Sem manuais, com tablets, skates e muita criatividade – a escola está a mudar

Novembro 30, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.rtp.pt/noticias/ de 4 de novembro de 2017.

Promover a curiosidade, o espírito crítico, o gosto pelo saber, sem nunca perder de vista a criatividade, é o objetivo de um projeto pioneiro que teve início este ano letivo no Colégio Pedro Arrupe, em Lisboa. Os alunos são testados de forma contínua, matéria a matéria, a partir de fichas, grelhas de observação e outros métodos alternativos. O tablet e o telemóvel podem entrar na sala de aula e até o peso das mochilas fica mais leve porque não há manuais.

É meio da semana, passa das 10h00. Nas salas de aula, os skates e as bolas preenchem o chão. Sentados ou em pé, dependendo da aula, a Francisca, a Pilar, a Madalena ou o David falam sobre os trabalhos que estão a fazer dentro da sala. Há quem precise de ajuda, mas isso não é um problema. Há sempre um voluntário para apoiar os colegas.

No Colégio Pedro Arrupe, em Lisboa, é assim. A escola, que em 2010 abriu com 700 alunos, tem hoje a lotação praticamente completa com 1.580. Este ano experimenta-se pela primeira vez um modelo em que os alunos são testados de forma contínua, sem se acumular matéria.

Coisas como ter um guião, uma plataforma digital, ir ao campo ou ao rio para ver como vivem os animais ou até fazer um trabalho para três disciplinas, em simultâneo, são alguns dos exemplos que os alunos elegeram como seus aliados no conhecimento curricular.

“Fomos ao Rio Trancão, onde é a Foz para o Estuário do Rio Tejo, e vimos lá os tipos de habitats que existem: o sapal, o Estuário, o Rio, a temperatura da água. Estivemos a fazer uma experiência que era tirar com uma pá o lodo para vermos como é que ele é (…) Acho que é melhor [ir à rua], é mais giro. Assim podemos ter a experiência de ver as coisas e tocar nela”, contou à RTP Madalena Santos, aluna do 5.º ano de escolaridade.

Também David Dias, com dez anos, partilha a sua experiência: “É divertido juntar três disciplinas para fazer uma só atividade. O objetivo deste projeto é fazermos o planisfério e pintar, o que está na área de Educação Visual e Tecnológica. Inglês é para fazer as nacionalidades e para História e Geografia de Portugal aprendemos os países”.

Numa escola com autonomia pedagógica, em que desde cedo a independência dos alunos é levada a sério, arriscou-se e os resultados estão a ser positivos, garante à RTP a diretora pedagógica, Ana Mira Vaz.

“Nós estávamos a fazer um bom trabalho. Tínhamos a escola cheia. Não mudámos porque sentimos que temos que atrair outros públicos. Não mudamos porque achamos que os resultados são maus. Mudámos porque sentimos que, apesar de termos bons indicadores daquilo que estávamos a fazer, nós temos que dar um passo em frente, um passo mais arrojado, em direção a uma mudança de atitude dentro da escola, com impactos sobre o trabalho dos alunos em sala de aula e fora da sala”.

Aqui, as opções didáticas foram concebidas para promover o desenvolvimento da curiosidade científica, do espírito crítico ou do gosto pelo saber. Valoriza-se a criatividade, a experiência individual e o trabalho em equipa.

“Temos que lhes mostrar que é não só desejável como é possível na prática fazer a mudança. Acreditamos que este princípio global de que é preciso transformar a educação num determinado sentido pode ser feito. Começámos com um conjunto de cinco turmas que achamos que pode ser impactante para o resto da escola. É de facto um projeto-piloto, laboratorial, acompanhado por todos, inclusivamente pelos pais mas que achamos que nos vai dar dados para permitir depois expandir para as restantes turmas”, explicou Ana Mira Vaz.

Retirar exclusividade ao professor

No essencial trata-se de pôr os professores a trabalhar em equipa, “permitindo aos alunos assumirem um papel essencial na condução da sua própria aprendizagem. No limite, se me perguntar: Onde é que nos vemos daqui a dez anos, por exemplo? Imagino um aluno adolescente de 13 anos, em vez de chegar à escola e se sentar na sala de aula e perguntar: Então professor o que é que vamos fazer hoje? É ele próprio que traz um projeto que foi obviamente preparado”.

Seguem-se as propostas dos currículos em vigor, mas a opção é sempre pela personalização das respostas educativas que implica liberdade para dar destaque a áreas curriculares de relevância para a formação dos alunos.

O projeto pioneiro teve início este ano letivo. A ideia é “puxar” o aluno para o centro da aprendizagem e para a responsabilidade de aprender. Na prática, trata-se de evitar que seja o professor a conduzir, em exclusivo, todo o processo de aprendizagem do aluno.

“Para isto, é preciso mudar práticas, é preciso encontrar as metodologias adequadas e é preciso os professores acreditarem e estarem capacitados para o fazer. Portanto, tem sido um investimento ao longo destes anos, neste processo. Começámos no pré-escolar, no primeiro ciclo. Os alunos vão chegando cada vez mais habituados a esta forma de trabalhar e de aprender e a primeira fornada estava agora a chegar ao 5.º ano”, explicou à RTP a diretora do 2.º ciclo do Colégio Pedro Arrupe.

Margarida Chambel fala com otimismo desta nova forma de organizar as aulas, em que o aluno “sai cansado do trabalho que fez” e o Ministério da Educação “confirma” que cabe à equipa pedagógica que está responsável por conduzir um grupo de alunos, encontrar os melhores modos de concretizar os seus objetivos.

“Estamos a fazer uma tabela para depois fazermos um desenho e o que está no quadro é o guião de autorregulação que é para nós sabermos o que é que temos que fazer e quais são os objetivos desta unidade (…) É muito bom para depois sabermos o que é que nós já sabemos e o que é que ainda temos que trabalhar melhor”, explicou Pilar Costa, uma das alunas do 5.º ano contempladas com o novo projeto.

Uma ideia partilhada também pela Francisca Oliveira: “Gosto porque isso ajuda-nos a fazer a nossa autocorreção para sabermos o que devemos estudar mais, o que é que errámos mais e a que é que temos de estar mais atentos”.

“Há aqui uma coincidência feliz que o Ministério da Educação de facto começa a permitir que as escolas encontrem os melhores modos de ensinar, de fazer aprender os seus alunos. Os contextos são variados, a equipa que está responsável pela gestão das aulas também é diferente”, salienta ainda a responsável pelo 2.º ciclo.

Uma das novidades é que deixa de haver um conjunto tão restrito de professores a lidar com o aluno. “Deixa de haver a monodocência, alargam-se as disciplinas”.

Manuais escolares, cadernos de atividades ou livros de fichas são, numa boa parte das escolas, a soma de um resultado que está longe de ser neutro.

5.º ano sem manuais

O peso exagerado das mochilas – quase 50 mil pessoas já assinaram uma petição – continua a ser um motivo de grande preocupação para pais e encarregados de educação.

Para felicidade da Francisca, da Pilar, da Madalena ou do David, o digital entrou para dentro da sala de aula. E, por isso, pela primeira vez o 5.º ano de escolaridade não tem manuais.

“Os professores vão-nos inscrevendo nas várias disciplinas. Metem lá várias fichas e várias informações. Na disciplina de oficinas e religião, o professor já meteu uns jogos sobre o que nós trabalhámos e depois respondemos às perguntas (…) Gosto de trabalhar na plataforma porque é mais divertido e não andamos com tantos manuais e tantas coisas na mochila”, explicou Pilar Cruz, entusiasmada.

“A equipa pedagógica que está responsável por conduzir o ano tem as melhores condições para encontrar os recursos mais adequados para que os alunos aprendam. Então, substituímos de facto o manual. Não temos nada contra os manuais, pelo contrário, as salas têm vários manuais relativos a cada disciplina. São também uma fonte importante de pesquisa e de trabalho mas substituímos o manual individual do aluno por um conjunto de recursos que alocamos numa plataforma digital, daí a importância de cada um ter o seu computador”, explica Margarida Chambel.

Os alunos têm assim acesso aos conteúdos não só no espaço de sala de aula mas também em casa. Há ainda a possibilidade de alargar esses recursos, com indicação de sites que o professor reconhece que são adequados para explorar determinado assunto, pequenos vídeos e até trabalhos de colegas de outras turmas.

As tecnologias entram na sala de aula como uma possibilidade de ferramenta de trabalho e juntam-se às mais tradicionais.

Há a possibilidade de haver uma grande diversidade de recursos que estão “mais próximos” daquilo que são os veículos que os alunos usam no seu dia-a-dia. “Não só tablets, computadores individuais mas também os telemóveis, que hoje fazem parte do conjunto de apetrechos que são fundamentais à saída de casa.

“Não é honesto perceber que afinal não aprendeu nada”

A abordagem da avaliação também é vista de outro modo. O aluno tem a possibilidade de a cada momento saber qual é o seu ponto de situação relativamente aos conhecimentos, aos objetivos de determinada disciplina ou conjunto de disciplinas.

“Aquela coisa de adiar para a data do teste formal, que se passa dois meses depois da matéria ter começado a ser trabalhada, não faz nenhum sentido. É ingrato. Não é honesto perceber que afinal [o aluno] não aprendeu nada e está cheio de dúvidas”.

Margarida Chambel acredita, portanto, que em cada momento é possível saber que tipo de erros se estão e se o aluno está ou não longe da meta a atingir. “Esta avaliação que é regular, que faz parte da naturalidade de quem acompanha o trabalho de aprendizagem, este feedback que o aluno recebe, não invalida que não tenham também os momentos mais formais de avaliação com instrumentos que devem ser também os mais diversificados possíveis”.

E acrescenta: “Não precisamos dos testes para saber que nota é que o aluno merece no final do período. Isto no fundo é uma lógica que não tem grande sentido. Portanto, fazemos a avaliação sumativa, o seu trabalho resulta de facto numa atribuição que é um indicador do tipo de investimento que fez mas é uma referência que o professor e o aluno, em qualquer altura, do percurso têm noção. Ou seja, se o trabalho que está a desenvolver está mais próximo de um três ou se está mais próximo da excelência”.

Se uns defendem que é pelo treino e pela repetição que as crianças chegam ao conhecimento outros consideram que as crianças precisam é de brincar, pois é aí que puxam pela criatividade e imaginação.

 Sala de aula, o “espaço predileto” para trabalhar

“Nada contra [aos trabalhos de casa] se houver interesse para que o aluno aprenda melhor. Sempre que necessário, sem problema nenhum (…) Nesta lógica de diferenciação que é uma palavra-chave hoje em dia na escola, não temos nada contra o ter que prolongar um bocadinho para além do tempo de trabalho em aula, a necessidade de recuperar aqui alguma coisa que não esteja tão bem mas temos a preocupação para que seja na aula. Esse deve ser o espaço predileto e essencial para a aprendizagem e que o resto do dia possa ser para desenvolver tudo aquilo que sabemos que faz parte de uma construção saudável da pessoa”, salienta Margarida Chambel.

Numa altura em que todos procuram uma escola que permita aos alunos aprenderem melhor, com mais sentido e naturalidade, os professores vão encontrando novas formas de concretizar as experiências.

“Portanto, o pioneiro, às vezes é esta sensação de estamos a encontrar este caminho e é bom se puder servir de inspiração a outras escolas. Pioneiro no sentido de que não estamos, não sentimos que seja honesto, apesar do bom trabalho que vamos fazendo, estagnarmos aí. É um desafio que qualquer escola hoje em dia deve andar atrás porque o mundo não para. Os alunos vão mudando, o mundo vai mudando e a escola tem este dever de honestidade de ir correspondendo”, explica Margarida Chambel.

Não há fórmulas únicas e perfeitas, mas o perfil do aluno do século XXI está traçado: ser perseverante perante as dificuldades, querer aprender mais e desenvolver o pensamento crítico.

O novo Perfil do Aluno entrou em vigor em julho deste ano com uma “matriz comum para todas as escolas”. Passa por promover de modo sistemático e intencional, dentro e fora da sala de aula, atividades que permitam aos alunos fazerem escolhas, confrontarem pontos de vista ou tomarem decisões. Um documento há muito esperado pelas escolas.

“Não podemos educar pessoas do pescoço para cima”

“As certificações constituem marcos de referência no percurso dos alunos. São sem dúvida muito importantes mas há este perfil que se quer formar nas crianças quer do público quer do privado. Este ano têm sido dados passos muito importantes na aproximação dos dois tipos de estrutura porque o trabalho é comum”.

A responsável pedagógica considera que todo o trabalho é feito pela escola pública. “A palavra certa seria escola estatal por oposição a escola privada porque escola pública somos todos. Pertencemos a uma rede pública de educação que presta serviço às famílias em Portugal”.

Para Ana Mira Vaz tem sido difícil para o Estado criar escolas com personalidade própria. “Nós prestamos o serviço que qualquer outra escola presta ao nível das aulas, da certificação, das habilitações mas a maneira como isso é feito é que deve ser fruto de uma reflexão interna, feita na escola. Deve ser adequada àquele contexto, em função daquilo que a própria escola define como o seu horizonte de concretização”.

Ana Mira Vaz considera que “não podemos apenas educar as pessoas do pescoço para cima, que foi o que as escolas infelizmente fizeram durante muito tempo. Temos que educar todo o corpo, a sensibilidade, a consciência, o transcendente, toda a componente física, sensorial e motora que é tão importante nos dias de hoje”.

vídeos da reportagem no link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/sem-manuais-com-tablets-skates-e-muita-criatividade-a-escola-esta-a-mudar_es1037198

 

 

 

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Dois terços dos alunos carrega mochilas com demasiado peso

Setembro 12, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.publico.pt/ de 29 de agosto de 2017.

Lusa

O peso é carregado por alunos sujeitos a uma carga horária que pode chegar a nove horas, sem contar com o percurso entre a casa e a escola.

Dois terços dos alunos portugueses carregam às costas mochilas demasiado pesadas, que podem atingir 11 quilos com todos os livros e material necessário, segundo a associação Deco Proteste, que analisou seis escolas públicas e privadas da Grande Lisboa.

No estudo, publicado no número de Setembro da revista Proteste, aponta-se os riscos para a saúde de tanto peso a que estão sujeitos corpos cujos ossos ainda estão a formar-se, nas idades entre os 10 e os 13 anos.

O caso mais extremo de excesso de peso encontrado foi o de um rapaz de 11 anos que transportava 11 quilos, mais de um terço do seu peso corporal, o que é três vezes mais do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

A Deco vai pedir uma audiência à comissão parlamentar de Educação e Saúde, a quem enviará os resultados do estudo.

Uma petição com 48 mil assinaturas pedindo medidas para reduzir o peso das mochilas está já a ser analisada na comissão.

A investigação, conduzida em Março deste ano, centrou-se em 174 alunos, 66% dos quais tinham peso a mais nas mochilas, percentagem superior aos 53% encontrados no estudo semelhante anterior, feito em 2003.

As cargas mais intensas, representando 20% do peso corporal de quem as carrega, também são mais frequentes: aumentaram de 4,5% em 2003 para 16% este ano.

Para além dos livros necessários a cada disciplina, alguns dos quais com muito pouco uso, o que enche as mochilas são cadernos, dossiês, estojos, carteiras, chaves, roupa e calçado para Educação Física, enumera um aluno entrevistado pela Proteste.

Este peso é carregado durante todo o dia várias vezes por alunos sujeitos a uma carga horária que pode chegar a nove horas, sem contar com o percurso entre a casa e a escola.

A Deco apela à tutela, às editoras e às escolas, defendendo medidas como mais conteúdo digital na educação, livros em fascículos ou instalação de cacifos. Aos pais, pede-se um olhar atento para distinguir o que é mesmo necessário nas mochilas, que devem ir à balança antes de saírem de casa.

 

 

 

Com a casa às costas: O que levam os alunos dentro das mochilas?

Julho 12, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.educare.pt/ de 28 de junho de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

O peso das mochilas escolares: contributos para uma reflexão fundamentada

Cada criança deve levar na mochila cerca de 10% do seu peso. Um relatório do Observatório de Recursos Educativos (ORE) sugere várias medidas para resolver o problema, desde a atribuição de uma sala a cada turma à divisão dos manuais escolares em fascículos.
Andreia Lobo

O que levam as crianças nas mochilas? Manuais, cadernos, estojos, o lanche e talvez um ou dois spinners. O peso que carregam é muitas vezes considerado excessivo. Quando assim é, as crianças e os adolescentes, tal como acontece com os adultos, podem sofrer de dores nas costas, alterações da marcha e postura incorreta. Em 2009, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrava-se preocupada com este fenómeno. Alertava que o peso da mochila não devia ultrapassar os 10 a 15% do peso da criança e adolescentes.

Uma reportagem da RTP mostrava, na mesma altura, que no 7.º ano os alunos chegavam a carregar diariamente cerca de sete quilos de material escolar. Sendo certo que à medida que a escolaridade progride, e as disciplinas vão aumentando, também se avolumavam livros e cadernos. Ao ponto da OMS considerar o excesso de peso nas mochilas um problema de saúde pública. O debate não é novo, nem exclusivo. Outros países questionam que medidas adotar para aliviar os alunos.

Mas voltemos à pergunta inicial. O que levam as crianças nas mochilas? Gonçalo, 10 anos, aluno do 4,º ano do ensino público, dá uma longa resposta. “Levo o caderno diário de Português, o caderno diário de Matemática, o manual de Estudo do Meio, o manual de matemática, o manual de português, levo três estojos, um livro, a sebenta, a lancheira e outras coisas…” A meio da listagem, Gonçalo pede uma pausa. Vai verificar dentro da mochila se não esquece nada. “Não levo os manuais todos os dias, só quando é preciso, mas normalmente levo sempre o de Português e o de Matemática e os dois cadernos…”, retifica, depois a lista continua: “Levo a caderneta, o Dicionário de Português, se tiver de fazer alguma ficha de português…” Os cadernos de exercícios entram no rol de passageiros “só quando é preciso corrigir os trabalhos de casa”.

Quando fecha a mochila, o peso rondará os quatro a cinco quilos, contas feitas a olho, pela mãe. Independentemente do peso, Gonçalo acaba por não andar muito carregado. De manhã, a mãe leva-o de carro. A mochila vai também no banco de trás. No final das aulas é pior. A avó vai buscá-lo a pé. Dez minutos de percurso, da escola à casa da avó, mas Gonçalo vai de “mãos livres”. “A minha avó queixa-se que a mochila é pesada, até diz que só queria ter aquele peso em dinheiro!”, graceja.

Muitos dos cadernos A4 que os alunos utilizam não chegam até ao fim. Se isso fosse levado em conta, a lista de material talvez pudesse ser encurtada. No relatório “O peso das mochilas escolares: contributos para uma reflexão fundamentada”, publicado este mês, Adalberto Dias de Carvalho e Nuno Fadigas, investigadores do Observatório dos Recursos Educativos, chamam a atenção precisamente para “o material escolar excedentário” que alunos e jovens carregam para a escola. Estojos e cadernos escolares “que não raramente terminam a sua vida útil com pouco mais de um quarto de páginas utilizadas”. Também é comum as crianças levarem nas mochilas objetos que nada têm a ver com a escola.

A maior fatia do peso continua, no entanto, a ser a dos manuais escolares Quando se avança para a hipótese de substituir os vários manuais por tablets com versões e-book, a dupla de investigadores recomenda “especial cautela”. Porquê? Por um lado, porque o sedentarismo, a falta de exercício, o número de horas passadas em frente à TV ou ao computador são outros fatores que concorrem com as mochilas para a má postura física de crianças e jovens.

Por outro lado, a aprendizagem feita através de plataformas digitais permanece envolta em condicionantes, como mostrava em 2015 o estudo “Students, computers and learning: making the connection”, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), evidenciando que os sistemas educativos ainda não tinham conseguido criar pedagogias de ensino e aprendizagem que permitissem tirar o melhor proveito da tecnologia.

Legos, bonequinhos e livros
Rafael, 10 anos, a frequentar o 4.º ano no ensino privado, prepara a mochila sozinho. Antes de correr o fecho, a mãe dá quase sempre uma espreitadela. Não são raras as vezes em que se vê forçada a retirar alguma “tralha”. O que leva o miúdo para a escola? “Tudo, se puder leva tudo!”, responde Marta Oliveira fazendo uma breve listagem: “Legos, bonequinhos pequeninos, livros para ler, desenhos soltos, quando era mais pequeno levava também carrinhos…” A propósito do item “livros”, a mãe refere que a professora – “e muito bem” – põe as crianças a ler. Por isso, Rafael enche também a mochila com livros de histórias para usar nesses momentos de leitura.

Além dos brinquedos, dos manuais, cadernos e dos livros, há que contabilizar o lanche e a garrafa de água. Uma vez por outra, durante uma vistoria ao conteúdo da mochila, Marta encontra uma circular da escola perdida no meio da papelada. A mochila, serve para Rafael transportar “uma verdadeira lixeira”, ironiza. Mesmo no final do ano letivo, Marta acredita que a mochila pese à volta dos cinco quilos. Rafael pesa 38 quilos.
Uma investigação realizada em 2013 em Espanha, com crianças de 8 a 10 anos, a frequentar o 3.º e o 4.º anos, concluía que “o peso excessivo resulta da falta de supervisão do aluno sobre o material que necessita para a aula”. Os investigadores verificaram como alunos da mesma turma chegam a transportar mochilas com diferenças de peso até 4,2 quilos. Quando abriram as mochilas detetaram algumas situações passíveis de serem corrigidas.
Um erro frequente era o uso de mochilas de grande proporção. Ou seja, com tanto espaço para “meter coisas”, tudo cabia na mochila. Alguns alunos levavam para a escola manuais de disciplinas que não tinham aula nesse dia. Ou estojos com materiais não pedidos pelos professores. E, mesmo dicionários de língua espanhola e estrangeira que, segundo os investigadores, deveriam permanecer na sala de aula.

Adalberto Dias de Carvalho e Nuno Fadigas avançam com algumas recomendações sobre como aliviar o peso das mochilas. Na escola, a atribuição de uma sala fixa por turma, um cacifo por aluno, horários capazes de minimizar as solicitações de material escolar por dia. Logo no início do ano, dizem os autores, deve ser enviada aos pais uma lista não apenas com o material, mas com o seu escalonamento temporal.

Outra das medidas passa por esclarecer os encarregados de educação sobre como ajudar as crianças e os jovens a “preparar a mochila”, sobretudo nos 1.º e 2.º ciclos. Os autores sugerem ainda uma contenção dos TPC de modo a que não obrigam ao transporte dos manuais para casa, o uso de uma balança na sala de aula, para autorregulação do peso carregado. Mas também a valorização da disciplina de Educação Física, como forma de criar hábitos e posturas mais saudáveis.

O relatório do ORE sugere ainda às editoras uma mudança de formato no fabrico dos manuais. E sugere a divisão dos manuais escolares em fascículos e o uso de papel com uma gramagem mais leve. As recomendações estendem-se aos fabricantes de mochilas, pedindo-se uma “valorização prioritária dos aspetos ergonómicos”.

Às costas ou pelo chão?
Por muita variedade de cores, tamanhos e formatos, no que toca às mochilas escolares, existem apenas duas opções: mochila para carregar às costas ou para mover pelo chão com rodas. O ORE encontrou uma vasta revisão de literatura sobre as vantagens e desvantagens destas duas opções. As evidências sugerem que o uso dos carrinhos escolares tem como consequência um aumento do peso carregado.

Os resultados de uma investigação feita no ensino privado, publicada na Revista Brasileira de Fisioterapia, publicada em 2008, mostravam crianças a transportar nas suas mochilas carrinho cargas superiores a 10 quilos quando o material de uso diário exigido pelos professores não ultrapassava 1,5 quilo. Uma situação alterada através de um programa de educação postural, aplicado em 129 escolas, nos 4.º e 5.º anos de escolaridade, ter sensibilizado alunos e professores para os cuidados a ter com a coluna vertebral.

A pouca maleabilidade das rodas, por exemplo, quando é preciso subir e descer escadas, condiciona a utilização destes carrinhos. Apesar de ser a opção considerada menos prejudicial. Até agora, Rafael usava a mochila carrinho, por recomendação expressa do pediatra. “Se usasse mochila normal, com as coisas que ele leva atualmente para a escola, era bem possível que ao pô-la aos ombros caísse para trás”, constata.

Em 2014, a BackCare, uma organização sem fins lucrativos que alerta para o conhecimento das lesões na coluna, conduziu uma pesquisa nacional no Reino Unido entre um grupo considerado de risco, crianças de 11 e 12 anos de idade. Em média, as crianças carregavam mochilas com 13% do seu peso, em alguns casos com 60%. Além do peso, os investigadores verificaram que as crianças carregam mal a mochila, usando apenas a alça num dos ombros.

No próximo ano letivo, Rafael vai deixar as “rodas” e usar a tradicional mochila às costas. Talvez por uma questão de moda. Talvez porque o miúdo já se sinta crescido o suficiente para um modelo de mochila que julga ser mais “de adulto”. Seja qual for a razão, o pediatra já fez saber que a nova mochila deverá “obrigatoriamente” ser carregada nos dois ombros.

 

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas”

Março 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

A tese de mestrado citada no texto é a seguinte:

Transporte de cargas em populações jovens : implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares

snews

Petição sobre o excesso de peso das mochilas escolares já tem mais de 38 mil assinaturas. Signatários pedem legislação nesta matéria, balanças digitais nas salas de aulas, cacifos para todos os alunos, livros mais finos e conteúdos concisos. Editores escolares estão disponíveis para colaborar.

Sara R. Oliveira

O peso excessivo das mochilas que as crianças levam para a escola é uma situação que preocupa muita gente. E não é de agora. Neste momento, há uma petição pública dirigida à Assembleia da República para que se pare e se pense no assunto. Pede-se a intervenção do Parlamento para que, com urgência, haja legislação sobre esta matéria. “É consensual entre os especialistas de todo o mundo que as mochilas escolares não devem ultrapassar 10% do peso de quem as transporta. E porquê? Porque as crianças que transportam regularmente peso excessivo às costas são as que têm mais probabilidade de desenvolver deformações ao nível dos ossos e dos músculos. Quanto mais pesada for a mochila, maior probabilidade de problemas de saúde terá”, lê-se na petição que tem mais de 38 mil assinaturas e, por isso, pode ser discutida pelos deputados.

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas” é o mote do texto que defende várias mudanças para “resolver este grave problema de saúde pública”. Pede-se às escolas que pesem as mochilas das crianças semanalmente, para “avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam”. Pede-se que cada sala de aula tenha uma balança digital. Escolas públicas e privadas devem disponibilizar cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos na escola, de modo a aliviar o peso das mochilas.

Os signatários pedem uma legislação definitiva que torne claro, e obrigatório, que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, como sugerido por associações europeias e americanas, entre elas a Organização Mundial da Saúde. E havendo a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, pede-se às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares que criem livros “com papel mais fino, de gramagem menor, ou divididos em fascículos retiráveis segundo os três períodos do ano”. E, além disso, que os conteúdos dos manuais sejam “o mais concisos e sintéticos possível”, para ficarem com menos peso e volume.

Os editores escolares estão solidários com esta preocupação, disponíveis para colaborarem na definição de soluções, empenhados em “minimizar ao máximo as consequências negativas no presente e no futuro dos alunos portugueses”. “Os editores escolares estão muito atentos ao problema e têm investido bastante na procura das melhores soluções no que diz respeito aos manuais”, adianta, em comunicado, a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.

Já há trabalho feito. “Ao longo dos últimos anos, os editores escolares tomaram algumas medidas como a divisão de alguns dos seus manuais em dois ou três volumes, pese embora isso constitua um acréscimo adicional nos custos de produção que não se reflete no preço final dos livros escolares”. “Os editores têm investido também noutras soluções para além da criação de volumes, tais como o tipo de papel, utilizando papeis mais leves, sem nunca afetar a qualidade dos manuais e a sua utilização plena, nomeadamente, no que concerne à leitura”, acrescenta a APEL no comunicado.

Gramagem e soluções informáticas

“Sendo um dos objetivos da Direção-Geral da Saúde e do Ministério da Saúde a promoção da saúde e a prevenção de doenças, esta deverá ser uma área de investimento, para garantir que as crianças de hoje sejam os adultos/profissionais de amanhã, e contribuam para a sustentabilidade económica do país”, lê-se na petição dirigida à Assembleia da República. O ator e encenador José Wallenstein é o primeiro signatário desta petição subscrita pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e várias organizações médicas, como a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral.

Há várias perguntas na petição. Quantos mais estudos precisam de ser feitos? Quantas mais evidências científicas serão necessárias? Quantos mais problemas de saúde as crianças têm de desenvolver? Quantas mais campanhas terão de ser implementadas? Quantos mais planos ficarão no papel? Diretores de escolas e pais foram ouvidos nesta questão e defendem uma aposta nos livros digitais e aumento do número de cacifos nas escolas. “Todos os dias recebo os meus alunos à entrada da aula e, por vezes, pego nas mochilas e são pesos descomunais, sobretudo ao nível dos mais pequenos, que têm medo de ter falta de material. Acho que devemos ter cuidado com a saúde dos nossos alunos”, refere Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa. A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) defende o suporte digital, cacifos para os alunos guardarem material e um modelo de trabalho que tenha em consideração o peso excessivo nas mochilas.

Antes das perguntas, apresentam-se estudos e respetivas conclusões nessa petição. Em 2003, mais de metade das crianças do 5.º e 6.º anos de escolaridade, 53% mais precisamente, transportavam peso a mais nas mochilas. E 61% dos alunos com 10 anos de idade transportavam cargas excessivas, tal como 44% dos estudantes com 12 anos. Estas foram as conclusões de um estudo da DECO e da revista Proteste em que foram pesadas 360 crianças e respetivas mochilas em 14 escolas públicas e privadas do país. “A pior das situações, refere aquela revista, foi verificada para uma criança de 11 anos, com 32 kg, que transportava uma mochila de 10! O ideal seria que esta criança não carregasse mais de 3,2 kg”, exemplifica-se na petição. “Independentemente da idade dos alunos, o estudo acrescentou que a percentagem de mochilas com peso a mais era maior nas escolas privadas do que nas públicas”.

Depois das conclusões do estudo, pediram-se intervenções. Apelou-se ao então Ministério da Educação, às escolas e às editoras, que unissem esforços para se chegar a um acordo quanto à gramagem do papel utilizado nos livros escolares e sobre a distribuição do programa dos vários manuais em CD-ROM, ou utilizando outras soluções informáticas. Apelou-se às escolas para que distribuíssem mais aulas por semana de forma a evitar a sobrecarga entre os alunos. E apelou-se aos pais para que verificassem, juntamente com os filhos, se as mochilas não teriam objetos desnecessários, e que as ensinassem a arrumá-las de maneira mais conveniente.

Dores nas costas

Em 2009, uma tese de mestrado realizada no âmbito do curso de Engenharia Humana, na Universidade do Minho, revelava que quase dois terços dos alunos se queixavam de dores por causa do peso que carregavam. O trabalho intitulado “Transporte de cargas em populações jovens: implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares” demonstrou que a maioria dos alunos envolvidos na pesquisa tinha alterações posturais relacionadas com a carga excessiva do material escolar. Foi avaliada a incidência de desvios posturais em estudantes dos 6 aos 19 anos, 54 rapazes e 46 raparigas, em escolas públicas e privadas, envolvendo uma amostra de 136 alunos de vários ciclos de ensino. Nesta investigação, verificou-se, por exemplo, que a hiperlordose lombar afetava 69% dos estudantes, a antepulsão dos ombros 59% e a projeção anterior do pescoço 49%, motivando queixas de dor.

“As crianças são os profissionais de amanhã. As crianças que transportam hoje mochilas muito pesadas começam cedo a ter problemas de coluna, sendo alguns dos mais conhecidos a hiperlordose lombar, a hipercifose torácica, a escoliose, as hérnias discais, entre outras ocorrências”. A petição deixa um aviso: “As crianças de hoje, adultos de amanhã, representarão gastos ao Estado, tanto no que respeita a consultas médicas e/ou de especialidade, que poderão prolongar-se por vários anos, como no que concerne a baixas médicas e abstenção profissional”.

Segundo a petição, há outras pesquisas que indicam que 80% das crianças, dos 8 aos 10 anos, já se queixaram de dores nas costas. O texto lembra ainda a campanha “Olhe pelas suas Costas”, criada em 2013, pela Sociedade Portuguesa de Coluna Vertebral, com apoio científico de associações de doentes e sociedades médicas. Um estudo, realizado no âmbito dessa campanha, indicava que 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida, de alguma forma, pelo facto de terem dores nas costas e que mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho, por ano, precisamente por este motivo.

 

 

A escola está a mudar. Tablets e TPCs diferentes aliviam costas dos alunos

Fevereiro 17, 2017 às 7:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 15 de fevereiro de 2017.

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José Wallenstein.”Não estava à espera desta mobilização. Tem sido galopante”

Fevereiro 16, 2017 às 10:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 15 de fevereiro de 2017.

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Petição. Partidos vão fazer lei contra mochilas pesadas

Fevereiro 9, 2017 às 12:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://ionline.sapo.pt/de 7 de fevereiro de 2017.

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Ana Petronilho   

Pais e escolas defendem manuais escolares digitais. Solução está prevista no programa de governo e está a ganhar força entre os partidos que vão apresentar iniciativas no parlamento.

As mochilas dos alunos com quatro ou cinco quilos de peso e 12 manuais têm os dias contados. Os partidos com assento parlamentar vão apresentar na Assembleia da República recomendações e projetos-lei para evitar que os alunos do básico e secundário continuem a carregar todos os dias nas mochilas os manuais escolares, os livros de fichas, os cadernos, os estojos e o equipamento para as aulas de Educação Física.

O mote chegou com a petição pública contra “o peso excessivo das mochilas em Portugal” que, em menos de um mês, até ontem, à hora de fecho desta edição, tinha reunido mais de 22 mil assinaturas. Está garantida assim a discussão obrigatória do assunto em plenário e a possibilidade de os peticionários apresentarem uma solução para o peso das mochilas. Será nessa altura que os partidos que dizem estar “preocupados” com o assunto vão avançar com soluções para o problema, sendo esta uma das queixas “mais recorrentes dos pais”.

Manuais digitais em ascensão

Um dos caminhos que está a ganhar força é a transição do manual escolar em papel para o formato digital. Além de ser defendido pelas escolas, pais e partidos ouvidos pelo i, esta é também uma das medidas previstas no programa de governo.

No documento lê-se que o executivo pretende “conceber e implementar uma estratégia de recursos digitais educativos que promovam a criação, disseminação e utilização de conteúdos digitais no processo de aprendizagem, assente em comunidades de prática com autores, produtores, professores, alunos e pais”. A aposta do digital na educação é, aliás, uma das bandeiras dos governos socialistas. Foi durante o governo de José Sócrates que o Ministério da Educação distribuiu computadores aos alunos do 1.o, 2.o e 3.o ciclos, os Magalhães e os E.escolinhas.

Ao i, a deputada socialista Odete João diz que o partido “vai ponderar as soluções tendo em conta o programa de governo”, assumindo que “temos de caminhar no sentido do digital”, até porque um tablet “é muito mais leve” e suporta “informação muito mais variada”. No entanto, sublinha Odete João, terá de continuar a “existir um equilíbrio entre o digital e o papel” de forma a “garantir o acesso do aluno ao manual escolar”.

Até porque, acrescenta a deputada do CDS Ana Rita Bessa, “nem todas as famílias podem fazer o investimento no tablet”. Por isso, os centristas, que dizem ser “profundamente crentes na conversão para o digital”, entendem que cabe ao governo legislar nesse sentido. O que não impede que o CDS venha a apresentar recomendações ao Ministério da Educação, lembrando que “é também necessário que os professores saibam trabalhar com os suportes digitais”.

Também o PSD – que já apresentou recomendações ao governo para a aposta no digital – defende que se “deve olhar para essa solução com mais atenção”. O deputado Amadeu Albergaria diz que o partido vai aproveitar a discussão da petição em plenário para apresentar “soluções legislativas e ações de sensibilização” para evitar o peso excessivo das mochilas.

Esta posição também é partilhada pelos comunistas, que dizem estar a discutir a solução a nível interno, e pelo Bloco de Esquerda, que prevê que “mais tarde ou cedo vamos ter de trabalhar na aposta do digital”, como refere ao i a deputada Joana Mortágua, que salienta que esta transição terá de ser feita de forma “gradual e com calma para que os alunos se adaptem”.

Também os pais e as escolas defendem que esta seria uma “boa solução” para os alunos, não deixando de avisar que há “muitas escolas que não estão preparadas” para essa transição. “A internet é lenta e os computadores não são renovados desde 2008”, refere o presidente da Associação Nacional dos Diretores Escolares (ANDE), Manuel Pereira.

“Não tenho nenhuma dúvida de que as crianças se sentem mais estimuladas com um tablet. É tempo de encontrar caminhos e soluções inovadoras no ensino”, diz ao i Jorge Ascensão, presidente da Confederação de Pais (Confap), signatária da petição.

Cacifos podem ser alternativa

Além da aposta nos manuais digitais, outra das soluções apontadas pelos diretores e pelos pais passa por dotar todas as escolas de cacifos. Desta forma, os alunos deixariam na escola os manuais e transportavam para casa apenas os cadernos e os livros de fichas necessários para fazer os trabalhos de casa. “Temos consciência da brutalidade do peso das mochilas, principalmente nos alunos do 5.o e 6.o ano”, refere ao i o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima. “São poucas as escolas com cacifos, só têm as que foram requalificadas pela Parque Escolar. A maioria não tem”, sublinha Filinto Lima. Para contornar o problema, as escolas têm vindo a “manter o mais possível as turmas nas mesmas salas”, explica Manuel Pereira. Desta forma, os alunos conseguem deixar o material na sala de aula.

Editoras preparadas para o digital As editoras dizem estar preparadas para a transição do livro em papel para o digital. Lembrando que há já “muitos professores que trabalham com as aulas e os quadros interativos”, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) diz que “essa transição já começou”.

E esta tem sido uma das apostas da Leya e da Porto Editora, que têm hoje “todos os manuais de todos os anos de escolaridade disponíveis, para alunos e professores, tanto em formato digital como em papel”, diz ao i fonte oficial.

Além disso, sublinha a mesma fonte, este ano letivo foram lançados os manuais híbridos. Trata-se de livros que podem ser consultados pelos alunos através do telemóvel.

Quanto ao peso das mochilas, a APEL diz que as editoras têm vindo a “contribuir para aliviar” a carga dos alunos, lembrando que têm vindo a dividir os manuais em dois ou três volumes e a utilizar papéis mais leves.

 

Petição contra peso excessivo das mochilas já foi assinada por mais de 16 mil portugueses

Fevereiro 9, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornaleconomico.sapo.pt/de 6 de fevereiro de 2017.

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Mariana Bandeira

Baseando-se no estudo da Deco que concluiu que 53% das crianças transportavam mochilas com uma carga acima do recomendável pela Organização Mundial da Saúde, várias personalidades e instituições portuguesas assinaram uma petição a pedir medidas urgentes.

O ator José Wallenstein foi o primeiro signatário, mas a ele juntaram-se vários médicos fisiatras, a jornalista Cláudia Pinto e diversas instituições ligadas ao ramo da saúde. Mais de 16 mil portugueses já assinaram uma petição contra o peso excessivo das mochilas escolares em Portugal, lançada no dia 16 de janeiro.

De acordo com um estudo realizado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco), em 2003, mais de metade das crianças do 5º e 6º anos de escolaridade transportam peso a mais nas mochilas.

“Passaram 13 anos desde este estudo. (…) Não estará na mesma, talvez, a maior consciencialização e sensibilização através dos meios de comunicação social, pois a cada ano letivo surgem novos alertas sobre esta situação. Mas todos sabemos que isso não é suficiente. Não chega”, escrevem os autores da petição, da qual fazem parte a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e a Confederação Nacional das Associações de Pais.

A investigação da Deco concluiu 53% das crianças que participaram no trabalho transportavam mochilas com uma carga acima do recomendável pela Organização Mundial da Saúde, superior a 10% do seu próprio peso, sendo que 61% dos estudantes com dez anos de idade carregavam malas com peso excessivo e 44% das de 12 anos também.

O desfecho da análise da Deco levou a que este grupo de personalidades e instituições portuguesas a urgir alterações legislativas. Uma das principais medidas que propõem é que que se crie legislação no sentido de definir que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, tal como o sugerido por associações europeias e americanas, requerendo ainda que se trate o assunto com urgência.

As outras sugestões dos signatários (atualmente 16.631) são as seguintes:

  • Obrigatoriedade de as escolas pesarem as mochilas das crianças semanalmente, de forma a avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam. Para tal, cada sala de aula deverá contemplar uma balança digital, algo que já é comum em muitas escolas, devendo ser vistoriada anualmente.
  • Que as escolas públicas e privadas de todo o país disponibilizem cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos, de modo que possam deslocar-se entre as suas casas e a escola com menos peso.
  • Podendo existir a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, exigir às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares o seguinte: manuais com papel mais fino ou divididos em fascículos retiráveis e conteúdos mais concisos e sintéticos, de modo a diminuir o volume e o peso dos livros.

 

 

Cuidado com as mochilas escolares!!

Novembro 21, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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LoureSaúde Fisioterapia

Cuidado com as mochilas escolares!! Mais de metade das crianças em idade escolar transporta peso a mais nas suas mochilas. O peso da mochila não deve ultrapassar 10% do peso de quem a transporta. Isto significa que uma criança de 35 a 40 kg não deverá carregar às costas mais do que 3,5 a 4 kg. Não respeitar esta regra pode provocar alterações posturais preocupantes, bem como dores, desconforto e alterações na marcha sendo as zonas mais afectadas são a coluna vertebral, os pés e as ancas. Um estudo realizado em Portugal constatou que as crianças mais novas são as mais afectadas: 61% dos estudantes com 10 anos transportavam cargas excessivas, o mesmo acontecendo a 44% com 12 anos. Existem algumas regras de ouro no que diz respeito à arrumação e transporte das mochilas:

• Os objectos maiores e mais pesados devem ser colocados junto das costas, de forma a repartir melhor o peso e a poupar a coluna;

• A mochila deve ser transportada nos dois ombros e poisá-la sempre que haja oportunidade (por exemplo, nos transportes públicos e quando estão à espera das aulas);

• As alças da mochila devem ser largas e deve fazer-se um correcto ajuste das mesmas: o fundo da mochila deve ficar acima das ancas. Todos somos responsáveis para actuar na PREVENÇÃO dos problemas que surgem associados à utilização incorrecta das mochilas. Se tiver dúvidas esclareça connosco!!

Conselhos para o uso correto da Mochila Escolar

Setembro 16, 2015 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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