de primeira geração (37%) e de segunda geração (34%), quando comparada com os alunos não imigrantes (33%), manifestou nas suas respostas o gosto pela resolução de problemas complexos.

“O que motiva as pessoas a sair do seu pais de origem é a busca de uma vida melhor e mais segura para si e para os seus filhos”, recorda a OCDE. Por isso, elogia, “os imigrantes são um grupo determinado a aproveitar o máximo de qualquer oportunidade”.

O relatório chama ainda atenção para as altas aspirações das famílias imigradas. As entrevistas realizadas para o PISA mostram que os pais dos alunos imigrantes na Bélgica, Alemanha e Hungria têm mais expectativas que os seus filhos se formem no ensino superior do que os pais dos alunos não imigrantes.

“Isto é notável, dado que os alunos imigrantes nestes países não obtêm tão bons resultados como os que não são imigrantes e as suas famílias são muito mais desfavorecidas ao nível socioeconómico”, concluem os investigadores.

 

Crianças mais pobres têm acesso a 40% do rendimento de uma “criança média”

Abril 14, 2016 às 1:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe o seu comentário
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Notícia do Público de 14 de abril de 2016.

descarregar o relatório citado na notícia em baixo:

Fairness for Children: A league table of inequality in child well-being in rich countries

mais informações no site da Unicef Portugal

Report Card 13 – Equidade para as crianças

 

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Andreia Sanches

Nenhum país consegue proporcionar “o mesmo começo de vida a todas as crianças”, diz a Unicef. Mas há uns mais desiguais do que outros. No ranking geral das desigualdades, Portugal fica a meio da tabela. O pior é quando se analisam os rendimentos.

Até que ponto as crianças dos países desenvolvidos, sobretudo as que se encontram numa situação mais desfavorecida, “estão a ficar para trás”? É a esta pergunta que um novo relatório da Unicef, que será divulgado nesta quinta-feira, procura dar resposta. Chama-se Equidade para as crianças: uma tabela classificativa das desigualdades no bem-estar das crianças nos países ricos. No ranking geral, que ordena os Estados dos que registam menores disparidades para os que apresentam mais desigualdade, Portugal está em 19.º lugar. Uma posição abaixo dos EUA e uma acima da Islândia.

São analisadas quatro áreas: rendimento disponível nas famílias; desempenho escolar; problemas de saúde percepcionados pelos jovens; e satisfação com a vida.

Portugal destaca-se pela positiva quando estão em causa as disparidades em termos de saúde percepcionada pelas crianças. É 7.º no ranking. Já quando se analisa a dimensão “desigualdade de rendimentos”, tudo se complica. Dados: na Noruega, o rendimento de uma criança de uma família pobre é 37% inferior ao de uma “criança média”; em Portugal, é 60,17% inferior. Somos o 33.º mais desigual em 41 para os quais há dados disponíveis sobre rendimentos das famílias com crianças. A Noruega é o menos desigual nesta dimensão.

“Em 19 dos países analisados, as crianças mais pobres dispõem de menos de metade dos rendimentos da criança média dos seus países”, explica a Unicef, numa síntese dos dados. “Em Espanha, na Grécia, Itália e Portugal, bem como em Israel, no Japão e México, a diferença de rendimentos entre as crianças mais pobres e as do meio da distribuição é superior a 60%. Isto significa que as mais pobres dispõem de menos de 40% dos rendimentos da média.”

A metodologia usada pelo Centro de Investigação — Innocenti, da Unicef, pode resumir-se deste modo: em cada uma das quatro áreas, e em cada país, foi analisada a dimensão do fosso que separa uma criança que se encontre na base da tabela — ou seja, no grupo das que estão em pior posição — de uma “criança média” desse país.

Participam 41 países da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). A Dinamarca está no topo do ranking geral, que congrega as quatro dimensões. Não é que proporcione exactamente “o mesmo começo de vida” a todas as crianças. Isso, na verdade, não acontece em nenhum dos estados, nota a Unicef. Mas na Dinamarca as diferenças entre crianças mais desfavorecidas e os seus pares são menores.

Rendimento: desigualdade aumenta

A Unicef começou por ter em conta o rendimento dos agregados com filhos — descontados impostos, incluídas prestações sociais e ponderado o tamanho e composição do agregado. Os dados sobre rendimento e condições de vida da União Europeia, de 2013, constituem uma das fontes. Em cada país, a mediana do rendimento foi comparada com o rendimento do agregado de uma criança que pertença ao grupo das famílias mais pobres — as 10% mais pobres do país.

A tendência geral é esta: “As disparidades de rendimento aumentaram na maioria dos países ricos desde a crise económica. Esta tendência é particularmente gritante nos países do sul da Europa, onde os rendimentos das crianças mais pobres caíram mais relativamente à média, também esta em queda.”

Em Portugal, entre 2008 e 2013, as disparidades de rendimento aumentaram 5,4 pontos percentuais, “dado que o rendimento dos 10% de crianças na base da distribuição diminuiu mais rapidamente do que o da mediana”, prossegue a Unicef.

“Os maiores aumentos das desigualdades de rendimento — aumentos de pelo menos cinco pontos percentuais — ocorreram em quatro países do sul da Europa, Grécia, Espanha, Itália e Portugal, e em três países da Europa de Leste, Eslovénia, Eslováquia e Hungria.”

Portugal é também dos países onde as transferências sociais — subsídios, abonos, etc. — menos atenuam a desigualdade de distribuição de rendimentos. O Reino Unido, a Irlanda e a Bélgica são aqueles onde o Estado tem um papel mais relevante na redução do fosso entre crianças.

Em 2013, a taxa de pobreza infantil em Portugal era de 17,4% (há 11 países com taxas maiores). E perto de três quartos das crianças que viviam em agregados familiares pobres encontravam-se em situação de privação material (não tinham capacidade para dispor de bens considerados essenciais, como aquecimento em casa ou uma refeição com o nível adequado de proteínas a cada dois dias, recorda ainda a Unicef, na síntese que reúne os dados para o país).

A Unicef nota ainda que dois dos países mais ricos do mundo, o Japão e os EUA, aparecem, como Portugal, no último terço da tabela das desigualdades no que diz respeito aos rendimentos a que as crianças têm acesso.

Educação: países-modelo pioram

Na tabela que mede as disparidades na educação — outra das quatro áreas analisadas —, Portugal aparece em 19.º em 37 países para os quais há dados. A análise é feita com base nas conclusões do PISA 2012, um estudo internacional que avaliou as competências dos alunos de 15 anos em três áreas-chave: Matemática, Leitura e Ciências. Em cada país compara-se o desempenho dos alunos com piores resultados com a média.

O Chile e Roménia aparecem como sendo os que apresentam menor disparidade entre alunos, “mas pelos piores motivos — porque a situação é má para todos”, explica Margarida Gaspar de Matos, investigadora da Universidade Técnica de Lisboa, que participou na elaboração do estudo da Unicef.

Naqueles dois países, tal como acontece na Bulgária e no México, “perto de um quarto dos alunos de 15 anos não dispõem das aptidões e competências necessárias para resolver exercícios básicos de leitura, matemática e ciências”, o que é considerado pela Unicef “um número particularmente alarmante”. Em Portugal, são 12,6%, um valor que representa uma melhoria, face a 2006.

No que diz respeito às competências de leitura, especificamente, há mais boas notícias para Portugal: “As disparidades entre as crianças com resultados médios e os 10% que se encontravam na base da distribuição diminuíram 9,3 pontos, dado que estas melhoraram as suas notas mais do que os seus pares.”

Apesar das boas notícias, os alunos portugueses “provenientes de famílias com um estatuto socioeconómico mais baixo tinham 12% mais probabilidade de não atingir os níveis mínimos de competências nas três áreas do que os seus pares de meios mais privilegiados”.

De resto, na generalidade dos países, as desigualdades no que diz respeito ao desempenho escolar diminuíram. Mas não na Finlândia e a Suécia, “anteriormente considerados como exemplos de sucesso e de equidade em matéria de educação. Em ambos verificou-se um aumento das desigualdades e dos níveis de insucesso.

“Uma sociedade não pode ser equitativa se a algumas crianças for negado um bom começo de vida”, alerta a Unicef que pede aos governos que “considerem como prioritário” proteger os rendimentos dos agregados familiares das crianças mais pobres, promover o sucesso escolar das crianças mais desfavorecidas e “apoiar estilos de vida saudáveis”. Em Portugal, o relatório é apresentado nesta quinta-feira à tarde no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Saúde: meninos e meninas muito diferentes

Quantas vezes nos últimos meses sentiste sintomas físicos como dor de cabeça, ou de estômago; quantas te sentiste nervoso, ou irritado? Foram perguntas deste tipo que se fizeram em 2014 aos adolescentes de 11, 13 e 15 anos de dezenas de países, no âmbito do Health Behaviour in School-aged Children, da Organização Mundial da Saúde, cujos resultados finais foram divulgados no mês passado. E a Unicef foi buscar também esse estudo para a sua análise sobre desigualdades.

“Nenhum país conseguiu progressos claros na redução das disparidades no que toca a problemas de saúde sinalizados pelas crianças”, conclui. Pelo contrário, as desigualdades acentuaram-se na maioria dos Estados, incluindo Portugal, “verificando-se mesmo aumentos consideráveis na Irlanda, em Malta, na Polónia e na Eslovénia”.

Ainda assim, Portugal ocupa, como se viu, uma boa posição neste ranking: é o 7.º em 35 países com menos disparidades no que toca a problemas de saúde sinalizados pelas crianças. Já no que diz respeito à alimentação saudável (consumo de fruta e vegetais), é apontado como o país onde as desigualdades mais aumentaram (6,6 pontos percentuais entre 2002 e 2014).

Sobre este aspecto, Margarida Matos lembra que “o consumo de fruta desceu muito a nível nacional, embora continue razoável em termos europeus”, e que Portugal foi “penalizado” na avaliação da Unicef porque “foi o país onde o consumo de fruta desceu mais entre 2010 e 2015 — mas a verdade é que era o maior consumidor em 2010”.

O estudo da OMS também pediu aos jovens que classificassem a sua “satisfação com a vida”, numa escala de zero a 10. E, uma vez mais, a Unicef compara a “criança média” com as crianças menos satisfeitas. Resultado: “Nos países ricos, o nível de satisfação com a vida atribuído pela criança média é de 8.” Mas “na grande maioria dos países, mais de uma em cada 20 crianças classifica a sua satisfação com a vida num nível 4 ou menos”. Em Portugal, a percentagem é 6%.

O países onde o fosso entre a média e as menos satisfeitas é menor é a Holanda. Portugal ocupa o 18.º lugar neste ranking da satisfação com a vida, em 35 países.

A Unicef sublinha que há um outro tipo de desigualdade preocupante: a de género, que é “generalizada e persistente”. Em todos os países, “as raparigas têm uma probabilidade significativamente mais elevada de ficar para trás relativamente à saúde”. Em dez, as disparidades de género aumentaram.

“Por outro lado, as raparigas dão conta de um nível de satisfação com a vida inferior ao dos rapazes, especialmente na faixa etária dos 15 anos.” Margarida Matos diz que vários estudos têm alertado para este tema e não tem dúvidas: “A iniquidade de género merece uma reflexão séria.”

 

 

 

 

 

Trafficking in human beings in the EU – relatório da Europol

Abril 11, 2016 às 12:00 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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https://www.europol.europa.eu/CONTENT/TRAFFICKING-HUMAN-BEINGS-EU

Relatório Estatístico do SOS-Criança 2015

Abril 1, 2016 às 6:00 am | Na categoria Divulgação, Relatório | Deixe o seu comentário
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http://www.iacrianca.pt/images/stories/pdfs/sos/RELATORIO_SOS_2015.pdf

A saúde dos adolescentes portugueses em tempos de recessão – dados nacionais 2014

Março 16, 2016 às 3:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe o seu comentário
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healt

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http://aventurasocial.com/arquivo/1437158618_RELATORIO%20HBSC%202014e.pdf

O HBSC/OMS (Health Behaviour in School-aged Children) é um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS) que pretende estudar os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos vários cenários das suas vidas. Iniciou-se em 1982 com investigadores de três países: Finlândia, Noruega e Inglaterra, e pouco tempo depois foi adoptado pela OMS, como um estudo colaborativo. Neste momento conta com 44 países entre os quais Portugal, integrado desde 1996, e membro associado desde 1998 (Currie, Samdal, Boyce & Smith, 2001).

O estudo HBSC criou e mantém uma rede internacional dinâmica na área da saúde dos adolescentes. Esta rede permite que cada um dos países membros contribua e adquira conhecimento com a colaboração e troca de experiências com os outros países. No sentido desta rede funcionar de forma coordenada, todos os países membros do HBSC respeitam um protocolo de pesquisa internacional (Currie et al., 2001).

Portugal realizou um primeiro estudo piloto em 1994 (Matos et al., 2000), o primeiro estudo nacional foi realizado em 1998 (Matos et al., 2000), o segundo em 2002 (Matos et al., 2003), o terceiro em 2006 (Matos et al., 2006), o quarto em 2010 (Matos et al., 2012) e um mais recente em 2014, ao qual se refere este relatório (relatórios disponíveis em:

http://aventurasocial.com/publicacoes.php

 

Cosmétiques pour bébés: encore trop de substances préoccupantes

Março 1, 2016 às 8:30 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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http://www.projetnesting.fr/spip.php?page=article&id_article=2408

Alertée par l’exposition quotidienne des jeunes enfants à des substances chimiques potentiellement dangereuses pour la santé, l’ONG WECF publie ce jour les résultats d’une enquête menée sur 341 cosmétiques pour bébés – laits de toilette, lotions, shampoings, produits pour le bain, liniments, lingettes, eaux nettoyantes, eaux de toilette, solaires- vendus sur le marché français en pharmacies, parapharmacies, supermarchés et magasins biologiques. Les expertes de WECF ont décrypté la composition des produits telle qu’elle apparaît sur les étiquettes. À partir de l’analyse de la littérature scientifique et des évaluations des autorités sanitaires de l’Union Européenne (comité scientifique pour la sécurité des consommateurs, SCCS) et française (Agence nationale de sécurité du médicament et des produits de santé, ANSM), elles ont classé les ingrédients ou familles d’ingrédients présents dans les 341 cosmétiques, en trois catégories : à « risque élevé », à « risque modéré », à « risque faible ou non identifié ».

Principaux résultats On retrouve 3 ingrédients ou familles d’ingrédients classés à « risque élevé » dans 299 produits :

  • un allergène par contact (la méthylisothiazolinone) dans 19 produits dont 7 lingettes
  • un conservateur soupçonné d’effets toxiques sur la reproduction (le phénoxyéthanol) dans 54 produits dont 26 lingettes
  • des parfums dans 226 produits, impliquant des risques potentiels d’allergies.

On retrouve 4 ingrédients ou familles d’ingrédients classés à « risque modéré » dans 181 produits :

  • un composé très présent dans les produits moussants (l’EDTA) dans 87 produits dont 30 lingettes
  • des sulfates (laureth et lauryl sulfate), agents moussants potentiellement irritants dans 50 produits, en grande majorité des produits pour le bain et shampoings
  • des huiles minérales, issues de la chimie du pétrole pouvant être contaminées par des impuretés, dans 30 produits en majorité des crèmes et lotions
  • des nanoparticules, dont les effets sont encore mal évalués, dans 14 produits solaires.

Compte tenu de ces résultats, WECF :

  • demande l’interdiction des trois ingrédients à « risque élevé » dans tous les cosmétiques destinés aux enfants de moins de trois ans
  • s’alarme de l’omniprésence de parfums (226 sur 341) potentiellement sensibilisants et pour certains mis en cause dans des allergies par contact, au demeurant superflus pour des produits destinés à de jeunes enfants
  • demande des restrictions d’usage pour les ingrédients classés « à risque modéré », en application du principe de précaution
  • demande un moratoire sur l’usage de substances suspectées d’être des perturbateurs endocriniens (PE) dans les cosmétiques pour bébés en attendant la définition des PE que doit publier la Commission Européenne avant l’été 2016
  • recommande la prudence pour les ingrédients classés dans la troisième catégorie, les risques étant mal identifiés faute, souvent, d’études scientifiques.

Pour mieux rendre compte de l’exposition réelle à laquelle sont soumis les plus petits, WECF demande que l’ANSM évalue les cosmétiques pour bébés à partir des formules finales telles qu’elles sont commercialisées et non plus à partir des différents ingrédients. WECF demande enfin un étiquetage plus clair pour les substances allergènes par contact. WECF conseille aux parents de limiter l’usage de ces produits cosmétiques et d’éviter le plus possible les produits parfumés.

Tous les résultats et les détails de l’enquête sont disponibles en ligne

WECF (Women in Europe for a Common Future) est un réseau international de 150 organisations environnementales et féminines qui agit pour construire avec les femmes un monde juste, sain et durable. WECF conçoit et met en œuvre des programmes de formation et de sensibilisation aux impacts sanitaires des polluants toxiques de l’environnement, afin de protéger la santé des populations, notamment les plus vulnérables et est à l’origine du projet Nesting www.projetnesting.fr. WECF mène des actions de plaidoyer et est partenaire officiel du Programme des Nations Unies pour l’Environnement (PNUE).

Contact WECF : Elisabeth Ruffinengo, responsable plaidoyer elisabeth.ruffinengo@wecf.eu, 06 74 77 77 00

 

 

World report on child labour 2015: Paving the way to decent work for young people

Fevereiro 29, 2016 às 6:00 am | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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world

descarregar o relatório no link:

http://www.ilo.org/ipec/Informationresources/WCMS_358969/lang–en/index.htm

The Report presents empirical evidence of how child labour combined with limited education can lead to increased youth vulnerability and greater difficulties in transiting to good jobs. This evidence includes results from the ILO School-to-Work Transition Survey (SWTS) programme, an unprecedented data collection effort allowing the analysis of the trajectories followed by youth to enter the world of work in a total of 28 low- and middle-income countries around the world. The Report also reviews evidence of how the child labour-youth employment link can operate in the opposite direction, i.e., of how the difficulties faced by youth in the labour market can make personal investment in education less attractive as an alternative to child labour earlier in the lifecycle.

Alunos portugueses entre os que mais reprovam

Fevereiro 11, 2016 às 1:30 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 11 de fevereiro de 2016.

ler o relatório citado na notícia no link:

http://www.oecd.org/edu/low-performing-students-9789264250246-en.htm

pedro granadeiro  global imagens

O desempenho dos alunos portugueses em provas internacionais melhorou, mas ainda estão entre os que mais reprovam. A OCDE defende que o país deve mudar de política.

Nos últimos anos, os resultados dos estudantes de 15 anos que realizaram os testes PISA (Programme for International Student Assessment) têm vindo a melhorar a Leitura, Matemática e Ciências, mas ainda existem 13% de jovens que revelam dificuldades nas três áreas, revela o relatório “Low-performing Students: Why they Fall Behind and How to Help them Succeed” (Fraco rendimento dos alunos: Porque ficam para trás e como ajudá-los a ter sucesso).

Cerca de 34% dos alunos que participaram no estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) já tinham reprovado pelo menos uma vez, colocando Portugal em oitavo lugar na lista dos países com mais repetentes.

O relatório revela que em Portugal a retenção é o principal fator de risco na probabilidade de os alunos virem a ter maus resultados e por isso aconselha o país a mudar a sua política.

O estudo analisa o rendimento dos alunos olhando para a família, nomeadamente o seu “background”, a carreira e a atitude perante a escola, mas também analisa as formas de ensinar e as políticas educativas que estão mais associadas ao fraco rendimento dos alunos.

Os últimos dados do Ministério da Educação revelavam precisamente que um em cada cinco alunos chumba ou desiste de estudar no ensino secundário e que é no 12ª ano que o sucesso se revela mais complicado.

Cerca de 35% dos alunos não consegue terminar o 12.º ano com sucesso à primeira, segundo os dados nacionais que analisam os resultados entre os anos letivos de 2009/2010 e 2012/2013.

Um total de 22% dos alunos do secundário inscritos em cursos científico-humanísticos não conseguiram fazer os três anos de escolaridade no tempo previsto, segundo a taxa de retenção ou desistência, que mistura os casos de quem reprova com aqueles que anulam a matrícula, por várias razões como desistirem de estudar ou abandonar o país.

A Confederação Nacional de Associação de Pais (Confap) tem vindo a defender um maior investimento nos alunos para inverter a cultura da retenção (chumbos), que também tem sido considerado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) como o problema mais grave do sistema educativo.

Segundo o CNE, os chumbos atingem cerca de 150 mil alunos do sistema de ensino (público e privado) e representam um custo de cerca de 600 milhões de euros, se se admitir que cada aluno custa ao Estado cerca de quatro mil euros por ano.

 

 

 

Report of the commission on ending childhood obesity – relatório da OMS

Janeiro 29, 2016 às 10:30 am | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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According to the report, many children are growing up today in environments encouraging weight gain and obesity. Driven by globalization and urbanization, exposure to unhealthy (obesogneic) environments is increasing in high-, middle- and low-income countries and across all socioeconomic groups. The marketing of unhealthy foods and non-alcoholic beverages was identified as a major factor in the increase in numbers of children being overweight and obese, particularly in the developing world.

Overweight prevalence among children aged under 5 years has risen between 1990 and 2014, from 4.8% to 6.1%, with numbers of affected children rising from 31 million to 41 million during that time. The number of overweight children in lower middle-income countries has more than doubled over that period, from 7.5 million to 15.5 million.

In 2014, almost half (48%) of all overweight and obese children aged under 5 lived in Asia and one-quarter (25%) in Africa. The number of overweight children aged under 5 in Africa has nearly doubled since 1990 (5.4 million to 10.3 million).

descarregar o relatório no link:

http://www.who.int/end-childhood-obesity/news/launch-final-report/en/

 

OMS culpa publicidade pelo aumento da obesidade infantil

Janeiro 29, 2016 às 10:00 am | Na categoria Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe o seu comentário
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Notícia do http://economico.sapo.pt de 26 de janeiro de 2016.

Recomendações e relatório da OMS no link:

http://www.who.int/end-childhood-obesity/news/launch-final-report/en/

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Advertising as a cue to consume: a systematic review and meta-analysis of the effects of acute exposure to unhealthy food and nonalcoholic beverage advertising on intake in children and adults

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A obesidade infantil está a aumentar de forma galopante e a culpa pode ser da publicidade, diz a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O número de crianças abaixo dos cinco anos com excesso de peso aumentou em 10 milhões, nos últimos 15 anos. A taxa, que em 1990 era de 4,8%, passou para os actuais 6,1%, revelou ontem a OMS, que aponta o dedo ao marketing e à publicidade, sem restrições no que toca aos refrigerantes e a outras bebidas açucaradas.

O contributo da publicidade para que as crianças comam cada vez pior e para a actual epidemia de obesidade infantil tem sido comprovada por sucessivos estudos. Um dos mais recentes foi realizado pela Universidade de Liverpool e publicado, este mês, no American Jounal of Clinical Nutrition.

Os investigadores do Instituto de Psicologia, Saúde e Sociedade daquela instituição avaliaram o impacto da publicidade a alimentos não-saudáveis no seu consumo por crianças e adultos e concluíram que, no caso dos mais novos, a exposição a anúncios de televisão ou na internet levou a um aumento significativo da ingestão destes alimentos. Mas o mesmo não aconteceu no adultos. O estudo revela ainda que o impacto nas crianças é o mesmo em qualquer um dos meios utilizados.

“A nossa análise mostra que a publicidade não influencia apenas a preferência por uma marca, mas impulsiona o consumo.

Dado que quase todas as crianças, nas sociedades ocidentalizadas, estão expostas, numa base diária, a grandes quantidades de publicidade a alimentos não saudáveis, esta é uma preocupação real”, explicou Emma J. Boyland, responsável pela equipa de investigadores.

Boyland diz ainda que o aumento gradual da ingestão de calorias resultou na “actual epidemia de obesidade infantil” e defende que o marketing alimentar tem um papel crítico nesta matéria.

Estes resultados justificam, com base científica, as recomendações para a adopção de estratégias e políticas que reduzam a exposição das crianças à publicidade de alimentos.

 

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