EUA preocupados com “epidemia” de cigarros electrónicos entre adolescentes

Setembro 28, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia do Público de 12 de setembro de 2018.

A oferta de produtos com sabores doces está a atrair o público mais jovem. Governo teme uma “geração viciada” em nicotina.

Liliana Borges

O uso de cigarros electrónicos está a tornar-se uma “epidemia entre adolescentes” nos EUA “e precisa de ser travado”, defende agência federal norte-americana FDA (Food and Drug Administration, dependente do Departamento de Saúde). De acordo com o comissário Scott Gottlieb, o Governo está a considerar restringir a venda destes produtos e limitar a oferta de sabores oferecidos pelos fabricantes de cigarros eléctricos.

Os cigarros electrónicos surgiram no início do século XXI e apresentaram-se como uma alternativa ao tabaco convencional ou como ferramenta de transição para deixar de fumar. No entanto, a segurança do recurso a esta opção não é consensual. Em 2008, por exemplo, a Organização Mundial de Saúde obrigou os promotores destes cigarros a deixarem de anunciar que estes cigarros seriam uma “forma segura de deixar de fumar”. Agora, a FDA sublinha o perigo do seu consumo entre as gerações mais jovens de norte-americanos, que têm aderido em massa a estes produtos nos últimos anos.

“Vemos claros sinais de que o uso de cigarros electrónicos atingiu proporções epidémicas entre os jovens e temos de ajustar certos aspectos da nossa estratégia para estancar esta ameaça”, declarou Gottlieb num comunicado da agência.

O dirigente da agência federal diz que está em curso “a maior iniciativa alguma vez coordenada contra a venda” de produtos do género na história do organismo. “O objectivo é controlar a venda de cigarros eléctricos a menores, quer nas lojas, quer em vendas online”, disse.

A agência enviou 1300 cartas e multas a retalhistas “em larga escala” para combater a venda a menores. A estas somam-se 12 avisos para empresas de venda online que, segundo a agência, estão a vender produtos com sabores que se encontram habitualmente em produtos alimentares consumidos pelos mais jovens, como bolachas e outros doces.

Gottlieb teme que o aumento do consumo destes produtos electrónicos entre adolescentes e jovens norte-americanos se traduza numa dependência futura de nicotina.

“Uso a palavra epidemia com muito cuidado. Os cigarros electrónicos tornaram-se praticamente omnipresentes e perigosos — uma tendência entre adolescentes. A trajectória preocupante e crescente do seu uso entre os jovens a que estamos a assistir, e o consequente caminho em direcção ao vício, deve terminar. Não é tolerável”, vincou.

“Vou ser muito claro: a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos não irá tolerar que uma geração inteira se torne viciada em nicotina como consequência de se permitir que os adultos tenham acesso aos mesmos produtos”, declarou.

“Tenho vindo a avisar a indústria dos cigarros electrónicos no último ano sobre a urgência de fazerem alguma coisa para combater esta tendência entre as gerações mais novas”, disse Gottlieb, “mesmo que isso signifique limitar o acesso de adultos a estes produtos”.

“Do meu ponto de vista, [os vendedores de cigarros electrónicos] tratam este assunto de uma perspectiva de relações públicas e não têm conta as suas obrigações legais, de saúde pública, e a ameaça destes produtos”. Por isso, Gottlieb diz que “está tudo em cima da mesa” e não exclui processos criminais.

As declarações de Gottlieb foram secundadas pelo secretário da Saúde, Alex Azar, que disse “partilhar da mesma preocupação sobre o crescente consumo de cigarros electrónicos por parte dos jovens”, incentivando a FDA a “tomar uma posição imediata e histórica para responder às vendas e marketing destes produtos para as crianças”.

Os efeitos dos cigarros electrónicos continuam a ser objecto de estudo. No início do ano foram publicadas as conclusões de duas pesquisas. Numa delas, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os cientistas alertam para os danos potenciais do vapor dos cigarros electrónicos no ADN (que podem causar mutações na origem de doenças oncológicas). Já o segundo, publicado na Frontiers  in  Physiology, os investigadores afirmam que os sabores artificiais dos cigarros electrónicos são tóxicos e lesivos para células do sistema imunitário.

 

 

Filhos de fumadores têm maior risco de desenvolver doenças pulmonares fatais décadas depois

Setembro 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Lifestylesapo

Notícia e imagem do Lifestyle Sapo de 28 de agosto de 2018.

Nuno de Noronha

Crianças que crescem ao lado de adultos fumadores têm maior risco de morrer de uma doença grave de pulmão, mesmo que nunca tenham fumado de forma ativa.

Essa é a nova conclusão de um estudo da Sociedade Americana de Cancro. Já era sabido que crianças cujos pais fumam têm maior risco de desenvolver problemas pulmonares ou vasculares na infância – como asma ou hipertensão. Mas nunca um estudo tinha provado efeitos graves do fumo passivo na vida adulta.

“Este é o primeiro estudo que identifica uma associação entre a exposição da criança ao fumo do tabaco e a morte por doença pulmonar obstrutiva crónica na meia-idade e velhice”, afirma Ryan Diver, um dos autores do estudo, citado pela radiotelevisão britânica BBC.

A investigação analisou a saúde de 70,9 mil pessoas não fumadores, homens e mulheres, acompanhadas durante duas décadas. Um terço morreu antes da conclusão do estudo que foi publicado na revista médica American Journal of Preventive Medicine.

Segundo a investigação, as pessoas que conviveram com um adulto fumador apresentaram mais complicações de saúde ao longo da vida.

A exposição ao tabaco na infância, dez ou mais horas por semana, aumentou o risco de morte na idade adulta por doença pulmonar obstrutiva crónica em 42%, doença cardíaca isquémica em 27% e acidente vascular cerebral (AVC) em 23%, em comparação com aqueles que não conviveram com fumadores na infância.

“Este último estudo dá mais um argumento para retirar o fumo de perto das crianças. A melhor forma de fazer isso é os pais deixarem de fumar”, afirma Hazel Cheeseman, membro do grupo ativista “Action on Smoking and Health”.

“O fumo passivo tem um impacto duradouro, que vai muito além da infância”, acrescenta o médico Nick Hopkinson, conselheiro da Fundação Britânica do Pulmão citado pela BBC.

 

 

Efeitos do consumo de álcool e tabaco podem começar logo aos 17 anos

Setembro 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

Notícia do Observador de 29 de agosto de 2018.

Consumo de álcool e tabaco a partir dos 17 anos cria problemas precoces, como o bloqueio de artérias. Mas abrandar o consumo pode reverter a situação a tempo de problemas maiores.

Os adolescentes que começam cedo a beber álcool e a fumar podem ter problemas nas artérias logo a partir dos 17 anos, revela um estudo publicado no European Heart Journal. Entre 2004 e 2008, os investigadores acompanharam 1.266 jovens da área Bristol, no Reino Unido, procurando saber quantos cigarros tinham fumado e com que idade tinham começado a beber álcool.

Os resultados mostraram que aqueles que já tinham fumado mais de 100 cigarros ou que bebiam mais regularmente apresentavam uma maior rigidez das artérias — algo que aumenta o risco de ataque cardíaco ou derrame — do que aqueles que tinham fumado menos do que 20 cigarros ou que consumiam menos do que duas bebidas alcoólicas por dia. Estes problemas podem começar logo aos 17 anos e pioram nos casos dos jovens que acumulam os dois hábitos.

Apesar de tudo, é possível reverter estes efeitos, explicou um dos autores do relatório: “Se os adolescentes pararem de fumar e beber durante a adolescência, as artérias voltam ao normal — o que mostra que há oportunidade de preservar a saúde das artérias desde cedo”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Early vascular damage from smoking and alcohol in teenage years: the ALSPAC study

 

Tabagismo: o vício que continua a iniciar-se na adolescência

Setembro 14, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

iStock

Artigo de Alexandra Pedro para o DNLife, em 24 de agosto de 2018.

 

Um novo estudo europeu indica que existe um aumento do número de fumadores que começa antes dos 16 anos.

Um relatório da Direção-Geral de Saúde (DGS), realizado em 2017, indicara que mais de 11 800 pessoas morreram em Portugal por doenças atribuíveis ao tabaco, sendo que 9263 eram homens e 2581 eram mulheres. O mesmo estudo, com dados dos IV Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas (2016/2017), mostrava que a idade média para o início do consumo se situava nos 16 anos.

Agora, um estudo europeu publicado esta semana revela que a tendência do começo em idade jovem está longe de ser erradicada. A pesquisa indica que, nas últimas décadas, a iniciação ao tabagismo na adolescência ainda é bastante frequente. Um dos números crescentes é o das raparigas que começam a fumar antes dos 16 anos.

«A iniciação ao tabagismo ainda é inaceitavelmente alta entre os adolescentes europeus, e as taxas crescentes entre aqueles com 15 anos ou menos merecem atenção», alerta uma das conclusões da investigação, publicada no site Plos One.

Outra sublinha que reduzir a iniciação em adolescentes é fundamental, «uma vez que os jovens são particularmente vulneráveis à dependência da nicotina e aos efeitos adversos do tabaco».

Alessandro Marcon, um dos principais autores do estudo, diz ao El País que este trabalho quis estudar «os últimos 40 anos da história do tabaco» (entre 1970 e 2009), dividindo a Europa em quatro áreas: sul (Itália, Espanha e Portugal), leste (Estónia, Polónia e a Macedónia), oeste (Bélgica, França, Alemanha, Holanda e Suíça) e norte (Reino Unido, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Noruega e Islândia).

O objetivo das pessoas que desenvolveram a pesquisa passou, essencialmente, por avaliar as idades em que se inicia o consumo de tabaco, de forma a «desenvolver melhores estratégias de prevenção».

No estudo pode ver-se que, ao longo das décadas em análise, existem menos pessoas a iniciar o vício, embora as que começam o façam mais cedo. Depois de 1990 verifica-se um aumento acentuado da iniciação do tabagismo no início da adolescência (11-15 anos).

 

 

Grandes diferenças de consumo na Europa

Portugal, Itália e Espanha (o grupo do sul) apresentaram resultados bastante díspares em relação ao resto da Europa: não só aumentaram a tendência de iniciação entre os 11 e os 15 anos, em ambos os sexos, como também estagnaram em relação aos que começam o consumo de tabaco a partir dessa idade (16 aos 20 anos).

No gráfico apresentado (ver em baixo), conclui-se que esta é uma realidade bem diferente da dos países do norte da Europa, que conseguiram reduzir os seus índices de iniciação tanto no sexo masculino como no feminino.

 

Deixar de fumar: um passo crescente em Portugal

De acordo com a Direção-Geral de Saúde, em 2016 registou-se «um aumento da acessibilidade às consultas de cessão tabágica», resultando em cerca de 31 800 consultas de apoio intensivo em centros de saúde e unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde. A comparticipação de medicamentos para ajudar a deixar de fumar também aumentou no ano anterior.

E sim, é necessário muito esforço e autodisciplina a quem está a pensar deixar de fumar, pelo que a Direção-Geral de Saúde reuniu algumas rotinas que podem facilitar a tarefa.

Veja quais são na fotogaleria.

Mães que bebem e amamentam podem ter filhos com problemas cognitivos

Agosto 12, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , ,

Notícia do Público de 31 de julho de 2018.

As mães que bebem álcool e amamentam podem ter mais probabilidade de ter filhos com problemas cognitivos do que as que se abstêm durante a amamentação, sugere um estudo australiano. Para estes, os investigadores examinaram os resultados de testes de raciocínio preenchidos por 5107 crianças, bem como questionários preenchidos pelas mães detalhando se, durante a gravidez e fase de amamentação, consumiram álcool ou tabaco.

Assim, os filhos das que beberam apresentaram classificações mais baixas no que se refere a testes de raciocínio não-verbal, entre seis e sete anos. Aliás, os resultados era piores quanto mais as mulheres bebiam, relatam os investigadores da área da pediatria. “A opção mais segura é que uma mãe que amamenta se abstenha de beber álcool até que o seu bebé deixe de mamar”, aconselha Louisa Gibson, da Universidade Macquarie, na Austrália.

Quanto aos filhos de mulheres que fumaram durante o período de amamentação, não se verificou qualquer diferença nos resultados dos exames feitos e comparados com os filhos de mães que não fumaram. “Tal não significa que fumar seja seguro”, salvaguarda Gibson. “Se as mulheres tiverem dificuldade em abandonar o álcool e os cigarros, devem conversar com o seu médico sobre maneiras de reduzir a sua ingestão para minimizar os impactos no bebé”, acrescenta.

Embora a exposição pré-natal ao álcool e à nicotina esteja, há muito tempo, ligada a problemas cognitivos nos mais novos, este estudo traz novas perspectivas sobre os riscos da exposição durante a lactação.

 

 

 

Pneumologistas alertam para risco de consumo de cigarros eletrónicos nos jovens

Junho 8, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Peter Nicholls

Notícia da SIC Notícias de 30 de maio de 2018.

O uso de cigarros eletrónicos e tabaco aquecido está a preocupar a Sociedade Portuguesa de Pneunomologia, que teme serem “produtos atraentes” para os jovens por acharem que são mais seguros e menos tóxicos, o que é “uma falsa ideia”.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da Comissão de Trabalho de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumonologia, José Pedro Boléo-Tomé, alertou hoje para a necessidade de intervir, junto dos adolescentes, com campanhas atrativas e um “trabalho continuado” para evitar a iniciação tabágica, em especial destes novos produtos.

“Há um risco agora mais recente que são os novos produtos como os cigarros eletrónicos, tabacos aquecidos e outros produtos” que são “atraentes para os jovens” para experimentação, porque “dão uma aparência de serem interessantes, giros, tecnológicos”, disse o especialista, que falava à Lusa a propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala na quinta-feira.

Contudo, estes produtos também têm tóxicos, muitos dos quais parecidos com os do cigarro.

“A falsa ideia de que são produtos seguros ou que são muito mais seguros [do que o cigarro] é muito duvidoso, é preciso dizer às pessoas que são produtos que têm componentes perigosos, tóxicos e com altas doses de nicotina” e que o risco de “ficar dependente é muito alto”, salientou.

Para José Pedro Boléo-Tomé, “é importante” que haja informação sobre este risco e que seja numa linguagem adaptada à população jovem.

“O que interessa aos jovens não são as doenças, porque para eles é uma questão que não se coloca, mas é mostrar que ser ‘cool’ não passa por fumar qualquer produto”, disse, explicando que é preciso mostrar-lhes que “os hábitos saudáveis é que são bons” e “marginalizar o ato de fumar qualquer que seja o produto”.

A mensagem deverá chegar-lhes de uma forma atrativa através da internet ou do ‘smartphone’, vias a que os jovens são muito recetivos.

“Da mesma forma que a indústria tabaqueira foi sempre criativa a fazer publicidade aos seus produtos também existem formas criativas de fazer o oposto, mostrar que o tabaco e os outros produtos não prestam e que o que presta são os hábitos saudáveis”.

“Mas não bastam campanhas, é um trabalho que tem que ser feito de uma forma muito continuada”, porque “é preciso mudar uma geração” e evitar que as crianças e adolescentes comecem a fumar.

“Isso é que vai ter impacto no futuro”, salientou.Um estudo, apoiado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que decorreu no ano letivo 2013/2014, revelo que a iniciação tabágica ocorre entre o 7.º e o 9.º ano.

No 7.º ano, cerca 70 a 80% dos jovens nunca fumaram um cigarro, uma percentagem que baixou para os 40% no 9.º ano.

Sobre o consumo de tabaco nos jovens, Boléu-Tomé disse que os vários inquéritos indicam que não tem havido um aumento muito grande, mas “há algumas questões preocupantes”, nomeadamente o facto de as raparigas estarem a fumar mais do que os rapazes, acompanhando o que está a acontecer com as mulheres jovens até aos 30 anos, que “estão a fumar cada vez mais”.

“O que está a acontecer é que no futuro vamos ter cada vez mais mulheres fumadoras e menos homens a fumar”, comentou o pneumologista.

Para assinalar o Dia Mundial Sem Tabaco, a SPP vai lançar uma campanha promocional sobre os benefícios de não fumar, com testemunhos de vários ex-fumadores que pretende mostrar que “as pessoas têm imenso a ganhar” se deixarem de fumar, independentemente da idade, do que já fumaram ou de terem doenças ou não.

Segundo estimativas elaboradas pelo Institute of Health Metrics and Evaluation, em 2016, morreram em Portugal mais de 11.800 pessoas por doenças atribuíveis ao tabaco.

Lusa

 

 

ASAE identificou 20 menores a beber álcool no Porto

Março 8, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do http://observador.pt/ de 17 de fevereiro de 2018.

A ASAE identificou no último sábado 20 menores, entre os 15 e os 17 anos de idade, a consumir bebidas alcoólicas em estabelecimentos de diversão noturna na cidade do Porto.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) identificou no último sábado 20 menores, entre os 15 e os 17 anos de idade, a consumir bebidas alcoólicas em estabelecimentos de diversão noturna no Porto.

Em comunicado, a ASAE explica que levou a cabo “uma operação dirigida a estabelecimentos de restauração e bebidas e de diversão noturna situados na zona urbana do Porto, com vista à fiscalização do cumprimento das restrições ao consumo e venda de bebidas alcoólicas em locais públicos e em locais abertos ao público”.

Recordando que “de acordo com a legislação em vigor é proibida a disponibilização e venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos e a quem se apresente notoriamente embriagado ou aparente possuir anomalia psíquica”, a ASAE informa também que identificou “quatro indivíduos, responsáveis pela venda e disponibilização de bebidas alcoólicas aos menores de idade”.

“Na mesma operação, foram também identificados sete indivíduos a fumar em local proibido, sendo que três deles eram menores de idade”, acrescenta ainda a nota da ASAE.

 

 

 

A Islândia travou o consumo excessivo de álcool e drogas entre os adolescentes, mas o resto do mundo não está a prestar atenção

Março 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

© Dave Imms

Texto do http://observador.pt/ de 27 de janeiro de 2018.

Ao longo dos últimos 20 anos, o consumo de tabaco, álcool e drogas entre os adolescentes diminuiu drasticamente na Islândia. Emma Young foi tentar perceber como e porque razão o modelo não é copiado.

Faltam poucos minutos para as três da tarde numa sexta-feira soalheira e o Parque Laugardalur, perto do centro de Reiquejavique, está praticamente vazio. Vê-se um ou outro adulto a empurrar um carrinho de bebé, mas há prédios e casas a toda a volta do parque, e já acabaram as aulas – onde andam os miúdos?

Neste passeio pelo parque acompanham-me o islandês Gudberg Jónsson, psicólogo, e o norte-americano Harvey Milkman, professor de psicologia, que durante uma parte do ano dá aulas na Universidade de Reiquejavique. Há vinte anos, diz Gudberg, os adolescentes islandeses eram dos que mais bebiam na Europa. “Não se podia andar na baixa de Reiquejavique às sextas à noite, era perigoso”, acrescenta Milkman. “Havia hordas de adolescentes a embebedar-se, ficavam violentos.”

Estamos a chegar a um grande edifício: “E aqui é o ringue coberto de patinagem”, diz Gudberg.

Há uns minutos, tínhamos passado por dois pavilhões dedicados ao badminton e ao pingue pongue. No mesmo parque há também uma pista de atletismo, uma piscina de água aquecida por energia geotérmica e – finalmente! – avistam-se uns poucos miúdos, entretidos a jogar futebol num campo com relva artificial.

Gudberg explica que a razão pela qual não vemos miúdos cá fora é porque estão a ter aulas nestes edifícios, ou em clubes dedicados à música, à dança ou às artes visuais. Ou porque foram sair com os pais.

Atualmente, a Islândia está no topo da tabela europeia no que diz respeito à percentagem de adolescentes com hábitos saudáveis. A percentagem de miúdos entre os 15 e os 16 anos que ficaram embriagados no mês anterior desceu a pique, de 42 por cento em 1998 para 5 por cento em 2016. Os que já experimentaram canábis passaram de 17 para 7 por cento. Os que fumam tabaco todos os dias passaram de 23 para apenas 3 por cento.

O método radical através do qual esta reviravolta foi alcançada baseou-se em dados concretos, mas também depende muito daquilo a que poderíamos chamar “senso comum forçado”. “Este é o estudo mais intenso e profundo do impacto do stress nas vidas dos adolescentes que alguma vez vi”, diz Milkman. “Fico muito impressionado pela eficácia que está a ter.”

Se fosse adotado noutros países, defende Milkman, o modelo islandês poderia contribuir para o bem-estar físico e psicológico de milhões de adolescentes, reduzir as despesas com cuidados de saúde dos estados e beneficiar a sociedade como um todo. Mas é um grande “se”.

“Estive no centro do furacão durante a revolução das drogas”, explica Milkman enquanto tomamos chá no seu apartamento em Reiquejavique. No início da década de 1970, quando estagiou no Hospital Psiquiátrico da Bellevue, em Nova Iorque, “o LSD já estava na moda, e muita gente fumava marijuana. E na altura havia muita curiosidade acerca das razões pelas quais as pessoas tomavam certas drogas.”

A tese de doutoramento de Milkman concluía que as pessoas escolhiam a heroína ou as anfetaminas dependendo da maneira como preferiam lidar com o stress e a ansiedade. Quem procurava a heroína queria adormecer os sentidos; os que recorriam às anfetaminas queriam enfrentar o que os atormentava. Após a publicação deste trabalho, Milkman fez parte de um grupo de investigadores recrutados pelo Instituto Nacional da Toxicodependência dos EUA cuja função era responder a perguntas como: porque é que as pessoas começam a recorrer às drogas? O que as faz continuar? Quando é que passam o limiar da dependência? O que as faz parar? E em que circunstâncias têm recaídas?

“Qualquer estudante universitário nos saberia dizer: porque é que começam? Bem, porque as drogas estão disponíveis, porque as pessoas gostam de correr riscos, porque querem alhear-se, se calhar porque estão um bocado deprimidas”, afirma. “Mas porque é que continuam? Quando me debrucei sobre o limiar da dependência fez-se luz – foi a minha pequena epifania: é possível passar o limiar da dependência mesmo antes de se experimentar qualquer droga, porque aquilo de que as pessoas realmente abusam é da sua maneira de lidar com os problemas.”

Na Universidade Estadual Metropolitana de Denver, Milkman foi um dos grandes impulsionadores da ideia de que as pessoas estavam a ficar viciadas nas alterações químicas do cérebro. Os miúdos que procuravam o confronto queriam emoções fortes – e conseguiam-nas ao roubar jantes de automóveis, autorrádios e, mais tarde, carros, ou através de drogas estimulantes. O álcool também provoca alterações químicas no cérebro. É um sedativo cujo efeito começa por se fazer sentir no controlo cerebral, podendo assim retrair inibições e, em doses limitadas, reduzir a ansiedade.

“As pessoas podem ficar viciadas em álcool, carros, dinheiro, sexo, calorias, cocaína – seja o que for”, diz Milkman. “A ideia de dependência comportamental tornou-se a nossa imagem de marca.”

Esta ideia deu origem a outra: “Porque não desenvolver um movimento social em torno das ‘pedradas naturais’, da ideia de que é possível atingir esse estado alterado através da química cerebral de cada um – já que me parece evidente que as pessoas querem alterar a sua consciência – sem os efeitos nefastos das drogas?”

Em 1992 a equipa de Milkman em Denver obteve uma bolsa de 1,2 milhões de dólares do governo dos EUA para desenvolver o Projeto Autodescoberta, que propunha alternativas de “pedradas naturais” aos adolescentes, que não implicavam consumir drogas nem cometer crimes. Os participantes eram-lhes indicados por professores, enfermeiros e psicólogos escolares, adolescentes a partir dos 14 anos que não sentiam precisar de tratamento, mas que tinham tido problemas com drogas ou cometido delitos de pouca gravidade.

“Não os chamávamos para virem receber tratamento. O que lhes dizíamos era, podemos ensinar-vos qualquer coisa que queiram aprender: música, dança, hip hop ou artes marciais.” A ideia era que estas aulas diferentes podiam provocar alterações na química cerebral dos miúdos, e dar-lhes aquilo de que precisavam para estar melhor no mundo: alguns podiam estar à procura de maneiras de reduzir a ansiedade, outros de emoções fortes.

Ao mesmo tempo, os participantes aprendiam ferramentas fundamentais para a vida, com o intuito de melhorar a forma como se viam a si próprios, e a sua interação com os outros. “Baseámo-nos no princípio básico de que a educação contra a droga não funciona porque ninguém lhe presta a mínima atenção. Aquilo de que os adolescentes precisam é de ferramentas para lidar com essa informação”, diz Milkman. Foi dito aos miúdos que se tratava de um programa de três meses. Alguns acabaram por ficar durante cinco anos.

Em 1991, Milkman foi convidado a ir à Islândia para falar sobre este trabalho, e sobre as suas descobertas e ideias. Tornou-se consultor do primeiro centro de tratamento residencial para adolescentes na Islândia, em Tindar. “O centro foi desenvolvido a partir da ideia de propor alternativas melhores aos miúdos”, explica. Foi aí que conheceu Gudberg, que na altura era estudante de psicologia e voluntário em Tindar. São grandes amigos desde então.

Milkman começou a vir regularmente à Islândia para dar palestras. Estas palestras, assim como o centro de Tindar, chamaram a atenção de uma jovem investigadora da Universidade da Islândia, Inga Dóra Sigfúsdóttir. Perguntava-se: e se pudéssemos usar estas alternativas saudáveis às drogas e ao álcool como parte de um programa que, em vez de ser direcionado aos miúdos com problemas, tivesse o objetivo de fazer com que os miúdos não chegassem a beber ou a experimentar drogas?

Já alguma vez bebeste álcool? Se sim, quando foi a última vez que bebeste um copo? Já alguma vez ficaste bêbado? Já fumaste tabaco? Se sim, com que frequência fumas? Quanto tempo passas com os teus pais? Tens uma boa relação com os teus pais? Em que atividades participas?

Em 1992, os adolescentes de 14, 15 e 16 anos de todas as escolas da Islândia preencheram um questionário com perguntas como estas. O processo foi repetido em 1995 e 1997.

Os resultados destes inquéritos revelaram-se preocupantes. A nível nacional, quase 25 por cento dos adolescentes fumavam todos os dias, e mais de 40 por cento tinham ficado embriagados no mês anterior. Mas ao estudar os dados ao pormenor, a equipa percebeu quais eram as escolas que tinham os problemas mais graves – e as que tinham menos. A sua análise revelou a existência de diferenças muito claras entre as vidas dos miúdos que começavam a beber, a fumar e a tomar drogas e as daqueles que não o faziam. Alguns fatores mostraram ser determinantes na proteção dos adolescentes: participarem em atividades organizadas – sobretudo desporto – três ou quatro vezes por semana, passarem um número significativo de horas com os pais durante a semana, serem bem tratados na escola e não saírem de casa durante a noite.

“À época, havia uma série de programas de prevenção da dependência, e faziam-se muitos esforços nesse sentido”, diz Inga Dóra, que trabalhou como investigadora auxiliar nos inquéritos. “Baseavam-se sobretudo na educação.” Os miúdos eram avisados acerca dos perigos do álcool e das drogas, mas, tal como Milkman tinha constatado nos EUA, estes programas não eram eficazes. “Queríamos desenvolver uma abordagem nova.”

O presidente da câmara de Reiquejavique também tinha vontade de experimentar outra abordagem, e muitos pais sentiam o mesmo, acrescenta Jón Sigfússon, colega e irmão de Inga Dóra. Jón tinha filhas adolescentes na altura e juntou-se ao novo Centro Islandês de Investigação Social a que a irmã pertencia quando foi fundado, em 1999. “A situação era preocupante”, afirma. “Era evidente que se tinha de fazer alguma coisa.”

Recorrendo aos dados obtidos através dos inquéritos e aos resultados de investigações anteriores, incluindo a de Milkman, foi implementado gradualmente um novo plano nacional. Chamava-se Juventude na Islândia.

Mudaram-se as leis. Passou a ser ilegal comprar tabaco aos menores de 18 anos e álcool aos menores de 20, e a publicidade ao tabaco e ao álcool foi proibida. A ligação entre as escolas e os pais foi reforçada através da criação obrigatória de associações de pais, assim como da inclusão de representantes dos pais nos conselhos escolares. Os pais eram incentivados a ir a palestras sobre a importância de passar uma quantidade significativa de tempo com os filhos, mais do que “tempo de qualidade” esporádico, de falar com os filhos sobre as suas vidas, de saber quem eram os amigos dos filhos e de fazer com que eles passassem as noites em casa.

Também foi promulgada uma lei que proibia as crianças entre os 13 e os 16 anos de idade de estarem fora de casa depois das dez da noite no inverno e da meia noite no verão. Ainda está em vigor.

O Casa e Escola, o programa nacional das associações de pais, propôs a criação de acordos que os pais deveriam assinar. O conteúdo dos acordos varia de acordo com a faixa etária, e cada associação pode decidir o que é contemplado. Para os miúdos com mais de 13 anos, os pais podem comprometer-se a seguir todas as recomendações assim como, por exemplo, a não permitir que os filhos façam festas sem a supervisão de adultos, a não comprar bebidas alcoólicas a menores e a estar atentos ao bem-estar das outras crianças.

Estes acordos educam os próprios pais, mas também ajudam a fortalecer a sua autoridade em casa, defende Hrefna Sigurjónsdóttir, diretora do Casa e Escola. “Assim torna-se difícil usar a desculpa mais velha do mundo: ‘Mas os outros pais deixam!’”

O estado aumentou o financiamento atribuído às atividades desportivas, às artes, à dança e a outros clubes, de forma a que os miúdos tivessem acesso a formas alternativas de pertencer a um grupo, e de se sentirem bem, sem recorrerem às drogas e ao álcool. As crianças provenientes de famílias de baixo rendimento receberam apoios para poderem participar. Em Reiquejavique, por exemplo, onde vive mais de um terço da população do país, o Cartão de Lazer atribui 35 mil coroas islandesas (280 euros) por ano às famílias para atividades recreativas.

Muito importante também é o facto de os inquéritos terem continuado a ser feitos. A cada ano, são preenchidos praticamente por todas as crianças que vivem na Islândia.

Entre 1997 e 2012, a percentagem de miúdos entre os 15 e os 16 anos que dizem passar todos ou quase todos os dias da semana com os pais duplicou – de 23 para 43 por cento – e a percentagem que participa em atividades desportivas organizadas pelo menos quatro vezes por semana aumentou de 24 para 42 por cento. Entretanto, o consumo de tabaco, bebidas alcoólicas e cannabis nesta faixa etária desceu a pique.

“Embora não possamos provar que existe uma relação de causa-efeito – o que é um bom exemplo das razões pelas quais é difícil convencer os cientistas de que estes métodos de prevenção primária são eficazes – a tendência é muito clara”, observa Álfgeir Kristjánsson, que tratou estes dados e que agora pertence à Escola de Saúde Pública da Universidade da Virgínia Ocidental, nos EUA. “Os fatores de proteção aumentaram, os fatores de risco diminuíram, e a dependência de drogas e álcool diminuiu – e de forma mais consistente na Islândia do que em qualquer outro país europeu.”

“Até a Suécia se ri de nós, chamam-lhe o recolher obrigatório infantil”

Jón Sigfússon pede desculpa por ter chegado dois minutos atrasado. “Tive de resolver uma crise por telefone!” Embora prefira não dizer ao certo com quem esteve a falar, a chamada foi para uma das cidades noutros países do mundo que adotaram, em parte, as ideias do programa Juventude na Islândia.

O programa Juventude na Europa, que Jón lidera, teve início em 2006, depois de os dados estatísticos já bastante admiráveis da Islândia terem sido apresentados numa reunião das Cidades Europeias Contra as Drogas onde, segundo se lembra, lhe perguntaram: “O que estão a fazer?”

A participação no Juventude na Europa é feita através de iniciativas municipais, e não dos governos de cada país. No primeiro ano, inscreveram-se oito municípios. Até à data, participaram 35, em 17 países, desde áreas onde existem poucas escolas até Tarragona, em Espanha, onde o programa implica 4200 estudantes de 15 anos. O método é sempre igual: Jón e a sua equipa falam com os responsáveis locais e desenvolvem um questionário baseado nas mesmas perguntas principais que são usadas na Islândia, às quais se acrescentam outras que variam conforme o local. Por exemplo, as apostas online estão a tornar-se num problema grave em determinados sítios, e os responsáveis locais querem saber até que ponto é que se relacionam com outros comportamentos de risco.

Passados apenas dois meses de os questionários serem devolvidos à Islândia, a equipa envia um relatório preliminar com os resultados, assim como uma análise comparativa baseada nas outras regiões que participam no programa. “Costumamos dizer que, tal como a fruta e os legumes, a informação tem de ser fresca”, diz Jón. “Se estas análises fossem apresentadas um ano depois, as pessoas diriam, ‘Pois, mas foi há muito tempo, e se calhar as coisas mudaram entretanto…” Para além de ser fresca, a informação tem de ser local, para que as escolas, os pais e os responsáveis políticos saibam exatamente que problemas existem numa determinada área.

A equipa analisou 99 mil questionários oriundos de locais tão diferentes como as Ilhas Faroé, Malta e a Roménia – assim como da Coreia do Sul, e, muito recentemente, de Nairobi e da Guiné-Bissau. Em termos gerais, os resultados mostram que no que diz respeito ao abuso de determinadas substâncias por parte dos adolescentes, aplicam-se os mesmo fatores de risco e de proteção. No entanto, há algumas diferenças: num dos municípios (num país “do Báltico”), a participação em atividades desportivas organizadas revelou ser um fator de risco. Ao investigar este revés, descobriu-se que tal se devia ao facto de os clubes serem orientados por jovens ex-militares com propensão para o consumo de esteroides e anabolizantes comuns entre os culturistas, assim como para fumar e beber.

Embora Jón e a sua equipa apresentem todas as informações acerca do que mostrou ser eficaz na Islândia, cabe a cada uma das comunidades que participam decidir o que fazer face aos seus resultados. Em certas situações, decidem não fazer nada. Um país de maioria muçulmana (cuja identidade não nos revela) rejeitou os dados por considerar que revelavam um nível inaceitável de consumo de álcool. Noutras cidades – como aquela cuja crise Jón tentou resolver pelo telefone – apesar de haver abertura face aos dados e dinheiro para gastar, as equipas têm verificado que é muito mais difícil captar e manter financiamento para estratégias de prevenção de saúde do que para tratamentos.

Mais nenhum país fez mudanças à escala das que se verificam na Islândia. Quando lhe perguntamos se nalgum lugar foi copiada a lei que obriga as crianças a ficar em casa durante a noite, Jón sorri. “Até a Suécia se ri de nós, chamam-lhe o recolher obrigatório infantil.”

Em toda a Europa, as taxas de consumo de álcool e drogas por parte dos adolescentes têm vindo a reduzir-se longo dos últimos vinte anos, mas em nenhum país isso aconteceu de forma tão drástica como na Islândia. E as razões para estas melhorias não estão necessariamente ligadas a estratégias que promovem o bem-estar entre os adolescentes. No Reino Unido, por exemplo, o facto de os adolescentes passarem mais tempo em casa a comunicar online do que em pessoa é uma das principais razões que explica a descida no consumo de bebidas alcoólicas.

Mas Kaunas, na Lituânia, é um exemplo do que pode ser conseguido através de uma intervenção ativa. Desde 2006, a cidade distribuiu estes questionários cinco vezes, e as escolas, os pais, as organizações de cuidados de saúde, as igrejas, a polícia e os serviços sociais uniram-se para tentar melhorar o bem-estar das crianças e reduzir o uso de álcool e drogas. A título de exemplo, os pais têm direito a participar em oito ou nove sessões de aconselhamento parental por ano, e há um novo programa que encaminha apoios suplementares a instituições públicas e organizações não-governamentais da área da saúde mental. Em 2015, a cidade começou a oferecer atividades desportivas gratuitas às segundas, quartas e sextas, e está a ser planeado um serviço gratuito de transporte para as famílias de baixo rendimento, para que as crianças que vivem longe das instalações desportivas também possam participar.

Entre 2006 e 2014, o número de adolescentes entre os 15 e os 16 anos que referiram ter estado embriagados nos 30 dias anteriores desceu cerca de 25 por cento, e houve uma redução de mais de 30 por cento entre os que disseram fumar diariamente.

Atualmente, a participação no Juventude na Europa é bastante dispersa, e a equipa na Islândia é pequena. Jón gostaria que surgisse um organismo central com financiamento próprio dedicado à expansão do programa na Europa. “Embora estejamos a desenvolver este trabalho há dez anos, não é a nossa função principal, a tempo inteiro. Gostávamos muito que alguém copiasse este modelo e o implementasse em toda a Europa”, afirma. “E porquê nos havemos de limitar à Europa?”

Jón e Birgir, os futebolistas

Depois do passeio pelo Parque Laugardalur, Gudberg Jónsson convida-nos para irmos a sua casa. Cá fora, no jardim, os seus dois filhos mais velhos, Jón Konrád, de 21 anos, e Birgir Ísar, de 15, conversam comigo sobre beber e fumar. Jón bebe, mas Birgir diz que não conhece ninguém na escola que fume ou beba. Também falamos sobre os treinos de futebol: Birgir tem cinco ou seis treinos por semana; Jón, que está no primeiro ano da faculdade, num curso de gestão na Universidade da Islândia, treina cinco vezes por semana. Começaram ambos a treinar regularmente depois das aulas quando tinham seis anos.

“Temos imensos instrumentos musicais em casa”, tinha-me dito o pai dos rapazes. “Tentámos que se interessassem por isso. E já tivemos um cavalo. A minha mulher gosta muito de andar a cavalo. Mas não aconteceu. Acabaram por escolher o futebol.”

Alguma vez lhes pareceu demasiado? Sentiram pressão para ir aos treinos quando lhes apetecia fazer outra coisa qualquer? “Não, divertíamo-nos a jogar futebol”, diz Birgir. Jón acrescenta, “Experimentámos e habituámo-nos a jogar, por isso fomos continuando.”

E não é só isso que fazem. Embora Gudberg e a sua mulher, Thórunn, não planeiem meticulosamente passar um determinado número de horas por semana com os três filhos, acabam por levá-los muitas vezes ao cinema, ao teatro, a jantar fora, a fazer caminhadas, à pesca e até em expedições familiares de pastorícia, quando as ovelhas da Islândia são trazidas do cimo dos montes em setembro.

Jón e Birgir podem ser particularmente dedicados ao futebol, e particularmente talentosos (graças ao futebol, Jón recebeu uma bolsa de estudo da Universidade Estadual Metropolitana de Denver, e poucas semanas depois do nosso encontro, Birigir foi chamado para jogar na seleção nacional de sub-17). Mas será que o aumento significativo da percentagem de miúdos que fazem desporto quatro ou mais vezes por semana poderá conduzir a outros benefícios, para lá da saúde das crianças?

Será que, por exemplo, terá tido alguma coisa a ver com a vitória esmagadora da Islândia sobre a Inglaterra no Campeonato Europeu de Futebol de 2016? Quando lhe perguntamos isso mesmo, Inga Dóra Sigfúsdóttir sorri: “Também temos tido bastante sucesso na música, com os Of Monsters and Men [uma banda indie-folk de Reiquejavique], por exemplo. São jovens que foram incentivados a trabalhar em equipa. Já me agradeceram algumas vezes”, diz, piscando o olho.

Noutros países, as cidades que se juntaram ao Juventude na Europa têm dado conta de outros benefícios. Em Bucareste, por exemplo, a taxa de suicídios entre os adolescentes tem estado a decair, em paralelo com o consumo de álcool e drogas. Em Kaunas, o número de crianças que cometeram crimes desceu um terço entre 2014 e 2015.

Como diz Inga Dóra: “Através desta investigações, ficámos a saber que precisamos de criar as circunstâncias nas quais os miúdos possam viver de forma saudável, em que não sintam a necessidade de recorrer a substâncias como o álcool e as drogas, porque percebem que a vida é divertida e há muitas coisas para fazer – e sabem que têm o apoio dos pais, que passam bastante tempo com eles.”

Mas a Islândia é um país pequeno…

Trezentos e vinte e cinco milhões de habitantes contra trezentos e trinta mil. Trinta e três mil gangues contra praticamente nenhum. Cerca de um milhão e trezentos mil jovens sem abrigo contra meia dúzia.

Claramente, nos EUA há desafios que não existem na Islândia. Mas os dados recolhidos noutras zonas da Europa, incluindo cidades como Bucareste, onde existem problemas sociais graves e um grau considerável de pobreza, demonstram que o modelo islandês pode funcionar em culturas muito diferentes, defende Milkman. E a necessidade de um programa como este nos EUA é grande: cerca de 11 por cento do álcool a nível nacional é consumido por menores, e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é responsável por mais de 4300 mortes por ano entre os menores de 21.

No entanto, é improvável que venha a ser implementado um programa semelhante ao islandês a nível nacional nos EUA. Um dos maiores impedimentos a uma tal iniciativa é que, ao contrário do que acontece na Islândia, onde se estabeleceu um compromisso a longo prazo face a este projeto nacional, nos Estados Unidos os programas de saúde dirigidos às comunidades são por norma apoiados por bolsas a curto prazo.

Milkman aprendeu a custo que nem os programas mais inovadores e elogiados nem sempre são alargados, ou mesmo mantidos. “Quando criámos o Projeto Autodescoberta, estávamos convencidos de que aquele era o melhor programa do mundo”, explica. “Fui convidado por duas vezes a ir à Casa Branca. O projeto ganhou prémios a nível nacional. Na altura pensei: este programa vai ser copiado e adotado em todas as cidades e aldeias. Mas não foi.”

Concluiu que isso se deve ao facto de não ser possível estabelecer um modelo genérico para todas as comunidades, uma vez que nem todas têm os mesmos recursos. Qualquer tentativa de apresentar aos miúdos nos EUA a oportunidade de participar nas atividades que se tornaram comuns na Islândia, e de os ajudar a não se iniciarem no consumo de álcool e drogas, terá de se apoiar nas estruturas que já existam. “É necessário recorrer aos recursos de cada comunidade“, explica.

Álfgeir Kristjánsson, colega de Milkman, está a apresentar as ideias islandesas no estado da Virgínia Ocidental. Estão a ser distribuídos inquéritos nalgumas escolas básicas e secundárias do estado, e há um coordenador local cujo papel é ajudar a divulgar os resultados junto dos pais e de quaisquer outras pessoas que os possam utilizar para ajudar os miúdos da zona. Mas admite que será difícil atingir os resultados que se verificam na Islândia.

Esta visão a curto prazo também impede o estabelecimento de estratégias eficazes de prevenção no Reino Unido, diz Michael O’Toole, diretor executivo da Mentor, uma instituição de caridade cujo objetivo é reduzir o uso de álcool e drogas entre as crianças e os adolescentes. Esse trabalho acaba por ficar nas mãos das autoridades locais ou das escolas, o que muitas vezes significa que os miúdos se limitam a receber informações sobre os riscos associados ao consumo de drogas e de álcool – estratégia que, reconhece, não tem dado provas de funcionar.

O’Toole está completamente rendido à política islandesa de sublinhar a importância de os pais, a escola e a comunidade trabalharem em conjunto para apoiar as crianças, e de chamar os pais e os encarregados de educação a ter um papel mais interventivo na vida dos adolescentes. Criar mais e melhores apoios para os miúdos é essencial, sublinha. Mesmo no que toca apenas ao álcool e ao tabaco, os dados indicam sem margem para dúvidas que quanto mais velha uma criança for quando fumar o primeiro cigarro ou beber a primeira bebida alcoólica, mais saudável será ao longo da vida.

Mas nem todas estas estratégias seriam aceitáveis no Reino Unido – a começar pelo recolher obrigatório das crianças, passando, muito provavelmente, pela ideia de os pais andarem pelos bairros a verificar se há crianças a quebrar as regras. E a experiência-piloto levada a cabo pela Mentor em Brighton, que implicava convidar os pais a aparecer nas escolas e participar em seminários, revelou que é muito difícil despertar o seu interesse.

A desconfiança do público em geral e a falta de vontade de participar de forma proativa no programa são os maiores desafios onde quer que se tente implementar os métodos islandeses, considera Milkman, porque dizem respeito a questões fundamentais como o equilíbrio da responsabilidade entre os cidadãos e os estados. “Até que ponto é que estão dispostos a deixar o estado controlar as atividades dos vossos filhos? Isto não será uma interferência demasiado grande do governo na vida das pessoas?“

Na Islândia, a relação que se estabeleceu entre os cidadãos e o estado tem permitido que um programa nacional eficaz reduza drasticamente a percentagem de miúdos que fumam e bebem demasiado – e, no mesmo movimento, tem aproximado as famílias e ajudado as crianças a tornar-se mais saudáveis, de todas as maneiras. Será que mais nenhum país está disposto a decidir que estes benefícios justificam os custos?

Tradução: Francisca Cortesão

Este texto foi originalmente publicado no site Mosaic Science

 

Cigarros electrónicos aumentam vício nos jovens

Fevereiro 19, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do http://p3.publico.pt/ de 24 de janeiro de 2018.

Relatório da Academia de Ciências e Medicina dos Estados Unidos conclui que fumar cigarros electrónicos é menos perigoso para a saúde dos adultos, mas aumenta o risco de vício no jovens

Texto de P3/Lusa

Fumar cigarros eletrónicos aumenta o risco de vício nos jovens, mas é menos perigoso para a saúde dos adultos do que os convencionais, com tabaco, revela um relatório da Academia de Ciências e Medicina dos Estados Unidos.

De acordo com o relatório publicado na terça-feira, e que analisou 800 estudos científicos, a nicotina presente nos cigarros electrónicos pode criar vício junto dos jovens, encorajando-os a fumar tabaco. Ainda assim, segundo a mesma publicação, os cigarros electrónicos são menos nocivos do que os cigarros convencionais para os adultos, podendo também ajudar a parar de fumar.

Os investigadores da Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos sublinham, no entanto, que ainda faltam estudos. “Nesta fase, não é possível saber se o cigarro electrónico tem um impacto positivo ou negativo para a saúde pública”, ressalva o relatório. “Os cigarros electrónicos não podem simplesmente ser considerados melhores ou piores”, defende David Eaton, docente da Universidade de Washington em Seattle e presidente do conselho editorial do relatório, encomendado pelo congresso norte-americano há dois anos e agora conhecido.

Para o especialista, “os efeitos adversos dos cigarros eletrónicos sobre a saúde de adolescentes e de adultos que não fumam tabaco também merecem alguma preocupação”, desde logo pelo vapor que é emitido. Ainda assim, David Eaton reforçou que usá-los “pode ser uma maneira de reduzir o tabagismo, que afecta a saúde”. Os investigadores sustentam que seriam necessários mais estudos científicos para perceber os efeitos desta utilização a longo prazo.

 

 

LPCC e ACP lançam iniciativa “Carros Sem Fumo” para alertar para o impacto nocivo de fumar no interior das viaturas, inclusive transportando crianças

Janeiro 11, 2018 às 6:00 am | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

 

A Liga Portuguesa Contra o Cancro em parceria com o Automóvel Clube de Portugal (ACP) lança a ação Carros Sem Fumo com o objetivo de alertar para o impacto nocivo de fumar no interior das viaturas.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e o Automóvel Clube de Portugal (ACP) apresentaram dia 27 de novembro, pelas 10h, na Escola Básica António Rebelo de Andrade, em Oeiras, a ação CARROS SEM FUMO. O objetivo prioritário do projeto é a sensibilização dos portugueses, em geral, para um comportamento responsável no que respeita ao consumo do tabaco em deslocações de automóvel, com especial preocupação quanto ao impacto que este ato tem sobre crianças e idosos.

Após a realização de um estudo por parte do ACP junto dos seus associados – ver ficha técnica no final – as conclusões revelam que ainda há muito trabalho que pode e deve ser feito no que respeita à educação e sensibilização dos portugueses em torno dos hábitos de consumo de tabaco, em particular quando se deslocam de carro.

Os principais resultados do estudo indicam que:

90% dos inquiridos desconhece que o nível médio de partículas tóxicas libertadas pelo tabaco e respiradas numa viagem de carro é cinco vezes superior à média das partículas tóxicas no ar, mesmo em cidades muito poluídas;

Apenas 20% dos inquiridos sabe que 85% do fumo passivo é invisível e sem odor;

Mais de 50% dos inquiridos fumadores afirma fumar dentro da viatura;

Mais de 10% do total dos inquiridos afirma ter-se deslocado pelo menos uma vez nos 30 dias anteriores numa viatura em que estivesse alguém a fumar na presença de uma criança, adolescente, jovem ou idoso.

Para Vítor Veloso, Presidente da LPCC, “estes dados são preocupantes pelo que há necessidade de dar continuidade a uma das principais acções da Liga Portuguesa Contra o Cancro – a Prevenção Primária. “

“Cada cigarro contém mais de 4.800 substâncias químicas nocivas, sendo que destas, 60 são potencialmente causadoras de cancro. Se considerarmos que 85% do fumo passivo é invisível e inodoro, facilmente se percebe que fumar no interior do carro é um ato que se perpetua muito para lá dos breves minutos de consumo.”

Por estes motivos faz um apelo: – “Faça do seu carro um carro livre de fumo. Faça da sua família uma família livre de fumo.”
“Poder trabalhar com um parceiro como o ACP que tanto e tão bem representa o universo dos automobilistas nacional é um privilégio para nos fazer chegar a mais cidadãos e famílias do nosso país”, concluí o Presidente da LPCC.

“A associação do ACP a esta iniciativa era inevitável” afirma Carlos Barbosa, Presidente do ACP, acrescentando que, “enquanto associação de referência para os automobilistas nacionais que tem como fim último a prossecução da defesa dos interesses dos mesmos, os temas da educação para a saúde não nos são alheios. Especialmente quando têm impacto direto em crianças e idosos.”

Esta ação será levada a todo o país através de ações de sensibilização nas escolas, com a distribuição de 100 mil folhetos e autocolantes para carros nas escolas do ensino básico e ainda através dos canais de comunicação do ACP e da LPCC, focando-se nas crianças como veículos influenciadores junto dos pais.

A campanha de sensibilização do projeto tem como embaixadores o casal de atores Paula Lobo Antunes e Jorge Corrula.
O evento contou com a presença do Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, do Presidente do ACP, Carlos Barbosa, do Presidente do Núcleo Sul da LPCC, Francisco Cavaleiro de Ferreira e ainda dos embaixadores da campanha.

 

Notícia do site da Liga Portuguesa Contra o Cancro em 27 de Dezembro de 2017

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.