Seminário “Crescer: primeiros anos, primeiros despertares” 2 de fevereiro em Cascais

Janeiro 9, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://cadin.net/noticias/355-crescer-primeiros-anos-primeiros-despertares

 

 

Mães que bebem e amamentam podem ter filhos com problemas cognitivos

Agosto 12, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 31 de julho de 2018.

As mães que bebem álcool e amamentam podem ter mais probabilidade de ter filhos com problemas cognitivos do que as que se abstêm durante a amamentação, sugere um estudo australiano. Para estes, os investigadores examinaram os resultados de testes de raciocínio preenchidos por 5107 crianças, bem como questionários preenchidos pelas mães detalhando se, durante a gravidez e fase de amamentação, consumiram álcool ou tabaco.

Assim, os filhos das que beberam apresentaram classificações mais baixas no que se refere a testes de raciocínio não-verbal, entre seis e sete anos. Aliás, os resultados era piores quanto mais as mulheres bebiam, relatam os investigadores da área da pediatria. “A opção mais segura é que uma mãe que amamenta se abstenha de beber álcool até que o seu bebé deixe de mamar”, aconselha Louisa Gibson, da Universidade Macquarie, na Austrália.

Quanto aos filhos de mulheres que fumaram durante o período de amamentação, não se verificou qualquer diferença nos resultados dos exames feitos e comparados com os filhos de mães que não fumaram. “Tal não significa que fumar seja seguro”, salvaguarda Gibson. “Se as mulheres tiverem dificuldade em abandonar o álcool e os cigarros, devem conversar com o seu médico sobre maneiras de reduzir a sua ingestão para minimizar os impactos no bebé”, acrescenta.

Embora a exposição pré-natal ao álcool e à nicotina esteja, há muito tempo, ligada a problemas cognitivos nos mais novos, este estudo traz novas perspectivas sobre os riscos da exposição durante a lactação.

 

 

 

Unicef e OMS alertam: 78 milhões de bebés não são amamentados na primeira hora após o parto

Agosto 10, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 31 de julho de 2018.

Cerca de 78 milhões de bebés (60% do total) não são amamentados na primeira hora de vida, aumentando o risco de morte e de doença, alertaram hoje a Unicef e a Organização Mundial de Saúde num novo estudo.

As organizações notam que a maior parte destes bebés nasce em países de rendimento baixo e salientam que mesmo uma demora de algumas horas na amamentação após o nascimento pode colocar as crianças em risco de vida.

O contacto pele com pele na amamentação estimula a produção de leite nas mães, incluindo o colostro, rico em nutrientes e anticorpos, chamado a “primeira vacina” de um bebé.

As taxas de amamentação na primeira hora após o nascimento são mais altas na África Austral e do Sul (65%) e mais baixas no leste da Ásia e Pacífico (32%), refere-se no relatório.

Em países como o Burundi, Sri Lanka e Vanuatu, 90% dos bebés são amamentados na primeira hora, enquanto no Azerbaijão, Chade e Montenegro, só dois em cada dez são amamentados.

O diretor-geral da OMS, Tedrso Adhanom Ghebreyesus, salientou que “a amamentação é o melhor começo de vida possível” e defendeu que é preciso as famílias, sistemas de saúde, patrões e governos apoiarem as mães para “darem aos filhos o começo que merecem”.

No relatório, chamado “Capturar o momento”, elencam-se razões que fazem demorar o primeiro aleitamento, como diferenças nos cuidados às mães e recém-nascidos.

Em muitos casos, os bebés são separados das mães imediatamente após o nascimento e não é a presença de pessoal qualificado a assistir aos partos que afeta a frequência da amamentação após o nascimento.

Práticas como dar aos recém-nascidos leite preparado, mel ou água açucarada ainda contribuem para adiar o primeiro contacto do bebé com a sua mãe.

Outro fator é o aumento de cesarianas, que em países como Egito mais do que duplicaram entre 2005 e 2014, de 20% para 52%, enquanto a percentagem de bebés amamentados desde logo desceu de 40% para 27%.

Estudos anteriores citados no documento agora divulgado mostram que os recém-nascidos que foram amamentados entre as duas e as 23 horas a seguir ao parto tinham 33% mais riscos de morrer do que os que foram amamentados antes.

Entre os recém-nascidos amamentados a partir do dia seguinte ao nascimento, o risco duplicava.

No relatório apela-se aos governos, doadores e decisores para que adotem medidas legais fortes para restringir a publicidade de leite preparado para recém-nascidos e outros substitutos do leite materno.

Lusa

O relatório Capture the Moment: Early initiation of breastfeeding – the best start for every newborn pode ser consultado no link:

https://www.unicef.org/press-releases/3-5-babies-not-breastfed-first-hour-life

 

 

Conferência Internacional de Aleitamento Materno 2018 – 28 de Setembro no Porto

Agosto 8, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.unicef.pt/o-que-fazemos/o-nosso-trabalho-em-portugal/iniciativa-amiga-dos-bebes/conf-int-am-2018-porto/

 

A amamentação é assim tão importante? O que diz a ciência

Agosto 1, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Getty Images

Texto do Observador de 19 de julho de 2018.

Vera Novais

Os Estados Unidos voltaram a votar contra uma resolução que promove a amamentação e restringe a publicidade às fórmulas infantis. Afinal, é assim tão importante promover o aleitamento materno?

A Assembleia Mundial de Saúde, na reunião que teve lugar em maio deste ano, queria aprovar uma resolução em que se pedia aos governos que “protegessem, promovessem e apoiassem a amamentação” e que reforçasse a aplicação das regras sobre a publicidade e promoção aos produtos substitutos do leite. No início de julho, o jornal norte-americano The New York Times, não só noticiou que os Estados Unidos votaram contra esta proposta, como que tentaram boicotá-la. Os delegados norte-americanos terão tentado coagir países da América do Sul e de África com ameaças de sanções ou retiradas de apoio e terão mesmo ameaçado a retirada de apoio financeiro à Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Presidente norte-americano, Donald Trump, apressou-se a responder ao jornal via Twitter, acusando-o de disseminar notícias falsas. “Os Estados Unidos apoiam fortemente a amamentação, mas não consideramos que as mulheres devam ver o acesso à fórmula [infantil] negado. Muitas mulheres precisam desta opção devido à má nutrição e pobreza.”

Dizer que as mulheres não conseguem amamentar por causa da pobreza e má nutrição é “colocar o carro à frente dos bois”, disse, em comunicado, o Colégio Real de Parteiras do Reino Unido. “É claro que o foco devia ser em reduzir a pobreza e má nutrição de maneira a que as mulheres estejam suficientemente saudáveis para amamentar. Também porque as famílias pobres não conseguem sustentar uma alimentação à base de fórmula.”

As alegadas ameaças feitas pelos Estados Unidos ao Equador — que apresentou a proposta inicial — e a outros países em desenvolvimento fizeram recear que a resolução não fosse aprovada. Mas a Rússia — em conjunto com o Canadá, México e 15 outros países — avançou com uma nova proposta, aprovada por 118 Estados-membros com um voto contra, o voto norte-americano. Ainda assim, os delegados dos EUA conseguiram introduzir algumas alterações na proposta e torná-la menos exigente do que a inicial.

Não é a primeira vez que os Estados Unidos votam contra este tipo de propostas e volta a cair sobre o país a acusação de ceder às pressões das empresas produtoras de fórmula infantil — uma indústria que vale 70 mil milhões de dólares (60 mil milhões de euros) e é dominada por meia dúzia de empresas norte-americanas e europeias. O Observador quis perceber se é assim tão importante promover o aleitamento materno ou se o uso de fórmula infantil é igualmente válido.

Porque é que a OMS quer regras apertadas para as empresas?

A promoção do aleitamento materno e o controlo do tipo de publicidade e promoção que pode ser feita pelas empresas que produzem fórmulas infantis (leite em pó adaptado) não são ideias novas. Já em 1974, durante a 23.ª Assembleia Mundial de Saúde (WHA, na sigla em inglês), tinha ficado claro o declínio da amamentação em vários países do mundo, em parte relacionado com a pressão das empresas produtoras dos substitutos. Nessa altura, a WHA instou os Estados-membros a rever as atividades promocionais levadas a cabo pelas empresas e a criar legislação sobre a publicidade das mesmas caso fosse necessário.

O tema voltou a ser debatido nos anos seguintes e, em 1981, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) publicaram o Código Internacional de Marketing dos Substitutos do Leite Materno. O código — que era uma recomendação, não uma regulação — foi aprovado por 118 Estados-membros. O único voto contra veio dos Estados Unidos. Na altura, a justificação foi que este tipo de código viola os princípios da liberdade de expressão e de acesso à informação. Quase 40 anos depois, a justificação é a mesma.

“Os Estados Unidos lutam para proteger a capacidade das mulheres de fazerem as melhores escolhas de nutrição para os seus bebés”, disse um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos norte-americano (a entidade presente na reunião da WHA), citado pelo The New York Times. “Muitas mulheres não são capazes de amamentar por variadas razões. Estas mulheres não podem ser estigmatizadas, têm de ser igualmente apoiadas com informação e acesso a alternativas para a sua saúde e das suas crianças.”

A resolução da WHA não pretendia obrigar as mulheres a amamentar, nem proibi-las de ter acesso a informação sobre a fórmula infantil. Nada na resolução incidia sobre a discriminação e estigma das mulheres que não amamentam. O objetivo era promover o aleitamento materno como melhor opção para a mãe e o bebé, baseado nos dados científicos disponíveis, e reforçar o Código Internacional de Marketing dos Substitutos do Leite Materno, tanto nas legislações nacionais, como na monitorização da sua aplicação e na penalização das violações ao código.

A preocupação da Organização Mundial de Saúde vai muito além das mulheres nos Estados Unidos ou nos países desenvolvidos, que têm melhores recursos financeiros e maior acesso a água potável e a cuidados de saúde do que as mulheres nos países em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos, as empresas mostram apoiar e incentivar a amamentação materna, como revela a Nestlé no seu site. Mas a postura destas empresas nos países em desenvolvimento parece ser diferente, como denuncia o jornal britânico The Guardian. Nas Filipinas, por exemplo, as empresas fazem lobby junto dos profissionais de saúde, aliciando-os com viagens pagas a conferências e outros programas de lazer, e distribuem folhetos às mães com alegadas informações de saúde, algumas apresentando o leite adaptado como melhor que o leite materno.

Há outras polémicas à volta da amamentação. No passado domingo, na Florida, a modelo Mara Martin desfilou a passarela enquanto amamentava a filha de cinco meses. Tudo aconteceu num desfile de fatos de banho da Sports Illustrated. Martin foi uma das 16 finalistas que concorreram para o desfile. Entre as outras escolhidas estava Brenna Hucky, uma atleta paraolímpica que desfilou com uma perna prostética, uma militar e uma sobrevivente de cancro.

Que riscos podem apresentar as fórmulas infantis?

A alimentação dos bebés com fórmula (leite em pó adaptado) em vez de leite materno teve início no século XIX e tornou-se comum no século seguinte. As empresas alegavam que a fórmula infantil era tão boa como o leite materno e faziam promoção junto dos profissionais de saúde, que eram os primeiros a recomendar às mães que alimentassem os bebés a biberão em vez de os amamentarem.

A moda pegou, mas, a partir de meados do século XX, as mães voltaram a querer amamentar os seus filhos — embora a adesão ainda esteja longe das recomendações das sociedades de pediatria. A venda de fórmula infantil caiu nos países desenvolvidos, mas não nos países em desenvolvimento. Estes substitutos do leite materno começaram a ser uma escolha moderna para os cidadãos com mais recursos desses países, mas estenderam-se também às populações mais pobres e com menos recursos financeiros que permitissem alimentar convenientemente as crianças à base de fórmula infantil. O resultado foi um aumento da mortalidade infantil.

A fórmula infantil é um produto caro. Quando as famílias têm dificuldade em comprar o produto, acabam por diluí-lo muito mais do que a recomendação do produtor e as crianças ficam mal alimentadas. Além disso, em muitos dos países em desenvolvimento que recorrem às fórmulas, a qualidade da água não é adequada. Se a água não for fervida e os biberões (ou outros suportes) não forem devidamente esterilizados, há o risco de contaminação com micro-organismos. A própria fórmula pode estar contaminada.

Nada é mais natural que o leite materno

“As fórmulas infantis são leite de vaca transformado e permitem que o bebé cresça e aumente de peso”, disse ao Observador Graça Gonçalves, pediatra e consultora internacional de amamentação. “Mas não há qualquer comparação possível com um produto que teve milhares de anos de evolução [o leite materno humano].” O leite materno tem as características nutricionais perfeitas, em termos de quantidade de vitaminas e sais minerais, proteínas, gorduras, açúcares e água. “Não é possível meter isto numa lata.” Mesmo que a mãe tenha algumas carências nutricionais, o leite materno continua a fornecer ao bebé elementos que a fórmula não pode fornecer, disse ao Observador Conceição Calhau, nutricionista e investigadora no Cintesis (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde).

É certo que as empresas têm investido muito na investigação e no melhoramento das fórmulas infantis, que vão adicionando componentes presentes no leite humano, mas, ainda assim, estão longe de ser um equivalente. Para citar só um exemplo, as fórmulas infantis não conseguem passar anticorpos ao bebé, como consegue o leite materno. “A criança só atinge a imunidade equivalente à do adulto aos sete anos. [Como depende da imunidade da mãe], quando deixa de mamar há uma baixa de imunidade na criança.”

Para a pediatra, co-fundadora da Clínica Amamentos (que faz aconselhamento sobre amamentação), o uso de fórmula está normalizado, mas não devia ser sequer a segunda opção para as mães que não conseguem dar mama. A segunda opção deveria ser leite da mãe extraído com uma bomba — dado a copo ou a colher, mas nunca com biberão — e a terceira opção deveria ser leite de outra mulher, recorrendo a familiares e amigas ou a um banco de leite. Graça Gonçalves admite que esta última opção é a mais difícil, porque existe apenas um banco de leite em Portugal.

O que recomenda a OMS?

A Organização Mundial de Saúde recomenda que todos os bebés sejam amamentados em exclusivo até aos seis meses. A partir dessa idade devem ser introduzidos os alimentos sólidos, mas o leite materno continua a constituir uma boa fonte de energia e nutrientes. A OMS prevê a amamentação até aos dois anos, mas esta pode ser mantida por tanto tempo quanto seja confortável e desejável para a mãe e para o bebé, disse Graça Gonçalves, consultora internacional de amamentação.

Iniciar o aleitamento materno logo após o nascimento, até uma hora após o parto, reduz o risco de infeções e o risco de mortalidade precoce, refere a OMS. Além da proteção contra infeções gastrointestinais, o leite materno evita a má nutrição do bebé. A manutenção da amamentação após os seis meses (e até aos dois anos ou mais) ajuda a prevenir a subnutrição em crianças com outras carências alimentares ou durante os períodos de doença.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defende que em muitos hospitais e comunidades em todo o mundo, amamentar ou não amamentar pode fazer a diferença entre a vida e a morte e condicionar o desenvolvimento pleno da criança.

A amamentação pode ainda ser defendida por razões mais práticas: a refeição está sempre pronta e pode ser dada em qualquer local; virtualmente não tem custos — especialmente quando comparado com a fórmula infantil; e os custos com os cuidados de saúde também são reduzidos (visto o aleitamento materno prevenir má nutrição e infeções gastrointestinais).

Quais as vantagens da amamentação no futuro?

A Organização Mundial de Saúde defende ainda o aleitamento materno porque a longo prazo protege as crianças de outras doenças como a diabetes ou a obesidade. Conceição Calhau explica que os oligassacarídeos presentes no leite materno, e descobertos recentemente, são um bom alimento para as bactérias boas do intestino dos bebés. Isso, aliado às bactérias adquiridas durante o parto vaginal, vai promover um conjunto de microorganismos intestinais que têm um papel protetor na saúde da criança e do adulto.

Além disso, há trabalhos de investigação científica que demonstram que a mãe perde peso mais facilmente, que a gordura acumulada nos glúteos é mobilizada para a produção de leite e que o útero regride e retoma a posição original mais facilmente, referiu a nutricionista. Além disso, a amamentação ajuda a prevenir o cancro da mama, ainda que, lembrou a investigadora, falte explicar o mecanismo que confere esta proteção.

Conceição Calhau considera que o apoio à amamentação e os benefícios promovidos pela OMS são largamente consensuais, embora pontualmente possam aparecer alguns trabalhos de investigação ou opiniões que o contestem. Há algumas razões para estes trabalhos aparentemente contraditórios. Por um lado, todos os trabalhos relacionados com a amamentação são observacionais — estudar bebés e crianças ao longo do tempo — e não ensaios clínicos controlados — não era ético submeter bebés a um tipo de alimentação que se considere benéfico e outro que se pense ser menos vantajoso.

Por outro lado, os estudos observacionais não são feitos nas condições ótimas. A nutricionista explicou que, quando os partos são programados ou quando as mães são sujeitas a uma cesariana, o bebé e a mãe podem estar demasiado adormecidos para a amamentação ou, pior, o corpo da mãe ainda nem sequer está pronto para o fazer. Mais, se a mãe não for convenientemente acompanhada, o bebé pode não estar a mamar corretamente, o que faz com que os resultados do estudo fiquem influenciados. Não faz sentido comparar uma pessoa que come sopa à colher com uma que come sopa com garfo

E se a mãe não consegue amamentar?

Há mulheres que gostavam de amamentar e não conseguem e acabam por recorrer à fórmula infantil mesmo que esta não fosse a sua primeira opção. Para Graça Gonçalves, menos de 5% das mulheres tem realmente alguma condição que as impeça de amamentar. As restantes mulheres que não conseguem alimentar os seus bebés dessa forma foram, na opinião da médica, mal acompanhadas e mal apoiadas.

“As desajudas começam logo na maternidade, quando o leite artificial é incentivado”, disse a consultora de amamentação. Mas também acontece quando os profissionais de saúde impõem a amamentação à mãe sem acompanharem o processo. Um bebé que não pegue corretamente na mama vai magoar a mãe e não se vai conseguir alimentar convenientemente. A mãe vai encarar o processo como doloroso e um sacrifício, o bebé vai ficar com fome e a mãe vai ficar convencida que o seu leite “é fraco”. E não existem “leites fracos”, como se apressou a esclarecer a médica. “E são raríssimos os casos de mulheres que não conseguem produzir leite suficiente”, acrescentou Conceição Calhau.

Os bebés que nasçam de parto natural e no fim do tempo de gestação têm, à partida, maior facilidade em mamar corretamente. Quando o parto é antecipado ou induzido, o bebé pode ainda não estar pronto para fazer a primeira refeição, disse Graça Gonçalves. Até a epidural, se passar para o bebé, pode deixá-lo demasiado atordoado para comer. “As mães e os bebés não têm as melhores condições iniciais para a amamentação funcionar”, concluiu a médica.

Mas o parto prematuro não é, só por si, condição suficiente para se optar pela fórmula infantil. “Se o bebé nascer entre as 35 e as 37 semanas é possível amamentar, mas tem de haver muito apoio porque vão existir muitas dificuldades na amamentação”, disse Graça Gonçalves. “Se o bebé nascer entre as 28 e as 30 semanas o apoio tem de ser extraordinariamente maior.” Não só o bebé não está preparado, como o próprio corpo da mãe ainda não está pronto para a produzir leite. Mesmo nestes casos, a pediatra recomenda que se recorra, sempre que possível, a leite humano de um banco de leite ou de familiares ou amigas.

Nos casos em que o bebé não consiga ou não possa mamar e seja preciso recolher a leite extraído, da mãe ou de um banco de leite, ou a fórmula infantil e nos casos em que seja preciso suplementar os bebés, a pediatra deixa um conselho importante: não usar biberão (usar colher, copo ou seringa). “O biberão é inimigo da amamentação.” A posição para dar biberão não é a posição natural de alimentação do bebé, requer muito menos esforço mamar de uma tetina do que da mama da mãe, o que acaba por fazer com que o bebé coma mais do que precisa. “Quando se sente saciado já é tarde demais.”

E se a mãe não quer amamentar?

“A decisão de amamentar, ou não, é uma escolha da mulher e deve ser respeitada”, disse o Colégio Real de Parteiras do Reino Unido (RCM, na sigla em inglês) numa nova posição sobre alimentação infantil publicada em junho. As razões que podem levar uma mulher a evitar ou parar a amamentação vão desde questões médicas, culturais ou psicológicas, até desconforto físico ou inconveniência, referiu um editorial da revista científica The Lancet, em 2016. “Estas questões não são triviais e as mães que não recebem apoio acabam por escolher o biberão com fórmula.”

Daí que o RCM defenda a importância de os pais terem acesso a informação, quer sobre as vantagens da amamentação, quer sobre como devem alimentar corretamente os seus bebés com fórmula infantil — seja em exclusivo, seja em combinação com o leite materno. Os profissionais de saúde devem assim estar preparados não só para promover e apoiar o aleitamento materno, mas também para dar os melhores conselhos aos pais que escolham a fórmula. Apesar desta recomendação, a associação deixa claro que “a amamentação em exclusivo durante os primeiros seis meses de vida de um bebé é o método mais apropriado de alimentação infantil”.

“Há mulheres para as quais amamentar é um verdadeiro prazer. É muito bom para elas e muito bom para o bebé. Mas amamentar um bebé quando a mãe não gosta de o fazer? É uma catástrofe”, disse Elisabeth Badinter, uma feminista francesa, citada num artigo de opinião no The Guardian.

Para Graça Gonçalves, as mulheres que estejam bem informadas e bem apoiadas dificilmente escolhem a fórmula infantil em detrimento do aleitamento materno. Para a consultora em amamentação é necessário esclarecer que a fórmula não é equivalente ao leite materno e apoiar as mães que tiveram más experiências com a amamentação no passado. Mais: a pediatra defende que se o bebé pudesse escolher, escolhia o leite materno, e que ao fazer uma escolha a mãe também deve pensar no bebé.

Mesmo para as associações que apoiam mães que não amamentam, como a “Don’t judge just feed” (Não julgue, alimente apenas), a amamentação é apoiada, incentivada e celebrada. O que esta associação procura é que as mães que não podem ou não querem amamentar recebam o mesmo tipo de apoio. Não ser capaz de amamentar pode ter um forte impacto nas mães que esperavam poder fazê-lo e a associação também quer apoiar estas mulheres e sensibilizar para este problema.

 

 

Vale a pena reduzir a amamentação materna para os bebés dormirem mais?

Julho 21, 2018 às 5:05 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do MAGG de 12 de julho de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Estudo diz que os bebés que ingerem sólidos antes dos 6 meses dormem mais. Um especialista discorda: o leite da mãe em exclusivo é o melhor.

e acordo com os resultados de um estudo divulgado recentemente no Jama Pediatrics, as crianças que começam a ingerir sólidos com menos de seis meses de idade dormem mais do que aquelas que são amamentadas. A investigação liderada pelo especialista Michael Perkin, do Instituto de Pesquisa de Saúde da População e do Hospital St. George, em Londres, sugere que a introdução dos sólidos pode resultar num sono melhor.

Michael Perkin e a sua equipa analisaram 1303 bebés: os do grupo de introdução precoce de alimentos começaram a ingerir sólidos com cerca de 16 semanas, em média, em comparação com os do grupo padrão que iniciaram às 23 semanas. Durante o período do estudo, que durou cinco meses, os bebés que começaram a comer sólidos mais cedo dormiam mais do que aqueles cujas mães continuaram a amamentar exclusivamente até aos seis meses de idade — uma média de quase 17 minutos a mais, para sermos precisos.

A diferença de minutos, que atingiu o seu pico máximo aos seis meses dos bebés, persistiu após o primeiro aniversário destes, sendo que as crianças que começaram a dormir mais cedo também acordavam com menos frequência (9%) do que os outros.

Os minutos a mais de sono não compensam o fim da amamentação exclusiva

Apesar do quão atrativa possa ser a ideia de que as crianças podem dormir mais com alterações na alimentação, José Aparício, médico pediatra e coordenador do atendimento pediátrico do Hospital Lusíadas Porto, realça que as vantagens da amamentação exclusiva estão muito acima dos 17 minutos a mais de sono.

“Prefiro que os bebés durmam menos 17 minutos e que se alimentem à mama”, diz à MAGG o especialista, que alerta que este tipo de estudos e trabalhos podem influenciar uma mãe a deixar de lado a amamentação exclusiva em prol de um sono mais extenso das crianças.

O médico pediatra afirma que “17 minutos não são nada” e recomenda que “se mantenha a mama”. José Aparício é “muito crítico em relação a tudo o que coloque em causa algo adquirido já há muitos anos, como os benefícios da amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida das crianças”.

De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento materno deve ser obrigatório no primeiro meio ano dos bebés e só depois é que os alimentos sólidos podem ser introduzidos.

“Respeitando o trabalho citado, estamos a comparar uma média de 17 minutos de sono contra uma vantagem imunológica, nutricional, psicológica e intelectual, basicamente tudo aquilo que a alimentação materna traz de positivo para um bebé. São também 17 minutos em que a mãe está a olhar para o bebé e este para a mãe”, afirma o especialista.

De acordo com José Aparício, a amamentação exclusiva é fundamental e traz inúmeras vantagens. “É claro que a população em geral pode ser seduzida pela ideia de conseguir mais tempo de descanso para os filhos, mas tenho mais que argumentos para desmontar esta ideia de 17 minutos a mais à custa de acabar com a mama em exclusivo, que vou defender sempre, devido aos seus variados benefícios em diversos campos”, conclui o pediatra.

Em Portugal, quase dois terços das mães amamentam em exclusivo até aos três meses.

 

 

 

Quais são os alimentos “proibidos” para as mães que amamentam?

Dezembro 20, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Hugo Rodrigues publicado na http://visao.sapo.pt/ de 9 de dezembro de 2017.

Uma das maiores preocupações relativamente à alimentação das mães que amamentam sempre foi o cuidado de não ingerir alimentos potencialmente mais alergénicos, com medo de que eles pudessem passar através do leite para o bebé e induzir neste algum tipo de reação.

Esta é uma questão extremamente frequente e para a qual surgem várias respostas. No entanto, a evidência científica é cada vez maior nesta área e actualmente existem recomendações claras das principais sociedades científicas internacionais.

Uma das grandes vantagens do leite materno é ser um alimento “dinâmico”. Do ponto de vista nutricional, vai-se adaptando às diferentes fases de crescimento do bebé, permitindo que este seja sempre alimentado da maneira mais adequada em todas as etapas por que vai passando.

No entanto, a sua variação não é apenas nos nutrientes. Ele varia do ponto de vista imunológico, alterando a sua composição em termos de anticorpos e outras moléculas de defesa, mas também em termos de sabor. É consensual que a alimentação da mãe influencia a composição do leite materno e que vai fazer com que este adquira cheiros e sabores diferentes. Este é, claramente, um aspecto muito importante…

Por um lado, os sabores diferentes do leite vão permitir ao bebé conhecer também uma grande variedade de sabores, estimulando assim o desenvolvimento do sentido do paladar. E este aspecto é de tal forma significativo que está actualmente provado que é um facilitador da forma como os bebés aceitam a alimentação ao longo da sua vida futura. Assim, é um bom conselho dizer que “quantos mais sabores a mãe comer, mais sabores o filho come também e aprende a conhecer”.

Por outro lado, temos a questão das alergias. Uma das maiores preocupações relativamente à alimentação das mães que amamentam sempre foi o cuidado de não ingerir alimentos potencialmente mais alergénicos, com medo de que eles pudessem passar através do leite para o bebé e induzir neste algum tipo de reação. No entanto, o que os estudos vieram e têm vindo a demonstrar é exactamente o contrário. O leite materno tem um conjunto de partículas que diminuem a probabilidade do bebé fazer reacções alérgicas, pelo que parece ser benéfico contactar com esses alimentos através deste “veículo”. O risco de desenvolver alergias é menor do que quando se faziam restrições alimentares às mães, pelo que não faz sentido privá-las de nenhum alimento.

Por fim, a questão das cólicas. Ainda é bastante frequente ouvir-se dizer que as mães que amamentam não devem comer alimentos que lhes provoquem cólicas, porque vão ter o mesmo efeito nos bebés (os feijões e os legumes verdes são os exemplos mais recorrentes). Apesar desta ser uma crença popular, com muitos anos de evolução, não faz sentido nenhum do ponto de vista teórico. E não é difícil perceber porquê… O componente desses alimentos que provoca cólicas são as fibras que, por definição, são um nutriente que os seres humanos não conseguem absorver. Como não são absorvidas acumulam-se nos intestinos e levam à produção de gases e ao desconforto que muitas vezes provocam. No entanto, se permanecem no intestino, é completamente impossível que passem para o leite, pelo que não têm nenhum efeito nos bebés. Este é um mito que se tem perpetuado sem nenhum tipo de fundamento e que importa desconstruir.

Assim, a conclusão é simples e a resposta à questão inicial é muito fácil de dar. Não existem alimentos proibidos para as mães que amamentam! Elas podem e devem comer de tudo, tentando fazer uma alimentação o mais saudável possível. A única excepção são as bebidas alcoólicas, que devem ser restringidas e as bebidas com cafeína que, se possível, devem ser reduzidas ou abolidas também. Tirando isso, podem comer tudo. Alimentos como morangos, laranjas, feijões, frutos secos ou marisco podem e devem ser consumidos enquanto se amamenta.

Claro que, apesar de improvável, é sensato ir vigiando para ver se surge alguma reação no bebé, que pode ser de dois tipos: borbulhinhas no corpo (e não apenas na cara) ou algum tipo de desconforto. Se surgir e houver a suspeita de estar associada a algum alimento consumido pela mãe, o melhor conselho é mesmo parar esse alimento durante uns dias. Quando o bebé voltar a ficar “normal”, a mãe deve voltar a comer o que tinha comido para avaliar se surge a mesma reação. Se isso acontecer, o alimento não deve ser consumido novamente, mas em caso contrário a mãe pode voltar a ter liberdade na alimentação. E habitualmente é mesmo isso que acontece…

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue “Pediatria para Todos” e do livro “Pediatra para todos”

 

 

 

 

Amamentação – o óbvio e o menos óbvio

Outubro 9, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://uptokids.pt/de 26 de setembro de 2017.

Amamentar é daquelas coisas que tem tanto de simples como de complicado. Se por um lado dispomos de equipamento para o efeito – leia-se mamas – por outro trata-se de uma actividade nova para as partes envolvidas – a mãe nunca usou as suas mamas como fonte de alimento, o bebé nunca precisou de fazer nada para se alimentar, limitava-se a receber o alimento necessário através do cordão umbilical.

No nosso caso, foi complicado. A Letícia nasceu quase prematura, tinha os valores da glicémia baixos (esteve quase a ir para a incubadora) e por isso, depois de ter mamado o meu leite, bebeu leite artificial (LA). Mais, tinha imensa dificuldade em permanecer acordada para mamar e em fazer a pega (colocava o lábio inferior para dentro). No hospital (privado) foram incansáveis, apareciam constantemente no quarto para assegurar que a pega estava a ser bem feita, para vigiar se o leite já tinha subido/descido (ao início produzes colostro, um líquido amarelado ou transparente) e para me motivarem.

Embora no hospital tenha dado sempre leite materno (LM) e de seguida LA, em casa decidi investir mais no primeiro. Dava LM, ela adormecia, acordava pouco tempo depois a querer mamar; na altura diziam-me que devia fazer intervalos, criar horários – tudo errado!

Na primeira consulta de pediatria a nossa filha tinha perdido peso, o que para um bebé que desde o nascimento se enquadrava no percentil 15 era péssimo. Chorei muito, senti-me a pior mãe do mundo por ter insistido no LM; a pediatra deu-nos duas alternativas: abandonar o LM ou continuar a dar entre o LA. Nos dias seguintes, com o aumento de consumo do LA, notava-se um desinteresse cada vez maior pelo LM, como resultado eu produzia cada vez menos; sentia-me triste porque adorava dar de mamar (aquele momento só nosso de pele com pele) e por acreditar que o meu leite era o alimento ideal para a nossa filha. Estava prestes a desistir quando recebi uma mensagem no facebook de uma prima do meu primo (daquelas pessoas simpáticas com quem raramente nos cruzamos) que dizia algo deste género: “Olá, Tânia! Espero que tudo esteja a correr bem. Não sei se sabes que me tornei conselheira de aleitamento materno, se precisares de alguma coisa, avisa“. Lembro-me de ter chorado de tão feliz que fiquei, aquela pessoa surgia no meu caminho na hora exacta.

A primeira sessão com a Cristina (a tal prima) foi fantástica – ouviu-me, acarinhou-me, sugeriu e deixou-me escolher o caminho que iríamos seguir. Contrariamente ao que me diziam, a Cristina explicou-me e provou-me (enviou material de apoio) as vantagens de amamentar em livre demanda (sempre que o bebé quer); tal também faria com que a minha produção aumentasse. Confesso-vos que as primeiras noites foram terríveis, enquanto com o LA ela mamava e dormia várias horas seguidas, com o LM tinha de acordar constantemente para dar de mamar (no início chegou a ser de 30 em 30 minutos). Gradualmente a produção foi aumentando, passei a ter de acordar menos vezes e a dar menos LA.

Contra todas as expectativas, a nossa filha mamou até aos 12 meses, altura em que, com muita pena minha, fez o desmame natural.

Dar de mamar foi das experiências mais maravilhosas e duras da minha vida. Gostava de ter sido avisada sobre alguns aspectos desde o início, de dispor de várias alternativas que só mais tarde descobri. Posto isto, deixo-vos uma lista com as aprendizagens que fui fazendo (sobretudo com a ajuda da conselheira em aleitamento materno) e que poderão fazer a diferença entre uma amamentação feliz e uma amamentação abandonada precocemente.

1 -Prepara-te para que não acertar à primeira.
O bebé está programado para mamar, a tua mama está programada para dar leite, ainda assim nem tudo flui imediatamente. O bebé pode ter dificuldade em fazer a pega, pode ter tendência a adormecer assim que começa a mamar, entre outros; os teus mamilos podem ter um formato que não facilita a amamentação (com ajuda tal poderá ser contornado, evita recorrer de imediato aos bicos de silicone que tornam a sucção mais complicada e podem reter o leite), podem ter mais tendência a formar gretas, etc. Com o tempo (pode demorar!) vais dominar isto e perceber o que resulta com vocês.

2 – Dá de mamar sempre que o bebé quiser.
Não te foques em horários, em criar intervalos e rotinas, tudo isso surgirá naturalmente. O teu bebé necessita de se alimentar e, tal como todos nós, terá o seu ritmo de o fazer – há quem coma pouco em cada refeição, e por isso coma mais vezes ao dia, há quem coma mais em cada refeição, e por isso coma menos vezes ao dia. Além disso, o bebé mama de acordo com as suas necessidades em cada fase e será deste modo que as tuas mamas irão perceber a quantidade de leite que precisam de produzir.

3 – “As mamas não são armazéns, são fábricas”.
Esta frase da Cristina é mágica e libertadora! Quando começares a amamentar irás reparar que nos segundos que antecedem a mamada as tuas mamas parecem ter silicone de tão grandes e rijas que ficam; no final apenas te restarão duas uvas passa, moles e sem graça. Quando o bebé pede novamente para mamar e as tuas mamas ainda estão em modo uva passa sentirás que estás a produzir pouco, que ainda não tens leite suficiente para o alimentar, o que é altamente stressante. Eis que surge a Cristina com a explicação de que as nossas mamas não funcionam como armazéns, elas vão produzindo leite enquanto o bebé mama, pelo que uma mama aparentemente vazia não é uma mama inútil.

4 – Quanto mais os bebés mamam, mais leite produzimos.
Este princípio é básico mas menos óbvio do que se possa imaginar. Se sentes que estás a produzir pouco, permite que o bebé mame mais vezes ou, em último caso, recorre a uma bomba tira-leite (deverás ter muito cuidado para não começares a produzir demasiado leite e entrares num círculo vicioso em que por produzires demais tens de tirar com a bomba e ao tirar  vais produzir ainda mais).

5 – O vosso conforto é fundamental.
Apanha as almofadas todas que andem aí por casa e constrói um castelo de almofadas que te permitam (e ao bebé) sentir confortável enquanto amamentas – nas costas, por baixo dos braços, no colo, vale tudo.

6 – Respira, relaxa e aproveita o momento.
Enquanto a prolactina é a responsável pela produção de leite, a ocitocina, conhecida pela hormona do amor (é a que está também ligada aos orgasmos) é responsável por estimular a produção de prolactina e permitir que o tecido mamário se contraia de forma a que o leite passe pelas glândulas mamárias; traduzido por miúdos, a amamentação será mais fácil se estiveres relaxada pois a produção de ocitocina acontecerá de forma mais natural. Andares preocupada por teres “pouco leite” contribui para que tal aconteça.

7 – Não existem leites fracos, nem insuficientes, nem que alimentam pouco.
Vais ouvir esta frase várias vezes, sobretudo quando o bebé chora, mesmo que por  outro motivo. O teu leite é óptimo, tem tudo o que o teu bebé necessita, nas quantidades exactas. Como referi, existem bebés que precisam de comer mais do que outros, que querem mamar como forma de consolo, entre tantas outras opções que em nada colocam em causa a qualidade do teu leite.

8 – Inicia a mamada na mama em que terminaste.
Não me irei alargar em explicações técnicas, até porque não estou qualificada para isso, só quero transmitir a ideia de que enquanto amamentas a composição do leite vai-se alterando – inicialmente produzes um leite mais aguado, destinado a saciar a sede do bebé, ao passo que no final da mamada o leite torna-se mais rico em gordura e possui mais nutrientes e calorias. Se o bebé não esvaziar a mama e iniciar a mamada seguinte na outra mama poderá não chegar novamente à fase do leite mais rico em gordura; para evitar que tal suceda, deverás começar pela mama em que mamou da última vez.

9 – Existem dezenas de posições para dar de mamar.
Recordo-me perfeitamente do dia em que a Cristina me perguntou se já tinha experimentado dar de mamar noutras posições – “como assim, outras posições?!”, perguntei eu completamente baralhada. Sim, existe uma espécie de “mamasutra” a que podes recorrer, com posições que poderão ser mais confortáveis do que a posição tradicional que sempre nos foi imposta. No nosso caso, a Leti mamar sentada (posição cavalinho) permitia que ficasse mais desperta e bolsasse muito menos no final

10 – Cuida bem dos teus mamilos.
Dares de mamar com mamilos feridos/gretados pode tornar-se impossível. Deste modo, coloca algumas gotas do teu próprio leite ou usa um creme adequado.

11 – A amamentação nocturna é importante.
Conheço alguns casos de mães que decidiram “saltar” as mamadas da noite, dando LA, o que rapidamente condicionou a sua produção de leite. Durante a noite os níveis de prolactina atingem o seu pico, pelo que é fundamental dar de mamar neste período.

12 – Não laves as mamas antes de amamentar.
A mama tem um cheiro próprio que incentiva o bebé a mamar, retirá-lo não é proveitoso.

13 – Podes sentir o útero a contrair durante a amamentação.
Não te preocupes, é desejável que assim seja! Amamentar facilita a contracção do útero, isto é, que regresse ao seu tamanho original (já não precisas de um útero todo dilatado).

14 – “Passei o dia a dar de mamar”.
Poderão existir dias em que andarás de mamas ao léu por saberes que dentro de momentos darás de mamar de novo, em que sentirás que passaste o dia a dar de mamar, em que te questionarás se amamentar é assim tão importante – é natural, senti o mesmo. Não obstante, são momentos de cansaço que passam, contrariamente aos benefícios da amamentação que duram uma vida inteira.

15 – Pede ajuda, não serás menos mãe por isso.
Sem ajuda provavelmente a nossa aventura no mundo da amamentação teria durado menos de 1 mês. Se tens dúvidas, se notas que a amamentação poderia correr de forma diferente, procura ajuda profissional. Existem grupos no facebook dedicados ao aleitamento materno (embora alguns deles sejam compostos por pessoas fundamentalistas), a rede amamenta, as Cam’s de Portugal  e as conselheiras em aleitamento materno em carne e osso.

16 – Amamentar deverá ser prazeroso para ambos.
Não o será todos os dias, em todos os momentos, pelo menos convém que seja na sua maioria. Se chegaste a um ponto em que já tentaste de tudo, em que sentes que realmente não está a ser proveitoso nem para ti nem para o bebé, tens direito a não querer prosseguir (na verdade tens direito logo desde o início). O LM é fundamental para o bebé, mas a felicidade e o bem-estar da mãe são mais.

imagem@dephositphotos

 

 

“Um bebé que mama não tem que ser pesado todas as semanas”

Outubro 2, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 28 de setembro de 2017.

A presidente da Comissão Nacional Iniciativa Amiga dos Bebés e ex-ministra da Saúde, Ana Jorge, diz que há médicos que ainda consideram a amamentação um “fundamentalismo”.

Não tem que ser uma imposição, mas tem que ser uma decisão esclarecida, a de amamentar ou não uma criança. Quem o diz é a ex-ministra da Saúde, Ana Jorge, agora à frente da Comissão Nacional Iniciativa Amiga dos Bebés — a mesma que forma profissionais de saúde em aleitamento materno. Em entrevista ao Observador, Ana Jorge defende que as duas horas previstas na lei para aleitamento e acompanhamento de um bebé no seu primeiro ano de vida deviam estender-se até aos dois anos da criança. A pediatra fala, ainda, na importância da alimentação nos dois primeiros anos de vida do bebé e da necessidade de o fazer de forma concertada, em casa e nas creches. Este é, aliás, um dos temas a explorar na Conferência Internacional de Aleitamento Materno 2017, que esta sexta-feira vai ter lugar na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (Pólo Artur Ravara, Parque das Nações). Tanto tempo depois de se conhecerem as vantagens da amamentação, ainda assim, diz Ana Jorge, há uma grande comunidade médica que considera o aleitamento materno um “fundamentalismo”.

Qual a importância do leite materno nos primeiros anos de vida de uma criança e para a mãe?

O leite materno é o alimento essencial mais bem preparado para a alimentação do bebé, tem todas as propriedades e necessidades nutritivas até aos seis meses de idade, daí a defesa da amamentação exclusiva. Depois, deve ser consumido com outros alimentos até aos dois anos. O leite da mãe transmite defesas, protegendo o bebé contra infeções e contra algumas doenças nos primeiros meses de vida. Também protege do ponto de vista das intolerâncias alimentares, reduz as gastroenterites e as infeções respiratórias. A relação entre mãe e filho é reforçada e a recuperação do pós-parto é mais fácil para a mãe. Há estudos que mostram que há uma menor incidência do cancro da mama e de outras patologias para mulheres que amamentaram.

Há bebés que a partir dos cinco meses começam a mamar com maior frequência. Significa que é necessário introduzir outros alimentos antes dos seis meses?

Se o leite da mãe não for suficiente sim. O horário da mamada é livre e não é só a frequência da mamada que é o indicador de que necessita de outros alimentos. Se isso acontecer, a mãe deve falar com alguém para ensinar a compreender as necessidades do bebé.

Como é que os hospitais podem promover o aleitamento materno?

Sabe-se que nos primeiros dias do nascimento há uma grande sensibilidade da mãe, e haver condições dentro do hospital para a apoiar é um grande contributo para o sucesso da amamentação. É fundamental haver alguém por perto a ensinar a mãe a por o bebé no peito. Porque quando a mãe sente dor, é porque a pega está mal feita. Um bom início de amamentação significa maior sucesso. Também é importante esta profissionalização nos cursos de preparação para o parto e nos centros de saúde, que devem trabalhar em estreita ligação com os hospitais.

O que são “Hospitais Amigos dos Bebés”? Como são controlados?

Em 1991 foi assinado um manifesto internacional e os países foram aderindo. Em Portugal a primeira comissão começou em 1993 e o objetivo era que os hospitais tivessem práticas que promovessem o aleitamento materno. A nossa Comissão é composta por um grupo de profissionais que tem promovido a formação em aleitamento materno nos hospitais. Existem 15 hospitais, num total de 33 ou 34 (locais onde nascem bebés) certificados. A certificação dura três anos, findos os quais é feita uma reavaliação através de questionários feitos a profissionais e a mães, na intervenção em consultas e em salas de parto. Analisa-se tudo. Isto porque os profissionais de saúde estão sempre a rodar e ao fim deste tempo os hospitais podem ficar sem profissionais formados em aleitamento materno. Avalia-se se o bebé é colocado ao peito na primeira meia hora após o nascimento, se existe uma determinada percentagem de funcionários com a formação e o que dizem os profissionais às mães. O profissional tem que ter tempo para explicar como estimular o leite, como é que mãe e bebé acabam por estabelecer um ritmo nas mamadas, que um bebé amamentado a peito não aumenta de peso como com um biberão, que o bebé não tem que ser pesado todas as semanas, se está a crescer bem. Se não temos uma balancite! Um bebé mama conforme a sua necessidade e autoregula-se. E a cada mamada, mama quantidades diferentes. E tem que se ensinar à mãe qual o comportamento do bebé quando não está satisfeito.

Por outro lado, não considera que se está a criar a ditadura do aleitamento materno? Uma mulher não pode simplesmente optar por não amamentar?

Não tem que haver uma ditadura do aleitamento materno. A opção é livre e esclarecida da mulher. A mulher tem direito à sua opção se não quiser dar de mamar. É obrigação dos profissionais de saúde dar-lhe informação das vantagens do aleitamento materno para que tenham uma decisão consciente e sem dúvidas. Porque às vezes as mães têm medo. Há mulheres que não podem amamentar de todo por razões clínicas. Há mulheres que não têm leite. É raro, mas há. Há mulheres que conseguem dar mama três, quatro anos, outras menos tempo. A grande maioria tem leite suficiente para os bebés. Somos mamíferos e a produção do leite faz parte. Em Portugal, por exemplo, uma mulher portadora de HIV não tem indicação para fazer aleitamento materno, se estiver em África tem, porque ainda assim o risco é inferior, porque não há leite nem água potável.

Há leite fraco?

É um mito. O leite muitas vezes tem uma boa composição, a mãe pode é produzir pouco leite e daí a necessidade de vigilância, de ver como o bebé se comporta. Há sinais: como bebés inquietos ou a dormir demasiado, não evoluir no peso. Tudo tem que ser avaliado.

Há mães que deixam de amamentar porque estão cansadas e porque consideram que os bebés que bebem leite artificial dormem melhor durante a noite e não acordam tantas vezes. Verdade ou mito?

Quando as mães decidem ter um bebé, a vida muda. Sou mãe para ter que assumir que um bebé tem o seu ritmo e nos primeiros tempos têm necessidade de mamar. Mais para a frente, temos que ver se o bebé acorda porque tem necessidade de mamar ou necessidade de estar com a mãe. Hoje a vida é agitada, muitas mulheres não têm a vida facilitada. E, apesar de Portugal ser dos países com melhores leis de parentalidade do mundo, nem sempre é facilitado pelos empregadores. As mulheres que têm um trabalho precário não têm direito a uma série de licenças. Vamos ter, a curto prazo, em Portugal uma empresa que dá pausas durante o trabalho para poder tirar leite e dá espaço para guardá-lo. Isso é fundamental pelo menos até ao primeiro ano de vida. Manter as refeições de leite com o leite da mãe. Mas é preciso que os empregadores permitam que a mulher tire esse leite. Estamos a tentar despertar esta discussão pública.

Qual a diferença entre um bebé amamentado só até aos seis meses ou até aos dois anos?

Uma criança que mama tem melhores condições de saúde quando adulto. Há um grupo brasileiro que seguiu uma população ao longo de trinta anos e que percebeu essa diferença. Aquilo que defendemos é o que a Organização Mundial de Saúde defende: exclusivo até aos seis meses, não precisa de água, comida, nada… Mas, a partir dos seis meses, devem introduzir-se outros alimentos. A necessidade de leite a partir da introdução de outros alimentos vai reduzindo, se reduzir o número de mamadas reduz a produção e o desmame é mais natural. Quanto mais tempo o bebé beber leite materno, melhor. Obviamente que há um limite. Depois dos dois anos, fica à vontade das mães, mas não é essencial. As defesas estão constituídas e do ponto de vista do desenvolvimento global não é essencial, não é significativo.

A comunidade médica está recetiva a passar declarações de amamentação depois de um ano de idade e promove essa prática?

A comunidade médica não está aberta! Há uma corrente que acha que dar de mamar pode ser muito fundamentalista. Até um ano, a lei diz que as mulheres têm direito a uma redução de duas horas no dia de trabalho, não só para dar de mamar, mas também para estar mais tempo com o bebé. Há estudos científicos que indicam o quanto este acompanhamento é importante do ponto de vista cerebral. Aquilo que seria importante era que as mulheres tivessem estas duas horas para mamar e estar com os filhos, do meu ponto de vista pessoal, até aos dois anos. Mas tem que ser honesto. As mães têm que estar com os filhos.

A alimentação nos dois primeiros anos da criança não devia passar por uma estratégia concertada entre as famílias e as creches?

Portugal tem bons indicadores no aleitamento materno, na alimentação, mas somos penalizados nos relatórios internacionais por não haver uma política concertada. Queríamos discutir isso amanhã [na conferência], devia haver uma orientação nacional sobre as regras da alimentação nos dois primeiros anos de vida.

 

 

Leite materno tem propriedades antibacterianas

Setembro 9, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.paisefilhos.pt/ de 25 de agosto de 2017.

Little baby girl being breastfeeded

Os hidratos de carbono, em forma de açúcares, presentes no leite materno são uma ferramenta poderosa de proteção dos bebés recém-nascidos contra uma bactéria que motiva a maior parte das infeções nas primeiras semanas de vida.

A conclusão é de um estudo realizado na Universidade Vanderbilt (EUA) que se dedicou a investigar diferentes métodos de combater bactérias infeciosas, tendo selecionado a estreptococos do grupo B e concentrado a sua atenção nos açúcares presentes no leite das mães (oligossacáridos). De referir que uma das propriedades mais valorizadas destes compostos é o facto de não serem tóxicos.

“Os nossos resultados demonstram que estes açúcares (…) primeiro enfraquecem as bactérias-alvo e depois matam-nas. Os biólogos às vezes chamam a isto ‘letalidade sintética’ e há um grande empurrão para se desenvolver novos fármacos antimicrobianos com esta capacidade”, afirmou Steven Townsend, autor principal do estudo, citado pelo portal “Alert”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Human Milk Oligosaccharides Exhibit Antimicrobial and Antibiofilm Properties against Group B Streptococcus

 

 

 

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