Estudo diz que fumar durante a gravidez aumenta para o dobro o risco de morte súbita do bebé

Março 25, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Vladimir Godnik / Getty Images

Notícia da Visão de 12 de março de 2019.

Um estudo, resultante de uma colaboração entre o Instituto de Investigação Infantil de Seattle e cientistas de dados da Microsoft, chegou à conclusão que fumar antes ou durante a gravidez contribui para o aumento do risco da morte da criança antes do seu primeiro aniversário.

A investigação, publicada esta segunda feira na revista Pediatrics, analisou, com base em dados fornecidos pelo Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, mais de 20 milhões de nascimentos e mais de 19 mil mortes inesperadas de bebés, acontecidas durante 2007 e 2011, e descobriu que o risco de morte aumenta por cada cigarro fumado. O estudo concluiu que depois de fumar um maço de tabaco, o risco de morte inesperada triplica em relação aos recém-nascidos de mães não-fumadoras.

“Todos os cigarros contam”, resume Tatiana Anderson, líder do estudo, e neurocientista no Instituto de Investigação Infantil de Seattle. “Os médicos deviam ter estas conversas com os seus pacientes e avisá-los: “Devia parar [de fumar]. Essa é a melhor maneira de diminuir a probabilidade de morte súbita do recém-nascido. Se não conseguir [parar], cada cigarro que reduzir vai ajudar.”

“Um dos pontos mais importantes que eu retiraria deste estudo é que apenas fumar um ou dois cigarros aumenta o risco de morte súbita infantil”, salienta também o pneumologista Cedric Rutland, porta voz da Associação Americana de Pneumonologia.

A síndrome da morte súbita infantil, conhecido como SMSI, continuou a aterrorizar os pais, mesmo depois de se descobrir a ligação entre a posição de dormir do bebé e a sua ocorrência. Depois de uma campanha de sensibilização dos pais para a importância de deitar os bebés de costas, nos EUA, em 1994, esta taxa de óbitos diminuiu para cerca de 50 por cento.

Contudo, apesar da descida, os cientistas identificaram duas outras causas: a sufocação acidental e uma outra ainda mal definida. A resposta para esta terceira causa chegou num estudo publicado em 2006, que mostrava uma ligação direta entre as mortes dos recém-nascidos e as mães fumadoras.

Segundo um estudo do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, 23% a 34% dos casos de SMSI estão relacionadas com o tabagismo pré-natal. Os riscos das crianças que nascem de mães fumadoras são bastante altos, sendo que nesta mesma investigação está comprovada uma ligação entre as progenitoras que fumaram durante a gravidez e crianças que sofrem de asma, cólicas e obesidade. O próprio fumo passivo é perigoso para o desenvolvimento do feto e contribui até 20% para o risco da criança nascer abaixo do peso recomendado.

Muitos investigadores tem trabalhado para descobrir até que ponto é que fumar contribui para o SMSI, mas a teoria que prevalece é que fumar aumenta os níveis de serotonina, um neurotransmissor que é “conhecido pela sua influência na sensibilidade à dor, no comportamento exploratório, na atividade locomotora e nos comportamentosde agressivos e de ordem sexual”. Em algumas crianças, é possivel que a serotonina afete a capacidade do tronco cerebral regular o sistema respiratório durante o sono.

“Isto pode, provavelmente, levar as crianças a parar de respirar durante a noite”, explica Rutland, que também é professor clínico assistente da medicina interna da universidade californiana Escola de Medicina UC Riverside.

Apesar da descida significativa no números de fumadores nos EUA, nos últimos anos, Anderson afirma que estatísticas mostram que pelo menos 338 mil mulheres por ano continuam a fumar durante a gravidez. Contudo, a líder do estudo afirma que apesar de grande parte das grávidas saber que não devia fumar, muitas não mostram vontade ou não conseguem parar e “negam que fumam ou dizem que fumam menos do que aquilo que fumam na realidade.”

“Elas não reduzem ou param de fumar. Continuam a fumar ao mesmo ritmo durante toda a gravidez.” Se não fumassem, segundo o modelo computacional deste estudo, é estimado que pelo menos 800 mortes podiam ser evitadas durante a gravidez.

“A mensagem a reter”, recorda Anderson, “é que as mulheres fumadoras que estão a planear engravidar deviam parar de fumar muito antes de começar a tentar.”

Esta nova investigação foi a primeira a ser feita em conjunto com os cientistas de dados da Microsoft, depois de John Kahan, líder da análises de dados de clientes da Microsoft ter perdido o seu filho. Dias depois da morte, em 2003, criou o projeto Aaron Matthew SIDS Research Guild.

A sua equipa tem utilizado os dados disponíveis sobre a morte de recém-nascidos para descobrir uma maneira de salvar crianças como o filho de John Kahan.

Juan Lavista, ex-membro da equipa de Kahan e que agora é diretor sénior de dados científicos no laboratório de investigação AI for Humanitarian Action, criado pelo presidente da Microsoft, Brad Smith, tem como objetivo utilizar a inteligência artificial para ajudar a lidar com alguns dos problemas mais complexos da humanidade e tem permitido a Lavista trabalhar em projetos como o estudo da SMSI a tempo inteiro.

“O mundo tem muitos problemas e acreditamos que podemos fazer a diferença com a inteligência artificial”, afirma Juan Lavista.

Os cientistas que trabalharam juntos neste estudo não pretendem ficar por aqui, sendo que tem como intenção investigar outros problemas relacionados com a síndrome, desde o impacto dos cuidados pré-natais, à relação que a idade de recém-nascido tem com a sua morte súbita e examinar como é que a SMSI acontece nos 50 estados norte-americanos.

 

 

 

Proibido fumar nos parques infantis. As crianças vêem, as crianças fazem

Dezembro 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site saúde online

No dia 1 de janeiro de 2018, entrou em vigor em Portugal a Lei n.º 63/2017 (que procede à segunda alteração à Lei n.º 37/2007, de 14 de agosto), que aprova, entre outros aspetos, o alargamento da proibição de fumar a locais ao ar livre destinados a menores. Atualmente a lei refere no artigo 4.º, alínea f), que é proibido fumar:

“(…) nos locais destinados a menores de 18 anos, nomeadamente infantários, creches e outros estabelecimentos de assistência infantil, lares de infância e juventude, centros de ocupação de tempos livres, colónias e campos de férias, parques infantis, e demais estabelecimentos similares.”

Com o objetivo de descrever o consumo de tabaco nos parques infantis, e de alguma forma dar um contributo para a avaliação do cumprimento da lei, foi realizado em abril e maio de 2018 um estudo observacional em dezoito parques infantis da cidade de Braga, utilizando uma ficha de observação desenvolvida pelo grupo de investigação liderado por Maria José Lopéz, da Agência de Salud Pública de Barcelona, Espanha.

As observações foram realizadas em condições meteorológicas semelhantes. Em cada parque infantil foram registados os seguintes dados: a presença de sinalética (cartazes/dísticos) a informar/apelar ao não consumo de tabaco; o número total de adultos e crianças presentes; o número de pessoas que fumavam, dentro e fora do parque; o número de pessoas que fumavam cigarro eletrónico, dentro e fora do parque; o cheiro a fumo; a presença de cinzeiros; e o número de beatas no chão, dentro e fora do parque.

Verificou-se que:

  • Em nenhum parque se registou a presença de sinalética (cartazes/dísticos) a informar/apelar ao não consumo de tabaco. A lei obriga à sua colocação.
  • Uma média de 10 pessoas estavam presentes nos parques referidos na amostra.
  • Uma média de 5 crianças estavam presentes nos parques referidas na amostra.
  • Em 1 dos 18 parques havia adultos a fumar dentro do parque. A média de pessoas a fumar nos parques foi de 2.
  • Em nenhum dos 18 parques havia adultos a fumar fora do parque.
  • Em nenhum parque se observou pessoas a fumar cigarro eletrónico.
  • Em nenhum dos 18 parques havia cheiro a fumo.
  • Em 9 dos 18 locais observados havia cinzeiro.
  • Verifica-se que 17 dos 18 parques tinham, no interior, pontas de cigarro no chão (uma média de 8 pontas de cigarros com um intervalo de 0 a >20). Em 2 parques havia mais de 20 pontas de cigarros no chão.
  • Treze dos 18 parques tinham, no exterior, pontas de cigarro no chão (uma média de 10 pontas de cigarros com um intervalo de 0 a >20). Em 9 parques havia mais de 20 pontas de cigarros no exterior do parque.

Este foi o primeiro estudo realizado em Portugal a investigar o comportamento de fumar em parques infantis. Na maioria dos parques não foram observados adultos a fumar durante o período de observação. No entanto, verificou-se uma grande quantidade de beatas no chão, o que indica que este comportamento, embora possa não ser frequente, existe.

O comportamento tabágico dos pares e dos conviventes (pais e irmãos) modela as atitudes e as crenças normativas das crianças em relação ao tabagismo e é um fator preditor muito importante do comportamento tabágico dos jovens (Precioso, Macedo & Rebelo, 2007). O consumo de tabaco pelos pais em casa é um fator de risco para o consumo de tabaco dos filhos (Brown, Palmersheim & Glysch, 2008), apelando ao facto de que o que as crianças vêem, as crianças fazem, alertando para a importância de evitar fumar na sua presença.

De forma a promover a sensibilização e cumprimento da legislação que proíbe o consumo de tabaco em parques infantis (Lei n.º 63/2017, de 3 de agosto), é obrigatório que sejam colocados avisos/dísticos que informem de que é proibido fumar naqueles espaços públicos. É fundamental que as autoridades policiais, como a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR), enquanto entidades responsáveis pelo cumprimento da lei, façam o seu papel e que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que tutela a fiscalização das normas de segurança e legislação em vigor nos parques infantis (como a colocação de dísticos alusivos à proibição de fumar e informação das respetivas coimas), também intervenha. Devem em primeiro lugar exercer uma ação pedagógica e depois punitiva. Lembramos que as coimas por incumprimento, ou seja, por fumar num parque infantil, ou noutro local proibido, variam entre 50€ e 750€.

José Precioso

Professor Auxiliar do Instituto de Educação da Universidade do Minho

Nicotina pode aumentar risco de morte súbita dos bebés

Outubro 17, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Life Style de 4 de outubro de 2018.

Usar qualquer forma de nicotina durante a gravidez ou amamentação pode elevar o risco de um bebé sofrer da síndrome de morte súbita, sugere um novo estudo publicado no Journal of Physiology e citado no site Healthy Women.
Os resultados indicam que os pensos de nicotina ou cigarros eletrónicos podem não ser uma alternativa segura aos cigarros clássicos durante a gravidez.
A síndrome de morte súbita dos bebés é uma tragédia longe de estar esclarecida. “Ainda não compreendemos completamente as causas, mas esta pesquisa é importante porque ajuda as mães a reduzirem os riscos”, afirma Stella Lee investigadora da Escola de Medicina Dartmouth Geisel, em Hanover.
Algumas mulheres que querem deixar de fumar durante a gravidez mudam para adesivos de nicotina ou cigarros eletrónicos, mas o impacto sobre o risco de um bebé ter SMSL tem sido pouco claro.
Em experiências com ratos, os investigadores descobriram que expor as mães à nicotina atrasa a resposta automática à chamada auto ressuscitação, que consiste na capacidade de o bebé recuperar a frequência cardíaca normal e a respiração após ficar ofegante por falta de oxigénio.
Os resultados de estudos em animais não são frequentemente replicados em humanos. Ainda assim, “vamos continuar a identificar os possíveis fatores de risco e a ponderar como podemos tratar os bebés que têm um mecanismo de auto ressuscitação comprometido”, afirmou a coautora do estudo.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Pre‐ and early postnatal nicotine exposure exacerbates autoresuscitation failure in serotonin‐deficient rat neonates

 

 

Com que idade é que os miúdos de hoje começam a fumar?

Outubro 16, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Life Style de 28 de setembro de 2018.

Em todos os países europeus, as taxas de iniciação ao tabagismo situam-se nos 16 anos – no caso dos rapazes – e nos 15 para as raparigas, revela um estudo científico que se focou na década de 2000.

O consumo de tabaco continua a ser responsável pela morte anual de 6 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Muitas terão adquirido este hábito no fim da infância, quando fumar é uma questão de afirmação de maturidade.

Com que idade é que a maioria das pessoas começa a fumar?  A CNN foi atrás de respostas. No site desta estação, um extenso artigo revela que, nos Estados Unidos e em grande parte da Europa, os jovens começam a fumar entre os 15 e os 16 anos – 15,3 anos foi a idade média apurada por um relatório norte-americano de 2014.

Em todos os países europeus, as taxas de iniciação ao tabagismo situam-se entre os 16 anos – no caso dos rapazes – e os 15 para as raparigas, segundo um estudo publicado na revista científica PLOS On que se focou na década de 2000.

“Tudo indica que as raparigas começam a fumar mais cedo porque elas amadurecem mais cedo”, declarou o principal autor da pesquisa, Alessandro Marcon, que é também professor na Universidade de Verona, Itália. “A puberdade pode aumentar a distância entre a maturidade física e social nas faixas mais jovens, levando a comportamentos nocivos como o fumo, que são considerados adultos”, disse Marcon, citado pela CNN.

O estudo, financiado pelo programa Horizonte 2020 da União Europeia, usou dados de seis investigações reunidas pelo consórcio Aging Lungs in European Cohorts e incluiu quase 120 mil indivíduos de 17 países. Tais dados permitiram aos investigadores analisar as tendências do tabagismo entre 1970 e 2009 em quatro regiões distintas: Norte da Europa (aqui circunscrito à Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia e Reino Unido), Europa Oriental (Estónia, Macedónia e Polónia), Europa do Sul (Portugal, Itália e Espanha), e Europa Ocidental (Bélgica, Holanda, França, Alemanha e Suíça).

Em 2005, as taxas de iniciação durante o final da adolescência eram mais baixas nos rapazes e raparigas do norte da Europa – 20 experiências anuais com tabaco por cada 1000 adolescentes. As taxas mais elevadas verificavam-se entre os rapazes do sul da Europa – 80 iniciações por cada 1000 adolescentes. “Não foi nenhuma surpresa ver taxas mais baixas nos países do norte da Europa, que estão na vanguarda das políticas de controlo do tabaco e nas pesquisas sobre os malefícios do mesmo”, sublinhou o italiano Alessandro Marcon.

Os investigadores descobriram ainda que as taxas de iniciação ao fumo entre adolescentes mais velhos caíram substancialmente entre 1970 e 2009 em toda a Europa, exceto no Sul, onde este declínio parou depois de 1990. Perceberam ainda um aumento acentuado do consumo de tabaco entre jovens após 1990 para ambos os sexos, entre os 11 e os 15 anos, em todas as regiões da Europa, exceto no Norte.

James Sargent, professor de pediatria na Escola de Medicina Dartmouth Geisel, no New Hampshire, EUA, tem algumas dúvidas sobre esta pesquisa. Citado pela CNN o responsável defende que “ela tem menos a ver com a experimentação e mais com o fumo regular entre adolescentes que, em adultos, tornam-se efetivamente fumadores”. E reforça que “estes dados provavelmente seriam diferentes se o estudo medisse as taxas de tabagismo entre as atuais crianças norte-americanas”. Eis os seus argumentos: “As crianças fumam menos nos EUA do que na Europa, e os adultos fumam menos nos EUA do que na maioria dos países europeus”, afirmou Sargent, que não participou no estudo, mas conduziu uma pesquisa sobre o controlo do tabaco. “Os estados e as autoridades locais deste país fizeram um bom trabalho, trazendo o tema para a agenda políticas, através da implementação e reforço de leis e impostos”.

mais informações na notícia da CNN:

At what age do kids start smoking cigarettes?

EUA preocupados com “epidemia” de cigarros electrónicos entre adolescentes

Setembro 28, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de setembro de 2018.

A oferta de produtos com sabores doces está a atrair o público mais jovem. Governo teme uma “geração viciada” em nicotina.

Liliana Borges

O uso de cigarros electrónicos está a tornar-se uma “epidemia entre adolescentes” nos EUA “e precisa de ser travado”, defende agência federal norte-americana FDA (Food and Drug Administration, dependente do Departamento de Saúde). De acordo com o comissário Scott Gottlieb, o Governo está a considerar restringir a venda destes produtos e limitar a oferta de sabores oferecidos pelos fabricantes de cigarros eléctricos.

Os cigarros electrónicos surgiram no início do século XXI e apresentaram-se como uma alternativa ao tabaco convencional ou como ferramenta de transição para deixar de fumar. No entanto, a segurança do recurso a esta opção não é consensual. Em 2008, por exemplo, a Organização Mundial de Saúde obrigou os promotores destes cigarros a deixarem de anunciar que estes cigarros seriam uma “forma segura de deixar de fumar”. Agora, a FDA sublinha o perigo do seu consumo entre as gerações mais jovens de norte-americanos, que têm aderido em massa a estes produtos nos últimos anos.

“Vemos claros sinais de que o uso de cigarros electrónicos atingiu proporções epidémicas entre os jovens e temos de ajustar certos aspectos da nossa estratégia para estancar esta ameaça”, declarou Gottlieb num comunicado da agência.

O dirigente da agência federal diz que está em curso “a maior iniciativa alguma vez coordenada contra a venda” de produtos do género na história do organismo. “O objectivo é controlar a venda de cigarros eléctricos a menores, quer nas lojas, quer em vendas online”, disse.

A agência enviou 1300 cartas e multas a retalhistas “em larga escala” para combater a venda a menores. A estas somam-se 12 avisos para empresas de venda online que, segundo a agência, estão a vender produtos com sabores que se encontram habitualmente em produtos alimentares consumidos pelos mais jovens, como bolachas e outros doces.

Gottlieb teme que o aumento do consumo destes produtos electrónicos entre adolescentes e jovens norte-americanos se traduza numa dependência futura de nicotina.

“Uso a palavra epidemia com muito cuidado. Os cigarros electrónicos tornaram-se praticamente omnipresentes e perigosos — uma tendência entre adolescentes. A trajectória preocupante e crescente do seu uso entre os jovens a que estamos a assistir, e o consequente caminho em direcção ao vício, deve terminar. Não é tolerável”, vincou.

“Vou ser muito claro: a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos não irá tolerar que uma geração inteira se torne viciada em nicotina como consequência de se permitir que os adultos tenham acesso aos mesmos produtos”, declarou.

“Tenho vindo a avisar a indústria dos cigarros electrónicos no último ano sobre a urgência de fazerem alguma coisa para combater esta tendência entre as gerações mais novas”, disse Gottlieb, “mesmo que isso signifique limitar o acesso de adultos a estes produtos”.

“Do meu ponto de vista, [os vendedores de cigarros electrónicos] tratam este assunto de uma perspectiva de relações públicas e não têm conta as suas obrigações legais, de saúde pública, e a ameaça destes produtos”. Por isso, Gottlieb diz que “está tudo em cima da mesa” e não exclui processos criminais.

As declarações de Gottlieb foram secundadas pelo secretário da Saúde, Alex Azar, que disse “partilhar da mesma preocupação sobre o crescente consumo de cigarros electrónicos por parte dos jovens”, incentivando a FDA a “tomar uma posição imediata e histórica para responder às vendas e marketing destes produtos para as crianças”.

Os efeitos dos cigarros electrónicos continuam a ser objecto de estudo. No início do ano foram publicadas as conclusões de duas pesquisas. Numa delas, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os cientistas alertam para os danos potenciais do vapor dos cigarros electrónicos no ADN (que podem causar mutações na origem de doenças oncológicas). Já o segundo, publicado na Frontiers  in  Physiology, os investigadores afirmam que os sabores artificiais dos cigarros electrónicos são tóxicos e lesivos para células do sistema imunitário.

 

 

Filhos de fumadores têm maior risco de desenvolver doenças pulmonares fatais décadas depois

Setembro 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Lifestylesapo

Notícia e imagem do Lifestyle Sapo de 28 de agosto de 2018.

Nuno de Noronha

Crianças que crescem ao lado de adultos fumadores têm maior risco de morrer de uma doença grave de pulmão, mesmo que nunca tenham fumado de forma ativa.

Essa é a nova conclusão de um estudo da Sociedade Americana de Cancro. Já era sabido que crianças cujos pais fumam têm maior risco de desenvolver problemas pulmonares ou vasculares na infância – como asma ou hipertensão. Mas nunca um estudo tinha provado efeitos graves do fumo passivo na vida adulta.

“Este é o primeiro estudo que identifica uma associação entre a exposição da criança ao fumo do tabaco e a morte por doença pulmonar obstrutiva crónica na meia-idade e velhice”, afirma Ryan Diver, um dos autores do estudo, citado pela radiotelevisão britânica BBC.

A investigação analisou a saúde de 70,9 mil pessoas não fumadores, homens e mulheres, acompanhadas durante duas décadas. Um terço morreu antes da conclusão do estudo que foi publicado na revista médica American Journal of Preventive Medicine.

Segundo a investigação, as pessoas que conviveram com um adulto fumador apresentaram mais complicações de saúde ao longo da vida.

A exposição ao tabaco na infância, dez ou mais horas por semana, aumentou o risco de morte na idade adulta por doença pulmonar obstrutiva crónica em 42%, doença cardíaca isquémica em 27% e acidente vascular cerebral (AVC) em 23%, em comparação com aqueles que não conviveram com fumadores na infância.

“Este último estudo dá mais um argumento para retirar o fumo de perto das crianças. A melhor forma de fazer isso é os pais deixarem de fumar”, afirma Hazel Cheeseman, membro do grupo ativista “Action on Smoking and Health”.

“O fumo passivo tem um impacto duradouro, que vai muito além da infância”, acrescenta o médico Nick Hopkinson, conselheiro da Fundação Britânica do Pulmão citado pela BBC.

 

 

Efeitos do consumo de álcool e tabaco podem começar logo aos 17 anos

Setembro 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 29 de agosto de 2018.

Consumo de álcool e tabaco a partir dos 17 anos cria problemas precoces, como o bloqueio de artérias. Mas abrandar o consumo pode reverter a situação a tempo de problemas maiores.

Os adolescentes que começam cedo a beber álcool e a fumar podem ter problemas nas artérias logo a partir dos 17 anos, revela um estudo publicado no European Heart Journal. Entre 2004 e 2008, os investigadores acompanharam 1.266 jovens da área Bristol, no Reino Unido, procurando saber quantos cigarros tinham fumado e com que idade tinham começado a beber álcool.

Os resultados mostraram que aqueles que já tinham fumado mais de 100 cigarros ou que bebiam mais regularmente apresentavam uma maior rigidez das artérias — algo que aumenta o risco de ataque cardíaco ou derrame — do que aqueles que tinham fumado menos do que 20 cigarros ou que consumiam menos do que duas bebidas alcoólicas por dia. Estes problemas podem começar logo aos 17 anos e pioram nos casos dos jovens que acumulam os dois hábitos.

Apesar de tudo, é possível reverter estes efeitos, explicou um dos autores do relatório: “Se os adolescentes pararem de fumar e beber durante a adolescência, as artérias voltam ao normal — o que mostra que há oportunidade de preservar a saúde das artérias desde cedo”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Early vascular damage from smoking and alcohol in teenage years: the ALSPAC study

 

Tabagismo: o vício que continua a iniciar-se na adolescência

Setembro 14, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Alexandra Pedro para o DNLife, em 24 de agosto de 2018.

 

Um novo estudo europeu indica que existe um aumento do número de fumadores que começa antes dos 16 anos.

Um relatório da Direção-Geral de Saúde (DGS), realizado em 2017, indicara que mais de 11 800 pessoas morreram em Portugal por doenças atribuíveis ao tabaco, sendo que 9263 eram homens e 2581 eram mulheres. O mesmo estudo, com dados dos IV Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas (2016/2017), mostrava que a idade média para o início do consumo se situava nos 16 anos.

Agora, um estudo europeu publicado esta semana revela que a tendência do começo em idade jovem está longe de ser erradicada. A pesquisa indica que, nas últimas décadas, a iniciação ao tabagismo na adolescência ainda é bastante frequente. Um dos números crescentes é o das raparigas que começam a fumar antes dos 16 anos.

«A iniciação ao tabagismo ainda é inaceitavelmente alta entre os adolescentes europeus, e as taxas crescentes entre aqueles com 15 anos ou menos merecem atenção», alerta uma das conclusões da investigação, publicada no site Plos One.

Outra sublinha que reduzir a iniciação em adolescentes é fundamental, «uma vez que os jovens são particularmente vulneráveis à dependência da nicotina e aos efeitos adversos do tabaco».

Alessandro Marcon, um dos principais autores do estudo, diz ao El País que este trabalho quis estudar «os últimos 40 anos da história do tabaco» (entre 1970 e 2009), dividindo a Europa em quatro áreas: sul (Itália, Espanha e Portugal), leste (Estónia, Polónia e a Macedónia), oeste (Bélgica, França, Alemanha, Holanda e Suíça) e norte (Reino Unido, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Noruega e Islândia).

O objetivo das pessoas que desenvolveram a pesquisa passou, essencialmente, por avaliar as idades em que se inicia o consumo de tabaco, de forma a «desenvolver melhores estratégias de prevenção».

No estudo pode ver-se que, ao longo das décadas em análise, existem menos pessoas a iniciar o vício, embora as que começam o façam mais cedo. Depois de 1990 verifica-se um aumento acentuado da iniciação do tabagismo no início da adolescência (11-15 anos).

 

 

Grandes diferenças de consumo na Europa

Portugal, Itália e Espanha (o grupo do sul) apresentaram resultados bastante díspares em relação ao resto da Europa: não só aumentaram a tendência de iniciação entre os 11 e os 15 anos, em ambos os sexos, como também estagnaram em relação aos que começam o consumo de tabaco a partir dessa idade (16 aos 20 anos).

No gráfico apresentado (ver em baixo), conclui-se que esta é uma realidade bem diferente da dos países do norte da Europa, que conseguiram reduzir os seus índices de iniciação tanto no sexo masculino como no feminino.

 

Deixar de fumar: um passo crescente em Portugal

De acordo com a Direção-Geral de Saúde, em 2016 registou-se «um aumento da acessibilidade às consultas de cessão tabágica», resultando em cerca de 31 800 consultas de apoio intensivo em centros de saúde e unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde. A comparticipação de medicamentos para ajudar a deixar de fumar também aumentou no ano anterior.

E sim, é necessário muito esforço e autodisciplina a quem está a pensar deixar de fumar, pelo que a Direção-Geral de Saúde reuniu algumas rotinas que podem facilitar a tarefa.

Veja quais são na fotogaleria.

Mães que bebem e amamentam podem ter filhos com problemas cognitivos

Agosto 12, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 31 de julho de 2018.

As mães que bebem álcool e amamentam podem ter mais probabilidade de ter filhos com problemas cognitivos do que as que se abstêm durante a amamentação, sugere um estudo australiano. Para estes, os investigadores examinaram os resultados de testes de raciocínio preenchidos por 5107 crianças, bem como questionários preenchidos pelas mães detalhando se, durante a gravidez e fase de amamentação, consumiram álcool ou tabaco.

Assim, os filhos das que beberam apresentaram classificações mais baixas no que se refere a testes de raciocínio não-verbal, entre seis e sete anos. Aliás, os resultados era piores quanto mais as mulheres bebiam, relatam os investigadores da área da pediatria. “A opção mais segura é que uma mãe que amamenta se abstenha de beber álcool até que o seu bebé deixe de mamar”, aconselha Louisa Gibson, da Universidade Macquarie, na Austrália.

Quanto aos filhos de mulheres que fumaram durante o período de amamentação, não se verificou qualquer diferença nos resultados dos exames feitos e comparados com os filhos de mães que não fumaram. “Tal não significa que fumar seja seguro”, salvaguarda Gibson. “Se as mulheres tiverem dificuldade em abandonar o álcool e os cigarros, devem conversar com o seu médico sobre maneiras de reduzir a sua ingestão para minimizar os impactos no bebé”, acrescenta.

Embora a exposição pré-natal ao álcool e à nicotina esteja, há muito tempo, ligada a problemas cognitivos nos mais novos, este estudo traz novas perspectivas sobre os riscos da exposição durante a lactação.

 

 

 

Pneumologistas alertam para risco de consumo de cigarros eletrónicos nos jovens

Junho 8, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Peter Nicholls

Notícia da SIC Notícias de 30 de maio de 2018.

O uso de cigarros eletrónicos e tabaco aquecido está a preocupar a Sociedade Portuguesa de Pneunomologia, que teme serem “produtos atraentes” para os jovens por acharem que são mais seguros e menos tóxicos, o que é “uma falsa ideia”.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da Comissão de Trabalho de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumonologia, José Pedro Boléo-Tomé, alertou hoje para a necessidade de intervir, junto dos adolescentes, com campanhas atrativas e um “trabalho continuado” para evitar a iniciação tabágica, em especial destes novos produtos.

“Há um risco agora mais recente que são os novos produtos como os cigarros eletrónicos, tabacos aquecidos e outros produtos” que são “atraentes para os jovens” para experimentação, porque “dão uma aparência de serem interessantes, giros, tecnológicos”, disse o especialista, que falava à Lusa a propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala na quinta-feira.

Contudo, estes produtos também têm tóxicos, muitos dos quais parecidos com os do cigarro.

“A falsa ideia de que são produtos seguros ou que são muito mais seguros [do que o cigarro] é muito duvidoso, é preciso dizer às pessoas que são produtos que têm componentes perigosos, tóxicos e com altas doses de nicotina” e que o risco de “ficar dependente é muito alto”, salientou.

Para José Pedro Boléo-Tomé, “é importante” que haja informação sobre este risco e que seja numa linguagem adaptada à população jovem.

“O que interessa aos jovens não são as doenças, porque para eles é uma questão que não se coloca, mas é mostrar que ser ‘cool’ não passa por fumar qualquer produto”, disse, explicando que é preciso mostrar-lhes que “os hábitos saudáveis é que são bons” e “marginalizar o ato de fumar qualquer que seja o produto”.

A mensagem deverá chegar-lhes de uma forma atrativa através da internet ou do ‘smartphone’, vias a que os jovens são muito recetivos.

“Da mesma forma que a indústria tabaqueira foi sempre criativa a fazer publicidade aos seus produtos também existem formas criativas de fazer o oposto, mostrar que o tabaco e os outros produtos não prestam e que o que presta são os hábitos saudáveis”.

“Mas não bastam campanhas, é um trabalho que tem que ser feito de uma forma muito continuada”, porque “é preciso mudar uma geração” e evitar que as crianças e adolescentes comecem a fumar.

“Isso é que vai ter impacto no futuro”, salientou.Um estudo, apoiado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que decorreu no ano letivo 2013/2014, revelo que a iniciação tabágica ocorre entre o 7.º e o 9.º ano.

No 7.º ano, cerca 70 a 80% dos jovens nunca fumaram um cigarro, uma percentagem que baixou para os 40% no 9.º ano.

Sobre o consumo de tabaco nos jovens, Boléu-Tomé disse que os vários inquéritos indicam que não tem havido um aumento muito grande, mas “há algumas questões preocupantes”, nomeadamente o facto de as raparigas estarem a fumar mais do que os rapazes, acompanhando o que está a acontecer com as mulheres jovens até aos 30 anos, que “estão a fumar cada vez mais”.

“O que está a acontecer é que no futuro vamos ter cada vez mais mulheres fumadoras e menos homens a fumar”, comentou o pneumologista.

Para assinalar o Dia Mundial Sem Tabaco, a SPP vai lançar uma campanha promocional sobre os benefícios de não fumar, com testemunhos de vários ex-fumadores que pretende mostrar que “as pessoas têm imenso a ganhar” se deixarem de fumar, independentemente da idade, do que já fumaram ou de terem doenças ou não.

Segundo estimativas elaboradas pelo Institute of Health Metrics and Evaluation, em 2016, morreram em Portugal mais de 11.800 pessoas por doenças atribuíveis ao tabaco.

Lusa

 

 

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