Depois de El Paso e Dayton, compram-se mochilas à prova de bala para as aulas

Agosto 9, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo: Danny Hermosillo

Notícia do Público de 7 de agosto de 2019.

Durante a última semana, quatro tiroteios nos EUA provocaram 36 mortos. Só este ano, houve 32 tiroteios com múltiplas vítimas no país. Perante o cenário, as vendas de mochilas à prova de bala estão a aumentar: “Já vendemos 300 nos últimos dias”, disse o proprietário de uma marca de mochilas.

Cadernos, lápis, canetas e… mochilas à prova de bala. São assim as listas de compras para o regresso às aulas nos Estados Unidos. No espaço de oito dias houve quatro tiroteios que provocaram 36 vítimas mortais, incluindo dois atiradores que foram abatidos. À luz destes acontecimentos, nos supermercados americanos a venda de mochilas à prova de bala está a aumentar a um ritmo alucinante.

As mochilas da Guard Dog Security já eram um “item popular”, refere Yasir Sheikh, presidente e fundador da Skyline USA, uma empresa que comercializa estes produtos, ao canal televisivo CNBC. Mas nos últimos anos a procura tem vindo a aumentar, especialmente após tiroteios em escolas e noutros espaços públicos. Depois do último fim-de-semana, em que os Estados Unidos viram dois tiroteios a acontecer num espaço de 24 horas, em El Paso, Texas, e em Dayton, Ohio, registou-se um pico de vendas.

Roman Zrazhevskiy, do Ready To Go Survival, uma empresa de “kits de sobrevivência”, acredita que as encomendas do fim-de-semana são mais do que “altas”: “A nossa referência é de 100 unidades por mês. Já vendemos 300 nos últimos dias”, disse ao Houston Chronicle, citado pelo site australiano news.com.au. A Bullet Blocker, que já vende este tipo de mochilas há mais de uma década, diz que as vendas aumentaram em mais de 200% nos últimos anos.

“A mochila Guard Dog parece uma mochila normal. Com uma divisão para o computador e bolsos para organização, apenas é um pouco mais pesada do que uma mochila sem armadura”, lê-se no site da marca. A ideia, diz Sheikh, é que a mochila “não faça quem a usa parecer que vai para a guerra”. Outras empresas, como a ArmorMe, vão mais longe e recomendam que os pais façam uma espécie de “treino” e criem cenários de tiroteio em casa com as crianças, usando a mochila como escudo. “Nunca sabemos quando um ataque violento pode acontecer”, lê-se no site.

A venda destas mochilas levanta questões: William Bratton, antigo comissário do Departamento de Polícia de Nova Iorque, alerta para o facto de as mochilas não serem eficazes para o tipo de armas normalmente utilizadas nos tiroteios nas escolas. Mais ainda, refere, citado no texto da CNBC, que é preciso “ter cuidado com o nível de medo que se está a criar nas crianças”.

“Estamos a pedir às crianças para enfrentarem atacantes porque os políticos têm demasiado medo de se opor ao lobby das armas”, disse, por seu turno, Shannon Watts, fundadora da organização Moms Demand Action for Gun Sense in America, ao New York Times. Igor Volski, director do grupo Guns Down America, lamentou o facto de “o mercado estar a tentar resolver um problema que os políticos se recusam a resolver”.

“Os pais não deviam ter que comprar uma mochila à prova de bala para manter os seus filhos seguros na escola”, escreveu Kamala Harris, senadora democrata e procuradora-geral da Califórnia, no Twitter. “Isto não devia ser normal.”

As dicas do Ministério da Educação para tornar as mochilas mais leves

Agosto 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 18 de julho de 2019.

Por Lusa

O Ministério da Educação dá conselhos aos pais, alunos e professores, numa campanha para diminuir a sobrecarga das mochilas escolares.

O Ministério da Educação lançou uma campanha para sensibilizar pais, alunos, professores e diretores escolares a adotar medidas que reduzam o peso excessivo das mochilas, como o uso partilhado dos manuais de forma rotativa.

“Mochila leve – sugestões para levar às costas” é o ‘slogan’ da campanha criada pelo ministério que acredita que “mudanças de hábitos simples, rotinas facilmente alteráveis e atenção aos pormenores podem fazer a diferença”.

Uso partilhado de manuais de forma rotativa

“Promover o uso partilhado dos manuais de forma rotativa, alternando o dia em que diferentes alunos levam os livros para a aula” é uma das nove recomendações do Ministério da Educação para os professores e diretores escolares.

Recorrer aos cacifos

Incentivar o uso dos cacifos, garantir que os livros ficam na escola sempre que possível assim como “distribuir preferencialmente a mesma sala a cada turma, para que os materiais possam ser deixados na sala nos intervalos”, são outras das sugestões dirigidas a quem está diariamente nas escolas.

Planeamento das aulas

Aos professores é ainda proposto que planifiquem as aulas prevendo se os manuais serão utilizados, para evitar que os alunos os carreguem desnecessariamente.

Mas também há recomendações para pais e alunos. No total, a campanha “Mochila Leve” apresenta 22 medidas de planificação, gestão do material escolar e iniciativas que envolvem os encarregados de educação e quem trabalha nas escolas.

A forma correta de usar a mochila

Aos pais e alunos é recordado como usar a mochila para reduzir o impacto do peso na coluna – “usar a mochila carregada à altura do dorso” e com as duas alças sempre colocadas -, além da importância de distribuir adequadamente o material dentro da mochila, colocando o mais pesado junto às costas.

Mochilas “de rodinhas”

Na hora de comprar o material escolar, optar por mochilas com rodas ou ergonomicamente adequadas, comprar material escolar leve e dossiês que permitam que se utilize um caderno único ou separadores são outras das dicas.

Às associações de pais o ministério sugere que promovam ações de sensibilização.

Em comunicado enviado para as redações, a tutela recorda algumas medidas já implementadas que contribuem para a redução do preso das mochilas: “Os livros são hoje mais leves e estão divididos em volumes; já são disponibilizadas licenças digitais gratuitas associadas aos manuais, abrindo caminho à sua progressiva desmaterialização; e o uso de cacifos é uma prática cada vez mais frequente nas escolas”.

mais informações no link:

https://manuaisescolares.pt/mochilaleve

Índia proíbe mochilas escolares pesadas para evitar problemas de coluna nas crianças

Dezembro 31, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 28 de novembro de 2018.

Mafalda Ganhão

De acordo com as novas regras, o peso das mochilas tem um limite consoante a idade dos alunos e os professores das crianças mais pequenas não lhes poderão marcar trabalhos de casa.

Nem trabalhos de casa, nem mochilas pesadas. Preocupada com o aumento do número de casos de crianças com problemas na coluna vertebral, a Índia resolveu disciplinar o que considera abusos e impôs novas regras às escolas, dependendo das idades dos alunos.

Para cada faixa etária há restrições ao peso das mochilas, limites justificados com estudos que evidenciam como a carga excessiva pode afetar os ossos ainda em desenvolvimento.

No caso das crianças mais novas, durante os dois primeiros anos escolares, os professores ficam impedidos de marcar trabalhos de casa, de modo a evitar que os manuais tenham de ser transportados.

No estado de Maharashtra, por exemplo, o peso das mochilas já não pode exceder 10% do peso corporal da criança, havendo escolas a optar pelo uso de quadros digitais e projetores, também para contornar a necessidades de carregar livros escolares para as aulas.

O “The Telegraph” lembra o caso particular das crianças que habitam nas zonas rurais no país, e que são obrigadas a caminhar longas distâncias carregando as bolsas escolares. Muitas delas atravessam rios, levando os livros sobre a cabeça.

Notícia do The Telegraph:

India bans homework and heavy schoolbags to prevent spinal damage

 

 

Mochilas escolares continuam a pesar mais do que deviam

Outubro 22, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do jornal O Alcoa de 4 de outubro de 2018.

Nem a força de 50 mil assinaturas fez aliviar o peso das mochilas

Setembro 30, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 10 de setembro de 2018.

 

«Peso exagerado nas mochilas está ligado a contraturas musculares, má postura e excesso de carga nos discos da coluna»

Setembro 17, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Alexandra Pedro para o DNLife, em 26 de agosto de 2018

Depois de lhe darmos seis dicas fundamentais para o uso adequado das mochilas escolares, consultámos o neurocirurgião Bruno Santiago, coordenador da campanha nacional Olhe Pelas Suas Costas, para lhe explicar melhor quais os problemas que podem surgir do excesso de carga.

Bruno Santiago é neurocirurgião e coordenador da campanha Olhe Pelas Suas Costas, desenvolvida a nível nacional. Depois das recomendações para comprar a mochila mais adequada para o próximo ano letivo, o especialista deu uma entrevista à Life para falar sobre os problemas do excesso de peso nas costas.

Em causa estão problemas de postura, dificuldades musculares e até lesões na coluna vertebral. Leia a entrevista com o neurocirurgião e recorde as recomendações sobre a utilização das mochilas na fotogaleria.

Qual o peso ideal das mochilas?
Sabemos que o peso das mochilas não deve exceder 10 por cento do peso corporal da criança. Para uma criança de 30 quilogramas, por exemplo, deveria ter no máximo 3 quilos. Mas verificamos, frequentemente, que esse peso é largamente excedido, podendo chegar aos oito quilogramas.

«Os pais devem ter um papel pró-ativo e inequívoco na vigilância desta situação, pesando a mochila dos filhos e alertando os professores ou a escola.»

Que consequências podem surgir do excesso de peso nas costas?
Provoca desde logo um aumento da carga que a coluna vertebral em crescimento tem que suportar. No curto prazo provoca dores nas costas, que podem ser na região lombar ou cervical e ombros. O peso exagerado nas mochilas correlaciona-se também com contraturas musculares, má postura do tronco e com um excesso de carga nos discos da coluna vertebral.

E a longo prazo?
A longo prazo, esta sobrecarga e postura inadequada de forma persistente pode contribuir para um desgaste mais precoce dos discos intervertebrais, embora não esteja ainda demonstrada ou quantificada essa correlação do ponto de vista científico.

Como acha que se pode contornar o problema do excesso de peso nas mochilas dos estudantes?
Deve existir um esforço de gestão dos livros necessários para a aprendizagem. Ou seja, só deveriam levar para casa o mínimo indispensável para os trabalhos de casa. Idealmente, seria até apenas uma disciplina de cada vez.

A utilização de cacifos na escola tem sido uma solução apontada…
Sim, a par da transformação digital dos manuais escolares. Há também alguns detalhes na escolha das mochilas que são úteis, como ter vários compartimentos para melhor distribuir o peso e duas alças bem almofadadas. É ainda de realçar a importância de colocar sempre a mochilas em ambos os ombros.

 

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Como devem os pais lidar com esta questão?
Os pais devem ter um papel proativo e inequívoco na vigilância desta situação, pesando a mochila dos filhos e alertando os professores ou a escola caso o excesso de peso da mochila seja recorrente.

Durante o processo de crescimento ocorre um impacto muito negativo na postura da criança ou do adolescente.

Quais são as idades mais afetadas pelo excesso de peso?
As dores nas costas nas crianças e adolescentes aumentam com a idade e está demonstrado que a sua frequência é maior sobretudo entre os 10 e os 16 anos. Há vários estudos que destacam a correlação entre este tipo de dores nas crianças e o uso de mochilas com um peso que excede os 15 a 20 por cento do peso corporal.

Estes problemas de coluna podem dificultar o processo de crescimento?
Durante o processo de crescimento ocorre um impacto muito negativo na postura da criança ou do adolescente, com o uso persistente e errado das mochilas pesadas, que se pode prolongar na vida adulta. No entanto, não está provado que contribua para doenças específicas da coluna vertebral, como por exemplo a escoliose.

“Regresso às aulas em segurança” brochura informativa da Direção-Geral do Consumidor

Setembro 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Descarregar a brochura no link:

http://www.dge.mec.pt/noticias/regresso-aulas-em-seguranca-0

Quanto deve pesar uma mochila escolar? Saiba fazer a escolha certa

Setembro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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School bag with books and equipment

Notícia e imagem do Mood Sapo

Está a chegar um novo ano letivo e a compra das mochilas é uma das atividades mais apreciadas pelas crianças. Mas saiba que as mochilas escolares podem provocar alterações na coluna vertebral dos mais pequenos. Bruno Santiago, neurocirurgião e coordenador da campanha ‘Olhe Pelas Suas Costas’, explica o que deve ter em atenção.

As dores nas costas são a causa mais frequente das visitas ao médico. As doenças que afetam a coluna representam mais de 50 por cento das causas de incapacidade física. Estima-se que sete em cada dez portugueses sofrem ou já sofreram de dores nas costas. Por isso, a prevenção e os cuidados devem começar desde cedo.

Com o regresso às aulas a aproximar-se chega também a hora de pais e educadores escolherem a mochila que crianças e jovens vão carregar diariamente para a escola no próximo ano letivo. A campanha “Olhe Pelas Suas Costas” alerta para a importância de uma escolha correta da mochila, tendo em conta as características ergonómicas da mesma. É também é nesta altura, a 5 de setembro, que se assinala o Dia Internacional das Lesões da Coluna Vertebral. Convém, por isso, ter cuidados desde cedo.

«Hoje em dia as crianças carregam demasiado peso às costas, o que pode provocar dores e problemas potencialmente graves na coluna vertebral a longo prazo. O tamanho, o material da mochila e o peso a transportar são fatores decisivos no momento da escolha, para assegurar o bem-estar da criança e a saúde da coluna em crescimento», explica Bruno Santiago, neurocirurgião e coordenador da campanha nacional “Olhe pelas suas costas”.

«O peso exagerado e a má colocação da mochila às costas, diariamente, podem provocar dores e é muito importante recordar os pais e educadores que devem optar por mochilas confortáveis, deixando a  estética para segundo plano, pois o mais importante é a saúde da coluna das crianças e jovens», conclui o responsável.

Por isso, por mais que o seu filho queira aquela mochila com o seu desenho animado favorito, não é isso que deve prevalecer na compra da mochila escolar. Muitas vezes, as crianças são submetidas ao transporte de carga excessiva e os pais nem pensam nos malefícios deste peso. Acontece com frequência a criança transportar uma quantidade enorme de livros e outros materiais que, provavelmente, não vai utilizar nesse dia. E isso precisa de ser monitorizado.

O transporte repetido de uma mochila pesada pode condicionar, no futuro, problemas graves para as costas das crianças. Depois de acertar com o peso da mochila, vem a organização dos materiais dentro da mesma. Os mais pesados devem ser colocados no fundo da mochilae os restantes devem ser distribuidos pelas bolsas. Leia agora as dicas, na galeria que integra este artigo, com as características certas que deve ter uma mochila escolar e como deve ser transportada.

imagens das mochilas no link:

https://mood.sapo.pt/sabe-quanto-deve-pesar-uma-mochila-escolar/#slide=1

Sem manuais, com tablets, skates e muita criatividade – a escola está a mudar

Novembro 30, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.rtp.pt/noticias/ de 4 de novembro de 2017.

Promover a curiosidade, o espírito crítico, o gosto pelo saber, sem nunca perder de vista a criatividade, é o objetivo de um projeto pioneiro que teve início este ano letivo no Colégio Pedro Arrupe, em Lisboa. Os alunos são testados de forma contínua, matéria a matéria, a partir de fichas, grelhas de observação e outros métodos alternativos. O tablet e o telemóvel podem entrar na sala de aula e até o peso das mochilas fica mais leve porque não há manuais.

É meio da semana, passa das 10h00. Nas salas de aula, os skates e as bolas preenchem o chão. Sentados ou em pé, dependendo da aula, a Francisca, a Pilar, a Madalena ou o David falam sobre os trabalhos que estão a fazer dentro da sala. Há quem precise de ajuda, mas isso não é um problema. Há sempre um voluntário para apoiar os colegas.

No Colégio Pedro Arrupe, em Lisboa, é assim. A escola, que em 2010 abriu com 700 alunos, tem hoje a lotação praticamente completa com 1.580. Este ano experimenta-se pela primeira vez um modelo em que os alunos são testados de forma contínua, sem se acumular matéria.

Coisas como ter um guião, uma plataforma digital, ir ao campo ou ao rio para ver como vivem os animais ou até fazer um trabalho para três disciplinas, em simultâneo, são alguns dos exemplos que os alunos elegeram como seus aliados no conhecimento curricular.

“Fomos ao Rio Trancão, onde é a Foz para o Estuário do Rio Tejo, e vimos lá os tipos de habitats que existem: o sapal, o Estuário, o Rio, a temperatura da água. Estivemos a fazer uma experiência que era tirar com uma pá o lodo para vermos como é que ele é (…) Acho que é melhor [ir à rua], é mais giro. Assim podemos ter a experiência de ver as coisas e tocar nela”, contou à RTP Madalena Santos, aluna do 5.º ano de escolaridade.

Também David Dias, com dez anos, partilha a sua experiência: “É divertido juntar três disciplinas para fazer uma só atividade. O objetivo deste projeto é fazermos o planisfério e pintar, o que está na área de Educação Visual e Tecnológica. Inglês é para fazer as nacionalidades e para História e Geografia de Portugal aprendemos os países”.

Numa escola com autonomia pedagógica, em que desde cedo a independência dos alunos é levada a sério, arriscou-se e os resultados estão a ser positivos, garante à RTP a diretora pedagógica, Ana Mira Vaz.

“Nós estávamos a fazer um bom trabalho. Tínhamos a escola cheia. Não mudámos porque sentimos que temos que atrair outros públicos. Não mudamos porque achamos que os resultados são maus. Mudámos porque sentimos que, apesar de termos bons indicadores daquilo que estávamos a fazer, nós temos que dar um passo em frente, um passo mais arrojado, em direção a uma mudança de atitude dentro da escola, com impactos sobre o trabalho dos alunos em sala de aula e fora da sala”.

Aqui, as opções didáticas foram concebidas para promover o desenvolvimento da curiosidade científica, do espírito crítico ou do gosto pelo saber. Valoriza-se a criatividade, a experiência individual e o trabalho em equipa.

“Temos que lhes mostrar que é não só desejável como é possível na prática fazer a mudança. Acreditamos que este princípio global de que é preciso transformar a educação num determinado sentido pode ser feito. Começámos com um conjunto de cinco turmas que achamos que pode ser impactante para o resto da escola. É de facto um projeto-piloto, laboratorial, acompanhado por todos, inclusivamente pelos pais mas que achamos que nos vai dar dados para permitir depois expandir para as restantes turmas”, explicou Ana Mira Vaz.

Retirar exclusividade ao professor

No essencial trata-se de pôr os professores a trabalhar em equipa, “permitindo aos alunos assumirem um papel essencial na condução da sua própria aprendizagem. No limite, se me perguntar: Onde é que nos vemos daqui a dez anos, por exemplo? Imagino um aluno adolescente de 13 anos, em vez de chegar à escola e se sentar na sala de aula e perguntar: Então professor o que é que vamos fazer hoje? É ele próprio que traz um projeto que foi obviamente preparado”.

Seguem-se as propostas dos currículos em vigor, mas a opção é sempre pela personalização das respostas educativas que implica liberdade para dar destaque a áreas curriculares de relevância para a formação dos alunos.

O projeto pioneiro teve início este ano letivo. A ideia é “puxar” o aluno para o centro da aprendizagem e para a responsabilidade de aprender. Na prática, trata-se de evitar que seja o professor a conduzir, em exclusivo, todo o processo de aprendizagem do aluno.

“Para isto, é preciso mudar práticas, é preciso encontrar as metodologias adequadas e é preciso os professores acreditarem e estarem capacitados para o fazer. Portanto, tem sido um investimento ao longo destes anos, neste processo. Começámos no pré-escolar, no primeiro ciclo. Os alunos vão chegando cada vez mais habituados a esta forma de trabalhar e de aprender e a primeira fornada estava agora a chegar ao 5.º ano”, explicou à RTP a diretora do 2.º ciclo do Colégio Pedro Arrupe.

Margarida Chambel fala com otimismo desta nova forma de organizar as aulas, em que o aluno “sai cansado do trabalho que fez” e o Ministério da Educação “confirma” que cabe à equipa pedagógica que está responsável por conduzir um grupo de alunos, encontrar os melhores modos de concretizar os seus objetivos.

“Estamos a fazer uma tabela para depois fazermos um desenho e o que está no quadro é o guião de autorregulação que é para nós sabermos o que é que temos que fazer e quais são os objetivos desta unidade (…) É muito bom para depois sabermos o que é que nós já sabemos e o que é que ainda temos que trabalhar melhor”, explicou Pilar Costa, uma das alunas do 5.º ano contempladas com o novo projeto.

Uma ideia partilhada também pela Francisca Oliveira: “Gosto porque isso ajuda-nos a fazer a nossa autocorreção para sabermos o que devemos estudar mais, o que é que errámos mais e a que é que temos de estar mais atentos”.

“Há aqui uma coincidência feliz que o Ministério da Educação de facto começa a permitir que as escolas encontrem os melhores modos de ensinar, de fazer aprender os seus alunos. Os contextos são variados, a equipa que está responsável pela gestão das aulas também é diferente”, salienta ainda a responsável pelo 2.º ciclo.

Uma das novidades é que deixa de haver um conjunto tão restrito de professores a lidar com o aluno. “Deixa de haver a monodocência, alargam-se as disciplinas”.

Manuais escolares, cadernos de atividades ou livros de fichas são, numa boa parte das escolas, a soma de um resultado que está longe de ser neutro.

5.º ano sem manuais

O peso exagerado das mochilas – quase 50 mil pessoas já assinaram uma petição – continua a ser um motivo de grande preocupação para pais e encarregados de educação.

Para felicidade da Francisca, da Pilar, da Madalena ou do David, o digital entrou para dentro da sala de aula. E, por isso, pela primeira vez o 5.º ano de escolaridade não tem manuais.

“Os professores vão-nos inscrevendo nas várias disciplinas. Metem lá várias fichas e várias informações. Na disciplina de oficinas e religião, o professor já meteu uns jogos sobre o que nós trabalhámos e depois respondemos às perguntas (…) Gosto de trabalhar na plataforma porque é mais divertido e não andamos com tantos manuais e tantas coisas na mochila”, explicou Pilar Cruz, entusiasmada.

“A equipa pedagógica que está responsável por conduzir o ano tem as melhores condições para encontrar os recursos mais adequados para que os alunos aprendam. Então, substituímos de facto o manual. Não temos nada contra os manuais, pelo contrário, as salas têm vários manuais relativos a cada disciplina. São também uma fonte importante de pesquisa e de trabalho mas substituímos o manual individual do aluno por um conjunto de recursos que alocamos numa plataforma digital, daí a importância de cada um ter o seu computador”, explica Margarida Chambel.

Os alunos têm assim acesso aos conteúdos não só no espaço de sala de aula mas também em casa. Há ainda a possibilidade de alargar esses recursos, com indicação de sites que o professor reconhece que são adequados para explorar determinado assunto, pequenos vídeos e até trabalhos de colegas de outras turmas.

As tecnologias entram na sala de aula como uma possibilidade de ferramenta de trabalho e juntam-se às mais tradicionais.

Há a possibilidade de haver uma grande diversidade de recursos que estão “mais próximos” daquilo que são os veículos que os alunos usam no seu dia-a-dia. “Não só tablets, computadores individuais mas também os telemóveis, que hoje fazem parte do conjunto de apetrechos que são fundamentais à saída de casa.

“Não é honesto perceber que afinal não aprendeu nada”

A abordagem da avaliação também é vista de outro modo. O aluno tem a possibilidade de a cada momento saber qual é o seu ponto de situação relativamente aos conhecimentos, aos objetivos de determinada disciplina ou conjunto de disciplinas.

“Aquela coisa de adiar para a data do teste formal, que se passa dois meses depois da matéria ter começado a ser trabalhada, não faz nenhum sentido. É ingrato. Não é honesto perceber que afinal [o aluno] não aprendeu nada e está cheio de dúvidas”.

Margarida Chambel acredita, portanto, que em cada momento é possível saber que tipo de erros se estão e se o aluno está ou não longe da meta a atingir. “Esta avaliação que é regular, que faz parte da naturalidade de quem acompanha o trabalho de aprendizagem, este feedback que o aluno recebe, não invalida que não tenham também os momentos mais formais de avaliação com instrumentos que devem ser também os mais diversificados possíveis”.

E acrescenta: “Não precisamos dos testes para saber que nota é que o aluno merece no final do período. Isto no fundo é uma lógica que não tem grande sentido. Portanto, fazemos a avaliação sumativa, o seu trabalho resulta de facto numa atribuição que é um indicador do tipo de investimento que fez mas é uma referência que o professor e o aluno, em qualquer altura, do percurso têm noção. Ou seja, se o trabalho que está a desenvolver está mais próximo de um três ou se está mais próximo da excelência”.

Se uns defendem que é pelo treino e pela repetição que as crianças chegam ao conhecimento outros consideram que as crianças precisam é de brincar, pois é aí que puxam pela criatividade e imaginação.

 Sala de aula, o “espaço predileto” para trabalhar

“Nada contra [aos trabalhos de casa] se houver interesse para que o aluno aprenda melhor. Sempre que necessário, sem problema nenhum (…) Nesta lógica de diferenciação que é uma palavra-chave hoje em dia na escola, não temos nada contra o ter que prolongar um bocadinho para além do tempo de trabalho em aula, a necessidade de recuperar aqui alguma coisa que não esteja tão bem mas temos a preocupação para que seja na aula. Esse deve ser o espaço predileto e essencial para a aprendizagem e que o resto do dia possa ser para desenvolver tudo aquilo que sabemos que faz parte de uma construção saudável da pessoa”, salienta Margarida Chambel.

Numa altura em que todos procuram uma escola que permita aos alunos aprenderem melhor, com mais sentido e naturalidade, os professores vão encontrando novas formas de concretizar as experiências.

“Portanto, o pioneiro, às vezes é esta sensação de estamos a encontrar este caminho e é bom se puder servir de inspiração a outras escolas. Pioneiro no sentido de que não estamos, não sentimos que seja honesto, apesar do bom trabalho que vamos fazendo, estagnarmos aí. É um desafio que qualquer escola hoje em dia deve andar atrás porque o mundo não para. Os alunos vão mudando, o mundo vai mudando e a escola tem este dever de honestidade de ir correspondendo”, explica Margarida Chambel.

Não há fórmulas únicas e perfeitas, mas o perfil do aluno do século XXI está traçado: ser perseverante perante as dificuldades, querer aprender mais e desenvolver o pensamento crítico.

O novo Perfil do Aluno entrou em vigor em julho deste ano com uma “matriz comum para todas as escolas”. Passa por promover de modo sistemático e intencional, dentro e fora da sala de aula, atividades que permitam aos alunos fazerem escolhas, confrontarem pontos de vista ou tomarem decisões. Um documento há muito esperado pelas escolas.

“Não podemos educar pessoas do pescoço para cima”

“As certificações constituem marcos de referência no percurso dos alunos. São sem dúvida muito importantes mas há este perfil que se quer formar nas crianças quer do público quer do privado. Este ano têm sido dados passos muito importantes na aproximação dos dois tipos de estrutura porque o trabalho é comum”.

A responsável pedagógica considera que todo o trabalho é feito pela escola pública. “A palavra certa seria escola estatal por oposição a escola privada porque escola pública somos todos. Pertencemos a uma rede pública de educação que presta serviço às famílias em Portugal”.

Para Ana Mira Vaz tem sido difícil para o Estado criar escolas com personalidade própria. “Nós prestamos o serviço que qualquer outra escola presta ao nível das aulas, da certificação, das habilitações mas a maneira como isso é feito é que deve ser fruto de uma reflexão interna, feita na escola. Deve ser adequada àquele contexto, em função daquilo que a própria escola define como o seu horizonte de concretização”.

Ana Mira Vaz considera que “não podemos apenas educar as pessoas do pescoço para cima, que foi o que as escolas infelizmente fizeram durante muito tempo. Temos que educar todo o corpo, a sensibilidade, a consciência, o transcendente, toda a componente física, sensorial e motora que é tão importante nos dias de hoje”.

vídeos da reportagem no link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/sem-manuais-com-tablets-skates-e-muita-criatividade-a-escola-esta-a-mudar_es1037198

 

 

 

Dois terços dos alunos carrega mochilas com demasiado peso

Setembro 12, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.publico.pt/ de 29 de agosto de 2017.

Lusa

O peso é carregado por alunos sujeitos a uma carga horária que pode chegar a nove horas, sem contar com o percurso entre a casa e a escola.

Dois terços dos alunos portugueses carregam às costas mochilas demasiado pesadas, que podem atingir 11 quilos com todos os livros e material necessário, segundo a associação Deco Proteste, que analisou seis escolas públicas e privadas da Grande Lisboa.

No estudo, publicado no número de Setembro da revista Proteste, aponta-se os riscos para a saúde de tanto peso a que estão sujeitos corpos cujos ossos ainda estão a formar-se, nas idades entre os 10 e os 13 anos.

O caso mais extremo de excesso de peso encontrado foi o de um rapaz de 11 anos que transportava 11 quilos, mais de um terço do seu peso corporal, o que é três vezes mais do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

A Deco vai pedir uma audiência à comissão parlamentar de Educação e Saúde, a quem enviará os resultados do estudo.

Uma petição com 48 mil assinaturas pedindo medidas para reduzir o peso das mochilas está já a ser analisada na comissão.

A investigação, conduzida em Março deste ano, centrou-se em 174 alunos, 66% dos quais tinham peso a mais nas mochilas, percentagem superior aos 53% encontrados no estudo semelhante anterior, feito em 2003.

As cargas mais intensas, representando 20% do peso corporal de quem as carrega, também são mais frequentes: aumentaram de 4,5% em 2003 para 16% este ano.

Para além dos livros necessários a cada disciplina, alguns dos quais com muito pouco uso, o que enche as mochilas são cadernos, dossiês, estojos, carteiras, chaves, roupa e calçado para Educação Física, enumera um aluno entrevistado pela Proteste.

Este peso é carregado durante todo o dia várias vezes por alunos sujeitos a uma carga horária que pode chegar a nove horas, sem contar com o percurso entre a casa e a escola.

A Deco apela à tutela, às editoras e às escolas, defendendo medidas como mais conteúdo digital na educação, livros em fascículos ou instalação de cacifos. Aos pais, pede-se um olhar atento para distinguir o que é mesmo necessário nas mochilas, que devem ir à balança antes de saírem de casa.

 

 

 

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